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Autor (s) Guaracy Mingardi

Ttulo da Pesquisa A Investigao de Homicdios - Construo de Um Modelo

GUARACY MINGARDI

RELATRIO FINAL DE PESQUISA

A INVESTIGAO DE HOMICDIOS CONSTRUO DE UM MODELO

So Paulo, dezembro de 2005

Concursos Pesquisas Aplicadas em Segurana Pblica e Justia Criminal

Projeto A investigao de Homicdios - Construo de um Modelo

Proponente: Guaracy Mingardi Responsvel Tcnico: Guaracy mingardi

Equipe de Pesquisa

Guaracy Mingardi Isabel Seixas de Figueiredo Liana de Paula Manuel Bonduki

Coordenador geral Coordenadora de campo Pesquisadora Estagirio

SUMRIO

APRESENTAO

01

INTRODUO

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A INVESTIGAO REAL

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A INVESTIGAO IDEAL

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UM MODELO POSSVEL CONSIDERAES FINAIS

77

POSFCIO

86

BIBLIOGRAFIA

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FLUXOGRAMA DA INVESTIGAO

A Investigao de Homicdios construo de um modelo Guaracy Mingardi

APRESENTAONas pginas que se seguem detalharemos a pesquisa sobre a Investigao de Homicdios, feita com o financiamento da Secretaria Nacional de Segurana Pblica. Esta pesquisa faz parte do Concurso de Pesquisas Aplicadas em Segurana Pblica e Justia Criminal. I . DESCRIO DA PESQUISA O objeto central da pesquisa no discutir a pratica do homicdio, mas sim sua investigao, o que demanda entender o processo desde a descoberta do corpo at a elaborao do relatrio do delegado que preside o inqurito policial. II. CONSIDERAES METODOLGICAS O trabalho foi pautado pela anlise das atividades prticas da investigao policial, na linha proposta pela SENASP, que priorizou pesquisas aplicadas. Sendo assim mantivemos, dentro do possvel, uma postura emprica ao extremo. Apesar disso se trata de uma pesquisa qualitativa, que implica em uma grande quantidade de escolhas por parte do pesquisador. A primeira delas a seleo dos inquritos policiais coletados. No possvel fazer uma amostra completamente aleatria. Existem dois motivos para isso: O acesso aos inquritos depende de relacionamentos pessoais com promotores, juizes e policiais, Tivemos que selecionar alguns dentre os inquritos disponveis, com base em critrios, muitas vezes subjetivos, como o resultado, a quantidade de 1

A Investigao de Homicdios construo de um modelo Guaracy Mingardi diligncias, de provas materiais etc. Problemas similares ocorrem quando selecionamos entrevistados. Nem todo especialista est disposto a conversar sobre seu trabalho. Esse foi um dos motivos para alterarmos o roteiro de entrevistas, deixando de lado o Rio de Janeiro e optando por Braslia. Aps o primeiro contato os policiais e promotores de Braslia se prontificaram rapidamente a receber-nos, enquanto que no Rio ainda faltavam definies. Outro motivo para a alterao foi uma informao obtida j durante a pesquisa, e que dava conta de que a percia de Braslia era muito conceituada, uma das melhores do pas, e que o ndice de esclarecimento de homicdios seria maior do que nas outras grandes cidades. Na fase de anlise propriamente dita empregamos tcnicas comparativas. Inicialmente pretendamos que a comparao fosse feita entre o modelo de investigao desejado e o existente, ou seja, trabalharamos na construo do

modelo real e do ideal. Nossa posio, porm, mudou com a leitura dos inquritos, manuais e as entrevistas. Percebemos que existem trs modelos distintos: Ideal - baseado nos manuais de investigao, quase todos publicados nos pases anglo-saxes.1 Possvel - baseado nas melhores prticas das polcias brasileiras, levando em conta o nmero de policiais por caso e as limitaes

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Conseguimos adquirir apenas um manual francs e algumas publicaes brasileiras que tratam genericamente de investigaes, no so especficas de investigao sobre homicdios.

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A Investigao de Homicdios construo de um modelo Guaracy Mingardi cientficas, Real - baseado nas investigaes corriqueiras, em que a polcia trabalha aqum da sua possibilidade. Nosso objetivo com a comparao foi entender o procedimento de elucidao do homicdio. Ou seja, verificar quais os caminhos que um inqurito deve seguir para poder identificar o homicida. Para isso comparamos basicamente casos cuja investigao foi bem sucedido com aqueles em que no se chegou a autoria do crime. Segundo J. Gould o mtodo comparativo utiliza procedimentos que, esclarecendo as semelhanas e diferenas apresentadas pelos fenmenos (...) visam deduzir e classificar. evidente que seu uso foi restrito, pois lidamos com a anlise de procedimentos que envolvem pequenos grupos de atores sociais, todos com papeis muito definidos (policial, testemunha, suspeito, etc.). O uso de mtodos comparativos em pesquisa sobre a polcia relativamente recente e tem como seu maior expoente David Bayley (2001). Ele utiliza tais comparaes para entender o desenvolvimento, a funo e a atuao da polcia em vrios pases. Apesar do emprego do mtodo comparativo, Bayley ctico com relao a determinadas comparaes: medidas de eficcia tais como taxas de soluo de crimes (...) so completamente artificiais (p. 31). Esse posicionamento decorre de sua desconfiana na validade dessas taxas para aferir a influncia da ao policial no crime em geral. Nosso objetivo, porm, diferente. No discutimos a utilidade da polcia para evitar crimes, mas apenas uma parte da atividade policial, a represso ao 3

A Investigao de Homicdios construo de um modelo Guaracy Mingardi homicdio. Ou seja, no pretendemos enfocar o trabalho policial como um todo, mas sim encontrar formas de otimizar a possibilidade de punio dos autores de determinado crime. Quanto a observao, esse mtodo foi empregado de forma restrita, apenas quando do acompanhamento das equipes que investigam homicdios. Os pesquisadores, identificados como tal, acompanharam as equipes como observadores, tentando influir o mnimo possvel na ao dos policiais. III. CONSIDERAES SOBRE AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS As atividades desenvolvidas durante a pesquisa foram, essencialmente, de quatro naturezas: a) entrevistas; b) leitura de inquritos; c) leitura de manuais de investigao; d) acompanhamento de equipes em locais de crime a) ENTREVISTAS Foram feitas com profissionais que atuam nos diversos momentos da investigao e da apreciao judicial de um homicdio. O principal critrio para seleo dos entrevistados foi o tempo de atuao do indivduo no tema. A idia central das entrevistas foi identificar os elementos que possibilitam diferenciar uma boa investigao de uma investigao mal feita. No desenrolar da pesquisa foram entrevistados os seguintes profissionais:

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A Investigao de Homicdios construo de um modelo Guaracy MingardiSo Paulo 1 juiz de direito 3 Promotores do jri 5 peritos criminais 5 delegados de polcia 2 investigadores de polcia 2 policiais militares Braslia 2 promotores do jri 1 delegado de polcia 1 mdico legista Belo Horizonte 2 promotores do jri 1 delegado de polcia 1 perito criminal

Para os atores diretamente envolvidos no processo de investigao (delegados, peritos e legistas), as perguntas propostas versaram essencialmente sobre dificuldades encontradas, recursos humanos e materiais disponveis, relao interinstitucional (Polcia Civil X Polcia Tcnica X Polcia Militar), existncia de padronizao de procedimentos, existncia e freqncia de cursos especficos para a atividade. Com essas entrevistas pudemos elaborar um fluxograma geral da atividade investigativa e identificar, em cada uma das etapas desse processo, os elementos que auxiliam ou atrapalham o sucesso da investigao. Embora o cenrio encontrado seja diferente em cada unidade da Federao pesquisada2, em linhas gerais os policiais entrevistados tiveram o mesmo discurso no atacado, mudando apenas no varejo. Eles apontaram como principais problemas da investigao os mesmos elementos, entre eles se destacando a ausncia ou m qualidade da preservao dos locais de crime e a carncia de recursos humanos e materiais.

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As diferenas entre o nmero de homicdios e a especializao e a quantidade de recursos humanos e materiais so elementos que influenciam diretamente a taxa de resoluo de crimes. Nesse sentido, Braslia, Minas e So Paulo so bem diferentes. Braslia conta com um nmero menor de crimes, mais equipamentos e mais policiais, com melhor remunerao, o que influencia a alta taxa de resoluo de homicdios de sua polcia, cerca de 80% do total, segundo os entrevistados.

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A Investigao de Homicdios construo de um modelo Guaracy Mingardi As entrevistas com juizes e promotores nos forneceram uma viso externa do trabalho policial. Os entrevistados formularam crticas qualidade do trabalho policial, mas tambm revelaram no ter de formao especfica para atuao em casos de homicdio o que dificulta seu controle sobre o trabalho policial e tambm impede que auxiliem na tarefa de solucionar os crimes3. B) LEITURA DE INQURITOS A leitura dos inquritos policiais foi feita com o intuito de identificar os procedimentos adotados na investigao e quais os fatores determinantes da elucidao do crime. Foram estudados mais de 30 inquritos, porm, alteramos o limite de tempo de sua instaurao (anteriormente fixado em 2 anos), uma vez que vrios inquritos recentes j esto finalizados, pelo menos do ponto de vista do delegado que o preside. Foram estudados inquritos instaurados e conduzidos tanto por Delegacias especializadas, quanto por Delegacias comuns, o que possibilitou a comparao entre os procedimentos adotados por ambas. Priorizamos os casos de autoria desconhecida4, que demandam uma investigao mais complexa. A leitura dos inquritos buscou detectar basicamente: 3

se houve preservao do local; o tempo que a Polcia Civil e a percia levaram para chegar ao local; os profissionais que foram ao local;

Em todas as entrevistas realizadas constatamos a inexistncia de qualificao especfica para o trabalho com homicdios. As Academias de Polcia e as Escolas do Ministrio Pblico e do Judicirio