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  • Informativo 536-STJ Esquematizado por Mrcio Andr Lopes Cavalcante | 1

    Mrcio Andr Lopes Cavalcante

    NDICE

    Direito Civil Ausncia de responsabilidade civil da CEF por roubo ocorrido em casa lotrica. Credores de indenizao por morte no podem exigir que o pagamento seja de uma s vez. Alimentos transitrios podem ser executados segundo o rito do art. 733 do CPC.

    Estatuto da Criana e do Adolescente Internao do adolescente no caso de reiterao na prtica de atos infracionais graves.

    Direito Processual Civil Utilizao de provas colhidas em processo criminal como fundamento para condenar o ru em ao de

    indenizao no juzo cvel. A sentena proferida na ao de complementao de aes no precisa ser liquidada. A regra que determina a obrigatoriedade de ser lavrado auto de penhora no absoluta no caso de penhora on line. Execuo fiscal e CDA na qual constou como devedor pessoa homnima. ACP para tutelar direitos individuais homogneos e eficcia erga omnes da sentena.

    Direito Penal Valor mximo considerado insignificante no caso de crimes tributrios. Importao de gasolina por particular contrabando e no se sujeita ao princpio da insignificncia. No configura infrao penal o exerccio da profisso de flanelinha sem cadastro nos rgos competentes. Converso da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade e necessidade de contraditrio e ampla defesa. No procedimento da Lei de Drogas, o interrogatrio continua sendo o primeiro ato da audincia. Substituio da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos no trfico de drogas

    Direito Processual Penal Crimes envolvendo a Junta Comercial: somente sero de competncia da Justia Federal se houver ofensa DIRETA

    a bens, servios ou interesses da Unio.

    Direito Previdencirio Incide contribuio previdenciria a cargo da empresa sobre os valores pagos a ttulo de salrio maternidade. Incide contribuio previdenciria a cargo da empresa sobre os valores pagos a ttulo de salrio paternidade. No incide contribuio previdenciria a cargo da empresa sobre o valor pago ao trabalhador a ttulo de tero

    constitucional de frias, sejam elas gozadas ou indenizadas. No incide contribuio previdenciria a cargo da empresa sobre o aviso prvio indenizado. No incide contribuio previdenciria a cargo da empresa sobre a importncia paga nos quinze dias que

    antecedem o auxlio-doena. A aposentadoria por invalidez concedida pela via judicial, sem que o segurado tenha feito prvio requerimento

    administrativo, dever retroagir data da citao do INSS. O art. 1-F da Lei 9.494/97, modificado pelo art. 5 da Lei n 11.960/09, tem natureza processual, devendo ser

    aplicado aos processos em tramitao. INSS pode cancelar benefcio assistencial concedido pela via judicial caso no mais estejam presentes as condies

    que lhe deram origem. Devoluo dos benefcios previdencirios recebidos por fora de deciso judicial reformada.

  • Informativo 536-STJ Esquematizado por Mrcio Andr Lopes Cavalcante | 2

    DIREITO CIVIL

    Ausncia de responsabilidade civil da CEF por roubo ocorrido em casa lotrica

    Ateno! Concursos federais

    A Caixa Econmica Federal CEF no tem responsabilidade pela segurana de agncia com a qual tenha firmado contrato de permisso de loterias.

    STJ. 4 Turma. REsp 1.224.236-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, julgado em 11/3/2014.

    STJ. 3 Turma. REsp 1.317.472-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 5/3/2013 (Info 518).

    Imagine a seguinte situao hipottica: Cristiano estava pagando contas em uma casa lotrica, quando foi vtima de um roubo armado, tendo, inclusive, levado um tiro. Em razo do ocorrido, ele ajuza na Justia Federal uma ao de indenizao contra a Caixa Econmica Federal (empresa pblica federal), alegando que a casa lotrica um estabelecimento equiparado instituio financeira, prestando servios bancrios em nome da CEF. Em suma, a tese a de que a casa lotrica, por realizar pagamentos em nome da CEF, deve ser equiparada a uma de suas agncias bancrias. Logo, a CEF teria responsabilidade pelos roubos l ocorridos. O STJ concordou com a tese exposta? NO. O funcionamento das loterias federais regulado pela Circular Caixa n 539/2011. As instituies financeiras so regidas pela Lei n 4.595/64. O STJ, ao interpretar estes dois atos normativos, entendeu que as casas lotricas, apesar de autorizadas a prestar alguns servios bancrios (como o recebimento de contas), no possuem natureza de instituio financeira, j que no realizam as atividades definidas pela Lei n 4.595/1964 como sendo prprias das instituies financeiras (captao, intermediao e aplicao de recursos financeiros). Em sntese, as loterias no so instituies financeiras, porque no fazem captao, intermediao e aplicao de recursos financeiros. Como as casas lotricas no so instituies financeiras, a CEF no obrigada a adotar as mesmas normas de segurana exigidas para as agncias bancrias e que esto previstas na Lei n 7.102/83. Alm disso, o contrato que celebrado entre a CEF e os permissionrios das casas lotricas estabelece que a unidade lotrica assume responsabilidade direta e exclusiva por todos e quaisquer nus, riscos ou custos das atividades, inclusive por indenizaes de qualquer espcie reivindicadas por terceiros prejudicados. Outro argumento contrrio tese est no fato de que a loteria, sendo uma permisso, est submetida Lei n 8.987/95. Este diploma prev que o permissionrio exerce a delegao por sua conta e risco (art. 2, IV) e que o delegatrio responde por todos os prejuzos causados aos usurios ou a terceiros (art. 25). Assim, como no h qualquer obrigao legal ou contratual imposta CEF que conduza sua responsabilizao por dano causado no interior de unidade lotrica, fica evidente a sua ilegitimidade passiva em ao que objetive reparar danos materiais e compensar danos morais causados por roubo ocorrido no interior de unidade lotrica.

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    Por fim, deve-se ressaltar que a eventual possibilidade de responsabilizao subsidiria do concedente dos servios pblicos prestados pela agncia lotrica, verificada apenas em situaes excepcionais, no autoriza, por imperativo lgico decorrente da natureza de tal espcie de responsabilidade, o ajuizamento de demanda indenizatria unicamente em face do concedente (nesses casos, a CEF).

    Por fim, um ltimo argumento no explicitado no julgado, mas que tambm pertinente. A Lei n 12.869/2013 dispe sobre o exerccio da atividade e a remunerao do permissionrio lotrico e em seu art. 2, I reafirma a ideia j presente na Lei n 8.987/95 de que o permissionrio lotrico atua nos servios delegados por sua conta e risco. Logo, no h responsabilidade da CEF.

    Credores de indenizao por morte no podem exigir que o pagamento seja de uma s vez

    Os credores de indenizao por morte fixada na forma de penso mensal no tm o direito de exigir que o causador do ilcito pague de uma s vez todo o valor correspondente. Isso porque a faculdade de exigir que a indenizao seja arbitrada e paga de uma s vez (pargrafo nico do art. 950 do CC) estabelecida para a hiptese do caput do dispositivo, que se refere apenas a defeito que diminua a capacidade laborativa da vtima, no se estendendo aos casos de falecimento.

    STJ. 2 Turma. REsp 1.393.577-PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 20/2/2014.

    Imagine a seguinte situao hipottica: Paulo, de 17 anos, faleceu em um determinado acidente causado por culpa de determinada empresa. Os pais de Paulo, hipossuficientes, ajuizaram, por intermdio da Defensoria Pblica, ao de indenizao contra a empresa. Pediram indenizao por danos morais e materiais, alegando que o filho ajudava com seu salrio nas despesas da casa. Como decidiu o juiz? 1) Quanto aos DANOS MORAIS: Condenou a empresa a pagar indenizao no valor de 300 salrios-mnimos, a ser paga de uma s vez. 2) Quanto aos DANOS MATERIAIS: Condenou a empresa a pagar aos pais do falecido:

    3 mil reais a ttulo de danos emergentes e

    uma penso mensal, como lucros cessantes. A fundamentao foi feita com base no art. 948 do CC:

    Art. 948. No caso de homicdio, a indenizao (os incisos tratam de dano patrimonial) consiste, sem excluir outras reparaes (dano moral): I - no pagamento das despesas com o tratamento da vtima, seu funeral e o luto da famlia; (danos emergentes) II - na prestao de alimentos s pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a durao provvel da vida da vtima. (lucros cessantes)

    Segundo o STJ, em se tratando de famlia de baixa renda, presume-se que o filho contribuiria para o sustento de seus pais, quando tivesse idade para passar a exercer trabalho remunerado, dano este passvel de indenizao, na forma do inciso II do art. 948.

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    Qual o valor da penso fixada e o seu termo final? O magistrado utilizou os seguintes critrios: No perodo em que o filho falecido teria at 25 anos: os pais deveriam receber penso em valor

    equivalente a 2/3 do salrio mnimo; No perodo em que o filho falecido teria acima de 25 anos at 65 anos: os pais deveriam receber

    penso em valor equivalente a 1/3 do salrio mnimo. Os pais de Paulo concordaram com a sentena? No. Os pais de Paulo recorreram contra a sentena, alegando que precisavam urgentemente do dinheiro e que, ao invs de uma penso mensal, eles queriam receber integralmente o valor dos danos materiais, de uma s vez. Como fundamento legal, argumentaram que o pargrafo nico do art. 950 do CC autoriza que os lesados recebam o valor da indenizao de uma s vez, se assim preferirem. Confira o que diz o dispositivo:

    Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido no possa exercer o seu ofcio ou profisso, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenizao, alm das despesas do tratamento e lucr