Jornal A Voz do Trabalhador

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<p> 1. Dois bilhes de reais: recursos recebidos pelos Coutinhos em 9 anos de governo INFORMATIVO DO SINDICATO DOS TRABALHADORES PBLICOS MUNICIPAIS DE CAXIAS N 36 - MAIO/2014 Os trabalhadores pblicos municipais de Caxias vivem situao difcil em face das pssimas condies de trabalho e dos mseros salrios que recebem. A Lei prev direitos aos trabalhadores e os recursos financeiros do municpio so suficientes para garantir esses di- reitos. Mas os governantes no respei- tam a Lei e, ainda, desviam os recur- sos para aumentar seu patrimnio e de seus aliados. A direo do SINTRAP, num esforo gigante de pesquisa, empreitou uma verdadeira garimpagem, buscou dados que demonstram que possvel pagar salrios decentes, insalubridade, adi- cional noturno, etc. Apesar das informaes deficientes fornecidas pela Prefeitura em seu site e com a ajuda das informaes nos sites do Governo Federal, montamos a tabe- la de recursos recebidos pelo municpio de Caxias, de 01 de janeiro 2005 a 25 de abril de 2014, que totalizam quase 2 bilhes (R$ 1.903.743.785,47 Um bilho, novecentos e trs milhes, se- tecentos e quarenta e trs mil, seten- centos e oitenta e cinco reais e qua- renta e sete centavos). Em 2013, a Prefeitura recebeu R$ 248.273.398,02. E neste ano de 2014, somente nestes primeiros meses, j recebeu cerca de R$ 93.663.066,61. Fontes: Siop, site do BB, site da Prefeitura de Caxias, Portal da Transparncia da Sade Obs: Os valores da Receitas prprias e os Impostos Estaduais, referentes aos anos de 2013/2014 so por estimativas relacionadas ao ano de 2012 Com essa montanha de recursos, se bem administrados, a Prefeitura de Ca- xias poderia prestar servios pblicos dignos aos seus cidados e garantir sa- lrios decentes e boas condies de tra- balho aos servidores pblicos. Todavia, a nica coisa que tem melhorado sensi- velmente em Caxias nos ltimos anos o Patrimnio do grupo dominante, espe- cialmente da famlia Coutinho. De acordo com os dados vemos uma demonstrao concreta da possibilida- de de o governo investir na melhoria salarial e dos servios pblicos, princi- palmente se examinarmos as receitas totais recebidas pelo municpio de Ca- xias em comparao com as despesas atuais com pessoal da Educao e da Sade, pois essas duas reas so res- ponsveis pelo recebimento de verbas federais correspondentes a 54,03% do montante da receita municipal em 2013. Assim, embora existam leis fe- derais que garantem direitos aos tra- balhadores destas duas reas, esses mesmos direitos esto sendo des- respeitados em Caxias, por exem- plo, a jornada de 1/3 fora da sala de aula para os professores, o PCCS e a insalubridade para os trabalhadores da Sade. A luta dos trabalhadores brasilei- ros garantiu esses direitos em lei, mas os governantes de Caxias in- sistem em neg-los, permanecendo fora da lei. Apois a pesquisa podemos compro- var que o municpio pode atender nossa pauta de reivindicaes. Porque no sai reajuste aos trabalhadores da Educao As tabelas que seguem demonstram que os recursos recebi- dos para a educao de Caxias so suficientes para pagar um salrio digno aos trabalhadores da educao e garantir escolas decentes, transporte e merenda adequados para os alunos. Em 2013, foram 90 milhes. Em 2014, somente at meados de abril, Lo Coutinho j recebeu cerca de 34 milhes. Por que ser que os Coutinhos e sua Capit-do-mato, Slvia Car- valho, mesmo recebendo essa montanha de recursos, insiste em pagar salrios de misria para os trabalhadores? Num trabalho de garimpagem de informaes no site da Prefeitura e no Conselho do FUNDEB, descobrimos al- gumas respostas para essa pergunta. Governo nega, mas os recursos so suficientes JORNAL-SINTRAP-N-36-MAIO.indd 1 05/05/2014 15:34:09 2. 2 Informativo SINTRAP Em Caxias a quantidade de professores contrata- dos excede ao de efetivos. Somente professores pagos com recursos do FUNDEB (dez/2013) constatou-se a existncia de 1.751 efetivos e 2.711 contratados. A ra- zo de tantos contratados porque parte dos efetivos est, indevidamente fora da sala de aula. til relembrar as palavras da ex-secretria Deusimar Serra: Reconheo que aqui na Se- cretaria tem excesso de pro- fessores e servidores, mas no sei ainda quantos so e o que fazem. Mas o principal motivo de tantos contratos a velha conhecida politicagem. a moeda de troca do Prefeito com os vereadores e cabos eleitorais. Portanto, escan- dalosa, ilegal e imoral. Se tivssemos um Ministrio Pblico ntegro em Caxias o Prefeito e sua secretria j tinham perdido os seus cargos, pois a Lei autoriza os contratos mediante duas condies: a necessidade e a urgncia. Diante disso, os contratos em Caxias carac- terizam caso de improbidade administrativa em dose du- pla: no so casos de ne- cessidade e muito menos de urgncia. Esta impro- bidade, que se perpetua ao longo de todo o governo dos Coutinhos, encarece a Fo- lha de Pagamento e dificulta o planejamento estratgico para melhorar a qualidade da Educao. Esses professores efetivos encontram-se na Secreta- ria de Educao, Coordena- o Pedaggica, lotados em Programas, Salas de Leitu- ras, outras Secretarias Mu- nicipais e disponveis para rgos do Estado. Os tra- balhadores cedidos a ou- tros setores no podem ser pagos com os recursos da educao, nem mesmo com os 5% restantes dos impos- tos que compem o FUNDEB e os 25% das receitas pr- prias. O custo deve ser as- sumido pelos rgos onde esto lotados ou com outros recursos da prefeitura. Efetivos fora da sala de aula e excesso de contratados Privatizao do ensino pblico Durante as pesquisas fo- ram constatadas inmeras despesas desnecessrias com o recurso do FUNDEB, incluindo o financiamento de 200 Bolsas para Funda- o Coelho Neto, que custam mensalmente a quantia de R$ 24.266,67 por ms, to- talizando R$ 291.200,04 no ano de 2013. Se os 200 alunos bolsistas estivessem matricula- dos em escolas pblicas muni- cipais aumentaria a receita do FUNDEB no ano de 2014em R$ 457.114,00 (200 X R$ 2.285,57 Valor Aluno Ano). Isto imoral! Mas a imoralidade maior est na Privatizao do Ensino Pblico. O valor pago FUN- DAO COELHO NETO, da fa- mlia do Vereador Antonio Lus, para manuteno de 200 bolsas destinadas a alunos do Ensino Fundamental (1 ao 9 ano) traduz-se num ataque Escola Pblica e no desvio de recursos pblicos para financiar o ensino privado. E mais ainda, em ins- trumento de financiamento da base aliada do Prefeito, mais um verdadeiro mensalo. Pior ainda saber que a Fundao Coelho Neto tem 300 alunos. Portanto, 2/3 funcionam com bolsa do municpio! A tabela ao lado demons- tra os gastos com transpor- te escolar em 2013. Ela de- nuncia graves problemas. A baixssima utilizao de recursos do PNATE. No se sabe se por incompetncia ou m f ou as duas juntas, Slvia Carvalho negligen- ciou a utilizao desta fonte especfica de financiamento do transporte escolar, o que obrigou invadir outra rubri- ca, especialmente o FUN- DEB, com quase 3 milhes. Ou seja, mais da metade dos gastos com transpor- te escolar em 2013 saram do FUNDEB, recurso este que poderia estar dispon- vel para pagar o salrio dos professores. O prefeito informa nas prestaes de conta para o Conselho do FUNDEB, que pagou com recursos prprios algumas empre- sas de transporte, porm nas prestaes de contas no aparecem os recursos Pagamento de aluguis No ano de 2013, so- mente com recursos do FUNDEB, foram gastos R$ 500.058,92, com paga- mento de aluguis para funcionamento de salas de aula. (Fonte: presta- o de Contas do FUNDEB, dez/2013). E aqui no es- to includos outros tantos pagamentos de aluguis realizados com as outras receitas. Ora, o Governo municipal deveria construir escolas atravs de con- vnios disponveis com o FNDE, bastando enviar pro- jetos. Entretanto, continua alugando imveis. Por que? Seria mais um grande men- salo? Pagamentos de transporte escolar em 2013 tao feita junto ao Minist- rio Pblico e demais rgos de fiscalizao. Igualmente escandaloso e imoral que conforme se comenta nas esquinas de Caxias, todas essas Em- presas so de propriedade dos Senhores Vereadores de Caxias, disfaradas por laranjas. Isto explica por que o Prefeito no busca recursos para comprar ni- bus. O transporte escolar mais uma forma de ma- nuteno do poder na mo do grupo. Para isso no im- porta que aluno corra risco de vida em nibus velho caindo os pedaos, dirigido por motorista no habili- tado para conduzir trans- porte escolar. Para isso no importa que os trabalhado- res da educao recebam salrios de misria. O que importa manter o poder e aumentar o patrimnio privado dos integrantes do grupo. varam os auditores do TCU em 2010: A EXISTNCIA DE 02 NIBUS NOVOS NA GARAGEM, SEM RODAR. E, ainda, um terceiro nibus que no foi comprado, mas cujo recurso j se encontra- va na conta h meses. O fato torna-se ainda mais grave quando obser- vamos o estudo feito pelo Conselheiro do SINTRAP junto ao CONFUNDEB, o qual constatou que: INDCIOS DE PA- GAMENTOS INDEVI- DOS S EMPRESAS DE TRANSPORTES DE ALUNOS, NO ANO DE 2012, PODE CHEGAR A R$ 1.461.080,16. Esse o titulo da represen- que chegaram para o Ensi- no Mdio, estaria o gover- no desviando estes recur- sos? A quantia paga para as empresas de transporte escolar daria para com- prar 36 micronibus novos adaptados ou 38 microni- bus novos sem adaptao, ento, por que o governo no compra nibus, uma vez que tem recursos? Mais grave ainda que todo esse gasto poderia ser sensivelmente reduzido uti- lizando-se transporte pr- prio, pois, o que no falta fonte de convnio com o FNDE para aquisio de ni- bus. Mas o Prefeito e sua ca- pit-do-mato fazem questo de ignorar esta fonte. Quan- do, esporadicamente, a uti- lizam, ocorre o que compro- JORNAL-SINTRAP-N-36-MAIO.indd 2 05/05/2014 15:34:09 3. 3Informativo SINTRAP Recursos recebidos do sus pela gesto dos Coutinhos no perodo de 01/2005 a 04/2014 Ateno Bsica.....................................................................R$98.914.354,35 Alta e Mdia Complexidade....................................................R$332.152.985,18 Assistncia Farmacutica.......................................................R$5.993.466,64 Gesto do SUS.....................................................................R$1.082.131,55 Vigilncia em Sade..............................................................R$12.304.696,09 Investimentos......................................................................R$2.079.085,75 Diversos..............................................................................R$350.000,00 Total.................................................................................. R$453.876.719,56 Fonte: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/saude-com-mais-transparencia Recursos recebidos por meio de Convnios com o Ministrio da Sade, no mesmo perodo:.....................................................................................R$ 1.313.041,62. Fonte: Portal da Transparncia Total...................................................................................R$455.189.761,18 Fontes: site SIOP e Banco do Brasil Obs: O ano de 2014 at incio de abril e os valores dos impostos municipais 2013 e 2014 esto por estimativas relaciona- das o ano de 2012. Abandono: Hospital Geral, Maternidade Carmosina, Hospital Infantil e Postos de Sade Estruturas deterioradas precisando de reformas, falta de higiene no ambien- te predial, falta de material para o atendimento mdico, falta de EPI Equipamento de Proteo Individual, falta de leitos, falta de vestimen- ta e lenol para os pacien- tes, falta de gua potvel para o consumo, demora no atendimento de consul- ta, realizao de exames e cirurgias, falta de mdicos especialistas, falta de apare- lhos emergenciais nas UTIs, postos de sade sem con- dies de garantir atendi- mento e com os consultrios odontolgicos funcionando precariamente ou totalmen- te sem funcionar, como por exemplo, do bairro Caldei- res que no funciona h trs anos. Salrios reduzidos e defa- sados, no recebimento do adicional de insalubridade e do adicional noturno, dificul- dade na concesso de frias e da licena-prmio, inexis- tncia de Plano de Carreira e Salrio PCS. Com relao aos salrios, observa-se um fato curioso: desde 1990 foi aprovada a Lei 8.142, a qual determina que, para gerir os recursos do SUS, dentre outras exigncias, o Prefeito dever criar uma co- misso com vistas implanta- o de um Plano de Cargos e Salrios no prazo de 2 anos. Desde aquele perodo que os sucessivos Prefeitos adquiri- ram status de gestor integral do SUS. Porm j se passa- ram 24 anos e nem sinal de Comisso, muito menos de PCS para os trabalhadores da sade. Trata-se da mais desla- vada conivncia das autorida- des federais e estaduais, bem como dos rgos de fiscaliza- o (MP, CGU, TCU e TCE) com mais esta aberrante ilegalida- de praticada pelos detentores do poder em Caxias contra os trabalhadores da sade. A nica ao em relao aos trabalhadores so presses, ameaas e opresso. A Coordenadora da Ateno Bsica de Sade, Alessandra Daniel assumiu funo seme- lhante de Slvia Carvalho na Educao: tratar os trabalha- dores como escravos e agir com MO DE FERRO. A Secretria de Educao quando desempe- nhava a funo de professora era negligente, o comentrio que circula na cidade que Alessandra quando atendia no consultrio odontolgi- co do PAM era at pior que Slvia Carvalho. Comenta-se tambm que esta coordena- dora da sade destruiu este atendimento e agora atua para acabar de vez com o j precarizado Hospital Geral. Mas o certo que a seme- lhana entre as duas forte: precarizar servios que tm volume de recursos gigan- tesco, como Sade e Edu- cao e pagar salrios de misria por uma jornada de trabalho desumana aos tra- balhadores. Prefeito Fora da Lei, Servidores da Sade escravizados Falta de transparncia e ilegalidade na Sade de Caxias O Gestor do SUS do Muni- cpio no apresenta o Rela- trio da Prestao de Contas da Sade em audincia p- blica na Cmara de Vereado- res at o final dos meses de maio, setembro e fevereiro, de acordo com o que deter- mina o 5 do art. 36 da Lei Complementar n 141, de 13/01/2012. O Gestor do SUS no apresenta a Prestao de Contas com os documentos de comprovao das despe- sas no Conselho Municipal de Sade. O Gestor do SUS no di- vulga na Internet a Prestao de Contas da Sade periodi- camente e de fcil acesso ao pblico, contrariando o art. 31 da Lei Complementar n 141/2012. O Gestor do SUS deve- ria ter criado o Plano de Carreira, Cargos e Salrios dos trabalhadores da Sa- de desde 1992, de acordo com a determinao do in- ciso VI do art. 4 da Lei n 8.142/1990. Valor total, mnimo, que a oligarquia Coutinho es- tava obrigada a aplicar na sade de Caxias: R$ 511.806.975,34 (Quinhen- tos e onze milhes, oitocen- tos e seis mil, novecentos e setenta e cinco reais e trin- ta e quatro centavos). Com todo este volume de recursos no h qualquer explicao ra- zovel para que a rede munici- pal de Sade de Caxias esteja na precria condio em que se encontra. Assim como no tem qualquer explicao ra- zovel para no ter sido im- plantado o Plano de Cargos e Salrios dos servidores da sa- de, cuja previso legal data de 1990 (Lei 8...</p>