IV RIFIB anais - bio.ufpr.br ?· V ENCONTRO SOBRE DOENÇAS E PRAGAS DO CAFEEIRO ... Simpósio sobre…

Download IV RIFIB anais - bio.ufpr.br ?· V ENCONTRO SOBRE DOENÇAS E PRAGAS DO CAFEEIRO ... Simpósio sobre…

Post on 21-Nov-2018

223 views

Category:

Documents

3 download

TRANSCRIPT

  • ANAIS

    IV REUNIO ITINERANTE DE FITOSSANIDADE DO INSTITUTO BIOLGICO

    V ENCONTRO SOBRE DOENAS E PRAGAS DO CAFEEIRO

    PROMOO: INSTITUTO BIOLGICO

    SINDICATO RURAL DE RIBEIRO PRETO

    ASSOCIAO BRASILEIRA DO AGRONEGCIO DA REGIO DE RIBEIRO

    PRETO

    RIBEIRO PRETO - SP 26 A 29 DE JUNHO DE 2001 REUNIO ITINERANTE DE FITOSSANIDADE DO INSTITUTO BIOLGICO, 4. ENCONTRO SOBRE DOENAS E PRAGAS DO CAFEEIRO, 5. Ribeiro Preto, SP, 2001. Anais da IV Reunio Itinerante de Fitossanidade do Instituto Biolgico e do V Encontro sobre pragas e doenas do cafeeiro. Coordenados por Jos Roberto Scarpellini, Zuleide A. Ramiro, Amaury da S. dos Santos, Gensio A. de Paula e Silva e Monika Bergamashi. Ribeiro Preto, SP. Instituto Biolgico, 2001. 225p.

  • 2

    APRESENTAO

    O Instituto Biolgico, em parceria com o Sindicato Rural de

    Ribeiro Preto e Associao Brasileira de Agronegcios da Regio de

    Ribeiro Preto promove o V Encontro Sobre Pragas e Doenas do

    cafeeiro, juntamente com a IV Reunio Itinerante de Fitossanidade do

    Instituto Biolgico, com o objetivo de divulgar conhecimentos gerados

    pelos seus tcnicos, interagir com a comunidade cientfica e com

    produtores rurais e tcnicos que atuam nos principais segmentos

    agrcolas da macroregio de Ribeiro Preto.

    No momento em que, com a globalizao se vislumbra a queda de

    barreiras para comercializao agrcola entre pases, maximiza-se a

    importncia da sanidade animal e vegetal, que poder ser a grande

    barreira na exportao e importao de produtos agrcolas. Os pases e os

    Estados mais preparados, com certeza vo sair na frente, bem como

    aqueles adequados competitividade, no que estes eventos estaro

    divulgando tcnicas e aprimoramento de tecnologias, que devero reduzir

    custos de produo e incrementar a produtividade agropecuria.

    Foram muitos os temas propostos, quando do atendimento ao

    convite, pela comunidade produtiva da agropecuria da macroregio de

    Ribeiro Preto, mas com o apoio de representantes das cadeias

    produtivas, os quais encontram-se participando da comisso

    organizadora, um programa suscinto e dirigido a regio foi obtido,

    prestigiando a cultura do caf, cana-de-acar; fruteiras, hortalias,

    aperfeioamento de tecnologias ligadas a defensivos agrcolas,

    amendoim, soja, milho e girassol, alm do bloco da pecuria.

  • Estes eventos, antes de tentar ensinar ao produtor, manejo,

    tcnicas e tticas para o melhor desempenho sustentado da nossa

    agropecuria, pretendem aflorar subsdios para novas investigaes e

    pesquisas e tecnologias, enunciados por aqueles que vivem o campo dia

    aps dia, e sentem a dificuldade de alimentar milhes, portanto produtor

    rural, nosso grande parceiro, estes eventos so seus, participe!!

    AS REUNIES ITINERANTES DE FITOSSANIDADE DO INSTITUTO

    BIOLGICO

    Concebida como um instrumento de aproximao entre a pesquisa

    e os diferentes elos da cadeia produtiva, em especial agricultores e

    profissionais da extenso rural, as Reunies Itinerantes de Fitossanidade

    do Instituto Biolgico, conhecidas como RIFIB, tiveram como embrio o

    Simpsio sobre Controle de Pragas da Regio do Paranapanema,

    realizado em Assis no ano de 1994 e que discutia, de forma mais

    especfica, os problemas afetos ao controle de insetos, caros e

    nematides das culturas estabelecidas naquela regio.

    As Reunies Itinerantes de Fitossanidade do Instituto Biolgico

    fazem parte de um projeto cujo objetivo fortalecer o relacionamento

    entre o Instituto Biolgico (IB) e seus parceiros e usurios, em especial

    os produtores rurais. Para isso, a RIFIB tem carter itinerante, ou seja, ela

    vai ao encontro do produtor e discute os temas levantados por eles

    diretamente ou por seus representantes atravs de Sindicatos Rurais e

    Cooperativas. Nesse processo tambm participam instituies oficiais e

    empresas ligadas a cadeia produtiva.

    Conhecer a demanda e a extenso dos problemas fitossanitrios

    que afetam as culturas de importncia econmica para o Estado de So

  • 4

    Paulo sempre foi a misso do IB e que tem agora pela frente o cenrio de

    novos desafios marcados pela abertura do mercado internacional com a

    globalizao e a criao de blocos econmicos, onde as barreiras

    fitossanitrias sero utilizadas na proteo de mercados.

    Doenas e pragas, sejam exticas ou nativas, so componentes

    importantes quando se considera custos de produo e, muitas vezes,

    limitam a produo de alimentos. Exemplo recente desta problemtica foi

    observada, na safra 97/98, em Miguelpolis, quando altas populaes da

    mosca branca atingiram as culturas de algodo e soja com severos danos

    econmicos. Naquela oportunidade, o IB chegou a desenvolver alguns

    trabalhos na regio e a participar de discusses tcnicas junto ao

    Sindicato Rural de Miguelpolis. Foi a partir dessa poca que iniciaram-

    se os contatos para ampliar as discusses com vistas a outros problemas

    fitossanitrios que fossem do interesse dos produtores da regio. Nascia

    assim a RIFIB, tendo como primeiro parceiro o Sindicato Rural de

    Miguelpolis e um programa composto por 19 temas, envolvendo as

    culturas da soja, milho, feijo e algodo, abordados por 17 Pesquisadores

    do IB, provenientes dos diferentes Centros de Pesquisa da Instituio.

    Cerca de 120 participantes prestigiaram o evento.

    A II RIFIB foi realizada em Marlia, no perodo de 08 a 11 de

    julho de 1999, e contou como parceiro na organizao com a Cooperativa

    dos Cafeicultores da regio de Marlia. Um pblico de 400 pessoas, em

    sua grande maioria formada de produtores rurais, tiveram oportunidade

    de assistir 21 palestras abordando diferentes temas entre os quais

    nematides, doenas, insetos e controle qumico das plantas daninhas nas

    cultura de caf, melancia e amendoim. Nessa oportunidade foram

    tambm apresentadas algumas palestras que escapavam ao tema sanidade

  • mas atendia s necessidades de esclarecimentos levantados pela

    Coopemar. Com a colaborao de colegas de outras instituies da

    Secretaria de Agricultura e Abastecimento de So Paulo, ESALQ/USP e

    UNESP, Cmpus de Jaboticabal, foi possvel atender a programao.

    A III RIFIB teve lugar na cidade de Mogi das Cruzes entre 17 e

    19 de outubro de 2000 com a participao de 200 pessoas. Atravs da

    parceria com o Sindicato Rural daquela cidade foi elaborado um

    programa tcnico com base no perfil regional e nas sugestes levantadas

    junto aos produtores da regio do Alto Tiet, importante polo na

    produo e abastecimento de hortalias e frutas para a Grande So Paulo,

    bem como na exportao de flores. Alm da abordagem dos problemas

    fitossanitrios enfrentados pelos produtores de hortalias, frutas, flores e

    cogumelos da regio um novo componente foi adicionado com a

    reivindicao dos criadores de codorna para que o programa atendesse

    aos problemas sanitrios do setor. Ficava assim marcada a entrada da

    rea de sanidade animal do IB nas reunies itinerantes.

    Chegamos IV RIFIB em junho de 2001, com sede em Ribeiro

    Preto, e tendo como organizadores, alm do IB, o Sindicato Rural e a

    Associao Brasileira do Agronegcio da regio de Ribeiro Preto. O

    extenso programa a ser cumprido foi elaborado aps a manifestao de

    vrios segmentos dos agronegcios e com a colaborao de instituies e

    empresas do setor a quem agradecemos o envio de seus tcnicos,

    notveis especialistas em sua rea de atuao, imprescindveis para o

    xito do Encontro. Como em todas as reunies itinerantes j realizadas, o

    aperfeioamento das tecnologias de aplicao de defensivos e os

    cuidados especiais com a segurana na aplicao sero enfocados, da

    mesma forma que as empresas tero seu espao para apresentao de

  • 6

    novas tecnologias, principalmente na rea de controle fitossanitrio. Aos

    organizadores externamos nosso reconhecimento pelo esforo e

    dedicao com que se empenharam para assegurar aos participantes desta

    reunio efetiva contribuio para o avano do conhecimento e reduo

    dos problemas locais.

    Antonio Batista Filho Diretor Centro Experimental do Instituto Biolgico

    COMISSO ORGANIZADORA COORDENADORES Jos Roberto Scarpellini IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Zuleide A. Ramiro IB/CEIB/LMI Campinas

    Amaury da S. dos Santos IB/CEIB/LF Campinas

    Gensio A. de Paula e Silva Sindicato Rural de Ribeiro Preto

    Monika Bergamaschi Associao Brasileira dos Agronegcios da

    Regio de Ribeiro Preto

    MEMBROS

    Agostinho Mrio Boggio COOPERCITRUS

    Ana Maria de Faria IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Antonio Batista Filho IB/CEIB

    Carlos Gaeta Filho EDR Ribeiro Preto - CATI

    Clia Matilde Tegon C. Neves EDA Ribeiro Preto - CDA

    Denizart Bolonhezi NAAM/IAC-Ribeiro Preto

  • Fernando Rodrigues Pavo COCAPEC

    Jos Carlos C. dos Santos IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Jos Eduardo Marcondes de Almeida CEIB/IB

    Mrio Eidi Sato CEIB/IB

    Maral Zuppi da Conceio ANDEF

    Nelson Wanderlei Perioto IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Oswaldo Alonso CANOESTE

    Ricardo Ribeiro Mendona CAROL

    Rogria Ins Rosa Lara IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    Tiyo Okada Murakami IB/CAR/LSAV Ribeiro Preto

    AGRADECIMENTOS

    A Comisso organizadora externa seus agradecimentos a todos

    aqueles que contriburam para o xito desta reunio. Aos palestrantes

    pelo pronto atendimento aos nossos convites e a todos os participantes,

    agricultores, tcnicos de empresas e entidades oficiais sem os quais este

    encontro no faria sentido.

    Finalizando, agradecemos a todos os colaboradores e

    patrocinadores do evento, sem o que esta reunio no se realizaria.

    AEAARP ASSOCIAO DE ENGENHEIROS,

    ARQUITETOS E AGRNOMOS DE RIBEIRO PRETO ANDEF - ASSOCIAO NACIONAL DE DEFESA VEGETAL

    AVENTIS CROPSCIENCE DO BRASIL LTDA

    BASF BRASILEIRA S/A IND. QUMICAS

    BAYER DO BRASIL S. A. - PROTEO DE PLANTAS

  • 8

    DOW AGROSCIENCES

    FMC DO BRASIL S/A INDSTRIA E COMRCIO

    HOKKO DO BRASIL INDSTRIA QUMICA E AGROPECURIA LTDA.

    SENAR - SERVIO NACIONAL DE APRENDIZAGEM

    RURAL SO PAULO SEBRAE SERVIO DE APOIO S MICRO E PEQUENAS

    EMPRESAS DE SO PAULO SIPCAM AGRO S/A

    SYNGENTA PROTEO DE CULTIVOS LTDA

    A redao e ortografia dos artigos so de inteira responsabilidade dos respectivos autores

    SUMRIO OS NEMATIDES DE GALHA QUE INFECTAM O CAFEEIRO NO BRASIL 10 O AGRONEGCIO CAF NO MUNDO: SITUAO ATUAL E PERSPECTIVA 20 MANEJO INTEGRADO DAS DOENAS BITICAS E ABITICAS DO CAFEEIRO 27 COLLETOTRICHUM EM CAFEEIRO 36 BREVIPALPUS PHOENICIS , CARO VETOR DA MANCHA-ANULAR EM CAFEEIRO 41 MTODOS ALTERNATIVOS DE APLICAO DE DEFENSIVOS EM CAFEEIROS 52 MANEJO DE PRAGAS NA CULTURA DO CAFEEIRO 59 MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS NA CULTURA DO AMENDOIM 72 PRINCIPAIS DOENAS FNGICAS DO AMENDOIM E CONTROLE 83 MONITORAMENTO DE PRAGAS E DOENAS DO GIRASSOL CULTIVADO NA SAFRINHA 93

  • MONITORAMENTO E CONTROLE DE PROBLEMAS FITOSSANITRIOS DM CULTURAS DE SAFRINHA : PRAGAS EM MILHO 100 DOENAS DO MILHO SAFRINHA NO ESTADO DE SO PAULO 113 MANEJO DE PRAGAS DE SOLO NA CULTURA DA SOJA 130 NEMATIDES NA CULTURA DA SOJA 142 DOENAS FOLIARES DA SOJA E SEU CONTROLE 147 PLANTIO DIRETO DE CULTURAS DE SUCESSO SOBRE PALHADA DE CANA CRUA 158 BARREIRAS FITOSSANITRIAS NA COMERCIALIZAO NO MERCOSUL 169 CERTIFICADO FITOSSANITRIO DE ORIGEM 172 USO CORRETO E SEGURO DOS PRODUTOS FITOSSANITRIOS 175 PRAGAS QUARENTENRIAS 179 TECNOLOGIA DE APLICAO DE DEFENSIVOS AGRCOLAS EQUIPAMENTOS TERRESTRES PARA PULVERIZAO - ASPECTOS CRTICOS NA APLICAO DE DEFENSIVOS AGRCOLAS. 185 SITUAO ATUAL E CONTROLE DE CIGARRINHA DA CANA-DE-ACAR 201 CONTROLE DAS PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA CANA-DE-ACAR 210 MANEJO ECOLGICO DE PRAGAS DOS CITROS 220 MOSCA-DAS-FRUTAS EM FRUTICULTURA 228 MANCHA PRETA OU PINTA PRETA DOS CITROS 240 MOSCA BRANCA EM HORTALIAS 248 MANEJO DE PRAGAS EM CULTURAS DE TOMATE E PIMENTO 254 DOENAS FNGICAS DO TOMATEIRO E DO PIMENTO 267 CONTROLE DE INSETOS VETORES DE VRUS EM HORTALIAS 281 SOLARIZAO DO SOLO NO CONTROLE DE FITOPATGENOS 290 MANEJO INTEGRADO:OPO OU NECESSIDADE PARA SE CULTIVAR HORTALIAS EM AMBIENTE PROTEGIDO 299 MANEJO DA RESISTNCIA DO CARRAPATO BOOPHILUS MICROPLUS A ACARICIDAS 311 CLOSTRIDIOSES NA ESPCIE OVINA 318 EIMERIOSE OVINA 325 DOENAS DA REPRODUO 333 PROGRAMA NACIONAL DE MELHORIA DA QUALIDADE DO LEITE 343 ESTUDO DAS TERAPIAS DA MASTITE CATARRAL DOS BOVINOS NA CLNICA DE OBSTETRICIA E GINECOLOGIA DA ESCOLA SUPERIOR DE MEDICINA VETERINRIA DE HANNOVER 355 RAIVA RURAL E URBANA 358

  • 10

    Os Nematides de Galha que Infectam o cafeeiro no Brasil Professor Assistente Doutor, Nematologista Jaime Maia dos Santos

    Departamento de Fitossanidade, UNESP/Faculdade de Ciencias Agrrias

    e Veterinrias, Via de acesso Prof. Paulo Donato Castellane s/n, CEP

    14884-900 Jaboticabal - Sao Paulo. E-mail: jmsantos@fcav.unesp.br

    1. Smula Histrica

    No final do sculo XIX, entre agosto de 1886 e novembro de

    1887, Dr. Emil August Gldi, naturalista suo que trabalhava no Museu

    Nacional, no Rio de Janeiro, escreveu um documento que se tornou um

    marco na histria da Nematologia no Brasil e no mundo. Trata-se do

    conhecido Relatorio sobre a Molestia do Cafeeiro na Provincia do Rio

    de Janeiro. Esse documento contm a descrio de Meloidogyne Goeldi

    g. n. e sua espcie tipo, M. exigua sp. n. A esse nematide, o autor

    atribuiu a causa da doena que vinha dizimando os cafezais da ento

    Provncia do Rio de Janeiro, desde cerca de 20 anos atrs (GOELDI,

    1892). No citado relatrio, o autor fez meno a existncia de duas

    formas da doena, nos seguintes termos:

    a) uma frma chronica. O p no morre sino mezes depois

    do apparecimento dos primeiros symptomas exteriores supra -citados

    e alcana s vezes o anno seguinte.

    b) uma frma aguda ou fulminante. O p morre de repente

    em 8 a 15 dias, sem antes ter apresentado distinctamente os

    symptomas supra-citados.

    Sobre esse aspecto do problema, o autor ainda fez o seguinte

    comentrio:

  • "No principio da minha estada na zona da molestia do

    cafeeiro - achava-me ento (Agosto a Novembro de 1886) nas

    grandes plantaes da Serra Vermelha - eu tinha largamente

    occasio de ver exemplos da primeira frma; mas apezar de todos os

    meus esforos no me foi possivel encontrar um unico exemplar da

    segunda.

    Mais tarde (Janeiro de 1887) achei um primeiro exemplo do

    lado esquerdo do baixo rio Parahyba, entre Grumarim e Monte

    Verde (Fazenda de Santa Theresa), e recentemente (Junho de 1887)

    observei outros em enorme quantidade, maior mesmo do que a de

    exemplares da frma chronica."

    Essas informaes podem ser consideradas os primeiros fatos que

    do suporte hiptese de que outras espcies de Meloidogyne Goeldi,

    alm de M. exigua, j estavam ocorrendo na regio. De fato, das cerca de

    80 espcies dos nematides de galha descritas, 14 infectam o cafeeiro e,

    dessas, seis ocorrem no Brasil. Alm dessas seis, j se tem conhecimento

    de, pelo menos, duas outras novas espcies por serem descritas em

    cafeeiro, no Estado de So Paulo. Alm desse considervel nmero de

    espcies que ocorrem no Pas, outros fatos do suporte a essa hiptese: 1)

    a Nematologia, como Cincia, estava apenas nascendo, naquela poca.

    No havia conhecimentos morfo-anatmicos dos fitonematides,

    suficientes para uma caracterizao precisa das populaes; 2) o gnero e

    sua espcie tipo estavam sendo descritos na ocasio. Por conseguinte,

    no se conhecia outras espcies, salvo Meloidogyne javanica (Treub,

    1885) Chitwood, 1949 que havia sido descrita em Java, como Heterodera

    javanica, infectando a cana de acar (Saccharum officinarum L.), dois

  • 12

    anos antes da concluso do referido relatrio (TREUB, 1885). Por

    oportuno, o relatrio de GOELDI (1892) contm, apenas, uma breve

    meno desse fato; 3) provavelmente, a caracterizao do gnero e de sua

    espcie tipo foi feita com base no estudo de populaes que causavam a

    doena em sua frma chronica, conforme a descrio dada pelo autor.

    De fato, poca, tanto quanto atualmente, essa expresso da doena era

    muito mais comum que a outra referida como frma aguda ou

    fulminante (GOELDI, 1892). Na Zona da Mata, Alto Paranaba e Sul de

    Minas Gerais, na maior parte dos cafezais do Esprito Santo, e na regio

    geo-econmica de Vitria da Conquista - BA, alm de outras regies

    produtoras de caf das Amricas do Sul e Central, essa , seno a nica, a

    forma predominante da doena; 4) no se reconhece, atualmente, a

    frma aguda ou fulminante da doena causada por M. exigua em

    cafeeiros, conforme o relato de GOELDI (1892); 5) a agressividade de

    populaes de outras espcies de Meloidogyne ao cafeeiro (C. arabica),

    tais como Meloidogyne incognita (KOFOID & WHITE, 1919) CHITWOOD,

    1949, Meloidogyne coffeicola LORDELLO & ZAMITH, 1960 e de

    Meloidogyne paranaensis CARNEIRO et al., 1996, geralmente resulta

    num quadro sintomatolgico que mais se aproxima da descrio do autor

    para a frma aguda ou fulminante da doena, que de qualquer

    expresso dos sintomas resultante da ao de M. exigua. Do exposto,

    infere-se que, outras espcies de Meloidogyne, alm de M. exigua,

    tambm contriburam para forar a substituio da cafeicultura pela cana

    de acar no Estado do Rio de Janeiro e, alm disso, estiveram sempre

    envolvidas entre as causas da mobilidade do principal plo de produo

    de caf no Brasil. Com efeito, depois do Rio de Janeiro, o Estado do

  • Paran tornou-se o principal plo de produo de caf, detendo o status

    de maior produtor por vrios anos.

    As geadas, em conjuno com os nematides, notadamente M.

    incognita, M. coffeicola e M. paranaensis, e as crises do preos do

    produto no mercado internacional, causaram enormes revezes

    cafeicultura no Estado do Paran, levando os paulistas liderana na

    produo brasileira.

    Em So Paulo, as geadas no foram to determinantes para o

    decrscimo na produo de caf como o foram no Paran. Os nematides

    de galhas (Meloidogyne spp.) devastaram a cafeicultura das regies

    conhecidas como Mogiana, Alta Paulista, Nova Alta Paulista,

    Sorocabana, Noroeste e outras. Na regio geo-econmica de Ribeiro

    Preto, por exemplo, nos municpios de Adamantina, Cafelndia, Dracena,

    Gara, Marlia, Tupi Paulista, Vera Cruz, e muitos outros, os danos

    cultura foram devastadores. Os mineiros, ento, passaram liderana na

    produo e ainda detm o status de maiores produtores. Isso por no

    terem as espcies mais agressivas disseminadas dentro de suas fronteiras

    e, principalmente, pela expanso da cultura no cerrado. Dificilmente, o

    Estado de Minas Gerais perder a liderana na produo brasileira de

    caf. Primeiro, porque o Estado detm extensas reas aptas para

    cafeicultura que ainda no foram plantadas. Segundo, porque j h, hoje,

    um razovel nvel de conhecimento entre os mdios e grandes

    cafeicultores sobre o probl