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INSTITUTO ESTADUAL DE FLORESTAS MGDIRETORIA DE BIODIVERSIDADE

GERNCIA DE PROJETOS E PESQUISAS

MG.BIOTA Belo Horizonte v.3, n.2 jun./jul. 2010

SUMRIO

Editorial .........................................................................................................................

Ecologia da nidificao de Mandaaia-do-cho (M. quinquefasciata) no ParqueEstadual Veredas do Peruau Paula de Souza So Thiago, Esther M. A. F. Bastos, William de Oliveira Sabino, Milton Adolfo Silveira& Yasmine Antonini .............................................................................................................

Agradecimentos ............................................................................................................

Ecologia de vespas sociais (Hymenoptera, Vespidae) no Campo Rupestre na rea de Proteo Ambiental, APA, So Jos, Tiradentes, MG.Marcos Magalhes de Souza, Tssio Emlio Ladeira, Natan R. G. Assis, Abner Elpino Campos, PauloCarvalho, Jlio N. C. Louzada................................................................................................

Agradecimentos ............................................................................................................

Em Destaque: Pseusopolybia vespiceps (Saussure, 1864)Paulo dos Santos Pompeu, Francisco Alexandre Costa Sampaio, Rodrigo Lopes Ferreira.......................................................................................................................................

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Editorial

Pesquisar a natureza pesquisar a vida na complexidade de suas espcies e formas

que vivem e se multiplicam nos continentes, mares e oceanos. Uma verdadeira sinfonia

orquestrada h milhes de anos entre mudanas e adaptaes a que se submetem os

seres vivos.

Nesta edio do MG.Biota, publicam-se as pesquisas sobre a Ecologia das Vespas

Sociais e a Ecologia da nidificao de Mandaaia-do-cho, que revelam, entre outros

ngulos igualmente cientficos, a complexidade da sinergia que envolve o homem, a fauna

e a flora. Sabe-se, por exemplo, que os insetos, entre os quais as abelhas, respondem por

70% da produo de gros, por seus voos polinizadores.

medida que se avana na cincia e na tecnologia, por seus pesquisadores, cientistas e

estudiosos, aumenta consideravelmente o acervo de conhecimentos que permitem tambm

uma conscincia sustentvel no relacionamento com o solo, a gua, a fauna e a flora.

Pesquisar um ato recorrente de singular pacincia, requer apurado senso de observao e

anlise, capacidade de inferir e deduzir, e aceitar que as perguntas sero sempre maiores do

que as respostas no mundo instigante da cincia, e da inovao tecnolgica.

Presume-se, com razovel acerto, que as interferncias do homem na natureza,

quando no fundamentadas na pesquisa, desequilibram os ecossistemas e geram

passivos ambientais considerveis. Alm disso, o boletim MG.Biota tem um veculo

depositrio de talentos, experincias, vivncias, conhecimentos, que se afirmam

indispensveis qualidade de vida do homem e porque no dizer tambm da fauna e da

flora na diversidade socioeconmica e ambiental de Minas Gerais. O conhecimento

continuar sendo uma obra solidria e multidisciplinar.

Clio Murilo de Carvalho Valle

Bilogo

3MG.BIOTA, Belo Horizonte, v.3, n.2, jun./jul. 2010

Ecologia da nidificao de Mandaaia-do-cho (M. quinquefasciata) noParque Estadual Veredas do Peruau

Paula de Souza So Thiago1 , Esther M. A. F. Bastos2 , William de Oliveira Sabino3 , Milton Adolfo Silveira4

& Yasmine Antonini5

Resumo

Melipona quinquefasciata uma espcie do grupo dos meliponneos que constri ninhos subterrneos. Omel dessa abelha bastante saboroso e alvo da ao de meleiros. Os objetivos deste trabalho foram:localizar ninhos da espcie e verificar suas principais caractersticas; avaliar a adaptao destes transferncia para caixas racionais; elucidar os recursos alimentares utilizados. Foram localizados 15 ninhosdentro da rea do Parque Estadual Veredas do Peruau - PEVP e trs em rea adjacente ao parque. Foramescavados cinco ninhos que foram transferidos para caixas racionais. Os ninhos possuem torres de entradana superfcie e no subsolo so isolados por invlucro de batume (mistura de barro ou argilas com resinas);tem discos de cria envolvidos por invlucros laminados de cera e os potes de alimento esto dispostos aolado da rea de discos de cria. Todos os ninhos apresentaram boa adaptao s caixas. O materialpalinolgico est sendo analisado, assim como as plantas coletadas no entorno dos ninhos.

Palavras-chave: abelha, ninho, Melipona quinquefasciata, mel.

Abstract

The species Melipona quinquefasciata belongs to stingless bees group and build its nest underground. It hasa tasty honey that is an attractive to predatory extraction. The goals of this study was to find nests in nature,excavate them, describe its main characteristics and investigate the botanical sources of nectar and pollen.There were found 15 nests in the park area and three in outside park edges. We excavated five nests, thatwere transferred to rational boxes. Nests have an entrance tower on soil surface, and underground they areisolated by an involucral made of batume (a mixture of mud or clay, with resin), so on brood combs areisolated, but with wax involucres. Food pots are located besides brood comb area. Nests were well adaptedto rational boxes, and showed no population or food declines signs. Palinological material and plantscollected are being analyzed.

Keywords: bee, nest, Melipona quinquefasciata, honey.

MG.BIOTA, Belo Horizonte, v.3, n.2, jun./jul. 20104

1 Biloga. Programa de Ps-Graduao em Ecologia de Biomas Tropicais, Universidade Federal de Ouro Preto; Laboratrio de recursos

Vegetais e Opoterpicos, Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento, Fundao Ezequiel Dias, Belo Horizonte/MG. Rua Conde Pereira

Carneiro, 80, Gameleira, Belo Horizonte/MG. 30510-010. paula.thiago@funed.mg.gov.br2 Biloga, Doutora em Cincias. Laboratrio de Recursos Vegetais e Opoterpicos, Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento,Fundao

Ezequiel Dias, Belo Horizonte/MG.3 Bilogo. Programa de Ps-Graduao em Ecologia de Biomas Tropicais, Universidade Federal de Ouro Preto, MG. Laboratrio de

Biodiversidade, Departamento de Biodiversidade Evoluo e Meio Ambiente. Universidade Federal de Ouro Preto, MG. Campus Morro

do Cruzeiro, s/n Bauxita Ouro Preto/MG 35400-000.4 Tcnico agrcola. Laboratrio de Recursos Vegetais e Opoterpicos, Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento, Fundao Ezequiel

Dias, Belo Horizonte/MG.5 Biloga, Doutora em Ecologia. Laboratrio de Biodiversidade, Departamento de Biodiversidade Evoluo e Meio Ambiente.

Universidade Federal de Ouro Preto, MG. Campus Morro do Cruzeiro, s/n Bauxita Ouro Preto/MG 35400-000.

MG.BIOTA, Belo Horizonte, v.3, n.2, jun./jul. 2010 5

Introduo

Melipona quinquefascita, pertence aosubgnero Melikerria, e foi descrita porLepeletier em 1836 (MOURE, 1975). Esta

espcie ocorre desde o sul do Estado do

Esprito Santo at o Rio Grande do Sul,

incluindo reas de Minas Gerais, Gois,

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ocorre

tambm no sudeste da Bolvia, no Paraguai

e no Norte e Nordeste da Argentina

(MARIANO-FILHO, 1911; SCHWARZ,

1932; KERR, 1948; MOURE, 1948; 1975;

VIANA & MELO, 1987). Recentemente

Lima-Verde & Freitas (2002) relataram a

ocorrncia da espcie no Estado do Cear,

nordeste brasileiro.

Popularmente conhecida como

Uru, Uru-de-buraco, Uru-do-cho,

Mandaaia-do-Cho, Mandaaia-da-Terra

(NOGUEIRA-NETO, 1970, FREITAS et al.,2002; PEREIRA, 2006). Seus ninhos so

construdos sob a superfcie, com favos

horizontais ou verticais, potes grandes

(cerca de 3-4cm), em profundidades de at

quatro metros, e, em geral, utilizam

formigueiros ou cupinzeiros abandonados e

tneis formados por razes de plantas j

decompostas (NOGUEIRA-NETO, 1997;

LIMA-VERDE & FREITAS, 2002).

O mel dessa abelha bastante

saboroso, o que estimula a ao extrativista

predatria realizada por meleiros, que em

busca do mel, escavam os ninhos e levam

inmeras colnias destruio. No Cear,

essa atividade vem sendo praticada h

sculos e reduziu grandemente a

populao natural dessa espcie, segundo

relatos da prpria populao local

(PEREIRA, 2006).

Alm disso, aes como a destruio

de seu habitat, pelo desmatamento e pelo

uso de defensivos qumicos em cultivos

agrcolas tambm tem impactos negativos

sobre a populao desta espcie

(PEREIRA, 2006).

De acordo com Antonini & Madeira

(2003) as abelhas sociais sem ferro,

principalmente aquelas do gnero

Melipona, merecem ateno especial. Almdo desmatamento que suprime os locais de

nidificao, estas espcies so alvo dos

meleiros, pessoas que ao retirar o mel sem

tcnica adequada, exterminam as colnias.

Diversos estudos sobre fauna de

abelhas e os recursos alimentares e/ou

espcies vegetais utilizadas para

nidificao tm sido realizados em

diferentes partes do Brasil, e em algumas

regies, esses ainda so escassos

(SAKAGAMI et al., 1967; LAROCA et al.,1982; CAMARGO & MAZUCATO, 1984;

PEDRO & CAMARGO, 1991). No Estado

de Minas Gerais, estudos acerca

da fauna de abelhas em uma rea de

floresta denominada Zona da Mata

(CUR