inspeção de pintura

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<p>ASPECTOS TCNICOS DE APLICAO DA PINTURA INDUSTRIAL NA PROTEO ANTICORROSIVA EM SUPERFCIE METLICA.Leonardo Albino dos Santos Carvalho.1 Antnio Freitas da S. Filho.2</p> <p>Resumo:Este trabalho tem como objetivo apresentar os fundamentos tcnicos da pintura industrial, avaliando-se os mtodos de preparao de superfcie, de aplicao da pintura, bem como as aes de preveno durante a aplicao da pintura para com os problemas de corroso nas estruturas metlicas. As informaes tcnicas foram obtidas atravs de pesquisa em artigos tcnicos, apostilas, livros, internet e normas tcnicas, formulando um melhor contedo para o entendimento sobre a pintura industrial na proteo anticorrosiva. Palavras-chave: Proteo anticorrosiva, Pintura Industrial, Esquema de Pintura, Corroso.</p> <p>1. INTRODUO Os processos corrosivos esto presentes em todos os locais e a todo instante da nossa vida. Assim, a deteriorao de automveis, eletrodomsticos, estruturas metlicas, instalaes industriais, etc so problemas com os quais o homem se depara a todo instante (NUNES, 1998 p-32). Para CALLISTER JR (2002) a corroso metlica apresenta propores significativas em termos econmicos. Foi estimado que aproximadamente 5% da receita de uma nao industrializada so gastos na preveno da corroso e na manuteno ou substituio de produtos danificados ou contaminados por reaes de corroso. Em termos de quantidade de material danificado pela corroso, estima-se que uma parcela superior a 30% do ao produzido no mundo seja usada para reposio de peas e partes de equipamentos e instalaes deterioradas pela corroso (TOMASHOV, 1986 p-26). A tecnologia da pintura industrial teve um grande desenvolvimento em todo o mundo, principalmente neste sculo, na proteo contra a corroso de estruturas,1</p> <p>AUTOR: Leonardo Albino dos Santos Carvalho, graduando no Curso de Engenharia Civil da Universidade Catlica do Salvador. E-mail: leoalbinoeng@yahoo.com.br2</p> <p>ORIENTADOR: Prof. Antnio Freitas da S. Filho, mestre em Engenharia Civil (UFRGS), professor de Materiais de Construo da UFBA, UEFS e UCSAL. E-mail: freitaseng@bol.com.br</p> <p>especialmente do ao ( Apostila da ABRACO Associao Brasileira de Corroso, p12). A pintura industrial constitui-se no mtodo de proteo anticorrosiva de maior utilizao na vida moderna. Pela sua simplicidade, proteger por pintura tem sido o revestimento mais utilizado pelo homem nas suas construes e em materiais metlicos. O ao nos tempos atuais, e foi durante todo o sculo, o principal material de construo industrial (GENTIL 2007). Porm, devido corroso, s foi possvel o sucesso de sua utilizao com o emprego de revestimentos eficazes, destacando-se neste artigo o revestimento por pintura industrial, que um revestimento aplicado sobre a superfcie que se quer proteger. Este artigo tem como objetivo demonstrar a importncia dos fundamentos da pintura industrial, do esquema de pintura, da preparao de superfcie e mtodos de aplicao para com a proteo das estruturas metlicas contra a corroso. O artigo tambm fornecer informaes sobre aes de preveno durante aplicao, as tcnicas de aplicao, como a inspeo visual da superfcie a ser pintada, avaliao das condies atmosfricas, controle do grau de limpeza da superfcie, medio do perfil de rugosidade, medio das espessuras das pelculas de tintas, teste de adeso das pelculas de tintas e determinao de descontinuidades em pelculas de tintas. 2. CORROSO A importncia dos problemas de corroso decorre de dois aspectos principais. O primeiro, econmico, em rao do seu elevado custo. No Brasil, segundo dados de 2006, o custo anual da corroso foi de aproximadamente 40 bilhes de reais. O segundo aspecto esta correlacionado com a preservao das reservas minerais, face a necessidade de produo adicional por conta da reposio do que deteriorado (DUTRA e NEVES, 2006 p -132). Corroso a deteriorao dos materiais, especialmente metlicos, pela ao eletroqumica ou qumica do meio (Gentil, 2007). Ainda segundo o mesmo, corroso consiste na deteriorao dos materiais pela ao qumica ou eletroqumica do meio, podendo estar ou no associado a esforos mecnicos. Quando do emprego de materiais na construo de equipamentos ou instalaes necessrio que estes resistam ao do meio corrosivo, alm de apresentar propriedades mecnicas adequadas. A corroso pode incidir sobre diversos tipos de materiais, sejam metlicos como os aos ou as ligas de cobre, por exemplo, ou no metlicos, como plsticos, cermico ou concreto (TELLES, 1983 p-20). A nfase neste artigo ser dada corroso dos materiais metlicos. 2</p> <p>Quando da corroso, os metais reagem com os elementos no metlicos presentes no meio, O2, S, H2S, CO2 entre outros, produzindo compostos semelhantes aos encontrados na natureza, dos quais foram extrados. Conclui-se, portanto, que nestes casos a corroso corresponde ao inverso dos processos metalrgicos (MUNGER, 1987, p-32). Conforme figura 1, mostrando o ciclo dos metais.</p> <p>Figura 1 Ciclo dos metais. (Fonte: Evangelista Livro Pintura Industrial, p 4, 1984).</p> <p>3. PINTURA INDUSTRIAL. Para Nunes, (1998), a pintura industrial consiste na aplicao de uma pelcula, em geral orgnica, entre o meio corrosivo e o material metlico que se quer proteger, os quais so revestimentos com espessuras inferiores a 1 mm, aplicados em instalaes industriais, instalaes porturias, embarcaes, estruturas metlicas diversas, etc. A pintura industrial um sistema (Evangelista, Isaac, 1984) e, portanto, deve ser vista como tal. Esta viso sistmica caracteriza quatro fases importantes com a seleo adequada dos esquemas de pintura; aquisio tcnica das tintas; seleo do mtodo de aplicao e o controle de qualidade de aplicao e inspeo e acompanhamento da pintura.</p> <p>3</p> <p>4. SISTEMA DE PINTURA. De acordo com LOBO, (1998), as tintas de manuteno so formuladas para permitirem que as estruturas e equipamentos permaneam por grandes perodos sem corroso, e periodicamente sofram uma manuteno, que pode ser desde um simples retoque at substituio de toda tinta. As pinturas podem ter um desempenho que, em condies favorveis, chega a uma vida til de 20 anos ou mais. Em condies adversas, a mesma pintura poder durar cerca de 1 ou 2 anos. Tudo vai depender do meio ambiente e do sistema de pintura empregado. As tintas de manuteno industrial podem ser classificadas em: </p> <p>Tintas de fundo; Tintas intermedirias; Tintas de acabamento.</p> <p>4.1 Tintas de fundo ou primers So tintas com a finalidade de promoverem aderncia do esquema de pintura ao substrato ou com pigmentos que possuem propriedades anticorrosivas (N-13 Petrobras). So elas que devem ter contato direto com o substrato metlico. Estas tintas no so formadas para resistirem sozinhas ao meio ambiente, elas devem fazer parte de um esquema de pintura completo contendo tinta de acabamento.</p> <p>4.2 Tintas Intermedirias Estas tintas no possuem as mesmas propriedades das tintas de fundo anticorrosiva, mas auxiliam na barreira, dando espessura ao sistema de pintura. So tintas mais baratas que as de fundo e acabamento e servem como enchimento para aumentar a barreira ( Apostila da ABRACO, p-21). 4.3 Tintas de Acabamento As tintas de acabamento so aplicadas por ltimo, e tm a funo de proteger o sistema contra o meio ambiente e dar a cor desejada (N-13 Petrobras). Elas devem ser resistentes ao intemperismo, produtos qumicos e ter cores estveis, pois so de grande importncia na identificao de equipamentos e do contedo de tanques e tubulaes, alm da finalidade esttica( Apostila da ABRACO, p-21).</p> <p>4</p> <p>A Norma NBR-54 recomenda o uso das seguintes cores para identificao de tubulaes: Verde Branco Azul Alumnio Preto Vermelho Laranja Lils Cinza-claro : gua. : vapor. : ar comprimido. : combustveis e inflamveis de baixa viscosidade. : combustveis e inflamveis de alta viscosidade. : sistema de combate a incndio. : cidos. : lcalis. :vcuo.</p> <p>As cores de identificao podem ser pintadas no tubo todo, ou apenas em faixas de espao em espao (TELLES, 1983, p-26). Geralmente, tintas que ficam expostas ao intemperismo devem ser brilhantes e ter boa resistncia perda de cor e brilho. O sistema de pintura planejado em funo do meio ambiente, da importncia do equipamento e da disponibilidade de verbas para a proteo (NUNES, 1998 p-46). O sistema de pintura completo abrange: preparo de superfcie, tipo de tinta de fundo e de acabamento, nmero de demos, espessura por demo e mtodo de aplicao. Na tabela 01 a seguir apresentamos a classificao das tintas quanto a ordem de aplicao no esquema de pintura segundo a NR-13 Petrobras.</p> <p>5</p> <p>Foto 01: Vaso de presso devidamente com tintas de fundo, intermediria e acabamento. (acervo pessoal). Tabela 01: Classificao das tintas quanto ordem de aplicao no esquema de pintura. Fonte: (Apostila do curso de Inspetor de pintura ABRACO).</p> <p>ORDEM</p> <p>DENOMINAOTINTAS DE FUNDO: a. Temporrias.</p> <p>FUNO-proteger temporariamente o preparo de superfcie do ao; otimizar as operaes de pintura. -promover aderncia sobre metais no ferrosos. -promover proteo anticorrosiva. Podem ser aplicados sobre temporri- as, condiconadoras e sela- doras. -espessar a barreira anticorrosiva. - espessar a barreira com fim de melhor acabamento esttico na repintura autoMotiva. -pode ser aplicado como 1 demo sobre superfcies porosas como madeira e concretos ou sobre primer de zinco. -demo esttica colorida e protetora de todo sistema. -acabamentos transparente quando se quer o substrato aparente.</p> <p>ESPESSURA SECA (m)15 20 10 15 25 120</p> <p>1</p> <p>b. Condicionadora de aderncia. c. Primria.</p> <p>INTERMEDIRIAS: a. Intermediria. b. Uniformizador. 2 c. Selador.</p> <p>50 130 30 50</p> <p>10 20</p> <p>3</p> <p>ACABAMENTOS: a. Esmalte b. Verniz</p> <p>30 150 20 - 30</p> <p>5. PREPARAO DE SUPERFCIE. Segundo Norma N-13 Petrobras 2009, a preparao da superfcie consiste em remover qualquer contaminao do substrato, eliminando xido de metal, carepas, velhos revestimentos, poeiras, sujeiras e contaminaes similares. A preparao da superfcie extremamente importante na ligao do revestimento ao substrato (LOBO, 1998 p-158). O objetivo principal da preparao de superfcie prover aderncia mxima para uma pintura sobre uma superfcie e a remoo de contaminantes que porventura possa causar danos a pintura ( N-13 Petrobras). 6</p> <p>A NACE3 e SSPC4 estabeleceram especificaes para limpeza de superfcie metlica e a efetividade deste sistema decresce com a quantidade da contaminao deixada na superfcie. Em outras palavras, uma superfcie jateada ao metal branco teria a melhor oportunidade para adeso uma vez que teria nmero de locais de ligao disponveis para a pintura. Jateamento ao metal quase branco fornece quase a mesma superfcie, uma vez que a quantidade de contaminao deixada em tal superfcie extremamente pequena. Jateamento comercial deixa alguma contaminao na superfcie, e com tal, existe alguma porcentagem a menos de rea para ligaes ocorrerem. Jateamento ligeiro, o chamado bruchs, deixa uma quantidade substancial de contaminao na superfcie, por esta razo, reduziria substancialmente a possibilidade de adeso. No CEMPES5 vrios trabalhos foram executados para demonstrar que o desempenho de uma mesma tinta est intimamente ligado ao preparo de superfcies. Um dos trabalhos mostra a aplicao de um sistema vinlico sobre painis jateados, enferrujados e com a carepa de laminao. Eles foram expostos a 9 anos em atmosfera martima. Como previsto o painel com adequado preparo de superfcie apresentou pequena corroso aps 9 anos. O painel enferrujado e com carepa mostraram substancial corroso e desprendimento de filme. 5.1 NORMAS SIS 055900 e ISO 8.501-1; GRAUS DE OXIDAO EM SUPERFCIES DE AO: Grau A: Superfcie de ao com a carepa de laminao praticamente intacta em toda a superfcie e sem corroso. Representa a superfcie de ao recentemente laminada. Grau B: Superfcie de ao com princpio de corroso, quando a carepa de laminao comea a desprender-se. Grau C: Superfcie de ao onde a carepa de laminao foi eliminada pela corroso ou poder ser removida por raspagem ou jateamento, desde que no tenha formado ainda cavidades muito visveis (pites) em grande escala. Grau D: Superfcie de ao onde a carepa de laminao foi eliminada pela corroso com formao de cavidades visveis em grande escala. A foto 02 mostra equipe montando rea para jateamento abrasivo com escria de cobre em tanques de leo.3 4</p> <p>NACE: National Association of Corrosion Engineers. SSPC: The Society Protective Coatings. 5 CENPES: Centro de Pesquisa da Petrobras.</p> <p>7</p> <p>Foto 02: Equipe sinalizando rea do compressor para jateamento de superfcie (Fonte: Acervo Pessoal).</p> <p>5.2 NORMAS DE LIMPEZA DE SUPERFCIE DA PETROBRAS: 5.2.1 Norma N-5 Petrobras, Limpeza de superfcie de ao por ao Fsico Qumico Segundo a N-5 Petrobras, a limpeza de superfcie por ao fsico qumica, no mbito desta Norma, bastante abrangente, pois se destina a remoo de leo, graxa, terra, compostos usados para o corte de chapas e outros contaminantes das superfcies do ao, mediante o emprego de solventes, emulses, compostos para limpeza, vapor ou outros materiais e mtodos de ao solvente. Apesar da abrangncia desta norma, na grande maioria dos casos a limpeza por ao fsico qumica usada para remover leos e graxas da superfcie metlica antes da aplicao de tintas ou da remoo de carepa de laminao enferrujada, ferrugem e tinta antiga. A presena destes contaminantes (leos e graxas) na superfcie, por menor que seja, extremamente prejudicial adeso das tintas aos substratos metlicos, bem como poder ocasionar defeitos superficiais na pintura como, por exemplo, o aparecimento de crateras (N-5 Petrobras). 5.2.2 Norma N-6 Petrobras, Tratamento de superfcie de ao com ferramentas Manuais e Mecnicas. 8</p> <p>Conforme a N-6 Petrobras, o tratamento de superfcie atravs de ferramentas manuais e mecnicas um procedimento bem antigo e tambm aceitvel no preparo de superfcies expostas a atmosfera e interiores em condies normais, aplicvel a grande parte dos trabalhos de pintura de manuteno. Trata-se de um procedimento bem limitado pois remove somente ferrugem e carepa da laminao soltas, bem como tintas antigas e outros materiais no aderentes. Por se tratar de um mtodo pouco eficiente na remoo dos produtos de corroso, as tintas devem possuir boas propriedades para umidade, para se obter melhor desempenho da pintura. As ferramentas manuais normalmente utilizadas neste processo so: escovas de arame de ao, lixas, raspadores, martelos e picadores (ferramentas de impacto) ( Apostila da ABRACO, p-42). As ferramentas mecnicas utilizadas so: escova de ao rotativa, lixadeira rotativa, pistolete de agulha ou desincrustador, esmeril e outras ferramentas com ao rotativa( Apostila da ABRACO, p-42). 5.2.3 Norma N-9 Petrobras, Limpeza de Ao com Jateamento Abrasivo. De acordo com N-9 Petrobras, a limpeza de superfcie por meio de jateamento abrasivo um dos processos mais largamente utilizados e eficientes na preparao de superfcie ferrosas para aplicao de sistemas de pintura. Alm disso, proporciona excelentes condies para a aderncia e desempenho dos sistemas de pintura. O processo consiste na remoo da camada de xidos e outras substncias depositadas sobre a superfcie, por...</p>