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  • Informativo 920-STF (25/10/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1

    Informativo comentado: Informativo 920-STF

    Márcio André Lopes Cavalcante Processo não comentado pelo fato de não ter sido ainda concluído em virtude de pedido de vista: RE 839950/RS.

    ÍNDICE DIREITO CONSTITUCIONAL

    COMPETÊNCIA LEGISLATIVA  É inconstitucional lei municipal que institua loteria local. DIREITO À EDUCAÇÃO  Lei estadual tratando sobre livre organização de entidades estudantis. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE  A decisão do Relator que ADMITE ou INADMITE o ingresso do amicus curiae é irrecorrível.

    DIREITO ADMINISTRATIVO

    PRECATÓRIOS  É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista?

    DIREITO PENAL

    CALÚNIA ELEITORAL  Para configurar o delito de calúnia eleitoral é necessária a comprovação da lesividade da conduta e, se o suposto

    atingido afirma não ter se ofendido, não há prova da materialidade.

    DIREITO PROCESSUAL PENAL

    FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO  Regras para a aplicação da decisão do STF na AP 937 QO/RJ aos processos em curso no Supremo. EMBARGOS INFRINGENTES  Excepcionalmente, se a Turma, ao condenar o réu, estiver com quórum incompleto, será possível o cabimento dos

    embargos mesmo que tenha havido apenas 1 voto absolutório.

    DIREITO TRIBUTÁRIO

    IMUNIDADE TRIBUTÁRIA  Os imóveis vinculados ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR) estão sujeitos ao regime de imunidade

    tributária recíproca (art. 150, VI, “a”, da CF/88).

  • Informativo comentado

    Informativo 920-STF (25/10/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2

    DIREITO CONSTITUCIONAL

    COMPETÊNCIA LEGISLATIVA É inconstitucional lei municipal que institua loteria local

    É inconstitucional lei municipal que cria concurso de prognósticos de múltiplas chances (loteria) em âmbito local.

    A competência para tratar sobre esse assunto (sistemas de sorteios) é privativa da União, conforme determina o art. 22, XX, da CF/88.

    Sobre o tema, vale a pena lembrar a SV 2: é inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.

    STF. Plenário. ADPF 337/MA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

    Lei municipal tratando sobre loteria O Município de Caxias (MA) editou a Lei nº 1.566/2005 criando, como um serviço público municipal, o “concurso de prognósticos de múltiplas chances”. Em outras palavras, o Município instituiu uma loteria em âmbito local com o objetivo de arrecadar verbas para financiar a assistência social na cidade. O que são “concursos de prognósticos”? Prognóstico é uma previsão de algo que ainda irá ocorrer. Concurso de prognóstico consiste em premiar aquela pessoa que consegue prever algo que irá acontecer. Ex: a Mega-Sena é um concurso de prognóstico que premia aquele que consegue prever os seis números que serão sorteados. Veja o conceito dado pela Lei nº 8.212/91:

    Art. 26 (...) § 1º Consideram-se concursos de prognósticos todos e quaisquer concursos de sorteios de números, loterias, apostas, inclusive as realizadas em reuniões hípicas, nos âmbitos federal, estadual, do Distrito Federal e municipal.

    Essa Lei municipal é constitucional? O Município poderia ter editado essa lei? NÃO. Competência privativa da União A competência para tratar sobre esse assunto (sistemas de sorteios) é privativa da União, conforme determina o art. 22, XX, da CF/88:

    Art. 22 (...) XX - sistemas de consórcios e sorteios;

    A expressão “sistema de sorteios”, constante do art. 22, XX, da CF/88, abrange os jogos de azar, as loterias e similares (STF. Plenário. ADI 3895, Rel. Min. Menezes Direito, julgado em 04/06/2008). O STF editou uma súmula vinculante sobre o tema:

    Súmula vinculante 2: É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.

  • Informativo comentado

    Informativo 920-STF (25/10/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3

    É inconstitucional norma estadual ou distrital que regulamente o funcionamento de loterias, por ser matéria de competência privativa da União. STF. Plenário. ADI 3630, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/06/2017.

    Veja como o tema já foi cobrado em prova: (DPE/MA 2015 FCC) A competência legislativa assegurada constitucionalmente à União para dispor sobre sistema de consórcios e sorteios impede legislação dos Estados que disponha sobre a matéria, mesmo que apresente caráter suplementar à legislação federal e seja voltada a atender às suas peculiaridades. (CERTO) A SV fala em Estado e Distrito Federal. Isso significa que os Municípios poderiam legislar sobre o assunto? NÃO. Os Municípios também não podem. A instituição (criação) de sistemas de consórcios e sorteios, como no caso das loterias, é matéria de competência legislativa privativa da União. Extrapola as competências dos Municípios para legislar sobre interesse local a instituição de loteria municipal, tendo em vista que a legislação federal não permite isso.

    DIREITO À EDUCAÇÃO Lei estadual tratando sobre livre organização de entidades estudantis

    É constitucional lei estadual que:

    • assegure, nos estabelecimentos de ensino superior estadual e municipal, a livre organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes.

    • estabeleça que é de competência exclusiva dos estudantes a definição das formas, dos critérios, dos estatutos e demais questões referentes à organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes.

    • determine que os estabelecimentos de ensino deverão garantir espaços, em suas dependências, para a divulgação e instalações para os Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais Estudantis.

    Vale ressaltar, no entanto, que esta lei não se aplica para as instituições federais e particulares de ensino superior considerando que elas integram o “sistema federal”, de competência da União.

    Deve-se acrescentar, por fim, que é inconstitucional que essa lei estadual preveja multa para as entidades particulares de ensino em caso de descumprimento das medidas acima listadas.

    STF. Plenário. ADI 3757/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

    Lei estadual tratando sobre livre organização de entidades estudantis O Estado do Paraná editou a Lei nº 14.808/2005, com o objetivo de assegurar, “nos estabelecimentos de ensino superior, públicos e privados, a livre organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes”. Confira o que diz a Lei:

    Art. 1º É assegurada, nos estabelecimentos de ensino superior, públicos e privados, a livre organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes, para representar os interesses e expressar os pleitos dos alunos.

  • Informativo comentado

    Informativo 920-STF (25/10/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4

    Art. 2º É de competência exclusiva dos estudantes a definição das formas, dos critérios, dos estatutos e demais questões referentes à organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes. Art. 3º Os estabelecimentos de ensino a que se refere o artigo 1º da presente lei deverão garantir espaços, em suas dependências, para a divulgação e instalações para os Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais Estudantis, além de garantir: I – a livre divulgação dos jornais e outras publicações dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes, bem como de suas Entidades Estudantis Estaduais e Nacionais; II – a participação dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes nos Conselhos Fiscais e Consultivos das instituições de ensino; III – aos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes o acesso à metodologia da elaboração das planilhas de custos das instituições de ensino; IV – o acesso dos representantes das entidades estudantis às salas de aula e demais espaços de circulação dos estudantes, respeitando-se o bom senso. Art. 4º Os espaços aos quais se refere o artigo anterior, deverão ser cedidos, preferencialmente, no prédio correspondente ao curso que o órgão estudantil representa, um para cada curso, em local que permita fácil acesso do aluno ao Centro Acadêmico de seu curso. Art. 5º No caso de descumprimento das disposições desta lei, os estabelecimentos particulares de ensino superior estarão sujeitos à aplicação de multa, a ser fixada entre R$ 5.000,00 e R$ 50.000,00, corrigidos anualmente a partir da publicação desta lei. Parágrafo únic