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  • www.dizerodireito.com.br

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    INFORMATIVO esquematizado

    Informativo 512 STJ

    Mrcio Andr Lopes Cavalcante Obs: no foram includos neste informativo esquematizado os julgados de menor relevncia para concursos pblicos ou aqueles decididos com base em peculiaridades do caso concreto. Caso seja de seu interesse conferi-los, os acrdos excludos foram os seguintes: AgRg no Ag 1.428.564-DF; AgRg no REsp 1.304.317-SP; AgRg no AREsp 242.466-MG; REsp 1.166.600-RJ; REsp 1.345.653-SP.

    DIREITO ADMINISTRATIVO

    Responsabilidade civil do Estado (prazo prescricional)

    O prazo prescricional aplicvel s aes de indenizao contra a Fazenda Pblica de 5 (CINCO) anos, conforme previsto no Decreto 20.910/32, e no de trs anos (regra do Cdigo

    Civil), por se tratar de norma especial, que prevalece sobre a geral. Comentrios Caso algum tenha sofrido um dano causado pelo Estado, qual o prazo que essa pessoa

    dispe para ajuizar ao de reparao? Em outras palavras, qual o prazo prescricional para a propositura de ao de indenizao contra a Fazenda Pblica? Havia duas correntes sobre o tema: 1) 3 anos. Fundamento: art. 206, 3, V do Cdigo Civil.

    2) 5 anos. Fundamento: art. 1 do Decreto n. 20.910/1932. O que prevaleceu? O prazo prescricional de 5 (cinco) anos (no h mais polmica no STJ). Qual o argumento?

    Segundo o STJ, o art. 1 do Decreto n. 20.910/1932 norma especial porque regula especificamente os prazos prescricionais relativos s aes ajuizadas contra a Fazenda Pblica. Por sua vez, o art. 206, 3, V, do Cdigo Civil seria norma geral, tendo em vista que regula a prescrio para os demais casos em que no houver regra especfica. Logo, apesar do Cdigo Civil ser posterior (2002), segundo o STJ, ele no teve o condo de

    revogar o Decreto n. 20.910/1932, tendo em vista que norma geral no revoga norma especial.

    Informaes extras

    Veja, em resumo, os principais pontos abordados pelo Min. Mauro Campbell:

    Os dispositivos do CC/2002, por regularem questes de natureza eminentemente de direito privado, nas ocasies em que abordam temas de direito pblico, so expressos ao afirmarem a aplicao do Cdigo s pessoas jurdicas de direito pblico, aos bens pblicos e Fazenda Pblica.

    No caso do art. 206, 3, V, do CC/2002, em nenhum momento foi indicada a sua aplicao Fazenda Pblica.

    No se pode falar que houve uma mera omisso legislativa neste caso, pois o art. 178, 10, V, do CC/1916 estabelecia o prazo prescricional de cinco anos para as aes contra a Fazenda Pblica, o que no foi repetido no atual cdigo, tampouco foi substitudo por outra norma infraconstitucional.

    Os defensores do prazo trienal invocam o art. 10 do Decreto n. 20.910/1932, que Pg

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    estabelece o seguinte o disposto nos artigos anteriores no altera as prescries de menor prazo, constantes das leis e regulamentos, as quais ficam subordinadas s mesmas regras.

    Ocorre que esse dispositivo no pode ser utilizado para dizer que o prazo do CC-2002 deve ser aplicado Fazenda Pblica. Isso porque o art. 10 prev expressamente que o disposto no referido decreto no altera eventuais prescries de menor prazo constantes em leis e regulamentos, o que significa que essa previso s excepcionava da regra dos 5 anos as prescries que estivessem em vigor quando surgiu o Decreto. Logo, no serve para excepcionar o CC/2002, que surgiu posteriormente e que no era especfico para o Poder Pblico.

    Ademais, vale consignar que o prazo quinquenal foi reafirmado no art. 2 do Dec.-lei n. 4.597/1942 e no art. 1-C da Lei n. 9.494/1997, includo pela MP n. 2.180-35, de 2001.

    Processo Primeira Seo. REsp 1.251.993-PR, Rel. Min. Mauro Campbell, julgado em 12/12/2012.

    DIREITO CIVIL

    Nome da pessoa natural

    possvel a alterao no registro de nascimento para dele constar o nome de solteira da genitora, excluindo o patronmico do ex-padrasto.

    Comentrios Exemplo hipottico (baseado no caso concreto): No momento do nascimento de Aline, sua me (Maria Barbosa Carvalho) estava casada com Joo Carvalho, que no era o pai biolgico da recm nascida. Aline foi registrada com o pai ignorado e o nome de sua me (Maria Barbosa Carvalho). O nome completo de Aline ficou sendo Aline Barbosa j que o patronmico Carvalho era de seu padrasto (Joo). Aps alguns anos, Maria e Joo se divorciam e, no processo judicial, a divorcianda opta por voltar a usar seu nome de solteira, qual seja, Maria Barbosa. Diante disso, nos documentos pessoais de Maria consta atualmente seu nome como sendo Maria Barbosa, mas no registro de nascimento de sua filha Aline, no campo no qual mencionada a genitora, o nome que aparece o de Maria Barbosa Carvalho. possvel a retificao do registro de nascimento? SIM. Segundo decidiu o STJ, possvel a alterao no registro de nascimento para dele constar o nome de solteira da genitora, excluindo o patronmico do ex-padrasto. O nome civil reconhecidamente um direito da personalidade, porquanto o signo individualizador da pessoa natural na sociedade, conforme preconiza o art. 16 do CC. O registro pblico da pessoa natural no um fim em si mesmo, mas uma forma de proteger o direito identificao da pessoa pelo nome e filiao, ou seja, o direito identidade causa do direito ao registro. O princpio da verdade real norteia o registro pblico e tem por finalidade a segurana jurdica, razo pela qual deve espelhar a realidade presente, informando as alteraes relevantes ocorridas desde a sua lavratura. Assim, possvel a averbao do nome de solteira da genitora no assento de nascimento, excluindo o patronmico do ex-padrasto. Ademais, o art. 3, pargrafo nico, da Lei 8.560/1992 prev expressamente a possibilidade de averbao, no termo de nascimento do filho, da alterao do patronmico materno em decorrncia do casamento:

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    Art. 3 (...) Pargrafo nico. ressalvado o direito de averbar alterao do patronmico materno, em decorrncia do casamento, no termo de nascimento do filho.

    Logo, tambm deve ser reconhecida a possibilidade de fazer o inverso, ou seja, alterar o patronmico da me da pessoa quando a genitora, em decorrncia de divrcio ou separao, deixa de utilizar o nome de casada.

    Processo Quarta Turma. REsp 1.072.402-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, julgado em 4/12/2012.

    Contratos (doao)

    A pessoa que tenha herdeiros necessrios s pode doar at o limite mximo da metade de seu patrimnio, considerando que a outra metade a chamada legtima (art. 1.846 do CC) e

    pertence aos herdeiros necessrios. Doao inoficiosa a que invade a legtima dos herdeiros necessrios, sendo vedada pelo

    ordenamento jurdico (art. 549 do CC). O excesso na doao (invaso da legtima) apurado levando-se em conta o valor do

    patrimnio do doador ao tempo da doao, e no o patrimnio estimado no momento da abertura da sucesso do doador.

    Comentrios DOAO Conceito Considera-se doao o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimnio bens ou vantagens para o de outra (art. 538 do CC). Restries liberalidade de doar Em regra, a pessoa sendo proprietria da coisa, pode do-la para quem quiser. A lei impe, contudo, algumas restries ao exerccio desse direito. Veja:

    SITUAO RESTRIO

    1) Doao feita por pessoa casada

    O cnjuge que for casado, para doar, precisa da autorizao do outro, exceto: a) no regime da separao absoluta; b) na doao remuneratria; c) nas doaes propter nuptiaes de bens feitos aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada.

    2) Doao feita por incapaz O absolutamente incapaz no pode realizar doaes. Se fizer, nula.

    3) Doao universal Doao universal aquela que engloba a totalidade de bens do devedor.

    Art. 548. nula a doao de todos os bens sem reserva de parte, ou renda suficiente para a subsistncia do doador.

    4) Doao inoficiosa Doao inoficiosa a que invade a legtima dos herdeiros necessrios.

    A pessoa que tenha herdeiros necessrios s pode doar at o limite mximo da metade de seu patrimnio, considerando que a outra metade a chamada legtima (art. 1.846 do CC) e pertence aos herdeiros necessrios.

    5) Doao colacionvel A pessoa pode doar para seus ascendentes, descendentes ou cnjuges. No entanto,

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    isso ser considerado adiantamento da legtima, ou seja, um adiantamento do que o donatrio iria receber como herdeiro no momento em que o doador morresse.

    6) Doao fraudulenta aquela realizada pelo devedor insolvente ou que, com a doao, torna-se insolvente. Obs: devedor insolvente aquele cujo patrimnio passivo (dvidas) maior que o ativo (bens).

    A doao nesses casos somente vlida se foi realizada com o consentimento de todos os credores. Se feita sem tal consentimento, configura fraude contra os credores, sendo, portanto, anulvel.

    7) Doao do cnjuge adltero a seu cmplice

    Art. 550. A doao do cnjuge adltero ao seu cmplice pode ser anulada pelo outro cnjuge, ou por seus herdeiros necessrios, at dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal.

    O prdigo pode realizar doaes? R: Sim, desde que assistido pelo curador.

    Art. 1.782. A interdio do prdigo s o privar de, sem curador, emprestar, transigir, dar quitao, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que no sejam de mera administrao.

    Doao inoficiosa O julgado noticiado no informativo trata sobre doao inoficiosa. Como visto acima, a pessoa que tenha herdeiros necessrios s pode doar at o limite mximo da metade de seu patrimnio, considerando que a outra metade a chamada legtima (art. 1.846 do CC) e pertence aos herdeiros necessrios. Se o doador no tiver herdeiros necessrios, poder doar livremente, contanto que no seja doao universal. Quem so os he