Interações Amorosas Sob Uma perspectiva Comportamental.pdf

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<ul><li><p>7/24/2019 Interaes Amorosas Sob Uma perspectiva Comportamental.pdf</p><p> 1/18</p><p>1</p><p>INTERAES AMOROSAS SOB UMA PERSPECTIVA COMPORTAMENTAL1</p><p>HLIO JOS GUILHARDI</p><p>INSTITUTO DE TERAPIA POR CONTINGNCIAS DE REFORAMENTO</p><p>CAMPINASSP</p><p>Amor no um sentimento, mas sim uma integrao harmoniosa de vrios sentimentos.</p><p>Amor uma mistura de sentimentos. No um sentimento isolado. Por essa razo, impossvel</p><p>defini-lo. As pessoas chamam de amor muitas coisas que sentem, por no saberem identificar</p><p>como so produzidas. Sentimentos outros, produzidos por solido, perda, disputa fracassada,abandono, traio, ambio etc., que deveriam ser nomeados por termos mais apropriados, tais</p><p>como medo, rejeio, frustrao, inveja, cimes, raiva, vingana, desamparo etc., so</p><p>confundidos com amor. Tudo o que a pessoa sente real; porm, o nome que atribui ao que</p><p>sente arbitrrio e, muitas vezes, equivocado. A pessoa denomina aquilo que sente de amor;</p><p>no , porm, amor tudo o que ela sente. O amor no se encontra pronto dentro de ns. A</p><p>potencialidade e a capacidade para vir a amar sim. ingnuo supor que saber amar intrnseco</p><p>ao ser humano, e pensar assim reduz as relaes de amor ao seu nvel mais primitivo. A</p><p>capacidade para amar e para desenvolver relaes de amor, essa sim intrnseca ao humano.</p><p>Mas ter potencial no o mesmo que desenvolver e atualizar tal potencial. O amor umaconstruo socioverbal, como tal no o mesmo em diferentes culturas e nem foi o mesmo no</p><p>desenvolvimento cultural das sociedades. Ele comea (pode comear) no bero e se amplia (pode</p><p>se ampliar) at o tmulo. O amor pode se estender por dimenses que tendem ao infinito, ou</p><p>estiolar e se manter murcho por toda uma vida. Seu incio de fora para dentro; depois pode se</p><p>expandir de dentro para fora qual um cogumelo atmico. Reconhecer que o repertrio de amar</p><p>que inclui atos e sentimentos unidos de forma inseparvel aprendido no empalidece seu</p><p>valor e profundidade. Tal reconhecimento o eleva ao status de uma extraordinria aquisio</p><p>humana. Quando afirmamos que amamos uma pessoa, queremos dizer que amamos os</p><p>comportamentos dela. O amor o resultado de vrios processos comportamentais que seinfluenciam reciprocamente. Vamos falar brevemente de alguns deles! 2</p><p>1Setembro/2015</p><p>2Para ter acesso a uma apresentao mais abrangente dos quatros itens que se seguem leia o texto: Autoestima,</p><p>autoconfiana e responsabilidade, disponvel no sitewww.itcrcampinas.com.br.</p>http://www.itcrcampinas.com.br/http://www.itcrcampinas.com.br/http://www.itcrcampinas.com.br/http://www.itcrcampinas.com.br/</li><li><p>7/24/2019 Interaes Amorosas Sob Uma perspectiva Comportamental.pdf</p><p> 2/18</p><p>2</p><p>Alguns pr-requisitos para aprender a amar...</p><p>1.</p><p>Sentimentos e Comportamentos3 de Autoestima. So produzidos essencialmente pela</p><p>interao entre duas classes de contingncias de reforamento:</p><p>C Sr+ de naturezas scio-afetiva e social4</p><p>Reforos scio-afetivo e social so produzidos por comportamentos</p><p>? Sr+ de naturezas scio-afetiva e social</p><p>Reforos scio-afetivo e social so apresentados independentemente de relaes decontingncias de reforamento entre comportamentos e consequncias (reforo livre).</p><p>As consequncias reforadoras positivas dos comportamentos tm que ser de natureza</p><p>socioverbal. Falando de modo conceitual, uma pessoa que se desenvolvesse isoladamente de</p><p>um grupo socioverbal no desenvolveria autoestima!</p><p>A prevalncia do primeiro grupo de contingncias de reforamento no produz autoestima.</p><p>Quem tem acesso a privilgios essencialmente produzidos por comportamentos desejados</p><p>pelo agente do controle, paga (emitindo tais comportamentos)antecipadamente pelosprivilgios que obtm. Pode, na melhor das hipteses, desenvolver autoconfiana.</p><p>Consegue ser competente, mas se mantm emocionalmente anmico!</p><p>A prevalncia do segundo grupo tampouco produz autoestima. Quem tem acesso a</p><p>privilgios sem se comportar para produzi-los no aprende a se amar, nem a amar o</p><p>prximo, nem mesmo a amar o que a vida lhe proporciona. Mantm-se basicamente como</p><p>um organismo que sobrevive; no se transforma significativamente em uma pessoa que se</p><p>desenvolve.</p><p>3Mantemos a distino entre os dois termos; no entanto, sentimentos e comportamentos no se distinguem quanto</p><p> sua natureza. So todos eles manifestaes do organismo, evocados e eliciados por contingncias de reforamento</p><p>e regidos pelas mesmas leis. Talvez um dia venham a ser nomeados por um nico termo, um neologismo, tal como</p><p>comportimento!</p><p>4Ver a distino entreAteno Scio-afetivae Ateno Socialno Apndice.</p></li><li><p>7/24/2019 Interaes Amorosas Sob Uma perspectiva Comportamental.pdf</p><p> 3/18</p><p>3</p><p>2. Sentimentos e Comportamentos de Autoconfiana. So produzidos essencialmente pela</p><p>interao entre duas classes de contingncias de reforamento: a primeira positiva e asegunda aversiva.</p><p>C Sr+ de natureza social (scio-afetiva ou simplesmente social)</p><p>C Sr+ natural5no social</p><p>Os reforos scio-afetivo e social e natural so produzidos por comportamentos.</p><p>Ter no basta; preciso se comportar para produzir o que se tem. Burlar a relao operante</p><p>gera sentimentos de vazio existencial, depresso, sensao de insaciabilidade, fobias,</p><p>isolamento, desdm pela vida, indiferena s pessoas.</p><p>C Sav de natureza social (crtica, desprezo, suspenso de privilgios etc.)</p><p>C Sav natural (amenizar os danos de uma queda, safar-se de um acidente etc.)</p><p>Os reforos negativos ( uma outra maneira, mais tcnica, de se referir a eventos aversivos)</p><p>so evitados, minimizados ou removidos, a partir da emisso de comportamentos de fuga-</p><p>esquiva.</p><p>A vida no expe a pessoa apenas possibilidade de produzir reforo positivo, mas tambm</p><p> necessidade de se esquivar ou fugir de eventos aversivos que se apresentam como eventosaleatrios ou como consequncias produzidas por comportamentos: indesejados por algum</p><p>agente de controle (pai severo, por ex.) ou desastroso (manejar de forma descuidada uma</p><p>panela com gua fervente, dirigir em velocidade excessiva, por ex.). A pessoa que no possui</p><p>5Chamamos de consequncia natural aquela que produzida diretamente pelo comportamento, sem mediao de</p><p>outro ser humano que pudesse apresentar uma consequncia arbitrria. Assim, ao mover uma maaneta da porta,</p><p>o prprio comportamento produz como consequncia porta aberta e acesso a outro ambiente (consequncia</p><p>natural). Algum dizer, contingente ao comportamento de mover a maaneta: Que lindinha! Voc j alcana amaaneta e sabe abrir a porta! uma consequncia social arbitrria. possvel uma consequncia social ser natural.</p><p>Assim, por exemplo, numa sala de aula um aluno faz um comentrio, considerado pela instituio escolar como</p><p>indesejado, mas a professora no consegue se conter e ri da frase espirituosa do aluno. O riso produzido pelo</p><p>comentrio uma consequncia social reforadora positiva natural (reforo generalizado). Por outro lado, se a</p><p>professora se controlasse, no risse e dissesse: Seu engraadinho, aqui no lugar para brincadeiras... V se explicar</p><p>com a orientadora!, ela estaria apresentando uma consequncia social arbitrria contingente frase do aluno,</p><p>supostamente aversiva (mesmo que o comentrio da professora tivesse funo reforadora positiva para o aluno,</p><p>ele seria uma consequncia arbitrria). Numa interao social arbitrria, o agente de controle determina qual</p><p>comportamento desejado ou indesejado (segundo critrios arbitrrios dele) e apresenta uma consequncia</p><p>contingente, quer reforadora positiva, quer aversiva, segundo critrios (ainda arbitrrios) dele prprio.</p></li><li><p>7/24/2019 Interaes Amorosas Sob Uma perspectiva Comportamental.pdf</p><p> 4/18</p><p>4</p><p>repertrio de comportamentos de fuga-esquiva, em condies adversas que lhe so</p><p>impostas socialmente, so descritas como fbicas, inseguras, medrosas, submissas etc. etornam-se marionetes ou dependentes do outro. Podem ser vistas, por outro lado, como</p><p>humildes, tolerantes, generosas, cooperativas etc. O que distingue o primeiro grupo do</p><p>segundo so os sentimentos que vivenciam. As primeiras so basicamente pessoas infelizes;</p><p>as segundas vivem em paz com o seu modo de interagir com o outro. As pessoas que se</p><p>comportam de forma a produzir consequncias aversivas para si mesmas so descritas como</p><p>imprudentes, impulsivas, desprovidas de autocontrole, delinquentes, inconsequentes e</p><p>podem representar perigo ou ameaa para o outro. Ou, por outro lado, podem ser descritas</p><p>como ousadas, destemidas, aventureiras etc. Neste segundo grupo esto aquelas que, de</p><p>modo geral, possuem bom repertrio comportamental de fuga-esquiva do desastre e, comotal, se expem a riscos calculados para si e para os demais... Numa frase: autoconfiana</p><p>supe sentimentos e comportamentos associados a produzir reforos positivos e a evitar</p><p>reforos negativos.</p><p>Pode-se concluir que autoconfiana produzida por repertrio comportamental, que produz</p><p>consequncias reforadoras positivas ou que protege a pessoa de consequncias reforadoras</p><p>negativas (aversivas, portanto). As consequncias reforadoras (positivas e negativas) no</p><p>tm que ser de natureza socioverbal. Assim sendo, ainda de um ponto de vista conceitual,</p><p>uma pessoa que sobrevivesse isoladamente de um grupo socioverbal poderia terautoconfiana (to somente no teria conscincia disso).</p><p>3. Sentimentos e Comportamentos de Responsabilidade. So produzidos essencialmente pela</p><p>interao dentre duas classes de contingncias de reforamento:</p><p>C desejado Sr+ natural e scio-afetivo</p><p>C indesejado Sav natural, scio-afetivo e social</p><p>Responsabilidade pode ser instalada e mantida por contingncias de reforamento positivas</p><p>e coercitivas. A prtica social tem privilegiado a segunda alternativa, infelizmente.6</p><p>4. Sentimentos e Comportamentos de Tolerncia Frustrao.So produzidos essencialmente</p><p>pela interao entre as seguintes classes de contingncias de reforamento:</p><p>6Para entender como a comunidade socioverbal pode instalar comportamentos e sentimentos de responsabilidade</p><p>atravs de manejo de prticas reforadoras positivas, veja o texto Instalao de Responsabilidade atravs de</p><p>Contingncias de Reforamento Positivo (no prelo).</p></li><li><p>7/24/2019 Interaes Amorosas Sob Uma perspectiva Comportamental.pdf</p><p> 5/18</p><p>5</p><p>C atraso do Sr+</p><p>C Sav moderado (s vezes, intenso)C Sr+ intermitente</p><p>C Sr+ (extino)</p><p>A tolerncia frustrao (atualmente tem-se privilegiado o termo resilincia) no pode ser</p><p>desenvolvida sem expor a pessoa a condies aversivas. Cabem, porm, alguns comentrios.</p><p>A condio aversiva deve:</p><p>1. Ser introduzida com intensidade crescente, mas de maneira gradual</p><p>2.</p><p>Ser restrita ao mnimo necessrio3. Ser eventual</p><p>4. Ser utilizada para benefcio da pessoae no para ganhos do agente do controle</p><p>5. Ser contingente tambm a comportamento definido como desejvel7</p><p>O treino de tolerncia frustrao deve ser entendido como uma condio necessria, desde</p><p>que seja equilibrada e manejada por pessoas que amam e querem benefcios para aquele que</p><p> exposto a condies de frustraes, visando ao preparo deste para a vida. A vida social </p><p>fonte de condies adversas: injustias, violncias, traies, abandonos, privaes de</p><p>oportunidades etc.; a Vida tambm fonte de infortnios: mortes de pessoas queridas,catstrofes da natureza, doenas incurveis, fentipos genticos aversivos etc. e h</p><p>necessidade de um preparo mnimo para tais eventualidades. melhor que esse preparo</p><p>ocorra em um ambiente de amor, sem excessos e com conhecimento das leis que regem os</p><p>comportamentos humanos. A preparao para tolerar frustraes deve incluir reforos</p><p>socioafetivos contingentes aos progressos apresentados pelas pessoas diante das frustraes</p><p>e dores provindas das adversidades.</p><p>Padro comportamental sensorial</p><p>Sensorial aquela pessoa que fica sob controle das consequncias gratificantesreforadoras positivas imediatas para si mesma, indiferente ao que seus comportamentos</p><p>produzem no outro; no fica sob controle das consequncias aversivas a longo prazo nem para</p><p>si, nem para o outro. Prevalecem as contingncias de reforamento de primeiro e segundo nveis</p><p>de seleo, em detrimento daquelas de terceiro nvel. Tais pessoas so tidas como egostas,</p><p>7Pode parecer estranho... Punir um comportamento desejvel configura uma condio de injustia. Ser injustiado</p><p> uma fonte importante (muito mais comum do quer se pensa) de frustrao no cotidiano. Seria importante</p><p>preparar as pessoas para tal situao.</p></li><li><p>7/24/2019 Interaes Amorosas Sob Uma perspectiva Comportamental.pdf</p><p> 6/18</p><p>6</p><p>impulsivas, com baixa tolerncia frustrao, eventualmente frias, calculistas etc. O padro</p><p>sensorial no tem a ver com traos de personalidade. determinado pela histria decontingncias de reforamento da pessoa.</p><p>Padro comportamental sensvel</p><p>Sensvel aquela pessoa que fica sob controle das consequncias aversivas a curto e a</p><p>longo prazo para si e para o outro, independentemente de as consequncias imediatas serem</p><p>gratificantes para ela. Fica sob controle das consequncias positivas e aversivas que seus</p><p>comportamentos produzem nos outros (prioriza a produo de reforos positivos para o outro eevita expor o outro a eventos aversivos). Prevalecem as contingncias de reforamento de</p><p>terceiro nvel de seleo. Tais pessoas so tidas como acolhedoras, amorosas, tranquilas,</p><p>tolerantes diante das dificuldades da vida, altrustas etc.</p><p>Alguns Comentrios sobre a Maturidade Pessoal</p><p> comum dizer que uma pessoa madura ou imatura, como se tais adjetivos pudessem</p><p>auxiliar a explicar os comportamentos das pessoas! Maturidade no causa; causada. Taistermos so, na melhor das alternativas, metforas. Pobres metforas, que pouco ajudam no dia</p><p>a dia do consultrio ou para melhor compreenso do ser humano. Como estend-las para uma</p><p>linguagem comportamental?</p><p>Uma pessoa madura aquela que apresenta um repertrio comportamental suficiente</p><p>paraem determinadas situaesproduzir reforos positivos ou minimizar, evitar ou pospor</p><p>reforos negativos. Se a situao no permitir o acesso a reforos positivos, a pessoa se mantm</p><p>emitindo comportamentos em funo de reforos positivos atrasados, sem sofrer disrupo</p><p>comportamental; ou substitui o reforo positivo-alvo (o mais desejado) por outros reforospositivos disponveis; ou mantm os comportamentos produzindo reforos positivos</p><p>condicionados intermedirios. De modo anlogo, se no for possvel remover, adiar ou amenizar</p><p>os eventos aversivos, com eles se deve conviver, sem desistir jamais de buscar comportamentos</p><p>alternativos ampliando a variabilidade comportamental , at que alguma resposta seja</p><p>selecionada por reforamento negativo. A pessoa madura capaz, adicionalmente, de reavaliar</p><p>o valor e a importncia do reforo positivo, assim como do reforo negativo, e se ajustar ao</p><p>resultado de tal reavaliao, pois a caracterizao de eventos como reforadores positivos ou</p><p>negativos no absoluta, no indiscutvel, no imutvel e, quase sempre (exceto aqueles que</p><p>tm funo prpria da espcieprimeiro nvel de seleo de Skinner), so produtos de histrias</p></li><li><p>7/24/2019 Interaes Amorosas Sob Uma perspectiva Comportamental.pdf</p><p> 7/18</p><p>7</p><p>de contingncias de reforamento! Como tal, podem ser alterados. Nas condies de impotncia</p><p>apontadas, espera-se da pessoa madura tolerncia funcional frustrao, ou seja, as reaesemocionais e os sentimentos produzidos pelas contingncias de reforamento adversas devem</p><p>ser de intensidade amena, tal que no cheguem a interferir com o fluxo de comportamentos.</p><p>Acrescente-se que a pessoa madura capaz de apresentar va...</p></li></ul>