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  • www.dizerodireito.com.br

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    INFORMATIVO esquematizado

    Informativo 519 STJ

    Mrcio Andr Lopes Cavalcante Obs: no foram includos neste informativo esquematizado os julgados de menor relevncia para concursos pblicos ou aqueles decididos com base em peculiaridades do caso concreto. Caso seja de seu interesse conferi-los, os acrdos excludos foram os seguintes: AgRg no AgRg no AREsp 52.523-RS; AgRg no REsp 1.342.593-SC; REsp 1.341.077-RJ; REsp 1.104.470-DF; REsp 1.130.704-MG.

    DIREITO CONSTITUCIONAL

    Entrega de carns de IPTU e ISS e ausncia de privilgio dos Correios

    A entrega de carns de IPTU e ISS pelos municpios sem a intermediao de terceiros no seu mbito territorial no constitui violao do privilgio da Unio na manuteno do servio

    pblico postal. Isso porque a notificao, por fazer parte do processo de constituio do crdito tributrio, ato prprio do sujeito ativo da obrigao, que pode ou no delegar tal ato ao

    servio pblico postal. Comentrios Imagine a seguinte situao:

    Em um determinado municpio, a entrega dos carns de pagamento do IPTU e ISS (impostos municipais) feita por meio dos servidores municipais. A Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos (ECT), empresa pblica federal, ajuza uma ao questionando esta prtica e afirmando que somente ela poderia fazer esta entrega por deter o privilgio (chamado por alguns de monoplio) do servio postal, nos termos do art. 21, X, da CF/88:

    Art. 21. Compete Unio: X - manter o servio postal e o correio areo nacional;

    Os servios postais so regulados pela Lei n. 6.538/78, que prev:

    Art. 2 - O servio postal e o servio de telegrama so explorados pela Unio, atravs de empresa pblica vinculada ao Ministrio das Comunicaes. (...) Art. 9 - So exploradas pela Unio, em regime de monoplio, as seguintes atividades postais: I - recebimento, transporte e entrega, no territrio nacional, e a expedio, para o exterior, de carta e carto-postal;

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  • INFORMATIVO esquematizado

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    Este art. 9 da Lei foi recepcionado pela CF/88? Os servios postais realmente constituem-se em privilgio, ou seja, somente podem ser prestados pela Unio? SIM. Esta matria j foi objeto de anlise pelo STF, tendo sido prolatado o seguinte acrdo:

    (...) 1. O servio postal conjunto de atividades que torna possvel o envio de correspondncia, ou objeto postal, de um remetente para endereo final e determinado no consubstancia atividade econmica em sentido estrito. Servio postal servio pblico. 2. A atividade econmica em sentido amplo gnero que compreende duas espcies, o servio pblico e a atividade econmica em sentido estrito. Monoplio de atividade econmica em sentido estrito, empreendida por agentes econmicos privados. A exclusividade da prestao dos servios pblicos expresso de uma situao de privilgio. Monoplio e privilgio so distintos entre si; no se os deve confundir no mbito da linguagem jurdica, qual ocorre no vocabulrio vulgar. 3. A Constituio do Brasil confere Unio, em carter exclusivo, a explorao do servio postal e o correio areo nacional [artigo 20, inciso X]. 4. O servio postal prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos - ECT, empresa pblica, entidade da Administrao Indireta da Unio, criada pelo decreto-lei n. 509, de 10 de maro de 1.969. 5. imprescindvel distinguirmos o regime de privilgio, que diz com a prestao dos servios pblicos, do regime de monoplio sob o qual, algumas vezes, a explorao de atividade econmica em sentido estrito empreendida pelo Estado. 6. A Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos deve atuar em regime de exclusividade na prestao dos servios que lhe incumbem em situao de privilgio, o privilgio postal. 7. Os regimes jurdicos sob os quais em regra so prestados os servios pblicos importam em que essa atividade seja desenvolvida sob privilgio, inclusive, em regra, o da exclusividade. 8. Arguio de descumprimento de preceito fundamental julgada improcedente por maioria. O Tribunal deu interpretao conforme Constituio ao artigo 42 da Lei n. 6.538 para restringir a sua aplicao s atividades postais descritas no artigo 9 desse ato normativo. (ADPF 46, Relator(a): Min. Marco Aurlio, Relator(a) p/ Acrdo: Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 05/08/2009)

    A tese dos Correios a de que a guia de arrecadao tributria (carn de pagamento de impostos) est includa do conceito de carta e, por isso, somente poderia ser entregue pela empresa pblica federal. A questo chegou at o STJ. O que foi decidido? A entrega de carns de IPTU e ISS pelos municpios sem a intermediao de terceiros no seu mbito territorial NO constitui violao do privilgio da Unio na manuteno do servio pblico postal. Para o STJ, somente haveria violao ao privilgio postal da Unio se o Municpio contratasse uma empresa para realizar este envio dos boletos. No entanto, como a municipalidade faz esta entrega pessoalmente, ou seja, por meio de seus servidores, no h afronta ao servio pblico de competncia da Unio. Isso porque o envio do boleto com o imposto consiste em uma notificao ao contribuinte, fazendo parte do processo de constituio do crdito tributrio. Trata-se, portanto, de ato prprio do sujeito ativo da obrigao (no caso, o Municpio), que pode ou no delegar tal ato ao servio pblico postal.

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    Vale ressaltar que este tema j foi decidido pelo STJ em sede de recurso repetitivo:

    (...) 1. A entrega de carns de IPTU pelos municpios, sem a intermediao de terceiros, no seu mbito territorial, no viola o privilgio da Unio na manuteno do servio pblico postal. 2. A notificao, porque integra o procedimento de constituio do crdito tributrio, ato prprio dos entes federativos no exerccio da competncia tributria, que a podem delegar ao servio pblico postal. (...) (REsp 1141300/MG, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Seo, julgado em 25/08/2010)

    Processo STJ. 2 Turma. AgRg no AREsp 228.049-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 21/3/2013.

    DIREITO ADMINISTRATIVO

    Governador parte ilegtima para MS contra ato de concurso estadual

    O Governador do Estado parte ilegtima para figurar como autoridade coatora em mandado de segurana no qual o impetrante busque a atribuio da pontuao referente a questo de concurso pblico realizado para o provimento de cargos do quadro de pessoal da respectiva

    unidade federativa. Comentrios Imagine a seguinte situao adaptada:

    Fred prestou concurso para o cargo de Auditor Fiscal da Receita estadual. A questo 79 do concurso foi anulada, mas no se atribuiu este ponto a todos os candidatos. Diante disso, Fred impetra um mandado de segurana pugnando que lhe seja atribuda a pontuao da questo anulada, com a sua consequente reclassificao no concurso. O mandado de segurana foi ajuizado, tendo sido apontado, como autoridade coatora, o Governador do Estado. A escolha da autoridade coatora foi correta? NO. O Governador do Estado parte ilegtima para figurar como autoridade coatora em mandado de segurana no qual o impetrante busque a atribuio da pontuao referente a questo de concurso pblico realizado para o provimento de cargos do quadro de pessoal da respectiva unidade federativa. Segundo o STJ, a autoridade coatora, para impetrao de mandado de segurana, aquela que pratica ou ordena, de forma concreta e especfica, o ato ilegal, ou, ainda, aquela que detm competncia para corrigir a suposta ilegalidade, conforme se extrai do art. 6, 3, da Lei 12.016/2009:

    3 Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prtica.

    Na hiptese em anlise, constatada a no atribuio de pontuao aps a anulao de questo, a autoridade competente para proceder reclassificao dos impetrantes seria a banca examinadora responsvel pelo certame, que a executora direta do ato impugnado. O Governador do Estado teria competncia para nomear e dar posse aos candidatos, mas no para corrigir a ilegalidade apontada.

    Processo STJ. 2 Turma. AgRg no RMS 37.924-GO, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 9/4/2013.

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    Remoo para acompanhar cnjuge (art. 75, da Lei n. 8.112/90)

    (obs: este julgado somente interessa a quem presta concursos nos quais se exige a Lei n. 8.112/90)

    O servidor pblico federal tem direito de ser removido a pedido, independentemente do interesse da Administrao, para acompanhar o seu cnjuge empregado de empresa pblica

    federal que foi deslocado para outra localidade no interesse da Administrao. O art. 36, pargrafo nico, III, a, da Lei 8.112/1990 confere o direito ao servidor pblico

    federal de ser removido para acompanhar o seu cnjuge SERVIDOR pblico que foi deslocado no interesse da Administrao.

    A jurisprudncia do STJ vem atribuindo uma interpretao ampliativa ao conceito de servidor pblico para alcanar no apenas os que se vinculam Administrao Direta, mas tambm os

    que exercem suas atividades nas entidades da Administrao Indireta. Desse modo, o disposto no referido dispositivo legal deve ser interpretado de forma a

    possibilitar o reconhecimento do direto de remoo tambm ao servidor pblico que pretende acompanhar seu cnjuge empregado de empresa pblica federal.

    Comentrios A Lei n. 8.112/90 estabelece o seguinte:

    Art. 36. Remoo o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofcio, no mbito do mesmo quadro, com ou sem mudana de sede. Pargrafo nico. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de remoo: (...) III - a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administrao: a) para acompanhar cnjuge ou companheiro, tambm servidor pblico civil ou militar, de qualquer dos Poderes da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios, que foi deslocado no interesse da Administrao;

    Imagine agor