Institutos Federais, Desenvolvimento Territorial

Download Institutos Federais, Desenvolvimento Territorial

Post on 30-Dec-2015

30 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

  • UFRRJ

    INSTITUTO DE AGRONOMIA

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM EDUCAO

    AGRCOLA

    DISSERTAO

    A ARTICULAO EDUCAO PROFISSIONAL E

    DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL PELO INSTITUTO

    FEDERAL GOIANO CMPUS CERES: PERSPECTIVA E POSSIBILIDADES

    PAULIE CERES PALASIOS

    2012

  • UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

    INSTITUTO DE AGRONOMIA

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM EDUCAO AGRCOLA

    A ARTICULAO EDUCAO PROFISSIONAL E

    DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL PELO INSTITUTO FEDERAL

    GOIANO CMPUS CERES: PERSPECTIVA E POSSIBILIDADES

    PAULIE CERES PALASIOS

    Sob a Orientao da Professora

    Rosa Cristina Monteiro

    e Coorientao do Professor

    Cleiton Mateus Sousa

    Dissertao submetida como requisito

    parcial para obteno do grau de

    Mestre em Cincias, no Programa de

    Ps-Graduao em Educao Agrcola,

    rea de Concentrao em Educao

    Agrcola.

    Seropdica, RJ

    Junho, 2012

  • UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

    INSTITUTO DE AGRONOMIA

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM EDUCAO AGRCOLA

    PAULIE CERES PALASIOS

    Dissertao submetida como requisito parcial para obteno do grau de Mestre

    em Cincias, no Programa de Ps-Graduao em Educao Agrcola, rea de

    Concentrao em Educao Agrcola.

    DISSERTAO APROVADA EM 18/06/2012

  • A imagem do progresso poderosa. Mesmo as denncias de

    tal ou qual episdio outrora considerados por muitos como "progressista colonizao, desenvolvimento das tcnicas, mobilizao ideolgica se fazem em seu nome, pois difcil evitar frases que podem ser abreviadas na forma do tipo: "Antes, ns acreditvamos que..., hoje ns sabemos que ...". At a denncia da arrogncia ocidental, que se acreditou intrinsecamente distinta das outras culturas, no anula a diferena: somos ns que estamos em movimento, que fizemos sofrer e que agora nos tornamos capazes de reconhecer nossos exageros. Nenhuma concluso "relativista" pode fazer esquecer que, racionalistas ou "relativistas", somos sempre nos que falamos.

    "Antes ns no sabamos que acreditvamos, hoje ns sabemos que no podemos mais acreditar." A forma especial de expresso que sinaliza o progresso est sempre presente. E ela subsiste ainda atravs das astcias e do contorcionismo sinttico dos "ps-modernos", que se vangloriam de no mais acreditar e dedicam sua ironia descrio daqueles que "ainda acreditam" [...] De fato, penso que ns no podemos renunciar referncia ao progresso, porque no temos escolha; no momento em que a questo se coloca para ns, somos definidos como herdeiros desta referncia, livres talvez para redefini-la mas no para anul-la. E o interesse de "ns sabemos que ns no podemos mais acreditar" passa a ser ento o problema que esta frase anuncia. Saber que no se pode mais acreditar no significa "deixar de crer", desembaraar-se da herana nem vista nem conhecida, seria um mal-entendido, ou um erro , mas aprender a estend-la de outro modo.

    O problema portanto saber do qu este "no acreditamos mais" pode nos tornar capazes, a que sensibilidades, a que riscos, a que devires, pode nos conduzir. Poderamos conferir um sentido positivo ao "ns no podemos mais acreditar", transformar a vergonha daquilo que nossas crenas permitiram em capacidade de questionar e inventar, ou seja, resistir?

    Isabelle Stengers

    (A inveno das Cincias modernas)

  • Dedico

    A meus filhos, filhas, alunos e alunas que inspiraram esta pesquisa.

    minha me, meu pai, meu marido, irmos, irms, sobrinhos, sobrinhas, demais familiares, amigos e amigas.

    A todos ns filhos e filhas do Vale de So Patrcio.

  • AGRADECIMENTOS

    A Deus por tudo.

    A meu marido Edmar pela compreenso, apoio e dedicao ao suprir minha ausncia e

    necessidades abnegadamente.

    Aos meus filhos Jefferson pela colaborao na elaborao dos grficos e

    conhecimentos compartilhados, Augusto por possibilitar muitas de minhas leituras, Lucas

    pela edio de algumas das figuras deste trabalho, Nayane pela colaborao na coleta de

    dados. A todos eles pelo companheirismo, compreenso, apoio e colaborao.

    A meus familiares pela compreenso por minha ausncia e tambm pelo apoio, em

    especial Jaqueline Palasios pelas reflexes debatidas, conhecimentos compartilhados e

    colaborao na reviso de texto.

    Prof. Dra. Rosa Cristina Monteiro, minha orientadora, ao Prof. Dr. Cleiton Mateus

    Souza, coorientador, pelo acompanhamento e colaborao em todas as etapas da pesquisa,

    pela pacincia e valiosas sugestes.

    Ao Prof. Dr. Gabriel de Arajo Santos e Prof. Dra. Rosa Cristina Monteiro pela

    oportunidade de conhecer algumas experincias de desenvolvimento local realizadas no

    marco do programa Leader na Espanha, bem como Prof Dra. Ftima Cruz Souza

    (Universidad de Valladolid Campus de Palencia) pelas orientaes durante o estgio,

    acolhida, reflexes e conhecimentos compartilhados. Tambm amiga Ftima Castro pelo

    companheirismo e pacincia no servio de intrprete durante as visitas.

    Aos professores que compuseram as bancas de qualificao do projeto de pesquisa

    pelas sugestes e crticas na elaborao deste trabalho.

    Aos servidores do Programa de Mestrado em Educao Agrcola PPGEA, pela

    gentileza, colaborao e presteza ao atender nossas necessidades.

    A todos os colegas de mestrado, especialmente Glacie Rosa, Laura Yssi, Pollyana

    Martins, Rosangela Rodrigues, Silvana Silva e Walter Rodrigues pela amizade,

    companheirismo e colaborao.

    grande amiga Gesa Dvila Ribeiro pelos conhecimentos compartilhados e

    colaborao na reviso de texto.

    grande amiga Ambrosina Borges pela companhia e apoio nos momentos difceis,

    reflexes debatidas, conhecimentos compartilhados, sugestes, ponderaes, leitura de todo o

    texto e auxlio na reviso.

  • Ao grande amigo Jos Carlos Moreira pelas sugestes valiosas ao longo deste

    trabalho.

    grande amiga Waldeliza Cunha pelo companheirismo, apoio e colaborao na coleta

    de dados.

    Edna Gonalves e Priscila Rodrigues pelas contribuies na reviso de texto.

    Aos colegas do IF Goiano Cmpus Ceres Flvio Manoel Cardoso, Helber Morgado,

    Lus Srgio Vale, Marco Antnio Carvalho, Paulo Ricardo Leite, Natlia Santiago, Virglio

    Erthal pelas sugestes nos instrumentos de pesquisa e colaborao na coleta de dados.

    Aos servidores do IF Goiano Cmpus Ceres Aliny da Cunha, Ana Paula Oliveira,

    ngelo Ado de Lima, Bruna Fortunato, Denise de Sousa, Elson Caetano, Luciana Borges,

    Marcelo Almeida, Marcio Ramatiz, Marilene Abreu da Silva, Paulo Costa Andrade, Sandra

    Adelly Rocha, Sueide Lemes da Silva, Vailson de Freitas pela colaborao e apoio.

    Aos alunos da equipe de colaboradores para coleta de dados e ex-alunos (os que de

    alguma forma colaboraram) Ariane Fraga, Bruno Lopes, Bruno Moreira, Camila Gomes,

    Douglas Gomes, Eduardo Silva, Isadora Silva, Jliston Alves, Joo Cesar Alves, Juliana

    Bento, Juliana Pereira, Karen Andrade, Kenia Trindade, Patrcia Moreira, Paulo Cesar

    Romo, Rafaela Oliveira, Ricardo Lorran Oliveira, Renato Soares, Tiago Fonseca, Valdson de

    Souza, Willdenberg Lira.

    A todos os participantes desta pesquisa, egressos; produtores, associaes e

    cooperativas de produtores rurais; funcionrios da Emater, das associaes comerciais e

    cmara de dirigentes lojistas de todos os municpios pesquisados; participantes dos APLs de

    Confeces de Jaragu, de Sade de Ceres e Madeireiro do Vale de So Patrcio que

    colaboraram com as respostas ou para a realizao das entrevistas e aplicao dos

    questionrios.

    A todos que de forma direta ou indireta colaboraram para a realizao deste trabalho.

  • RESUMO

    PALASIOS, Paulie Ceres. A articulao educao profissional e desenvolvimento

    territorial pelo Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres: perspectiva e possibilidades. 2012. 147 f. (Mestrado em Educao Agrcola). Instituto de Agronomia, Universidade Federal

    Rural do Rio de Janeiro, Seropdica, RJ. 2012.

    Este estudo teve como escopo a anlise da insero e atuao do Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres no desenvolvimento territorial do Vale de So Patrcio, Gois. Para tanto

    foram aplicados questionrios e feitas entrevistas semiestruturadas a diferentes atores e

    agncias de desenvolvimento local/regional no mbito do Vale de So Patrcio, bem como

    egressos dos cursos do IF Goiano Cmpus Ceres. Os resultados demonstraram que h participao dessa instituio no desenvolvimento da regio. No entanto, os resultados

    tambm mostraram muitas possibilidades para ao do IF Goiano Cmpus Ceres em seu territrio diante das atribuies que lhe confere a Lei 11.892/2008.

    Palavras-chave: IF Goiano Cmpus Ceres, Vale de So Patrcio, Egressos, Atores Sociais, Desenvolvimento Territorial.

  • ABSTRACT

    PALASIOS, Paulie Ceres. Vocational education and territorial development by Instituto

    Federal Goiano Cmpus Ceres: perspective and possibilities. 2012. 147 p. Dissertation (Master Science in Agricultural Education). Instituto de Agronomia, Universidade Federal

    Rural do Rio de Janeiro, Seropdica, RJ. 2012.

    This research aimed to analyzing the role of Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres in the social and economic territorial development of Vale de So Patrcio, in the state of Gois,

    Brazil. Questionnaires and semi-structured interviews were conducted to alumni of the

    Instituto and to different actors and agencies of development within the limits of Vale de So

    Patrcio. The results demonstrated there is participation of this institution in the development

    of the region. But the results also showed a number of possibilities for the action of IF Goiano

    Cmpus Ceres through the functions attributed to it by legislation 11.892/2008.

    Keywords: IF Goiano Cmpus Ceres, Vale de So Patrcio, Alumni, Social Actors, Territorial Development.

  • LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 Localizao do municpio de Ceres no Vale de So Patrcio. .............................................................. 24

    Figura 2 Distribuio (%) dos egressos segundo o ano de concluso dos cursos no IF Goiano Cmpus Ceres.

    ............................................................................................................................................................................... 51

    Figura 3 Opinies dos egressos quanto melhor formao proporcionada pelo curso realizado no IF Goiano

    Cmpus Ceres. ....................................................................................................................................................... 51

    Figura 4 Opinies dos egressos quanto principal contribuio do curso realizado no IF Goiano Cmpus

    Ceres. ..................................................................................................................................................................... 52

    Figura 5 Apontamentos sobre o que tem faltado aos recm-formados, segundo os egressos do IF Goiano

    Cmpus Ceres participantes da pesquisa. .............................................................................................................. 53

    Figura 6 Dificuldades apresentadas aps a concluso do curso segundo os egressos do IF Goiano Cmpus

    Ceres. ..................................................................................................................................................................... 54

    Figura 7 Demanda de profissionais segundo a rea tcnica de acordo com os egressos participantes da

    pesquisa. ................................................................................................................................................................ 55

    Figura 8 Recomendao de cursos ofertados no IF Goiano Cmpus Ceres segundo os egressos participantes

    da pesquisa. ........................................................................................................................................................... 57

    Figura 9 Localizao dos produtores rurais e agricultores familiares pesquisados no Vale de So Patrcio

    segundo os municpios em que produzem. ............................................................................................................ 62

    Figura 10 Faixa etria dos produtores rurais participantes da pesquisa. ............................................................. 62

    Figura 11 Ramos de atividade dos produtores rurais participantes da pesquisa. ................................................ 63

    Figura 12 Cursos ofertados pelo IF Goiano Cmpus Ceres conhecidos pelos produtores rurais participantes

    da pesquisa. ........................................................................................................................................................... 65

    Figura 13 Fatores relacionados ao Cmpus Ceres que influenciaram na escolha das atividades dos produtores

    participantes da pesquisa. ...................................................................................................................................... 66

    Figura 14 Estratgias que o IF Goiano Cmpus Ceres deve adotar para contribuir com a melhoria da

    produo de acordo com os produtores rurais pesquisados. .................................................................................. 68

    Figura 15 Frequncia das empresas que j prestaram assistncia aos produtores participantes da pesquisa. ..... 69

    Figura 16 Opinies dos produtores pesquisados sobre os possveis benefcios para a regio do Vale de So

    Patrcio com a implantao do IF Goiano Cmpus Ceres. ................................................................................. 71

    Figura 17 Especificidades das empresas do APL de Sade de Ceres pesquisadas. ............................................ 77

    Figura 18 Cursos ofertados pelo IF Goiano Cmpus Ceres conhecidos pelos participantes dos APLs e

    empresas pesquisadas. ........................................................................................................................................... 78

    Figura 19 Distribuio das empresas do Vale de So Patrcio conforme o setor de atuao. (SEFAZ-GO, 2011).

    ............................................................................................................................................................................... 93

    Figura 20 Distribuio das indstrias no Vale de So Patrcio segundo o tipo de atividades. (SEFAZ-GO,

    2011)...................................................................................................................................................................... 94

    Figura 21 Distribuio das empresas da indstria de minerais no metlicos no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-

    GO, 2011). ............................................................................................................................................................. 95

    Figura 22 Distribuio das empresas da indstria do mobilirio no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-GO, 2011).

    ............................................................................................................................................................................... 96

    Figura 23 Distribuio das empresas da indstria do vesturio, calados e artefatos de tecido no Vale de So

    Patrcio. (SEFAZ-GO, 2011). ................................................................................................................................ 97

    Figura 24 Distribuio das empresas da indstria de produtos alimentcios no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-

    GO, 2011). ............................................................................................................................................................. 98

  • LISTA DE QUADROS

    Quadro 1 Fatores que caracterizam os arranjos e sistemas produtivos e inovativos locais e vantagens do

    enfoque. (LASTRES; CASSIOLATO, 2005a). ..................................................................................................... 42

    Quadro 2 Finalidades e caractersticas dos Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia de acordo

    com a Lei 11.892/2008. ......................................................................................................................................... 44

    Quadro 3 Dificuldades encontradas no primeiro trabalho segundo os aspectos formativo, individual/emocional,

    institucional/empresarial, indicados pelos egressos do IF Goiano Cmpus Ceres participantes da pesquisa. .... 56

    Quadro 4 Principais sugestes dos egressos para alterao dos contedos dos cursos ofertados pelo IF Goiano

    Cmpus Ceres. ....................................................................................................................................................... 58

    Quadro 5 Relao entre as opinies dos produtores rurais pesquisados sobre os benefcios que o IF Goiano

    Cmpus Ceres pode trazer ao Vale de So Patrcio e os preceitos estabelecidos pela Lei 11.892/2008. .............. 72

    Quadro 6 Classificao das solicitaes apresentadas pelos produtores rurais pesquisados quanto s atribuies

    do IF Goiano Cmpus Ceres. .............................................................................................................................. 74

    Quadro 7 Fatores limitantes ao estabelecimento de parcerias de empresas com o Cmpus Ceres, segundo os

    APLs e empresas participantes da pesquisa........................................................................................................... 79

    Quadro 8 Caractersticas consideradas necessrias na formao do profissional, segundo os APLs e empresas

    participantes da pesquisa. ...................................................................................................................................... 81

    Quadro 9 Mecanismos e/ou entidades buscadas/consultadas pelas empresas e APLs pesquisados diante das

    dificuldades. .......................................................................................................................................................... 83

    Quadro 10 Opinies e sugestes dos APLs e empresas pesquisadas quanto possibilidade de contribuio do

    IF Goiano Cmpus Ceres para o desenvolvimento das empresas. ...................................................................... 84

    Quadro 11 Sugestes de cursos apresentadas pelos APLs e empresas pesquisadas para melhorar suas

    atividades. .............................................................................................................................................................. 85

    Quadro 12 Principais pontos fortes e pontos fracos identificados no APL de Confeces de Jaragu. ............. 86

    Quadro 13 Cursos e atividades considerados relevantes ao desenvolvimento da regio, segundo os APLs e

    empresas pesquisadas. ........................................................................................................................................... 87

    Quadro 14 Aspectos considerados insuficientes na atuao do IF Goiano Cmpus Ceres, segundo as empresas

    e APLs pesquisados. .............................................................................................................................................. 90

  • LISTA DE TABELAS

    Tabela 1 Origem e residncia dos egressos do IF Goiano Cmpus Ceres. Ceres, GO, 2012. ......................... 50

    Tabela 2 Distribuio de empresas do comrcio varejista de produtos alimentcios no Vale de So Patrcio

    segundo os tipos de empresas.(SEFAZ-GO, 2011). ............................................................................................ 100

    Tabela 3 Distribuio das empresas do comrcio atacadista mais expressivas no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-

    GO, 2011). ........................................................................................................................................................... 102

    Tabela 4 Distribuio das empresas da categoria produtores rurais no Vale de So Patrcio segundo as

    atividades. (SEFAZ-GO, 2011). .......................................................................................................................... 103

  • LISTA DE SIGLAS

    AGRODEFESA

    ANFARMAG

    APLS

    ASPILS

    CANG

    CDL

    CEFET

    COAGRI

    CREA

    EAFCE

    EMATER

    EMBRAPA

    IDH

    IES

    IF

    IF GOIANO

    MDIC

    MEC

    PDI

    PIB

    PNB

    PNUD

    PROEJA

    RCNS

    RDH

    REDESIST

    SEBRAE

    SEGPLAN

    SEFAZ

    SENAC

    SENAI

    SICOOB

    SPILS

    Agncia Goiana de Defesa Agropecuria

    Associao Nacional de Farmacuticos Magistrais

    Arranjos Produtivos Locais

    Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos Locais

    Colnia Agrcola Nacional de Gois

    Cmara de Dirigentes Lojistas

    Centro Federal de Educao Tecnolgica

    Coordenao Nacional do Ensino Agrcola

    Conselho Regional de Engenharia e Agronomia

    Escola Agrotcnica Federal de Ceres

    Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural

    Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria

    ndice de Desenvolvimento Humano

    Instituio de Ensino Superior

    Instituto Federal

    Instituto Federal Goiano

    Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior

    Ministrio da Educao

    Plano de Desenvolvimento Institucional

    Produto Interno Bruto

    Produto Nacional Bruto

    Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento

    Programa Nacional de Integrao da Educao Profissional com a Educao Bsica na

    Modalidade de Educao Jovens e Adultos

    Referenciais Curriculares Nacionais

    Relatrio de Desenvolvimento Humano

    Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais

    Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas

    Secretaria de Estado de Gesto e Planejamento

    Secretaria de Estado da Fazenda

    Servio Nacional de Aprendizagem Comercial

    Servio Nacional de Aprendizagem Industrial

    Sistema de Cooperativas de Crdito do Brasil

    Sistemas Produtivos e Inovativos Locais

  • SUMRIO

    1 INTRODUO .................................................................................................................... 1

    2 REFERENCIAL TERICO ............................................................................................... 6

    O percurso da educao profissional no Brasil .................................................................. 6

    A Escola Agrotcnica Federal de Ceres e sua nova institucionalidade: o Instituto

    Federal Goiano Cmpus Ceres ....................................................................................... 23

    Desenvolvimento: para alm de um (des)constructo ideolgico ..................................... 29

    Os Arranjos produtivos locais e os Institutos Federais de Educao, Cincia e

    Tecnologia ............................................................................................................................ 38

    3 MATERIAL E MTODOS ............................................................................................... 46

    4 RESULTADOS E DISCUSSO ....................................................................................... 49

    Egressos ................................................................................................................................ 49

    Produtores rurais e agricultores familiares ...................................................................... 61

    Arranjos produtivos locais e empresas ............................................................................. 75

    Levantamento de empresas no Vale de So Patrcio ....................................................... 92

    5 CONCLUSES ................................................................................................................. 105

    6 CONSIDERAES FINAIS ........................................................................................... 106

    7 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ........................................................................... 109

    8 ANEXOS

    9 APNDICES

  • 1

    1 INTRODUO

    A relao entre educao e trabalho permite abrir discusses e anlises sobre a

    educao profissional. As menes e investigaes sobre esse tema tm abordado as polticas

    pblicas, ideologias, currculos e prxis que a envolvem.

    Entendemos e acreditamos na significncia dos estudos e das abordagens que abarcam

    a educao, especificamente a educao profissional, quanto ao cunho crtico s polticas e ao

    tipo de formao que oferece e preocupamo-nos com os atores (seu objetivo primeiro e

    ltimo) envolvidos: os indivduos em busca de profissionalizao, que dela obtm formao

    (integral ou apenas tecnicista) e capacitao, bem como os setores produtivos que dela se

    servem e os quais se configuram como possveis empregadores desses profissionais.

    Essa preocupao se d pelo fato de estarmos inseridos em uma instituio que oferta

    a educao profissional. Percebemos a necessidade de essa instituio imbuir-se em

    programas, estratgias e polticas de criao de emprego e renda, considerando o fato de os

    egressos enfrentarem dificuldades para se inserir no mercado de trabalho e de que os espaos

    existentes no mercado no oferecem vagas suficientes para todos aqueles que necessitam.

    O ttulo deste trabalho A articulao educao profissional e desenvolvimento

    territorial pelo Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres: perspectiva e possibilidades traz

    em seu contedo termos que entendemos como polmicos tendo em vista as consideraes de

    alguns autores, como Gentili (2008); Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005); Kuenzer (1999,

    2007); dentre outros, que se dedicam ao estudo e reflexes quanto educao e as ideologias

    que a envolvem.

    A questo trazida em nosso trabalho e que tem a possibilidade de suscitar polmicas

    jaz, especificamente nas temticas educao profissional e desenvolvimento. A primeira por

    encontrarmos nas ponderaes de autores, como os citados anteriormente, crticas

    contundentes educao utilizada como ferramenta pelo iderio neoliberal para formao de

    mo de obra, visando especificamente o mercado de trabalho e colocada a servio do capital.

    A segunda pelo fato do termo desenvolvimento, associado economia, vir sendo apontado

    como um discurso usado como subterfgio para consolidar a hegemonia capitalista por

    estudiosos das cincias sociais (SACKS, 2000). A articulao entre educao profissional e

    desenvolvimento certamente levaria esses estudiosos a conjecturas de carter crtico e

    possivelmente ao desnimo.

  • 2

    Sobre os temas, educao e desenvolvimento, de incio, deixamos claro nosso

    posicionamento em favor de uma educao voltada para a formao dos sujeitos em sua

    totalidade e no apenas formao que serve s necessidades do mercado de trabalho.

    Defendemos um tipo de desenvolvimento no restrito ao crescimento econmico, mas que

    torne acessvel, indistintamente, uma existncia social, intelectual, cultural e economicamente

    satisfatria um modelo emancipador de desenvolvimento, no qual a autonomia possa ser

    uma base slida para a liberdade e para a minimizao das disparidades sociais.

    Entendemos que existe uma relao entre educao profissional e trabalho e entre

    estes e desenvolvimento econmico. Nessa relao se insere nosso campo de estudo, o

    Instituto Federal Goiano - Cmpus Ceres (IF Goiano Cmpus Ceres), no municpio de

    Ceres, estado de Gois, inserido no Vale de So Patrcio, que tem, dentre outras finalidades

    estabelecidas pela lei de criao dos Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia; a

    de dar suporte aos arranjos produtivos, sociais e culturais locais, mapeando as potencialidades

    de desenvolvimento socioeconmico e cultural em seu territrio de atuao (BRASIL,

    2008b). Nosso foco no a discusso de como a relao educao profissional, trabalho e

    desenvolvimento vem sendo feita nos discursos e polticas de nosso tempo. Elegemos para

    nosso trabalho a relao estabelecida diretamente no IF Goiano Cmpus Ceres,

    caracterizando um trabalho de cunho programtico, que incorpora as crticas e toma como

    bem estabelecida a perspectiva emancipatria.

    Um dos meios para esta investigao verificar a insero e atuao dos egressos do

    Cmpus nos arranjos produtivos locais (APLs) do Vale de So Patrcio, situado no centro-

    norte do estado de Gois. Nesse sentido, importante destacar que no consideramos a

    educao profissional ou a escola como aquela que torna possvel a ocupao e criao de

    postos de trabalho, uma vez que o desemprego estrutural um dos impactos sociais

    desdobrado das polticas neoliberais (ALVES, 2003; GENTILI, 2008; PAIVA, 2008;

    SINGER, 2000) e tambm atinge os escolarizados (SEGNINI, 2000).

    Este estudo surgiu da relao estabelecida entre nosso campo de estudo desde seu

    incio, quando teve sua implantao como resposta governamental aos anseios de

    desenvolvimento e de melhoria de todo o Vale de So Patrcio (dizeres contidos na placa

    inaugural da Escola Agrotcnica Federal de Ceres, 1994). Nesse sentido, coube verificar at

    que ponto, a partir de sua criao, o IF Goiano Cmpus Ceres tem contribudo para o

    desenvolvimento do Vale de So Patrcio e as possibilidades de seu aporte nesta direo,

    diante da Lei 11.892/2008.

  • 3

    O IF Goiano Cmpus Ceres foi criado como Escola Agrotcnica Federal de Ceres

    (EAFCe), em 1993, cuja implantao partiu da reivindicao da populao e dirigentes locais,

    a fim de reforar a cidade como polo educacional, fomentar o setor agropecurio e suscitar o

    interesse dos jovens para as atividades exercidas na regio. Percebe-se que desde seu incio

    esta instituio tem sua relao estabelecida com o desenvolvimento da economia regional.

    Apesar do pouco tempo desde sua criao, o Instituto teve a sua definio original

    desafiada por uma inflexo importante no campo social: a caracterstica originariamente

    agrcola da cidade transformou-se de maneira significativa em funo das mudanas na

    economia no municpio. Alm disso, observa-se no Vale de So Patrcio um crescimento

    considervel no setor sucroalcooleiro, o que configura uma mudana nas atividades

    agropecurias, na vida e produo de renda dos pequenos produtores, e no nmero de pessoas

    que vivem no campo.

    Diante desses acontecimentos, parece que o Instituto se v confrontado com um

    dilema: dar ateno s mudanas no cenrio produtivo da regio, com foco na formao de

    seus tcnicos, a fim de atender s demandas dos setores produtivos da regio para insero

    desses profissionais nos novos mercados de trabalho, ou consolidar o projeto inicial elaborado

    com base no perfil agrcola da regio.

    Dessa maneira, utilizamos apoios metodolgicos fundamentados em dados reais e

    substanciais, indagando se as razes que justificaram a implantao da antiga EAFCe ainda se

    evidenciam no atual cenrio e na atuao institucional e pedaggica dessa escola, frente aos

    princpios que norteiam a atuao dos Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia;

    se os tcnicos formados por esta instituio atendem as necessidades dos arranjos produtivos

    locais. Guiamo-nos tambm por questes sobre o destino do egresso dos cursos tcnicos do IF

    Goiano Cmpus Ceres e se eles se encontram inseridos no mercado de trabalho; e sobre

    quais percepes podem ser diagnosticadas a partir dos atores envolvidos (egressos, setores

    produtivos e arranjos produtivos locais) para melhor orientar a atuao desta instituio.

    Outra questo ainda se colocou como pano de fundo para as anteriores: que tipo de

    desenvolvimento deve pautar as aes do Instituto. Questo ainda mais complexa quando se

    compreende que o IF Goiano Cmpus Ceres alcana amplitude no Vale de So Patrcio e,

    no na mesma proporo, em outras regies, devendo-se lembrar de que Ceres e demais

    municpios do Vale so cercados por propriedades rurais, em sua maioria de mdio e pequeno

    porte.

  • 4

    Assim, encontramos ressignificao do dilema anteriormente citado, diante da

    necessidade de investigar se os caminhos a serem percorridos por esta escola devem ser

    pervagados na educao agrcola por sobre os mesmos trilhos e, se a vocao agropecuria da

    regio que este Cmpus atende est sendo seguida com a observncia das transformaes

    ocorridas no cenrio regional.

    Nossa problemtica de pesquisa se fundamentou nesse contexto de alta complexidade,

    envolvendo as transformaes do perfil do municpio e da regio, bem como do prprio IF

    Goiano Cmpus Ceres, frente Lei n 11.892/2008. A anlise do papel dessa instituio de

    ensino apoiou-se na interpretao do conjunto de pessoas inseridas em seu meio prtica e

    tudo que a envolve e fim (egressos, atores sociais e agentes produtivos locais e regionais). A

    partir desses atores empreendemos nossa busca para perfilar o Cmpus Ceres como

    personagem no desenvolvimento da regio do Vale de So Patrcio e assim subsidiar a gesto

    institucional na tomada de decises administrativas e s pertinentes ao ensino, pesquisa e

    extenso.

    A partir dessa problemtica e no intuito de analisar a insero e atuao do IF Goiano

    Cmpus Ceres nos setores e arranjos produtivos locais e dimensionar sua real importncia

    no desenvolvimento do Vale de So Patrcio desdobram-se os objetivos especficos:

    a) caracterizar os arranjos e setores produtivos predominantes no Vale de So Patrcio;

    b) correlacionar as atividades dos arranjos e setores produtivos predominantes identificados

    com as atribuies do IF Goiano Cmpus Ceres;

    c) identificar as percepes manifestadas por agentes de desenvolvimento regional

    (agricultores familiares, produtores agropecurios, empresas) quanto contribuio do IF

    Goiano Cmpus Ceres para suas localidades;

    d) verificar a insero e atuao dos egressos nos setores produtivos e arranjos produtivos

    locais e a percepo destes egressos quanto contribuio do Instituto Federal Goiano

    Cmpus Ceres em sua formao e atuao profissional;

    e) identificar as percepes dos atores protagonistas nos arranjos produtivos quanto atuao

    dos egressos do IF Goiano Cmpus Ceres;

    f) apresentar ao IF Goiano Cmpus Ceres dados para subsidiar e direcionar suas aes a fim

    de que possa articular-se de maneira concreta com os setores produtivos e firmar-se como

    agente de desenvolvimento.

  • 5

    O texto segue primeiramente com a apresentao das percepes que fundamentam a

    discusso dos resultados obtidos a partir de um referencial terico. Em seguida apresentamos

    os procedimentos de coleta de dados e as classes/categorias de participantes da pesquisa; os

    resultados e discusso e as concluses extradas mediante os resultados e as percepes que

    nos fundamenta.

  • 6

    2 REFERENCIAL TERICO

    O percurso da educao profissional no Brasil

    Quando os portugueses chegaram ao Brasil, as populaes nativas utilizavam dos

    meios existentes necessrios a sua subsistncia, que consistiam na caa, pesca, coleta de frutas

    e plantas e algumas plantaes, como milho e mandioca, bem como a confeco de objetos

    para essas atividades e os afazeres domsticos. A educao e a preparao para o trabalho

    eram prticas que se realizavam no convvio dirio.

    Em meio s prticas cotidianas dos indgenas, segundo Manfredi (2002), havia um

    processo de educao que integrava saberes e fazeres no exerccio das atividades da vida em

    comunidade. Para a autora, esse era um processo de educao profissional. Ela afirma que no

    Brasil os povos indgenas foram os primeiros educadores de artes e ofcios para as reas de

    tecelagem; cermica; adornos e artefatos de guerra; construo de casas; tcnicas de cultivo

    da terra e produo de medicamentos (p. 67).

    As primeiras iniciativas que estabeleceram uma relao entre educao e trabalho no

    perodo colonial brasileiro aconteceram a partir do desenvolvimento da agroindstria

    aucareira e o aumento da atividade de extrao de minrios em Minas Gerais.

    Essas atividades econmicas, alm de demandarem mo de obra, favoreceram o

    surgimento de ncleos urbanos, abrindo espao para um mercado consumidor que carecia de

    trabalho especializado de diversos tipos de artesos (CUNHA, 2000). Nesse cenrio foram

    estabelecidos os colgios religiosos dos padres da Companhia de Jesus, visando suprir a falta

    de mo de obra especializada na poca. Essas eram as escolas-oficina, que, conforme

    Manfredi (2002, p. 68), foram os primeiros ncleos de formao profissional de artesos e

    demais ofcios no perodo colonial.

    A discriminao contra o trabalho manual, impressa pelo sistema escravocrata e o

    distanciamento social que marcou esse perodo influram, na opinio de Manfredi (2002,

    p.72), tanto na constituio de representaes sobre a noo de trabalho como nas estratgias

    de educao que envolvem essa categoria, preservando a dicotomia trabalho manual e

    trabalho intelectual.

    Tal fato pode ser observado no percurso histrico que seguiu a educao profissional

    no pas. No sculo XIX foram criadas as primeiras instituies pblicas de ensino. Eram

    instituies de ensino superior que se destinavam a formar para o exerccio de funes

    qualificadas no exrcito e na administrao do Estado. O ensino secundrio era ministrado em

  • 7

    poucos estabelecimentos com cursos propeduticos preparatrios para a universidade.

    Paralelamente ao desenvolvimento do sistema escolar pblico havia as iniciativas de educao

    profissional, as quais partiam do Estado e tambm de associaes civis. Tais iniciativas

    tinham como objetivo a formao da fora de trabalho ligada produo. E nesse intuito

    funcionaram as casas de educandos artfices (mantidas pelo Estado) e os liceus de artes e

    ofcios (mantidos por sociedades civis com auxlio governamental), onde os educandos

    recebiam a instruo primria e aprendiam alguns ofcios. (SANTOS, 2000).

    As prticas educativas promovidas tanto pelo Estado, como pela iniciativa privada, na

    concepo de Manfredi (2002), apresentavam-se distintamente a partir de duas concepes

    que se complementavam uma de natureza compensatria e assistencialista, dirigida

    especialmente aos pobres e desafortunados, de maneira que por meio do trabalho pudessem

    tornar digna a pobreza; e outra pertinente educao como instrumento de formao para o

    trabalho artesanal, tido como qualificado, socialmente necessrio e legitimador da dignidade

    da pobreza. Do ponto de vista ideolgico e poltico, essas iniciativas eram mecanismos de

    disciplinamento dos setores populares, pois poderia conter possveis aes contra a ordem

    vigente, dessa maneira legitimando a estrutura social excludente deixada como herana do

    perodo colonial (MANFREDI, 2002, p. 78).

    No fim do perodo imperial (1822 1889) houve a implantao das primeiras

    instituies profissionalizantes de educao agrcola, destinadas formao de agrnomos. A

    primeira, Imperial Escola Agrcola, foi criada em 1875 na Bahia, seguidas de mais trs: na

    cidade de Pelotas-RS, Piracicaba-SP e Lavras-MG, que por volta de 1890 transformaram-se

    em Liceus de Agronomia e Veterinria (FRANCO, 1994).

    As instituies destinadas ao ensino de ofcios artesanais e manufatureiros cederam

    lugar a uma rede de escolas instauradas por Nilo Peanha, presidente da repblica em 1909,

    que criou 19 escolas de aprendizes artfices. Este seria o incio da rede federal, que culminou

    nas escolas tcnicas e posteriormente nos Centros Federais de Educao Tecnolgica

    (MANFREDI, 2002, p. 79-83). Para Kuenzer (1999), a finalidade dessas escolas no seria

    especificamente a de atender a demanda do desenvolvimento da indstria, que nessa poca

    caminhava a passos curtos, mas principalmente uma finalidade repressiva a de educar

    rfos, pobres e desvalidos da sorte retirando-os da rua; sendo essa a primeira iniciativa de

    educao profissional como poltica pblica, fazendo-o [...] na perspectiva mobilizadora da

    formao do carter pelo trabalho (KUENZER, 1999, p. 122).

  • 8

    Nas ltimas dcadas da Primeira Repblica, as transformaes econmicas e sociais,

    com os novos empreendimentos industriais e o irromper de grandes centros urbanos,

    intensificaram o crescimento de servios de infraestrutura urbana de edificaes e transportes.

    A modernizao tecnolgica constituinte desses novos setores econmicos brasileiros

    produziu outras necessidades de qualificao profissional e iniciativas inovadoras em relao

    formao bsica e profissional. A organizao da fbrica, com a diviso tcnica do trabalho

    e do controle hierrquico da execuo, demandava profissionais tcnicos de nvel mdio como

    uma fora de trabalho intermediria entre a concepo e a execuo. Nesse perodo foram

    criadas vrias escolas tcnicas em regies nas quais se destacava a produo industrial. O

    ensino tcnico industrial era contedo relevante nos debates nacionais em defesa da indstria

    brasileira que iniciava sua consolidao (KOLLER; SOBRAL, 2010; MANFREDI, 2002).

    Em diante, nos atemos, por vezes, ao desenvolvimento do ensino agrcola e seu

    percurso histrico, bem como s polticas e legislao que levaram criao das escolas

    agrotcnicas, por ter sido este o marco do qual se originou nosso campo de estudo, o Instituto

    Federal Goiano Cmpus Ceres, a partir da Escola Agrotcnica Federal de Ceres.

    Os primeiros esforos para a sistematizao do ensino agrcola com base cientfica

    foram empreendidos a partir de 1910, quando Nilo Peanha, por meio do Decreto 8.319, de 20

    de outubro, criou e regulamentou o ensino agrcola, cujo objetivo est disposto em seu artigo

    1:

    O ensino agronmico instituido no Ministerio da Agricultura, Industria e

    Commercio, de accrdo com o presente regulamento, tem por fim a

    instruco technica profissional relativa agricultura e s industrias

    correlativas, e comprehende o ensino agricola, de medicina veterinaria,

    zootechnia e industrias ruraes. (BRASIL, 1910).

    O referido Decreto estabeleceu o ensino agrcola em todos os nveis o ensino

    superior, mdio (terico e prtico) e ensino primrio agrcola; alm do ensino prtico, escolas

    especiais de agricultura, escolas domsticas agrcolas, cursos ambulantes, cursos conexos com

    o ensino agrcola, consultas agrcolas e conferncias agrcolas. O curso de formao de

    engenheiros agrnomos foi criado com a finalidade de promover o desenvolvimento cientfico

    da agricultura mediante a propagao tcnica de profissionais aptos para o ensino

    agronmico, aos cargos superiores do Ministrio e para a direo de servios relacionados

    explorao da grande propriedade agrcola e das indstrias rurais. mesma finalidade era

    destinado o curso de mdicos veterinrios em relao a essa rea (BRASIL, 1910).

  • 9

    Em 1930 funcionavam no Brasil vinte escolas agrcolas, dez com cursos de

    Agronomia, quatro com cursos de Veterinria e seis que ofereciam ambos os cursos

    (CALAZANS, 1979 conforme FRANCO, 1994, p. 67). Nesse perodo, como apontam Koller

    e Sobral (2010), a produo agropecuria no demandava a formao de tcnicos de nvel

    mdio apesar do aumento da necessidade de produo de alimentos para a populao das

    cidades. Segundo os autores, enquanto a formao tcnica urbana foi requerida de forma

    paralela ao desenvolvimento da industrializao, a formao agrotcnica teve sua emergncia

    a partir das dcadas de 1950 e 1960, impulsionada por fatores, como a modernizao na forma

    de produo agropecuria e o crescente grau de tecnificao dos produtores familiares ligados

    agroindstria, que revolucionaram a produo no meio rural brasileiro e, consequentemente,

    o ensino agrcola.

    Em 1946, houve a primeira regulamentao referente ao ensino agrcola por meio do

    Decreto-Lei n 9.613 (Lei Orgnica do Ensino Agrcola). Nele ficaram estabelecidas as bases

    de organizao e de regime desse ramo de ensino, em nvel de segundo grau (hoje

    correspondente ao ensino mdio), destinado especificamente [...] preparao profissional

    dos trabalhadores da agricultura (BRASIL, 1946).

    Os estabelecimentos destinados a ofertar o ensino agrcola, conforme o Decreto n

    9.613/1946, ficavam divididos em trs tipos: escolas de iniciao agrcola, para o curso de

    iniciao agrcola; escolas agrcolas, para os cursos de mestria agrcola e de iniciao

    agrcola; escolas agrotcnicas, para cursos agrcolas tcnicos, cursos agrcolas pedaggicos

    bem como para os cursos de mestria agrcola e de iniciao agrcola. Ao portador de diploma

    do curso agrcola tcnico era assegurada a possibilidade de ingresso em nvel superior em

    curso diretamente relacionado com o curso agrcola tcnico concludo, contando que fosse

    verificada a satisfao das condies de admisso determinadas pela legislao competente.

    Tal verificao era feita por meio dos exames de adaptao, assim apontando uma tmida e

    insuficiente aproximao entre o ensino propedutico (segundo ciclo cursos colegiais) que

    dava acesso ao nvel superior e os cursos profissionalizantes (tambm de segundo ciclo). Para

    Kuenzer (2007), essa medida reafirmava a dualidade estrutural entre a educao que se

    articula ao trabalho manual e ao intelectual, pois o acesso ao ensino superior se d pelo

    domnio dos contedos gerais, das cincias, das letras e das humanidades, o que para os

    egressos dos cursos profissionais s acontecia por meio de adaptao a um currculo que

    proporcionasse esses conhecimentos.

  • 10

    Em dezembro de 1961, entrou em vigor a Lei 4.024, fixando as Diretrizes e Bases da

    Educao Nacional, estruturando o ensino em trs graus primrio, mdio e superior. A partir

    da regulamentao, o ensino mdio era ministrado em dois ciclos, o ginasial e o colegial. O

    ensino mdio tambm abrangia os cursos secundrios, tcnicos e de formao de professores

    para o ensino primrio e pr-primrio. O ensino tcnico de grau mdio compreendia os cursos

    industrial, agrcola e comercial. Conforme Franco (1994), em decorrncia da normativa, as

    antigas escolas de iniciao agrcola, e as escolas agrcolas tiveram suas denominaes

    alteradas para ginsios agrcolas. Os ginsios passaram a ministrar as quatro sries do

    primeiro ciclo (ginasial) orientadas para o ensino agrcola e recebiam os alunos que haviam

    frequentado o curso primrio certificando o concluinte como mestre agrcola. As escolas

    agrotcnicas passaram denominao de colgios agrcolas e ministravam as trs sries do

    segundo ciclo (colegial), que conferia ao concluinte o diploma de tcnico em agricultura

    (FRANCO, 1994, p. 69-70). As denominaes desses estabelecimentos, para ginsios

    agrcolas, foram alteradas pelo Decreto n 53.558 de 1964.

    A articulao da educao profissional com os demais nveis de ensino para

    continuidade nos estudos se deu pela primeira vez na histria da educao brasileira a partir

    da Lei 4.024/1961, com a equivalncia entre os cursos propeduticos e os profissionalizantes

    (KUENZER, 1999; SANTOS, 2000). No obstante o avano, consoante Kuenzer,

    Embora se constitua um inequvoco avano, a equivalncia no supera a

    dualidade estrutural, posto que continuam a existir dois ramos distintos de

    ensino, para distintas clientelas, voltados para necessidades bem definidas da

    diviso do trabalho, de modo a formar trabalhadores instrumentais e

    intelectuais atravs de diferentes projetos pedaggicos. (KUENZER, 1999,

    p. 124).

    Segundo Koller e Sobral (2010), a partir das dcadas de 1950 e 1960 alguns fatores,

    como a Revoluo Verde1 e a teoria do capital humano

    2, revolucionaram o ensino agrcola no

    1 Termo referente ao conjunto de determinantes que transformou a produo agrcola tradicional para a

    industrial, e que incorporou tecnologias modernas na agricultura, visando ao aumento da produo e da

    produtividade. 2 Teoria que tem como seu principal formulador Theodore Schultz. Ao tentar-se explicar os ganhos de

    produtividade gerados pelo fator humano na produo, percebeu-se que o trabalho humano qualificado mediante

    a educao ampliava a produtividade econmica. Na esfera da educao gerou uma perspectiva tecnicista sobre

    o ensino e organizao da educao. Sob essa perspectiva disseminou-se a ideia de que a educao pressuposto

    do desenvolvimento econmico e do desenvolvimento do indivduo, que, ao educar-se estaria valorizando a si

    mesmo, na mesma lgica em que o capital valorizado. O capital humano deslocou para o mbito individual os

    problemas da insero social, do emprego e do desempenho profissional, fazendo da educao um valor

    econmico, equiparando capital e trabalho como se fossem ambos igualmente fatores de produo. Alm disso,

    legitima a ideia de que os investimentos em educao sejam determinados pelos critrios do investimento

    capitalista, uma vez que a produo considerada o fator econmico essencial para o desenvolvimento. Conceito

  • 11

    Brasil. O primeiro por estabelecer um novo padro tecnolgico no campo que demandava

    difuso de uma nova forma de produo agropecuria; e o segundo por ter influenciado tanto

    na elaborao de polticas educacionais, mormente as voltadas para a orientao do

    tecnicismo educacional, quanto para orientar a proposta de modernizao da agricultura. O

    processo de transformao tecnolgica do campo, nesse perodo, para os autores, foi o

    responsvel pela criao da maioria das escolas agrotcnicas federais no pas, a partir de

    quando a formao tcnica de nvel mdio se consolidou.

    A transformao tecnolgica causou uma nova forma de produo agropecuria,

    requerendo um profissional tcnico em agropecuria que poderia agir na difuso de

    tecnologia. Na dcada de 1960, assinala Franco (1994), as escolas agrotcnicas buscaram

    ajustar-se s necessidades consequentes do surgimento de grandes empresas e de

    conglomerados industriais voltados ao desenvolvimento de tecnologias agrcolas.

    Durante o governo militar, em 1971, a Lei 5.692 tornou compulsria a habilitao

    profissional para todos os que cursassem o nvel que passou a denominar-se 2 grau (hoje

    ensino mdio), acabando com a equivalncia entre o propedutico e o ramo secundrio. Essa

    medida, entende Kuenzer (2007, p. 18), denota pela primeira vez a educao para o trabalho

    como inteno explcita e aponta alguns objetivos na proposta, como o de conter a demanda

    de estudantes para o nvel superior, a despolitizao do ensino secundrio mediante um

    currculo tecnicista e a preparao de fora de trabalho qualificada para atender o mercado,

    tendo em vista a impulso do desenvolvimento econmico na poca. No entanto, conforme a

    autora, um avano significativo o fato de o texto legal no incorporar a dualidade estrutural,

    oferecendo um modelo que incorpora e supera o sentido da equivalncia da legislao

    anterior, dado que estabelece no a equivalncia de ramos distintos, mas o profissionalizante

    como um nico ramo para todos (p. 21).

    Foi com base na Lei 5.692/1971 que se definiu nova poltica para o ensino tcnico

    agrcola, por meio do Decreto 72.434 de 1973 que criou a Coordenao Nacional do Ensino

    Agrcola Coagri3, com a finalidade, expressa em seu artigo 1, [...] de proporcionar,

    assistncia tcnica e financeira a estabelecimentos especializados em ensino agrcola.

    Mediante essa regulamentao, foi dada Coagri autonomia administrativa e

    financeira que possibilitou a melhoria das escolas e consequentemente revigorou o ensino

    agropecurio. Por meio desse rgo as escolas foram ampliadas, reformadas e equipadas com

    elaborado por Lalo Watanabe Minto, como verbete para o glossrio da HISTEDBR da Faculdade de educao da

    Universidade Estadual de Campinas. Disponvel em: . 3 Pelo Decreto n 93.613 de 1986 foi extinta a Coagri e criada a Secretaria de Ensino de Segundo Grau, a qual

    assumiu a coordenao do ensino agrcola.

  • 12

    laboratrios, unidades educativas de produo, quadras de esporte, bibliotecas e salas de aula.

    Houve regularizao das terras nos locais onde as escolas estavam fixadas, e a adoo da

    metodologia do Sistema Escola-Fazenda4 por todas as escolas da rede de ensino agrcola.

    O Sistema Escola-Fazenda, conforme Sobral (2004), tem por objetivo proporcionar

    condies para a efetividade do processo ensino/produo, bem como patrocinar a vivncia da

    realidade social e econmica da comunidade rural, fazendo do trabalho um elemento

    integrante do processo de ensino e aprendizagem, visando conciliar educao, trabalho e

    produo. Tal metodologia, ainda vivenciada hoje nos cursos de ensino agrcola de nvel

    mdio, nos Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia. O autor pondera sobre o

    fato de as atividades desenvolvidas por meio dessa metodologia exprimirem a teoria

    educacional baseada na pedagogia tecnicista predominante na poca.

    A pedagogia tecnicista, concebida a partir da teoria do capital humano, conforme

    Kuenzer e Machado (1982), surgiu no Brasil no momento de consolidao da fase

    monopolista do desenvolvimento capitalista, no final da dcada de 1960, como uma das

    solues para a baixa produtividade do sistema escolar que dificultava o desenvolvimento

    econmico. A tecnologia educacional, com base no modelo de organizao do sistema

    empresarial, consolidou-se ao transpor para o sistema de ensino esse modelo, a fim de

    reordenar o sistema educacional, baseando-se nos princpios da racionalidade, eficincia e

    produtividade; e bem servia para a formao de mo de obra que atendesse o modelo de

    desenvolvimento premente na poca.

    A perspectiva apresentada por Franco (1994; tambm referenciada por KOLLER;

    SOBRAL, 2010), de que as aes da Coagri se ajustaram conforme as prioridades

    econmicas e sociais estabelecidas no III Plano Nacional de Desenvolvimento e as diretrizes

    estabelecidas pelo III Plano Setorial de Educao, Cultura e Desporto para o perodo de 1980

    4 A metodologia do Sistema Escola-Fazenda teve sua origem no Colgio Agrcola Estadual de Presidente

    Prudente (estado de So Paulo), em 1961, cujo modelo organizacional se compunha de: a) uma escola-fazenda uma rea de terra da escola agrcola destinada produo Unidades Educativas de Produo, onde os alunos poderiam produzir os alimentos que consumiam e trabalhavam para aprender a produzir; b) programa agrcola

    orientado, constitudo por projetos de responsabilidade dos alunos, desenvolvidos em reas destinadas para esse

    fim; c) salas para aulas de educao geral e de formao tcnica; d) cooperativa, que era importante dispositivo

    do sistema destinado ao fornecimento dos insumos de produo para os projetos da escola, dos alunos e

    comercializao dos produtos agropecurios, funcionando dentro dos princpios de cooperao e auxilio mtuo.

    Em 1972, o Centro Nacional de Aperfeioamento de Pessoal para a Formao Profissional, com apoio do

    Departamento de Ensino Mdio do MEC, publicou um Manual sobre EscolaFazenda, cujos objetivos assim foram dispostos: formar os educandos de forma que vivenciem situaes reais; despertar-lhes interesse pela

    agropecuria; convenc-los de que agropecuria indstria de produo; oferecer-lhes oportunidades de

    iniciarem e se estabelecerem em um negcio agropecurio; ampliar a abrangncia da ao educativa do

    estabelecimento pela extenso rural aos agricultores circunvizinhos e jovens rurcolas proporcionando-lhes

    conhecimento das prticas agropecurias recomendveis; despertar nos educandos o esprito de cooperao e

    auxlio mtuo. Esse sistema expandiu-se por toda a rede de ensino agrcola. (TAVARES, 2007).

  • 13

    1985. Ao analisar as linhas norteadoras para as metas dos planos governamentais, a autora

    percebe preocupaes que demonstraram compromisso da escola tanto com a formao do

    tcnico especializado, como com a formao poltica do educando, que, por meio da atuao e

    participao, poderia colocar seu saber e ao a servio de mudanas da organizao social

    (FRANCO, 1994, p.71-72). Corroboram, nesse sentido, Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005) no

    entendimento de que os esforos empreendidos nas polticas educacionais, nesse perodo,

    sinalizavam a formao profissional integrada formao geral nos seus mltiplos aspectos

    humansticos e cientfico-tecnolgicos.

    Em 1978, com a Lei n 6.545, trs Escolas Tcnicas Federais (Paran, Minas Gerais e

    Rio de Janeiro) so transformadas em Centros Federais de Educao Tecnolgica Cefets,

    mudana que lhes confere, dentre outras atribuies as de formar engenheiros de operao e

    tecnlogos, processo esse que se estende s outras instituies posteriormente. Esse seria o

    caminho para a transformao do que se tornaria a Rede Federal de Educao Profissional e

    Tecnolgica, uma vez que o caso dessas escolas suscitou em outras o mesmo desejo,

    tornando-se fato a transformao de vrias Escolas Tcnicas e Agrotcnicas em Cefets.

    As escolas agrcolas, por meio do Decreto n 83.935 de 1979, tiveram sua

    denominao alterada para Escolas Agrotcnicas Federais, juntamente com o nome da cidade

    em que se localiza o estabelecimento; e so transformadas em autarquias pela Lei n 8.731 de

    1993, que lhes outorga autonomia administrativa, patrimonial, financeira e disciplinar.

    Novas transformaes perpassaram a educao profissional com a Lei 9.394 de

    Diretrizes e Bases da Educao Nacional de 1996. Nessa regulamentao a educao

    profissional, antes compulsria, desvinculada do ensino bsico (composto pela educao

    infantil, ensino fundamental e ensino mdio). A educao profissional tratada na referida

    Lei, em seu artigo 39, como aquela que [...] integrada s diferentes formas de educao, ao

    trabalho, cincia e tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptides para a

    vida produtiva. E o pargrafo nico desse artigo d ao egresso ou aluno matriculado no

    ensino fundamental, mdio ou superior e trabalhadores em geral, sejam jovens ou adultos, a

    possibilidade de acesso educao profissional, configurando, portanto, a educao

    profissional como uma modalidade parte do ensino mdio. As disposies da Lei

    9.394/1996 referentes educao profissional foram regulamentadas pelo Decreto

    2.208/1997.

    O Decreto 2.208/1997 regulamenta o 2 do art. 36 e os artigos 39 a 42 da Lei

    9.394/1996. Dentre outras disposies, esta lei confere educao profissional os objetivos de

  • 14

    promover a transio entre a escola e o mundo do trabalho, capacitando jovens e adultos com

    conhecimentos e habilidades gerais e especficas para o exerccio de atividades produtivas;

    proporcionar a formao de profissionais, aptos a exercerem atividades especficas no

    trabalho, com escolaridade correspondente aos nveis mdio, superior e de ps-graduao;

    especializar, aperfeioar e atualizar o trabalhador em seus conhecimentos tecnolgicos;

    qualificar, reprofissionalizar e atualizar jovens e adultos trabalhadores, com qualquer nvel de

    escolaridade, visando a sua insero e melhor desempenho no exerccio do trabalho.

    O Decreto dispe que a educao profissional deve ser desenvolvida em articulao

    com o ensino regular ou modalidades que contemplem estratgias de educao continuada,

    realizada em escolas do ensino regular, em instituies especializadas ou nos ambientes de

    trabalho; alm de estabelecer os nveis de ensino bsico, para qualificao e

    reprofissionalizao de trabalhadores, de forma independente de escolaridade prvia; tcnico

    para habilitao profissional de alunos matriculados egressos do ensino mdio; e tecnolgico,

    com cursos de nvel superior na rea tecnolgica para egressos do ensino mdio e tcnico

    (BRASIL, 1997).

    Assim, a reforma da educao profissional instituda pelo Decreto 2.208/1997, trouxe

    relevantes modificaes para o ensino profissional de nvel mdio, posto que promoveu a

    separao entre a formao geral e a formao tcnica. Os cursos tcnicos passaram a ser

    oferecidos em concomitncia ao ensino mdio, possibilitando ao aluno a realizao tanto do

    ensino mdio quanto do tcnico, porm com currculos e matrculas distintas, na mesma

    instituio como concomitncia interna, ou como concomitncia externa, em outra instituio.

    Alm disso, houve a reestruturao curricular dos cursos por meio de mdulos

    profissionalizantes, de carter terminal, mediante os quais se recebia o certificado de

    qualificao profissional. Outro aspecto trazido pela reforma, que sofreu influncia do

    contexto neoliberal e sob o qual foi concebida a reforma, foi a substituio da noo de

    qualificao pela de competncias nas escolas de ensino profissional.

    Quanto instituio do nvel tecnolgico como nvel superior da educao

    profissional; pelo Decreto n 2.208/1997, associado imposio de separar os ensinos mdio

    e tcnico, Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005) afirmam que a medida proporcionou a

    transformao das Escolas Tcnicas Federais em Cefets. Para eles os cursos superiores de

    tecnologia passaram a exercer o papel dos antigos cursos tcnicos de nvel mdio, enquanto

    ao nvel tcnico coube a funo de formar operrios qualificados. Ainda na concepo dos

    autores, as mudanas da base tcnica da produo e com os novos modelos de gesto do

  • 15

    trabalho, os nveis tcnico e tecnolgico da educao profissional destinavam-se a formar,

    respectivamente, operrios (com o ttulo de tcnicos) e tcnicos (com o ttulo de tecnlogos)

    para o trabalho complexo, cabendo ao nvel bsico a formao de operrios para o trabalho

    simples, sendo esse processo resultante da necessidade de se elevar a escolaridade mnima de

    todos os trabalhadores.

    Em anlise s disposies do Decreto n 2.208/1997, Frigotto, Ciavatta e Ramos

    (2005) compreendem que, alm de aliviar a presso sobre o nvel superior, os cursos de

    formao de tecnlogos se reservam a formar profissionais de nvel intermedirio entre os

    engenheiros, voltados para tarefas de concepo e planejamento; e operrios tcnicos, para

    atividades de execuo, assim atingindo os objetivos recomendados aos pases de economia

    dependente e consumidor de tecnologias importadas. Esses objetivos eram a poltica de

    capacitao de massa, barateamento dos custos profissionalizantes, adequao e atendimento

    s necessidades do mercado de trabalho, criao de caminhos alternativos s universidades, e

    a proviso da camada de tcnicos adequados necessria ao processo de reestruturao

    produtiva.

    Manfredi (2002) aponta as consequncias da regulamentao e ainda analisa a

    intencionalidade

    [...] o desmembramento dos dois tipos de ensino recriar, necessariamente, a

    coexistncia de redes de ensino separadas, que funcionaro com base em

    premissas distintas: o sistema regular com uma perspectiva de preparao

    para a continuidade dos estudos em nvel universitrio, e o sistema

    profissional ancorado lgica do mercado. A ampliao da rede de ensino

    mdio de formao mais generalista funcionaria, tambm, como um freio

    para o ingresso no mercado formal de trabalho, atuando como um

    mecanismo compensatrio e regulador de tenses sociais, j que os empregos que exigem maior qualificao tcnica tendem a ficar restritos, por

    causa dos processos de reorganizao em curso, a reduzida parcela da

    populao. (MANFREDI, 2002, p.135).

    O texto elaborado pelo Ministrio da Educao, em comemorao ao centenrio da

    Rede Federal de Educao Profissional Cientfica e Tecnolgica, contraditoriamente, refere-se

    Lei 9.394/1996 como

    [...] a que dispe sobre a Educao Profissional num captulo separado da

    Educao Bsica, superando enfoques de assistencialismo e de preconceito

    social contido nas primeiras legislaes de educao profissional do pas,

    fazendo uma interveno social crtica e qualificada para tornar-se um

    mecanismo para favorecer a incluso social e democratizao dos bens

    sociais de uma sociedade. (BRASIL, 2008c, p. 5).

  • 16

    Diante das novas demandas do mundo do trabalho na composio que configurou o

    neoliberalismo no final do sculo XX, a reforma da educao (Lei 9.394/1996 e Decreto

    2.208/1997), mostrou-se contraditria tanto aos avanos cientficos e tecnolgicos trazidos

    pela nova era em que o mundo capitalista tentava recompor-se de uma crise, como aos

    avanos das propostas nas Leis 4.024/1961 e 5.692/1971.

    Conforme Kuenzer (1999), a equivalncia entre cursos de nvel mdio, gerais e

    profissionais desaparece a partir da reforma, ao determinar que a continuidade dos estudos

    depende da concluso do ensino mdio e os novos cursos profissionais no exigem prvia

    escolaridade para realizao de cursos de nvel mdio e bsico. Para ela, a medida

    conservadora, pois, enquanto recoloca a dimenso do conhecimento necessrio ao trabalhador

    nos moldes da concepo taylorista/fordista5 que valoriza o saber prtico para o trabalho e

    despreza o saber acadmico, contrape-se compreenso contempornea que, mediante a

    incorporao da cincia no mundo do trabalho e das relaes sociais, apresenta [...] a

    indissocivel articulao entre cincia, cultura e trabalho, entre pensar e fazer, entre refletir e

    agir (KUENZER, 1999, p. 135).

    Para entendermos o contexto que originou a reforma da educao e as diretrizes que a

    conceberam, necessrio retrocedermos em alguns fatores histricos e vieses econmicos que

    influenciaram o cenrio mundial em mltiplas dimenses, sobretudo as polticas e sociais.

    O segundo perodo ps-guerra foi marcado por grande desenvolvimento capitalista,

    mediante a confluncia entre os interesses capitalistas e a ao e forte presena Estatal no

    processo econmico e social, o perodo de ascenso do Estado de Bem-Estar Social6 dos

    pases capitalistas centrais (RODRIGUES, 1999). Esse sistema se caracterizou pela

    interveno do Estado na dinmica social, garantindo aos indivduos direitos sociais e

    proporcionando-lhes, a partir do apoio economia em pleno crescimento (fundamentada no

    5 Taylorismo e fordismo foram dois modelos de organizao da produo industrial no incio do sculo XX,

    elaborados por norte-americanos Frederick Taylor e Henry Ford. O modelo taylorista abrange um sistema de normas voltadas para o controle dos movimentos do homem e da mquina no processo de produo, incluindo

    propostas de pagamento de prmios e remunerao extras pelo bom desempenho do operrio. O modelo fordista

    consiste de um conjunto de mtodos de racionalizao da produo baseado no princpio de que uma empresa

    deve dedicar-se apenas a produzir um tipo de produto. A produo feita em massa e com tecnologia para

    desenvolver ao mximo a produtividade de cada trabalhador, de maneira altamente especializada, por meio da

    diviso tcnica do trabalho. A alta produtividade, nesse modelo, garantida por boa remunerao e jornadas de

    trabalho no muito longas. (SANDRONI, 1999, p. 249, 592). 6 Sistema econmico baseado na livre-empresa, mas com acentuada participao do Estado na promoo de

    benefcios sociais. Seu objetivo proporcionar ao conjunto dos cidados padres de vida mnimos, desenvolver a

    produo de bens e servios sociais, controlar o ciclo econmico e ajustar o total da produo, considerando os

    custos e as rendas sociais. No se trata de uma economia estatizada; enquanto as empresas particulares ficam

    responsveis pelo incremento e realizao da produo, cabe ao Estado a aplicao de uma progressiva poltica

    fiscal, de modo a possibilitar a execuo de programas de moradia, sade, educao, previdncia social, seguro-

    desemprego e, acima de tudo, garantir uma poltica de pleno emprego. (SANDRONI, 1999, p.220).

  • 17

    modelo de produo taylorista/fordista) salrios indiretos, visando ao aumento de poder de

    consumo dos trabalhadores para alimentar o sistema capitalista. Em referncia a Ominami,

    Rodrigues (1999, p. 7)7 ilustra essa questo apontando que a convergncia da acumulao

    intensiva de capital e da regulao monopolista possibilitou a movimentao de um crculo

    virtuoso em que os ganhos de produtividade e os aumentos de salrios diretos e indiretos reais

    se alimentaram em reciprocidade.

    Na dcada de 1970 o modelo baseado na regulamentao estatal j em crise abre

    espao para o neoliberalismo, um novo padro de gesto econmica e reestruturao

    produtiva, que determinou a transferncia do capital ao mercado financeiro e reduziu a

    interveno do Estado no mercado.

    O Estado que garantia o bem-estar social, sob a ordem neoliberal enfatiza, para

    Marrach (1996), mais os direitos do consumidor e contesta a participao do estado no apoio

    aos direitos sociais. Ao se referir ao discurso neoliberal na educao, a autora assinala que

    esta deixa de ser parte do campo social e poltico para ingressar na lgica do mercado,

    segundo uma retrica que lhe atribui papel estratgico e a submete preparao para o

    trabalho.

    O cenrio da educao pblica brasileira, ento, foi reorganizado segundo as

    imposies da nova configurao do modelo de acumulao flexvel8. A nova forma de

    organizao da produo trouxe profundas mudanas, cujos desdobramentos provocaram uma

    srie de transformaes no mundo do trabalho. A demanda pela intensificao do emprego de

    conhecimento cientfico e tecnolgico no processo produtivo, a cincia e a tecnologia,

    7 OMINAMI, 1986 apud RODRIGUES, 1999, p. 7.

    8 O modelo de produo japons (toyotismo) foi concebido sob a perspectiva da mecanizao flexvel, com

    inovao tecnolgica de forma a possibilitar a produo de variados modelos ou tipos com os mesmos

    equipamentos a fim de produzir apenas o necessrio demanda do mercado; caracterizando-se pela

    multifuncionalidade dos trabalhadores; controle do processo de produo e da fora de trabalho. Essa

    reestruturao trouxe profundas alteraes nas relaes de produo e de trabalho diante da crise dos anos 1970.

    Em relao produo o modelo japons define-se por fatores, segundo Siqueira (2009), intrinsecamente

    relacionados condio histrica ps-moderna, como produo, troca e circulao de mercadorias de forma

    globalizada; rotatividade da produo e do consumo veloz, com pequenos lotes, variedade de tipos de produto e

    sem estoques; a disperso geogrfica da produo, atravs de mudana na estrutura ocupacional, disperso do

    trabalho, com os empregos temporrios, de tempo parcial e a terceirizao; da disperso do monoplio, num

    amplo conjunto de produo desterritorializada. Sob o ponto de vista poltico o Estado tambm se flexibilizou,

    apresentando-se menos regulador, contrapondo-se ao Estado de bem-estar social, e submetido lgica

    neoliberal, tendo como consequncia, dentre outras, a subjugao da fora de trabalho a um mercado saturado.

    Esse padro foi denominado por Harvey (2007, p. 140) de acumulao flexvel por se apoiar na flexibilidade dos

    processos e dos mercados de trabalho, dos produtos e padres de consumo, caracterizando-se pelo surgimento de

    novos setores de produo, inovao comercial, tecnolgica e organizacional. Essa reorganizao produtiva

    implicou em alto nvel de desemprego estrutural, salrios modestos, com reduo do poder de compra, e com

    grande impacto sobre o poder sindical. O que Harvey chamou de compresso espao-tempo possibilitou,

    mediante as tecnologias de comunicao, interdependncias econmicas em nvel mundial, levando o capital ao

    escopo transnacional.

  • 18

    incorporadas aos equipamentos no modo de produo taylorista/fordista, passavam a partir de

    ento a requerer domnio de novos conhecimentos e saberes. Segundo Kuenzer (1999), a

    partir da

    [...] as palavras de ordem so qualidade e competitividade. O novo discurso

    refere-se a um trabalhador de novo tipo, para todos os setores da economia,

    com capacidades intelectuais que lhe permitam adaptar-se produo

    flexvel. Dentre elas, algumas merecem destaque: a capacidade de

    comunicar-se adequadamente, atravs do domnio dos cdigos e linguagens

    incorporando, alm da lngua portuguesa, a lngua estrangeira e as novas

    formas traduzidas pela semitica; a autonomia intelectual, para resolver

    problemas prticos utilizando os conhecimentos cientficos, buscando

    aperfeioar-se continuamente; a autonomia moral, atravs da capacidade de

    enfrentar as novas situaes que exigem posicionamento tico; finalmente, a

    capacidade de comprometer-se com o trabalho, entendido em sua forma mais

    ampla de construo do homem da sociedade, atravs da responsabilidade,

    da crtica, da criatividade. (KUENZER, 1999, p.129).

    Dado a necessidade de entendermos sob qual lgica as polticas educacionais se

    fundamentam na era tecnolgica para a formao necessria reportamo-nos concepo de

    Gentili (2008) sobre a desintegrao da promessa integradora de uma educao inclusiva.

    Conforme o autor o desenvolvimento capitalista do sculo XX colocou os sistemas

    educacionais sob a perspectiva de um dispositivo de integrao social. A natureza integradora

    da escola foi difundida a partir da teoria do capital humano, que concebeu a educao como a

    que possibilitaria um grande impacto na economia, assim contribuindo a escola para

    integrao econmica da sociedade e das pessoas. A promessa integradora da escolaridade

    fundamentava-se na definio de estratgias para criao de condies educacionais do

    mercado de trabalho em expanso, a fim de atingir o pleno emprego, formando o contingente

    da fora de trabalho que se incorporaria no mercado, causando aumento progressivo da

    riqueza social e da renda individual. A crise dos anos 70 rompeu com essas condies e

    causou a desintegrao da promessa. Em anlise a essa integrao o autor coloca:

    [... ] Passou-se de uma lgica, da integrao em funo de necessidades e

    demandas de carter coletivo (a economia nacional, a competitividade das

    empresas, a riqueza social, etc.), a uma lgica econmica estritamente

    privada e guiada pela nfase nas capacidades e competncias que cada

    pessoa deve adquirir no mercado educacional para atingir melhor posio no

    mercado de trabalho. Morta definitivamente a promessa do pleno emprego,

    restar ao indivduo (e no ao Estado, s instncias de planejamento ou s

    empresas) definir suas prprias opes, suas prprias escolhas que permitam

    (ou no) conquistar uma posio mais competitiva no mercado de trabalho.

    A desintegrao da promessa integradora deixar lugar difuso de uma

    nova promessa, agora sim, de carter estritamente privado: a promessa da

    empregabilidade. (GENTILI, 2008, p. 81).

  • 19

    Fundamentados nas consideraes de Gentili (2008), compreendemos que a

    qualificao profissional, a competncia focada no indivduo, entendidas como passaporte

    para o emprego, tm responsabilidade delegada educao e, mediante o discurso ideolgico9

    neoliberal, a culpa pelo desemprego estrutural atribuda desqualificao do trabalhador

    que no consegue se inserir no mercado de trabalho. Foi nesse cenrio de mudanas que o

    conceito de qualificao foi reconfigurado pela noo de competncia.

    O modo de produo fordista/taylorista que proporcionou o grande crescimento

    capitalista em meados do sculo XX, tornou a fora de trabalho qualificada e a valorizao

    dessa qualificao coerente com a situao econmica favorvel que buscava rumar-se ao

    pleno emprego. Segundo Paiva (2008) havia uma conexo entre escolarizao, prestgio social

    e renda, ou seja, a escolarizao encontrava sua correspondncia no trabalho assalariado no

    qual o status social e profissional estava inscrito nos salrios e no respeito simblico atribudo

    pela sociedade a carreiras de longa durao (p. 56).

    Sobre a transio da qualificao para a noo de competncia, Paiva (2008) atenta-

    nos para o fato de que o conceito da primeira em relao experincia do passado no

    coincide e colide com a noo de competncia, pois, indivduos altamente qualificados

    possuem certo tipo de experincia profissional que inclui direitos, prticas reivindicatrias e

    vantagens que vm sendo eliminadas e, nesse contexto, a empregabilidade era um conceito ao

    qual no se precisava apelar. Sob o novo ngulo o da competncia do qual a

    empregabilidade entendida, a autora percebe uma construo social mais complexa,

    enquanto se descola das instituies formais e da experincia adquirida para considerar

    caractersticas pessoais e subjetivas e para dar maior dimenso no apenas a aspectos

    tcnicos, mas socializao. Paiva (2008) alerta que as competncias no diferem da

    qualificao por terem sentido menos amplo, mas por considerarem mais estritamente, por um

    lado, as necessidades do capital; e por outro lado uma preparao adequada aos novos tempos

    que demandam o encontro de alternativas ao desemprego. Nesse sentido, a autora afirma que

    virtudes pessoais, como parte das competncias, so acionadas em escala

    9 Sobre ideologia, Chaui (1989) esclarece: [...] alm de procurar fixar seu modo de sociabilidade atravs de

    instituies determinadas, os homens produzem idias ou representaes pelas quais procuram explicar e

    compreender sua prpria vida individual, social, suas relaes com a natureza e com o sobrenatural. Essas idias

    ou representaes, no entanto, tendero a esconder dos homens o modo real como suas relaes sociais foram

    produzidas e a origem das formas sociais de explorao econmica e de dominao poltica. Esse ocultamento da

    realidade social chama-se ideologia. Por seu intermdio, os homens legitimam as condies sociais de

    explorao e de dominao, fazendo com que paream verdadeiras e justas. Enfim, tambm um aspecto

    fundamental da existncia histrica dos homens a ao pela qual podem ou reproduzir as relaes sociais

    existentes, ou transform-las, seja de maneira radical (quando fazem uma revoluo), seja de maneira parcial

    (quando fazem reformas). (CHAUI, 1989, p.21).

  • 20

    incomensuravelmente maior que quando se tratava de qualificao, mensurvel por

    mecanismos mais objetivos, pois naquele momento emprego e incluso no dependiam tanto

    do capital cultural e social dos indivduos (PAIVA, 2008, p. 60).

    A partir da Lei 9.394/1996, do Decreto 2.208/1997, do Parecer 16/1999 da Cmara de

    Educao Bsica do Conselho Nacional de Educao que dispe sobre as Diretrizes

    Curriculares Nacionais da Educao Profissional de Nvel Tcnico e os Referenciais

    Curriculares Nacionais da Educao Profissional de Nvel Tcnico ( BRASIL, 2000) deu-se a

    reforma da educao profissional. A reforma imps s escolas de ensino profissional uma

    organizao curricular fundamentada na noo de competncias a serem desenvolvidas / nos

    SABERES (saber, saber fazer e saber ser) a serem construdos (BRASIL, 2000, p. 11, grifo

    do documento original).

    Ramos (2002), cujas percepes semelham s de Gentili (2008) e Paiva (2008) quanto

    ao carter social, poltico e econmico das implicncias da noo de competncia ao mundo

    do trabalho, faz uma anlise da pedagogia das competncias incorporada na educao

    profissional a partir da reforma. De acordo com a autora, a noo de competncia surgiu em

    virtude do enfraquecimento conceitual e social da qualificao em benefcio da dimenso

    experimental, que fundamenta a noo de competncia apoiada na psicologia, enfatizando

    atributos subjetivos mobilizados no trabalho, sob a forma de capacidades cognitivas,

    socioafetivas e psicomotoras.

    A dimenso experimental, na qual se escrevem os conceitos e o conjunto de saberes

    postos em jogo na realizao do trabalho, conforme Ramos (2002), destaca as competncias

    demonstradas por meio da ao, na experincia concreta de trabalho, em cujo princpio, se

    apoiaram as Diretrizes e os Referenciais Curriculares Nacionais da Educao Profissional de

    Nvel Tcnico. Nesse sentido, para levar a cabo o desenvolvimento das competncias houve a

    orientao de uma proposta pedaggica que priorizou uma abordagem metodolgica baseada

    em projetos ou resoluo de problemas. Para a autora, trata-se de uma prtica pedaggica

    fundamentada no pensamento piagetiano (de que a construo do conhecimento se d

    mediante aes fsicas ou mentais sobre objetos) de modo a propiciar o exerccio contnuo e

    de maneira contextualizada dos processos de mobilizao e aplicao dos saberes, mediante

    esquemas mentais, que no pressupem conhecimento ou aquisio anterior de conceitos.

    Ramos (2002, p. 412), em sua anlise, aponta os problemas que percebeu nas

    orientaes oficiais para os currculos da educao profissional de nvel tcnico: a) reduzem

    as competncias profissionais a atividades; b) reduzem a natureza do conhecimento ao

  • 21

    desempenho que pode provocar; c) consideram a justaposio de comportamentos

    elementares, cuja aquisio obedeceria a um processo cumulativo, como a atividade

    profissional competente; d) colocam em primeiro plano os comportamentos e desempenhos,

    entendidos como contedos da capacidade, em detrimento dos processos de aprendizagem.

    Concebendo que as orientaes para os currculos se fundamentaram no princpio de que os

    saberes so construdos pela ao, a autora, apoiada em Vygotsky10

    afirma que a ao no

    deve se sobrepor aos conceitos devido natureza prtica da atividade profissional. Para ela a

    apreenso e a construo dos conceitos cientficos nos quais essas prticas se fundamentam

    so essenciais tanto para a realizao eficiente de tarefas especficas, para as decises

    necessrias face aos eventos, para as proposies e transformaes criativas e criadoras, como

    para outras possibilidades caractersticas do agir competente. Assim, Ramos (2002) entende

    que a aprendizagem significativa no se processa pela primazia da ao, mas medida que o

    pensamento trabalha com conceitos, no movimento de compreender a essncia dos fenmenos

    e ultrapassar o senso comum (p. 419).

    O cenrio poltico e econmico de crise no final do ltimo sculo, sem dvida marcou

    a educao brasileira. Nesse contexto histrico, econmico, poltico e social foi criada a

    Escola Agrotcnica Federal de Ceres EAFCe (em 1993), com sua primeira turma de

    estudantes, em 1995, concluintes em 1997. Dessa forma, essa instituio, implantada sob as

    prescries da Lei 5.692/1971, e em fase de estruturao, experimentou grandes mudanas,

    mediante a reforma da educao profissional com a Lei 9.394/1996 e o Decreto 2.208/1997,

    bem como com a reestruturao curricular dos cursos, a partir dos Referenciais Curriculares

    Nacionais da Educao Profissional de Nvel Tcnico de 2000 RCNs/2000. Em razo das

    implicncias do ensino por competncias no processo de ensino e aprendizagem, a fim de

    anlises posteriores, importa-nos mencionar que as orientaes norteadoras dos princpios

    metodolgicos nos RCNs/2000 so evidenciadas em seu Plano de Desenvolvimento

    Institucional PDI, para o perodo de 2009 2013, sob o item Plano de atendimento s

    diretrizes pedaggicas, assim disposto:

    A organizao dos currculos est baseada no conceito de competncias e habilidades. As competncias envolvem a dimenso cognitiva por meio dos conhecimentos e do saber. As habilidades englobam a dimenso prtica,

    ou seja, o saber fazer. Tambm deve ser considerada a dimenso socioafetiva para o desenvolvimento de valores e de atitudes, ou o saber ser. As metodologias devero contribuir para que os alunos construam

    10

    Vygotsky (1989) citado por Ramos (2002).

  • 22

    competncia para responder s propostas ou aos desafios concretamente

    enfrentados em um contexto social globalizado. (BRASIL, 2009, p. 50).

    Em 1999, com a retomada do processo de transformao das Escolas Tcnicas e

    Agrotcnicas Federais em Cefets, iniciado em 1978, embora tenha vislumbrado essa

    transformao, a EAFCe continuou como escola agrotcnica. No obstante seus poucos anos

    de existncia, novas imposies legais marcaram sua trajetria a partir do Decreto 5.154/2004

    e da Lei 11.892/2008, que lhe outorgou nova institucionalidade, sobre a qual abordamos

    posteriormente, neste texto.

    Estudiosos intelectuais, inseridos no cenrio da educao brasileira, impulsionados

    pelas consequncias da concepo neoliberal sobre a educao no pas, diante de uma

    possvel nova perspectiva, a partir da eleio do governo Lus Incio Lula da Silva em 2003,

    se empenharam para a promoo de debates sobre a educao profissional, dos quais resultou

    o Decreto 5.154/2004.

    Este Decreto regulamenta o 2 do art. 36 e os artigos 39 a 41 da Lei de diretrizes e

    bases da educao 9.394/1996. Ele mantm as articulaes entre o ensino mdio e a educao

    profissional de nvel tcnico nas formas subsequente e concomitante existente na reforma

    anterior, e apresenta a modalidade de ensino mdio integrado educao profissional, na qual

    o aluno tem a possibilidade de realizar o ensino mdio e o tcnico profissionalizante em um

    mesmo curso, sob matrcula nica.

    A despeito da insero da modalidade do ensino mdio integrado, incorporado devido

    s discusses que se antecederam ao referido Decreto, na concepo de Frigotto, Ciavatta e

    Ramos (2005), a aprovao do Decreto 5.154/2004, no mudou a desconstruo produzida na

    dcada de 1990, uma vez que, apenas formalmente, tentou restabelecer as condies jurdicas,

    polticas e institucionais que se queria assegurar na disputa da Lei de diretrizes e bases da

    educao na dcada de 1980. Segundo os autores, os debates, na poca, propunham uma

    formao bsica concebida para a superao da dualidade entre cultura geral e cultura tcnica,

    introduzindo no contexto da educao brasileira o conceito da politecnia11

    . A partir do

    11

    Saviani nos conduz s bases que levaram concepo do termo, ao estabelecer que o domnio de

    conhecimentos bsicos concernentes s cincias naturais e sociais so pr-requisitos para a compreenso do

    mundo em que vivemos e ainda para entender a incorporao pelo trabalho, dos conhecimentos cientficos nas

    dimenses da vida e da sociedade. No ensino mdio, ento, segundo o autor, a relao entre educao e trabalho,

    entre o conhecimento e atividade prtica deve ser tratada explcita e diretamente recuperando a relao entre o

    conhecimento e a prtica do trabalho. Deve-se explicitar como a cincia, o conhecimento que potncia

    espiritual se converte em material no processo de produo, envolvendo o domnio terico e prtico sobre o

    modo como o saber se articula com o processo produtivo. O termo se refere especializao como domnio dos

    fundamentos cientficos das diferentes tcnicas utilizadas na produo moderna. Sob essa perspectiva, a

    educao de nvel mdio tratar de concentrar-se nas modalidades fundamentais que do base multiplicidade

  • 23

    referido Decreto, dependendo do sentido em que a disputa poltica e terica se desenvolva, o

    desempate entre as foras progressistas e conservadoras conduzir para a superao do

    dualismo na educao brasileira ou levar sua consolidao, de maneira definitiva.

    A Escola Agrotcnica Federal de Ceres e sua nova institucionalidade: o Instituto Federal

    Goiano Cmpus Ceres

    No contexto econmico e poltico neoliberal da dcada de 1990, cujas concepes

    direcionaram as polticas pblicas educacionais, foi criada a Escola Agrotcnica Federal de

    Ceres EAFCe, por meio da Lei n 8.670 de 30 de junho de 1993. Sua inaugurao, no

    entanto, se deu no ano de 1994, tendo as atividades letivas se iniciado apenas em 1995, com a

    primeira turma do curso tcnico em agropecuria.

    A existncia da EAFCe deveu-se luta e mobilizao da gesto pblica e de

    segmentos da sociedade local. A justificativa para a implantao desta escola no municpio

    teve duas vertentes bem distintas. De acordo com declaraes de participantes da mobilizao

    Pr-Agrotcnica12

    , os objetivos para a reivindicao de uma escola agrotcnica no municpio

    eram de reforar a posio da cidade como polo educacional e de proporcionar aos jovens da

    regio um meio de aprender mais sobre plantio, aperfeioar-se, criar novas culturas e permitir

    que se interessassem mais pelas atividades dos pais.

    Para os que lutaram por sua existncia, a EAFCe era um sonho que poderia significar

    o crescimento do municpio e da regio. Sonho este, teoricamente, selado como compromisso

    com os dizeres A Escola Agrotcnica Federal de Ceres, marco indelvel na educao do

    estado de Gois, integra agora a Rede Federal de Escolas Agrotcnicas, como resposta

    governamental aos anseios de desenvolvimento e de melhoria de todo o Vale de So

    Patrcio13, contidos em sua placa inaugural.

    A ento EAFCe foi estabelecida no municpio de Ceres, GO, inserido na regio do

    Vale de So Patrcio, que compreende vinte e nove municpios, perfazendo um total de

    317.706 habitantes14

    . H divergncias quanto ao nmero de municpios que compem o Vale

    de So Patrcio em virtude de ser esta uma delimitao que se deu por um processo histrico a

    de processos e tcnicas de produo existentes. Essa concepo, segundo o autor, diferencia-se radicalmente da

    que prope um ensino mdio profissionalizante, sem o conhecimento dos fundamentos das habilidades

    desenvolvidas e de suas articulaes com o conjunto do processo produtivo. (SAVIANI, 2007, p. 160-161). 12

    Ailton Garcia Barbosa e Alcino Csar da Cunha em entrevista ao programa Agrotcnica em Foco; EAFCe Sucesso FM, Ceres-GO, 2008. 13

    Placa inaugural da Escola Agrotcnica Federal de Ceres, 1994. 14

    Soma do nmero de habitantes dos municpios do Vale de So Patrcio a partir dos dados do IBGE, 2010.

  • 24

    partir da poltica de expanso com a marcha para o oeste durante o governo Vargas, bem

    como com o desmembramento de municpios na poca da reforma agrria para a criao da

    Colnia Agrcola Nacional de Gois e outros ocorridos posteriormente, dado diviso de

    municpios do estado em razo de suas dimenses. Alguns se orientam por delimit-lo

    referenciados pela microrregio de Ceres ou mediante as delimitaes de rgos pblicos a

    suas reas de atuao. Na delimitao que apresentamos neste estudo (Figura 1) reunimos os

    municpios da microrregio de Ceres, bem como os municpios que historicamente

    demarcaram o Vale de So Patrcio.

    Figura 1 Localizao do municpio de Ceres no Vale de So Patrcio. Fonte: . Editado por Lucas Palasios, 2012.

    O Vale de So Patrcio foi destinado para criao de colnia agrcola com o fim de

    integrar Centro-Oeste e Mdio-Norte com as outras regies brasileiras. A ao se deu como

    parte da poltica expansionista do ento governo Vargas, em um projeto de colonizao e

    ocupao do interior do Brasil, atendendo assim a necessidade de implantao de zonas

    agrcolas produtoras no intuito de abastecer as regies industrializadas do pas (DAYRELL,

    1974). A economia dos municpios do Vale baseia-se na agropecuria.

  • 25

    Nessa terra, ento, foi estabelecida pelo governo federal, em 1941, a Colnia Agrcola

    Nacional de Gois Cang. A sede da Colnia teve sua emancipao em 4 de setembro de

    1953 pela Lei Estadual n 767, que criou o municpio de Ceres.

    O nome e o desgnio da Colnia no se destoaram, visto que a produo de cereais era

    a atividade econmica que a movimentava. Segundo OGorman et al. (1987, p. 18) em 1952 o

    municpio de Ceres era o maior centro produtor de cereais do Brasil Central, a terra da

    promisso, pelo menos para o governo e uns poucos agricultores fortes, e para os cerealistas

    que enchiam Ceres em poca de safra. At a dcada de 1970, a economia rural do municpio

    baseava-se na produo principalmente de arroz, milho e feijo (SEBRAE, 1999).

    No entanto, fatos como o desmembramento de parte do territrio do municpio, na

    dcada de 1980, transformaes econmicas e sociais contriburam para a configurao de

    outro perfil para Ceres. A agropecuria j no tem o mesmo peso e importncia em que se

    apresenta na maioria dos municpios goianos (SEBRAE, 1999), bem como no Vale de So

    Patrcio. O setor tercirio mostra-se o principal fator econmico e gerador de renda no

    municpio, que se destaca dentre os demais do Vale em algumas atividades, que o torna um

    ponto de convergncia:

    [...] Por ser uma cidade plo, que conta com dezenas de escritrios regionais

    de rgos pblicos, empresas e entidades de classe instalados em seu centro

    urbano; por contar com boas infra-estruturas econmicas e sociais; ter uma

    localizao geogrfica favorvel, bem no centro de um mercado de mais de

    200 mil habitantes, residentes numa distncia de at 50 quilmetros, que

    demandam em Ceres bens de consumo, servios de sade e educao, e por

    estar inserido num mercado regional, num raio de 300 km, formado por mais

    de 5 milhes de consumidores, a economia municipal tem potencialidades a

    explorar. Diferentemente da expressiva maioria das economias do interior

    goiano, o forte da economia local a prestao de servios de sade,

    educao e distribuio de energia eltrica, e outros servios pblicos. Tanto

    para o setor de prestao de servios como para os estabelecimentos

    comerciais, o mercado consumidor maior do que o nmero de

    consumidores residentes no municpio. Isto porque, bens e servios so

    demandados pela populao local e por moradores de municpios vizinhos.

    (SEBRAE-GO, 1999, p. 58).

    Possivelmente os fatores que levam Ceres convergncia de grande fluxo de pessoas

    tambm estejam relacionados com o considervel nmero de alunos recebidos pela EAFCe, e

    hoje pelo IF Goiano Cmpus Ceres, advindos de outros municpios do Vale. Essa

    confluncia em direo cidade pode ser uma facilidade para atuao do Cmpus Ceres,

    posto que as distncias se encurtam.

  • 26

    Como EAFCe, a instituio comeou sua trajetria com oferta de cursos tcnicos em

    nvel mdio, primeiramente com o curso Tcnico em Agropecuria. Aps a reforma da

    educao profissional, a partir da Lei 9.394/1996 e do Decreto 2.208/1997, foi implantado,

    em 1998, o curso Tcnico em Agropecuria em Concomitncia com o Ensino Mdio. Em

    funo de demandas apresentadas pela comunidade, em 2001 foram abertos os cursos tcnicos

    em Agricultura, Zootecnia, Agroindstria e Informtica em diversas modalidades. Em 2005

    teve incio o curso Tcnico em Meio Ambiente e Tcnico em Agropecuria Integrado ao

    Ensino Mdio; e em 2006 o Curso Tcnico em Agroindstria Integrado ao Ensino Mdio, na

    modalidade de educao de jovens e adultos Proeja.

    A atuao da EAFCe toma uma nova proporo em 2008 com a Lei 11.892 (Anexo A)

    que instituiu a Rede Federal de Educao Profissional, Cientfica e Tecnolgica e lhe conferiu

    nova institucionalidade. A partir dessa Lei, Escolas Agrotcnicas Federais, Cefets e algumas

    Escolas Tcnicas Vinculadas s Universidades Federais se transformaram em Institutos

    Federais de Educao, Cincia e Tecnologia (IFs). Alm destas instituies, houve a expanso

    da Rede com a implantao de novas unidades em todo o pas. Os IFs esto organizados em

    estruturas administrativas multicmpus, com oferta desde a educao bsica profissional ao

    ensino superior e ps-graduao lato sensu e stricto sensu. Antes independentes, essas

    instituies, que possuem um diretor-geral de cmpus, esto vinculadas a um Instituto

    (equivalente a uma unidade central) que engloba vrios cmpus, com sistema dirigente que se

    d por meio de uma reitoria e pr-reitorias.

    Dessa maneira, o Instituto Federal Goiano integrou os antigos Cefets de Rio Verde,

    Uruta e sua Unidade de Ensino Descentralizada de Morrinhos, EAFCe (todos originados de

    antigas escolas agrcolas) e mais recentemente, em 2010, o Cmpus Ipor.

    Assim, diante de suas novas atribuies, o IF Goiano Cmpus Ceres, em 2009, aps

    pesquisa de demanda para implantao de curso superior, criou o curso de Licenciatura em

    Cincias Biolgicas e no ano seguinte o de Agronomia (Bacharelado). Em 2011, tiveram

    incio os cursos de Zootecnia (Bacharelado) e Licenciatura em Qumica. Hoje o Cmpus

    Ceres tem matriculados cerca de 1500 alunos.

    As concepes e diretrizes nas quais se fundamentaram a criao dos IFs colocam

    estas instituies como aquelas que permitiro que o Brasil atinja condies estruturais

    necessrias ao desenvolvimento educacional e socioeconmico (BRASIL, 2008a, p. 5).

  • 27

    No documento Concepo e diretrizes: Instituto Federal de Educao, Cincia e

    Tecnologia (BRASIL, 2008a) fica clara a inteno do estabelecimento dos IFs como poltica

    assumida pelo governo federal

    [...] para a construo de uma nao soberana e democrtica, o que

    pressupe o combate s desigualdades estruturais de toda ordem. Nesse

    sentido, os Institutos Federais devem ser considerados bem pblico e, como

    tal, pensados em funo da sociedade como um todo na perspectiva de sua

    transformao. Os Institutos Federais correspondem necessidade da

    institucionalizao definitiva da educao profissional e tecnolgica como

    poltica pblica. (BRASIL, 2008a, p. 22)

    No referido documento h o reconhecimento de que nas polticas para a educao

    profissional anteriores o fator econmico era o espectro sob o qual se movia o fazer

    pedaggico. A perspectiva de transformao baseia-se na mudana de foco para a qualidade

    social a partir do reconhecimento da potencialidade estratgica das instituies de ensino

    tcnico e tecnolgico federais, sua capacidade e qualidade de trabalho, para trabalhar no

    sentido de inverter a lgica presente at ento. A proposta pedaggica e a estrutura curricular

    devem, segundo o documento, pautar-se na perspectiva de agregar a preparao para o

    trabalho em seu sentido ontolgico, de trabalho como princpio educativo, formao

    acadmica, em uma formao profissional e tecnolgica contextualizada, com princpios e

    valores de forma a potencializar a ao humana na busca de caminhos mais dignos de vida,

    (BRASIL, 2008a, p. 16-28).

    Os IFs esto legalmente determinados, alm de outras finalidades, a promover a

    sustentabilidade ambiental, consolidar e fortalecer os arranjos produtivos, sociais e culturais

    locais, apoiar o desenvolvimento local e regional das mesorregies nas quais se inserem, bem

    como produzir e difundir tecnologias. So instituies concebidas como fomentadoras do

    dilogo dentro de seu territrio (BRASIL, 2008a, p. 35), atores sociais que devem agir em

    uma proposta de educao profissional para formar outros atores sociais de maneira a compor

    um cenrio dinmico com maiores possibilidades e mais autonomia.

    Conforme Machado (2011) os IFs se fundamentam em uma composio complexa do

    contexto do qual insurgem as demandas por saberes profissionais e de seu uso, que abarca e

    transpe as demandas dos setores produtivos. A essas novas instituies so requeridas maior

    capacidade perceptiva concernente a aspiraes, valores, preferncias e necessidades de

    indivduos e grupos sociais divergentes para que consigam atender a necessidade de outros

    interesses sociais e dar conta dos relacionamentos interdisciplinares, intersetoriais e

    interculturais (p. 372).

  • 28

    A proposta integradora e plausvel. No entanto, quanto s atribuies e organizao

    estrutural dos IFs, cabe, nas palavras de Machado (2011), um alerta:

    A maior e mais estreita interao entre os diversos atores sociais da

    produo e uso dos saberes profissionais representa, para as novas

    instituies, a perspectiva de um amplo leque de possveis acordos de

    cooperao e de alianas estratgicas, para os quais se exige habilidade na

    conduo das negociaes. Obriga, tambm, que essas instituies se

    organizem de forma mais horizontalizada para se abrir aos diferentes pontos

    de vista sobre a produo e uso dos saberes profissionais, criatividade

    humana como um fenmeno social e coletivo, maior responsabilidade

    social com relao definio de prioridades e implicaes das decises

    tomadas. Uma estrutura mais aberta e mais descentralizada do ponto de vista

    poltico e administrativo e inovaes nas estratgias de comunicao

    institucional so fundamentais para que essas instituies se tornem mais

    permeveis s demandas do entorno e s interaes com diferentes

    interesses, motivaes, experincias e culturas. (MACHADO, 2011, p. 374).

    Concebendo os IFs como novas institucionalidades, Machado (2011) ainda nos alerta

    para o fato de que, ao pressupor o governo que a nova tica de se produzir e usar os saberes

    profissionais se d em estruturas educacionais pr-existentes e que estas se transformem

    induzidas a partir de mecanismos externos, das instituies formalmente integradas e de

    mudana jurdica; esta proposta pode no ser bem sucedida. Para ela, possvel que

    [...] a nova tica de produzir e usar os saberes profissionais ao interagir com

    a anteriormente vigente, pode no chegar a suplant-la, mas se acomodar nos

    seus interstcios sem alcanar a posio de hegemonia. Pode sequer chegar

    a ser implantada de fato, estando limitada s intenes registradas nos

    documentos institucionais. (MACHADO, 2011, p. 374, grifo nosso).

    As concepes que nortearam as finalidades e objetivos dos IFs quanto contribuio

    para o desenvolvimento de suas regies esto fundamentadas na abordagem territorial do

    desenvolvimento, posto que, estes, tambm colocados como atores sociais, devem manter seu

    foco educativo na construo de um conhecimento que promova a autonomia e emancipao

    de cidados-trabalhadores, atores sociais que podero atuar em seu territrio, o lugar em

    que se constri e se transforma por meio da ao15

    .

    Se institudo como EAFCe o Cmpus Ceres j tinha em sua concepo uma relao

    direta com os anseios de desenvolvimento e de melhoria de todo o Vale de So Patrcio

    como consta em sua placa inaugural, agora essa nova institucionalidade lhe impe o

    desenvolvimento de seu territrio como atribuio. Legalmente o Cmpus Ceres tem como

    15

    O texto do documento Concepo e diretrizes: Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia (2008)

    baseia-se no desenvolvimento do conceito de territrio usado da obra de Milton Santos, referenciado em Santos e

    Silveira (2001) O Brasil: territrio e sociedade no incio do sculo XXI.

  • 29

    incumbncia a construo de caminhos que proporcionem o desenvolvimento local e regional,

    devendo agilizar-se para conhecer a regio em que se insere e responder aos anseios da

    sociedade, definindo polticas para proporcionar o desenvolvimento com incluso social e

    distribuio de renda (BRASIL, 2008a).

    Diante das polmicas discusses e crticas em torno da temtica do desenvolvimento,

    preocupamo-nos em esclarecer nossa perspectiva em favor de um desenvolvimento

    emancipador, que se contrape noo de desenvolvimento agregado ao crescimento

    econmico sob a gide do capital que impera e determina a condio humana. Para tal nos

    atemos, a seguir, a estabelecer o contexto em que o desenvolvimento ganha sua representao

    histrica e socialmente a partir de um iderio que tenta e consegue construir a hegemonia do

    capital. Apresentamos a abordagem do desenvolvimento sob a qual os IFs foram concebidos e

    sob a qual acreditamos ser possvel a construo de um modelo emancipador de

    desenvolvimento.

    Desenvolvimento: para alm de um (des)constructo ideolgico

    A imagem de desenvolvimento, muito comumente, est associada ideia de

    crescimento econmico, cuja concepo histrica se estabeleceu da relao entre capital e

    trabalho.

    Essa associao importante ao desenvolvimento, contudo deve-se considerar que por

    detrs do elo existente entre capital e trabalho, h uma relao entre pessoas e, portanto ela

    no deve ser pautada pela produo de riquezas.

    Para o entendimento da distino entre crescimento econmico e desenvolvimento

    econmico e, assim, passar a uma compreenso sobre a questo do desenvolvimento com

    mais propriedade, recorremos a Sandroni (1999) que define crescimento econmico como o

    acrscimo da capacidade produtiva da economia, da produo de bens e servios, definido

    pelo ndice de crescimento anual do PNB16

    (Produto Nacional Bruto) per capita, tambm

    16

    Conforme Sandroni (1999, p. 475), o PNB o valor agregado de todos os bens e servios resultantes da

    mobilizao de recursos nacionais (pertencentes a residentes no pas), independente do territrio econmico (no

    pas ou no exterior) em que esses recursos foram produzidos. Incluem-se nele o valor da depreciao e o

    resultado, positivo ou negativo, da conta de rendimentos do capital do balano de pagamentos. O PNB resulta do

    valor bruto da produo, deduzidas as transaes intermedirias. Deveria coincidir com o conceito de valor

    agregado bruto, que engloba todos os pagamentos e fatores de produo, mais os impostos indiretos e as reservas

    para depreciao. Isso no acontece basicamente em virtude dos subsdios governamentais s empresas. Assim,

    para o clculo do PNB a preos de mercado, parte-se do valor agregado bruto e deduzem-se esses subsdios. O

    PNB exclui a parcela da produo de bens e servios que, mesmo tendo sido gerada dentro do territrio

    econmico do pas, resultou do emprego de recursos no-residentes. Por outro lado, inclui a parcela dos bens e

    servios que, mesmo produzida em territrio econmico de outros pases, resultou da utilizao de recursos de

  • 30

    indicado pelo ndice de crescimento da fora de trabalho, pela proporo da receita nacional

    poupada e investida e pelo grau de aperfeioamento tecnolgico (p. 141). Nessa definio,

    claramente observa-se o aspecto quantitativo do crescimento econmico, um fator

    imprescindvel para o desenvolvimento econmico. Este ltimo encontra-se imbudo de uma

    perspectiva mais qualitativa, entendimento esse que pode ser percebido a partir da seguinte

    definio de desenvolvimento econmico:

    Crescimento econmico (aumento do Produto Nacional Bruto per capita)

    acompanhado pela melhoria do padro de vida da populao e por alteraes

    fundamentais na estrutura de sua economia. O estudo do desenvolvimento

    econmico e social partiu da constatao da profunda desigualdade, de um

    lado, entre os pases que se industrializaram e atingiram elevados nveis de

    bem-estar material, compartilhados por amplas camadas da populao, e, de

    outro, aqueles que no se industrializaram e por isso permaneceram em

    situao de pobreza e com acentuados desnveis sociais [...] a Organizao

    das Naes Unidas usa os seguintes indicadores para classificar os pases

    segundo o grau de desenvolvimento: ndice de mortalidade infantil,

    expectativa de vida mdia, grau de dependncia econmica externa, nvel de

    industrializao, potencial cientfico e tecnolgico, grau de alfabetizao,

    instruo e condies sanitrias. (SANDRONI, 1999, p. 169).

    Na abordagem que se faz sobre desenvolvimento, necessrio que a questo social

    seja valorizada e respeitada. Conforme o economista brasileiro Celso Furtado (1996) no se

    confunde aumento de produo com melhoria do bem-estar social e o desenvolvimento pode

    ser medido com uma srie de indicadores sociais. Para ele:

    O conceito de desenvolvimento surgiu com a idia de progresso, ou seja, de

    enriquecimento da nao, conforme o ttulo do livro de Adam Smith,

    fundador da Cincia Econmica. O pensamento clssico, tanto na linha

    liberal como na marxista, via no aumento da produo a chave para melhoria

    do bem-estar social, e a tendncia foi de assimilar o progresso ao

    produtivismo. Hoje, j ningum confunde aumento da produo com

    melhoria do bem-estar social. Mede-se o desenvolvimento com uma bateria

    de indicadores sociais que vo da mortalidade infantil ao exerccio das

    liberdades cvicas. Desse ponto de vista, o Brasil apresenta um quadro muito

    pouco favorvel, pois um dos pases em que maior a disparidade entre o

    potencial de recursos e a riqueza j acumulada, de um lado, e as condies

    de vida da grande maioria da populao, de outro. O crescimento econmico

    pode ocorrer espontaneamente pela interao das foras do mercado, mas o

    desenvolvimento social fruto de uma ao poltica deliberada. Se as foras

    sociais dominantes so incapazes de promover essa poltica, o

    desenvolvimento se inviabiliza ou assume formas bastardas. (FURTADO,

    1996, p. 64).

    propriedade de residentes no pas (o Produto Interno Bruto PIB). A diferena entre o PNB e o PIB corresponde renda lquida enviada ou recebida do exterior.

  • 31

    Nesse sentido, a partir de 1990, o Programa das Naes Unidas para o

    Desenvolvimento (PNUD), ligado Organizao das Naes Unidas, publica seu primeiro

    Relatrio de Desenvolvimento Humano (RDH), mediante o entendimento de que para avaliar

    o avano de uma populao no se deve considerar apenas a dimenso econmica, mas

    tambm outras caractersticas sociais, culturais e polticas que influenciam a qualidade da vida

    humana (PNUD). Nesse Relatrio apresentado o ndice de Desenvolvimento Humano

    (IDH) como contraponto ao Produto Interno Bruto PIB17 per capita como indicador de

    desenvolvimento, por este considerar apenas a dimenso econmica. Sobre as dimenses para

    que seja aferido o nvel de desenvolvimento, considerando-se o ento novo ndice, o PNUD

    argumenta:

    Alm de computar o PIB per capita, depois de corrigi-lo pelo poder de

    compra da moeda de cada pas, o IDH tambm leva em conta dois outros

    componentes: a longevidade e a educao. Para aferir a longevidade, o

    indicador utiliza nmeros de expectativa de vida ao nascer. O item educao

    avaliado pelo ndice de analfabetismo e pela taxa de matrcula em todos os

    nveis de ensino. A renda mensurada pelo PIB per capita, em dlar PPC

    (paridade do poder de compra, que elimina as diferenas de custo de vida

    entre os pases). Essas trs dimenses tm a mesma importncia no ndice,

    que varia de zero a um. (PNUD, 2012, p. 1).18

    Ainda segundo Furtado (1974), ao se pretender que os padres de consumo de uma

    minoria privilegiada, situada nos pases altamente industrializados, sejam acessveis s massas

    dos pases do Terceiro Mundo, prolonga-se a ideia do mito do progresso, que em sua viso

    elemento fundamental na ideologia da revoluo burguesa que criou a sociedade industrial.

    Em sua percepo, o desenvolvimento caracteriza-se como um mito, pois a reproduo

    consequente do crescimento econmico que mantm as disparidades sociais contm em seu

    discurso o desenvolvimento econmico, ou seja, a idia de que os povos pobres podem

    algum dia desfrutar das formas de vida dos atuais povos ricos (grifo do autor), e que

    simplesmente irrealizvel (p. 75), como forma pela qual tem sido possvel o desvio das

    atenes das necessidades fundamentais da coletividade e das possibilidades que o avano da

    cincia abre ao homem, concentrando-se em objetivos abstratos, como os investimentos, as

    exportaes e o crescimento.

    Assim como Furtado faz referncia ao discurso do desenvolvimento, outras

    percepes, de cunho contundentemente crtico a esse discurso, podem ser encontradas na

    17

    Vide nota de referncia n 16. 18

    Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Disponvel em: < http://www.pnud.org.br/

    idh/>. Acessado em: 20 set. 2011.

  • 32

    literatura sobre o desenvolvimento, como se verifica em Dicionrio do desenvolvimento: guia

    para o conhecimento como poder, composio de ensaios editado por Sachs (2000), por meio

    dos posicionamentos de autores que se consideram ps-desenvolvimentistas. O livro rene

    ideias de vrios autores, fixados na desconstruo do iderio repleto de boas intenes contido

    no discurso do desenvolvimento, que se configura como subterfgio pelo qual todos os

    esforos e sacrifcios so justificveis e as intervenes so santificadas em favor de um

    objetivo maior, mas que na verdade esconde o verdadeiro objetivo de consolidao da

    hegemonia capitalista. Muitos desses autores se referem ao discurso de posse do segundo

    mandato do presidente Harry Truman, pronunciado em 20 de janeiro de 1949, como o marco

    inicial da era do desenvolvimento.

    A relao que se estabelece entre o discurso de Truman e a crtica ao desenvolvimento

    pelos ps-desenvolvimentistas pode ser entendida ao voltarmos ao contexto histrico aps a

    Segunda Guerra Mundial, da qual os Estados Unidos saram fortalecidos economicamente,

    mas que, no entanto, precisaram lanar mo de poltica que iria estender contribuio aos

    pases europeus arrasados pela guerra, pois com o poder de compra drasticamente reduzido

    no comporiam cenrio para escoamento da produo americana; e aos pases menos

    desenvolvidos do hemisfrio sul, a fim de impor a hegemonia norte-americana no mundo para

    manter o nvel de consumo e prosperidade econmica, uma vez que o pas comeava a

    enfrentar o aumento do desemprego com a queda da produo industrial em consequncia do

    final da guerra (BIAGI, 2001).

    Quanto ao poder econmico dos Estados Unidos aps a Segunda Guerra e inteno

    contida no discurso de Truman, as palavras de Esteva (2000) parecem ilustrar o panorama

    histrico e simblico:

    No fim da Segunda guerra mundial, Os Estados Unidos eram uma mquina

    produtiva formidvel e incessante, sem precedentes na histria. Estava,

    indiscutivelmente, ao centro do mundo. Era seu senhor. Todas as instituies

    criadas naqueles anos reconheciam esse fato; a prpria Carta das Naes

    Unidas era uma cpia da Constituio norte-americana. No entanto, os norte-

    americanos queriam algo mais. Precisavam deixar totalmente clara sua nova

    posio no mundo. E queriam consolidar essa hegemonia e torn-la

    permanente. Para isso, formularam uma campanha poltica, em nvel global,

    que claramente levava sua marca. Criaram at mesmo um emblema

    apropriado para identificar a campanha. E, cuidadosamente, escolheram o

    momento oportuno para lanar ambos: 20 de janeiro de 1949. Naquele

    mesmo dia, quando tomava posse o presidente Truman, uma nova era se

    abria para o mundo a era do desenvolvimento. (ESTEVA, 2000, p. 59).

  • 33

    A palavra desenvolvimento sob o olhar crtico de Esteva (2000) compe-se numa

    metfora cuja histria distorcida, uma constelao semntica poderosa e que ao ser usada,

    sempre tem um sentido de mudana favorvel, de transio do simples ao complexo, do

    inferior para o superior, bem como do pior para o melhor, indicando o avano de acordo com

    uma lei universal necessria e inevitvel, partindo em direo a uma meta desejvel. No

    entanto, o autor no sugere outro termo, com outra atribuio de sentido, que lhe retire o fardo

    subjetivo e simblico por ele adquirido historicamente.

    Para Sachs (2000) por muitos anos, relatrios tcnicos tm evidenciado o no

    funcionamento do desenvolvimento e estudos polticos provaram que o desenvolvimento

    injusto e um tipo especfico de atitude mental muito mais que uma simples iniciativa

    socioeconmica; [...] uma percepo que molda a realidade, um mito que conforta

    sociedades, uma fantasia que desencadeia paixes. (p. 12). Nesse sentido, corrobora a

    alegao de Berthoud (2000) quanto ao fato de o desenvolvimento ter sido ao longo da

    histria promovido pela unio das instituies Estado e mercado no projeto da modernidade.

    Pela mo do Estado, segundo o autor, os mercados so mantidos e regulamentados para o

    crescimento econmico, um crescimento a ser distribudo da mais justa forma possvel toda

    sociedade, uma redistribuio promulgada pelo ideal de justia social contida nesse modelo de

    desenvolvimento, que nos pases do Sul foi um fracasso (p. 136).

    Para Olivier de Sardan (2005, p. 4-5) as crticas dos antropologistas retrica do

    desenvolvimento tm limitaes, dentre elas est a de que as cincias sociais no esto imunes

    aos clichs, uma vez que tambm tm os seus ao lanarem suas crticas rigorosas; uma outra

    limitao que h uma ideologia especfica das cincias sociais, chamada de ps-

    modernismo, ps-estruturalismo ou desconstrucionismo, que ao apropriar-se da temtica do

    desenvolvimento, especializou-se na anlise do discurso do desenvolvimento, proclamando-se

    como nica forma de antropologia aplicada ao desenvolvimento.

    Mediante as circunstncias histricas que levaram o desenvolvimento a configurar-se

    como um constructo ideolgico e da percepo crtica e pessimista dos ps-

    desenvolvimentistas que lutam por sua desconstruo, que embora fundamentada no

    vislumbra alternativas ou possibilidades; sem deixar de perceber o fundamento e a inteno de

    ambos os lados, acreditamos que seja possvel dinmicas e processos de construo mais

    efetivos de uma vida melhor, a caminhar para alm dessas perspectivas. nesse sentido que

    acreditamos que o desenvolvimento possa estar para alm de um (des)constructo ideolgico.

  • 34

    A renncia ideia de desenvolvimento, como a dos ps-desenvolvimentistas, que

    tentam desconstru-lo enquanto discurso, na concepo de Veiga (2010), est relacionada ao

    fato de este ter sido usado como armadilha ideolgica inventada para continuar mantendo as

    relaes assimtricas entre as minorias dominantes e as maiorias dominadas, tanto nos pases

    como entre os pases. O autor menciona dois extremos pelos quais as percepes quanto ao

    desenvolvimento tm se pautado, um o da miopia reducionista de desenvolvimento a

    crescimento econmico e o outro do derrotismo que descarta o desenvolvimento, como sendo

    algo inexequvel. Veiga (2010) ainda aponta a necessidade de que se tome um caminho do

    meio, sendo este o dos que se recusam a se estabelecer em um desses dois extremos, e o qual

    admite o autor ser desafiador. O caminho ento seria um que possa explicar que o

    desenvolvimento no uma iluso e nem pode ser amesquinhado como crescimento

    econmico.

    Vrias adjetivaes tm sido historicamente incorporadas ao desenvolvimento, como

    industrial, capitalista, socialista, para dentro, para fora, comunitrio, desigual e combinado,

    dependente, social, integrado, humano, local, sustentvel. Esses modificadores so utilizados

    para atribuir novo sentido ao termo e representam a lgica dos campos poltico e econmico,

    nos quais os atores coletivos buscam demonstrar seus pontos de vista quanto aos

    procedimentos mais corretos a serem aplicados com relao ao desenvolvimento (RIBEIRO,

    1992, p. 23). Para muitos, esses qualificativos no subtraem o contedo ideolgico que o

    termo carrega. No entanto, independentemente de qual seja o adjetivo, concordamos com

    Schneider e Escher (2011, p. 182) quando estes dizem que o mais importante no achar

    adjetivos para ressignificar o desenvolvimento, posto que a questo fundamental reside em

    saber qual seu contedo e quais so seus sentidos; ou seja, o que ele traz como proposta e a

    quem est endereado.

    Mediante as crticas ps-desenvolvimentistas e do entendimento, por muitos, de

    desenvolvimento como crescimento econmico, no se pode recuar e simplesmente deixar de

    considerar que os problemas econmicos e sociais, em diferentes escalas, existem e que as

    aes para que esses problemas sejam minimizados so necessrias. Dentro dessa perspectiva,

    faz-se mister apontar no sentido de um projeto de desenvolvimento que permita aes de

    atores interados socialmente, que componham foras dinamizadoras e transformadoras

    capazes de suplantar, de alguma forma, as consequncias da m distribuio de renda e do

    desemprego estrutural que consternam homens e mulheres em todo o planeta.

  • 35

    Conceber o desenvolvimento, hoje, levando-se em conta a problemtica exposta

    acerca do assunto, bem como o emaranhado de adjetivaes conferidas ao termo, no

    possvel sem que sejam considerados os objetivos, os atores e o territrio.

    Santos (2007) define o territrio como o lugar onde a histria do homem, que nele

    lana suas aes, paixes, poderes, foras e fraquezas, acontece; deve ser entendido como

    usado o cho juntamente com a identidade. O territrio o fundamento do trabalho, o lugar

    da residncia, das trocas materiais e do exerccio da vida (p. 14). A mesma percepo de

    territrio encontramos em Pecqueur (2005) quando este distingue o entendimento de territrio

    como espao de observao o territrio dado, e como cenrio de participao, que

    fundamentalmente caracteriza e fundamenta a perspectiva do desenvolvimento territorial o

    territrio construdo:

    O territrio dado a poro de espao que objeto da observao. Neste

    caso, postula-se o territrio como pr-existente e analisa-se o que a

    acontece. , de qualquer forma, o territrio a priori; no se procura analisar

    sua gnese e as condies de sua constituio; apenas um suporte. Trata-se,

    geralmente, do territrio institucional: a regio, o distrito, a provncia, etc. O

    territrio construdo: nessa perspectiva, o territrio o resultado de um

    processo de construo pelos atores. O territrio no postulado,

    constatado a posteriori. Isto significa dizer que o territrio construdo no

    existe em todo lugar; podemos encontrar espaos dominados pelas leis

    exgenas da localizao e que no so territrios. No discurso, os dois

    conceitos de territrio so muitas vezes confundidos e no se pode excluir

    um em favor do outro. necessrio, portanto, entender que o territrio , ao

    mesmo tempo, um envolvente (contenant, o que contm) e o resultado de um processo de elaborao de um contedo. (PECQUEUR, 2005, p. 12-

    13, grifos do autor).

    Uma interessante associao do territrio ao desenvolvimento faz Souza (2009) em

    seu ensaio O territrio: sobre espao e poder, autonomia e desenvolvimento, no qual ele

    define territrio como sendo fundamentalmente um espao definido e delimitado por e a

    partir de relaes de poder (p. 78), poder este institudo pela autonomia, que viria a definir o

    processo de desenvolvimento de uma coletividade de maneira mais justa e democrtica. De

    acordo com o autor o territrio o espao social delimitado e apropriado politicamente

    enquanto territrio de um grupo, a base material da existncia e catalisador cultural-simblico

    um elemento imprescindvel para a autonomia. Sem, no entanto, desconsiderar a dimenso

    utpica ao redefinir o desenvolvimento a partir das ideias de autonomia e territorialidade

    autnoma, Souza percebe que movimentos sociais autnticos podem aos poucos produzir

    efeito cumulativo complexo, provocar alteraes, rupturas significativas. A cada luta se

    implanta a sinergia transformadora, permitindo aos atores ampliarem suas aes contra os

  • 36

    efeitos alienantes do processo de globalizao em curso. Por meio dessa concepo alternativa

    de desenvolvimento, ele cr estar, de uma maneira crtica, transcendendo o economicismo da

    decadente Economia do Desenvolvimento (p. 101-109).

    Reunindo percepes de diversos autores com relao a territrio, espao e lugar,

    Schneider e Tartaruga (2004) se referem ao lugar como o espao de vivncia, da convivncia

    de cada pessoa o referencial do territrio. Associado ao desenvolvimento, o termo territrio

    adquire um uso instrumental e prtico, perdendo seu sentido heurstico e conceitual, dando ao

    desenvolvimento uma perspectiva, enfoque ou abordagem territorial. Uma abordagem que

    implica a ao sobre o espao e a mudana das relaes sociais que nele existem, refere-se a

    um determinado espao, que se torna um territrio, o ponto de reencontro dos atores do

    desenvolvimento (p. 106-108). Percebe-se uma dialtica entre diferentes espaos que pode

    abrir caminho para o desenvolvimento. A esse respeito Schneider (2004) esclarece que

    [...] a abordagem territorial promoveu a superao do enfoque setorial das

    atividades econmicas (agricultura, indstria, comrcio, servios, etc.) e

    suplantou a dicotomia espacial entre o rural versus urbano ou o campo

    versus cidade. Na perspectiva territorial, as dicotomias e os antagonismos

    so substitudos pelo escrutnio da diversidade de aes, estratgias e

    trajetrias que os atores (indivduos, empresas ou instituies) adotam

    visando sua reproduo social e econmica. (SCHNEIDER, 2004, p.104).

    Em A face territorial do desenvolvimento, Veiga (2002) faz uma investigao sobre o

    uso da expresso desenvolvimento territorial no intuito de tomar conhecimento se essa uma

    tendncia que revaloriza a dimenso do espao na economia, ou se mais um qualificativo

    mania de se adjetivar o desenvolvimento. Sua colocao com relao ao emprego das palavras

    espao e territrio a de que apresenta vantagens evidentes, uma vez que, no se restringem

    ao fenmeno local, regional, nacional ou mesmo continental, podendo exprimir

    simultaneamente todas essas dimenses (p. 12).

    Nessa mesma direo apontam Schneider e Tartaruga (2004) ao sinalizarem duas

    razes sob as quais se pode compreender porque a abordagem territorial estabeleceu-se como

    referncia para interpretar processos, bem como ferramenta para interveno. A primeira,

    segundo os autores, vincula-se profuso da literatura que analisa as transformaes

    consequentes do processo de reestruturao do capitalismo, em meio crise acentuada na

    dcada de 1970, sob o regime de acumulao flexvel19

    , que acabou por intensificar os

    19

    Vide nota de referncia n 8.

  • 37

    estudos sobre a industrializao difusa e os sistemas produtivos locais20

    , por parte de

    estudiosos italianos, e posteriormente por outros, que buscaram examinar as dimenses

    espacial e territorial dos fenmenos da localizao do desenvolvimento industrial, a partir da

    ideia de que os processos de desenvolvimento industriais mais bem sucedidos em meio crise

    assentavam-se em uma dinmica territorial imbuda de peculiar especificidade. Mediante essa

    literatura a noo de espao e territrio substituiu as de local, regional e nacional.

    A segunda razo apresentada por Schneider e Tartaruga (2004) tem a ver com o papel

    do Estado, que em crise, perdeu seu poder de regulao, tornando-se incapaz de interferir na

    economia privada, a partir da globalizao da economia, passando assim a sofrer alteraes

    em suas funes e incumbncias, deixando de ser indutor para ser regulador do

    desenvolvimento econmico. A alterao do papel do Estado, que perdeu seu carter

    centralizador, tornou-o mais suscetvel e permevel participao da sociedade civil, dessa

    maneira ganhando destaque o protagonismo dos atores da sociedade. Conforme os autores,

    nesse quadro o enfoque territorial se estabelece como unidade de referncia, uma instncia

    de mediao capaz de contemplar as relaes entre os atores locais e as demais esferas e

    escalas, como a regional e nacional, alm da global (p. 109).

    Diante das concepes apresentadas sobre territrio, bem como do carter introduzido

    ao desenvolvimento pela abordagem territorial, que traz a possibilidade de levarem-se em

    considerao os atores e a identidade de um dado territrio, percebemos que o IF Goiano

    Cmpus Ceres, diante das atribuies a ele conferidas mediante sua institucionalidade, pode

    ser ator participativo na construo de um modelo emancipador de desenvolvimento em seu

    territrio de ao. No podemos esquecer de que esta fundamentalmente uma instituio de

    ensino profissional que deve instrumentalizar seus sujeitos/alunos para a vida em seu sentido

    pleno de realizaes, de forma a entenderem-se sujeitos passivos de direitos e ativos para

    reivindic-los, na perspectiva de autonomia apresentada por Souza (2009) e para atuarem em

    direo construo de melhores perspectivas de vida.

    Alm disso, percebemos que o Cmpus Ceres tem em seu favor o fato de o municpio

    no qual se insere ter se tornado ponto de convergncia no Vale de So Patrcio e possuir

    potencialidade estratgica para organizar-se agir e interagir em consonncia com a mobilidade

    20

    Termos tambm conhecidos como distritos industriais marshallianos. Segundo Lastres et al. (1999), Marshall,

    no final do sculo XIX, cunhou o conceito de distritos industriais, derivado de um modelo de organizao na

    Inglaterra, no mesmo perodo, no qual pequenas firmas concentradas na manufatura de produtos especficos

    localizavam-se geograficamente em clusters (aglomerados de empresas), geralmente na periferia dos centros

    produtores.

  • 38

    do/no processo de construo de seu territrio. Assim, nos valemos das observaes de

    Pecqueur (2005), que reforam nosso entendimento:

    O desenvolvimento territorial no pode ser implantado por decreto;

    permanece uma construo dos atores, mesmo que polticas pblicas

    apropriadas possam estimular e mobilizar esses atores. Essa construo s

    pode ser concebida como uma dinmica e, portanto, inserida no tempo.

    (PECQUEUR, 2005, p. 12).

    De uma maneira ou de outra, independentemente de qual caminho se tome em relao

    s consideraes sobre o desenvolvimento, sejam elas a partir de qualquer perspectiva

    (econmica, poltica ou social), no se pode negar que seu sentido est relacionado

    economia, nem que as pessoas sofrem consequncias dos processos nos quais as economias

    mundiais se desenvolvem. Fato que, diante das dificuldades, novas formas de se produzir,

    pensar e agir emergem como alternativas. Nesse sentido, a seguir abordamos o surgimento

    dos arranjos produtivos locais como uma alternativa para o desenvolvimento local e regional,

    sob a perspectiva territorial, e sua relao com a atuao do IF Goiano Cmpus Ceres

    mediante as atribuies que lhe confere a Lei 11.892/2008 (Anexo A).

    Os Arranjos produtivos locais e os Institutos Federais de Educao, Cincia e

    Tecnologia

    As finalidades e caractersticas dos IFs conferidos pela Lei 11.892/2008 (Anexo A)

    coloca-os como atores sociais no desenvolvimento socioeconmico e em apoio aos arranjos

    produtivos, sociais e culturais locais do territrio/regio onde se inserem.

    Os estudos sobre arranjos produtivos locais (APLs), como observamos nas referncias

    anteriores sobre a temtica do desenvolvimento, tm relao direta com as transformaes

    oriundas do regime de acumulao flexvel e incorporao do territrio como varivel

    explicativa no desenvolvimento econmico. Esses arranjos tm sido vistos como alternativas

    para o desenvolvimento das regies.

    O contexto econmico, poltico e social na dcada de 1970; quando as economias

    capitalistas tentavam se reerguer em meio crise, no seio da qual o modo de produo

    taylorista/fordista perdia espao para a produo flexvel sob o modelo de produo japons;

    era o de busca por alternativas que partiam de todas essas dimenses.

    O regime de acumulao flexvel, as inovaes tecnolgicas, juntamente com o que

    Harvey (2007) denominou compresso espao-tempo, mediante as tecnologias de informao,

  • 39

    foram elementos catalisadores (LASTRES et al., 1999) do processo de globalizao, que

    segundo Vzquez Barquero (2001) multidimensional e caracterizado pelo aumento dos

    fluxos econmicos e financeiros em nvel internacional, pelo intercmbio cultural, poltico e

    institucional, um paradigma sob o qual a economia e a sociedade se globaliza. Assim, neste

    novo padro, o local e o nacional, bem como suas economias, no se restringem ao espao em

    que se situam. Nesse Cenrio, conforme Lastres et al. (1999), onde a mudana tecnolgica

    tem se acelerado significativamente a competitividade de firmas e naes parece estar cada

    vez mais correlacionada sua capacidade inovativa.

    O capital globalizado e as novas tecnologias tm estimulado processos de

    reestruturao produtiva e nova diviso internacional do trabalho, sob os quais as dinmicas

    territoriais se reorganizam economicamente como uma forma de resposta em meio crise. A

    capacidade de reao e mobilizao a partir de foras endgenas de diferentes localidades

    levou incorporao da abordagem territorial ao desenvolvimento local ou endgeno21

    ,

    abordagem esta que, de acordo com Schneider e Tartaruga (2004), teve Pecqueur22

    como

    aquele quem claramente apontou o espao-territrio como varivel explicativa no

    desenvolvimento, uma vez que o territrio torna-se um elemento de organizao produtiva

    que influi nas estratgias dos atores individuais e das firmas. Nesse sentido, Pecqueur (2005,

    p. 12) d os princpios sob os quais define o desenvolvimento territorial como sendo o que se

    caracteriza a partir de uma entidade produtiva radicada em um espao geogrfico, que d

    origem ao territrio por meio de um sistema local de atores; e ao definir desenvolvimento

    territorial, o autor refere-se capacidade mobilizadora dos territrios:

    O desenvolvimento territorial designa todo processo de mobilizao dos

    atores que leve elaborao de uma estratgia de adaptao aos limites

    externos, na base de uma identificao coletiva com uma cultura e um

    territrio [...] trata-se de uma estratgia de adaptao na medida em que esse

    processo reativo em relao globalizao. Em outros termos, essa

    estratgia visa permitir aos atores dos territrios reorganizarem a economia

    local face ao crescimento das concorrncias na escala mundial.

    (PECQUEUR, 2005, p. 12).

    21

    Segundo Vzquez Barquero (2001, p. 57) ao se falar de desenvolvimento local, faz-se referncia a processos

    de desenvolvimento endgeno e em termos de desenvolvimento econmico local, esta qualificao privilegia a

    dimenso econmica do desenvolvimento. Para ele (p. 10), o desenvolvimento endgeno considera o

    desenvolvimento econmico uma resultante da aplicao do conhecimento aos processos produtivos e da

    utilizao de economias externas geradas nos sistemas produtivos e nas cidades, resultando em rendimentos

    crescentes, consequentemente em crescimento econmico. 22

    Pecqueur (1989; 1992; 1996) citado por Schneider (2004).

  • 40

    Segundo Pecqueur (2005) o conjunto de fatores que compem a territorializao

    fundamenta-se na busca pelos recursos prprios ao territrio os quais permitiro a este

    diferenciar-se em relao a outros. Para o autor o sistema territorial de atores pode adotar

    formas diversas, como distritos industriais, cluster23

    , ou qualquer outro modo de organizao

    produtiva, caracterizando-se, principalmente, pela instalao de um processo inscrito na

    histria longa, de construo pelos atores (p. 12), visando descobrir recursos inditos, sendo

    nisto, segundo o autor, que constitui uma inovao24

    .

    Ao exporem sobre as razes que levaram incorporao da categoria territrio como

    referncia para interpretao de processos e ferramenta para interveno, Schneider e

    Tartaruga (2004) apontam-nos os elementos que compuseram o cenrio do qual se

    estabeleceu a intensificao dos estudos sobre as aglomeraes de empresas e iniciativas

    empreendedoras em torno de uma atividade produtiva em uma regio. Tais aglomerados so

    estudados sob diferentes abordagens (enfoques) e nomenclaturas, como clusters, sistemas

    produtivos locais, cadeias produtivas, distritos industriais e outras. As abordagens se

    diferenciam ao ressaltar fatores como o processo produtivo, a concorrncia, a inovao, a

    cooperao, a proximidade, a articulao entre empresas, a articulao entre os diversos atores

    e as empresas, em maior ou menor intensidade (LASTRES; CASSIOLATO, 2005a). A

    denominao mais difundida no Brasil a de arranjos produtivos locais APLs, a qual

    utilizamos no decorrer do texto.

    O Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior (MDIC) define

    APLs como aglomeraes de empresas localizadas em um mesmo territrio, as quais

    apresentam especializao produtiva e mantm vnculos de interao, articulao,

    aprendizagem e cooperao entre si, bem como com outros atores locais, como governo,

    associaes empresariais, instituies de crdito, ensino e pesquisa25

    .

    A Redesist Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais, sediada

    no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenada por Lastres

    23

    Termo em ingls que se refere aglomerados de empresas. Segundo Porter (1999, p. 211) um aglomerado um

    agrupamento de empresas inter-relacionadas, bem como de instituies correlatas em uma determinada rea, que

    possui vnculos por elementos comuns e complementares. 24

    A inovao um dos fatores que caracteriza os APLs, bem como outros tipos de aglomeraes de empresas.

    Segundo Lastres e Cassiolato (2005a em referncia a Mytelka, 1993) a inovao o processo pelo qual os

    conhecimentos novos para determinadas organizaes (mesmo que sejam novos, ou no, para seus competidores

    domsticos ou estrangeiros) so incorporados na produo de bens e servios. Conforme os autores, a partir da

    dcada de 1980, passou a ser dada particular ateno ao carter sistmico e localizado da inovao e do

    conhecimento e desfez-se definitivamente o entendimento de que a inovao deve ser algo absolutamente novo,

    em termos mundiais, e restrito s reas de tecnologia de ponta. 25

    Conceito apresentado pelo Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior, disponvel em:

    . Acessado em: 10 set. 2011.

  • 41

    e Cassiolato, apresenta a abordagem conceitual partindo de arranjos e sistemas produtivos e

    inovativos locais ASPILs, ou seja APLs e SPILs. A concepo de arranjo, sob a qual se

    apoia a abordagem conceitual e analtica adotada pela Redesist, de que a produo de bens

    ou servios sempre tem em sua volta arranjos, que envolvem atividades e atores relacionados

    aquisio de matrias-primas, e dentre outros mais, mquinas e insumos. Os arranjos variam

    dos menos aos mais complexos e articulados, sendo estes ltimos os sistemas (LASTRES;

    CASSIOLATO, 2005a). Os APLs so definidos, ainda segundo Lastres e Cassiolato, como

    casos fragmentados que no apresentam articulao significativa entre os atores, enquanto os

    SPILs so conjuntos de atores econmicos, polticos e sociais localizados em um mesmo

    territrio, com atividades econmicas correlatas e fortes vnculos de produo, interao,

    cooperao e aprendizagem; incluindo empresas (comerciais, produtoras de bens e servios

    finais, fornecedoras de equipamentos e outros insumos, prestadoras de servios, clientes etc.,

    cooperativas, associaes e representaes), organizaes e instituies de financiamento,

    pesquisa, ensino, desenvolvimento e engenharia.

    De acordo com Cassiolato, Matos e Lastres (2008),

    A nfase no local levou ao desenvolvimento do termo mais amplamente

    difundido de arranjos produtivos locais (APLs). Isto se deve ao fato de que

    as atividades produtivas e inovativas so diferenciadas temporal e

    espacialmente, refletindo o carter localizado da assimilao e do uso de

    conhecimentos e capacitaes, resultando em requerimentos especficos de

    polticas. (CASSIOLATO; MATOS; LASTRES, 2008, p. 32).

    O enfoque nos ASPILs, para Cassiolato, Matos e Lastres (2008, p. 32), se sobrepe ao

    aspecto setorial, por ser uma viso sistmica e abranger atores e atividades produtivas e

    inovativas: a) com dinmicas e trajetrias distintas, das que utilizam conhecimentos mais

    complexos s que empregam conhecimentos tradicionais ou endgenos; b) de diferentes

    dimenses e funes, advindas de todos os setores e agindo local, nacional ou

    internacionalmente.

    Diante das imposies feitas ao IF Goiano Cmpus Ceres pela Lei 11.892 (Anexo A)

    e considerando o papel de ator a ser desempenhado em seu territrio, no sentido de que alguns

    fatores devem ser observados para elaborao de seu Plano de Desenvolvimento Institucional,

    e suas formas de interao e articulao com os demais atores, importa-nos apresentar

    (Quadro 1) os elementos que caracterizam e as vantagens dos APLs (entendidos sob o

    enfoque de ASPILs). Assim ilustramos a importncia da identificao das caractersticas de

    concentraes produtivas localizadas para o delineamento de aes que favoream seu

  • 42

    fortalecimento, uma vez que diferentes concentraes apresentam umas ou outras

    caractersticas mais intensamente.

    Quadro 1 Fatores que caracterizam os arranjos e sistemas produtivos e inovativos locais e vantagens do enfoque. (LASTRES; CASSIOLATO, 2005a).

    CARACTERIZANTES VANTAGENS

    - Dimenso territorial: dimenso de anlise e ao poltica. Define o espao dos processos produtivos, inovativos e cooperativos. A proximidade geogrfica favorece a troca de experincias, valores sociais, econmicos e polticos fonte de dinamismo, diversidade e vantagens competitivas frente a outras regies.

    - Diversidade de atividades e atores econmicos, polticos e sociais: h participao, interao de empresas e suas vrias formas de representao e associao, de organizaes pblicas e privadas (de ensino, pesquisa, consultoria, assistncia tcnica etc.).

    - Conhecimento tcito: conhecimentos no codificados, mas contidos em regies, indivduos e organizaes. Apresenta especificidade local, pela proximidade territorial e/ou de identidades culturais, sociais e empresariais, que facilita a circulao desse conhecimento e sua socializao em organizaes ou contextos geogrficos especficos uma vantagem competitiva, posto que ele de difcil acesso a atores externos.

    - Inovao e aprendizado interativos: fonte crucial para transmisso de conhecimentos e aumento da capacitao produtiva e inovativa de empresas e organizaes. Esta, por sua vez, faculta a insero de novos produtos, processos, mtodos e formatos organizacionais, essencial para garantir a competitividade sustentada dos diferentes atores locais, individual e coletivamente.

    - Governana: refere-se aos diferentes modos de coordenao entre atores e atividades. Envolve a produo e distribuio de bens e servios, o processo de gerao, uso e difuso de conhecimentos e inovaes. H diferentes tipos e hierarquias formas diferenciadas de poder nas decises (centralizadas, descentralizadas; mais, ou menos, formalizadas).

    - Grau de enraizamento: refere-se s articulaes e envolvimento dos atores dos ASPILs com: as capacitaes; recursos humanos, naturais, tcnico-cientficos, financeiros e empresariais; outras organizaes e o mercado consumidor locais. Seus determinantes incluem o nvel de agregao de valor; origem e controle (territorial) das organizaes; destino da produo, tecnologia e demais insumos.

    - Representa unidade de anlise que vai alm da viso baseada na organizao individual (empresa), setor ou cadeia produtiva, permitindo estabelecer uma ponte entre o territrio e as atividades econmicas.

    - Focaliza grupos de atores (empresas e organizaes de pesquisa e desenvolvimento, treinamento, educao, promoo, financiamento etc.) e de atividades conexas que caracterizam qualquer sistema produtivo e inovativo.

    - Cobre o espao, onde ocorre o aprendizado, so criadas as capacitaes produtivas e inovativas e fluem os conhecimentos tcitos.

    - Representa o nvel no qual as polticas de promoo do aprendizado, inovao e criao de capacitaes podem ser mais efetivas.

  • 43

    De acordo com Cassiolato, Matos e Lastres (2008) a definio de ASPILs (a

    apresentada anteriormente) representa um quadro de referncias, mediante o qual se busca

    compreender os processos de gerao, difuso e utilizao de conhecimentos e dinmica

    produtiva e inovativa. Segundo os autores,

    Tal abordagem oferece um novo instrumental para entender e orientar o

    desenvolvimento industrial e tecnolgico. Entende-se a produo e a

    inovao como processos sistmicos, que resultam da articulao de

    distintos atores e competncias. Isso explica porque as novas polticas de

    desenvolvimento produtivo e inovativo visam mobilizar esses elementos,

    com o objetivo de ampliar a capacidade de gerar, assimilar e usar

    conhecimentos. (CASSIOLATO; MATOS; LASTRES, 2008, p.31-32).

    Ao observarmos como se caracterizam os APLs e fundamentados na concepo de

    Lastres e Cassiolato (2005a) sobre a produo de bens e servios ter sempre em sua volta

    arranjos e na de Pecqueur (2005) sobre o desenvolvimento territorial no poder ser

    implantado por decreto, pois uma construo dos atores, entendemos que os APLs no so

    criados, eles surgem de um conjunto de fatores pr-existentes. Um quadro de referncias

    (como o dos ASPILs) pode servir para orientar a formulao de polticas e aes de diversas

    instituies para o fortalecimento dos APLs, sejam eles complexos ou no.

    O uso de metodologia apropriada para delimitao e identificao das concentraes

    produtivas localizadas, bem como a observncia das caractersticas, so importantes para o

    estabelecimento de diretrizes de ao de polticas pblicas para esses tipos de estruturas, que

    devem ser cuidadosamente observadas devido relevncia de seu papel para o

    desenvolvimento das regies, com a gerao de empregos e bem-estar social (SUZIGAN et

    al., 2004). Em relao importncia desses sistemas produtivos e necessidade de

    metodologias adequadas para o sucesso de polticas pblicas, Suzigan (2006) corrobora:

    Pelo potencial que apresentam do ponto de vista de polticas de

    desenvolvimento local, ou mesmo regional, com elementos de polticas

    industriais, as aglomeraes geogrficas e setoriais de empresas vm

    crescentemente sendo objeto de polticas pblicas. Por meio da coordenao

    de aes entre os agentes privados, as aes de polticas visam melhorar as

    condies locais para o crescimento das empresas, incentivo a investimentos,

    desenvolvimento tecnolgico, aumento de exportaes e, sobretudo,

    aumento do emprego e da renda local ou regional. Todavia, o desenho de

    diretrizes de ao de polticas pblicas no contexto da importncia das

    estruturas produtivas localizadas, no pode prescindir de critrios adequados

    para delimitao e para identificao estatstica dos sistemas produtivos

    locais. Dentre os fatores que influenciam o sucesso das iniciativas de

    polticas est a correta identificao da existncia de produtores aglomerados

    e da compreenso das principais caractersticas da estrutura produtiva local.

  • 44

    Porm, no caso brasileiro, o que se tem visto nos ltimos anos a ausncia

    de uma efetiva coordenao das aes e, em conseqncia, sobreposio e

    disperso das aes institucionais, com desperdcio de recursos e resultados

    que ficam aqum dos esperados por essas polticas. (SUZIGAN, 2006, p.

    14).

    O papel dos IFs, institudo como poltica pblica para desenvolvimento local, se

    compe como o de uma instituio de ensino que, alm da oferta de cursos, deve agir em

    conformidade com a demanda de seu territrio e com ele interagir, como podemos observar

    (Quadro 2) nas finalidades e caractersticas estabelecidas pela Lei 11.892/2008 (Anexo A):

    Quadro 2 Finalidades e caractersticas dos Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia de acordo com a Lei 11.892/2008.

    LEI 11.892/2008 SEO II artigo 6

    FINALIDADES E CARACTERSTICAS DOS INSTITUTOS FEDERAIS

    I- ofertar educao profissional e tecnolgica, em todos os seus nveis e modalidades, formando e qualificando cidados com vistas na atuao profissional nos diversos setores da economia, com nfase no desenvolvimento socioeconmico local, regional e nacional; II- desenvolver a educao profissional e tecnolgica como processo educativo e investigativo de gerao e adaptao de solues tcnicas e tecnolgicas s demandas sociais e peculiaridades regionais; IV- orientar sua oferta formativa em benefcio da consolidao e fortalecimento dos arranjos produtivos, sociais e culturais locais, identificados com base no mapeamento das potencialidades de desenvolvimento socioeconmico e cultural no mbito de atuao do Instituto Federal; V- constituir-se em centro de excelncia na oferta do ensino de cincias, em geral, e de cincias aplicadas, em particular, estimulando o desenvolvimento de esprito crtico, voltado investigao emprica; VI- qualificar-se como centro de referncia no apoio oferta do ensino de cincias nas instituies pblicas de ensino, oferecendo capacitao tcnica e atualizao pedaggica aos docentes das redes pblicas de ensino; VII- desenvolver programas de extenso e de divulgao cientfica e tecnolgica; VIII- realizar e estimular a pesquisa aplicada, a produo cultural, o empreendedorismo, o cooperativismo e o desenvolvimento cientfico e tecnolgico; IX- promover a produo, o desenvolvimento e a transferncia de tecnologias sociais, notadamente as voltadas preservao do meio ambiente.

    Esta institucionalidade coloca os IFs como instituies de ensino superior (IES).

    Embora os IFs tenham se institucionalizado como IES recentemente em relao s outras IES,

    consideramos importante ressaltar o papel dessas instituies a partir das transformaes

    advindas do regime de acumulao flexvel, como assinala Tartaruga (2010) ao dizer que

    nesse contexto,

  • 45

    [...] as universidades tm atribuies especficas para o desenvolvimento dos

    territrios. Tanto do ponto de vista do ensino, formando mo de obra

    qualificada nas mais diferentes reas e requalificando a fora de trabalho j

    inserida no mercado, quanto do das pesquisas desenvolvidas em seus

    laboratrios, centros e grupos de pesquisa, gerando novos conhecimentos em

    cincias bsicas, que, no raro, auxiliam no melhoramento de atividades

    produtivas. Alm disso, no perodo atual, em que a inovao torna-se

    elemento chave para o desenvolvimento produtivo, a importncia das

    universidades torna-se muito maior do que j era no passado.

    (TARTARUGA, 2010, p. 10).

    importante aos IFs que se orientem para o atendimento das imposies legais quanto

    suas finalidades e objetivos no sentido de se apropriarem mais de sua real dimenso e papel

    e planejarem suas aes em relao ao que lhe cabe e lhe possvel.

    Estabelecidas as concepes que fundamentam a anlise dos resultados da pesquisa,

    em seguida apresentamos os procedimentos de coleta dos dados, os resultados e a discusso.

  • 46

    3 MATERIAL E MTODOS

    A pesquisa foi realizada no Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres, no perodo de

    dezembro de 2010 a fevereiro de 2012, envolvendo vrios atores no contexto desta instituio

    de ensino.

    Foram aplicados questionrios e entrevista especficos a diferentes setores, e atores

    considerados representativos na promoo do desenvolvimento da regio. As

    classes/categorias estudadas foram egressos dos cursos do IF Goiano Cmpus Ceres e, no

    mbito do Vale de So Patrcio, produtores rurais e agricultores familiares; dirigentes da

    Emater Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural do estado de Gois; associaes

    comerciais ou cmara de dirigentes lojistas (CDLs) e arranjos produtivos locais (APLs). Para

    a coleta de dados foram utilizados trs instrumentos, dois questionrios e entrevista

    semiestruturada, conforme as categorias estudadas. Tambm foi feito um levantamento sobre

    os setores produtivos predominantes no Vale de So Patrcio.

    A coleta dos dados na categoria dos egressos consistiu na aplicao de questionrio

    com dez questes fechadas, duas abertas e seis combinaes de questes fechadas e abertas

    (Apndice A)26

    , totalizando dezoito questes, formuladas no intuito de verificar a insero e

    atuao dos egressos nos setores produtivos e arranjos produtivos locais e a percepo desses

    egressos quanto contribuio do IF Goiano Cmpus Ceres em sua formao e atuao

    profissional. Os questionrios foram aplicados durante o XI Encontro de Egressos do IF

    Goiano Cmpus Ceres, no ano de 2010; e enviados por correio eletrnico dos egressos

    cadastrados na Coordenao de Integrao Escola-Comunidade do Instituto, assim como para

    endereos eletrnicos obtidos por meio dos servidores e discentes. Dos cento e nove

    questionrios respondidos, trinta e sete so oriundos do Encontro de Egressos e setenta e trs

    foram devolvidos por correspondncia eletrnica.

    Aos produtores rurais e agricultores familiares (totalizando cento e sessenta e oito

    pesquisados) foi realizada entrevista semiestruturada com vinte e cinco questes, doze

    fechadas, uma aberta e doze combinaes de questes fechadas e abertas (Apndice B); em 10

    municpios do Vale de So Patrcio (dentre 29), com o objetivo de identificar as percepes

    manifestadas por esses agentes de desenvolvimento quanto contribuio do IF Goiano

    Cmpus Ceres para suas localidades.

    26

    O questionrio aplicado aos egressos foi elaborado em conjunto com a Coordenao de Integrao Escola-

    Comunidade do IF Goiano Campus Ceres.

  • 47

    Os municpios estudados foram Carmo do Rio Verde, Ceres, Goiansia, Itapaci,

    Itapuranga, Jaragu, Rialma, Rubiataba, Santa Isabel e Uruana27, devido proximidade com a

    instituio, afinidade das atividades econmicas com o perfil do Instituto e quantidade de

    alunos da instituio oriundos desses municpios.

    Tendo em vista a dimenso territorial e a dinmica dos eventos em que esses dados

    foram coletados, foi feito treinamento rigoroso com um grupo de colaboradores, servidores e

    discentes do Instituto, para que as entrevistas pudessem abranger o mximo de participantes

    presentes nos eventos.

    Dentre essa categoria houve predominncia de produtores rurais associados e/ou

    cooperados e a coleta de dados foi feita em reunies de cooperativas e associaes; e em

    feiras de produtores rurais, destinadas exclusivamente para a comercializao dos produtos

    oriundos das propriedades rurais dos municpios.

    A identificao dos APLs no Vale de So Patrcio ocorreu por meio de levantamento

    junto ao Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior28. Foram aplicados

    quarenta e trs questionrios com quatro questes fechadas, quatro abertas e quatro

    combinaes de questes fechadas e abertas (Apndice C), totalizando doze questes, aos

    participantes dos APLs de Confeces em Jaragu, de Sade na cidade de Ceres e Madeireiro

    no Vale de So Patrcio, estando os dois ltimos, em fase de desenvolvimento. A formulao

    do questionrio se ateve ao objetivo de verificar a insero de egressos do IF Goiano

    Cmpus Ceres nestes APLs, identificar as percepes desses atores quanto atuao dos

    egressos, assim como a do IF Goiano Cmpus Ceres no desenvolvimento da regio.

    Nos APLs de Confeces e de Sade, os instrumentos de coleta foram distribudos de

    forma aleatria, dando conhecimento sobre o objetivo do trabalho e solicitando colaborao

    para que os questionrios fossem respondidos. No APL Madeireiro, devido falta de dados

    sobre seus integrantes, foram obtidas informaes sobre silvicultores da regio junto Emater

    do municpio de Carmo do Rio Verde e Agncia Goiana de Defesa Agropecuria

    Agrodefesa, do municpio de Ceres; bem como de servidores e discentes do IF Goiano

    Cmpus Ceres, que residem em municpios do Vale. A partir desses apontamentos, os

    questionrios foram aplicados queles que se dispuseram a respond-los. Foram aplicados

    quarenta e trs questionrios aos participantes dessa categoria.

    27

    Nmero de habitantes (IBGE, 2010): Ceres - 20.722; Carmo do Rio Verde - 8.928; Goiansia - 59.549; Itapaci

    18.458; Itapuranga - 26.125; Jaragu - 41.870; Rialma - 10.523; Rubiataba - 18.915; Santa Isabel - 3.686;

    Uruana - 13.826. Disponvel em: . Acesso em 12 fev. 2012. 28

    Disponvel em: . Acesso em 29 nov. 2010.

  • 48

    Na categoria das empresas, foram consideradas a Emater, associaes comerciais e/ou

    cmara de dirigentes lojistas dos municpios de Carmo do Rio Verde, Ceres, Goiansia,

    Itapaci, Itapuranga, Jaragu, Nova Glria, Rialma, Rianpolis, Rubiataba, Santa Isabel e

    Uruana29; onde tambm foram aplicados vinte e um questionrios (Apndice C), no intuito de

    verificar a contribuio do IF Goiano Cmpus Ceres para suas localidades. A seleo desses

    municpios tambm ocorreu devido proximidade em relao aos demais municpios do Vale,

    afinidade das atividades econmicas com o perfil do Instituto e a quantidade de alunos da

    instituio oriundos destes municpios.

    Diante da dificuldade de acesso aos dados sobre as empresas cadastradas nos rgos

    competentes municipais a fim de caracterizar os setores produtivos predominantes no Vale de

    So Patrcio, foi feito um levantamento com base no banco de dados, disponvel no relatrio

    de contribuintes goianos30 da Secretaria de Estado da Fazenda Sefaz-GO. O propsito desse

    levantamento fundamentou-se na inteno de obter dados sobre os tipos e predominncia de

    empresas, cujas atividades se correlacionam e se identificam com o perfil do IF Goiano

    Cmpus Ceres.

    Aps a obteno dos questionrios e entrevistas de cada categoria, procedeu-se a

    tabulao, elaborao de figuras, quadros, tabelas, e anlise dos dados.

    29

    Nmero de habitantes (IBGE, 2010): Nova Glria - 8.508; Rianpolis - 4.566. Demais municpios, vide nota

    de referncia n 27. Disponvel em: . Acesso em 12 fev. 2012. 30

    Relatrio de Contribuintes Goianos (por tipo e municpio). Disponvel em: .

    Acesso em 03 ago. 2011. importante observar que o nmero de/e contribuintes constantes nesse Relatrio

    variam a cada ano, tendo em vista a incluso ou excluso de contribuintes.

  • 49

    4 RESULTADOS E DISCUSSO

    A apresentao dos resultados e a discusso so feitas com base nas informaes

    advindas dos instrumentos de coleta e o tratamento dos dados, dos quais foi possvel

    caracterizar as categorias de participantes, que seguem descritas separadamente, bem como

    obter elementos para as anlises que buscaro respostas aos questionamentos levantados.

    Nesse sentido, reitera-se o propsito deste estudo que o de analisar a insero e

    atuao do IF Goiano Cmpus Ceres nos setores produtivos e arranjos produtivos locais e

    dimensionar sua real importncia no desenvolvimento do Vale de So Patrcio.

    Egressos

    A discusso dos resultados obtidos nessa categoria parte de questionamentos sobre a

    insero dos egressos no mercado de trabalho; se, como tcnicos, eles correspondem s

    necessidades dos setores produtivos e arranjos produtivos locais; se esto inseridos em

    atividades relacionadas sua rea de formao; assim como sobre quais percepes destes

    egressos podem ser diagnosticadas no sentido de melhor orientar a atuao do IF Goiano

    Cmpus Ceres tanto em relao ao ensino, como na pesquisa e na extenso.

    A dimenso do espao para a anlise dos dados foi estabelecida no mbito do Vale de

    So Patrcio e a dimenso do tempo se estabelece a partir da primeira turma de concluintes da

    antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres, hoje IF Goiano Cmpus Ceres, em 1997; do

    perodo em que foi realizada a coleta dos dados, nos meses de dezembro de 2010 a fevereiro

    de 2011 at o perodo de trmino deste estudo, em 2012, relacionando essa dimenso

    temporal com as possibilidades de aes desse Instituto em suas incurses posteriores, diante

    de sua nova institucionalidade.

    Dos 109 participantes 78% so do sexo masculino e 22% do sexo feminino. A maioria

    proveniente da zona urbana (80,2%) e 19,8% so da zona rural. Esses egressos so oriundos

    de 30 municpios, 26 destes no estado de Gois e os restantes nos estados de Tocantins, Par,

    So Paulo e Distrito Federal; dentre esses municpios 11 esto situados no Vale de So

    Patrcio.

    Quanto ao local de residncia dos egressos esto distribudos em 37 municpios, dos

    quais 30 localizam-se no estado de Gois, os demais nos estados de Tocantins, Mato Grosso,

    Distrito Federal, So Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais; estando 16 nos parmetros do

    Vale.

  • 50

    Percebe-se que tanto em relao ao local de origem como ao local de residncia, a

    distribuio desses egressos est concentrada no estado de Gois, sendo a maior parte no Vale

    de So Patrcio (Tabela 1). Esse fato evidencia que os egressos do IF Goiano Cmpus Ceres

    atuam prximo instituio e, como multiplicadores de conhecimentos e tecnologias, podem

    contribuir para o desenvolvimento da regio.

    Tabela 1 Origem e residncia dos egressos do IF Goiano Cmpus Ceres. Ceres, GO, 2012.

    Origem dos egressos Distribuio (%) Residncia Distribuio (%)

    Outros estados 5,44 Outros estados 13,86 Gois 94,56 Gois 86,14

    Vale de So Patrcio 65,21 Vale de So Patrcio 57,43

    A distribuio dos cursos realizados pelos egressos participantes foi de 53,8% para

    Agropecuria Integrado ao Ensino Mdio, 15,4% Agricultura, 15,4% Meio Ambiente, 11,1%

    Zootecnia, 3,4% Agroindstria e 0,9% Informtica. Do total, 8,3% realizaram mais de um

    curso no Instituto. A preferncia pelo curso de Agropecuria Integrado ao Ensino mdio pode

    estar associada ao fato de ser o nico curso, at 2010, a oferecer formao tcnica integrada

    ao ensino mdio.

    Os egressos so concluintes de turmas que compreendem perodos desde a

    implantao da EAFCe at concluintes das turmas do ano de 2010 (reiterando que a coleta dos

    dados ocorreu em dezembro de 2010 a fevereiro de 2011), havendo intermitncia apenas de

    dois anos (Figura 2). A primeira turma da ento EAFCe iniciou no ano de 1995, com

    concluso no ano de 1997. A frequncia em relao aos anos de concluso das turmas dos

    participantes revela que, seja por meio dos encontros de egressos realizados anualmente ou

    pelo fato dos egressos ainda manterem contato com os servidores do Instituto, existe por parte

    dos egressos um vnculo com a instituio. O Instituto, por sua vez se interessa e se dispe a

    estabelecer e firmar vnculo com os egressos, tornando-o possvel com a promoo dos

    encontros de egressos e com as vias de comunicao das quais dispe.

  • 51

    0,0

    5,0

    10,0

    15,0

    20,0

    25,0

    1997 1998 2000 2001 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

    Fre

    qu

    n

    ci a

    (%

    )

    Figura 2 Distribuio (%) dos egressos segundo o ano de concluso dos cursos no IF Goiano Cmpus Ceres.

    importante que esse vnculo, de ambas as partes, seja mantido. No Instituto o

    egresso pode manter-se a par de novas tecnologias em sua rea de formao e das demandas

    nos setores produtivos se esta instituio estiver atuante no desenvolvimento de pesquisas e

    nas atividades de extenso. O acompanhamento de egressos, para o Instituto, pode ser uma

    ferramenta norteadora, servindo como suporte gesto administrativa e pedaggica. Partindo

    de uma lgica na qual o educando a razo de existir de uma instituio de ensino e o alvo

    de todos os seus esforos, entendemos e acreditamos que, a partir da aplicao de seus

    conhecimentos e experincias, o egresso de uma instituio de ensino profissional inserido no

    mundo do trabalho, ou mesmo com dificuldade para ocupar postos de trabalho, fonte

    preponderante para identificao de sucessos e insuficincias no processo de formao.

    A opinio dos egressos quanto formao proporcionada nos cursos foi tida como

    melhor no ensino tcnico em comparao formao no ensino mdio (Figura 3).

    65,6

    34,4

    0,0

    10,0

    20,0

    30,0

    40,0

    50,0

    60,0

    70,0

    80,0

    90,0

    100,0

    ensino tcnico ensino mdio

    %

    Figura 3 Opinies dos egressos quanto melhor formao proporcionada pelo curso realizado no IF Goiano Cmpus Ceres.

  • 52

    Reforam a opinio apresentada anteriormente os apontamentos dos egressos sobre a

    principal contribuio oferecida pelo curso, com valor relativo mais expressivo para a

    formao profissional em relao aos conhecimentos gerais, a formao cidad, a obteno de

    diploma de nvel tcnico e melhores perspectivas de ganhos materiais, conforme distribuio

    na figura 4.

    16,08

    3,50

    39,86

    30,07

    10,49

    0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0

    Formao do cidado

    Melhor remunerao

    Formao profissional

    Conhecimentos gerais

    Diploma do curso tcnico

    (%)

    Figura 4 Opinies dos egressos quanto principal contribuio do curso realizado no IF Goiano Cmpus Ceres.

    Essa distribuio (Figura 4) tambm pode estar associada ao fato de a maioria dos

    respondentes ter cursado Agropecuria Integrado ao Ensino Mdio, como apresentado

    anteriormente. Um ponto importante a ser observado que a despeito da maior parte dos

    egressos ter indicado a formao profissional como a principal contribuio do curso, houve

    formao considervel nas outras categorias de respostas; o que, mesmo sem possibilidade de

    que seja uma assero, pode levar a um entendimento de que os cursos tcnicos integrados ao

    ensino mdio podem estar no caminho para a integrao entre a formao geral e a formao

    tcnica.

    Questionados sobre o que tem faltado aos recm-formados, 36,60% dos egressos

    apontaram embasamento prtico; 30,36% capacidade de liderana; 26,79% viso sistmica,

    adquirida por meio da realizao de Estgio Supervisionado; e 6,25% embasamento terico

    (Figura 5).

  • 53

    6,25

    36,60

    26,7930,36

    0

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    70

    80

    90

    100

    Teoria Prtica Viso sistmica Liderana

    %

    Figura 5 Apontamentos sobre o que tem faltado aos recm-formados, segundo os egressos do IF Goiano Cmpus Ceres participantes da pesquisa.

    Confrontando esses dados com os anteriores, especificamente os 65,6% (Figura 3) que

    indicaram como melhor formao a do ensino tcnico, sem deixar de considerar os 39,86%

    (Figura 4) que assinalaram como principal contribuio do curso realizado a formao

    profissional; pode-se entender que houve contradio por parte considervel (36,60% Figura

    5) desse percentual ao dizer que falta ao recm-formado embasamento prtico. Tal

    contradio pode ser analisada pela perspectiva de que no ensino tcnico o aluno est diante

    de aprendizagens antes no experimentadas, como foram as aprendizagens relacionadas s

    disciplinas anteriormente conhecidas; e que, por isso, aquelas podem parecer mais

    significativas. Outra questo que esse apontamento da falta de embasamento prtico ao

    recm-formado pode estar relacionado ao processo de reduo de carga horria que tm

    sofrido as disciplinas do ensino tcnico, que consequentemente reduziu no apenas o ensino

    da prtica como tambm da teoria. A despeito dessas perspectivas apresentadas, 89,3% dos

    participantes afirmaram que os cursos oferecidos pelo Instituto atendem as necessidades de

    insero dos profissionais no mercado de trabalho.

    A avaliao de 63,1% dos egressos em relao ao nvel de exigncia dos cursos foi de

    que deveria ter sido maior (20,7% muito maior e 42,4% um pouco maior). 35,1% julgaram ter

    sido suficiente o nvel de exigncia e apenas 1,8% acharam que deveria ter sido menor. Esse

    resultado tambm recomenda ao Instituto ateno em relao aos cursos tcnicos e reforam a

    ideia de que dos egressos podem vir indicaes para melhoria do ensino tcnico.

    Ao terminar os cursos os egressos tiveram como principais dificuldades encontrar

    emprego na rea, tempo para se dedicar a continuao dos estudos, adequao ao salrio,

  • 54

    adaptao ao ambiente de trabalho, continuar na mesma empresa, ser promovido, como

    mostra a figura 6. Apesar da indicao de dificuldade para encontrar emprego, bem como de

    tempo para continuar dedicando aos estudos, 32% trabalham e estudam; 27,4% apenas

    trabalham (totalizando 59,4% que trabalham); contudo 34% apenas estudam e 6,6% no

    trabalham nem estudam. Com base no percentual apresentado, pode-se verificar que

    considervel o nmero de egressos que no ocupam postos de trabalho.

    35,9

    5,4

    1,1

    3,3

    14,1

    40,2

    0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0

    Tempo para continuar os estudos

    Ambiente de trabalho

    Ser promovido

    Continuar na empresa

    Salrio

    Encontrar emprego

    (%)

    Figura 6 Dificuldades apresentadas aps a concluso do curso segundo os egressos do IF Goiano Cmpus Ceres.

    Retomando o sentido de empregabilidade apontado por Gentili (2008) e Paiva (2008)

    no qual a noo de competncia se desenvolveu, ao observarmos os dados das figuras 5 e 6,

    compreendemos que, apesar da necessidade da qualificao e do desenvolvimento de

    competncias necessrias para a insero no mundo do trabalho, estas no levam a cabo a

    questo do desemprego, uma vez que superar esse problema no depende disso na totalidade.

    Nesse sentido, nos respaldamos em Paiva (2008):

    As novas condies de insero no mundo do trabalho dos que esto

    buscando emprego pela primeira vez, de reinsero dos que foram expelidos

    do mercado em funo de dificuldades de adaptao e no lograram

    reingressar ou dos que optaram por abdicar do trabalho formalizado - os

    colocam frente a uma nova maneira de enfocar e de vivenciar fenmenos

    sociais diversos. Os sofrimentos ligados a dificuldades de conquistar (ou

    perda de) status socio-profissional, as profundas mudanas na vida diria, os

    riscos associados ao desemprego e ao subemprego so conhecidos. Por isso

    mesmo, as transformaes por que passa o mundo contemporneo esto a

    demandar novas e maiores foras psquicas e virtudes pessoais [...]

    necessrias vida num mundo em que a concorrncia se acirrou. So

    atributos que transcendem as possibilidades do sistema educacional, a

    aquisio de qualificao ou de competncias. (PAIVA, 2008, p. 55).

  • 55

    A despeito dos 40,2% que apontaram como principal dificuldade encontrar emprego

    na rea, 76,7% dos egressos participantes assinalaram que existe demanda de profissionais da

    rea tcnica em suas regies (Figura 7); destas o Instituto no possui cursos para atender as

    demandas de profissionais nas reas de alimentos, do setor sucroalcooleiro, mecnica,

    minerao, metalurgia e florestal (Figura 7).

    5,61

    0,93

    0,93

    3,74

    0,93

    6,54

    9,35

    1,87

    1,87

    7,48

    20,56

    21,50

    18,69

    0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0

    Vrios

    Florestal

    Metalurgia

    Minerao

    Mecnica

    Ambiental

    Sucroalcooleira

    Informtica

    Administrao

    Alimentos

    Agricultura

    Zootecnia

    Agropecuria

    (%)

    Figura 7 Demanda de profissionais segundo a rea tcnica de acordo com os egressos participantes da pesquisa.

    Dos egressos que trabalham, a distribuio equivalente entre empresas pblicas e

    privadas 40%/40%; 14,7% so autnomos e 5,3% ocupam postos de trabalho em

    organizaes no governamentais. Do total desse contingente, 40,4% atuam na rea de

    formao enquanto 59,6% trabalham fora da rea de formao.

    Na opinio dos egressos inseridos no mundo do trabalho na rea de sua formao, o

    tempo necessrio para adaptar-se e tornar-se produtivo para 12,3% imediatamente aps a

    contratao; 17,9% consideram necessrias algumas semanas; 33% alguns meses; 19,8%

    entre um e dois anos; 1,9% mais de dois anos; os 15,1% restantes no trabalham na rea de

    formao.

    Parte dos egressos (45,5%) afirmou sentir segurana no primeiro trabalho aps a

    concluso do curso. As razes alegadas para tal segurana foram: boa formao no curso

    realizado; participao em cursos de capacitao oferecidos pela empresa em que

    trabalha/trabalhava; assistncia de supervisores para sanar dvidas; no atuao na rea do

  • 56

    curso realizado; autoconfiana; pouco tempo de trabalho; baixo nvel de exigncia do

    trabalho; conhecimento suficiente; identificao com o curso realizado.

    Questionados sobre a maior dificuldade enfrentada no primeiro trabalho (dos 62

    pesquisados que responderam ao questionamento), 9,7% dos egressos no apontaram

    dificuldades e 90,3% apresentaram dificuldades que foram agrupadas e distribudas segundo

    trs aspectos: formativo, relacionado ao todo que envolve o ensino e a aprendizagem e que

    pode ser aperfeioado; individual e emocional, referente ao que depende dos esforos e do

    carter emocional do indivduo; institucional e empresarial, pertinente instituio

    empregadora. Algumas das dificuldades podem ser inseridas em mais de um dos aspectos

    apresentados, segundo as interpretaes que lhes podem ser dadas (Quadro 3).

    Quadro 3 Dificuldades encontradas no primeiro trabalho segundo os aspectos formativo, individual/emocional, institucional/empresarial, indicados pelos egressos do IF Goiano Cmpus Ceres participantes da pesquisa.

    FORMATIVO INDIVIDUAL/EMOCIONAL INSTITUCIONAL/EMPRESARIAL

    - Falta de experincia; - Falta de viso sistmica; - Dificuldade relacionada ao uso de

    programas de computador; - Atender expectativas dos

    superiores; - Insegurana; - Conhecimento especfico

    deficiente no curso; - Relacionamento interpessoal; - Articular teoria e prtica; - Liderana; - Despreparo para ingresso no

    mercado de trabalho; - Conhecimento terico deficiente; - Conhecimento tcnico deficiente.

    - Adaptao lngua estrangeira e ao

    ambiente31

    ;

    - Adaptao carga horria de trabalho;

    - Adaptao s normas e exigncias da empresa;

    - Imaturidade; - Recordar conhecimentos

    adquiridos; - Adaptao ao mercado de trabalho; - Adaptao no primeiro emprego; - No estar na rea de formao; - Distncia de casa e dos centros

    urbanos; - Adaptao ao trabalho; - Adaptao s condies do

    mercado; - Ser aceito ao passar

    conhecimentos.

    - Honorrios pagos incorretamente;

    - Adequao ao salrio.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

    Os egressos apontaram como as habilidades mais exigidas em seus trabalhos a

    comunicao (26,2%), o trabalho em equipe e liderana (28,7%), o raciocnio lgico/anlise

    crtica (16,4%), o senso tico (7,4%); e 21,3% alegaram no trabalhar. As habilidades

    exigidas podem ser observadas no quadro 3.

    31

    Egresso que estagiou em instituio internacional.

  • 57

    Do total de egressos participantes, 96,1% recomendaram os cursos do IF Goiano

    Cmpus Ceres. Dentre os cursos recomendados predominou o curso Tcnico em

    Agropecuria, conforme mostra a figura 8.

    23,58

    0,94

    0,94

    0,94

    2,83

    9,43

    6,60

    12,26

    9,43

    2,83

    30,22

    0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0

    Todos

    Biologia

    Agroindstria

    Qumica

    Administrao

    Meio ambiente

    Zootecnia

    Agronomia

    Agricultura

    Informtica

    Agropecuria

    (%)

    Figura 8 Recomendao de cursos ofertados no IF Goiano Cmpus Ceres segundo os egressos participantes da pesquisa.

    Com base no entendimento de que os egressos so uma fonte para nortear a gesto

    administrativa e o processo de ensino e aprendizagem, foi feito questionamento para que

    apresentassem sugestes de alterao de contedo dos cursos realizados, tendo em vista as

    novas tendncias em suas reas de atuao. As sugestes foram categorizadas e distribudas

    sob o ponto de vista de formao tcnica, condizendo com as especificidades dos cursos

    tcnicos; formao extracurricular, ou seja, no contidas nos currculos de formao dos

    cursos; e de integrao, na perspectiva da articulao da instituio com a comunidade

    externa e com as necessidades dos educandos que enfrentaro o mercado de trabalho (Quadro

    4). Quanto ao uso do termo formao extracurricular para a categorizao dos enunciados,

    esclarecemos que a escolha se deu em virtude de ter se aproximado de forma mais geral a

    alguns aspectos que poderiam ter sido classificados separadamente, a saber aqueles que

    realmente so de carter extracurricular e alguns, de carter subjetivo, que podem ser

    entendidos como competncias a serem desenvolvidas, pertinentes pedagogia de

    competncias que orienta as Diretrizes e os Referenciais Curriculares Nacionais da Educao

    Profissional de Nvel Tcnico.

  • 58

    Quadro 4 Principais sugestes dos egressos para alterao dos contedos dos cursos ofertados pelo IF Goiano Cmpus Ceres.

    FORMAO TCNICA FORMAO EXTRACURRICULAR INTEGRAO

    - Redao e comunicao empresarial; - Educao ambiental; - Introduo aos mtodos de pesquisa; - Contedos de topografia, cartografia e

    georreferenciamento aplicados aos cursos; - Aumentar prticas de mecanizao agrcola; - nfase em botnica; - Elaborao de projetos; - Agricultura de preciso; - Sensoriamento remoto e uso de GPS nas atividades

    agrcolas; - Produo de mudas; - Silvicultura; - Manejo e conservao do solo; - Tecnologia de alimentos; - Informtica aplicada agropecuria; - Secagem e armazenamento de gros; - Defesa agropecuria; - tica profissional; - Equinocultura; - Marketing; - Gesto de pessoas.

    - Atualizao frente s inovaes tecnolgicas; - Comunicao; - Capacidade de liderana; - Raciocnio lgico; - Projetos de pesquisa; - Participao em eventos cientficos; - Leitura de artigos cientficos; - rgos reguladores, assim como das atividades do

    agronegcio.

    - Promover mais parcerias com empresas para facilitar o ingresso de estudantes concluintes;

    - Orientaes e preparo para o primeiro emprego; - Familiarizar os futuros tcnicos com a realidade do

    mercado de trabalho; - Trabalho em equipe e relaes pessoais.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

  • 59

    Conforme a categorizao dos dados apresentados no quadro 4, observamos que as

    sugestes referentes aos currculos dos cursos tcnicos indicam (se j no contempladas) sua

    reformulao, posto que as sugestes partiram da percepo dos egressos em relao a alguma

    insuficincia nos cursos realizados, ou indicam que os cursos podem ser enriquecidos se estas

    sugestes forem consideradas. Em relao s categorias formao extracurricular e

    integrao, tambm considerando a pertinncia das colocaes dos egressos, deve ser

    analisada a possibilidade de que essas sugestes sejam, de alguma maneira, ponderadas e

    incorporadas s atividades e/ou metodologias utilizadas ao longo dos cursos.

    Os pontos apresentados na formao extracurricular (ainda no Quadro 4) apontam que

    a Instituio deve oferecer, alm das disciplinas, condies os discentes para envolver-se em

    atividades nas quais possam superar essas dificuldades, mormente as que estejam relacionadas

    ao desenvolvimento de competncias, conforme esclarecemos anteriormente. Dentre os

    pontos apresentados pelos egressos, assinalamos que o envolvimento dos alunos em projetos

    cientficos de ao em atividades de extenso pode propiciar situaes e circunstncias como

    tentativa de concorrer ao atendimento dessas necessidades. A elaborao de projetos exige a

    leitura de artigos cientficos, permite atualizar conhecimentos em reas especficas, fortalece a

    comunicao escrita e tambm oral dos discentes, uma vez que ao planejarem a apresentao

    dos resultados em eventos cientficos tero oportunidade de sistematizar a linguagem de

    maneira a alcanar os objetivos em diferentes tipos de eventos e pblicos, alm de facultar a

    interao com diferentes comunidades. No entanto, importante observar que ao se conceber

    metodologias para que o conhecimento e as aprendizagens sejam internalizadas e se

    concretizem efetivamente, deve-se atentar para o fato de que as propostas no se atenham

    apenas aos procedimentos prticos, s aes como prope a pedagogia baseada no

    desenvolvimento de competncias. Nesse sentido, nos apoiamos em Ramos (2002) para

    fundamentar nossa percepo:

    Se os processos de trabalho que os estudantes da educao profissional

    podero vir a enfrentar compem uma totalidade histrica e mais complexa

    do que a soma das atividades que a constituem, a possibilidade de esses

    estudantes compreend-los ao ponto de domin-los e transform-los exige

    que se apropriem dos conceitos cientficos que os estruturam. Entendemos

    que essa a competncia fundamental a se perseguir. Sendo os conceitos

    cientficos e tecnolgicos mediaes que conformam a totalidade do

    processo de trabalho, a apreenso dos primeiros possibilita apreender-se a

    concreticidade do segundo. (RAMOS, 2002, p. 415).

  • 60

    Em relao integrao (Quadro 4), as parcerias do Cmpus Ceres com outras

    instituies, o que j realidade em algumas reas, podem contribuir para essas necessidades.

    Vale ressaltar que parte destas, tambm podem ser alcanadas a partir de iniciativas de

    representaes como o Grmio Estudantil e Centros Acadmicos.

    Dos egressos que continuam seus estudos, 34,9% estudam na rea de formao, e

    esto distribudos em 13 municpios nos estados de Gois, Mato Grosso, Tocantins e Minas

    Gerais. Apenas 3 desses municpios esto localizados no Vale de So Patrcio (Ceres,

    Goiansia e Rubiataba). Desse percentual, 67,6% iniciaram seus cursos de graduao quando

    o IF Goiano Cmpus Ceres j havia aberto processo seletivo para o primeiro curso superior

    (em 2009). Considerando-se o fato de os Institutos Federais proporcionarem a interiorizao

    do ensino superior no pas, ressaltamos a importncia de que o Cmpus Ceres se atente para

    as necessidades regionais no que concerne abertura de novos cursos. Essa observncia

    favorece o desenvolvimento de seu territrio de ao, e que pode minimizar a disperso dos

    jovens a locais distantes de suas origens em busca de universidades, bem como o

    esvaziamento das pequenas cidades e do campo, caso dos participantes dessa pesquisa que em

    sua maioria se originam do Vale de So Patrcio.

    Segundo Paro (1999), a funo social da escola a de proporcionar acesso ao

    conhecimento de forma que possibilite a formao de cidados (...) capazes de participar

    politicamente, usufruindo daquilo que o homem histrico produziu, mas ao mesmo tempo

    dando sua contribuio criadora e transformando a sociedade. Reitera-se aqui a afirmao do

    autor, no entanto, no se pode deixar de lado o fato de que uma instituio voltada

    fundamentalmente educao profissional e tecnolgica tambm tem como finalidade a de

    proporcionar o conhecimento tcnico e cientfico necessrio ao trabalhador. A transio da

    EAFCe em IF Goiano Cmpus Ceres, trouxe a essa instituio, de forma inerente, objetivos

    e finalidades bem claras expressas na Lei 11.892/2008 que a colocam em estreita ligao com

    o mundo do trabalho e com o desenvolvimento socioeconmico de seu territrio de

    abrangncia.

    Apesar de os objetivos e finalidades expressas pela referida lei, no se pode entender

    que escola de uma maneira geral, ou a qualquer outra instituio de ensino, cabe o papel

    salvador de criar empregos, pois esse um problema que atinge todo o planeta, relativo

    estrutura do capitalismo (ALVES, 2003; SEGNINI, 2000; SINGER, 2000) e no compete ao

    IF Goiano Cmpus Ceres resolv-lo. Contudo, levando-se em conta os apontamentos dos

    egressos sobre a dificuldade de encontrar emprego, compreendemos que a articulao do IF

  • 61

    Goiano com seu territrio, observando e acompanhando suas dinmicas, o crescimento e

    necessidade dos setores produtivos; desenvolvendo programas de extenso, gerando e

    divulgando novas tecnologias, criando cursos que atendam a demanda local, de suma

    importncia para o fortalecimento e surgimento de arranjos produtivos locais e

    consequentemente a incidncia de postos de trabalho.

    Produtores rurais e agricultores familiares

    As razes que justificaram a implantao da EAFCe e o questionamento sobre o fato

    de essa justificativa ainda se evidenciar no cenrio atual e na atuao institucional e

    pedaggica dessa escola, frente aos princpios que norteiam a atuao dos Institutos Federais

    de Educao, Cincia e Tecnologia, bem como indagaes sobre quais percepes podem ser

    diagnosticadas a partir dos produtores rurais e produtores familiares a fim de orientar a

    atuao dessa instituio foram os norteamentos para a discusso dos dados nessa categoria de

    participantes.

    Os produtores rurais e agricultores familiares participantes da pesquisa, 168 no total,

    esto localizados em 10 municpios, onde residem (95,15%), contudo 4,85% no produzem

    em suas localidades, estando distribudos, em relao ao local de produo, em diferentes

    municpios do Vale de So Patrcio (Figura 9). 73,22% residem na regio h mais de 15 anos;

    13,69% entre 10 e 15 anos; 4,76% entre 5 e 10 anos e 8,33% entre 0 e 5 anos.

    Comparando-se o tempo de residncia desses participantes em suas localidades com o

    tempo em que o IF Goiano Cmpus Ceres se encontra estabelecido na regio,

    compreendemos que seja importante para a instituio considerar a anlise dos resultados aqui

    apresentados para direcionamento de suas atividades relacionadas ao ensino, pesquisa e

    extenso. Os resultados obtidos, descritos e discutidos adiante, apontaram diversas

    possibilidades para a atuao do Cmpus Ceres junto aos produtores rurais pesquisados.

    Nesse sentido, as aes do Instituto (no que lhe possvel e segundo suas atribuies)

    para o atendimento da necessidade destes participantes, consequentemente, considerando as

    relaes destes com outros atores sociais (individuais e/ou coletivos), promover o

    desenvolvimento socioeconmico do/no territrio do Vale de So Patrcio.

  • 62

    Figura 9 Localizao dos produtores rurais e agricultores familiares pesquisados no Vale de So Patrcio segundo os municpios em que produzem.

    Fonte: . Editado por Lucas Palasios, 2012.

    Em relao ao sexo, na categoria de participantes, houve predominncia do masculino

    com 127 respondentes (76,05%), e o feminino com 40 (23,95%), com faixa etria de 20 at

    mais de 60 anos (Figura 10). Quanto ao estado civil verificou-se um nmero superior de

    casados 87,88%; sendo o restante de solteiros 7,88%; divorciados 1,82%; e em outra

    condio 2,42%.

    5,95

    16,67

    36,31

    28,57

    12,50

    0 10 20 30 40

    Mais de 60 anos

    Entre 50 e 60

    Entre 40 e 50 anos

    Entre 30 e 40 anos

    Entre 20 e 30 anos

    (%)

    Figura 10 Faixa etria dos produtores rurais participantes da pesquisa.

    O nvel de escolaridade dos participantes variou entre 3,9% ensino superior; 19,7%

    ensino mdio; 20,4% ensino fundamental; 54% ensino fundamental incompleto; 1,3% sem

    escolarizao e 0,7% sem alfabetizao.

  • 63

    As atividades dos produtores rurais e agricultores familiares pesquisados consistem na

    produo de leite, horta, frutas, gros, carne, ovos, produo para consumo (Figura 11) e

    outras, como queijo, requeijo, mandioca, cana, mel, abbora, doce, rapadura, revenda de

    milho, frango e novilhos. Para o consumo, as atividades esto distribudas na produo de

    carne com 13,89%; leite 21,03%; hortalias 23,02%; frutas 13,89%; gros 17,06%, ovos

    10,71% e outras (mandioca) 0,40%.

    4,85

    21,85

    2,91

    8,98

    13,35

    14,81

    15,05

    18,20

    0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00

    Outros

    Consumo

    Ovos

    Carne

    Gros

    Frutas

    Horta

    Leite

    (%)

    Figura 11 Ramos de atividade dos produtores rurais participantes da pesquisa.

    A frequncia em relao ao tempo em que os participantes lidam com as atividades

    das empresas de 55,62% h mais de 15 anos; 14,20% entre 10 e 15 anos; 10,65% entre 5 e

    10 anos; e 19,53% entre 0 e 5 anos. Tomando-se em conta o perodo em que foi implantado a

    EAFCe na regio (inaugurada em 1994), em comparao com o tempo em que os

    participantes dedicam-se a sua produo, os dados permitem-nos contemplar o fato de que,

    como uma instituio voltada essencialmente ao ensino agrcola durante sua

    institucionalidade como Escola Agrotcnica, com pressupostas condies para o

    desenvolvimento e gerao de tecnologias na rea, a EAFCe, agora como IF Goiano

    Cmpus Ceres, poderia ter contribudo mais efetivamente para a melhoria da produo e

    produtividade dos produtores rurais e agricultores familiares de seu entorno, bem como com a

    melhoria da qualidade de vida, uma vez que as rendas dos participantes dessa categoria,

    conforme os dados coletados, variam para a maioria (64,02%) entre um e dois salrios

    mnimos; 1,83% menos de um salrio; contrapondo-se com 22,56% com renda entre trs e

    quatro salrios; 10,37% mais de quatro; e 1,22% no sabem. importante ressaltar que,

    agora, diante da Lei 11.892/2008, que lhe impe determinados objetivos e finalidades o IF

    Goiano Cmpus Ceres pode atuar de maneira a vincular aes no intuito de fornecer

    elementos para que isso se torne possvel. Com esse entendimento, reiteramos os itens

  • 64

    constantes na Lei 11.892/2008, que especialmente se relacionam a essa possibilidade quanto

    aos a) objetivos e b) finalidades dos Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia,

    assim expressos:

    a) [...] VII - desenvolver programas de extenso e de divulgao cientfica e

    tecnolgica; VIII - realizar e estimular a pesquisa aplicada, a produo

    cultural, o empreendedorismo, o cooperativismo e o desenvolvimento

    cientfico e tecnolgico; b) [...] III - realizar pesquisas aplicadas,

    estimulando o desenvolvimento de solues tcnicas e tecnolgicas,

    estendendo seus benefcios comunidade; IV - desenvolver atividades de

    extenso de acordo com os princpios e finalidades da educao profissional

    e tecnolgica, em articulao com o mundo do trabalho e os segmentos

    sociais, e com nfase na produo, desenvolvimento e difuso de

    conhecimentos cientficos e tecnolgicos. (BRASIL, 2008b).

    Outro fato que refora a ponderao anterior que 82,04% dos pesquisados nessa

    categoria tm sua produo como a principal renda da famlia. Do total, 32,12%

    complementam sua renda em atividades como operador de mquinas, assistente de produo

    de mel, roador, tcnico agropecurio, tcnico agrcola, tcnico em zootecnia, servios gerais,

    servio braal, diarista, motorista, segurana, comerciante, funcionrio de sindicato,

    assalariado; com artesanato, microempresa, aluguel de residncia e no servio pblico.

    Podemos observar, diante da distribuio dos dados referentes renda dos participantes, com

    a produo, que esta baixa para a maioria, da qual, um percentual significativo necessita

    complementar sua renda. Se houvesse a melhoria de sua produo, acarretando o aumento da

    produtividade, provavelmente esses produtores no teriam que buscar alternativas, por vezes

    em servios pesados, afastando-se de suas atividades de produo.

    Indagados sobre o conhecimento da presena do IF Goiano Cmpus Ceres na regio,

    93,45% respondeu afirmativamente, enquanto 55,83% do total de participantes disseram

    conhecer os cursos oferecidos pelo Instituto. O curso mais citado dentre os participantes foi o

    de tcnico em agropecuria, conforme distribuio apresentada na figura 12. Esse fato denota

    uma falha do Instituto, dado que, considerados os 18 anos de sua existncia (a partir da data

    de sua inaugurao), a comunidade ainda no conhece os cursos ofertados.

  • 65

    10,53

    1,75

    1,17

    5,26

    9,94

    8,77

    12,284,68

    2,34

    7,60

    2,92

    32,76

    0 10 20 30 40

    No sabe

    Licenciatura em Biologia

    Licenciatura em Qumica

    Zootecnia

    Agronomia

    Tcnico em Agricultura

    Tcnico em Zootecnia

    Tcnico em Meio Ambiente

    Tcnico em Agroindstria

    Tcnico em Informtica

    Tcnico em Administrao

    Tcnico em Agropecuria

    (%)

    Figura 12 Cursos ofertados pelo IF Goiano Cmpus Ceres conhecidos pelos produtores rurais participantes da pesquisa.

    Os eventos organizados pelo Cmpus Ceres, como dias de campo, palestras,

    minicursos, simpsios etc., relacionados aos cursos da rea agrcola, so uma boa

    oportunidade para transferncia de tecnologias aos produtores rurais e aos agricultores

    familiares. Diante dessa percepo, os participantes foram indagados sobre j terem sido

    convidados (para) ou notificados sobre os eventos realizados e/ou organizados pelo Cmpus

    Ceres. 60,71% responderam negativamente. Os 39,29% que apresentaram resposta positiva

    indicaram ter sido convidados ou notificados por pessoas inseridas no Instituto ou por

    material de divulgao (a maioria 68,51%), bem como por terceiros, como cooperativas,

    prefeituras, associaes e a Emater. Diante dessa disposio entendemos que as aes para

    divulgao e os modos como vem sendo feitos os convites para participao dos produtores

    rurais e agricultores familiares nos eventos realizados e/ou organizados pelo Instituto, podem

    alcanar contingente maior se analisados os procedimentos por meio dos quais se do essas

    invocaes. Os eventos em que houve maior participao dos produtores rurais e agricultores

    familiares foram os dias de campo, 51,60%; seguido por 19,35% as palestras; 16,13% os

    cursos, e as semanas de tecnologia, feiras de cincias, visitas ao Cmpus, reunies, com

    3,23% cada.

    Grande parte dos participantes (77,84%) afirmou que o Instituto influenciou na

    escolha das atividades que tem realizado, principalmente (Figura 13) por meio de eventos,

    como palestras, dias de campo, cursos de curta durao, egressos, professores e/ou tcnicos do

    Instituto e outros (esta ltima indicao, segundo os participantes consistem em mo de obra

    especializada e terceiros). Essas indicaes evidenciam que alm de ofertar os cursos

  • 66

    regulares, a promoo de eventos pela Instituio uma excelente ferramenta para alcanar os

    produtores da regio e fortalecer o setor agropecurio. Podemos considerar que a realizao

    de eventos um dos fatores que a Instituio deve adotar para cumprir parte das suas

    atribuies de forma mais rpida e eficiente.

    21,57

    23,53

    17,65

    3,92

    0,00

    11,76

    21,57

    0 5 10 15 20 25

    Outros

    Professores e/ou tcnicos do Instituto

    Egressos do Instituto

    Cursos de curta durao

    Programa no rdio

    Dias de campo

    Palestras

    (%)

    Figura 13 Fatores relacionados ao Cmpus Ceres que influenciaram na escolha das atividades dos produtores participantes da pesquisa.

    significativo o percentual (82,18%) de produtores rurais e agricultores familiares

    associados e/ou cooperados. Esse fato indica que se torna mais fcil o acesso do Instituto aos

    associados e cooperados (em razo de estarem organizados) criando-se vnculos com essas

    instituies. Assim tornar-se- mais fcil a promoo de meios para a difuso dos

    conhecimentos cientficos e tecnolgicos produzidos e desenvolvidos no Instituto, bem como

    para o conhecimento das dificuldades e necessidades relacionadas s atividades desses

    produtores. Desse modo, articulando-se com cooperativas e associaes, assim como com

    rgos municipais, estaduais e federais, voltando-se para as necessidades reais de seu entorno,

    ter como causalidade de sua ao melhor desenvolvimento na produo, produtividade e

    lucratividade dos produtores. Consequentemente as vidas desses produtores em mltiplas

    dimenses, como no trabalho, na vida familiar e a vida na sociedade sero modificadas em

    uma perspectiva mais positiva. A partir de aes dessa natureza o Instituto estaria cumprindo,

    alm de um papel social, os preceitos estabelecidos pela Lei 11.892/2008.

    Para compra de insumos, a comercializao dos produtos e obteno de assistncia

    tcnica, 71,26% dos participantes afirmaram no trabalhar em parceria com empresas. Dos

    28,74% que responderam afirmativamente, as parcerias so feitas para a compra de insumos

    (49,25%), comercializao da produo (25,37%), assistncia tcnica (22,39%) e participao

    em eventos (2,99%).

  • 67

    Na opinio de 71,26% dos pesquisados o Cmpus Ceres, direta ou indiretamente,

    trouxe benefcio para suas atividades. Os benefcios concentraram-se em 46,81% na

    percepo do Instituto como um local para obteno de informaes e conhecimentos. O

    percentual restante ficou distribudo entre ter lhes proporcionado formao tcnica (20,21%),

    ter capacitado profissionais para atuar na rea de modo a lhes proporcionar assistncia tcnica

    (22,34%) e ( 10,64%) outros (dentro dessa ltima categoria foram citados fluxo de pessoas no

    comrcio, insumos gerados na instituio e desenvolvimento da produo). Diante desses

    dados, reforamos o entendimento de que importante uma maior articulao do Instituto

    com os segmentos sociais e produtivos, uma vez que a produo, desenvolvimento e

    propagao de conhecimentos cientficos e tecnolgicos parte inerentemente integrante de

    suas funes.

    Em relao atuao do Cmpus Ceres na regio do Vale de So Patrcio, 34,93%

    apontaram ser excelente, 40,67% boa; 7,66% regular; 7,18% ruim e 9,57% no manifestaram

    opinio. Dentre os pesquisados, 96,36% afirmaram acreditar que o IF Goiano Cmpus Ceres

    pode contribuir para melhorar suas atividades, por meio de acompanhamentos; com formao

    de profissionais para regio; oferta de dias de campo; palestras, oficinas e minicursos; cursos

    de curta durao; e de outras formas (Figura 14). As outras formas indicadas foram

    desenvolvimento de tecnologia, extenso, convites para cursos, levando cursos aos

    produtores, sugerindo atividades promissoras, trazendo incentivo produo por intermdio

    do governo, orientando o uso de produtos agrotxicos, viabilizando laboratrio para

    atividades relacionadas gentica, fornecendo implementos e mquinas agrcolas e maior

    aproximao com o produtor. Diante das outras formas assinaladas pelos pesquisados,

    podemos inferir que no imaginrio de alguns, possivelmente por se tratar de uma instituio

    federal, h a ideia de que o Instituto pode agir de maneira a lhes proporcionar incentivos

    financeiros, como se fosse rgo competente para tal, ou como rgo que pode lhes fornecer,

    mesmo por emprstimo, maquinrio e implementos agrcolas de seu patrimnio. Alm

    dessa observao, ainda encontramos a percepo dos pesquisados de que o Instituto seja um

    rgo institudo de competncia para prestao de assistncia tcnica.

    Apesar de palestras terem se destacado como influncia na escolha das atividades dos

    produtores, estas no so os principais meios para acompanhamento das atividades. O

    indicativo demonstra que para cada etapa, o produtor precisa de um meio especfico para

    otimizar sua produo. Esse fato explica o fracasso de muitos produtores, pois muitas vezes

    so motivados a se inserir em determinada atividade, e posteriormente no recebem

  • 68

    orientaes no acompanhamento. Isso transfere a responsabilidade para o Instituto, uma vez

    que pode motivar a insero em atividades s quais no poder acompanhar. Nesse sentido, a

    oferta de cursos de curta durao parece ser uma alternativa para atender as exigncias dos

    produtores. Considerando-se que parte dos egressos no atuar na regio, a capacitao de

    forma rpida do produtor, demonstra alternativa mais eficiente, atravs da interveno nas

    prticas adotadas nas propriedades. Apesar de ser uma contribuio esperada pelos

    produtores, o acompanhamento das atividades, no possvel e nem atribuio do IF Goiano

    Cmpus Ceres. No entanto, atravs de parcerias, desenvolvimento de projetos nas

    propriedades, pode-se contemplar, mesmo que parcialmente, tal expectativa.

    27

    23

    13

    15

    15

    7

    0 10 20 30

    Outros

    Acompanhamento das atividades

    Formao de profissionais para a regio

    Dias de campo

    Palestras, oficinas, minicursos

    Cursos de curta durao

    (%)

    Figura 14 Estratgias que o IF Goiano Cmpus Ceres deve adotar para contribuir com a melhoria da produo de acordo com os produtores rurais pesquisados.

    O IF Goiano Cmpus Ceres vem ofertando cursos comunidade desde 1995, as

    expectativas manifestadas pelos participantes quanto a esse fato foram expressas como:

    aumento e melhoramento da produo agropecuria (28,87%), profissionais qualificados no

    mercado (24,05%), melhoria da qualidade de vida (17,87%), maior nmero de

    empreendimentos relacionados rea agrcola (2,75%), mais empregos na regio do Vale de

    So Patrcio (5,84%), aumento de renda e desenvolvimento econmico regional (5,15%),

    produo de tecnologias adequadas regio (8,25%). Tambm foram expostas outras

    expectativas (7,22%) referentes interao entre a instituio e a comunidade; conhecimento

    sobre venda e comercializao de produtos; segurana para o trabalhador rural e no trabalho

    no campo; auxlio na produo, e mais indstrias na regio.

    Parte significativa dos produtores pesquisados (67,26%) afirmou conhecer

    profissionais egressos do IF Goiano Cmpus Ceres. Os tcnicos dos cursos de agropecuria

    foram citados por 58,21% dos produtores, os tcnicos em informtica por 1,49%; em meio

  • 69

    ambiente por 2,99%; em zootecnia por 12,69%; em agricultura por 10,45%; em agroindstria

    2,99%; e 11,19% no sabem os cursos realizados pelos profissionais que conhecem. Esses

    dados podem justificar os apontamentos anteriores (demonstrados na figura 12) referentes aos

    que indicam o curso Tcnico em Agropecuria como o mais citado dentre as ofertas de cursos

    do Instituto conhecidas pelos pesquisados. Curiosamente, questionados sobre j terem

    contratado algum estagirio ou tcnico formado pelo IF Goiano Cmpus Ceres, 95,18%

    responderam negativamente. O percentual restante (4,82%) contratou servios de

    profissionais dos cursos tcnico em agropecuria e tcnico em agricultura, cursos cujas

    especificidades foram consideradas para contratao, segundo os contratantes.

    As empresas apontadas pelos produtores participantes, das quais receberam assistncia

    tcnica, foram para 47,31% de empresas pblicas; 9,14% de empresas particulares; 11,29% de

    outros tipos de empresas e 32,26% afirmaram no ter tido nenhuma assistncia. As empresas

    (e tipos de empresas) citadas esto distribudas, conforme figura 15. Diante dos dados

    apresentados, observamos a predominncia significativa da Emater e ponderamos sobre o fato

    de outras alternativas serem mnimas, portanto, caso haja o no cumprimento das atribuies

    por parte deste rgo, sejam quais forem as razes, comprometer o sucesso das atividades

    desses produtores.

    0,79

    57,98

    1,59

    0,79

    0,79

    0,79

    0,79

    0,79

    0,79

    0,79

    1,59

    4,76

    15,87

    5,56

    0,79

    0,79

    0,79

    0,79

    0,79

    1,59

    0,79

    0 10 20 30 40 50 60 70

    Granol

    Emater

    Sanutre

    Secretaria de agricultura

    Prosagri

    Empresa terceirizada

    Bayer

    Embrapa

    Incra

    Casa da lavoura

    Senar

    Sebrae

    Cooperativa

    UFG

    J.J. Agronomia

    Cagel

    Adubos Araguaia

    Sindicato

    Agrodefesa

    Prefeitura

    IF Goiano Campus Ceres

    (%)

    Figura 15 Frequncia das empresas que j prestaram assistncia aos produtores participantes da pesquisa.

  • 70

    A maioria dos produtores pesquisados (84,52%) afirmou nunca ter recebido

    assistncia tcnica de profissionais formados pelo IF Goiano Cmpus Ceres. Dos 15,48%

    que afirmaram ter recebido assistncia, 65,51% foi na rea de agropecuria; 3,45% meio

    ambiente; 6,90% zootecnia e 24,14% agricultura. Quanto qualidade dos servios prestados

    pelos tcnicos egressos do Instituto, a maior parte dos pesquisados, 69,23%, apontou como

    boa; 26,92% consideraram excelente; 3,85% consideraram regular; nenhum dos pesquisados

    classificou como ruim os servios prestados pelos tcnicos.

    Levando-se em conta o fato de que o IF Goiano Cmpus Ceres est localizado em

    uma regio essencialmente agrcola, podemos inferir que filhos de produtores da regio, por

    vocao, vontade prpria, ou dos pais, procurariam se inserir no Instituto. Esse entendimento

    foi levantado como uma das justificativas para que fosse implantada a antiga EAFCe no

    municpio de Ceres, pelos agentes que se manifestaram nesse sentido. Baseando-nos no

    percentual considervel de 45,83% dos pesquisados afirmarem ter filho(s) ou parente(s)

    prximo(s) que estudam ou j estudaram no Instituto, compreendemos que a justificativa

    levantada anteriormente ainda se evidencia no cenrio atual, tendo em vista as caractersticas

    da regio em que o IF Goiano Cmpus Ceres se insere, o que requer dessa instituio um

    olhar mais comprometido e condizente com sua nova institucionalidade, no cumprimento dos

    objetivos e finalidades estabelecidos pela Lei 11.892/2008.

    Em relao aos cursos realizados pelos filhos ou parentes, o curso de tcnico em

    agropecuria foi o mais citado dentre os pesquisados (53,75%); os percentuais restantes para

    os cursos tcnicos citados consistiram em 6,25% tcnico em informtica; 2,50%

    agroindstria; 1,25% meio ambiente; 10% zootecnia; 5% agricultura. O curso superior de

    agronomia teve referncia de 6,25%; os demais cursos superiores de zootecnia; licenciaturas

    em qumica e em biologia no foram citados; e 15% dos pesquisados alegaram no saber

    quais cursos so/foram realizados pelos familiares.

    A cidade de Ceres uma cidade polo em sade, educao e no comrcio, uma vez que

    este diversificado e atende clientela de vrios municpios vizinhos. Essas caractersticas,

    mormente sob o aspecto referente educao, compreendemos ser um ponto que conta em

    favor do Instituto, j que recebe alunos de todo o Vale de So Patrcio, para, por meio de suas

    atividades de ensino, pesquisa e extenso, ser um disseminador, por todo o Vale, dos

    conhecimentos cientficos e tecnolgicos nele/por ele produzidos. Porm importante que

    haja a articulao do Instituto com a realidade e demandas regionais para que os

    conhecimentos sejam ainda mais vlidos e eficientes. Nesse sentido, buscamos identificar as

  • 71

    opinies dos pesquisados sobre os benefcios que Cmpus Ceres pode trazer por estar

    localizado na regio do Vale. As opinies se apresentam distribudas mais significativamente

    entre oferta de cursos superiores, de cursos tcnicos, de cursos de curta durao, capacitao

    profissional e melhoria dos setores produtivos da regio, conforme figura 16.

    5,11

    12,90

    1,46

    0,24

    6,33

    2,68

    13,38

    4,38

    16,05

    4,62

    4,87

    14,60

    13,38

    0 2 4 6 8 10 12 14 16 18

    Outros

    Capacitao profissional

    Statusregional por cursos gratuitos

    Prestgio poltico para a regio

    Gerao de emprego pela capacitao de profissionais

    Contratao de mo de obra local

    Melhoria dos setores produtivos da regio

    Contribuio econmica com o comrcio local/regional

    Oferta de cursos de curta durao

    Oferta de cursos de EJA

    Oferta de cursos em nvel de ensino mdio

    Oferta de cursos tcnicos

    Oferta de cursos superiores

    (%)

    Figura 16 Opinies dos produtores pesquisados sobre os possveis benefcios para a regio do Vale de So Patrcio com a implantao do IF Goiano Cmpus Ceres.

    Na categoria Outros (Figura 16) foram apresentadas opinies, as quais foram

    agrupadas e categorizadas a partir do aspecto causalidade, que no se relaciona

    especificamente com as atribuies do IF Goiano Cmpus Ceres, mas implica em

    desdobramentos de todas as suas aes e de sua existncia de forma articulada; e seus

    aspectos funcional, organizacional e estrutural, relacionando-os com preceitos estabelecidos

    pela Lei 11.892/2008, os quais serviro de fundamento para a anlise das respostas dos

    pesquisados, articulando-as com os objetivos e finalidades dos Institutos Federais de

    Educao, Cincia e Tecnologia, concebidos na referida Lei, conforme quadro 5. Diante das

    opinies dos pesquisados compreendemos que estas podem ser entendidas como

    reivindicaes na medida em que as percebemos como expectativas expressas. Nesse sentido

    constatamos que estas expectativas se encontram todas respaldadas nas determinaes legais

  • 72

    que incumbem ao Instituto sua participao e contribuio efetiva, nas dimenses social,

    cultural e econmica, com a comunidade a seu alcance.

    Quadro 5 Relao entre as opinies dos produtores rurais pesquisados sobre os benefcios que o IF Goiano Cmpus Ceres pode trazer ao Vale de So Patrcio e os preceitos estabelecidos pela Lei 11.892/2008.

    ORGANIZAO E ESTRUTURA

    PRODUO DE CONHECIMENTOS

    ARTICULAO CAUSALIDADE

    Sugestes

    dos

    produtores

    - Ampliao de vagas;

    - Especializao.

    - Produo de tecnologia;

    - Produo de sementes e hortalias;

    - Pesquisa.

    - Maior aproximao com os produtores;

    - Integrao escola/comunidade;

    - Criao de cooperativas; - Estimulo produo; - Analisar a situao do

    produtor e ver o que pode ser feito.

    - Assistncia tcnica aos produtores;

    - Permanncia dos filhos na regio;

    - Aumento de consumo.

    Amparo pela

    Lei

    11.892/2008

    Seo II Art. 6 I, II, IV, V, VIII, IX; Seo III Art. 7 I, II, III, IV, IV a), c), d), e); Art. 8

    Seo II Art. 6 II, IV, VII, VIII, IX; Seo III Art. 7 III, IV

    Seo II Art. 6 VII, VIII, IX; Seo III Art. 7 III, IV, V

    ____

    Aos participantes foi aberto espao para que apresentassem algum pedido possvel de

    ser realizado pelo IF Goiano Cmpus Ceres a fim de melhorar suas atividades. As

    solicitaes foram concentradas e categorizadas segundo o entendimento sobre o que e o

    que no atribuio do Instituto (Quadro 6). Alguns produtores no se manifestaram devido

    ao no conhecimento das atribuies do Instituto. Dentre os pedidos apresentados pelos

    produtores, 39,88% so de assistncia tcnica e 47,02% esto relacionados aquisio de

    conhecimentos por meio de cursos, minicursos, palestras, oficinas; no intuito de atender suas

    necessidades, visando o melhoramento de suas atividades. A partir das solicitaes

    apresentadas, compreendemos que h dificuldade de aproximao dos produtores com o

    Instituto, uma vez que demonstraram preferir que haja deslocamento do Instituto a suas

    localidades. Essa preferncia pode estar relacionada distncia e/ou a falta de condies de se

    afastarem de suas atividades e estabelecimentos e/ou ao no conhecimento sobre a

    possibilidade de interao com o Instituto.

    Observamos, ainda sobre as solicitaes dos produtores (Quadro 6), significativo

    nmero de participantes que se referiram assistncia tcnica, e aquisio de conhecimentos

    pertinentes produo. Alm disso, constatamos que considervel dentre os pesquisados o

    contingente que se referiu a auxlio financeiro em relao obteno de insumos, mquinas e

    implementos para melhorar as condies no processo de produo e a prpria produo.

  • 73

    Os fatos apresentados anteriormente levam-nos a crer que possvel haver negligncia

    por parte dos rgos competentes no suprimento dessas necessidades. Independentemente de

    questionarmos a quais rgos/instituies competem o cumprimento das obrigaes,

    expressas e determinadas em suas misses institucionais, necessrio traduzir a representao

    contida nos enunciados desse grupo de indivduos, que exprime um clamor por ateno,

    apresentando nada mais do que uma reivindicao de direitos, seja esta intencional ou no.

    Ao Instituto, as possibilidades se enquadram no que est dentre suas atribuies. Nesse

    sentido, essas possibilidades podem se concretizar na medida em que haja maior articulao

    do Cmpus Ceres com associaes, cooperativas, produtores no cooperados e no

    associados, rgos municipais, estaduais e federais; a fim de que sejam identificadas as

    demandas regionais para a produo de tecnologia apropriada a partir dessas necessidades e,

    assim, por meio de atividades de extenso, fazer com que esse conhecimento seja difundido.

    Tambm possvel, mediante a articulao com esses atores, que nas atividades de ensino,

    pesquisa e extenso do Instituto se estabelea um meio para que se d a elaborao de

    projetos relacionados s necessidades dos produtores, os quais tero as propostas e

    solicitaes viabilizadas pelos rgos que as tm como misses especficas. Ponderamos e

    reiteramos que, para tal, fundamental a articulao do Instituto com todos esses atores,

    concretizando, pelos meios apresentados e que competem a suas atribuies, sua atuao no

    mbito regional e, consequentemente, configurando sua participao no desenvolvimento

    econmico e social dessa categoria de participantes.

  • 74

    Quadro 6 Classificao das solicitaes apresentadas pelos produtores rurais pesquisados quanto s atribuies do IF Goiano Cmpus Ceres.

    SOLICITAOES DOS PRODUTORES CORRELACIONADAS COM AS ATRIBUIES DO IF GOIANO CMPUS CERES

    SOLICITAOES DOS PRODUTORES NO CORRELACIONADAS COM AS ATRIBUIES DO IF GOIANO CMPUS CERES

    - Curso de veterinria; - Oferta de cursos de curta durao aos produtores dias de campo, oficinas, palestras; contemplando: manejo e anlise de solo; pastagens; plantio; cultivo consorciado; olericultura; fruticultura (banana, melancia, maracuj); silvicultura, agricultura familiar; controle fitossanitrio; irrigao; meio ambiente; agroindstria (principalmente produo de farinha e polvilho, derivados do leite); uso de insumos; suinocultura; bovinocultura de corte e de leite; inseminao artificial de bovino; vacinao; melhoramento gentico; piscicultura; administrao; comercializao da produo; cooperativismo, reflorestamento, convnios com cooperativas e associaes, implantao de uma unidade demonstrativa para o povo acreditar nos conhecimentos; -Chcara modelo.

    - Assistncia tcnica; - Mais escolas agrotcnicas na regio; - Articulao com instituies financeiras - Arrumar insumos; - Maquinrio agrcola; - Emprstimo de mquinas agrcolas; - Arrumar as estradas da regio; - Ajuda com insumos de hortalias; - Ajudar a montar um galpo de aves; - Auxlio para produo na piscicultura; - Abrir comrcio de adubo para a comunidade; - Uma estufa facilidade para produzir no tempo das guas; - Produzir para fornecer ao agricultor suno, aves e outros; - Melhorar a produo agrcola, com fornecimento de implementos e calcrio; - Fornecer mudas e embries, bezerros, gentica melhorada; - Criar profissionais orientadores; - Tanques para peixe, mquinas para no passar da hora de produzir, um trator para

    cada associao; - No espera muito, pois quer parar as atividades; - Maior parceria do Instituto, prefeitura com os produtores no fornecimento de

    assistncia tcnica; - Mais oportunidades para os jovens. Quem vive no campo tem dificuldade de

    acesso escola. Tm que sair do campo muito cedo para ir escola; - Melhoria da qualidade de vida das crianas e dos associados.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

  • 75

    Dentre as alternativas disponveis, alm dos cursos regulares, o Cmpus Ceres deve

    investir na oferta de cursos de curta durao para intervir na produo da regio, permitindo

    obter melhorias no setor de forma rpida e efetiva. A contribuio esperada se considerada

    apenas com a atuao dos egressos, pode vir em um processo lento, e com baixa eficincia,

    uma vez que nem todos os produtores tero acesso aos profissionais formados no Instituto.

    Parcerias com associaes e cooperativas permitem a implantao de unidades

    modelos, seja na produo animal ou vegetal, para que os produtores tenham referncia de

    produo na regio. No entanto, parece haver por parte de alguns produtores o no

    conhecimento dessa possibilidade, sendo esta uma lacuna que o Cmpus Ceres pode

    preencher a partir da articulao dessas parcerias. Eventos e cursos so uma boa estratgia

    para transferir conhecimentos aos produtores, contudo, observamos que nos eventos e cursos

    ofertados pelo Cmpus, a participao dos produtores baixa. H algum tipo de restrio por

    parte dos produtores para participao em eventos. Ponderando nesse sentido, entendemos

    que uma estratgia vivel para oferta de cursos aos produtores seja os de curta durao, em

    virtude de possveis dificuldades em relao disponibilidade de tempo desses produtores,

    como tambm do tratamento das especificidades de suas atividades.

    A partir das questes expostas pelos produtores, ao longo de toda a discusso nessa

    categoria, compreendemos que as justificativas para a implantao da antiga EAFCe ainda se

    evidenciam no territrio do Vale de So Patrcio mesmo diante de uma nova

    institucionalidade. Como Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia; o Cmpus

    Ceres pode (e deve, perante a Lei 11.892/2008), contribuir muito mais para modificar, para

    melhor, a realidade desses atores sociais, dando-lhes; por meio do que compe suas

    atribuies; mais autonomia e mais percepo para, como ele (Instituto), atuarem como

    agentes de desenvolvimento, transformando o territrio do Vale nas dimenses econmica e

    social.

    Arranjos produtivos locais e empresas

    Os dados referentes aos APLs e s empresas participantes (totalizando 64 pesquisados)

    so apresentados conjuntamente por terem partido de um mesmo instrumento de pesquisa

    (Apndice C) e prestarem a um mesmo fim. A anlise dos dados dessas categorias de

    participantes partiu de questionamentos sobre a insero e atuao dos egressos do IF Goiano

    Cmpus Ceres no mercado de trabalho; se, caso inseridos nos APLs e nas empresas, esses

    egressos atendem suas necessidades; sobre as percepes desses atores (participantes dos

  • 76

    APLs e empresas) a respeito da atuao do Instituto que podem servir como diretrizes para

    melhorar sua insero no Vale de So Patrcio. Nesse intuito, primeiramente fazemos a

    caracterizao dos APLs identificados na regio do Vale, bem como das empresas

    participantes, para, ento, apresentar os resultados e a discusso.

    Os arranjos produtivos locais identificados no Vale de So Patrcio foram o de

    Confeces, situado na cidade de Jaragu; o de Sade, na cidade de Ceres; e o Madeireiro do

    Vale de So Patrcio, sem indicao de cidade polo; estando os dois ltimos em fase de

    desenvolvimento.

    O APL de Confeces envolve os municpios de Jaragu, Itaguaru, Uruana, So

    Francisco de Gois e Goiansia, e tem seu polo em Jaragu. Conforme Castro (2008), a

    produo desse APL se d em diferentes segmentos e inclui camisetas de malha, pijamas,

    vestidos, camisas, calas, bermudas, biqunis e roupas ntimas, nas linhas masculina, feminina

    e infantil. Ainda segundo o autor, prevalece na produo desse APL o vesturio casual, com

    destaque para o jeans, que representa cerca de 70% do total.

    O nmero das empresas pesquisadas do APL de Confeces perfaz o total de 10. As

    empresas diferem quanto ao tempo de funcionamento, que se estabelece entre 3 e 20 anos. As

    empresas se dedicam fabricao de jeans (69,24%), em malha (15,38%) e de camisas

    (15,38%).

    O municpio de Ceres possui 63 estabelecimentos de sade, 19 drogarias e 5

    farmcias32

    . Cardoso (2005), em seu estudo sobre as organizaes do setor de sade de Ceres,

    por meio de metodologias utilizadas para a identificao de clusters33

    , constatou:

    [...] pelos resultados encontrados nos dois mtodos empregados, de que em

    Ceres existe um cluster de organizaes do setor de sade, tendo como as

    organizaes centrais os hospitais e clnicas, responsveis por manterem a

    integrao e a atratividade das outras atividades complementares ou de

    apoio, as chamadas organizaes satlites do cluster. Podemos perceber,

    ainda, que o aglomerado de Ceres pode ser considerado, conforme o modelo

    de EURADA um cluster em fase de desenvolvimento, mas j tendendo a se

    tornar um cluster complexo, pois apresenta uma variedade muito grande de

    organizaes correlatas [...]. (CARDOSO, 2005, p. 164-165).

    No APL de Sade de Ceres, foi 22 o total de empresas pesquisadas. As especificidades

    dessas empresas envolvem servios de hemodilise, odontolgico, fonoaudiologia, comrcio e

    manipulao de medicamentos, comrcio de medicamentos, anlises clnicas e atendimento

    32

    Informaes obtidas junto Vigilncia Sanitria do Municpio de Ceres, 2012. 33

    Vide nota de referncia n 23.

  • 77

    mdico, distribudas conforme a figura 17. O tempo de funcionamento das empresas desse

    APL tambm, se difere e est estabelecido entre 3 e 27 anos.

    33,33

    12,50

    16,67

    8,33

    12,50

    12,50

    4,17

    0 10 20 30 40

    Atendimento mdico

    Anlises clnicas

    Comrcio medicamentos

    Comrcio e manipulao de medicamentos

    Fonoaudiologia

    Atendimento odontolgico

    Servio de Hemodilise

    (%)

    Figura 17 Especificidades das empresas do APL de Sade de Ceres pesquisadas.

    O APL Madeireiro do Vale de So Patrcio, segundo a Secretaria de Estado de Gesto

    e Planejamento Segplan-GO., encontra-se em fase de implementao das aes delineadas

    nas oficinas de planejamento estratgico. composto pelos municpios de Barro Alto, Carmo

    do Rio Verde, Ceres, Goiansia, Heitora, Ipiranga de Gois, Itabera, Itaguari, Itaguaru,

    Itapaci, Itapuranga, Jaragu, Nova Amrica, Nova Glria, Pilar de Gois, Rialma, Rianpolis,

    Rubiataba, Santa Izabel, Santa Rita do Novo Destino, So Patrcio, Uruana, Vila Propcio.

    Esse APL tem como foco tecnolgico a formao e qualificao dos produtores e da mo de

    obra; melhoria da qualidade da madeira; respeito ao meio ambiente; uso da tecnologia da

    informao nos negcios; transferncia de tecnologia e a adoo de boas prticas de produo

    e gesto de negcios (SEGPLAN-GO, 2012).

    Os participantes do APL Madeireiro do Vale de So Patrcio (11 no total) esto

    distribudos em 8 municpios do Vale de So patrcio (Ceres, Carmo do Rio Verde, Jaragu,

    Santa Isabel, Uirapuru, Uruana, Nova Glria e Rubiataba) e lidam com as atividades de

    silvicultura h 4 anos (50%), 18 anos (37,5%) e 23 anos (12,5%). A produo dos pesquisados

    se refere especificamente a eucalipto (63,64%), seringueira (27,27%) e teca (9,09%).

    Na categoria empresas os participantes da pesquisa esto vinculados s associaes

    comerciais e ou cmara de dirigentes lojistas e Emater.

    As unidades da Emater pesquisadas foram dos municpios de Ceres, Carmo do Rio

    Verde, Goiansia, Itapaci, Itapuranga, Jaragu, Nova Glria, Rialma, Rianpolis, Rubiataba,

  • 78

    Santa Isabel e Uruana e esto estabelecidas na regio entre mais de 10, 18 e mais de 50 anos,

    com a finalidade de prestar servios de assistncia tcnica e extenso rural no ramo da

    agropecuria.

    As associaes comerciais e cmara de dirigentes lojistas participantes esto

    distribudos nos municpios de Ceres e Rialma34, Carmo do Rio Verde, Goiansia, Itapaci,

    Itapuranga, Jaragu, Rubiataba, Uruana, estando em funcionamento entre 7 e 23 anos.

    A seguir apresentamos os resultados obtidos nas duas categorias de participantes

    (APLs e empresas) relacionando-os com os questionamentos levantados e as percepes

    apresentadas no referencial terico para fundamentar nossa discusso

    Quase a totalidades dos participantes dos APLs e empresas (98,36%) afirmou saber da

    existncia do IF Goiano Cmpus Ceres. Destes, 85,25% apontaram os cursos ofertados pelo

    Instituto segundo seu conhecimento (Figura 18).

    1,98

    4,76

    4,37

    5,56

    13,49

    7,54

    9,92

    7,14

    6,75

    13,89

    7,14

    17,46

    0 5 10 15 20

    No sabe

    Licenciatura em Biologia

    Licenciatura em Qumica

    Zootecnia

    Agrononomia

    Tcnico em Agricultura

    Tcnico em Zootecnica

    Tcnico em Meio Ambiente

    Tcnico em Agroindstria

    Tcnico em Informtica

    Tcnico em Administrao

    Tcnico em Agropecuria

    (%)

    Figura 18 Cursos ofertados pelo IF Goiano Cmpus Ceres conhecidos pelos participantes dos APLs e empresas pesquisadas.

    Em 30% dos pesquisados nas categorias APLs e empresas h ou j houve insero de

    egressos do IF Goiano Cmpus Ceres. A atuao desses egressos foi classificada pelos

    pesquisados como excelente por 33,33%; boa 44,44%; regular 16,67% e ruim 5,56%; quanto

    ao ltimo item no foram apresentadas justificativas. Parte dos pesquisados (42,62%) afirmou

    conhecer algum profissional formado no Cmpus Ceres inserido em alguma empresa. Os

    profissionais citados, segundo os participantes, prestam servios em instituies de ensino e

    34

    As empresas das duas cidades esto compreendidas em uma mesma associao, uma vez que os participantes

    dessa associao compreenderam ser importante essa aglutinao devido proximidade dos dois municpios.

  • 79

    instituies financeiras; empresas que envolvem produo de energia hidroeltrica; servios

    de consultoria e inspeo no ramo da agropecuria; cooperativas agropecurias; setor

    sucroalcooleiro; rgos pblicos de assistncia tcnica e extenso rural e de defesa

    agropecuria; e empresa da rea de informtica. As funes exercidas por esses profissionais

    so como tcnico de informtica e tcnico de agropecuria, monitor, vendedor, bancrio,

    responsvel por manuteno de redes eltricas, responsvel em rgo pblico pela rea de

    produo agropecuria, assistncia tcnica agropecuria, extensionista e fiscal de campo.

    O IF Goiano Cmpus Ceres j foi procurado para estabelecer parcerias por 35,59%

    dos pesquisados, e 23,73% afirmaram ter algum tipo de vnculo ou parceria efetiva com o

    Instituto para difuso de tecnologia. Alguns fatores foram apontados como obstculo para

    parceria com o Cmpus Ceres pelos participantes dos APLs e empresas, apresentados no

    quadro 7. As colocaes denotam haver necessidade de articulao do Instituto com esses

    atores sociais e econmicos e, considerando-se o potencial de crescimento dessas empresas,

    essa articulao, diante da possibilidade de produo de tecnologias, difuso de

    conhecimentos e criao de cursos (observadas as demandas regionais) poder propiciar o

    surgimento de mais empresas ligadas a essas atividades, fortalecendo esses arranjos

    produtivos e proporcionando a criao de mais postos de trabalho na regio.

    Quadro 7 Fatores limitantes ao estabelecimento de parcerias de empresas com o Cmpus Ceres, segundo os APLs e empresas participantes da pesquisa.

    APL DE CONFECES

    APL MADEIREIRO APL DE SADE ASSOCIAES COMERCIAIS/CDLS

    EMATER

    - No sabia que podia haver parceria com o Instituto, pensava que era s para agropecuria;

    - Falta de interesse; - Nunca ouvi falar; - No tive

    necessidade; - M divulgao.

    - Falta de comunicao e de conhecimento;

    - Burocracia impede parceria;

    - Falta de interesse do Instituto pela silvicultura;

    - O IF Goiano no trabalha com muda de seringueira;

    - Desconhecimento da atuao do Instituto na rea.

    - reas diferentes; - Nada especfico; - Falta de interao

    do Instituto com empresas;

    - Falta de comunicao entre as partes.

    - Falta de informao sobre o Instituto e falta de interao;

    - Falta de oportunidade.

    - Fornecimento de estagirios e palestrantes.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

    Ainda sobre os dados dispostos no quadro 7, inferimos que a despeito de muitos dos

    pesquisados aludirem ao perfil agropecurio do Instituto, este no se encontra articulado com

  • 80

    as atividades do setor no territrio. A seringueira, por exemplo, uma atividade em expanso

    na regio e o Cmpus Ceres no est realizando atividades com essa cultura a fim de servir

    como referncia, ponto de apoio aos produtores.

    Sob o ponto de vista do empregador de mo de obra na regio os pesquisados

    apresentaram as caractersticas e qualificaes que julgam necessrias na formao ofertada

    pelo IF Goiano Cmpus Ceres (Quadro 8). Os apontamentos dos pesquisados vm de

    encontro ao entendimento dos egressos sobre o que tem faltado aos recm-formados, sobre as

    dificuldades encontradas no primeiro trabalho, bem como sobre as habilidades mais exigidas

    em seus trabalhos. Essa confirmao pressupe a necessidade de o Instituto analisar as formas

    possveis de propiciar o desenvolvimento dessas habilidades nos cursos ofertados, seja por

    meio das metodologias utilizadas no ensino dos contedos ou dos estgios realizados pelos

    alunos.

  • 81

    Quadro 8 Caractersticas consideradas necessrias na formao do profissional, segundo os APLs e empresas participantes da pesquisa.

    APL DE CONFECES APL MADEIREIRO APL DE SADE ASSOCIAES COMERCIAIS/CDLS

    EMATER

    - Comunicao, desenvolvimento, interesse;

    - Conhecimento e certeza do que faz;

    - Interesse e prtica; - Atender a rea de meio

    ambiente; - Firmar mais na prtica; - Preparao especfica na

    rea de atuao; - Capacitao profissional.

    - Capacidade de atender os requisitos regionais;

    - Conhecimento sobre associativismo, cooperativismo e captao de recursos;

    - Conhecimento geral e especfico na agropecuria, observando a necessidade da regio;

    - Saber instruir produtores; - Curso de tratorista; - Formao qualificada; - Direcionado para a prtica de

    atividades agropecurias da regio;

    - Formao gerencial e empreendedora;

    - Interesse por mais conhecimento na rea;

    - Conhecimento na cultura de seringueira, teca, eucalipto e sobre extrao de ltex;

    - Profissionais que querem ajudar os pequenos produtores rurais.

    - Objetividade e compromisso; - Automotivao; - Conhecimento de informtica; - Boa comunicao; - Capacidade de administrar o

    tempo; - Responsabilidade nas

    atividades; - Conhecimento terico e

    prtico; - Viso e ao crtica; - Qualificao profissional; - Prtica; - Mais parceria com a

    populao; - Relacionamento interpessoal e

    saber atender o pblico; - Conhecimento na rea; - Conhecimento na rea de

    administrao; - Afinidade com a empresa; - Capacitao profissional; - Ambio.

    - Prtica ( oferecida mais teoria, menos prtica);

    - Preparao para o mercado de trabalho;

    - Convnio para estgio; - Conhecimento de informtica; - Mais ensinamento prtico; - Participao em simpsios,

    oficinas e cursos na rea de atendimento e vendas;

    - Relaes humanas; - Atendimento ao pblico.

    - Qualificao na rea de agropecuria;

    - Liderana - Conhecimento sobre

    Sustentabilidade - Formao de profissionais

    que respeitam a cultura e manifestao dos clientes;

    - Conhecimento terico e mais conhecimento prtico;

    - Conhecimento de tecnologias inovadoras;

    - Administrao rural - gerenciamento e comercializao;

    - Conhecimento sobre uso de defensivos agrcolas e adubao, alimentao e sanidade animal;

    - Mobilizador e articulador.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

  • 82

    O quadro 8 mostra que alm da formao dos conhecimentos exigidas pelo Ministrio

    da Educao e outros contidos nos projetos de curso, a sociedade e potenciais empregadores

    esperam algum tipo de conhecimento subjetivo e de carter atitudinal e comportamental, cujo

    desenvolvimento est pressuposto na educao por competncias orientadas pelas Diretrizes

    Curriculares Nacionais e os Referenciais Curriculares Nacionais da Educao Profissional de

    Nvel Tcnico. Nesse sentido, se as metodologias empregadas para o desenvolvimento dessas

    competncias no esto sendo adequadas para tal, necessrios so estudos, discusses e

    providncias para esse fim. Sendo esse o caso, a criao de um ncleo de estudos pedaggicos

    seria uma opo interessante para o enfrentamento da questo, na tentativa de se encontrar

    alternativas, que podem estar relacionadas tanto com a reformulao de currculos como com

    as metodologias abordadas, para atender essas necessidades paralelamente aos cursos

    ofertados pelo Cmpus Ceres. Quanto relevncia de tais competncias no mundo do

    trabalho, Paiva (2008) esclarece:

    Na medida em que parcela substantiva das ocupaes escapem aos ditames

    sistmico-organizacionais das firmas e lgica estrita e direta da maquinaria industrial, parece haver maior espao para que a qualificao real

    molde as formas sociais de insero [...] Em um panorama nebuloso em

    relao s profisses, disposies e virtudes adquirem mais peso que a

    proficincia especfica; no basta conhecimento, mas interesse, motivao,

    criatividade. No se trata apenas de qualificar para o trabalho em si, mas

    para a vida na qual tambm se insere o trabalho, com uma flexibilidade e um

    alcance suficientes para enfrentar o emprego, o desemprego e o auto-

    emprego e para circular com desenvoltura em meio a muitas idades de tecnologia, com a possibilidade de entender e usar as mquinas mais

    modernas e de fazer face a suas inmeras conseqncias na vida social e

    pessoal. (PAIVA, 2008, p.55-56).

    Outras colocaes, ainda sobre as caractersticas requeridas nos profissionais, segundo

    os pesquisados (Quadro 8), evidenciam a necessidade de maior experincia dos profissionais

    nas atividades especficas aos cursos (prtica).

    Tambm podemos inferir a partir das indicaes dos pesquisados (Quadro 8) que h

    um apelo em relao ao estabelecimento de parcerias com o Instituto, assim como em relao

    a que sejam consideradas as demandas regionais. Entendemos que a observncia do conjunto

    das indicaes apresentadas podem proporcionar ao Cmpus Ceres fundamentos para uma

    interao e articulao mais profcua com esses atores. Desse modo, como apontamos

    anteriormente, o Instituto favorecer o fortalecimento das empresas j existentes e,

    consequentemente, o surgimento de mais empresas nos ramos de atividade das pesquisadas, e

    de outros ramos de empresas predominantes na regio (cujas peculiaridades e demandas

  • 83

    podem ser analisadas pelo Instituto). Assim ser efetiva a contribuio do Cmpus Ceres para

    o desenvolvimento econmico e social de seu territrio como um todo.

    Nos momentos de dificuldades relacionadas gesto, apoio tcnico, produo e

    servios as empresas pesquisadas registraram as entidades s quais costumam recorrer em

    busca de solues (Quadro 9). Diante das entidades citadas, percebemos que as dificuldades

    esto relacionadas questo financeira e aquisio de conhecimentos. Neste ltimo caso, seria

    possvel, mediante interao entre o Instituto e empresas o estabelecimento de parcerias para

    oferta de cursos.

    Quadro 9 Mecanismos e/ou entidades buscadas/consultadas pelas empresas e APLs pesquisados diante das dificuldades.

    APL DE CONFECES

    APL MADEIREIRO APL DE SADE ASSOCIAES COMERCIAIS/CDLS

    EMATER

    - Sebrae; - Cooperativa de

    crdito (Sicoob);

    - Banco; - Tenta resolver

    sozinho.

    - Emater; - Particulares; - Embrapa; - Internet; - Amigos que

    trabalham com cultura de seringueira h vrios anos em So Paulo;

    - Sozinho, pois no h quem oriente.

    - Associao dos Hospitais;

    - Funcionrios da empresa;

    - Estudos/ literatura; - Acessoria na rea; - Internet; - Profissionais de outras

    cidades; - Senai, Sebrae, Senac; - Associao comercial; - Particulares da rea; - Anfarmag (associao

    de farmacuticos); - Conselho Regional de

    Farmcia; - Colaboradores; - Escritrio de

    contabilidade; - Instituto Francisco

    Ludovico (Ensino e pesquisa na rea de Sade, Goinia-GO).

    - Pessoas do mesmo segmento;

    - Internet; - Sebrae, Senar; - Diretoria da

    empresa; - Pessoas

    qualificadas; - Empresrios

    locais.

    - Emater; - Instituto; - Embrapa; - rgos

    governamentais; - Colegas da rea,

    pessoas do segmento;

    - Literatura; - Sebrae; - Instituto de

    pesquisa e difuso agropecuria.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

    Para 55% do total de participantes desta categoria, o IF Goiano Cmpus Ceres

    contribuiu ou contribui direta ou indiretamente com as atividades de suas empresas. Esse

    percentual, juntamente com os apontamentos sobre as contribuies do Cmpus Ceres,

    dispostas no quadro 10, levam percepo de que importante a articulao do Instituto para

    o estabelecimento de parcerias, mediante as quais sero propiciadas a produo e difuso de

    tecnologias.

  • 84

    Quadro 10 Opinies e sugestes dos APLs e empresas pesquisadas quanto possibilidade de contribuio do IF Goiano Cmpus Ceres para o desenvolvimento das empresas.

    APL DE CONFECES

    APL MADEIREIRO APL DE SADE ASSOCIAES COMERCIAIS/CDLS

    EMATER

    Sem respostas. - Parceria do Instituto com foco na agricultura familiar;

    - Com cursos de pequena durao;

    - Com pesquisa e difuso de tecnologia;

    - Treinamento aos produtores;

    - Anlise de solo.

    - Proporciona empregos;

    - Capacitao de funcionrios;

    - Gerando clientes; - Gerando melhoria

    para a cidade; - Trazendo

    desenvolvimento regio com cursos;

    - Aumento do fluxo de pessoas.

    - Mais mo de obra para o campo de trabalho;

    - Formao de profissionais.

    - Forma tcnicos para assistncia e extenso rural;

    - Formao de mo de obra qualificada;

    - Cursos aos produtores;

    - Acesso pesquisa; - Difuso de

    tecnologia; - Laboratrio de

    solos; - Orientao de

    professores; - Parceria tcnica; - Unidades

    demonstrativas; - Produo, apoio

    tcnico e outros servios.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

    expressivo o contingente dentre estes participantes (89,66%) que acredita na

    possibilidade de o Cmpus Ceres ofertar cursos para melhorar suas atividades e contribuir

    com o desenvolvimento do ramo das empresas que atuam. Os cursos e/ou formas indicadas

    foram concentradas e dispostas no quadro 11.

  • 85

    Quadro 11 Sugestes de cursos apresentadas pelos APLs e empresas pesquisadas para melhorar suas atividades.

    APL DE CONFECES APL MADEIREIRO APL DE SADE ASSOCIAES COMERCIAIS/CDLS

    EMATER

    - Cursos profissionais na rea de confeco;

    - Cursos empresariais; - Cursos que proporcionem

    qualificao profissional; - Gerar mo de obra na rea de

    gesto e administrao.

    - Cursos em silvicultura; - Cursos que proporcionem

    profissionais para assistncia tcnica e para as atividades de extenso rural;

    - Cursos relacionados anlise de solo;

    - Cursos que observem as culturas adequadas regio;

    - Cursos na rea de madeira marcenaria, cozimento e secagem, industrializao de madeira;

    - Cursos com formao de pessoal mais receptivo tecnologia;

    - Gesto em agricultura familiar;

    - Estgio de alunos na cultura da seringueira.

    - Cursos e palestras na rea da sade;

    - Cursos nas reas de ortodontia e fonoaudiologia;

    - Informaes tcnicas; - Curso em administrao; - Curso de gesto de pessoal; - Curso tcnico em laboratrio; - Curso tcnico em prtese

    dentria; - Curso para assistncia tcnica

    em sade bucal; - Curso tcnico de manipulao

    de medicamentos.

    - Cursos de gesto; - Cursos administrao; - Cursos que proporcionem a

    formao de diferentes tipos de profissionais;

    - Cursos para atendimento ao pblico e vendas.

    - Curso de veterinria; - Cursos gerando mo de obra

    qualificada; - Cursos relacionados rea da

    Emater, utilizando recursos humanos e estrutura do Instituto;

    - Curso para tcnico de produo;

    - Cursos, possibilitando a teoria e a prtica de acordo com a realidade da regio;

    - Cursos na rea de agricultura e pecuria;

    - Parceria para beneficiar os produtores rurais e agricultores familiares com treinamento.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

  • 86

    Ao observarmos as colocaes dispostas no quadro 11, compreendemos a

    possibilidade de articulao do Instituto a fim de firmar parcerias para troca e difuso de

    conhecimentos. No caso dos APLs de confeces, de sade e madeireiro, consideradas as

    atividades para as quais o Cmpus Ceres no dispe de recursos humanos e materiais, os

    profissionais inseridos nas empresas participantes (ou contatados por meio de suas

    associaes, se houver), podem ser utilizados como instrutores, multiplicadores nos cursos. A

    realizao desses cursos pode se dar em ambientes das prprias empresas, devido ao fato de

    terem os recursos materiais apropriados. Tambm percebemos que os cursos de administrao

    realizados no Cmpus Ceres (Tcnico em Administrao e tcnico em Administrao na

    modalidade de educao de jovens e adultos Proeja) condizem com as necessidades locais.

    Diante das colocaes dos participantes essa necessidade se reafirma e sugere uma avaliao

    no sentido de verificar se h demanda para mais vagas nos cursos, ou possibilidade de criao

    de cursos mais especficos na rea.

    Em referncia a um estudo feito no mbito do projeto Sebrae-Na/RedeSist Arranjos

    Produtivos Locais: uma nova estratgia de ao para o Sebrae em 2004, Castro (2008)

    aponta os principais pontos fracos e pontos portes do APL de Confeces de Jaragu.

    Mediante os aspectos apresentados anteriormente, tanto em relao aos pontos fortes como

    aos pontos fracos expostos no quadro 12, ressaltamos nossa percepo de que importante a

    interao do Instituto com esses APLs. Atravs de parcerias, poderiam ser viabilizados

    espaos e meios para o fortalecimento desses arranjos, cujas dificuldades se relacionam, em

    boa parte com o que o Cmpus Ceres pode oferecer, e se ainda no o pode, tem condies de

    mobilizar-se para tal.

    Quadro 12 Principais pontos fortes e pontos fracos identificados no APL de Confeces de Jaragu.

    PONTOS FORTES PONTOS FRACOS

    - Parcela expressiva da populao envolvida com a atividade de confeco o que potencializa a troca de informaes e a aprendizagem coletiva;

    - As redes de subcontratao existentes, que podem evoluir para slidas relaes de cooperao;

    - Mo de obra jovem e com um nvel de escolaridade superior mdia do setor;

    - APL conhecido nacionalmente; - Agentes de coordenao e suporte bastante

    proativo.

    - Infraestrutura tecnolgica e de formao de recursos humanos em local incipiente.

    - Baixa qualificao gerencial do empresariado; - Mo de obra pouco qualificada e insuficiente; - Fragilidade das estratgias de marketing e de

    comercializao; - Elevado grau de informalidade; - Ausncia de poltica de recursos humanos; - Falta de padro de qualidade dos produtos; - Dificuldade de acesso ao crdito; - Falta de articulao e planejamento das polticas de

    promoo do APL. * Fonte: Sebrae-NA/Redesist, 2004; consoante Castro, 2008.

  • 87

    Orientados pelo perfil socioeconmico da regio, os participantes apresentaram

    indicaes de cursos que consideram relevantes ao desenvolvimento do territrio. As

    referncias aos cursos foram concentradas e apresentadas conforme o quadro 13.

    Quadro 13 Cursos e atividades considerados relevantes ao desenvolvimento da regio, segundo os APLs e empresas pesquisadas.

    APL DE CONFECES

    APL MADEIREIRO APL DE SADE ASSOCIAES COMERCIAIS/CDLS

    EMATER

    - Administrao; - Os principais j

    so oferecidos; - Os principais j

    so oferecidos por causa das lavanderias;

    - Algo que ajude as confeces;

    - Tecnlogo em confeco.

    - Organizao da produo;

    - Cooperativismo; - Agropecuria

    regional; - Engenharia

    Florestal; - Silvicultura; - Frutos do cerrado; - Avicultura

    alternativa; - Produtos lcteos; - Tcnico em

    agropecuria; - Madeira; - Sangrador de

    seringueira; - Zootecnia; - Veterinria; - Administrao

    rural; - Meio ambiente; - Agroindstria; - Agronomia; - Informtica; - Administrao; - Cursos tcnicos e

    superiores na rea da sade;

    - Cultura de seringueira;

    - Agricultura geral; - Produo

    sucroalcooleira; - Gesto ambiental.

    - Administrao; Cursos para profissionais autnomos;

    - Tcnico em comrcio e secretariado;

    - Agropecuria; - Informtica; - Engenharia Civil; - Qumica; - Cursos no setor

    sucroalcooleiro; - Biologia; - Medicina; - Os j oferecidos; - Sade bucal; - Cursos na rea de

    sade; - Engenharia

    ambiental; - Agronomia; - Segurana do

    trabalho; - Ps-graduao e

    especializao na rea de sade;

    - Hotelaria; - Recepcionista; - Gesto rural; - Paisagismo.

    - Tcnico agropecuria;

    - Tcnico em zootecnia;

    - Agronomia; - Meio ambiente; - Administrao; - Tcnico em

    informtica; - Agroindstria; - Todos os que j

    tem; - Segurana do

    trabalho; - Construo civil; - Acar e lcool; - Qumica industrial

    e laboratorial; - Contabilidade; - Minerao; - Eletricista.

    - Todos j ofertados;

    - Veterinria; - Tcnico em

    agropecuria; - Agronomia; - Gesto ambiental/

    meio ambiente; - Meio ambiente,

    veterinria e agronomia no perodo noturno;

    - Administrao; - rea de cincias

    agrrias; - Agroindstria; - rea de

    agropecuria; - Aprimorar os

    existentes; - Agricultura; - Zootecnia; - Agrimensura; - Administrao

    rural; - Piscicultura; - Floresta; - Agricultura

    orgnica; - Tcnico em cadeia

    de cana de acar.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

    Dos cursos indicados como importantes ao desenvolvimento da regio no quadro 13,

    podemos observar que alguns esto diretamente relacionados aos segmentos pesquisados e os

    demais s necessidades do conjunto de municpios inseridos no territrio do Vale de So

    Patrcio, uma vez que a maioria das indicaes se coaduna com as peculiaridades e realidade

  • 88

    de umas ou de outras localidades. As menes a cursos referentes ao setor sucroalcooleiro se

    justificam pela existncia de usinas sucroalcooleiras nos municpios de Carmo do Rio Verde,

    Itapuranga, Goiansia, Rubiataba e Itapaci. As sinalizaes a respeito de cursos relacionados

    ao cultivo da seringueira e extrao de ltex (Quadros 8, 11, e 13), bem como dos

    relacionados ao tratamento, industrializao da madeira e marcenaria (Quadros 11 e 13),

    provavelmente se do em virtude do APL madeireiro estar em expanso no Vale de So

    Patrcio. H preocupao por parte dos produtores tanto em manter e melhorar a produo e

    produtividade, como em expandir o consumo com a possibilidade de industrializao de seus

    produtos nos parmetros do Vale. A sinergia entre empresas de um mesmo setor, ou entre

    atores que tm atividades em comum um elemento importante que os fortalece e d

    longevidade. Para ilustrarmos a importncia da sinergia em um APL, nos reportamos ao fato

    de h alguns anos a cidade de Rubiataba j ter sido considerada a capital moveleira do estado

    e hoje se encontrar sem expresso significativa nessa atividade. Um fato relevante e que

    refora nossa percepo que h referncia sobre um APL moveleiro em estruturao no

    Vale de So Patrcio35

    . O crescimento do APL madeireiro na regio do Vale, com certeza

    impulsionar o fortalecimento tanto das atividades do setor e APL moveleiro quanto do APL

    madeireiro. A esse entendimento, Lastres e Cassiolato (2005a), corroboram:

    [...] a articulao de empresas de todos os tamanhos e o aproveitamento das

    sinergias geradas por suas interaes fortalecem suas chances de

    sobrevivncia e crescimento, constituindo-se em importante fonte de

    vantagens competitivas duradouras. Isto especialmente importante para as

    empresas de micro, pequeno e mdio portes [...] o aproveitamento das

    sinergias coletivas geradas pelas interaes entre empresas e destas com os

    demais atores do ambiente onde se localizam envolvendo cooperao e processos de aprendizado e de capacitao produtiva e inovativa so determinantes de sua competitividade dinmica e sustentada. (LASTRES;

    CASSIOLATO, 2005a, p. 2-8).

    Novamente, ainda no quadro 13, percebemos a incidncia de apontamentos a cursos na

    rea de administrao. Se analisarmos a questo sob o ponto de vista empresarial, entendemos

    que esse apontamento justificvel, uma vez que compreende aspectos organizacionais e

    gerenciais de uma empresa e tambm os relacionados a vendas e atendimento ao pblico.

    35

    At o trmino da coleta dos dados desta pesquisa no havia informaes sobre este APL. De acordo com a

    Secretaria de Estado de Gesto e Planejamento (SEGPLAN) o APL Moveleiro da Regio do Vale do So

    Patrcio se encontra em fase de estruturao. composto pelos municpios de Rubiataba, Nova Amrica,

    Ipiranga, Nova Glria, Ceres, Rialma, Uruana e Carmo do Rio Verde, o foco tecnolgico deste APL consiste na

    formao e qualificao dos produtores e da mo de obra; melhoria da qualidade da madeira; respeito ao meio

    ambiente; uso da tecnologia da informao nos negcios; transferncia de tecnologia; adoo de boas prticas de

    produo e gesto de negcios. (SEGPLAN, 2012). Disponvel em: . Acessado

    em fev. 2012.

  • 89

    Assim entendemos a importncia do curso de administrao e sustentamos as observaes

    anteriores a respeito dos cursos de administrao ofertados no Instituto. Ainda ressaltamos

    essa percepo mediante pesquisa do Sebrae (1999), que destaca o municpio de Ceres no

    Vale de So Patrcio em prestao de servios:

    [...] o forte de sua economia, atualmente, a prestao de servios e o

    comrcio. Com destaque para a sade, educao e distribuio de energia

    eltrica [...] o comrcio local diversificado e comercializa desde alimentos,

    remdios, roupas e calados, at mquinas agrcolas e automveis. A rea de

    atendimento das empresas e do setor tercirio no se restringe ao mercado

    local, mas atinge boa parte da regio do Vale do So Patrcio e outras

    regies. [...] milhares de pessoas de municpios vizinhos e at de regies

    mais distantes procuram atendimento mdico hospitalar em Ceres. Assim

    como, tambm, centenas de jovens de municpios vizinhos freqentam

    escolas ceresinas. (SEBRAE-GO, 1999, p. 68-69).

    Sob o ponto de vista das empresas e dos arranjos produtivos participantes foram

    apresentados os pontos, aspectos e dimenses nas quais a atuao do IF Goiano Cmpus

    Ceres tem sido realizada de forma insuficiente ou insatisfatria (Quadro 14). As questes

    expostas pelos pesquisados esto relacionadas divulgao dos cursos, falta de interao do

    Instituto com os segmentos pesquisados e com a comunidade, atuao para estimular o

    desenvolvimento socioeconmico a fim de fixar o produtor no campo, cursos especficos

    referentes s atividades das empresas e APLs e estabelecimento de parcerias e participao no

    desenvolvimento sociocultural. Tambm foi mencionado sobre no haver aspectos negativos,

    bem como foram apresentados aspectos positivos diante da percepo de que o Instituto leva

    novas tecnologias aos produtores rurais e de que traz benefcios e contribui para o

    desenvolvimento da regio.

    Sobre as colocaes dos pesquisados apresentadas no quadro 14, observamos, mais

    uma vez, que importante para esses segmentos que haja por parte do Cmpus Ceres mais

    interao com as empresas e a comunidade. Pela incidncia desse tipo de apontamento,

    compreendemos que soa como uma reivindicao e o atendimento a ela no parece ser

    entrave ao Instituto, uma vez que possui um setor especfico para essa ao.

  • 90

    Quadro 14 Aspectos considerados insuficientes na atuao do IF Goiano Cmpus Ceres, segundo as empresas e APLs pesquisados.

    APL DE CONFECES APL MADEIREIRO APL DE SADE ASSOCIAES COMERCIAIS/CDLS

    EMATER

    - Divulgao dos cursos na regio;

    - Nunca tive contato com a instituio;

    - Aqui no temos conhecimento do Instituto.

    - Comunicao, divulgao, interao;

    - Interao e incurso no APL madeireiro do Vale de So Patrcio;

    - Em todos os aspectos; - Atuao junto aos produtores

    para ativar o desenvolvimento social e econmico e fixar o produtor no campo;

    - No h cursos que atendam os APLs de sade e confeco;

    - Deveria haver mais dias de campo para produtores da agricultura familiar e produo agroflorestal;

    - A cultura de seringueira, apesar de estar no ramo h mais de 23 anos, o Instituto, h 2 anos que comeou a pedir estgio para seus alunos. OBS: a empresa passou a trabalhar junto ao CREA e ministrio da agricultura h 3 anos, o restante do tempo foi por iniciativa prpria, agora que esses rgos se interessam a trabalhar juntos.

    - No insuficiente, pois contribui para o desenvolvimento da regio;

    - No h aspectos insuficientes; - Qualificao profissional; - Desenvolvimento especfico; - Desenvolvimento

    sociocultural; - Cursos no atendem a rea da

    sade; - Interao com empresas e

    comunidade.

    - Divulgao das aes; - Nenhum; - No insatisfatria, traz

    benefcio para a regio; - Parcerias, integrao; - Palestras; - Capacitao com escolas,

    empresas, comrcio.

    - Interao com empresas para estgio;

    - Vivncia da realidade rural; - Falta interao do Instituto

    com empresas de assistncia tcnica e produtores;

    - Conhecimento tcnico, terico e prtico;

    - Novas tecnologias aos produtores rurais;

    - Entraves do Estado para no prestao de servios fora do Instituto;

    - No sei sobre a atuao do Instituto, estou em outra localidade;

    - Contato e parceria com produtores;

    - Dias de campo, campos experimentais nas cidades circunvizinhas;

    - Participao nas aes do territrio rural do Vale de So Patrcio;

    - Cursos superiores s em perodos diurnos, deveria pensar tambm em cursos superiores no perodo noturno.

    *Foram apresentados os termos conforme a expresso dos participantes.

  • 91

    Com base nos resultados referentes a todas as categorias de participantes percebemos

    haver uma mescla em suas colocaes, possibilitando-nos sintetizar uma compreenso, posto

    que entendemos convergirem a tudo que se refere s atribuies e direcionamentos para as

    aes do IF Goiano Cmpus Ceres. Constatamos, diante dos valores apresentados e

    colocaes dos pesquisados, que significativo o nmero de egressos do Cmpus Ceres no

    inseridos no mercado de trabalho. Tambm notamos que a formao desses egressos, em

    relao aos requisitos necessrios no mbito do ensino tcnico, bem como de formao geral,

    compreendendo o desenvolvimento de habilidades necessrias ao profissional, um ponto a

    ser observado pelo Instituto, pois tanto egressos quanto participantes de outras categorias

    fizeram referncia a essa questo. Alm disso, verificamos um apelo nas menes sobre a

    interao do Cmpus Ceres com os segmentos pesquisados e a comunidade externa como um

    todo. Essa interao, em nosso entendimento, tornaria possvel tanto a produo de tecnologia

    com a observncia das especificidades e necessidades das localidades em seu entorno, quanto

    a difuso desses conhecimentos, bem como a oferta de cursos que podem dinamizar e

    transformar a realidade do territrio em mltiplas dimenses.

    Reiteramos que no atribuio do Instituto criar postos de trabalho e muito menos

    atrelar a educao ao atendimento dos setores produtivos a servio do capital. Contudo, para

    ilustrar a importncia da articulao do Instituto com os atores sociais de seu territrio, e

    ressaltar sua capacidade de realizaes, pautamo-nos na concepo da educao profissional e

    tecnolgica como poltica pblica contida no documento Concepo e diretrizes: Instituto

    Federal de Educao, Cincia e Tecnologia (BRASIL, 2008a), que concebe a educao

    ofertada pelos Institutos Federais como aquela que obrigatoriamente deve

    [...] estar comprometida com o todo social, enquanto algo que funda a

    igualdade na diversidade (social, econmica, geogrfica, cultural, etc.) e

    ainda estar articulada a outras polticas (de trabalho e renda, de

    desenvolvimento setorial, ambiental, social e mesmo educacional) de modo a

    provocar impactos nesse universo. [...] Enquanto poltica pblica, os

    Institutos Federais assumem o papel de agentes colaboradores na

    estruturao das polticas pblicas para a regio que polarizam,

    estabelecendo uma interao mais direta junto ao poder pblico e s

    comunidades locais. Nesse sentido, cada Instituto Federal dever dispor de

    um observatrio de polticas pblicas enquanto espao fundamental para o

    desenvolvimento do seu trabalho. (BRASIL, 2008a, p.10-22).

    O documento ainda estabelece os fundamentos dos quais partem as relaes entre os

    Institutos Federais e o desenvolvimento local e regional, fundamentos que esto em

  • 92

    conformidade com a perspectiva de desenvolvimento que defendemos e o qual esperamos seja

    concretizado nas aes e atuao do Cmpus Ceres.

    Atuar no sentido do desenvolvimento local e regional na perspectiva da

    construo da cidadania, sem perder a dimenso do universal, constitui um

    preceito que fundamenta a ao do Instituto Federal. [...] No seria

    suficiente, pois, perceber que os Institutos Federais esto situados numa

    determinada rea geogrfica e associados a projetos e programas mais

    amplos e globais. preciso estabelecer o vnculo entre o local e o global.

    necessrio que suas aes conduzam construo de uma cultura que supere

    a identidade global a partir de uma identidade sedimentada no sentimento de

    pertencimento territorial. [...] Pensar o local, ou seja, pensar o uso do espao

    geossocial, conduz reflexo sobre a territorialidade humana. O territrio,

    na perspectiva da anlise social, s se torna um conceito a partir de seu uso,

    isto , a partir do momento em que pensado juntamente com atores que

    dele fazem uso. So esses atores que exercem, permanentemente, um dilogo

    com o territrio usado. Dilogo esse que inclui as coisas naturais e

    socioculturais, a herana social e a sociedade em seu movimento atual.

    (BRASIL, 2008a, p. 24).

    No entanto, a despeito de crermos serem os Institutos Federais uma forma de poltica

    pblica capaz de transformar efetivamente regies e localidades nas quais esto inseridos,

    compreendemos que haver realmente uma contribuio efetiva dos Institutos para com seu

    territrio desde que essas concepes e diretrizes que fundamentaram a formulao da Lei

    11.892/2008, bem como a prpria regulamentao, no sejam apenas parte de uma retrica

    presente nos discursos que envolvem a educao, uma vez que essas instituies requerem

    ateno e investimentos; e desde que os Institutos ajam em conformidade com essa

    institucionalidade, ultrapassando os limites do contedo apenas impresso em seus Planos de

    Desenvolvimento Institucional, como nos atenta Machado (2011), para uma ao concreta em

    favor do desenvolvimento social, cultural e, consequentemente, econmico de seus territrios.

    Levantamento de empresas no Vale de So Patrcio

    A fim de correlacionar as atividades dos setores produtivos nos municpios do Vale de

    So Patrcio identificados com o perfil do IF Goiano Cmpus Ceres, foi feito um

    levantamento das empresas do Vale, junto Secretaria de Estado da Fazenda, com base no

    Relatrio de Contribuintes Goianos (por tipo e municpio)36

    (2011). A partir desse

    levantamento foi possvel identificar os setores produtivos predominantes no mbito de ao

    do Cmpus Ceres. Essa identificao poder nortear sua atuao no sentido de contribuir com

    36

    Disponvel em: . Acesso em ago. 2011.

  • 93

    esses setores, assim como favorecer a incidncia de novas empresas com atividades afnicas,

    que possibilitem uma articulao do Instituto, considerando os recursos humanos e materiais

    de que dispe, para a produo e difuso de tecnologias e oferta de cursos. Dessa maneira

    tornar-se- possvel fortalecer empresas nos diversos setores produtivos e propiciar o

    surgimento de arranjos produtivos locais, uma vez que provocando a dinmica do territrio

    este se compor um cenrio em processo de transformao no qual a atuao e a participao

    dos atores envolvidos podem dar-se de maneira autntica e legtima medida que a posse do

    conhecimento, da capacitao inovativa37

    lhes proporcione autonomia individual e coletiva,

    facultando o aumento de suas potencialidades e possibilidades; alm de criar condies para o

    surgimento de postos de trabalho em todo o territrio.

    Em relao s empresas inventariadas, foram consideradas as categorias de empresas,

    cujos valores se mostraram mais expressivos, os municpios onde h incidncia de empresas,

    as interligadas com as categorias de participantes desse estudo, bem como as que de alguma

    forma estabelecem ligao com o IF Goiano Cmpus Ceres em seu papel como ator no

    desenvolvimento de seu territrio.

    As empresas esto categorizadas de acordo com a classificao apresentada no

    relatrio de contribuintes da Secretaria de Fazenda estadual. As categorias, compreendidas

    nos setores primrio, secundrio e tercirio, so: indstrias, comrcio varejista, comrcio

    atacadista e distribuidor, produtor rural e extrator vegetal, extrator mineral ou fssil, prestao

    de servio, demais atividades. O total das empresas inventariadas foi de 22.385, distribudo

    entre as categorias (Figura 19).

    0,57

    0,79

    0,17

    82,36

    0,81

    12,20

    3,10

    0 20 40 60 80 100

    Demais atividades

    Prestao de servios

    Mirerao

    Produtor rural

    Comrcio atacadista e distribuidor

    Comrcio Varejista

    Indstria

    (%)

    Figura 19 Distribuio das empresas do Vale de So Patrcio conforme o setor de atuao. (SEFAZ-GO, 2011).

    37

    Cassiolato e Lastres (2005a) relacionam a concepo do termo ao aprendizado que constitui fonte fundamental

    para a transmisso de conhecimentos, ampliao da capacitao produtiva e inovativa das empresas e outras

    organizaes. A capacitao inovativa permite a introduo de novos produtos, processos, mtodos e formatos

    organizacionais, essencial para garantir a competitividade sustentada dos diferentes atores locais, tanto

    individual como coletivamente.

  • 94

    Na categoria indstrias constavam cadastradas 694 empresas classificadas e

    distribudas conforme figura 20. Com base nessa distribuio percebemos, tomando em conta

    a dimenso territorial do Vale de So Patrcio, que pequena a incidncia de empresas nessa

    categoria e ao mesmo tempo entendemos que, justamente pelo baixo valor identificado, h

    possibilidade de expanso. No entanto compreendemos que so necessrios estudos para

    explorar essas possibilidades, assim como estudo e adoo de polticas como medidas para

    concretiz-las, visto que a relao de causalidade com essas medidas viro a contemplar o

    desenvolvimento do territrio no apenas na dimenso econmica, mas tambm as sociais,

    culturais e polticas que influenciam a vida humana, assim como as relaes entre os atores

    sociais.

    2,16

    0,002,59

    0,14

    23,49

    46,981,73

    0,29

    0,29

    0,29

    1,44

    0,43

    0,72

    0,147,20

    1,30

    0,29

    0,58

    0,00

    3,60

    6,34

    0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50

    Indstrias diversas

    Fumo

    Editorial e grfica

    Bebidas, lcool etlico e vinagre

    Produtos alimentcios

    Vesturio, calados e artefatos de tecido

    Txtil

    Produtos de matria plstica

    Perfumaria, sabes, velas

    Produtos farmacuticos e veterinrios

    Qumica

    Couros, peles e similares

    Borracha

    Papel e papelo

    Mobilirio

    Madeira

    Material de transporte

    Material eltrico e de comunicao

    Mecnica

    Metalrgica

    Produtos minerais no metlicos

    (%)

    Figura 20 Distribuio das indstrias no Vale de So Patrcio segundo o tipo de atividades. (SEFAZ-GO, 2011).

    A produo de produtos minerais no metlicos no Vale de so Patrcio (44 empresas)

    compreende fabricao de cal, cimento, concreto ou argamassa, artefatos e produtos de

    concreto, peas de cimento, gesso e amianto, artigos de cermica, artigos de barro cozido para

    construo civil, britamento ou aparelhamento de pedras para construo; com distribuio

    em 17 municpios do Vale (Figura 21).

  • 95

    2,27

    4,55

    2,27

    4,55

    4,55

    2,27

    15,91

    2,27

    4,55

    13,64

    4,55

    2,27

    15,90

    2,27

    6,82

    2,27

    9,09

    0 5 10 15 20

    Vila Propcio

    Uruana

    Uirapuru

    Santa Terezinha de Gois

    Rubiataba

    Rianpolis

    Rialma

    Nova Glria

    Jaragu

    Itapuranga

    Itapaci

    Ipiranga de Gois

    Goiansia

    Crixs

    Ceres

    Campos Verdes

    Barro alto

    (%)

    Figura 21 Distribuio das empresas da indstria de minerais no metlicos no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-GO, 2011).

    Na indstria metalrgica as atividades das empresas se relacionam fabricao de

    artefatos de trefilados de ferro e ao; fabricao de estruturas metlicas; metalurgia dos metais

    no ferrosos em formas primrias; serralheria ou fabricao de reservatrios ou recipientes

    metlicos; beneficiamento de sucata metlica; cutelaria e fabricao de armas, ferramentas

    manuais. Foram inventarias 25 empresas, distribudas nos municpios de Ceres (16 %), Crixs

    (8%), Goiansia (20%), Hidrolina (4%), Itapaci (12%), Itapuranga (8%), Jaragu (8%),

    Rialma (8%), Rubiataba (8%), Uruana (8%).

    A fabricao de objetos de madeira (exceto mveis); estruturas de madeiras ou artigo

    de carpintaria; artefatos de bambu, vime, junco (exceto mveis e chapus) compreendem as

    atividades das empresas na indstria da madeira. Foram inventariadas 9 empresas que

    desenvolvem essa atividade, com distribuio nos municpios de Campos Verdes (11,11%),

    Goiansia (22,23%), Hidrolina (11,11%), Rialma (22,22%), Rubiataba (22,22%) e So Luiz

    do Norte (11,11%).

    As empresas inventariadas na indstria do mobilirio, com atividades na fabricao de

    mveis estofados; mveis de madeira, vime ou junco; mveis de metal revestidos ou no com

    lmina plstica; mveis de outros materiais (exceto madeira); totalizaram 50, distribudas nos

    municpios de Barro Alto, Ceres, Crixs, Goiansia, Itapaci, Itapuranga, Jaragu, Nova

    Glria, Rialma, Rianpolis, Rubiataba e Uruana (Figura 22).

  • 96

    240

    2

    2

    4

    2

    14

    2

    12

    4

    14

    2

    0 10 20 30 40 50

    Uruana

    Rubiataba

    Rianpolis

    Rialma

    Nova Glria

    Jaragu

    Itapuranga

    Itapaci

    Goiansia

    Crixs

    Ceres

    Barro Alto

    (%)

    Figura 22 Distribuio das empresas da indstria do mobilirio no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-GO, 2011).

    Os dados na figura 22 indicam que as atividades na indstria do mobilirio podem se

    expandir no Vale de So Patrcio, considerando-se a existnca do APL Madeireiro na regio.

    A oferta de cursos considerados pelos participantes do APL madeireiro como aqueles que

    podem contribuir para melhorar as atividades de suas empresas, relacionados ao tratamento e

    industrializao da madeira e marcenaria, so uma forma de tornar possvel a expanso desse

    tipo de empresas, o que facultar o crescimento e fortalecimento desse APL.

    Um outro dado expressivo e que se relaciona com um dos APLs pesquisados o de

    Confeces, o nmero das indstrias do vesturio, calados e artefatos de tecido

    inventariadas (326). A existncia desse APL no municpio de Jaragu justifica ser este o de

    maior concentrao das indstrias do tipo. Observamos, a partir da distribuio dessas

    empresas (Figura 23) que existe capacidade de expanso desse APL nos parmetros do Vale

    de So Patrcio, a qual pode ser estimulada mediante a articulao dos participantes desse

    APL com o Cmpus Ceres, podendo este atuar para que haja, (em parceria com os

    participantes do APL, pois possuem o conhecimento especializado como potencial), a

    produo de tecnologia, ampliando a capacitao inovativa, bem como a difuso do

    conhecimento de forma estratgica s demais localidades onde h presena desse tipo de

    empresa no territrio do Vale. Nesse sentido, compreendemos o papel do Cmpus Ceres a

    partir da interao, assimilada s relaes cruciais incorporadas no desenvolvimento do

    conceito de arranjo ou sistema produtivo e inovativo local, assim entendidas por Lastres e

    Cassiolato (2005b):

    Fundamentais so as relaes tcnicas e outras, formais e informais entre os diferentes agentes visando adquirir, gerar e difundir conhecimentos. Tais

  • 97

    arranjos comumente apresentam fortes vnculos envolvendo agentes

    localizados no mesmo territrio; por sua vez, as interaes referem-se no

    apenas a empresas atuantes em diversos ramos de atividade e suas diversas

    formas de representao e associao (particularmente cooperativas), mas

    tambm a diversas outras instituies pblicas e privadas. (LASTRES;

    CASSIOLATO, 2005b, p. 332)

    0,31

    0,31

    0,31

    3,37

    0,61

    0,31

    0,92

    0,31

    72,40

    11,04

    1,84

    2,15

    0,61

    2,45

    0,61

    1,53

    0,92

    0 20 40 60 80

    Uruana

    So Patrcio

    Santa Terezinha de Gois

    Rubiataba

    Rialma

    Nova Glria

    Nova Amrica

    Morro Agudo de Gois

    Jaragu

    Itapuranga

    Itaguaru

    Hidrolina

    Guarata

    Goiansia

    Crixs

    Ceres

    Carmo do Rio Verde

    (%)

    Figura 23 Distribuio das empresas da indstria do vesturio, calados e artefatos de tecido no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-GO, 2011).

    As empresas da indstria de produtos alimentcios inventariadas desenvolvem

    atividades de fabricao de produtos de padaria, confeitaria ou pastelaria; resfriamento de

    leite in natura; torrefao e moagem de caf; reparao do leite ou fabricao de produtos

    laticnios; fabricao de picols, sorvetes e similares; beneficiamento moagem ou torrefao

    de produtos alimentares; produtos alimentcios derivados de bovinos, sunos, aves etc.;

    fabricao de massas alimentcias ou biscoitos; fabricao de especiarias ou condimentos;

    abate de animais, (exceto bovinos); fabricao ou refinao de acar; balas, caramelos,

    pastilhas, dropes, bombons etc.; cooperativas de fabricao de produtos laticnios; fabricao

    de conservas; abate de bovinos em abatedouros, frigorficos e charqueadas; fabricao de

    farinha de mandioca e derivados; polvilhos, pipocas, fubs ou farinhas (exceto de trigo);

    preparao de pescado ou fabricao de conservas do pescado. O total das empresas do tipo

    foi de 163, distribudas conforme a figura 24. Considerando-se que os cursos oferecidos no

    Cmpus Ceres so, a maioria, voltados para a rea da agropecuria, compreendemos que em

  • 98

    relao a essa tipo de empresa ele pode atuar em favor do desenvolvimento da agroindstria,

    com cursos e difuso de tecnologia na rea, propiciando a diversidade da produo e estmulo

    para aguar a criatividade e a capacidade empreendedora de produtores rurais e agricultores

    familiares.

    6,750,61

    3,071,84

    3,07

    1,844,91

    3,686,75

    0,61

    0,61

    0,61

    5,52

    11,046,13

    2,451,23

    0,61

    1,23

    19,023,07

    7,98

    3,071,23

    3,07

    0 5 10 15 20

    Uruana

    Uirapuru

    So Patrcio

    So Luiz do Norte

    Santa Terezinha de Gois

    Santa Isabel

    Rubiataba

    Rianpolis

    Rialma

    Nova Glria

    Nova Amrica

    Morro Agudo de Gois

    Jaragu

    Itapuranga

    Itapaci

    Itaguaru

    Ipiranga de Gois

    Hidrolina

    Guarinos

    Goiansia

    Crixs

    Ceres

    Carmo do Rio Verde

    Campos Verdes

    Barro alto

    (%)

    Figura 24 Distribuio das empresas da indstria de produtos alimentcios no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-GO, 2011).

    A segunda categoria de maior nmero de empresas inventariadas foi a do comrcio

    varejista, com total de 2.730. Nessa categoria as empresas esto classificadas (e apresentadas

    com a respectiva distribuio) como de produtos alimentcios (30,29%); vesturio, objetos e

    artigos para uso diverso (20,62%); mobilirio, aparelhos, objetos e artigos para uso domstico

    (4,47%); equipamentos e mquinas para comrcio, indstria e prestao de servios (4,65%);

    produtos qumicos, farmacuticos e medicinais (7,11%); artigos para recreao e desportos

    (0,99%); materiais para construo (8,21%); veculos, implementos, peas e acessrios

    (12,82%); produtos para lavoura e pecuria (3,04%); produtos de livraria, papelaria e produtos

    de arte grfica (1,65%); produtos diversos (6,15%).

    Os dados pertinentes ao comrcio varejista foram agrupados (Tabela 2) e a discusso

    que se segue referente aos tipos de empresa, cuja incidncia apresentou nmero mais

  • 99

    expressivo, bem como aos tipos que de alguma forma se conectam com a atuao do Cmpus

    Ceres e suas causalidades.

    Houve incidncia de 827 empresas no comrcio varejista de produtos alimentcios; no

    de vesturio, objetos e artigos para uso diverso 563; e no de mobilirio, aparelhos, objetos e

    artigos para uso domstico 122, distribudas no Vale de So Patrcio. Sob o ponto de vista

    racional, considerando-se que alimentao e vesturio so necessidades bsicas humanas,

    podemos dizer que o nmero de empresas de um municpio cresce proporcionalmente com o

    nmero de habitantes, entretanto tal proporo pode sofrer influncias de municpio para

    municpio, decorrentes de diferentes variveis, o que pode ser observado nos dados

    apresentados na tabela 2. Independentemente das causas para que essa distribuio assim se

    configure, entendemos que h espao para escoamento de produo tanto da agroindstria e

    da rea de confeces como da indstria do mobilirio em todo o Vale, caso ocorra um

    aumento de empresas relacionadas a essas atividades.

    As empresas do comrcio varejista de equipamentos e mquinas para comrcio,

    indstria e prestao de servios (totalizando 122) tiveram maior concentrao nos municpios

    de Ceres (11,81%), Crixs (7,87%), Goiansia (24,41%), Itapaci (7,09%), Itapuranga

    (11,81%), Jaragu (9,45%) e Rubiataba (6,30%), conforme disposto na tabela 2.

    O total de empresas no comrcio de produtos qumicos, farmacuticos e medicinais foi

    de 194 empresas, com maior expressividade nos municpios de Ceres (9,79%), Goiansia

    (19,59%), Itapaci (5,15%), Itapuranga (10,82%), Jaragu (13,92%), Rubiataba (6,19%) e

    Uruana (4,64%), conforme tabela 2. Curiosamente, tendo em vista o nmero de participantes

    do APL de Sade de Ceres, o percentual de empresas com essa especificidade em Ceres foi

    menor em relao a alguns municpios. Esses indicadores, diante do crescente nmero de

    participantes do APL de Sade, sugerem um olhar reflexivo por parte do Instituto no sentido

    de articular-se com a realidade e dinmica do territrio para oferta de cursos na rea da Sade.

    Os indicadores referentes s empresas varejistas de materiais para construo; veculos,

    implementos, peas e acessrios (Tabela 2) denotam haver certo fluxo de pessoas e dinmica

    na economia, (nesse caso, especificamente do setor tercirio na prestao de servios) entre os

    municpios, se compararmos o nmero de habitantes e a incidncia dos tipos de empresas, o

    que tambm sugere o mesmo olhar do Instituto para a oferta de cursos.

  • 100

    Tabela 2 Distribuio de empresas do comrcio varejista de produtos alimentcios no Vale de So Patrcio segundo os tipos de empresas.(SEFAZ-GO, 2011).

    Municpios Habitantes (IBGE, 2010)

    Produtos alimentcios

    N %

    Vesturio e artigos

    diversos N %

    Mobilirio e artigos

    diversos N %

    Equipamentos/ mquinas

    N %

    Produtos qumicos, farmacuticos e

    medicinais N %

    Materiais para construo

    N %

    Veculos, implementos,

    peas e acessrios N %

    Produtos agrope-curios N %

    Barro Alto 8.716 27 3,26 13 2,31 4 3,28 4 3,15 5 2,58 11 4,91 10 2,86 1 1,20 Campos Verdes 5.020 17 2,06 8 1,42 3 2,46 1 0,79 3 1,55 3 1,34 4 1,14 1 1,20 Carmo do Rio Verde 8.928 20 2,42 10 1,78 3 2,46 2 1,57 3 1,55 4 1,79 5 1,43 3 3,61 Ceres 20.722 57 6,89 60 10,66 12 9,84 15 11,81 19 9,79 15 6,70 51 14,57 8 9,64 Crixs 15.760 56 6,77 27 4,80 5 4,10 10 7,87 8 4,12 6 2,68 15 4,29 2 2,41 Goiansia 59.549 180 21,77 130 23,09 23 18,85 31 24,41 38 19,59 54 24,11 92 26,29 13 15,66 Guarata 2.376 8 0,97 1 0,79 2 1,03 1 0,45 1 1,20 Guarinos 2.299 15 1,81 3 0,53 2 1,03 Hidrolina 4.029 11 1,33 8 1,42 1 0,82 1 0,79 2 1,03 4 1,79 3 0,86 1 1,20 Ipiranga de Gois 2.844 6 0,73 3 0,53 2 1,03 3 1,34 2 0,57 1 1,20 Itaguaru 5.437 17 2,06 12 2,13 3 2,46 2 1,57 4 2,06 5 2,23 4 1,14 2 2,41 Itapaci 18.458 49 5,93 38 6,75 13 10,66 9 7,09 10 5,15 8 3,57 19 5,43 2 2,41 Itapuranga 26.125 44 5,32 48 8,53 8 6,56 15 11,81 21 10,82 18 8,04 23 6,57 10 12,05 Jaragu 41.870 70 8,46 59 10,48 13 10,66 12 9,45 27 13,92 27 12,05 29 8,29 9 10,84 Morro Agudo de Gois 2.356 5 0,60 1 0,18 1 0,82 1 0,52 3 1,34 1 0,29 1 1,20 Nova Amrica 2.259 5 0,60 1 0,18 1 0,82 1 0,52 Nova Glria 8.508 24 2,90 10 1,78 3 2,46 4 3,15 3 1,55 10 4,46 12 3,43 3 3,61 Pilar de Gois 2.773 7 0,85 2 0,36 1 0,52 1 0,45 1 1,20 Rialma 10.523 36 4,35 13 2,31 6 4,92 3 2,36 5 2,58 11 4,91 23 6,57 2 2,41 Rianpolis 4.566 15 1,81 6 1,07 2 1,64 2 1,57 3 1,55 4 1,79 4 1,14 1 1,20 Rubiataba 18.915 32 3,87 42 7,46 8 6,56 8 6,30 12 6,19 16 7,14 22 6,29 4 4,82 Santa Isabel 3.686 18 2,18 3 0,53 1 0,82 1 0,52 1 0,45 2 2,41 Santa Rita do Novo Destino 3.173 8 0,97 1 0,18 1 0,52 1 0,45 Santa Terezinha de Gois 10.302 23 2,78 27 4,80 4 3,28 3 2,36 4 2,06 4 1,79 14 4,00 5 6,02 So Luiz do Norte 4.617 18 2,18 8 1,42 3 2,46 2 1,03 3 1,34 5 1,43 1 1,20 So Patrcio 1.991 2 0,24 1 0,18 1 0,82 1 0,52 1 0,45 1 1,20 Uirapuru 2.933 10 1,21 2 0,36 1 0,82 2 1,03 1 0,45 1 0,29 1 1,20 Uruana 13.826 37 4,47 26 4,62 3 2,46 3 2,36 9 4,64 6 2,68 9 2,57 5 6,02 Vila Propcio 5.145 10 1,21 1 0,18 1 0,79 2 1,03 3 1,34 2 0,57 2 2,41

    Total 317.706 827 100 563 100 122 100 127 100 194 100 224 100 350 100 83 100

    *Foram apresentados os dados das empresas com valores mais expressivos.

  • 101

    A categoria comrcio atacadista e distribuidor teve o total de 181 empresas

    inventariadas, cujas atividades se referem ao comrcio de produtos alimentcios (22,65%);

    produtos extrativos de origem mineral, em bruto (0,00%); produtos extrativos de origem

    vegetal (1,66%); ferragens, produtos metalrgicos e material de construo (7,73%);

    mquinas, aparelhos e equipamentos industriais, comerciais e agrcolas (2,21%); material

    eltrico, de comunicaes e eletrodomsticos (3,87%); veculos e acessrios (11,60%);

    mveis, colchoaria e tapearia em geral (2,21%); papel e papelo (2,21%); produtos qumicos,

    farmacuticos e artigos de perfumaria (4,42%); combustvel e lubrificantes (6,63%); tecidos,

    artefatos e fio txteis (3,87%); artigos do vesturio, de armarinho e calados (11,60%);

    bebidas e fumo (4,97%); artigos para recuperao industrial (1,66%); artigos diversos

    (12,71%).

    No comrcio atacadista de artigos diversos enquadram-se as empresas do comrcio

    atacadista, como artigos funerrios, secos e molhados, artigos de joalheria e relojoaria,

    bijuterias, artigos para decorao, vasilhames, embalagens, vidros, couro e pele, preparados e

    aviamentos para sapateiro, produtos agropecurios, cooperativas de produtores, distribuio e

    fornecimento de energia eltrica.

    A discusso acerca dos dados nessa categoria faz relao com as possibilidades de

    atuao do Cmpus Ceres, bem como com a representatividade dos tipos de empresas aos

    APLs.

    Nesse sentido, apresentamos a distribuio do comrcio atacadista de produtos

    alimentcios, que, apesar de ter tido maior expressividade no nmero de empresas

    inventariadas da categoria, mostra-se baixo ao observarmos sua distribuio no Vale de So

    Patrcio (Tabela 3). Por essa razo, inferimos que um estmulo agroindstria no territrio de

    ao do Cmpus Ceres pertinente ao perfil agrcola dos cursos por ele oferecidos e

    propiciar ampla distribuio desse tipo de empresas na regio, abrindo mais espao para o

    escoamento da produo. Essa ao por parte do Instituto, certamente concorrer ao

    desenvolvimento social e econmico do territrio, juntamente com as possibilidades e

    perspectivas a partir do funcionamento dos ptios de carregamento da Ferrovia Norte-Sul nos

    municpios de Santa Isabel e Jaragu.

    Os outros tipos de empresas do comrcio atacadista fazem relao com os APLs de

    Confeces, Sade e Madeireiro. Mediante os dados dispostos na tabela 3, percebemos que a

    incidncia de empresas tambm baixa em vista do nmero de empresas varejistas

    concernentes s atividades desses APLs. O fortalecimento desses APLs pode impulsionar o

  • 102

    comrcio atacadista, instituindo um entrelaamento simbitico prprio das interdependncias

    que estabelecem o movimento sinrgico dentre esses conjuntos de empresas e os atores

    envolvidos (LASTRES; CASSIOLATO, 2005a).

    Tabela 3 Distribuio das empresas do comrcio atacadista mais expressivas no Vale de So Patrcio. (SEFAZ-GO, 2011).

    Municpios Produtos alimentcios

    N %

    Mveis, colchoaria e

    tapearia N %

    Produtos qumicos, farmacuticos,

    artigos de perfumaria N %

    Tecidos, artefatos e fio txteis

    N %

    Artigos do vestu-rio, armarinho e

    calados N %

    Barro Alto 2 25 2 9,52 Carmo do Rio Verde 2 50 1 12,5 Ceres 11 26,83 2 25 2 28,57 1 4,76 Crixs 1 12,5 1 4,76 Goiansia 9 21,95 1 25 1 12,5 3 14,29 Guarata 1 2,44 Hidrolina 1 2,44 Itaguaru 1 2,44 Itapaci 2 4,88 Itapuranga 1 2,44 1 12,5 2 9,52 Jaragu 3 7,32 5 71,43 9 42,86 Nova Amrica 1 2,44 Nova Glria 1 4,76 Pilar de Gois 1 2,44 Rialma 4 9,76 Rubiataba 1 25 Santa Isabel 1 4,76 Santa Terezinha de Gois 3 7,32 So Luiz do Norte 1 4,76 Uruana 3 7,32

    Total 41 100 4 100 8 100 7 100 21 100

    A categoria Produtor rural e extrator vegetal teve o total de 18.439 empresas

    inventariadas, classificadas dentro das atividades de criao de animais, agricultura, extrao

    vegetal, compreendendo esta ltima a extrao de substncias corantes, fibras vegetais, lenha

    e ltex. Todas essas atividades correlacionam-se com o perfil do Cmpus Ceres, visto que h

    oferta de cursos na rea agrcola e de meio ambiente.

    Os indicadores referentes aos produtores rurais dentre todas as categorias de empresas

    inventariadas foi os que apresentaram maior percentual (82,36%)38

    . Uma justificativa para tal

    percentual relaciona-se ao fato de que, apesar da industrializao estar em crescimento no

    38

    Figura 19.

  • 103

    estado de Gois, a agropecuria fator preponderante no desenvolvimento do estado, tendo na

    pecuria a 4 maior representatividade dentre os estados brasileiros (SEGPLAN, 2011)39

    .

    A seguir apresentamos os dados referentes s atividades de criao de animais e

    agricultura, cujos indicadores se mostram mais significativos.

    Os dados revelam haver maioria de produtores em atividades que envolvem a criao

    de animais (85,12%), com predominncia da bovinocultura de leite e de corte. Na agricultura,

    o percentual de produtores e de 14,77 (Tabela 4).

    Tabela 4 Distribuio das empresas da categoria produtores rurais no Vale de So Patrcio segundo as atividades. (SEFAZ-GO, 2011).

    Municpios Criao de animais Agricultura

    N % N %

    Barro Alto 394 2,51 29 1,07 Campos Verdes 235 1,50 6 0,22 Carmo do Rio Verde 531 3,38 331 12,16 Ceres 505 3,22 87 3,20 Crixs 1.326 8,45 10 0,37 Goiansia 965 6,15 88 3,23 Guarata 277 1,76 75 2,75 Guarinos 304 1,94 8 0,29 Hidrolina 317 2,02 12 0,44 Ipiranga de Gois 414 2,64 66 2,42 Itaguaru 290 1,85 65 2,39 Itapaci 366 2,33 260 9,55 Itapuranga 1.836 11,70 333 12,23 Jaragu 1.370 8,73 415 15,24 Morro Agudo de Gois 333 2,12 2 0,07 Nova Amrica 212 1,35 4 0,15 Nova Glria 427 2,72 98 3,60 Pilar de Gois 641 4,08 6 0,22 Rialma 332 2,12 63 2,31 Rianpolis 134 0,85 24 0,88 Rubiataba 902 5,75 83 3,05 Santa Isabel 530 3,38 42 1,54 Santa Rita do Novo Destino 413 2,63 29 1,07 Santa Terezinha de Gois 623 3,97 6 0,22 So Luiz do Norte 179 1,14 50 1,84 So Patrcio 262 1,67 123 4,52 Uirapuru 552 3,52 2 0,07 Uruana 587 3,74 274 10,06 Vila Propcio 438 2,79 132 4,85 Total 15.695 100 2.723 100

    39

    Secretaria de Estado de Gesto e Planejamento. Disponvel em: http://www.seplan.go.gov.br/sepin>. Acesso

    em 06 abr. 2012.

  • 104

    Mediante o levantamento das empresas por setor e tipo no Vale de So Patrcio,

    observamos que os dados indicam predominncia de empresas do setor primrio, que se

    sobrepe de maneira relevante s empresas dos setores tercirio e secundrio, especificamente

    as do segmento agropecurio40

    .

    No sentido de identificar as atividades dos setores produtivos nos municpios do Vale

    de So Patrcio e correlacion-las com o perfil do IF Goiano Cmpus Ceres, a sondagem foi

    pertinente e fundamenta nossa percepo de que a implantao dessa Instituio de ensino

    ainda se justifica no cenrio atual diante de sua institucionalidade conferida pela Lei

    11.892/2008. Porm essa mesma institucionalidade lhe confere um papel mais interativo com

    seu territrio, no de protagonista nesse cenrio repleto de atores, mas aquele que tem como

    encargo sua parcela de contribuio para o protagonismo dos outros atores sociais.

    certo que ao IF Goiano Cmpus Ceres no cabe dar conta do desenvolvimento do

    Vale de So Patrcio em todas as suas dimenses. Tambm certo que se cada entidade

    instituda de poder cumprisse seu papel, o to almejado desenvolvimento, mais que parte de

    um discurso de foras hegemnicas, como afirmam os ps-desenvolvimentistas, e mais do

    que uma busca, seria simplesmente uma realidade sem mistrio e sem necessidade de teorias

    que o suportem.

    40

    Figura 19.

  • 105

    5 CONCLUSES

    O levantamento dos arranjos produtivos e das empresas (por setor) no Vale de So

    Patrcio indica a existncia dos APLs de Confeces de Jaragu, de Sade de Ceres e o

    Madeireiro, a maioria em fase de estruturao; as empresas predominantes so do setor

    agropecurio.

    Parte dos APLs no apresenta atividades que se identificam com os cursos oferecidos

    pelo IF Goiano Cmpus Ceres, ao contrrio da maioria das empresas levantadas. Diante de

    sua institucionalidade h possibilidades para articulao e interao do Cmpus Ceres com os

    APLs e empresas do territrio para melhorar suas atividades produtivas por meio do ensino,

    pesquisa e extenso.

    Os resultados obtidos demonstram que as justificativas para a implantao da antiga

    EAFCe ainda se evidenciam no territrio do Vale de So Patrcio. Identifica-se nas

    percepes da maioria dos participantes a crena de que o Cmpus Ceres pode contribuir para

    o desenvolvimento de suas localidades, bem como da importncia de que sejam observadas as

    demandas regionais e da articulao e interao do Cmpus com os demais atores do

    territrio.

    Os egressos do IF Goiano Cmpus Ceres esto ou j estiveram inseridos nos APLs

    e/ou empresas pesquisadas, porm no em quantidade expressiva. H considervel

    contingente de egressos que no trabalha e tem dificuldade de encontrar emprego na rea de

    formao. A formao ofertada nos cursos melhor no ensino profissional para a maioria dos

    egressos pesquisados. Os cursos do Instituto, para a maioria dos egressos participantes,

    atendem as necessidades de insero dos profissionais no mercado de trabalho.

    A atuao dos egressos inseridos nos APLs e empresas pesquisadas foi classificada,

    relativamente, como boa.

    O conjunto dos resultados obtidos aponta direcionamentos para a atuao do IF

    Goiano Cmpus Ceres. Em relao ao ensino constata-se a necessidade de que seja revista a

    metodologia utilizada nos cursos tcnicos para o desenvolvimento de habilidades e

    competncias imperativas ao mundo do trabalho. H potencial de crescimento nos APLs e

    setores produtivos da regio, que requer a articulao e interao do Cmpus Ceres, atuando

    no ensino, pesquisa e extenso, observadas as demandas do territrio.

  • 106

    6 CONSIDERAES FINAIS

    Ao concluirmos este estudo demo-nos conta de que o papel imposto aos Institutos

    Federais pela Lei 11.892/2008 de alta complexidade, pois alm de sua funo primeira o

    ensino devem atentar-se ao mundo produtivo de seus territrios, que no muito restritos

    envolvem diversos tipos de atores, que por sua vez desempenham diferentes atividades

    produtivas.

    Portanto, atentar-se s demandas regionais e agir em conformidade com seus

    territrios, para esses Institutos no tarefa fcil, tampouco simples. Ademais, no podemos

    desprezar o fato de que essas instituies, por si, j so complexas por envolver internamente

    diferentes tipos de profissionais, geralmente em grande nmero, com funes distintas;

    diferentes propostas, intenes, ideais e atitudes diante de suas prprias atribuies; e que

    nem sempre esto a par, ou se interessam pelos planos e aes institucionais, configurando-se

    por vezes em ambientes com aes no muito sinrgicas.

    O papel dos Institutos, implementados como poltica pblica, remete-os diretamente

    como agentes de desenvolvimento territorial, por isso estes devem agir para o fortalecimento

    dos arranjos produtivos, sociais e culturais (fato que pode ser comprovado no aporte terico

    apresentado quanto abordagem territorial do desenvolvimento e sua relao estabelecida

    historicamente com os arranjos produtivos locais). No entanto, o documento Concepo e

    diretrizes: Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia, nem mesmo a Lei

    11.892/2008 abordam claramente sobre o que estaria compreendido no conjunto arranjos

    produtivos, sociais e culturais locais. E tambm no foi encontrado, a fim de que fosse

    apresentado como aporte em nossa abordagem terica, algum documento que indicasse,

    norteasse ou apresentasse algum princpio sob os quais os Institutos devem se organizar para

    identificar, mapear e caracterizar esses arranjos produtivos, sociais e culturais locais, posto

    que a caracterizao, pelo menos em relao aos arranjos produtivos locais, fundamental

    para determinar que tipo de ao (ou polticas) cada um desses arranjos requer.

    Nesse sentido, compreendemos como necessrio aos Institutos, no intuito de que essa

    poltica realmente se torne pblica, que estes se organizem, primeiramente, a fim de

    compreender sob quais princpios e mtodos suas aes devem se pautar para que seu papel

    seja, no representado, mas cumprido. Uma vez que o desenvolvimento territorial, sob o qual

    se fundamentam o documento Concepo e diretrizes: Instituto Federal de Educao, Cincia

    e Tecnologia e a Lei 11.892/2008, enfoca consistentemente o ator social, as relaes

    sinrgicas entre os diversos atores de um territrio (relaes estas construda historicamente e

  • 107

    que por isso devem ser observadas, valorizadas e respeitadas) esperamos que a funo e

    objetivo primeiros dos Institutos os que deles saem para viver e agir em seus territrios

    no sejam relegados ao segundo plano, e apenas depois de se institurem como independentes,

    por um tipo de formao que os conceba e lhes proporcionem entender-se como sujeitos

    de/por/para/com direitos, a sim possam ser considerados como outros atores no

    desenvolvimento socioeconmico de seus territrios.

    fato que o IF Goiano Cmpus Ceres no o nico ator que pode promover o

    desenvolvimento do Vale de so Patrcio considerando-se que empresas, rgos do governo e

    outras instituies tambm o podem ou tm como funo especfica. No entanto, tambm

    fato que as imposies legais conferidas aos IFs os colocam de maneira mais direta esse

    compromisso.

    O fato de o Cmpus Ceres ter sido estabelecido como instituio de ensino agrcola e

    vir ofertando cursos nessa rea h dezessete anos levou-nos percepo de que este Cmpus

    poderia ter contribudo de maneira mais efetiva para a melhoria da produo e produtividade

    dos produtores rurais e agricultores familiares de seu territrio, e consequentemente de sua

    qualidade de vida, posto que, para a maioria, a produo a principal renda da famlia e para

    mais da metade a renda com a produo varia de um a dois salrios mnimos e muitos

    precisam complement-la, por vezes com servios pesados. Os cursos de curta durao

    diretamente aos produtores apresentaram-se como um dos melhores mecanismos para que

    estes possam otimizar a produo. Diante das necessidades evidenciadas por essa categoria de

    pesquisados, compreendemos que as atividades de extenso para eles so altamente

    recomendveis e preponderantes.

    Compreendemos que a atuao do Cmpus Ceres, no conjunto de sua atribuies, tem

    potencialidade para, observando as demandas dos setores produtivos, APLs e os demais atores

    do territrio (incluem-se os discentes), contribuir para a gerao de emprego e renda e,

    consequentemente, o desenvolvimento socioeconmico do Vale de So Patrcio. Nesse

    sentido, reiteramos nossas observaes referentes necessidade de que IF Goiano Cmpus

    Ceres se prepare para tratar de como se encarregar de suas atribuies, compondo ncleos de

    estudos e de planejamento para tanto.

    Este estudo buscou reunir informaes e percepes (embora no sejam todas as

    necessrias) advindas de diferentes atores que direta ou indiretamente tm relao com as

    atribuies do IF Goiano Cmpus Ceres. Consideramos relevantes as percepes levantadas,

  • 108

    acreditamos e esperamos que possam servir de norteamento s aes do Instituto as quais

    desejamos estejam para alm de seu Plano de Desenvolvimento Institucional.

  • 109

    7 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    ALVES, Giovanni. Toyotismo, novas qualificaes e empregabilidade: mundializao do

    capital e a educao dos trabalhadores no sculo XXI. In: Educao. v. 10, n. 16. Macei,

    2003. p. 61-76. Disponvel em: . Acesso em 05 set. 2011.

    BERTHOUD, Grald. Mercado. In: Dicionrio do desenvolvimento: guia para o

    conhecimento como poder. Petrpolis: Vozes, 2000. p. 132-154.

    BIAGI, O. L. O imaginrio da guerra fria. Revista de Histria Regional. v. 6, n. 1, p. 61-

    111, 2001. Disponvel em: .

    Acessado em 05 ago. 2010.

    BRASIL. Presidncia da Repblica. Decreto Lei n 8.319 de 20 de outubro de 1910. Cria o

    Ensino Agronmico e aprova o respectivo regulamento. Dirio Oficial da Unio, Poder

    Executivo, Rio de Janeiro, RJ, 27 de outubro de 1910. Edio n 246. Disponvel em:

    Acessado em 10

    ago. 2011.

    ______. Ministrio da Agricultura. Decreto-Lei n 9.613 de 20 de agosto de 1946. Lei

    Orgnica do Ensino Agrcola. Disponvel em: . Acessado em 11 out. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Lei n 4.024 de 20 de dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes

    e Bases da Educao Nacional. Disponvel em: . Acessado em 11 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Agricultura e Reforma Agrria. Decreto n 53.558, de 13 de fevereiro

    de 1964. Altera denominao de escolas de iniciao agrcola, agrcolas e agrotcnicas.

    Disponvel em: .

    Acessado em 11 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Lei n 5.692 de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e

    Bases para o ensino de 1 e 2 graus, e d outras providncias. Disponvel em:

    . Acessado em 11 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao e Cultura, Coordenao Nacional do Ensino Agrcola.

    Decreto n. 72.434 de 9 de setembro de 1973. Cria a Coordenao Nacional do Ensino

    Agrcola - COAGRI - no Ministrio da Educao e Cultura, atribudo-lhe autonomia

    administrativa e financeira e d outras providncias. Disponvel em:

  • 110

    gov.br/legislacao/ListaNormas.action?numero=72434&tipo_norma=DEC&data=19730709&l

    ink=s>. Acessado em 11 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Lei n 6.545 de 30 de junho de 1978. Dispe sobre a

    transformao das Escolas Tcnicas Federais de Minas Gerais, do Paran e Celso Suckow da

    Fonseca em Centros Federais de Educao Tecnolgica e d outras providncias. Disponvel

    em: . Acessado em 11 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Decreto n 83.935 de 04 de setembro de 1979. Altera a

    denominao dos estabelecimentos de ensino que indica. Disponvel em: . Acessado em 11 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao e Cultura. Decreto 93.613 de 21 de novembro de 1986.

    Extingue rgos do Ministrio da Educao, e d outras providncias. Disponvel em: <

    https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1980-1989/1985-1987/d93613.htm>. Acessado

    em 12 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao e do Desporto. Lei n 8.731 de 16 de novembro de 1993.

    Transforma as Escolas Agrotcnicas Federais em autarquias e d outras providncias.

    Disponvel em: . Acessado em 11 ago.

    2011.

    ______. Ministrio da Educao. Lei n 8.670 de 30 de junho de 1993. Dispe sobre a

    criao de Escolas Tcnicas e Agrotcnicas Federais e d outras providncias. Disponvel em:

    . Acessado em 11 out. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Braslia. Lei n 9.394 de 20 de dezembro de 1996.

    Estabelece as Diretrizes e Bases da Educao Nacional. Disponvel em:

    . Acessado em 11 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Decreto n. 2.208, de 17 de abril de 1997. Regulamenta o

    2 do art. 36 e os arts. 39 a 42 da Lei n 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as

    diretrizes e bases da educao nacional. Disponvel em:

    . Acessado em 11 out. 2011.

    ______. Conselho Nacional de Educao, Cmara de Educao Bsica. Parecer n 16 de 5 de

    outubro de 1999. Dispe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educao

    Profissional de Nvel Tcnico. Disponvel em . Acessado em 11 out. 2011.

  • 111

    ______. Ministrio da Educao. Referenciais curriculares nacionais da educao

    profissional de nvel tcnico. Braslia, DF, 2000. Disponvel em: . Acessado em 05 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Decreto n 5.154 de 23 de julho de 2004. Regulamenta o

    2 do art. 36 e os arts. 39 a 41 da Lei n 9.394 de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as

    diretrizes e bases da educao nacional, e d outras providncias. Braslia, Ministrio da

    Educao, 2004. Disponvel em: . Acessado em 11 out. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Concepo e diretrizes: Instituto Federal de Educao,

    Cincia e Tecnologia. Braslia: Secretaria de Educao Profissional e Tecnolgica Setec, jun. 2008a.

    ______. Ministrio da Educao. Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede

    Federal de Educao Profissional, Cientfica e Tecnolgica, cria os Institutos Federais de

    Educao, Cincia e Tecnologia, e d outras providncias. Braslia, DF, 29 dez. 2008b.

    Disponvel em: . Acessado em 2 jan. 2010.

    ______. Ministrio da Educao. Histrico da Educao Profissional. Centenrio da

    educao profissional e tecnolgica. 2008c. Disponvel em: . Acessado em 15 ago. 2011.

    ______. Ministrio da Educao. Secretaria de Educao Profissional e Tecnolgica. Instituto

    Federal de Educao, Cincia e Tecnologia Goiano. Plano de desenvolvimento institucional

    (2009-2013). Goinia, GO, 2009.

    CASSIOLATO, Jos Eduardo; MATOS, Marcelo Pessoa de; LASTRES, Helena Maria

    Martins. Arranjos e sistemas produtivos e inovativos locais em atividades culturais e polticas

    para sua promoo. In: CASSIOLATO, Jos Eduardo; MATOS, Marcelo Pessoa de;

    LASTRES, Helena Maria Martins. (Orgs.) Arranjos produtivos locais uma alternativa

    para o desenvolvimento: criatividade e cultura. Rio de Janeiro: E-papers, 2008. 2 v. em 1, p.

    19-51.

    CASTRO, Srgio Duarte de. Avaliao e Proposio de Polticas para o APL de Confeces

    da Regio de Jaragu. In: CASSIOLATO, Jos Eduardo; STALLIVIERI, Fabio; LASTRES,

    Helena Maria Martins. (Orgs.) Arranjos produtivos locais uma alternativa para o

    desenvolvimento: experincias de poltica. Rio de Janeiro: E-papers, 2008. 2 v. em 2, p. 235-

    267.

    CHAUI, Marilena de Souza. O que ideologia? 30. ed. So Paulo: Brasiliense, 1989.

  • 112

    CUNHA, Luiz Antnio. O ensino de ofcios artesanais e manufatureiros no Brasil

    escravocrata. So Paulo: Editora UNESP, Braslia, DF: Flacso, 2000.

    DAYRELL, Eliane Garcindo. Colnia Agrcola Nacional de Gois: anlise de uma poltica

    de colonizao na expanso para o oeste. Dissertao de mestrado Faculdade de Educao, Universidade Federal de Gois, Goinia, 1974.

    ESTEVA, Gustavo. Desenvolvimento. In: Dicionrio do desenvolvimento: guia para o

    conhecimento como poder. Petrpolis: Vozes, 2000. p. 59-83.

    CARDOSO, Flvio Manoel Coelho Borges. Cluster de sade de Ceres (GO): um resgate

    do seu processo de formao e expanso. Dissertao (Mestrado em Administrao) Universidade Catlica de Minas Gerais, Fundao Dom Cabral, Belo Horizonte, Minas

    Gerais, 2005.

    FRANCO, Maria Laura P. Barbosa. Ensino mdio: desafios e reflexes. Campinas, So

    Paulo: Papirus, 1994.

    FRIGOTTO, Gaudncio; CIAVATTA, Maria; RAMOS, Marise. A gnese do Decreto n

    5.154/2004: um debate no contexto controverso da democracia restrita. In: ______. (Orgs.).

    Ensino mdio integrado: concepes e contradies. So Paulo: Cortez, 2005, p. 21-56.

    FURTADO, Celso. O mito do desenvolvimento econmico. So Paulo: Crculo do Livro,

    1974.

    FURTADO, Celso. Desenvolvimento. In: BIDERMAN, C; COZAC, L. F. L; REGO, J. M.

    Conversas com economistas brasileiros. So Paulo: Editora 34, 1996. p. 61-87.

    GENTILI, Pablo. Educar para o desemprego: a desintegrao da promessa integradora. In:

    FRIGOTTO, Gaudncio. (Org.). Educao e crise do trabalho: perspectivas de final de

    sculo. 9. ed. Petrpolis, RJ: Vozes, 2008.

    GOIS. Lei Estadual n 767 de 04 de agosto de 1953. Desmembra do municpio de Gois o

    distrito de Ceres, elevado categoria de municpio.

    HARVEY, David. Condio ps-moderna. 16. ed. So Paulo: Loyola; 2007.

    KOLLER, Claudio; SOBRAL, Francisco. A construo da identidade nas escolas

    agrotcnicas federais: a trajetria da COAGRI ao CONEAF. In: MOLL, Jaqueline et al.

  • 113

    Educao profissional tecnolgica no Brasil contemporneo: desafios, tenses e

    possibilidades. Porto Alegre: Artmed, 2010, p. 220-229.

    KUENZER, Accia Zeneida. A reforma do ensino tcnico no Brasil e suas consequncias. In:

    FERRETTI, Celso Joo; SILVA JUNIOR, Joo dos Reis; OLIVEIRA, Maria Rita Neto Sales

    (Orgs.). Trabalho, formao e currculo: para onde vai a escola? So Paulo: Xam, 1999. p.

    121-139.

    ______. Ensino Mdio e profissional: as polticas do estado neoliberal. 4. ed. So Paulo:

    Cortez, 2007.

    KUENZER, Accia Zeneida; MACHADO, Luclia Regina de Souza. A pedagogia tecnicista.

    In MELLO, Guiomar Namo de. (Org.). Escola nova, tecnicismo e educao compensatria.

    So Paulo: Loyola, 1982, p. 29-52.

    LASTRES, Helena Maria Martins; CASSIOLATO, Jos Eduardo. (Coords.). Mobilizando

    conhecimentos para desenvolver arranjos e sistemas produtivos e inovativos locais de

    micro e pequenas empresas no brasil. 2005a. Disponvel em: < http://redesist.ie.ufrj.br/ glossario.php>. Acesso em: 05 jan. 2011.

    LASTRES, Helena Maria Martins; CASSIOLATO, Jos Eduardo. Desafios e oportunidades

    para o aprendizado em sistemas produtivos e inovativos na Amrica Latina. In: DINIZ, Cllio

    Campolina, Cllio; LEMOS, Mauro Borges. (Orgs). Economia e Territrio. Belo Horizonte,

    MG: Editora UFMG, 2005b.

    LASTRES, Helena Maria Martins et al. Globalizao e inovao localizada. In: LASTRES,

    Helena Maria Martins; CASSIOLATO, Jos Eduardo. (Eds.). Globalizao e inovao

    localizada: experincias de sistemas locais no Mercosul. Braslia: IBICT/MCT, 1999.

    MACHADO, Luclia Regina de Souza. Saberes profissionais nos planos de desenvolvimento

    de institutos federais de educao. Cadernos de Pesquisa. So Paulo, v. 41, n. 143, ago.

    2011, p.352-375. Disponvel em: . Acesso em: 02 set. 2011.

    MANFREDI, Silvia Maria. Educao profissional no Brasil. So Paulo: Cortez, 2002.

    MARRACH, Sonia Alem. Neoliberalismo e educao. In: SILVA JNIOR, Celestino Alves.

    et. al. Infncia, Educao e Neoliberalismo. So Paulo: Cortez, 1996, p. 42-46.

  • 114

    OGORMAN, Frances et al. gua do Cu, Barro, da Terra: As Mulheres do Campo Contam sua Luta. So Paulo: Paulinas, 1987.

    OLIVIER DE SARDAN, Jean-Pierre. Anthropology and development: understanding

    contemporary social change. New York, NY: Zed Books, 2005.

    PAIVA, Vanilda. Qualificao, crise do trabalho assalariado e excluso social. In: GENTILI,

    Pablo; FRIGOTTO, Gaudncio. (Orgs.). A cidadania negada: polticas de excluso na

    educao e no trabalho. 4. ed. So Paulo: Cortez, 2008.

    PARO, Vitor Henrique. Parem de preparar para o trabalho!!! Reflexes acerca dos efeitos do

    neoliberalismo sobre a gesto e o papel da escola bsica. In: FERRETTI, Celso. Joo. et al

    (Orgs.). Trabalho, formao e currculo: para onde vai a escola? So Paulo : Xam, 1999.

    p. 101-120.

    PECQUEUR, Bernard. O desenvolvimento territorial: uma nova abordagem dos processos de

    desenvolvimento para as economias do Sul. Traduo de Ghislaine Duque. Razes, Campina

    Grande, v. 24, n. 1 e 2, p. 1022, jan./dez. 2005. Disponvel em: < http://www.ufcg.edu.br/~ raizes/volumes.php?Rg=14>. Acessado em 15 ago. 2011.

    PORTER, Michael. Competio, on competition: estratgias competitivas essenciais. 7. ed.

    Traduo Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

    RAMOS, Marise Nogueira. A educao profissional pela pedagogia das competncias e a

    superfcie dos documentos oficiais. Educao e Sociedade, Campinas, v. 23, n. 80, set. 2002,

    p. 401-422. Disponvel em: . Acessado em 05 nov.

    2011.

    RIBEIRO, Gustavo Lins. Ambientalismo e desenvolvimento sustentado: ideologia e utopia no

    final do sculo XX. Revista Cincia da Informao, Braslia, v. 21 n. 1, p. 23-31, jan./abr.

    1992. Disponvel em: . Acessado em 05 ago. 2010.

    RODRIGUES, Alberto Tosi. Neoliberalismo: gnese, retrica e prtica. 1999. Disponvel

    em: < http://portal.filosofia.pro.br/arquivo-alberto-tosi-rodrigues.html>. Acessado em 02 nov.

    2011.

    SACHS, Wolfgang. (ed.) Dicionrio do desenvolvimento: guia para o conhecimento como

    poder. Petrpolis: Vozes, 2000.

  • 115

    SANDRONI, Paulo. (org.). Novssimo dicionrio de economia. So Paulo: Best Seller,

    1999.

    SANTOS, Jailson Alves dos. A trajetria da educao profissional. In: LOPES, Eliane Marta

    Teixeira; FARIA, Luciano Mendes Filho; VEIGA, Cynthia Greive (Orgs). 500 anos de

    educao no Brasil. 2. ed. Belo Horizonte, MG: Autntica, 2000.

    SANTOS, Milton. O dinheiro e o Territrio. In: SANTOS, Milton et al. Territrio,

    territrios: ensaios sobre o ordenamento territorial. 3. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.

    p. 13-21.

    SAVIANI, Dermeval. Trabalho e educao: fundamentos ontolgicos e histricos. Revista

    Brasileira de Educao, Rio de Janeiro, v. 12, n. 34, abr. 2007. Disponvel em: . Acessado em 07 ago. 2011.

    SCHNEIDER, Srgio; TARTARUGA, Ivn G. Peyr. Territrio e abordagem territorial: das

    referncias cognitivas aos aportes aplicados anlise dos processos sociais rurais. Razes,

    Campina Grande, v. 23, n. 1 e 2, p. 99-116, jan./dez. 2004. Disponvel em: . Acessado em 10 ago. 2010.

    SCHNEIDER, Srgio. A abordagem territorial do desenvolvimento rural e suas articulaes

    externas. Sociologias, 2004, n.11, pp. 88-125. Disponvel em: . Acessado em 10 ago. 2010.

    SCHNEIDER, Srgio; ESCHER, Fabiano. A Contribuio de Karl Polanyi para a sociologia

    do desenvolvimento rural. Sociologias, Porto Alegre, v. 13, n. 27, ago. 2011. Disponvel em:

    < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S157-4520110002008&script=sci_abstract&tlng =pt>.

    Acessado em 11 dez. 2011.

    SEGNINI, Liliana Rolfsen Petrilli. Educao e trabalho: uma relao to necessria quanto

    insuficiente. So Paulo Perspec., So Paulo, v. 14, n. 2, Jun. 2000. Disponvel em:

    . Acessado em 15 ago. 2011.

    SERVIO BRASILEIRO DE APOIO S MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DE GOIS SEBRAE-GO. Programa de emprego e renda. Diagnstico Municipal de Ceres. Goinia, jul.

    1999.

    SINGER, Paul. Economia solidria: um modo de produo e distribuio. In: SINGER, Paul;

    SOUZA, Andr Ricardo. de. (Orgs.) A economia solidria no Brasil: a autogesto como

    resposta ao desemprego. So Paulo, Contexto, 2000.

  • 116

    SIQUEIRA, Holgonsi Soares Gonalves. A globalizao sob a tica da acumulao flexvel.

    Revista Sociais e Humanas, Santa Maria, RS, UFSM, v. 22, n. 2 ago. 2009, p. 22-40.

    Disponvel em: . Acessado em 07 ago. 2011.

    SOBRAL, Francisco. A formao do tcnico em agropecuria no contexto da agricultura

    familiar do oeste catarinense. Campinas, So Paulo, 2004. Tese de doutorado Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educao, Campinas, So Paulo, 2004.

    SOUZA, Marcelo Jos Lopes de. O territrio: sobre espao e poder, autonomia e

    desenvolvimento. In: CASTRO, In Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRA,

    Roberto Lobato. (Orgs.). Geografia: conceitos e temas. 12. ed. Rio de Janeiro: Bertrand

    Brasil, 2009.

    SUZIGAN, Wilson et al. Clusters ou sistemas locais de produo: mapeamento, tipologia e

    sugestes de polticas. Revista de Economia Poltica, v. 24, n 4, out./dez, 2004, p. 543-562.

    Disponvel em: . Acessado em 15 ago. 2011.

    SUZIGAN, Wilson (Coord). Relatrio consolidado: identificao, mapeamento e

    caracterizao estrutural de arranjos produtivos locais no Brasil. Instituto de Pesquisa

    Econmica Aplicada, 2006, 59p. Disponvel em: . Acessado em 15 ago. 2011.

    TARTARUGA, Ivn G. Peyr. As inovaes nos territrios e o papel das universidades:

    notas preliminares para o desenvolvimento territorial no Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, FEE, n. 81, 2010. Disponvel em: . Acessado em 10 ago 2011.

    TAVARES, Carlos Alberto. A formao do tcnico em agropecuria no sistema escola-

    fazenda. In: Anais... Recife, vol. 4, p.314-339, 2007. Disponvel em: . Acessado em 20 nov.

    2011.

    VZQUEZ BARQUERO, Antonio. Desenvolvimento endgeno em tempos de

    globalizao. Traduo de Ricardo Brinco. Porto Alegre: Fundao de economia e estatstica,

    2001.

    VEIGA, Jos Eli da. A face territorial do desenvolvimento. Interaes Revista

    Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3, n. 5, p. 5-19, Set. 2002. Disponvel em:

    . Acessado em 10 ago.

    2010.

  • 117

    ______. Desenvolvimento sustentvel: o desafio do sculo XXI. Rio de Janeiro: Garamond,

    2010.

  • 118

    8 ANEXOS

    Anexo A: Instituio da Rede Federal de Educao Profissional, Cientfica e Tecnolgica;

    criao dos Institutos Federais - suas finalidades, caractersticas e objetivos pela Lei

    11.892/2008

  • 119

    Anexo A: Instituio da Rede Federal de Educao Profissional, Cientfica e Tecnolgica;

    criao dos Institutos Federais - suas finalidades, caractersticas e objetivos pela Lei

    11.892/2008

    LEI N 11.892, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2008.

    Institui a Rede Federal de Educao Profissional, Cientfica e Tecnolgica, cria os Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia, e d outras providncias.

    O PRESIDENTE DA REPBLICA Fao saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte

    Lei: CAPTULO I

    DA REDE FEDERAL DE EDUCAO PROFISSIONAL, CIENTFICA E TECNOLGICA

    Art. 1 Fica instituda, no mbito do sistema federal de ensino, a Rede Federal de Educao Profissional, Cientfica e Tecnolgica, vinculada ao Ministrio da Educao e constituda pelas seguintes instituies:

    I - Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia - Institutos Federais;

    II - Universidade Tecnolgica Federal do Paran - UTFPR;

    III - Centros Federais de Educao Tecnolgica Celso Suckow da Fonseca - CEFET-RJ e de Minas Gerais - CEFET-MG;

    IV - Escolas Tcnicas Vinculadas s Universidades Federais.

    Pargrafo nico. As instituies mencionadas nos incisos I, II e III do caput deste artigo possuem natureza jurdica de autarquia, detentoras de autonomia administrativa, patrimonial, financeira, didtico-pedaggica e disciplinar.

    Art. 2 Os Institutos Federais so instituies de educao superior, bsica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializados na oferta de educao profissional e tecnolgica nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugao de conhecimentos tcnicos e tecnolgicos com as suas prticas pedaggicas, nos termos desta Lei.

    1 Para efeito da incidncia das disposies que regem a regulao, avaliao e superviso das instituies e dos cursos de educao superior, os Institutos Federais so equiparados s universidades federais.

    2 No mbito de sua atuao, os Institutos Federais exercero o papel de instituies acreditadoras e certificadoras de competncias profissionais.

    3 Os Institutos Federais tero autonomia para criar e extinguir cursos, nos limites de sua rea de atuao territorial, bem como para registrar diplomas dos cursos por eles oferecidos, mediante autorizao do seu Conselho Superior, aplicando-se, no caso da oferta de cursos a distncia, a legislao especfica.

    Art. 3 A UTFPR configura-se como universidade especializada, nos termos do pargrafo nico do art. 52 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, regendo-se pelos princpios, finalidades e objetivos constantes da Lei no 11.184, de 7 de outubro de 2005.

    Art. 4 As Escolas Tcnicas Vinculadas s Universidades Federais so estabelecimentos de ensino pertencentes estrutura organizacional das universidades federais, dedicando-se, precipuamente, oferta de formao profissional tcnica de nvel mdio, em suas respectivas reas de atuao.

    CAPTULO II DOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAO, CINCIA E TECNOLOGIA

    Seo I Da Criao dos Institutos Federais

    Art. 5 Ficam criados os seguintes Institutos Federais de Educao, Cincia e Tecnologia:

    [...]

    XI - Instituto Federal Goiano, mediante integrao dos Centros Federais de Educao Tecnolgica de Rio Verde e de Uruta, e da Escola Agrotcnica Federal de Ceres;

  • 120

    [...]

    Seo II

    Das Finalidades e Caractersticas dos Institutos Federais

    Art. 6 Os Institutos Federais tm por finalidades e caractersticas:

    I - ofertar educao profissional e tecnolgica, em todos os seus nveis e modalidades, formando e qualificando cidados com vistas na atuao profissional nos diversos setores da economia, com nfase no desenvolvimento socioeconmico local, regional e nacional;

    II - desenvolver a educao profissional e tecnolgica como processo educativo e investigativo de gerao e adaptao de solues tcnicas e tecnolgicas s demandas sociais e peculiaridades regionais;

    III - promover a integrao e a verticalizao da educao bsica educao profissional e educao superior, otimizando a infra-estrutura fsica, os quadros de pessoal e os recursos de gesto;

    IV - orientar sua oferta formativa em benefcio da consolidao e fortalecimento dos arranjos produtivos, sociais e culturais locais, identificados com base no mapeamento das potencialidades de desenvolvimento socioeconmico e cultural no mbito de atuao do Instituto Federal;

    V - constituir-se em centro de excelncia na oferta do ensino de cincias, em geral, e de cincias aplicadas, em particular, estimulando o desenvolvimento de esprito crtico, voltado investigao emprica;

    VI - qualificar-se como centro de referncia no apoio oferta do ensino de cincias nas instituies pblicas de ensino, oferecendo capacitao tcnica e atualizao pedaggica aos docentes das redes pblicas de ensino;

    VII - desenvolver programas de extenso e de divulgao cientfica e tecnolgica;

    VIII - realizar e estimular a pesquisa aplicada, a produo cultural, o empreendedorismo, o cooperativismo e o desenvolvimento cientfico e tecnolgico;

    IX - promover a produo, o desenvolvimento e a transferncia de tecnologias sociais, notadamente as voltadas preservao do meio ambiente.

    Seo III Dos Objetivos dos Institutos Federais

    Art. 7 Observadas as finalidades e caractersticas definidas no art. 6 desta Lei, so objetivos dos Institutos Federais:

    I - ministrar educao profissional tcnica de nvel mdio, prioritariamente na forma de cursos integrados, para os concluintes do ensino fundamental e para o pblico da educao de jovens e adultos;

    II - ministrar cursos de formao inicial e continuada de trabalhadores, objetivando a capacitao, o aperfeioamento, a especializao e a atualizao de profissionais, em todos os nveis de escolaridade, nas reas da educao profissional e tecnolgica;

    III - realizar pesquisas aplicadas, estimulando o desenvolvimento de solues tcnicas e tecnolgicas, estendendo seus benefcios comunidade;

    IV - desenvolver atividades de extenso de acordo com os princpios e finalidades da educao profissional e tecnolgica, em articulao com o mundo do trabalho e os segmentos sociais, e com nfase na produo, desenvolvimento e difuso de conhecimentos cientficos e tecnolgicos;

    V - estimular e apoiar processos educativos que levem gerao de trabalho e renda e emancipao do cidado na perspectiva do desenvolvimento socioeconmico local e regional; e

    VI - ministrar em nvel de educao superior:

    a) cursos superiores de tecnologia visando formao de profissionais para os diferentes setores da economia;

    b) cursos de licenciatura, bem como programas especiais de formao pedaggica, com vistas na formao de professores para a educao bsica, sobretudo nas reas de cincias e matemtica, e para a educao profissional;

    c) cursos de bacharelado e engenharia, visando formao de profissionais para os diferentes setores da economia e reas do conhecimento;

    d) cursos de ps-graduao lato sensu de aperfeioamento e especializao, visando formao de especialistas nas diferentes reas do conhecimento; e

    e) cursos de ps-graduao stricto sensu de mestrado e doutorado, que contribuam para promover o

  • 121

    estabelecimento de bases slidas em educao, cincia e tecnologia, com vistas no processo de gerao e inovao tecnolgica.

    Art. 8 No desenvolvimento da sua ao acadmica, o Instituto Federal, em cada exerccio, dever garantir o mnimo de 50% (cinqenta por cento) de suas vagas para atender aos objetivos definidos no inciso I do caput do art. 7 desta Lei, e o mnimo de 20% (vinte por cento) de suas vagas para atender ao previsto na alnea b do inciso VI do caput do citado art. 7.

    1 O cumprimento dos percentuais referidos no caput dever observar o conceito de aluno-equivalente, conforme regulamentao a ser expedida pelo Ministrio da Educao. 2 Nas regies em que as demandas sociais pela formao em nvel superior justificarem, o Conselho

    Superior do Instituto Federal poder, com anuncia do Ministrio da Educao, autorizar o ajuste da oferta

    desse nvel de ensino, sem prejuzo do ndice definido no caput deste artigo, para atender aos objetivos

    definidos no inciso I do caput do art. 7 desta Lei.

    [...]

  • 122

    9 APNDICES

    Apndice A: Questionrio aplicado aos egressos do IF Goiano Cmpus Ceres

    Apndice B: Instrumento utilizado para realizao de entrevista semiestruturada aos produtores rurais

    Apndice C: Questionrio aplicado aos APLs e empresas pesquisadas

  • 123

    Apndice A: Questionrio aplicado aos egressos do IF Goiano Cmpus Ceres

    QUESTIONRIO DO EGRESSO Prezado egresso,

    Temos a satisfao de apresentar-lhe o Questionrio do Egresso, que visa obter informaes sobre sua situao ocupacional aps a concluso do curso de formao tcnica profissional no IF Goiano. No existindo pessoa mais qualificada para falar sobre nossa instituio que o prprio egresso, a sua participao ser de suma importncia para que possamos, alm de avaliar a qualidade de ensino e promover melhorias, enviar-lhe notcias (eventos, cursos) do IF Goiano. I DADOS DO EGRESSO

    Nome:

    Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Naturalidade:

    E-mail: Telefone: ( )

    Endereo:

    Bairro: Complemento:

    Cidade: Estado:

    Origem: ( ) Zona Rural ( ) Zona Urbana

    Curso Concludo: Ano:

    II SITUAO OCUPACIONAL E ACADMICA 1. Realizou outro curso na Instituio? ( ) Sim Qual? ________________________________________________________________________ ( ) No 2. O curso realizado proporcionou melhor formao no: ( ) ensino tcnico ( ) ensino mdio 3. Qual foi a principal contribuio oferecida pelo curso em que se formou? ( ) Obteno de diploma de nvel tcnico ( ) Aquisio de conhecimentos gerais ( ) Aquisio de formao profissional ( ) Melhores perspectivas de ganhos materiais ( ) Formao cidad 4. Como voc avalia o nvel de exigncia do curso? ( ) Deveria ter exigido muito mais de mim ( ) Deveria ter exigido um pouco mais de mim ( ) Exigiu de mim na medida certa ( ) Deveria ter exigido menos de mim 5. Quais foram suas principais dificuldades logo aps a concluso do curso? ( ) Encontrar emprego na rea ( ) Adequao salarial ( ) Continuar na mesma empresa ( ) Ser promovido ( ) Adaptao ao ambiente de trabalho ( ) Tempo para se dedicar a continuao dos estudos

  • 124

    6. Atualmente: ( ) trabalho e estudo ( ) apenas estudo ( ) apenas trabalho ( ) no trabalho, nem estudo 7. Trabalha em: ( ) empresa pblica ( ) empresa privada ( ) organizao no governamental ( ) autnomo Qual sua rea especfica de atuao (setor de agroindstria, bovinocultura, setor sucroalcooleiro, fiscalizao, manuteno e assistncia tcnica de computadores...)? ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ Que funo exerce na empresa? ___________________________________________________________________________________________ 8. Trabalha na rea de formao tcnica? ( ) sim ( ) no 9. Em sua opinio, quanto tempo o recm-formado leva para tornar-se adaptado e produtivo na sua rea de formao, aps ingressar no mundo do trabalho? ( ) Imediatamente aps a contratao ( ) Algumas semanas ( ) Alguns meses ( ) Entre 1 e 2 anos ( ) Mais de 2 anos ( ) No estou trabalhando na minha rea de formao 10. Sentiu-se inseguro no seu primeiro trabalho aps a concluso do curso? ( ) Sim ( ) No Por qu? ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ 11. Caso j tenha trabalhado, qual foi a maior dificuldade enfrentada em seu primeiro trabalho? ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ 12. Qual das habilidades abaixo est sendo mais exigida em seu exerccio profissional? ( ) Comunicao ( ) Trabalho em equipe e liderana ( ) Raciocnio lgico/anlise crtica ( ) Senso tico ( ) No trabalho 13. Voc tem alguma sugesto de alterao de contedos do curso que voc realizou no IF Goiano, frente s novas tendncias da sua rea de atuao? ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________

  • 125

    14. Na sua regio existe emprego para o profissional da rea tcnica? ( ) Sim Qual? ___________________________________________________________________________ ( ) No 15. Estuda na rea de formao tcnica? ( ) sim ( ) no Caso sim: - Em qual municpio? _____________________________________ - H quanto tempo? ______________________________________ - Em instituio pblica ou privada?__________________________ - A modalidade do curso : ( ) tcnico ( ) superior ( ) ps-graduao 16. Os cursos oferecidos pela Instituio atendem as necessidades de insero dos profissionais no mercado de trabalho? ( ) Sim ( ) No 17. O que tem faltado aos recm-formados? ( ) Embasamento conceitual (terico) ( ) Embasamento prtico ( ) Viso sistmica, atravs da realizao de Estgio Supervisionado ( ) Capacidade de liderana 18. Voc recomendaria algum dos cursos do IF Goiano Cmpus Ceres? ( ) Sim Qual? __________________________________________________________________________ ( ) No ( ) Autorizo, a ttulo gratuito, o uso de minhas respostas e imagens (se houver) para finalidades de divulgao e publicao em pesquisas.

  • 126

    Apndice B: Instrumento utilizado para realizao de entrevista semiestruturada aos

    produtores rurais

    ENTREVISTA

    PRODUTORES RURAIS

    Estas questes so parte de uma pesquisa de Mestrado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro que visa obter informaes para verificar a insero e atuao do Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres) nos setores produtivos e arranjos produtivos locais da regio e a contribuio deste Instituto para o desenvolvimento do Vale de So Patrcio.

    Sua colaborao como produtor, empresrio ou empreendedor, respondendo ao questionrio, ser fundamental para este estudo.

    As informaes fornecidas so confidenciais e no sero divulgadas de forma individual. Os resultados da pesquisa sero agrupados e divulgados em forma de grficos ou tabelas e correlaes estatsticas. Informaes Pessoais

    Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Reside no municpio em que produz? ( ) sim ( ) no

    Municpio/cidade em que produz:

    Estado civil: ( ) casado ( ) solteiro ( ) divorciado ( ) outro

    Escolaridade:

    Idade: ( ) entre 20 e 30 anos ( ) entre 30 e 40 anos

    ( ) entre 40 e 50 anos ( ) mais de 60 anos ( ) entre 50 e 60 anos

    1. H quanto tempo reside na regio? ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) mais de 15 anos

    2. Qual(is) o(s) ramo(s) da empresa ou atividade da empresa em que atua? ( ) Produo de leite ( ) Horta ( ) Frutas ( ) Gros ( ) arroz, ( ) milho, ( ) feijo, outro ________________________________________________ ( ) Produo de carne ( ) suno, ( ) bovino, ( ) aves, ( ) peixes, outro _____________________________ ( ) Ovos ( ) Produo para consumo prprio ( ) carne, ( ) leite, ( ) horta, ( ) frutas, ( ) gros, ( ) ovos; outro ______ Outro(s): ___________________________________________________________________________________________ 3. H quanto tempo trabalha com esta atividade (atividade exposta na questo 2) ? ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) mais de 15 anos 4. A produo a principal renda da famlia? ( ) Sim ( ) No 5. Possui outra ocupao alm de produtor? ( ) Sim ( ) No Caso sim, qual(is)?

  • 127

    ___________________________________________________________________________________________ 6. Conhece ou j ouviu falar do Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres)? ( ) Sim ( ) No 7. Em caso positivo na questo 6, tem conhecimento dos cursos oferecidos pelo IF Goiano Cmpus Ceres? ( ) Sim ( ) No Caso sim, qual(is)? ( ) Tcnico em Agropecuria ( ) Tcnico em Administrao ( ) Tcnico em Informtica ( ) Tcnico em Agroindstria ( ) Tcnico em Meio ambiente ( ) Tcnico em Zootecnia ( ) Tcnico em Agricultura ( ) Curso superior de Agronomia ( ) Curso superior de Zootecnia ( ) Curso superior de Qumica ( ) Curso superior de Biologia ( ) No sei qual curso 8. J foi convidado para participar ou notificado de algum evento realizado e/ou organizado pelo IF Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres)? ( ) Sim ( ) No Caso sim, como (por meio de quem)? ___________________________________________________________________________________________ 9. J participou de eventos (palestras, dia de campo,etc), cursos, atividades realizadas e/ou organizados pelo IF Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres)? ( ) Sim, uma vez ( ) Sim, 2 a 5 vezes ( ) Sim, mais de 5 vezes ( ) No Caso sim, qual(is)? ___________________________________________________________________________________________ 10. O IF Goiano Cmpus Ceres influenciou na escolha de suas atividades realizadas atualmente? ( ) Sim ( ) No Caso sim, de que forma? ( ) Participando de palestra oferecida pelo Instituto e interessei-me e/ou aprendi mais sobre o assunto. ( ) Participando de dia de campo oferecido pelo Instituto e interessei-me e/ou aprendi mais sobre o assunto. ( ) Ouvindo programa no rdio oferecido pelo Instituto e interessei-me e/ou aprendi mais sobre o assunto. ( ) Participando de cursos de curta durao realizados pelo Instituto na regio. ( ) Fui influenciado por um ex-aluno do Instituto. ( ) Buscando informaes e conhecimentos junto aos professores e/ou tcnicos do Instituto. Outro(s): ___________________________________________________________________________________________

  • 128

    11. Est vinculado a alguma entidade representativa (sindicato, associao) e/ou cooperativa? ( ) Sim ( ) No Caso sim, qual(is)? ___________________________________________________________________________________________ 12. Na compra de insumos, comercializao dos produtos, para obter assistncia tcnica, trabalha em parceria com alguma empresa e/ou produtor? ( ) Sim - ( ) empresas ( ) produtores ( ) No Caso sim, ( ) para comprar insumos. ( ) para comercializar a produo. ( ) para obter assistncia tcnica. ( ) para participar de eventos (dia de campo, palestras, cursos). Outro(s): ___________________________________________________________________________________________ 13. A instituio, de forma direta ou indireta, trouxe e/ou traz algum benefcio para suas atividades? ( ) Sim ( ) No Caso sim, como? ( ) Proporcionou-me formao tcnica na rea. ( ) Capacitou profissionais para atuar na rea, a quem posso procurar para obter assistncia tcnica. ( ) um local para obteno de informaes e conhecimentos. Outro(s): ___________________________________________________________________________________________ 14. Como o(a) senhor(a) considera a atuao do Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres na regio do Vale de So Patrcio? ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) No tenho opinio a respeito 15. Acredita que o IF Goiano Cmpus Ceres pode contribuir para melhorar suas atividades? ( ) Sim ( ) No Caso sim, como? ( ) Na oferta de cursos de curta durao. ( ) Na oferta de palestras, oficinas, minicursos, etc. ( ) Na oferta de dia de campo (transferncia de tecnologia). ( ) Na formao de profissionais para atuar na regio. ( ) No acompanhamento das atividades que desenvolvo. Outro(s): ___________________________________________________________________________________________ 16. O IF Goiano Cmpus Ceres tem oferecido vrios cursos comunidade, diante disso o que voc esperava para a regio? ( ) Crescimento e melhoramento da produo agropecuria.

  • 129

    ( ) Profissionais qualificados no mercado. ( ) Melhoria da qualidade de vida. ( ) Aumento do nmero de empreendimentos (agrcolas, industriais, comerciais). ( ) Aumento de empregos na regio do Vale de So Patrcio. ( ) Aumento da renda e desenvolvimento econmico regional. ( ) Gerao de tecnologias adequadas regio. Outro(s): ___________________________________________________________________________________________ 17. Conhece algum profissional formado pelo IF Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres)? ( ) Sim ( ) No Caso sim, qual curso? ( ) Tcnico em Agropecuria ( ) Tcnico em Informtica ( ) Tcnico em Meio Ambiente ( ) Tcnico em Zootecnia ( ) Tcnico em Agricultura ( ) Tcnico em Agroindstria ( ) No sei qual curso 18. J contratou algum estagirio ou tcnico formado pelo IF Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres)? ( ) Sim ( ) No Caso sim, qual(is)? ( ) Tcnico em Agropecuria ( ) Tcnico em Informtica ( ) Tcnico em Meio ambiente ( ) Tcnico em Zootecnia ( ) Tcnico em Agricultura ( ) Tcnico em Agroindstria 19. Em caso afirmativo na pergunta 18, o curso de formao foi considerado para a contratao? ( ) Sim ( ) No 20. J recebeu assistncia de profissionais de empresas pblicas (EMATER) ou outras? ( ) pblica ( ) particular ( ) outras ( ) nenhuma Caso sim, qual(is)? ___________________________________________________________________________________________ 21. J recebeu assistncia tcnica de profissionais formados pelo IF Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres)? ( ) Sim ( ) No Caso sim, em que rea? ( ) Agropecuria ( ) Informtica

  • 130

    ( ) Meio ambiente ( ) Zootecnia ( ) Agricultura ( ) Agroindstria Entre excelente, boa, regular ou ruim, como considera a assistncia prestada? ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim 22. Tem algum filho ou parente prximo que estuda ou j estudou no IF Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres)? ( ) Sim ( ) No Caso sim, em qual curso? ( ) Tcnico em Agropecuria ( ) Tcnico em Administrao ( ) Tcnico em Informtica ( ) Tcnico em Agroindstria ( ) Tcnico em Meio ambiente ( ) Tcnico em Zootecnia ( ) Tcnico em Agricultura ( ) Curso superior de Agronomia ( ) Curso superior de Zootecnia ( ) Curso superior de Qumica ( ) Curso superior de Biologia ( ) No sei qual curso 23. Em sua opinio, a existncia do Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres na regio do Vale de So Patrcio pode trazer como benefcio ( ) oferta de cursos superiores. ( ) oferta de cursos tcnicos. ( ) oferta de cursos em nvel de ensino mdio. ( ) oferta de cursos de EJA educao de jovens e adultos. ( ) oferta de cursos de curta durao. ( ) contribuio econmica com o comrcio local e/ou regional. ( ) melhoria dos setores produtivos da regio. ( ) contratao de mo de obra local ( professores, tcnicos, motoristas, pedreiros, etc). ( ) gerao de emprego atravs da capacitao de profissionais nos cursos oferecidos. ( ) prestgio poltico para a regio. ( ) status regional por oferecer cursos gratuitos em todos as modalidades de ensino. ( ) capacitao profissional Outro(s): ___________________________________________________________________________________________ 24. Com sua produo, a renda obtida fica em torno de: ( ) um a dois salrios mnimos ( ) trs a quatro salrios mnimos ( ) mais de quatro salrios mnimos 25. Se fosse fazer algum pedido possvel de ser realizado pelo Instituto para melhorar suas atividades, o que pediria? ___________________________________________________________________________________________

  • 131

    Apndice C: Questionrio aplicado aos APLs e empresas pesquisadas

    QUESTIONRIO

    APLS E EMPRESAS

    Este questionrio parte de uma pesquisa de Mestrado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro que visa obter informaes para verificar a insero e atuao do Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres) nos setores produtivos e arranjos produtivos locais da regio e a contribuio deste Instituto para o desenvolvimento do Vale de So Patrcio.

    Sua colaborao como produtor, empresrio ou empreendedor, respondendo ao questionrio, ser fundamental para este estudo.

    As informaes fornecidas sero confidenciais e no sero divulgadas de forma individual. Os resultados da pesquisa sero agrupados e divulgados em forma de grficos ou tabelas e correlaes estatsticas. Identificao

    Ramo de atividade: Especificidade da empresa:

    Municpio:

    Tempo de funcionamento:

    Responsvel pelas informaes:

    1. J ouviu falar ou conhece o Instituto Federal Goiano Cmpus Ceres (antiga Escola Agrotcnica Federal de Ceres)? ( ) Sim ( ) No 2. Em caso positivo na questo 1, tem conhecimento dos cursos oferecidos pelo IF Goiano Cmpus Ceres? ( ) Sim ( ) No Caso sim, qual(is)? ( ) Tcnico em Agropecuria ( ) Tcnico em Administrao ( ) Tcnico em Informtica ( ) Tcnico em Agroindstria ( ) Tcnico em Meio ambiente ( ) Tcnico em Zootecnia ( ) Tcnico em Agricultura ( ) Curso superior de Agronomia ( ) Curso superior de Zootecnia ( ) Curso superior de Qumica ( ) Curso superior de Biologia ( ) No sei qual curso 3. H algum aluno formado no IF Goiano Cmpus Ceres que est ou esteve inserido em sua empresa, instituio, associao ou entidade? ( ) Sim ( ) No Caso sim, como considera a atuao desse profissional? ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim

  • 132

    ( ) No tenho opinio a respeito 4. Conhece algum aluno formado no IF Goiano - Cmpus Ceres que est inserido em alguma empresa? ( ) Sim ( ) No Caso sim, Onde (empresa, local)? ____________________________________________________________________ Em qual atividade? ________________________________________________________________________ 5. J procurou o Instituto para algum tipo de parceria? ( ) Sim ( ) No 6. Existe alguma relao, vnculo ou parceria com o IF Goiano - Cmpus Ceres para difuso de tecnologia e conhecimento em sua empresa? ( ) Sim ( ) No Caso no, que fator mostrou-se como impedimento para essa parceria? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 7. Como empreendedor ou empresrio, e sobretudo empregador de mo de obra na regio, quais caractersticas ou qualificaes considera necessrias na formao ofertada pelo IF Goiano Cmpus Ceres? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 8. Em seus momentos de dificuldades empresariais (gesto, apoio tcnico, produo, e outros servios) a quem voc recorre ou onde busca solues? _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 9. De forma direta ou indireta o IF Goiano - Cmpus Ceres contribuiu ou contribui para o desenvolvimento das atividades de sua empresa? ( ) Sim ( ) No Caso sim, como? ________________________________________________________________________________________ 10. Acredita que o IF Goiano - Cmpus Ceres pode oferecer cursos que possa melhorar suas atividades e contribuir com o desenvolvimento do ramo em que sua empresa atua? ( ) Sim ( ) No Caso sim, como? ________________________________________________________________________________________

  • 133

    11. Diante do perfil socioeconmico e ambiental da regio, quais cursos considera relevantes e importantes para serem ofertados pelo IF Goiano - Cmpus Ceres para contribuir com o desenvolvimento regional? ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ 12. Que pontos, aspectos e dimenses a atuao do IF Goiano - Cmpus Ceres tem sido realizada de forma insuficiente ou insatisfatria, sob o ponto de vista de sua empresa ou arranjo produtivo? ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ( ) Ciente de meu direito ao sigilo de meu nome e quaisquer informaes que possam me identificar, autorizo o uso de minhas respostas para fins de pesquisa.

    ______________________________________ Assinatura

Recommended

View more >