jogos d'água

Download Jogos D'água

Post on 08-Mar-2016

217 views

Category:

Documents

2 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Projeto de Conclusão de Curso em Design, pela FAAC - UNESP, orientado pelo prof. Dr. Claudio Goya.

TRANSCRIPT

  • 1jogos dgua

  • jogos dguaProjeto de Concluso de Curso

    Rodrigo Presotto Rosa

    Orientao Prof. Dr. Claudio Goya

  • 5ndice

    inspiraes

    inspiraes pensamentos

    gua

    gua experincias

    projeto

    projeto tecnologia desenvolvimento

    concluso

    agradecimentos

    bibliografia

    7

    814

    17

    1820

    21

    222526

    35

    36

    38

  • inspiraes

  • 8inspiraes Tudo comeou quando resolvi assistir o filme TRON, o Le-

    gado novamente. J tinha simpatizado com a histria na primeira vez

    que assisti, mas algo me dizia para ver o filme mais uma vez.

    Em uma das minhas inmeras viagens para So Paulo, em

    uma noite na qual no tinha compromissos, resolvi procurar por algum

    filme na TV e, coincidentemente, estava comeando TRON. Como

    aquela voz interior ainda insistia em me dizer o que fazer, me animei e

    me preparei, deitado na cama, para aquela viagem de luzes e msica.

    Por falar em msica, algo que me deixava inquieto nesse filme

    era a bela trilha sonora, feita pelos irmos Daft Punk exclusivamente

    para o filme. Alm da msica, alguns dilogos, que acontecem durante

    o filme, foram me abrindo a cabea e me fazendo entender o porqu

    de eu estar assistindo tudo aquilo de novo, alm de me fazer entender

    porque eu me identificava tanto com aquela histria!

    Terminado o filme, percebi que dal eu poderia tirar alguns ele-

    mentos para um futuro projeto, quem sabe at para o TCC. Enfim, a

    idia ficou martelando na minha cabea durante dias.

    Foi em um fim de tarde, lendo o relatrio do Herisson Redi,

    um grande amigo que estudou comigo, juntei tudo e resolvi dar incio

    ao meu TCC.

    Ainda me lembro de ter entrado em estado de euforia, no mo-

    mento em que tudo se encaixou na minha cabea! Resolvi ligar para o

    Redi, para conversar sobre aquelas idias todas, como sempre faza-

    mos quando companheiros de repblica.

  • 9 Contei para ele sobre os dilogos do filme, no qual a protago-

    nista fazia citaes Julio Verne e falava sobre abnegao com o seu

    Mestre. Contei tambm como tudo aquilo fazia sentido pra mim, lem-

    brando sobre a criao da minha me, sempre ensinando a ajudar os

    outros quando possvel, sem esperar nada em troca. Lembrei tambm

    do meu irmo, que sempre me ajudou a ser uma pessoa melhor com

    os outros, por servir de exemplo.

    Os dilogos no filme me fizeram lembrar tambm do meu pai,

    com quem sempre conversei sobre tudo e sempre se mostrou aberto a

    discutir sobre assuntos de diversas reas.

    Foi assim, ligando idias, conversas e trechos do relatrio dele,

    com dilogos dos filmes e das minhas lembranas, que tive duas horas

    da conversa super empolgada sobre esse projeto.

    Levei a idia ao meu orientador que, pela proximidade e ca-

    rinho, no poderia ser outro alm do Goya. Contei para ele sobre a

    minha conversa com o Redi, alm de explicar essa minha ligao com

    o filme, sobre os momentos em que eu buscava ajudar os outros, em

    contraposio aos momentos em que ficava sozinho.

    Percebi nessa primeira conversa o quanto minha vida se ba-

    seava no contraste! Foi dessa percepo que surgiram inspiraes

    como Caravaggio, em suas pinturas repletas de luzes e sombras, assim

    como as animaes de Norman Maclaren, sempre com elementos de

    repetio. Tudo indicava que o projeto se encaminhava para uma ani-

    mao, baseada em luz e sombra, msica e contrastes. Por ser uma

    animao, reforava-se o conceito do passageiro, que mostrava como

    esses momentos em que eu me sentia bem por ajudar os outros tam-

    bm tinham certa durao e certa intensidade.

  • 10

    O projeto estava encaminhado; pelo menos era o que achva-

    mos. Apesar da percepo de que o projeto estava tomando forma, e

    se encaminhava para algo mais real, tanto eu quanto o Goya sentamos

    que aquilo no estava sendo to verdadeiro. Decidi conversar com ele

    novamente, para contar sobre o meu desnimo com o rumo que as

    coisas tinham tomado.

    Comecei a conversa explicando o porqu da minha infelici-

    dade. Disse ao Goya sobre o direcionamento do projeto, que gostaria

    de deix-lo com mais nfase na questo do ajudar, da benevolncia,

    ao invs de focar no contraste. Alm disso, acabamos por concordar

    que no poderia faltar o elemento gua, j que ela era to importante

    para mim. No era difcil lembrar dos momentos em que todos se es-

    condiam da chuva, enquanto eu simplesmente ficava parado, olhando

    para o cu, de braos abertos e sorrindo. Alm disso, a gua sem-

    pre teve a capacidade de me relaxar em momentos tensos, quando eu

    chorava tomando banho, para lavar a alma. Lembrando de tudo isso,

    surgiu a idia de fazer uma fonte interativa. O mais engraado que,

    novamente, as coisas se encaixaram e nenhum dos dois soube explicar

    como a ideia surgiu e nem porque chegamos ao assunto. O que sei

    que ambos ficamos mais empolgados com esse novo direcionamento,

    alm de concordarmos que agora sim, o projeto tinha muito mais de

    mim, era autntico.

    Foi uma tarde muito nostlgica, onde relembrvamos momen-

    tos felizes do Labsol (Laboratrio de Design Solidrio), projeto de ex-

    tenso do qual fiz parte durante os dois primeiros anos de faculdade, e

    conversamos sobre muitas coisas que aconteceram durante os meses

    de faculdade. Da surgiram novas referncias, novamente com foco na

  • 11

    gua. Vimos projetos incrveis, como a fonte de Osaka, Japo, onde

    uma cortina de gua controlada forma desenhos incrveis, de forma que

    o expectador se surpreende com a quantidade de formas que podem

    ser feitas com to pouco.

  • 12

    Uma outra fonte forma caminhos danantes, como se fossem

    minhocas de gua pulando de buracos no cho, formando um rtmo

    quase que hipnotizador. Esta fonte fica localizada no aeroporto de De-

    troit, deixando o local com um ar mais divertido e tornando a espera

    pelo voo um pouco menos cansativa.

  • 13

    Outro exemplo, mais ldico, a fonte no Centro Pompidou,

    em Paris, aonde h a mistura de elementos coloridos e movimenta-

    dos mecanicamente. Ainda assim, conversamos sobre a possibilidade

    de fazer algo mais interativo, onde as pessoas de fato se molhassem,

    como a Millenium Park Fountain, em Chicago, onde elas tomam banho

    em uma cascata de gua que cai de um bloco central com altura sufi-

    ciente para ser comparada a uma cachoeira.

  • 14

    pensamentos Neste momento, parei para refletir sobre o caminho que havia

    percorrido. Foi um momento no qual percebi as mudanas de pen-

    samento, alm das psicolgicas, causadas durante toda a minha jor-

    nada na faculdade. Tudo comeou a fazer mais sentido.

    O processo de passagem pelo contraste, passando pela msi-

    ca, pela repetio e terminando na gua, me mostrou exatamente o

    que eu vivi at ento morando fora da minha cidade.

    Percebi que, assim que me mudei para Bauru, tudo era muito

    novo, foi um turbilho de experincias, e com elas vieram o incmodo

    do desconhecido. Fazendo analogia com o contraste, percebi que, no

    comeo, tudo era mais intenso, por ser novidade para mim. Nunca tive

    que me virar sozinho, pagar contas, ser responsvel de tal forma. Com

    isso, obviamente tive momentos de muitas alegrias, muita despreocu-

    pao, assim como tive momentos em que a coisa apertou e percebi

    que estava me tornando um adulto.

    Continuando com essa linha de raciocnio, a msica e a

    repetio entram aqui mostrando que as festas muitas vezes se tor-

    naram ilhas de calmaria, num mundo no qual tinha que me tornar

    mais responsvel.Aqui passei a me entender melhor, a ver que apesar

    das responsabilidades, no precisava me tornar uma pessoa depres-

    siva, negativa.

    Foi tambm, atravs da msica, que uma pessoa incrvel en-

    trou na minha vida: a professora Solange Bigal, com quem comecei a

    ter aulas no sexto perodo, na disciplina de Marketing. Sempre com um

  • 15

    sorriso no rosto, ela nos passava boas energias, atravs de aulas des-

    contradas e cheias de amor.

    Comecei a entender atravs de nomes citados em aula, como

    Espinosa e Nietzsche, a importncia de se afetar com o mundo de

    forma positiva. Passei a entender melhor esses conceitos aps assistir

    uma palestra do Dr. Andr Martins, gravada na CPFL Cultural, onde ele

    explica o afeto desta forma:

    Partindo desse conceito, a Bigal nos mostrou dois tipos de

    afeto: o compositivo, que aumenta a potncia de um corpo; e o de-

    compositivo, que diminui a potncia de um corpo. Ela nos mostrou a

    importncia de buscar sempre afetos compositivos, evitando assim ex-

    perincias negativas, que no respeitem as individualidades e o espao

    de cada pessoa.

    Graas a ela, passei a ter cada vez menos momentos nega-

    tivos, pois comecei a prestar ateno no que me fazia mal, passando,

    assim, a evitar ou mudar minha postura em relao quilo. Passei tam-

    bm a prestar mais ateno na natureza, nos animais, pois ambos es-

    tavam presentes como exemplos nas aulas, de forma compositiva.

    Certa aula, a Bigal passou uma frase do Espinosa, que fez

    muito sentido para mim, que diz que para ser feliz fcil, basta afetar

    e ser afetado por boas coisas.

    Afeto vem do fato de afetar-se. Ento, afeto o que re-sulta da interao com o ambiente, das relaes, da interao com o ambiente. Ou seja: o resultado, falando