Introdução à Análise Fundamentalista

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  • CENTRO DE ESTUDOS EM MERCADOS DE CAPITAIS

    Introduo Anlise Fundamentalista de Aes

    Projeto Capacitao

    Ivan Renner Gama

    15/01/2013

  • Sumrio

    Introduo ............................................................................................................................................... 2

    A Escola Fundamentalista ....................................................................................................................... 2

    Anlise top-down ........................................................................................................................ 2

    Anlise bottom-up ...................................................................................................................... 3

    Limitaes da Anlise Fundamentalista .................................................................................................. 3

    Anlise Fundamentalista vs. Anlise Grfica ........................................................................................... 3

    Lanamentos Contbeis .......................................................................................................................... 4

    Mtodo das partidas dobradas: ................................................................................................. 4

    Balano Patrimonial:................................................................................................................... 4

    Demonstrativo de Resultados: ................................................................................................... 5

    Outras Contas a serem verificadas: ............................................................................................ 5

    Capital de Giro ......................................................................................................................................... 6

    Indicadores de liquidez............................................................................................................................ 7

    Indicadores de atividade (giro) ................................................................................................................ 8

    Indicadores de margens financeiras ...................................................................................................... 11

    Indicadores de retorno .......................................................................................................................... 12

    Indicadores de endividamento .............................................................................................................. 14

    Indicadores de alavancagem ................................................................................................................. 16

    Avaliao por mltiplos ......................................................................................................................... 17

    Payout ....................................................................................................................................... 17

    Dividend Yield ........................................................................................................................... 17

    Mltiplos usuais ........................................................................................................................ 18

    Mltiplos Tcnicos ou Setoriais ................................................................................................ 19

    Concluso .............................................................................................................................................. 21

    Referncias ............................................................................................................................................ 21

  • Introdu o

    O estudo mais complexo e tambm mais importante da Anlise Fundamentalista a

    Valuation (ou valorao). Esse estudo visa determinar o valor de uma companhia, encontrando um

    preo justo para suas aes. Ao encontrar esse preo supostamente justo, o investidor tem trs

    opes: comprar o papel, se o mesmo estiver cotado abaixo do preo justo; vender o papel, se o

    mesmo estiver acima do preo justo; ou no tomar posio, se o preo justo estiver prximo da

    cotao. Mas quanto vale uma empresa?

    O mtodo mais usual para se determinar o valor de uma empresa o Fluxo de Caixa

    Descontado. De forma resumida, o mtodo utiliza o fluxo de caixa da empresa, projetando-o para a

    perpetuidade (atribuindo uma taxa de crescimento). Ento se traz esse valor para o tempo presente

    (atribuindo uma taxa de desconto), este o valor da empresa.

    No cabe ao escopo deste estudo discorrer sobre as taxas de crescimento e de desconto.

    Falaremos sobre a anlise de balano, incluindo alguns indicadores que evidenciam a valorizao ou

    desvalorizao da empresa. Tambm falaremos sobre a avaliao por mltiplos, um mtodo

    relativamente simples e muito utilizado para identificar possveis valorizaes e desvalorizaes.

    Ao final do estudo, o aluno dever estar preparado para entender os principais aspectos dos

    demonstrativos contbeis, avaliar empresas atravs do mtodo dos mltiplos simples e, inclusive,

    tomar posies de compra e de venda aps a divulgao dos demonstrativos contbeis e de notcias

    relevantes.

    A Escol Fundmentlist

    Existem duas vertentes de pensamento na anlise fundamentalista: a anlise top-down e a

    anlise bottom-up. Basicamente, a diferena entre elas a ordenao de importncia dos fatos que

    podem gerar ou destruir valor a uma empresa.

    Anlise top-down A anlise top-down se baseia na tese de que a maior influncia sobre o preo das aes

    exercida por fatores macroeconmicos.

    Exemplos: Quando h aumento nas taxas de juros, no se recomenda a compra de aes de empresas

    que dependem da facilidade que seus clientes tm para conseguir crdito, como as lojas de varejo

    (Americanas e Renner, por exemplo).

    Quando h aumento na inflao, no se recomenda a compra de aes de empresas que

    necessitam de muito capital de giro, como as construtoras (Cyrela e Gafisa, por exemplo).

  • Anlise bottom-up A anlise bottom-up usa todas as variveis disponveis aplicadas a um modelo para

    determinar o valor justo de uma companhia. Prioriza, assim, os fatores internos das companhias.

    Exemplo: Um aumento na inflao no significa que se deva vender os papeis da Gafisa, pois s esse

    fato no suficiente. Outros fatores, como aumento na velocidade das vendas podem compensar a

    necessidade de capital de giro.

    Limito es d An lise Fundmentlist

    Um estudo avanado de Anlise Fundamentalista (incluindo, portanto, a Valuation) sobre

    uma empresa algo trabalhoso. Muitas variveis devem ser observadas, tanto na empresa quanto

    no cenrio econmico e poltico local e global. Por isso, um fundamentalista deve conhecer as

    empresas profundamente, porm poucas empresas, enquanto um analista grfico nem precisa saber

    qual empresa cujo grfico est sendo analisado. Alm disso, a maior fonte de informaes acerca da

    empresa consta em seu Balano Patrimonial e seu Demonstrativo de Resultados, os quais geralmente

    so divulgado s a cada trs meses.

    An lise Fundmentlist vs. An lise Gr fic

    A Anlise Fundamentalista permite traar objetivos de compra e venda de aes com base no

    que acontece na empresa, estudando sua situao interna e a situao do mercado onde ela se

    insere. Existe um estudo dentro da Anlise Fundamentalista chamado Valuation, que estima o valor

    justo de uma empresa. Com base nesse valor, o analista compara com o preo negociado no

    mercado e assume posies de compra, de venda, ou at mesmo espera alguma situao mais

    favorvel.

    A Anlise Grfica prega que todos os fundamentos conhecidos j foram assimilados pelo

    mercado e esto refletidos nos preos. Um analista grfico no se preocupa em estudar a empresa, o

    cenrio econmico, nada alm do grfico dos preos e das ferramentas tcnicas a ele associadas.

    Em suma, a Anlise Fundamentalista indicar ao analista o que comprar e o que vender,

    enquanto a Anlise Grfica indicar quando comprar e quando vender. Portanto, este estudo

    recomenda (assim como fazem muitos analistas e investidores) que sejam utilizadas ambas as

    anlises de forma integrada. Isto , saber o que comprar e o que vender pelos fundamentos e saber

    quando entrar na operao pelos grficos.

  • Lnmentos Cont beis

    Mtodo das partidas dobradas: o mtodo padro utilizado para registrar transaes financeiras. Cada transao apareceria

    na forma de entradas em pelo menos duas contas. Nessas entradas, haveriam crditos e dbitos nas

    contas. A soma de todos os crditos deve ser igual a soma de todos os dbitos.

    Ao contrario do que se imaginaria inicialmente, quando o ativo cresce, debita-se o ativo.

    Quando o ativo diminui, credita-se o ativo. J no passivo, que trata da origem de recursos da

    empresa, a contabilizao segue o senso comum: quando cresce, credita-se; e quando diminui,

    debita-se. Os recursos que so oriundos de aportes financeiros por parte dos acionistas constam no

    Patrimnio Lquido. Os recursos que so oriundos de terceiros constam no Passivo Circulante e no

    Exigvel de Longo Prazo.

    Balano Patrimonial: o demonstrativo contbil que apresenta a posio patrimonial e financeira de uma

    empresa em uma determinada data. Constitudo por Ativo, Passivo e Patrimnio Lquido, o Balano

    Patrimonial deve, de acordo com a legislao vigente, indicar os valores de cada rubrica junto com os

    valores do exerccio anterior, para que o analista possa acompanhar a evoluo da empresa. Na

    Cincia Contbil, o balano deriva de equilbrio, o qual expresso pela frmula Ativo = Passivo +

    Patrimnio Lquido.

    1 Ativo Circulante: Representa todos os direitos a receber no curto prazo (at 1 ano). As principais

    contas so: Disponvel (dinheiro em caixa), Aplicaes Financeiras, Contas a Receber (financiamento

    a consumidores) e Estoques.

    2 Ativo Realizvel no Longo Prazo: Representa todos os direitos a receber no longo prazo (a partir

    de 1 ano): Aplicaes Financeiras e Contas a receber aps 365 dias.

    3 Ativo Permanente:

    Imobilizado: Bens imveis necessrios para a manuteno da atividade da companhia,

    patentes e registro de marcas.

    Investimentos: Participao em outros negcios ou imveis que no se destinam

    manuteno da atividade da companhia.

    Ativos Intangveis: Valores gastos agora que podero gerar benefcios no futuro. como a

    empresa petrolfera, que gasta com a prospeco.

    4 Passivo Circulante: Todas as obrigaes a pagar em at um ano de prazo. A principal conta a

    Contas a Pagar.

    5 Passivo Exigvel de Longo Prazo: Todas as obrigaes a pagar de um ano em diante: Emprstimos

    e Contas a pagar aps 365 dias.

  • 6 Patrimnio Lquido (PL): A principal conta a Capital, na qual so contabilizados todos os novos

    aportes de capital na empresa. Tambm existem as rubricas Reservas de Capital, Reservas de

    Reavaliao, Reservas de Lucros e Lucros Acumulados. Todos os lucros ou prejuzos no exerccio

    afetam o PL.

    Demonstrativo de Resultados: O Demonstrativo de Resultados do Exerccio (DRE) um demonstrativo contbil que mostra

    o quanto a empresa recebe (receita), o quanto gasta (despesas) e o resultado de suas operaes

    (lucro ou prejuzo) em determinado perodo de tempo. A Lei das SA exige que o DRE seja divulgado

    anualmente, mas isso no impede a empresa de divulga-lo com maior frequncia. Existem empresas

    que divulgam trimestralmente e muitas fazem o DRE mensalmente para fins administrativos, apesar

    de no divulga-los com essa frequncia. Suas principais rubricas so:

    1 Receita Bruta: Representa tudo o que a empresa recebeu atravs das vendas de seus produtos.

    De forma sinttica, o valor do produto final multiplicado pela quantidade vendida.

    2 Receita Lquida: Consiste da receita bruta descontando os impostos sobre a venda dos produtos

    (ICMS, ISS, IPI etc.).

    3 Custo da Mercadoria Vendida (CMV): Representa todos os custos com insumos durante o

    processo produtivo da companhia. Como exemplo, tm-se matrias-primas e parte dos salrios

    (aquela que est diretamente ligada produo).

    4 Lucro Bruto: a diferena entre a receita lquida e o custo de mercadoria vendida, ou seja, o

    quanto se recebe pela venda menos o que se gasta pela venda.

    5 Despesas Operacionais: So todas as despesas necessrias para a manuteno do negcio (como

    salrios, luz e aluguel) e que no esto diretamente associadas ao processo de produo, ou seja,

    no esto no Custo da Mercadoria Vendida.

    6 Lucro Operacional: Lucro Bruto menos Despesas Operacionais. Sintetiza a capacidade da

    companhia de gerar resultado operacional (produo + pagamento de todos os custos operacionais).

    7 Despesas e Receitas Financeiras: Despesas financeiras com emprstimos e receitas financeiras

    com aplicaes.

    8 Lucro antes do IR: Lucro Operacional + Saldo Financeiro (Receitas Financeiras - Despesas

    Financeiras).

    9 Lucro Lquido: Lucro depois do pagamento do Imposto de Renda.

    Outras Contas a serem verificadas: Proviso de Devedores Duvidosos (PDD): chamada de uma contraconta do Ativo, na rubrica de

    Valores a Receber. Possui o nome contraconta por ser uma conta que reduz o Ativo da companhia.

    como se fosse a parte dos valores a receber que a companhia j espera no receber.

    Exemplo: As vendas a prazo de uma empresa totalizaram R$ 100.000 em um determinado perodo. A

    inadimplncia histrica de 7%.

  • 1 - Credita-se uma contraconta (PDD) que ir subtrair R$ 7.000 de Contas a Receber.

    2 - Debita-se em despesas com Devedores Duvidosos, no Demonstrativo de Resultados, a

    quantia de R$ 7.000.

    Supondo que, no ano seguinte, a empresa encerre seu balano e que a inadimplncia real

    tenha sido de 4%:

    1 - Debita-se uma contraconta (PDD), readicionando R$ 3.000 em Contas a Receber.

    2 - Credita-se R4 3.000 em Reverso de Proviso com Devedores Duvidosos, no

    Demonstrativo de Resultados.

    Partes Estatutrias: So ttulos emitidos pela empresa que do direito a uma porcentagem do lucro,

    sendo de at 10% para conselheiros e diretores e de at 100% para os empregados.

    EBITDA: Lucro antes de juros, impostos, depreciao e amortizao. Muitas empresas j lanam o

    valor calculado em seus demonstrativos contbeis, mas para chegar ao seu valor faz-se a seguinte

    conta: Pega-se o lucro bruto e subtrai as despesas operacionais (sem contar com gastos de

    depreciao, amortizao e juros. Assim, o analista v o que a empresa est lucrando no aspecto

    referente apenas ao seu negcio, j que no so contados ganhos financeiros (como aplicaes,

    derivativos e outras rendas). Por no contar com os impostos, o EBITDA pode ser usado para se

    comprar, inclusive, empresas de diferentes portes, setores e at pases.

    Cpitl de Giro

    Neste estudo abordaremos o aspecto da variao da necessidade de capital de giro como

    uma das variveis a serem analisadas nos balanos das empresas. O capital de giro formado pelos

    recursos necessrios para que as operaes da empresa aconteam. Os ganhos que uma empresa

    pode conseguir com a sua atividade derivam do bom uso do ativo permanente e do realizvel de

    longo prazo (seja em forma de mquinas, equipamentos ou at mesmo uma marca ou franquia). Por

    isso, quanto menor o ativo circulante, maior a...

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