jogos de escala

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  • 7/31/2019 Jogos de Escala

    1/131

    ..JOGOS DE

    A E X P E R I N C IA D A M IC R O A N L IS E

    dacques Revelorganizador

    traduo:

    Dora Rocha

  • 7/31/2019 Jogos de Escala

    2/131

    ~,(lJN1S1NOS

    , i ? } J ? '- ! 9 teca IN') .QJ.C :J. .~ Y. .! . . f. . . .

    I ) II (li li,(,I 'd iC ; ( ) ,"s crvados

    1 '1 ) 1 1 '( lH A I I lJ N I A GETU LI O V AR GA S, .11 1~1 1 t i 1 1 0 1 1 11 1\l, I O _ 62 andarI1 1 I I00 I io d' Janeiro - Bras il' / ' 1 1 , O I ) .I, 110 _ Fax: (021) 536-9155

    1 1 1 1 1 1 I: 't ii l l l l I I r~v,br1 11 1 /1 :// w w w . l/. . v . hl'/publi acao

    li,V I,d 11t i ,I il rl'p~ll lu .!io coral ou parcial des ta obra

    IilVI'.'\(1 I I, _\I(:INAIS: Maria Lucia Leo Velloso de Magalhes1IIIIIlItA(:( I'.I.H'I'I NI A: Denilza da Silva Oliveira, Jayr Ferreir a V az,M ~ r l l/ l A/I'V 'ti B~lrhoza Simone Ranna

    Iltvl\'\I\: AI 'itliis d' 13'Itran e Mamo Pinco de Faria

    1'1111 111/(, '\1\ :1\ I'I A: H 'Iio Loureno Netco

    H ha atalogrfica elaborada pela Biblioteca

    Mario Henrique Simonsen/FGV) l lflO , ~ le 's alas: a 'xl 'ri n ia da microanlise I Jacques Reve1; organi-

    "" '1 1 Ir; Iradu : o 01', Rocha. - Rio de Janeiro: Editora Fund ao:1 '1 ,,1 1 0 Vnrgas, ]l (8.

    It, 1I 101IlWI1Ii.I, ,P l ' 11 11 II loIsll~"('II, I. J l 'v l'i, /1 1 1111 1 ' ,11 ,11 1111 11 ,1

    1,1 1 +1'11 111 1 VIII I 1 ,

    Sumrio

    () ra ionalism o posto prova da anliseM ir Able

    ,'(lI/Sfm;/, o " m a f'()" pl to "1 1 1 ; ro " : htir;/.' Nr r,rtltI (HIII; '1'tJ,lfm ia"

  • 7/31/2019 Jogos de Escala

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    "/11111111 I' I' !riAncia: indivdu os , g rupo s e identidades1 '/1 1 "" /1 1 1 I iOs ulo XVI I

    ,'III11!w/"r{lmentos, rec ursos, processos: antes da "revolu o"lI) m/I umo

    ,I bi(l/:ret/ia com o prob lem a

    I li

    Apresen tao

    Este livro nasceu de um seminrio. Em 1991, o Ministrio da P 'Slllli, I, Tecnologia francs tomou a iniciativa de organizar um encontro qu (1, (

    ria reunir (entre outros) historiadores e antroplogos em torno de UIIl 1'1111

    bastante vasto: "Antropologia contempornea e antropologia histri 'li",

    i I"ia no era exatamente original. Ao longo dos anos 70 e 80, encontros d ~ ,< (I ir> haviam sido freqentes. As quest es e o s mtodos de trabalho dos '( 111

    logos exerciam um fascnio duradouro sobre os historiadores, como 110,PII, ' 1

    cio O haviam feito os dos gegrafos e a s eguir dos economistas: a afirm:l:'n dll

    'lnologia histrica foi o resultado desse investimento e de uma t It:lliv,1 di

    hibridao que a posteriori parec e m enos h omognea, talvez, d qu' !,.1I1I'111

    nos pr tagonistas da aventura. A unio disciplin ar q ue s e o perou 'nt. 0:1111111

    J' 'li muitas coisas, freqentemente heterogneas, s vezes contradil lIi,I'/, I

    P 'ri 'ncias de pesquisa genunas e tambm falsas novidades. N( ' , ,1 1 1 ' Ilqlll1'1lZ-r s~u balano, que seria alis prematuro. Que o julgameilto a r 'SI 'il(l I( i Iposil ivo ou decididamente negativo - como recentemente tiv Inos o ',~I 1I1

    pio -, ningum pode negar que boa parte da renovao das inl 'rl!lI',I,' I

    do.' ohj 'I( s dos histOriadores foi, para o bem ou para o mal, fruco d 's.''' 11111111111- 111"hoj no parou de produzir efeitos. O movimento foi 1 arli 'Id:lllll liI, 'li,' v ,I na Fran'l, mas largamente atestado na historio rafia ioJ1t'lIl11r10IHd,III\(I npr -s 'nw os m 'smos traos caractersticos: uma notv 1 / ! . '11'Io.'idlld

    111'I' '111:d 1~lli:1Ia 101' lima sensibilidade difusa, um qua 1m d' 1"/"1 11('iI

    lI' I ic I,' ha,'lul1l' n, fv 'I, un 'I pdti ':1 n,uitas v 'I. 's S Ivag 'rn 10 'Illpll, I I11II'tllll' '1111ti, ,"lia 'xaJ.( '1'0 pr -I 'nd 'r ra ill'lWII '111' d' (:ll1l1dl 1 , ( vi1'11111'.'. 11" 1.1/' 'ito li' SIII di ('lplill,1 111111111)(1'10 l' llllli\ . 'Iw('il' dl' plll 11(111

    dllllllllllllll 1111'( III 1.1' li 11111'' ,111Ld' ;11I11I1PIIIII!',i.lplldi I plllllllllll ,I I II

    1111I11111t11I1 11 II1 1I1I I 11111 11111,111111,11111.1'11,11,111I '1111'\\1lillllld 111]111111

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    1111lilll(ltl li s' abrir a uma perspectiva histrica. Mas qualquer generalizao

    I I II Ilhllsiva. Enquanto ideologia cientfica prescritiva, o estruturalismo co-

    '111,'lIlI 1 i 1" '1lar j a partir do meado da dcada de 70. Ele no tinha alis im-111IIido 1111 ' sc desenvolvessem experincias de pesquisa decididas a levar

    I11\t'OIlIII a dimenso do tempo social: basta pensar nos trabalhos, em tudoilllli, 11'0 diferentes, de Jean-Pierre Vernant ou de Marcel Detienne sobre o

    111111110 grego, de Emmanuel Terray sobre os reinos africanos. Os exemplos'Iillll) b 'm mais numerosos no mundo anglo-saxo: a o bra de Marshall

    ,'i1l1iIlS I ode servir de emblema a essa abertura, que ela, alis, ajudou a mol-li 11 'lI) profundidade neste ltimo quarto de sculo.

    Antroplogos e historiadores adquiriram portanto o hbito de se ler eli 'li 'ontrar, s vezes em torno de projetos definidos em comum, em ge-111pll'll (;I/.er o balano de uma confrontao que nunca chegou a uma verda-

    11'lill 'Slllbilizao (nem, reconheamos, procurou chegar a uma codificaolilll I)()II '0n ai~ rigorosa: poderemos ver a, se quisermos, um sinal do empi-

    II'IIII() OI>SIinado da corporao dos historiadores). O encontro que nos foi pro-

    I () iI" ~'1l1 I {91 poderia por conseguinte no passar d e uma verso a mais de1111111P 'C,;I v:ria~ vezes encenada. Se foi mais que isso, sem dvida a seus 01'-

    / ! , 11Ii/',Idor 'S, Yves Duroux e Mareei Detienne, que preciso agradecer. A fr-111111111111' 'I's imaginaram pretendeu claramente fugir dos balanos e avalia-

    I', '111I>'n 'feio de uma dimenso nitidamente problemtica. A idia era

    1 1 1'1'1 1 1 1 1 ' III11asrie de pontos e de questes em torno dos quais as duas dis-

    111111111.. " mais amplamente, o conjunto das cincias sociais - pareciam11d('lillil SllllS interrogaes e suas apostas, pr prova suas certezas mais ar-I l i} " ltill,', 'xp 'ri, entar frmulas inditas. Trs temas nos foram propostos. O

    1I"l1ll'i1o r r'ria-se a "Os regimes de historicidade e os modelos de tempo-I t1ld Illt-"; o s 'glllldo intitulava-se "Micro-histria e microssocial"; o terceiro

    1 1 11 t il l pr 'o '1'1 ae~ recentes com "O espao pblico e os lugares do polti-I ,," o, '011 r'r 'n istas contactados, foi sugerido que preparassem o encontro

    1'"1 111(I" d ' 11111l:f ,balho de reflexo conjunta cuja frmula era deixada a seuI I I1 1 tio 't'lIjos rc.;sultado~ provisrios circulariam sob a forma de papers entre

    fi 11I1I ('IPIII1I's; Sl:es, por sua vez, seriam convidados a comentar c a Titi ar

    I I I 'XIO", I A r 'gra 10jogo era, como se pode ver, a um tempo clara e fi -VI I, ('()()I'li '1I1.1'o do s gun 10 tema foi nfiada a un anl'rol logo, 'rar I

    1 I' 1 I' I I' I I' I' , " I I' ' '1' I' , ,"I I 111 1111,',"" ) IVII( o,~ P' o "III1ISll'I'IO (11 'SCI'IISII' l'I'IIIII1I',1i1 I" 1111111111111'111 11)1)I t i 11'111 1 \ 1 '1111I 11 t1i:WII" I 011', N' 1IIIillllbo pl' 'pllnll lrill, 1';ln 11111111111'1111I "ti 111 1111'1 ('I

    I dI viii 111 dlllll 1I1 '111 ('111111 11111IIIlII 11 "II'lilllll,IIl'IIIIIIIIIIIII' "'1\ "I,\'IIIIIIIIiI~I'

    11/\11111111111111, d 1 11 1111I 111 1111111111111111111lil 11111'111'0111111\11, 111 110111111111 , 1I111t111/'1I ()

    I 111111111111"111" 111111111 dllll I 11 1111/11111111( :, 111.1 1111 1111"111'111111111l i, 11 \' I 1111 (:1'11111

    111111 d, 11,1111, I IlId, 1111:1111111 ' ;1111 di 111111\111 11111, I 111 I1I IIdllll di 1111)I

    Althabe, eao historiador que assina estas linhas. De comum acordo, I .j limos ento dar reflexo a forma de um seminrio fechado na cole des 11:111

    tes tudes en Sciences Sociales.2 Os textos que se seguem so o resultadocoletivo do trabalho que ento se realizou.

    "Micro-histria e microssocial": o ttulo do tema que nos foi sug ridoremetia claramente proposio historiogrfica elaborada e principalm '111 '

    posta em prtica por um pequeno grupo de pesquisadores italianos n finllldos anos 70 e na dcada de 80. Poder-se- dimension-Io melhor aps a I ,itura deste livro: a microstoria desempenhou um papel decisivo, que t 'nlllremos examinar mais de perto. preciso, contudo, evitar dar a posr ' rirri

    uma verso da microstoria simplificada e demasiado unvoca, e isso d vido lipelo menos trs razes. Primeiro, porque na Itlia (e fora dela) , as tes ~s los

    micro-historiadores tiveram, at muito recentemente, uma acolhida par 'imoniosa e reservada, muitas vezes francamente hostil, que hoje se tend '11 'sC[uecer. Depois porque, at a traduo para o francs do grande livro li '

    iovanni Levi, L 'eredit immateriale, em 1989,3 a temtica micro-hist ri '11...teve praticamente ausente do debate na Frana; em todo caso, os pOli 'o,'textos que circularam antes disso no tiveram repercusso sensvel. EsslI ,'111

    I z seletiva se explica enfim pela ausncia, praticamente, de u m p m 'rlllll IIlnificado e articulado que desde o incio desse micro-histria o estatlllO t i '

    lima proposio alternativa e a legitimidade de uma escola. Expli 'ando III'Ihor: a miero-histria no procurou nenhum desses t tulos; foi antes lII11l1"P 'rincia de trabalho, fei ta por historiadores que se aproximaram 'm 1'111)'11(1d . sua sensibilidade e trajetria, mas cujos projetos, reas e refern 'ia~ I ' )11'IIS I adiam ser muit o diferentes.4 Seria portanto f alacioso conferir-Ih 's, pl',

    ,'11los alguns anos, uma fora e uma coerncia que eles no tiveram, 1'111111

    " 'ria, < I m u ver, nos perguntarmos por que esses trabalhos, afinal di~1illit.) It1l11'lInr' vlnto tempo desconhecidos, num determinado momentO forlll)1 11('(I

    IlI,' . 'omearam a pro