IV RIFIB anais - bio.ufpr.br ? V ENCONTRO SOBRE DOENAS E PRAGAS DO CAFEEIRO ... Simpsio sobre

Download IV RIFIB anais - bio.ufpr.br ? V ENCONTRO SOBRE DOENAS E PRAGAS DO CAFEEIRO ... Simpsio sobre

Post on 21-Nov-2018

214 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

  • ANAIS

    IV REUNIO ITINERANTE DE FITOSSANIDADE DO INSTITUTO BIOLGICO

    V ENCONTRO SOBRE DOENAS E PRAGAS DO CAFEEIRO

    PROMOO: INSTITUTO BIOLGICO

    SINDICATO RURAL DE RIBEIRO PRETO

    ASSOCIAO BRASILEIRA DO AGRONEGCIO DA REGIO DE RIBEIRO

    PRETO

    RIBEIRO PRETO - SP 26 A 29 DE JUNHO DE 2001 REUNIO ITINERANTE DE FITOSSANIDADE DO INSTITUTO BIOLGICO, 4. ENCONTRO SOBRE DOENAS E PRAGAS DO CAFEEIRO, 5. Ribeiro Preto, SP, 2001. Anais da IV Reunio Itinerante de Fitossanidade do Instituto Biolgico e do V Encontro sobre pragas e doenas do cafeeiro. Coordenados por Jos Roberto Scarpellini, Zuleide A. Ramiro, Amaury da S. dos Santos, Gensio A. de Paula e Silva e Monika Bergamashi. Ribeiro Preto, SP. Instituto Biolgico, 2001. 225p.

  • 2

    APRESENTAO

    O Instituto Biolgico, em parceria com o Sindicato Rural de

    Ribeiro Preto e Associao Brasileira de Agronegcios da Regio de

    Ribeiro Preto promove o V Encontro Sobre Pragas e Doenas do

    cafeeiro, juntamente com a IV Reunio Itinerante de Fitossanidade do

    Instituto Biolgico, com o objetivo de divulgar conhecimentos gerados

    pelos seus tcnicos, interagir com a comunidade cientfica e com

    produtores rurais e tcnicos que atuam nos principais segmentos

    agrcolas da macroregio de Ribeiro Preto.

    No momento em que, com a globalizao se vislumbra a queda de

    barreiras para comercializao agrcola entre pases, maximiza-se a

    importncia da sanidade animal e vegetal, que poder ser a grande

    barreira na exportao e importao de produtos agrcolas. Os pases e os

    Estados mais preparados, com certeza vo sair na frente, bem como

    aqueles adequados competitividade, no que estes eventos estaro

    divulgando tcnicas e aprimoramento de tecnologias, que devero reduzir

    custos de produo e incrementar a produtividade agropecuria.

    Foram muitos os temas propostos, quando do atendimento ao

    convite, pela comunidade produtiva da agropecuria da macroregio de

    Ribeiro Preto, mas com o apoio de representantes das cadeias

    produtivas, os quais encontram-se participando da comisso

    organizadora, um programa suscinto e dirigido a regio foi obtido,

    prestigiando a cultura do caf, cana-de-acar; fruteiras, hortalias,

    aperfeioamento de tecnologias ligadas a defensivos agrcolas,

    amendoim, soja, milho e girassol, alm do bloco da pecuria.

  • Estes eventos, antes de tentar ensinar ao produtor, manejo,

    tcnicas e tticas para o melhor desempenho sustentado da nossa

    agropecuria, pretendem aflorar subsdios para novas investigaes e

    pesquisas e tecnologias, enunciados por aqueles que vivem o campo dia

    aps dia, e sentem a dificuldade de alimentar milhes, portanto produtor

    rural, nosso grande parceiro, estes eventos so seus, participe!!

    AS REUNIES ITINERANTES DE FITOSSANIDADE DO INSTITUTO

    BIOLGICO

    Concebida como um instrumento de aproximao entre a pesquisa

    e os diferentes elos da cadeia produtiva, em especial agricultores e

    profissionais da extenso rural, as Reunies Itinerantes de Fitossanidade

    do Instituto Biolgico, conhecidas como RIFIB, tiveram como embrio o

    Simpsio sobre Controle de Pragas da Regio do Paranapanema,

    realizado em Assis no ano de 1994 e que discutia, de forma mais

    especfica, os problemas afetos ao controle de insetos, caros e

    nematides das culturas estabelecidas naquela regio.

    As Reunies Itinerantes de Fitossanidade do Instituto Biolgico

    fazem parte de um projeto cujo objetivo fortalecer o relacionamento

    entre o Instituto Biolgico (IB) e seus parceiros e usurios, em especial

    os produtores rurais. Para isso, a RIFIB tem carter itinerante, ou seja, ela

    vai ao encontro do produtor e discute os temas levantados por eles

    diretamente ou por seus representantes atravs de Sindicatos Rurais e

    Cooperativas. Nesse processo tambm participam instituies oficiais e

    empresas ligadas a cadeia produtiva.

    Conhecer a demanda e a extenso dos problemas fitossanitrios

    que afetam as culturas de importncia econmica para o Estado de So

  • 4

    Paulo sempre foi a misso do IB e que tem agora pela frente o cenrio de

    novos desafios marcados pela abertura do mercado internacional com a

    globalizao e a criao de blocos econmicos, onde as barreiras

    fitossanitrias sero utilizadas na proteo de mercados.

    Doenas e pragas, sejam exticas ou nativas, so componentes

    importantes quando se considera custos de produo e, muitas vezes,

    limitam a produo de alimentos. Exemplo recente desta problemtica foi

    observada, na safra 97/98, em Miguelpolis, quando altas populaes da

    mosca branca atingiram as culturas de algodo e soja com severos danos

    econmicos. Naquela oportunidade, o IB chegou a desenvolver alguns

    trabalhos na regio e a participar de discusses tcnicas junto ao

    Sindicato Rural de Miguelpolis. Foi a partir dessa poca que iniciaram-

    se os contatos para ampliar as discusses com vistas a outros problemas

    fitossanitrios que fossem do interesse dos produtores da regio. Nascia

    assim a RIFIB, tendo como primeiro parceiro o Sindicato Rural de

    Miguelpolis e um programa composto por 19 temas, envolvendo as

    culturas da soja, milho, feijo e algodo, abordados por 17 Pesquisadores

    do IB, provenientes dos diferentes Centros de Pesquisa da Instituio.

    Cerca de 120 participantes prestigiaram o evento.

    A II RIFIB foi realizada em Marlia, no perodo de 08 a 11 de

    julho de 1999, e contou como parceiro na organizao com a Cooperativa

    dos Cafeicultores da regio de Marlia. Um pblico de 400 pessoas, em

    sua grande maioria formada de produtores rurais, tiveram oportunidade

    de assistir 21 palestras abordando diferentes temas entre os quais

    nematides, doenas, insetos e controle qumico das plantas daninhas nas

    cultura de caf, melancia e amendoim. Nessa oportunidade foram

    tambm apresentadas algumas palestras que escapavam ao tema sanidade

  • mas atendia s necessidades de esclarecimentos levantados pela

    Coopemar. Com a colaborao de colegas de outras instituies da

    Secretaria de Agricultura e Abastecimento de So Paulo, ESALQ/USP e

    UNESP, Cmpus de Jaboticabal, foi possvel atender a programao.

    A III RIFIB teve lugar na cidade de Mogi das Cruzes entre 17 e

    19 de outubro de 2000 com a participao de 200 pessoas. Atravs da

    parceria com o Sindicato Rural daquela cidade foi elaborado um

    programa tcnico com base no perfil regional e nas sugestes levantadas

    junto aos produtores da regio do Alto Tiet, importante polo na

    produo e abastecimento de hortalias e frutas para a Grande So Paulo,

    bem como na exportao de flores. Alm da abordagem dos problemas

    fitossanitrios enfrentados pelos produtores de hortalias, frutas, flores e

    cogumelos da regio um novo componente foi adicionado com a

    reivindicao dos criadores de codorna para que o programa atendesse

    aos problemas sanitrios do setor. Ficava assim marcada a entrada da

    rea de sanidade animal do IB nas reunies itinerantes.

    Chegamos IV RIFIB em junho de 2001, com sede em Ribeiro

    Preto, e tendo como organizadores, alm do IB, o Sindicato Rural e a

    Associao Brasileira do Agronegcio da regio de Ribeiro Preto. O

    extenso programa a ser cumprido foi elaborado aps a manifestao de

    vrios segmentos dos agronegcios e com a colaborao de instituies e

    empresas do setor a quem agradecemos o envio de seus tcnicos,

    notveis especialistas em sua rea de atuao, imprescindveis para o

    xito do Encontro. Como em todas as reunies itinerantes j realizadas, o

    aperfeioamento das tecnologias de aplicao de defensivos e os

    cuidados especiais com a segurana na aplicao sero enfocados, da

    mesma forma que as empresas tero seu espao para apresentao de

  • 6

    novas tecnologias, principalmente na rea de controle fitossanitrio. Aos

    organizadores externamos nosso reconhecimento pelo esforo e

    dedicao com que se empenharam para assegurar aos participantes desta

    reunio efetiva contribuio para o avano do conhecimento e reduo

    dos problemas locais.

    Antonio Batista Filho Diretor Centro Experimental do Instituto Biolgico

    COMISSO ORGANIZADORA COORDENADORES Jos Roberto Scarpellini IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Zuleide A. Ramiro IB/CEIB/LMI Campinas

    Amaury da S. dos Santos IB/CEIB/LF Campinas

    Gensio A. de Paula e Silva Sindicato Rural de Ribeiro Preto

    Monika Bergamaschi Associao Brasileira dos Agronegcios da

    Regio de Ribeiro Preto

    MEMBROS

    Agostinho Mrio Boggio COOPERCITRUS

    Ana Maria de Faria IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Antonio Batista Filho IB/CEIB

    Carlos Gaeta Filho EDR Ribeiro Preto - CATI

    Clia Matilde Tegon C. Neves EDA Ribeiro Preto - CDA

    Denizart Bolonhezi NAAM/IAC-Ribeiro Preto

  • Fernando Rodrigues Pavo COCAPEC

    Jos Carlos C. dos Santos IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Jos Eduardo Marcondes de Almeida CEIB/IB

    Mrio Eidi Sato CEIB/IB

    Maral Zuppi da Conceio ANDEF

    Nelson Wanderlei Perioto IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Oswaldo Alonso CANOESTE

    Ricardo Ribeiro Mendona CAROL

    Rogria Ins Rosa Lara IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Tiyo Okada Murakami IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    AGRADECIMENTOS

    A Comisso organizadora externa seus agradecimentos a todos

    aqueles que contriburam para o xito desta reunio. Aos palestrantes

    pelo pronto atendimento aos nossos convites e a todos os participantes,

    agricultores, tcnicos de empresas e entidades oficiais sem os quais este

    encontro no faria sentido.

    Finalizando, agradecemos a todos os colaboradores e

    patrocinadores do evento, sem o que esta reunio no se realizaria.

    AEAARP ASSOCIAO DE ENGENHEIROS,

    ARQUITETOS E AGRNOMOS DE RIBEIRO PRETO ANDEF - ASSOCIAO NACIONAL DE DEFESA VEGETAL

    AVENTIS CROPSCIENCE DO BRASIL LTDA

    BASF BRASILEIRA S/A IND. QUMICAS

    BAYER DO BRASIL S. A. - PROTEO DE PLANTAS

  • 8

    DOW AGROSCIENCES

    FMC DO BRASIL S/A INDSTRIA E COMRCIO

    HOKKO DO BRASIL INDSTRIA QUMICA E AGROPECURIA LTDA.

    SENAR - SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM

    RURAL SO PAULO SEBRAE SERVIO DE APOIO S MICRO E PEQUENAS

    EMPRESAS DE SO PAULO SIPCAM AGRO S/A

    SYNGENTA PROTEO DE CULTIVOS LTDA

    A redao e ortografia dos artigos so de inteira responsabilidade dos respectivos autores

    SUMRIO OS NEMATIDES DE GALHA QUE INFECTAM O CAFEEIRO NO BRASIL 10 O AGRONEGCIO CAF NO MUNDO: SITUAO ATUAL E PERSPECTIVA 20 MANEJO INTEGRADO DAS DOENAS BITICAS E ABITICAS DO CAFEEIRO 27 COLLETOTRICHUM EM CAFEEIRO 36 BREVIPALPUS PHOENICIS , CARO VETOR DA MANCHA-ANULAR EM CAFEEIRO 41 MTODOS ALTERNATIVOS DE APLICAO DE DEFENSIVOS EM CAFEEIROS 52 MANEJO DE PRAGAS NA CULTURA DO CAFEEIRO 59 MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS NA CULTURA DO AMENDOIM 72 PRINCIPAIS DOENAS FNGICAS DO AMENDOIM E CONTROLE 83 MONITORAMENTO DE PRAGAS E DOENAS DO GIRASSOL CULTIVADO NA SAFRINHA 93

  • MONITORAMENTO E CONTROLE DE PROBLEMAS FITOSSANITRIOS DM CULTURAS DE SAFRINHA : PRAGAS EM MILHO 100 DOENAS DO MILHO SAFRINHA NO ESTADO DE SO PAULO 113 MANEJO DE PRAGAS DE SOLO NA CULTURA DA SOJA 130 NEMATIDES NA CULTURA DA SOJA 142 DOENAS FOLIARES DA SOJA E SEU CONTROLE 147 PLANTIO DIRETO DE CULTURAS DE SUCESSO SOBRE PALHADA DE CANA CRUA 158 BARREIRAS FITOSSANITRIAS NA COMERCIALIZAO NO MERCOSUL 169 CERTIFICADO FITOSSANITRIO DE ORIGEM 172 USO CORRETO E SEGURO DOS PRODUTOS FITOSSANITRIOS 175 PRAGAS QUARENTENRIAS 179 TECNOLOGIA DE APLICAO DE DEFENSIVOS AGRCOLAS EQUIPAMENTOS TERRESTRES PARA PULVERIZAO - ASPECTOS CRTICOS NA APLICAO DE DEFENSIVOS AGRCOLAS. 185 SITUAO ATUAL E CONTROLE DE CIGARRINHA DA CANA-DE-ACAR 201 CONTROLE DAS PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA CANA-DE-ACAR 210 MANEJO ECOLGICO DE PRAGAS DOS CITROS 220 MOSCA-DAS-FRUTAS EM FRUTICULTURA 228 MANCHA PRETA OU PINTA PRETA DOS CITROS 240 MOSCA BRANCA EM HORTALIAS 248 MANEJO DE PRAGAS EM CULTURAS DE TOMATE E PIMENTO 254 DOENAS FNGICAS DO TOMATEIRO E DO PIMENTO 267 CONTROLE DE INSETOS VETORES DE VRUS EM HORTALIAS 281 SOLARIZAO DO SOLO NO CONTROLE DE FITOPATGENOS 290 MANEJO INTEGRADO:OPO OU NECESSIDADE PARA SE CULTIVAR HORTALIAS EM AMBIENTE PROTEGIDO 299 MANEJO DA RESISTNCIA DO CARRAPATO BOOPHILUS MICROPLUS A ACARICIDAS 311 CLOSTRIDIOSES NA ESPCIE OVINA 318 EIMERIOSE OVINA 325 DOENAS DA REPRODUO 333 PROGRAMA NACIONAL DE MELHORIA DA QUALIDADE DO LEITE 343 ESTUDO DAS TERAPIAS DA MASTITE CATARRAL DOS BOVINOS NA CLNICA DE OBSTETRICIA E GINECOLOGIA DA ESCOLA SUPERIOR DE MEDICINA VETERINRIA DE HANNOVER 355 RAIVA RURAL E URBANA 358

  • 10

    Os Nematides de Galha que Infectam o cafeeiro no Brasil Professor Assistente Doutor, Nematologista Jaime Maia dos Santos

    Departamento de Fitossanidade, UNESP/Faculdade de Ciencias Agrrias

    e Veterinrias, Via de acesso Prof. Paulo Donato Castellane s/n, CEP

    14884-900 Jaboticabal - Sao Paulo. E-mail: jmsantos@fcav.unesp.br

    1. Smula Histrica

    No final do sculo XIX, entre agosto de 1886 e novembro de

    1887, Dr. Emil August Gldi, naturalista suo que trabalhava no Museu

    Nacional, no Rio de Janeiro, escreveu um documento que se tornou um

    marco na histria da Nematologia no Brasil e no mundo. Trata-se do

    conhecido Relatorio sobre a Molestia do Cafeeiro na Provincia do Rio

    de Janeiro. Esse documento contm a descrio de Meloidogyne Goeldi

    g. n. e sua espcie tipo, M. exigua sp. n. A esse nematide, o autor

    atribuiu a causa da doena que vinha dizimando os cafezais da ento

    Provncia do Rio de Janeiro, desde cerca de 20 anos atrs (GOELDI,

    1892). No citado relatrio, o autor fez meno a existncia de duas

    formas da doena, nos seguintes termos:

    a) uma frma chronica. O p no morre sino mezes depois

    do apparecimento dos primeiros symptomas exteriores supra -citados

    e alcana s vezes o anno seguinte.

    b) uma frma aguda ou fulminante. O p morre de repente

    em 8 a 15 dias, sem antes ter apresentado distinctamente os

    symptomas supra-citados.

    Sobre esse aspecto do problema, o autor ainda fez o seguinte

    comentrio:

  • "No principio da minha estada na zona da molestia do

    cafeeiro - achava-me ento (Agosto a Novembro de 1886) nas

    grandes plantaes da Serra Vermelha - eu tinha largamente

    occasio de ver exemplos da primeira frma; mas apezar de todos os

    meus esforos no me foi possivel encontrar um unico exemplar da

    segunda.

    Mais tarde (Janeiro de 1887) achei um primeiro exemplo do

    lado esquerdo do baixo rio Parahyba, entre Grumarim e Monte

    Verde (Fazenda de Santa Theresa), e recentemente (Junho de 1887)

    observei outros em enorme quantidade, maior mesmo do que a de

    exemplares da frma chronica."

    Essas informaes podem ser consideradas os primeiros fatos que

    do suporte hiptese de que outras espcies de Meloidogyne Goeldi,

    alm de M. exigua, j estavam ocorrendo na regio. De fato, das cerca de

    80 espcies dos nematides de galha descritas, 14 infectam o cafeeiro e,

    dessas, seis ocorrem no Brasil. Alm dessas seis, j se tem conhecimento

    de, pelo menos, duas outras novas espcies por serem descritas em

    cafeeiro, no Estado de So Paulo. Alm desse considervel nmero de

    espcies que ocorrem no Pas, outros fatos do suporte a essa hiptese: 1)

    a Nematologia, como Cincia, estava apenas nascendo, naquela poca.

    No havia conhecimentos morfo-anatmicos dos fitonematides,

    suficientes para uma caracterizao precisa das populaes; 2) o gnero e

    sua espcie tipo estavam sendo descritos na ocasio. Por conseguinte,

    no se conhecia outras espcies, salvo Meloidogyne javanica (Treub,

    1885) Chitwood, 1949 que havia sido descrita em Java, como Heterodera

    javanica, infectando a cana de acar (Saccharum officinarum L.), dois

  • 12

    anos antes da concluso do referido relatrio (TREUB, 1885). Por

    oportuno, o relatrio de GOELDI (1892) contm, apenas, uma breve

    meno desse fato; 3) provavelmente, a caracterizao do gnero e de sua

    espcie tipo foi feita com base no estudo de populaes que causavam a

    doena em sua frma chronica, conforme a descrio dada pelo autor.

    De fato, poca, tanto quanto atualmente, essa expresso da doena era

    muito mais comum que a outra referida como frma aguda ou

    fulminante (GOELDI, 1892). Na Zona da Mata, Alto Paranaba e Sul de

    Minas Gerais, na maior parte dos cafezais do Esprito Santo, e na regio

    geo-econmica de Vitria da Conquista - BA, alm de outras regies

    produtoras de caf das Amricas do Sul e Central, essa , seno a nica, a

    forma predominante da doena; 4) no se reconhece, atualmente, a

    frma aguda ou fulminante da doena causada por M. exigua em

    cafeeiros, conforme o relato de GOELDI (1892); 5) a agressividade de

    populaes de outras espcies de Meloidogyne ao cafeeiro (C. arabica),

    tais como Meloidogyne incognita (KOFOID & WHITE, 1919) CHITWOOD,

    1949, Meloidogyne coffeicola LORDELLO & ZAMITH, 1960 e de

    Meloidogyne paranaensis CARNEIRO et al., 1996, geralmente resulta

    num quadro sintomatolgico que mais se aproxima da descrio do autor

    para a frma aguda ou fulminante da doena, que de qualquer

    expresso dos sintomas resultante da ao de M. exigua. Do exposto,

    infere-se que, outras espcies de Meloidogyne, alm de M. exigua,

    tambm contriburam para forar a substituio da cafeicultura pela cana

    de acar no Estado do Rio de Janeiro e, alm disso, estiveram sempre

    envolvidas entre as causas da mobilidade do principal plo de produo

    de caf no Brasil. Com efeito, depois do Rio de Janeiro, o Estado do

  • Paran tornou-se o principal plo de produo de caf, detendo o status

    de maior produtor por vrios anos.

    As geadas, em conjuno com os nematides, notadamente M.

    incognita, M. coffeicola e M. paranaensis, e as crises do preos do

    produto no mercado internacional, causaram enormes revezes

    cafeicultura no Estado do Paran, levando os paulistas liderana na

    produo brasileira.

    Em So Paulo, as geadas no foram to determinantes para o

    decrscimo na produo de caf como o foram no Paran. Os nematides

    de galhas (Meloidogyne spp.) devastaram a cafeicultura das regies

    conhecidas como Mogiana, Alta Paulista, Nova Alta Paulista,

    Sorocabana, Noroeste e outras. Na regio geo-econmica de Ribeiro

    Preto, por exemplo, nos municpios de Adamantina, Cafelndia, Dracena,

    Gara, Marlia, Tupi Paulista, Vera Cruz, e muitos outros, os danos

    cultura foram devastadores. Os mineiros, ento, passaram liderana na

    produo e ainda detm o status de maiores produtores. Isso por no

    terem as espcies mais agressivas disseminadas dentro de suas fronteiras

    e, principalmente, pela expanso da cultura no cerrado. Dificilmente, o

    Estado de Minas Gerais perder a liderana na produo brasileira de

    caf. Primeiro, porque o Estado detm extensas reas aptas para

    cafeicultura que ainda no foram plantadas. Segundo, porque j h, hoje,

    um razovel nvel de conhecimento entre os mdios e grandes

    cafeicultores sobre o problema. Terceiro, porque grande parte dos novos

    investimentos na cafeicultura, em reas de fronteiras agrcolas, so feitos

    por cafeicultores que vieram de reas devastadas pelos nematides e que,

    naturalmente, vo se precaver contra a repetio do insucesso. Quarto,

    porque o Estado de Minas Gerais criou uma estrutura invejvel de

  • 14

    fiscalizao contra a introduo de pragas e doenas em suas fronteiras

    que, hoje, pode ser considerado um exemplo para todo o Pas. O IMA,

    rgo da Secretaria de Estado da Agricultura em Minas, composto por

    jovens idealistas e bem treinados, executam um trabalho de fiscalizao

    fitossanitria e educao dos agricultores mineiros que, inclusive, inspira,

    hoje, a poltica de outros Estados para o setor. H de se considerar,

    tambm, o trabalho de uma gerao de agrnomos que, no antigo IBC,

    notadamente na dcadas de 1970 e 1980, fincaram os alicerces da nova

    cafeicultura no Brasil. O trabalho annimo de muitos desses

    profissionais, contando com a participao direta de outros Colegas do

    Ministrio da Agricultura de ento, garantiram a no introduo em

    Minas Gerais de espcies devastadoras de nematides de galha do

    cafeeiro, tais como M. incognita, M. paranaensis e M. coffeicola.

    Somente nos anos de 1976 e 1977, no Estado de So Paulo, trs

    milhes de mudas de cafeeiro infestadas foram destrudas, para impedir a

    disperso dos nematides de galha (CURI, 1982). Contudo, no Estado de

    So Paulo, poca, os nematides j estavam enormemente distribudos

    e, por conseguinte, os benefcios da prtica no foram to sentidos. Foi a

    cafeicultura mineira a maior beneficiria dessa prtica corajosa e

    acertada.

    2. Espcies de Meloidogyne que Infectam o Cafeeiro no Brasil

    SANTOS & TRIANTAPHYLLOU (1992) relataram os resultados de

    um estudo realizado no Departamento de Fitopatologia da Universidade

    Estadual da Carolina do Norte, EUA, envolvendo 88 populaes de

    nematides de galhas coletadas nos Estados do Paran, So Paulo, Minas

    Gerais, Esprito Santo e Bahia, em razes de cafeeiro e/ou em plantas

  • daninhas dentro de cafezais. Com base nos fentipos isoenzimticos para

    esterase, e em estudos morfo-anatmicos aos microscpios ptico e

    eletrnico de varredura, identificaram 23 populaes de M. incognita

    (fentipo isoenzimtico para esterase classificado como I1); 17

    populaes de M. exigua (VF1); 13 populaes de M. javanica (J3); 15

    populaes de uma espcie no descrita, na poca, com o fentipo

    isoenzimtico F1; 10 populaes de outra espcie nova com o fentipo

    isoenzimtico denominado, na ocasio, de S1M1 e uma populao de

    outra espcie nova que no exibia bandas de esterase. A espcie com

    fentipo F1, CARNEIRO et al. (1976) a descreveram e a nomearam M.

    paranaensis e a populao que no exibia bandas de esterase, SANTOS

    (1997) a descreveu e a nomeou M. goeldii. Nenhuma das 13 populaes

    de M. javanica infectou o cafeeiro. Com efeito, nenhuma delas havia sido

    recuperadas de razes de cafeeiro mas, de plantas daninhas ou de

    amostras de solo de cafezais. Assim, as espcies que infectam o cafeeiro

    no Brasil so: M. exigua, M. incognita, M. coffeicola, M. hapla, M.

    paranaensis e M. goeldii. Dessas, M. incognita, M. coffeicola e M.

    paranaensis so as mais destrutivas.

    3. As Prticas de Manejo de Nematides em Cafezais

    Em nosso Pas, onde as estratgias de manejo das populaes

    desses nematides, no passado, foram baseadas, principalmente, em

    mtodos no qumicos, a inexistncia de pessoal treinado na identificao

    das espcies, em parte, impediu o progresso na luta contra essas pragas.

    Para utilizao do manejo qumico de nematides, o conhecimento da

    espcie presente no um requisito. De fato, entre os nematicidas, no h

    uma especificidade de produtos para esse ou aquele nematide,

  • 16

    comparvel que se observa entre os inseticidas, acaricidas, fungicidas e

    herbicidas. Ao contrrio, na prtica, considera-se que um certo

    nematicida sistmico tem a mesma eficincia para todos os nematides

    presentes numa gleba. As formulaes, os ativos, e as tcnicas de

    aplicao, hoje, so muito mais eficazes do que eram h alguns anos. Em

    culturas perenes infestadas, tais como cafeeiro e citros (nematide dos

    citros, Tylenchulus semipenetrans, e Pratylenchus spp.), no se pode

    abdicar da interveno sistemtica com aplicao de nematicidas. Alm

    de prejuzos produtividade, advindos dos danos causados pelos

    nematides, o encurtamento da vida produtiva da lavoura uma perda

    usualmente ignorada.

    No presente, tcnicas moleculares, notadamente a identificao

    dos fentipos isoenzimticos para esterase, a utilizao da microscopia

    eletrnica de varredura e o estudo de novos caracteres morfomtricos e

    anatmicos tm possibilitado significativo avano na identificao de

    espcies de Meloidogyne. Os programas de melhoramento, hoje, tm

    muito mais chances de sucesso do que tiveram no passado, visto que, as

    espcies contra as quais se estaria introduzindo um determinado gene de

    resistncia, hoje, podem ser identificadas com a preciso que no se tinha

    no passado. Com isso, hoje pode se ter o conhecimento preciso da

    distribuio das espcies, identificando-se as mais agressivas, contra as

    quais o melhoramento deve ser priorizado, o que redundaria em muito

    maior benefcio para a cafeicultura de uma regio. O enfoque pode ser

    dado, inclusive, a nvel de propriedade.

    A utilizao da enxertia do cafeeiro, como medida de manejo de

    nematides, iniciada na Guatemala em fins dos anos 50, conforme

    STRAUBE & SCHIEBER (1959), citados por SCHIEBER (1966) e REYNA

  • (1966), citado por SCHIEBER (1968), foi aperfeioada na ento Seo de

    Gentica do IAC de Campinas e garantiu a sobrevivncia da cafeicultura

    em muitas reas em So Paulo e no Paran. Os insucessos so atribudos

    s dificuldades para identificao precisa das espcies de Meloidogyne,

    tanto na fase inicial de avaliao das linhagens de porta-enxertos, quanto

    mais tarde, nas reas onde os materiais enxertados foram plantados.

    A enxertia do cafeeiro, no entanto, ainda no foi explorada no

    todo. Com efeito, a alta resistncia de C. canephora var. Robusta a

    Pratylenchus coffeae, ainda no foi explorada no Brasil, visto que esse

    nematide, apesar de seu alto potencial destrutivo, ainda est muito

    pouco distribudo nas regies cafeeiras do Pas. A resistncia de C.

    canephora a M. exigua, tambm, ainda no est sendo explorada, visto

    que generalizada a crena que no se trata de um nematide muito

    nocivo ao cafeeiro. Contudo, a experincia tem mostrado que M. exigua,

    tambm, pode comprometer a renovao de lavouras em reas infestadas.

    Essa ameaa paira sobre a cafeicultura do Sul do Estado de Minas Gerais

    que, em sua grande parte, est em idade de renovao e tem M. exigua

    amplamente distribuda por toda regio. A renovao nos moldes

    tradicionais, utilizando p franco, certamente, vai significar uma

    dificuldade a mais para a sobrevivncia da cafeicultura na regio.

    A entrada de outros pases no mercado de caf e as mudanas de

    hbitos dos consumidores, em relao bebida, so ameaas reais aos

    bons preos do produto no mercado internacional de caf. Alm disso, a

    presena de M. exigua em altas populaes, nas reas em renovao do

    Sul de Minas, vai exigir a aplicao de nematicidas, elevando,

    consideravelmente, os custos de produo. Esses aspectos, no trazem

    bons pressgios para a cafeicultura da regio.

  • 18

    Se examinarmos o rol de culturas perenes no Brasil, veremos que so

    rarssimas as que no so enxertadas. O cafeeiro est entre essas.

    sabido e aceito que, em qualquer cultura muito melhorada, e poucas

    perenes o foram quanto o caf, o ganho de qualquer caracterstica,

    sempre ocorre em detrimento da perda de rusticidade. Com o cafeeiro

    tambm foi assim. A enxertia de uma variedade de C. arabica em um

    porta-enxerto de C. canephora var. robusta, certamente restitui ao

    primeiro, parte da rusticidade perdida no melhoramento da cultura. De

    fato, pesquisas em So Paulo j mostraram que a produo de parcelas

    enxertadas de uma variedade de C. arabica, sobre o porta-enxerto de C.

    canephora var. Apoat, desenvolvido no IAC, produziu at cerca de 30%

    mais que a mesma de C. arabica no enxertada, ambas plantadas em

    reas contguas e no infestadas por nematides. Esse benefcio,

    considerado um aditivo resistncia a M. exigua, os cafeicultores do Sul

    de Minas, e de outras reas infestadas em renovao, esto assumindo

    que vo perd- lo, tambm.

    O plantio de Crotalaria spp., ou outras plantas antagonistas, nas

    entrelinhas, no uma prtica eficaz no controle de Meloidogyne spp.

    Isto porque os nematides se concentram nas razes e solo da rizosfera,

    embaixo da copa do cafeeiro, onde a ao das razes de uma Crotalaria

    sp., plantada nas entrelinhas, no se dar. A ao das razes de Crotalaria

    spp. endgena. Se os juvenis de segundo estdio dos nematides no

    penetrarem em suas razes no sero afetados. Por conseguinte, culturas

    perenes infestadas iro requerer um tratamento anual com nematicidas.

    Nas reas de fronteira, e em culturas no infestadas, a medida de manejo

    mais eficaz a preveno. Atitudes de profissionais tm que ser adotadas

    em todas as propriedades. As visitas devem ser restritas e cuidados

  • especiais tm que ser adotados no trnsito de mquinas e veculos e na

    aquisio de mudas de plantas para quebra-vento. Os nematides do

    cafeeiro podem ser introduzidos na fazenda, tambm, em mudas de

    frutferas destinadas implantao de um pomar, ou mesmo em mudas

    de plantas ornamentais, destinadas aos jardins da sede, entradas da

    fazenda e outros. Meloidogyne incognita, por exemplo, um dos

    nematides mais devastadores dos cafezais, infecta quase todas as

    espcies de plantas dessas categorias e pode ser introduzida na fazenda

    por mudas infectadas dessas plantas.

    4. LITERATURA CITADA

    CARNEIRO, R.M.D.G.; CARNEIRO, R.G., ABRANTES, I.M.O.; SANTOS,

    M.S.N.A.; ALMEIDA, M.R.A. Meloidogyne paranaensis n. sp.

    (Nemata: Meloidogynidae), a root-knot nematode parasitizing coffee

    in Brazil. J. Nematol., 28: 177-189, 1996.

    CURI, S.M. Coffee culture problems caused by root-knot nematodes in

    Brazil. In: Research And Planning Conference On Root-Knot

    Nematodes Meloidogyne spp., 1982, Braslia. Proceedins...

    Department of Plant Biology/University of Braslia, 1982. p.35-42.

    GOELDI, E.A. Relatrio sobre a molestia do cafeeiro na Provincia do Rio

    de Janeiro. Arch. Mus. Nac., .8:1-21, 1892.

    SANTOS, J.M. DOS. Estudos das principais espcies de Meloidogyne

    Goeldi que infectam o cafeeiro no Brasil com descrio de

    Meloidogyne goeldii sp. n. 1997. 153 f. Tese (Doutorado em

    Agronomia) Faculdade de Cincias Agronmicas, Universidade

    Estadual Paulista, Botucatu, 1997.

  • 20

    SANTOS, J.M. DOS; TRIANTAPHYLLOU, H.H. Determinao dos fentipos

    isoenzimticos e estudos comparativos da morfologia de 88

    populaes de Meloidogyne spp. parasitas do cafeeiro. Nematol.

    Bras., 16: 88, 1992.

    SCHIEBER, E. Nematode problems of coffee. In: GROVER JNIOR, C.S.;

    PERRY, V.G. Tropical Nematology. Gainesville: Center for Tropical

    Agriculture, 1968. p.81-92.

    SCHIEBER, E. Nemtodos que atacan al caf en Guatemala, su

    distribuicin, sintomatologa y control. Turrialba, 16: 130-135, 1966.

    TREUB, M. Onderzoekingen over serehzeik suikerriet gedaan in sLands

    Plantentuin te Buitenzorg. Mededeelingen uits Lands Plantentuin,

    Buitenzorg, .2: 1-39. 1885.

    O AGRONEGCIO CAF NO MUNDO: SITUAO ATUAL E PERSPECTIVA

    Engenheiros Agrnomos e Pesquisadores Cientficos Luiz Moricochi &

    Sebastio Nogueira Jnior

    Diretor do Centro de Estudos de Comercializao, Instituto de Economia

    Agrcola. Av. Miguel Stefano, 3900. Cep 04301-903, So Paulo - SP.

    Fone: 11-5073-8477/ 5073-0244. E-mail: moricochi@iea.sp.gov.br

    1. Produo

    Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos

    (USDA), a produo mundial de caf no ano 2000 foi da ordem de 115

    milhes de sacas. No existe consenso, entretanto, em torno desse

    nmero, inclusive com outras fontes estimando volume menor. O volume

    maior do total produzido representado pelo caf arbico seguido do

  • caf robusta/conilon, com mais de 40 milhes de sacas. O principal pas

    produtor de caf o Brasil com volume de 31,1 milhes de sacas,

    segundo a EMBRAPA, cifra que poderia ter superado 40 milhes de

    sacas, no fossem os problemas de clima ocorridos nos anos de 1999

    (seca e geadas) e de 2000 (seca). Em seguida vem o Vietn com mais de

    13 milhes de sacas. Esse pas produzia, 10 anos atrs, pouco mais de

    1milho sacas de caf, surpreendendo, portanto, como novo e segundo

    ator mais importante no cenrio cafeeiro do mundo. Para se ter uma idia

    do dinamismo da cafeicultura vietnamita, basta citar que esse pas supera

    a Colmbia, hoje terceiro produtor mundial com menos de 12 milhes de

    sacas, embora detendo apenas metade da rea cultivada em relao ao

    pas sul- americano. Em seguida, como grandes produtores, destacam-se

    Indonsia, Mxico, India, Guatemala, Costa do Marfim, Etipia e

    Uganda. Esses 10 pases respondem em conjunto por quase 80% da

    produo mundial de caf.

    2. Consumo

    Tambm, existem controvrsias quanto ao volume de caf

    consumido no mundo. A Organizao Internacional do Caf (OIC), por

    exemplo, estima o consumo atual em 102 milhes de sacas contra 108

    milhes de sacas de outras fontes. Desse total, \cerca de 25 milhes de

    sacas so utilizados nos prprios pases produtores.

    Inmeros so os fatores que influenciam o consumo de caf no

    mundo, tais como, preos, renda, populao, hbitos de consumo,

    qualidade do produto, novos produtos, educao, preo de bebidas

    alternativas e marketing. mais do que bvia a importncia dos fatores

    preo, renda e populao afetando o consumo. Entretanto, preciso estar

  • 22

    atento para o fato de que os mesmos isoladamente podem ser at menos

    determinantes do que a ao em conjunto dos demais fatores. Um

    exemplo: o preo do caf no varejo americano subiu, em valor real, cerca

    de 13% entre os anos de 1946 e 2000. Com esse incremento de preo e

    levando-se em considerao o coeficiente de elasticidade - preo da

    demanda de caf, estimada em 0,373 pelo Banco Mundial, poder-se ia

    esperar que o consumo americano de caf experimentasse uma queda da

    ordem de 5% no perodo. No entanto, a reduo no consumo foi bem

    maior, da ordem de 50%, passando de 8 para 4 kg per capita! No caso

    estadunidense, dois outros fatores foram determinantes para diminuir o

    consumo de caf: a perda de qualidade da matria-prima utilizada na

    indstria e a concorrncia das bebidas alternativas que tinham um apelo

    maior para os jovens, representadas principalmente pelos soft drinks

    (refrigerantes e isotnicos de modo geral). Acrescente-se ainda que a

    acirrada concorrncia entre as diferentes marcas dessas bebidas atravs

    da mdia acabava penalizando ainda mais o uso de caf.

    O hbito de consumo, por sua vez, importante varivel a ser

    considerada nos estudos de demanda de caf. A respeito disso,

    importante destacar que enquanto em alguns pases esse costume tem que

    ser criado e/ou estimulado, em outros tem que ser pelo menos mantido.

    No primeiro caso, pode ser citada a China, que tem apresentado elevado

    incremento na demanda (fala-se em mais de 15% no ltimo ano) embora

    seu volume total seja ainda baixo (estimativas tem variado entre 400 mil

    e 600mil sacas) a despeito de sua elevada populao (mais de 1,2 bilho

    de pessoas). O pas possui uma cultura inteiramente voltada para a

    ingesto de ch, devido ainda bastante arraigada crena de que o caf

    faz mal a sade. A mesma situao ocorre praticamente em toda a sia

  • com exceo do Japo. Entretanto, entre os pases que ainda tomam

    pouco caf, embora com mercado mais promissor a prazo mais curto,

    pode ser citada a Rssia que consome apenas 300g per capita. Com o seu

    processo de recuperao econmica, a Rssia vem experimentando

    expressivo incremento na utilizao do caf, com a vantagem da

    existncia de menores barreiras culturais na sua utilizao, quando

    comparada com a China.

    No norte e no oeste da Europa, entretanto, o consumo, apesar de

    elevado, encontra-se estagnado. A sada para esses casos seria procurar

    novas formas de apresentao da bebida. O caf solvel, cujo consumo

    mundial ultrapassa hoje 18 milhes de sacas (equivalente- caf verde),

    resultado de esforos da pesquisa, iniciados no comeo do sculo

    passado, mas com resultados comerciais prticos alcanados somente

    nos anos 30 quando houve superproduo de caf no Brasil. Outro

    exemplo de inovao o caf enlatado, consumido na forma gelada e que

    responde por 1/3 do consumo de caf no Japo, apreciado principalmente

    pelo segmento jovem da populao e que movimenta mais de US$10

    bilhes. Segundo alguns analistas, a reativao no consumo de caf na

    Alemanha que se observa no momento deve-se criatividade da sua

    industria que tem disponibilizado uma gama enorme de novas

    alternativas para consumo, como, por exemplo, caf com leite, caf com

    creme e capuccino com diferentes aromas, entre outras. A produo de

    solvel teria dobrado nos ltimos 10 anos na Alemanha graas a essas

    formas diferenciadas de utilizao e que, no conjunto, respondem por

    mais de 70% das vendas de solvel. Esses exemplos so citados apenas

    para mostrar que a inovao seria a sada para ativar os mercados que

  • 24

    apresentam elevado consumo per capita, mas que se encontram

    estagnados.

    A educao, na medida em que tem influncia direta na renda

    individual ou familiar, tambm fator importante no consumo de caf.

    Mas uma varivel decisiva, que deveria ser encarada com maior

    seriedade, pois envolve todos segmentos, refere-se ao marketing. O caf

    colombiano tornou-se conhecido no mundo graas aos recursos da ordem

    de US$ 40 milhes (hoje o montante de recursos menor) gastos

    anualmente no passado para a sua divulgao no exterior. Entretanto, o

    grande desafio do setor o desenvolvimento de aes conjuntas para

    aumentar a demanda total do produto, tendo como principal foco

    despertar o interesse da populao jovem.

    Finalmente, devem ser desenvolvidas aes nos pases

    produtores, visando mudar de forma radical seus padres de consumo.

    No se concebe que pases como Colmbia, Indonsia, Vietnan e

    Mxico, entre outros, mantenham baixa proporo de consumo em

    relao a sua produo. provvel que o mercado mundial de caf no

    estivesse com os preos to aviltados se houvesse um esforo dos pases

    produtores para aumentar o seu consumo interno, com ganho adicional

    estimamados empiricamente em 13 a 15 milhes de sacas.

    3. Preos

    Sem maiores consideraes de natureza terica, pode-se dizer que

    o ajuste entre as condies de oferta e demanda de qualquer bem

    econmico se faz basicamente via preos. Obviamente que existem

    momentos em que, baseando-se em expectativas verdadeiras ou no, se

    queira tirar proveito de determinada situao. Mas, se essas expectativas

  • no estiverem bem aderentes s reais condies de oferta e demanda, o

    resultado ser o fracasso total. Imagine-se por exemplo a seguinte

    situao hipottica: o volume de equilbrio mundial (sem excesso ou

    escassez de caf) da ordem de 100 milhes de sacas anuais (lembrando

    que esse nmero apenas hipottico), o consumo de caf cresce 1,5% e a

    oferta aumenta 5% ao ano. Cinco anos depois, a produo aumentar

    para 128 milhes de sacas, enquanto que o consumo mal chegar aos 108

    milhes de sacas. Seriam 20 milhes de sacas de diferena em apenas 5

    anos! Teoricamente, essa situao de excesso de produto poderia ser

    contornada pelo desenvolvimento de aes tanto do lado da demanda

    quanto do lado da oferta. Entretanto, como so aes de carter mais

    estrutural do que conjuntural no resolveriam o problema a curto prazo.

    Do lado da oferta, por exemplo, o problema seria atenuado se houvesse

    uma coordenao forte e consciente de planejamento da produo,

    visando dissuadir os produtores a aumentar afoitamente a rea de caf

    quando os preos se encontrassem bem acima dos custos de produo.

    Contudo, como esse planejamento ainda inexistente e at utpico

    devido aos interesses particulares, o mercado se alterna entre perodos de

    preos extremamente favorveis e desfavorveis. Esses preos atingiram

    US$400 em janeiro de 1986, caram para US$40 em 1992 e voltaram a

    subir at atingir US$200 em maio de 1997, quando teve incio a fase

    descendente que perdura at os dias de hoje. Essa fase negativa deve

    durar at que seja desovada (?) uma grande safra mundial, que ainda est

    por vir, se no houver quaisquer contratempos de clima e outra

    intempries. A partir da, seguramente, o ciclo se repetir com nova fase

    de preos ascendentes. Entretanto, se houver alterao nas expectativas

    de grande safra, em decorrncia de problemas climticos (secas

  • 26

    prolongadas, geadas, terremotos, furaces etc), poder ocorrer reverso

    mais cedo no ciclo de preos. No mundo todo (inclusive Vietnan), o caf

    j vem enfrentando srios problemas de preos. No caso particular dos

    produtores brasileiros, essas dificuldades foram agravadas pelo

    inconveniente Plano de Reteno conduzido pela Associao dos Pases

    Produtores de Caf (APPC) e apoiado firmemente pela maior parte das

    lideranas do setor e pelas autoridades brasileiras. S a partir de abril

    prximo passado que o Brasil procurou encontrar uma sada para essa

    armadilha, embora seja impossvel recuperar os prejuzos causados pelo

    referido Plano. Estimam-se que mais de US$ 380 milhes deixaram de

    ser internalizados pelo setor produtivo em momento mais oportuno.

    4. Concluso

    O setor cafeeiro est passando por situao bastante delicada. Mas

    a histria econmica desse produto mostra que isso sempre acontece, ou

    seja, momentos de grandes dificuldades so quase que inevitveis como

    decorrncia de fase expansionista que os antecede. reconfortante,

    entretanto, saber que chegaro de novo os momentos em que haver

    recuperao de preos. preciso estar preparado essa situao.

    Gerenciamento dos negcios palavra- chave nessa conjuntura: saber

    comprar bem os insumos, evitar desperdcios na propriedade e ficar

    atento s oscilaes de mercado. Assim procedendo, certamente o

    produtor far com que a atual crise se transforme em boas

    oportunidades de negcio, conforme tambm o significado dessa

    palavra no ideograma oriental.

    5. Literatura Consultada

  • COFFEE BUSINESS. Rio de Janeiro. Oficina de Comunicao e

    Marketing, 2000

    MORICOCHI, LUIZ; MARTIN,NELSON B; VEGRO, CELSO L. R. Polticas de

    Interveno No Mercado de Caf. Anurio Estatstico do Caf 2000-

    2001 6. Ed Rio de Janeiro, p./28-37,2000.

    MUIR, K.S. Coffee Consumption: more than we think? F.O.Licht

    International Coffee Report , 15: 171-179, 2000

    VEGRO, CELSO L. R.; MARTIN, NELSON B;& MORICOCHI, L.. Sistema de

    Produo de Caf: estudos de custos e competitividade. Informaes

    Econmicas, 30: 37-44. 2000.

    MANEJO INTEGRADO DAS DOENAS BITICAS E ABITICAS DO

    CAFEEIRO

    Larcio Zambolim

    Professor Titular do Departamento de Fitopatologia da Universidade

    Federal de Viosa, Viosa MG, CEP 36.570-000, E-mail:

    zambolim@mail.ufv.br.

    Produzir caf com qualidade mantendo a sustentabilidade da

    lavoura com menor agresso ao meio ambiente fator vital para a

    economia cafeeira no mundo moderno. Tornou-se importante no s

    aumentar a produtividade, mas reduzir os custos de produo, buscar

    constantemente a qualidade para que novos mercados possam ser

    identificados, e ateno s demandas da sociedade, para que o seu bem-

    estar seja atingido. Alm disto, a utilizao de tcnicas e mtodos

  • 28

    modernos de manejo devem ser equilibradas, de tal maneira que o meio

    ambiente no seja agredido, mas conservado (Tabela 1).

    Tabela 1 Sucesso na cafeicultura para se buscar a sustentabilidade

    A qualidade que tanto se busca e que tanto se espera do produto

    final funo de todos os fatores de produo que so empregados na

    cafeicultura. Desde a escolha da variedade (caracterstica gentica), do

    local de plantio, da fertilizao, do controle fitossanitrio at a escolha do

    tratamento que dado ao caf na colheita, do beneficiamento, da

    armazenagem e do meio ambiente iro influenciar a qualidade.

    As doenas do cafeeiro vm ao longo dos anos, afetando a

    qualidade e a produtividade do caf. A busca da qualidade e da

    sustentabilidade na cultura do caf tem como pilar de sustentao do

    Manejo Integrado. No Manejo Integrado, como enfatiza KOGAN (1988),

    Produtividade

    Custo de Produo

    Qualidade

    Sociedade

    Novos Mercados

    Aumento

    Reduo

    Busca Constante

    Bem-estar

    Identificao

    Meio ambiente

    Sustentabilidade

    Conservao

  • todos os esforos devem ser buscados para que tais objetivos sejam

    atingidos: o econmico, o ecolgico e o sociolgico. Na medida em que

    se procura produzir com qualidade observando a relao custo/benefcio,

    a ecologia da regio, o emprego de prticas de conservao do solo e da

    gua em todos os sentidos e da lavoura cafeeira, e o bem-estar da

    sociedade (o consumidor), o cafeicultor est preparado para enfrentar a

    globalizao. As doenas podem ser de natureza bitica ou infecciosa e

    de natureza abitica ou no- infecciosa. As doenas de natureza biticas

    mais comuns so: a ferrugem ainda a principal doena bitica que

    incide no cafeeiro, desde sua descoberta no Brasil, h mais de 30 anos,

    com predominncia da raa II de Hemileia vastatrix; a mancha-de-olho-

    pardo pode surgir nas lavouras com deficincia nutricional; a mancha de

    Phoma, em talhes da lavoura sujeitos a ventos frios; a mancha de

    Ascochyta e mancha Aureolada em regies com alta umidade e chuvas

    finas constantes; a mancha anular ocorre em reboleiras nas lavouras

    sendo transmitida por acaro, com ocorrncia espordica, e os nematoides

    de galhas com maior severidade em solos arenosos. As doenas de

    natureza abiticas comumente observadas a campo destacam-se: seca de

    ramos ortotrpicos e plagiotrpicos, murcha e seca das plantas, declnio

    da planta e da produo, queda de frutos, amarelecimento e escaldadura

    de folhas. H ainda outras doenas, de importncia secundria, que s se

    manifestam sob certas condies. O amarelinho do cafeeiro, cujo agente

    causal a bactria fastidiosa, Xyllela fastidiosa, segundo a literatura pode

    ser encontrada no xilema das plantas depauperadas nutricionalmente e

    pouco vigorosas, e a antracnose cujos sintomas de necrose dos ramos e

    frutos apresentam associao com espcies de estirpes fracas do gnero

    Colletotrichum. Frequentemente nas reas necrosadas tm sido isolados

  • 30

    as espcies C. gloeosporioides e C. acutatum. Tais espcies de

    Colletotrichum tm sido isoladas de frutos em formao, desde a fase de

    chumbinho at a maturao sugerindo que o fungo penetra durante a

    florao permanecendo no estado latente dentro de fruto, e de ramos com

    ou sem sintomas de necrose, sugerindo que o fungo tambm endoftico

    nos ramos e manifesta os sintomas de necrose aps a planta ter sofrido

    algum estresse (estiagem prolongada) ou sob condies de extrema

    umidade causada por chuvas finas constantes por vrios dias.

    Os principais fatores de produo que devem ser observados na

    produo do cafeeiro so: 1 plantio de variedades superiores; 2

    nutrio adequada e equilibrada; 3 espaamento compatvel com a

    variedade, o tipo de solo, a topografia e o tipo de colheita; 4 o clima

    onde a cultura ser implantada; 5 intensidade de doenas, pragas e

    plantas daninhas; 6 caractersticas fsicas do solo; 7 disponibilidade

    de gua no solo; 8 teor de matria orgnica no solo; 9 topografia da

    regio; 10 altitude; 11 exposio solar em que a cultura instalada; e

    12 o potencial gentico da variedade.

    As doenas vo em maior ou menor grau proporcionar a reduo

    na produtividade, dependendo da suscetibilidade da cultivar e do clima

    da regio. De um modo geral, a ferrugem reduz de 35 a 40% da

    produo; em anos com dficit hdrico acentuado pode-se chegar a 50%.

    O pico de mxima intensidade da ferrugem varia de regio para regio e

    est em funo do clima, da altitude, e se a variedade precoce, mdia ou

    tardia etc. Devido a estes fatores o controle de doena deve ser feito,

    baseando-se no clima, na fenologia da planta e na amostragem de folhas.

    Em anos agrcolas de alta carga da lavoura, a ferrugem atinge a

    severidade mxima prximo colheita; em anos de baixa produtividade,

  • a ferrugem pode no atingir nvel de controle (5 10% de folha com

    ferrugem). Em se tratando da mancha de Phoma, prejuzos de 10 50%

    podem ocorrer, dependendo das condies do local em que a cultura

    implantada. Em locais sujeitos a ventos frios constantes, em altitudes

    superiores a 1000m, a cultura pode tornar-se invivel. Em altitudes

    inferiores a 1000m a doena tambm pode ocorrer, mas com menor

    severidade, principalmente em plantas localizadas na direo dos ventos

    e na periferia das lavouras. Em lavouras no sujeitas a ao de ventos o

    controle qumico s vivel, quando a porcentagem de infeco atingir

    10 20%. A mancha-de-olho-pardo ocorre na cultura do caf no campo

    e, em mudas, se ocorrerem as seguintes condies: deficincias

    nutricionais e desequilbrio nutricional e em exposies sujeitas intensa

    insolao, principalmente lavouras na exposio poente. Nestas

    condies ocorre rpida perda de gua das folhas e frutos, o que

    predispe as plantas ao ataque da mancha-de-olho-pardo, levando

    desfolha e consequentemente seca de ramos e queda de frutos. Mancha-

    de-Ascochyta trata-se de uma doena muito comum em viveiros e no

    campo em lavouras formadas sob condies de extrema umidade. O

    excesso de irrigao em viveiro, principalmente em mudas formadas em

    tubetes, pode predispor as mudas no ataque da doena, levando-as

    morte prematura. Sob condies de campo, a doena pode ocorrer

    tambm quando as lavouras so adensadas a semi-adensadas e quando

    ocorrer de 10 a 15 dias de chuvas finas e freqentes com a formao de

    nevoeiro. Atualmente, a doena tem sido muito destrutiva na regio

    cafeicultora de Vitria da Conquista na Bahia. A mancha aureolada surge

    na cultura do caf quando as plantas so injuriadas por chuva de pedra,

    pelas rodas dos pivs centrais ao passar sob as plantas, por implementos

  • 32

    agrcolas, principalmente sob condies de irrigao por piv central. O

    adensamento das plantas tambm contribui para o aumento da severidade

    da mancha aureolada. Como a doena causada por uma bactria, injria

    e presena de gua so necessrios para a penetrao e infeco. Os

    nematides do gnero Meloidogyne que atacam o cafeeiro, devem ser

    identificados em nvel de espcie para que sejam tomadas as medidas de

    controle especficas. De um modo geral, tais nematides causam maiores

    prejuzos sob condies de solo arenoso ou argiloso arenoso. O caro da

    leprose transmite o vrus da mancha anular que provoca desfolha e queda

    de frutos. Torna-se necessrio, portanto, identificar o caro da leprose nas

    folhas, proceder a amostragem para se determinar se a praga atingiu ou

    no o nvel de controle para que acaricidas especficos sejam

    recomendados ou no.

    Uma das medidas recomendadas para o controle da ferrugem e do

    bicho mineiro do cafeeiro a aplicao de fungicida sistmico misturada

    inseticida sistmico, no solo, no incio da estao chuvosa. Entretanto,

    tal medida tem afetado a sustentabilidade da lavoura quando a mistura

    empregada por vrios anos consecutivos (4 5 anos) em anos de alta e de

    baixa carga da lavoura. O cafeicultor ao empregar tal medida no leva em

    considerao a severidade da ferrugem e nem do bicho mineiro, pois os

    produtos so aplicados antes do surgimento da doena e da praga.

    Portanto, neste tipo de recomendao no se leva em considerao o

    nvel de equilbrio e nem o nvel de controle, fatores essenciais no

    manejo integrado.

    As principais doenas abiticas que incidem no cafeeiro so a

    seca de ramos plagiotrpicos e ortotrpicos, seca de ponteiros, declnio

    das plantas, amarelecimento das plantas, queda prematura de frutinhos,

  • seca repentina das plantas, escaldadura das folhas e murcha das plantas.

    Tais doenas podem ser causadas por vrios fatores tais como ventos

    frios, razes tortas, sistema radicular deficiente, camada adensada do solo,

    altitude elevada com ventos frios, sulcos e, ou, covas rasas, deficincias

    nutricionais, raios, chuva de pedra, insolao intensa e constante das

    plantas, seca prolongada, baixas temperaturas e queima por misturas de

    defensivos agrcolas (Tabela 2).

    Para se proceder o manejo integrado das doenas do cafeeiro

    deve-se observar os seguintes pontos: cuidado com a exposio poente da

    lavoura; proceder o sulcamento e a formao de covas adequados;

    empregar plantas do tipo quebra-vento e que possa tambm reduzir a

    insolao na lavoura; fertilizao e calagem do sulco de plantio ou das

    covas; emprego de matria orgnica no plantio quando for possvel;

    proceder a fertilizao de acordo com a anlise do solo e foliar; uso de

    micronutriente foliar de acordo com a anlise (cobre, zinco e boro so

    essenciais para quase todas as regies). O mangans essencial para

    algumas regies do cerrado; proceder amostragens para se determinar a

    necessidade de atomizao de defensivos para a ferrugem, mancha-de-

    Phoma, mancha-de-Ascochyta, caro da leprose transmissora do vrus da

    mancha-anular e mancha-de-olho-pardo. As atomizaes devem ser

    feitas tambm, levando-se em considerao o clima, regime de chuvas,

    fenologia da planta, altitude, nvel nutricional das plantas, espaamento,

    topografia da regio e carga pendente; e deve-se levar em considerao

    tambm a rea a ser tratada com fungicidas. reas muito extensas,

    superiores a 500 mil plantas demandam grande quantidade de mquinas

    para cobrir toda a rea para o controle de doenas e correes de

    deficincias nutricionais. Alm disto, o tempo envolvido nas atomizaes

  • 34

    longo, e em muitos casos o cafeicultor no colocar o produto em

    tempo na planta para o controle de uma praga ou doena. Da a

    necessidade de se realizar o planejamento da lavoura para se proceder o

    controle fitossanitrio. No planejamento, neste caso, deve-se levar em

    considerao as aplicaes de defensivos via solo e via foliar, quando

    necessrios.

    Tabela 2 Doenas abiticas ou no infecciosas do cafeeiro e suas

    causas.

    Doenas

    abiticas

    Provveis Causas

    Seca de ramos

    ponteiro

    Ventos frios no inverno e na primavera

    Altitude elevada associada a ventos frios

    Chuva de granizo

    Alta carga de frutos associado a deficincia

    nutricional

    Dficit hdrico

    Camada adensada do solo

    Covas ou sulcos rasos

    Baixas temperaturas

    Razes tortas e sistema radicular pouco desenvolvido

    Deficincia e desequilbrio nutricional

    Queda prematura

    de chumbinhos

    Deficincia e desequilbrio nutricional antes do

    florescimento

    Estresse hdrico associado a altas temperaturas

    Predominncia de chuvas finas e constantes por

  • longo perodo (apodrece o pednculo facilitando o

    ataque de Colletotrichum e outros fungos e

    bactrias)

    Ataque de fungos tais como Phoma, Cercospora e

    vrus da mancha anular.

    vulos no fecundados.

    Declnio das

    plantas

    Razes pouco desenvolvidas e ou tortas

    Ataque de nematides

    Deficincia e desequilbrio nutricional

    Ataque de mosca-do-berne

    Escaldadura das

    folhas em plantas

    (at 1 ano)

    Insolao intensa

    Murcha das

    plantas

    (anos de alta

    carga de frutos)

    Estresse hdrico

    Predominncia de alta temperatura

    Solos arenosos

    Fasca eltrica

    Afogamento do coleto das plantas

    Pio torto

    Razes tortas

    Camada adensada no solo

    Covas rasas

    Amarelecimento Deficincia nutricional

    Dficit hdrico

    Toxidez causada por fertilizantes, herbicidas,

    micronutrientes por via foliar, fungicidas etc.

  • 36

    Fasca eltrica

    COLLETOTRICHUM EM CAFEEIRO

    Pesquisador Cientfico Osvaldo Paradela Filho

    Eng. Agrnomo, Instituto Agronmico de Campinas, Av. Baro de

    Itapura, 1481; Campinas, SP. E-mail: paradela@cec.iac.br

    Entre os patgenos que afetam o cafeeiro diferentes espcies do

    gnero Colletotrichum tm-se destacado ultimamente, podendo, em

    determinadas condies causar perdas na produtividade.

    No Brasil, vrios isolados do fungo j foram identificados. Esses

    isolados foram referidos como formas das espcies Colletotrichum

    coffeanum e Colletotrichum gloeosporioides.

    Na frica j foram definidos trs isolados considerados como

    formas das espcies Colletotrichum gloeosporioides, Colletotrichum

    acutatum e Colletotrichum kahawae (sin. Colletotrichum coffeanum).

    Colletotrichum kahawae causa a doena denominada CBD

    Coffee Berry Disease, no Qunia, na Etipia e em outras regies de

    elevada altitude da frica. Dependendo da virulncia do isolado, pode

    destruir e derrubar at 80% dos frutos cerejas.

    As Doenas e os Sintomas

    A doena mais antiga atribuda a esse fungo a seca dos ramos

    ou seca dos ponteiros. Os sintomas so desfolhamento e morte

    descendente dos ramos. Esse tipo de sintoma tambm atribudo a

  • algumas espcies do gnero Phoma. Esse isolado de Colletotrichum

    sempre foi reconhecido como um saprfita que habita a casca do

    cafeeiro, afetando ramos quando favorecido por ferimentos,

    principalmente em perodos de umidade elevada.

    Outra denominao de doena conhecida causada por

    Colletotrichum spp. antracnose. O fungo incide sobre ramos e frutos

    que sofrem injrias. Tambm provoca manchas irregulares necrticas

    prximas s margens das folhas. Em folhas novas de ramos novos, o

    fungo provoca absciso. Finalmente, em plntulas de viveiros e

    sementeiras ele induz o aparecimento de manchas pardas no caule que

    podem levar a plntula morte. Esses sintomas so atribudos a isolados

    dos fungos Colletotrichum gloeosporioides e Colletotrichum kahawae.

    Como ocorre com a seca dos ramos, os isolados dos fungos

    causadores da antracnose tambm foram reconhecidos por outros

    pesquisadores como fungos que normalmente se encontram nas lavouras

    como saprfitas, mas podem passar a causar danos em lavouras mal

    manejadas. Em regies altas, a incidncia maior porque apresenta mais

    umidade e temperaturas amenas.

    A possvel mistura de isolados de Colletotrichum spp. que ocorre

    no Estado de So Paulo tem permitido a observao no cafeeiro de um

    quadro sintomatolgico que apresenta as seguintes caractersticas em

    condies naturais de campo:

    Escurecimento e morte das estpulas dos ns sempre afetando

    primeiro as da base do ramo, e em seguida infectando as prximas em

    direo ao ponteiro.

    Leses necrticas nos ramos de cor parda passando a preta, sempre

    caminhando da base do ramo para o ponteiro.

  • 38

    Leses necrticas em folhas.

    Queda das folhas, sendo primeiro as da base, caminhando em seguida

    para o ponteiro do ramo.

    Leses necrticas pardas, passando a negras, em gemas, flores,

    chumbinhos e frutos.

    Provoca a morte e queda das flores e chumbinhos.

    Enegrecimento e morte de ramos.

    Retardamento do desenvolvimento das plntulas em viveiro

    provocado por leses no caule.

    Observaes realizadas nos ltimos anos tm mostrado que os

    sintomas mais crticos e prejudiciais para o cafeeiro so aqueles em que o

    fungo incide sobre gemas, flores e chumbinho, provocando sua morte e

    queda, e enegrecimento e morte de ramos. Isto sugere que o isolado

    patognico do fungo tem preferncia por tecidos em crescimento. Os

    sintomas no esto relacionados com plantas injuriadas ou culturas mal

    manejadas; pelo contrrio eles so mais intensos e evidentes em culturas

    novas e muito bem conduzidas.

    Todos os sintomas apresentados, ou parte deles ocorrem

    invariavelmente em todas as lavouras de caf do Estado de So Paulo,

    como tambm em muitos viveiros.

    O Fungo e as Condies Favorveis

    Colletotrichum spp. do cafeeiro so parasitas facultativos.

    Apresentam uma fase parastica e uma fase saproftica. A fase saproftica

    pode-se constituir em importante fonte de inculo para a sua

    disseminao.

  • Entre os fatores de disseminao do fungo entre e dentro das

    plantas, destacam-se a chuva, vento, insetos, implementos, homem, etc.

    As mudas tm-se mostrado a maneira mais eficiente de se introduzir o

    patgeno em uma nova cultura de cafeeiro.

    O ambiente exerce efeito marcante na sobrevivncia e fase

    saproftica de parasitas facultativos. Perodos contnuos de alta umidade

    favorecem o desenvolvimento da doena. Temperaturas mais baixas, em

    torno de 22oC, beneficiam o fungo, tornando os sintomas mais intensos.

    Os fatores ambientais podem estar selecionando isolados mais

    patognicos ou estimulando o mecanismo do fungo que permite passar

    rapidamente da fase saproftica para a fase patognica.

    Medidas de Controle

    A medida de controle recomendada o uso de defensivos

    agrcolas. Produtos de ao sistmica devem impedir que o fungo se

    desenvolva, colonizando ramos, gemas, flores, chumbinho e frutos. Os

    produtos de contato atuam reduzindo a disseminao do fungo na planta.

    Para o controle de Colletotrichum spp., produtos de ao

    sistmica como benomyl, tiofanato metlico, tebuconazole, tiofanato

    metlico + clorotalonil e difenoconazole, e produtos de contato como

    trifenil acetato de estanho, prochloraz e trifenil hidroxido de estanho,

    foram altamente eficientes em condies de laboratrio.

    A eficincia do tratamento com esses produtos tem sido varivel,

    dependendo do isolado do fungo envolvido no processo de infeco.

    O perodo de florescimento e formao de frutos o mais crtico e

    deve ser protegido. Deve-se fazer um acompanhamento da lavoura para

    se verificar o incio do aumento da doena.

  • 40

    Iniciado o florescimento, se ocorrer um perodo prolongado de

    umidade relativa alta, aplicar produto de ao sistmica. Se

    posteriormente houver evoluo da doena, o agricultor deve repetir o

    tratamento. Proteger sempre a fase de chumbinho quando houver

    ocorrncia de chuvas prolongadas.

    Referncias Bibliogrficas

    ANDREI, E. Compndio de Defensivos Agrcolas. 5a ed., 1996.

    DORIZZOTTO, A. & ABREU, M.S. Caracterizao e morfologia de

    Colletotrichum coffeanum Noack e Colletotrichum gloeosporioides

    Penz. Fitopatol. Bras., 18: 306, 1993.

    GODOY, C.V.; BERGAMIN FILHO, A. & SALGADO, C.L. Doenas do

    cafeeiro. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; BERGAMIN FILHO, A.;

    CAMARGO, L.E.A; REZENDE, J.A.M. Manual de Fitopatologia:

    Doenas das Plantas Cultivadas. So Paulo, Ceres, v.2, 1997, p.

    184-200.

    GALLI, F. (Coord.) Manual de Fitopatologia: Princpios e Conceitos.

    Ceres, 373 p. 1978.

    KIMATI, H.; GIMENES FERNANDES, N.; SOAVE, J.; KUROZAWA, C.;

    BRIGNANI NETO, F. & BETTIOL, W. Guia de Fungicidas Agrcolas.

    Volume I. Recomendaes por cultura. Grupo Paulista de

    Fitopatologia, 2a ed., Jaboticabal, 225 p., 1997.

    SILVEIRA, A.P. & PATRCIO, F.R.A. Principais doenas da cultura do

    cafeeiro e seu controle. In: Reunio Itinerante de Fitossanidade do

    Instituto Biolgico. Anais. So Paulo. Instituto Biolgico. Pg. 28-42,

    1999.

  • WALLER, J.M.; BRIDGE, P.D.; BLACK, R. & HAKIZA, G. Caracterization of

    the coffee berry disease pathogen, Colletotrichum kahawae sp. new.

    Mycol. Res., 97: 989-994, 1993.

    BREVIPALPUS PHOENICIS, CARO VETOR DA MANCHA-ANULAR EM

    CAFEEIRO

    Paulo Rebelles Reis

    EPAMIG-CTSM/EcoCentro, Caixa Postal 176, CEP 37.200-000, Lavras,

    MG .E-mail: rebelles@ufla.br

    1. Introduo

    O caro Brevipalpus phoenicis (GEIJSKES, 1939) (Acari:

    Tenuipalpidae) tem sido relatado vivendo em cafeeiros no Brasil, pelo

    menos desde 1950 (A Infestao, 1951) e posteriormente foi

    correlacionado com a mancha-anular (CHAGAS, 1973) causada por vrus

    do grupo dos Rhabdovirus (CHAGAS, 1988). de distribuio

    cosmopolita, infestando diversas espcies vegetais (REIS, 1974;

    TRINDADE & CHIAVEGATO, 1994).

    At 1988 a doena, mancha-anular do cafeeiro, no tinha ainda

    representado problema econmico, embora em 1986 tenha sido associada

    a uma intensa desfolha devido a um inverno com baixa precipitao

    pluvial, condio muito favorvel ao caro (CHAGAS, 1988).

    Desde 1990, com destaque para 1995, a infestao de B. phoenicis

    e da mancha-anular, tm sido relatadas em Minas Gerais causando

    intensa desfolha em cafeeiros, principalmente na regio do Alto

    Paranaiba (FIGUEIRA et al., 1996), sendo tambm constatada a presena

  • 42

    do caro nas demais regies cafeeiras do Brasil, tanto em cafeeiro

    arbica, quanto em canfora (MATIELLO, 1987).

    Brevipalpus phoenicis, caro-plano, ou da leprose como

    conhecido na citricultura, uma sria praga da cultura dos citros

    (CHIAVEGATO, et al., 1982; CHIAVEGATO, 1991) atacando as folhas,

    ramos e principalmente os frutos, causando prejuzos. Seu levantamento

    e controle em citros so indispensveis a cada ano.

    No cafeeiro, segundo CHAGAS (1973), desde 1970 quando foi

    constatada a ferrugem-do-cafeeiro, Hemileia vastatrix, no Brasil, a

    ateno dos cafeicultores foi despertada para diversos tipos de manchas

    que ocorriam nas folhas. Muitas amostras apresentavam sintomas da

    mancha-anular do cafeeiro. Segundo o autor, em folhas afetadas pela

    mancha-anular, foi observada, com certa freqncia, a presena de caros

    avermelhados, cujo aspecto e dimenses assemelhavam-se aos de B.

    phoenicis associado leprose nos laranjais paulistas. Posteriormente

    foram identificados como sendo mesmo B. phoenicis.

    2. Etiologia e Sintomas da Mancha-anular do Cafeeiro

    CHAGAS (1973) conseguiu reproduzir os sintomas da mancha-

    anular, em mudas de Coffea arabica Mundo Novo, atravs da

    infestao com caros provenientes de lavoura de caf apresentando a

    doena. Os resultados obtidos indicaram que o caro B. phoenicis, alm

    de estar associado a leprose dos citros (MUSUMECI & ROSSETTI, 1963) e

    clorose-zonada (ROSSETTI et al., 1965), est tambm associado

    mancha-anular do cafeeiro. Essa espcie de caro foi tambm associada

    mancha-anular do ligustro, Ligustrum lucidum Ait. (Oleaceae)

    (RODRIGUES & NOGUEIRA, 1996), cujo agente causal provavelmente

  • um vrus (Ligustrum Ringspot Virus) como relatado por LIMA et al.

    (1991).

    Em 1986, segundo CHAGAS (1988), devido a condies

    ambientais muito favorveis ao caro, a mancha-anular foi associada

    queda de folhas. Relata ainda o autor que os sintomas aparecem nas

    folhas e nos frutos do cafeeiro, e caracterizam-se por manchas clorticas,

    de contorno quase sempre bem delimitado, s vezes com um ponto

    necrtico central. Nas folhas as manchas tomam constantemente forma

    de anel, podendo coalescer, abrangendo grande parte do limbo. Nos

    frutos, os sintomas tambm aparecem na forma de anis.

    SILVA et al. (1992) diagnosticaram em 1991 a leprose do

    cafeeiro transmitida pelo caro, por julgarem, pelos sintomas, ser

    diferente da mancha-anular, ocorrendo no Alto Paranaba em Minas

    Gerais, com prejuzos iniciais significativos. Nos anos subseqentes, e,

    principalmente em 1994/1995, verificaram uma grande expanso da

    doena naquela e em outras regies.

    PALLINI FILHO et al. (1992) em levantamentos de caros

    realizados no Sul de Minas, em 1989/1990, constataram a ocorrncia do

    caro B. phoenicis em baixa populao e no notaram a presena de

    mancha-anular.

    MATIELLO et al. (1995) mencionaram que as plantas atacadas, e

    com sintomas do ataque do caro, ficam bastante desfolhadas, de dentro

    para fora, ficando ocas. Os frutos apresentam leses cor de ferrugem

    (marrom claro) evoluindo depois para uma cor negra, alguns recobertos

    por fungos oportunistas (tipo Colletotrichum), aparecendo um p branco

    sobre as leses. Os autores constataram tambm leses em ramos e, em

    menor escala, morte de gemas apicais nos ramos de dentro das plantas.

  • 44

    Como ocorre em citros (RODRIGUES et al., 1997), tambm em

    cafeeiro duas hipteses podem ser estabelecidas para explicar a

    sintomatologia do ataque, ou seja, as leses podem ser causadas por uma

    toxina injetada pelo caro no tecido das plantas ou o caro o vetor de

    um patgeno, provavelmente um vrus. A transmisso da leprose em

    citros pela enxertia (CHAGAS & ROSSETTI, 1983 citados por RODRIGUES

    et al., 1997) e mecanicamente (COLARICCIO et al., 1995) refora a

    hiptese de que a doena nessa cultura causada por um patgeno,

    porm no descarta a segunda, ou podem ocorrer as duas

    simultaneamente.

    Segundo RODRIGUES et al. (1997) a caracterstica no sistmica

    atribuda ao vrus ressalta a importncia do vetor B. phoenicis na

    epidemiologia da doena, porque a presena do caro condio

    essencial, sem a qual no ocorre a sua disseminao. Relatam ainda,

    esses autores, a ocorrncia de partculas semelhante a vrus, como

    resultados da anlise de seces ultrafinas de tecidos do caro sob

    microscpio eletrnico, os quais relatam como sendo similares aos vrus

    de plantas dos grupos Badnavirus e Rhabdovirus, tal qual o relato de

    KITAJIMA et al. (1971) em tecido foliar de citros. Ainda RODRIGUES et al.

    (1997), pelo local e quantidade de partculas encontradas, relatam a

    possibilidade do vrus multiplicar-se dentro do vetor, B. phoenicis.

    3. Distribuio Espacial do caro Brevipalpus phoenicis em Cafeeiro

    Como relatado para os citros, para a mesma espcie de caro,

    foi constatada a presena do B. phoenicis nas folhas, ramos e frutos do

    cafeeiro. Nas folhas os caros localizam-se na pgina inferior, prximos

    s nervuras, principalmente a central. Nos frutos, caros e ovos,

  • encontram-se preferencialmente na coroa e pednculo, sendo tambm

    encontrados em fendas e leses na casca dos frutos com aspecto de

    cortia. O maior nmero de ovos e caros encontrado no tero inferior

    das plantas, tanto nas folhas, ramos e frutos. Nas folhas, o maior nmero

    de ovos e caros encontrado naquelas do tero inferior e posio interna

    da planta, e em menor nmero nas da parte superior e posio externa da

    planta. J nos ramos o maior nmero de ovos e caros encontrado na

    parte distal, que a parte verde dos ramos, onde esto as folhas, e o

    menor nmero na parte do ramo que no apresenta folhas, ou do interior

    das plantas. De modo geral, o nmero de ovos sempre maior que o de

    caros. Os ramos apresentam o menor nmero de ovos e caros, quando

    comparados s folhas e frutos (REIS et al., 2000c). Estes resultados

    diferem em parte daqueles encontrados para citros com a mesma espcie

    de caro (CHIAVEGATO & KHARFAN, 1993), onde a maior preferncia foi

    para frutos e ramos, e os locais menos adequados foram as folhas, porm

    possvel que hajam diferenas conforme a poca do ano.

    4. Dano

    Alm da queda de folhas j relatada anteriormente, ocorre

    tambm uma reduo na qualidade do caf, provavelmente em funo da

    posterior ocorrncia de fungos associados s infestaes do caro, que

    ocasionaro fermentaes indesejveis durante a secagem do caf. Aps

    o ataque do caro os frutos ficam predispostos penetrao de

    microorganismos, como o caso do fungo Colletotrichum

    gloeosporioides, e que comum ser encontrado em condies

    saprofticas em cafeeiro.

  • 46

    Atravs da medida da atividade da polifenol oxidase de amostras

    de caf, com e sem ataque do caro, foi constatado uma piora na

    qualidade da bebida do caf proveniente dos gros atacados, que de

    bebida mole passou a bebida dura (REIS & CHAGAS, no prelo).

    5. Manejo do caro da Mancha-anular

    Fenbutatin-oxide (Torque 500 SC, 80 ml/100 litros de gua),

    hexythiazox (Savey 500 PM, 3g), clofentezine (Acaristop 500 SC, 40

    ml), abamectin (Vertimec 18 CE, 30 ml), tetradifon (Tedion 80 CE, 300

    ml) e enxofre (Kumulus 800 PM, 500 g), previamente selecionados como

    seletivos a dois caros inimigos naturais de B. phoenicis, os caros

    predadores I. zuluagai (REIS et al., 1998a) e E. alatus (REIS et al.,

    1999a), foram testados no controle do caro da mancha-anular em cafezal

    altamente infestado. Com uma s aplicao dos produtos com atomizador

    costal motorizado e gasto de 1000 litros de calda por hectare, alto volume

    de calda acaricida necessrio para melhor eficincia no controle desse

    caro (OLIVEIRA & REIFF, 1998; OLIVEIRA et al., 1998), os produtos mais

    eficientes e respectivas porcentagens de eficincias de controle foram:

    enxofre (88%), fenbutatin-oxide (86%), abamectin (70%) e tetradifon

    (64%). O hexythiazox e clofentezine no mostraram efeito de controle do

    caro no campo. O efeito ovicida de todos os produtos foi avaliado em

    laboratrio, pulverizados com torre de pulverizao (2,120,09 mg/cm2),

    e somente o hexythiazox apresentou 100% de ao ovicida, seguido do

    fenbutatin-oxide com 51%. Quanto ao efeito residual sobre a mortalidade

    dos caros, obtido em semi-campo, o enxofre, fenbutatin-oxide e

    abamectin apresentaram mortalidade at 30 dias da aplicao,

  • hexythiazox e tetradifon at 15 dias e clofentezine menos de 5 dias (REIS

    et al., 1998b).

    Outros produtos como o dicofol (Kelthane) 480 SC (Reis et al.,

    1999b) e o propargite (Omite) 720 CE (REIS et al., 2000a), tambm

    muito eficientes no controle do caro da mancha-anular, devem ser

    utilizados com maior cautela por no possurem seletividade fisiolgica

    caros predadores do caro B. phoenicis (REIS et al., 1998a e 1999a).

    6. Consideraes Finais

    O caro da mancha-anular ou caro-plano, B. phoenicis, adquiriu

    "status" de praga por veicular o vrus da mancha-anular em cafeeiro.

    Ocorre durante o ano todo, porm apresenta maior populao nos

    perodos mais secos do ano, onde seu monitoramento deve ser acentuado

    (REIS et al., 2000b).

    Os resultados obtidos por REIS et al. (2000c) mostram que

    amostragens do caro da mancha-anular, para efeito de controle, sero

    mais representativas se forem feitas em ramos e frutos do tero inferior, e

    folhas mais internas do tero inferior das plantas. Do informaes

    tambm de quais partes das plantas devem ser alvo de produtos

    fitossanitrios para o controle do caro, ou seja, o equipamento a ser

    utilizado deve proporciona r um depsito dos produtos nas partes

    interiores das plantas, principalmente dos teros inferior e mdio.

    Devido maior quantidade de ovos presentes nos ramos e frutos,

    em relao s demais fases do desenvolvimento do caro (REIS et al.,

    2000b), o uso de produtos fitossanitrios com ao ovicida aumenta a

    eficincia de controle do B. phoenicis. Como a presena de caros

    predadores significativa (REIS et al., 2000b) e com grande potencial de

  • 48

    predao (REIS et al., 2000d), o uso de produtos seletivos favorece o

    manejo do caro da mancha-anular.

    7. Referncias Bibliogrficas

    A INFESTAO de caros nos cafezais. O Biolgico, So Paulo, 17: 130,

    1951.

    CHAGAS, C.M. Associao do caro Brevipalpus phoenicis (Geijskes)

    mancha anula do cafeeiro. O Biolgico, 39: 229-232, 1973.

    CHAGAS, C.M. Viroses, ou doenas semelhantes transmitidas por caros

    tenuipalpdeos: mancha anular do cafeeiro e leprose dos citros.

    Fitopatol. Bras., 13: 92, 1988.

    CHIAVEGATO, L.G. caros da cultura dos citros, p.601-641. In:

    RODRIGUEZ, O.; VIGAS, F.; POMPEU JR., J.; AMARO, A.A. (Eds.)

    Citricultura brasileira. 2.ed., Campinas: Fundao Cargill, 1991.

    v.2, 941p.

    CHIAVEGATO, L.G.; KHARFAN, P.R. Comportamento do caro da leprose

    Brevipalpus phoenicis (G.) (Acari: Tenuipalpidae) em citros. An. Soc.

    Entomol. Bras., 22: 355-359, 1993.

    CHIAVEGATO, L.G.; MISCHAN, M.M.; SILVA , M. DE A. Prejuzos e

    transmissibilidade de sintomas de leprose pelo caro Brevipalpus

    phoenicis (Geijskes, 1939) Sayed, 1946 (Acari, Tenuipalpidae) em

    citros. Cientfica, 10: 265-271, 1982.

    COLARICCIO, A.; LOVISOLO, O.; CHAGAS, C.M.; GALLETI, S.R.; ROSSETTI,

    V.; KITAJIMA, E.W. Mechanical transmission and ultrastructural

    aspects of citrus leprosis disease. Fitopatol. Bras., 20: 208-213, 1995.

    FIGUEIRA, A.R.; REIS, P.R.; CARVALHO, V.L.; PINTO, C.S. Coffee

    ringspot virus is becoming a real problem to brazilian coffee growers,

  • p.203. In: International Congress of Virology, 10, 1996 Jerusalen,

    Israel. 1996.

    KITAJIMA, E.W.; MLLER, G.M.; COSTA, A.S. Partculas baciliformes

    associadas leprose dos citros, p.419-438. In: Congresso Brasileiro

    de Fruticultura, 1971. SBF, 1971. v.2, 810p.

    LIMA, M.L.R.Z.C.; LIMA NETO, V.C.; SOUZA , V.B.V. The causal agent of

    Ligustrum ringspot disease. Phytopathol., 81: 1216, 1991.

    MATIELLO, J.B. Novas condies de ocorrncia de mancha anular do

    cafeeiro, p.6. In: Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras,

    1987. MIC /IBC, 1987. 323p.

    MATIELLO, J.B.; ALMEIDA, S.R.; SILVA , M.B.;SILVA , O.A.; VIEIRA, E.

    Expanso do ataque da leprose do cafeeiro, p.6. In: Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1995. MARA /PROCAF, 1995.

    212p.

    MUSUMECI, M.R.; ROSSETTI, V. Transmisso dos sintomas da leprose dos

    citros pelo caro Brevipalpus phoenicis. Cincia e Cultura, 15, p.228,

    1963.

    OLIVEIRA, C.A.L.; CAMPOS NETO, R.R.; FERNANDES, C.B. Efeito de

    diferentes volumes de calda no controle do caro-da-leprose

    Brevipalpus phoenicis (Geijskes) em citros. An. Soc. Entomol. Bras,

    27: 117-124, 1998.

    OLIVEIRA, C.A.L.; REIFF, E.T. Influncia do volume de calda aplicada de

    acaricidas no controle do Brevipalpus phoenicis, transmissor da

    mancha anular do cafeeiro, p.140. In: Congresso Brasileiro de

    Pesquisas Cafeeiras, 1998. MAA/SDR/PROCAF/PNFC, 1998.

    319p.

  • 50

    PALLINI FILHO, A.; MORAES, G.J.; BUENO, V.H.P. caros associados ao

    cafeeiro (Coffea arabica L.) no Sul de Minas Gerais. Cincia e

    Prtica, 16: 303-307, 1992.

    REIS, P.R. caros de algumas fruteiras de clima tropical e subtropical

    e seus hospedeiros. Lavras: ESAL, 1974. 32p. (Boletim Tcnico,

    Srie Pesquisa, 3).

    REIS, P.R.; CHAGAS, S.J.R. Relao entre o ataque do caro-plano e da

    mancha-anular com indicadores da qualidade do caf. Cincia e

    Agrotecnologia, Lavras, (no prelo).

    REIS, P.R.; CHIAVEGATO, L.G.; MORAES, G.J.; ALVES, E.B.; SOUSA, E.O.

    Seletividade de agroqumicos ao caro predador Iphiseiodes zuluagai

    Denmark & Muma (Acari: Phytoseiidae). An. Soc. Entomol. Bras,

    27: 265-274, 1998a.

    REIS, P.R.; SOUSA, E.O.; ALVES, E.B. Seletividade de produtos

    fitossanitrios ao caro predador Euseius alatus DeLeon (Acari:

    Phytoseiidae). Revista Brasileira de Fruticultura, 21: 350-355,

    1999a.

    REIS, P.R.; SOUZA, J.C.; PEDRO NETO, M.; TEODORO, A.V. Efeito do

    Omite 720 CE no controle do caro Brevipalpus phoenicis, vetor da

    mancha-anular em cafeeiro, p.219-222. In: Congresso Brasileiro de

    Pesquisas Cafeeiras, 2000. MAA/PROCAF, 2000a. 380p.

    REIS, P.R.; SOUZA, J.C.; PEDRO NETO, M.; TEODORO, A.V. Flutuao

    populacional do caro da mancha-anular do cafeeiro e seus inimigos

    naturais, p.1210-1212. In: Simpsio de Pesquisa dos Cafs do

    Brasil, 2000. EMBRAPA-CAF, 2000b. v.2. 1490p.

  • REIS, P.R.; SOUZA, J.C.; SOUSA, E.O.; TEODORO, A.V. Controle do caro

    Brevipalpus phoenicis, vetor da mancha-anular do cafeeiro, p.1052.

    In: Congresso Brasileiro de Entomologia, 1998. v.2, 1052p.

    REIS, P.R.; SOUZA, J.C.; SOUSA, E.O.; TEODORO, A.V. Distribuio

    espacial do caro Brevipalpus phoenicis (Geijskes) (Acari:

    Tenuipalpidae) em cafeeiro (Coffea arabica L.). An. Soc. Entomol.

    Bras, 29:.177-183, 2000c.

    REIS, P.R.; SOUZA, J.C.; TEODORO, A.V.; PEDRO NETO, M. Efeito do

    Kelthane e Karathane no controle do caro Brevipalpus phoenicis,

    vetor da mancha-anular em cafeeiro, p.52-54. In: Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1999. MAA/SDR/PROCAF,

    1999b. 356p.

    REIS, P.R.; TEODORO, A.V.; PEDRO NETO, M. Predatory activity of

    phytoseiid mites on the developmental stages of coffee ringspot mite

    (Acari: Phytoseiidae: Tenuipalpidae). An. Soc. Entomol. Bras, 29:

    547-553, 2000d.

    RODRIGUES, J.V.C.; NOGUEIRA, N.L. Ocorrncia de Brevipalpus

    phoenicis G. (Acari: Tenuipalpidae) em Ligustrum lucidum (Oleaceae)

    associado mancha anelar do ligustre. An. Soc. Entomol. Bras, 25:

    343-344, 1996.

    RODRIGUES, J.C.V.; NOGUEIRA, N.L.; FREITAS, D.S.; PRATES, H.S. Virus-

    like particles associated with Brevipalpus phoenicis Geijskes (Acari:

    Tenuipalpidae), vector of citrus leprosis virus. An. Soc. Entomol.

    Bras, 26: 391-395, 1997.

    ROSSETTI, V.; NAKADAIRA , J.T.; CALZA, R.; MIRANDA, C.A.B. A

    propagao da clorose zonada dos citros pelo caro Brevipalpus

    phoenicis. O Biolgico, 31: 113-116, 1965.

  • 52

    SILVA , M.B. DA; MATIELLO, J.B.; ALMEIDA, S.R. Leprose do cafeeiro,

    nova doena provocada por vrus da mancha-anular, p.22. In:

    Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras. MARA /PROCAF,

    1992.138p.

    TRINDADE, M.L.B.; CHIAVEGATO, L.G. Caracterizao biolgica dos

    caros Brevipalpus obovatus D., B. californicus B. e B. phoenicis G.

    (Acari: Tenuipalpidae). An. Soc. Entomol. Bras, 23: 189-195, 1994.

    MTODOS ALTERNATIVOS DE APLICAO DE DEFENSIVOS EM

    CAFEEIROS

    Dr. Octvio Nakano

    Prof. Titular do Depto. de Entomologia Fitopatologia e Zoologia

    Agrcola - ESALQ/USP. E-mail: onakano@ciagri.usp.br

    As reas cultivadas de caf no Brasil tem apresentadas altas e

    baixas, principalmente em funo das geadas; sua ocorrncia desanima

    os produtos atingidos sem incentivo para novos plantios; entretanto as

    oscilaes nos preos do caf, a nvel internacional, estimularam o

    plantio em reas no favorveis a essa adversidade climtica. Tais reas,

    conhecidas por regio do cerrado, passaram a exigir novas tecnologias

    devido a pobreza do solo e predominncia de secas; essas condies

    tornaram os cafezais mais vulnerveis as pragas e doenas, obrigando a

    pesquisa a desenvolver modificaes no controle das mesmas, com a

    finalidade de reduzir os custos de produo.

    De outro lado, a sociedade cada vez mais exigente quanto aos

    processos ecolgicos tem direcionado as pesquisas nas aplicaes de

  • defensivos menos poluentes, minimizando os problemas toxicolgicos.

    Novas leis comeam a surgir, com proteo a fauna e a flora e alguns

    importadores do caf passaram a exigir caf orgnico, sem tratamento

    qumico.

    A aplicao de defensivos em cafezais j vem de longa data; a

    literatura tem relatado novas modalidades de controle qumico, iniciada

    pelas pulverizaes nas folhas com inseticidas ou fungicidas sistmicos;

    posteriormente, para evitar lavagens dos produtos pelas chuvas e tambm

    agresso aos inimigos naturais ou contaminao ao aplicador, surgiram o

    sistmicos granulados para aplicao no solo.

    Alguns sistmicos foliares como o dimetoato, tiveram suas

    formulaes modificadas para se adaptarem ao uso no solo, pois devido a

    sus alta solubilidade, foi necessria a confeco de camadas intercaladas

    do ingrediente ativo, para uma liberao lenta.

    A utilizao de aplicao combinada de inseticida com fungicida

    no solo, surgiu por volta de 1980, visando o controle simultneo do bicho

    mineiro e da ferrugem do cafeeiro. A termonebulizao com piretroides

    j era recomendada desde 1979 visando o uso da substancia pastosa

    (poli-butadieno / poli-acaricida) contendo 10% de Citrolane (mefosfolan)

    aplicado no tronco dos cafeeiros com o auxilio de pincel e o

    esguichamento de inseticidas tambm no caule das plantas surgirem em

    1984; pulverizadores eletrodinmicos no controle do bicho mineiro

    foram lanados em 1986; sua grande vantagem o direcionamento das

    gotas inseticidas sem deriva, com reduo considervel do ingrediente

    ativo.

    Porm, a utilizao de sistmicos granulados de solo continuava a

    predominar e todos eles com elevada toxidade como: aldicarbe,

  • 54

    carbofuran, disulfotom, forate, passaram a preocupar os ambientalistas,

    principalmente aps problemas surgidos com a contaminao de guas

    em regies montanhosas, onde podem ser levados pelas chuvas.

    Com isso, as pesquisas se iniciaram novamente com novas

    modalidades de aplicao como o esguicho manual ou tratorizado no

    caule; outro tipo de aplicao ainda em fase de teste o band-aid

    envolvendo o caule das plantas, processo mais trabalhoso, mas com a

    vantagem de proteger o inseticida da degradao pelos raios solares, das

    lavagens pelas chuvas, com conseqente aumento no efeito residual,

    menor risco ao aplicador e menos agressivo aos inimigos naturais.

    O aparecimento de um novo grupo de inseticida sistmico,

    denominado neonicotinoide, com DL50 muito mais seguro comparado

    aos sistmicos fosforados e carbamatos, passou a oferecer aos

    cafeicultores mtodos mais seguro de aplicao em qualquer dos sistemas

    j preconizados.

    As tcnicas de aplicao desses novos defensivos voltaram a ser

    testadas com sucesso por ser um ativo com local de atuao diferenciado

    no sistema nervoso dos insetos, portanto, com possibilidade de

    resistncia remota. Sua relativa estabilidade tanto no solo como aplicado

    no caule esto oferecendo resultados satisfatrios excelentes resultados.

    Mas, a preocupao com os processos ecolgicos, tem feito surgir

    novas legislaes preocupando as empresas tanto sob aspecto econmico

    da produo de defensivos quanto ao aspecto toxicolgico. Taxas

    elevadas passaram a ser cobradas pelos rgos fiscalizadores

    inviabilizando o registro de novos produtos. Com isso, os genricos

    comeam a ser utilizados novamente surgindo a necessidade de pesquisas

  • visando tcnicas de aplicaes menos poluentes ou menos agressivas ao

    agroecosistemas.

    O uso de microencapsulados ganha espao novamente, na

    tentativa de reduzir o contato do homem aos defensivos com o DL 50

    dermal comprometedor ao mesmo tempo em que se consegue maior

    efeito residual sobre as pragas. J existem no mercado o Paracap,

    formulao microencapsulada do Paratiom metil e o piretroide Lambda -

    cialothrina, este ltimo pouco e menos irritante, com maior ao residual.

    A nova legislao passa a exigir tambm que as embalagens de

    defensivos sejam rcolhidas aps o seu uso; pesquisas visando a reduo

    dessas embalagens tambm j foram iniciadas, surgindo novas

    formulaes para minimizar essa exigncia, tornando o inseticida menos

    poluente quando comparado aos ps e as formulaes liquidas.

    Novos mtodos alternativos para o uso de defensivos devero

    surgir em conseqncia de novas exigncias, seja pela legislao, seja

    devido a reduo de custos e tambm pelo aspecto inovador, oferecendo

    aos usurios processos moderno e mais competitivos em relao a

    concorrncia.

    Bibliografia

    ALMEIDA, P. R., DE; ARRUDA, H.V. DE; PEREIRA, L. C. E.; BAUER, O. A.

    P. Formulaes de inseticidas sistmicos aplicados no solo, no

    controle ao "Bicho mineiro" - Perileucoptera coffeella (Gurin - Mn,

    1842) - do cafeeiro. In: 23 Congresso Brasileiro de Pesquisas

    Cafeeiras, 1997. p. 7 - 10.

    ALMEIDA, P. R., DE; JOEYS, T.; ARRUDA, H. V. DE; GUINDANI, C. M. A.;

    COELHO, R. DE. Formulaes de dimetoato granulado aplicadas no

  • 56

    solo para o controle do "Bicho Mineiro" - Perileucoptera coffeella

    (Gurin - Mn., 1842) - do cafeeiro. In: 8 Congresso Brasileiro de

    Pesquisas Cafeeiras, 1980. p. 371-373.

    D' ANTONIO, A. M.; GONALVES, P. C. T. Estudo de pulverizao

    eletrodinmica no controle do bicho mineiro do cafeeiro. In: 13

    Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras,1986. p. 101-102.

    D' ANTONIO, A. M.; PAULA , V. DE. Estudos preliminares sobre a

    eficincia do dimetoato aplicado no solo sob a forma de granulados

    experimentais, no controle ao "Bicho Mineiro" do cafeeiro -

    Perileucoptera coffeella (Gurin - Menville, 1842) In: 7 Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1979. p. 273-274.

    FORNAZIER, M. J.; MELO, E. V. DE; ZANDONADI J. R. Indicativos para a

    cafeicultura de montanha do Esprito Santo classificao e

    padronizao - 2000/2001. In: 25 Congresso Brasileiro de

    Pesquisas Cafeeiras, 2000. p. 16 -162.

    FUJIWARA, M.; COSTA , I. D. O emprego de piretrides atravs da

    termonebulizao no controle de pragas do cafeeiro. In: 7 Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1979. p. 377 - 378.

    GIRROTO, F.; LESSI,R. A.; SANTINI, A.; FIORELLI, J. H.; OTOBONI, J. A.;

    MARQUES DA COSTA, A. C. Eficincia do novo inseticida

    imidacloprid (premier 700 GrDA) em aplicao "Liquida via solo"

    para o controle do bicho mineiro do cafeeiro. In: 26 Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 2000. p.92-93.

    MARTINS, D. R.; MARTINELLI, N. M.; MATUO T. Mtodos de aplicao de

    inseticidas granulados sistmicos para o controle de cigarras do

    cafeeiro. In: 25 Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1999.

    p. 284-285.

  • MATIELLI, A.; LESSI, A. R.; SAN JUAN, R. C. C.; ALMEIDA, S. L. Estudos

    de diferentes modos e poca de aplicao do inseticida imidacloprid

    no controle do bicho mineiro do cafeeiro. In: 25 Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1999. p. 226.

    MATIELLI, A.; GIROTO, F.; LESSI, R. A.; SANTINI, A.; ABIDO, O. I. Estudo

    da eficincia do inseticida premier aplicado via solo no controle do

    bicho mineiro das folhas do cafeeiro. In: 25 Congresso Brasileiro de

    Pesquisas Cafeeiras, 1999. p. 229-230.

    MATIELLI, A.; GIROTO, F.; LESSI, A.; SANTINI, A.; ABIDO, O. I. O controle

    do bicho mineiro do cafezal com o uso de premier via solo e o

    comparativo com os padres do mercado. In: 25 Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1999. p. 231.

    MATIELLO, J. B.; ALMEIDA, S. R. Controle do cafeeiro com o uso de

    imidacloprid, comparando com o baysiston. In: 25 Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1999. p. 187.

    NAKANO, O.; TAKAHASHI, M.; PEREZ, C. A. Controle da cigarrinha -

    Carineta fasciculata (Germar, 1830) na sua forma adulta em cafeeiros

    atravs da termonebulizao da deltamethrin. In: 7 Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1979. p. 59.

    PAPA G.; ANDRADE E. F. Controle da cigarrinha Oncometopia facialis

    (Hemiptera: Cicadellidae), potencial transmissora do amarelinho na

    cultura do caf, atravs da aplicao sistmica via tronco. In: 24

    Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1998. p. 258-260.

    SALGADO, L. O.; SILVA , A. C. Estudo da eficcia do produto furadan 350

    SC (Carbofuran), aplicado na forma de "Esguicho", no controle do

    "Bicho mineiro" Perileucoptera cofeella (Guerin & Meneville, 1842)

  • 58

    (Lepidoptera: Lyonetiidae), na cultura do cafeeiro (Coffea arabica L.).

    In: 25 Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1999. p. 39.

    SALGADO, L. O.; SILVA , A. C.; FERREIRA, A. J.; ALVARENGA , M. A. R.;

    PAIVA , J. L. E. Estudo da eficcia dos produtos baysiston GR;

    confidor 700 GRDA; MKT e winner (nova modalidade de aplicao),

    associados ao produto bayfidan CE, sobre Leucoptera coffeella (bicho

    mineiro) e Hemileia vastatrix (ferrugem); e seu impacto sobre

    inimigos naturais, no municpio de Realeza/ MG. In: 25 Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 2000. p. 115-116.

    SAN JUAN, R. C. C.; MATIELLI, A.; LESSI, R. A. Efeito do inseticida

    premier (Imidacloprid 20 GR) no controle do bicho mineiro do

    cafeeiro no sul de Minas. In: 25 Congresso Brasileiro de Pesquisas

    Cafeeiras, 1999. p. 233.

    SILVA , O. A.; MATIELLO, J. B. Estudo do furadan 350 SC, aplicado

    atravs de irrigao via gotejamento no controle do Bicho mineiro -

    Patrocinio - MG. In: 25 Congresso Brasileiro de Pesquisas

    Cafeeiras, 1999. p. 29-30.

    SOUZA J. C. DE; REIS, P. R. Eficincia do inseticida neonicotinide

    thiamethoxam 10 GR, aplicado no solo em duas dosagens e pocas de

    aplicao, no controle do Bicho - mineiro das folhas do cafeeiro. In:

    25 Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1999. p. 50-51.

  • MANEJO DE PRAGAS NA CULTURA DO CAFEEIRO

    Pesquisador Cientfico Jos Roberto Scarpellini

    Eng. Agrnomo, Laboratrio de Sanidade Animal e Vegetal de Ribeiro

    Preto Centro de Ao Regional, Instituto Biolgico. R. Peru, 1472-A,

    CEP 14075-310 Ribeiro Preto, SP. Email: jrpscarpellini@netsit.com.br

    1. Introduo

    O caf vem perdendo gradativamente sua importncia nas

    exportaes brasileiras, tendo representado 70% na dcada de 20,

    passando a 50% em 1960 e atualmente tem ficado em torno de 5%,

    embora o Brasil continue como maior exportador (22% do mercado em

    1998) e maior produtor mundial (34,5 milhes de sacas em 1998). A

    produo mundial de 106 milhes de sacas (1998) sendo a taxa de

    crescimento nesta dcada de 0,2%, indicando uma estagnao do

    consumo (ORMOND et al., 1999). O Estado de So Paulo o segundo

    produtor brasileiro (20%), atrs somente de Minas Gerais (38%).

    Maiores produes, menores desequilbrios biolgicos e controle

    mais eficiente de pragas e doenas que infestam a cultura do caf, tm

    sido obtidos com a aplicao de prticas integradas e o planejamento de

    tticas a serem empregadas na interveno no agroecossistema cafeeiro,

    ou seja, o Manejo Integrado de Pragas na cultura cafeeira. Consideram-se

    estratgias o conhecimento e utilizao adequada da adubao, poca de

    plantio, espaamentos, fenologia das plantas, irrigao, nutrio,

    reguladores de crescimento de plantas, reguladores de crescimento de

    insetos, seletividade dos inseticidas/acaricidas e variedades resistentes.

    As tticas a serem utilizadas so: preservao do controle biolgico

  • 60

    natural, controle biolgico artificial (liberaes de inimigos naturais),

    controle qumico baseado em nveis de dano e uso de prticas culturais

    (BUSOLI, comunicao pessoal).

    Para se fazer Manejo Integrado de Pragas preciso levar em

    considerao quatro fatores: Amostragens (conhecer a dinmica

    populacional das pagas); Nveis de danos econmicos, combinao de

    todas as tcnicas disponveis (tticas e estratgias) e raciocinar que nem

    todo caro ou inseto se constitui numa praga (BUSOLI, comunicao

    pessoal). Para seu emprego preciso conhecer: mtodos de amostragem

    (monitoramento); comportamento e biologia das pragas; fenologia das

    plantas; nveis de ao; nveis de dano; inseticidas seletivos (controle

    natural); controle integrado; inimigos naturais e outros artrpodos;

    prticas culturais; influncia de fatores ecolgicos (fsicos, substrato,

    alimento e fatores bitipos).

    2. Conhecimento das Pragas

    O inseto/caro passa a ser considerado praga, quando atinge uma

    populao que comea a apresentar danos econmicos cultura. A mais

    importante delas, e praga chave no cafeeiro o bicho mineiro Leucoptera

    coffeellum (Gurin-Menville (Lepidoptera: Lyonetiidae)).

    Bicho mineiro Leucoptera coffeellum (Gurin-Menville)

    (Lepidoptera: Lyonetiidae).

    Sua ocorrncia est fortemente ligada aos fatores meteorolgicos.

    Quando ocorrem veranicos longos, os estragos feitos pelo bicho mineiro

    muito grande, a ele sendo atribudos a queda excessiva de folhas. Em

    anos de secas, as infestaes tm sido especialmente altas.

  • O bicho mineiro a lagarta branca, cujo adulto uma mariposa

    pequena, que fica alojada no baixeiro da planta, voando quando as folhas

    da saia so agitadas. A mariposa coloca os ovos na pgina superior da

    folha (28 a 50 ovos/fmea) e a lagartinha assim que eclode ( 5 dias de

    incubao), penetra atravs da cutcula e se aloja no parnquima, de

    cujos tecidos se alimenta. Ao completar o desenvolvimento (10 a 40 dias)

    a lagarta abandona a galeria em que viveu e prendendo-se em fios de

    seda procura empupar em folhas mais prximas do solo (5 a 40 dias para

    a emergncia). Produzem at 7 geraes por ano, com um ciclo total de

    20-30 dias (vero) e 40-45 dias (inverno).

    Os surtos de bicho mineiro ocorridos em 1972/73 e 1973/74

    foram referidos por AMANTE et al. (1974), como sendo causados por um

    desequilbrio ecolgico que favoreceu o aumento populacional do

    lepidptero. O efeito colateral dos fungicidas cpricos foi demonstrado

    em Minas Gerais e So Paulo por PAULINI et al. (1976) e MARCONATO et

    al. (1976), respectivamente. GRAVENA (1983) observou que 82% das

    folhas com leses da praga caem antecipadamente quelas sem leso.

    GRAVENA (1984), comprovou tambm o favorecimento populacional do

    bicho mineiro face s pulverizaes de fungicidas cpricos, sugerindo a

    reduo de pulverizaes dos mesmos e adotando-se inseticidas seletivos

    para o controle do bicho mineiro.

    Nos anos normais, com quedas regulares de chuvas durante o

    inverno, no existe o problema do bicho mineiro. Nos anos de seca

    quando sua ocorrncia mais grave, ocorre maior queda de folhas,

    principalmente devido ao dficit hdrico, tendendo as plantas a liberarem

    as folhas (reservas nutricionais da planta) que esto contribuindo menos

    com a fotossntese (no caso folhas danificadas pelo bicho mineiro).

  • 62

    Existem muitos inseticidas disponveis no mercado para o

    controle por pulverizaes foliares, mas salvaguardando o custo-

    benefcio, a preferncia por inseticidas granulados sistmicos, que

    controlem simultaneamente bicho mineiro e ferrugem, reduzindo a

    populao de cigarras uma opo em vrias localidades, sendo

    prejudicado em reas onde o bicho mineiro ocorre tardiamente (Maio-

    Agosto).

    Broca do caf Hypothenemus hampei (Ferrari, 1867) (Coleoptera:

    Scolytidae).

    A histria de broca do caf H. hampei comea em 1913 quando o

    ento diretor do Instituto Agronmico alertou sobre a possibilidade da

    entrada da broca, principal praga do cafeeiro em outros pases, com a

    importao direta de mudas pelos fazendeiros (BERTHET, 1913). Em

    1924 anunciado pela imprensa a entrada da praga fatal e constituda

    uma comisso para debelao da praga cafeeira, que vai fazer

    importantes investigaes sobre o assunto e em 1927 transformada no

    Instituto Biolgico de Defesa Sanitria Animal e Vegetal, hoje Instituto

    Biolgico de So Paulo (BATISTA FILHO, 1988).

    De acordo com GALLO et al. (1988) o adulto da broca do caf

    um besourinho preto luzidio; medindo a fmea cerca de 1,65 mm de

    comprimento por 0,73 mm de largura. O macho menor e possui cerca

    de 1,18 mm de comprimento por 0,73 mm de largura. O corpo

    subcilndrico, ligeiramente recurvado para frente. Os litros possuem

    cerdas e escamas filiformes. Os machos no voam e no deixam nunca os

    frutos onde se originaram. A razo sexual de 1 macho para cada 10

    fmeas. A fmea aps o acasalamento perfura o fruto, geralmente na

  • regio da coroa e comea a construir uma galeria desagregando pequenas

    partculas da estrutura da casca. REIS & SOUZA (1986) afirmam que no

    se deve confundir a broca, com a falsa broca H. obscurus (FABRICIUS,

    1801) que possui cerdas espatuladas, mais largas e com cinco a seis

    estrias longitudinais. A falsa broca alimenta-se somente da polpa do fruto

    bem seca, no atingindo os cotildones, no se constituindo uma praga.

    relatado tambm casos de ataque de broca em armazenamento e at em

    frutos guardados no refrigerador.

    OLIVEIRA FILHO (1927) relacionou o ataque da broca em diversos

    estgios de desenvolvimento dos frutos de caf, afirmando que o ataque

    da broca no estgio Chumbinho (2-4 mm) de , 3 meses aps as

    floradas gerais ou parciais com contedo quase lquido, sempre na

    coroa e em geral so abandonados logo que o inseto chega ao lquido.

    Aos quatro meses os cotildones ainda no esto formados e quase

    lquidos, atacado, no se desenvolvem. Com cinco meses o pergaminho

    est formado e a galeria terminada onde feita a oviposio ou de onde

    emigram para outro fruto. BENASSI (1989) afirma que o estgio preferido

    pela fmea da broca para perfurao o verdolengo, isto , quando o

    fruto comea a ficar colorido, os frutos verdes passam a tomar cor de

    maduros.

    Quando o caf beneficiado aparecem 3 categorias de caf: a de

    gros perfeitos ou sos, a de broqueados, em mistura com os primeiros e

    o caf escolha. Alm dessas categorias, que implicam em perfeio ou

    em defeitos do lote considerado, h que ser levada em conta, uma quarta

    categoria, parte do caf que foi destruda, que desaparece e determina

    perda de peso ocasionada pela broca. Quando o grau de infestao

    muito alto, diminui a porcentagem de gros perfeitos e aumenta a de

  • 64

    gros inteiros, porm perfurados, a de caf escolha a de gros

    quebrados.

    Do ponto de vista comercial, o caf broqueado entra com grande

    parcela da responsabilidade na inferiorizao do tipo, portanto, na

    depreciao comercial, pois cinco gros perfurados constituem um

    defeito. A proporo sexual de um macho para 9,75 fmeas. A fmea

    penetra no fruto abrindo uma galeria, cujo inicio ou orifcio de

    penetrao normalmente esta na coroa ou disco do fruto. Atingida a

    semente, a galeria alargada em cmara piriforme, na qual so postos os

    ovos.

    O perodo de incubao varia de 4 a 16 dias (com mdia de 7,6

    dias). A larva atinge o completo desenvolvimento de 9 a 20 dias (13,8

    dias em media) e o perodo pupal de 4 a 10 dias (com mdia de 6,3

    dias). A fecundidade mdia de 74,1 ovos, com variao de 31 a 119

    ovos. A longevidade mdia dura 156,6 dias, com variao de 81 a 282

    dias. Durante um ano, fo rmam-se 7 geraes durante o perodo de

    produo (Novembro/Dezembro) e (Julho/Agosto) desenvolvendo-se 4 a

    5 geraes do inseto.

    O ataque aos frutos novos tem inicio a partir de outubro,

    dependendo do grau de desenvolvimento desses frutos. O ataque inicial

    mais intenso ou mais acentuado, de acordo com a populao existente no

    cafezal, abrigada nos frutos velhos da safra anterior. Essa populao,

    representada pr numero maior ou menor de indivduo, desde que

    controlada ou determinada pelos seguintes fatores: Quantidade de frutos

    velhos da safra anterior, intensidade da queda pluvial durante os meses

    de inverno e intensidade da infestao da safra anterior.

  • As chuvas precoces de Julho-Setembro, quando ocorrem,

    umedecem os frutos velhos, permitindo a reproduo a partir dessa

    poca. Os cafeeiros beneficiados pelas boas condies florescem mais

    cedo. Quando os frutos atingem o grau de verdolengo-granados a

    populao de brocas, formada pelos indivduos remanescentes da safra

    anterior intensificada pela reproduo no incio da nova frutificao,

    grande, sendo o ataque inicial intenso. Nestas condies, a infestao

    ser elevada em Novembro/Dezembro. Ao contrrio, faltando chuva at

    Outubro/Novembro, a populao para ataque inicial pequena, formada

    apenas pelos indivduos que conseguiram transpor os meses de entre-

    safra, abrigados nos frutos velhos. Esta condio repetida por vrios anos

    seguidos faz com que a infestao da broca no chegue a tornar-se

    elevada. Para reduzir a infestao no inicio de cada frutificao so

    recomendadas algumas medidas, como por exemplo, o repasse, cujo

    objetivo reduzir a populao na entre - safra e no inicio da frutificao.

    Atualmente o combate da broca feito somente com produtos

    como Thiodan CE e Lorsbam 480 BR, quando a infestao est em torno

    de 3 a 5 % dos frutos. Outras aplicaes podem ser necessrias e

    normalmente so determinadas pela queda das chuvas. THOMAZIELLO et

    al. (1996) recomendam duas a trs pulverizaes de endosulfan no

    perodo de trnsito (Outubro a dezembro), seguindo antigas

    recomendaes, logo do aparecimento da praga. GALLO et al. (1988)

    recomendam aplicao com nvel de infestao de 3-5% de frutos

    broqueados. Tambm REIS & SOUZA (1986) recomendam de 3 a 5% de

    infestao para iniciar o controle da broca com os produtos disponveis

    no mercado (endosulfan e clorpirifs, apenas), mas ressalvando que esse

  • 66

    nvel pode ser mutvel dependendo do preo do caf e do custo do

    controle na poca.

    JACOBSEN et al. (1997) estudaram em laboratrio a morfologia e

    fisiologia de populaes resistentes a cyclodienos, verificando grande

    sobrevivncia em linhagens resistentes ao endosulfan.

    Cigarras-do-cafeeiro Quesada gigas; Fidicina pronae, Dorisiana

    drewsani, Carineta fasciculata

    As cigarras do cafeeiro so insetos que apresentam diversas fases

    em seu ciclo de desenvolvimento (GALLO et al., 1978; SOUZA et al., 1983

    e NAKANO et al., 1981), causando prejuzo pela contnua suco de seiva

    nas razes das plantas, ocasionando o definhamento progressivo das

    lavouras, com queda prematura de folhas, envaretamento e

    principalmente decrscimo acentuado na produo. MARTINELLI &

    ZUCCHI (1997) relatam que as cigarras do cafeeiro, no Brasil, esto

    registradas para os estados de minas Gerais, So Paulo e Paran, onde

    tem causado srios problemas cultura. Relatam ainda que as principais

    espcies pertencem aos gneros: Quesada, Carineta, Dorisiana e

    Fidicimna.

    Com o incio do periodo chuvoso, a maioria das regies cafeeiras

    do Brasil, especialmente Sul de Minas Gerais e Alta Mogiana/SP

    infestada por cigarras. Elas passam a maior parte de sua vida no solo e

    so percebidas pelo agricultor no momento da emergncia do adulto, pelo

    seu canto estridente. SOUZA et al. (1984) afirmam que o cafeeiro pode

    suportar uma infestao de aproximadamente 35 ninfas de Quesada gigas

    por cova, devendo ser considerado este nvel na tomada de deciso para

    que seja efetuado o controle qumico. Uma das primeiras recomendaes

  • para o controle da praga foi feito por FONSECA & ARAJO (1939) que

    preconizaram o uso do bissulfeto de carbono e tetracloreto de carbono.

    HEINRICH & PUPPIN NETO (1967) mostraram em seus estudos alta

    porcentagem de reduo de ninfas mveis de cigarras pelos inseticidas

    sistmicos Forate a 5% (50 e 100g p.c./cova) e dissulfoton a 2,5% (75 e

    100g p.c./cova). Vrios outros ensaios realizados posteriormente, visando

    conhecer a eficincia de doses, tipos de formulaes e modos de

    aplicao de inseticidas sistmicos (D`ANTONIO & LUZIN, 1981;

    D`ANTONIO & PAULA , 1980; D`ANTONIO & DAMATO NETO, 1986; e

    ZANBOM et al., 1981).

    Mosca da-raz Chiromiza vittata Wiedmann, 1820 (Diptera:

    Stratiomyidae)

    A mosca-da-raz do cafeeiro Chiromyza vittata uma praga que

    est presente em inmeras lavouras de caf adultas de minas Gerais, So

    Paulo, Bahia, Esprito Santo, Rio de Janeio,e Paran (DANTONIO, 1991).

    O status taxonmico da mosca-das-razes foi realizado por PUJOL-LUZ

    & VIEIRA (2000) descrevendo a espcie C. vittata. Sua constatao deu-

    se em meados de 1986, no municpio de Oliveira, regio de Campos

    Vertentes, em Minas gerais, atravs da presena de uma grande

    quantidade de larvas do inseto no sistema radicular de cafeeiros (SOUZA

    & REIS, 1989). Suas larvas mastigadoras podem ser encontradas em

    grande nmero/cova infestadas, alimentando-se das razes das plantas,

    perfurando as mais grossas (porta de entrada para patgenos) e

    consumindo as radicelas, mais importantes, pois so as absorventes.

    Dessa forma, os cafeeiros definham, no respondendo normalmente aos

  • 68

    tratos culturais realizados, prejudicando a produo dos cafeeiros. O

    controle qumico tem sido ineficiente.

    Lagartas desfolhadoras

    Eacles imperialis magnifica = verde, marrom no meio Lonomia circunstans = verde-escuras, urticantes, principalmente nos ponteiros Oiketicus Kirbyi = bicho cesto, construido de folhas e ramos Megalopyge lanata = marrom peluda Cochonilhas

    Cerococcus catenarius

    Pinaspis aspidistrae

    Coccus viridis Planococcus citri Dysmicoccus cryptus

    Pseudococcus constocki

    Orthezia praelonga

    Saissetia coffeae

    caros

    Oligonychus ilicis = vermelho Polyphagotarsonemus latus = branco Brevipalpus phoenicis = caro plano, mancha anular 3. Amostragens e Tomada de Deciso

    Bicho mineiro (poca crtica = Abril Agosto Outubro) -

    Dividir a rea em talhes (5 a 10 ha) Amostrar 50 plantas, 2 folhas de

    cada lado da planta, preferencialmente parte mediana da planta (4 par de

    folha, no ramo). Marcar n de folhas com galerias (atacadas), n de larvas

    vivas, predao. Determinar a porcentagem de folhas com larvas vivas.

    Contagem deve ser quinzenal. O controle deve ser feito com 30% de

    folhas minadas (BUSOLI, comunicao pessoal).

    Broca (poca crtica = Outubro a Fevereiro) - Dividir a rea em

    talhes (5 a 10 ha) Amostrar 100 plantas, coletando 1 fruto

  • (preferencilamente verdolengo) de cada planta. Observar se tem orificio

    da broca ou no. Se possvel verificar a larva. Determinar a porcentagem

    de frutos com furo da broca. Contagem deve ser quinzenal. O controle

    deve ser feito com 3 a 5% de frutos broqueados. Praticamente s temos a

    opo de endosulfan em pulverizao.

    Cigarras (poca crtica = Outubro a Fevereiro) - Dividir a rea em

    talhes (5 a 10 ha) Amostrar 5-10 plantas, realizando uma trincheira ao

    lado da planta (1,0 x 1,0 x 0,8 m) e contando-se o nmero de ninfas

    mveis presentes. Multiplica a quantidade encontrada por dois. Controle

    com 35 ninfas/planta em mdia.

    4. Referncias Bibliogrficas

    AMANTE, E.; ABRAHO, U.; D ANDRETTA, J.B. Prejuzos Causados Pelo

    Bicho Mineiro Perileucoptera coffeella (Gurin-Menville, 1842) In:

    Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, p. 63, 1974.

    BATISTA FILHO, A. Histrico sobre o controle biolgico de insetos no

    Instituto Biolgico do Estado de So Paulo. So Paulo, Secretaria de

    Agricultura e Abastecimento Coordenadoria de Pesquisa

    Agropecuria 1987. 9 p. (Informao Tcnica, 15).

    BATISTA FILHO, A. Histrico sobre o controle biolgico de insetos no

    Instituto Biolgico do Estado de So Paulo. Arq. Inst. Biol. 1988, 9 p.

    BENASSI, V. L. R. M. A broca do caf, Vitria, ES, EMCAPA, 1989. 63

    p. (EMCAPA, Documentos, 57)

    BERTHET, J. A. Caruncho do caf. Boletim de Agricultura, So Paulo,

    SP, 14: 312-3, 1913.

    DANTONIO, A.M. & DAMATO NETO, H. Estudo de alguns produtos

    inseticidas, em formulao granular e lquida para o controle das

  • 70

    cigarras em cafeeiro. In: Congresso Brasileiro de Pesquisas

    Cafeeiras, p. 73-74, 1986.

    DANTONIO, A.M. & LUZIN, N.R.. Emprego de inseticidas para o

    controle das cigarras do cafeeiro. In: Congresso Brasileiro de

    Pesquisas Cafeeiras, p. 337-338, 1983.

    DANTONIO, A.M. & PAULA, V. Emprego de granulados sistmicos

    para o controle das cigarras do cafeeiro. In: Congresso Brasileiro de

    Pesquisas Cafeeiras, p. 73-74, 1986.

    FONSECA, J. P. da. A broca e o sombreamento dos cafezais. O Biolgico,

    5: 133-6, jul. 1939

    FONSECA, J. P. da & ARAJO, R. L. Informaes sobre a praga da cigarra

    em So Paulo e possibilidades de seu controle. O Biolgico, 5: 285-

    291, 1939

    GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.;

    BATISTA, G. C. DE; PARRA, J. R. P.; BERTI FILHO, E.; ZUCCHI, R. A.;

    ALVES, S. B.; VENDRAMINI, J. D. Manual de Entomologia Agrcola.

    Ed. Agronmica Ceres - So Paulo, 531 p., 1988.

    GRAVENA, S. Tticas de manejo integrado do bicho mineiro do cafeeiro

    Perileucoptera coffeella (Gurin-Meneville, 1842): I. Dinmica

    populacional e inimigos naturais. An: Soc. Entomol. Bras. 1.2: 61-73,

    1983.

    GRAVENA, S. Estratgias de manejo integrado do bicho mineiro do

    cafeeiro Perileucoptera coffeella (Gurin-Menville, 1842). An Soc.

    Entomol. Bras. 13, 117-129, 1984.

    HEINRICH, W.C. & PUPIN NETO, J. Efeitos de dosagens de inseticidas

    sistmicos no combate Quesada gigas (Olivier), cigarras do

    cafeeiro. Arq. Inst. Biol., 34: 261-263, 1967.

  • JACOBSEN, K.; BRUN, L. O. & KIRKENDALL, L. Morphological and

    physiological differences between resistant and susceptible strains of

    Hypothenemus hampei. 7th International Scientific Colloquium on

    Coffee., p. 810-814, 1997.

    MARTINELLI, N. M. & ZUCCHI, R.A. Cigarras (Hemiptera: Cicadidae:

    Tibicinae) associadas ao cafeeiro: distribuio, hospedeiros e chave

    para as espcies. An. Soc. Entomol. Bras. 26: 133-143, 1997.

    NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S. ZUCCHI, R. A. Entomologia

    Econmica. So Paulo; ed. Livroceres, 314 p., 1981.

    ORMOND, J.G.P.; PAULA , S.R.L. & FAVARET F, P. Caf: (Re)Conquista

    dos mercados. Rio de janeiro, BNDES Setorial, 10: 3-56, 1999.

    OLIVEIRA FILHO, M. F. de Contribuio para o conhecimento da

    broca-do-caf Stephanoderes hampei (Ferrari, 1867): Modo de

    comportar-se e ser combatida em So Paulo Brasil. So Paulo

    SP, Secretaria da Agricultura Industria e Comrcio/ Comisso de

    Estudo e debelao da Praga Cafeeira. 1927. 95 p. (Publicao 20).

    PAULINI, A.E.; MATIELLO, J.B. & PAULINO, A.J. Oxicloreto de cobre

    como fator de aumento da populao do bicho mineiro do caf

    Perileucoptera coffeella (Gurin-Menville, 1842). In: Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, 1976.

    PUJOL-LUZ, J.R. & VIEIRA, F.D. A larva de Chiromyza vittata Wiedmann

    (Dptera: Stratiomydae) An Soc. Entomol. Bras. 29 (1): 49-55, 2000.

    SOUZA, J.C.; P.R. REIS & MELLES, C.A. Prejuzos causados pelas cigarras

    do cafeeiro Quesada gigas (Olivier) em Minas Gerais. In: Congresso

    Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, p. 3142-153, 1984.

  • 72

    SOUZA, J.C. & REIS, P.R. Chiromyza sp. (Diptera: Stratiomydae); nova

    praga do sistema radicular do cafeeiro. In: Congresso Brasileiro de

    Entomologia, p.162, v. 1, 1989.

    REIS, P. R. & SOUZA, J. C. Pragas do Cafeeiro In: Simpsio sobre

    fatores que afetam a produtividade do cafeeiro. RENA, A. B.;

    MALAVOLTA, E.; ROCHA, M. & YAMADA, T., Associao Brasileira

    para pesquisa da Potassa e do Fosfato, Piracicaba, SP, 1986, 447 p.

    THOMAZIELLO, R. A.; OLIVEIRA, E. G.; TOLEDO FILHO, J. A. & COSTA, T.

    E. Cultura do Caf. Campinas, Coordenadoria de Assistncia

    Tcnica Integral, 1996 2 ed. 75 p. ilus. (Boletim tcnico 193).

    ZAMBON, S.; DODO, S.; YABASE, L. K. E NAKANO, O. Emprego de

    inseticidas sistmicos granulados no controle das ninfas de cigarras

    em raz de cafeeiro. In: Congresso Brasileiro de Pesquisas

    Cafeeiras, p. 131-132, 1981.

    MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS NA CULTURA DO AMENDOIM

    Pesquisadores Cientficos Jos Roberto Scarpellini* & Antonio Carlos

    Busoli

    *Eng. Agrnomo, Laboratrio de Sanidade Animal e Vegetal de Ribeiro

    Preto Centro de Ao Regional, Instituto Biolgico. R Peru, 1472-A,

    CEP 14075-310 Ribeiro Preto, SP. E-mail: jrscarpellini@netsite.com.br

    1. Introduo

    A produo brasileira de amendoim em casca de

    aproximadamente 150 mil toneladas anuais, obtidas em sua maior parte

    no Estado de So Paulo, onde se destacam como principais produtoras a

  • regio da Alta Mogiana e Alta paulista. Nestas regies a cultura tem

    importncia social significativa, caracterizando-se como agricultura

    familiar, exploradas em reas de pequeno e mdio porte, ajustando-se

    perfeitamente renovao de canaviais e pastagens. O amendoim j teve

    maior expresso na agricultura paulista, com grande emprego de mo de

    obra (especialmente urbana) e uma tima opo de atividade econmica

    para micro e pequenos produtores.

    Apresenta um grande potencial, para tornar-se um suprimento

    protico acessvel populao de baixa renda, ameaado pela presena

    de aflatoxina (substncias txicas ao homem e animais), causado por dois

    fungos (bolores) denominados Aspergillus flavus e Aspergillus

    parasiticus , que tem grande preferncia pelo amendoim, apesar de

    ocorrerem em outros gros.

    A cultura mantm em seu agroecossistema uma srie de espcies

    de insetos associadas, apresentando insetos-pragas no solo, nas razes e

    na parte area (Gallo et al., 1988) . Embora o estrago ocasionado por

    insetos-pragas possa ser diferente para locais e anos, a maioria das

    pragas tem ampla distribuio (GABRIEL et al., 1996).

    2. Principais Pragas Associadas Cultura do Amendoim

    Pragas do solo

    Lagarta Rosca Agrotis ipsilon (HUFNAGEL, 1767) (Lepidoptera:

    Noctuidae). Plantas novas apresentam o caule seccionado na regio do

    coleto, por lagartas de colorao cinza-escuro a verde-escuro.

    Lagarta Elasmo Elasmopalmus lignosellus (ZELLER, 1848)

    (Lepidoptera: Pyralidae). Regio inferior das hastes, ao nvel do solo,

  • 74

    apresentam galerias mistas de teia e terra, causado por lagartas muito

    ativas, verde-azuladas.

    Pragas das razes

    Percevejo Castanho Scaptocoris castanea PERTY, 1830

    (Hemiptera: Cydnidae). Razes apresentam aglomerados de insetos

    sugadores, adultos de colorao castanha e que exalam odor

    desagradvel, caractersticos do grupo.

    Percevejo preto Cyrtomenus mirabilis (PERTY, 1836) (Hemiptera:

    Cydnidae) Razes apresentam aglomerados de insetos sugadores, adultos

    de colorao preta e que exalam odor desagradvel, caractersticos do

    grupo.

    Pragas da parte area

    Tripes Enneothrips flavens, MOULTON, 1941 e Caliothrips

    brasiliensis (MORGAN, 1929) (Thysanoptera: Thripidae). Ponteiros com

    fololos apresentando estrias e deformaes; pequenos insetos de corpo

    alongado, amarelados e sem asas quando jovens e alados (asas franjadas)

    e cor marrom-escuro quando adultos.

    De acordo com CALCAGNOLO & TELLA (1965), a praga mais

    importante da cultura do amendoim, devido aos elevados prejuzos e

    ocorrncia generalizada nas lavouras, em nve is populacionais muito

    elevados. Considerado praga chave (LASCA et al., 1997), a maioria dos

    trabalhos realizados em amendoim no Brasil, referem-se aos danos e

    controle deste inseto (ALMEIDA & ARRUDA, 1962; BATISTA, 1967;

    ROSSETTO et al., 1968; LARA et al., 1970; CALCAGNOLO et al., 1974;

  • LARA et al., 1975; PSSARO et al., 1991; BACHEGA & BUSOLI, 1992;

    JORGE, 1993; MAZZO, 1994).

    Cigarrinhas Empoasca kraemeri ROSS & MOORE, 1957

    (Homoptera; Cicadellidae). Folhas apresentando pequenos insetos, muito

    ativos, com hbito de locomoo lateral, de corpo estreito e de colorao

    verde e amarelo claro.

    Lagarta do pescoo vermelho Stegasta bosquella (CHAMBERS,

    1875) (Lepidoptera: Gelechiidae). Brotos perfurados com lagartas em

    seu interior. As lagartinhas so branco esverdeadas, com cabea preta e

    os dois primeiros segmentos torcicos avermelhados. de grande

    ocorrncia em anos secos, com perodos longos de veranicos, quando o

    controle do tripes fica impraticvel, bem como desta lagarta.

    H controvrsias sobre sua importncia, apesar de ser considerada praga

    secundria. MATUO (1973) verificou altas infestaes da lagarta-do-

    pescoo-vermelho e relatou que no afetou a produo. CALCAGNOLO &

    RENZI (1975) concluiram que a praga afetou em at 65 % a produo.

    Lagarta da soja Anticarsia gemmatalis HUEBNER, 1818

    (Lepidoptera: Noctuidae). Atacam folhas e brotos novos. So lagartas de

    colorao verde e marrom, com quatro estrias longitudinais brancas.

    Agitando-se os ramos atacados as lagartas caem ao solo com facilidade.

    Lagarta militar - Spodoptera frugiperda (SMITH, 1797)

    (Lepidoptera: Noctuidae) Tambm causam desfolhamento, causados

    por lagartas pardo-escuras

    Curuquer-dos-capinzais Mocis latipes (GUEN, 1852)

    (Lepidoptera: Noctuidae) folhas danificadas por lagartas verdes, com

    cabea globosa e com estrias, caracteristicamente andam medindo

    palmos.

  • 76

    caro vermelho Tetranychus evansi BAKER & PRITCHARD, 1960

    (Acari: tetranychidae) provoca clorose das folhas, observa-se na pgina

    inferior das folhas, grande quantidade de teias, com as colnias de

    caros, verdes quando jovens e vermelho intenso quando adultos.

    caro Rajado Tetranychus urticae (KOCH, 1836) (Acari:

    Tetranychidae) provoca amarelecimento de folhas, na pgina superior,

    tornando-se vermelha depois. Presena de teia na pgina inferior das

    folhas (regio mediana), com caros que geralmente tem 2 manchas

    esverdeadas no dorso.

    3. Manejo do Tripes

    Amostragem:

    A amostragem, para conhecimento da infestao do tripes deve

    ser iniciada 15 a 20 dias aps a semeadura do amendoim e repetida

    semanalmente durante todo o perodo de ataque do tripes (oito semanas

    em mdia). Em cada amostragem dever ser examinado 30 fololos para

    a constatao da presena ou ausncia do tripes. A coleta desses fololos

    deve ser feita em 30 pontos (1 fololo por ponto) distribudos ao acaso no

    talho. Devero ser coletados fololos dos ponteiros das plantas, fechados

    ou ligeiramente abertos. O fololo onde for constatado pelo menos um

    tripes ser considerado infestado (LASCA et al., 1997).

    Tomada de deciso:

    O nvel de controle recomendado para iniciar o controle qumico

    dos tripes em amendoim de 30% de fololos infestados com qualquer

    nmero de ninfas de tripes (NC = 30%).

    Controle:

  • Controle qumico: No controle com defensivos qumicos (curativos)

    deve-se dar preferncia aqueles produtos sistmicos, ou de contato,

    fosforados, carbamatos e piretrides (registrados no MAARA para a

    cultura), detalhados na Tabela 1, a seguir. Aplicar com a planta

    vegetando, ou seja, evitar veranicos.

    Tratamento de sementes: Como o tripes de ocorrncia constante, tem-se

    obtido bons resultados at 30 dias aps a germinao com thiamethoxam

    e imidacloprid em tratamento de sementes (usar aps registro no

    MAARA). A aplicao de carbofuram SC no sulco tambm

    recomendada (Compndio de defensivos agrcolas, ANDREI, 1999)

    Controle cultural: Evitar plantio em pocas secas e de estiagem; Usar

    sementes de boa qualidade, para manter stand de 15 a 20 plantas/m

    linear; para plantio das secas fazer rotao de culturas, ou destruir

    tigueras (restos culturais e plantas nascidas na colheita do plantio das

    guas).

    Controle biolgico: Existe um complexo de tripes na cultura, e no

    apenas os dois citados, muitos deles agindo como predadores, por isso,

    evitar aplicaes preventivas, pois est eliminando a possibilidade do

    controle natural.

    4. Manejo de Lagartas

    Amostragem:

    A amostragem, para conhecimento da infestao de lagartas

    desfolhadoras deve ser semanalmente, amostrando-se 20 pontos

    distribudos ao acaso no talho, verificando-se o nmero de

    lagartas/metro linear de cultura.

  • 78

    No caso da lagarta-do-pescoo-vermelho (LPV) amostrando-se 20

    pontos distribudos ao acaso no talho, examinando-se 20 ponteiros.

    Tomada de deciso:

    O nvel de controle recomendado para iniciar o controle qumico

    de lagartas desfolhadoras de 5-6 lagartas mdias-grandes/ metro linear

    de cultura ou 10 lagartas menores que 1 cm por metro linear de cultura.

    No caso de lagarta-do-pescoo-vermelho recomenda-se a

    interveno qumica quando a cada 5 ponteiros examinados for

    observado 1 lagartinha (NC = 20%).

    Controle:

    Controle cultural:

    Plantios precoces tendem a escapar da poca de maior ataque de

    lagartas desfolhadoras (fevereiro)

    Usar sementes de boa qualidade, para manter stand de 15 a 20

    plantas/m linear.

    Para plantio das secas fazer rotao de culturas, ou destruir

    tigueras do amendoim, soja e milho.

    Controle biolgico:

    Fazer uso de inseticidas especficos (lagarticidas) a base da

    bactria Bacillus thuringiensis. Deve ser aplicado quando as lagartas so

    menores que 1 cm de comprimento. So encontradas no mercado vrias

    marcas comerciais como Dipel, Dipel F, Dipel PM, Ecotech Pro, Bactur,

    Xen Tari, embora no registrados para amendoim (ANDREI, 1999).

  • Usar os inseticidas mais seletivos possveis e estritamente

    necessrios a fim de preservar os inimigos naturais que ocorrem

    naturalmente, como:

    Parasitos de ovos: Trichogramma pretiosum

    Predadores de ovos: Geocoris punctipes, Orius insidiosus, Orius

    tristicolor, e de lagartas: tesourinha (Dermaptera), joaninhas (Cycloneda

    sanguinea e Scymnus sp.), aranhas e caros fitosedeos, percevejos

    pentatomidae (Podisus spp.) e rediuvdeos, Calosoma sp., Callida spp., e

    vespas (Vespidae).

    Parasitides: himenpteros (Ichneumonidae, Scelionidae, Braconidae) e

    dpteros taquindeos.

    Microorganismos entomopatognicos naturaisw: fungos (Nomuraea

    rileyi e Entomophthora sp.) e vrus (Baculovirus spp.)

    Para plantio das secas fazer rotao de culturas, ou destruir

    tigueras do amendoim, soja e milho.

    Controle qumico: Inseticidas recomendados, conforme tabela 1

    Apesar de registrado apenas para o tripes, o carbofuran G

    parece ter ao sobre percevejos e lagarta elasmo.

    5. Bibliografia Consultada

    ALMEIDA, P.R. & ARRUDA, H.V. Controle do tripes causador do

    prateamento das folhas de amendoim por meio de inseticidas.

    Bragantia, 21: 679-687, 1962.

    BATISTA, G.C.de Controle dos tripes do amendoim, sria praga da

    cultura, no Estado de So Paulo. Revista de Agricultura, 42: 59-64,

    1967.

  • 80

    BACHEGA , A.R. & BUSOLI, A.C. Determinao do nvel de controle do

    tripes do prateamento do amendoim Enneothrips flavens

    (Moulton, 1941) (Thysanoptera: Thripidae) na regio de

    Sertozinho, SP. FAI/Ituverava, SP, 1992, 30 p. (Trabalho de

    graduao).

    GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.P.L.;

    BATISTA, G.C.; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ALVES, S.B. &

    VENDRAMIN, J.D. Manual de Entomologia Agrcola. 2. Ed. So

    Paulo, Editora Agronmica Ceres, 1988. 649p.

    JORGE, J.M. Resistncia de gentipos de amendoim (Arachis hypogea

    L.) ao ataque de Enneothrips flavens (Moulton, 1941)

    (Thysanoptera: Thripidae), na regio de Jaboticabal, SP Brasil.

    FCAV-Unesp/Jaboticabal, 1993, 54p. (Trabalho de graduao).

    LARA, F.M.; S, CARVALHO, R.P.L. & SILVEIRA NETO, S. Ensaio de

    controle do tripes e da lagarta-do-pescoo-vermelho em amendoim e

    seus efeitos na produo. O Solo, 62 :17-21, 1970.

    LARA, F.M.; S, L..A.M.; SOBUE, S. & FERREIRA, M.T. Controle do

    tripes do amendoim Enneothrips flavens (Moulton, 1941), em cultura

    da seca O Biolgico, 41 :251-255. 1975.

    LASCA, D.H.C.; NEVES, G.S.; MARCELINO, M.C.S., BUSOLI, A.C.;

    FERNANDES, O.A., BARBOSA, J.C. Manejo Integrado de pragas

    MIP Amendoim Instrues rede . Campinas, Coordenadoria de

    Assitncia Tcnica Integral, 1997. 6p (Manual 74).

    MAZZO, A.A. Avaliao da populao de tripes do prateamento

    Enneothrips flavens (Moulton, 1941) (Thysanoptera: Thripidae), e

    danos causados a cultura do amenoim das guas e das secas .

    FCAV-Unesp/Jaboticabal, 1990, 94p. (Trabalho de graduao).

  • ROSSETTO, C. J.; Pompeu, A.S. & Tella, R. Enneothrips flavens,

    Moulton (Thysanoptera: Trhipidae) causando prateamento do

    amendoinzeiro no Estado de So Paulo. Cincia e Cultura, 20: 257,

    1968.

    Tabela 1: Guia prtico de produtos registrados para o controle de pragas do amendoim. (Compndio defensivos agrcolas, ANDREI, 1999). Principio ativo (i.a.)

    Produtos comerciais

    Grupo qumico

    Classe Toxicolgica

    Pragas

    Acephate Acefato Fersol Cefanol Orthene 750 BR

    Organofosforado sistmico

    III Tripes Lagarta-pescoo-vermelho Cigarrinha-verde

    Bacillus thuringiensis

    Dipel PM Inseticida biolgico

    IV lagartas

    Betacyflutrin Bulldock 125 SC

    piretrides II Tripes Lagarta-pescoo-vermelho

    Carbaryl Sevin 480 SC Sevin 850 PM Carbaril fersol 480SC Carbaril fersol p 75

    Carbamato no sistmico

    II Tripes Elasmo Cigarrinha verde lagartas

    Clorpirifs Etil

    Clorpirifs 480 CE

    Organofosforado

    I Tripes Lagarta-pescoo-vermelho

    Cyflutrin Baytroid CE Piretrides II Tripes Lagarta-pescoo-vermelho

  • 82

    Deltametrina Decis 25 CE Piretrides III Tripes Lagarta-pescoo-vermelho

    Dimetoato Agritoato 400 CE Tiomet 400 CE

    Organofosforado

    I Tripes lagartas Cigarrinha verde caros

    Enxofre Thiovit Enxofre IV caro vermelho

    Fenitrothion Sumithion 400 PM Sumithion 500 CE

    Organofosforado

    I Tripes lagartas

    Metamidophos

    Hamidop 600 CE Metafs 600 CE Matasip Stron Tamaron BR

    Organofosforado

    I I I I II

    Tripes Lagartas caro rajado Lagarta-pescoo-vermelho

    Monocrotofos Agrophos 400 CE Azodrin CE Nuvacron 400 CE

    Organofosforado

    I Tripes Lagartas caros

    Parathion metilico

    Folidol 600 CE

    Organofosforado

    I Tripes Lagartas caro vermelho Lagarta-pescoo-vermelho

    Parathion methyl

    Folisuper Organofosforado

    I Lagartas Lagarta-pescoo-vermelho

    Triclorfon Triclorfon 500 Organofosforad II Lagartas

  • o Carbofuran Furadan 50 G Carbamato I Tripes Dissulfoton Solvirex 50 G Organofosforad

    o II Tripes,

    cigarrinhas Percevejo preto

    Phorate Granutox 50 G

    Organofosforado

    I Tripes e cigarrinhas

    Terbufos Counter 50 G Organofosforado

    I Tripes

    PRINCIPAIS DOENAS FNGICAS DO AMENDOIM E CONTROLE

    Pesquisadora Cientfica Aparecida Marques de Almeida

    Eng. Agrnoma, Laboratrio de Sanidade Animal e Vegetal de Bauru

    Centro de Ao Regional do Instituto Biolgico, Cx. .Postal 399, CEP

    17030-000, Bauru - SP, Tel. (14) 230-3257. E-mail: ibbauru@ig.com.br

    1. Introduo

    O amendoim suscetvel ao ataque de diversos insetos e

    microorganismos que podem afetar, com maior ou menor grau de

    severidade, a produo agrcola ou a qualidade do produto, no campo, no

    transporte ou no armazenamento.

    Aproximadamente 50 gneros de fungos causam doenas no

    amendoim, mas s alguns so importantes para a cultura.

    No Estado de So Paulo ou no Brasil, nem todas essas doenas

    foram constatadas ou identificadas. Em nossas condies, no entanto as

    perdas devido s doenas so consideradas um dos principais fatores que

    contribuem para o baixo rendimento da cultura do amendoim,

  • 84

    principalmente se considerarmos que o cultivar mais plantado mostra-se

    altamente suscetvel s principais doenas que aqui ocorrem.

    A produo comercial do amendoim s vivel mediante o

    controle de determinadas pragas e doenas que afetam a cultura. O uso de

    fungicidas, prticas culturais e cultivares resistentes tem sido

    desenvolvidos, com o objetivo de controlar patgenos especficos.

    Alm dos problemas relacionados com o impacto ambiental, o

    uso de defensivos na cultura do amendoim contribui para elevar o seu

    custo de produo.

    2. Principais Doenas Foliares

    As doenas da parte area, pela sua localizao ou por eficincia

    dos produtos qumicos, tm seu controle facilitado quando comparadas

    com as doenas por fungos de solo. Entretanto, a importncia dessas

    doenas no deve ser subestimada, pois quando a incidncia se d no

    inicio do ciclo da cultura e no so tomadas medidas de controle,

    causam desfolha e seca prematuras das plantas afetando sensivelmente a

    produo.

    As mais comumente encontradas so: manchas foliares,

    verrugose, mancha barrenta e ferrugem.

    2.1. Cercosporioses

    Entre as doenas foliares as manchas, causadas por Cercospora

    arachidicola Hori (mancha castanha) e Cercosporidium personatum B&

    C Deighton (mancha preta), tem sido responsveis por grande reduo na

    produo comercial do amendoim devido desfolha (15 a 50 % da

    produo), em vrias regies do mundo. Dificilmente se encontra uma

  • cultura em fim de ciclo sem sintomas dessas doenas. A massa foliar

    cada aumenta a incidncia da murcha de Sclerotium, elevando ainda

    mais os prejuzos.

    Os sintomas primrios das manchas foliares so leses necrticas.

    A mancha castanha mede at 12 mm de dimetro, tem forma arredondada

    irregular, halo amarelo. As frutificaes so observadas na superfcie

    superior das folhas, j a mancha preta menor, mede at 7 mm de

    dimetro, arredondadas com bordas mais uniformes, o halo amarelado

    indistinto ou ausente, e as frutificaes no patgeno predominam na

    superfcie inferior da folha.

    Os sintomas, alm das folhas podem aparecer nos pecolos, caule,

    pednculo e vagens. A doena comea nas folhas mais velhas, avanando

    progressivamente para as folhas mais novas.

    Provavelmente devido a pequenas diferenas nas condies que

    favorecem as duas doenas, principalmente temperaturas, a mancha

    castanha aparece mais precocemente, no plantio de setembro a

    novembro, atualmente adotado no Estado de So Paulo, em reas de

    renovao de canaviais.

    O fungo sobrevive de uma estao a outra como condio ou

    miclio, em restos de culturas e plantas voluntrias. Estes podem

    permanecer por at 10 meses e por este motivo que a doena se mantm

    quando se faz uma ou duas safras/ano.

    O controle das doenas pode ser feito atravs da integrao de

    diversas medidas que visam reduzir o inculo inicial e a taxa de infeco,

    retardando o incio da epidemia.

    recomendvel a rotao de culturas com espcies no

    pertencentes ao gnero Arachis, por 2 a 3 anos, medida j adotada na

  • 86

    renovao de canaviais. A incorporao de restos de cultura atravs de

    arao profunda tem eficincia em retardar o inicio das epidemias, como

    tambm a destruio de plantas voluntrias ou tigueras as medidas que

    reduzem a taxa de infeco pode ser citado o uso de cultivares

    resistentes. Embora exista fonte de resistncia nas espcies silvestres, nos

    cultivares comerciais est ausente. O cultivar IAC-Caiap considerado

    moderadamente resistente a moderadamente suscetvel.Os cultivares do

    Grupo Virginia so mais resistentes que os do Grupo Valncia e Spanish.

    A utilizao de fungicidas para o controle desta doena uma

    prtica corrente. No entanto, a aplicao indiscriminada de fungicidas,

    pode ter efeito indesejvel, pois tem-se observado o aparecimento de

    raas tolerantes a benomyl.

    Os produtos qumicos para o controle da doena, so

    recomendados para serem aplicados periodicamente a intervalos

    regulares. Dependendo da persistncia nas plantas elas podem ser

    aplicados 3 x 4 vezes durante o ciclo, a partir dos 35-40 dias da

    emergncia.

    Os fungicidas recomendados so base de benomyl, bitertanol,

    clorotalonil, difeconazole, hidrxido de cobre, mancozeb, oxicloreto de

    cobre, propiconazole, tebuconazole, trifenil acetato de estanho, trifenil

    hidrxido de estanho e ziram.

    A poca de aplicao de fungicidas, normalmente, tem sido

    baseado no calendrio, nem sempre coincidindo com a presena da

    doena nos cultivos comerciais. Atualmente, existem resultados de

    pesquisas, utilizando-se de modelos de previso da ocorrncia de

    doenas, visando racionalizao do uso dos fungicidas. Modelos do tipo

  • agrometeorolgicos tm surgido com certa frequncia na literatura

    especializada.

    2.2. Verrugose - Sphaceloma arachidis Bit & Jenk

    Este patgeno responsvel por leses em folhas, pecolos e

    hastes das plantas de amendoim. A coalescncia das leses em pecolos e

    hastes resulta em distores nos referidos rgos (hiperplasia e

    hipertrofia dos tecidos), sendo as plantas severamente afetadas tm seu

    desenvolvimento prejudicado, ocasionando quebra de produo de

    vagens.

    O fungo sobrevive de uma estao para outra, nos restos de

    cultura e em plantas voluntrias e disseminado da leso na prpria

    planta por respingos de chuva.

    As medidas de controle que reduzem o inculo inicial, j descritas

    para as cercosporioses, so tambm eficientes em retardar o incio das

    epidemias de verrugose. O cultivar IAC-caiap considerado

    moderadamente resistente a verrugose.

    2.3. Mancha barrenta - Phoma arachidicola Marasas, Pauer &

    Boerema

    Doena de importncia secundria fazendo seu aparecimento no

    tero final do ciclo vegetativo da cultura, na maioria das vezes sem

    gravidade, manifestando-se na forma de numerosas leses, pequenas,

    esparsas, de cor pardacenta na pgina superior das folhas. Posteriormente

    estas coalescem, formando leses maiores, que abrangem grandes reas

    dos fololos, passando, tambm a serem visveis na superfcie inferior. As

    folhas afetadas apresentam-se como salpicadas de barro da o seu nome.

  • 88

    Esta doena responsvel pela diminuio na rea fotossinttica

    dos fololos infectados, embora com menor intensidade que as

    cercosporioses, pois os fololos no caem at que estejam completamente

    cobertos pela mancha.

    As medidas de controle utilizadas no controle das cercosporioses

    tem mantido a mancha barrenta em nveis aceitveis de ocorrncia. O

    cultivar IAC-caiap considerado resistente a esta mancha.

    2.4. Ferrugem - Puccinia arachidicola

    De ocorrncia menos frequente, vem aumentando em importncia

    em anos recentes. O estdio em que a cultura se encontra importante no

    caso de incidncias severas. No florescimento os danos so maiores.

    A ferrugem caracteriza-se pelos sintomas de formao de

    pstulas, em ambas as faces do fololo afetado de colorao avermelhada

    a marrom-escura, pulverulentas devido a presena de esporos, facilmente

    disseminados pelo vento, chuva e insetos. Estas pstulas podem juntar-

    se, vindo a destruir a maior parte do limbo foliar. As folhas novas so

    mais suscetveis. Alta umidade durante a estao favorece a ocorrncia

    da doena.

    Para o controle, so adotadas medidas de excluso para as regies

    no contaminadas. Logo aps a introduo, so adotadas medidas de

    erradicao.

    A rotao de culturas medida recomendvel para o controle da

    doena. Fungicidas a base de triazis, o tebuconazole, cyproconozole,

    clorotalonil so eficientes.

    2.5. Mofo cinzento - Botrytis cinerea Pers. ex. Fries

  • uma doena de pequena importncia econmica, ocorrendo

    esporadicamente no amendoim das secas, devido as menores

    temperaturas.

    A doena se manifesta por sintomas reflexos de murcha e

    amarelecimento das folhas, em consequncia dos sintomas primrios

    necrticos nas hastes. A necrose dos tecidos da haste se estende,

    atingindo pednculos, vagens, colo e parte das razes sob condies de

    alta umidade os tecidos afetados se revestem de um crescimento

    pulverulento cinzento constitudo pelo miclio e frutificaes do fungo.

    No campo, as plantas afetadas tendem a se distribuir em

    reboleiras, podem morrer e, quando colhidas, desprendem as vagens com

    facilidade, as vagens afetadas so escuras, chochas ou apresentam

    sementes enrugadas e mal desenvolvidas.

    3. Doenas Causadas por Fungos do Solo em Sementes e Plntulas

    No grupo de doenas do solo podem ser destacados os fungos

    Aspergillus spp, Rhizopus sp, Fusarium spp, Macrophomina phaseolina,

    Rhyzoctonia solani, Sclerotium rolfsii, pela frequncia que ocorrem e

    pela sua ao sobre as sementes, prejudicando a germinao ou causando

    dano s plntulas. De um modo geral, um total de 15% de perdas

    atribuida a esses fungos. Devido s caractersticas desses fungos, o

    tratamento qumico de sementes com fungicidas torna-se uma prtica

    obrigatria para o amendoim.

    3.1. Rizoctoniose - Rhizoctonia solani Kuhn

    uma das principais doenas do amendoim no Estado de So

    Paulo. Ocorre com frequncia na forma de damping-off de pr e ps-

  • 90

    emergncia resultando em baixo stand inicial e correlacionada com

    podrido de ginforos e vagens.

    A podrido de vagens, que pode ocorrer no final do ciclo,

    caracteriza-se por ocasionar enegrecimento parcial ou total das vagens,

    com sementes pequenas, enrugadas e de colorao mais clara que o

    normal. Estas vagens destacam-se facilmente da planta. Muitas vagens

    so perdidas na colheita. Vagens colhidas produzem sementes infectadas

    que tm seu valor comercial reduzido, quando destinadas ao consumo, ou

    baixo vigor e germinao, reduzindo seu valor cultural, quando utilizadas

    como semente. As vagens infectadas resistem muito mal ao

    armazenamento.

    A sobrevivncia do fungo de uma estao de cultivo para outra se

    d facilmente em restos de cultura ou outro substrato orgnico, uma vez

    que o fungo tem grande capacidade saproftica. Tambm h possibilidade

    de sobrevivncia atravs de esclerdios, que germinam estimulados por

    exsudatos de hospedeiros suscetveis ou pela presena de matria

    orgnica no solo. Como R. solani possui uma ampla gama de hospedeiros

    cultivados e selvagens e restos orgnicos destas plantas so

    periodicamente adicionados ao solo, sua sobrevivncia d-se por longos

    perodos na maioria dos solos.

    A disseminao realizada atravs de sementes, solo, gua,

    implementos agrcolas e prprio miclio. As condies que favorecem a

    incidncia da doena so alta umidade e temperatura amena na fase de

    germinao e emergncia das plntulas, ou seja, condies que mantm

    os tecidos tenros por mais tempo.

    O controle efetuado por tratamento de sementes com fungicidas

    a base de quintozene, captan, thiram, carboxin, carboxin + thiram, uso de

  • sementes sadias, rotao de culturas por 3 a 4 anos, com culturas no

    hospedeiras, como milho, arroz, trigo, soja, etc.; nas reas muito

    contaminadas. Recomenda-se araes profundas, para incorporar restos

    de culturas, acelerando sua decomposio.

    3.2. Murcha de Sclerotium - Sclerotium rolfsii sacc

    A murcha de Sclerotium provavelmente a mais importante

    doena que afeta a cultura do amendoim no Estado de So Paulo,

    constituindo-se em solos arenosos e principalmente em poca chuvosa e

    quente o maior problema.

    As plantas afetadas murcham com maior ou menor intensidade.

    Quando arrancadas, observa-se podrido escura desde a regio do colo

    at as razes, podendo propagar-se para os ginforos e vagens. Em

    condies de calor e umidade, desenvolve-se na regio do colo, miclio

    de cor branca e aspecto cotonoso, onde so produzidos os esclerdios,

    rgos de resistncia do fungo que permanecem viveis no solo por

    longo perodo de tempo a espera de condies favorveis para a

    germinao.

    O fungo cosmopolita e, alm disso, capaz de multiplicar-se na

    matria orgnica morta no solo, como ocorre nas reas de renovao de

    canaviais na regio de Ribeiro Preto, onde o patgeno se reproduz nos

    restos de cultura da cana-de-acar.

    A sobrevivncia do fungo ocorre principalmente atravs dos

    esclerdios e em restos de cultura, mesmo de plantas no hospedeiras. A

    longevidade do esclerdio superior a 5 anos. A disseminao do fungo

    de um campo para outro se d principalmente pelo transporte de

    materiais contaminados (solo, estercos, mudas, sementes, etc.) podendo

  • 92

    atuar como agente, de disseminao o homem, os animais, o vento e a

    gua. Dentro de um mesmo campo, o patgeno disseminado durante os

    tratos culturais, pela gua de superfcie e diretamente atravs do

    crescimento do miclio do fungo.

    As condies que favorecem a incidncia da murcha so alta

    umidade e alta temperatura (25-35C.) S. rolfsii altamente exigente em

    oxignio. Este fator limita a germinao dos esclerdios no interior de

    solos pesados e o desenvolvimento do patgeno s ocorre prximo da

    superfcie. A decomposio das folhas cadas devido a cercosporioses

    estimula a germinao dos esclerdios.

    As prticas de controle recomendadas so: rotao de cultura,

    tratamento contra doenas da parte area, evitando assim a queda de

    folhas e o acmulo de matria orgnica no solo, arao profunda visando

    ao enterrio dos restos de cultura anterior; e calagem. O controle qumico

    atravs do tratamento do solo com fungicidas no economicamente

    recomendado. Realizar bom controle de plantas daninhas, eliminando

    assim os hospedeiros selvagens. O controle biolgico, utilizando espcies

    de Trichoderma antagonista comprovado de S.rolfsii, uma prtica que

    tem sido relatada, bem como o uso da solarizao.

    3.3. Mofo amarelo Aspergillus sp

    Como doena da planta de amendoim, tem pequena importncia.

    Entretanto os fungos desse gnero so considerados importantes pelas

    toxinas cancergenas denominadas aflatoxinas.

    Em So Paulo, o amendoim colhido principalmente entre final

    de dezembro e incio de fevereiro, portanto durante os meses de alta

    precipitao (acima de 200 mm mensais). A alta temperatura e umidade

  • dificultam a secagem aps o arrancamento e o armazenamento,

    favorecendo o aparecimento da aflatoxina.

    4. Referncias Bibliogrficas

    ANDREI, E. (coord.) 1993. Compndio de defensivos agrcolas. 4 ed.

    So Paulo, Organizao Andrei Ltda 448 p.

    PORTER, D.M.; SMITH, D.H.; RODRIGUEZ-KABANA , R. Compedium of

    peanut diseases. APS Press, 1984, 73p.

    KIMATI et al. Guia de fungicidas agrcolas: recomendaes por

    cultura. Grupo Paulista de Fitopatologia. 2 ed. Jaboticabal: Grupo

    Paulista de Fitopatologia, 1997. 225p.

    MONITORAMENTO DE PRAGAS E DOENAS DO GIRASSOL CULTIVADO

    NA SAFRINHA

    Pesquisadora Cientfica Dra. Maria Regina G. Ungaro

    Eng. Agrnoma, Instituto Agronmico de Campinas, Caixa Postal 28,

    CEGRAN, Campinas, SP, CEP 13001-970. E-mail: ungaro@iac.br

    1. Introduo

    O girassol (Helianthus annuus L.) originrio da Amrica do

    Norte. O gnero Helianthus compreende 50 espcies, sendo duas delas,

    H. annuus e H. tuberosus, cultivadas como plantas alimentcias. O

    girassol cultivado apresenta uma estreita base gentica, sendo bastante

    deficiente em genes que condicionam resistncia a doenas e pragas. Mas

    esses genes podem ser encontrados nas espcies selvagens, como o

    caso da resistncia ferrugem e ao mldio.

  • 94

    No Brasil, o seu leo industrial j o segundo mais consumido. O

    cultivo no Estado de So Paulo vem aumentando h algum tempo,

    geralmente cultivado na safrinha, tem-se prestado a diferentes

    utilizaes: gros para a extrao de leo industrial e medicinal,

    alimentao humana e animal; forragem; silagem; produo de mel.

    Pragas e doenas podem comportar-se de maneira bastante

    diversa dependendo do sistema de manejo adotado, da rotao de

    culturas, do tipo de solo e da poca de plantio, principalmente.

    2. Pragas

    Espcies selvagens de girassol co-evoluram com insetos

    herbvoros e seus entomfagos no ambiente de origem na Amrica do

    Norte, o que torna o problema com pragas muito mais importantes nessa

    regio que no restante do mundo (SCHNEITER, 1997). Por sorte, a maioria

    das espcies de insetos associados ao girassol incua ou benfica para

    as plantas, e suas relaes variam de obrigatrias a puramente casuais ou

    no essenciais (MCGREGOR, 1976).

    Uma grande variedade de insetos se alimenta sobre girassol

    cultivado no Brasil. A lagarta de Chlosyne lacinia saundersii tem sido a

    praga mais freqentemente detectada. LOURENO & UNGARO (1983)

    encontraram nveis de desfolha que variavam de 19 a 58%. A borboleta

    oviposita em diversas espcies. Dependendo do estgio em que o ataque

    comea, a produo de gros pode chegar a ser totalmente inviabilizada.

    Alm da lagarta-do-girassol esto associadas cultura

    Rachiplusia nu, que destri plantas jovens; Agrotis ipsilon; a broca

    Diabrotica speciosa que destri as folhas (GALLO et al. 1988); Empoasca

    kraemeri (MILANEZ et al. 1986); o besouro Cyclocephala melanocephala

  • que se alimenta dos captulos e gros em formao (UNGARO, 1978),

    Phyllophaga cuyabana (OLIVEIRA et al., 1998) e os pentatomdeos

    Euschistus heros (MALAGUIDO & PANIZZI, 1998 a, b), Piezodorus

    guildinii, Acrosternum armigera, Nezara viridula, Thyanta perditor e

    Thyanta sp (MALAGUIDO & PANIZZI, 1998c). A constatao dessas

    espcies de pentatomdeos na cultura do girassol preocupante pois elas

    esto presentes tambm na cultura da soja, onde E. heros, N. viridula e P.

    guildinii so consideradas pragas de importncia econmica. Some-se a

    isto que Euschistus heros teve sua ocorrncia registrada na cultura do

    girassol por FERREIRA & PANIZZI (1982), indicando uma provvel

    utilizao do girassol pelo percevejo como hospedeiro alternativo.

    MALAGUIDO & PANIZZI (1998c), realizando levantamento em girassol na

    regio de Londrina-PR, relataram muitos pentatomdeos que so

    considerados pragas em soja e que podero ser importantes tambm em

    girassol, exigindo inclusive medidas de controle.

    Um problema a se considerar que muitos insetos, considerados

    pragas principais nas culturas de soja e milho, vm adquirindo resistncia

    aos inseticidas. Alm deles, existem tambm outros insetos presentes nas

    culturas que so considerados pragas secundrias, mas que, nos ltimos

    anos, vm adquirindo o status de praga principal em virtude de sua

    constncia e elevada populao, indicando uma mudana de

    comportamento da entomofauna nessas culturas.

    No Estado de So Paulo insetos de solo como broca-do-colo,

    lagarta-rosca, lagarta-elasmo, cors e percevejo-castanho tm surgido na

    cultura da soja em nveis crescentes, causando falhas na emergncia ou

    amarelecimento aps esta, havendo em alguns casos a necessidade de

    replantio (RAMIRO, 1998).

  • 96

    O manejo do solo tambm influencia o comportamento da

    entomofauna. Com o plantio direto ocorre uma recuperao da

    microbiota do solo, o que leva ao aumento de matria orgnica e,

    conseqentemente ao incremento da entomofauna, tanto de pragas quanto

    de inimigos naturais.

    O monitoramento da cultura do plantio ao florescimento

    essencial para evitar maiores danos. Seguem exemplos com algumas

    pragas:

    As lagartas geralmente ocorrem em reboleiras, nas bordaduras ou

    em reas restritas. Assim, o acompanhamento sistemtico da cultura

    permite detect-las e control- las mais eficientemente e com menor gasto

    de defensivos. Quando os focos de lagarta comeam a aparecer j no

    final do florescimento, no h necessidade de controle, pois ele ser

    bastante difcil e com baixo retorno econmico.

    O tratamento de sementes impede ou reduz bastante o ataque de

    pombas e formigas.

    3. Doenas

    O girassol hospedeiro de pelo menos 35 microrganismos

    patognicos, principalmente fungos, os quais, sob certas condies

    climticas, interferem na fisiologia normal da planta, podendo causar

    significativas redues na produo e na qualidade do material.

    Afortunadamente, poucos causam srias perdas econmicas.

    No Brasil, as principais doenas que tm ocorrido so causadas

    por fungos do gnero Alternaria, especialmente A. helianthi,

    Diaphorte/Phomopsis helianthi, Sclerotinia sclerotiorum, Oidium spp,

    Botrytis cinerea; algumas bactrias, como Erwinia carotovora e

  • Pseudomonas spp; nematides do gnero Meloidogyne. Atualmente com

    importncia bastante reduzida, a ferrugem, causada pelo fungo Puccinia

    helianthi, foi a principal causa do fracasso do cultivo do girassol na

    dcada de 60 (UNGARO, 1982).

    A cultura do girassol, como opo econmica para compor

    sistemas de produo agrcola, exige o manejo adequado das diversas

    doenas que a colonizam, sendo este o fator mais limitante em algumas

    das regies produtoras.

    A mancha de alternaria parece ser predominante em todas as

    pocas de semeadura nas diferentes regies de cultivo, apesar de variar

    bastante em intensidade e na possibilidade de dano, enquanto a podrido

    branca (S. sclerotiorum) ocorre principalmente em condies de

    temperatura amena e alta umidade, o que praticamente inviabiliza o

    cultivo do girassol como cultura comercial, quando as condies de clima

    so predisponentes.

    Alm de S. sclerotiorum, diversos fungos que atuam

    individualmente ou em complexo causam podrides radiculares ou da

    base do caule e murchas em girassol. Entre eles, destacam-se Sclerotium

    rolfsii, agente causal da podrido do colo e tombamento, Macrophomina

    phaseolina, causando podrido negra da raiz e Verticillium dahliae, que

    ocasiona murcha. Esses fungos esto amplamente distribudos nas

    regies de cultivo do girassol no mundo e, sob condies de estresse das

    plantas, podem causar danos econmicos ou incrementar aqueles

    inicialmente ocasionados por outros fungos (ZIMMER & HOES, 1978;

    DAVET et al., 1991; PEREYRA & ESCANDE, 1994).

    As condies timas para que uma doena ocorra e se desenvolva

    o resultado da combinao de trs fatores: hospedeiro susceptvel,

  • 98

    patgeno infectivo e condies favorveis do ambiente. Qualquer

    alterao em um destes fatores causa uma correspondente alterao na

    expresso da doena.

    As culturas da safrinha encontram ambiente com condies

    favorveis ao aparecimento de problemas com pragas e doenas, uma vez

    que a cultura que a antecede pode servir de porta de entrada e de

    reservatrio desses organismos.

    Muitas das doenas do girassol so transmitidas pela semente;

    algumas dependem de restos culturais infectados ou da ao do vento.

    Prticas culturais podem ser instrumentos bastante teis no

    controle ou na disseminao de patgenos, especialmente nos de solo. O

    cultivo superficial ou plantio direto sob condies de baixas

    temperaturas, aceleram a deteriorao dos esclercios de S. sclerotiorum,

    diminuindo a entrada da doena pelas razes; no entanto, ainda fica

    preservado suficiente inculo para causar infeco nos captulos. O

    cultivo profundo enterra grande parte dos esclercios, favorecendo a

    infeco pelas razes, sob condies de solo mido (SCHNEITER, 1997).

    Assim, plantio direto ou cultivo raso em regies mais frias e cultivo

    profundo em reas secas podero ser utilizados para quebrar a seqncia

    dos dois sistemas epidemiolgicos de S. sclerotiorum.

    Patgenos causadores de tombamento em soja, de pr e ps

    emergncia e podrido de razes, os quais so disseminados tambm

    atravs de sementes, como Fusarium spp., Sclerotium rolfsii,

    Macrophomina phaseolina, Rhizoctonia solani, Sclerotinia sclerotiorum,

    entre outros, vm-se acentuando com a prtica do cultivo de reas

    extensivas, do plantio sucessivo e da adoo de medidas de controle

  • inadequadas; podero aumentar ainda mais com a sucesso soja-girassol,

    uma vez que ambos so hospedeiros dos mesmos organismos.

    4. Referncias Bibliogrficas

    BOIA JNIOR, A.L., A.C. BOLONHEZI & J. PACCINI NETO. 1984.

    Levantamento de insetos-pragas e seus inimigos naturais em girassol

    (Helianthus annuus L.), cultivado em primeira e segunda poca, no

    municpio de Selvria-MS. An. Soc. Entomol. Brasil, 13: 192-195.

    DAVET, P.; PRS, A.; REGNAULT, Y.; TOURVIELLE, D.PENAUD, A. Les

    maladies du tournesol. Paris: CETIOM, 1991. 72p.

    FERREIRA, B.S.C. & A.R. PANIZZI. Percevejos - pragas da soja no norte

    do Paran: abundncia em relao fenologia da planta e hospedeiros

    intermedirios. In: Seminrio Nacional de Pesquisa de Soja, p.140

    151, 1982.

    LOURENO, A.L. & UNGARO, M.R.G. Preferncia para alimentao de

    lagartas de Chlosyne lacinia saundersii Doubleday & Hewitson,

    1849, em cultivares de girassol. Bragantia, 42:281-286, 1983.

    MALAGUIDO, A.B. & A.R. PANIZZI. 1998 a. Pentatomofauna associated

    with sunflower in Northern Paran State, Brazil. An. Soc. Entomol.

    Brasil, 27: 473-475.

    MALAGUIDO, A.B. & A.R. PANIZZI. 1998 b. Danos de Euschistus heros

    (Fabr.) (Hemiptera:Pentatomidae) em aqunios de girassol. An. Soc.

    Entomol. Brasil, 27: 535-541.

    MALAGUIDO, A.B. & A.R. PANIZZI. 1998 c. Pentatomofauna associated

    with sunflower in Northern Paran State, Brazil. An. Soc. Entomol.

    Brasil 27: 473-475.

  • 100

    MCGREGOR, S.E. 1976. Insect pollination of cultivated crop specie s. In:

    SCHNEITER, A. A. Sunflower Technology and Production. Madison,

    American Society of Agronomy, 1997. 834P.

    MORAES, S.A.; UNGARO, M.R.G. & MENDES, B.M.J. Alternaria

    helianthi, agente causal de doena em girassol. Campinas,

    Fundao Cargill, 1983. 20p.

    PEREYRA, V.; ESCANDE, A. R. Enfermedades del girassol en la

    Argentina: manual de reconocimiento. Balcare; INTA,1994. 113p.

    RAMIRO, Z.A. Pragas na cultura da soja. In Reunio Itinerante de

    Fitossanidade do Instituto Biolgico, 1, Miguelpolis, 1998. 139 p.

    SCHNEITER, A. A. Sunflower Technology and Production. Madison,

    American Society of Agronomy, 1997. 834p.

    UNGARO, M.R.G. O girassol no Brasil. O Agronmico, 34:43-62, 1982.

    ZIMMER, D.E.; HOES, J,A. Diseases. In: CARTER, J.F. ed. Sunflower

    science and technology. Madison: American Society of Agronomy,

    1978. p.225-262.

    MONITORAMENTO E CONTROLE DE PROBLEMAS FITOSSANITRIOS DM

    CULTURAS DE SAFRINHA: PRAGAS EM M ILHO

    Pesquisador Cientfico Romildo Cssio Siloto

    Bilogo, Laboratrio de Entomologia Econmica, Centro Experimental

    do Instituto Biolgico, Instituto Biolgico, Cx. Postal 70, CEP 13001-

    970, Campinas-SP, tel. (19) 3252-8342. E-mail romildo@biologico.br

    1. Introduo

  • Dentre as plantas granferas cultivadas no Brasil, o milho

    constitui-se como uma das mais importantes. Sua explorao se d tanto

    na pequena propriedade como tambm em grandes reas e com a

    utilizao de tecnologias avanadas.

    No Estado de So Paulo a cultura do milho ocupa, em mdia, uma

    rea de 1,2 milhes de hectares, perdendo apenas para a cultura da cana-

    de-acar (SO PAULO AGRCola, 2000). Dentro desse panorama destaca-

    se o cultivo de safrinha, considerado uma segunda safra do milho.

    O crescente desenvolvimento dessa modalidade de cultivo est associado

    adoo, por parte dos produtores, das tecnologias resultantes dos

    trabalhos de pesquisas desenvolvidos ao longo dos ltimos anos

    (DUARTE et al., 2000).

    Dentre os diversos fatores que podem afetar a estabilidade da

    cultura de milho safrinha esto os fatores biticos, destacando-se o

    problema com as pragas. O atual modelo de produo agrcola aumentou

    a oferta de alimento para os insetos, favoreceu o surgimento de pragas

    exticas, mudou o status de pragas secundrias para primrias e

    principalmente provocou um efeito multiplicador das pragas j existentes

    na cultura (GERAGE & BIANCO, citados por DUARTE, 2000).

    Assim, o estabelecimento de tticas adequadas de manejo uma

    importante ferramenta para que as pragas no atinjam nveis de danos

    econmicos e tornem-se limitantes produo.

    2. Importncia das Pragas na Safrinha de Milho

    A cultura do milho explorada em todas as regies do Estado de

    So Paulo, divididas em 40 EDRs (Escritrio de Desenvolvimento

    Regional). Essa explorao se d na safra principal ou safra de vero e

  • 102

    tambm na segunda safra ou safra de outono- inverno (safrinha),

    geralmente em sucesso cultura da soja.

    Na agricultura paulista a rea cultivada com milho safrinha

    representa aproximadamente um tero (cerca de 400 mil hectares) do

    total cultivado no Estado (DUARTE et al., 2000). Segundo dados do

    Instituto de Economia Agrcola (2000), na EDR de Ribeiro Preto, em

    1999, a rea cultivada com milho safrinha foi de 1.450 ha (11,6% do total

    da regio), com um produo aproximada de 2.000 kg/ha.

    De pouca expresso no incio da dcada de 90, o cultivo de milho

    safrinha vem aumentando significativamente nos ltimos anos. Ainda

    que na maioria das regies a produtividade seja menor que a da safra de

    vero, a safrinha tem se tornado uma alternativa de aumento de renda, em

    face de possibilidade de melhores preos de venda na entressafra e de um

    menor custo de produo.

    Nesse sentido a ampliao dos conhecimentos sobre as

    caractersticas tcnicas, organizao e estrutura de produo tornam-se

    importantes para o estabelecimento de aes que visem a estabilidade da

    cultura. Essa estabilidade pode ser afetada por diversos fatores e dentre

    eles, o controle de pragas merece grande ateno.

    As pragas influem diretamente na produtividade por afetarem as

    plantas em suas diferentes fases de desenvolvimento e principalmente em

    funo de reduzirem o nmero mnimo de plantas na colheita, uma vez

    que podem ocasionar a morte das sementes ou das plntulas. O milho

    produzido na safrinha pode ser atacado pelas mesmas pragas da safra de

    vero e em alguns casos, com maior severidade. Sendo uma cultura com

    um nmero relativamente pequeno de plantas por unidade de rea, a

    perda delas pelo ataque de pragas pode significar prejuzo na produo.

  • O plantio em grandes reas na safra de vero, associado ao cultivo

    intensivo de safrinha sucedendo a soja ou mesmo o milho e incluindo-se

    o incremento de reas com o sistema de plantio direto, tm provocado

    uma mudana no panorama de distribuio das pragas (GASSEN, 1999). A

    presena contnua do milho no campo proporciona um efeito

    multiplicador das pragas na cultura, exigindo que sejam controladas a um

    nvel que no causem danos econmicos.

    O controle de pragas ainda feito em grande parte atravs da

    aplicao de inseticidas, que aumentam consideravelmente o custo de

    produo. Alm de poder inviabilizar economicamente a cultura, o

    nmero cada vez maior de pulverizaes vem provocando a eliminao

    indiscriminada de inimigos naturais, favorecendo a seleo de

    populaes resistentes e expondo ambiente, agricultores e consumidores

    aos riscos de contaminao. Assim deve-se considerar a importncia da

    utilizao de tcnicas de manejo integrado de pragas, atravs da seleo e

    uso adequado de medidas de controle.

    Dentre os procedimentos que devem ser observados destacam-se

    o conhecimento do cultivo anterior e as pragas que nele ocorreram; a

    identificao das pragas presentes na cultura e quais devero ser

    manejadas; as tcnicas de monitoramento; a determinao do nvel de

    dano e o estabelecimento de estratgias de ao.

    3. Pragas de Solo

    As pragas de solo so constitudas na sua maioria por insetos,

    embora outros artrpodes como centopias, piolhosde-cobra, lesmas e

    caracis tambm possam causar danos em plantas cultivadas.

  • 104

    As informaes sobre as pragas de solo presentes nas reas em

    cultivos anteriores ajudam no monitoramento e no estabelecimento de

    estratgias de manejo. Quando a cultura instalada em reas de plantio

    convencional, o controle cultural por meio de preparo do solo pode

    reduzir significativamente a populao. Quando se utiliza o sistema de

    plantio direto deve-se lanar mo de outras tticas de controle. O

    tratamento de sementes com inseticidas sistmicos um controle

    preventivo que protege as plntulas contra boa parte das pragas de solo,

    seja pela morte do inseto ou pela repelncia. Entretanto essa proteo se

    d em mdia at 3-4 semanas aps a semeadura e no caso de algumas

    pragas esse mtodo pode no proporcionar um controle eficiente aps

    esse perodo. A pulverizao no sulco de plantio pode ser uma

    alternativa, mas deve-se considerar a viabilidade desse mtodo em

    funo dos custos de produo. Enfatiza-se assim a necessidade de se

    fazer uma amostragem das pragas na rea do cultivo e nas reas

    adjacentes, levando-se sempre em conta os cultivos anteriores.

    De um modo geral as pragas de solo so classificadas em

    subterrneas ou da superfcie do solo. As pragas subterrneas podem

    atacar sementes em processo de germinao ou danificar as razes de

    plantas j estabelecidas. As da superfcie do solo atacam plantas desde as

    recm-germinadas at as de estgio de 4-6 folhas (aproximadamente 30-

    40 cm). Nos dois casos, tanto as pragas subterrneas como as da

    superfcie so limitantes da produo uma vez que podem reduzir o

    nmero adequado de plantas por unidade de rea.

    4. Pragas Subterrneas

  • As principais pragas subterrneas que causam prejuzos na cultura

    de milho safrinha so os cupins, a larva-alfinete, os cors e os

    percevejos-castanhos.

    Cupins = Os cupins (Heterotermes sp; Cornitermes sp e

    Procornitermes sp) atacam as sementes de milho, nas reas plantadas

    prximas aos seus ninhos. Eles destroem as sementes antes da

    germinao, reduzindo o nmero de plantas. Quando o ataque intenso

    s vezes necessrio se fazer o replantio. O tratamento de sementes

    pode ser uma alternativa embora o controle biolgico com iscas com

    entomopatgenos tambm seja uma medida vivel.

    Larva-alfinete = Os danos causados pela larva-alfinete

    (Diabrotica speciosa) so conhecidos por pescoo-de-ganso. O

    ataque das larvas nas razes adventcias causam tombamento nas

    plantas e os ns superiores que ficam em contato com o solo acabam

    por se enraizar, formando um encurvamento tpico. Com isso h

    problemas na colheita mecanizada, resultando em perdas de espigas e

    gros. O controle preventivo no recomendado devido ao seu alto

    custo. A melhor ttica ainda o monitoramento e controle nas culturas

    anteriores.

    Cor = Os cors podem atacar as sementes, plntulas e razes

    provocando uma diminuio de plantas na colheita. O controle fsico

    por meio de preparo do solo no efetivo para os cors. O tratamento

    de sementes pode ser uma alternativa para as infestaes que ocorrem

    at as primeiras semanas aps a germinao.

    Percevejo-castanho = Os percevejos-castanhos (Scaptocoris

    castanea) so insetos sugadores das razes. No milho safrinha, as

    infestaes ocorrem principalmente aps a germinao das plntulas.

  • 106

    As plantas atacadas no conseguem se desenvolver e nos casos de

    infestaes mais severas h necessidade de se fazer o replantio. Tanto

    as formas imaturas (ninfas) quanto os adultos podem atacar a cultura.

    Esse ataque ocorre muitas vezes na forma de reboleiras. O controle

    preventivo via tratamento de sementes no tem demonstrado bons

    resultados. A aplicao de inseticidas no sulco de plant io proporciona

    uma melhor proteo nas primeiras semanas aps a germinao.

    5. Pragas da Superfcie do Solo

    Destacam-se principalmente a lagarta-elasmo e lagarta-rosca.

    Lagarta-elasmo = A lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignoselus)

    ataca as plantas na regio de crescimento, ocasionado o sintoma

    conhecido por corao-morto devido morte das folhas centrais.

    Como a lagarta-elasmo uma praga bastante destrutiva h necessidade

    de se fazer um monitoramento constante, principalmente nas reas com

    histrico de ocorrncia da praga. To logo seja detectada sua presena

    na cultura, deve-se iniciar o controle. Quando se utilizar produtos

    qumicos, a pulverizao dever ser feita em alto volume (> 350 l/ha) e

    com jato dirigido para a base da planta.

    Lagarta-rosca = As infestaes da lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

    podem ocorrer nas plantas de milho mais desenvolvidas, mas tambm

    logo aps a germinao. A lagarta ataca o colmo da planta junto ao

    solo. Nas plantas maiores os danos so mais significativos uma vez que

    a injria se dar na regio de crescimento e provocando a sua morte. O

    tratamento de sementes proporciona um relativo controle quando as

    infestaes ocorrem at 2-3 semanas aps a emergncia da planta. A

  • partir da as infestaes devem ser controladas por meio de

    pulverizaes em alto volume com jato dirigido para a base das plantas.

    6. Pragas da Parte Area

    As pragas da parte area que merecem maior ateno na safrinha

    so os tripes, as cigarrinhas, os percevejos barriga-verde e percevejo-

    verde-da-soja, a broca-da-cana-de-acar e a lagarta-do-cartucho.

    Tripes = A importncia dos tripes na safrinha se d em funo de

    poderem reduzir o nmero de plantas na colheita. Muitas informaes

    precisam ainda ser pesquisadas, mas a sua ocorrncia nos perodos

    secos pode demandar medidas de controle. O tratamento de sementes

    tem controlado a praga nas infestaes que ocorrem no incio da

    cultura.

    Cigarrinha das pastagens = A cigarrinha das pastagens (Deois

    flavopicta) tem considervel impacto na cultura do milho

    principalmente quando ocorrem infestaes nas primeiras semanas

    aps a emergncia das plantas. A suco da seiva e injeo de toxinas

    provocam secamento e at morte das plntulas. Em plantas maiores

    ocorre reduo de crescimento. Na poca de safrinha podem ocorrer

    picos populacionais que coincidem com os estgios mais suscetveis

    das plantas. importante monitorar as reas adjacentes cultura,

    principalmente nas reas prximas de pastagens, decidindo-se por um

    controle nas bordas, tanto da lavoura como das pastagens. Os adultos,

    cuja fase a que causa danos nas plantas, podem ser controlados com

    inseticidas de contato.

    Cigarrinha-do-milho = A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

    tem importncia para a cultura mais pelos seus danos indiretos do que

  • 108

    diretos. Os danos diretos causados pela suco da seiva so ainda

    poucos estudados e aparentemente no so de nvel econmico. O

    controle da praga se d mais visando a reduo de doenas. A

    cigarrinha-do-milho um vetor de micoplasma que causa uma doena

    no milho conhecida por enfezamento, caracterizada por apresentar

    estrias amareladas nas folhas e reduzir a velocidade de crescimento das

    plantas. Dentre as tticas de controle, a recomendao a de utilizao

    de gentipos resistentes doena. Em grandes reas pode ser feito

    tambm a pulverizao nas bordaduras, evitando a entrada da praga

    para dentro da lavoura.

    Percevejos = Os percevejos que tm infestado a cultura de milho

    safrinha so o percevejo barriga-verde (Dichelops furcatus) e o

    percevejo-verde-da-soja (Nezara viridula). Esses insetos sugam a seiva

    provocando um perfilhamento das plantas e reduzindo a produo. Em

    plntulas mais novas pode ocorrer secamento, provocando prejuzos

    ainda maiores. importante o monitoramento na rea a fim de se

    realizar o controle com inseticidas. Esse controle deve ser realizado

    quando forem encontrados mais de um percevejo por m2.

    Broca-da-cana-de-acar = A broca-da-cana-de-acar

    (Diatraea saccharalis) vem crescendo em importncia na cultura de

    milho safrinha em diversas regies. Essa praga que no costuma

    apresentar danos econmicos na safra de vero est agora se

    constituindo num problema na safrinha, uma vez que as infestaes tm

    ocorrido no incio da cultura em plntulas recm-germinadas. As larvas

    penetram no colmo e alimentam-se no seu interior, atingindo o ponto

    de crescimento e provocando a morte da planta. Como as lagartas se

    alojam no interior do colmo, o controle com produtos qumicos se torna

  • mais difcil e uma possibilidade de manejo a utilizao de

    parasitides de ovos como Trichogramma spp.

    Lagarta-do-cartucho = O manejo da lagarta-do-cartucho

    (Spodoptera frugiperda), praga chave na cultura do milho, deve ser

    motivo de ateno, pois infestaes tanto na safra como na safrinha

    provocam danos em praticamente todos os estgios de desenvolvimento

    da planta. Quando a infestao se d no incio da cultura, logo aps a

    emergncia, as plntulas geralmente no resistem ao ataque e acabam

    morrendo, diminuindo-se assim o nmero de plantas por unidade de

    rea. Nessa fase as plntulas apresentam-se com uma rea foliar

    reduzida e o controle com inseticidas acaba sendo oneroso pelo

    desperdcio de produto durante as aplicaes. O baixo poder residual e

    por vezes o efeito da radiao solar tambm podem afetar a eficincia

    dos produtos. Resultados de pesquisas feitas com tratamento de

    sementes tm mostrado diferenas bastante significativas entre nmero

    de plantas mortas em reas tratadas em relao s reas no tratadas,

    embora haja uma variao na eficincia de diferentes inseticidas. De

    qualquer maneira uma estratgia importante pois possibilita um

    ganho de tempo at que as primeiras pulverizaes sejam efetuadas, de

    tal sorte que ocorre uma menor interferncia nos inimigos naturais.

    Nos estgios de desenvolvimento mais adiantados a eficincia dos

    produtos fica comprometida em funo da pulverizao tratorizada no

    permitir que os mesmos atinjam a lagarta dentro do cartucho, devendo-se

    assim realizar as pulverizaes em alto volume.

    A lagarta-do-cartucho pode atacar tambm a espiga do milho.

    Quando o ataque ocorre nos gros, os prejuzos so menores. Entretanto

    se o ataque ocorrer na insero da espiga antes da formao dos gros,

  • 110

    esses no chegam a se formar e a os prejuzos so mais significativos. O

    controle com mtodos convencionais bastante difcil nesse tipo de

    infestao.

    Outro fator que tem comprometido a eficincia de controle com

    produtos qumicos a seleo de populaes resistentes da praga aos

    inseticidas. Mesmo com o aumento no nmero de pulverizaes e das

    doses aplicadas, o controle no tem sido eficiente. Alm disso, essas

    tticas elevam sobremaneira os custos de produo e provocam

    desequilbrios no ambiente pela eliminao dos inimigos naturais.

    Os inimigos naturais exercem importante papel no controle da

    lagarta-do-cartucho, contribuindo na diminuio da praga no campo.

    Dentre os inimigos naturais de S. frugiperda destacam-se a tesourinha

    e 4 espcies de vespas, predador e parasitides de ovos e lagartas,

    respectivamente. So inimigos naturais que atuam nas fases iniciais da

    cultura e portanto evitam maiores danos nas plantas.

    Tesourinha (Doru luteipes) = A tesourinha um importante

    predador da lagarta-do-cartucho e tem presena mais constante na

    cultura do milho. Tanto as formas imaturas quanto os adultos predam

    ovos e lagartas pequenas e podem ser encontrados tanto nas fases de

    desenvolvimento vegetativo, abrigados dentro do cartucho, como nas

    fases de desenvolvimento reprodutivo, principalmente na espiga.

    Embora os adultos tenham certa tolerncia a alguns grupos de produtos

    (biolgicos e reguladores de crescimento), as formas imaturas so bem

    mais sensveis. A presena da tesourinha em 70% das plantas

    possibilita que a lagarta-do-cartucho se mantenha controlada. Assim,

    produtos e aplicaes seletivas so importantes fatores que devem ser

    considerados nas estratgias de manejo da praga.

  • Parasitides Trichogramma spp e Telenomus remus = So

    pequenas vespas, parasitides de ovos de S.frugiperda. Devido ao seu

    bom desempenho e da facilidade de criao em laboratrio com baixo

    custo, esses parasitides tem sido utilizados em reas comerciais de

    diversas regies.

    Campoletis flavicincta = uma pequena vespa que coloca seus

    ovos no interior de lagartas recm-eclodidas . A lagarta parasitada

    alimenta-se muito pouco e quando a larva do parasitide est prestes a

    sair, a lagarta parasitada deixa o cartucho e dirige-se para as folhas mais

    altas, onde permanece imvel at que morra, pela perfurao do seu

    abdome pelo parasitide.

    Chelonus insularis = uma pequena vespa que coloca os seus

    ovos dentro dos ovos da lagarta-do-cartucho, porm permite que ocorra a

    ecloso das suas lagartas. Essas lagartas, que ento j nascem parasitadas,

    no conseguem provocar muitos danos na planta. Elas acabam saindo

    precocemente de dentro do cartucho e dirigem-se ao solo, onde se

    abrigam dentro de um casulo. Nesse casulo a larva do parasitide ir

    terminar o seu desenvolvimento e transformar-se em pupa.

    7. Bibliografia Consultada

    VILA , C.J.; DEGRANDE, P.E.; GOMEZ, S.A. Insetos-pragas:

    reconhecimento, comportamento, danos e controle. In: EMBRAPA

    Centro de Pesquisa Agropecuria do Oeste. Milho informaes

    tcnicas. Dourados: Embrapa-CPAO, 1997. p.157-181. (Circular

    Tcnica, 5).

  • 112

    CRUZ, I. Manejo de pragas da cultura de milho. In: Seminrio sobre a

    Cultura do Milho Safrinha, 1999. Cursos. Campinas: IAC, 1999.

    p.27-56.

    DUARTE, A.P. Como fazer uma boa segunda safra. Cultivar, 3: 10-18,

    2001.

    DUARTE, A.P. Milho safrinha tcnicas para o cultivo no Estado de

    So Paulo. Campinas: CATI, 2000. 16p. (Documento Tcnico, 113).

    GASSEN, D.N. Novos problemas com pragas na cultura do milho

    safrinha. In: Seminrio sobre a Cultura do Milho Safrinha,

    Campinas: IAC, p.51-76, 1999.

    INSTITUTO DE ECONOMIA AGRCOLA . Estatsticas da produo vegetal

    milho. http://www.iea.sp.gov.br/tabelas/anu_veg899. (04 de Maio de

    2000).

    MELO FILHO, G..A.; RICHETTI, A. Aspectos socioeconmicos da cultura

    do milho. In: EMBRAPA Centro de Pesquisa Agropecuria do

    Oeste. Milho informaes tcnicas. Dourados: Embrapa-CPAO,

    1997. p.13-38. (Circular Tcnica, 5).

    SO PAULO AGRCOLA . Coordenadoria de Assistncia Tcnica Integral.

    http://www.cati.sp.gov.br/sp_agricola/meio_sp_agricola. (04 de Maio

    de 2000).

    TSUNECHIRO, A.; FERREIRA, C.R.R.P.T.; FRANCISCO, V.F.L.S.

    Estratificao da rea da cultura de milho safrinha nas regies de

    Assis, Orlndia e Barretos, Estado de So Paulo. In: Seminrio sobre

    a Cultura do Milho Safrinha, Campinas: IAC. p.141-148, 1999.

    TSUNECHIRO, A.; MIELE JUNIOR, C. Anlise do risco da produo e do

    mercado de milho safrinha. In: Seminrio sobre a Cultura do

    Milho Safrinha, Campinas: IAC. p.127-132, 1999.

  • DOENAS DO MILHO SAFRINHA NO ESTADO DE SO PAULO

    Pesquisadora Cientfica Gisle Maria Fantin1,Herberte Pereira da Silva2

    & Aildson Pereira Duarte3

    1Eng. Agrnoma, Lab. de Fitopatologia, Centro Experimental do Instituto

    Biolgico, Instituto Biolgico, Cx. Postal 70, CEP 13001-970,

    Campinas-SP. E-mail: gisele@biologico.br 2Sementes DowAgroSciences Ltda, Caixa Postal 12, 38490-000,

    Indianpolis-MG. 3Pesquisador Cientfico, Instituto Agronmico, C.P. 263, 19800-000,

    Assis-SP.

    1. Introduo

    A cultura do milho safrinha, que semeada de janeiro a abril sem

    irrigao, tornou-se uma importante fonte de renda para o agricultor. Na

    safrinha o custo de produo menor e o preo de venda do milho no

    mercado mais elevado comparado safra de vero. Isso compensa a

    baixa produtividade obtida pela maioria dos agricultores, em torno de 2 a

    4 t/ha. Ressalte-se que a produtividade tem aumentado nos ltimos anos

    devido ao emprego de cultivares cada vez mais produtivos e resistentes

    s doenas, ao uso de insumos (fertilizantes, inseticidas e herbicidas) e,

    visando minimizar o riscos de perdas e aumentar o potencial de

    produo, antecipao da semeadura.

    A rea do milho safrinha cresceu rapidamente na ltima dcada,

    sendo que atualmente, so cultivados cerca de 2,6 milhes de hectares, o

    que corresponde a 27% e 22% da rea total de milho na regio Centro-

    Sul e no Pas respectivamente.

  • 114

    Por outro lado, vem sendo observado um aumento na ocorrncia

    de doenas nessa poca e no vero, as quais podem acarretar diminuio

    da produtividade e da qualidade dos gros.

    Inovaes tecnolgicas, como no caso do sistema de plantio

    direto, em que a palhada deixada na superfcie do solo tem uma

    contribuio positiva, pode contribuir negativamente para o controle de

    algumas doenas do milho, cujos agentes causais tem a capacidade de

    sobreviver nos restos culturais e infectar o milho no plantio da safra

    seguinte. Tambm a m utilizao de tecnologias na cultura, tais como

    populaes de plantas acima da recomendada e a inadequada utilizao

    da gua de irrigao, contriburam para o agravamento do quadro de

    doenas.

    Algumas doenas, cujos patgenos sobrevivem apenas em plantas

    vivas, vm sendo favorecidas pela ampliao das pocas de semeadura.

    O longo perodo no qual h instalao de lavouras proporciona maior

    multiplicao destes patgenos e leva ao aumento dessas doenas na

    cultura, que desta forma se disseminam com maior eficincia para

    culturas mais novas em reas prximas.

    Estes fatos, aliados s condies climticas do outono- inverno

    favorecerem a intensificao de doenas at ento consideradas de

    importncia secundria, fundamentaram crticas severas de que estas

    doenas poderiam inviabilizar o cultivo do milho em algumas regies do

    pas. Porm, o maior rigor na recomendao dos cultivares, utilizando-se

    materiais reconhecidamente resistentes s doenas que ocorrem

    regionalmente, associado s recomendaes de manejo adequado da

    cultura, mostraram que possvel conviver com esta nova realidade.

  • 2. Identificao e Manejo das Principais Doenas

    2.1. Doenas Causadas por Fungos

    2.1.1. Manchas Foliares

    2.1.1.1. Mancha de Phaeosphaeria

    A mancha foliar do milho causada pelo fungo Phaeosphaeria

    maydis, tambm denominada de mancha branca ou pinta branca

    apresenta distribuio generalizada pelas reas produtoras de milho na

    safra e safrinha no Estado de So Paulo e no Brasil. bastante favorecida

    por umidade elevada e dias chuvosos. Produz leses esbranquiadas, em

    geral arredondadas, com 0,3 a 2,0 cm.

    Controle - Recomenda-se o uso de cultivares resistentes, evitar o

    plantio de cultivares mais suscetveis em pocas ou locais muito midos

    ou chuvosos. A rotao de culturas e a destruio dos restos culturais

    ajudam a complementar o manejo da doena.

    2.1.1.2. Queima de turcicum

    A queima ou mancha foliar de Exserohilum turcicum

    (helmintosporiose comum), tem sido mais importante nos plantios do

    incio de safra e tambm nos de final de safrinha, quando as condies de

    temperatura amena favorecem seu desenvolvimento. As leses tpicas

    sobre as folhas de milho so grandes, alongadas, elpticas, variando de

    2,5 a 15 cm de comprimento (mdia de 6 a 10 cm), de cor palha.

    Controle - Recomenda-se o uso de hbridos ou variedades mais

    resistentes. Em casos de monocultura, no sistema convencional de

    manejo de solos, recomenda-se a arao profunda para destruio dos

    restos culturais. No sistema de plantio direto deve ser feita a rotao de

    culturas.

  • 116

    2.1.1.3. Mancha de Cercospora

    A mancha foliar de Cercospora do milho, causada pelo fungo

    Cercospora zeae-maydis, tambm denominada de cercosporiose. Esta

    doena passou a ser considerada importante a partir da ltima safrinha,

    em 2000. considerada, atualmente, a principal doena do milho nos

    plantios de safrinha na regio de Rio Verde-GO. No Estado de So Paulo

    tem se evidenciado principalmente na regio norte, mas j foi detectada,

    este ano, na regio centro.

    A severidade da doena aumenta em condies de temperatura

    moderada a alta, com alta umidade relativa, com formao de orvalho e,

    principalmente, pela ocorrncia de dias nublados ou chuvosos

    consecutivos. Causa leses foliares de cor palha a cinza, com 0,5 a 7 cm de

    comprimento, estreitas e limitadas na largura pelas nervuras secundrias da

    folha, o que lhes confere a forma retangular alongada tpica.

    Controle - A principal medida para o controle desta doena o uso

    de cultivares resistentes. Prticas culturais como rotao e principalmente o

    enterrio de restos de cultura auxiliam bastante a diminuir a sobrevivncia

    do patgeno no solo, que a principal fonte de inculo.

    2.1.2. Ferrugens

    2.1.2.1. Ferrugem Comum

    A doena caracteriza-se pela presena de pstulas geralmente

    alongadas, de colorao marrom, principalmente nas folhas, nas duas

    faces, em discretas faixas transversais. favorecida por temperaturas

    amenas e alta umidade.

  • Controle - feito, essencialmente, atravs do cultivo de materiais

    com maior resistncia, evitando-se a semeadura de cultivares suscetveis

    em pocas com temperatura muito amena, principalmente na fase

    vegetativa da cultura.

    2.1.2.2. Ferrugem Polissora

    Esta doena tem sido mais danosa nos plantios mais tardios da

    safra de vero e nos de incio da safrinha, quando ocorrem temperaturas

    elevadas. Pode disseminar-se amplamente em grandes reas de

    monocultura com milho suscetvel. Os sintomas so pstulas de cor

    canela, pequenas, circulares a ovais principalmente na superfcie superior

    da folhas.

    Controle - O mtodo mais eficiente de controle a utilizao de

    cultivares mais resistentes, evitando-se a semeadura de cultivares com

    maior suscetibilidade em regies onde ocorrem temperatura e umidade

    elevadas. Se vivel, no proceder semeaduras em extensas reas de

    monocultura, principalmente se escalonados..

    2.1.2.3. Ferrugem Tropical

    A ferrugem tropical ou branca favorecida por ambiente mido e

    temperatura moderada a alta. As pstulas so brancas a amareladas, em

    pequenos grupos, principalmente na superfcie superior das folhas.

    Controle - feito atravs do uso de cultivares de milho com

    maior resistncia, em todas as pocas de plantio. Pode ser

    complementado, se possvel, evitandose plantios contnuos de milho em

    monocultura.

  • 118

    Pelo fato das ferrugens serem patgenos biotrficos (sobrevivem

    apenas em plantas vivas), o enterrio dos restos de cultura no se constitui

    num mtodo de controle deste grupo de doenas.

    2.1.3. Podrides de Colmo Afetam o processo normal de enchimento de gros levando

    formao de espigas menores. Indiretamente, podem levar a perdas de

    espigas pelo comprometimento de sua qualidade com o apodrecimento

    pelo contato com o solo mido ou por afetar a colheita mecnica, pela

    necessidade de gastos extras com a catao manual das espigas.

    No milho safrinha, sob condies climticas do outono-inverno, a

    disponibilidade diria de calor menor que nos cultivos de vero. Em

    conseqncia, a perda de umidade dos gros mais lenta, fazendo com

    que o ciclo se alongue em quase um ms, expondo as plantas por mais

    tempo a condies adversas. Isso, juntamente com o estresse, devido

    pouca disponibilidade de gua para a cultura, requer ateno especial na

    escolha de cultivares, com relao a resistncia s doenas que provocam

    acamamento e quebramento de plantas e aos patgenos depreciadores da

    qualidade dos gros.

    2.1.3.1. Podrido de Colmo por Colletotrichum

    Esta doena causada pelo fungo Colletotrichum graminicola.

    Pode ocorrer em qualquer fase do desenvolvimento das plantas, podendo

    lev-las seca prematura, embora seja mais comum logo aps o

    florescimento. Condies que predispe a esta doena so temperatura

    moderada a alta e umidade elevada, com extensos perodos nublados.

  • Controle - Recomenda-se o uso de cultivares resistentes,

    adubao equilibrada e rotao de culturas, principalmente no sistema

    plantio direto (incidncia maior). O enterrio dos restos de cultura, com a

    destruio das estruturas do patgeno, um meio eficiente de controle

    em reas com alta infestao. importante o tratamento de sementes.

    2.1.3.2. Podrido do Colmo por Stenocarpella (Diplodia)

    A podrido do colmo causada por Stenocarpella maydis

    bastante comum e ocorre aps o florescimento das plantas. Esta doena

    mais severa em regies com temperaturas moderadas e, principalmente,

    ambiente mido. A predisposio a esta doena aumentada

    fundamentalmente por estresses, principalmente estresse hdrico antes do

    florescimento seguido de perodo chuvoso.

    Controle - O mtodo mais eficiente de controle desta doena o

    plantio de cultivares mais resistentes.

    So importantes, tambm, prticas que evitam o estresse da

    planta, principalmente o uso de adubao equilibrada e densidade de

    plantio adequada. Adubaes nitrogenadas em cobertura no afetam a

    doena, mas devem ser equilibradas, principalmente evitando deficincia

    de potssio associada a altas doses de nitrognio. Outros tipos de

    estresse, como os causados por plantas daninhas e insetos, tambm

    devem ser evitados. A colheita na poca adequada auxilia a restringir os

    danos causados pela doena.

    A rotao de culturas muito importante para diminuir o inculo

    do solo. O uso de sementes sadias e o tratamento de sementes evitam a

    disseminao da doena atravs desta fonte de inculo.

  • 120

    2.1.3.3. Podrido do Colmo por Fusarium

    Tem ocorrido com maior intensidade em regies secas e quentes,

    principalmente quando a polinizao antecedida por um perodo seco e

    seguida por um perodo chuvoso. tambm bastante favorecida por

    ferimentos, muitas vezes associada a injrias das plantas por pragas

    subterrneas ou nematides.

    Os agentes causais desta doena so Fusarium moniliforme (F.

    verticillioides) e Fusarium subglutinans.

    Controle - Resistncia da planta complementada por rotao de

    culturas, prticas culturais que evitem estresses da planta e, no caso do

    sistema convencional de manejo do solo, incorporao dos restos de

    cultura. Devem ser utilizadas sementes tratadas com fungicidas.

    2.1.4. Podrides de Espiga

    As podrides de espigas chegam a causar danos considerveis,

    principalmente em condies de alta umidade no final do ciclo das

    plantas, como longos perodos chuvosos entre a florao e a colheita.

    Acamamento de plantas (quando as espigas tocam o cho), espigas sem

    pednculo pendente, mau empalhamento, ataques de insetos e ferimentos

    em geral tendem a aumentar os danos. Os prejuzos no so apenas na

    produtividade, como na qualidade, palatabilidade e valor nutritivo dos

    gros. Alm disso, vrios patgenos tambm produzem toxinas que

    podem ter efeito cancergeno e at letal a aves, animais e ao homem.

    Para o agricultor, entre os problemas de qualidade de gros de

    milho, o que tem realmente demandado maior preocupao a qualidade

    fitossanitria - expressa pela porcentagem de gros ardidos. O termo

    gro ardido diz respeito aos gros ou pedaos de gros que perdem a

  • sua colorao caracterstica em mais de 25%. Os gros ardidos so o

    reflexo das podrides de espigas.

    2.1.4.1. Podrido de Espiga por Stenocarpella (Diplodia)

    Esta doena, causada por Stenocarpella maydis (Diplodia maydis)

    e ocasionalmente S. macrospora tambm denominada de podrido seca,

    bastante freqente e considerada a mais destrutiva entre as que afetam a

    espiga. mais danosa na regio sul do pas, embora ocorra em muitas

    outras regies.

    favorecida por seca antes do florescimento, seguida de alta

    umidade. A infeco no parece ser favorecida por ferimentos ou mal

    empalhamento das espigas, mas aquelas que no apresentam pednculo

    pendente podem ter sua suscetibilidade aumentada.

    Controle - Recomenda-se o uso de cultivares com maior

    resistncia. A rotao de culturas, o manejo adequado de matria

    orgnica e, no caso do sistema convencional de manejo do solo, o bom

    preparo de solo com arao e gradagem, reduzem sensivelmente o

    potencial de inculo no solo. O uso de densidade de plantio adequada

    para o hbrido tambm muito importante. Alm desta, devem ser

    utilizadas outras medidas que tambm reduzem estresses na planta,

    principalmente o uso de adubao equilibrada e o controle de plantas

    daninhas. O tratamento de sementes diminui a disseminao atravs

    desta fonte de inculo e a colheita precoce, com o armazenamento

    adequado, abaixo de 18% de umidade, inicialmente, para as espigas, e de

    15%, para os gros, restringem o desenvolvimento da doena.

    2.1.4.2. Podrido de Espiga por Fusarium

  • 122

    a mais comum e disseminada doena de espigas, sendo

    encontrada em praticamente todos os campos de milho. Geralmente est

    associada a danos por insetos, injrias mecnicas e mal empalhamento

    das espigas. favorecida por temperatura elevada e ambiente seco no

    incio da cultura seguido por condies midas (chuvas freqentes) no

    florescimento.

    Os sintomas de podrido geralmente aparecem em gros isolados

    ou em grupos.

    Controle - Recomenda-se, o uso de cultivares mais resistentes, a

    colheita precoce e o armazenamento dos gros sob condies de umidade

    relativa abaixo de 15%. O controle de pragas, para evitar ferimentos nas

    espigas, e a eliminao de plantas daninhas, para diminuir estresses da

    planta, tambm so importantes. No sistema convencional de manejo do

    solo, a arao profunda da rea a ser plantada pode ter efeito na

    diminuio do inculo do solo.

    O tratamento de sementes auxilia na reduo do inculo das

    sementes e protege as plntulas do patgeno presente no solo. Embora o

    patgeno esteja freqentemente associado s sementes, estas no so a

    principal fonte de inculo.

    2.2. Doenas Causadas por Molicutes

    2.2.1. Enfezamentos

    Chegam a causar severos danos cultura, principalmente na

    safrinha e nos plantios tardios da safra de vero. So transmitidos pelo

    mesmo vetor, a cigarrinha Dalbulus maidis. Apesar de comum a presena

    dos enfezamentos na mesma planta, os sintomas mais evidentes geralmente

    so os do enfezamento vermelho.

  • 2.2.1.1. Enfezamento Vermelho

    A incidncia desta doena vem aumentando nesta dcada, chegando

    a ser limitante em materiais muito suscetveis. favorecida por

    temperaturas moderadas a altas. Seu agente causal um fitoplasma.

    O sintoma mais comum o avermelhamento dos bordos e pontas

    das folhas mais novas, o qual geralmente evolui para uma necrose. Quando

    h infeco de plantas bem novas, ocorre um nanismo acentuado da planta

    e a formao de numerosas espigas pequenas, sem gros ou com poucos

    gros frouxos e pequenos. Em geral, a infeco tardia, mas, mesmo em

    plantas com sintomas leves, o enchimento de gros pode ser bastante

    prejudicado.

    2.2.1.2. Enfezamento Plido

    O enfezamento plido favorecido por temperaturas mais altas que

    as que favorecem o enfezamento vermelho e seus sintomas tpicos tm sido

    observados com menor freqncia no Estado de So Paulo.

    Esta doena causada pelo espiroplasma denominado Spiroplasma

    kunkelii. Os sintomas tpicos da doena so longas faixas de cor amarelo

    limo a esbranquiadas, as quais podem atingir toda a extenso da folha.

    Dependendo das condies ambientais, pode ocorrer avermelhamento das

    folhas e no h formao das faixas, dificultando sua identificao no

    campo. Com infeco mais severa, em plantas bem jovens, h maior

    encurtamento de interndios, com formao de numerosas espigas

    pequenas, como para o enfezamento vermelho.

    Controle - Recomenda-se, tanto para o enfezamento vermelho

    como o plido, principalmente, a utilizao de cultivares com maior

  • 124

    resistncia. Se possvel, devem ser evitados plant ios sucessivos,

    principalmente tardios, pois a cigarrinha, que constantemente associada

    ao milho, pode atingir altas populaes no decorrer do ano agrcola, e

    apresentar maiores concentraes do patgeno, disseminando amplamente

    a doena.

    2.3. Viroses

    2.3.1. Mosaico Comum

    O mosaico comum tambm denominado mosaico da cana-de-

    acar. Esta virose tem apresentado incidncia elevada no Estado de So

    Paulo ultimamente. A transmisso do vrus, agente causal da doena, pode

    ser feita por mais de 20 espcies de afdeos, principalmente pulges, entre

    eles Rhopalosiphum maidis, Schizaphis graminum e Myzus persicae.

    Os sintomas tpicos da doena so reas alongadas de cor verde

    clara entremeadas s de verde normal.

    H diferenas quanto ao nvel de resistncia entre os materiais

    cultivados, mas ainda no existem informaes mais completas sobre

    recomendao de cultivares visando o controle desta doena.

    Controle - Deve-se evitar, se possvel, plantios tardios, pela maior

    populao de insetos vetores do vrus. Alm disto, devem ser eliminadas

    gramneas selvagens hospedeiras (capim massambar, colcho, colonio e

    capim-arroz) e evitados os plantios nas proximidades de culturas de cana-

    de-acar infectadas com o vrus, que podem ser fontes de inculo.

    2.3.2. Risca do Milho

    A risca do milho a virose mais comum nos cultivos de milho em

    nosso pas. Nos ltimos anos, tem ocorrido com muita freqncia em

  • plantios tardios. A transmisso do vrus da risca feita pela mesma

    cigarrinha que transmite os enfezamentos: Dalbulus maidis.

    Os sintomas apresentam-se como linhas clorticas estreitas e

    interrompidas.

    Controle - Os cultivares comerciais de milho apresentam diferentes

    nveis de resistncia ao vrus, porm esta caracterstica ainda no foi bem

    explorada. Evitar plantios tardios e, se vivel, a eliminao de plantas

    voluntrias de milho tambm podem contribuir para a reduo da

    incidncia da virose.

    3. Emprego de Sementes Sadias ou Tratadas:

    O manejo integrado das doenas deve se iniciar pelo emprego de

    sementes de boa qualidade sanitria, praticamente livres de patgenos ou

    tratadas com fungicidas e doses apropriadas. O tratamento de sementes

    eficiente para controle de patgenos transportados pelas sementes, de

    fcil aplicao, de baixo custo e de pequeno impacto ambiental.

    No Brasil, so registrados para tratamento de sementes de milho:

    Captan, Fludioxonil, Quintozene (PCNB), Thiabendazol, Tolylfluanid,

    Thiram, Fludioxonil + Metalaxyl e Carboxin + Thiram. A maioria das

    empresas produtoras de sementes de milho utilizam o Captan.

    4. Controle Atravs de Resistncia:

    No incio da expanso da safrinha, as doenas eram consideradas

    fatores limitantes produtividade; contudo, nos ltimos anos, estas tem

    ocorrido com intensidade menor e seus danos tem sido mais baixos. Um

    dos principais fatores que tem proporcionado maior controle de doenas

  • 126

    o uso de cultivares mais resistentes s doenas que ocorrem

    regionalmente.

    Em testes regionais realizados no Estado de So Paulo, nas

    safrinhas de 1999 e de 2000, os hbridos simples e triplos (HST) que se

    destacaram como mais resistentes mancha de Phaeosphaeria foram:

    P3021, CO9560, C333B, Tork, AS1533, AG5011, CD3121, BRS3101,

    C747, Fort, Z8486, DKB350 e A2288 e os hbridos duplos e variedades

    (HDV) que apresentaram menor severidade da doena foram: C435,

    C444, AL25, IACV3 e C125.

    Quanto ferrugem comum, evidenciaram-se como mais

    resistentes doena os seguintes HST: Fort, AG8080, Z8392, A2288,

    DinaCO32, Master, Tork, CD3121, AS1544, Dina766, P30F80 e XL269

    e os seguintes HDV: Balu184, Traktor, SHS8447, C444, AS32,

    Savana185, Z8447, CD3211 e AL30. Apresentaram menor severidade

    da queima de turcicum os HDV: C125 e Traktor.

    Os HST que apresentaram menor porcentagem de plantas com

    sintomas de enfezamento foram: Z8486, CO9560, Z8392, Avant, Z8501,

    XL221, P3041, DinaCO32, AG8080, Tork, XB7011 e A2288 e os HDV

    foram: XB8010, C444, AG122, Traktor, C125 e C701. Ao mosaico os

    HST com menor incidncia da doena foram: AG6016, P3041, C929,

    Dina766, C333B, Z8486, SHS5050, P30F80, BRS3101, AG9010,

    AGN3150, AG8080 e AGN3180 e os HDV foram: AL34, C435, C125,

    SHS4040, C444, C701 e IACV3.

    5. Medidas Gerais de Controle de Doenas

    A adequada utilizao das medidas de controle das doenas do

    milho visa a preveno da ocorrncia das doenas mais importantes da

  • cultura, levando a uma maior produtividade com melhor qualidade dos

    gros. As medidas mais importantes de controle, a serem tomadas na

    instalao e conduo de uma cultura, se resumem nos seguintes passos:

    1. Conhecer a importncia das principais doenas nos diferentes locais e

    pocas de plantio, possibilitando a utilizao de cultivares mais

    resistentes s doenas potencialmente mais importantes para cada regio

    e poca de plantio.

    2. Fazer rotao de culturas.

    3. Sob monocultura, dar preferncia ao sistema convencional de manejo

    do solo, realizando bom preparo com incorporao dos restos culturais e

    evitar plantios escalonados.

    4. Manejar o solo para ter boas condies para a germinao das

    sementes.

    5. Utilizar sementes com boa qualidade sanitria, fsica e fisiolgica,

    tratadas com fungicida.

    6. Utilizar a densidade de semeadura recomendada para o cultivar

    utilizado.

    7. Realizar adubao de semeadura e cobertura, de modo a fornecer os

    nutrientes em quantidade e proporo adequadas s plantas.

    8. Controlar plantas daninhas.

    9. Realizar o manejo das pragas.

    10. Manejar adequadamente a gua em campos irrigados.

    11. No atrasar a operao de colheita e, se necessrio, realiz- la

    antecipadamente.

    12. Armazenar adequadamente as sementes, logo aps a colheita.

    Estas medidas de controle apresentam efeitos maiores ou menores

    sobre os tipos de doenas, podendo variar, tambm, de acordo com

  • 128

    outros fatores como as condies ambientais ou a presena e quantidade

    das fontes de inculo.

    6.. Bibliografia

    ANDREI, E. (Coord.) Compndio de defensivos agrcolas. 6.ed. So

    Paulo, Organizao Andrei Ltda, 1999. 672p.

    DUARTE, A.P.; FANTIN, G.M.; DUDIENAS, C.; BORTOLETTO, N.; GELLER, C.;

    GALLO, P.B.; RECO, P.C.; BIANCHINI, M.T.; BOLONHESI, D.; SILVEIRA,

    L.C.P. E SABINO JNIOR, J. Incidncia de enfezamentos e viroses em

    cultivares de milho no Estado de So Paulo nas safrinhas de 1997 e

    1998. In: Seminrio sobre a Cultura do Milho Safrinha, p.207-216,

    1999

    FANTIN, G.M. (Coord.); CROCOMO, W.B.; SILVA , H.P.; GARCIA, M.J. DE

    M.; MARTINS, A.C.N.; CAMPOS, T.B.; DUARTE, A.P.; GONALVES,

    M.C.; INOMOTO, M.M. . Manejo Integrado de Doenas e Pragas do

    Milho : Boletim Tcnico. Campinas: CATI. 129p.(ilust.) /No prelo/

    FANTIN, G.M.; DUARTE, A.P.; RECO, P.C.; CAZENTINI FILHO, G.;

    BORTOLETO, N.; BOLONHEZI, D.; CASTRO, J.L.; GALLO, P.B.; Doenas

    do Milho no Estado de So Paulo Safrinha 99. In.: Dia de Campo

    Resultados da Avaliao Regional de Cultivares de Milho Safrinha

    no Estado de So Paulo em 1999, Assis, Dez. 1999. Avaliao

    regional de cultivares de milho safrinha no Estado de So Paulo.

    p.33-45. 1999a

    FANTIN, G.M.; DUDIENAS, C.; DUARTE, A.P.; CASTRO, J.L.; BORTOLETO,

    N.; RECO, P.C.; PEREIRA, J.O.F. Doenas do milho no Estado de So

    Paulo Safrinha 2000. In.: Reunio Tcnica sobre a Cultura do

  • Milho "Safrinha, Assis, Dez. 2000. Avaliao regional de

    cultivares de milho safrinha no Estado de So Paulo. p.29-38, 2000.

    FERNANDES, F.T. & OLIVEIRA, E. DE. A mancha por Cercospora em

    milho. Sete Lagoas: EMBRAPA, maio/2000. 1p. (Comunicado

    Tcnico, 16)

    FERNANDES, F.T. & OLIVEIRA, E. de. Principais doenas na cultura do

    milho. Sete Lagoas: EMBRAPA-CNPMS, 1997. 80p. (Circular

    Tcnica, 26)

    LUZ, W.C. Diagnose e controle das doenas da espiga de milho no

    Brasil. Passo Fundo: EMBRAPA-CNPT. 1995. 28p. (Circular Tcnica,

    5)

    NAULT, L.R. Maize bushy stunt and corn stunt: a comparison of disease

    symptoms, pathogen host ranges, and vectors. Phytopathol., 70: 659-

    662. 1980.

    PEREIRA, O.A.P. Doenas do milho. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.;

    BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A.; REZENDE, J.A.M. Manual de

    Fitopatologia: doenas de plantas cultivadas. So Paulo: Agron.

    Ceres, 1997. v.2, cap.52, p.538-555.

    REIS, E.M.; CASA, R.T. Manual de identificao e controle de doenas

    do milho. Passo Fundo: Aldeia Norte Editora, 1996. 80p.

    SHURTLEFF, M.C. (Ed.) Compendium of corn diseases. 2.ed. St. Paul:

    American Phytopathological Press, 1992. 105p.

    SILVA, H.P. Incidncia de doenas fngicas na safrinha. In: DUARTE,

    A.P., Coord. Seminrio sobre a cultura do Milho Safrinha, p.81-

    86, 1997.

  • 130

    SILVA, H.P. & MENTEN, J. O. M. Manejo integrado de doenas na cultura

    do milho. In: FANCELLI & DOURADO NETO (Coord.) Simpsio sobre a

    cultura do milho, . p.40-56, 1997.

    WARD, J.M.J.; STROMBERG, E.L.; NOWELL, D.C.; NUTTER JR., F.W. Gray

    leaf spot: a disease of global importance in maize production. Plant

    Dis., 83: 884-895, 1999.

    MANEJO DE PRAGAS DE SOLO NA CULTURA DA SOJA1

    Lenita J. Oliveira & Clara B. Hoffmann-Campo

    Pesquisadora em Entomologia, Embrapa Soja. Caixa Postal 231. 86001-

    970, Londrina, PR

    As chamadas pragas de solo, em geral so insetos fitfagos de

    hbito subterrneo que podem atacar todas as estruturas subterrneas das

    plantas, mas englobam, tambm, aqueles que vivem na superfcie do

    solo, sob a liteira, cortando ou broqueando o colo da planta. Diversas

    espcies de insetos pertencentes, principalmente, s ordens Diptera,

    Lepidoptera, Coleoptera e Hemiptera so citadas na literatura como

    pragas de hbito subterrneo, em soja. Alm dos insetos, tambm tm

    ocorrido em soja outros grupos de pragas de solo ou de superfcie, como

    Diplopoda, lesmas e caracis. Um levantamento realizado pela Embrapa

    Soja mostrou que, nas ltimas cinco safras, as principais pragas de solo

    que ocorreram na cultura da soja foram: larvas do complexo de cors

    (Col.: Scarabaeoidea), percevejo-castanho-da-raiz (Hem.: Cydnidae),

    lagarta elasmo (Lep.: Piralydae), cochonilha-de-raiz (Hom.: Coccoidea),

    1 Manuscrito aprovado para publicao pelo Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja sob o n 071/2001

  • piolhos-de-cobra (Diplopoda), lesmas (Veronicellidae) e caracis. Mais

    de 70% dos relatos, onde houve dano econmico lavoura, se referiam a

    dois grupos de pragas de raiz: o complexo de cors e percevejo-castanho-

    da-raiz.

    Esses grupos de insetos so polfagos, mas enquanto ninfas e

    adultos do percevejo castanho sugam razes de vrias famlias de plantas,

    no grupo de cors, adultos e larvas apresentam hbitos alimentares

    distintos. As larvas so rizfagas e os adultos consomem folhas de vrias

    espcies. A multiplicidade de hospedeiros associada aos hbitos

    subterrneos desses grupos de insetos dificultam muito o seu controle.

    Tanto os cors como os percevejos de raiz passam todas as fases de

    desenvolvimento no interior do solo e apenas os adultos saem em

    revoadas ao entardecer retornando depois, ao solo.

    O complexo de cors inclui vrios gneros e a espcie

    predominante varia de regio para regio, mas todas tm hbitos

    semelhantes e causam o mesmo tipo de dano soja. Phyllophaga

    cuyabana e Plectris sp. predominam em lavouras de soja, na regio

    Centro-Oeste e Norte do Paran, respectivamente. Liogenys sp. ocorre

    em Gois e Mato Grosso do Sul, mas h outras espcies de

    Scarabaeoidea ainda no identificadas, igualmente importantes,

    danificando soja no Sudoeste de So Paulo, Tringulo Mineiro e Mato

    Grosso (7). A espcie P. cuyabana a mais estudada, e, na prtica, tm

    se observado que, do ponto de vista de manejo, vrios resultados obtidos

    para essa espcie podem ser adaptados s diferentes regies ecolgicas,

    desde que consideradas as variaes nas condies ambientais, que no

    caso do Cerrado, podem adiantar o incio das revoadas de adultos.

  • 132

    O nome popular percevejo castanho designa um grupo

    composto de vrias espcies, pertencentes famlia Cydnidae, subfamlia

    Scaptocorinae. Esse grupo tem ampla distribuio geogrfica na regio

    Neotropical e, no Brasil, duas espcies, Scaptocoris castanea e

    Atarsocoris brachiariae, vm causando grandes danos agropecuria,

    em pastagens, soja e algodo, principalmente na regio dos Cerrados. A.

    brachiariae inicialmente associada a pastagens, tambm foi observada

    atacando soja. As duas espcies so muito semelhantes e so facilmente

    reconhecveis pelo odor caracterstico e desagradvel que exalam,

    durante o preparo de solo em reas infestadas. Quando expostos

    superfcie, esses percevejos emitem um som estridente. No seu habitat,

    a cpula e oviposio ocorrem no solo.

    Comumente, o ataque de cors e percevejo-castanho-da-raiz

    ocorre em reboleiras ou focos, que podem variar de poucos metros at

    vrios hectares, distribudos irregularmente na rea infestada. Dentro das

    reboleiras, pode ocorrer reduo da populao de plantas, devido morte,

    quando o ataque ocorre no incio do desenvolvimento da soja, e

    amarelecimento das folhas e reduo do crescimento das plantas quando

    o ataque mais tardio. A intensidade dos danos devida no s da

    populao e da idade dos insetos, mas tambm do desenvolvimento

    radicular da planta, tanto em funo do estdio de desenvolvimento da

    cultura, como de outros fatores como, por exemplo, presena de camadas

    de solo adensadas, prejudicando a expanso das razes. Os efeitos dos

    danos no sistema radicular, na produo de gros podem ser

    intensificados sob condies de solos pobres ou sob condies de

    estresse hdrico em pocas crticas.

  • Os danos causados por cochonilhas-da-raiz em soja so

    localizados e geralmente no justificam o controle. Danos por lagarta-

    elasmo ocorrem em geral, em pocas de estiagem e temperaturas altas e

    embora a praga possa causar graves prejuzos, no h medidas de

    controle eficientes, especialmente aps a deteco do ataque. Os caracis

    e lesmas ocorrem em ambientes midos e em soja seu ataque eventual e

    localizado. Os piolhos-de-cobra tambm ocorrem em reboleiras, s vezes

    causando danos severos.

    O manejo de pragas polfagas, de ciclo longo e hbitos

    subterrneos, como cors e percevejo castanho, deve ser feito

    considerando o sistema de produo como um todo e no apenas durante

    o perodo em que a cultura principal est no campo. Vrias medidas

    podem ser adotadas para diminuir a populao de pragas de solo ou

    aumentar a tolerncia da soja a elas.

    poca de semeadura: A manipulao da poca de semeadura da

    soja, como estratgia de manejo de pragas, baseia-se no princpio de

    evaso hospedeira e/ou aumento da tolerncia da cultura aos danos

    causados pelas pragas. Esta estratgia funciona bem para pragas como os

    cors, especialmente P. cuyabana que apresenta um padro relativamente

    estvel de distribuio estacional e sincronizado com o sistema de

    produo de soja nas regies de ocorrncia. Preferencialmente, as reas

    infestadas por cors devem ser semeadas antes que as larvas atinjam 1,0

    cm e, se possvel, antes das primeiras revoadas de adultos.

    Manejo de plantas hospedeiras e no hospedeiras: Algumas

    espcies vegetais, como Crotalaria juncea, Crotalaria spectabilis e

    algodo, prejudicam o desenvolvimento das larvas de P. cuyabana,

    especialmente no incio da fase larval, quando podem aumentar a

  • 134

    mortalidade das larvas (9) e podem ser usadas como alternativa em reas

    infestadas, em rotao com a soja e outras culturas atacadas por cors. C.

    spectabilis pode ser utilizada tambm como cultura que antecede a soja,

    associada a cultivares tardias desta leguminosa, nas reas com maior

    nvel de infestao. As larvas sero negativamente afetadas desde que

    consumam C. spectabilis por pelo menos 20 dias. Portanto, a semeadura

    da crotalria deve ser realizada antes da primeira revoada, deixando a

    cultura no campo, pelo menos, 20 a 25 dias aps o incio das revoadas. A

    prtica do cultivo de soja, milho ou girassol de safrinha contribui para o

    aumento de populao de cors de um ano para outro e deve ser evitada.

    Para percevejo-castanho-da-raiz, ainda no h dados conclusivos

    que permitam fazer indicaes para rotao de cultura com a soja. Mas,

    apesar de seu alto grau de polifagia, existem diferenas na preferncia

    e/ou suscetibilidade de diversas espcies vegetais, sendo Brachiaria

    humidicola um dos hospedeiros preferenciais de percevejo castanho (1).

    Observaes de campo e ensaios coordenados pela Embrapa Soja

    indicaram que, entre as culturas anuais, o algodo mais suscetvel aos

    danos do que a soja, que, por sua vez, menos tolerante que o milho e o

    milheto.

    Manejo de solo: O ataque de soja por larvas de cors ocorre tanto

    em sistema de semeadura direta como em convencional. O padro de

    distribuio do P. cuyabana, no perfil do solo, indica que o manejo deste

    pode contribuir para diminuir a populao, atravs de dano mecnico s

    larvas, da sua exposio a aves e a outros predadores e do deslocamento

    de larvas em diapausa e pupas para camadas do solo com condies de

    umidade e temperatura de maior amplitude de variao e, portanto,

    menos adequadas sobrevivncia das fases inativas do inseto. A poca e

  • o tipo de implemento utilizado no preparo do solo so fundamentais para

    o sucesso desse mtodo de controle. A mortalidade larval pode ser

    atribuda mais exposio a fatores adversos logo aps o preparo, do que

    a mudanas nas condies do solo. As redues na populao de cors

    foram mais evidentes em parcelas preparadas com implementos mais

    pesados, como o arado de aiveca (6). Para o preparo do solo das reas,

    onde houve sinais de danos, antes da cultura de vero, devem ser

    utilizados implementos que atinjam maior profundidade e possam

    deslocar as larvas para a superfcie, pois, nesta poca, embora a

    populao esteja inativa e mais suscetvel a perturbaes, grande parte

    dos indivduos se encontra abaixo de 20 cm de profundidade, dentro de

    cmaras. Em reas muito infestadas, o preparo do solo pode ser associado

    semeadura no incio da poca recomendada e ao uso de cultivares

    precoces, diminuindo, assim, o risco de dano e possibilitando o preparo

    de solo, antes da cultura de inverno. Nesse caso, o preparo do solo pode

    ser realizado com arado de disco, desde que realizado logo aps a

    colheita da soja, mas antes de as larvas iniciarem a diapausa, que ocorre,

    preferencialmente, a mais de 20 cm de profundidade no solo, portanto,

    fora do alcance desse tipo de implemento.

    O percevejo-castanho-da-raiz, como os cors, tem ocorrido tanto

    em reas de semeadura direta como em reas com manejo convencional

    do solo. Alguns estudos mostraram que o efeito da cobertura vegetal foi

    maior do que o efeito do manejo do solo, quando as operaes de preparo

    so realizadas antes dos cultivos de vero, poca na qual, em geral, a

    populao est localizada abaixo de 20cm de profundidade (10). Ensaios

    realizados nas safras 98/99 e 99/2000, embora no conclusivos, mostram

    tendncia de se repetir, para o percevejo castanho o mesmo padro dos

  • 136

    cors, ou seja, o efeito da operao de preparo imediato e localizado,

    devido exposio destes insetos fatores adversos. Estudos

    comparando reas de semeadura direta com reas gradeadas (duas

    passagens de grade aradora atingindo at 25 cm de profundidade),

    mostraram que o efeito da gradagem foi aparentemente maior nas

    camadas superficiais, especialmente nos primeiros 10cm, no atingindo,

    entretanto, a populao situada abaixo de 20 cm, que representava 50%

    da populao existente no local (10). Um estudo realizado 1998 no Mato

    Grosso em rea de semeadura direta mostrou que a subsolagem realizada

    com baixssima umidade, seguida de duas gradagens e a aivecagem

    seguida de uma gradagem diminuram significativamente a populao de

    percevejo-castanho-das-razes (3).

    O efeito do preparo de solo sobre cors e percevejo-castanho-

    da-raiz maior, quando a operao realizada nas horas mais quentes

    do dia e com implementos que atingem maior profundidade. Entretanto,

    para outras pragas de solo, como cochonilhas de razes, cuja capacidade

    de movimentao no perfil do solo insignificante e, normalmente, so

    encontradas nas camadas superficiais, o efeito do sistema de manejo do

    solo pode ser mais significativo, embora no haja estudos conclusivos a

    respeito (7).

    Piolhos-de-cobra, lesmas e caracis tambm ocorrem com maior

    freqncia em lavouras de semeadura direta, mas tambm j foram

    observados ataques em reas de manejo convencional do solo.

    O preparo de solo pode ser um componente dentro do sistema de

    manejo de pragas rizfagas em soja. Entretanto, sua utilizao no pode

    ser generalizada, pois a eficincia na reduo da populao depende de

    muitos fatores, como poca do preparo, implemento utilizado,

  • condies microclimticas durante o preparo, estdio de

    desenvolvimento do inseto, nvel populacional e distribuio do inseto

    no perfil do solo. O revolvimento do solo em reas de semeadura direta

    unicamente com o objetivo de controlar pragas rizfagas, como cors e

    percevejo-castanho-da-raiz, no recomendado, a no ser de forma

    eventual e localizada nos focos com alta infestao, pois seu efeito no

    controle dessas pragas nem sempre satisfatrio a ponto de compensar

    a perda dos benefcios da semeadura direta.

    Controle biolgico: Vrios agentes de controle biolgico de P.

    cuyabana foram observados destacando-se patgenos em ovos, larvas e

    adultos e dpteros parasitides de adultos. Foram identificados os fungos

    Beauveria bassiana (principalmente em adultos) e Metarhizium anisopliae

    (em larvas e adultos) e uma bactria isolada de larvas, identificada como

    Bacillus sp., possivelmente B. popilliae (9). Essa bactria e outras do

    genro Serratia, tm sido usadas com grande xito para controle de

    escarabedeos em outros pases, como a Nova Zelndia. De maneira geral,

    M. anisopliae mostrou, em laboratrio, maior potencial de controle de

    larvas de cors que os demais fungos. O percevejo castanho tambm possui

    vrios inimigos naturais, destacando-se as formigas e patgenos. Fungos

    entomopatognicos dos gneros Metarhizium, Beauveria e Paecilomyces j

    foram isolados desse inseto e apresentaram, em laboratrio, potencial para

    controle da praga. O fungo M. anisopliae apresentou maior virulncia para

    adultos de S. castanea do que B. bassiana e Paecilomyces (8). Entretanto, a

    eficincia dos fungos em condies de campo, tanto para cors como para

    percevejo castanho, muito irregular e depende, principalmente, das

    condies de umidade do solo na poca de aplicao.

  • 138

    Controle qumico: O controle qumico de cors (5) e percevejo

    castanho, em soja, at o momento, tm se mostrado pouco vivel, em

    funo do hbito subterrneo destes insetos. Vrios grupos de pesquisa

    (2,4,5,8,11,13) vem testando inseticidas misturados semente e aplicados

    no solo diretamente no sulco de semeadura para controle dessas pragas,

    mas, para a soja, ainda no h nenhum inseticida eficiente e registrado

    com essa finalidade. Tambm no h, at o momento, inseticidas

    recomendados para controle da lagarta-elasmo, cochonilha-da-raiz,

    lesmas, caracis e piolho-de-cobra em soja.

    Medidas para aumentar a tolerncia da soja a pragas de solo

    rizfagas: O dano causado por pragas de solo soja indireto, devido

    suco de seiva ou ingesto de razes. Assim, qualquer medida que

    favorea o crescimento da planta e o desenvolvimento de seu sistema

    radicular, aumentar tambm o seu grau de tolerncia a esses insetos.

    Vrias medidas podem ser tomadas, destacando-se: a) inoculao com

    bactrias fixadoras de nitrognio, que favorece o aumento do sistema

    radicular, especialmente razes secundrias; b) evitar a formao de

    camadas de solo adensadas; c) correo da fertilidade do solo, que favorece

    o desenvolvimento da planta e, consequentemente, das razes; e d) correo

    da acidez do solo, para que a menor disponibilidade de alumnio e um

    suprimento adequado de Ca e Mg, propiciem maior desenvolvimento

    radicular (5,7).

    Alternativas potenciais para o manejo de pragas rizfagas em

    soja: Grupos de plantas altas ou rvores, prximos s reas infestadas,

    geralmente so stios de agregao de adultos de cors. Em reas com

    histrico de ataque da praga, pode-se semear milho, girassol, C. juncea

    ou soja, em cultivo antecipado, de maneira que as plantas estejam bem

  • desenvolvidas na poca do incio das revoadas e funcionem como focos

    de agregao de adultos, para controle localizado dos mesmos com

    inseticidas qumicos ou biolgicos. Girassol e C. juncea estimulam a

    alimentao das fmeas e podem potencializar a ingesto de produtos

    qumicos ou biolgicos (bactrias), aplicados sobre as folhas dessas

    culturas.

    Os adultos de P. cuyabana, principalmente os machos, so

    atrados por luz amarela (10), que pode ser utilizada em armadilhas para

    monitoramento ou associadas a outros mtodos de controle. O feromnio

    sexual, produzido pela fmea de P.cuyabana outra linha de pesquisa em

    desenvolvimento e poder servir como atraente, associado ou no s

    armadilhas luminosas, para concentrao de adultos, facilitando seu

    monitoramento ou controle. Para percevejo-castanho-da-raiz essa linha

    de pesquisa ainda no foi desenvolvida, mas tambm h possibilidade de

    utilizao de feromnios em seu manejo, no futuro.

    O manejo de pragas de solo em soja depende da associao de

    inseticidas qumicos ou biolgicos e prticas culturais que permitam a

    convivncia com a praga, baseadas principalmente em sua biologia e

    comportamento. Embora, vrios aspectos comportamentais j tenham

    sido desvendados, ainda h grande necessidade de estudos nessa linha,

    para vrias espcies. O entendimento das relaes inseto-planta dentro de

    uma viso holstica do sistema de produo tambm fundamental para o

    manejo cultural dessas pragas.

    Literatura Consultada

    1. AMARAL, J.L. DO; MEDEIROS, M. O; OLIVEIRA,C.; OLIVEIRA, E. A. S.

    Estudo das preferncias alimentares do percevejo castanho das

  • 140

    razes das gramneas (Atarsocoris brachiariae Becker, 1996). In:

    Encontro de Bilogos do Crb1, 8., Cuiab, 1997. Cuiab:

    UFMT. 1997. p. 66.

    2. AMARAL, J.L. DO; MEDEIROS, M. O; OLIVEIRA,C.; OLIVEIRA, E. A. S.;

    OLIVEIRA, C.; FERNANDES, L.M.S. Efeito de inseticidas sistmicos

    e no sistmicos misturados no adubo no controle do percevejo

    castanho das razes. In: XXII Reunio de Pesquisa de Soja da

    Regio Central do Brasil, Embrapa Soja. p.69-70, 2000.

    3. AMARAL, J.L. DO; MEDEIROS, M. O; OLIVEIRA,C.; OLIVEIRA, E. A. S.;

    OLIVEIRA, C.; FERNANDES, L.M.S. Efeito da subsolagem e da

    aivecagem em reas de plantio direto de soja, no controle do

    percevejo castanho das razes. In: XXII Reunio de Pesquisa de

    Soja da Regio Central do Brasil, Embrapa Soja. p.68-69, 2000.

    4. NAKANO, O. & FLORIM, A.C.P. Ensaio visando o controle do

    percevejo castanho com alguns inseticidas. In: Workshop sobre

    Percevejo Castanho da Raiz, Embrapa Soja. p. 54, 1999.

    (Embrapa Soja. Documentos, 127).

    5. NUNES JR, J.; OLIVEIRA, L. J.; CORSO, I.C.; FARIAS, L. C.; Controle

    qumico de cors (Scarabaeoidea) em soja. In: XXII Reunio de

    Pesquisa de Soja da Regio Central do Brasil, Embrapa Soja.

    p.58-59, 2000.

    6. OLIVEIRA, L. J.; HOFFMANN-CAMPO, C. B.; GARCIA, M. A. Effect of

    soil management on the white grub population and damage in

    soybean. Pesq. Agropec. Bras., 35: .887-894, 2000.

    7. OLIVEIRA, L. J. Manejo das principais pragas das razes da soja. In:

    CMARA, G. M. de Sousa (ed.) Soja: tecnologia da produo II.

    Piracicaba: ESALQ/LPV, 2000. p.153-178.

  • 8. OLIVEIRA, L.J. (org.). Efeito de inseticidas qumicos e de fungos

    entomopatognicos sobre o percevejo-castanho-da-raiz:

    resultados da safra 99/00. Embrapa Soja. 36p, 2000.

    (Documentos/ Embrapa Soja, ISSN 1516-78x, n 150).

    9. OLIVEIRA, L.J.; GARCIA, M.L.; HOFFMANN-CAMPO, C.B.;FARIAS,

    J.R.B; SOSA-GOMEZ, D.R; CORSO, I.C. Cor-da-soja

    Phyllophaga cuyabana (Moser 1918). Londrina. 30p, 1997.

    (EMBRAPA-CNPSo. Circular tcnica, 20).

    10. OLIVEIRA, L.J.; MALAGUIDO, A.B.; NUNES, JR. J. ; CORSO, I. C.; DE

    ANGELIS, S.; FARIAS, L.C.; HOFFMANN-CAMPO, C.B.; LANTMANN,

    A. Percevejo-castanho-da-raiz em sistema de produo de

    soja. Embrapa Soja. 44p, 2000. (Circular Tcnica 28).

    11. RAGA , A. & SILOTO, R.C. Resultados de pesquisa de controle qumico

    do percevejo castanho Scaptocoris castanea em cultura de milho

    safrinha no estado de So Paulo. In: Workshop sobre Percevejo

    Castanho da Raiz, Embrapa Soja. p.55-56, 1999. (Embrapa Soja.

    Documentos, 127).

    12. SANTOS, B. Bioecologia de Phyllophaga cuyabana (Moser 1918)

    (Coleoptera: Scarabaeidae), praga do sistema radicular da

    soja [Glycine max (L.) Merrill, 1917]. Piracicaba, 1992. 111 p.

    Dissertao Mestrado-ESALQ/USP.

    13. WORKSHOP SOBRE PERCEVEJO CASTANHO DA RAIZ, 1999, Embrapa

    Soja. 68p, 1999. (Embrapa Soja. Documentos, 127).

  • 142

    NEMATIDES NA CULTURA DA SOJA

    Pesquisador Cientfico Carlos Eduardo Rossi

    Engenheiro Agrnomo - Laboratrio de Nematologia, Centro

    Experimental do Instituto Biolgico, Instituto Biolgico, Caixa Postal 70,

    CEP 13001-970, Campinas SP. E-mail: crossi@biologico.br

    1. Introduo

    A soja, uma das culturas de maior importncia econmica para o

    Brasil, vem apresentando, a cada ano, prejuzos crescentes causados por

    nematides. Trata-se de uma planta sensvel a esses parasitos e, para a

    dificuldade do produtor, os danos podem ser atribudos a fatores

    diversos.

    Nematides so animais microscpicos, usualmente chamados de

    vermes (designao antiga dada tambm a minhocas e outros

    organismos, cuja forma do corpo longa e delgada), essencialmente

    aquticos. Existem espcies que se alimentam de fungos, de bactrias e

    tambm de plantas, dentre outros hbitos alimentares. Os parasitos de

    plantas vivem no solo ou no interior de estruturas vegetais, tais como:

    folhas, caules e, principalmente, razes. Possuem uma estrutura similar

    uma agulha de seringa, o estilete, pelo qual introduzem substncias nas

    clulas digerindo-as e em seguida sugam o lquido resultante. dessa

    forma que os nematides parasitos de plantas se alimentam.

    Os problemas com nematides na agricultura, fundamentalmente,

    so fruto do desequilbrio ocasionado por prticas agrcolas inadequadas,

    tais como a monocultura por safras seguidas.

  • Mais de 20 gneros de nematides j foram detectados associados

    com soja no Brasil (CARNIELLI & SOUZA, 1989). Desses, Heterodera (o

    nematide de cisto) e Meloidogyne (o nematide de galha) apresentam

    importncia econmica para essa cultura e sero mais bem detalhados.

    2. Nematide de Cisto da Soja

    Trata-se de um nematide extremamente nocivo sojicultura

    mundial. Os prejuzos causados por ele podem chegar a 100% em

    algumas reas altamente infestadas. Sua descoberta em solo brasileiro

    aconteceu na safra 91/92 nos Estados de Minas Gerais (LIMA et al.,

    1992), Mato Grosso (LORDELLO et al, 1992) e Mato Grosso do Sul

    (MONTEIRO & MORAIS, 1992). Em So Paulo foi detectado na safra 94/95

    na regio de Assis (ROSSI et al., 1995). Atualmente, encontra-se

    distribudo pelas principais regies de cultivo de soja do Brasil.

    O cisto que proporciona o nome comum ao nematide a cutcula

    da fmea adulta morta encontrando-se em seu interior cerca de 300 ovos

    que podem permanecer viveis por um longo tempo espera de uma

    planta hospedeira. A soja cultivada em campo infestado estimula os

    juvenis a emergirem dos cistos e penetrarem nas razes. A partir da,

    parasitam de forma sedentria passando por vrias fases jovens at a

    formao do adulto. H cruzamento entre nematides de diferentes raas,

    o que gera muita variabilidade.

    Sintomas e Danos

    Como o nematide tem pouca mobilidade, h uma tendncia das

    infestaes ocorrerem em reboleiras. Os sintomas so plantas mal

    desenvolvidas com aparncia de deficincia nutricional, folhas esparsas e

  • 144

    amareladas, poucas flores, s vezes a haste raqutica e desnuda e

    nodulao precria. A utilizao de implementos no momento do preparo

    do solo dissemina o nematide pela rea.

    O sinal mais caracterstico a fmea globosa esbranquiada

    aderida raiz.

    O prejuzo direto causado pelo parasitismo de um indivduo em

    uma planta desprezvel, mas quando se considera centenas de

    indivduos, comum em altas infestaes, o dano passa a ser evidente.

    mais intenso em solos leves ou arenosos e onde h pH elevado (DIAS et

    al., 2000).

    Controle

    Em vista da soja e de poucas outras plantas (feijo, tremoo, azuki

    etc) serem as nicas hospedeiras do nematide, a rotao de culturas a

    medida de controle mais recomendada. Entretanto, o cisto que se

    encontra no solo aps a colheita da soja, protege os ovos por um longo

    tempo. Assim, a melhor estratgia integrar rotao de culturas com

    cultivares de soja resistentes. J existem disponveis quase uma dezena

    de cultivares com resistncia gentica ao parasito. H muita variabilidade

    dentro da populao devido reproduo cruzada do nematide. Dentre

    as 16 raas possveis, a 3 a mais comum em nosso pas. O plantio

    consecutivo de uma mesma cultivar resistente seleciona a populao e a

    inviabiliza para as prximas safras. Medidas como limpeza de

    implementos e mquinas, eliminar soja tiguera da rea infestada aps a

    colheita, plantio direto na palha, evitam a disseminao e a multiplicao

    do nematide. O manejo adequado do solo, mantendo nveis altos de

    matria orgnica, saturao de bases dentro do recomendado, adubao

  • equilibrada e ausncia de camadas compactadas aumenta a tolerncia da

    soja ao nematide (EMBRAPA, 2000).

    3. Os Nematides de Galhas

    Ao contrrio da espcie anterior, esses nematides atacam muitas

    culturas e esto distribudos por quase todas as reas agricultveis. H

    duas principais espcies que parasitam soja: Meloidogyne javanica e M.

    incognita, sendo a primeira a predominante. A presena dessas espcies

    em altas infestaes considerada fator limitante.

    Sintomas A presena de reboleiras com plantas de porte mais reduzido,

    amareladas e com folhas apresentando manchas clorticas entre as

    nervuras (folha carij) caracteriza um sintoma da presena desse

    nematide na lavoura. Entretanto, nas razes que se encontra o sintoma

    tpico do parasitismo desse organismo que lhe proporcionou o seu nome

    comum: as galhas. Essas so engrossamentos de forma esfrica isolados

    ou podendo se coalescerem modificando totalmente a morfologia da raiz,

    no destacados facilmente como os ndulos de Bradyrhizobium que

    podem se formar na raiz principal e nas demais.

    Controle

    A deciso de se controlar a populao do nematide deve ser

    tomada muito antes da instalao da lavoura, pois as medidas so

    preventivas. O controle baseado em adoo de rotao de culturas com

    plantas no hospedeiras, que no caso dessas espcies, no apresenta

    muitas opes, e cultivares com resistncia gentica ao parasito.

  • 146

    Inicialmente, necessita-se conhecer qual (is) a(s) espcie(s) que

    esto presentes na rea. Para isso preciso enviar uma amostra de solo e

    razes para um laboratrio de nematologia, a fim de que seja feita a

    identificao especfica.

    Para M. javanica pode-se cultivar em rotao em reas

    reconhecidamente infestadas milho resistente (C 811, BR 3123, C

    491 AG 5016, Tork X 1297 J, XL 357 etc), amendoim, algodo,

    sorgo resistente (AG 2005-E e AG 2501-C) e mamona (DIAS et al.,

    1998; 2000). Rotao de culturas com adubos verdes (crotalrias, aveia

    preta, milheto e alfafa) melhora as propriedades fsicas, qumicas e

    biolgicas do solo, alm de que a presena de plantas no hospedeiras

    evita a multiplicao do nematide.

    As cultivares de soja: Bragg, BR-6, BR-30, IAC-8, BRS-

    65, Celeste, CD-201, CD-203, FT-Cometa, Conquista, Iguau

    apresentam resistncia a essa espcie e podem ser utilizadas em

    esquemas de rotao de culturas para um melhor desempenho das

    mesmas.

    Para M. incognita, as opes so mais restritas: amendoim, milho

    P30F80, crotalrias, mucuna-preta, aveia preta, guandu e, as cultivares

    de soja: BR-36, BRSMG 68, Garantia, Liderana, Renascena,

    Matrinch, CD 201, CD 202, CD 203, IAC 8, IAC 12,

    Conquista, Pequi, Pioneira, Iguau.

    4. Referncias Bibliogrficas

    CARNIELLI, A; SOUZA, M.I.F. Nematides em soja: resumos

    informativos. EMBRAPA/DID. 169p, 1989. (Resumos Informativos,

    29).

  • DIAS, W.P. Controle de nematides fitoparasitas associados cultura da

    soja. Resultados de Pesquisa da Embrapa Soja. Embrapa/CNPSo.

    P.11-21, 1998. (Embrapa soja. Documentos, 125).

    DIAS, W.P.; GARCIA, A.; SILVA , J.F.V. Nematides associados cultura

    da soja no Brasil. In: Congresso Brasileiro de Nematologia p. 59-65,

    2000.

    EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECURIA (EMBRAPA).

    Recomendaes tcnicas para a cultura da soja na Regio Central

    do Brasil 1999/2000. Londrina, 2000.

    LIMA, R.D.; FERRAZ, S. & SANTOS, J.M. Ocorrncia de Heterodera sp.

    em soja no tringulo mineiro. Nematol. Bras. 16: 101-102, 1992.

    LORDELLO, A.I.L.; LORDELLO, R.R.A. & QUAGGIO, J.A. Ocorrncia do

    nematide de cisto da soja (Heterodera glycines) no Brasil. Revista

    de Agricultura, 67: 223-225, 1992.

    MONTEIRO, A.R. & MORAIS, S.R.A.C. Ocorrncia do nematide de cisto

    da soja, Heterodera glycines Ichinohe, 1952, prejudicando a cultura

    em Mato Grosso do Sul. Nematol. Bras., 16: 101,1992.

    ROSSI, C.E.; MONTEIRO, A.R. & RAMIRO, Z.A. Ocorrncia do nematide

    de cisto, Heterodera glycines Ichinohe, 1952, em cultura de soja, no

    Estado de So Paulo. Revista de Agricultura, 70: 37-39, 1995.

    DOENAS FOLIARES DA SOJA E SEU CONTROLE

    Eng. Agr. Renato Arantes Pinto

    Coordenador de Desenvolvimento Tcnico Comercial - Aventis

    CropScience Brasil Ltda. Av. Maria Coelho Aguiar, 215, Bloco B, 20

    Andar, So Paulo, SP, CEP 05804-902. Tel. (14) 9601 0073, Fax (14)

    424 4304. E-mail: renato.arantes@aventis.com

  • 148

    1. Introduo

    Considerando-se todo o complexo de doenas causadas por

    fungos, bactrias, nematides e vrus que ocorrem na soja, pode-se dizer

    que existem cerca de 40 que j foram identificadas no Brasil. Esse um

    nmero bastante expressivo, e a cada ano surgem novas doenas que

    complementam esse nmero. Diversos fatores tm contribudo para isso,

    claro, como a prpria monocultura ou a sucesso soja/milho safrinha no

    cerrado, no se constituindo por si s uma rotao de cultura pela prpria

    definio do termo. Com isso, os restos culturais so uma forma de

    aumento de patgenos, alm do fato de que existem muitas reas

    irrigadas que tm plantio de soja no outono/inverno como forma de

    produo de sementes, fazendo com a cultura esteja presente durante

    todo o ano. Outro fator a ser considerado o prprio melhoramento

    gentico para obteno de novas variedades, que muitas vezes prioriza

    determinadas caractersticas vinculadas ao aumento de produtividade e

    descarta caractersticas intrnsecas da prpria planta vinculada a

    resistncia natural, no que isso no seja importante, pois claro existem

    hoje inmeras variedades hoje com excelente potencial produtivo, fruto

    da brilhante pesquisa nesse segmento, que at possibilitou o plantio da

    cultura em diversas regies e situaes do pas.

    Mais um fator, a maioria dos patgenos transmitida atravs das

    sementes e, portanto o uso de sementes sadias ou o tratamento das

    sementes torna-se vital para a no disseminao e a introduo da doena

    no ciclo produtivo. Com relao ao uso de sementes totalmente sadias,

    pode-se dizer que o uso entre os agricultores no totalmente

    generalizado, com muitos deles reproduzindo suas prprias sementes at

    os dias de hoje, desconsiderando aspectos essenciais de sanidade. Agora

  • com relao ao uso do tratamento de sementes, essa tecnologia acabou se

    disseminando com grande fora, sendo que a grande maioria dos

    agricultores a consideram importante, principalmente quando os

    benefcios so evidenciados aps um perodo de estiagem logo aps o

    plantio, mas o tratamento de sementes at uma dcada atrs no tinha

    toda essa fora.

    A seguir, constam os nomes comuns e aos agentes causais de

    doenas que ocorrem na soja ocasionadas por fungos, bactrias, vrus e

    nematides:

    2. Doenas Fngicas

    Crestamento foliar de Cercospora e Mancha

    prpura da semente Cercospora kikuchi

    Ferrugem Phakopsora meibomiae

    Mancha foliar de Alternaria Alternaria sp.

    Mancha foliar de Ascochyta Ascochyta sojae

    Mancha parda Septoria glycines

    Mancha olho-de-r Cercospora sojina

    Mancha foliar de Myrothhecium Myrothecium roridum

    Odio Microsphaera diffusa

    Mldio Peronospora manshurica

    Mancha foliar de Phyllosticta Phyllosticta sojicola

    Mancha alvo Corynespora cassiicola

    Mela ou requeima da soja Rhizoctonia solani

    Antracnose Colletotrichum dematium var.

    truncata

    Necrose da base do pecolo etiologia no identificada

  • 150

    Seca da haste e da vagem Phomopsis spp.

    Seca da vagem Fusarium spp.

    Mancha de levedura Nematospora corily

    Podrido branca da haste Sclerotinia sclerotiorum

    Podrido parda da haste Phialophora gregata

    Podrido da raiz e da haste Phytophthora megasperma f.

    sp. sojae

    Cancro da haste Phomopsis phaseoli f.sp.

    meridionalis

    Podrido de carvo Macrophomina phaseolina

    Podrido radicular de Cylindrocladium Cylindrocladium

    clavatum

    Tombamento e murcha de Sclerotium Sclerotium rolfsii

    Tombamento e morte em reboleira Rhizoctonia solani

    Podrido vermelha da raiz Fusarium solani f.sp.

    glycines

    Podrido radicular de Rosellinia Rosellinia sp.

    Podrido radicular de Corynespora Corynespora cassiicola

    3. Doenas Bacterianas

    Crestamento bacteriano Pseudomonas syringae pv.

    glycinea

    Pstula bacteriana Xanthomonas campestris pv.

    glycines

    Fogo selvagem Pseudomonas syringae pv.

    tabaci

  • 4. Doenas Causadas por Vrus

    Mosaico comum da soja Vrus do Mosaico Comum

    da Soja

    Queima do broto Vrus da necrose Branca do

    Fumo

    Mosaico amarelo do feijoeiro Vrus do Mosaico Amarelo

    do Feijoeiro

    Mosaico clico Vrus do Mosaico da Alfafa

    5. Doenas Causadas por Nematides

    Nematide de galhas Meloigogyne incognita

    Meloidogyne javanica

    Meloidogyne arenaria

    Nematide de cistos Heterodera glycines

    Analisando-se ento as doenas foliares, principal abordagem do

    assunto, estudos comprovam que, sob condies favorveis, as populares

    DFCs (Doenas de Final de Ciclo) chegam a reduzir o rendimento da

    soja em mais de 20%, o que vale a uma perda anual aproximada de seis

    milhes de toneladas (100 milhes de sacas), o que representa em

    valores, cerca de 1 bilho de dlares, considerando-se o preo mdio da

    saca de US$ 10,00. Esse, sem dvida, um aspecto que contribui para

    reduzir o rendimento mdio da soja a nvel nacional, Contudo, vlido

    considerar que com o advento do controle qumico nos ltimos anos e a

    sua enorme expanso, que ser abordado posteriormente, esse montante

    vem caindo a cada ano.

    Dentro das DFCs, existem trs doenas a serem consideradas

    como de grande importncia, como a mancha olho-de-r (Cercospora

  • 152

    sojina), a mancha parda (Septoria glycines) e o crestamento foliar ou

    mancha prpura (Cercospora kikuchi). O odio (Microsphaera diffusa)

    tambm tem sido considerado uma doena altamente expressiva, mas sua

    ocorrncia normalmente se d antes do final do ciclo da cultura.

    Mancha olho-de-r (C. sojina)

    Condies ideais: temperaturas mdias entre 24 e 28 C, durao do

    molhamento foliar ideal de uma hora e a precipitao pluvial no perodo

    de ocorrncia favorecem o estabelecimento do patgeno;

    Aspectos epidemiolgicos: transmitido pelas sementes contaminadas,

    o patgeno sobrevive em restos culturais, existem vrios hospedeiros

    para o patgeno, a doena do tipo policclica, isto , existem vrias

    infeces durante a mesma safra, os propgulos do patgeno so

    disseminados pelo vento a longas distncias e a distribuio na lavoura

    ocorre de forma generalizada;

    Formas de controle: uso de sementes livres da doena, rotao de

    culturas, uso de variedades resistentes, enterrio dos restos culturais e

    emprego do controle qumico atravs de fungicidas.

    Mancha parda (S. glycines)

    Condies ideais: temperaturas mdias entre 16 e 18 C, durao do

    molhamento foliar ideal de seis horas e a precipitao pluvial no perodo

    de ocorrncia favorecem o estabelecimento do patgeno;

    Aspectos epidemiolgicos: transmitido pelas sementes contaminadas,

    o patgeno sobrevive em restos culturais, a doena do tipo policclica,

    os propgulos do patgeno so disseminados pelo vento a longas

    distncias, os propgulos so disseminados pelos respingos da chuva e

  • pelo vento a longas distncias, e a distribuio na lavoura ocorre de

    forma generalizada;

    Formas de controle: uso de sementes livres da doena, rotao de

    culturas, uso de variedades resistentes (resistncia parcial, com

    necessidade de complemento com outras medidas de controle), enterrio

    dos restos culturais e emprego do controle qumico atravs de fungicidas.

    Crestamento foliar ou Mancha prpura (C. kikuchi)

    Condies ideais: temperaturas mdias entre 28 e 30 C, durao do

    molhamento foliar ideal de 24 a 48 horas e a precipitao pluvial no

    perodo de ocorrncia favorecem o estabelecimento do patgeno;

    Aspectos epidemiolgicos: transmitido pelas sementes contaminadas,

    o patgeno sobrevive em restos culturais, existem vrios hospedeiros

    para o patgeno, a doena do tipo policclica, isto , existem vrias

    infeces durante a mesma safra, os propgulos do patgeno so

    disseminados pelo vento a longas distncias e a distribuio na lavoura

    ocorre de forma generalizada;

    Formas de controle: uso de sementes livres da doena, rotao de

    culturas, uso de variedades resistentes (resistncia parcial, com

    necessidade de complemento com outras medidas de controle), enterrio

    dos restos culturais e emprego do controle qumico atravs de fungicidas.

    Crestamento foliar ou Mancha prpura (C. kikuchi)

    Condies ideais: temperaturas mdias de 18 C;

    Aspectos epidemiolgicos: existem vrios hospedeiros para o

    patgeno, a doena do tipo policclica, isto , existem vrias infeces

    durante a mesma safra, os propgulos do patgeno so disseminados pelo

  • 154

    vento a longas distncias e a distribuio na lavoura ocorre de forma

    generalizada;

    Formas de controle: uso de variedades e emprego do controle

    qumico atravs de fungicidas.

    Apesar de se considerar como importante para a reduo de diversas

    doenas o uso de sementes isentas do patgeno, a rotao de culturas, o

    enterrio de restos culturais e o uso de variedades resistentes, na prtica

    normalmente isso no ocorrem na ntegra, visto que como foi comentado

    anteriormente, o uso de sementes totalmente sadias nem sempre so

    utilizadas, fazendo com que haja a introduo da doena no s na

    lavoura implantada como nas proximidades, atravs da disseminao dos

    propgulos pelo vento.

    A rotao de culturas, apesar de ser plenamente aconselhada, nem

    sempre ocorre porque toda a estrutura produtiva do agricultor, assistncia

    tcnica e infra estrutura de recebimento, na maioria das vezes esto

    voltadas para poucas culturas, como existe atualmente no cerrado (soja,

    milho e algodo), inviabilizando a introduo de outras culturas que

    promoveriam a reduo dos patgenos. Dependendo da regio, o enterrio

    tambm no uma prtica a ser aconselhada com veemncia, pois estaria

    se destruindo todo um sistema positivamente implantado de enormes

    vantagens atualmente que o plantio direto.

    O uso de variedades resistentes sem dvida a melhor forma de

    controle das doenas, o entrave se d no fato de que a resistncia no

    completa para todas as doenas, e quando , muitas vezes a variedade

    no altamente produtiva ou no aconselhada na regio a ser implantada.

    Dessa forma, em funo desses aspectos, o uso do controle qumico com

    o emprego de fungicidas vem se generalizado, e a cada ano mais

  • agricultores se beneficiam dessa tecnologia. Instituies renomadas

    recomendam o emprego dessa tcnica, como a Embrapa Soja. Na Tabela

    1, constam os principais fungicidas recomendados para DFCs, extrados

    da XXII Reunio de Pesquisa de Soja da Regio Central de Brasil.

    Tabela 1. Fungicidas recomendados para doenas de final de ciclo. XXII Reunio de Pesquisa de Soja da Regio Central do Brasil. Cuiab, MT. 2000. Nome comum Nome

    comercial

    Dose

    i.a. (gr/ha) p.c. (gr

    ml/ha)

    1. Azoxystrobin +

    Adjuvante

    Priori + Nimbus 50 + 224 200 + 500

    2. Benomyl Benlate 250 500

    3. Carbendazin Derosal /

    Bendazol

    250 500

    4. Difenoconazole Score 50 200

    5. Tiofanato Metlico Cercobin 500

    SC

    300 a 400 600 a 800

    6. Tebuconazole Folicur /

    Constant

    150 750

    ingrediente ativo; produto comercial Na Tabela 2, constam os principais fungicidas recomendados para

    odio (M. diffusa), extrados da XXII Reunio de Pesquisa de Soja da

    Regio Central de Brasil.

    O carbendazin (Derosal) sem dvida um dos produtos pioneiros

    nesse segmento, com eficincia e custo/benefcio favorvel, comprovado

  • 156

    a cada safra por milhares de sojicultores. No caso das DFCs, para se

    maximizar o controle, a aplicao dos fungicidas deve ser feita entre os

    estdios de desenvolvimento R5.1 e R5.5 e se at esses estdios as

    condies climticas estiverem favorveis ocorrncia das doenas. J

    no caso do odio, o momento da aplicao depende do nvel de infeco e

    do estdio de desenvolvimento da soja, sendo que a aplicao deve ser

    feita quando o nvel de infeco atingir 40 a 50% da rea foliar. A

    aplicao deve ser repetida se, aps 10 a 15 dias da primeira aplicao,

    for observada evoluo da doena e desde que a soja no tenha atingido o

    estdio R6, quando no h mais necessidade de aplicaes para o

    controle dessa doena.

    Tabela 2. Fungicidas recomendados para o controle de odio (M. diffusa). XXII Reunio de Pesquisa de Soja da Regio Central do Brasil. Cuiab, MT. 2000.

    Nome comum NOME COMERCIAL

    Dose

    i.a. (gr/ha) p.c. (gr ml/ha)

    1. Benomyl Benlate 250 500

    2.

    Bromuconazole

    Condor 50 a 60 250 a 300

    3. Carbendazin Derosal /

    Bendazol

    250 500

    4.

    Difenoconazole

    Score 50 200

    5. Tiofanato

    Metlico

    Cercobin 500

    SC

    300 a 400 600 a 800

    6. Tebuconazole Folicur / 150 750

  • Constant

    7. Enxofre Kumulus 2000 2500

    ingrediente ativo; produto comercial

    Com a implantao e a difuso cada vez mais permanente dessa

    forma de controle nas diversas fronteiras agrcolas da soja, possvel

    minimizar os prejuzos dessas principais doenas foliares, fazendo com

    que a mdia de produtividade da cultura venha a aumentar, superando os

    atuais 2300 kg/ha, alm de se poder fazer uso de variedades altamente

    produtivas que no tenham uma resistncia completa a todas as doenas,

    e de se preservar um sistema de plantio reconhecido como extremamente

    valioso que o plantio direto, eliminando-se, portanto em muitos casos o

    enterrio.

    6. Bibliografia Consultada

    EMBRAPA. Centro nacional de Pesquisa de Soja (Londrina, PR).

    Recomendaes tcnicas para a cultura da soja na regio central

    do Brasil 1999/2000. Londrina, 1999. 226p (EMBRAPA-CNPSo).

    Documentos, 132).

    HENNING, A.A.; CAMPO, R.J.;SFREDO, G.J. Tratamento com fungicidas,

    aplicao de micronutrientes e inoculao de sementes de soja.

    Londrina: EMBRAPA-CNPSo, 1997. 6p. (EMBRAPA-CNPSo.

    Comunicado Tcnico, 58).

    HOMECHIN, M. Rotao de culturas e a incidncia de patgenos da

    soja. EMBRAPA-CNPSo, 1983. 6p. (EMBRAPA-CNPSo. Pesquisa

    em andamento, 6).

  • 158

    YORINORI, J.T.; HOMECHIN, M. Doenas de soja identificadas no Estado

    do Paran no perodo de 1971 a 1976. Fitopatol. Bras.,.2: 108, 1977.

    PLANTIO DIRETO DE CULTURAS DE SUCESSO SOBRE PALHADA DE

    CANA CRUA

    Pesquisador Cientfico Denizart Bolonhezi1 & Oswaldo Siroshi

    Tanimoto2

    1Engo.Agrnomo, Instituto Agronmico de Campinas, Ncleo de

    Agronomia da Alta Mogiana, Ribeiro Preto/SP, Cx. Postal 271. E-mail:

    denizart@highnet.com.br 2 Engo.Agrnomo, Consultor Tcnico da CATI Casa da Agricultura de

    Aramina/SP, tel: (16)-3752-1324

    1. Introduo

    O Brasil o segundo pas em rea cultivada com Sistema Plantio

    Direto (SPD), estimando-se cerca de 13,47 milhes de ha, que

    representam 25% da rea total utilizada para agricultura (DERPSCH,

    2000). Dentre as vantagens j comprovadas pela pesquisa e validadas

    pelos agricultores, a reduo no custo de produo e a maior

    disponibilidade de gua para as culturas tem sido apregoadas, mais

    recentemente, como as principais razes para adoo do sistema. Nos

    ltimos dois anos, a rea do Estado de So Paulo com SPD aumentou

    cerca de 670%, podendo-se estimar que na safra 2000/01,

    aproximadamente 600 mil ha foram cultivados neste sistema (TANIMOTO,

    2001). Contribuiu para este crescimento; o estmulo governamental

    atravs de crdito para compra de implementos (4% de juros ao ano), a

  • realizao de diversos eventos de divulgao e o surgimento de duas

    novas situaes de renovao de reas agrcolas, que so; produo de

    gros sobre canaviais colhidos mecanicamente sem despalha fogo

    (cana crua) e sobre pastagens degradadas.

    As empresas do setor sucro-alcooleiro paulistas, em funo de

    legislao (Decreto Estadual no 41.719/97 e no 42.056/97) vem tendo que

    reduzir gradativamente as queimadas de canaviais. Consequentemente

    tem ocorrido aumento do uso de mquinas colhedoras de cana crua,

    que deixam sobre a superfcie do solo, aps a colheita, cerca de 15 t.ha-1

    de matria seca, formando uma camada de palhada de 8 a 10 cm de

    espessura. Pode-se dizer, que somente na regio de Ribeiro Preto-SP,

    prximo de 50% das reas so colhidas sem queimadas. Considerando

    que anualmente so renovados 150 mil ha colhidos sem queimar,

    somente no Estado de So Paulo, o SPD da cultura de sucesso sobre

    palhada de cana-de-acar, surge como uma expressiva e inovadora

    iniciativa.

    Os pioneiros desta iniciativa so tcnicos e produtores da regio

    NE de So Paulo que vem h trs anos, atravs de observaes de campo

    conseguindo bons resultados, sobretudo com a soja. Concomitantemente,

    o Instituto Agronmico de Campinas (IAC), iniciou pesquisas que tem

    ajudado a elucidar algumas questes. Todavia, em virtude da

    complexidade deste novo ambiente agrcola, existem muitas dvidas a

    serem esclarecidas. Sendo assim, este texto tem como objetivos; fornecer

    um referencial terico, reunir resultados parciais e apresentar alguns

    aspectos que podem se constituir em demandas de pesquisa.

  • 160

    2. Caracterstica deste Sistema de Produo

    No sistema de produo da cana-de-acar em So Paulo, desde o

    final da dcada de 70, preconizado, por ocasio da renovao dos

    canaviais, o cultivo de culturas granferas com os objetivos de gerar

    receita e proporcionar os benefcios da rotao de culturas. Normalmente,

    so mais indicadas espcies leguminosas, procurando alm do

    fornecimento de nitrognio, melhorar as caractersticas fsicas e

    biolgicas do solo, reduzir a populao de patgenos, nematides e

    outras pragas. Embora predomine o cultivo de soja e amendoim, o uso de

    espcies de adubos verdes, principalmente de Crotalaria juncea e mucuna

    preta, prtica comum em algumas reas, podendo proporcionar

    aumentos na produo de 22 a 47%, o que representa um acrscimo de

    at 5 t .ha-1 de acar (MASCARENHAS & TANAKA, 2000). O sistema

    plantio direto vem agregar a estes objetivos, os benefcios de no

    movimentar o solo no perodo de maior pluviosidade, reduzindo os riscos

    com eroso.

    Neste sistema, todas as operaes de preparo do solo so

    substitudas pela destruio qumica da soqueira da cana-de-acar com

    herbicida sistmico (de 5 a 6 L.ha-1 de glifosate), que deve ser realizada

    quando as plantas estiverem em torno de 60 cm de altura. Os canaviais

    colhidos de junho at primeira quinzena de setembro favorecem o

    manejo qumico e possibilitam a semeadura da soja em tempo hbil,

    liberando as reas para plantio da cana de ano e meio. De maneira

    geral, as reas destinadas colheita mecanizada sem queimar, so

    sistematizadas, extensas e mais prximas das cidades, consistindo em

    vantagem para o arrendatrio. A presena da palhada, alm de conservar

    maior umidade por ocasio da semeadura, uniformizando a emergncia

  • das plntulas, contribui para economizar no uso de herbicidas ps-

    emergentes. A reduo no nmero de operaes economiza at 71% no

    consumo de diesel, 62% na mo-de-obra e aumenta a vida til dos

    tratores (trabalho sem poeira). Por outro lado, a adoo deste sistema

    exige investimento em semeadoras adequadas e maior conhecimento

    tcnico do produtor (TANIMOTO, 2001).

    3. Referencial Terico

    Com relao ao plantio direto da soja, grande parte do acervo de

    informaes encontrado na literatura pode ser adaptado para a condio

    de palhada de cana-de-acar, principalmente os conhecimentos sobre

    manejo de herbicidas. Todavia, frequentemente surgem dvidas sobre a

    aplicao de N na semeadura, mas foi constatado, em solos recebendo

    grande quantidade de resduos vegetais (at 26 t.ha-1 de matria seca com

    alta relao C/N), que no houve nenhuma resposta aplicao de at 30

    kg de N/ha. Outros trabalhos indicam que as taxas mximas de fixao

    biolgica de nitrognio ocorrem aps o florescimento, no justificando

    qualquer suplementao com fertilizante nitrogenado, que poderia inibir

    a atividade das bactrias simbiticas fixadoras de nitrognio (HUNGRIA &

    CAMPO, 2000). Estes autores alertam que os solventes utilizados em

    fungicidas podem ser txicos ao Bradyrhizobium, reduzindo

    drsticamente a sua populao e consequentemente os benefcios da

    fixao biolgica do nitrognio.

    BOLONHEZI et al.(2000), atravs de pesquisa realizada em

    Ribeiro Preto/SP, avaliaram dentre outras caractersticas a produo da

    cultivar de soja IAC-Foscarin 31 com diferentes doses de calcrio no

    sistema convencional e plantio direto sobre palhada de cana-de-acar.

  • 162

    Verificaram que no houve diferena significativa entre o convencional

    (2882 kg.ha-1) e o sistema plantio direto (2772 kg.ha-1), na mdia das

    doses de calcrio. Neste projeto iniciado em 1998, que est em

    andamento, aps a colheita da soja foi realizado o plantio de cana-de-

    acar nos dois sistemas.TASSO JNIOR (2000), em estudo comparativo

    do comportamento das culturas de amendoim, soja e milho, no sistema

    plantio direto sobre palhada de cana-de-acar, constatou um aumento

    significativo na produo de gros de soja e milho no sistema plant io

    direto. Para as cultivares de amendoim avaliadas, verificou reduo na

    produo de gros, embora a anlise dos custos de produo tenham

    indicado maior renda lquida. Nesta ltima safra, TANIMOTO (2001),

    avaliou 13 cultivares de soja atravs de parcelas demonstrativas, obtendo

    produes que variaram de 2.705 kg.ha-1 (cv BRS-133) at 3288 kg.ha-1

    (cv. Vencedora). Nesta avaliao, no houve diferena entre as

    produes de gros de algumas cultivares, quando semeadas em condio

    de palhada e de cana queimada. Vale mencionar, que o custo de produo

    por saco de soja, mdia de todas as cultivares, foi de R$15,39 no

    convencional e R$ 13,35 no sistema plantio direto.

    Convm salientar que para a cultura do amendoim, devido as

    peculiaridades morfo-fisiolgicas desta espcie, que desenvolve seus

    frutos na sub-superfcie do solo, trabalhos na literatura nacional que

    versem sobre a viabilidade de sua implantao no sistema plantio direto

    so quase inexistentes. Estudos de produo de amendoim em plantio

    direto ou em cultivo mnimo, comparativos ao preparo de solo

    convencional, tm sido feitos em outros pases, geralmente associados a

    plantios em sucesso a outras culturas anuais. Entretanto, essas prticas

  • so ainda pouco difundidas por causa da preocupao com as perdas

    quantitativas e qualitativas de produo.

    No Texas (EUA), o amendoim produzido sobre plantio direto

    apresentou perdas de produtividade da ordem de 33% (GRICHAR &

    BOSWELL, 1987). No Estado de Virginia (EUA), dois sistemas de cultivo

    mnimo foram estudados, tendo-se observado redues mdias de 19%

    na produtividade em relao ao tratamento convencional, e resultados

    inconsistentes com relao ao tamanho dos gros comerciais (WRIGHT &

    PORTER, 1991). Estudando formas de reduzir a eroso, WRIGHT (1991)

    avaliou sistema de semeadora com implemento que realiza preparo de

    solo em faixa na linha de semeadura, e verificaram ganhos em torno de

    10% em produtividade, em relao s prticas convencionais. SHOLAR et

    al. (1995) revisaram a literatura sobre produo de amendoim em plantio

    direto ou cultivo mnimo, e observaram resultados variados com relao

    aos efeitos dos sistemas conservacionistas sobre a populao final de

    plantas, produtividade e qualidade comercial dos gros. Em alguns

    ambientes, as produes foram iguais ou maiores do que no sistema

    convencional.

    A maioria dos trabalhos mencionada anteriormente atribui ao

    desempenho negativo do plantio direto do amendoim, presena de

    resduos da cultura anterior, que favorecem o desenvolvimento de

    doenas nas vagens, principalmente ocasionadas por Sclerotium rolfsii.

    Entretanto, um interessante estudo realizado por PORTER & WRIGHT

    (1991) no Estado de Virginia (EUA), concluiu que tanto a incidncia (%

    de infeco) quanto a severidade (% de queda de folhas) de Cercospora

    arachidicola (pinta preta ou manha castanha) foram

    significativamente diminudas no SPD. Estes autores explicam que a

  • 164

    palhada reduziu a disperso at as folhas, pelas gotas da chuva, das

    estruturas do fungo presentes no solo. Trabalhos conduzidos no Estado

    da Georgia (EUA), verificaram menor infestao por Thrips sp. e menor

    severidade de Rhizoctonia sp. no sistema cultivo mnimo. GRISCHAR &

    SMITH (1992), observaram em cinco cultivares diferentes, que em

    condio de menor umidade, a infeco por Sclerotium rolfsii foi menor

    no plantio direto.

    Considerando que a cultura do amendoim apresenta maiores

    dificuldades tcnicas para seu cultivo no SPD e cientes da falta de

    estudos realizados at o presente, BOLONHEZI et al. (2001), vm

    conduzindo em Ribeiro Preto/SP, experimentos comparando os sistemas

    convencional (arado de aiveca e grade), cultivo mnimo (subsolador) e

    plantio direto de duas cultivares de amendoim sobre palhada de cana-de-

    acar. Os dados parciais, demonstraram que a produo de gros foi

    30% maio no SPD em relao ao convencional, mesmo com reduo de

    16% na populao final de plantas. Pode-se inferir, que a grande

    quantidade de palhada de cana (cerca de 10 t.ha-1) nas parcelas do

    tratamento plantio direto, contribuiu para aumentar a disponibilidade de

    gua, atenuando a deficincia hdrica ocorrida no perodo e refletindo em

    um aumento de 9 % no rendimento de gros (Tabela 1). importante

    comentar que os resultados referentes ao ano agrcola 2000/01, ainda no

    tabulados, sinalizam reduo na produo de gros para a cultivar IAC-

    Tatu ST no SPD.

    Os mesmos tratamentos avaliados em condio de palhada de

    cana-de-acar, esto sendo testados sobre Brachiaria sp., buscando

    responder a realidade da regio oeste do Estado de So Paulo, na qual a

  • cultura do amendoim entra em sucesso com pastagem, predominando

    semeadura na poca da seca.

    4. Consideraes Finais

    O resultados experimentais gerados at o momento no so

    suficientes para formalizar uma recomendao oficial. Porm, as

    observaes de campo validam esta tecnologia que, no caso da soja

    apresentam produes nos mesmos patamares do sistema convencional e

    com a grande vantagem de reduzir custos, alm de preservar o solo.

    Dentre as demandas de pesquisa a serem sugeridas, convm serem

    destacados para o contexto da cultura da soja os seguintes temas: estudo

    de aplicao de micronutrientes (molibdnio e cobalto), inoculao com

    estirpes melhoradas de Bradyrhizobium versus aplicao de nitrognio na

    semeadura, avaliao de gentipos de soja ma is adaptados ao SPD na

    palhada, distribuio do sistema radicular, mquinas eficientes para solos

    argilosos e fungicidas para tratamento de sementes.

    Com relao a cultura do amendoim, ainda so importantes

    estudos comparativos entre os diferentes sistemas de cultivo, procurando

    quantificar e qualificar melhor os resultados obtidos no SPD. Vale

    destacar a necessidade de pesquisas sobre a viabilidade do arranquio

    mecnico das plantas no SPD, que parece ser dificultado pela soqueira

    da cana-de-acar. Convm salientar a necessidade de pesquisas sobre: a

    aplicao de doses de clcio (gesso e calcrio) em superfcie, o uso de

    inoculantes, doses de nitrognio na semeadura, comportamento de

    cultivares com portes diferentes (rasteiros e eretos), incidncia e

    severidade de manchas foliares e fungos de solo, alm do controle de

    pragas (cochonilhas de raiz e cupins). Devido maior umidade nas

  • 166

    vagens ocasionada pela palhada, podem aumentar os riscos de

    aparecimento de alfatoxina.

    A possibilidade de realizar o plantio direto mecanizado da cana-

    de-acar, aps a cultura de sucesso ou sobre cana (cana de ano),

    poder intensificar os problemas ocorridos com ataques de cigarrinhas

    (Mahanarva posticata e M. fimbriolata), que j vem ocasionando srios

    prejuzos em reas de colheita sem queima. Outras pragas como

    Migdolus spp. e cupins tambm podem ter seu controle dificultado.

    Existem relatos sobre a possibilidade de aumento de populaes de

    roedores e tatus em reas de cana crua, que necessitariam de novas

    investigaes.

    Tabela 1.Comportamento de duas cultivares de amendoim semeadas no sistema convencional, cultivo mnimo e plantio direto sobre palhada de cana-de-acar. Ribeiro Preto/SP, 2000.

    Sistema De Cultivo (SC)

    Amendoim em casca (kg.ha-1)

    Produo de gros (kg.ha-1)

    No de Vagens por planta

    Massa de 100 Gros (g)

    Massa das hastes (g/100 pl)

    Stand Final (pl/48 m2)

    Rendimento de gros(%)

    Convencional

    1746 A

    1054 B 8.5 A 59.1 A

    1338 A

    119 A 62.4 B

    Cultivo Mnimo

    1849 A

    1267 AB

    10.0 A

    57.8 A

    1011 B 102 B 68.5 A

    Plantio Direto

    1881 A

    1350 A

    9.2 A

    58.2 A

    910 B 103 B 71.4 A

    Teste F d.m.s (Tukey5%)

    0.53 ns 421

    5.55 * 282

    2.68 ns 1.6

    0.98 ns 2.9

    9.62 * 313

    12.2 ** 12

    11.28 ** 5.9

    Cultivares (C)

    IAC-Tatu ST

    1735 B 1168 A

    3.5 B 45.9 B

    591 B 78 B 66.6 A

  • IAC-Caiap

    1917 A

    1279 A

    14.8 A

    70.8 A

    1582 A

    138 A 68.3 A

    Teste F d.m.s (Tukey5%)

    9.62 * 132

    3.64 ns 132

    284.6 ** 1.5

    253.4 ** 3.5

    186 ** 165

    447.94 ** 7

    2.08 ns 2.6

    Interao SC x C

    Teste F C.V.(%) parcela C.V.(%) subparcela

    6.89 * 15.0 7.9

    3.10 ns 15.0 11.7

    1.09 ns 11.9 17.8

    2.22 ns 3.2 6.5

    5.23 * 18.8 16.4

    5.25 * 7.3 6.5

    0.50 ns 5.7 4.2

    Fonte: BOLONHEZI et al. (2001), dados enviado para o XXVIII Congresso

    Brasileiro de Cincia do Solo.

    . Bibliografia

    BOLONHEZI, D.; CANTARELLA , H.; PEREIRA, J.C.V.N.A. & LANDELL,

    M.G.A. Produo de soja com diferentes doses de calcrio no sistema

    convencional e plantio direto sobre palhada de cana-de-acar. In:

    Fertbio 2000, UFSM, 2000. (CD ROM).

    BOLONHEZI, D.; PEREIRA, J.C.V.N.A.: DE SORDI, G.; GODOY, I.J. &

    CANTARELLA, H. Comportamento de duas cultivares de amendoim

    nos sistemas, convencional, cultivo mnimo e plantio direto sobre

    palhada de cana-de-acar. In: Congresso Brasileiro de Cincia do

    Solo, EMBRAPA-CNPSO, 2001. (no prelo)

    DERPSCH, R. A Expanso Mundial do Plantio Direto. Revista Plantio

    Direto, 59: 32-40, 2000.

    GRICHAR, W.J. & BOSWELL, T.E. Comparison of no-tillage, minimum,

    and full tillage cultural practices on peanuts. Peanut Science, 14:

    101-103, 1987.

  • 168

    GRICHAR, W.J. & SMITH, O.D. Interaction of tillage and cultivars in

    peanut production systems. Peanut Science, 19: 95-98, 1992.

    MASCARENHAS, H.A.A. & TANAKA , R.T. Soja e adubos verdes, uma boa

    opo na renovao do canavial. O Agronmico, 52: 19, 2000.

    MINTON, N.A. CSINOS, A.S.;LYNCH, R.E. & BRENNEMAM, T.B. Effects

    of two cropping and two tillage systems and pesticides on peanut pest

    management. Peanut Science, 18: 41-46, 1991.

    HUNGRIA, M. & CAMPO, R.J. Interrelaes da microbiologia com a

    fertilidade do solo. In: Fertbio 2000, 2000. (CD ROM).

    PORTER, D.M. & WRIGHT, F.S. Early leafspot of peanuts: Effect of

    conservational tillage practices on disease development. Peanut

    Science, 18: 1991.

    SHOLAR, J.R.; MOZINGO, R.W. & BEASLEY Jr., J.P. Peanut Cultural

    Practices. In: Patee, H. E. & Stalker, H.T. eds. Advances in Peanut

    Science, American Peanut Research and Education Society,

    Stillwater, OK, 1995, p.354-382.

    TANIMOTO, O. Plantio direto de soja na palhada de cana-de-

    acar.(Comunicao Pessoal)

    TASSO JNIOR, L.C. Comportamento das culturas de amendoim,

    milho e soja implantadas no sistema de plantio direto na palha

    residual da colheita mecanizada da cana crua. UNESP,

    Jaboticabal,2000. 82 p.

    WRIGHT, F.S. & PORTER, D.M. Digging date and conservational tillage

    influence on peanut production. Peanut Science, 18: 72-75, 1991.

    WRIGHT, F.S. Alternative tillage practices for peanut production in

    Virginia. Peanut Science, 18: 9-11, 1991.

  • BARREIRAS FITOSSANITRIAS NA COMERCIALIZAO NO MERCOSUL

    Pesquisador Cientfico Adalton Raga

    Eng. Agrnomo, Laboratrio de Entomologia Econmica, Centro

    Experimental do Instituto Biolgico, Instituto Biolgico, Cx. Postal 70,

    CEP 13001-970, Campinas-SP, tel. (19) 3252-8342. E-mail:

    adalton@biologico.br

    Nas ltimas duas dcadas foram relevantes os esforos brasileiros

    para o incremento da cooperao econmica, buscando inserir o pas no

    mercado globalizado, regido por tratados e acordos de livre comrcio. O

    comrcio internacional e o turismo so setores de destaque no mundo

    moderno, apresentando um ritmo acelerado de crescimento e

    conseqentemente, elevando os riscos de introduo de organismos

    exticos.

    Pragas e patgenos movem-se para novas reas de foram direta ou

    indireta. A disperso pode ser auxiliada por fenmenos naturais.

    Contudo, o prprio homem um aliado de pragas exticas, movendo

    vegetais e produtos alimentcios infestados para novas reas com

    condies ambientais favorveis.

    Os sistemas quarentenrios visam proteger seus recursos, atravs

    da adoo de medidas legais baseadas em pesquisas relacionadas com a

    preveno, interdio, deteco, erradicao e manejo das pragas

    invasoras chaves. Para o pas importador, a avaliao de risco da

    introduo de pragas exticas sinaliza a responsabilidade pela proteo

    dos recursos ambientais, sociais e econmicos de sua comunidade. Ao

    lado da definio dos agentes mais nocivos est a eleio das

  • 170

    mercadorias denominadas crticas, consideradas de extremo risco. As

    frutas e outros vegetais frescos so vegetais considerados de alto risco no

    comrcio internacional porque podem conter pragas e doenas exticas.

    A Rodada do Uruguai (GATT) incluiu um acordo, estabelecendo

    que todas as polticas e regras fitossanitrias devem ter base cientfica e

    avaliao de riscos transparente, estabelecidas sob a forma de

    quarentenas e outras medidas que protejam os pases importadores do

    risco da introduo de pragas e doenas.

    Em 1989 iniciaram-se as atividades do Comit de Sanidade

    Vegetal do Cone Sul (COSAVE), uma organizao regional de proteo

    fitossanitria, integrada pela Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e

    Uruguai. As normas e os procedimentos fitossanitrios no mbito do

    Mercosul (standards verticiais) foram adotados de forma harmoniosa

    com o COSAVE (standards horizontais), permitindo um ganho de

    qualidade na comercializao regional de produtos agrcolas. Um

    exemplo disso o formato do Certificado Fitossanitrio nico para o

    Mercosul, aprovado em julho/1992 (Resoluo n44/92).

    A Portaria n 180 do Ministrio da Agricultura do Brasil, de

    21/03/1996 (DOU 25/03/96 supl.), tornou oficial a adoo de padres

    normativos fitossanitrios do COSAVE e emitiu a lista de pragas

    quarentenrias da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Relativos

    ao Brasil, nela constam 221 pragas de importncia quarentenria,

    acrescidas de outras listadas na Instruo Normativa SDA n 38, de

    14/10/1999 (DOU 26/10/99, S.1). As definies descritas abaixo so

    necessrias para um melhor entendimento das pragas listadas nas citadas

    publicaes.

  • Praga: qualquer espcie, raa ou bitipo de vegetais, animais ou

    agentes patognicos, nocivos para os vegetais ou produtos vegetais.

    Praga Quarentenria: uma praga de importncia econmica

    potencial para a rea posta em perigo e onde ainda no est presente, ou

    se est, no se encontra amplamente distribuda e oficialmente

    controlada.

    Praga Quarentenria A1: uma praga de importncia econmica

    potencial para a rea posta em perigo pela mesma e ainda no se encontra

    presente.

    Praga Quarentenria A2: uma praga de importncia econmica

    potencial para a rea posta em perigo pela mesma e onde ainda no se

    encontra amplamente distribuda e oficialmente controlada.

    Praga Quarentenria A2 Regional: aquela que apresenta

    distribuio localizada e est submetida a controle oficial por um ou mais

    pases da regio.

    Praga No Quarentenria Regulamentada: uma praga no

    quarentenria cuja presena em plantas, ou parte destas, para plantio,

    influi no seu uso proposto com impactos econmicos inaceitveis.

    O Acordo de Alcance Parcial para Facilitao do Comrcio n 5

    no mbito do Mercosul (Acordo de Recife), promulgado pelo Decreto

    1280, de 14/10/1994 e seus protocolos adicionais visam padronizar e

    integrar os controles aduaneiros, migratrios, fitossanitrios,

    zoossanitrios, e de transporte, facilitando o intercmbio regional de

    mercadorias. Neste aspecto, a estrutura de ao fitossanitria segue como

    medida estratgica para no fragilizar a atuao dos mercados, nos seus

    diversos nveis. O Brasil segue em passos rpidos para dinamizar o

  • 172

    comrcio regional e facilitar a internacionalizao dos mercados

    agropecurios, disponibilizando os registros fitossanitrios, como por

    exemplo, atravs do Sistema Nacional de Informao Fitossanitria. Este

    sistema, atualmente em implantao no Ministrio da Agricultura, vai

    permitir o desenho e a adoo de Programas Fitossanitrios mais efetivos

    e vai fornecer maior transparncia s certificaes.

    CERTIFICADO FITOSSANITRIO DE ORIGEM

    Eng. Agrnomo. Jos Alberto Monteiro

    Escritrio de Defesa Agropecuria/ Sec. Agricultura e Abastecimento do

    Est. So Paulo

    Av. Jernimo Gonalves, 64- Ribeiro Preto. E-mail: eda-

    ribeiro@cda.sp.gov.br

    A Secretaria de Defesa Agropecuria do Ministrio da

    Agricultura e do Abastecimento, atravs da Instruo Normativa n 6, de

    13 de maro de 2000, resolve:

    Criar o Certificado Fitossanitrio de Origem Consolidado

    CFOC- e alterar o Certificado Fitossanitrio de Origem- CFO

    1- passando a existir um modelo nico para todos os estados.

    2- os certificados devero ter a identificao do rgo controlador .

    Os certificados so emitidos para atestar a qualidade fitossanitria

    na origem e so necessrios para o transito de vegetais que possam ser

    veculos de pragas:

    quarentenrias e

  • no quarentenrias regulamentadas.

    e tambm para atender:

    as exigncias especificas do estado,

    as exigncias especificas de outros estados e

    exigncias para exportao.

    Os certificados, CFO e CFOC, subsidiaro a emisso da Permisso de

    Transito e tambm o Certificado de Sanidade de Origem Vegetal para

    Exportao, utilizados no transito:

    intraestadual ,

    interestadual e

    internacional.

    Os certificados tero origem:

    na propriedade rural , (CFO)

    na unidade centralizadora e (CFOC)

    na unidade processadora. (CFOC)

    Os lotes para emisso dos certificados sero formados:

    por produtos recebidos e acompanhados de CFO ou de Permisso de

    Trnsito ,

    por produtos da mesma espcie e

    preferencialmente com caractersticas fitossanitrias semelhantes e

    mesma origem.

    Os certificados sero emitidos por Engenheiros Agrnomos ou

    Florestais nas suas respectivas reas, com registro ou visto junto ao

  • 174

    CREA/SP, aps treinamento especifico por cultura e praga, organizado

    pela Coordenadoria de Defesa Agropecuria.

    Para extenso do credenciamento para novas pragas, o

    credenciado no precisar passar por curso completo.

    Os responsveis pelas propriedades rurais e unidades

    centralizadoras ou processadoras de produtos vegetais, devero manter

    obrigatoriamente no local, livro prprio de acompanhamento, com

    paginas numeradas, para registro de informaes pelo profissional

    credenciado.

    O livro mantido no local dever conter:

    histrico da cultura,

    datas das inspees,

    principais ocorrncias fitossanitrias,

    medidas de preveno e controle adotadas e

    outros dados julgados necessrios, tais como climticos, de solo, etc.

    Quanto a validade dos certificados:

    CFO - para cultura perene, at 30 dias

    - para cultura anual, ate 15 dias.

    CFOC - at 15 dias.

    S ter validade o certificado original e sem rasuras.

    Quanto as faltas:

    1- no rechao de produto:

    - avisar o rgo responsvel pela emisso da permisso de transito.

    2- faltas relacionadas com a emisso dos certificados (CFO e CFOC):

  • - sero formalmente apuradas pela Coordenadoria de Defesa

    Agropecuaria.

    3- falta de livro de acompanhamento de campo:

    - advertncia por escrito e

    - na reincidncia , descredenciamenmto

    USO CORRETO E SEGURO DOS PRODUTOS FITOSSANITRIOS

    Eng. Agrnomo Maral Zuppi da Conceio

    Gerente de Educao e Treinamento da Associao Nacional de Defesa

    Vegetal ANDEF - Rua Capito Antnio Rosa 376 13 andar- CEP

    01443-010-So Paulo. E.mail: mzuppi@andef.com.br

    A evoluo e segurana no manuseio e uso de produtos

    fitossanitrios tm sido notrias. Produtos especficos e seletivos para

    atender o manejo integrado de pragas, de baixa toxicidade ao aplicador e

    de baixo impacto ambiental aliados grande eficincia agronmica, tm

    sido a tnica na rea de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos

    fitossanitrios.

    Tpicos Principais Sugeridos (resumo)

    Desde o alvorecer da agricultura, a produtividade das plantas

    cultivadas tem sido reduzida por pragas, doenas e pela competio com

    plantas daninhas e, desde ento, os agricultores vm buscando meios de

    limitar perdas e obter culturas mais sadias e produtos com melhor

    qualidade para comercializao.

  • 176

    De um modo geral, quanto mais intensivo for o sistema de

    produo, maiores sero os riscos de perdas, pela ao de diversos

    organismos competidores.

    Pesquisas tm sido feitas em todo Pas, visando desenvolver

    tcnicas que controlem a instalao e propagao das pragas. Alm do

    Manejo Integrado de Pragas, estudos tem sido dirigidos para o Manejo

    Integrado de Culturas, que, alm do MIP, prope a integrao de vrias

    tcnicas agronmicas, tendo como um dos objetivos o uso racional dos

    defensivos agrcolas. Contudo, ao que tudo indica, haver demanda por

    produtos fitossanitrios por muitos anos, mesmo se procurando tratar os

    sistemas agrcolas como ecolgicos, pois estes so por natureza,

    altamente instveis. O Agro-Ecossistema relativamente frgil,

    constitudo de muitos indivduos, porm de poucas espcies. Essa

    caracterstica o faz tnue, suscetvel ao desequilbrio, mas indispensvel

    para alimentar uma populao mundial de 6,2 bilhes de pessoas

    atualmente no mundo.

    A Lei 7.802 (Lei dos Agrotxicos) de 1989, e seu decreto

    regulamentador, nmero 98.816 / 90, tornaram extremamente

    rgidos no Brasil os controles dos produtos fitossanitrios, desde a

    sua pesquisa, registro e produo, at a aplicao no campo. Nesta

    etapa, particularmente, as especificidades tcnicas de manuseio e

    utilizao, exigem a presena de assistncia agronmica tanto mais

    assdua quanto menor o nvel de qualificao da mo de obra rural.

    No Brasil, o engenheiro agrnomo configura o elo entre esse anseio e

    a realidade do campo.

    A Associao Nacional de Defesa Vegetal ANDEF - vem

    decididamente trabalhando para que o uso inadequado e os erros

  • ocorridos na histria dos defensivos no mais se repitam. O profissional

    de agronomia tem sido o principal alvo nos programas de educao e

    treinamento de nossa associao. Os nossos objetivos quanto ao uso

    correto e seguro de tm sido:

    segurana do aplicador

    preservao do meio ambiente

    produo de alimentos saudveis

    Segundo informaes do SINDAG (Sindicato Nacional da

    Indstria de Defensivos Agrcolas), em 1999 as vendas de produtos

    fitossanitrios foram de 2.235.173 (US$ 1000). O mercado brasileiro

    bastante competitivo, colocando ao alcance do nosso agricultor grande

    gama de produtos. Em junho/1999 tnhamos 256 ingredientes ativos

    registrados (em 1992 haviam 194) e 556 marcas comerciais. Quanto

    classificao toxicolgica (que uma classificao de risco para quem

    manipula) estavam assim distribudos (junho de 1999):

    Classe I (vermelho) 98 Classe II (amarelo)

    165

    Classe III (azul) 163 Classe IV (verde) 130

    Quanto aos aspectos toxicolgicos, vale salientar que os

    inseticidas, de um modo geral, sempre representam a classe de produtos

    com maior toxicidade. Tambm aqui se verifica o grande avano que

    vem sendo obtido atravs da pesquisa, na busca de ingredientes ativos

    com menor toxicidade.

    Quando se trata da questo do uso seguro para o aplicador,

    necessrio estabelecer quais so as principais causas de acidentes

    com os produtos, e como preveni-las. preciso analisar:

    Causas Distantes

  • 178

    Causas Imediatas

    Risco / Toxicidade /Exposio

    Exposio dos Aplicadores

    Condies Inseguras

    Atos Inseguros

    Teoria do Domin (causas / efeitos)

    Princpios de Segurana

    Treinamentos

    Causas Distantes: esto relacionadas com antecedentes das

    pessoas. Exemplos: maus hbitos/ m educao/ falta de instruo. So

    falhas de comportamento de difcil correo.

    Causas Imediatas: so resultados da falta de treinamento, para

    desempenho de uma atividade expondo as pessoas a riscos.

    Risco: a probabilidade de um produto fitossanitrio causar

    efeitos adversos sade do aplicador. Depende da interao entre

    toxicidade e exposio. Risco = Toxicidade X Exposio.

    Na aplicao de produtos fitossanitrios alguns fatores

    minimizam os riscos:

    Aquisio (Receiturio Agronmico)

    Tecnologia de Aplicao

    Equipamentos de Proteo Individual

    Tcnicas de Manuseio e Utilizao

    Cada um desses fatores deve ser analisado. Condies inseguras e

    atos inseguros tm que ser evitados.

    Recentemente, a Lei Federal 9974, de 06.06.2000, regulamentada

    pelos Dec. Fed. 3550, de 27.07.2000 e 3694, de 21.12.2000, instituiu

    novas obrigaes indstria, s revendas e aos produtores rurais relativas

  • destinao final das embalagens de defensivos agrcolas. s revendas

    cabe disponibilizar e administrar unidades de recebimento de embalagens

    de defensivos agrcolas, emitindo recibos de devoluo, aos produtores

    fazer a trplice lavagem dessas embalagens e devolv- las s unidades de

    recebimento e indstria de recolher e dar o destino final s mesmas:

    reciclagem ou incinerao em fornos especiais. A ANDEF Associao

    Nacional de Defesa Vegetal e suas associadas, preocupadas com a

    preservao do meio ambiente, j vinham estudando solues e

    implantando centrais de recebimento de embalagens atravs de um

    programa implantado com diversos parceiros desde 1993.

    Esta legislao reflete a preocupao da sociedade em preservar o

    meio ambiente, contudo, se no houver educao e treinamento do

    homem do campo, os mesmos continuaro a queimar, enterrar ou jogar

    nos cursos dgua as embalagens vazias.

    A sociedade de nosso pas, atravs da Lei 7.802, confiou ao

    profissional de agronomia grande misso: o uso correto e seguro dos

    produtos fitossanitrios !

    Temos certeza de que o desenvolvimento da percepo do risco,

    aliado a um conjunto de informaes e regras bsicas de segurana,

    atravs de programas de educao e treinamentos de fundamental

    importncia para eliminar as causas dos acidentes no campo e a garantia

    da preservao da sade e do bem estar dos trabalhadores com produtos

    fitossanitrios.

    PRAGAS QUARENTENRIAS

    PERIOTO, N. W.Eng. Agrnomo, Laboratrio de Sanidade Animal e

    Vegetal de Ribeiro Preto, Instituto Biolgico. Rua Peru, 1472 -A, CEP

    14075-310, Ribeiro Preto SP. E. mail: nperioto@biologico.br

  • 180

    A palavra quarentena tem sua origem no latim quadraginata e no

    italiano quaranta, que significa quarenta. No idioma italiano, a palavra

    quarantina foi originalmente aplicada ao perodo de 40 dias de

    isolamento que um navio, com seus passageiros e sua carga, era forado

    a ficar ancorado no porto de chegada, quando proveniente de um local de

    ocorrncia de doenas epidmicas. Naquele perodo seriam detectados

    possveis sintomas de doenas nos passageiros, antes de seu

    desembarque.

    O aumento do fluxo internacional de mercadorias verificado com

    o estabelecimento, a partir de meados da dcada de 1980, do capitalismo

    pan-mundial, popularmente conhecido como o fenmeno da globalizao

    econmica, assim como o aumento no nmero de passageiros em viagens

    internacionais tornou o servio de interceptao de pragas uma tarefa

    extremamente difcil, principalmente se levarmos em conta que estas

    pragas muitas vezes so desconhecidas e invisveis a olho nu.

    Todos os pases aplicam medidas para evitar a propagao de

    pragas vegetais que, por sua prpria natureza, podem dar lugar a

    restries do comrcio e todos os governos reconhecem que necessria

    e conveniente a aplicao de algumas restries ao comrcio a fim de

    garantir a inocuidade dos alimentos e a proteo sanitria dos animais e

    vegetais. No entanto, o que se tem visto com certa freqncia, a

    utilizao de pretensas medidas de carter sanitrio com o objetivo de

    restringir o livre comrcio de mercadorias, como o recente acontecimento

    das restries impostas ao Brasil na crise da vaca-louca. provvel

    que a utilizao de tais artifcios se intensifiquem com a crescente

    diminuio de obstculos ao comrcio internacional. Uma restrio

  • sanitria ou fitossanitria que no esteja realmente justificada por

    motivos pertinentes, pode ser um instrumento protecionista muito eficaz

    e, devido a sua complexidade tcnica, um obstculo especialmente

    enganoso e difcil de impugnar.

    O Brasil signatrio do Acordo Sobre a Aplicao de Medidas

    Sanitrias e Fitossanitrias, baseado nas precedentes normas do GATT,

    que tem por objetivo restringir a utilizao injustificada de medidas

    sanitrias e fitossanitrias com fins de proteo comercial. O objetivo

    deste acordo reafirmar o direito soberano de todo governo a garantir o

    nvel de proteo sanitria que estime apropriado e evitar, ao mesmo

    tempo, que o mau uso desse direito se traduza sob a forma de imposio

    de obstculos desnecessrios ao comrcio internacional. Este acordo

    garante que as medidas destinadas a garantir a inocuidade dos alimentos

    e o controle sanitrio de animais e vegetais devem basear-se, na maior

    medida possvel, na anlise e na avaliao de dados cientficos objetivos

    e estimula os governos a estabelecer medidas sanitrias e fitossanitrias

    nacionais que estejam em consonncia com as normas, diretrizes e

    recomendaes internacionais, quando estas existam. As normas

    internacionais, de forma geral, so mais estritas que as prescries

    nacionais aplicadas em muitos pases, inclusive em pases desenvolvidos.

    No entanto, o acordo reconhece expressamente o direito dos governos de

    no utilizar tais normas. Para que um pas utilize-se de prescries mais

    severas que a norma internacional necessria uma justificativa

    cientfica que demonstre, que nesse caso, a norma internacional no

    oferece um nvel de proteo sanitria que o pas considera apropriado.

    No Brasil, a inspeo fitossanitria realizada por inspetores do

    Departamento de Defesa e Inspeo Vegetal, da Secretaria de Defesa

  • 182

    Agropecuria do Ministrio da Agricultura e do Abastecimento, que

    verificam matrias de origem vegetal e a bagagem de passageiros que

    entram no pas atravs de portos, aeroportos e outros pontos de entrada,

    com o objetivo de interceptar organismos nocivos agricultura nacional.

    O trabalho destes inspetores baseia-se em listas de pragas de importncia

    econmica, formuladas para cada pas ou para grupos de pases

    geograficamente prximos.

    As espcies vegetais so classificadas em duas categorias: as de

    livre importao e as de importao restrita. Os materiais vegetais de

    livre importao necessitam apenas do Certificado Fitossanitrio para seu

    intercmbio; j os de importao restrita necessitam de declaraes

    adicionais ao Certificado Fitossanitrio. Tais procedimentos buscam

    garantir o comrcio de vegetais, de suas partes ou de seus produtos

    dentro dos padres fitossanitrios nacionais, alm de subsidiar a emisso

    da Permisso de Trnsito emitida pelos rgos responsveis pela Defesa

    Sanitria Vegetal nos estados.

    Com o advento do MERCOSUL, o Brasil passou a integrar o

    Comit de Sanidade Vegetal do Cone Sul (COSAVE). Este comit uma

    Organizao Regional de Proteo Fitossanitria integrada pela

    Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai que iniciou suas atividades

    em 1989 como resultado de um convnio entre os governos dos pases

    membros. O COSAVE, desde sua criao, desenvolve normas e

    procedimentos padres regionais com o objetivo de harmonizar o

    comrcio de produtos agrcolas entre os pases membros.

    Dentre os grupos de trabalho COSAVE, o Grupo de Quarentena

    Vegetal, composto por dois delegados de cada pas participante, que

    realizam duas a trs reunies por ano, um dos mais antigos e

  • importantes. Uma de suas principais funes a de manter atualizada as

    listas A1 e A2 (vide classificao abaixo) de pragas quarentenrias para

    os pases da regio, com base nas informaes sobre as pragas presentes

    e nas anlises de risco pertinentes. Este grupo tambm responsvel pelo

    desenvolvimento de propostas para o controle quarentenrio e para o

    manejo de risco de pragas.

    Por definio, PRAGA qualquer espcie, raa ou bitipo de

    vegetal, animal ou outro agente patognico, nocivo aos vegetais ou seus

    subprodutos.

    So consideradas PRAGAS QUARENTENRIAS aquelas de

    importncia econmica potencial para a rea posta em perigo, onde ainda

    no est presente ou se est, no se encontra amplamente distribuda e

    oficialmente controlada. As pragas quarentenrias so subdivididas em

    PRAGA QUARENTENRIA A1 onde se classificam aquelas de

    importncia econmica potencial para a rea posta em perigo pela

    mesma, onde ainda no se encontra presente e PRAGA

    QUARENTENRIA A2 - onde se classificam aquelas de importncia

    econmica potencial para a rea posta em perigo pela mesma, onde ainda

    no se encontra amplamente disseminada e est sendo oficialmente

    controlada.

    As espcies includas nas listas A1 e A2 so revisadas

    periodicamente, incluindo-se e/ou retirando-se aquelas que, de acordo

    com relatos da literatura, devam ser adicionadas ou suprimidas.

    O valor da quarentena vegetal pode ser avaliado pelas das

    conseqncias desastrosas resultantes da introduo de pragas exticas

    em reas produtoras. Tais conseqncias, como danos e perdas de

    cultivos; a perda de mercados de exportao, pela presena de pragas de

  • 184

    importncia quarentenria no pas; o aumento dos gastos com controle de

    pragas, com impacto sobre os programas de manejo integrado de pragas

    j estabelecidos ou em desenvolvimento e os danos ao meio ambiente,

    pela freqente necessidade de aplicao de defensivos para o controle da

    espcie introduzida. Os danos causados pela introduo de pragas

    exticas tendem a se expressar tambm de forma social como o

    desemprego, devido eliminao ou diminuio de um determinado

    cultivo em uma regio, ou fome, pela reduo de importantes fontes de

    alimentos para a populao.

    O Ministrio da Agricultura e do Abastecimento concluiu

    recentemente um levantamento mostrando que cerca de 38 pragas no-

    existentes no Brasil podem entrar no pas a qualquer momento caso

    nenhuma medida de preveno seja adotada. Parte destas espcies j se

    encontra estabelecida em pases limtrofes com o Brasil como o Peru, a

    Venezuela, a Bolvia e a Guiana Inglesa.

    Hoje, as trs pragas com maior potencial de risco de introduo

    no pas so a cochonilha rosada Maconellicoccus hirsutus (Green)

    (Homoptera: Pseudococcidae), que ataca os citrus, a goiaba, a soja, as

    hortalias e o caf dentre mais de duas centenas de gneros de plantas

    distribudas por, pelo menos 74 famlias; o amarelecimento- letal-das-

    palmeiras (Phytoplasma palmae), que ataca o coco e outras palmceas e

    o caruncho da semente da mangueira Sternochetus mangiferaI (F.)

    (Coleoptera: Curculionidae), que ataca os frutos da mangueira.

    Fica o alerta, a tcnicos e agricultores, de que a introduo de

    uma praga extica pode causar danos econmicos e sociais dificilmente

    aquilatveis a priori. Um exemplo relativamente recente foi a introduo

    da mosca-branca, Bemisia tabaci raa B (=Bemisia argentifolii)

  • (Hemiptera: Aleyrodidae) que chegou ao pas no incio dos anos 1990.

    Hoje, esta praga est presente em 17 estados, atacando um grande

    nmero culturas de importncia econmica. Os prejuzos advindos de sua

    introduo j ultrapassam os R$ 500 milhes, no estando nesta cifra

    quantificados aqueles decorrentes do impacto ambiental causado pelo

    excessivo uso de agrotxicos na tentativa de seu controle, assim como os

    custos sociais os relacionados ao impacto deste uso excessivo de

    agrotxicos na sade tanto dos trabalhadores rurais como dos

    consumidores dos produtos contaminado. Tais custos so dificilmente

    quantificveis.

    queles que acreditam que no h problema algum em trazer na

    bagagem aquelas sementinhas de uma linda planta que conheceu em sua

    viagem ao exterior e queles que crem ser um absurdo a proibio de

    importao de semente de soja transgnica da Argentina e as importam

    ilegalmente, fica o alerta de que o Cdigo Penal Brasileiro prev pena de

    recluso de dois a trs anos para o responsvel pela introduo de pragas

    no pas.

    TECNOLOGIA DE APLICAO DE DEFENSIVOS AGRCOLAS

    EQUIPAMENTOS TERRESTRES PARA PULVERIZAO - ASPECTOS

    CRTICOS NA APLICAO DE DEFENSIVOS AGRCOLAS.

    Pesquisador Cientfico Jos Maria Fernandes dos Santos

    Eng. Agrnomo, Centro de Sanidade Vegetal, Instituto Biolgico, Av.

    Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Cx. Postal 12898, CEP 04010-970,

    So Paulo, SP. Tel. (11) 5087 1779, Fax: 5579 0824. E-mail:

    santosjmf@biologico.br

  • 186

    1. Introduo:

    A evoluo qumica das formulaes e seus ingredientes ativos,

    maior ocorrncia ou incidncia de novos representantes de cada um dos

    problemas que ocorrem nas lavouras (plantas invasoras, insetos, caros e

    fungos), preocupao e policiamento em relao contaminao do meio

    ambiente, a baixa ou nenhuma eficincia freqente dos equipamentos de

    pulverizao e culturas em grande extenso de reas, obrigaram a

    pesquisadores e usurios a observaes e estudos sobre o assunto e

    tambm, a conseguirem maior eficincia e baixo custo nas atividades

    onde o uso de defensivos agrcolas eram utilizadas. Criou-se a

    Tecnologia de Aplicao de agroqumicos (inseticidas, herbicidas,

    fungicidas, fertilizantes, maturadores, fitorreguladores e dessecantes) na

    forma lquida, p (slvel ou no) ou granulados, tem por definio:

    Cincia multidisciplinar com caractersticas tcnico-cientficas,

    destinada s pesquisas de equipamentos, processos e obteno de

    resultados mais eficientes e econmicos no desenvolvimento e aplicao

    dos agroqumicos slidos ou lquidos, com a finalidade de minimizar ao

    mximo os riscos de contaminao humana e do meio ambiente.

    Sob o aspecto agronmico tcnico e prtico de sua utilizao

    devemos primeiramente esclarecer a diferena entre os termos

    pulverizao e aplicao comumente empregados como sinnimos, mas

    que dentro desta cincia na prtica, apresentam grandes e significativas

    diferenas de resultados:

  • Pulverizao: processo fsico-mecnico de transformao de uma

    substncia slida ou lquida em partculas ou gotas o mais uniformes e

    homogneas possveis;

    Aplicao: deposio em quantidade e qualidade do ingrediente ativo

    definido, representada pelo dimetro e densidade (nmero) de gotas

    sobre o alvo desejado.

    Estes esclarecimentos tm sua razo em vista de que,

    levantamentos prticos efetuados em diferentes locais e cultivos, as

    melhores pulverizaes encontradas apresentaram os seguintes ndices:

    Em cultivos baixos (soja, algodo, feijo, milho e arroz como

    exemplos), daquilo que era pulverizado, o mximo que chegava a atingir

    o alvo desejado no ultrapassava de 50 %, enquanto que em cultivos de

    arbustos e rvores (laranja, ma e pra como exemplos) os valores

    encontrados raramente alcanavam 20 %.

    Isto se explica pelo fato de que nas lavouras brasileiras, mais de

    90 % do uso de defensivos agrcolas est sendo pulverizado e no

    aplicado corretamente, principalmente com os equipamentos terrestres.

    Esta nova cincia, estudando todos os problemas e possveis

    solues, se deparou com as dificuldades no controle da deriva das

    partculas slidas, que compem as formulaes ps, devidas as grandes

    e freqentes variaes das condies climticas (umidade relativa do ar,

    velocidade e direo dos ventos e temperatura) que ocorrem durante todo

    o ciclo das culturas, direcionando cada vez mais todas as suas pesquisas,

    para as aplicaes com lquidos.

    Esta evoluo, com o uso cada vez mais freqente e de maior

    eficincia no controle dos problemas agrcolas quando comparada com o

    que existia, exigiu das indstrias de pulverizadores e das formulaes,

  • 188

    mais e mais desenvolvimentos para cada um de seus produtos, maior

    eficincia e baixo custo, maiores cuidados e manuteno dos

    equipamentos e conhecimentos tcnicos mais especficos e adequados

    por parte dos tcnicos que forneciam assistncia tcnica e pesquisa e,

    tambm do prprio usurio.Trataremos neste captulo apenas a tecnologia

    de uso correto dos equipamentos, enfatizando suas limitaes e aspectos

    operacionais.

    2. Aspectos Operacionais:

    Os resultados ou efeitos tecnicos e econmicos adequados da

    aplicao dos defensivos agrcolas esto apoiados basicamente pelos

    seguintes parmetros:

    bicos de pulverizao;

    volume de aplicao;

    faixa de deposio das gotas de pulverizao;

    condies climticas operacionais.

    3. Bicos de Pulverizao:

    Qualquer que seja o tipo de formulao ou do equipamento de

    aplicao empregado, o resultado final ser consequncia do conjunto

    das unidades resultantes do processo, que so as gotas de pulverizao.

    As gotas podero ser geradas por processos fsicos como presso

    hidrulica sbre o lquido, termonebulizao (a frio ou quente), bicos

    rotativos , presso de correntes de vento, ou eletrostticos.

    Um bico de pulverizao em qualquer dos processos acima

    citados, ser tecnicamente correto e economicamente vivel, ao

    apresentar as seguintes caractersticas:

  • gerar gotas homogneas;

    distribuir estas gotas uniformemente, e

    deposit- las corretamente.

    As premissas acima citadas, constituem-se nas caractersticas

    essenciais e desejadas nos bicos de pulverizao, qua lquer que seja o tipo

    do mesmo e do equipamento de pulverizao utilizado.

    O dimetro da gota ser consequncia do tipo de orifcio do bico,

    presso de trabalho e volume de pulverizao, determinantes principais

    do modo como o alvo final ser atingido e favorecendo ou no a

    deposio em quantidade (densidade) suficiente para o controle e sucesso

    do produto aplicado.

    Uma variedade imensa de bicos encontrada no comrcio.

    Entretanto, imprescindvel se conhecer o modo de ao do produto,

    localizao do alvo, caractersticas do equipamento de pulverizao e

    condies climticas, no local de aplicao, para que seja escolhido o

    tipo de bico mais adequado.

    Alvo de superfcies grandes e posies mais horizontais so mais

    facilmente atingidos e cobertos com gotas de maior dimetro ao contrrio

    de alvos mais estreitos ou mais protegidos (internamente massa foliar)

    onde as gotas mais finas aderem ou penetram com maior facilidade.

    Superfcies planas como solos limpos e produtos onde no

    desejvel uma deriva longa das gotas (herbicidas de pr emergncia),

    recomendvel utilizar bicos que produzem gotas mais grossas e pesadas,

    como os bicos de jato plano (anteriormente denominados de leque). Por

    outro lado, cultivos com massa foliar bastante densa ou alvos localizados

    internamente s plantas, sero mais adequadamente atingidos por gotas

  • 190

    mais finas e que permitam uma deriva ou flutuao mais demorada,

    como aquelas geradas pelos bicos de jato cnico vazio.

    Facilidade de aderncia e espalhamento das gotas sobre as mais

    diferentes superfcies, viscosidade e densidade da calda de pulverizao

    que permitam uma boa circulao pelo equipamento e a quebra de gotas,

    e utilizao de bicos de pulverizao mais eficientes e econmicos so

    fatores que de maneira direta permitem a economicidade e versatilidade

    de uso.

    O bico de pulverizao correto de modo geral, no aquele que

    vem colocado no pulverizador, mas sim, o que tecnicamente foi definido

    atravs de valores reais como: condies do alvo a ser atingido e

    principalmente em que condies climticas ir operar no local da

    aplicao.

    4. Volumes de Aplicao:

    A Tecnologia de Aplicao de defensivos agrcolas tem como

    escopo principal a alta eficincia da aplicao a baixo custo. Um dos

    caminhos que pode nos levar a estes resultados, justamente a reduo

    do volume de calda a ser aplicada. Entretanto, esta reduo est na razo

    direta da eficincia e baixo custo, porm, na razo inversa das

    formulaes que apresentam alta viscosidade ou densidade elevada.

    Explica-se isto, pois, a reduo do volume aplicado fica na dependncia

    de uso de bicos de pulverizao com orifcios de sada cada vez menores

    e que iro prejudicar a passagem do lquido a ser pulverizado e

    distribudo, exigindo presses maiores da bomba, gerando gotas mais

    finas e mais suscetveis de perdas por deriva e evaporao.

  • O aumento da vazo de aplicao tambm tem influncia direta

    sobre o dimetro da gota. Quanto maior o volume utilizado, gotas de

    dimetros maiores sero geradas e menor densidade de gotas por rea

    ser obtida. Entretanto, ao contrario do conceito generalizado, de que o

    volume maior de lquido permite uma melhor pulverizao, o

    procedimento certo e utilizar-se o menor volume, mas produzindo-se a

    maior quantidade possvel de gotas, principalmente nas culturas de alta

    densidade de folhas.

    Na aplicao dos defensivos agrcolas lquidos, a gua entra

    sempre como elemento de diluio do produto e para facilitar a

    distribuio correta e adequada das gotas com o ingrediente ativo, sobre

    o alvo desejado.

    Volumes excessivos originam gotas muito grossas, que aplicadas

    sobre as folhas de um vegetal, ocasionam uma saturao da superfcie

    nas mesmas, provocando o escorrimento do produto para o solo e sua

    consequente perda.

    Por outro lado, volumes muito pequenos, determinam a formao

    de gotas muito finas, que tambm se perdero por deriva muito longa e

    evaporao rpida.

    O volume correto ou adequado, definido tecnicamente, levando-

    se em conta o tipo de bico utilizado, condies climticas locais e porte

    ou densidade foliar das plantas e modo de ao dos defensivos agrcolas.

    Pelo exposto, conclumos que desde que a formulao permita,

    sem prejuzo da gerao, distribuio e deposio das gotas de maneira a

    mais homognea possvel, podemos diminuir considerve lmente os

    volumes de pulverizao, melhorando-se com isto a produtividade do

    pulverizador, reduzindo as perdas de tempo de pulverizao e

  • 192

    escorrimento do produto, alm de incrementarmos a penetrao e

    distribuio das gotas dentro da cultura.

    5. Faixa de Deposio das Gotas de Pulverizao:

    Caracterstica intrnseca do bico de pulverizao em uso dever

    ser determinada de acordo com a densidade de gotas adequada ao tipo de

    alvo e no somente visando-se, como ocorre na pratica, o maior

    rendimento operaciona l (superfcie pulverizada) do pulverizador por

    perodo ou dia trabalhado, sendo mais frequente quando se opera

    irregularmente com aeronaves agrcolas (avies e helicpteros), visando

    apenas o rendimento operacional em detrimento da eficincia dos

    produtos aplicados.

    Um bom produto ou formulao s poder ser comprovado aps a

    sua aplicao, ou seja quando atingir adequadamente o alvo final,

    obtendo-se o resultado efetivo e esperado do mesmo.

    Para isto deveremos considerar sob o aspecto da Tecnologia de

    Aplicao que trs premissas devero se observadas e obtidas sob todos

    os aspectos operacionais:

    o dimetro da gota; a deriva da gota e a deposio da gota.

    A questo mais importante e a ser considerada como fator

    essencial a densidade de gotas, pois, quanto maior o nmero de gotas

    depositadas sobre o alvo desejado, maior ser a dose do produto recebida

    pelo mesmo, melhorando a eficincia da aplicao.

    Fator de extrema importncia para o sucesso de uma aplicao e

    que na prtica frequentemente ignorado ou dada a indevida importncia

    pelo usurio ou at mesmo os tcnicos, diz respeito ao momento certo da

  • aplicao. No relacionado com a hora ou espao de tempo em que se

    deve efetuar a pulverizao ou aplicao, mas sim em relao as

    condies em que o problema a ser controlado apresenta-se mais

    suscetvel ao produto aplicado. Exemplos: o momento certo do controle

    da lagarta da ma em algodo deve ser logo aps a sua ecloso at o

    estadio mximo de 1 cm de comprimento.

    Baseados em aspectos prticos de campo em diversas cultivos e

    regies e suportada pelos fundamentos bsicos da Tecnologia de

    Aplicao, resumimos a seguir nos quadros I e II, as recomendaes

    adequadas para se obter os melhores resultados em uma aplicao com

    defensivos agrcolas, qualquer que sejam os equipamentos usados e

    variaes climticas localmente existentes.

    6. Importncia das Condies Climticas para a Pulverizao:

    O monitoramento das condies climticas e o ajusto adequado

    da deposio das gotas antes, durante ou aps as pulverizaes dos

    defensivos agrcolas so essenciais aos resultados esperados do produto.

    Temperaturas mdias e alta umidade relativa do ar e no solo so

    condies adequadas a uma boa aplicao e a absoro do produto pelas

    plantas.

    Evitar a aplicao do produto quando as plantas apresentam as

    folhas muito molhadas aps uma chuva ou devido ao orvalho, neste caso

    excetua-se a aplicao a baixo volume com aeronaves agrcolas.

    Pulverizaes efetuadas com temperaturas ambiente entre 15 C

    e 30 C e umidade relativa do ar acima de 55 % apresentam melhores

    resultados do que as efetuadas em temperaturas muito baixas e baixo

    ndice de umidade relativa do ar.

  • 194

    Quadro 1. Parmetros prticos recomendados para a aplicao com agroqumicos. PRODUTO H E R B I C I D A S RECOMENDAO

    Pr emergncia Ps emergncia Plantio direto

    Aplicao Gotas grossas: formar uma espcie de filmeprotetor sobre o solo

    Gotas finas a mdias: produzir uma populao muito densa de gotas visando o envolvimento da cultura.

    Gotas grossas.

    Dimetro da gota DMV 420 - 480 DMV 110 - 150 DMV 420 - 480 Nmero de gotas/cm2

    Mnimo de 20 gotas Ao de contato: 40 - 70 gotas Ao sistmica: 30 - 50 gotas

    Mnimo de 20 gotas

    Bico recomendado Jato plano (leque) com

    ngulo de 110 para pulverizadores terrestres e de 80 para aeronaves agrcolas. No utilizar bicos de jato

    Bico jato cnico vazio. Restries ao uso de bicos rotativos

    Jato plano (leque) com ngulo de 110 em pulverizadores terrestres e de 80 com aeronaves.

  • cnico. No utilizar bicos rotativos

    No utilizar bicos de jato cnico ou rotativos

    Volume de aplicao(c)

    terrestres: 150 a 300 litros/ha 100 a 200 litros/ha 100 a 200 litros/ha aeronaves: 20 - 40 litros/ha 20 - 30 litros/ha 20 - 40 litros/ha frutferas: 150 a 300 litros/ha 100 a 200 litros/ha 100 a 200 litros/ha Presso de trabalho(c, d)

    terrestres: 15 a 45 psi (100 a 300 kPa)(a)

    60 a 100 psi (400 a 666 kPa)

    15 a 30 psi (100/200 kPa)

    aeronaves: 15 a 30 psi (100 a 200 kPa) frutferas: 15 a 45 psi (100 a 300 kPa) 60 a 100 psi (400 a 666

    kPa)

  • 196

    Quadro 2 - Parmetros prticos recomendados para a aplicao com agroqumicos . PRODUTO INSETICIDAS FUNGICIDAS(b) RECOMENDAO

    Contato/ingesto Sistmico Protetivo Sistmico

    Aplicao

    Gotas finas a mdias. Obter uma deposio e densidade de gotas a mais uniforme possvel nas partes vegetais ativas das plantas

    Gotas finas a mdias. Obter uma deposio e densidade de gotas a mais uniforme possvel nas partes vegetais ativas das plantas

    Dimetro da gota DMV 110 - 120 DMV 110 - 130 DMV 110 - 120 Nmero de gotas/cm2

    40 - 60 gotas 60 - 70 gotas 40 - 60 gotas

    Bico recomendado

    Bicos de jato cnico vazio, com ponta e difusor adequados

    Bicos rotativos podem ser utilizados desde que o volume aplicado no ocasione saturao do equipamento (b)

    No so recomendados o uso de bicos de jato plano (leque)

    Volume de aplicao(c)

    terrestre: 60 a 200 litros/ha 80 a 200 litros/ha aeronaves: 10 - 20 litros/ha 15 - 30 litros/ha frutferas: 400 a 800 litros/ha 400 a 800 litros/ha

  • Presso de trabalho( c, d)

    terrestre: 80 a 100 psi (533 a 666 kPa)(a) aeronaves: 15 - 30 psi (100 - 200 kPa) frutferas: 80 a 100 psi (533 a 666 kPa) a - kPa (quilo Pascal). 100 kPa = 15 psi = 1 bar = 1 kg/cm2. b - Observar o tipo de translocao ou sistemia do produto a fim de adaptar o modo e local da aplicao,

    deposio e dimetro das gotas. Posio e tipo do alvo, densidade da copa e rea a ser atingida pelo produto, devem ser consideradas localmente.

    c - Devero ser obedecidas as recomendaes indicadas de acordo com a ponta de pulverizao a ser usada. d - Os valores referidos so funes diretas: do orifcio do bico, presso, volume de aplicao, viscosidade e

    densidade da formulao, bem como s observaes e coletas efetuadas no alvo a ser atingido e no ao dimetro da gota liberado pelo bico de pulverizao.

    Nota: Os valores aqui referenciados dizem respeito as recomendaes gerais, sendo necessrio seus ajustes para cada tipo ou formulao de produtos, j que os volumes, densidade e viscosidade dos mesmos no so idnticos para todos os defensivos agrcolas.

  • A velocidade e direo do vento outro fator muito importante

    para um bom resultado do produto e se evitar danos as culturas sensveis

    ou reas vizinhas prximas. Aplicaes do produto com ventos acima de

    10 km/hora devero ser monitorados constantemente durante todo o

    perodo de sua execuo e efetuadas as correes ou o seu cancelamento.

    Durante as pulverizaes, observar a direo e intensidade dos

    ventos. Ocorrendo o direcionamento dos mesmos para reas vizinhas

    sensveis ou com animais e pessoas, manter uma rea de segurana

    bastante larga e adequada s condies locais, sem pulverizao

    conforme j descrito anteriormente.

    Considerar sempre, que a umidade relativa do ar o indicador

    mais importante e prioritrio nas definies de incio, execuo e parada

    de uma pulverizao de defensivos agrcolas. A resultante dos efeitos dos

    demais fatores como vento e temperatura consequncia direta da

    umidade relativa do ar.

    Evitar de efetuar pulverizaes, em condies de inverses

    trmicas ou de calmaria total (velocidades de ventos abaixo de 2

    km/hora) que ocorrem nas horas mais cedo do dia, fim de tarde ou aps

    chuvas prolongadas e intensas.

    Temperaturas muito altas e principalmente umidade relativa do ar

    abaixo de 55 % determinam condies desfavorveis a aplicao e

    NOTA: Durante as pulverizaes com bicos e equipamentos adequados, o pequeno deslocamento lateral das gotas, (no dever exceder a 10 %) no devero ser considerados como deriva prejudicial, j que representam a frao das gotas muito finas, consequncia do processo fsico de gerao das gotas pelos bicos, alm de necessrio para que se obtenha o recobrimento adequado das faixas de deposio e melhor uniformidade e homogeneidade da pulverizao.

  • 200

    absoro de produtos sistmicos ou de translocao pelas plantas,

    apresentando um controle ineficiente ou duvidoso.

    Por outro lado, a diversidade das condies climticas ou mesmo

    ambientais, inadequao do equipamento e desconhecimentos ou mau

    uso dos parmetros, durante a aplicao, podero ocasionar tambm

    resultados diversos e at inesperados com formulaes de baixa

    estabilidade fsica ou qumica.

    O aspecto volatilidade do ingrediente ativo ou dos componentes

    de uma formulao, dever ser considerado tanto para condies

    regionais as mais variveis como o nvel de treinamento das pessoas e

    operacionalidade dos equipamentos envolvidos ou disponveis.

    7. Concluses:

    A escolha do bico a utilizar, sua manuteno e conservao, o

    controle do tamanho, deriva e deposio das gotas geradas, so fatores

    essenciais para que se possa obter sucesso na aplicao de qualquer

    defensivo agrcola, causando danos mnimos ou nulos ao meio ambiente

    e ao prprio homem.

    Os fatores de insucessos no uso de defensivos agrcolas so

    creditados, de maneira simplista ao produto, quando na realidade o mau

    uso do equipamento, tanto na sua estrutura como no momento adequado

    da aplicao em sua maioria deveriam merecer mais ateno e cuidados.

    Treinar pessoas no uso correto dos equipamentos, com um

    mnimo de conhecimento bsico dos produtos a aplicar e sua correlao

    com as condies de aplicao, so fatores que devemos guardar dentro

    de ns mesmo, sem que o perigo de destruirmos nosso prprio meio de

    vida ou do ambiente se torne cada vez mais grave e crescente. Devemos

  • sempre nos lembrarmos que em todo o processo de pulverizao ou uso

    de defensivos agrcolas o sucesso da operao estar sempre apoiado no

    trinmio: bom produto - bem aplicado - no momento certo.

    SITUAO ATUAL E CONTROLE DE CIGARRINHA DA CANA-DE-ACAR

    Pesquisador Cientfico Jos Eduardo Marcondes de Almeida

    Eng. Agrnomo, Lab. de Controle Biolgico, Centro Experimental do

    Instituto Biolgico, Instituto Biolgico Cx. Postal 70, CEP 13001-970,

    Campinas, SP, Tel. (19) 3252 2942. E-mail: jemalmeida@biologico.br

    1. A Cigarrinha-da-Raiz da Cana-de-acar (Mahanarva fimbriolata)

    As cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata) e cigarrinha-da-

    folha (M. posticata) so consideradas pragas importantes no Estado de

    So Paulo e no Nordeste do Brasil, respectivamente.

    At 1968 Mahanarva fimbriolata (Stal) era referida como

    Tomaspis e/ou Sphenorhina liturata var. ruforivulata Stal (FENNAH 1968,

    GUAGLIUMI 1970). Sua distribuio geogrfica abrange os Estados de

    Minas Gerais, Esprito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amazonas,

    Rio Grande do Norte, Paraba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia,

    Mato Grosso, Gois, sendo mais sria sua ocorrncia em So Paulo,

    principalmente em pastagens de capim Napier (GUAGLIUMI 1973,

    MENDES et al. 1977).

    Seu principal dano a "queima da cana-de-acar" conseqncia

    da alimentao do adulto. As ninfas ao se alimentarem ocasionam a

    "desordem fisiolgica" em decorrncia de suas picadas que, ao atingirem

  • 202

    os vasos lenhosos da raiz, o deterioram, impedindo ou dificultando o

    fluxo de gua e de nutrientes. A morte de razes ocasiona desequilbrios

    na fisiologia da planta, caracterizado pela desidratao do floema e do

    xilema que daro ao colmo caractersticas ocas, afinamento e posterior

    aparecimento de rugas na superfcie externa. Os adultos ao injetarem

    toxinas produzem pequenas manchas amarelas nas folhas que com o

    passar do tempo tornam-se avermelhadas e, finalmente, opacas,

    reduzindo sensivelmente a capacidade de fotossntese das folhas e o

    contedo de sacarose do colmo. As perfuraes dos tecidos pelos

    estiletes infectados provocam contaminaes por microorganismos no

    lquido nutritivo, causando deteriorao de tecidos nos pontos de

    crescimento do colmo e, gradualmente, dos entrens inferiores at as

    razes subterrneas. As deterioraes aquosas apresentam cores escuras

    comeando pela ponta da cana e podem causar a morte do colmo (EL-

    KADI, 1977).

    GUAGLIUMI (1973) cita que M. fimbriolata possui ninfas

    especificamente radiccolas e se desenvolvem sobre as razes superficiais

    ou razes adventcias inferiores das gramneas hospedeiras. Sugam a

    seiva segundo a sua idade, envolvendo-se numa espuma branca, espessa

    e que serve como proteo a inimigos naturais. Os adultos so de hbitos

    crepusculares-noturnos, ficando escondidos dentro das olhaduras ou no

    envis das folhas durante o dia. O dano mais importante que as

    cigarrinhas causam a queima da cana, sendo conseqncia direta ao

    ataque das folhas, devido injeo de substncias txicas da saliva da

    cigarrinha, alm de diminuir o teor de sacarose. Causam tambm a

    reduo no tamanho e grossura dos entrens da cana grande e a morte de

  • rebentos jovens. O ciclo vital dessa cigarrinha ocorre no perodo das

    chuvas, desaparecendo na seca, quando os ovos esto em diapausa.

    No Estado de So Paulo, o ciclo vital de M. fimbriolata inicia-se

    em setembro, normalmente, com o incio do perodo chuvoso. A primeira

    gerao de ninfas pequena em decorrncia da diapausa dos ovos, porm

    com capacidade suficiente de se desenvolverem at a fase adulta, quando

    ento se inicia a postura da segunda gerao de ninfas, geralmente entre

    Dezembro e Janeiro, quando a umidade e o fotoperodo so maiores. A

    segunda gerao responsvel pela maioria dos danos, que vo se

    manifestar somente em Fevereiro e Maro, quando se tem a terceira

    gerao de ninfas, que se desenvolvero at a fase adulta, porm em

    menor nmero do que a gerao anterior e faro a postura de ovos que

    entraro em diapausa a partir de Abril, quando o fotoperodo e a umidade

    diminuem.

    Com a proibio da queima da cana-de-acar no Estado de So

    Paulo, atravs do Decreto- lei Estadual no 42.056/9, tm ocasionado

    mudanas no manejo dessa cultura, devido ao aumento da rea colhida

    sem queima e, como conseqncias, em muitas regies tm ocorrido

    aumentos considerveis na populao de cigarrinha-da-raiz (MACEDO et

    al, 1997).

    A cigarrinha-da-raiz da cana tem se tornado um srio problema

    em algumas regies do Estado de So Paulo, tais como Ribeiro Preto-

    SP, onde a maioria da cana j colhida mecanicamente e crua, pois no

    havendo queima da palhada, ocorre um acmulo desse material no solo e

    um aumento da umidade facilitando assim o crescimento e a

    disseminao da cigarrinha-da-raiz da cana, M. fimbriolata. E

    considerando que com a nova legislao ambiental de So Paulo proibir

  • 204

    a queimada da cana, espera-se um aumento significativo na populao de

    M. fimbriolata causando prejuzos srios para as usinas e fornecedores,

    alm do aumento de custos para o controle desta praga.

    2. Monitoramento

    Segundo MENDONA (1996), a estratgia de controle da

    cigarrinha-da-raiz se inicia com um monitoramento da praga. O

    monitoramento de M. fimbriolata dever ser realizado no incio do

    perodo chuvoso e durante todo o perodo de infestao, para que se

    possa acompanhar a evoluo ou o controle da praga. O nvel de dano

    econmico (NDE) de 20 ninfas/ metro linear de sulco e 1 adulto/cana; o

    Nvel de controle de 2 4 ninfas/metro e 0,5 a 0,75 adultos/cana.

    No Estado So Paulo, o Nvel de Dano Econmico e o Nvel de

    Controle ainda no foram determinados, porm algumas pesquisas

    envolvendo levantamento com armadilhas, contagem de ninfas por metro

    linear, a partir de trs a cinco pontos por hectare, sendo que cada ponto

    representado por dois me tros lineares, contando-se o nmero de ninfas

    nas razes da cana, utilizando-se normalmente de dois a quatro homens.

    Por enquanto, tem-se utilizado o Nvel de Controle de 5 a 8 ninfas por

    metro linear de cana em mdia, sendo o Nvel de dano Econmico

    variando de 10 a 15 ninfas por metro linear.

    De acordo com resultados de uma usina cooperada da Copersucar,

    o custo do levantamento direto, com uma equipe de quatro homens,

    fazendo 16 metros lineares (quatro pontos de duas ruas de dois

    metros/hectare) de R$ 8,00/ha. Porm se realizar o levantamento por

    extrapolao, no caso de talhes uniformes, ao lado e de mesma

  • variedade, o custo desse monitoramento pode chegar a R$ 2,00/ha (E. B.

    ARRIGONI, no publicado).

    A armadilha Yellow sticky trap adequada ao monitoramento

    de populaes de adultos de M. fimbriolata em reas com cana-de-

    acar. Permite determinar o incio do aparecimento da praga na lavoura,

    que tem ocorrncia defasada em cerca de 30 dias em relao populao

    de ninfas. Porm, a armadilha no se presta para uso visando ao controle

    da praga (MACEDO et al., no publicado).

    O monitoramento imprescindvel para se decidir sobre a

    estratgia de controle da praga, sendo que a deteco da primeira gerao

    permite um controle mais eficiente principalmente atravs do fungo

    Metarhizium anisopliae.

    Com relao a variedades, ainda no foram concludos os estudos

    sobre resistncia e suscetibilidade de variedades comerciais no Estado de

    So Paulo, ou mesmo um trabalho de melhoramento especfico para

    variedades resistentes, porm j foi possvel observar em nvel de campo

    variedades altamente atrativas cigarrinha-da-raiz, tais como SP 80

    1842, SP 70 1816, RB 85 5336 e RB 85 5536, possivelmente pelo seu

    crescimento rpido, sombreando o solo e maior volume de palha,

    conferindo melhores condies de desenvolvimento da praga. Portanto,

    nos talhes com essas variedades, deve-se tomar maiores cuidados no

    levantamento de ninfas e adultos da cigarrinha.

    3. Controle

    3.1. Controle Cultural

  • 206

    Como forma de controle cultural, GUAGLIUMI (1973) sugere a

    rotao de culturas com leguminosas, queima da palha ou enleiramento

    nas entrelinhas e pesquisa com variedades resistentes.

    Estudos desenvolvidos pelo Instituto Agronmico de Campinas e

    Copersucar demonstraram que o enleiramento da palha da cana, ou

    simplesmente o afastamento da palha das razes da cana suficiente para

    manter a populao de cigarrinha em equilbrio, abaixo do Nvel de Dano

    Econmico. Porm, o custo desse enleiramento ou afastamento da palha

    ainda no foi determinado devido falta de um equipamento especfico

    para tal fim.

    3.2. Controle Qumico

    O controle qumico de M. fimbriolata tambm tem sido alvo de

    pesquisas constantes devido ao grande nmero de novas molculas

    lanadas no mercado da cultura canavieira.

    O Thiamethoxam na concentrao de 1,0 kg/ha foi mais eficiente

    dentre todos os inseticidas j testados, por ser de ao sistmica e manter

    a populao de cigarrinha abaixo do Nvel de Controle por at 140 dias.

    O Carbofuran tambm foi eficiente na concentrao de 2 a 3 litros/ha,

    porm a ressurgncia da praga maior e mais rpida devido ao de

    contato desse princpio ativo.

    O Aldicarb (10 kg/ha), Fipronil (250 a 500 g/ha) e Terbufs (16 a

    20 kg/ha) tambm apresentaram resultados satisfatrios, porm todos os

    princpios ativos apresentados esto sob registro de emergncia para a

    cigarrinha-da-raiz da cana.

    Alguns inseticidas naturais tais como: leo de nim 250 a 500

    mL/ha, Extrato de Timb 0,5 a 1% apresentaram tambm um resultado

  • satisfatrio, mantendo a populao de cigarrinha por at 90 dias, quando

    aplicado em Novembro, poca do final da primeira gerao e incio da

    segunda gerao da praga.

    3.3. Controle Biolgico

    ALVES & ALMEIDA (1997) citam que o controle biolgico com

    macro ou microrganismos um dos principais componentes do manejo

    integrado de cigarrinhas. O controle biolgico no poluente, no

    provoca desequilbrios biolgicos, duradouro e aproveita o potencial

    bitico do agroecossistema, no txico para o homem e animais e pode

    ser aplicado com as mquinas convencionais, com pequenas adaptaes.

    De acordo com ALVES (1998) o desenvolvimento do fungo M.

    anisopliae sobre M. posticata ocorre da seguinte maneira: os condios

    germinam e penetram no tegumento do inseto num perodo de dois a trs

    dias. O perodo de colonizao ocorre de 2 a 4 dias e a esporulao em 2

    a 3 dias, dependendo das condies do ambiente. O ciclo total da doena

    de 8 a 10 dias.

    O Instituto Biolgico tem desenvolvido pesquisas de controle

    biolgico de M. fimbriolata com o fungo M. anisopliae, num projeto

    temtico financiado pela FAPESP - Fundao de Amparo Pesquisa do

    Estado de So Paulo, cuja coordenao pertence a esse instituto, em

    parceria com a ESALQ/USP e UFSCar - Araras-SP.

    Foi possvel verificar o controle de M. fimbriolata com o fungo

    M. anisopliae isolado CB 10 na concentrao de 1 kg de arroz esporulado

    com M. anisopliae 1,75x105 condios/ml - 3 aplicaes (Nov. - Dez. e

    Jan.) num volume de 400 litros por hectare. Porm, como demonstrado

    em outro experimento no mesmo perodo, aplicaes em Novembro e

  • 208

    Dezembro na concentrao citada suficiente para o equilbrio da

    populao de cigarrinha, j que nesta poca est ocorrendo a transio da

    primeira para a segunda gerao.Em outra pesquisa, verificou-se que os

    isolados CB 10 (Instituto Biolgico) e ESALQ 1037 foram efetivos no

    controle de cigarrinha-da-raiz da cana na concentrao 1 x 107

    condios/ml com aplicaes em Novembro e Dezembro.

    Do mesmo modo esses isolados mantiveram a populao de

    cigarrinha-da-raiz da cana em equilbrio na concentrao de 1 kg de arroz

    esporulado com M. anisopliae 1,75x105 condios/ml - 2 aplicaes (Nov.

    - Dez.) em sistema de cultivo orgnico.

    A poca de corte influencia na populao de cigarrinha, pois

    quando este ocorre em maio a populao de cigarrinha maior nos meses

    de Dezembro e Janeiro, o mesmo ocorre com o corte em Julho. J quando

    a cana cortada tardiamente, a populao de cigarrinha diminuiu. Esses

    dados ajudam na programao de plantio e cortes de variedades mais

    atrativas em pocas mais tardias, evitando superpopulaes e a

    conseqente aplicao de defensivos qumicos ou queimada.

    4. Perspectivas

    O projeto temtico financiado pela FAPESP prev estudos de

    seleo de isolados de M. anisopliae cigarrinha-da-raiz da cana,

    caracterizao desses isolados, estudos de Nvel de Dano Econmico e

    Nvel de Controle a partir de experimentos em campo e casa-de-

    vegetao, mtodos de produo e formulao do fungo M. anisopliae e

    do fungo Batkoa spp. que causa epizootias naturais de at 90% nos

    adultos. Contudo o controle biolgico com M. anisopliae j tem sido

    estudado e aplicado desde dos anos 70 no Nordeste, para o controle de M.

  • posticata, produzindo resultados satisfatrios, com reduo da aplicao

    de defensivos qumicos em at 70% e de custo de produo de acar e

    lcool, protegendo o ambiente.

    A partir de tcnicas de monitoramento e manejo integrado de

    pragas, ser possvel conviver com a cigarrinha-da-raiz da cana-de-

    acar no Estado de So Paulo, aplicando-se um programa de controle

    microbiano com M. anisopliae e no caso de superpopulaes a aplicao

    racional de defensivos naturais ou qumicos, para o equilbrio da

    populao.

    5. Referncias Bibliogrficas

    ALVES, S. B. Fungos entomopatognicos. In: __________, (ed.).

    Controle microbiano de insetos. Cap. 11. Ed. FEALQ: Piracicaba.

    1998. P. 289-381.

    ALVES, S. B.; LOPES, J. R. S.; ALVES, L. F. A. & MOINO JNIOR, A.

    Controle microbiano de artrpodos associados a doenas de plantas.

    In: MELO, I. S. & AZEVEDO, J. L. Controle Biolgico. Vol. 1.

    EMBRAPA: Jaguarina. 1998. P. 143-170.

    ALVES, S. B. & ALMEIDA, J. E. M. Controle biolgico das pragas das

    pastagens. In: Simpsio Sobre Ecossistema de Pastagens , UNESP:

    Jaboticabal. 1997. p. 318-341.

    EL-KADI, M. K. Novas perspectivas no controle de cigarrinhas. IV

    Congresso Brasileiro de Entomologia, Goinia, GO. 13p. (Boletim

    Tcnico). 1977.

    FENNAH, R. G. Revisionary notes on the New World genera of Cercopid

    froghoppers. Bull. Entom. Res. London, 58: 165-190. 1968.

  • 210

    GONALVES, J. S. & SOUZA, S. A. M. Proibio da queima de cana no

    Estado de So Paulo: simulaes dos efeitos na rea cultivada e na

    demanda pela fora de trabalho. Informaes Econmicas, 28: 21-40,

    1998.

    GUAGLIUMI, P. As cigarrinhas dos canaviais (Hom. Cercopidae) no

    Brasil. VI. Contribuio: A nova nomenclatura das espcies mais

    importantes. Brasil Aucareiro. Rio de Janeiro, 76: 75-90. 1970.

    GUAGLIUMI, P. Pragas da cana-de-acar: Nordeste do Brasil. Rio de

    Janeiro, IAA, 622p. (Coleo Canavieira no 10).

    GUAGLIUMI, P. Cigarrinha da raiz. In ___________, Pragas da cana-de-

    acar. Nordeste do Brasil. Coleo canavieira IAA: Rio de Janeiro.

    1973. P. 69-103.

    MACEDO, N.; CAMPOS, M. B. S.; ARAJO, J.R. Insetos nas razes e colo da

    planta, perfilhamento e produtividade em canaviais colhidos com e

    sem queima. STAB Acar, lcool e Subprodutos.15: 18-21. 1997.

    MENDES, A. C.; BOTELHO, P. S. M.; MACEDO, N.; SILVEIRA NETO, S.

    Behavior of the adults of the root froghopper, Mahanarva fimbriolata

    (Stal, 1854) (Hom., Cercopidae), according to climatic parameters.

    Proc. ISSCT XVI Congress, 1: 617-631. 1977.

    MENDONA, A. F. Pragas da cana-de-acar. Insetos & Cia: Macei.

    1996. 239 p.

    JOS MAURCIO BENTO

    CONTROLE DAS PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA CANA-DE-

    ACAR

    Pesquisador Cientfico Flvio Martins Garcia Blanco

  • Eng. Agrnomo, Laboratrio de Plantas Daninhas, Centro Experimental

    do Instituto Biolgico, Instituto Biolgico, Cx. Postal 70, CEP 13001-

    970, Campinas, SP. E-mail: garciablanco@biologico.br

    1. Introduo

    Na implantao de uma rea agrcola atravs de um sistema de

    cultivo, h srias e significativas transformaes nos subsistemas

    geomrfico, edfico e biolgico, tornando-os mais simples

    (agroecossistema), em comparao com o ecossistema, um sistema mais

    complexo. Esta trans formao resulta na diminuio drstica da

    capacidade de auto-regulao do sistema, tornando-o, assim, mais

    instvel e susceptvel a entradas de energia. Uma das principais

    conseqncias da transformao do ecossistema em um agroecossistema

    o aumento exagerado de determinadas populaes de insetos,

    microrganismos, nematides e plantas silvestre, desta forma, tornam-se

    pragas agrcolas; comprometendo de forma significativa produo.

    (BLANCO, 1972, 1982 e 1997).

    Quando h o aumento populacional exagerado das plantas

    silvestres, ests se tornam daninhas, que diferentemente de outras pragas

    agrcolas, tm por caracterstica, estarem sempre presentes nos

    agroecossistemas e responsveis diretas (competio, alelopatia, etc.) ou

    indiretamente (reservatrio de patgenos, atrativas para insetos-praga

    etc.) pela diminuio drstica na produo econmica das culturas dentre

    as quais a cana-de-acar. (BLANCO, 1972, 1982 e 1997).

    2. A Cultura da Cana-de-acar.

  • 212

    A cana-de-acar, Saccharum spp., uma das plantas mais

    importantes na agricultura mundial. A produo de acar em 1990

    atingiu 105 milhes de toneladas, das quais, 62% foram produzidas a

    partir da cana-de-acar cultivada em 106 pases numa rea de

    aproximadamente 16 milhes de hectares; os 38% restantes foram

    extrados da beterraba (Beta vulgaris L.), (FAO, 1990).

    Espcie da famlia Gramineae, a cana-de-acar (Saccharum

    officinarum L.) com uma rea plantada de aproximadamente 4 milhes

    de hectares, o Brasil o principal o seu maior produtor mundial,

    seguido de Cuba e Mxico. Dentre os estados brasileiros, So Paulo o

    maior produtor, apresentando uma rea plantada de aproximadamente 2,4

    milhes de hectares com uma produo estimada para a safra agrcola

    99/00 de 277,7 milhes de toneladas de colmos, com um rendimento

    mdio de 72 t/ha (CASER et al., 1993, IBGE 2000).

    Devido ao seu lento crescimento inicial, a cana sensvel a

    competio do mato. Nesse sentido, numerosas investigaes foram

    realizadas por diversos pesquisadores: trabalhos de AZZI & FERNANDES

    (1968,1970), determinaram que a cana produz o seu mximo rendimento

    quando o controle das plantas daninhas cultura realizado entre 90 e

    120 dias, a contar do seu plantio. Pesquisas realizadas por BLANCO et al.

    (1979, 1981, 1982), concluram que podem ocorrer perdas de at 85% no

    peso dos colmos; alm disso, determinaram que o perodo crtico de

    competio para a cana corresponde ao perodo que vai do 15 dia a dois

    meses a contar da emergncia da cana-de-acar, no caso, cana de ano.

    Esses dados foram confirmados por GRACIANO & RAMALHO (1982), que

    obtiveram perdas de 83% no peso dos colmos.

  • 3. Controle das Plantas Daninhas.

    Muitos so os mtodos de controle de plantas daninhas

    empregados na cultura da cana-de-acar:

    Manejo preventivo: no permitir a entrada de sementes ou

    dissemnulos de plantas daninhas na rea de plantio, cuidar da limpeza

    dos equipamentos.

    Manejo cultural: utilizar rotao de culturas, consorciao, reduo

    de espaamentos, etc.

    Manejo mecanizado: fazer um bom preparo do solo para o plantio j

    uma forma de controle, aps o plantio ou corte, pode-se fazer o cultivo

    nas entrelinhas MM.

    Manejo qumico: dentre os manejo, o controle qumico realizado

    com a utilizao dos herbicidas, que predomina por sua maior

    operacionalidade e eficincia no controle, alm de reduzir o custo de

    produo da lavoura, FUTINO & SILVEIRA (1991), demonstraram que a

    participao dos defensivos agrcolas, em geral, no custo operacional da

    cultura de cana-de-acar, em 1990, era de apenas 8%.

    3.1. Controle com o Manejo Qumico das Plantas Daninhas Aps o

    Plantio e Corte no Sistema Tradicional (cana queimada).

    FERREIRA & TSUNECHIRO (1998) relatam que no ano de 1996 as

    vendas dos defensivos agrcolas somaram a importncia de 1.792

    milhes de dlares, destas vendas, somente os herbicidas foram

    responsveis por 56% deste total, a venda desta classe de pesticida para a

    cultura da cana-de-acar representaram 19%, demonstrando assim a sua

    importncia.

  • 214

    Vrios fatores so importantes na utilizao e escolha dos herbicidas

    como agente no controle das plantas daninhas na cultura de cana-de-

    acar, podemos citar:

    Modo de aplicao do herbicida, pr-emergente ou ps-emergente.

    Grupo de plantas daninhas predominantes e o seu grau de sua

    infestao.

    Tipo de solo, teor de matria orgnica e a sua umidade na poca da

    aplicao para os pr-emergentes.

    Estdio do desenvolvimento das plantas daninhas e da cultura, para

    aplicaes em ps-emergncia.

    Uso de adjuvantes, quando indicado.

    Perodo residual: herbicidas aplicados no plantio de cana de ano e

    meio, estes devem ter um maior perodo residual, quando comparados

    com os aplicados em cana de ano, pois nesta poca de plantio, haver um

    perodo de seca onde a cana-de-acar paralisa o seu crescimento, assim

    como as plantas daninhas, no retorno da estao das chuvas, estas voltam

    a germinar se o perodo residual for curto.

    Nas aplicaes em pr-emergncia no plantio de cana de ano e meio,

    utilizar herbicidas mais solveis, pois sero mais efetivos na poca seca.

    Nas aplicaes em pr-emergncia, sempre verificar a seletividade

    em relao a cultivar utilizada, principalmente para produtos novos.

    A tabela 1 mostra os principais herbicidas utilizados para cultura

    As misturas dos herbicidas so utilizadas para aumentar o

    espectro de ao, ex. Diuron + hexazinone, incrementa o controle do

    Diuron, de maior eficincia sobre as latifoliadas, de tal forma a se ter

    tambm um controle das gramneas dado pelo hexazinone.

  • As misturas tambm podem atravs de distintos coeficientes de

    adsoro e solubilidades, no processo de lixiviao, permitir que o efeito

    do herbicida permanea em uma faixa do perfil do solo, e no em uma

    regio localizada, propiciando um maior controle; exemplo na mistura da

    ametrina + clomazone.

    3.2. Controle das Plantas Daninhas Sistema Cana-crua

    Este sistema de produo esta introduzindo uma nova realidade

    no cultivo da cana-de-acar, devido s drsticas mudanas

    principalmente no sistema edfico em funo de 10 a 15 ton/ha, aps o

    corte da cana, algo que no havia no agroecossistema original. Esta

    entrada de energia no sistema fatalmente acarretar em mudanas

    drsticas na comunidade de organismos, hoje considerados praga, quer

    sejam, as doenas, os insetos ou as plantas daninhas.

    VELINI & NEGRISOLI (2000), citando EGLEY & DUKE, relatam que

    estes autores demonstram que a amplitude trmica influncia de forma

    significativa germinao das plantas daninhas, VELINI et. al. (1998) e

    MARTINS et. al. (1999), estudaram o efeito de quantitativo da palhada

    sobre a germinao de diversas espcies de plantas daninhas, resultando

    que quanto maior a quantidade de palha, para a maioria das espcies

    estudadas, houve uma supresso na germinao, para outras como o

    amendoim-bravo a palhada no influenciou a germinao da espcie,

    confirmando os dados LORENZI (1983).

    Estes trabalhos, como de se esperar, demonstram que haver

    uma mudana no banco de sementes dos agroecossistemas de cana-de-

    acar com sistema em colheita com a cana crua.

  • 216

    TABELA 1. Principais herbicidas utilizados para o controle das plantas daninhas na cultura da cana-de-acar, as indicaes em pr-emergente so para aps o plantio ou corte no sistema de cana queimada. (BLANCO, 2001)

    Principio Ativo

    Nome Comercial

    Dose i.a./ha (kg)

    Modo de Aplicao2

    Grupo Controlado

    Observaes

    2,4 D U46 D fluid 0,40 a 0,72 PS latifoliadas Ametrina Gesapax 2,00 a 4,00 PR gramneas e latifoliadas

    anuais

    Ametrina + 2,4 D

    Gesapax + U46 D fluid

    0,21 + 0,29 PS, PR

    gramneas e latifoliadas anuais

    controle efetivo em ps-emergente apenas sobre as latifoliadas

    Ametrina + Clomazone

    Sinerge 2,50 a 3,00 PR gramneas e latifoliadas anuais

    Ametrina + Diuron

    Ametron (0,62-1,244) + (0,96-1,92)

    PR gramneas e latifoliadas anuais

    Clomazone Gamit 0,50 PR Gramneas e latifoliadas anuais

    Diuron Karmex 1,60 a 3,2 PR gramneas e latifoliadas anuais

    controle mais pronunciado nas latifoliadas

    Velpar K 0,488 + 0,142 PR Diuron + hexazinone Advance 0,533 + 0,067 PR

    Latifoliadas e gramneas anuais

    2 modo preferncia de aplicao onde o controle mais efetivo

  • Diuron + MSMA

    Fortex 0,140 + 0,360 PS Gramneas e latifoliadas anuais

    Diuron + Terbutiuron

    Bimate 2,10 a 2,8 PR Gramneas e latifoliadas anuais

    Glyphosate Roundup 0,18 a 2,16 PS Gramneas e latifoliadas anuais

    utilizado para renovao de canaviais ou para aplicaes dirigidas.

    Halosulfuron Sempra 0,75 PS Cyperaceas a cyperacea tem que estar no estdio de pr florao no momento da aplicao

    Imazapyr Arsenal 0,250 PR Gramneas e latifoliadas e cyperaceas

    Isoxaflutole Provence 0,750 PR Gramneas e latifoliadas anuais

    Oxyfluorfen Goal 0,240 PR Gramneas e latifoliadas anuais

    Sulfosate Zapp 0,480 PS Gramneas e latifoliadas anuais

    utilizado para renovao de canaviais ou para aplicaes dirigidas.

    Sulfentrazone Boral 1,20 a 1,60 PR Gramneas anuais e perenes e cyperaceas

    apresenta controle efetivo sobre tiririca (Cyperus rotundus)

    Terbutiuron Combine 0,50 a 0,80 PR Gramneas e latifoliadas anuais

  • 218

    Atualmente o controle das plantas daninhas, neste sistema de

    colheita, aps o corte tem se realizado a catao utilizando herbicidas no

    sistmicos de ao total, glyfosate, paraquat, sulfosate, e 2,4 D

    (latifoliadas), e monitorando as reas preferencialmente at o fechamento

    da cultura.

    Vrios aspectos ainda precisam ser estudados, como a aplicao

    de pr-emergentes em condio de palha, efeito da palhada sobre a

    microflora influenciando na persistncia e dissipao do herbicida, novos

    equipamentos de aplicao, etc.

    4. Bibliografia

    AZZI, G.M. & FERNANDES, J.Competio de ervas daninhas no perodo

    inicial de desenvolvimento da cana-de-acar. Bras. Aucareiro, 76:

    30-32, 1968.

    BLANCO, H.G. A importncia dos trabalhos ecolgicos nos programas de

    controle das plantas daninhas. Biolgico, 38: 343-350, 1972.

    BLANCO, H.G. Ecologia das plantas daninhas - competio de plantas

    daninhas em culturas brasileiras: In: Controle Integrado de Plantas

    Daninhas, CREA, So Paulo, 1982. p.43-75.

    BLANCO, H.G.; BARBOSA, J.C.; OLIVEIRA, D.A. Competio de uma

    comunidade natural de mato em cultura de cana-de-acar

    (Saccharum sp.), de ano e meio. In: Congresso Brasileiro de

    Herbicidas e Ervas Daninhas, 14, & Congresso de la Asociacion

    Latinoamericana de Malezas, 6, 1982. p. 30-31.

    BLANCO, H.G.; OLIVEIRA, D.A.; ARAJO, J.B.M. Competio entre

    plantas daninhas e a cultura da cana-de-acar. I. Perodo crtico de

  • competio produzido por uma comunidade natural de dicotiledneas

    em culturas de ano. Biolgico, 45: 131-140, 1979.

    BLANCO, H.G.; OLIVEIRA, D.A.; COLETI, J.T. Competio entre plantas

    daninhas e a cultura da cana-de-acar. II. Perodo de competio

    produzido por uma comunidade natural de mato, com predomnio de

    gramneas, em culturas de ano. III. Influncia da competio na

    nutrio da cana-de-acar. Biolgico, 47: 77-88, 1981.

    BLANCO, H.G. Manejo das plantas daninhas uma abordagem ecolgica.

    Biolgico, 59: 111-116, 1997.

    CASER, D.V.; OLIVETTI, M.P.A.; FAGUNDES, L. Densidade de cultivo de

    cana-de-acar, laranja, caf e banana no Estado de So Paulo. Inf.

    Econ., 23: 10-11, 1993.

    FOOD AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO).

    Sugar cane. FAO Yearbook Production, 44: 157-58. 1990.

    LEVANTAMENTO SISTEMTICO DA PRODUO AGRCOLA - LSPA. IBGE,

    11: 1-14, 1999

    MARTINS, D.; VELINI, E. D.; MARTINS, C. C.; SOUZA, L. S. Emergncia

    em campo de dicotiledneas infestantes em solo coberto com palha de

    cana-de-acar. Planta Daninha, 17: 151-161, 1999

    TSNECHIRO, A.; FERREIRA, C. R. R. P. T. Evoluo das vendas de

    defensivos agrcolas e uso de mtodos alternativos e complementares

    de proteo de culturas no Brasil. O Biolgico. 60,: 35-49, 1998.

    VELINI, E. D.; NEGRISOLI, E. Controle de plantas daninhas em cana crua.

    Congresso Brasileiro da Cincia das Plantas Daninhas. Palestra,

    p.148-164, 2000.

  • 220

    MANEJO ECOLGICO DE PRAGAS DOS CITROS

    Eng. Agrnomo Santin Gravena.

    GRAVENA-Manejo Ecolgico e Controle Biolgico de Pragas Agrcolas

    Ltda. Rod. SP-253, Km 221,5. Cx. Postal 546. CEP-14870-000,

    Jaboticabal, SP. E-mail gravena@gravena.com.br

    1. Introduo

    Tanto o controle biolgico exercido pelos organismos benficos

    de ocorrncia natural como aquele oriundo de processos manipulados

    artificialmente necessitam um ambiente ecolgico livre de fatores

    adversos para surtirem o efeito esperado na reduo de densidades

    populacionais de pragas para nveis abaixo do dano econmico. Na

    citricultura convencional de produo comercial, nos dias atuais, esse

    ambiente ecolgico favorvel no encontrado facilmente, pois a

    biodiversidade muito pobre, condio indispensvel para favorecer a

    vida dos inimigos naturais. Ao mesmo tempo, a partir de 1987, os

    citricultores passaram a utilizar insetic idas em grande quantidade e

    freqncia como o nico instrumento de que dispem para combater

    alguns insetos pragas que surgiram como avassaladores dentre os quais

    as cigarrinhas transmissoras da CVC, minadora das folhas que facilita o

    ataque do cancro ctrico, o bicho furo e a cochinilha ortzia. A

    monocultura extensiva que se constituiu a citricultura em So Paulo,

    necessita de transformaes, o que conseguido atravs de uma

    manipulao ambiental mais efetiva para que o controle biolgico nativo

    e importado tenha o seu potencial mximo aproveitado. O caminho mais

    rpido para se obter as condies ambientais necessrias a aplicao

    dos conceitos de Manejo Ecolgico de Pragas na sua plenitude.

  • 2. Manejo Ecolgico de Pragas

    O Manejo Ecolgico de Pragas-MEP uma nova viso do

    Manejo Integrado de Pragas MIP. trazer o controle de pragas para

    uma realidade contempornea em que a proteo ambiental a palavra de

    ordem em todas as organizaes sociais da humanidade. Entendemos,

    como diferena bsica entre MEP e MIP, a nfase maior que se busca por

    processos biolgicos de controle de pragas dentro de um sistema

    ecolgico agrcola, onde tambm mtodos ambientais de controle tm

    papel de maior relevncia do que tcnicas qumicas, ainda que seletivas

    a inimigos naturais, como tambm requer o MIP. A operacionalizao do

    MEP se faz obviamente com o monitoramento ambiental no qual se

    inclui a amostragem de pragas e inimigos naturais. Pela amostragem se

    obtm dados de densidade de pragas e organismos benficos que

    auxiliam na tomada de deciso de manejo em cuja ao, outros fatores

    so levados em considerao.

    3. Planejamento, execuo e manuteno do MEP

    Um dos elementos fundamentais do MEP o planejamento

    antecipado das aes para implantao de um pomar de citrus. No basta

    apenas prever tipo de solo, clima, variedades, extenso da rea, irrigao,

    comercializao, etc. Um citricultor moderno deve incluir nos seus

    planos: 1. disposio na plantao de critrios ambientais que visem a

    biodiversidade; 2. esquema visando facilidade para a operao de

    amostragem de pragas/inimigos naturais, pulverizaes, colheita, etc; 3.

    aes de controle biolgico clssico e artificial; 4. registro das aes em

  • 222

    documentos e informatizao de dados visando melhor visualizao do

    comportamento das pragas e inimigos naturais.

    Monitoramento Ambiental. Com o planejamento antecipado

    contemplando a biodiversidade acaba-se por exigir do manejador de

    pragas uma atividade freqente de monitoramento ambiental. Significa

    observar e anotar dados ecolgicos para confirmar os benefcios das

    tcnicas ambientais adotadas ou modificar o ambiente para atingir os

    objetivos inicialmente propostos. Dentro do monitoramento est a

    amostragem de pragas e inimigos naturais que no MEP passa a ser uma

    atividade complexa na qual no basta apenas um mtodo de avaliao,

    contagem e anotao das quantidades encontradas. s vezes so

    necessrias 2, 3 ou at 4 tcnicas de amostragem para uma nica praga.

    Um exemplo a Mosca das frutas: em citrus considera-se 4 tipos de

    observao de presena ou densidade: 1. Amostragem de sinais em

    frutas; 2. Amostragem por atrativos alimentares; 3. Amostragem visual

    de adultos; 4. Uso de feromnio. Num sentido mais amplo est o

    monitoramento de moscas: este feito atravs de observao de reas

    vizinhas plantao em MEP, onde so encontradas outros hospedeiros

    comerciais ou naturais que abrigam a mosca e de onde migram por si s

    ou pelo vento. Ainda como servio de monitoramento est a

    quantificao das espcies, comportamento, poca, resistncia,

    longevidade de adultos, etc.

    Tomada de Deciso no MEP. outra atividade complexa do

    MEP. Para se decidir por uma ao de MEP necessrio ter muitos

    dados nas mos, o que conseguido pelo monitoramento. Os nveis de

  • ao numricos estabelecidos com base nos nveis de danos econmicos

    reais ou empricos so apenas referncias iniciais que podero sofrer

    alteraes ao longo da prtica do MEP. Quando se pensa que um nvel de

    ao o ideal, fatores macroecolgicos, econmicos e sociais levam o

    manejador de pragas a considerar outro nvel mais adequado. Retomando

    o exemplo a mosca das frutas, o nvel conhecido de 1 mosca por frasco

    atrativo por semana, mas interesses do produtor, influenciados pelo

    consumidor exigente de aparncia agradvel na fruta, levam-no a

    abandonar o nvel de ao de MEP e fazer pulverizaes preventivas em

    frutas ameaadas por moscas no momento da colheita. O pior ocorre

    quando a fruta para exportao cujo importador exige iseno total de

    risco de obter a mosca na fruta importada. Portanto, o nvel de deciso de

    manejo ainda reflexo do perfil do produtor, do importador e do

    consumidor final da produo. Isso tende a mudar medida que o

    consumidor brasileiro ou importador passe a exigir iseno total de

    resduos de agrotxicos nas frutas que importa ou consome.

    Tomada de Deciso Ecolgica. Se os perfis do produtor e do

    consumidor permitir possvel estabelecer aes visando a aplicao

    plena do MEP para cultivos em grande escala comercial resultando em

    produtos alimentcios mais saudveis bem como a obteno da produo

    por processos sem impactos ambientais negativos. Para isso, necessrio

    vises micro e macro ecolgica da rea onde est inserida a plantao.

    preciso conhecer a biologia e o comportamento das pragas chaves e dos

    inimigos naturais chaves do ecossistema trabalhado. imprescindvel

    dispor dos instrumentos necessrios para agir contra a praga, sem

    impactos ambientais e toxicolgicos que hoje em dia ainda se vm em

    quase todos os sistemas de produo citrcola. Retomando o caso da

  • 224

    mosca das frutas, numa prtica do dia-dia do MEP, verificamos que a

    fonte da mosca que infestava as mexericas de um pomar assistido em

    MEP, estava nos cafezais vizinhos. Como esta no poderia ser removida,

    a deciso mais correta para se evitar vender frutas com risco de resduos

    de agrotxico era desistir da produo de mexerica. Caso contrrio a

    deciso de MEP seria controlar a mosca nos cafezais vizinhos com isca

    txicas no incio do aparecimento de gros de caf em cereja, ao

    mesmo tempo que se liberaria parasitides, Diachasmimorpha

    longicaudata, nessas reas e nas mexeriqueiras, entre outras providncias

    ecolgicas.

    Tcnicas Ambientais Visando Aumento do Controle

    Biolgico.

    Aps o entendimento bsico do MEP com os itens abordados

    anteriormente so apresentadas a seguir algumas das tcnicas ambientais

    que promovem o aumento das densidades de inimigos naturais nas

    plantaes citrcolas em geral.

    Biodiversidade . So vrias as possibilidades para aumentar a

    biodiversidade nos pomares citrcolas: 1. Quebra ventos. O motivo

    principal servir de barreira para ventos fortes que predispem folhas

    novas ao ataque do cancro ctrico, mas os benefcios so muito maiores,

    pois barram tambm insetos os mais diversos, como cochonilhas, moscas

    brancas, pulges, e princ ipalmente caros nocivos. 2. Cobertura verde.

    So empregados nas entre linhas das rvores de citrus num pomar. 3.

    Faixas naturais. No planejamento de plantio visando MEP se deixam

    faixas da vegetao natural intercaladas a intervalos regulares. 5. Mistura

  • de variedades. No caso de citrus prejudicial, pois se estabelece uma

    sucesso de frutas maduras durante todo o ano fazendo com que de uma

    variedade mais precoce para outra mais tardia, as pragas aumentam o

    nmero de geraes.

    1. Quebra-ventos. So barreiras fsicas para todas as pragas e doenas

    que dependem do vento para se disseminarem. Dentre as pragas so mais

    notrias, as cochonilhas, os caros, as moscas, os pulges e as moscas

    brancas. O processo de barragem no resolve mas retarda a infestao no

    cultivo protegido permitindo maior eficincia dos inimigos naturais no

    prprio cultivo sobre as populaes residentes que ainda esto em baixa

    densidade no incio das safras. Outro lado positivo que essas barreiras

    so abrigo para inimigos naturais, servindo de fator de aumento do

    controle biolgico e evitando que a praga nas rvores da barreira seja a

    causa de infestao no cultivo. H dois tipos de quebra-ventos: 1-

    rvores altas de folhagens densas, mas que apresentam saia alta

    evitando o turbilhomamento no sotavento (face interna da barreira em

    relao rea protegida). 2- Barreiras com 40% de permeabilidade ao

    vento, mas com uma espcie de escadinha formada por um arbusto, uma

    planta de menor porte e a planta principal de maior porte no barravento

    (face externa). Pinus, Cipreste, Grevilha, etc, so os grupos mais comuns

    utilizados tendo portes altos.

    2. Cobertura verde. H muito o uso de herbicida total e gradagens foram

    minimizados em pomares frutferos em geral. Em lugar disso se usa

    herbicida apenas nas linhas e roadas no mato invasor permitindo

    renovao peridica e evitando alelopatia/competio. Com isso se deixa

    o mato natural reproduzir insetos presas/hospedeiros alternativos, flores

  • 226

    com nctar e plen, que servem para alimentar vespinha

    microhimenpteras parasitides, vespas predadoras, coccineldeos,

    caros fitosedeos predadores e outros organismos benficos.

    3. Faixas naturais. Na implantao de um pomar ctrico, recomenda-se

    deixar faixas contendo a vegetao natural que mantm a fauna benfica

    nativa e, em contrapartida, serve de refgio dos inimigos naturais que

    surgiro safra aps safra, local onde no receberiam diretamente os

    inseticidas pulverizados.

    4. Vegetao atrativa de inimigos naturais. Espcies vegetais adequadas

    como nabo forrageiro, amendoim forrageiro, braquiria rosisiensis, etc,

    se prestam a atrair organismos benficos que depois se transferem para a

    planta ctrica exercendo o controle biolgico.

    5. Mistura de variedades. A maioria dos pomares so estabelecidos de

    forma a apresentarem produes contnuas durante todo o ano. Os

    destinados indstria de processamento contm pelo menos 4

    variedades: Hamlin(precoce), Pra(semi-tardia e multifloradas),

    Valncia(tardia) e Natal(super-tardia). Os destinados ao mercado so

    multivarietais: Tangerinas e Lima verde(super-precoces), Bahia(precoce),

    Pra, Valncia e Natal, que com sistemas de podas de produo passam a

    produzir o ano todo, literalmente. Em ambos os casos, as pragas

    encontram condies ideais para se desenvolverem e se reproduzirem em

    altas densidades exigindo mltiplas pulverizaes de inseticidas e

    acaricidas.

    Profilaxia no lugar de inseticidas. A retirada de partes atacadas

    por pragas e doenas ainda uma tcnica efetiva. Com podas de ramos

    ou desbaste de plantas se retira colnias de insetos ou caros e fontes de

  • inculo de doenas. O melhor exemplo est na citricultura onde se pode

    fazer: poda de ramos ou desfolha de rvores com doenas de fungos,

    cochonilhas, caros e vrus da leprose bem como erradicao de plantas

    com bactria Xylella fastidiosa causadora da doena Clorose Variegada

    dos Citros, transmitida por cigarrinhas Cicadellidae Com isso evita-se

    inseticidas de largo espectro que alijam os inimigos naturais.

    4. Consideraes Finais

    O que foi apresentado aqui foram apenas aspectos relacionados

    com a prtica do MEP como fator de aumento do controle biolgico

    natural nas plantaes citrcolas, mas h ainda que considerar a

    importao, a produo e a disponibilizao de inimigos naturais para

    uso pelos produtores. Deve-se sempre levar em conta tambm a

    seletividade de agrotxicos aos organismos benficos como fator de

    incremento das densidades dos mesmos atravs da simples preservao.

    O aumento do controle biolgico nos pomares depender por outro lado

    das polticas agrcolas dos pases e dos consumidores finais de sucos e

    furtas, que devero mudar de uma evidente apatia em relao aos riscos

    de resduos de agrotxicos em citrus, de uma total ignorncia dos efeitos

    malficos na natureza causados pelas pulverizaes nos pomares, para

    atitudes mais conscientes e racionais, rejeitando produtos sem selos de

    garantia ecolgica. Finalmente, louve-se o atual desempenho dos

    sistemas orgnicos de produo que, por si s, so fatores de aumento da

    atividade dos organismos benficos da natureza contra as pragas

    agrcolas e seus danos econmicos.

    5. Bibliografia Bsica

  • 228

    GRAVENA, S. Manejo ecolgico de pragas no pomar ctrico. Laranja, 11:

    205-225, 1990.

    GRAVENA, S. Manejo ambiental de pragas dos citros. Laranja, 12: 247-

    288, 1991.

    HARDY, R. W. F. et. al. Ecologically Based Pest Management.

    Washington, National academy Press. 1996. 146 p.

    HUFFAKER, C. B. & RABB, R. L. (Eds.). Ecological Entomology. John

    Wiley & Sons. 1984. 844 p.

    HUFFAKER, C. B. (Ed.). Biological Control. New York, Plenum Press.

    1969. 511 p.

    PRICE, P. W. Insect Ecology. New York, John Wiley & Sons. 1975.

    514 p.

    ENVIRONMENTAL ENTOMOLOGY. Lanham, Md, USA. Entomogical

    Society of America.

    MOSCA-DAS-FRUTAS EM FRUTICULTURA

    Pesquisadores Cientficos Miguel Francisco de Souza Filho e Adalton

    Raga

    Eng. Agrnomos, Laboratrio de Entomologia Econmica, Centro

    Experimental do Instituto Biolgico, Instituto Biolgico. Cx. Postal 70,

    CEP 13001-970, Campinas SP. Tel. (19) 3252-8342. E-mail:

    miguelf@biologico.br e adalton@biologico.br

    1. Introduo

    A fruticultura brasileira atualmente considerada uma das

    maiores do mundo, no que se refere a produo de frutas frescas e rea

  • cultivada, todavia, muito reduzida a produo destinada para o mercado

    externo. O baixo nvel tecnolgico aplicado no cultivo das fruteiras, que

    se reflete na qualidade dos frutos produzidos, a exemplo dos problemas

    fitossanitrios (pragas, doenas e plantas daninhas), so fatores que

    contribuem para essa situao.

    O Estado de So Paulo apresenta uma fruticultura bastante

    diversificada, que tem crescido significativamente nos ltimos dez anos,

    abrangendo fruteiras de clima tropical, subtropical e temperadas,

    exploradas em funo das condies edafoclimticas e agronmicas

    disponveis.

    As moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) so as principais

    pragas da fruticultura mundial, considerando-se os danos diretos que

    causam e a capacidade de adaptao em outras regies, quando

    introduzidas (praga quarentenria). No Brasil, as espcies de moscas-das-

    frutas de importncia econmica englobam-se nos gneros Anastrepha e

    Ceratitis. As diversas espcies de Anastrepha so nativas do continente

    americano, enquanto Ceratitis capitata (Wied.) conhecida como mosca-

    do-mediterrneo a nica representante do gnero no pas, sendo

    originria do continente africano.

    Em face da importncia dessas pragas, importante ressaltar que

    o fruticultor brasileiro gasta grandes quantidades de inseticidas para o

    controle de moscas-das-frutas, sem o conhecimento adequado das

    espcies infestantes, do seu grau de infestao, da distribuio espacial

    das plantas hospedeiras e do controle biolgico natural.

    2. Principais Espcies de Moscas -das-frutas no Estado de So Paulo

  • 230

    Em todo o territrio paulista ocorrem moscas-das-frutas, nas reas

    rural, urbana e de preservao. As principais espcies que causam danos

    fruticultura paulista so as seguintes, em ordem de importncia:

    Anastrepha fraterculus (Wied.), C. capitata, Anastrepha obliqua

    (Macquart) e Anastrepha sororcula Zucchi.

    Essas espcies atacam as principais fruteiras de importncia

    econmica para o estado de So Paulo tais como: ameixa, caqui, citros,

    goiaba, manga, nspera, pssego e nectarina. Na cultura do maracuj-

    doce, Anastrepha pseudoparallela se destaca como a mais importante.

    Ciclo Biolgico

    O ciclo de vida das moscas-das-frutas ocorre em trs ambientes

    conforme o esquema a seguir:

    VEGETAO(Adulto)

    FRUTO (Ovo e Larva)

    SOLO(Pupario)

    Ciclo de vida em dias a 25o C Espcie de moscas-da-frutas

    Ovo Larva Pupa Pr-

    oviposio

    A. fraterculus 2-4 12-15 10-20 7-10 C. capitata 2-4 6-11 9-11 3-4

  • O perodo de durao do ciclo de vida das moscas-das-frutas

    dependente de vrios fatores, principalmente da temperatura, da planta

    hospedeira e da prpria espcie de mosca. Ceratitis capitata apresenta a

    durao do seu ciclo de ovo a adulto em torno de 18 a 30 dias no vero

    enquanto que A. fraterculus varia de 25 a 35 dias. Em pocas ou regies

    de baixas temperaturas o ciclo prolongado.

    3. Caracterizao dos Danos

    Os danos das moscas-das-frutas so causados diretamente nos

    frutos pela fmea adulta (perfurao do fruto por ocasio da oviposio)

    e pelas larvas (consumo da polpa provocando um apodrecimento

    interno). Em frutos como ameixa, caqui, go iaba, laranja, nspera e

    pssego a infestao por larvas no notada, pois os mesmos

    permanecem com a aparncia externa normal. Entretanto, ao apalpar o

    fruto nota-se pontos de amolecimento da polpa e at extravasamento de

    suco pelo orifcio de sada das larvas. No maracuj-doce, o ataque pode

    ocorrer tanto em frutos verdes como maduros, causando murchamento e

    posterior queda dos mesmos.

    No caso de danos ocasionados pela ao da oviposio

    (perfurao) h exemplos como a nspera que quando sofre alta

    infestao, apresenta diversas pontuaes escuras na epiderme e em

    pssego ocorre exsudao de filetes de resina esbranquiada.

    4. Plantas Hospedeiras e Sucesso Hospedeira O conhecimento de plantas hospedeiras na regio onde se

    pretende estabelecer um programa de controle de moscas-das-frutas de

    primordial importncia, uma vez que o ataque nas fruteiras comerciais

    ocorre da migrao das moscas para o pomar. O Estado de So Paulo

  • 232

    apresenta um grande nmero de espcies vegetais hospedeiras de

    moscas-das-frutas (Quadro 1), amadurecendo seus frutos em diferentes

    estaes do ano, proporcionando assim, o aumento da densidade

    populacional da praga e sua ampla distribuio por todo territrio. Essa

    seqncia de eventos caracteriza o fenmeno conhecido como sucesso

    hospedeira. Outro fator que tambm favorece ao estabelecimento das

    moscas-das-frutas a existncia de diversos ciclos de frutificao de um

    mesmo hospedeiro ao longo do ano a exemplo de goiaba, carambola,

    nspera, citros e chapu-de-sol (Quadro 1).

    QUADRO 1. Ocorrncia de mosca-das-frutas nas plantas hospedeiras mais comuns no Estado de So Paulo Plantas Hospedeiras Moscas-das-frutas Nome comum

    Nome cientfico

    C. capitata

    A. fraterculus

    A. obliqua

    A. pseudoparallela

    Anacardiaceae

    1. Caj-manga

    Spondias dulcis

    X X X -

    2. Manga Mangifera indica

    X X X X

    3. Siriguela Spondias purpurea

    X X X -

    Combretaceae

    4. Chapu-de-sol

    Terminalia catappa

    X X X -

    Ebenaceae 5. Caqui Diospyrus

    kaki X X - -

    Malpighiaceae

    6. Acerola Malpighia glabra

    X X - -

  • Myrtaceae 7. Ara Psidium

    cattleyanum X X - -

    8. Goiaba Psidium guajava

    X X X -

    9. Jabuticaba

    Myrciaria cauliflora

    X X - -

    10. Jambo Syzygium jambos

    X X X -

    11. Pitanga Eugenia uniflora

    X X X -

    12. Uvaia Eugenia pyriformis

    X X X -

    Oxalidaceae 13. Carambola

    Averrhoa carambola

    X X X -

    Passifloraceae

    14. Maracuj-doce

    Passiflora alata

    X X - X

    Rosaceae 15. Ameixa Prunus sp. X X - - 16. Nspera Eriobotrya

    japonica X X X -

    17. Pra Pyrus communis

    X X - -

    18. Pssego Prunus persica

    X X X -

    Rubiaceae 19. Caf Coffea

    arabica X X - -

    Rutaceae 20. Laranja -doce

    Citrus sinensis

    X X - -

    21. Limo-cravo

    Citrus limonia

    X X - -

    22. Kunquat Fortunella sp.

    X X X -

    23. Mexirica do Rio

    Citrus deliciosa

    - X - -

  • 234

    24. Tangerina Cravo

    Citrus reticulata

    X X - -

    25. Tangerina Ponkan

    Citrus reticulata

    X X - -

    26. Tangor Murcott

    C. reticulata C. sinensis

    X X - -

    Sapotaceae 27. Abiu Pouteria

    caimito X X - -

    5. Monitoramento O processo de avaliao do nmero de espcies de moscas-das-

    frutas e a sua distribuio em cada localidade produtora chamado de

    monitoramento. Esse sistema pode enfocar a anlise de ovos e larvas

    diretamente nos frutos ou indiretamente atravs do uso de armadilhas que

    capturam adultos.

    Os modelos de armadilhas (frascos) mais usados no Brasil so os

    seguintes:

    1. MacPhail confeccionado em plstico ou vidro

    2. Biolgico - confeccionado em plstico ou vidro

    3. Pet confeccionado a partir de recipientes de refrigerante de 2 L

    Todos os modelos citados utilizam isca lquida como atraente

    alimentar, geralmente base de melao de cana-de-acar a 5-7% ou

    protena hidrolizada de milho a 5%. No caso de maracuj, pode ser

    acrescido nos frascos suco da fruta diludo a 10%. Deve-se evitar a

    adio de inseticida na calda colocada nas armadilhas.

    O alvo principal do monitoramento capturar as fmeas, que no

    perodo que antecede ao incio da oviposio, necessitam grandemente de

    substncias proticas e carboidratos, embora tambm machos sejam

    coletados nos frascos.

  • A periodicidade de reabastecimento das armadilhas de 7 a 10

    dias, dependendo da poca do ano. Os modelos mencionados capturam

    tanto C. capitata como as espcies de Anastrepha.

    O monitoramento deve dar condies de previsibilidade da

    infestao de moscas-das-frutas e por isso o armadilhamento

    intensificado na periferia dos pomares, detectando populaes invasoras.

    Os frascos so distribudos a cada 50m, contornando a rea produtora e

    tambm no interior do pomar, presos em ramos firmes a 1,80m de altura.

    A poca de instalao das armadilhas para moscas-das-frutas

    varia de acordo com a fruteira. Nos casos de ameixa, caqui, goiaba,

    nspera e maracuj doce o monitoramento deve ser implantado logo no

    incio do desenvolvimento dos frutos. No caso de laranja e manga o

    monitoramento pode ser iniciado quando os frutos estiverem com cerca

    de 50% do seu tamanho.

    6. Controle

    O xito no controle de moscas-das-frutas sempre se baseia na

    integrao de vrios mtodos de controle, uma vez que essas espcies

    apresentam caractersticas que as distinguem como pragas-chaves, como

    a alta produo de ovos, alta viabilidade de ovos, alta capacidade de

    disperso de adultos e de colonizao sob diferentes condies

    ecolgicas.

    6.1. Controle Cultural Esse mtodo quando empregado para moscas-das-frutas se baseia

    principalmente em dois aspectos:

    6.1.1. Destruio de frutos hospedeiros

  • 236

    Procedimento muito importante para a reduo dos nveis das

    populaes invasoras provenientes de hospedeiros naturais

    6.1.2. Ensacamento dos frutos

    Tem se constitudo em ttica eficiente para evitar a oviposio.

    Deve ser efetuado nos primeiros estgios de desenvolvimento dos frutos.

    Para isso os frutos devem estar livres da presena de cochonilhas. O tipo

    de saco utilizado para maracuj-doce o mesmo empregado para goiaba

    de mesa e pssego. Para nspera, prepara-se o ensacamento com papel

    jornal com a extremidade posterior aberta.

    6.2. Controle Biolgico

    Dentre os predadores, patgenos e parasitides que atuam no

    controle biolgico, este ltimo grupo se constitui no principal mecanismo

    de reduo natural das populaes de moscas-das-frutas, agindo nas fases

    larval e pupal. No Quadro 2 apresentada a espcie de parasitide e

    respectivos hspedes/hospedeiros.

    QUADRO 2. Espcies de parasitides relacionadas a algumas espcies de Anastrepha no Estado de So Paulo. Espcie de Parasitide Hspede

    Doryctobracon areolatus

    (Szpligeti)

    A. fraterculus, A. obliqua, A.

    pseudoparallela

    Doryctobracon brasiliensis

    (Szpligeti) A. fraterculus

    Opius bellus Gahan A. fraterculus, A. obliqua

    Utetes anastrephae

    (Viereck) A. fraterculus

  • 6.3. Controle Qumico

    Baseia-se no emprego de inseticidas em cobertura total ou na

    forma de isca txica. A forma de menor impacto desse mtodo o de

    iscas txicas, que so preparadas conforme a forma descrita

    anteriormente para isca utilizada em frascos. A isca txica geralmente

    aplicada em ruas alternadas visando a folhagem e no o fruto, em apenas

    uma parte da copa das plantas, no superior a 1 m2 e a intervalos de 7-10

    dias. O tratamento deve ser implantado no incio do desenvolvimento dos

    frutos.

    No Quadro 3 apresentada uma lista de inseticidas com uso

    autorizado para as principais fruteiras no Estado de So Paulo.

    QUADRO 3. Recomendaes de controle de moscas-das-frutas para as principais fruteiras do Estado de SoPaulo Cultura

    Inseticida Instrues para Controle

    Ameixa

    Deltametrina Fention Tricorfon

    Fazer o monitoramento das moscas atravs do uso de 2 armadilhas/ha, colocadas na periferia do pomar. Usar isca txica com um dos inseticidas indicados com melao (5-7%) ou protena hidrolisada (3%) aplicando-se cerca de 150-200 ml/planta em torno de 30-50% das plantas, principalmente nas bordas do pomar. O uso de isca txica deve ser iniciado a partir da deteco das primeiras moscas nas armadilhas com intervalo de 7-10 dias ou quando os frutos estiverem com cerca de 2 cm de dimetro.

    Caqui

    Fention Paration metlico Tricorfon

    Fazer pulverizaes em cobertura visando os frutos em amadurecimento. Os frutos das variedades taninosas so menos susceptveis ao ataque de moscas em relao s variedades no taninosas.

    Citros

    Clorpirifs Deltametrina

    Em variedades precoces utilizar frascos caa-moscas para fazer o monitoramento. Quando a presena do inseto for constatada, iniciar os tratamentos. Em variedades tardias, iniciar os tratamentos quando os

  • 238

    Dimetoato Etion Fention Malation Paration metlico Tricorfon

    frutos tiverem atingido o tamanho mximo e antes de comear o amarelecimento. Para controle, utilizar iscas txicas com um dos inseticidas indicados com melao (5-7%) ou protena hidrolisada (3%), em ruas alternadas, pulverizando a soluo em 1 m2 da copa, na parte que recebe maior incidncia do sol pela manh, gastando-se cerca de 150-200 ml/planta. Repetir o tratamento a cada 7-10 dias. Na poca da florada no se recomenda o uso de inseticidas fosforados. Em pomares pequenos, retirar os frutos tempores, no deixando a fruta amadurecer; eliminar os frutos cados ou refugados.

    Goiaba

    Fention Tricorfon

    Nas culturas de mesa, fazer o ensacamento dos frutos e pulverizar com um dos inseticidas recomendados. Nas culturas para indstria, fazer pulverizaes em cobertura total. Pomares com grande concentrao de plantas (efeito de massa), pode-se aplicar iscas txicas a base de melao (5-7%) ou protena hidrolisada (3%) mais inseticida. Repetir o procedimento a cada 10-15 dias.

    Manga

    Fention Paration metlico Triclorfon

    Efetuar o monitoramento com armadilhas distribudas na seguinte proporo: pomares at 1 ha, utilizar 4 armadilhas; de 2 a 5 ha, 2 armadilhas/ha; acima de 5 ha, 1 armadilha/ha. Constatada a presena da mosca, iniciar a pulverizao com isca txica a base de melao (5-7%) ou protena hidrolisada (3%) mais inseticida no interior das rvores a 2-3 m de altura, aplicando-se cerca de 150-200 ml/m2 de copa em ruas alternadas. As aplicaes devem ser realizadas a cada 10-15 dias no perodo em que os frutos ainda estiverem verdes. Caso a infestao no seja controlada, fazer uma nica aplicao em cobertura total com fention.

    Maracuj Fention

    Basicamente a mosca limitante na cultura do maracuj-doce. Iniciar o tratamento quando os frutos tiverem de 2-3 cm de dimetro. Realizar a pulverizao em cobertura total. Em caso de persistncia do ataque, fazer o controle sob a forma de isca txica a base de melao (5-7%) ou protena hidrolisada (3%) mais inseticida. Repetir o

  • procedimento a cada 10-15 dias.

    Nspera Fention

    Efetuar o desbaste dos cachos, deixando quatro frutos novos em cada cacho e em seguida os mesmos devem ser protegidos com sacos de jornal de parede dupla antes de 30 dias aps o final da florada.

    Pssego e Nectarina

    Deltametrina Fenitrotion Fention Malation Paration metlico Tricorfon

    Na cultura de mesa, em pomares pequenos, efetuar o ensacamento dos frutos recm formados. Recolher os frutos tempores. Fazer o monitoramento das moscas usando-se 4 armadilhas/ha. Aps a florao quando os frutos iniciarem o seu desenvolvimento, ao capturar as primeiras moscas, iniciar o uso da isca txica a base de melao (5-7%) ou protena hidrolisada (3%) mais inseticida gastando-se em torno de 150-200 ml/planta em 30-50% das plantas, principalmente das bordas do pomar a cada 7-10 dias e na pr-maturao usar isca a cada 3-5 dias. O perodo de inchamento dos frutos a fase mais crtica e no caso se for detectado 6 moscas/semana/frasco, deve-se realizar o controle com pulverizaes em cobertura total.

    Fonte: Coordenadoria de Defesa Agropecuria Abril/2000 7. Bibliografia Consultada

    MALAVASI, A. & ZUCCHI, R.A. Moscas -das-frutas de importncia

    econmica no Brasil. Conhecimento bsico e aplicado. Ribeiro

    Preto: Holos, 2000, 327p.

    RAGA , A.; SOUZA FILHO, M.F.; ARTHUR, V. & MARTINS, A.L.M.

    Avaliao da infestao de moscas-das-frutas em variedades de caf

    (Coffea spp.). Arq. Inst. Biol., 63: 59-63, 1996.

    RAGA , A.; SOUZA FILHO, M.F.; SATO. M.E. & CERVOLO, L.C. Dinmica

    populacional de adultos de moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae)

    em pomar de citros de Presidente Prudente, SP. Arq Inst Biol, 63: 23-

    28, 1996.

  • 240

    RAGA , A.; SOUZA FILHO, M.F.; ARTHUR, V.; SATO, M.E.; MACHADO, L.A.

    & BATISTA FILHO, A. Observaes sobre a incidncia de moscas-das-

    frutas (Diptera, Tephritidae) em frutos de laranja (Citrus sinensis).

    Arq. Inst. Biol.,, 64: 125-129, 1997.

    SOUZA FILHO, M.F. Biodiversidade de moscas-das-frutas (Diptera:

    Tephritidae) e seus parasitides (Hymenoptera) em plantas

    hospedeiras no Estado de So Paulo. Dissertao de Mestrado,

    ESALQ/USP, Piracicaba, SP, 1999.173p.

    SOUZA FILHO, M.F. & RAGA A. Moscas-das-frutas: mudanas nas

    condies climticas favorecem o aumento desses insetos.

    Citricultura Atual, 4: 12, 1998.

    SOUZA FILHO, M.F.; RAGA A. & ZUCCHI, R.A. Moscas-das-frutas: a

    importncia relativa das espcies em citros do Estado de So Paulo.

    Citricultura Atual, 10: 12, 1999.

    SOUZA FILHO, M.F.; RAGA A. & ZUCCHI, R.A. Incidncia de Anastrepha

    obliqua (Macquart) y Ceratitis capitata (Wiedemann) (Diptera:

    Tephritidae) em carambola (Averrhoa carambola L.) en ocho

    localidades del estado de So Paulo, Brasil. An. Soc. Entomol. Bras,

    29: 367-371, 2000.

    SOUZA FILHO, M.F.; RAGA A. & ZUCCHI, R.A. Moscas-das-frutas nos

    Estados brasileiros: So Paulo. In: MALAVASI, A. & ZUCCHI, R.A.

    (Eds.) Moscas -das-frutas de importncia econmica no Brasil.

    Conhecimento bsico e aplicado. Ribeiro Preto: Holos, 2000, p.277-

    283.

    MANCHA PRETA OU PINTA PRETA DOS CITROS

    Pesquisador Cientfico Eduardo Feichtenberger

  • Eng Agrnomo, Laboratrio de Sanidade Animal e Vegetal de

    Sorocaba, Instituto Biolgico. Rua Antonio Gomes Morgado, 340 - CEP

    18013-440 Sorocaba, SP. E-mail: efeichten@mail3.splicenet.com.br

    1. Introduo

    A pinta preta, ou mancha preta dos citros afeta folhas, ramos e,

    principalmente, frutos de laranjeiras doces, limoeiros verdadeiros,

    pomeleiros, algumas tangerineiras e vrios hbridos de citros. A doena

    provoca manchas na casca dos frutos que prejudicam sua aparncia,

    tornando-os imprprios para o mercado de fruta fresca. Em ataques

    severos, como os que tm sido freqentes em vrias regies produtoras

    paulistas, grande parte dos frutos manchados caem prematuramente.

    Os frutos so suscetveis at atingirem o tamanho aproximado de

    uma bola de "pingue-pongue", quatro a seis meses aps a queda de

    ptalas das flores. As folhas so suscetveis at atingirem cerca da

    metade do seu tamanho final.

    rvores velhas e plantas debilitadas por vrias causas, como

    ataque de pragas e doenas, condies ambientais adversas, deficincias

    nutricionais, e tratos culturais inadequados, so mais sujeitas ao ataque

    do fungo agente causal.

    2. Histrico e Abrangncia Geogrfica

    O primeiro registro da pinta preta foi feito na Austrlia, em 1895.

    Trinta anos depois ela foi encontrada na frica do Sul, afetando

    severamente frutos de laranja Valncia, tanto em plantios comerciais

    como na ps-colheita. Alm da Austrlia e frica do Sul, a doena j foi

    registrada em vrios outros pases da frica, como Moambique,

  • 242

    Swazilndia e Zimbabwe; da sia, como China, Filipinas, Indonsia,

    Taiwan e Japo; e da Amrica do Sul, como Argentina, Brasil e Peru.

    No Brasil, a mancha preta foi registrada pela primeira vez em

    1937, em frutos coletados em uma feira livre na cidade de Piracicaba-SP.

    Em pomares comerciais, a primeira constatao data de 1980, em plantas

    de mexerica Rio, nos municpios de So Gonalo e Itabora, Rio de

    Janeiro, tendo depois se disseminado rapidamente para outros municpios

    da Baixada Costeira Fluminense. Em 1986, a pinta preta foi encontrada

    em Montenegro, no Vale do Ca, Rio Grande do Sul. Hoje, ela encontra-

    se disseminada em todas as regies produtoras de citros sul-rio-

    grandenses.

    No Estado de So Paulo, a pinta preta foi encontrada em plantios

    comerciais somente em 1992, atacando plantas de limes verdadeiros e

    laranjas doces de maturao tardia, nos municpios de Conchal e

    Engenheiro Coelho. A doena teve uma expanso muito rpida em So

    Paulo, j tendo sido registrada em todas as principais regies produtoras.

    3. Sintomas

    Uma das principais caractersticas da pinta preta que vrios

    rgos da planta podem estar infectados sem, contudo, apresentarem os

    sintomas tpicos da doena. Os sintomas podem demorar at um ano a

    aparecer aps a infeco do rgo, dependendo das condies

    ambientais. A manifestao dos sintomas favorecida pela radiao solar

    combinada com altas temperaturas. Os sintomas so mais freqentes e de

    maior intensidade nas faces da planta mais expostas aos raios solares.

    Em frutos, cinco tipos principais de leses podem ocorrer:

  • a) manchas duras ou manchas marrom, que em geral aparecem quando os

    frutos iniciam mudana de cor ou frutos j maduros. As leses

    apresentam o centro necrtico deprimido de cor marrom-claro ou cinza-

    escuro e as bordas salientes de colorao marrom-escura, e so

    circundadas por um halo verde escuro. Em frutos verdes as leses so

    circundadas por um halo amarelo. Uma caracterstica tpica dessas leses

    a presena de pequenas pontuaes escuras no seu centro, que se

    constituem nos picndios do fungo;

    b) manchas sardentas, so pequenas leses de cor preta, que em geral

    aparecem aps o incio de mudana de cor dos frutos. Elas podem se unir

    formando leses maiores ou permanecem pequenas, individualizadas;

    c) manchas virulentas, so leses grandes, de formato irregular,

    apresentando o centro deprimido ou no de colorao acinzentada, e as

    bordas salientes de cor marrom- escura ou vermelho-escura. Essas leses

    em geral aparecem no perodo final de maturao dos frutos ou na ps-

    colheita, durante o transporte e o armazenamento. A mancha virulenta

    pode ser resultante da evoluo das manchas dos tipos marrom ou dura e

    mancha sardenta;

    d) manchas de falsa melanose, so escuras e pequenas, podendo ser

    confundidas com as manchas de melanose (fungo Diaporthe citri).

    Contudo, as manchas de melanose so speras, ao contrrio das de falsa

    melanose que so lisas;

    e) manchas trincadas, que em geral aparecem em frutos com mais de 6

    meses de idade e em associao com o caro da falsa ferrugem

    (Phyllocoptruta oleivora Ashmed), so levemente salientes e de aspecto

    fendilhado, de forma e tamanho variveis, sem margens definidas, e no

    apresentam picndios do fungo.

  • 244

    Sintomas em folhas e ramos so pouco freqentes, sendo em geral

    encontrados somente em plantas velhas e debilitadas. As leses so muito

    semelhantes s do tipo marrom ou dura dos frutos, com o centro

    necrtico deprimido de cor cinza, as bordas salientes marrom-escura com

    um halo amarelado ao redor das leses. Picndios do fungo agente causal

    tambm so produzidos no centro dessas leses.

    4. Fungo Agente Causal

    Guignardia citricarpa o fungo agente causal da doena, que

    produz esporos sexuais denominados ascsporos somente em folhas em

    decomposio no solo. Esses esporos constituem-se na principal fonte de

    inculo. Eles podem ser carregados pelo vento, disseminando o fungo a

    mdias e longas distncias. Eles tambm podem ser levados, por

    respingos de gua, das folhas cadas ao solo at a superfcie de frutos e

    outros rgos da parte baixa da copa das plantas.

    A forma imperfeita do fungo denomina-se Phyllosticta citricarpa,

    que produz esporos assexuais, os picnidisporos, em leses de frutos e

    folhas e, ocasionalmente, no pednculo dos frutos. Esses esporos tambm

    so produzidos em grande nmero em folhas mortas. Eles somente so

    disseminados a curtas distncias, por gua de chuva, irrigao e orvalho,

    podendo infectar frutos da mesma planta, ou de plantas muito prximas.

    5. Preveno

    Medidas de preveno visam evitar a introduo do fungo em reas

    novas, onde a doena ainda no foi detectada. Elas incluem:

    a) Plantio de mudas livres do fungo agente causal, se possve l, mudas produzidas em regies onde a doena ainda no ocorre;

  • b) Restrio ao acesso e fiscalizao da circulao de pessoas, veculos,

    mquinas e implementos em pomares, principalmente quando

    provenientes de outras propriedades localizadas em regies contaminadas

    pela doena;

    c) Lavagem e desinfestao de veculos, mquinas, equipamentos e

    materiais de colheita, antes deles adentrarem os pomares;

    d) Utilizao durante a colheita, se possvel, de equipes e materiais de

    colheita prprios;

    e) Construo de silos na entrada das propriedades para o

    armazenamento dos frutos colhidos, evitando-se assim a circulao de

    pessoas e veculos estranhos no pomar;

    f) Manuteno das plantas em boas condies de nutrio e sanidade;

    g) Inspeo frequente dos pomares e eliminao das plantas em estado de

    depauperamento avanado.

    6. Controle Qumico

    O controle qumico torna-se necessrio aps a deteco da doena

    na rea. As pulverizaes devem ser feitas visando proteger os frutos

    recm-formados, que so suscetveis at atingirem o tamanho

    aproximado de uma bola de pingue-pongue.

    Vrios fungicidas sistmicos (benzimidazis e estrubilurinas) e

    produtos de contacto (cpricos e mancozeb) so eficazes no controle de

    pinta preta. Esses fungicidas devem sempre ser aplicados misturados com

    leo mineral ou vegetal, a 0,25 - 0,50%. Como o fungo pode desenvolver

    resistncia aos benzimidazis (benomil, carbenzazim, tiofanato metlico)

    e as estrubilurinas pelo seu uso continuado, recomenda-se que esses

    produtos sejam utilizados sempre em misturas com produtos de contacto

  • 246

    (mancozeb, cpricos), e que o nmero de aplicaes com benzimidazis

    no seja superior a duas por safra. A utilizao de produtos a base de

    cobre requer cuidados para se evitar fitotoxicidade por esses produtos aos

    frutos, principalmente quando as aplicaes so feitas aps o incio do

    perodo das chuvas. Deve-se tambm considerar que o uso intensivo de

    fungicidas na cultura poder produzir impactos ambientais indesejveis,

    comprometendo o desenvolvimento de fungos entomopatognicos,

    inimigos naturais de pragas.

    Em pomares de variedades de meia estao ou de maturao

    tardia muito atacados, quatro ou mais pulverizaes, em intervalos de

    quatro a cinco semanas, so necessrias para se obter bons nveis de

    controle. As duas primeiras podem ser feitas com produtos base de

    cobre misturados com leo. As aplicaes seguintes podem ser feitas

    com misturas envolvendo um benzimidazol, um produto de contacto

    (mancozeb ou cprico) e leo (0,25-0,50%), pois nessa poca provvel

    que a presso de inculo seja maior pela participao tambm maior dos

    ascsporos produzidos nas folhas em decomposio no solo.

    7. Outras Medidas de Controle

    Alm das medidas de preveno j relacionadas, outras medidas

    devem ser adotadas visando manter o fungo sob controle em reas

    contaminadas, j que a sua completa eliminao das reas onde ele foi

    introduzido na prtica impossvel. Tais medidas incluem: 1)

    Antecipao da colheita, quando possvel, principalmente em variedades

    precoces e de meia estao, procurando-se assim evitar que o inculo

    (picnidisporos) produzido nos frutos infectados da safra anterior possa

    infectar os frutos provenientes das novas floradas; 2) Controle do mato

  • nas linhas de plantio com herbicidas ps-emergentes, antes do incio da

    florada, visando formao de uma cobertura morta sobre as folhas

    cadas ao solo, reduzindo, assim, a fonte de inculo representada pelos

    ascsporos nela produzidos; 3) Irrigao dos pomares nos meses secos do

    ano para evitar a queda excessiva de folhas e uma maior predisposio

    das plantas ao ataque do fungo.

    8. Referncias Bibliogrficas

    AGUILAR-VILDOSO, C. I.; FEICHTENBERGER, E.; MORAES, M.R.; SPSITO,

    M. B.; SCHINOR, E. H. Avaliao de tratamentos fungicidas no controle

    de Mancha Preta (Guignardia citricarpa) em laranjeira 'Pera' de

    diferentes idades. Summa Phytopathol., 25: 50, 1999.

    FEICHTENBERGER, E. Mancha preta dos citros no Estado de So Paulo.

    Laranja, 17: .93-108, 1996.

    FEICHTENBERGER, E.; MLLER, G.W.; GUIRADO, N. Doenas dos citros.

    In: KIMATI, H. et al.(Eds.). Manual de Fitopatologia.: Doenas das

    Plantas Cultivadas, v. 2. So Paulo: Editora Agronmica Ceres Ltda.

    1997. p.261-296.

    GOES, A. DE. Controle da mancha preta dos frutos ctricos. Laranja,

    Cordeirpolis, v. 19, p.305-320, 1998.

    GOES, A. DE; ANDRADE, A.G.; MORETTO, K.C.K. Efeito de diferentes

    tipos de leos na mistura de benomil + mancozeb no controle de

    Guignardia citricarpa, agente causal da mancha preta dos frutos

    ctricos. Summa Phytopathol., 26: 233-236, 2000.

    KOTZ, J. M. Epidemiology and control of citrus black spot in South

    Africa. Plant Dise., 65, : .945-950, 1981.

  • 248

    ROBBS, C. F.; BITTENCOURT, A. M. A mancha preta dos citros: um dos

    fatores limitantes produo citrcola do Estado do Rio de Janeiro.

    Guaratiba: EMBRAPA/CTAt, 1955. 5p. (Comunicado Tcnico, 19).

    SCHUTTE, G. C.; BEETON, K. V.; KOTZ, J. M. Rind stippling on Valencia

    orange by copper fungicides used for control of citrus black spot in

    South Africa. Plant Dis., 81, : 851-854, 1997.

    SPOSITO, M. B.; AGUILAR-VILDOS, C.I.; FEICHTENBERGER, E.; MORAES,

    M.R.; RUBIN, C.A. Avaliao de tratamentos fungicidas no controle de

    mancha preta em frutos de laranjeiras 'Natal'. Fitopatol. Bras., 24 :

    334, 1999.

    SPOSITO, M. B.; AGUILAR-VILDOS, C.I.; MORAES, M.R.;

    FEICHTENBERGER, E. poca de aplicao de fungicidas no controle de

    mancha preta (Guignardia citricarpa) em laranjeira 'Pera'. Summa

    Phytopathol., 26: 119, 2000.

    MOSCA BRANCA EM HORTALIAS

    Pesquisadores Cientficos Zuleide A. Ramiro1 & Jos R. Scarpellini2

    1 Eng. Agrnoma, Dra. Laboratrio de Manejo Integrado, Centro

    Experimental do Instituto Biolgico, Instituto Biolgico. Caixa Postal 70,

    13001-970-Campinas/SP. E-mail: zramiro@uol.com.br ; 2 Eng.

    Agrnomo, Laboratrio Sanidade Animal e Vegetal, Centro de Ao

    Regional, Instituto Biolgico. R. Peru n. 1472-A 14075-310 Ribeiro

    Preto SP. E-mail:jrscarpellini@netsite.com.br

    Nas ltimas dcadas, o complexo de mosca-branca, Bemisia spp.,

    tem sido registrado como pragas de importncia econmica em diversos

  • pases dos diferentes continentes. Nas regies da Amrica Central e do

    Sul os maiores danos so devidos aos efeitos indiretos como vetores de

    geminivirus, principalmente em culturas de tomate. A partir da dcada de

    80 um novo bitipo, B tabaci Bitipo B ou como mais conhecida. B.

    argentifolii, caracterizado por ter um amplo nmero de plantas

    hospedeiras, passou a ter enorme importncia nos EUA, Caribe e

    Amrica Central. Este bitipo foi registrado em 1993, no Distrito Federal

    e em 1994 em diferentes espcies de hortalias (brcolos, berinjela,

    aboboreira...) e plantas invasoras no Estado de So Paulo.

    A mosca branca B. argentifolii apresenta caractersticas que a

    diferencia da espcie B. tabaci no que diz respeito interao inseto x

    planta hospedeira. Quanto mais a planta preferida maior o nmero de

    ovos/fmea, maior taxa de oviposio, maior longevidade das fmeas,

    conseqentemente maiores populaes em curto perodo de tempo. Alm

    destas caractersticas, completa seu desenvolvimento em plantas de

    tomate, ocorre em um maior nmero de plantas cultivadas e induz

    alteraes fitotxicas em curcubitceas, tomate e brcolos.

    Na cultura do tomate, a mosca branca pode ocasionar danos direto

    e indireto. Os danos diretos so provocados pela suco da seiva e ao

    toxicognica, alm da liberao de secrees aucaradas favorecendo o

    desenvolvimento de fumagina, fungo que desenvolve um miclio de cor

    escura na superfcie das folhas, interferindo na sntese de clorofila e

    trocas gasosas. Estes danos provocam anomalias fittoxica,

    caracterizadas pelo amadurecimento irregular dos frutos o que dificulta o

    reconhecimetno do ponto de colheita, reduz a produo e, no caso de

    tomate industrial, a qualidade da pasta. Internamente, os furtos

    apresentam-se, com aspecto esponjoso ou isoporizados. Os danos

  • 250

    indiretos causados pela transmisso de vrus, em geral, so visualizados

    pelo amarelecimento total da planta, nanismo acentuado e enrugamento

    severo das folhas terminais.

    Em abbora ocorre o prateamento da folha, caracterizando a

    ocorrnc ia de B. argentifolii , provavelmente devido injeo de uma

    fitotoxina sistmica pelas ninfas e em plantas ornamentais ocorre reduo

    do valor esttico e comercial da cultura.

    Em culturas de brcolos e repolho causa o embranquecimento do

    caule e em cenoura o clareamento da raiz.

    As espcies de moscas-brancas, como de outros insetos sugadores

    da mesma ordem, tm como caracterstica a excreo de substncias

    aucaradas as quais cobrem as folhas e servem de substrato para fungos,

    resultando na formao da fumagina, que reduz o processo de

    fotossntese afetando a produo e qualidade, principalmente em culturas

    de hortalias.

    Tanto as formas jovens (ninfas) como os adultos causam danos as

    plantas e as maiores dificuldades de controle esto relacionadas a grande

    capacidade de adaptao e reprodutivas destes insetos alm do fato de

    durante todas as fases de ninfa permanecerem fixas na face inferior das

    folhas dificultando, principalmente o controle qumico.

    At a presente data no existe um mtodo que isoladamente seja

    eficiente no controle desta praga sendo que, para reduzir os danos o

    agricultor tem que adotar diversos mtodos seguindo as recomendaes

    do Manejo Integrado (MIP) o qual envolve o uso simultneo de

    diferentes tcnicas de supresso populacional, objetivando manter um

    nvel populacional que no cause danos econmicos.

  • A adoo do MIP est fundamentada em dois critrios bsicos:

    monitoramento e nvel de dano econmico.

    O monitoramento consiste no acompanhamento da ocorrncia da

    praga de tal forma que as medidas de controle sejam adotadas em tempo

    de reduzir a densidade populacional do inseto para nveis que no causam

    danos de importncia econmica. Depois da primeira infestao de

    mosca-branca a colonizao aumenta drasticamente. Por este motivo

    importante o acompanhamento desde o inicio da germinao das plantas

    atravs de observao da presena de ovos e/ou ninfas, na parte inferior

    das folhas e dos adultos utilizando armadilhas adesivas. Estas armadilhas

    podem ser confeccionadas com materiais plsticos, como garrafas,

    pintadas de amarelo e untadas com uma substncia oleosa. O inseto

    atrado pela cor fica aderido na armadilha permitindo que se constate o

    aparecimento dos primeiros adultos.

    Por nvel de dano econmico (NDE) entende-se a menor

    densidade de populao da praga que poder causar prejuzos

    econmicos justificando medidas de controle. Em relao ao NDE

    ocasionado pela mosca-branca no existem nveis estabelecidos e devido

    ao baixo nmero de adultos necessrios para disseminar vrus a

    recomendao baseia-se no nvel de ao que se resume presena do

    inseto na planta.

    Acompanhando o desenvolvimento populacional da mosca-

    branca, desde o inicio do aparecimento dos primeiros adultos o agricultor

    poder lanar mo dos diversos mtodos de controle recomendados nos

    programas de MIP, sendo os abaixo relacionados os que tm sido

    comprovados como eficientes para a convivncia com esta praga:

  • 252

    Normatizar calendrios de plantio evitando com isto a disseminao

    da praga de reas mais velhas para as mais novas;

    Destruir restos de culturas, imediatamente, aps a colheita;

    Manter a rea limpa, se possvel, trinta dias antes do plantio;

    Plantas armadilhas. reas com culturas preferidas pela mosca-branca,

    como o pepino e a berinjela, na qual sero aplicados inseticidas

    sistmicos a partir do aparecimento dos primeiros adultos. Estas plantas

    devero ser inutilizadas aps a colheita da cultura principal;

    Sementes de boa qualidade e de alto poder germinativo. Mesmo no

    sendo resistente a mosca-branca so fundamentais para que a planta

    suporte um maior nvel populacional.;

    Formar os viveiros de mudas distantes de culturas infestadas,

    proteger a sementeira com tela, tecido ou plstico e com controle

    qumico;

    Pulverizar as mudas antes do transplante;

    Utilizar armadilhas adesivas por volta da rea cultivada;

    Aumentar a densidade de plantas o que permitir eliminar aquelas

    que apresentarem sintomas de viroses;

    Utilizar coberturas repelentes mosca-branca (plstico preto ou

    prateado, palha de arroz, restos vegetais provenientes de capina)

    Fazer rotao de culturas

    As medidas acima reduzem a incidncia da mosca-branca, porm,

    no elimina a utilizao do controle qumico. Este o mtodo mais

    utilizado, no entanto, devido a grande capacidade reprodutiva deste

    inseto registra-se o aparecimento, em curto prazo, de populaes

  • resistentes, por este motivo o agricultor deve observar os seguintes

    pontos:

    No caso de alta infestao da praga, o controle qumico deve ser

    iniciado logo aps o transplantio e ser repetido durante os 30 dias

    seguintes, utilizando-se produtos seletivos;

    No aplicar inseticidas reguladores de crescimento de insetos mais de

    uma vez durante o ciclo de da cultura;

    Limitar a utilizao de inseticidas em funo dos nveis de

    infestaes;

    Diversificar os ingredientes ativos atravs de rotao entre diversos

    grupos qumicos;

    Manter em bom estado os equipamentos utilizados na aplicao dos

    produtos;

    Usar a dosagem indicada pelo fabricante e a quantidade de gua

    adequada;

    Realizar as pulverizaes entre 6:00 e 10:00 horas ou a partir das

    16:00 horas, evitando a rpida evaporao de gua e a degradao dos

    produtos;

    Obedecer ao perodo de carncia dos produtos para realizar a

    colheita;

    Quando observar que o produto aplicado no teve o efeito esperado,

    apesar de ser recomendado para o controle da praga, contactar o

    agrnomo da Casa da Agricultura local.

    Bibliografia Consultada

    FRANA, F.H.; VILLAS BOAS, G. L. & CASTELO BRANCO, M. Ocorrncia

    de Bemisia argentifolii Bellows & Perring (Homptera: Aleyrodidae)

    no Distrito Federal. An. Soc. Entomol. Bras., 25: 369-372, 1966..

  • 254

    HAJI, F. N. P.; MATTIS, M. A. DE A.; BARBOSA, F. R. & ALENCAR, J. A.

    1998. Estratgias de controle da mosca branca Bemisia argentifolii

    Belows & Perring, 1994. Apostila do curso sobre mosca branca,

    promovido pela EMBRAPA-Algodo. Campina Grande/Pb. 20p.

    HILJE, L. 1996. Metodologias para el estudio y manejo de moscas

    blancas y geminivrus . Turrialba: CATIE. Unidad de Fitoproteccin.

    150p.

    HILJE, L. 2000. Prcticas agrcolas para el manejo de Bemisia tabaci.

    Manejo integrado de plagas 36: 22-30.

    LOURENO, A. L & NAGAI, H. 1994. Surtos populacionais de Bemisia

    tabaci no Estado de So Paulo. Bragantia, 53: 53-59.

    VILLAS BAS, G. L.; FRANA, F. H.; VILA, A. C. DE; BEZERRA, I. C.

    1997. Manejo integrado da mosca-branca Bemisia argentifolii.

    EMBRAPA/Hortalias, Circular Tcnica n 9, 10p.

    MANEJO DE PRAGAS EM CULTURAS DE TOMATE E PIMENTO

    Pesquisadora Cientfica Silvia De Lamonica Imenes

    Eng. Agrnoma, Centro Sanidade Vegetal, Instituto Biolgico, So

    Paulo, Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Cx. Postal 12898,CEP

    04010-970, Tel. (11) 5087 1705. E-mail: imenes@biologico.br

    1. Introduo

    Para atender as exigncias quanto sustentabilidade e qualidade

    dos produtos agrcolas e do meio ambiente, aconselha-se incorporar os

    conceitos da Agroecologia e do Manejo Integrado de Pragas s

    metodologias do controle fitossanitrio. Sob este enfoque, insetos e

  • caros fitfagos so considerados pragas apenas quando atingem nveis

    populacionais suficientes para causar danos econmicos. Isto ocorre em

    decorrncia de um desequilbrio ambiental, que cria um meio favorvel

    populao de insetos pragas e desfavorvel planta e populao de

    insetos benficos que coexiste no ecossistema.

    Ecossistemas equilibrados tendem a apresentar menos problemas

    fitossanitrios. Assim, plantas mantidas em ambientes diversificados,

    com boas condies fsicas, qumicas e biolgicas de solo e bem

    adaptadas s condies climticas locais, apresentam muito boa

    resistncia ao ataque de pragas. Desta forma, devemos considerar

    atentamente as possibilidades de adequao do sistema produtivo, alm

    das possibilidades de utilizao das medidas culturais e/ou mecnicas que

    possam funcionar como tcnicas preventivas ou curativas de controle.

    Para a Agroecologia, os mecanismos de reequilbrio do sistema

    produtivo englobam os seguintes fatores principais:

    o aumento da biodiversidade, para preservar e ampliar os nichos de

    inimigos naturais.

    a recuperao da biomassa do solo, pela adio de matria orgnica e

    adubos verdes.

    a nutrio vegetal adequada, pela eliminao dos fertilizantes de alta

    solubilidade.

    O Manejo Integrado de Pragas (MIP), tem como principal

    objetivo a racionalizao do uso de produtos qumicos na agricultura,

    visando a reduo dos custos de produo e a proteo do equilbrio

    biolgico do ambiente. A idia de se elaborar uma metodologia de

    manejo surgiu em resposta aos problemas gerados pelo uso

    indiscriminado e abusivo de inseticidas que, interferindo no equilbrio do

  • 256

    agroecossistema, tem acarretado dificuldades no controle das pragas tais

    como:

    ressurgncia de pragas em picos populacionais incontrolveis, devido

    eliminao dos inimigos naturais pelo uso de inseticidas no seletivos.

    aparecimento de pragas secundrias que originalmente estariam

    sendo controladas pelos inimigos naturais eliminados.

    seleo de populaes pragas resistentes ao controle, devido ao uso

    inadequado e repetio de produtos de mesmo princpio ativo e/ou

    mecanismo de ao.

    As tticas de MIP abrangem fundamentalmente o monitoramento

    das pragas-chaves da cultura e a adoo de medidas preventivas e

    alternativas, na tentativa de relegar o uso de produtos qumicos como

    ltima opo de controle. Para tanto determina os seguintes passos:

    conhecimento prvio das pragas-chaves e de seus inimigos naturais

    amostragem peridica das populaes de pragas e inimigos naturais

    determinao do Nvel de Tolerncia da cultura, ou seja , que

    populao da praga a planta suporta sem apresentar prejuzos

    econmicos, estabelecendo-se o Nvel Econmico de Dano ou Nvel

    de Ao para o controle

    tomada de deciso para o controle

    escolha do mtodo de controle

    utilizao de medidas preventivas e/ou alternativas

    Ao incorporar os conceitos da Agroecologia metodologia do

    MIP pode-se dizer que para a obteno de culturas com um bom estado

    fitossanitrio deve-se observar os seguintes procedimentos bsicos:

    escolha de variedades, manuteno do bom estado nutricional da cultura,

    reconhecimento das pragas chaves e inimigos naturais, monitoramento

  • peridico das pragas e inimigos naturais e adoo de medidas de controle

    (alternativas e convencionais).

    2. Escolha de Variedades

    Num mesmo cultivo sugere-se a utilizao de mais de uma

    variedade, evitando grandes reas de monocultura, para preservao da

    diversidade do agroecossistema. Esta diversidade visa manter baixas as

    populaes dos organismos fitfagos em funo de sua preferncia

    alimentar.

    Na escolha das variedades deve-se preferir as mais rsticas e mais

    adaptadas s condies climticas e edafolgicas do local de plantio. As

    sementes e mudas devem ser sadias e adquiridas de fornecedores

    idneos. Sempre que possvel interessante intercalar as faixas de cultivo

    com outras espcies vegetais e rotacionar as culturas.

    3. Manuteno do Bom Estado Nutricional da Planta

    Sabe-se que culturas nutricionalmente equilibradas so mais

    resistentes aos agentes patognicos e parasitolgicos. A manuteno da

    estrutura e da fertilidade do solo resultam em maior aerao, reteno de

    gua e disponibilidade de nutrientes, propiciando um melhor

    desenvolvimento das razes e maior vigor do vegetal. Os procedimentos

    abaixo relacionados contribuem para elevar as qualidades fsicas,

    qumicas e biolgicas do solo:

    realizao de anlise do solo para auxiliar na reposio correta de

    nutrientes essenciais para a cultura. Deve-se dar preferncia aos

    fertilizantes naturais e de menor solubilidade para reduzir as perdas por

    lixiviao. Deve-se evitar os fertilizantes sintticos e altamente solveis

  • 258

    pois eles tendem a elevar a concentrao de acares, aminocidos e

    nitratos livres na seiva das plantas, favorecendo as populaes de insetos

    fitfagos, principalmente os sugadores.

    adio de matria orgnica na forma de compostos, estercos bem

    curtidos e/ou material vegetal lignificado triturado (bagao de cana,

    capins, palhada de milho), pois fornecem nutrientes e melhoram a

    disponibilidade dos j existentes, alm de contriburem para melhor

    estrutura do solo.

    uso de adubos verdes que fornecem nitrognio e melhoram a

    estrutura do solo em maiores profundidades, devido a ao das razes. Os

    adubos verdes, alm de fornecerem nutrientes, so excelentes

    escarificadores.

    utilizao de cobertura morta para proteger o solo contra os extremos

    de temperatura e os impactos de chuvas fortes, o que resulta na

    manuteno de uma boa estrutura do solo. Alm disso, a cobertuta morta

    evita perdas de gua, reduz a germinao de plantas silvestres e auxilia

    na manuteno de microrganismos benficos.

    4. Reconhecimento das Pragas

    Vetores de vrus: so sugadores de seiva e limitantes at os 60 dias

    aps a germinao; transmitem o vrus a partir das picadas de prova,

    portanto sua simples presena j determina o nvel de ao.

    Pulges ou afdeos (Hemiptera: Aphididade): Myzus persicae: vetor

    das viroses do topo amarelo, amarelo baixeiro, mosaico Y e mosaico

    comum.

    Mosca branca (Hemiptera: Aleyrodidae): Bemisia tabaci e Bemisia

    argentifolii: transmissoras da virose do mosaico dourado

  • Cigarrinhas (Hemiptera: Cicadelidae): Agallia albidula, Agalliana

    ensigera e A. sticticollis: vetoras do enrolamento das folhas.

    Tripes (Thysanoptera: Thripidae): Frankliella schulzei: transmissor

    do vrus do vira cabea. Thrips tabaci e Frankliniella ocidentalis

    tambm transmitem viroses, mas so menos frequentes. Thrips palmi

    uma espcie extremamente polfaga, recm introduzida no Brasil.

    Traas broqueadoras e minadoras (Lepidoptera: Gelechiidae): Tuta

    absoluta e Phthorimaea operculella: as lagartas minam folhas e

    broqueiam os ponteiros, frutinhos novos e maduros.

    Lagartas broqueadoras de frutos (Lepidoptera): Neoleocinodes

    elegantalis (Piralydae): as lagartas penetram nos frutos em

    desenvolvimento e broqueiam seu interior. Heliothis zea (Noctuidae):

    lagarta da espiga do milho, se alimenta dos frutos.

    Mosca minadora de folhas (Diptera: Agromyzidae): Liriomyza

    sativae faz picadas de prova, alimentao e oviposio no tecido vegetal;

    as larvas minam as folhas, alimentando-se do parnquima foliar e

    diminuindo a rea fotossinttica; ocasionam necroses e danificam os

    tecidos condutores de seiva, o que provoca a queda prematura das folhas.

    5. Reconhecimento dos Inimigos Naturais

    Os inimigos naturais representam a fauna benfica do

    agroecossistema, sendo significativamente favorecidos pela manuteno

    da biodiversidade local e pelo uso reduzido e seletivo de produtos

    qumicos. O controle de pragas por meio de agentes biolgicos pode

    ocorrer naturalmente, por meio da fauna j existente, ou por sua

    introduo na cultura; os agentes biolgicos podem ser encontrados entre

    os insetos, caros, aranhas, nematides, fungos, bactrias e vrus. Os

    inimigos naturais so denominados parasitides quando completam seu

  • 260

    ciclo vital em um nico hospedeiro, predadores quando se alimentam de

    vrios indivduos at completarem seu ciclo vital e patgenos quando

    constituem microrganismos inferiores e parasitas.

    Ao tomar decises para o controle de pragas deve-se estar atento

    para a existncia das espcies entomfagas que devem ser preservadas.

    -Ordem Hymenoptera:

    *Formigas predadoras: Solenopsis sp. e Pheidole sp. (predadores

    inespecficos).

    *Vespas predadoras: Polistes sp., Polybia spp., Bracygastra lecheguana,

    Protonectarina silveirae (predam lagartas); Scutellista sp. (preda ovos de

    cochonilhas).

    *Microvespas parasitides: Apanteles sp., Calliephialtes sp., Campoletis

    sp., Microcarops sp. e Bracon sp. (parasitam lagartas); Aphelinus sp. e

    Aphidius sp. (parasitam pulges); Aspiditiophagus sp. e Neodusmetia sp.

    (parasitam cochonilhas) Telenomus sp. e Trichogramma sp. (parasitam

    ovos de lepidpteros); Tetrastichus sp., Tripoctenus sp. e Dasyscapus sp.

    (parasitam aleiroddeos e tripes); Diglyphus sp., Chrysocharis sp.,

    Chrysotomya sp. (parasitam moscas minadoras).

    -Ordem Coleptera: Besouros predadores: Calosoma sp., Callida sp. e

    Lebia sp. (predadores inespecficos); Azya sp.; Pentilia sp. e Rodolia sp.

    (predam cochonilhas); Coleomegilla sp. (predam pulges e ovos de

    lepidpteros); Cycloneda sp., Eriopsis sp. e Olla sp. (predam pulges).

    -Ordem Diptera

    *Moscas predadoras: Pseudodoros sp. (larvas predam pulges) e Syneura

    sp. (larvas predam cochonilhas).

  • *Moscas parasitides: Lixcophaga sp., Metagonistylum sp.; Paratheresia

    sp. e Xanthozoma sp. (larvas parasitam lagartas); Sarcodexia sp. (larvas

    parasitam besouros).

    -Ordem Hemiptera - Heteroptera

    *Percevejos predadores: Macrotracheliella sp. (predam tripes); Nabis sp.

    (predam ovos de insetos e ninfas de percevejos); Geocoris sp. e Orius sp.

    (predam caros, tripes, lagartas, ninfas de percevejos e cigarrinhas,

    pulges e ovos em geral); Zelus sp. (predam ovos, besouros, moscas,

    pulges, cochonilhas e lagartas); Alcaeorhynchus sp. (predam lagartas,

    larvas de besouros e ninfas de percevejos).

    -Ordem Thysanoptera: Espcies de tripes predadoras alimentam-se de

    caros, pulges, cochonilhas e tripes: Franklinothrips vespiformis e

    Scolothrips sexmaculatus (predam tripes).

    -Ordem Dermaptera: Tesourinhas predadoras: Doru sp. e Labidura sp.

    (predadores inespecficos).

    -Ordem Neuroptera: as larvas so conhecidas como "bichos lixeiros":

    Corydalus sp., Mantispa sp., Chrysopa sp., Ceraeochrysa sp. e

    Haplogenius sp. (predadoras inespecficas).

    -Ordem Odonata: Liblulas so predadoras inespecficas.

    -Ordem Acari: Muitas famlias de caros possuem representantes

    entomfagos, como Phytoseiidae que alimenta-se predominantemente de

    caros fitfagos tetraniqudeos e eriofdeos: Phytoseiulus macropilis

    preda ovos do caro Tetranychus urticae. Aranhas so eficientes

    predadoras inespecficas de larvas e adultos de insetos.

    -Ordem Nematoda: Espcies de nematides so parasitas de insetos:

    Agamermis sp. e Mermis sp. parasitam gafanhotos e Neoaplectana sp.

    parasita larvas de colepteros e lagartas.

  • 262

    -Fungos, Bactrias e Vrus: Beauveria sp. age sobre colepteros, lagartas

    e tripes, Nomuria sp. age sobre lagartas, Cladosporium sp. age sobre

    pulges, Metarrhizium sp. age sobre cigarrinhas, Myriangium sp.,

    Nectria sp., Verticillium sp., Sphaerostille sp. e Acrostalagmus sp. agem

    sobre cochonilhas. Bacillus thuringiensis vem sendo usado com sucesso

    no controle de algumas lagartas. Espcies de Baculovirus tm sido

    utilizadas para o controle de lagartas especficas.

    6. Monitoramento das Pragas-Chaves e Inimigos Naturais

    O monitoramento constitui-se na contagem ou amostragem do

    nmero de pragas-chaves e inimigos naturais presentes (ovos, ninfas ou

    larvas, adultos e danos causados) com o fim de avaliar-se o equilbrio

    entre estas duas populaes. As contagens devem ser peridicas e, em

    funo de seus resultados sero tomadas as decises sobre o controle,

    com intuito de reduzir as populaes de pragas e preservar as de inimigos

    naturais. As amostragens podem ser feitas por avaliaes visuais ou com

    utilizao de armadilhas.

    Outro parmetro que influi na deciso sobre o controle o nvel

    de suporte da cultura ou seja, o nvel de dano econmico ou nvel de

    ao.

    7. Adoo de Medidas de Controle

    Medidas Alternativas

    utilizao de faixas com plantas atrativas s pragas que funcionem

    como iscas, possibilitando o controle localizado (taiui: atrativo para

    Diabrotica sp.)

  • utilizao de faixas com plantas que funcionem como barreiras (sorgo

    granfero, milho e crotalria, so barreiras para o trnsito de pulges e

    propiciam alimento e abrigo para predadores inespecficos).

    utilizao de faixas com plantas repelentes a insetos tais como

    gernio, hortel e tagetes.

    Tabela 1: Pragas, sugestes de amostragens e nveis de ao: (adaptado

    de GRAVENA, 2000)

    Amostragem (2x /

    semana)

    Nvel de Ao

    Pragas-chaves

    Vetores de viroses (at 60 dias) Frankliniella schulzei (tripes) Myzus persicae (pulgo) Bemisia tabaci (mosca branca)

    Batedura de ponteiros em caixas de PVC (20x8cm) com fundo branco

    1 vetor por ponteiro

    Traa de folhas, ponteiros e frutos (todo o ciclo) Tuta absoluta

    Larvas vivas nas folhas do ponteiro Exame das pencas para % de pencas com ovos

    25% de folhas com larvas vivas 5% de pencas com ovos

    Broca de frutos Neoleucinodes elegantalis

    Exame das pencas para % de pencas com ovos

    5% de pencas com ovos

    Pragas secundrias Broca de frutos Heliothis zea

    Presena de ovos nas folhas do tero superior

    4 ovos / 100 folhas

    Mosca minadora de folhas Liriomyza sp.

    Larvas vivas nas folhas dos ponteiros

    25% de folhas com larvas

  • 264

    manuteno de bordaduras com vegetao nativa, intercaladas com as

    faixas de cultivo, para abrigo dos inimigos naturais.

    cobertura do solo com superfcies que reflitam os raios ultra violetas,

    que repelem as populaes aladas de pulges (palha de arroz, papel

    laminado).

    revolvimento do solo antes do plantio para eliminao dos ovos,

    larvas e/ou pupas de pragas como paquinhas, lagarta rosca, mosca

    minadora.

    rotao de culturas com vegetais de famlias diferentes, para quebrar

    o ciclo das pragas.

    utilizao de armadilhas e iscas atrativas visando a reduo da

    populao de pragas. Armadilhas adesivas e bandejas com gua so

    eficientes para captura de tripes quando pintadas de azul, amarelo ou

    branco e, se pintadas de amarelo so eficientes para coleta de pulges,

    moscas brancas e dpteros minadores. A cor azul tem se mostrado

    repelente para mosca branca. Armadilhas luminosas so eficientes para

    captura de insetos de hbitos noturnos. Iscas atrativas base de farelo de

    trigo (1kg), melao ou acar mascavo (100g) e inseticida fosforado ou

    carbamato (100g), so eficientes no controle de pragas de solo como

    grilos, paquinhas, lagarta rosca e larvas de besourinhos.

    uso de biofertilizante lquido (repelente e inseticida para pulges,

    tripes, cochonilhas, percevejos, etc).

    uso de extratos vegetais repelentes (tagetes ou pimenta que repelem

    pulges e tripes).

    uso de extratos vegetais inseticidas (piretro, fumo, alamanda, arruda,

    coentro ou tagetes apresentam efeito sobre pulges, tripes, cochonilhas e

    caros).

  • antecipao ou atraso na poca de plantio podem auxiliar na reduo

    da populao de pragas.

    8. Medidas Convencionais Restringe-se ao uso de inseticidas qumicos, que deve ser

    considerado sempre como a ltima opo de controle. Deve ser efetuado

    apenas por mo de obra habilitada, com uso de equipamentos de proteo

    individual e utilizao de equipamentos de aplicao adequados e bem

    calibrados. A escolha dos produtos deve se restringir queles que

    possuam registro para a cultura, observando-se os seguintes cuidados:

    preferir os produtos de menor DL50; preferir os mais seletivos aos

    inimigos naturais, ou seja, aqueles mais especficos; seguir rigorosamente

    as dosagens e freqncias recomendadas na bula; alternar produtos com

    diferentes princpios ativos e mecanismo de ao; nunca repetir mais que

    duas vezes o mesmo produto; fazer as aplicaes da forma mais

    localizada possvel; - intercalar reas tratadas e no tratadas.

    9. Bibliografia

    BONILLA , J. A. Fundamentos da agricultura ecolgica, So Paulo,

    Nobel, 1992.

    CROCOMO, W.B. (coord.). Manejo de pragas. Botucatu, FEPAF -

    UNESP, 1984, 240p.

    FRANA, F. H. Consideraes sobre um programa de manejo integrado de

    pragas em hortalias no Brasil. In: Congresso Brasileiro, 24., e

    Reunio Latino Americana de Olericultura,. p. 104 128, 1984.

    FEITOSA, C. T. (coord.). Simpsio de Agricultura Ecolgica, 1.,

    Campinas, IAC, 1993, Fundao Cargill, 1993, 260p.

  • 266

    GRAVENA, S. Manejo integrado de pragas do tomateiro. In: Congresso

    Brasileiro, 24., e Reunio Latino Americana de Olericultura, p.

    129-149, 1984.

    GUERRA, M. de S. Alternativas para o controle de pragas e doenas

    de plantas cultivadas e de seus produtos. Braslia, EMBRATER,

    1985, 166p.

    IMENES, S. D. L. (coord.). Ciclo de palestras sobre agricultura

    orgnica, 2., So Paulo, Instituto Biolgico, 1997, Campinas,

    Fundao Cargill, 1997, 149p.

    NAKANO, O. Manejo para resistncia das pragas aos defensivos. In:

    Simpsio Brasileiro de Flores e Plantas Ornamentais, p. 53-59,

    1992.

    PASCHOAL, A. B. Pragas, praguicidas e a crise ambiental: problemas

    e solues. Rio de Janeiro, Fundao Getlio Vargas, 1979, 102p.

    PRIMAVESI, A. Manejo ecolgico de pragas e doenas: tcnicas

    alternativas para a produo agropecuria e defesa do meio

    ambiente. So Paulo, Nobel, 1988, 137p.

    PRIMAVESI, A. Agricultura sustentvel. Manual do produtor rural.

    So Paulo, Nobel, 1992, 142p.

    TRANI, P.E. & MACEDO, A.C. de (coords.) Conceitos e Tcnicas do

    Manejo Integrado de Pragas e Doenas das Culturas. So Paulo,

    Secretaria de Agricultura e Abastecimento, 2000, v.1, 40p, Manual

    Tcnico, Srie Especial.

    TRANI, P.E. & MACEDO, A.C. de (coords.) Manejo Integrado de Pragas

    e Doenas do Tomateiro. So Paulo, Secretaria de Agricultura e

    Abastecimento, 2000, v.6, 66p, Manual Tcnico, Srie Especial.

  • DOENAS FNGICAS DO TOMATEIRO E DO PIMENTO

    Pesquisador Cientfico Celso Sinigaglia

    Eng. Agrnomo, Laboratrio de Fitopatologia, Centro experimental do

    Instituto Biolgico, Instituto Biolgico. Cx Postal 70. CEP 13001-970,

    Campinas SP, Tel (19) 3252-1657. E-mail: celso@biologico.br

    1. Doenas fngicas do tomateiro

    Introduo

    O tomateiro uma cultura que ocupa um lugar de destaque no

    estado de So Paulo, sendo a hortalia com maior volume de

    comercializao. Por ser uma cultura de grande adaptao climtica,

    cultivada em diversos municpios paulistas representando mais de 50 %

    da produo brasileira.

    A cultura do tomateiro dificultada em razo da ocorrncia de

    pragas e doenas que requerem o uso de defensivos agrcolas, o que

    representa cerca de 17% do custo de produo, sendo grande parte

    afetada por doenas fngicas.

    a) Requeima - Phytophthora infestans

    A requeima a mais destrutiva doena do tomateiro podendo

    dizimar culturas inteiras em poucos dias. O agente causal, o fungo

    Phytophthora infestans, exige determinadas condies climticas para o

    seu desenvolvimento. A alta umidade relativa do ar (90-100%), com dias

    nublados e chuviscos, juntamente com baixas temperaturas de 20C, so

    condies predisponentes ao desenvolvimento da doena. temperatura

    de 15oC existe aumento na intensidade da doena, devido germinao

    indireta dos esporngios.

  • 268

    Nessas condies, extremamente favorveis, podem-se observar

    nas leses da pgina inferior das folhas as estruturas do patgeno

    formadas por esporangiforos e esporngios, com aspecto cotonoso

    cinza-claro. Toda parte area da planta pode ser afetada

    Nos fololos, as leses apresentam forma irregular com aspecto de

    tecido verde-escuro encharcado. Com o progresso da doena, as leses

    aumentam de tamanho, tornando-se de cor parda com tendncia ao

    secamento. Nas hastes, a infeco produz manchas longitudinais que

    acarretam comprometimento dos tecidos terminais. Os frutos infectados

    adquirem tonalidades amarronzadas a castanhas, podendo evoluir

    atingindo a totalidade dos frutos da planta. Como no se dispe de

    variedades e hbridos comerciais com resistncia doena, o controle

    qumico tem sido o mais utilizado e eficaz no combate doena.

    As medidas de controle qumico devem ser preventivas com

    fungicidas protetores, como Mancozeb, Chlorothalonil e Fluazinam.

    Quando as condies ambientais estiverem muito favorveis doena,

    deve-se utilizar os produtos sistmicos especficos, tomando-se cuidado

    com alternncia entre protetores e sistmicos.

    Controle: evitar plantio prximo cultura em final de ciclo; evitar

    plantio em terrenos de baixadas midas, propcias ao acmulo de ar frio;

    destruir os restos de cultura; evitar o plantio em reas onde a doena

    tenha se manifestado intensamente; realizar rotao de culturas; evitar

    plantio prximo s margens de rios e lagos e controle qumico (Tabela

    1.).

    b) Pinta-preta ou mancha de Alternria:

  • a doena mais comum do tomateiro, estando disseminada por

    todas as regies de plantio do pas, podendo se manifestar em todas as

    fases de desenvolvimento da planta. Pode causar grandes danos devido a

    sua incidncia nas folhas e frutos e, mais raramente, no caule. As leses

    aparecem primeiramente nas folhas mais velhas na forma de pequenas

    pontuaes pardo-escuras. Com a evoluo da doena, aumentam de

    dimetro, tendendo a formatos ovalados ou circulares de colorao parda

    com crculos concntricos, tendendo a negros. Nas hastes, as leses so

    longitudinais e pardo-escuras. Nos frutos, as perdas podem ser diretas

    ocasionadas pela podrido peduncular de formato circular, s vezes com

    fendilhamento.

    A doena causada pelo fungo Alternaria solani (Ell. & Mont.)

    Jones & Grout que, para seu desenvolvimento, exige condies

    ambientais mais amplas que outras doenas de grande importncia. A

    faixa de temperatura de 24-30oC e a alta umidade relativa so suficientes

    para que haja grande incidncia na cultura. O fungo sobrevive em restos

    de cultura e pode ser transmitido aderido semente.

    O controle qumico segue as recomendaes bsicas para a

    cultura com os fungicidas base de Mancozeb e/ ou Chlorothalonil,

    alternando, quando necessrio, com os fungicidas recomendados do

    grupo triazis. Tambm outros fungicidas, como Iprodione e

    Procimidone, apresentam boa eficincia e podem ser aplicados

    alternadamente com os produtos citados.

    Controle: utilizar variedades resistentes; utilizar sementes sadias;

    fazer rotao de culturas; adubar de forma equilibrada; preparar bem o

    solo com arao profunda e controle qumico (Tabela 1.).

  • 270

    c) Septoriose - Septoria lycopersici

    A septoriose uma doena muito freqente, podendo causar

    perdas elevadas devido a sua caracterstica de atacar as folhas baixeiras,

    expondo os frutos aos raios solares. As perdas so mais elevadas quando

    o ataque se d no incio da cultura.

    O fungo Septoria lycopersici, responsvel pela doena, sobrevive

    em restos de cultura e em algumas plantas daninhas. Os sintomas

    ocorrem intensamente nas folhas, podendo ser notados tambm em

    caules e pecolos. As leses apresentam-se em forma circular com

    dimetro em torno de 2mm, formado por tecido necrtico de bordos

    escuros e centro cinza-claro, no qual pode-se observar a olho nu os

    picndios que formam as frutificaes do patgeno. A coalescncia das

    leses deixa aspecto de grande rea necrosada. As condies

    predisponentes doena so alta umidade relativa com chuvas e

    temperaturas de 20-25oC.

    O controle qumico preventivo da pinta-preta com os fungicidas

    indicados suficiente.

    Controle: Rotao de culturas; evitar irrigao por asperso;

    destruir os restos de cultura; realizar adubao balanceada e controle

    qumico (Tabela 1.).

    d). Mancha de Estenflio - Stemphylium solani

    A mancha de Estenflio, embora ocorra em todas regies

    produtoras, mais limitada em relao s outras doenas foliares. Ao

    contrrio da septoriose, inicia-se pelas folhas superiores causando

    pequenas leses pardo-escuras distribudas no limbo foliar, mais visveis

    no dorso das folhas. Com a evoluo da doena, tornam-se necrticas de

  • formato irregular com bordos escuros, ficando com o centro claro e seco,

    e normalmente apresentam rupturas que do aspecto de folha perfurada.

    O fungo, agente causal da doena, Stemphylium solani, exige para

    seu melhor desenvolvimento temperaturas de 25-28oC e alta umidade. O

    patgeno sobrevive em restos de cultura e outras solanceas ocorrentes.

    A utilizao de variedades resistentes permite controle eficaz. Quanto ao

    controle qumico, os mesmos fungicidas usados para a pinta-preta so

    suficientes.

    Controle: utilizar variedades resistentes; eliminar restos de

    cultura; fazer rotao de culturas e controle qumico (Tabela 1.).

    e) Murcha de Fusarium - Fusarium oxysporum f. sp lycopersici.

    A murcha de Fusarium de distribuio generalizada em todos os

    solos brasileiros, causando grandes prejuzos em plantios de cultivares

    suscetveis. causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp lycopersici,

    que favorecido por temperaturas de 21-33oC, cujos sintomas se

    manifestam inicialmente com amarelecimento das folhas inferiores, com

    tendncia a subir para as mais novas, seguido de murcha nas horas mais

    quentes do dia, com recuperao no perodo fresco em sucesso at a

    murcha irreversvel. Normalmente, a infeco se d unilateralmente, por

    atingir os feixes vasculares, oriundos do sistema radicular infectado. Em

    corte longitudinal na base do caule, pode-se observar os tecidos

    vasculares afetados descoloridos no lado correspondente aos sintomas

    visveis do amarelecimento das folhas. Pode-se diferenciar da murcha de

    Verticillium pela descolorao mais persistente e caracterstica dos

    reflexos nas folhas amarelecidas.

  • 272

    Como se trata de fungo habitante de solo, sobrevive neste sobre a

    forma de condios e por perodos mais longos atravs de estruturas de

    resistncia, os clamidsporos, motivo pelo qual se torna invivel o seu

    controle. Por isso, a utilizao de variedades resistentes a melhor

    maneira de controlar a doena. A rotao de culturas por 2 a 4 anos

    recomendada para reduzir a fonte de inculo, porm no elimina a

    populao do patgeno.

    O fungo apresenta raas fisiolgicas com predominncia da raa

    1, existindo ainda as raas 2 e 3.

    Controle: plantar cultivares resistentes; utilizar sementes sadias;

    evitar a disseminao atravs de implementos agrcolas nas reas muito

    infestadas; ter cuidado com a gua de enxurradas e de irrigao e rotao

    de culturas.

    f) Murcha de Verticillium

    Essa doena tambm causada por fungo habitante de solo com

    distribuio generalizada parasitando muitas espcies de planta. A

    murcha de Verticillium tem sido ultimamente a doena fngica de solo

    mais freqente nas culturas estaqueadas, devida sucesso de plantios

    nas reas produtoras. Os danos causados se refletem diretamente na

    quebra de produo, desde a primeira penca. Isso ocorre porque o

    patgeno coloniza o sistema vascular, impedindo a translocao de

    nutrientes, fazendo com que a planta no responda adubao,

    produzindo, conseqentemente, frutos de pequeno tamanho.

    O sintoma mais evidente a descolorao do sistema vascular

    prximo ao colo, com reflexo de murcha na planta nas horas mais

  • quentes do dia, que se recupera no perodo noturno e assim

    sucessivamente, ficando a planta debilitada, mas geralmente sem morte.

    Outra caracterstica marcante da doena o amarelecimento das

    folhas mais velhas, s vezes em formato irregular, mas

    predominantemente em forma de V invertido nos bordos dos fololos,

    seguido de necrose dos tecidos.

    O fungo responsvel pela doena atribudo a duas espcies do

    gnero Verticillum: Verticillium albo-atrum e Verticillium dahliae. H

    uma tendncia de se atribuir a Verticillium dahliae pela abundncia de

    microesclerdios produzidos pela espcie, redundando em aumento do

    potencial do inculo nos solos cultivados intensivamente.

    O controle da doena s vivel com o uso de cultivares

    resistentes; a rotao de culturas, embora necessria, controvertida nas

    regies tradicionalmente produtoras por exigir perodos prolongados para

    a reduo de inculo no solo.

    Controle: utilizar variedades resistentes; fazer rotao com

    culturas no-suscetveis e eliminar plantas daninhas hospedeiras.

    g) Tombamento:

    Vrios fungos habitantes de solo ou aderidos semente podem

    causar tombamento das mudas. Entretanto predominam os fungos do

    gnero Pythium spp, Rhizoctonia solani e Phytophthora spp.

    O tombamento de pr-emergncia resulta em baixo (estande); em

    ps-emergncia, as plantas exibem sintomas ao nvel do solo e pouco

    acima com escurecimento, encharcamento e estrangulamento dos tecidos

    da planta com amarelecimento das folhas.

  • 274

    A doena no campo apresenta caracterstica de morte em

    reboleiras, ocorrendo principalmente em solos argilosos com excesso de

    chuvas e gua estagnada. O controle mais utilizado o tratamento de

    semente com fungicidas.

    Controle: utilizar sementes sadias; fazer tratamento de sementes

    com fungicidas recomendados; utilizar solo esterilizado para sementeira;

    evitar encharcamento; drenar bem o solo e controle qumico (Tabela 1.).

    TABELA 1. - Fungicidas indicados para doenas na cultura do tomateiro

    Doena / Patgeno

    Fungicida

    Tombamento Pythium spp. Phytophthora spp

    Apron

    Pinta Preta Alternaria solani

    Agrinose, Amistar, Bordamil, Bravonil 500, Brfavonil 750,Captan 500 PM, Cerconil SC, Cobox, Cobre Fersol, Cobre Sandoz, Combilan Pm, Coprantol SC, Cupracit azul, Cupravit verde, Cupragarb 350, Cupragarb 500, Coprozeb, Dacobre PM, Daconil 500, Daconil BR, Dacostar 500, Dacostar 750, Dithane PM, Persist SC, Folicur PM, Folicur 200 CE, Frowcide 500, Fungitox 500, Funguran 350, Funguran 500, Garant, Hokko Cupra 500, Isatalonil, Isatalonil 50, Manzate 800, Reconil, Recop, Rovral, Rovral SC, Score, Sportak 450 CE, Vanox 500 CE, Vanox 750 PM, Vitigram verde.

    Septoriose Septoria lycopersici

    Agrinose, Benlate 500, Bordamil, Bravonil 500, Bravonil 750, CaptanSC, Cercobin 500, Cercobin 700, Cerconil PM, Copidrol PM, Coprantol SC,Cupravit azul, Cupravit verde, Culprozeb, Daconil 500, Daconil BR. Dacostar 500, Dacostar 750, Derosal 500 SC, Dithane PM, Ditahen SC, Folicur 200 CE, Fungiscan 700, Fungitox 500, Funguran 350, Funguran 500, Hokko Cupra 500, Isatalonil, Manzate 800,

  • Metiltiofan, Orthocide 500,Score, Sportak 450 CE, Tiofanato Sanachen 500 SC, Vanox 500 SC

    Requeima ou Mela Phytophthora infestans

    Agrinose, Blason 480 SC, Bordamil, Bravonil 500, Bravonil 750, Captan 750, Captan 500 PM, Captan SC, Cobox, Cobre Sandoz, Copridol PM, Coprantol SC, Cupravit azul, Cupravit verde, Cuprozeb, Curzate M + ZN, Dacobre PM, Daconil 500, Daconil Br, Dacostar 500, Dacostar 750, Dithane PM, Persist SC, Folio, Frum, Frowncide 500 SC, Fungitox 500, Funguran 350, funguran 500, Garant, Hokko Cupra 500, Isatalonil 500 SC, Manzate 800, Orthocide 500, Reconil, Recop, Ridomil Mancozeb, Vanox 500 SC, Vanox 750, Tatoo C, Vitigran azul e Vitigran verde

    h) Odio - Erysiphe cichoracearum

    No causa grandes problemas na tomaticultura, podendo ser

    realizado o controle qumico com fungicidas especficos quando forem

    verificados os primeiros sintomas.

    i) Oidiopsis - Leveillulla taurica

    Pertencente mesma famlia do odio, a doena no tem se

    manifestado em condies de campo na regio sul, devido s condies

    climticas mais midas com precipitaes pluviomtricas distribudas,

    porm em plasticultura a doena chega a preocupar pelas condies

    favorveis de clima seco e quente.

    A doena manifesta-se inicialmente nas folhas baixeiras,

    atingindo rapidamente as mais novas. A massa pulverulenta do patgeno

    forma-se levemente na pgina inferior da folha, tornando-se amarelada

    na face superior com posterior necrose e queda das folhas. Na cultura do

    pimento, em estufas, essa doena j preocupante, chegando a atingir a

    planta toda em poucos dias.

  • 276

    2. Doenas Fngicas do Pimento a) Murcha do pimento (Phytophthora capsici)

    Murcha do pimento a doena mais temida nessa cultura no

    Estado de So Paulo.Sua ocorrncia freqente nas pocas quentes e

    chuvosas do ano quando h condies propcias doena, o que pode

    levar perda total da cultura.

    O agente etiolgico da doena, o fungo Phytophthora capsici,

    tipicamente habitante de solo, e encontra-se amplamente distribudo pela

    gama de hospedeiros, as solanceas e cucurbitceas.A doena se

    manifesta em qualquer fase de desenvolvimento da planta.Nas mudas

    causa damping-off, e nas plantas adultas, podrido das razes e colo,

    ocasionando murcha e morte das plantas. A necrose no caule e ramos

    de colorao parda a marrom escura de tamanho indefinido circundando

    toda rea afetada. Nas folhas e frutos as leses apresentam a forma de

    tecido encharcado. Sob condies favorveis de ambiente, essas leses

    ficam recobertas por um mofo branco constitudo por miclio e

    esporngios do fungo.

    Como se trata de fungo habitante do solo, o controle torna-se

    difcil depois que se estabelece na cultura. As medidas recomendadas so

    em carter preventivo como: utilizao de mudas sadias; plantio em reas

    onde sabidamente no tenha histrico de ocorrncia da doena; evitar

    solos encharcados e controle qumico.

    Quanto ao controle qumico so indicados fungicidas protetores

    como mancozeb, chlorothalonil e oxicloreto de cobre que no apresentam

    eficincia no controle da doena. O fungicida sistmico metalaxyl+

    mancozeb utilizado experimentalmente tem se mostrado promissor

  • quando aplicado em jato dirigido ao colo da planta, porm no se

    encontra registrado para a cultura (Tabela 2.).

    b) Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides)

    uma doena importante sob condies de alta umidade,

    causando srios prejuzos porque ataca diretamente os frutos causando

    perdas na produo. Manifesta-se em qualquer idade da planta inclusive

    na fase de muda causando o tombamento.

    O fungo ataca toda parte a area da planta, mas nos ramos e nas

    folhas ocorrem em baixa intensidade. no fruto que a doena se

    manifesta intensamente com sintomas tpicos que apresentam leses

    circulares, deprimidas, de dimetro varivel.Em condies de alta

    umidade forma-se uma massa rsea constituda pelos condios do fungo.

    A doena favorecida por alta umidade, perodos chuvosos e

    temperatura entre 20-25 oC. O fungo disseminado pela gua de chuva e

    vento, e pode ser transmitido por sementes. Sobrevive em restos de

    cultura.

    Controle: as medidas recomendadas para controle so: rotao de

    cultura; utilizao de sementes sadias, evitar plantios muito densos;

    destruio dos restos de cultura; diminuio de frutos afetados e controle

    qumico.Os fungicidas protetores como mancozeb, chlorothalonil e

    oxicloreto de cobre devem ser usados preventivamente em pulverizaes

    de conduo de cultura. Quando se verificar aumento da intensidade de

    doenas, utilizar o fungicida sistmico Amistar.

    c) Mldio pulverulento (Oidiopsis sicula)

  • 278

    Esta doena vem se tornando a mais destrutiva na cultura do

    pimento no sistema de plasticultura. Causada pelo fungo Leveillula

    taurica foi encontrado em sua forma anamrfica de Oidiopsis sicula

    causando srios prejuzos em plantio de pimento desenvolvido pelo

    sistema de plasticultura na regio de Itupeva SP (l995). Sua ocorrncia

    favorecida pelas condies ambientais desse sistema de plantio,

    caracterizada por ausncia de chuvas.

    Os sintomas da doena so observados na face inferior das folhas

    onde se desenvolvem leses de colorao clara com aspecto pulverulento

    que corresponde ao miclio e frutificao do fungo. Na face superior

    apresentam manchas amareladas, correspondentes s da face inferior.

    Com o desenvolvimento da doena, as leses tornam-se necrticas com

    posterior desfolha da planta. A infeco inicia-se normalmente pelas

    folhas mais velhas e rapidamente avanam para as superiores.

    A doena favorecida por baixa umidade e temperatura com

    timo em 26o C. O patgeno tem uma ampla gama de hospedeiros entre

    plantas cultivadas e silvestres, como os gneros Capsicum, Hibiscus,

    Lycopersicum, Cynara, Allium, Sonchus, etc.

    Controle: as medidas que devem ser adotadas restringem-se a:

    rotao de cultura por l ano, evitando-se assim plantios sucessivos e

    evitar o excesso de adubao nitrogenada. O controle qumico o mais

    indicado pelas caractersticas da famlia do patgeno, porm no existem

    fungicidas com boa ao de controle, registrados para a cultura do

    pimento.

    d) Mancha de Cercospora (Cercospora capsici)

  • A mancha de cercospora uma doena comum do pimento. A

    sua ocorrncia ocasionada por condies predisponentes de solos com

    deficincias nutricional e hdrica que acarretam plantas de pouco vigor.

    A doena provoca manchas nas folhas, de formato circular,

    pardas, de centro cinza claro com aproximadamente l cm de dimetro. No

    centro das leses so encontrados os conidiforos e condios do fungo, e

    com a coalescncia das leses, parte dos tecidos necrosados desprende-

    se. Sob condies de alta umidade e temperatura pode ocorrer a desfolha

    da planta, acarretando perda do vigor e conseqentemente, da qualidade

    dos frutos.A doena pode atacar o caule e ramos, mas nunca os frutos.

    Controle: as medidas gerais de controle so: adubao

    equilibrada; evitar o desequilbrio hdrico e eliminao dos restos de

    cultura. Para o controle qumico os fungicidas normalmente utilizados na

    cultura do pimento so sufic ientes.

    TABELA 2. Fungicidas indicados na cultura do pimento. Amistar , Bravonil 750 PM, Cupravit azul BR, Cupravit verde, Cuprozeb, Dacobre PM,Daconil BR, Dacostar 500, Dacostas 750, Dithane PM, Garant, Fungitol azul, Fungitol verde, Isatalonil, Manzate BR , Persist SC , Rovral, Rovral SC, Score, Vanox 500, Vanox 750 PM. 3. Literatura Consultada

    ANSANI, C.V.; MATSUOKA, K. Sobrevivncia de Phytophthora capsici.

    Fitopatol. Bras., 8: 269-272, 1983.

    CASTRO, C. Controle qumico da septoriose e pinta preta em tomateiro

    Lycopersicum esculentum. Fitopatol. Bras., v. 10. 1985, p.270.

    KIMATI, H., GIMENES-FERNANDES, N., SOAVE, J., KUROZAWA,C.,

  • 280

    BRIGNANI NETO, F. & BETTIOL, W. Guia de fungicidas agrcolas. -

    Recomendaes por cultura. v. 1 2.ed. Jaboticabal, GPF, 1997, 225p.

    KUROZAWA, C. & PAVAN, M.A. Doenas das solanceas (berinjela, jil,

    pimento e pimenta) In: GALLI, F (coord). Manual de Fitopatologia -

    Doenas de plantas cultivadas, So Paulo, Ceres, v.2, p.665-667,

    1997.

    KUROZAWA, C. & PAVAN, M.A. Doenas do tomateiro Lycopersicum

    esculentum Mill.) In: KIMATI, H. et al. Manual de Fitopatologia -

    Doenas das plantas cultivadas, So Paulo, Ceres, v.2, p. 670-719,

    1997.

    LIBERATO, J.R.; COSTA, A.; SILVEIRA, S.F. & SUZUKI, M. S. Odio

    (Oidiopsis sicula) em pimento no estado do Esprito Santo. Summa

    Phytopathol., 25, 1999.

    LOPES, C.A., SANTOS, J.R.M. DOS. Doenas do tomateiro. 1994, 61p.

    MATSUOKA, K; ANSANI. C.V. Doenas fngicas de pimento e pimenta.

    Inf. Agropec., 10: 45-52, 1984.

    MATSUOKA, K; VANETTI,C.A.; COSTA, H., PINTO, C.M.F. Doenas

    causadas por fungos em pimento e pimenta. Inf. Agropec., 18: 64-66,

    1996.

    MIZUBUTI, E.S.G. & BROMMONSCHENKEL, S.H. Doenas causadas por

    fungos em tomateiro. Inf. Agropec., 18, n.184, 1996.

    SINIGAGLIA, C.; COUTINHO, L.N.; CARVALHO JR., A.A.; FIGUEIREDO,

    M.B. Primeira constatao do mldio pulverulento do pimento

    (Capsicum annuun) causado por Leveillula taurica (erysifhaceae) um

    fungo pouco estudado no Brasil. In: 8o RAIB, Arq. Inst. Biol., 62: 57,

    1995

  • WALKER,J.C. Diseases of vegetables crops . New York, Mc Graw- Hill

    1952, 529p.

    ZAMBOLIM, L., VALE, F.X.R., COSTA, H. Controle integrado das

    doenas de hortalias, Viosa, 1997, 122p.

    CONTROLE DE INSETOS VETORES DE VRUS EM HORTALIAS

    Pesquisador Cientfico Fernando Javier Sanhueza Salas

    Bilogo, Centro de Sanidade Vegetal, Instituto Biolgico, Av.

    Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Cx. Postal 12898, CEP 04010-970,

    So Paulo, SP. Tel.: (11) 5087 1779, Fax: (11) 5579 0824. E-mail:

    salas@biologico.br

    As hortalias so plantas de ciclo rpido que alcanam alto valor

    comercial, cultivadas intensamente durante o ano todo. Apresentam,

    comumente, problemas como o surgimento de patgenos (fungos,

    bactrias e vrus) e insetos-praga que provocam tanto danos diretos,

    quanto indiretos (injeo de toxinas e transmisso de doenas). Por estes

    motivos torna-se evidente a necessidade de utilizao em larga escala de

    produtos com a finalidade de controlar pragas e doenas e minimizar

    perdas, resultando em iminente risco de contaminao tanto do

    consumidor quanto do aplicador. H de se lembrar, ao abordar o tema,

    que o uso de defensivos no deve ser tomado como nica alternativa de

    controle. Sabe-se que as doenas causadas por vrus no possuem formas

    de controle depois de instalada a infeco, portanto, as medidas devem

    ser preventivas e de preferncia iniciando-se antes do plantio e

    estendendo-se at a colheita.

  • 282

    Atualmente, so reconhecidos 38 famlias e gneros de vrus no

    agrupados taxonomicamente; destes, 31 tm pelo menos um dos seus

    membros disseminados por inseto-vetor. Ainda de acordo com a

    literatura, a transmisso natural de cerca de 50% dos fitovrus

    dependente de vetores. Estes nmeros deixam clara a importncia dos

    vetores na epidemiologia das doenas causadas estes patgenos (GRAY &

    BANERJEE, 1999; VAN REGENMORTEL et al., 2000).

    Entre as principais doenas causadas por vrus, que ocorrem em

    hortalias, merecem destaque nas culturas de tomate e pimento os

    tospovrus, com suas diferentes espcies (TCSV, GRSV, TSWV, CSNV)

    e o mosaico do tomateiro (vrus Y da batata - PVY); em cucurbitceas o

    vrus do mosaico do pepino (CMV), e o mosaico amarelo da abobrinha

    (ZYMV); na cultura de batata o vrus do enrolamento da folha da batata

    (PLRV) e o vrus Y da batata (PVY). Em alface predominam o vrus do

    mosaico (LMV) e os tospovrus, alm dos vrus do mosaico comum

    (BCMV), o mosaico dourado (BGMF) e o mosaico-em-desenho

    (BMDeV) em feijoeiro, entre outros menos freqentes.

    A transmisso dos vrus de plantas, na natureza, ocorre de vrias

    maneiras: por contato, por sementes, plen, rgos de propagao

    vegetativa, cip-chumbo (Cuscuta sp.) e, principalmente, por vetores.

    Vetores so agentes biolgicos de disseminao de vrus, podendo ser

    encontrados entre os artrpodos, nematides e fungos de solo. No

    entanto, segundo COSTA (1998): vetor qualquer organismo que no seu

    processo natural de alimentao capaz de retirar o vrus da planta

    doente e, na alimentao subsequente, fazer sua inoculao em plantas

    sadias.

  • H trs ordens que incluem a grande maioria dos insetos-vetores:

    Homoptera, Thysanoptera e Coleoptera. Atualmente, a Ordem

    Homoptera dividida em duas subordens: Auchenorryncha e

    Sternorryncha, sendo a ltima responsvel pela disseminao natural de

    aproximadamente 90% dos vrus transmitidos por insetos. Esta abrange

    os afdeos ou pulges (Aphididae), as cigarrinhas (Cicadellidae e

    Delphacidae), as "moscas" brancas (Aleyrodidae) e as cochonilhas

    (Pseudococcidae). Na Ordem Thysanoptera, os vetores so os tripes

    (Subordem Terebrantia, Famlia Thripidae). Na Ordem Coleoptera, a

    Subordem Polyphaga compreende os besouros comedores de folhas,

    onde os colepteros-vetores se enquadram nas famlias Chrysomelidae,

    Curculionidae, Coccinelidae e Meloidae (NAULT, 1997).

    Algumas medidas preventivas de controle que so amplamente

    empregadas esto relacionadas a seguir:

    Medidas de controle dirigidas s fontes de vrus

    Preveno de fontes de infeco: diversos fitovrus podem, alm de

    serem transmitidos por insetos, ser propagados atravs de sementes ou

    mesmo atravs de material propagativo (bulbos, bulbilhos, estacas,

    rizomas etc), por isto de suma importncia que este material tenha uma

    boa procedncia, ou seja, certificado.

    Eliminao de focos de infeco: preveno de focos iniciais atravs

    da eliminao de fontes de vrus com a errradicao de plantas invasoras

    e outras hospedeiras alternativas do vetor, alm de plantas doentes ou que

    apresentem sintomas de etiologia viral e restos culturais (reboleiras).

    Rotao de culturas: consiste no plantio sucessivo de culturas

    diferentes no mesmo terreno. Este mtodo, alm de trazer benefcios

    agronmicos, se mostra eficaz principalmente contra as pragas que

  • 284

    possuem plantas-hospedeiras especficas. Esta prtica perdeu a

    popularidade a partir do momento que se intensificou a monocultura.

    Medidas de controle dirigidas ao vetor: o controle dos insetos-vetores

    propriamente dito pode envolver vrios mtodos:

    Isolamento das plantas: a proteo da planta contra os insetos, atravs

    de mtodos culturais empregando tcnicas agrcolas apropriadas, tais

    como o isolamento das culturas em regies de baixa incidncia de

    vetores, isto provocado por condies ambientais, ou por cultivo em

    casa-de-vegetao, telados, ou plasticultura, impedindo a entrada destes

    agentes. Outro mtodo empregado a proteo atravs de barreiras com

    plantas, geralmente espcies botnicas no preferidas pelos insetos e que

    possuam altura suficiente. So recomendadas para esta funo milho,

    crotalria, entre outras.

    Controle qumico: muitas vezes o controle qumico pode ser eficaz

    contra a propagao de vrus transmitidos de forma circulativa, devido

    aos longos perodos de alimentao necessrios para a aquisio e para

    inoculao. Este tipo de controle de certa forma impossvel em sistemas

    que envolvem a transmisso do tipo no-persistente e no circulativa,

    onde o ciclo de transmisso muito curto e os inseticidas dificilmente

    conseguem atuar.

    No incio dos anos 40, muitos dos inseticidas mostravam uma

    pequena atividade e persistncia nas plantas por um pequeno perodo de

    tempo. Devido a estes fatores, eram necessrias freqentes aplicaes em

    reduzidos intervalos de tempo. Esta situao mudou com a introduo

    das novas classes de inseticidas sintticos, como o DDT, que se mantinha

    ativo nas plantas por um longo perodo de tempo (PERRING et al., 1999).

  • Estes tipos de controle obtiveram sucesso, inicialmente, em relao aos

    vrus no-persistentes transmitidos por insetos, porm um grande nmero

    destes transmitido em carter persistente. Desta maneira os

    pesquisadores se depararam com um grande problema: tentar manter a

    "proteo" das plantas evitando que novas plantas fossem infectadas por

    vrus. Com o advento dos inseticidas organofosforados sistmicos que

    aplicados em certas regies das plantas se translocam, protegendo-as.

    Estes produtos tiveram um grande sucesso e fortaleceram as estratgias

    para o controle dos vrus que so transmitidos por pulges, de maneira

    persistente, devido ao seu longo poder residual e atividade sistmica

    dos compostos. Finalmente, os inseticidas piretrides mostraram grandes

    propriedades e maior sucesso quando comparados com os outros,

    principalmente quando se tratava de reduzir a disseminao de fitovrus.

    Os piretrides causam um rpido efeito "knockdown" ou mortalidade nos

    vetores principalmente na fase de inoculao do patgeno (BRIGGS et al.,

    1974), tambm reduzem o tempo de picada de prova dos insetos-vetores

    (ATIRI et al., 1987) e em alguns casos podem at agir como repelentes de

    insetos (LOWERY & BOITEAU, 1988). No entanto, esta ltima propriedade

    pode ser prejudicial pois a possibilidade dos insetos aumentarem o

    nmero de picadas de prova grande, devido tendncia destes

    encontrarem uma planta que no esteja pulverizada ou possua um nvel

    de palatabilidade podendo assim se fixar e constituir uma colnia,

    transmitindo algumas espcies de fitovrus (tipo no-persistente) dentro

    da cultura. No entanto, a superproduo de produtos agrcolas aliado com

    o desenvolvimento de artrpodos resistentes a inseticidas, e a crescente

    preocupao com o meio ambiente e a sade pblica levam o homem a

  • 286

    uma mudana de conceitos no sentido do emprego de medidas de

    controle alternativas.

    Uso de leos: Devido ineficincia de alguns produtos no controle de

    transmisso do tipo no persistente estes compostos (leos minerais,

    vegetais e lipdeos lcteos) so empregados no intuito de inibir a

    transmisso. O leo agiria modificando o comportamento de picada de

    prova e a alimentao, fases do processo de transmisso onde os virions

    so inoculados. Deve-se ressaltar que a eficincia no processo de

    pulverizao com o mpeto de cobrir a planta de uma maneira

    homognea de suma importncia para o xito do mtodo.

    Uso de semioqumicos e repelentes: substncias que empregadas em

    misturas ou isoladamente modificam o comportamento dos organismos

    receptores e so amplamente empregadas no Manejo Integrado de Pragas

    (MIP). Muitas espcies de afdeos produzem um tipo de feromnio de

    alarme - (E) -farnesene que liberado quando os pulges so atacados.

    A idia utilizar derivados do feromnio, reduzindo a sua aterrisagem

    em plantas sadias evitando uma possvel transmisso. Diversos

    alomnios tem sido estudados e descritos na literatura mundial. Um

    exemplo que pode ser citado o da relao de S. berthaultii, um tipo de

    batata selvagem , que produz uma substncia que atua como feromnio

    de alarme de Myzus persicae, dispersando os afdeos que tentam

    coloniz- la (GIBSON & PICKET, 1983). Outras substncias tambm foram

    empregadas como fagodeterrentes, sendo a mais conhecida a espcie

    Azaridachta indica, ou neem. No Brasil a espcie mais empregada a

    "erva de Santa Brbara", visando o controle, principalmente, da mosca

    branca (Bemisia tabaci), quando aplicada em extrato (CHAPMAN et al.

    1981).

  • Emprego de barreiras pticas: recentemente se descobriu que os

    cultivos de hortalias, quando produzidos em casas-de-vegetao do tipo

    tnel e cobertos com polietileno, material que absorve os raios

    ultravioletas, reduziram sensivelmente o ataque de diversas pragas e a

    infeco por vrus, quando comparadas com as casas-de-vegetao

    cobertas com plstico normal. Os trabalhos desenvolvidos com pepino e

    verduras reduziram as infestaes por tripes (Frankliniella occidentalis)

    e por pulges (Aphis gossypii) , alm de reduzir os danos da larva

    minadora (Lyriomyza trifolii). Alm disto, fortalecendo este mtodo de

    controle o emprego de telas plsticas de proteo (malhas de 50 mesh) do

    mesmo material, diminuiram consideravelmente o nmero de insetos

    bloqueando a invaso de "moscas"-brancas, pulges e larvas minadoras.

    Superfcies refletoras: os afdeos e as "moscas"-brancas so atrados

    por algumas cores e repelidos por outras. Baseado neste princpio, alguns

    pesquisadores desenvolveram trabalhos mediante o emprego de

    superfcies repelentes e com pulverizaes de materiais refletores. Estes

    obtiveram sucesso no controle dos pulges quando se empregaram telas

    brancas com 2-8 mesh.

    Armadilhas amarelas: O emprego de armadilhas amarelas com leo

    ou polietileno adesivo amplamente empregado no controle de insetos-

    vetores obtendo-se um maior sucesso no caso das "moscas"- brancas.

    Este tipo de armadilha pode ser empregado como indicador do momento

    de pulverizao na cultura, auxiliando assim na tomada de deciso para

    efetuar o controle (COHEN & MARCO, 1973).

    Cultura armadilha ou planta- isca: as grandes monoculturas sempre

    proporcionam um ambiente propcio para a transmisso de fitovrus,

    inclusive entre propriedades vizinhas. O plantio de culturas hospedeiras

  • 288

    suscetveis entre estas propriedades pode reduzir de forma significativa a

    proporo de vrus propagados no campo.

    Alm destas medidas de controle visando especficamente o

    ataque de insetos vetores podem ser desenvolvidas as que visem o

    manejo da cultura hospedeira com o intuito de reduzir o nmero de

    insetos, tais como as mudanas de caractersticas de plantio (densidade

    de plantio e distncia entre linhas); assincronia fenolgica (atraso ou

    adianto na poca de plantio); proteo cruzada (emprego de plantas

    previamente infectadas com estirpes fracas do vrus); utilizao de

    plantas resistentes e finalmente plantas transgnicas.

    O amplo emprego de inseticidas desde a dcada de 40, causou

    inmeros efeitos secundrios indesejados nas dcadas subseqentes,

    entre estes, destacam-se o aparecimento de resistncia a inseticidas,

    ressurgncia de pragas secundrias e um colapso da resistncia das

    plantas hospedeiras. Sendo assim, para se obter um controle eficaz das

    doenas virais recomenda-se o enfoque multidisciplinar do Manejo

    Integrado de Pragas, pois o emprego de dois ou mais mtodos de controle

    combinados, pode vir a melhorar o seu desempenho. Desta maneira,

    torna-se evidente a necessidade de novos enfoques e esforos no mbito

    cientfico, no intuito da melhora da produo de hortalias no Brasil.

    Referncias Bibliogrficas

    ATIRI, G.L.; THOTTAPPILLY, G.; LIGAN, D. Effects of cypermethrin and

    deltamethrin on the feeding behaviour of Aphis craccivora and

    transmission of cowpea aphid-borne mosaic virus. Ann. Appl. Biol.,

    110: 455 - 461, 1987.

  • BRIGGS, G.G.; ELLIOTT, M.; FARNHAM, A. W. Structural aspects of the

    knock-down of pyrethroids. Pestic. Sci., 5: 643 - 649, 1974.

    CHAPMAN, R.F., BERNAYS, E.A. & SIMPSON, S.J. Attraction and repulsion

    of the Aphid, Cavariella aegopodii, by plant odors. J. Chem. Ecol., 7:

    881-888, 1981.

    COHEN, S. & MARCO, S. Reducing the spread of aphid-transmitted

    viruses in peppers by trapping the aphids on sticky yellow

    polyethylene sheets. Phytopathol., 63: 1207-1209, 1973.

    COSTA, C.L. Vetores de vrus de planta-1. Insetos. Reviso anual de

    patologia de plantas, 6: 103-171, 1998.

    GIBSON, R.W. & PICKET, J.A. Wild potato repels aphids by release of

    aphid alarm pheromone. Nature , 302: 608 - 609, 1983.

    GRAY, S. M. & BANERJEE, N. Mechanisms of arthropod transmission of

    plant and animal viruses. Microbiology and molecular biology

    reviews , 63: 128 - 148, 1999.

    LOWERY, D.T. & BOITEAU, G. Effects of five inseticides on probing,

    walking, and settling behavior of the green peach aphid and the

    buckthorn aphid (Homoptera; Aphididae) on potato. J. Econ.

    Entomol., 81: 208-214, 1988.

    NAULT, L.R. Arhropod transmission of plant viruses: a new synthesis.

    Ann. Entomol Soc. Am., 90: 521-541, 1997.

    PERRING, T.M.; GRUENHAGEN, N.M.; FARRAR, C.A. Managament of

    plant viral diseases through chemical control of insect vectors. Annu.

    Rev. Entomol., 44: 457 - 481, 1999.

    VAN REGENMORTEL, M.H.V., et al. Virus taxonomy classification and

    nomenclature of viruses. Seventh report of the International

  • 290

    Committee on Taxonomy of Viruses. Academic Press, California,

    USA, 2000. 1162 pp.

    SOLARIZAO DO SOLO NO CONTROLE DE FITOPATGENOS

    Pesquisadora Cientfica Flvia Rodrigues Alves Patricio

    Eng. Agrnoma, Laboratrio de Fitopatologia, Centro Experimental do

    Instituto Biolgico, Instituto Biolgico,. Cx Postal 70. CEP 13001-970,

    Campinas SP, Tel (19) 3251-8714. E-mail: flavia@biologico.br

    Devido ao elevado valor das terras e estruturas que ocupam, as

    culturas de hortalias e ornamentais em campo aberto e mais

    expressivamente sob ambiente protegido, so intensa e sucessivamente

    cultivadas. Como conseqncia, freqentemente ocorre a concentrao

    no solo de fitopatgenos como fungos, bactrias e nematides, alm de

    intensa infestao por plantas daninhas, que podem comprometer a

    produo, tornando-a antieconmica, ou transformar reas e casas de

    vegetao em locais imprprios para a olericultura.

    A solarizao uma tcnica desenvolvida para a desinfestao de

    solos e substratos, indicada principalmente para recuperao de reas

    cultivas intensamente, como as ocupadas por hortalias e ornamentais, e

    tambm para a desinfestao de substratos utilizados na produo de

    mudas.

    A tcnica da solarizao e como empreg- la sero descritas a

    seguir. Tambm sero mostrados os principais resultados de trabalhos de

    uma equipe de pesquisadores do Instituto Biolgico e de diversas

  • instituies, que enfatizam o emprego da solarizao para o manejo da

    cultura da alface.

    1. Solarizao

    A solarizao uma tcnica de desinfestao do solo,

    desenvolvida para o controle de patgenos, pragas e plantas daninhas,

    que consiste na colocao de um filme plstico transparente sobre o solo

    umedecido por um perodo determinado, durante a poca mais quente do

    ano, visando aumentar sua temperatura (KATAN & DE VAY, 1991;

    SOUZA, 1994). A solarizao tambm pode ser aplicada em casas de

    vegetao, sendo, em geral, o perodo de tratamento reduzido nesta

    condio (GHINI, 2000, LOPES et al., 2000).

    Durante a solarizao as temperaturas alcanadas pelo solo so

    letais a muitos fitopatgenos nas camadas superficiais do solo e sub-

    letais nas camadas mais profundas. As temperaturas sub-letais acarretam

    alteraes nas populaes microbianas do solo, que resultam no

    favorecimento do crescimento de populaes saprfitas, dentre elas

    muitos antagonistas, mais competitivos que os patgenos de plantas

    (GHINI, 2000). Muitos microrganismos saprfitas so mais tolerantes ao

    calor que os fitopatgenos, sobrevivendo ao processo de solarizao.

    Estas populaes microbianas dificultam a reinfestao do solo por

    fitopatgenos, ocorrendo o contrrio nos solos que sofreram um

    tratamento esterilizante, como vapor ou fumigao (GHINI, 2000), em

    que graves epidemias podem resultar da reinfestao.

    Outros benefcios da solarizao incluem o controle de plantas

    daninhas e o maior crescimento de plantas em solos solarizados. Este

    aumento no crescimento pode ser resultado do controle de patgenos e de

  • 292

    pragas primrios e/ou secundrios, de alteraes na populao

    microbiana do solo favorecendo microrganismos antagonistas e/ou

    promotores do crescimento, e da liberao de nutrientes no solo, como

    nitrognio e alguns micronutrientes (GHINI, 2000, KATAN & DE VAY,

    1991). Tambm alteraes na estrutura e permeabilidade do solo podem

    favorecer o crescimento das plantas (GHINI, 2000).

    2. poca de Realizao da Solarizao

    A solarizao deve ser aplicada nos meses mais quentes do ano

    (GHINI, 2000). Na regio de Campinas o perodo de setembro a maro o

    recomendado para a solarizao (GHINI et al., 1994). Alguns

    experimentos indicam que os meses mais quentes do ano tambm so os

    mais apropriados para a solarizao de solos de casas de vegetao

    (PATRICIO et al., 2000).

    3. Como Deve Ser Realizada a Solarizao

    O solo deve ser muito bem preparado, evitando-se a presena de

    torres, que favorecem a formao de bolses de ar, reduzindo a

    eficincia da solarizao, e objetos pontiagudos, que podem danificar o

    plstico. O solo deve estar mido, aps uma chuva, ou ser umedecido por

    irrigao, antes da colocao do plstico. A umidade estimula a

    germinao de propgulos de patgenos, tornando-os mais sensveis aos

    mecanismos de controle (GHINI et al., 2000) e tambm aumenta a

    condutividade trmica e consequentemente a difuso de calor no solo

    (KATAN & DE VAY, 1991). O plstico deve ser bem estendido e as bordas

    enterradas em sulcos com terra. A rea tratada deve ser a maior possvel,

    evitando-se a solarizao de faixas ou canteiros, que favorecem a

  • reinfestao por patgenos vindos das reas no tratadas e por causa do

    efeito borda. Em uma faixa de aproximadamente 40 cm das bordas as

    temperaturas atingidas no so suficientes para o controle adequado de

    fitopatgenos (GRISTEIN, 1995, citado por GHINI, 2000).

    4. Plsticos Utilizados para Solarizao

    Os plsticos recomendados para solarizao so transparentes e a

    sua espessura pode variar entre 50 e 150 m. Plsticos que contm

    aditivo para proteo contra os raios ultra-violeta do sol (utilizados para

    cobrir casas de vegetao), so os mais recomendados pois apresentam

    maior durabilidade, podendo inclusive ser reutilizados (SINIGAGLIA &

    PATRICIO, 2000).

    5. Perodo de Tratamento

    O perodo recomendado para a solarizao em torno de 1 a 2

    meses. Em veres chuvosos o perodo de 60 dias mais seguro, mas o

    plstico pode permanecer no solo por mais tempo, at o plantio. Como

    durante a solarizao a rea coberta no cultivada, o agricultor pode

    optar por aplicar a solarizao em glebas ou talhes. Por exemplo, dividir

    a propriedade em 4 talhes e solarizar de novembro a dezembro o

    primeiro talho, de janeiro a fevereiro o segundo e os dois demais deixar

    para solarizar no ano seguinte. Aplica-se desta forma um sistema de

    manejo da propriedade que no compromete a renda do produtor e que

    reduz o custo do tratamento, j que o plstico reaproveitado.

    6. Solarizao em Casas de Vegetao

    A solarizao aplicada para recuperao dos solos de casas de

    vegetao em vrios pases e para vrias culturas, principalmente

  • 294

    hortalias e ornamentais (KATAN & DE VAY, 1991). Como a incidncia

    da luz solar menor neste ambiente, para maior eficincia da tcnica, a

    casa de vegetao deve ser totalmente vedada com plstico transparente,

    inclusive as laterais (podem ser sobras de plsticos). O tratamento, nesta

    condio pode ser mais curto, em torno de 20 a 30 dias, devendo ser

    efetuado preferencialmente no vero (PATRICIO et al., 2000).

    7. Acompanhamento da Solarizao

    Durante a solarizao importante o acompanhamento pelo

    produtor para verificar danos aos plsticos e a observao da presena de

    plantas daninhas. O crescimento de plantas daninhas sob o plstico pode

    indicar que as temperaturas atingidas no esto sendo suficientes para o

    controle satisfatrio de fitopatgenos (GHINI, 2000). Durante a

    solarizao a temperatura do solo pode ser medida por meio de

    termmetros de solo. Em experimentos no vero as temperaturas

    mximas atingidas pelos solos a 10 cm de profundidade sob o plstico

    foram de 49oC em solo turfoso em Mogi das Cruzes, SP, e de 54oC em

    solo argiloso em Piracicaba, SP. Nestes locais, as temperaturas mdias

    dos solos sob o plstico foram 11 e 8oC superiores s do solo no

    solarizado, respectivamente, a 10 e a 20 cm de profundidade, s 15:00

    horas.

    8. Solarizao de Substratos

    Um dos requisitos para a produo de mudas sadias que os

    substratos utilizados sejam isentos de fitopatgenos. Para tanto, estes

    devem ser desinfestados, principalmente se forem reutilizados. A

    solarizao pode ser aplicada com grande eficincia na desinfestao de

  • substratos e solos atravs de um coletor solar desenvolvido pela Dra.

    Raquel Ghini, Pesquisadora da Embrapa-Meio Ambiente. Entre as

    vantagens do coletor solar encontram-se o fato de consumir apenas

    energia solar, ser de fcil construo e baixo custo, no apresentar riscos

    para o operador e permitir que uma populao de microrganismos

    termotolerantes sobreviva ao tratamento, evitando o vcuo biolgico,

    que outros mtodos de desinfestao acarretam (GHINI, 1997).

    O coletor solar constitudo por uma caixa de madeira (1,0 x 1,5

    m), com 6 tubos metlicos de 15 cm de dimetro no seu interior e coberta

    com um plstico transparente, que permite a entrada dos raios solares.

    Como as temperaturas atingidas pelo solo ou substrato no interior do

    coletor solar so elevadas (70-80o C), o tratamento efetuado por apenas

    1 ou 2 dias, em qualquer poca do ano (GHINI, 1997).

    9. Patgenos Controlados pela Solarizao

    Diversos fitopatgenos habitantes de solo que afetam hortalias

    podem ser controlados pela solarizao, tais como: Verticillium dahliae,

    espcies de Sclerotinia, Rhizoctonia solani, espcies de Phytophtora,

    alm de algumas espcies de Pythium e Fusarium (SOUZA, 1994, GHINI&

    BETTIOL, 1995). Tambm nematides como Meloidogyne hapla, M.

    javanica, Tylenchulus semipenetrans, e outros, bem como muitas

    espcies de plantas daninhas, podem ser eficientemente controlados pela

    solarizao (GHINI & BETTIOL, 1995, STAPLETON & DE VAY, 1995).

    10. Experimentos de Solarizao para o Manejo da Cultura da

    Alface

  • 296

    Visando oferecer alternativas para a recuperao de reas

    cultivadas com hortalias e melhorar o manejo destas culturas, uma

    equipe formada por pesquisadores do Instituto Biolgico, da Embrapa-

    Meio Ambiente, da ESALQ-USP e do Instituto Agronmico tem

    desenvolvido trabalhos empregando a tcnica da solarizao. Em Mogi

    das Cruzes, principal municpio produtor de alface do cinturo verde de

    So Paulo, foi estudado o efeito da solarizao sobre o controle de

    fitopatgenos de solo, alteraes qumicas e microbiolgicas dos solos e

    a infestao por plantas daninhas.

    A solarizao do solo foi aplicada nos perodos de dezembro a

    fevereiro dos anos de 1997/1998, 1998/1999 e 1999/2000, tendo o solo

    permanecido coberto com plstico (transparente de 100m de espessura)

    por aproximadamente 60 dias. Aps a solarizao, foram efetuadas duas

    safras consecutivas de alface nas reas solarizadas e no solarizadas, nos

    anos de 1998, 1999 e 2000.

    As vrzeas da regio de Mogi das Cruzes so muito produtivas,

    mas esto infestadas com fitopatgenos de solo, como Rhizoctonia solani

    e Sclerotinia minor, que podem reduzir drasticamente as safras e elevam

    o custo de produo da cultura de alface; a aplicao intensiva do

    controle qumico convencional pode resultar em contaminao do

    ambiente. R solani agente causal da queima da saia da alface, doena

    que nessa regio prevalece no vero, caracterizada por leses marrons

    nas nervuras das folhas inferiores que podem progredir, comprometendo

    a qualidade comercial das cabeas. A solarizao foi muito eficiente,

    reduzindo a severidade desta doena nas safras de vero dos trs anos

    avaliados, podendo substituir o controle qumico convencional.

  • A murcha de esclerotnia muito importante em Mogi das

    Cruzes, reduzindo em at 70% a produo das culturas de alface do

    inverno, sendo causada nesta regio pelo fungo Sclerotinia minor. Os ps

    atingidos pelo fungo apresentam podrido aquosa e morrem (PAVAN &

    KUROSAWA, 1997). A solarizao do solo reduziu drasticamente a

    incidncia da doena de at 50% nas reas sem tratamento, para o

    mximo de 3% nas reas solarizadas, substituindo o controle qumico

    com maior eficincia.

    Em todas as safras efetuadas ocorreu controle quase total de

    plantas daninhas. A solarizao promoveu uma reduo muito grande na

    emergncia das espcies pico branco e caruru, que predominavam na

    vrzea estudada. A taxa de cobertura do solo por plantas daninhas foi

    reduzida de 72,5 % para 0,5% nos tratamentos solarizados (SINIGAGLIA

    & PATRICIO, 2000).

    Outro benefcio observado aps a aplicao da tcnica, nos trs

    anos avaliados, foi a reduo de 9-11 dias no ciclo da primeira safra de

    alface. As plantas colhidas nas parcelas solarizadas tambm apresentaram

    melhor qualidade. Estima-se que esta reduo no ciclo, com maior vigor

    das plantas solarizadas, seja conseqncia de alteraes na populao de

    microrganismos do solo, reduo de doenas e tambm de patgenos

    secundrios, que podem comprometer o sistema radicular, alm de

    alteraes qumicas no solo, verificadas aps a solarizao. Foram

    detectados maiores teores de nitrognio amoniacal, mangans, ferro e

    cobre, e menor teor de boro nos solos solarizados. As plantas de alface

    colhidas nas parcelas solarizadas apresentaram maiores teores de cobre e

    mangans.

  • 298

    Em experimento conduzido pela mesma equipe em Piracicaba,

    SP, tambm foi observado maior vigor das plantas solarizadas, com

    maior massa fresca, maior largura e comprimento do sistema radicular,

    sendo detectados maiores teores de K, Mg e Zn. Neste local tambm o

    controle de plantas daninhas foi muito eficiente.

    11. Referncias Bibliogrficas

    GHINI, R. Desinfestao do solo com o uso de energia solar:

    solarizao e coletor solar. Jaguarina: Embrapa-CNPMA, 1997.

    29p. (Embrapa-CNPMA, Circular Tcnica, 1).

    GHINI, R. Solarizao do solo para o cultivo de hortalias. In: Anais da

    3a Reunio Itinerante de Fitossanidade do Instituto Biolgico,

    Mogi das Cruzes, SP, p.25-30, 2000.

    GHINI, R., BETTIOL, W. Controle fsico. In: Bergamin Filho, A., Kimati,

    H., Amorim, L. (Eds.) Manual de Fitopatologia. Volume 1:

    Princpios e Conceitos. So Paulo: Editora Agronmica Ceres Ltda,

    1995. cap.39, p.786-803.

    GHINI, R., PARABA, L.C., LIMA, M.W.P. Determinao do perodo para

    solarizao do solo na regio de Campinas/SP. Summa Phytopathol.,

    20: 131-133, 1994.

    KATAN, J., DEVAY, J.E. Soil solarization; historical perspectives,

    principles and uses. In: KATAN, J., DEVAY, J.E. Soil solarization.

    Boca Raton: CRC Press, Inc., 1991. cap.2, p.24-37.

    LOPES, M.E.B.M., GHINI, R., TESSARIOLI, J., PATRICIO, F.R.A.

    Solarizao do solo para o controle de Pythium na cultura do pepino

    em cultivo protegido. Summa Phytopathol., 26: 224-227, 2000.

  • PATRICIO, F.R.A. Solarizao do solo em ambiente protegido e sua

    integrao com controle biolgico ou qumico na viabilidade de

    Pythium aphanidermatum e Rhizoctonia solani. Piracicaba, 2000.

    Tese (Doutorado) Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz,

    Universidade de So Paulo.89p.

    PAVAN, M.A.; KUROZAWA, C. Doenas da alface (Lactuca sativa L.). In:

    KIMATI, H.; AMORIN, L.; BERGAMIN FILHO, A. et al. (Eds.) Manual de

    Fitopatologia. Doenas das plantas cultivadas. v. 2: So Paulo,

    Editora Agronmica Ceres Ltda, 1997. cap. 4, p.18-25.

    RAID, R.N. Botton rot. In: Davis, R. M.; Subbarao, K. V.; Raid, R. N.;

    Kurtz, E. A. Compendium of Lettuce Diseases. APS Press: St. Paul,

    1997, p.15-16.

    SINIGAGLIA, C., PATRICIO, F.R.A. Resultados dos experimentos com

    solarizao do solo. In: Anais da 3a Reunio Itinerante de

    Fitossanidade do Insituto Biolgico, Mogi das Cruzes, SP, p.31-35,

    2000.

    SOUZA, N.L. Solarizao do solo. Summa Phytopathol., 20: .3-15, 1994.

    STAPLETON, J.J., DE VAY, J.E. Soil solarization: a natural mechanism of

    integrated pest management. In: REUVENI, R. (Ed.) Novel approaches

    to integrated pest management. Boca Raton : CRC Press, 1995.

    cap.15, p.309-350.

    MANEJO INTEGRADO:OPO OU NECESSIDADE PARA SE CULTIVAR

    HORTALIAS EM AMBIENTE PROTEGIDO

    Professora . Rumy Goto

    Eng. Agrnoma, UNESP/Faculdade de Cincias Agronmicas-Campus

    de Botucatu/ Depto. Prod. Vegetal. Cx.Postal 237, CEP 18603-970,

    Botucatu, SP. Tel. (14) 6802-7172/7203. e-mail: rumy@fca.unesp.br

  • 300

    1. Introduo

    A tecnologia do cultivo de hortalias em ambientes protegidos,

    com a cobertura de filmes plsticos, foi introduzida no Brasil h cerca de

    20 anos atrs, ou seja, em meados da dcada de 80. Esta levou,

    inicialmente muitos produtores a terem iluses de lucros incalculveis,

    fazendo com que muitas pessoas que no eram do ramo hortcola

    tentassem absorver esta nova tecnologia, colocando os produtores

    tradicionais numa situao difcil. Tambm prejudicou os produtores a

    crise econmica por que passava e passa o pas, desvalorizando os

    produtos agrcolas, principalmente as hortalias.

    Para se cultivar hortalias em ambiente protegido necessrio

    antes de qualquer coisa, conhecer muito bem as espcies que sero

    cultivadas, principalmente quanto s exigncias ambientais, nutricionais,

    ou seja, conhecer as necessidades fisiolgicas das hortalias e tambm o

    ambiente em que sero plantadas, no s em termos de regio, mas o

    local propriamente dito, com certo nvel de conhecimento das

    temperaturas reinantes (mxima e mnima) e perodo de maior chuva,

    predominncia dos ventos, culturas adjacentes, permanncia com a

    mesma cultura ano aps ano, dentre outros. Nesses 20 anos, aps

    sucessos e insucessos, podemos defender que o mais recomendado o

    sistema de Manejo Integrado. Conforme BERGAMIN FILHO & AMORIM

    (1999), integrao entendida como o uso harmnico de mltiplas tticas

    de proteo de plantas, ou seja, depende da disponibilidade de tecnologia

    adequada e o manejo refere-se a um conjunto de regras, idealmente

    baseadas em consideraes econmicas, sociais e ambientas, que

    orientam a tomada de deciso

  • Cada vez mais, em todos os segmentos da agricultura se discutem

    as questes das pragas e doenas, controle, meio ambiente, qualidade de

    vida, ou seja, a obteno de um produto social e ecologicamente limpo e,

    nas hortalias maior e mais sria essa questo, portanto a aplicao do

    Manejo Integrado nos ambientes protegidos quase uma necessidade.

    De acordo com ZAMBOLIM et al. (1999), O manejo integrado

    representa um ponto de inflexo estratgico nas cincias agrrias do fim

    do sculo XX. Teoricamente, o manejo integrado est estabelecido como

    uma realidade mundial. Na prtica, o manejo integrado realidade em

    poucas reas privilegiadas, mas ainda um sonho distante para vastas

    regies do mundo ... .e ainda complementam Deve-se ter em mente que

    a adoo do manejo integrado no uma alternativa, mas uma

    necessidade para a conservao do meio ambiente e a prpria

    sobrevivncia da humanidade.

    De acordo com AZEVEDO (1999), na viso da Indstria, o objetivo

    alcanar o chamado Manejo Integrado das Culturas, que pode ser

    definido como a produo econmica de culturas de alta qualidade com

    prioridade para mtodos de cultivo ecologicamente seguros,

    minimizando os efeitos secundrios indesejveis e utilizando produtos

    fitossanitrios que garantem a sade humana e a preservao do

    ambiente. O manejo integrado das culturas ser a base da agricultura no

    prximo milnio.

    Esta meta pode ser aplicada em cultivos protegidos, pois se trata

    de cultivar em ambientes mais controlados, de menor dimenso,

    priorizando a obteno de produtos de qualidade.

    2. Medidas Bsicas para o Cumprimento do Manejo

  • 302

    Algumas medidas bsicas so necessrias para o cumprimento e

    adequao ao manejo. A instalao das estruturas deve ser sempre

    observando os fatores que interferem no crescimento e desenvolvimento

    das plantas como: temperatura do ar e do solo, luminosidade, umidade

    relativa do ar, do solo e outros.

    2.1. Instalao das Estruturas/Orientao

    Uma das questes que se discute com relao posio das

    estruturas e neste aspecto, nas nossas condies (Brasil-hemisfrio sul),

    no se deve levar como fator principal a posio se N-S ou L-O

    (TIVELLI, 1998), pois entre as linhas de Equador e o Trpico de

    Capricrnio (que passa prximo da capital de So Paulo) fatores como

    vento e declividade do terreno, parecem ser preponderantes.

    Essa condio de ventilao no interior da estrutura muito

    importante, pois colocar as estruturas a favor do vento, para arejar, ou

    seja, melhorando a passagem de vento, favorece, dentre outros fatores, a

    dissipao de calor, no acumula calor, evitando a multiplicao de

    patgenos e de pragas tambm.

    Na estrutura, necessrio observar a qualidade do filme, se est

    em bom estado, sem furos, sem poeira, no impedindo a entrada de luz,

    assim como podem ser colocadas telas que impedem a entrada de pragas.

    2.2. Temperatura

    O cultivo de hortalias em ambiente protegido a princpio visava

    a produo na entressafra (inverno) para as culturas que exigem

    temperaturas mais elevadas, contudo nas condies brasileiras e pela

    tradio dos nossos produtores muito difcil cultivar somente numa

  • poca do ano, alm do fato de no se dispor de reas e se tornar invivel

    a utilizao da estrutura, de custo relativamente elevado, somente num

    perodo do ano.

    O inverno da regio sudeste no to rigoroso e os preos das

    hortalias neste perodo so muito baixos. Isto permite que alguns

    produtores entrem com a produo precoce de pepino, tomate e pimento

    em ambientes protegidos, normalmente produzidos nas estaes do ano

    em que a temperatura mais elevada, ou seja, que exigem temperaturas

    maiores para se desenvolverem. No Brasil, contudo, existem regies que

    permitem o cultivo destas hortalias neste perodo crtico, pois tm o

    inverno mais ameno com temperaturas mais elevadas, permitindo o

    cultivo em campo aberto, sem problemas, e neste sentido h a

    necessidade de se buscar outros quesitos para justificar o cultivo em

    ambiente protegido.

    Por outro lado, os preos das folhosas no vero so altamente

    atraentes, esta uma poca em que os produtores podem utilizar as

    estruturas de proteo para cultivar estas espcies, pois o nosso vero

    muito chuvoso e com certeza utilizando-se desta proteo, sempre se

    consegue produtos de qualidade. Nessa mesma linha, quando se pensa

    em qualidade, outras hortalias, alm das citadas anteriormente podem

    ser listadas, como pepino japons, tomate cereja, tomate caqui, pimentes

    coloridos, folhosas exticas e outros produtos, que cada produtor hoje,

    em funo da sua pesquisa de mercado, verifica as vantagens econmicas

    para fazer sua opo.

    Dessa forma, nas nossas condies (regio sudeste), o que mais se

    v no campo, so produtores que tm se dedicado ao cultivo de hortalias

    no vero, e por conseqncia em condies de altas temperaturas que

  • 304

    muitas vezes inviabilizam a produo plena de hortalias. Por isto, neste

    aspecto da temperatura necessrio que o produtor conhea muito bem a

    hortalia que quer cultivar dentro da estrutura, de preferncia utilizando a

    estufa do "tipo Guarda-Chuva", que tem a funo de proteg- la das

    chuvas, mas que tambm evita a excessiva elevao da temperatura, pois

    para cada cultura preciso cumprir as necessidades fisiolgicas para a

    obteno de colheitas.

    Nos ambientes protegidos, normalmente as temperaturas so

    superiores a essa faixa, sendo necessrio conhecer o manejo da

    temperatura elevada neste tipo de sistema para adequ- la s culturas e,

    inclusive se possvel tornando o ambiente desfavorvel aos patgenos.

    Como faz- lo?

    Para a maioria dos casos a prioridade o tipo de estrutura, pois

    necessrio que ela tenha um p direito alto (3,0 a 3,5m), principalmente

    quando se pretende cultivar plantas com a arquitetura mais alta, como

    tomateiro, cultura do pimento e cultura de pepino. A altura do p-direito

    da estrutura deve ser de 0,50 a 1,00m maior que a mxima altura da

    cultura que ser conduzida (SADE, 1997).

    O manejo do ambiente nos locais em que a temperatura muito

    alta possvel lanando-se mo de ventilao e/ou de nebulizadores

    (fogger). A ventilao uma opo barata e, portanto a localizao das

    estruturas, colocando a frente, no sentido favorvel corrente de vento,

    um dos principais pontos que deve ser atentado durante o planejamento

    das estruturas.

    Outro ponto a ser considerado que as cortinas laterais devem ser

    sempre mveis, sendo abertas se houver necessidade e abaixadas quando

    se quiser aquecer o ambiente, fechando-se todos os lados da estrutura.

  • Ainda existe outra opo para melhorar a aerao, fazendo-se a abertura

    na parte superior da estrutura, permitindo a sada do ar quente, contudo,

    se no houver uma abertura na parte inferior para provocar o fluxo de ar,

    no haver o efeito esperado, ou seja, tentar equilibrar a temperatura

    interna externa (ANDRIOLO, 1999). O mesmo autor relata que a

    utilizao de nebulizadores, como instrumento para abaixar a

    temperatura, est relacionada umidade relativa do ar ambiente. Como

    exemplo, ele cita que quando um ambiente se encontra com a umidade

    relativa do ar a 40% e a temperatura de 35C e se der condio de passar

    esta umidade para 100%, a temperatura do ar diminui para

    aproximadamente 21C. Caso a umidade relativa do ar esteja j elevada,

    este efeito no ocorrer to significativamente, portanto sugere-se que se

    faa a utilizao simultnea da ventilao e do nebulizador (fogger) para

    atingir o objetivo final. Se no houver o manejo adequado dos

    nebulizadores, teremos efeitos negativos, pois ocorrer o molhamento da

    parte area da planta, que acarretar outros problemas, como doenas

    fngicas e bacterianas.

    Outra prtica que pode ser utilizada a colocao das telas de

    sombreamento, de 30 a 50% que, porm, apresentam o inconveniente de

    reduzirem tambm a luminosidade, a qual, dependendo do local, poder

    interferir na fisiologia de crescimento da planta.

    Um dos ltimos lanamentos no mercado so as telas

    aluminizadas (de 40 ou 50%) que, instaladas na altura do p-direito de

    estruturas com 3,0 a 4,0m de altura, proporcionam uma boa reduo da

    temperatura, sem interferir negativamente na luminosidade. Quando

    comparadas s telas de sombreamento, apresentam as vantagens de

    manter as temperaturas noturnas e diurnas, conservar a mxima reflexo

  • 306

    da radiao em ambos os lados das telas, alm de controlar a circulao

    de ar. O custo deste material ainda um pouco elevado, mas a tendncia

    do mercado indica que dever haver uma reduo nos preos.

    Todas essas prticas so efetuadas para manter a temperatura

    ideal para o crescimento e desenvolvimento normal das culturas. Por

    exemplo, na cultura do tomate observa-se que a temperatura tima mdia

    gira em torno de 22 a 26C, no entanto, nas condies de cultivo

    protegido ocorrem temperaturas acima de 30 a 32C ou at maiores,

    dependendo da regio de cultivo, prejudicando o pegamento de frutos,

    que so o produto final. Por outro lado as temperaturas ideais para o

    cultivo tambm so favorveis, por exemplo, germinao dos condios

    da Alternaria (entre 26 a 30 C), cujo desenvolvimento mximo ocorre

    entre 22 a 26C, o mesmo ocorrendo para a murcha de fusarium (28C ) e

    a murcha de verticilium (22 a 24C).

    O mesmo acontece para a cultura do pepino, considerada uma

    cultura subtropical, que no tolera temperaturas muito baixas. Tambm

    nesta planta, quando o ambiente alcana temperaturas extremamente

    elevadas, vrios distrbios fisiolgicos podem ocorrer, como

    entortamento de frutos, aborto de flores e frutos em conseqncia de m

    absoro de nutrientes, m distribuio dos fertilizantes, descuido na

    irrigao (fornecimento de gua) etc... A faixa ideal de temperatura para

    o crescimento vegetativo, entre 27 a 30C de dia e 18-19C noite, ou

    para a florao e frutificao, 27 a 28C de dia e 18-19 C noite,

    tambm favorvel s doenas como antracnose favorecida por

    temperaturas entre 21 a 27C. Odio favorecido por temperaturas

    elevadas e umidade baixa, mancha angular por temperaturas na faixa de

  • 24 a 28 C, e didimela favorecida por temperatura de 25C,

    principalmente se a umidade for elevada.

    Essas faixas de temperatura e a pequena oscilao de temperatura

    no interior das estruturas, quando comparada com o cultivo a cu aberto,

    so condies que favorecem o desenvolvimento dos insetos

    (FERNANDES, 1999).

    2.3. Umidade Relativa do Ar

    Este outro fator que est relacionado diretamente temperatura

    do ar, como descrito no item anterior.

    Nas condies de inverno, quando as estruturas permanecem

    inteiramente fechadas durante a noite a umidade poder chegar a 100%,

    condensando o vapor de gua no teto e nas paredes da estrutura. Para

    evita- la existem hoje no mercado os filmes anti-gotejo, que evitam este

    tipo de problema.

    Esta questo da umidade tambm vai depender de cultura para

    cultura, para atender a sua fisiologia de crescimento e desenvo lvimento.

    Para os patgenos tambm a umidade sempre importante, pois a

    maioria tem preferncia pelo ambiente mais mido do que seco, portanto

    manter a umidade dentro dos limites sempre necessrio. Outro ponto

    relevante que quando a umidade muito baixa poder interferir na

    eficincia dos produtos que so utilizados para o controle de algumas

    doenas e pragas.

    Um dos fatores que contribuem para elevar a umidade do

    ambiente o manejo da irrigao, por isso sempre o sistema indicado a

    irrigao localizada, onde se prev menor perda de gua, ou seja, nunca a

  • 308

    gua utilizada descontroladamente, que deve ser complementado com a

    utilizao de mulching.

    Outro fator que muitos acabam se esquecendo com relao aos

    canais de drenagem, que, quando feitos ao redor das estruturas, tm

    evitado a entrada de gua de chuva. Relatos de pesquisadores da Empresa

    de Pesquisa Agropecuria do Estado de Santa Catarina (EPAGRI), de

    Itaja, evidenciaram a menor incidncia de doenas nos tomateiros

    instalados dentro de uma estrutura em que havia sido feito este tipo de

    canal.

    2.4. Vento

    Com relao a este fator, muitos se esquecem, ao planejar a

    instalao das estruturas, da proteo contra os ventos predominantes.

    Sabe-se que em muitos locais esta uma questo muito importante, pois

    h notcias de produtores que perderam totalmente as estruturas, logo

    aps a sua instalao. Portanto os quebra-ventos com cercas vivas, telas

    de sombreamento, varas de bambu e outros materiais podero ser

    utilizados para este fim.

    Alm deste fator de proteo das estruturas, este tipo de proteo

    tambm preserva a longevidade dos filmes, pois o vento um dos

    agentes que pode degradar os filmes. TIVELLI (1998) cita SADE (1994)

    que afirma que dentro do ambiente protegido a velocidade de vento deve

    ser menor que 1,0 m/minuto e deve haver uma rea de 10 a 30% de

    abertura para ocorrer troca de ar.

    2.5. Outras Medidas Culturais

    Recomendaes:

  • Evitar o cultivo de outras espcies de flores e arbustos para no

    servir de refgio ou hospedeiras para as pragas.

    Evitar plantios contnuos com a mesma espcie.

    Eliminar restos de cultura e plantas daninhas tanto de dentro das

    estruturas como externamente, bem como a retirar os plsticos velhos.

    Realizar anlise do solo e da gua, principalmente a anlise

    patolgica de gua de irrigao, pois se sabe que determinados fungos

    como Pythium spp. e Phytophtora spp. podem ser transmitidos pela gua.

    Utilizar cultivares ou hbridos resistentes.

    Realizar todos os tratos culturais de acordo com a idade e a

    necessidade da planta.

    Efetuar as adubaes em cobertura bem equilibradas, tentando

    evitar receitas, e sim acompanhar o crescimento e o desenvolvimento das

    culturas.

    Eliminar partes da planta ou plantas contaminadas por fungos,

    bactrias e vrus, e efetuar a retirada das mesmas da rea de plantio.

    Reconhecer as pragas chave e os inimigos naturais das culturas de

    interesse econmico. Utilizar armadilhas luminosas com feromnio para

    atrao de machos da traa do tomateiro (FERNANDES, 1999) e se

    possvel aplicar o parasitide Trichogramma pretiosum para controle da

    traa do tomateiro (Tuta absoluta).

    Evitar a entradas de pessoas estranhas no ambiente protegido.

    3. Consideraes Finais sobre Manejo

    Para se obter sucesso no cultivo de hortalias necessrio

    preservar o solo, monitorando os nveis de fertilidade e procedendo as

    anlises de solo antes da implantao das culturas. O manejo do solo

  • 310

    muito importante, no devendo ser utilizada a tecnologia de "quanto mais

    adubo colocar, mais se produz", ou "colocar mais adubo pois neste

    sistema a produo maior", como a maioria tem feito.

    Os adubos orgnicos, os compostos orgnicos, a adubao verde e

    a rotao de culturas so tecnologias que no podem ser esquecidas para

    quem quer produzir sempre, mais e com alta qualidade.

    Outro fator a ser lembrado neste final, seria a utilizao correta

    das coberturas dos canteiros com filmes plsticos de colorao preta,

    prata, branca/prata, preta/prata e outros que, de certa forma, absorvem a

    radiao infra-vermelha de comprimento de onda longa. Estes e outros

    filmes de cobertura de estruturas tm sido pesquisados fora do Brasil e

    apresentam alguns resultados nas nossas condies.

    H uma necessidade muito grande de mais pesquisas nessa rea,

    envolvendo as indstrias e os institutos de pesquisa e ensino.

    4. Literatura Consultada

    ANDRIOLO, J.L. Fisiologia das culturas protegidas. Santa Maria,

    Editora UFSM, 1999. 141p.

    AZEVEDO, L.A. O manejo integrado de doenas e pragas do ponto de

    vista da indstria de defensivos. In: Encontro sobre Manejo

    Integrado de Doenas e Pragas., Viosa, UFV, 1999 p.3-5

    BERGAMIN FILHO, A. & AMORIM, L. Manejo integrado: problemas

    conceituais para sua aplicao na fitopatologia. In: Encontro sobre

    Manejo Integrado de Doenas e Pragas. Viosa, UFV, 1999 p.6-29.

    TIVELLI, S.W. Manejo do ambiente em cultivo protegido. In: GOTO, R.;

    TIVELLI, S.W. Produo de hortalias em ambiente protegido:

  • condies subtropicais. So Paulo, Fundao Editora da UNESP,

    1998. p. 15-30.

    MARTINS, S.R. ; FERNANDES, H.S.; ASSIS, F.N. ; MENDEZ, M.E.G.

    Caracterizao climtica e manejo de ambientes protegidos: a

    experincia brasileira. Inf. Agropec., 20: 15-23, 1999.

    SADE, A. Cultivo bajo condiciones forzadas - Nociones gererales.

    Rejovot, Israel, 1997.144p.

    ZAMBOLIM, L.; COSTA, H.; VALE, F.X.R Tticas de controle no manejo

    integrado de doenas. In: Encontro sobre Manejo Integrado de

    Doenas e Pragas. Viosa, UFV, 1999 p.69-98.

    MANEJO DA RESISTNCIA DO CARRAPATO BOOPHILUS MICROPLUS A

    ACARICIDAS

    Pesquisadora Cientfica Mrcia Cristina Mendes

    Biloga, Centro de Sanidade Animal, Instituto Biolgico. Av.

    Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Cx. Postal 12898, CEP 04010-970,

    So Paulo, SP Fone: (11) 5087 1779. E-mail: mendes@biologico.br

    1. Introduo

    O carrapato do boi, Boophilus microplus um problema na

    pecuria bovina uma vez que as condies ecolgicas favorveis aos

    carrapatos, associadas s sensibilidades raciais do rebanho a infestaes

    por carrapatos, abrangem praticamente todo o territrio brasileiro.

    Controlar o carrapato significa manter reduzida a populao,

    entretanto este conceito no est sendo bem empregado, pois envolve o

    manejo correto dos animais e a aplicao do carrapaticida prprio para

    determinada populao de carrapato e sua dosagem adequada.

  • 312

    Verifica-se que o foco do problema est numa melhor

    administrao da propriedade o que leva consigo uma viso mais ampla

    do trabalho, tendo no s como ponto de vista o lucro mas o servio

    sade pblica que se beneficiar com um produto de qualidade. Isto leva

    consigo a formao humana e tcnica dos que exercem diretamente este

    trabalho.

    2. Controle do Carrapato Boophilus microplus

    2.1. Conhecimento da Biologia e Hbito do Parasita

    A espcie Boophilus microplus necessita obrigatoriamente passar

    por uma fase de sua vida sobre o bovino, onde ingere linfa, substratos

    teciduais e sangue. Esta fase tem uma durao mdia de 21 dias. Outra

    fase passa-se fora do hospedeiro na qual a fmea realiza a postura (entre

    2000 a 3000 ovos). No perodo de 3 a 4 semanas as larvas comeam a

    sair. Dois ou trs dias posteriores ao nascimento, elas j esto no talo da

    planta mais prxima, a espera de seu hospedeiro (LEITE,1996)

    Os fatores temperatura e umidade relativa determinam maior ou

    menor tempo de durao parasitria e da fase de vida livre. A infestao

    dos bovinos comea na primavera, aumenta no vero e tem o pico no

    outono. No inverno ocorre uma diminuio do parasitismo, isto , um

    aumento do perodo de durao das fases de vida livre e parasitria.

    2.2. Controle Qumico

    O controle do alto nvel de infestao do carrapato tem sido

    realizado diretamente no seu hospedeiro empregando produtos qumicos

    que passam a agir sobre larvas, ninfas e principalmente sobre a forma

  • adulta evitando a postura de ovos viveis e consequentemente a

    reinfestao do pasto pelas larvas.

    A escolha do carrapaticida deve ser feita de forma racional, isto ,

    verificar o perfil de uma amostra de carrapato colhidas de diversos

    animais a fim de determinar produto mais eficaz. Normalmente se realiza

    o teste usando a tcnica de DRUMMOND et al.(1973), onde se verifica a

    atuao do produto diretamente na fmea, na sua postura e na viabilidade

    dos ovos.

    Atualmente encontramos produtos carrapaticidas base de

    formamidinas, piretrides, organofosforados, avermectinas, fluazuron e

    fipronil. Os acaricidas que apresentam ao por meio de contato so

    aplicados na forma de pulverizao, banho de imerso e pour-on. J os

    sistmicos so empregados na forma injetvel e pour-on.

    2.3. Controle de Larvas

    Um momento bastante favorvel para o criador realizar o primeiro

    tratamento seria no ms de agosto, perodo anterior a primavera, pois as

    larvas que j estavam espera do hospedeiro podero ser surpreendidas

    ao entrar em contato com o bovino banhado com acaricida. Assim ocorre

    a eliminao de uma grande quantidade de larvas e as teleginas (fmea

    adulta ingurgitada) que cairo dessa primeira infestao sero em menor

    nmero.

    2.4. Controle de Ninfas e Adultos

    A aplicao do produto acaricida no hospedeiro bovino impedir

    o desenvolvimento das formas jovens para adulto e as fmeas

    ingurgitadas depois de se desprenderem dos animais podero morrer ou

  • 314

    realizar postura de ovos infrteis, dependendo do mecanismo de ao do

    acaricida. Banhos acaricidas com intervalos de 21 dias impedem que uma

    quantidade grande de fmeas cheguem ao solo e continuem espalhando

    suas larvas pelo pasto (LEITE, 1996)

    2.5. Ineficcia do Produto Acaricida

    Diante da ineficcia de um produto acaricida podemos estar

    diante de vrios fatores como:

    Aplicao incorreta do produto ou dosagem abaixo da recomendada

    pelo fabricante.

    Ineficincia, isto , quando o produto se mostra pouco txico para a

    espcie no primeiro contato.

    Tolerncia: populaes que toleram maior dose do produto txico por

    razes fisiolgicas e no genticas.

    Resistncia: o desenvolvimento em uma linhagem de insetos, da

    capacidade de tolerar doses de produtos txicos que seriam letais (ou

    interfeririam no ciclo de vida) para a maioria dos indivduos numa

    populao normal da mesma espcie (Organizao Mundial da Sade). A

    resistncia resulta da seleo de genes previamente existentes na

    populao.

    2.6. Procedimentos Diante da Suspeita de Resistncia

    Realizar uma inspeo do sistema de aplicao de acaricidas. Isto

    inclui a entrada e sada de animais no estabelecimento e acaricidas

    usados em temporadas anteriores.

    Realizar uma observao direta dos animais, pois uma primeira

    indicao a campo, uma alta e anormal presena de teleginas dos 9 aos

    16 dias de banho (indica a sobrevivncia da metaninfas). Uma evidencia

  • mais forte, pode resultar na observao de uma alta e anormal presena

    de teleginas entre os 4 aos 7 dias depois do banho, sobrevivncia de

    adultos, (NARI et al.,1984).

    Enviar amostras de carrapatos para Laboratrios que realizam o

    diagnstico da resistncia.

    2.7. Diagnstico da Resistncia

    Os mtodos para a deteco da resistncia tem sido baseados em

    tcnicas clssicas de bioensaios, onde se observa a ao do carrapaticida

    sobre determinados estgios evolutivos dos carrapatos em condies

    simuladas de laboratrio. Dentre os mtodos esto os que estudam a ao

    do acaricida sobre teleginas e os que fazem sobre larvas.

    O teste normalmente usado para verificar a sensibilidade, como

    foi citado acima, a tcnica de Drummond , onde se utiliza o estgio de

    B. microplus que menos sensvel a sofrer variaes induzidas pelo

    laboratrio. A coleta pode ser feita imediatamente antes que os bovinos

    sejam banhados, as teleginas tem que ser extradas de vrios bovinos e a

    amostra deve ser mais numerosa possvel.

    O mtodo em que se utiliza o estgio de larva serve para indicar a

    resistncia do carrapato. A tcnica recomendada pela FAO consiste na

    exposio das larvas a superfcies impregnadas com diferentes

    concentraes do acaricida (tcnica de STONE & HAYDOCK, 1962). Os

    dados obtidos deste teste (contagem de larvas vivas e mortas) sero

    usados para verificar a concentrao letal de 50% e 99% de cada

    acaricida, o qual deve ser comparado com os respectivos valores de uma

    cepa sensvel padro.

  • 316

    O calculo do fator de resistncia obtido pela relao da

    concentrao letal de 50% da cepa de campo pela concentrao letal de

    50% de uma cepa sensvel. Atravs de um grfico pode-se verificar

    populaes homozigotas (tendncia a dar linha reta) ou heterozigotas

    tendem a da curvas sinuosas.

    Empregando tcnicas bioqumicas pode-se diagnosticar e

    determinar o tipo de resistncia atravs do stio de ao alterado e

    desintoxicao aumentada. Esta tcnica permite determinar a freqncia

    de gentipos possveis atravs da variao das atividades enzimticas

    (BRACCO,1998).

    2.8. Controle da Resistncia

    Quando a resistncia identificada numa propriedade deve-se

    manter um monitoramento da populao empregando-se as seguintes

    estratgias (de acordo com NARI, et al. 1984):

    Controle da Populao atravs de Testes Biolgicos e

    Bioqumicos.

    Uso moderado do carrapaticida para evitar uma grande presso de

    seleo por menor contato com os acaricidas, pois genes resistentes se

    mantm misturados em uma grande populao de indivduos susceptveis

    e a resistncia dilata seu aparecimento. Isto se consegue banhando os

    animais somente quando h grandes populaes de carrapatos adultos e a

    baixa freqncia .

    Estratgia de saturao, pois as doses de um acaricida que mata os

    indivduos sensveis (rr,rr), pode estar muito prxima da que mata a

    heterozigotos resistentes(rr,Rr). Portanto, convm utilizar produtos

    qumicos a concentraes altas para matar todos os sensveis e a maior

    quantidade possvel de heterozigotos resistentes. Assim diminui os

  • indivduos heterozigotos abaixando ao mximo as possibilidades de que

    se combinem entre eles dando indivduos altamente resistentes. Estes

    genes ao estar em uma freqncia mais baixa demoram mais em

    manifestar-se. Para tanto necessrio realizar banhos freqentes em

    concentraes altas.

    Rotao ou Descanso de Pastagem:

    Quanto mais tempo as larvas ficarem espera de seu hospedeiro

    menor ser seu poder infestante. Fazendo uso de rotao ou descanso de

    pastagens, com um prazo mnimo de 30 dias, o pecuarista consegue uma

    ajuda bastante significativa (LEITE,1996).

    Uso de capim gordura (Melinis minutiflora) desfavorece a subida

    das larvas sobre suas hastes que so extremamente pilosas alm de liberar

    secreo nas folhas que pode elimin- las. Tambm o capim colonio

    (Panicum maximum) favorece o controle, criando espaos por onde os

    raios solares penetram e dessecam ovos e larvas. Utilizar raas de

    bovinos resistentes. Controle da entrada e sada de bovinos da

    propriedade.

    3. Referncias Bibliogrficas

    BRACCO, J. E, Avaliao da resistncia a inseticidas em populao de

    Culex quinquefasciatus (Diptera: Culicidae) do Rio Pinheiros (So

    Paulo, Brasil). Tese de Mestrado Universidade de So Paulo, 1998.

    DRUMMOND, R. O, ERNST, S.E, TREVINO,WJ.L, GLADNEY, W.J. AND

    GRAHAM, O H.; Boophilus annulatus and Boophilus microplus:

    Laboratory testes of insecticides. J. Econ. Entomol., 66, n.1, 1973.

    LEITE, R.C, O carrapato no Brasil. Gado Holands, 29 n.45, 1996.

  • 318

    NARI, A; CARDOSO,H. Y PETRICCIA,C.; Resistencia de Boophilus

    microplus a los acaricidas organofosforados en el Uruguay.

    Veterinaria 20 (86-87), 1984.

    STONE, B.F. & HAYDOCK, K.P., A method for measuring the acaricide

    susceptibility of the cattle tick Boophilus microplus (Can.). Bull.

    Entomolog. Res. 53, 563-578. 1962.

    CLOSTRIDIOSES NA ESPCIE OVINA

    Pesquisadora Cientfica Lucia Baldassi

    Mdica Veterinria, Instituto Biolgico, Centro de Sanidade Animal. Av.

    Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Cx. Postal 12898, CEP 04010-970,

    So Paulo, SP. Tel.: 5087 1721. E-mail: baldassi@biologico.br

    As bactrias de interesse mdico so grosseiramente

    categorizadas em aerbios e anaerbios, de acordo com suas exigncias

    em relao ao oxignio que utilizado para gerar energia a ser

    empregada nos seus mecanismos de metabolismo e crescimento.

    Considerando-se apenas a necessidade e tolerncia ao oxignio teramos

    os aerbios obrigatrios, os anaerbios estritos e os intermedirios entre

    estes. Os aerbios obrigatrios seriam aqueles que no se desenvolvem

    sem a presena de oxignio molecular enquanto os anaerbios estritos

    no se desenvolvem na presena deste.

    Os anaerbios, categoria dos clostrdios, so bactrias que se

    desenvolvem em ambientes onde haja baixa tenso de oxignio. A

    maioria dos anaerbios patognica parte da flora normal do organismo

    sendo patgenos oportunistas. Assim infeces por anaerbios podem

  • ocorrer em qualquer parte do corpo que oferea condies favorveis

    para o seu desenvolvimento.

    Muitos dos processos infecciosos que afetam as exploraes

    ovinas e bovinas so produzidos por bactrias do gnero Clostridium.

    Os Clostridium esto amplamente distribudos pela natureza.

    Comumente so encontrados no solo, esterco, sedimentos marinhos,

    vegetao em decomposio, produtos animais e vegetais, infeces em

    tecidos moles e no trato intestinal do homem e animais, outros

    vertebrados e insetos.

    As infeces por anaerbios podem ser desencadeadas por vrios

    fatores: intervenes cirrgicas, traumas, isquemias vasculares, necroses

    de tecido, tumores, presena de bactrias aerbias e anaerbias, etc.

    Estas bactrias apresentam como principal caracterstica a

    formao de endosporos, o que lhes confere alta resistncia permitindo

    sua sobrevivncia no solo por longos perodos. Determinam vrias

    patologias: gangrenas gasosas nas quais predomina a mionecrose e

    toxemia; enterotoxemias que afetam o trato intestinal e rgos

    parenquimatosos e desordens neurotrpicas nas quais o sistema nervoso

    o primariamente afetado.

    Gangrenas Gasosas

    Manqueira e Edema Maligno

    As gangrenas gasosas caracterizam-se por necrose do tecido

    muscular.

    Geralmente as grandes massas musculares so as mais atingidas

    embora possam afetar a base da lngua, msculo cardaco, diafragma ou

    mesmo o bere.

  • 320

    Durante a multiplicao do agente h toxemia com formao de

    gs.

    A Manqueira, carbnculo sintomtico, black leg, black quarter ou

    quarto inchado se constitui em um tipo de gangrena gasosa. Alm dos

    ovinos, vrias espcies animais podem ser acometidas: bovinos, caprinos,

    peixes e baleias. Os sunos so raramente afetados e o homem e eqdeos

    so considerados resistentes. O agente etiolgico o Clostridium

    chauvoei, que exceo dos demais clostrdios no encontrado no solo.

    Os animais jovens so os mais atingidos, ocorrendo entre os 3 meses e 2

    anos de idade.

    O Edema Maligno, gangrena gasosa causada pelo C. septicum, C.

    novyi tipo A, atinge os ovinos e tambm os eqinos, bovinos e sunos,

    ocorrendo em qualquer fase da vida do animal.

    O C. chauvoei pode ser ingerido com o alimento ou inoculado por

    qualquer interveno, enquanto os outros so introduzidos por

    intervenes. Porm, qualquer que seja a porta de entrada passam para o

    sangue e tecido muscular afetado onde se multiplicam produzindo as

    toxinas e gs. Todos produzem uma srie de toxinas letais, hemolticas e

    necrotizantes. O quadro clnico apresentado est relacionado

    multiplicao do agente, ao gs e s toxinas produzidas. A leso

    acompanhada de edema, hemorragia e necrose miofibrilar, exalando

    acentuado odor ranoso (C. chauvoei) ou ptrido (C. septicum e C. novyi

    tipo A). Clinicamente o animal apresenta temperatura elevada, anorexia e

    depresso e quando o msculo atingido o de um dos membros observa-

    se a manqueira, que confere o nome enfermidade. Inicialmente o local

    afetado quente, dolorido e crepitante. Com a evoluo da doena o

  • local torna-se frio e indolor. A morte quase sempre inevitvel e

    ocorre em 2 horas ou at 2 dias.

    Enterotoxemias e Desordens Hepticas

    Hemoglobinria Bacilar ou Urina Vermelha

    Enfermidade que ocorre em reas geogrficas midas, onde h

    Fasciola hepatica (parasita heptico).

    As infeces subclnicas permitem a disseminao do C. novyi

    tipo D pelas fezes, embora seja pouco encontrado no solo e trato

    intestinal. Uma vez ingerido, o agente levado ao fgado que pelos danos

    determinados pelas fascolas fornece condies multiplicao desta

    bactria. As membranas apresentam-se ictricas, h edema submaxilar e

    de conjuntiva, alm de urina e fezes sanguinolentas, pela ao da toxina,

    que provoca a destruio dos eritrcitos. Em geral o animal encontrado

    morto, mas pode levar morte em 2 a 3 dias.

    O controle da enfermidade deve ser iniciado com a eliminao

    dos caramujos, o que impedir a sobrevivncia das fascolas. A

    vacinao recomendada somente em regies onde ocorre a doena e

    deve ser repetida a cada 6 meses.

    Hepatite Necrtica ou Doena Negra

    Determina morte sbita. Nos bovinos est associada a infestao

    por fascolas e nos ovinos e sunos desencadeada por degenerao

    gordurosa do fgado decorrente de sistemas intensivos de alimentao. A

    bactria responsvel o C. novyi tipo B. Ocorre edema provocado por

    grande quantidade de fluidos que se depositam nas cavidades do

    organismo. Nas ovelhas os vasos sangneos se rompem deixando o

  • 322

    sangue enegrecido se depositar no sub-cutneo, o que confere o nome

    enfermidade.

    Doenas Intestinais

    Apresentam como fatores desencadeantes as bruscas mudanas

    alimentares, voracidade, excesso alimentar e de carboidratos. As

    enterotoxemias so determinadas pelo C. perfringens que classificado

    em 5 tipos: A, B, C, D e E.

    Os tipos B e C causam processos entricos: desinteria e

    enterotoxemia neonatal em cordeiros, tambm denominadas intestino

    purpreo, pela cor azul do sangue enegrecido. A dor abdominal intensa

    e a diarria, com sangue, escura levando o animal morte em horas ou

    semanas. Os sinais clnicos so causados por trs toxinas: alfa, beta e

    psilon. O tipo C produz tambm pequena quantidade de enterotoxina.

    O tipo D que produz as toxinas alfa, psilon e enterotoxina

    determina um quadro severo de enterotoxemia que leva os ovinos morte

    sbita (1 a 2 horas).

    Doenas Neurotrpicas

    Ttano

    desencadeado por castrao, descorna, tosquia, parto e

    contaminao umbilical. As toxinas so formadas nas feridas,

    contaminadas com esporos do C. tetani, so distribudas pelo organismo

    atingindo a medula e o crebro. A ao da toxina determina os sintomas

    se iniciam por ansiedade, espasmos e cibras seguidos por rigidez geral,

    que impede a locomoo do animal. H um aumento da sensibilidade e

    excitabilidade at que ocorra parada respiratria e morte.

  • Botulismo

    O botulismo uma manifestao neuroparaltica provocada pela

    ao da toxina do C. botulinum. Atinge principalmente as fmeas prenhes

    e em lactao. Animais deficientes em fsforo se intoxicam ingerindo

    ossos para repor a carncia uma vez que, com estes, ingerem tambm a

    toxina. Outras fontes da toxina so guas estagnadas e silagens contendo

    carcaas de animais.

    Os sinais clnicos e o curso da enfermidade dependem da

    quantidade de toxina ingerida. Observa-se desde morte rpida at

    incoordenao motora, determinada por paralisia que progride at a

    morte, que ocorre por parada respiratria.

    necropsia no se verificam leses significativas que possam

    permitir um diagnstico. O diagnstico laboratorial, feito pela

    determinao da presena da toxina botulnica no soro sangneo,

    contedo ruminal e intestinal do animal doente, fundamental uma vez

    que a raiva e outras enfermidades transmissveis tambm apresentam

    sinais neurolgicos.

    Preveno e Tratamento das Clostridioses

    Embora os clostrdios sejam sensveis penicilina e antibiticos

    de amplo espectro, em geral a infeco verificada em estgio avanado

    ou os animais so encontrados mortos, o que dificulta o tratamento.

    Assim a preveno que o mais importante no controle das clostridioses,

    est relacionada a cuidados de manejo.

    Como manejo entende-se alimentao equilibrada e controlada,

    higine ambiental (disposio adequada de carcaas) e de rebanho

  • 324

    quando se pratica qualquer interveno (vacinao, vermifugao,

    tosquia, castrao), incluindo-se ainda a vacinao indicada. Para a

    vacinao esto disponveis no mercado vacinas especficas (ttano e

    botulismo) e polivalentes para as gangrenas gasosas que devem ser

    administradas a partir dos 3 meses de idade, um reforo um ms aps e

    revacinao anual.

    O diagnstico clnico deve ser confirmado pelo exame

    laboratorial, portanto o animal dever ser necropsiado logo aps a morte

    ou sacrifcio, as leses observadas e amostras coletadas para anlise.

    Coleta e Remessa de Amostras

    q Para o exame bacteriolgico (identificao do agente):

    q Puno local (quando se observar aumento de volume) com

    seringa e agulha esterilizadas, retirar a agulha, vedar a seringa e

    encaminh- la sob refr igerao. Fragmentos de fgado, rins, msculo

    cardaco e intestinos com contedo e amarrados ou qualquer rgo

    apresentando alterao devem tambm enviados sob refrigerao.

    q Para determinao da toxina:

    q Soro sangneo, contedos digestivos e alimentos sob

    refrigerao.

    q Para exame antomo-patolgico (identificao das leses):

    q Pequenos fragmentos dos locais com alteraes ou de fgado, rins,

    intestinos em formol a 10 ou 20% em temperatura ambiente.

    Referncias Bibliogrficas

    CARTER,G.R.; CHENPAPPA, M.M. Essentials of veterinary bacteriology

    and mycology. Lea & Febiger, Philadephia, 1991, 4e.

  • BIBERSTEIN, E.L.; ZEE, Y.C. Review of veterinary microbiology.

    Blackwell Scientific Publication Inc. Boston, 1990.

    HATHEWAY, C.L. Toxigenic clostridia. Clin. Microbiol. Vet. 3: 66-98,

    1990.

    NIILO, L.C. C. perfringens in animal diseases: a review of current

    knowledge. Can. Vet. J., .21: 141-8, 1980.

    SMITH, L.D.S. Botulism: the organism, its toxins, the disease. Charles

    C. Thomas. Illinois, 1977.

    EIMERIOSE OVINA

    Pesquisadora Cientfica Mrcia M. Rebouas

    Biloga, Instituto Biolgico, Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252,

    Cx. Postal 12898, CEP 04010-970, So Paulo, SP Fone: (11) 5087 1790.

    E-mail reboucas@biologico .br

    A eimeriose, tambm chamada coccidiose, uma doena causada

    por protozorio do gnero Eimeria, provoca alteraes intestinais que

    ocasionam falta de apetite e, consequentemente, diminuio no

    desenvolvimento corporal e, por vezes, a morte. Os animais jovens que

    se recuperam so constantemente reinfestados, mas nem sempre sofrem

    danos, devido a capacidade de adquirir imunidade, porm, tornam-se

    fontes de infeco para outros animais. Inmeras espcies do gnero

    Eimeria infectam animais da espcie ovina, determinando srios

    prejuzos ovinocultura em decorrncia dos altos ndices de morbidade e

    mortalidade constatados em animais jovens com idade ao redor de dois a

    seis meses. No Brasil, os estudos sobre eimerias em ovinos foram

    iniciados em 1936. Sendo, no correr dos anos, identificadas as seguintes

  • 326

    espcies de Eimeria: E. faurei, E. arloingi, E. intricata, E. parva, E.

    ahsata, E. ovinoidalis, E. crandallis, E. pallida, E. punctata, E.

    granulosa, E. gilruthi e E. bakuensis.

    A coccidiose acomete com mais freqncia animais em condio

    de estresse, como: mudanas climticas, nutrio indevida, provocando a

    queda da resistncia do animal. Neste momento, o animal parasitado por

    eimria, sofre as conseqncias dessa parasitose.

    As infeces podem ser mistas, isto por vrias espcies ou

    podemos encontrar uma s espcie parasitando o animal.

    Essa parasitose ocorre em animais jovens de 15 dias a 3 meses

    de idade e incide em criaes onde as condies sanitrias so precrias.

    Os animais adultos resistem a infeco e tornam-se portadores e

    disseminadores do protozorio.

    Os ovinos adquirem a parasitose quando ingerem oocistos

    infectantes, isto , j matudos, misturados na gua de bebida ou rao. A

    gravidade da infeco depende do nmero de oocistos ingeridos e da

    espcie de eimria considerada. As infeces por uma nica espcie so

    muito raras. Sempre vai predominar as infeces mistas.

    As vrias espcies de eimerideos, na fase endgena (fase dentro

    do hospedeiro), so parasitas de clulas intestinais e dentre elas, algumas

    so consideradas mais patognicas que outras.

    O curso da infeco e o quadro clnico sofrem influncia do poder

    patognico e da localizao, intestino delgado ou grosso.

    Os oocistos, formas infectantes do parasita, podem permanecer

    viveis no meio ambiente por perodos longos, desde que as condies de

    temperatura e umidade sejam adequadas.

  • A dessecao, o calor, o congelamento e as temperaturas

    moderadamente altas atuam sobre os oocistos fazendo-os perder a

    infeccciosidade. Os oocistos maturos resistem mais do que os imaturos.

    O meio propcio, mido, oxigenado, sombreado, livre de bactrias

    e com temperatura oscilando de 2C a 38C, fornece aos oocistos

    condies timas de sobrevivncia.

    A esporulao dos oocistos impedida pelas fermentaes e pela

    putrefao; estes fatores, quando em grau elevado podem determinar a

    morte dos oocistos imaturos e maturos.

    O desenvolvimento dos oocistos auxiliado pelas substncias

    qumicas que normalmente so empregadas para a desinfeco dos

    ambientes. Elas tm atuao sobre os microorganismos responsveis pela

    putrefao e fermentao e desta forma favorecem, pelo fato de

    eliminarem elementos que competiriam no consumo de oxignio, o

    completo desenvolvimentos dos oocistos.

    Os oocistos das eimerias so extremamente resistentes a muitos

    sais, cidos e bases. So necessrias concentraes relativamente altas de

    formol, cido sulfrico, hidrxido de amnea e creosol para impedir a

    esporulao dos oocistos.

    Certos compostos, como, por exemplo, soluo de amnea em

    concentrao alta, exercem ao local sobre os oocistos. Pode-se usar a

    soluo a 10% obtida a partir de uma soluo forte de ammea.

    O ciclo evolutivo varia ligeiramente conforme a espcie

    considerada. A infeco ocorre aps a ingesto de oocistos esporulados e

    viveis junto com a gua de bebida ou alimentos. Aps a ingesto, os

    oocistos sofre a ao de enzimas digestivos produzidas pelo estmago,

    intestinos, duodeno e pncreas, determinam o rompimento da cutcula

  • 328

    dos oocistos e dos esporocistos liberando os espozozotos. Mais

    precisamente, seria a tripsina a enzima especfica e determinante do

    rompimento dos envoltrios e uma srie de fatores so levados em

    considerao durante a fase de liberao dos esporozotos: concentrao

    do on hidrognio, temperatura, atividade trptica etc.

    Aps a liberao, os esporozotos invadem diretamente as clulas

    epiteliais do intestino favorveis ao desenvolvimento.

    O parasita, aps sua penetrao, cresce e agora denominado

    trofozoto torna-se arredondado e aumenta de tamanho. A clula

    parasitada tem seu tamanho aumentado a fim de acomodar o parasita,

    apresentando o ncleo deslocado para a periferia. Em poucas horas o

    ncleo do torfozoto se divide por esquizogonia e forma-se o esquizonte.

    Esta fase chamada de primeiro estgio ou esquizonte de primeira

    gerao, a fim de ser diferenciado daqueles que iro se formar durante a

    seqncia do ciclo evolutivo. Em equizogonia o citoplasma do

    esquizonte ainda no se dividiu mas, aps um curto perodo de tempo,

    segmenta-se ao redor de ncleos recm formados a fim de produzir

    merozotos de primeira gerao. Em ectopoligenia a coordenao de

    material ao longo da membrana do blastforo oposta ao ncleo, h

    elevao cnica da superfcie do blastforo cercando a membrana interna

    e conoides. A extremidade anterior elongada do merozoido contem

    corpos densos e h invaginao da membrana do blastforo em volta do

    ncleo. O merozoito fica quase que completamente desenvolvido e ainda

    ligado poro final do blastforo. O merozoito fica livre aps a

    separao do blastforo que permanece como um corpsculo residual

    De incio os merozotos so arredondados, mas rapidamente se

    alongam transformando-se em organismos fusiformes, com citoplasma

  • granuloso e ncleo arredondado e centralizado. O nmero de merozotos

    contidos no esquizonte varia de acordo com a espcie de eimeria

    considerada.

    Aps a maturao os merozotos so liberados do esquizonte,

    invadem novas clulas e do continuidade ao ciclo evolutivo, formando

    novos esquizontes ou se diferenciam em formas sexuadas e produzem os

    gametcitos masculinos e femininos.

    Os microgametcitos (machos) aumentam de tamanho, sofrem

    diviso mltipla e formam numerosos microgametas. O macrogametcito

    (fmea) cresce mais do que o microgametcito. Um nico macrogameta

    formado a partir de cada merozoto de segunda gerao. O oocisto

    formado liberado do interior do tecido hospedeiro e passa, com as

    fezes, para o meio externo.

    O perodo que medeia entre a ingesto de oocistos esporulados e

    viveis at o aparecimento do primeiro oocisto nas fezes denominado

    perodo pr-patente. A durao deste perodo varivel de acordo com as

    espcies de eimeria e serve como elemento auxiliar para a identificao.

    A pr-patncia varia de 5 a 10 dias, dependendo da espcie de

    eimria.

    Nas infeces agudas observa-se diarria, sede intensa,

    diminuio do apetite, distenso do abdome, emaciao, esgotamento

    rpido, podendo morrer de modo repentino um grande nmero de

    animais. A morte pode sobrevir sem sintomas aparentes ou aps 4 a 8

    dias com fenmenos entricos.

    Na realidade, a doena parece ter um curso fulminante, isto

    grande nmero de animais morrem sem sintomatologia aparente.

  • 330

    Segundo autores, 24 horas antes da morte grande parte dos animais

    apresentam diarria severa.

    Na forma crnica da infeco o curso mais lento, a diarria

    alterna-se com perodos de constipao, sobrevem meteorismo, os

    animais enfraquecem de modo profundo e logo surgem convulses e

    paralisias gerais. As convulses so devidas, possivelmente, a ao

    txica de produtos metablicos. A morte sobrevem aps um perodo de 3

    a 4 meses.

    As eimrias determinam inflamaes severas na mucosa

    intestinal, com conseqente aparecimento de secreo mucosa. A mucosa

    do intestino delgado mostra inmeras listras e pontos brancos. A medida

    que a infeco progride observa-se ulceraes na mucosa, com infiltrao

    dos tecidos.

    Os efeitos patolgicos determinados pelas eimerias so

    normalmente atribudos a distrbios de nutrio que surgem como

    conseqncia dos danos mecnicos sofridos pela mucosa intestinal.

    Porm, parte dos danos podem ser devidos a produo de substncias

    txicas aps o processo que se instala na mucosa do trato intestinal e, por

    vezes no abomaso como o caso da Eimeria gilruthi.

    O diagnstico baseia-se no encontro de formas do parasita em

    esfregaos intestinais e nas fezes.

    A mera presena de oocistos nas fezes no permite assegurar que

    o animal est doente, mas, o encontro deles associado a outros dados,

    principalmente obtidos durante a anamnese e necropsia de um animal ou

    mais, podem nos fornecer elementos suficientes para firmar o

    diagnstico, Deve-se ter em mente que durante a fase aguda da infeco

    os oocistos podem no estar presentes nas fezes.

  • Quando se suspeita de eimeriose sempre til realizar exames de

    fezes atravs da tcnica de enriquecimento por flutuao, utilizando-se

    para isso solues concentradas de cloreto de sdio ou acar.

    A fim de melhorar os resultados obtidos no exame anterior

    sempre conveniente diferenciar as vrias espcies, aps cultivo em

    bicromato de potssio a 2%. A identificao precisa da espcie nos

    permite ter uma idia da patogenicidade da eimria em observao.

    Os oocistos das eimrias possuem numerosas caractersticas

    morfolgicas forma, tamanho, cor, presena ou no de micrpila, de

    resduo oocisttico, de resduo esporocstico, corpsculo polar, corpo

    stieda que facilitam a identificao. Nestes casos, associa-se o tempo de

    esporulao s caractersticas da infeco.

    Em relao a profilaxia, deve-se ter em mente que os oocistos

    apresentam grande resistncia quando no meio ambiente e que a umidade

    favorece a esporulao.

    As informaes que se seguem auxiliaro na obteno de

    ambientes de criao livres de animais com a donea:

    manter as instalaes adequadamente limpas e secas ( comedouros,

    bebedouros e o ripado onde os animais se protegem da noite;

    o ripado deve ser distante do solo a fim de facilitar a retirada das

    fezes, que devem ser removidas com freqncia;

    evitar que os animais tenham acesso ao interior dos comedouros e

    bebedouros;

    deslocar os animais em gestao para ambientes limpos e

    desinfetados;

    os animais jovens, aps a desmama, devem ser conduzidos a lugares

    limpos e separados dos mais velhos;

  • 332

    no inverno, manter os animais ao abrigo de correntes de ar frio;

    manter o ambiente interno e vizinho livre de insetos, roedores, aves

    etc;

    os objetos de madeira contaminados podem ser esterilizados pela

    gua fervente ou pelo calor seco; os metlicos, pela ao de uma chama

    ou esterilizao a temperatura de 50C;

    isolar animais cujo diagnstico for positivo para eimeriose;

    somente incorporar ao rebanho novos animais, cujos exames para

    eimeriose sejam negativos. Quando positivos trata- los primeiramente;

    utilizar medicamentos coccideostticos administrados na rao ou na

    gua de bebida.

    O controle da eimeriose ovina baseia-se no melhoramento da

    higiene na criao e das normas de manejo. Boa alimentao

    fundamental. Deve-se proceder regularmente exames de fezes para se

    aquilatar as condies de sade do rebanho.

    Literatura Consultada

    BATISTA NETO, R.; LOPES, C.W.G.; GRISI, L. Macromerontes de um

    coccidia no abomaso de ovinos. Arq. Flum. Med. Vet., 2 :49-50,

    1987

    REBOUAS, M.M.; AMARAL, V.; TUCCI, E.C.; ALBERT, A.L.L.;

    MURAKAMI, T.O. Identificao de espcies do gnero Eimeria

    Schneider, 1875, parasitas de ovinos nos Municpios de Presidente

    Prudente, Guaratinguet e Jardinpolis, So Paulo. Arq. Inst. Biol.,

    64: 5-10, 1997.

  • YAKIMOFF, V.L. Coccidios dos animais domsticos do Brasil. Arq. Inst.

    Biol., So Paulo, 7: 167-187, 1936.

    DOENAS DA REPRODUO

    Pesquisadora Cientfica Edviges Maristela Pituco

    Mdica Veterinria, Instituto Biolgico - Centro de Sanidade Animal,

    Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Cx. Postal 12898, CEP 04010-

    970, So Paulo, SP Fone: (11) 5087 1772. E-mail: pituco@biologico.br

    1. Rinotraquete infecciosa dos bovinos/vulvovaginite pustular

    infecciosa (IBR/IPV)

    O Herpesvrus Bovino tipo-1 (BHV-1), classificado na famlia

    Herpesviridae, subfamlia Alphaherpesvirinae, gnero Varicellovirus

    (ROIZMAN et al., 1995), conhecido como o agente causal da

    Rinotraquete Infecciosa Bovina (IBR). De acordo com a anlise do

    genoma viral, dois subtipos podem ser distinguidos: HVB-1.1 e HVB-

    1.2. Estas variaes no so detectadas por mtodos sorolgicos

    convencionais, pois todas as amostras do HVB-1, se mostram idnticas.

    Os subtipos HVB-1.1 e HVB-1.2 apresentam uma correlao parcial

    entre a origem clnica de seu isolado e seu subtipo molecular. O subtipo

    1, compreende a maioria dos isolados do trato respiratrio e o 2 a maioria

    das cepas genitais. A associao entre o subtipo e a forma da doena

    deve, portanto, ser interpretada com muita prudncia.

    Em bovinos, o BHV-1 provoca uma variedade de sinais clnicos:

    respiratrio (rinotraquete em animais jovens e adultos, aborto,

    conjuntivite) e genital (vulvovaginite pustular nas fmeas, balanopostite

  • 334

    nos machos). O vrus igualmente responsvel por nascimento de

    animais dbeis e quadros de enterite, causando a morte de neonatos

    (LEMAIRE et al., 1994).

    O BHV-1 aparece de forma endmica em todos os Continentes,

    porm, so poucos os pases que desenvolvem programa de erradicao,

    a exemplo, Alemanha e Holanda, ou, que aps aplicao destes, se

    encontram livres ou virtualmente livres do BHV-1, como Dinamarca,

    Noruega, Sucia, Finlandia, Sua e ustria. No Brasil, a IBR foi

    registrada primeiramente em 1962 por GALVO na Bahia, sendo o BHV-

    1 isolado pela primeira vez por ALICE em 1978 nesse Estado e no mesmo

    ano por MUELLER em So Paulo. Desde ento, vrios surtos foram

    relatados, provocando srios prejuzos a pecuria nacional, especialmente

    em bovinos de explorao leiteira e animais de confinamento. O impacto

    econmico da IBR pode ser observado pelo retardo no crescimento de

    animais jovens, menor produo leiteira, morte embrionria e fetal,

    reduzida eficincia reprodutiva de matrizes e touros, alm das restries

    ao comrcio internacional de animais vivos e seus produtos como smen,

    embries e produtos de biotecnologia, previstas no Cdigo Internacional

    de Sade Animal (OIE, 1995). A Comunidade Europia publicou, em

    1991, diretrizes impondo estado soronegativo para o BHV-1 nos Centros

    de Inseminao Artificial e para a importao de animais. Nos EUA, a

    IBR considerada a virose de maior importncia econmica, sendo a

    principal responsvel por abortamentos, que podem variar de 16% a

    25%. No Brasil esses dados econmicos no so ainda disponveis.

  • 2. Diarria Viral Bovina - Bvd

    A Diarria Viral Bovina (BVD) uma doena infecciosa,

    transmissvel, causada por um RNA vrus da famlia Flaviviridae, gnero

    Pestivrus (WENGLER et al., 1995). Este agente morfologica e fsico-

    quimicamente similar ao vrus da Doena da Fronteira ou Border

    Disease dos ovinos e da Peste Suna Clssica. A BVD apresenta

    distribuio geogrfica cosmopolita e nos pases onde estas viroses esto

    presentes, tornou-se um desafio o diagnstico diferencial, devido as

    reaes cruzadas entre elas. Os Pestivrus infectam naturalmente uma

    grande variedade de espcies, incluindo ruminantes domsticos e

    selvagens e sudeos em geral (NETTLETON, 1990).

    A denominao Vrus da Diarria Viral Bovina deve-se

    descrio inicial deste em 1946, por OLAFSON, como o agente etiolgico

    de uma enfermidade entrica aguda, caracterizada pr diarria e leses

    erosivas no trato digestivo de bovinos, com alta morbidade e baixa

    mortalidade. Posteriormente, em 1953, RAMSEY & CHIVERS associaram

    este vrus com uma enfermidade entrica espordica, altamente fatal,

    denominada doena das mucosas. Atualmente sabe-se que este vrus

    um dos agentes que causa maior impacto econmico na esfera

    reprodutiva de bovinos.

    Ocorrem dois biotipos distintos do BVD, citopatognico (CP) e

    no citopatognico (NCP), que so diferenciados molecularmente e

    tambm pelo efeito citoptico em monocamadas de clulas susceptveis

    (BROWNLIE, 1990). H significativa heterogeneidade genmica e

    antignica entre isolados de campo. Recentemente, dois grupos de Vrus

    da Diarria Viral Bovina (BVDV) tm sido reconhecidos e designados

  • 336

    como genotipo I - amostras clssicas, usadas em produo de vacina,

    testes diagnsticos e genotipo II - amostras mais recentemente isoladas.

    A figura 01 apresenta esquematicamente as diferentes formas

    clnicas do BVDV e suas consequncias para o embrio ou feto.

    3. Neosporose

    O Neospora caninum um protozorio que parasita,

    principalmente, bovinos e caninos, mas acomete um grande nmero de

    hospedeiros. A infeco natural foi evidenciada tambm em ovinos,

    caprinos, eqinos e cervdeos. Foi erroneamente identificado como

    Toxoplasma gondii at o ano de 1988, qua ndo foi primeiramente descrito

    em ces (DUBEY et al., 1988a).

    A primeira descrio deste parasita em bovinos ocorreu em 1989

    por DUBEY et al., a partir de ento muitos trabalhos tem sido publicados

    sobre o assunto, enfocando a importncia econmica da Neosporose em

    bovinos, principalmente como causa de aborto.

    Duas revises publicadas recentemente tm resumido a estrutura,

    ciclo de vida, diagnstico e controle de Neospora e neosporose em

    animais (DUBEY & LINDSAY,1996; DUBEY,1999).

  • Figura 1: Apresentao esquemtica das possveis conseqncias de uma infeco pelo vrus da BVD

    Adulto ou bezerro

    Vaca prenhe

    Morte embrion. precoce; Reabsoro Aborto

    Ac.- + Ac.- +

    Vrus Vrus e Ac

    Ac.

    Infeco ~ 40-120 d . Infeco ~ 90-160 d . Infeco + q. 160 d.

    Infeco Sub- Clnica

    Associao com o complexo Pneumoenterite

    Trombocitopenia

    Sintomas Leves

    Bezerro: Persistente infectado, Imunotolerante, (Sem Ac. contra BVD) Retardo no crescimento

    Superinfeco/mutao CP BVD-Vrus homlogo

    Doenas das Mucosas Morte

    Superinfeco BVD-Vrus heterlogo

    Formao de Ac

    Bezerro: Malformaes

    Bezerro: Animal normal, Ac. Imune (Sem BVD-Vrus)

    Forma severa

    Vrus

    Vrus Vrus

    Fonte: WEISS, et al., (1994)

    Embora N. caninum e T. gondii sejam estruturalmente e

    antigenicamente relacionados, eles so distintos biolgicamente. Por

    exemplo, N. caninum a principal causa de abortamento em bovinos

    (ANDERSON et al.,1991, ANDERSON et al.,1995), enquanto T. gondii no

    conhecido como causa de abortamento em bovinos. Neospora no

    considerado um patgeno humano, enquanto T. gondii pode causar perda

    de viso ou ainda morte em humanos.

    A epidemiologia e o controle de neosporose bovina so uma rea

    de investigao para o futuro. Como os bovinos se infectam na natureza

    um enigma. A recente descoberta de oocisto em fezes de ces pode

  • 338

    explicar infeco ps natal. Embora, em limitados experimentos, ces

    liberam somente poucos oocistos (MCALISTER et al.,1998, LINDSAY et

    al., 1999). Novas investigaes so necessrias para elucidar, se outros

    candeos ou carnvoros podem excretar oocistos de N. caninum. A

    prevalncia e sobrevivncia de oocistos de N. caninum no ambiente so

    desconhecidas.

    Devido a similaridade com Toxoplasma gondii, acredita-se que

    este tenha um ciclo de vida semelhante, onde a infeco pode ocorrer por

    ingesto de oocistos das fezes de co, que o hospedeiro definitivo

    (MCALLISTER et al.,1998), e por transmisso congnita, nica forma

    demonstrada at o momento. (BARR et al., 1995; PAR et al., 1997). Esta

    forma de transmisso responsvel pela perpetuao da doena nos

    rebanhos, fato comprovado pela alta taxa de infeco de bezerros, filhos

    de mes infectadas. Se a transmisso fosse ps-natal, por fezes ou

    alimentos, a prevalncia esperada em vacas mais velhas seria maior, uma

    vez que estes animais esto sujeitos a um maior perodo de exposio.

    Porm no h um aumento de soroprevalncia relacionado com a idade

    dos animais. A falta de um efeito da idade da me na soropositividade

    pr-colostral e a soroprevalncia constante nos rebanhos sugere que a

    transmisso congnita a principal via de transmisso. Desta forma, so

    necessrios estudos para caracterizar e quantificar riscos de infeco ps-

    natal (PAR et al., 1996).

    4. Defeitos Congnitos

    Bezerros podem apresentar sinais neurolgicos fracos ou nascer

    sem sinais. Exame neurolgico pode revelar ataxia, reflexo patelar

  • diminudo e perda de conscincia (PARISH et al., 1987; BARR et al.,

    1993).

    Embora neosporose congnita subclnica seja provavelmente

    incomum, somente poucos casos com neosporose clnica tem sido

    relatados: paralisia, ataxia, exoftalmia ou olhos com aparncia

    assimtrica (BRYAN et al., 1994) ou deformaes associadas com leses

    das clulas nervosas no embrio (DUBEY & LAHUNTA, 1993).

    Em bezerros infectados congenitamente, a doena se restringe

    principalmente no SNC. Leses macroscpicas consistem de malcia

    (OTOOLE & JEFFREY, 1987) e desvio ou estreitamento da coluna

    vertebral (BRYAN et al., 1994). Leses microscpicas consistem de

    encefalomielite no supurativa caracterizada por infiltrao perivascular,

    gliose e necrose suave. Cistos so freqentemente observados. A medula

    espinhal pode apresentar mais cistos que o crebro.

    A maioria dos bezerros com neosporose clnica morre nas

    primeiras 4 semanas de vida. Se o desenvolvimento de neosporose clnica

    est relacionado coma cepa de N. caninum, a idade do feto ou o estado

    imunitrio da me no momento da infeco desconhecido. provvel

    que somente uma pequena porcentagem de bezerros infectados

    congenitamente tem neosporose clnica. Em 2 fazendas na Califrnia, 31

    e 54% de bezerros apresentaram anticorpo pr-colostral (PAR et al.,

    1996a).

    Nos pases em desenvolvimento, as doenas infecciosas so de

    longe as responsveis pelos prejuzos econmicos dos planteis bovinos.

    Pases desenvolvidos, como os Estados Unidos, estimam entre US$ 15

    bilhes ao ano os custos com doenas infecciosas. Dados divulgados no

    Congresso Mundial de Buiatria de 1986, mostram estimativas de custos

  • 340

    mundiais em milhes de dlares, com algumas doenas do gado bovino

    tais como: Diarria neonatal US$ 3,000; Lngua azul US$ 3,000; Leucose

    bovina. US$ 900; Leptospirose US$ 4,500; Brucelose US$ 3,500 e Mastite

    US$ 35,000.

    Ainda no existe estudo clnico e relatos da ocorrncia da

    Neosporose no Brasil. Estratgias de controle e preveno dependem

    fortemente do conhecimento dos riscos de infeco, do conhecimento

    epidemiolgico da doena nos rebanhos, comeando com exposio na

    vida fetal e continuando durante a vida produtiva do animal.

    5. Referncias Bibliogrficas

    ALICE, F.J. Isolamento do vrus da rinotraquete infecciosa bovina (IBR)

    no Brasil. Rev. Bras. de Biologia, 38: 919-920, 1978.

    ANDERSON, M.; BLANCHARD, P.; BARR, B.; DUBEY, J.P.; HOFFMAN, R.L.;

    CONRAD, P.A. Neospora like protozoan infection as a major cause of

    abortion in California dairy cattle. J. Am. Vet. Med. Assoc., 198: 214-

    244, 1991.

    ANDERSON, M.; PALMER, C.W.; THURMOND, M.; PICANSO, J.;

    BLANCHARD, P.; BREITMEYER, R.E.; LAYTON, A W.; MCALLISTER, M.;

    DAFT, B.; KINDE, H.; READ, D.H.; DUBEY, J.P.; CONRAD, P. Evaluation

    of abortions in cattle attributable to neosporosis in selected dairy herds

    in California. J. Am. Vet. Med. Assoc., 207: 1206-1210, 1995.

    BARR, B.C.; ANDERSON, M.L.; SVERLOW, K.; CONRAD, P.A. Diagnosis of

    bovine fetal Neospora infection with an indirect fluorescent antibody

    test. Vet. Rec., 137: 611-613, 1995.

    BARR, B.C.; CONRAD, P.A.; BREITMEYER, R.; SVERLOW, K.; ANDERSON,

    M.L.; REYNOLDS, J.; CHAUVET, A.E.; DUBEY, J.P.; ARDANS, A.A.

  • Congenital Neospora infection in calves born cows that had previously

    aborted Neospora- infected fetuses: Four causes (1990-1992). J. Am.

    Vet. Med. Assoc., 202: 113-117, 1993.

    BROWNLIE, J. The pathogenesis of bovine viral diarrhea virus infections.

    Vet. Sci. Tech., OIE, 9: 43-59, 1990.

    BRYAN, L.A.; GAJADHAR, A.A.; DUBEY, J.P.; HAINES, D.M. Bovine

    neonatal encephalomyelitis associated with a Neospora sp protozoan.

    Can Vet. J., 35: 111-113, 1994.

    DUBEY, J.P. Congenital neosporosis in a calf. Vet. Rec., 125: 486, 1989.

    DUBEY, J.P.; CARPENTER, J.L.; SPEER, C.A.; TOPPER, M.J.; UGGLA , A.

    Newly recognized fatal protozoan disease of dogs. J. Am. Vet. Med.

    Assoc., 192: 1269-1285, 1988a.

    DUBEY, J.P.; LAHUNTA, A. Neosporosis associated congenital limb

    deformities in a calf. Appl. Parasitol., 34: 229-233, 1993.

    DUBEY, J.P.; LINDSAY, D.S. A review of Neospora caninum and

    neosporosis. Vet. Parasitol., 67: 1-59, 1996.

    DUBEY, J.P.; LINDSAY, D.S.; ADAMS, D.S.; GAY, J.M.; BASZLER, T.V.;

    BLAGBURN, B.L.; THULLIEZ, P. Serologic responses of cattle and other

    animals infected with Neospora caninum. Am. J. Vet. Res., 57: 329-

    336, 1996.

    GALVO, C.L.; DORIA, J.D.; ALICE, F.J. Anticorpos neurotralizantes para

    o vrus da rinotraquete infecciosa dos bovinos, em bovinos do Brasil.

    Boletim do Instituto Biolgico da Bahia, 6:15-25, 1962/1963.

    LEMAIRE, P.; PASTORET, P.; THIRY, E. Le contrle de l'infection par le

    virus de la rhinotraquite infectiouse bovine. Ann. Med. Vet. 138:

    167-80, 1994.

  • 342

    MUELLER, S.B.K.; IKUNO, A.A.; CAMPOS, M.T.G.R.; RIBEIRO, L.O.C.

    Isolamento e identificao do vrus da rinotraquete infecciosa dos

    bovinos de um rim de feto bovino (IBR/IPV). Arq. Inst. Biol., 45:

    187-190, 1978.

    NETTLETON, P.F. Pestivirus infections in ruminants other than cattle. V.

    Sci. Tech.. OIE, 9: 131-150, 1990.

    OTOOLE, D.; JEFFREY, M.. Congenital sporozoan encephalomielytis in a

    calf. Vet. Rec. 121: 536-66, 1987

    OLAFSON, P., MACCALLUM, A.D., FOX, A. Na apparentlly new

    transmissible disease of cattle. Cornell Vet., 36: 104-108, 1946.

    PAR, J.; THURMOND, M.C.; HIETALA , S.K. Congenital Neospora

    caninum infection dairy cattle and associated calfhood mortality. Can.

    J. Vet. Res., 60: 133-139, 1996.

    PAR, J.; THURMOND, M.C.; HIETALA , S.K. Neospora caninum antibodies

    in cows during pregnancy as a predictor of congenital infection and

    abortion. J. Parasitol., 83: 82-87. 1997.

    PAR,J.; HIETALA , S.K.; THURMOND, M.C. An enzyme-like

    immunosorbent assay (ELISA) for sorologicaldiagnosis of Neospora

    sp. infection in catlle. J.Vet. Diagn. Invest., 7: 352-9, 1996b.

    PARISH, S.M.; MAAG-MILLER, L.; BESSER, T.E.; WEIDNER, J.P.;

    MCELWAIN, T.; KNOULES, D.P.; LEATHERS, C.W. Mielytis associated

    with protozoal infection in newborn calves. J. Am. Vet. Med. Assoc.,

    191: 1599-600, 1987.

    RAMSEY, F.K., CHIVERS, W.H. Mucosal disease of cattle. North Amer.

    Vet., 34: 629-638, 1953.

  • ROIZMAN, B., DESROSIERS, R.C., FLECKENSTEIN, B., LOPEZ, C., MINSON,

    A.C., STUDDERT, M.J. Family Herpesviridae. Arch. Virol., 10: 114-127.

    1995.

    WEISS, M.; HERTIG, C.; STRASSER, M.; VOGT, H.-R.; PETERHANS, E.

    Bovine Virusdiarrhoe/Mucosal Disease: eine bersicht. Schweizer

    Archiv fr Tierheikunde, 136: 173-185, 1994.

    PROGRAMA NACIONAL DE MELHORIA DA QUALIDADE DO LEITE

    Pesquisador Cientfico Jos Ramos Nogueira

    Instituto de Zootecnia /NPZ-NE Ribeiro Preto - e-mail:

    jrn@netsite.com.br

    1. Introduo:

    O leite um alimento cuja popularidade e importncia so

    incontestveis. Dessa forma somente se o leite for adequadamente obtido

    e processado que ele ter conservado suas caractersticas organolpticas

    e nutricionais, e portanto sua qualidade.

    So as seguintes as caractersticas de um leite de boa qualidade:

    Ser livres de todos os germes patognicos.

    Possuir baixa contagem total

    Ser livre de sedimentos e matrias estranhas

    Possuir sabor levemente adocicado e um flavor levemente aromtico

    Estar de acordo com os padres legais

    Para atingir esses requisitos, necessrio que o controle seja

    exercido desde a produo at a distribuio. No entanto a Legislao

    vigente para os produtos de origem animal bastante antiga (1952) com

  • 344

    algumas alteraes posteriores e classifica o leite por letra A, B, C e leite

    industria:

    Leite tipo A:leite integral: mximo de 10.000 ufc/ml; envasado no local

    de produo

    Leite tipo B: leite Integral: mximo de 500.000 ufc/ml

    Leite tipo C:leite padronizado no mnimo 3% de gordura

    Acidez Dornic mxima de 18; mximo de 2.000.000 de ufc/ml

    Leite industrial Leite que foi desclassificado para o tipo C;

    redutase menor que 1,5 horas

    Dada a grande mudana no setor e principalmente no consumidor

    final esta sendo proposto alterao na legislao do leite dando nfase na

    melhoria da qualidade do produto em todas etapas da cadeia.

    O projeto de mudana do RISPOA e o novo regulamento das

    normas de qualidade encontram-se na Secretaria Nacional de Defesa

    Sanitria em Braslia para a respectiva aprovao aps ampla discusso

    no setor.

    2. Regulamento Tcnico de Identidade e Qualidade de Leite Cru

    Resfriado

    Objetivo: Fixar a identidade e os requisitos mnimos de qualidade para a

    produo de leite cru resfriado.

    Definio: Entende-se por leite, sem especificar a espcie animal, o

    produto obtido da ordenha completa e ininterrupta, em condies de

    higiene, de vacas leiteiras sadias. O leite de outras espcies deve

    denominar-se segundo a espcie da qual proceda.

    Tabela 1 Parmetros de controle e expectativa de dados para trs nveis de tecnificao do sistema de produo de leite vigentes atualmente.

  • Nvel de tecnificao do produtor Parmetro Controlado A B C

    Concluso ou interferncia

    Lpides (g%) >

    3,25

    > 3,25 >

    3,50

    Peroxidase (U.A.) + - - + - - +++ exposio a H2O2

    c. rico

    (mg/100ml)

    3,90 3,12 2,50 exposio a H2O2

    Fosfatase (U.A.) --- --- ---

    Coliformes

    (NMP/ml)

    no mercado*

    (NMP/ml)

    0

    1

    2

    4

    5

    10

    calor: (a) >62C/30

    (ufc/ml) - quando

    cru*

    >10.0

    00

    >500.000 >1.50

    0.000

    fezes ou mamite

    Quando past.*

    (ufc/ml)

    >500 >40.000 >150.

    000

    baixa higiene (b)

    No mercado

    (ufc/ml)

    >1.00

    0

    >80.000 >300.

    000

    imprprio p/ classe

    Redutase (hs/red.) 17-

    18

    baixa higiene

    Extr. Seco total

    (g%)

  • 346

    (uc/ml) 05

    Temperatura cru

    (C)

  • Composio e qualidade:

    Aspecto e Cor: Lquido branco opalescente homogneo.

    Sabor e Odor: Caractersticos, isento de sabores e odores estranhos.

    Ausncia: Inibidores, neutralizantes da acidez e reconstituintes de

    densidade, aditivos e coadjuvantes

    Recomendaes:

    Boas prticas de higiene para a produo e para o transporte do

    produto devem ser aplicadas.

    Atender a legislao vigente quanto aos contaminantes orgnicos,

    inorgnicos e os resduos.

    Atender o Regulamento Tcnico para Coleta de Leite a Granel.

    Obedecer a legislao especfica para identificao.

    NOTA: Leite cru para a produo de leite tipo A e leite tipo B deve

    observar normas prprias relativas a tais produtos, sendo que nenhum

    padro de qualidade pode ser inferior ao estabelecido neste Regulamento.

    3. Regulamento Tcnico de Identidade e Qualidade de Leite

    Pasteurizado.

    Objetivo: Fixar a identidade e os requisitos mnimos de qualidade que

    dever ter o leite pasteurizado, sendo permitida a produo de outros

    tipos de leite pasteurizado desde que definidos em regulamentos tcnicos

    de identidade e qualidade especficos.

    Definies:

    Pasteurizao o processo aplicado a um produto com o objetivo de

    evitar perigos sade pblica originados por microrganismos

    patognicos associados ao leite pelo tratamento trmico consistente com

    mnimas modificaes qumicas, fsicas, organolpticas e nutricionais.

  • 348

    Leite pasteurizado: o leite fluido que submetido a temperatura de 72 a

    78 graus Celsius por 15 a 40 segundos de resfriamento temperatura

    inferior a 5 graus Celsius e envasado no menor prazo possvel sob

    condies que miniminizem contaminaes. O produto deve apresentar

    teste de fosfatase negativo e peroxidase positiva imediatamente aps o

    tratamento trmico.

    Classificao:

    De acordo com o contedo da matria gorda o leite pasteurizado

    classifica-se em:

    Leite pasteurizado integral.

    Leite pasteurizado semi-desnatado ou parcialmente desnatado.

    Leite pasteurizado desnatado.

    Composio:

    Ingrediente Obrigatrio; Leite cru resfriado

    Ingredientes Opcionais: Creme Vitaminas e/ou minerais

    Tabela 2. Requisitos microbiolgicos, de CCS e de resduos qumicos

    leite cru resfriado.

    Requisitos/mtodos de anlises (periodicidade)

    Fase preparatria At 31/12/2001

    Primeira Fase a partir de 01/01/2002

    Segunda Fase a partir de 0101/2005

    Fase meta a partir de 01/01/2008

    Redutase (2) (2 x por ms)

    Mnimo 1:30 h

    Contagem Padro em placas ufc/ml Mtodo FIL 100B: 1991 (mdia geomtrica sobre um

    Mximo 2.000.00

    Mximo 750.000

    Produtores individuais menos

  • perodo de 2 meses, com pelo menos 2 anlises por ms)

    0 que 100.000 Conjunto de produtores menor que 300.000

    Contagem de clulas somticas/ml para produtores individuais Mtodo FIL 148A: 1995 (mdia geomtrica sobre um perodo de 4 meses, com pelo menos 2 anlises por ms)

    Mximo de 1.000.000

    Mximo 750.000

    Mximo 400.000

    Resduos de drogas equivalentes em antibiticos do grupo -Lactam) Mtodo AOAC 15 Ed. (pelo menos 1 anlise por ms)

    Menor que 0,005 UI/ml

    Temperatura para o leite 3 horas aps a ordenha (cada ordenha)

    Mximo 7 C Mximo 4 C

    Temperatura para recebimento na indstria (cada remessa)

    Mximo 10 C Mximo 7 C

    Tabela 3. Requisitos Fsico-Qumicos para o leite cru resfriado

    Requisitos Limites

    Matria-Gorda g/100 g(2 x ms) Mnimo 3,0 (leite integral)2

    Densidade 15/15 C g/ml (2 x ms) 1,028 a 1,034

    Acidez cido ltico/100 ml (2 x ms) 0,14 a 0,18

    E. S. desengordurado G/100 (2xmes) Mnimo 8.4

  • 350

    ndice Crioscpico (2 vezes ao ms) Mximo 0,512C

    Protenas g/100g ( comprador) Mnimo 2,8

    Requisitos:

    Caractersticas Sensoriais

    Aspecto: Lquido

    Cor: Branca

    Odor e sabor: Caractersticos, sem sabores nem odores estranhos.

    Acondicionamento

    O leite pasteurizado dever ser envasado com materiais

    adequados para as condies previstas de armazenamento e que garantam

    a hermeticidade da embalagem e uma proteo apropriada contra a

    contaminao.

    Aditivos, coadjuvantes : No permitidos

    Contaminantes: No devem superar os limites estabelecidos pela

    legislao

    Peso, medida e rotulagem : Ser aplicado legislao especfica

    NOTA: Leite Pasteurizado tipo A e Leite Pasteurizado tipo B devem

    observar normas prprias relativas a tais produtos, sendo que nenhum

    padro de qualidade pode ser inferior ao estabelecido neste Regulamento.

    Tabela 4. Requisitos fsico qumico para o leite pasteurizado.

    Requisitos Leite

    integral

    Semi ou

    parcialmente

    desnatado

    Leite desnatado

    Matria Gorda

    g/100 g

    Mnimo

    3,0

    0,6 a 2,9 Mximo de 0,5

  • Acidez g ac.

    Ltico/100g

    0,14 a 0,18

    Estabilidade ao

    etanol

    Estvel

    E. S.

    desengordurado %

    Mnimo 8,4

    ndice crioscpico Mximo 0,512C

    Tabela 5. Critrios microbiolgicos e tolerncias para o leite

    pasteurizado.

    Microoganismos

    Tolerncia para amostra indicativa

    Tolerncia para amostra representativa

    Categoria I.C.M.F.S.

    Mtodo de anlise

    Contagem

    ufc/ml

    1,0 x 105 N=5 c=2 m=1,0x105

    M=3,0x105

    3 FIL 73A:

    1985

    Coliformes a

    30C

    10 N=5 c=2 m=10 M=15 3 FIL 73A:

    1985

    Coliformes a

    45C

    2 N=5 c=2 m=2 M=5 6 APHA

    1992,

    Salmonela sp

    /25g

    aus N=5 c=0 aus 12 FIL 93A:

    1985

    4. Possveis Impactos da Nova Legislao

    Continuar reduzindo o nmero de produtores

    Necessidade de maior capacitao em todo o processo:

    q resfriamento do leite

    q limpeza dos equipamentos

  • 352

    q controle de mastite

    Nova legislao condio necessria mas, no suficiente

    mercado (indstria) continuar a comandar o processo de melhoria da

    qualidade

    Pagamento por qualidade

    q Maior capacitao de todos os agentes econmicos (produtor,

    tcnico e indstria):

    Facilidades laboratoriais

    q Resfriamento do leite na fazenda e coleta a granel

    Tabela 6. Metas do Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite Ano N mximo de UFC/ml N mximo de CCS/ml

    2002 1 milho 1 milho

    2005 750 mil 750 mil

    2008 100 mil 400 mil

    Fonte: Portaria n 56 do Ministrio da Agricultura de 07/12/1 999.

    5. Situao Atual do Setor

    Um levantamento realizado pela Itamb retrata a realidade da

    pecuria leiteira da regio Sudeste do pais e mostra os seguintes aspctos:

    5.1. Faixa de Produo

    Tabela 7. Distribuio do Nmero de Produtores e da Produo de Leite

    da Itamb, em dezembro de 2000.

    Faixa de produo (litros/dia)

    Produtores (%)

    Produo (%)

    At 25 11,04 0,48 26 a 50 11,29 1,54 51 a 100 19,33 5,08

  • 101 a 200 21,55 10,93 201 a 500 20,51 22,46 Mais de 500 16,28 59,51 TOTAL 100,00 100,00 QUANTIDADES 8.412 74.164.559 litros

    Fonte: Itamb

    5.2. Produo e Produtividade

    Ano Produtores Produo Mdia Nmero ndice L/dia ndic

    e 1995 21.337 100 1.854.981 100 1996 20.155 94 2.028.512 109 1997 19.043 89 2.076.945 112 1998 16.869 79 2.141.841 115 1999 12.694 59 2.184.759 118 2000 8.412 39 2.392.405 129 Taxa anual de cresc. -17% - 5% - Fonte: Itamb

    5.3. Qualidade do Leite

    Tabela 7. Distribuio percentual do volume de leite da Itamb, segundo

    faixas de tempo de redutase*

    Redutase (min.)

    % Volume leite lato - 1997

    % Volume leite granel - 1999

    % Volume leite granel - 2000

    0 a 100 61,534 7,137 9,231 101 a 200 38,254 41,151 43,397 201 a 300 0,213 44,785 39,689 301 a 400 0,000 5,352 5,400 401 a 500 0,000 1,317 1,911 501 a 600 0,000 0,259 0,372 > 601 0,000 0,000 0,000 Total 100 100 100 L/Ano 778.977.438 538.914.361 756.598.141 Fonte: Itamb

  • 354

    * A coleta das amostras para anlises foi realizada no final da linha, no

    caminho.

    5.4. Temperatura de Recebimento

    Tabela 8. Distribuio percentual do volume de leite Itamb, segundo

    faixas de temperatura, nos produtores e na fbrica, em 2000.

    Temperatura (graus C) Produtores Fbrica

    < 3 21,12 0,721 4 49,93 4,354 5 21,14 16,066 6 4,61 42,067 7 2,48 27,807 8 0,24 6,420 9 0,14 1,815 > 10 0,35 0,750 Fonte: Itamb

    5.5. Contagem de Clulas Somticas

    Tabela 9. Distribuio percentual dos produtores da Itamb em 1999/2000, segundo faixas de contagem de clulas somtica em 65.565 amostras de leite.

    Faixa de CCS Amostra de Produtores

    (%)*

    At 540 mil/ml 59,67

    De 541 a 780

    mil/ml

    17,26

    De 781 a 1020

    mil/ml

    9,12

    Mais de 1020 13,95

  • mil/ml

    TOTAL 100,00

    Mdia 447 mil/ml

    Fonte: Itamb

    ESTUDO DAS TERAPIAS DA MASTITE CATARRAL DOS BOVINOS NA

    CLNICA DE OBSTETRICIA E GINECOLOGIA DA ESCOLA SUPERIOR DE

    MEDICINA VETERINRIA DE HANNOVER

    Pesquisadora Cientfica Lilian Gregory

    Mdica Veterinria, Instituto Biolgico, Centro de Sanidade Animal, Av.

    Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Cx. Postal 12898, CEP 04010-970,

    So Paulo, SP. E-mail: gregory@biologico.br

    1. Introduo

    Desde o final do sculo 18, considerava-se que as enfermidades

    da glndula mamria dos bovinos eram causadas por picadas de alguns

    insetos, contato com sangue ou com as secrees de feridas expostas.

    Tambm atribua-se, na poca, como uma das causas de ocorrncia das

    molstias que acometiam a glndula mamria, a influncia de fantasmas

    ou maus espritos, por essa que se tratava, ao ento chamado mal-do-

    esprito, com relquias, gua benta ou desinfetantes naturais.

    Com WILLBURG iniciou-se, em 1787, estudos com bases

    cientficas das doenas da mama. Todavia o empenho dos especialistas

    referiam-se apenas a nosologia da patologia da glndula mamria, no

    abordando aspectos relacionadas a etiopatogenia dessas enfermidades

    (toxionomia - cincia que trata do arranjo e classificao dos animais) j

  • 356

    que, naquela poca, desconhecia-se a existncia dos microorganismos.

    No seu manual para o fazendeiro, o autor descreveu diferentes tipos de

    mastite como sendo variadas formas de inflamaes da glndula

    mamria. Em seguida, num perodo que se caracterizaria pela observao

    das leses e rgos lesados, iniciaram-se pesquisas e estudos para a

    avaliao da natureza intrnseca do mal da glndula mamria, que afetava

    a produo leiteira alterava a qualidade do produto lcteo.

    Atualmente, com a evoluo das tcnicas laboratoriais permitiu-

    se o isolamento e a identificao de vrias bactrias, fungos e algas

    como agentes etiolgicos da Mastite, sendo que WENDT (1994)

    diferenciou a mastite de acordo com o achado laboratorial e os sintomas.

    BLECKMANN & HOEDEMAKER (1996), na Clnica de Ginecologia

    e Obstetrcia de Hannover, em 13.004 amostras de leite com exame

    bacteriolgico positivo, entre os anos 1990 at 1994, encontraram o

    seguinte espectro: 36% de Streptococcus, 33% de Staphylococcus, 13%

    de coliformes, 6% de leveduras, 3% de Actinomyces pyogenes, 7% de

    infeco mista e 2% de outros agentes.

    So muitos os fatores que influem no tratamento das Mastites. A

    variao da cura clnica que podemos ter no tratamento das diversas

    formas de Mastite pode ser de 40% a 95%, dependendo do agente

    etiolgico envolvido. A antibioticoterapia o tratamento mais utilizado

    nas diversas formas de Mastite e a sua eficcia ir depender da meia-vida

    do antibitico empregado e de sua capacidade de difuso no parnquima

    da glndula mamria. Muitas vezes a subdosagem causada pela m

    administrao do medicamento descrita como causa de

    desenvolvimento de resistncia do microorganismo, mas antes a sua

    insuficiente difuso na glndula mamria um fator predisponente para o

  • desenvolvimento da resistncia bacteriana. As leses do parnquima

    causadas pelos diferentes microorganismos responsveis por um quadro

    de mastite e tambm os detritos produzidos por estes agentes provocam

    um bloqueio mecnico que dificulta a distribuio do medicamento no

    local infectado. Acreditava-se que a administrao de medicamentos por

    via parenteral resolveria o problema, mas constatou-se que apenas uma

    pequena parte da dosagem administrada na corrente circulatria atingia o

    parnquima mamrio. Somente a administrao de uma alta dosagem

    exerceria ao curativa na glndula. Entretanto, este procedimento

    tornaria o tratamento invivel, em vista do perigo de intoxicao do

    animal. O maior sucesso do tratamento pressupe que a escolha de um

    medicamento seja antecedida de um estudo sobre a sua ao

    farmacocintica e farmacodinmica, a fim de avaliar a sua capacidade de

    eliminar o microorganismo do local infectado sem causar danos

    significativos ao animal. A apresentao desta palestra foi baseada no

    trabalho da avaliao de algumas formas de terapia dos pacientes da

    Clnica de Obstetrcia de Hannover com Mastite Catarral entre os anos de

    1986 e 1996.

    Bibliografia:

    BLECKMANN, E. HOEDEMAKER, U. M. (1996):Mglichkeiten und Grenzen

    der bakteriologischen Untersuchung von Milchproben in der

    bakteriologischen Untersuchung von Milchproben in der

    Tierarztpraxis. Prakt.Tierarzt, 77, 22-23.

    GREGORY, L. (1999) Die katarrhalische Mastitis des Rindes:

    Hufigkeit, tiologie und Therapie. Hannover, Tierrztl. Hochsch.,

    Diss.

  • 358

    WENDT, K.; BOSTEDT, H.; MIELKE, H. & FUCHS, U. A. W. (1994) Euter-

    und Gesugekrankheiten. Verlag Fischer, Stuttgart, Jena, S. 226 -

    431.

    WILLBURG, A. K. VON (1787) Anleitung fr das Landvolk in Absicht

    auf die Erknntni und Heilungsart der Krankheiten des

    Rindviehes. Verlag Stein, Nrnberg, S. 67 - 138.

    RAIVA RURAL E URBANA

    Pesquisadora Cientfica Elenice Maria Sequetin Cunha

    Mdica Veterinria, Centro de Sanidade Animal, Instituto Biolgico. Av.

    Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, Cx. Postal 12898, CEP 04010-970,

    So Paulo, SP Fone: (11) 5087 1779, Fax: (11) 5579 0824. E-mail:

    cunha@biologico .br

    A raiva uma doena viral infecciosa do sistema nervoso, de

    evoluo aguda, e que afeta todos os animais de sangue quente, mas

    essencialmente os mamferos. Apesar de todos os avanos cientficos, a

    raiva continua sendo um grande problema de sade pblica, tanto no

    meio urbano quanto no rural.

    O vrus rbico pertence Famlia Rhabdoviridae, gnero

    Lyssavirus sendo seu genoma constitudo de RNA de cadeia simples em

    forma de bala de fuzil. Os membros desta famlia possuem natureza

    proteica complexa, o que os torna bons indutores de imunidade, quando

    comparados a outros vrus.

    Em sua constituio encontramos cinco protenas, sendo que a

    glicoprotena do envoltrio viral o nico antgeno capaz de induzir a

  • sntese de anticorpos neutralizantes no hospedeiro, conferindo proteo

    doena. O vrus da raiva rapidamente inativado pelos solventes

    lipdicos, pelo formol, a temperaturas elevadas ( 60C), pelos pH cidos e

    raios ultra-violetas.

    A raiva est distribuda em todo mundo, com excees de

    algumas pases que a erradicaram ou permaneceram livres devido a

    proteo natural, ou atravs da implantao de regulamentos rigorosos de

    quarentena. Estas regies so a Austrlia, o Uruguai, algumas ilhas do

    Caribe, o Japo e alguns pases Europeus.

    A perenidade da doena assegurada pelo grande nmero de

    espcies animais susceptveis que atuam, tambm, como transmissores.

    Atualmente, o co , ainda, o maior reservatrio do vrus da raiva na

    frica e em certos pases Asiticos e Sul-Americanos, sendo responsvel

    pela raiva urbana. Na Amrica do Norte e Europa, as espcies mais

    envolvidas so as silvestres, reservatrios naturais da doena. Ainda na

    Amrica Central e do Sul, o morcego hematfago Desmodus rotundus

    est envolvido na transmisso da doena, principalmente na zona rural,

    causando srios prejuzos econmicos.

    Aps penetrar no tecido subcutneo ou em alguma massa

    muscular, atravs de mordedura ou lambedura, o vrus da raiva se

    propaga para o sistema nervoso central via axoplasma dos nervos

    perifricos. Uma vez estabelicida a infeco do sisteam nervoso central,

    o vrus se difunde para as glndulas salivares e diversos rgos. A

    disseminao hematolgica pode ocorrer mas rara.

    O perodo de incubao bastante varivel em funo da espcie

    animal transmissora e da contaminada, a localizao da leso, a

    quantidade de vrus inoculada, proximidade do sistema nervoso central, o

  • 360

    tipo e a extenso da leso provocada pela mordedura, a higidez e o nvel

    imunitrio do agredido, entre outros fatores. Em mdia, o perodo de

    incubao varia, para ces e gatos, em torno de 10 a 60 dias; para os

    bovinos, eqinos, sunos e outros entre, 25 a 90 dias; no homem, o

    perodo de incubao de 2 a 8 semanas, mas pode variar desde 10 dias

    at 8 meses. Em animais silvestres o perodo bastante varivel, no

    havendo definio clara para a grande maioria deles.

    Quanto aos sintomas da raiva, h uma variao no que diz

    respeito predominncia das manifestaes. Classicamente, o vrus da

    raiva apresenta trs fases distintas: a fase prodrmica, a fase excitativa e

    a fase paraltica. Nos ces e gatos, inicialmente, h uma alterao do

    comportamento e o animal se isola dos demais e das pessoas, buscando

    se esconder em locais escuros. A alterao na temperatura no

    significante e a incapacidade na reteno da saliva pode ou no ser

    notada. A seguir, j na fase de irritao e excitabilidade, o animal torna-

    se agressivo, atacando a outros animais e pessoas e at objetos

    inanimados e empreende longas caminhadas, sem rumo definido,

    continuando a deferir seus ataques. Pode tambm ocorrer a estimulao

    do trato urogenital, evidenciada pela mico freqente, desejo sexual e

    ereo no macho. Uma caracterstica marcante o latido do animal que

    se torna bitonal e rouco. Os gatos, geralmente, tornam-se agressivos e

    extremamente perigosos causando mordeduras e vrios arranhes. Aps

    essa fase de excitabilidade, sobrevm as paralisias, inicialmente dos

    msculos da garganta e masseteres, dificultando a deglutio, sendo a

    queda da mandbula muito freqente nos ces. A paralisia progride por

    todo corpo levando o animal morte por asfixia, que ocorre quando a

    musculatura respiratria atingida.

  • Em relao aos sintomas da raiva transmitida pelos vampiros aos

    herbvoros, a paralisia atinge inicialmente os membros posteriores,

    provocando um andar cambaleante. A lactao cessa de repente em

    vacas leiteiras. Ao invs da usual expresso plcida, os animais tornam-

    se vigilantes, seus olhos e suas orelhas seguem sons e movimentos. O

    animal faz esforos para defecar e urinar, porm no consegue. Emite

    mugidos constantes e roucos. Na maioria das vezes, o animal apresenta

    dificuldade de deglutio e abundante salivao. Finalmente, deita e no

    se levanta mais at a morte. Em equinos h um perodo de exitao, com

    intensidade e durao variveis, seguido de manifestaes de paralisia

    que dificultam a deglutio e provocam incoordenao das extremidades.

    Os sunos, geralmente, tornam-se agressivos e podem provocar srias

    leses ao atacar.

    Nos morcegos hematfagos ocorre mudana na atividade

    alimentar, hiperexcitabilidade, agressividade, tremores, falta de

    coordenao dos movimentos, contraes musculares e paralisia. No

    comeo da enfermidade, os indivduos doentes afastam-se da colnia,

    deixam de realizar o asseio corporal (seus pelos tornam-se desalinhados

    e sujos), so acometidos por tremores generalizados e geralmente

    possuem feridas frescas que so provocadas por agresses de seus

    companheiros sadios a cada tentativa de reintegrao ao agrupamento de

    onde so expulsos violentamente. Estes perdem a capacidade de voar e

    podem cair no cho. H um aumento gradativo dos sintomas paralticos,

    com maior intensidade nas asas do que nas extremidades posteriores. No

    entanto, no tem sido observada paralisia da mandbula, possibilitando

    aos morcegos a manuteno da sua capacidade de morder. A

  • 362

    morte dos indivduos raivosos pode ocorrer cerca de 48 horas aps o

    aparecimento dos primeiros sintomas.

    Nos morcegos no hematfagos a raiva se manifesta geralmente

    de forma paraltica, sem a visualizao da fase exitvel. No entanto,

    existem relatos de agresso por morcegos insetvoros raivosos. Os

    morcegos podem, ainda, ser encontrados voando durante o dia e batendo

    contra obstculos, caracterizando uma desorientao provocada pela

    doena.

    No homem a doena tem incio sbito e so observados sinais

    inespecficos que so caracterizados por febre (que no passa de 38C),

    cefalia, mal-estar, anorexia, nusea e dor de garganta. Na maioria dos

    casos h alterao de sensibilidade no local da mordedura como

    formigamento, queimao, adormecimento, prurido e/ou dor local.. Esse

    perodo varia de 2 a 4 dias. Em seguida, instalam-se sinais de

    comprometimento do sistema nervoso central: ansiedade, inquietude,

    desorientao, alucinaes, comportamento bizarro e at convulses. So

    raros os surtos de agressividade e a durao da enfermidade de 2 a 6

    dias, terminando com a morte.

    O diagnstico clnico indicativo deve ser realizado levando-se em

    considerao que a raiva pode ser confundida com vrias outras

    infeces e com diversos tipos de intoxicaes que causam encefalites,

    e, para que seja esclarecido, necessrio que se envie o material do

    animal suspeito para diagnstico laboratorial. Devem ser remetidos para

    o laboratrio o crebro e regio prxima medula espinhal,

    principalmente quando se tratar de eqinos. Pequenos animais silvestres,

    como morcego, gamb, sagi e outros, devem ser encaminhados inteiros,

    para permitir a identificao da espcie. O material deve ser

  • acondicionado e encaminhado ao laboratrio em perfeitas condies de

    conservao (refrigerado, congelado ou conservado em soluo salina

    com glicerina a 50%).

    O diagnstico laboratorial, segundo recomendaes da

    Organizao Mundial da Sade, realizado atravs de

    imunofluorescncia direta (IFD) e isolamento viral. A IFD muito

    sensvel e especfica e o diagnstico atravs desta tcnica pode ser obtido

    em algumas horas. O isolamento do vrus atravs da inoculao em

    cultivos celurares pode fornecer resultados em 48 horas, contra os 21 a

    30 dias, necessrios para a prova de inoculao intracerebral em

    camundongos.

    No existe tratamento para a raiva; uma vez instalada, a doena

    fatal. Assim sendo, devem-se adotar medidas para a sua preveno.

    O co o principal vetor da raiva urbana. A infeco de um co a

    outro, do co ao homem e a outros animais domsticos se transmite por

    mordeduras. A grande densidade de ces e sua alta taxa de reproduo

    anual so fatores importantes nas epizootias de raiva canina na Amrica

    Latina, incluindo o Brasil. Outro fator importante, na manuteno do

    vrus, o grande perodo de incubao da enfermidade em alguns ces. O

    vrus pode estar na saliva durante 2 a 3 dias, podendo este nmero chegar

    a 13, antes do comeo da enfermidade; a eliminao do agente por esta

    via pode continuar at a morte do animal. Estima-se que 60 a 75% dos

    ces raivosos eliminam vrus pela saliva e sua quantidade varia de

    vestgios at altos ttulos.

    Nas zonas urbanas os gatos tambm podem transmitir a raiva.

    Estes podem adquirir a doena de ces infectados ou de animais

    silvestres com os quais tenham contacto. Considera-se, no entanto, que

  • 364

    estes animais sejam hospedeiros acidentais do vrus e que, talvez, no

    desempenhem um papel importante no ciclo natural da enfermidade, mas

    podem servir como considervel fonte de infeco para humanos.

    O controle e erradicao da raiva urbana, visando prevenir a

    doena na populao humana, consiste no controle e erradico da

    infeco nos animais domsticos, especialmente em ces. Os

    procedimentos utilizados em programas com esta finalidade tm por

    objetivo reduzir a populao de animais susceptveis, mediante a

    vacinao de ces e gatos e apreenso de ces errantes. Ces e gatos

    devem ser vacinados anualmente, abrangendo zonas rural e urbana, sob a

    responsabilidade das Prefeituras Municipais.

    Criado oficialmente em 1973, o Programa Nacional de Profilaxia

    da Raiva foi gradualmente implantado no pas, tendo atingido a

    totalidade das Unidades Federativas em 1977. As atividades iniciaram-se

    pelas zonas urbanas das capitais e reas metropolitanas, estendendo-se,

    posteriormente, s cidades do interior. O Estado de So Paulo iniciou

    suas atividades de forma coordenada neste Programa, vacinando ces e

    gatos, em 1975. A partir de 1983, praticamente 100% dos municpios

    fazem a vacinao em campanha. Como consequncia, a incidncia de

    raiva humana desde esta data tem se mantido em um patamar de 0 a 3

    casos notificados/ano.

    A vacina utilizada em campanhas a do tipo Fuenzalida &

    Palcios que constituda de vrus inativado. Existem tambm outros

    tipos de vacina com vrus inativado, com o uso indicado para ces e

    gatos, cujas doses, via de administrao e esquemas de vacinao podem

    ser diferentes dos da vacina Fuenzalida & Palcios.

  • O controle de animais domsticos, especialmente o co, deve ser

    realizado pelos servios pblicos, com a participao ativa da populao,

    atravs de atividades de Educao e Promoo da Sade, envolvendo

    educadores e profissionais que atuam na Sade Pblica.

    Os procedimentos principais para o controle da raiva rural,

    transmitida pelo morcego hematfago, consistem em vacinar os animais

    em reas expostas e reduzir a populaco de vampiros. A vacinao deve

    ser realizada segundo a ocorrncia da doena. Em reas epidmicas,

    recomenda-se que a vacina seja aplicada a cada 6 meses, no caso de

    vacinas inativadas, e que os animais primovacinados sejam revacinados

    com intervalo de 30 dias. Os animais recm-nascidos devem receber a

    primeira dose vacinal com 3 meses de idade e outra aos 4 meses. Em

    localidades onde a doena ocorre de forma endmica, a vacinao deve

    ser anual, tambm no caso de uso de vacina inativada. O controle

    populacional do Desmodus rotundus, principal transmissor do vrus

    rbico em raes rurais, deve ser uma ao contnua e realizada por

    equipes especializadas. O mtodo empregado com esta finalidade o uso

    de pasta com substncia anticoagulante, aplicada nos morcegos ou nas

    mordeduras dos animais agredidos.

    Para o controle efetivo da doena, tanto urbana como rural,

    necessita-se de um adequado sistema de vigilncia epidemiolgica, com

    pronto atendimento a focos e envio de material para diagnstico

    laboratorial, e um programa de educao em sade junto comunidade,

    visando a adoo de medidas profilticas.

    Bibliografia consultada

  • 366

    ACHA, P.N.; SZYFRES, B. Rabia. In: Zoonosis y enfermedades

    transmisibles al hombre y a los animales, Organizacion

    Panamericana de la Salud, 1986. p.502-526.

    BRASS, D.A. Clinical manfestations of rabies in insectivorous bats. In:

    __. Rabies in Bats. Natural history and public health implications.

    Livia Press, 1994, p. 151-162.

    BRASS, D.A. Clinical manfestations of rabies in the vampire bats. In: __.

    Rabies in Bats. Natural history and public health implications .

    Livia Press, 1994, p. 83-84.

    DEAN, D. J.; ABELSETH, M., K.; ATANASIU, P. Routine laboratory

    procedures: The fluorescent antibody test. In: MESLIN, F.X.; KAPLAN,

    M.M.; KOPROWSKI. Laboratory techniques in rabies. 4. ed.

    Genebra, World Health Organization, 1996, p. 88-95.

    GOMES, F.J.P. Programa Nacional de Profilaxia da Raiva Relatrio

    Preliminar. Arq. Biol. Tecnol., 28 (2), 1985.

    KOPROWSKY, H. Routine laboratory procedures: The mouse inoculation

    test. In: MESLIN, F.X.; KAPLAN, M.M.; KOPROWSKI. Laboratory

    techniques in rabies. 4. ed. Genebra, World Health Organization,

    1996, p. 80-87.

    KOTAIT, I; GONALVES, C.A; SOUZA, M.C.A; TARGUETA, M.C. Controle

    da raiva nos herbvoros. So Paulo, Instituto Pasteur, 1998 (manuais,

    1) 15 p.

    WEBSTER,W.A; CASEY, G.A; Routine laboratory procedures: Virus

    isolation in neuroblastoma cell culture. In: MESLIN, F.X.; KAPLAN,

    M.M.; KOPROWSKI. Laboratory techniques in rabies. 4. ed.

    Genebra, World Health Organization, 1996, p. 96-104.

    RICARDO MAMAR

Recommended

View more >