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  • www.dizerodireito.com.br

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    INFORMATIVO esquematizado

    Informativo 517 STJ

    Mrcio Andr Lopes Cavalcante Obs: no foram includos neste informativo esquematizado os julgados de menor relevncia para concursos pblicos ou aqueles decididos com base em peculiaridades do caso concreto. Caso seja de seu interesse conferi-los, os acrdos excludos foram os seguintes: REsp 1.335.953-RS; REsp 1.353.864-GO; REsp 1.253.638-SP.

    DIREITO CONSTITUCIONAL

    Motivao per relationem

    legtima a adoo da tcnica de fundamentao referencial (per relationem), consistente na aluso e incorporao formal, em ato jurisdicional, de deciso anterior ou parecer do MP.

    Comentrios Quando o Tribunal julga um recurso (seja ele criminal ou cvel), o Relator, em seu voto, pode fundamentar a deciso tomada apenas reproduzindo as razes invocadas por uma das partes ou pelo Ministrio Pblico? Ainda nessa mesma linha, pode o Tribunal manter a deciso de 1 instncia mencionando apenas as mesmas razes expostas pelo juiz? A Corte Especial do STJ decidiu recentemente que sim:

    (...) A reproduo de fundamentos declinados pelas partes ou pelo rgo do Ministrio Pblico ou mesmo de outras decises atendem ao comando normativo, e tambm constitucional, que impe a necessidade de fundamentao das decises judiciais. O que no se tolera a ausncia de fundamentao. (...) (EREsp 1021851/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Corte Especial, julgado em 28/06/2012)

    Vamos explicar a questo com um exemplo: O Ministrio Pblico ingressa com uma ao contra o ru (ao penal ou ACP, tanto faz). O ru condenado pelo juiz em 1 instncia. O ru interpe recurso de apelao, apresentando suas razes recursais. O MP, por sua vez, apresenta suas contrarrazes recursais. A apelao encaminhada para que o Tribunal decida o recurso. O Tribunal mantm a condenao, mas na fundamentao da deciso do recurso, limita-se a transcrever trechos das contrarrazes do Ministrio Pblico, sem agregar nenhum argumento novo. Essa fundamentao feita pelo Tribunal vlida (atende ao art. 93, IX, da CF/88)? H duas correntes sobre o tema:

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    1 No vlida 2 SIM ( VLIDA)

    A pura e simples transcrio das razes e contrarrazes de apelao com a opo por uma delas, sem mais nem menos, no serve de fundamentao. A mera repetio da deciso atacada, alm de desrespeitar o art. 93, IX, da CF, causa prejuzo para a garantia do duplo grau de jurisdio, na exata medida em que no conduz substancial reviso judicial da primitiva deciso, mas a cmoda reiterao.

    Inexiste bice a que o julgador, ao proferir sua deciso, acolha os argumentos de uma das partes ou de outros julgados, adotando fundamentao que lhe pareceu adequada. O que importa em nulidade a absoluta ausncia de fundamentao. A adoo dos fundamentos da sentena de 1 instncia ou das alegaes de uma das partes como razes de decidir, embora no seja uma prtica recomendvel, no traduz, por si s, afronta ao art. 93, IX, da CF/88.

    O STJ adotou essa 2 corrente. Em resumo, a Corte Especial do STJ decidiu que a reproduo dos fundamentos declinados pelas partes ou pelo rgo do Ministrio Pblico ou mesmo de outras decises proferidas nos autos da demanda (ex: sentena de 1 instncia) atende ao art. 93, IX, da CF/88. O STJ entendeu que a encampao literal de razes emprestadas no a melhor forma de decidir uma controvrsia. Contudo, tal prtica no chega a macular a validade da deciso. O que no se admite a ausncia de fundamentao. O STF adota o mesmo entendimento. Confira:

    No viola o art. 93, IX da Constituio Federal o acrdo que adota os fundamentos da sentena de primeiro grau como razo de decidir. (HC 98814, Relatora Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 23/06/2009) O entendimento esposado na deciso do Superior Tribunal est em perfeita consonncia com o posicionamento desta Suprema Corte, no sentido de que a adoo dos fundamentos da sentena de 1 grau pelo julgado de Segunda Instncia como razes de decidir, por si s, no caracteriza ausncia de fundamentao, desde que as razes adotadas sejam formalmente idneas ao julgamento da causa, sem que tanto configure violao da regra do art. 93, inc. IX, da Constituio Federal. (HC 94384, Relator Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, julgado em 02/03/2010)

    Motivao per relationem A motivao por meio da qual se faz remisso ou referncia s alegaes de uma das partes, a precedente ou a deciso anterior nos autos do mesmo processo chamada pela doutrina e jurisprudncia de motivao ou fundamentao per relationem ou aliunde. Tambm denominada de motivao referenciada, por referncia ou por remisso. Veja:

    (...) MOTIVAO PER RELATIONEM. LEGITIMIDADE JURDICO-CONSTITUCIONAL DESSA TCNICA DE MOTIVAO. (...) Esta Corte j firmou o entendimento de que a tcnica de motivao por referncia ou por remisso compatvel com o que dispe o art. 93, IX, da Constituio Federal. No configura negativa de prestao jurisdicional ou inexistncia de motivao a deciso que adota, como razes de decidir, os fundamentos do parecer lanado pelo Ministrio Pblico, ainda que em fase anterior ao recebimento da denncia. (AI 738982 AgR, Relator Min. Joaquim Barbosa, Segunda Turma, julgado em 29/05/2012)

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    Neste julgado, a 2 Turma do STJ reafirmou este entendimento: (...) legtima a adoo da tcnica de fundamentao referencial (per relationem), utilizada quando h expressa aluso a decisum anterior ou parecer do Ministrio Pblico, incorporando, formalmente, tais manifestaes ao ato jurisdicional. (...) (EDcl no AgRg no AREsp 94942/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2 Turma, julgado em 05/02/2013)

    Processo STJ. 2 Turma. EDcl no AgRg no AREsp 94.942-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 5/2/2013.

    DIREITO ADMINISTRATIVO

    Anulao de remoo com base em deciso do STF

    A era titular de uma serventia notarial e registral no interior do Estado. Participou de um concurso de remoo, conseguindo uma serventia na capital.

    Os critrios deste concurso de remoo estavam previstos em uma Lei estadual X. Ocorre que esta Lei X foi declarada inconstitucional pelo STF no julgamento de uma ADI, com

    efeitos ex tunc. Diante disso, o Tribunal de Justia anulou a remoo de A. O STJ considerou que no houve ilegalidade no ato do TJ, que se limitou a afastar os critrios de

    classificao declarados inconstitucionais pelo STF, em observncia ao efeito erga omnes do julgamento proferido em sede de ADI.

    Comentrios Imagine a seguinte situao hipottica (adaptada em relao ao caso concreto): A era titular de uma serventia notarial e registral no interior do Estado. Participou de um concurso de remoo, conseguindo uma serventia na capital. Os critrios deste concurso de remoo estavam previstos em uma Lei estadual X. Ocorre que esta Lei X foi declarada inconstitucional pelo STF no julgamento de uma ADI, com efeitos ex tunc. Diante disso, o Tribunal de Justia anulou a remoo de A. O TJ entendeu que no poderia deixar de cumprir a deciso do STF, mesmo atingindo a situao de A. Argumentou que no possvel invocar os princpios da boa-f, da segurana jurdica e da razoabilidade, os quais, embora relevantes, no se sobrepem ao da supremacia da ordem constitucional. Contra esta deciso do TJ, A interps recurso ordinrio constitucional (art. 105, II, b, da CF/88). O STJ improveu o recurso, considerando que no houve ilegalidade no ato do TJ, que se limitou a afastar os critrios de classificao declarados inconstitucionais pelo STF, em observncia ao efeito erga omnes do julgamento proferido em sede de ADI.

    Processo STJ. 2 Turma. RMS 37.221-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 7/2/2013.

    DIREITO ADMINISTRATIVO MILITAR (obs: este julgado somente interessa a quem presta concursos federais)

    Fixao do soldo em valor inferior ao salrio mnimo

    possvel fixar o soldo em valor inferior ao salrio mnimo, desde que a remunerao total percebida pelo militar, j consideradas as vantagens pecunirias, seja igual ou superior quele

    valor. Conforme os arts. 7, IV, e 39, 3, da CF, nenhum servidor pblico ativo ou inativo poder receber remunerao mensal inferior ao salrio mnimo, no vigorando essa restrio

    ao vencimento bsico, como no caso do soldo. Processo STJ. 1 Turma. AgRg no AREsp 258.848-PE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 7/2/2013.

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    DIREITO CIVIL

    Responsabilidade pr-contratual

    A parte interessada em se tornar revendedora autorizada de veculos tem direito de ser ressarcida dos danos materiais decorrentes da conduta da fabricante no caso em que esta

    aps anunciar em jornal que estaria em busca de novos parceiros e depois de comunicar quela a avaliao positiva que fizera da manifestao de seu interesse, obrigando-a, inclusive,

    a adiantar o pagamento de determinados valores rompa, de forma injustificada, a negociao at ento levada a efeito, abstendo-se de devolver as quantias adiantadas.

    Comentrios Imagine a seguinte situao: Determinada marca muito famosa de carros importados publica um anncio no jornal informando que estaria procurando novos parceiros comerciais para abrir revendedoras do veculo no Brasil. Uma empresa brasileira manifesta interesse no negcio e submetida a uma avaliao pela marca de carros, sendo, ento, aprovada para funcionar como revendedora. Diante da aprovao, a empresa brasileira paga um adiantamento para o incio do negcio. Ocorre que, injustificadamente, a fabricante dos carros rompe a negociao e recusa-se a devolver as quantias adiantadas. Diante disso, a empresa brasileira ingressou com ao de indenizao contra a fabricante. A questo chegou at o STJ. O que decidiu a Corte? A parte interessada em se tornar revendedora autorizada de veculos tem direito de ser ressarcida dos danos materiais decorrentes da conduta da fabricante no caso em que est