investiga§£o e controle de bact©rias multirresistentes

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  • Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria

    INVESTIGAO E CONTROLE DE BACTRIAS

    MULTIRRESISTENTES

    Gerncia de Investigao e Preveno das Infeces e dos Eventos Adversos (Gipea)

    Gerncia Geral de Tecnologia em Servios de Sade (GGTES)

    Maio de 2007

  • 2

    AGNCIA NACIONAL DE VIGILNCIA SANITRIA

    Diretor-Presidente Dirceu Raposo de Mello Diretores

    Cludio Maierovitch Pessanha Henriques Maria Ceclia Martins Brito Gerncia Geral de Tecnologia em Servios de Sade Flvia Freitas de Paula Lopes Gerencia de Investigao e Preveno das Infeces e dos Eventos Adversos Leandro Queiroz Santi Equipe tcnica de investigao: Suzie Marie T. Gomes Mariana Verotti Carolina Palhares Lima Cntia Faical Parenti Heiko Thereza Santana Fabiana Cristina de Sousa Fernando Casseb Flosi Magda Machado de Miranda Mateus Menezes de Jesus

    Colaboradores da Rede Nacional de Investigao de Surtos e Eventos Adversos em Servios de Sade na padronizao do processo de investigao do surto: Aline Schio (Reniss MS) Ana Maria Tristo (Mato Grosso do Sul) Angela Loureno Lopes Rodrigues (Reniss-ES) Janana Trevizan Andreotti (Reniss-MS) Marcos David Somberg (Reniss-RJ) Marilane da Silveira Barros (Reniss-PE)

  • 3

    SUMRIO

    1. INTRODUO .......................................................................................................................................................5

    2. DEFINIO E CLASSIFICAO.......................................................................................................................8

    2.1. COCOS GRAM-POSITIVOS ....................................................................................................................................8

    2.1.1. Enterococcus spp.........................................................................................................................................8

    2.1.2. Staphylococcus aureus ..............................................................................................................................10

    2.2. BACILOS GRAM-NEGATIVOS .............................................................................................................................11

    2.2.1. Bacilos Gram-negativos no-fermentadores de glicose ............................................................................11

    2.2.2. Bacilos Gram-negativos fermentadores de glicose (Famlia Enterobacteriacea).....................................12

    3. PADRONIZAO DE CRITRIOS ..................................................................................................................14

    3.1 SISTEMA NACIONAL DE VIGILNCIA DE INFECES NOSOCOMIAIS ...................................................................14

    3.2 MANUAL CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE ....................................................................14

    4. PASSOS FUNDAMENTAIS PARA A INVESTIGAO ................................................................................15

    5. MEDIDAS RECOMENDADAS PARA PREVENO.....................................................................................17

    6. MEDIDAS DE CONTENO DO SURTO .......................................................................................................18

    6.1 PRECAUES DE CONTATO ................................................................................................................................18

  • 4

    SIGLAS

    CLSI Manual Clinical and Laboratory Standards Institute

    NNISS National Nosocomial Infections Surveillance System- Sistema Nacional de Vigilncia de Infeces Nosocomiais

    UTI Unidade de Terapia Intensiva

    BC Bloco Cirrgico

    CME Central de Material Esterilizado

    IH Infeco Hospitalar

    MARSA Staphylococcus aureus resistente a oxacilina

    DM Diabetes Mellitus

    SCIH Servio de Controle de Infeco Hospitalar

    CCIH Comisso de Controle de Infeco Hospitalar

    CECIH Comisso Estadual de Controle de Infeco Hospitalar

    CMCIH Comisso Municipal de Controle de Infeco Hospitalar

    PVP-I Polivinilpirrolidona iodada

    ANVISA Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria

  • 5

    CONTROLE DE BACTRIAS MULTIRRESISTENTES

    11.. IInnttrroodduuoo

    Aproximadamente 10% dos pacientes hospitalizados infectam-se freqentemente em

    conseqncia de procedimentos invasivos ou de terapia imunossupressora.

    Critrios gerais para infeco hospitalar: Quando se desconhecer o perodo de incubao do

    microrganismo e no houver evidncia clnica e dado laboratorial de infeco no momento da

    internao, convenciona-se infeco hospitalar toda manifestao clnica de infeco que se

    apresentar a partir de 72h aps a admisso1.

    So tambm convencionadas IH aquelas manifestadas antes de 72h da internao, quando

    associadas aos procedimentos diagnsticos e teraputicos, realizados durante este perodo.

    Quando, na mesma topografia em que foi diagnosticada infeco comunitria, for isolado um

    germe diferente, seguido do agravamento das condies clnicas do paciente, o caso dever ser

    considerado como infeco hospitalar.

    As infeces no recm-nascido so hospitalares, com exceo das transmitidas de forma

    transplacentria e aquelas associadas a bolsa rota superior a 24 horas.

    Os pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infeco, so considerados

    portadores de infeco hospitalar do hospital de origem.1

    Essas infeces por bactrias multirresistentes so comumente causadas por Estafilococos

    resistentes metilicina, Enterobactrias e Pseudomonas. A identidade do organismo causador

    pode fornecer alguma indicao em relao sua fonte, todavia, certos patgenos tm

    significado especial porque podem causar grandes surtos em todo hospital.

    1 Portaria n 2.616/1998

  • 6

    O uso dos antimicrobianos de uma maneira macia e indiscriminada exige medidas urgentes para

    combater o surgimento de novas cepas bacterianas multirresistentes, inclusive aos medicamentos

    antimicrobianos recentemente comercializados, levando a conseqncias importantes, com

    efeitos diretos na problemtica das infeces hospitalares.

    importante ressaltar que a racionalizao de antimicrobianos, oferece a oportunidade de

    determinar seu apropriado uso nos casos para os quais esto indicados, e, assim identificar

    situaes na qual seu uso seria imprprio.

    Fonte: Preveno de Infeces e, Unidade de Terapia Intensiva Mdulo 4 IrAs, UNIFESP, Anvisa, 2000.

    As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) so reservatrios freqentes das bactrias

    multirresistentes. A transmisso interpacientes amplificada em UTI, em funo da menor

    adeso higienizao das mos, associada ao excesso de trabalho.

    Principais fatores associados transmisso de bactrias multirresistentes:

    Risco intrnseco de transmisso de agentes infecciosos entre pacientes;

    Uso excessivo de antimicrobianos.

  • 7

    Epidemiologia e medidas de preveno para a Transmisso de bactrias multi-resistentes

    TransmissoTransmissoReservatrioReservatrio ColonizaoColonizao InfecoInfeco

    Cargainfectante

    Cargainfectante

    Meios detransmissoMeios de

    transmisso tratamentotratamento

    Resultado

    Atuao

    Fonte: Preveno de Infeces e, Unidade de Terapia Intensiva Mdulo 4 IrAs, UNIFESP, Anvisa, 2000.

  • 8

    22.. DDeeffiinniioo ee ccllaassssiiffiiccaaoo

    2.1. Cocos Gram-Positivos

    2.1.1. Enterococcus spp

    O Gnero Enterococcus representado por nove espcies, sendo as duas espcies principais e

    que causam a maioria das infeces: E. faecalis (mais freqente no Brasil 90%) e E. faecium

    com 5% a 10%.

    So de natureza saprfita e habitam o solo, os alimentos, trato gastrointestinal, trato

    geniturinrio, crescem em solues salinas e em detergentes, e a colorao do gram, so gram

    positivos aerbicos e facultativo anaerbico. Segundo Neuman, 1998 e Noskin, 1995, os

    enterococcus podem sobreviver at 07 dias em superfcies. So naturalmente resistentes a vrios

    antimicrobianos e, em diversas situaes clnicas, os pacientes com infeco necessitam de dois

    antimicrobianos para o tratamento.

    Os antimicrobianos que agem em parede celular - como penicilina, ampicilina e glicoptdeos -

    so bacteriostticos e alteram a permeabilidade da parede celular, permitindo a ao de

    medicamentos que atuam na sntese de protenas - como os aminoglicosdeos.

    Pacientes de risco para infeco ou colonizao por Enterococcus

    multirresistente:

    Uso prvio de antimicrobianos de amplo espectro;

    Longa permanncia hospitalar

    Internao em UTI ou unidade de queimados;

    Ter infeco de stio cirrgico;

    Leito prximo ao de um paciente colonizado ou infectado por MARSA;

    Insuficincia renal

    Cateterismo vesical e cateterismo vascular

  • 9

    Reservatrios do Enterococcus:

    Pacientes colonizados e infectados, internados em UTIs, berrios, unidades de

    queimados.

    Profissionais de sade colonizados e infectados.

    Grupos especiais: hemodialisados, pacientes com eczemas extensos, usurios de drogas,

    DM;

    Artigos hospitalares contaminados (estetoscpio, termmetro, torniquetes etc).

    A prevalncia de Enterococcus spp. resistentes vancomicina (VRE) emergente em hospitais

    ao redor do mundo, e as unidades que mais freqentemente apresentam pacientes

    infectados/colonizados por ERV so as unidades de transplante, unidades oncolgicas e

    principalmente.UTIs. No Brasil alguns estudos prospectivos em UTIs brasileiras mostram taxas