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Universidade de Aveiro

Ano 2010

Departamento de Biologia

Joana Isabel Ferreira Alexandre

Perfil de Resistncia a Antibiticos em Isolados de Doentes Oncolgicos

Universidade de Aveiro

Ano 2010

Departamento de Biologia.

Joana Isabel Ferreira Alexandre

Perfil de Resistncia a Antibiticos em Isolados de Doentes Oncolgicos

Dissertao apresentada Universidade de Aveiro para cumprimento dos requisitos necessrios obteno do grau de Mestre em Microbiologia, realizada sob a orientao cientfica do Dr. Carlos Jos Diogo Faria Cortes e a co-orientao da Professora Doutora Snia Alexandra Leite Velho Mendo Barroso, do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro.

O jri Presidente Prof. Doutora Adelaide Almeida

Professora Auxiliar da universidade de Aveiro

Dr. Carlos Jos Faria Diogo Cortes Mdico Assistente Hospitalar, Especialidade em Patologia Clnica do Instituto Portugus de Oncologia Francisco Gentil Coimbra EPE

Doutora Cludia Sofia Soares de Oliveira Investigadora Ps-Doutoramento,, CESAM

Prof. Doutora Snia Alexandra Leite Velho Mendo Barroso Professora Auxiliar da Universidade de Aveiro

Agradecimentos

Aos meus pais, pelo amor incondicional e porque so a base para a pessoa na qual me tornei hoje. minha irm e minha melhor amiga Marta, pelo apoio e presena em todas as etapas da minha vida. Ao meu querido Francisco, pelo amor, incentivo e contributo imensurvel para

o alcance deste objectivo.

Ao Dr. Frederico Valido, Director do Servio de Patologia Clnica do Instituto

Portugus de Oncologia de Coimbra, E.P.E. (IPOCFG, E.P.E.), pela

colaborao e pronta disponibilizao de recursos materiais e humanos.

Professora Doutora Snia Mendo, pela orientao cientfica desta Tese de

Mestrado, pelas criticas e opinies durante a preparao do manuscrito.

Ao Dr. Carlos Cortes pelos ensinamentos transmitidos e orientao que me

prestou ao longo da feitura deste trabalho.

A todos os colegas do Servio de Patologia Clnica, pela amizade,

compreenso, experincia e profissionalismo demonstrados que contriburam,

de uma forma ou de outra, para a realizao deste trabalho. Um especial

agradecimento colega, mas principalmente amiga, Mafalda Costa pela

amizade e palavras de encorajamento.

palavras-chave

resistncia aos antibiticos; infeco hospitalar.

resumo

Cerca de 25 a 50% dos doentes internados so sujeitos a terapias antibiticas.

O uso excessivo e durante longos perodos de tempo de antibiticos associado

toxicidade dos mesmos causam efeitos adversos muito significativos tais como

emergncia de microrganismos resistentes, aumento da morbilidade e mortalidade,

aumento das infeces associadas e, tambm, aumento dos custos associados

prestao de cuidados de sade. A resistncia aos antibiticos em meio hospitalar

uma ameaa para a sade pblica e compromete o tratamento apropriado dos doentes

infectados, especialmente em doentes oncolgicos.

Com o presente trabalho pretendeu-se identificar quais os microrganismos mais comuns

envolvidos na infeco hospitalar e os seus perfis de resistncia aos antibiticos. Os

microrganismos foram recolhidas de doentes oncolgicos do internamento do IPOCFG,

E.P.E., durante o perodo de Setembro de 2009 a Fevereiro de 2010,

E.coli foi o microrganismo mais isolado (16,0%), seguido por Staphylococcus

coagulase negativa (13,4%), Pseudomonas aeruginosa (12,8%), Staphylococcus aureus

(12,8%), Candida spp. (9,1%), Enterococcus faecalis (9,1%), Klebsiella pneumoniae

(7,0%) e Proteus mirabilis (5,9%).

A infeco foi mais prevalente em homens do que em mulheres e a mdia de idades da

populao em estudo foi 62,9 anos.

O tipo de infeco mais comum foi a infeco respiratria. Seguem-se a infeco

urinria e a infeco sangunea.

Klebsiella pneumoniae foi resistente norfloxacina e cefalosporinas de 1, 2, e 3

gerao. Proteus mirabilis foi resistente tetraciclina e ampicilina. E.coli e

Pseudomonas aeruginosa apresentaram baixas taxas de resistncia aos antibiticos

(inferiores a 58,6% e 41,7% respectivamente). 20% de E.coli e 76,9% de Klebsiella

pneumoniae so produtores de ESBLs. Staphylococcus coagulase negativa foi

resistente benzilpenicilina e oxacilina. S.aureus foi resistente benzilpenicilina,

oxacilina, aos antibiticos do grupo MLS e quinolonas. Enterococcus faecalis foi

resistente s cefalosporinas de 2 gerao; clindamicina, tetraciclina e

quinupristina/dalfopristin. Dos S.aureus isolados, 79,2% so MRSA.

keywords

antibiotics resistance; hospital infection.

abstract

It is reported that 25-50% of inpatients receive antimicrobial agents. In addition to the

toxicity of the administered drug, excessive and long-term administration of

antimicrobials causes significant adverse effects, such as emergence of resistant

microorganisms, increase in morbidity and mortality and associated infections. It also

results in a increase in healthcare costs. Antibiotic resistance is a threat to public health

and compromises appropriate therapy of infected patients, especially in oncologic

patients.

The aim of the present study was to identify the most common microorganisms

involved in hospital infection and theirs resistance profile to antibiotics. Strains were

isolated from oncologic inpatients of the IPOCFG, E.P.E., during the period from

September 2009 to February 2010.

E.coli was the more isolated strain (16,0%) followed by coagulase negative

staphylococci (13,4%), Pseudomonas aeruginosa (12,8%), Staphylococcus aureus

(12,8%), Candida spp. (9,1%), Enterococcus faecalis (9,1%), Klebsiella pneumoniae

(7,0%) and Proteus mirabilis (5,9%).

Infection was more prevalente in male patients than in women and the mean age of the

study populations was 62, 9 years.

Respiratory tract infections were the most common, followed by urinary tract and blood

stream infections. Klebsiella pneumoniae was resistant to norfloxacin and 1st, 2

nd and

3rd

generation cephalosporins. Proteus mirabilis was resistant to tetracycline,

trimethoprim/sulfamethoxazole and ampicillin. E.coli and Pseudomonas aeruginosa

presented low resistance rates to antibiotics (less than 58,6% and 41,7% respectively).

20% and 76,9% are ESBL-producing E.coli and Klebsiella pneumoniae respectively.

Coagulase negative staphylococci were resistant to benzylpenicillin and oxacillin.

S.aureus was resistant to benzylpenicillin, oxacillin, to the MLS group and to

quinolones. Enterococcus faecalis were resistant to 2nd

generation cephalosporins,

clindamycin, tetracycline and quinupristin/dalfopristin. 79,2% were found to be MRSA.

I INTRODUO

1. Infeco hospitalar 3

1.1 Microrganismos associados infeco hospitalar 5

1.2 Uso racional de antibiticos em meio hospitalar 6

1.3 Resistncia aos antibiticos em meio hospitalar 8

2. O doente oncolgico 10

3. Mecanismos de aco dos antibiticos 14

4. Mecanismos de resistncia aos antibiticos 16

5. Antibiticos antiparietais 18

5.1 Antibiticos -lactmicos 20

5.1.1 Mecanismo de aco dos antibiticos -lactmicos 32

5.1.2 Resistncia bacteriana aos -lactmicos 33

5.1.3 lactamases 34

5.2 Vancomicina 37

5.2.1 Enterococos resistentes vancomicina 38

5.2.2 VRSA/VISA 39

II OBJECTIVOS 41

III MATERIAL E MTODOS 45

1. Caracterizao da populao estudada 47

2. Identificao dos microrganismos 48

3. Testes de sensibilidade aos antibiticos 54

IV RESULTADOS E DISCUSSO 57

1. Microrganismos isolados 59

2. E.coli 62

3. Staphylococcus coagulase negativa 68

4. Pseudomonas aeruginosa 71

5. S. aureus 75

6. Candida spp. 80

7. Enterococcus faecalis 82

8. Klebsiella pneumoniae 85

9. Proteus mirabilis 88

10. Acinetobacter baumannii 92

V CONCLUSES FINAIS 95

VI BIBLIOGRAFIA 101

ndice de Figuras

Figura 1: Microrganismos com resistncia aos antibiticos encontrados num estudo de

vigilncia de infeces hospitalares em 95 hospitais da Europa. (Retirado de Lepape, A.

et al. 2009). 10

Figura 2: Tipos de transferncia gentica entre bactrias. 17

Figura 3: Estrutura qumica da penicilina G. 21

Figura 4: Estrutura qumica da meticilina. 23

Figura 5: Estrutura qumica da ampicilina. 24

Figura 6: Estrutura qumica da amoxicilina. 24

Figura 7: Estruturas qumicas de derivados alfacarboxlicos das penicilinas