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IV SIMPSIO INTERNACIONAL DE CINCIAS SOCIAIS

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OCORRNCIAS, CRIMES E CONTRAVENES OCORRIDAS NA UFG: SUBSDIOS PARA A FORMULAO DA POLTICA DE

SEGURANA NA UNIVERSIDADE

Trabalho para anais

GT 4 Juventude e Sociedade,

Profa. Dra. Angelita Pereira Lima - UFG1

Profa. Dra. Gardene Leo de Castro - UFG2

Profa. Dra. Michele Cunha Franco - UFG3

1 - Professora da Faculdade de Informao e Comunicao da Universidade Federal de Gois. Doutora em Geografia pela UFG. Mestre em Educao. Pesquisadora dos Ncleos de Estudo: Espao, Sujeito e Existncia Dona Alzira; Ncleo Geografia, Literatura e Arte; Ncleo de Direitos Humanos da UFG e Ncleo de Pesquisa e Extenso Jornalismo e Diferena e Ncleo de Estudos da Violncia e Criminalidade da UFG. E-mail: anja.angelita@gmail.com.

2 - Professora da Faculdade de Informao e Comunicao da Universidade Federal de Gois, Doutoranda em Sociologia pela UFG, Mestre em Educao, Ps-Graduada em Assessoria de Comunicao, Ps-Graduada em Juventude. Participa do Ncleo de Estudos em Teoria e Imagem, Ncleo de Estudos em Mdia e Cidadania e Ncleo de Estudos da Violncia e Criminalidade, ambos da UFG. E-mail: gardeneleao@gmail.com. 3 -Professora da Faculdade de Cincias Sociais. Doutorado em Sociologia pela UFG. Cumpriu programa PDSE/CAPES na University of Aberta Canada. Mestre em Sociologia. Bolsista PNPD CAPES - Ncleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos UFG. Pesquisadora do Ncleo de Estudos da Violncia e Criminalidade da UFG. E-mail: mcfrancojur@gmail.com.

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OCORRNCIAS, CRIMES E CONTRAVENES NA UFG: SUBSDIOS PARA A FORMULAO DA POLTICA DE

SEGURANA NA UNIVERSIDADE

RESUMO

Em 2014, se iniciou a pesquisa Violncia, risco e trfico de drogas: subsdios

para a formulao da poltica de segurana da UFG, visando, a partir de trs

objetivos, subsidiar uma poltica de segurana para a universidade.

Apresentamos os achados quantitativos que analisaram as ocorrncias

relativas a conflitos intersubjetivos, crimes e contravenes havidas nos campi

da UFG, includas as regionais (Catalo, Jata e Cidade de Gois), registradas

tanto no mbito interno da Universidade, quanto pelas delegacias de polcia

competentes para averiguar crimes e contravenes na regio em que os

campi se situam. Foram utilizados como fontes os livros de registros de

ocorrncias da UFG; dados da Ouvidoria; da Comisso Permanente de

Sindicncia da UFG; e dados da Secretaria de Segurana Pblica, entre os

anos de 2005 a 2007 e 2011 a 2013. Nota-se, em linhas gerais, um sentimento

de insegurana maior na populao universitria do que os dados reais

registrados nas fontes consultadas.

PALAVRAS-CHAVE: Violncia na UFG, polticas de segurana, crimes e

contravenes

Apresentao

Em meados de 2014, deu-se incio formao dos grupos de trabalho

que incumbiram-se de, a partir da concluso de trs objetivos parciais de

pesquisa, atingir o objetivo geral de subsidiar a formulao de uma poltica de

segurana para a Universidade Federal de Gois. Os objetivos parciais

consistiram-se em

a) sintetizar diferentes estudos/eventos de mbito nacional sobre a

ocorrncia de violncia, risco e trfico de drogas nas universidades

brasileiras, assim como as principais medidas adotadas por

universidades no sentido de enfrentar essa problemtica;

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b) identificar e analisar as ocorrncias relativas a conflitos

intersubjetivos, crimes e contravenes havidas nos cmpus da UFG,

includas as regionais (situadas em Catalo, Jata e Cidade de Gois)

que tenham sido registradas tanto no mbito interno da Universidade,

quanto pelas delegacias de polcia competentes para averiguar crimes

e contravenes na regio em que os cmpus se situam;

c) descrever e analisar representaes, valores e prticas da

comunidade universitria sobre violncia, risco e trfico de drogas nos

campi da UFG, tambm includas as regionais.

O presente artigo tem o intuito de apresentar alguns resultados

alcanados pelo grupo responsvel pelos objetivos elencados no item b. A

equipe foi composta por trs professoras pesquisadoras, sendo duas adjuntas

e uma substituta, duas doutoras e uma doutoranda e, ainda, por duas

estudantes de graduao e um servidor tcnico administrativo, lotado no

departamento de segurana da UFG4. Esse grupo ocupou-se de delimitar os

aspectos tericos e metodolgicos para abordar os aspectos que configuram

o que entende por crimes, violncias e contraveno no mbito da UFG.

O tema Violncia tem ocupado um espao crescente nas mdias de

veiculao de notcias, nas campanhas eleitorais, na formao da opinio

pblica, nas conversas informais e, por conseguinte, tem afetado os hbitos e

impactado negativamente a qualidade de vida das pessoas. A universidade,

alm de no poder se furtar a fomentar a discusso acerca do tema , ao

mesmo tempo, afetada pelos aspectos negativos do crescimento da violncia,

quer no plano subjetivo, tocante ao sentimento de insegurana, quer no plano

objetivo, relativo proposio de medidas tendentes a minimizar esses

aspectos negativos.

Entretanto, necessrio enfatizar no ser conveniente reduzir a ideia

de violncia aos crimes violentos contra a vida e o patrimnio, uma vez que ela

muito mais abrangente e pode dar-se tanto no plano material e quanto

4 - Foram bolsistas de graduao: Carmem Curti, graduanda em Jornalismo pela UFG e Amanda Pereira de Paula, graduanda em Relaes Internacionais, UFG. O pesquisador voluntrio Ubirajara Pereira Silva Supervisor de Sistema Eletrnico de Segurana da UFG.

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imaterial, pode ofender bens tangveis e intangveis. Trabalha-se, portanto,

com a noo de que mais que meramente captar as ocorrncias de delitos,

necessrio perceber as violncias simblicas porventura contidas nos conflitos

intersubjetivos presentes na comunidade universitria, que podem ser

resultantes de relaes assimtricas de poder e pautados em questes

relacionadas gnero, etnia, classe ou hierarquias prprias das relaes de

trabalho e acadmicas (Arendt, 1994; Bourdieu, 2003; Adorno, 2002; Chau,

2003; Michaud, 1989). Nesse sentido, que se fez uma anlise qualitativa nos

dados provenientes da Ouvidoria1 assim como da Comisso Permanente de

Sindicncia e Inqurito Administrativo 2 , pois os seus registros refletem a

amplitude das violncias ocorridas no mbito da UFG.

Assume-se, portanto, que a equipe pesquisadora identificou as

seguintes inquietaes:

aos inconvenientes advindos da excessiva preocupao com a violncia

urbana que tm causado mudanas de hbitos, segregao espacial na

cidade e estigmas prejudiciais s camadas mais pobres da sociedade;

abordagem que o tema violncia urbana tem recebido da mdia, que

tende a reforar preconceitos e excluses sociais que por si s so

problemas graves na sociedade brasileira,

necessidade de captar a efetiva incidncia de crimes na Universidade,

tendo em vista que a veiculao de notcias pela mdia privilegia aqueles

que possam espetacularizar a violncia. Portanto, a necessidade de

fazer um levantamento acerca da ocorrncia de crimes, alm de servir

para desmistific-la, contribui para o combate eficiente criminalidade,

combate que se d dentro dos limites legais;

necessidade de fomentar a discusso acerca de violncias simblicas

decorrentes de relaes assimtricas de poder existentes no seio da

comunidade universitria e que no podem ser obscurecidas ou

minimizadas em nome de corporativismos ou pela falsa impresso de

que a manuteno do silncio em relao aos conflitos intersubjetivos

seja uma forma de pacific-los.

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Pode-se dizer que o tema ainda encerra obscurantismos provocados

por vrios motivos, dentre os quais, sem a pretenso de esgot-los, pode-se

citar:

deficincia quantitativa, j que as estatsticas no so confiveis,

ou pela descrena no sistema jurdico, ou pelas diferentes

metodologias utilizadas pelas polcias civis e militares na coleta

de dados, ou at mesmo para acobertar crimes letais praticados

por agentes do Estado;

divergncias tericas na abordagem, j que h discordncia

entre os estudiosos quanto aos motivos que fomentam a

exacerbao da criminalidade. Para citar dois exemplos comuns,

h os que creem tratar-se da nica resistncia possvel em face

da excluso social e, em sentido oposto, os que entendem que

esse aumento se d em virtude da lenidade do Estado em sua

tarefa punitiva.

Acredita-se que quanto mais luz for lanada sobre o tema, maior a

possibilidade de aperfeioar a aplicao de recursos pblicos, tanto nas

polticas sociais preventivas que se coadunem com o entendimento de que a

causa maior da violncia a excluso social, quanto no subsdio ao aparato

legal do Estado para que este possa combater a violncia com eficincia,

inteligncia e, sobretudo, dentro dos marcos legais.

Procedimentos metodolgicos

Para cumprir os objetivos da pesquisa, decidiu-se por utilizar os dados

disponveis na UFG e na Secretaria de Segurana Pblica de Gois,

observando-se duas sries tempo

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