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  • 1. Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 1, n. 1, p. 71, julho, 2013 Interaes analgico-digitais mveis na mdia impressa: camadas informacionais na narrativa com QR Code, Aurasma e Realidade Aumentada1 Resumo Este artigo discute a adoo de inovaes no jornalismo impresso como QR Code, Aurasma, Realidade Aumentada, 3D como processos de com- plexicao das narrativas e das estratgias construdas como modelo de negcios nas organizaes jornalsticas a partir das apropriaes das tecno- logias mveis digitais. As camadas informacionais (interativas, multimdia, metadados) oriundas desses recursos compartilham da noo defendida por McLuhan (2005) de que os meios se reetem um no outro, reinventam-se. A abordagem centra-se na anlise dessas interaes analgico-digital e de na- tureza mvel partindo da observao de que o jornalismo impresso procura introduzir nos seus projetos grcos essa perspectiva visando modernizar- se para sgar ou manter os leitores atravs da conexo entre plataformas com o incremento s narrativas de recursos dinmicos que vo alm do pr- prio suporte, como nos casos em debate. Palavras-chaves: Jornalismo impresso; tecnologias mveis; QR Code; nar- rativas transmiditicas Resumen Este artculo analiza la adopcin de innovaciones en el periodismo impreso como QR Code, Aurasma, Realidad Aumentada, 3D como procesos de com- plejizacin de las narrativas y de las estrategias construidas como modelo de negocios en las organizaciones periodsticas a partir de la apropiacin de tecnologas mviles digitales. Los niveles de informacin (interactivos, multimedia, metadatos) oriundos de esos recursos comparten la idea defen- dida por McLuhan (2005) de que los medios se reejan el uno en el otro, reinventndose. El abordaje se centra en el anlisis de esas interacciones analgico-digitales y de naturaleza mvil partiendo de la observacin de que el periodismo impreso busca introducir en sus proyectos grcos esa perspectiva con el objetivo de modernizarse para enganchar o mantener Fernando Firmino da Silva 2 Adriana Alves Rodrigues 3 1 Este trabalho integra investigao maior, realizada no mbito do Projeto Laboratrio de Jornalis- mo Convergente (PPP N 0060, FAPESB/CNPq ), sediado na Faculdade de Comunicao, da Universidade Federal da Bahia. 2 Doutor em Comunicao e Cultura Contemporneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor do Departamen- to de Comunicao da Universi- dade Estadual da Paraba (UEPB). Colaborador do Grupo de Pesquisa em Cibercidade (GPC) e do Grupo de Pesquisa em Jornalismo On-Line (GJOL). Integrante do Laboratrio de Jornalismo Convergente da UFBA. fernando.milanni@gmail.com 3 Mestre em Comunicao e Cul- tura Contemporneas pela Univer- sidade Federal da Bahia - UFBA. Professora do Departamento de Comunicao Social - Jornalis- mo da Universidade Estadual da Paraba - UEPB e dos cursos de Ps-Graduao (lato sensu) em Jor- nalismo e Convergncia Miditica da Faculdade Social da Bahia e de Mdias Digitais e Convergncia da FESP Faculdades (Joo Pessoa). adrianacontemporanea@gmail.com
  • 2. Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 1, n. 1, p. 72, julho, 2013 sus lectores a travs de la conexin entre plataformas con el aumento de las narrativas de recursos dinmicos que van ms all del propio soporte, como en los casos en debate. Palabras-clave: Periodismo impreso; Tecnologas mviles; QR Code; Nar- rativas transmediticas Abstract This article discusses the adoption of innovations in print journalism, such as QR Code, Aurasma, Augmented Reality and 3D as complexication processes for narratives and strategies constructed as a business model in journalism organizations by appropriating mobile digital technologies. The informational layers (interactive, multimedia and metadata) originating from these resources share in the idea defended by McLuhan (2005) that the forms are reected in each other, reinventing themselves. The approach is centered on an analysis of these analogical-digital and mobile interactions, setting off from the observa- tion that print journalism is seeking to introduce this perspective in its graphic projects, with a view to modernizing and in order to hook or keep readers through a connection between platforms with increased dynamic resource narratives which go beyond the support itself, as in the cases under discussion. Keywords: Print journalism; Mobile technologies; QR Code; Transmedia narratives Tecnologias mveis e transversalidade Os canais audiovisuais como YouTube e Vimeo esto repletos de vdeos futuristas sobre o mundo mvel. Entre esses, diversos so sobre o consumo de notcias em dispositivos mveis enfocando o jornalismo e os potenciais do acesso a contedos em mobilidade. Para alm do imaginrio que esses cenrios projetam, o fato que as organizaes jornalsticas j incluram, h um tempo, as mdias mveis como modelo de negcios dentro das perspec- tivas de convergncia jornalstica de carter multiplataforma com o desen- volvimento de aplicativos autctones4 (BARBOSA; SILVA; NOGUEIRA, 2012) e a explorao das camadas informativas envolta com a tactilidade (PALACIOS; CUNHA, 2012) que dispositivos como tablets e smartphones propiciam como caracterstica sobressalente para interao em telas touch. O ecossistema mvel, como assim o considera Aguado (2013), gera novas atribuies para o jornalismo e redene a forma de produo, de distribuio e de consumo de contedos, que passa a ser transversal e por mltiplas telas (AGUADO, 2013). Neste sentido, baseado num referencial terico in- terdisciplinar (como o fenmeno) e em exemplos empricos, exploraremos neste artigo algumas problematizaes do comportamento dos impressos 4 O termo se refere a aplicativos originais desenvolvidos exclusiva- mente para tablets que exploram os potenciais da plataforma como a tactalidade e recursos dinmicos (imagens em 360 graus, contedos interativos, navegao no linear por menus). No Brasil, h produtos como o Globo a Mais, Estado Noi- te e Dirio do Nordeste Plus que possuem essa caracterstica de uma produo exclusiva para o tablet. A tendncia de crescimento de aplicativos com o perl apontado como modelo de negcios nas empresas de jornalismo do Brasil. Em nvel mundial j h experincia similares como o Le Soir (Blgica), Repubblica Sera (Itlia).
  • 3. Rizoma, Santa Cruz do Sul, v. 1, n. 1, p. 73, julho, 2013 frente expanso das mdias mveis enquanto novos suportes de consumo. Entretanto, nossa anlise recair mais diretamente sobre o uso destes idevi- ces na interao com a mdia impressa visando ao estabelecimento de uma relao entre plataformas que reposicionem o impresso para um pblico- leitor conectado e expanda as narrativas, mas tendo como pano de fundo a crise de modelos de negcios e a urgncia de inovao como manuteno do negcio do impresso. Com a consolidao do jornalismo digital, a etapa atual do desenvolvi- mento do jornalismo se concentra nos tablets e smartphones (BARBOSA, 2013) vistos por um lado como uma nova ameaa e, por outro lado, como uma nova oportunidade para os impressos e o soerguimento da indstria da informao. A emergncia das publicaes digitais para tablets, princi- palmente a partir do surgimento do iPad da Apple em 2010, apareceu no no- ticirio como salvao para a mdia impressa diante da crise no setor de- sencadeada a partir dos Estados Unidos com o anncio do desaparecimento dos jornais (MEYER, 2007). No Brasil, SantAnna (2008) tambm enfocou o tema sobre o destino dos jornais atravs da anlise do Estado, Folha de S.Paulo e O Globo. Entre suas concluses na poca - e que continuam atuais na contemporaneidade - os dados indicam que no s menos pessoas esto lendo jornais, como tambm fazem por menos tempo tanto no Brasil quan- to em muitos pases desenvolvidos (SANTANNA, 2008, p.18). As mutaes no cenrio notadamente se relacionam s transformaes tecnolgicas e mudana de perl de hbito de consumo da audincia, que migra para outros ecossistemas miditicos como o composto pela internet e os dispositivos mveis. Meyer (2007) no livro os jornais podem desapare- cer? fazia os diagnsticos (alguns precipitados) de que o jornalismo est em apuros. O modelo de jornal que conquistou a opinio pblica, que j ajudou a derrubar presidentes com reportagens investigativas consistentes, sofre a concorrncia das novas mdias, mais geis e rpidas na publicao de notcias (MEYER, 2007, n.p). Aguado (2013) atualiza a discusso trazendo para o centro das mudanas estruturais a emergncia das tecnologias mveis e o ecossistema das comunicaes mveis como um dos aspectos decisi- vos na anlise das metamorfoses vivenciadas na atualidade. Nesse sentido, o pesquisador inclina sua argumentao para uma crise que aponta para ameaas e, ao mesmo tempo, abre horizontes para oportunidades por meio da explorao da indstria dos aplicativos mveis (apps) tendo em vista a coliso de ecossistemas (miditico e digital mvel). La crisis de nanciacin potenciada por el descenso del consumo en el mbito internacional (y, muy especialmente, europeo) con- tribuye a acelerar pero quiz tambin a encubrir - una conver- gencia de crisis en los modelos de negocio, gestin, distribucin, soportes y formatos que plantea desafos urgentes a las industrias del contenido. De las grandes marcas informativas a las disco- grcas, de las majors o la industria del videojuego a las edito- riales, nadie parece tener una idea clara de hacia dnde avanzar. (AGUADO, 2013, p.7). 5 5 A crise de nanciamento pela queda do consumo em nvel interna- cional (e muito particularmente na Europa) contribui para acelerar e talvez tambm para encobrir uma convergncia de crise nos modelos de negcios, de gesto, distribuio, suportes e formatos que implica desaos urgentes para as indstrias do contedo. Das grandes marcas informativas indstria discogr- ca, das maio