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  • www.dizerodireito.com.br

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    INFORMATIVO esquematizado

    Informativo 497 STJ

    Mrcio Andr Lopes Cavalcante Obs: no foram includos neste informativo esquematizado os julgados de menor relevncia para concursos pblicos ou aqueles decididos com base em peculiaridades do caso concreto. Caso seja de seu interesse conferi-los, os acrdos excludos foram os seguintes: SEC 5.709-US; MS 14.690-DF; AR 4.374-MA; AREsp 23.916-SP; REsp 1.251.162-MG; REsp 1.114.889-DF; REsp 1.046.603-RJ; REsp 724.015-PE; REsp 658.938-RJ; HC 202.048-RN.

    DIREITO ADMINISTRATIVO

    Improbidade administrativa 1 (defesa prvia)

    A falta de notificao do acusado para apresentar defesa prvia na ao de improbidade administrativa (art. 17, 7, da Lei n. 8.429/1992) causa de NULIDADE RELATIVA do feito, devendo ser alegada em momento oportuno e devidamente comprovado o prejuzo parte.

    Comentrios A improbidade administrativa regida pela Lei n. 8.429/92.

    Propositura da ao A ao de improbidade deve ser proposta pelo Ministrio Pblico ou pela pessoa jurdica interessada (art. 17).

    Defesa prvia Estando a inicial em devida forma, o juiz mandar autu-la e ordenar a notificao do requerido, para oferecer manifestao por escrito, que poder ser instruda com documentos e justificaes, dentro do prazo de 15 dias ( 7 do art. 17). Essa manifestao por escrito chamada por alguns de defesa prvia. Juzo de delibao Recebida a manifestao por escrito (defesa prvia), o juiz, no prazo de 30 dias, em deciso fundamentada, faz um juzo preliminar (juzo de delibao) e poder adotar uma das seguintes providncias: a) Rejeitar a ao, se convencido da inexistncia do ato de improbidade, da improcedncia

    da ao ou da inadequao da via eleita. b) Receber a petio inicial, determinando a citao do ru para apresentar contestao. Pergunta: A falta de notificao do acusado para apresentar defesa prvia nas aes submetidas ao rito da Lei de Improbidade Administrativa (art. 17, 7, da Lei n. 8.429/1992) causa de nulidade absoluta ou relativa? R: Trata-se de NULIDADE RELATIVA. Desse modo, para que seja anulado o processo, o ru dever:

    alegar esse vcio em momento oportuno (na primeira oportunidade em que falar nos autos); e

    comprovar que sofreu prejuzo. Pg

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    Este o entendimento consolidado no STJ: A no observncia da notificao prvia, em cumprimento ao artigo 17, pargrafo 7, da Lei de Improbidade Administrativa, no gera nulidade dos atos processuais seguintes quando no demonstrado o efetivo prejuzo (REsp n 1.184.973/MG, Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, in DJe 21/10/2010 e REsp n 1.174.721/SP, Relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, in DJe 29/6/2010). (AgRg no REsp 1127400/MG, Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, julgado em 08/02/2011)

    Processo Primeira Turma. EDcl no REsp 1.194.009-SP, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgados em 17/5/2012.

    VIDE INFO 507

    Improbidade administrativa 2

    Comete ato de improbidade administrativa prefeita municipal que autoriza a compra de um caminho de carga, sem examinar a existncia de gravames que impossibilitam a sua

    transferncia para o municpio. Comentrios O STJ entendeu que comete ato de improbidade administrativa prefeita municipal que

    autoriza a compra de um caminho de carga, sem examinar a existncia de gravames que impossibilitam a sua transferncia para o municpio. No caso concreto, a prefeita autorizou a aquisio de um caminho de carga pela prefeitura, no valor de R$ 66.000,00, que, contudo, estava alienado fiduciariamente a uma empresa privada, e, ainda, penhorado pelo Banco do Brasil, impossibilitando o respectivo registro em nome do municpio. Considerou-se que a prefeita foi negligente ao autorizar o pagamento de um bem sem avaliar a existncia de gravames que impossibilitaram a transferncia da propriedade. Nesse contexto, tem-se que a prefeita municipal descumpriu com o dever de zelo com a coisa pblica, pois efetuou a despesa sem tomar a mnima cautela de aferir que o automvel estava alienado fiduciariamente, bem como penhorado instituio financeira. O dano ao errio est caracterizado pela impossibilidade de se transferir o bem para o patrimnio municipal.

    Processo Segunda Turma. REsp 1.151.884-SC, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 15/5/2012.

    DIREITO ADMINISTRATIVO MILITAR (obs: este julgado somente interessa a quem presta concursos que exigem bastante esta matria)

    Penso especial prevista no art. 53, II do ADCT

    No faz jus penso especial prevista no art. 53, II, do ADCT o militar que apenas tenha prestado servio em zona de guerra, sem comprovar a participao no conflito nos termos

    previstos no art. 1 da Lei n. 5.315/1967. Os integrantes da Fora Area Brasileira somente podero ser considerados ex-combatentes se tiverem participado efetivamente das operaes de guerra, situao comprovada pelo diploma

    da Medalha de Campanha da Itlia para o seu portador ou o diploma da Cruz de Aviao para os tripulantes de aeronaves engajados em misses de patrulha.

    Comentrios No faz jus penso especial prevista no art. 53, II, do ADCT o militar que apenas tenha prestado servio em zona de guerra, sem comprovar a participao no conflito nos termos previstos no art. 1 da Lei n. 5.315/1967.

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    No caso, a viva de militar da Aeronutica juntou documentao diversa da prevista na lei para comprovar a condio de ex-combatente do marido, qual seja, certido emitida pelo comandante da Base Area na qual o militar serviu. O referido documento no indicou qualquer participao do militar em operaes de guerra. Apesar disso, a Terceira Seo do STJ, em 2005, com base na certido, concedeu a penso de ex-combatente viva. Essa deciso transitou em julgado e a Unio props ao rescisria por violao literal de dispositivo de lei (art. 485, V, do CPC). No julgamento da ao rescisria, o Min. Relator registrou que o acrdo proferido anteriormente pela Terceira Seo realmente violou o disposto no art. 1 da Lei n. 5.315/1967, pois no poderia aceitar outros meios de prova seno aqueles elencados na legislao de regncia, que foi recepcionada pela CF. Assim, foi reiterado o posicionamento de que os integrantes da Fora Area Brasileira somente podero ser considerados ex-combatentes se tiverem participado efetivamente das operaes de guerra, situao comprovada pelo diploma da Medalha de Campanha da Itlia para o seu portador ou o diploma da Cruz de Aviao para os tripulantes de aeronaves engajados em misses de patrulha. Com esses argumentos, foi julgada procedente a ao rescisria por violao literal de dispositivo de lei (art. 485, V, do CPC). Precedentes citados: AgRg nos EAg 1.092.899-SC, DJe 1/8/2011, e AR 3.906-SC, DJe 8/2/2010.

    Processo Terceira Seo. AR 3.830-SC, Rel. Min. Vasco Della Giustina (Des. convocado do TJ-RS), julgada em 9/5/2012.

    DIREITO CIVIL

    Responsabilidade civil (ofensas em redes sociais)

    a) A relao da GOOGLE com seus usurios uma relao de consumo, mesmo sendo gratuita. b) A GOOGLE no responde objetivamente pelos danos morais causados por mensagens

    publicadas pelos usurios do ORKUT. c) Ao ser comunicada de que determinado texto ou imagem possui contedo ilcito, deve a

    GOOGLE retirar o material do ar imediatamente, sob pena de responder solidariamente com o autor direto do dano, em virtude da omisso praticada.

    d) Ao oferecer um servio por meio do qual se possibilita que os usurios externem livremente sua opinio, deve o provedor de contedo ter o cuidado de propiciar meios para que se possa identificar cada um desses usurios.

    Comentrios A ajuizou ao de indenizao por danos morais contra a GOOGLE, alegando ter sido alvo de ofensas em pgina na internet da rede social ORKUT, mantida pela GOOGLE. Vejamos as principais concluses do STJ sobre este assunto: 1) No caso do ORKUT, rede social virtual na qual foram veiculadas as informaes tidas por

    ofensivas, verifica-se que a GOOGLE atua como provedora de contedo, pois o site disponibiliza informaes, opinies e comentrios de seus usurios;

    2) Os servios prestados pela GOOGLE na internet, como o caso do ORKUT, mesmo sendo gratuitos, configuram relao de consumo. Assim, o ORKUT , para os fins do CDC, fornecedor de servios e o usurio considerado consumidor;

    3) Apesar disso, a responsabilidade do ORKUT/GOOGLE deve ficar restrita natureza da atividade por ele desenvolvida no site, que, como visto, corresponde a de um provedor de contedo, disponibilizando na rede as informaes inseridas por seus usurios;

    4) Nesse aspecto, o servio da GOOGLE deve garantir o sigilo, a segurana e a inviolabilidade dos dados cadastrais de seus usurios, bem como o funcionamento e a manuteno das pginas na internet que contenham as contas individuais e as comunidades desses usurios;

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    5) A fiscalizao prvia do contedo das informaes que so postadas por cada usurio no responsabilidade da GOOGLE, de modo que no se pode reputar defeituoso, nos termos do art. 14 do CDC, o site que no examina previamente e filtra o material nele inserido;

    6) Tambm no se pode falar que o ORKUT/GOOGLE tenha responsabilidade objetiva pelas mensagens que so publicadas em seu site. No se pode falar em risco da atividade como meio para a responsabilizao do provedor por danos causados pelo contedo de mensagens publicadas pelos usurios. Em outras palavras, no se aplica o art. 927, pargrafo nico, do CC GOOGLE quanto s mensagens postadas no ORKUT;

    7) No entanto, ao ser comunicada de que determinado texto ou imagem possui contedo ilcito, deve a GOOGLE agir de forma enrgica, retirando o material do ar imediatamente, sob pena de responder solidariamente com o autor direto do dano, em virtude da omisso pra