indicadores sao paulo

of 39 /39
Em São Paulo, em 2004, a esperança de vida ao nascer correspondia a 73,1 anos, quase um ano e meio a mais que a registrada para o Brasil (71,7 anos). A renda real domiciliar per capita média no Estado de São Paulo, em 2004, superou em cerca de 20% a de 1993. Entre 1998 e 2003, a proporção de paulistas que realizou pelo menos uma consulta ao dentista, em menos de um ano, registrou aumento de 7,3%. O decréscimo da mortalidade infantil entre 1993 e 2004, no Estado, foi de 46%. O Estado de São Paulo, com a distribuição gratuita do AZT desde 1990, foi pioneiro na implantação dessa política. Entre 1999 e 2004, a taxa de mortalidade por agressões no Estado de São Paulo teve queda de 34%. Nos últimos 10 anos, a taxa de atendimento escolar dos jovens de 15 a 17 anos aumentou 16,9%, alcançando 86,8% desses jovens em 2004. Avanços significativos podem ser observados na área de habitação. Em 2004, mais de 75% das moradias paulistas eram consideradas adequadas, contra 68% em 1993. 2006 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DE ECONOMIA E PLANEJAMENTO RESPEITO POR VOCÊ 2006 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO sperança de Vida d id Acesso à Escola Meio Ambiente Meio Ambiente Saúde ança de Vida ança de Vida Educação Mercado de Trabalho A à A à Sa Sa Mortalidade M i M i Se Educaçã Educaçã Consultas ao Dentista bitação e Saneamento Ed d DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL: OS INDICADORES DO ESTADO DE SÃO PAULO DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL: OS INDICADORES DO ESTADO DE SÃO PAULO

Upload: davi-carvalho

Post on 08-Sep-2014

2.092 views

Category:

Travel


1 download

DESCRIPTION

 

TRANSCRIPT

Page 1: Indicadores Sao Paulo

Em São Paulo, em 2004, a esperança de v ida ao nascer correspondia a 73,1 anos,quase um ano e meio a mais que a reg is t rada para o Bras i l (71,7 anos) .

A renda real domici l iar per capita média no Estado de São Paulo, em 2004, superouem cerca de 20% a de 1993.

Entre 1998 e 2003, a proporção de paul i s tas que rea l i zou pe lo menos uma consu l ta ao dent i s ta , em menos de um ano, reg is t rou aumento de 7,3%.

O decrésc imo da morta l idade infant i l entre 1993 e 2004, no Estado, fo i de 46%.

O Estado de São Paulo, com a distr ibuição gratuita do AZT desde 1990, foi pioneiro na implantação dessa po l í t i ca .

Entre 1999 e 2004, a taxa de morta l idade por agressões no Estado de São Paulo teve queda de 34%.

Nos ú l t imos 10 anos, a taxa de atendimento esco lar dos jovens de 15 a 17 anosaumentou 16,9%, a lcançando 86,8% desses jovens em 2004.

Avanços s ign i f i cat ivos podem ser observados na área de habi tação. Em 2004, mais de 75% das moradias paul i s tas eram cons ideradas adequadas , contra 68% em 1993.

2006GOVERNO DO ESTADO DE

SÃO PAULO

SECRETARIA DEECONOMIA E PLANEJAMENTO

R E S P E I TO P O R VO C Ê

2006GOVERNO DO ESTADO DE

SÃO PAULOsperança de Vidad id

Acesso à Escola

Meio AmbienteMeio Ambiente

Saúdeança de Vidaança de Vida

Educação

Mercado de TrabalhoA àA àSaSa

Mortalidade

M iM iSeEducaçãEducaçã

Consultas ao Dentistaçççç

bitação e Saneamento

Edd

DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL:OS INDICADORES DO ESTADO DE SÃO PAULO

DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL:OS INDICADORES DO ESTADO DE SÃO PAULO

Page 2: Indicadores Sao Paulo

DIRETDIRETDIRETDIRETDIRETORA EXECUTIVORA EXECUTIVORA EXECUTIVORA EXECUTIVORA EXECUTIVAAAAAFelícia Reicher Madeira

DIRETDIRETDIRETDIRETDIRETOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTO ADMINISTRAO ADMINISTRAO ADMINISTRAO ADMINISTRAO ADMINISTRATIVTIVTIVTIVTIVO E FINANCEIROO E FINANCEIROO E FINANCEIROO E FINANCEIROO E FINANCEIROMarcos Martins Paulino

DIRETDIRETDIRETDIRETDIRETOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTO DE PRODUÇÃO E ANÁLISE DE DO DE PRODUÇÃO E ANÁLISE DE DO DE PRODUÇÃO E ANÁLISE DE DO DE PRODUÇÃO E ANÁLISE DE DO DE PRODUÇÃO E ANÁLISE DE DADOSADOSADOSADOSADOSSinésio Pires Ferreira

DIRETDIRETDIRETDIRETDIRETOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTOR ADJUNTO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕESO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕESO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕESO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕESO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕESVivaldo Luiz Conti

CHEFIA DE GABINETECHEFIA DE GABINETECHEFIA DE GABINETECHEFIA DE GABINETECHEFIA DE GABINETEAna Celeste de Alvarenga Cruz

SEADEFundação Sistema Estadual de Análise de Dados

GOVERNADOR DO ESTADOGeraldo Alckmin

VICE-GOVERNADORCláudio Lembo

SECRETÁRIO DE ECONOMIA E PLANEJAMENTOMartus Tavares

Coordenação Técnica – FCoordenação Técnica – FCoordenação Técnica – FCoordenação Técnica – FCoordenação Técnica – Fundação Seadeundação Seadeundação Seadeundação Seadeundação SeadeAntonio B. Marangone CamargoCarlos Eugenio C. FerreiraMargareth Izumi WatanabeMaria Paula FerreiraPaulo M. JannuzziRenato Sérgio de LimaOsvaldo Guizzardi Filho

Supervisão Técnica – Secretaria de EconomiaSupervisão Técnica – Secretaria de EconomiaSupervisão Técnica – Secretaria de EconomiaSupervisão Técnica – Secretaria de EconomiaSupervisão Técnica – Secretaria de Economiae Planejamentoe Planejamentoe Planejamentoe Planejamentoe PlanejamentoMarcos José Pérez MonteiroAlberto Alves Silva de OliveiraManuela Santos Nunes do CarmoMurilo Lemos de Lemos

Page 3: Indicadores Sao Paulo

33333

Investimentos Sociais:As Conquistas do Estado de São Paulo 5Apresentação 7Desenvolvimento e Inclusão Social:os Indicadores do Estado de São Paulo 9Contexto Demográfico 9

Esperança de Vida 9Pirâmide Etária 10

Renda, Pobreza e Trabalho 12Mercado de Trabalho 15

Saúde 18Acesso aos Serviços de Saúde 18Mortalidade Infantil 19Mortalidade Materna 21AIDS: Incidência e Mortalidade 22Causas de Morte 24Freqüência de Consultas ao Dentista 25

Segurança Pública 27Mortalidade por Agressões 28Ocorrências Policiais 28

Educação 29Acesso à Escola 31Taxa de Escolarização Líquida 32Média de Anos de Estudo 32

Habitação e Saneamento 33Meio Ambiente 35Conclusão 37Glossário 38

Sumário

Page 4: Indicadores Sao Paulo

55555

O Estado de São Paulo enfrenta permanentemente o desafio de apresentar solu-

ções inovadoras para seus problemas socioeconômicos. Assim, desde 1995, o governo do

Estado de São Paulo tem procurado conciliar o equilíbrio das contas públicas com a ampli-

ação dos recursos destinados às ações de desenvolvimento e inclusão social.

A otimização dos recursos físicos, financeiros e humanos necessita de modernas

técnicas de administração e de sistemas de monitoramento e controle. Desse modo, o

acompanhamento dos fenômenos demográficos, das condições de saúde, do perfil educa-

cional e do processo de reestruturação do mercado de trabalho é de extrema importância

para a gestão. Permite ao governo desenvolver seus programas de acordo com as deman-

das sociais mais urgentes, com estratégias que persigam objetivos realistas e com focalização

nos segmentos mais vulneráveis.

Nos últimos dez anos, os investimentos sociais do governo do Estado de São

Paulo têm sido crescentes e são inegáveis os significativos avanços alcançados nas condi-

ções de vida da população.

Entre 1997 e 2005, cresceram os dispêndios nominais em todas as áreas de

atuação do governo no campo social, das quais saúde (213%), educação (92%), habitação

(95%) e segurança pública (121%) podem ser destacadas.

Decerto, os avanços sociais obtidos têm relação direta com as diversas ações do

governo estadual e com o incremento dos dispêndios verificados. Houve redução da pro-

porção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a meio salário mínimo, assim

como do desemprego. A taxa de mortalidade por agressões no Estado decresceu, entre

1999 e 2004, revertendo uma tendência que causava grande preocupação e temor da

população.

Simultaneamente, os indicadores de saúde e educação também mostraram com-

portamento positivo. Na área da saúde, as taxas de mortalidade infantil, materna e por

HIV/Aids apresentam trajetória decrescente. A proporção de indivíduos que não possuem

plano de saúde e foram atendidos na primeira vez que procuraram atendimento mostra-se

bastante elevada e semelhante para os 20% mais pobres e os 20% mais ricos da popula-

ção. Na educação, tampouco existe diferença por classe de renda da taxa de atendimento

escolar na faixa etária de 7 a 14 anos. Nas demais faixas, esse diferencial vem diminuindo,

com aumento simultâneo da taxa de atendimento. Adicionalmente, a taxa de escolarização

Investimentos Sociais: As Conquistas do Estado de São Paulo

Page 5: Indicadores Sao Paulo

66666

líquida cresceu em todos os níveis de ensino, refletindo a eficácia de vários programas

voltados à melhoria de sua qualidade.

No que diz respeito às questões de habitação e saneamento, sempre conciliadas

à preocupação do governo do Estado com a preservação do meio ambiente, melhorias

significativas podem ser observadas, como o atendimento quase universal do abastecimen-

to de água e dos serviços de esgotamento sanitário e de coleta de lixo dos domicílios

paulistas, além do aumento do porcentual de moradias consideradas adequadas.

A despeito das conquistas, os indicadores do Estado também apontam áreas que

necessitam de atenção adicional, como a distribuição de renda, que se encontra distante

de padrões igualitários. Questões como essa continuam desafiando a administração públi-

ca a criar programas consistentes, capazes de produzir melhorias permanentes para a vida

da população. Essas desigualdades devem ser superadas, de forma que uma sociedade

mais justa e com melhores condições de vida seja a base do crescimento econômico susten-

tado.

Geraldo Alckmin

Governador do Estado de São Paulo

Page 6: Indicadores Sao Paulo

77777

1. FERNANDES, M.A.C. (org.) Gasto social das três esferas de governo – 1995. Texto para Discussão n.598, Brasília, IPEA, out.1998.2. Inclusive apoio técnico-administrativo. As empresas públicas consideradas como de atuação na área social foram: Companhia de Desenvolvimento Habitacionale Urbano – CDHU (habitação); Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp e Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental –Cetesb (saneamento e meio ambiente, respectivamente); Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos– EMTU e Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô (transporte público de massa).

APRESENTAÇÃO

As políticas sociais possuem uma caracterís-

tica especial: quanto mais bem-sucedidas, maiores os

esforços necessários para manter e melhorar seus re-

sultados. Portanto, ao analisar a evolução recente de

indicadores sociais selecionados, este trabalho busca

identificar se o expressivo aumento dos gastos sociais

do governo do Estado, desde 1997, tem se refletido

na melhoria da maior parte dos indicadores de bem-

estar social.

É evidente que não se pode explicar

diretamente a trajetória desses indicadores a partir

apenas dos esforços do governo estadual. Diferentes

entes públicos e privados atuam nesse campo, o que

torna praticamente impossível delimitar o papel de cada

um. Considere-se também que progressos numa de-

terminada área provocam, muitas vezes, repercussões

em outras – a exemplo dos efeitos do aumento da

escolaridade sobre os indicadores de saúde. Ou seja,

os impactos de intervenções nas diversas áreas do cam-

po social se inter-relacionam e se complementam, de

forma que metodologias específicas tornam-se neces-

sárias para avaliá-las de forma independente.

Busca-se aqui mostrar que o governo

paulista tem direcionado importantes recursos finan-

ceiros, materiais e humanos na superação dos proble-

mas sociais que ainda persistem em nosso Estado, con-

tribuindo para a construção de uma sociedade mais

justa e solidária. Uma possível medida desses esforços

reside no volume de recursos destinados ao campo

social. Para o presente estudo, adotou-se a definição

de gastos sociais proposta em trabalho do IPEA1 , salvo

pela inclusão da área de segurança pública. Esta foi

incorporada pela sua essencialidade em assegurar con-

dições de vida adequadas à população.

Os dados utilizados para medir os dispêndios

estaduais referem-se às despesas liquidadas do balan-

ço consolidado do governo do Estado, que contempla

as administrações direta e indireta. Dessas despesas

foram excluídas as sentenças judiciais, os juros e amor-

tizações da dívida pública, as transferências constituci-

onais e os repasses para as empresas públicas,

excetuados os relativos a inativos. Adicionaram-se os

gastos com custeio e investimento das empresas pú-

blicas2 colhidos de seus balanços.

Entre 1997 e 2005, enquanto os dispêndios

do governo estadual dirigidos a programas sociais pra-

ticamente dobraram, em termos nominais, os dirigi-

dos a outros fins cresceram apenas 19%. Com isso, a

proporção dos gastos sociais no total dos dispêndios

públicos estaduais, que correspondia a cerca de 47%,

em 1997, atingiu patamar de 65%, no final de 2005

(Gráfico 1). Tais informações demonstram que o rígido

controle fiscal, mantido pelo governo há anos, não tem

prejudicado os programas sociais. Pelo contrário, con-

tribuiu para que quantias maiores de recursos fossem

destinadas a ações de desenvolvimento e inclusão so-

cial. Isso foi possível porque o governo do Estado de

São Paulo trabalhou intensamente para o progresso

Page 7: Indicadores Sao Paulo

88888

nas áreas econômica, social e de gestão pública, as quais

compõem as condições básicas do desenvolvimento

socioeconômico consistente.

O presente trabalho apresenta as seguintes

seções: contexto demográfico; renda, pobreza e

trabalho; saúde; segurança pública; educação;

habitação e saneamento e meio ambiente, contem-

plando os respectivos indicadores. Estes foram

selecionados com o objetivo de sintetizar um conjunto

que reflita diferentes aspectos de cada área,

possibilitando a ampla avaliação da sua situação. As

fontes utilizadas são os bancos de dados da Fundação

Seade e os microdados da Pesquisa Nacional por

Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, além de bases

de dados de Ministérios e Secretarias de Estado.

A trajetória dos indicadores é, em geral, ava-

liada no período 1993-2004. Para o ano mais recente,

fez-se a análise comparativa do Estado em relação ao

conjunto do país, de forma a considerar a dependên-

cia e a inserção socioeconômica paulista na conjuntu-

ra nacional. Em alguns grupos de indicadores, foram

apreciados os diferenciais entre classes de rendimento

e faixas etárias. Em simultâneo, tais indicadores foram

confrontados com os dispêndios destinados pelo go-

verno estadual às ações e aos programas específicos

dessas áreas.

Essas informações permitem aos cidadãos ava-

liar em que medida os investimentos crescentes nos pro-

gramas e ações sociais estão atendendo a suas necessi-

dades. Constituem, ainda, uma ferramenta que auxilia

a atuação do governo estadual, permitindo adequá-la

às dinâmicas demandas sociais da população.

Por fim, nunca é demais ressaltar o papel

fundamental da transparência na condução das políti-

cas sociais para garantir sua eficácia e efetividade, bem

como a participação da população na fiscalização e no

controle das ações do governo.

Dessa forma, com o objetivo de prestar con-

tas à população, este trabalho, elaborado pela Secreta-

ria de Economia e Planejamento em parceria com a Fun-

dação Seade, torna público um conjunto de indicado-

res. Eles buscam captar em que medida os esforços do

governo estadual no campo social refletiram-se nas con-

dições de vida da população no período recente. Espe-

ra-se assim contribuir para a interação essencial entre

governo e sociedade na avaliação dos avanços e dos

esforços direcionados ao desenvolvimento social paulista.

Martus Tavares

Secretário de Estado de Economia e Planejamento

Gráfico 1Gráfico 1Gráfico 1Gráfico 1Gráfico 1Índice Nominal dos Gastos Sociais e Não-Sociaisdo Governo EstadualEstado de São Paulo1997-2005

Fonte: Fundação Seade. Dados básicos: Secretaria de Economia ePlanejamento.

0,0

50,0

100,0

150,0

200,0

250,0

1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Sociais Não-Sociais

Base: 1997 = 100

Page 8: Indicadores Sao Paulo

99999

DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL:OS INDICADORES DO ESTADO DE SÃO PAULO

O trabalho ora apresentado mostra a evo-

lução recente dos principais indicadores sociais do

Estado de São Paulo. As séries analisadas, em geral,

cobrem o período 1993-2004. Quando não foi pos-

sível fazê-lo, trabalhou-se com os dados mais recen-

tes disponíveis. Procurou-se, sempre que as informa-

ções permitiram, comparar a situação paulista com

a nacional no ano mais recente. Para os indicadores

associados a programas sociais de caráter universal,

como os de saúde e educação, foram consideradas

as classes de rendimento.

Na maioria dos casos, buscou-se confron-

tar os indicadores sociais com os dispêndios e alguns

indicadores de resultados de programas e ações es-

pecíficos de cada área, que foram brevemente des-

critos. Compõe-se de seções temáticas – contexto

demográfico; renda, pobreza e trabalho; saúde; se-

gurança pública; educação; habitação e saneamen-

to; e meio ambiente – que buscam traçar um perfil

da situação em cada uma delas. As informações uti-

lizadas originam-se dos bancos de dados da Funda-

ção Seade e da Pesquisa Nacional por Amostra de

Domicílios (PNAD) do IBGE, além das produzidas por

Ministérios e Secretarias de Estado.

CONTEXTO DEMOGRÁFICO

Os novos perfis etários da populaçãopaulista e brasileira relacionam-se diretamente coma queda da fecundidade e o aumento da longevidade.

Tais tendências alimentam um processo de envelhe-cimento populacional que resultará, nos próximosanos, em uma composição etária de predominâncianitidamente adulta. O acompanhamento desses fe-nômenos demográficos é decisivo não apenas paraavaliar o impacto de políticas e programas jáimplementados, mas também, e, principalmente,para que o poder público possa se antecipar a no-vas demandas sociais deles decorrentes.

ESPERANÇA DE VIDAA longevidade dos indivíduos de uma co-

munidade resulta de uma cadeia de fatores iniciadano acesso a serviços de saúde de qualidade, masque abrange muitos outros, como nível educacio-nal, rendimento familiar, exposição à violência, con-dições ambientais e de saneamento dos locais deresidência e trabalho, hábitos alimentares e de con-sumo de tabaco, álcool e drogas. Assim, a evoluçãopositiva desse indicador sinaliza a melhoria das con-dições de vida da população paulista.

Em São Paulo, em 2004, a esperança devida ao nascer correspondia a 73,1 anos, quase umano e meio a mais que a registrada para o Brasil(71,7 anos). Entre as mulheres, a expectativa de vidaera de 77,2 anos; entre os homens, de 69,1 anos(Gráfico 2).

De 1993 a 2004, a esperança de vida noEstado aumentou em 3,8 anos. Para as mulheres, oacréscimo foi de 3,4 anos; para os homens, de 3,9anos. Em 2004, a diferença entre os sexos era de

8,1 anos a favor das mulheres (Gráfico 3).

Page 9: Indicadores Sao Paulo

1010101010

PIRÂMIDE ETÁRIA

Em ritmos diferenciados, as tendências de

queda da fecundidade e de aumento da longevidade

estão presentes em todas as unidades da federa-

ção. Quando se comparam as pirâmides etárias do

Estado com a brasileira, verifica-se que a base da

última é mais larga que a da paulista, revelando que

aquelas tendências foram mais intensas em São Paulo

que na média nacional. Além disso, a proporção da

população paulista acima de 60 anos supera a

registrada para o total da população brasileira, tan-

to entre os homens quanto entre as mulheres. Ou

seja, a população paulista encontra-se em etapa mais

avançada de envelhecimento que o conjunto do país.

A pirâmide paulista de 2004, comparada

com a de 1993, mostra expressivo estreitamento de

sua base e aumento da participação dos grupos

etários juvenil e adulto. A esperada para 2020,

construída a partir da projeção da população do Es-

tado de São Paulo elaborada pela Fundação Seade,

indica que sua base será ainda mais estreita no futu-

ro. Portanto, as participações dos segmentos adulto

e idoso no total da população serão ainda maiores

que as atuais, confirmando a inexorável tendência

de envelhecimento populacional (Gráfico 4).

Tais mudanças devem-se não só a fenô-

menos sociais e comportamentais e a avanços no

campo científico e tecnológico, mas também ao es-

forço público para aumentar o acesso à informação

e aos meios para o planejamento familiar, além da

melhor qualidade de serviços de saneamento e de

Gráfico 3Gráfico 3Gráfico 3Gráfico 3Gráfico 3Esperança de Vida ao Nascer, por SexoEstado de São Paulo1993-04

Fonte: Fundação Seade.

58

60

62

64

66

68

70

72

74

76

78

Esperança de Vida ao Nascer(em anos)

1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Homens Mulheres Total

Gráfico 2Gráfico 2Gráfico 2Gráfico 2Gráfico 2Esperança de Vida ao Nascer, por SexoBrasil e Estado de São Paulo2004

Fonte:Fonte:Fonte:Fonte:Fonte: IBGE (projeções demográficas preliminares); Fundação Seade.

73,1

71,7

69,1

67,9

75,5

77,2

62

64

66

68

70

72

74

76

78

Brasil Estado de São Paulo

Esperança de Vida ao Nascer (em anos) Total Homens Mulheres

Page 10: Indicadores Sao Paulo

1111111111

saúde. Sintetizados no Gráfico 4, os efeitos desses

fenômenos sugerem a necessidade de acelerar a im-

plantação de um padrão de oferta de serviços públi-

cos mais adequado ao perfil etário da população

paulista.

0,001,002,003,004,005,006,00

00 a 04

10 a 14

20 a 24

30 a 34

40 a 44

50 a 54

60 a 64

70 a 74

%0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00

%

32.629.867 Hab.

0,001,002,003,004,005,006,00

00 a 04

10 a 14

20 a 24

30 a 34

40 a 44

50 a 54

60 a 64

70 a 74

%0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00

%

39.326.776 Hab.

0,001,002,003,004,005,006,00

00 a 04

10 a 14

20 a 24

30 a 34

40 a 44

50 a 54

60 a 64

70 a 74

%0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00

%

47.220.009 Hab.

Homens

Homens

Homens

Mulheres

Mulheres

Mulheres

1993

2004

2020

Gráfico 4Gráfico 4Gráfico 4Gráfico 4Gráfico 4Pirâmide Etária, por SexoEstado de São Paulo1993-2020

Entre 1993 e 2004, é visível o aumento da

presença da população juvenil, em especial entre 15

e 24 anos de idade. Não por acaso o governo do

Estado de São Paulo instituiu, em 2001, a Secretaria

da Juventude, Esporte e Lazer, com o objetivo de

Fonte: Fundação Seade.

Page 11: Indicadores Sao Paulo

1212121212

implementar políticas públicas dirigidas especialmen-

te à juventude. Outras Secretarias também têm de-

senvolvido programas focalizados ou com ampla

penetração nesse segmento populacional, visando

ampliar seu acesso à educação, ao lazer, aos bens

culturais, ao mercado de trabalho e às novas

tecnologias de informação e comunicação. São os

casos, por exemplo, dos programas Ação Jovem,

Escola da Família, Projeto Guri, Fábricas de Cultura,

Jovem Cidadão – Meu Primeiro Trabalho e Acessa

São Paulo. Apenas para eles, o governo paulista

direcionou valores que se aproximam de R$ 500 mi-

lhões, entre 2002 e 2005.

Decerto, parte expressiva dos programas

educacionais, mesmo que universais, dirigem-se pre-

ferencialmente à população jovem, como os de

Melhoria e Expansão do Ensino Médio, Ensino Pú-

blico Técnico, Ensino Público Tecnológico e Ensino

Público Superior, para mencionar apenas os mais

importantes. O montante de recursos a eles desti-

nados, entre 2002 e 2005, aproxima-se dos R$ 18

bilhões.3

O mesmo Gráfico 4 mostra que, nas pró-

ximas décadas, aumentará sensivelmente a propor-

ção de pessoas nas faixas etárias adulta e idosa, o

que requererá a ampliação da oferta de serviços

públicos dirigidos a esses segmentos populacionais.

Saliente-se que, desde 2001, o governo

paulista está atento a essas novas demandas sociais.

Naquele ano, criou o Centro de Referência ao Idoso

(CRI), aberto a qualquer pessoa com mais de 60 anos.

Seu objetivo é, de uma só vez, proporcionar às pes-

soas da terceira idade acesso a serviços de saúde e

ampliação de seu convívio social. Assim, num mes-

mo local, o CRI oferece serviços gratuitos de atendi-

mento à saúde, ouvidoria, orientação sobre direitos

dos idosos, assistência social e apoio familiar. Conta

ainda com um espaço de convivência, com salas e

atividades de lazer e três ateliês para atividades cul-

turais, um Infocentro com 11 microcomputadores

ligados à Internet, sala de leitura, auditório com 300

lugares, oficinas e lanchonete. Em 2005, foi inau-

gurada uma nova unidade do CRI na Zona Norte da

Capital (MandaCRI), com atendimento médico e ofi-

cinas culturais e de lazer. Somente em 2004, o CRI

realizou 242 mil atendimentos, dos quais 172 mil

na área médica. O atendimento vem crescendo ano

a ano: passou de 198 mil, em 2002, para 222 mil,

em 2003. Desses, respectivamente, 127,5 mil e 146

mil foram na área da saúde.

RENDA, POBREZA E TRABALHO

A renda domiciliar per capita média no

Estado de São Paulo, em 2004, correspondia a

R$ 590, enquanto a brasileira equivalia a R$ 459.

Após um período de importantes ganhos reais, em

especial nos quatro anos seguintes à implementação

do Plano Real, esse indicador, referido ao Brasil ou3. Inclusive apoio técnico-administrativo.

Page 12: Indicadores Sao Paulo

1313131313

ao Estado de São Paulo, reduziu-se para um pata-

mar mais baixo entre 1999 e 2002 e diminuiu ainda

mais em 2003 e 2004, quando atingiu os valores

acima mencionados. Ainda assim, para os dois cor-

tes geográficos, o atual patamar, em termos reais,

supera em cerca de 20% o registrado em 1993 (Grá-

fico 5).

co 6). As dificuldades de se alterar esse padrão são

conhecidas e podem ser parcialmente avaliadas ob-

servando-se que, ao longo do período de 1993 a

2004, quando tantas mudanças ocorreram no Brasil

e em São Paulo, a parcela da renda apropriada pela

metade mais pobre da população paulista manteve-

se praticamente estacionada em torno dos 15,5%.

Gráfico 5Gráfico 5Gráfico 5Gráfico 5Gráfico 5Renda Domiciliar Per Capita Média (1)Brasil e Estado de São Paulo1993-2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.(1) Em reais de setembro de 2003, corrigidos pelo INPC.

506

692 696 700 698654 657 665

603 590

366

485 488 489 496 469 479 481450 459

0

100

200

300

400

500

600

700

800

1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004

Anos

Renda Domiciliar Per Capita Média (1)

Estado de São Paulo Brasil

Gráfico 6Gráfico 6Gráfico 6Gráfico 6Gráfico 6Porcentual da Renda Apropriada pelos 50% MaisPobres, 40% Seguintes e 10% Mais RicosBrasil (1) e Estado de São Paulo2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

16,5

42,541,0

13,9

40,8

45,3

0

5

10

15

20

25

30

35

40

45

50

50% Mais Pobres 10% Mais Ricos

Porcentual da Renda Apropriada

Estado de São Paulo Brasil

Aqueles que se situam entre os50% Mais Pobres e os

10% Mais Ricos

Porém, mais preocupante que o nível mé-

dio de renda é sua distribuição. Em São Paulo, pode-

se observar uma distribuição de renda um pouco

menos concentrada que no conjunto do país, mes-

mo assim ainda é longo o percurso necessário para

atingir padrões distributivos mais igualitários (Gráfi-

Apesar disso, algum progresso foi obtido

na redução dos níveis de pobreza absoluta: em 1993,

a parcela da população paulista com renda domici-

liar per capita inferior a meio salário mínimo era de

17,5%, contra 11,7%, em 2004. Aquela com ren-

da familiar per capita inferior a um quarto do salário

Page 13: Indicadores Sao Paulo

1414141414

mínimo passou de 4,2%, em 1993, para 2,7%, em

2004. O Gráfico 7 sugere os percalços enfrentados

para o alcance de tais resultados e a nítida correla-

ção desses indicadores com a conjuntura econômica

nacional. Ou seja, em anos em que a economia na-

cional mostra-se pouco dinâmica, como em 2003,

os níveis de pobreza se elevam e ocorre o contrário

quando melhora o desempenho da economia, como

em 2004.

Verifica-se, ainda, que a situação paulista

é menos grave quando comparada à média nacio-

nal (Gráfico 8). De fato, se tomado o corte de meio

salário mínimo para a renda familiar per capita como

linha de pobreza e um quarto do salário mínimo

como linha de indigência, encontram-se nessas con-

dições, porcentuais menores no Estado do que no

país.

Gráfico 7Gráfico 7Gráfico 7Gráfico 7Gráfico 7Proporção da População com Renda Domiciliar PerCapita Menor que Meio e Um Quarto do SalárioMínimo (1)Estado de São Paulo1993-2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.(1) Proporção da população que tem renda mensal domiciliar per capita me-nor que meio ou um quarto do salário mínimo, excluindo domicílios comrenda mensal domiciliar per capita igual a zero. O rendimento domiciliar ex-clui o rendimento dos menores de 10 anos e dos agregados, pensionistas,empregados domésticos e parentes de empregado doméstico. O salário mí-nimo utilizado foi o de setembro de 1992, que equivalia a Cr$ 522.186,94,sendo este valor corrigido pelo INPC para os anos processados.

17,5

8,7 8,8 8,7 9,110,4 10,8 11,4

13,311,7

4,2

2,0 1,7 1,7 1,9 2,1 2,7 2,33,2 2,7

0

2

4

6

8

10

12

14

16

18

20

1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004Anos

% Menor que Meio Salário Mínimo Menor que Um Quarto do Salário Mínimo

Gráfico 8Gráfico 8Gráfico 8Gráfico 8Gráfico 8Proporção da População com Renda DomiciliarPer Capita Menor que Meio ou Um Quarto doSalário Mínimo (1)Brasil (2) e Estado de São Paulo2004

Fonte:Fonte:Fonte:Fonte:Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.(1) Proporção da população que tem renda mensal domiciliar per capita me-nor que meio ou um quarto do salário mínimo, excluindo domicílios comrenda mensal domiciliar per capita igual a zero. O rendimento domiciliar ex-clui o rendimento dos menores de 10 anos e dos agregados, pensionistas,empregados domésticos e parentes de empregado doméstico. O salário mí-nimo utilizado foi o de setembro de 1992, que equivalia a Cr$ 522.186,94,sendo este valor corrigido pelo INPC para os anos processados.

2,7

11,7

26,6

9,1

0

5

10

15

20

25

30

Menor que Meio Salário Mínimo Menor que Um Quarto do Salário Mínimo

% Estado de São Paulo Brasil

Page 14: Indicadores Sao Paulo

1515151515

Evidentemente, são limitadas as possibili-

dades de uma intervenção direta do poder público

estadual ou municipal para superar os problemas

distributivos e para reduzir os níveis de pobreza e de

indigência, não só por serem problemas estruturais

com profundas raízes históricas, como também por

sua dependência do comportamento macroeconô-

mico do país e de seus reflexos no mercado de

trabalho.

MERCADO DE TRABALHO

Observando alguns indicadores sobre o

mercado de trabalho paulista, embora a taxa global

de atividade tenha se mantido praticamente constan-

te (em torno de 60% da População em Idade Ativa,

conforme o Gráfico 11), no período em análise, sua

composição tem se alterado de forma expressiva.

Decresce a presença no mercado de trabalho paulista

de crianças e adolescentes, bem como de pessoas

com 60 anos de idade ou mais, e amplia-se a parti-

cipação de jovens e adultos (Gráfico 9).

Esses movimentos tornaram a composição

da população economicamente ativa paulista distinta

da brasileira. O Gráfico 10 mostra que a presença

no mercado de trabalho de crianças e adolescentes,

bem como de pessoas nas faixas etárias superiores,

é maior no conjunto do país do que no Estado de

São Paulo. A explicação para essas diferenças não é

simples, pois vários elementos concorrem para a in-

serção produtiva dos diferentes segmentos popula-

cionais. No caso de crianças e adolescentes, a políti-

Gráfico 9Gráfico 9Gráfico 9Gráfico 9Gráfico 9Taxa de Atividade da População de 10 Anos eMais, segundo Faixa EtáriaEstado de São Paulo1993-2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004

Taxa de Atividade (%)

População de 10 Anos ou Mais 10 a 17 Anos 18 a 24 Anos

25 a 39 Anos

40 a 59 Anos 60 Anos e Mais

Gráfico 10Gráfico 10Gráfico 10Gráfico 10Gráfico 10Taxa de Atividade da População de 10 Anos ouMais, segundo Faixa EtáriaBrasil e Estado de São Paulo2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

População de 10Anos ou Mais

10 a 17 Anos 18 a 24 Anos 25 a 39 Anos 40 a 59 Anos 60 Anos e Mais

Taxa de Atividade (%)Estado de São Paulo Brasil

Page 15: Indicadores Sao Paulo

1616161616

ca de combate ao trabalho infantil e a maior valori-

zação da educação pela sociedade, por empresas e

pelo governo são elementos importantes para expli-

car seu comportamento. No caso do segmento mais

idoso, o acesso aos benefícios previdenciários deve

ter concorrido para sua menor permanência no mer-

cado de trabalho, sobretudo em São Paulo.

Em contraste, também se pode admitir que

esses movimentos reflitam dificuldades de inserção

produtiva específicas desses segmentos popula-

cionais, em razão das exigências de contratação (de

escolaridade e de qualificação profissional, por exem-

plo) por parte dos empregadores, que devem ter se

ampliado diante do processo de reestruturação pro-

dutiva por que passou a economia paulista na últi-

ma década. Atento a essa possibilidade, o governo

paulista tem implementado uma série de programas

com vistas a ampliar as chances de inserção produ-

tiva de segmentos sociais mais vulneráveis, como os

jovens (Jovem Cidadão – Meu Primeiro Trabalho) ou

as pessoas que requerem novas qualificações pro-

fissionais (Aprendendo a Aprender).

A taxa de desemprego aberto é outro in-

dicador que diferencia São Paulo do conjunto do

país, como demonstra o fato de esse percentual, em

2004, corresponder a 11,3% da População Econo-

micamente Ativa, em nosso Estado, em relação a

8,9% na média nacional. Sua evolução entre 1993

e 2004 mostra que, depois de diminuir de patamar,

após 1999, elevou-se até 2003, voltando a se redu-

zir em 2004 (Gráfico 11).

A dimensão da taxa de desemprego aber-

to em São Paulo tem sido explicada pelo fato de o

processo de reestruturação produtiva, iniciado nos

anos 90, ter atingido particularmente o setor indus-

trial e o segmento mais moderno das atividades

terciárias, como as bancárias e financeiras, muito

concentrados no território paulista. Ademais, a gran-

de integração da estrutura econômica de São Paulo

com a economia brasileira torna-a fortemente de-

pendente da dinâmica macroeconômica nacional.

Outro elemento relevante para essa expli-

cação encontra-se no fato de seu mercado de tra-

balho ser mais estruturado que o do conjunto do

Gráfico 11Gráfico 11Gráfico 11Gráfico 11Gráfico 11Taxa de Desemprego e de Atividade da Populaçãode 10 Anos ou MaisEstado de São Paulo1993-2004

0

3

6

9

12

15

1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004

Taxa

de D

esem

preg

o Abe

rto (%

)

50

53

56

59

62

65

Taxa

de A

tivida

de (%

)

Taxa de Desemprego Aberto Taxa de Atividade da População de 10 Anos ou Mais

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

Page 16: Indicadores Sao Paulo

1717171717

país e, portanto, relativamente menos permeável a

formas precárias de inserção econômica. Em outras

palavras, um mercado de trabalho mais bem estru-

turado, com maiores exigências de contratação e

maior regulação sobre ocupações alternativas, ten-

de a dificultar a inserção daqueles que querem tra-

balhar, implicando o aumento do contingente de

desocupados. Um possível indicador dessa caracte-

rística é a proporção de ocupados que contribuem

para a Previdência: enquanto em São Paulo esse

percentual era de 63,1%, em 2004, na média nacio-

nal não passava de 46,5%.

Como indicam as informações apresen-

tadas, o combate ao desemprego, à pobreza e à

desigualdade é uma tarefa de difícil execução, sobre-

tudo devido a sua forte relação com a dinâmica

macroeconômica do país. A Secretaria de Emprego

e Relações do Trabalho tem se empenhado para

oferecer diversos serviços em auxílio à parcela mais

vulnerável da população, como por exemplo:

intermediação de mão-de-obra; concessão de mi-

crocrédito; orientação trabalhista e profissional;

qualificação e requalificação profissional, entre eles

o Programa Nacional de Qualificação, realizado em

convênio com o governo federal, por meio do

Ministério do Trabalho e Emprego, entre outros.

Mencione-se, a propósito, que o número de Postos

de Atendimento ao Trabalhador – PATs informa-

tizados aumentou de 7 para 202, entre 1995 e 2004.

Nesse campo, também foram implemen-

tados programas mais focalizados e compensatórios,

como Jovem Cidadão – Meu Primeiro Trabalho, Apoio

à Pessoa Portadora de Deficiência (desde 1995, aten-

deu a 15.532 candidatos, dos quais 1.974, em 2003,

em comparação a 420, em 1995), Frentes de Traba-

lho (atualmente, com 22.598 participantes, sendo

que, desde 1999 até hoje, já participaram 261.538

bolsistas), para os quais o governo paulista direcionou

mais de R$ 580 milhões, entre 2002 e 2005.

Ao lado desses esforços, o governo do

Estado de São Paulo tem atuado no campo econô-

mico, sobretudo por meio de sua política tributária,

com vistas a desonerar os custos dos produtos bási-

cos para o consumo da população, incentivar e con-

correr para a formalização de pequenas e microem-

presas e tornar mais competitiva a economia paulista,

contribuindo assim para maior geração de renda e

emprego. Tais medidas compõem o programa São

Paulo Competitivo, lançado em setembro de 2004

(primeira primavera tributária) e aprimorado em se-

tembro último, marcando o início da segunda pri-

mavera tributária.

Como se verá nas seções subseqüentes

deste documento, os avanços obtidos no campo

social têm sido notáveis, em especial por terem ocor-

rido ao longo de um período de baixo dinamismo

econômico e de fortes movimentos de reestruturação

da base produtiva paulista, inclusive do padrão de

localização das atividades econômicas, que atingi-

ram sobremaneira a Região Metropolitana de São

Paulo.

Page 17: Indicadores Sao Paulo

1818181818

SAÚDE

Com a implementação do Sistema Único

de Saúde (SUS) e o movimento de descentralização

desses serviços, em que os municípios passam a ser

responsáveis pela garantia do primeiro nível de aten-

ção à saúde dos cidadãos – vacinação, consultas

médicas básicas em pediatria, ginecologia e pré-na-

tal – e pela garantia de universalidade no acesso,

cabe ao gestor estadual o papel de avaliar e acom-

panhar essas atividades, visando a melhoria da qua-

lidade e da resolubilidade da assistência primária

desenvolvida pela esfera municipal.

Em termos de prestação de serviços, a

atuação da Secretaria de Estado da Saúde concen-

tra-se nos recursos regionais e de alto custo, que

são referência para todos os municípios. Importante

papel cumpre o governo estadual no processo de

regionalização das ações de saúde e na garantia da

eqüidade entre municípios e regiões do Estado. En-

tre 1997 e 2005, os recursos orçamentários desti-

nados à função Saúde ampliaram-se, em termos no-

minais, em mais de 213%.

Os indicadores a seguir dão a dimensão

do segmento populacional que busca o atendimen-

to desse sistema e alguns dos resultados reveladores

dos avanços obtidos nas condições de saúde da po-

pulação paulista.

ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE

A maioria da população paulista (62%) e

brasileira (76%) não possui planos de saúde. Por-

tanto, depende integralmente do SUS para ter aces-

so aos serviços de saúde. Ao se dividir a população

paulista e brasileira em cinco segmentos iguais or-

denados segundo o nível de renda familiar, nota-

se que a quase totalidade dos segmentos mais po-

bres depende exclusivamente desse sistema.

O Gráfico 12 demonstra essa dependên-

cia com maior precisão: 92% do quinto mais pobre

da população paulista (e 98% da brasileira) depen-

dem exclusivamente do SUS. No quinto seguinte,

tais proporções correspondem a 81% e 93%, res-

92

81

67

49

23

36

6270

83

9398

76

0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

100

Total 1º 2º 3º 4º 5º

Quintis de Renda

Em %

São Paulo Brasil

Gráfico 12Gráfico 12Gráfico 12Gráfico 12Gráfico 12Proporção da População que Não Possui Plano deSaúde, segundo Quintil de Renda FamiliarBrasil e Estado de São Paulo2003

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.Suplemento Saúde.

Page 18: Indicadores Sao Paulo

1919191919

pectivamente. Mesmo no quarto quinto, dependem

do SUS cerca da metade desse segmento, no caso

paulista, e 70%, no caso brasileiro. Apenas para os

20% mais ricos, em São Paulo e no Brasil, a popula-

ção que dispõe de planos de saúde é claramente

majoritária. Enquanto, praticamente a totalidade da

população pertencente ao primeiro quintil de ren-

da, ou seja, os 20% mais pobres são dependentes

do SUS – 92% para São Paulo e 98% para o Brasil –

entre os 20% mais ricos essas proporções são res-

pectivamente 23% e 36%.

Não se pode deixar de considerar que, com

freqüência, os procedimentos médicos e laboratoriais

mais complexos e mais dispendiosos são excluídos

da cobertura desses planos, o que equivale dizer que

a parcela da população atendida pelo SUS deve ser

ainda maior do que revelam as porcentagens men-

cionadas anteriormente.

Mesmo com tamanha dimensão da clien-

tela potencial do SUS, quando se analisa a popula-

ção que procurou atendimento nesse sistema, cons-

tata-se que quase todas as pessoas foram atendidas

na primeira vez que o procuraram, tanto no Estado

de São Paulo (96%) quanto no Brasil (95%). Tam-

bém se verifica que não há diferenças significativas

no atendimento do SUS para os diferentes níveis de

renda da população que o procura, o que demons-

tra o caráter universal e impessoal do sistema públi-

co de saúde (Gráfico 13).

40

50

60

70

80

90

100

Total 1º 2º 3º 4º 5º

Quintis de Renda

Em %

São Paulo Brasil

Gráfico 13Gráfico 13Gráfico 13Gráfico 13Gráfico 13Proporção dos Indivíduos que Não Possuem Planode Saúde e Foram Atendidos na Primeira Vez queProcuraram Atendimento de Saúde no SUS nas DuasSemanas Anteriores à Pesquisa, segundo Quintil deRenda FamiliarBrasil e Estado de São Paulo2003

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.Nota:Nota:Nota:Nota:Nota: Os atendimentos incluem aqueles previamente agendados e os deurgência e emergência.

MORTALIDADE INFANTIL

Em comparação à média nacional (26,6

por mil nascidos vivos), a taxa de mortalidade infan-

til paulista (14,2 por mil) é baixa e correspondia a

pouco mais da metade da primeira, em 2004 (Gráfi-

co 14). Seu atual patamar é fruto de anos de esfor-

ços públicos nas áreas da saúde e do saneamento.

No Estado de São Paulo, a tendência his-

tórica desse indicador tem sido de queda acentuada

Page 19: Indicadores Sao Paulo

2020202020

e contínua, passando de 50,9 óbitos por mil nasci-dos vivos em 1980, para 31,2 em 1990, e chegandoa 14,2 mortes por mil nascidos vivos, em 2004. Essedeclínio deveu-se principalmente à redução da mor-talidade pós-neonatal – óbitos ocorridos entre o 28ºdia de vida e o momento em que a criança comple-ta um ano –, associada a políticas e serviços ligadosà imunização e à melhoria das condições ambientais,como o saneamento básico.

O decréscimo da mortalidade infantil en-tre 1993 e 2004, no Estado, foi de 46%. Na RegiãoMetropolitana de São Paulo, foi ainda mais intenso(quase 50%), passando de 28,4 para 14,4 mortes

por mil nascidos vivos (Gráfico 15).

Diversos fatores contribuíram para essa

trajetória, como a expansão dos serviços básicos deatenção materno-infantil, o acesso a novas tecno-

logias e medicamentos, a expansão do saneamentobásico e o aumento da cobertura vacinal. A adoçãoda estratégia de saúde da família também desem-

penhou papel importante nesse cenário. Recorde-se que o Estado implantou o Programa de Saúde daFamília, em 1996, com 218 equipes, número que

chegou a 2.354, em 2004, com cobertura de cercade oito milhões de pessoas.

Para manter a tendência declinante desse

indicador nos próximos anos, é necessário ampliar

Gráfico 14Gráfico 14Gráfico 14Gráfico 14Gráfico 14Taxas de Mortalidade InfantilBrasil e Estado de São Paulo2004

26,6

14,2

0,0

5,0

10,0

15,0

20,0

25,0

30,0

35,0

Brasil Estado de São Paulo

Mortalidade (em mil nascidos vivos)

Fonte: IBGE; Fundação Seade.

Gráfico 15Gráfico 15Gráfico 15Gráfico 15Gráfico 15Taxas de Mortalidade InfantilEstado de São Paulo e Região Metropolitana deSão Paulo1990-2004

0

5

10

15

20

25

30

Mortalidade (em mil nascidos vivos)

1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Estado RMSP

Fonte: Fundação Seade.

Page 20: Indicadores Sao Paulo

2121212121

ainda mais os esforços no campo da saúde mater-

no-infantil. Isso porque, hoje, a mortalidade infantil

em nosso Estado não reflete mais a incidência de

doenças infecciosas ou problemas nutricionais. Con-

centra-se nos primeiros dias de vida das crianças,

quando as condições da gestação, do parto e dos

cuidados pós-parto são decisivas e exigem ações

muito mais complexas. Os programas de Saúde da

Família e de Saúde da Mulher são, assim, de extre-

ma relevância.

MORTALIDADE MATERNA

A taxa de mortalidade materna estimada

para o Brasil, em 2002 (último dado disponível para

o conjunto do país), foi de 73,1 óbitos por 100 mil

nascidos vivos. Apesar de o Estado de São Paulo

registrar quase a metade da taxa nacional, seu valor

(35,0 óbitos, naquele ano) ainda é considerado ele-

vado (Gráfico 16).

Em 2004, a taxa de mortalidade materna

no Estado de São Paulo correspondeu a 31,4 óbitos

por 100 mil nascidos vivos, pouco superior à

registrada na Região Metropolitana (29,7 óbitos). O

Gráfico 17 mostra a tendência declinante desse

indicador entre 1993 e 2004, que, a despeito de

algumas flutuações, acumulou reduções de 33% no

conjunto do Estado e de 40% na Região Metro-

politana.

O principal programa estadual dirigido a

esse tema é o de Saúde da Mulher. Seu foco é a

redução da mortalidade materna, além de procurar

39,2

73,1

0

10

20

30

40

50

60

70

80

Brasil Estado de São Paulo

Mortalidade Materna (em 100 mil nascidos vivos)

Gráfico 16Gráfico 16Gráfico 16Gráfico 16Gráfico 16Taxas de Mortalidade MaternaBrasil e Estado de São Paulo2002

Fonte: Ministério da Saúde; Fundação Seade.

Fonte: Fundação Seade.

Gráfico 17Gráfico 17Gráfico 17Gráfico 17Gráfico 17Taxas de Mortalidade MaternaEstado de São Paulo e Região Metropolitana deSão Paulo1993-2004

0

10

20

30

40

50

60

1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Taxa de Mortalidade Materna (em mil nascidos vivos)

Estado de São Paulo RM de São Paulo

Page 21: Indicadores Sao Paulo

2222222222

diminuir a incidência de cesárea, do baixo peso ao

nascer, da mortalidade neonatal precoce e da sífilis

congênita. A implantação dos Comitês de Mortali-

dade Materna tem contribuído para o sucesso do

programa, melhorando a qualidade dos serviços

prestados à mulher, mediante avaliação permanen-

te das ações empreendidas.

Os decréscimos das taxas de mortalidade

infantil e materna estão diretamente relacionados

ao acompanhamento da saúde da gestante. A as-

sistência pré-natal é um fator importante para essa

redução, uma vez que muitas patologias relaciona-

das à gravidez e ao período imediatamente após o

parto podem ser tratadas ou controladas, evitando

complicações à saúde da mãe e da criança. No Esta-

do de São Paulo, o atendimento às mulheres por

meio de consulta pré-natal tem crescido de forma

substantiva: a proporção de gestantes que realiza-

ram mais de seis dessas consultas evoluiu de 61,1%

para 72,6%, entre 1997 e 2004 (Gráfico 18).

AIDS: INCIDÊNCIA E MORTALIDADE

Foram grandes os esforços que o Estado e

a sociedade empreenderam para controlar a epide-

mia de Aids e melhorar as condições de vida de seus

portadores. Em 2004, a taxa nacional de incidência

dessa doença alcançou 17,2 casos por 100 mil habi-

tantes, enquanto em São Paulo foi de 22,2 casos

por 100 mil habitantes.

O pior momento da epidemia no Brasil e

no Estado de São Paulo ocorreu em 1998. A partir

0

10

20

30

40

50

60

70

80

1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Proporção de Consultas Pré-Natais Estado de São Paulo Rm de São Paulo

Gráfico 18Gráfico 18Gráfico 18Gráfico 18Gráfico 18Proporção de Gestantes que Realizaram Mais deSeis Consultas Pré-NataisEstado de São Paulo e Região Metropolitanade São Paulo1997-2004

Fonte: Fundação Seade.

daí, a taxa de incidência, sobretudo em São Paulo,

diminuiu até 2001. Após este ano, voltou a crescer

para o Brasil e manteve relativa estabilidade no Es-

tado, retornando à trajetória decrescente, em am-

bos os domínios geográficos, em 20044 (Gráfico 19).

Já a mortalidade por Aids tem apresentado decrés-

cimo contínuo desde 1996. Sua expressiva redução

(57%), entre 1993 e 2004, comprova o sucesso do

Programa Estadual de DST/AIDS (PE-DST/AIDS) que,

desde 1983, trabalha pela garantia do acesso uni-

4. Os dados de 2004 são provisórios, pois ainda podem ser modificadoscom a inclusão de novos casos.

Page 22: Indicadores Sao Paulo

2323232323

Gráfico 19Gráfico 19Gráfico 19Gráfico 19Gráfico 19Taxas de Incidência de Aids (1)Brasil e Estado de São Paulo1993-04

Fonte: Ministério da Saúde/SVS/Programa Nacional de DST e Aids.(1) Casos notificados no Sinan e registrados no Siscel até 30/06/2004,referentes ao ano do diagnóstico.

0,05,010,015,020,025,030,035,040,045,0

1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Taxa de Incidência de Aids (por 100 mil) Brasil Estado de São Paulo

Gráfico 20Gráfico 20Gráfico 20Gráfico 20Gráfico 20Taxas de Incidência (1) e de Mortalidade por AidsEstado de São Paulo1993-04

Fonte: Ministério da Saúde/SVS/Programa Nacional de DST e Aids.(1) Casos notificados no Sinan e registrados no Siscel até 30/06/2004,referentes ao ano do diagnóstico.

versal à assistência gratuita, vigilância epidemio-

lógica, esclarecimento da população e orientação aos

profissionais de saúde (Gráfico 20).

O Estado de São Paulo, com a distribuição

gratuita do AZT desde 1990, foi pioneiro na

implantação dessa política. Em 1996, o Ministério

da Saúde estabeleceu a aquisição obrigatória de

novas drogas anti-retrovirais (ARV), mas a compra

de medicamentos para infecções oportunísticas cabe

a Estados e municípios. Em 2002, cerca de 119 mil

pacientes foram beneficiados, no Brasil, com o acesso

gratuito aos medicamentos. Desses, quase 50%

eram residentes em São Paulo (mais de 50 mil

pacientes em tratamento). Apesar da importante

queda na mortalidade, a redução dessa epidemia

no Estado de São Paulo ainda não está garantida,

pois passou a atingir segmentos populacionais

específicos, como pessoas menos escolarizadas e

mulheres.

0,0

5,0

10,0

15,0

20,0

25,0

30,0

35,0

40,0

45,0

1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004Anos

Incidê

ncia

de A

ids (p

or 10

0 mil p

esso

as)

0

5

10

15

20

25

Morta

lidad

e por

Aids

(por

100 m

il pes

soas

)

Taxa de Incidência de Aids Taxa de Mortalidade por Aids

Page 23: Indicadores Sao Paulo

2424242424

CAUSAS DE MORTE

As informações sobre causas de morte

observadas a partir de 1979, para o Brasil e o Esta-

do de São Paulo, mostram a continuidade do pro-

cesso de transição epidemiológica, iniciado com

grande intensidade na década de 40. Por esse pro-

cesso entenda-se a redução da incidência e da

letalidade das doenças infecciosas e parasitárias em

contraposição às doenças crônico-degenerativas.

Reflete, simultaneamente, uma série de avanços

socioeconômicos (maior acesso aos serviços de saú-

de, desenvolvimento tecnológico, melhora das con-

dições de habitação e saneamento, entre outros) e

fenômenos demográficos, como o envelhecimen-

to da população.

Atualmente, os óbitos decorrentes de

doenças crônico-degenerativas, como as do apare-

lho circulatório, neoplasias e do aparelho respira-

tório, além das causas externas, ultrapassam em

muito os provocados por doenças infecciosas e pa-

rasitárias. Em 1979, estas últimas eram responsá-

veis por 13,2% dos óbitos ocorridos no país e por

10% no Estado de São Paulo, proporções que se

reduziram para, respectivamente, 5,3% e 3,8%, em

1995, último ano em foi utilizada a nona versão da

Classificação Internacional de Doenças (CID-9).

Deve-se ressaltar que, nessa classificação, as doen-

ças por vírus da imunodeficiência humana (HIV)

encontravam-se no capítulo das doenças das glân-

dulas endócrinas, nutrição, metabolismo e trans-

tornos imunitários e na 10ª versão dessa classifica-

ção (CID-10), adotada em 1996, passaram a ser

consideradas doenças infecciosas e parasitárias.

A adoção dessa nova classificação de doen-

ças, em 1996, provocou alterações nas tendências

desses dois capítulos, que implicaram o aumento das

mortes por doenças infecciosas e parasitárias: em

1996, a proporção das mortes provocadas por essas

patologias aumentaram para 7%, no país, e para

6,8%, em São Paulo. Com a diminuição dos óbitos

por HIV, esses valores voltaram a decrescer nos anos

seguintes, chegando a 5,5% no país e a 4,6% no

Estado de São Paulo, em 2003.

Ao serem excluídas as mortes por Aids

desse capítulo, as tradicionais doenças infecciosas e

parasitárias representariam, em 2003, cerca de 4%

dos óbitos no país e aproximadamente 3% em São

Paulo, indicando o acelerado e quase concluído

processo de transição epidemiológica em ambas as

áreas. Ressalte-se, no entanto, que ainda prevalecem

incidências importantes dessa categoria de doenças

quando se observam áreas geográficas específicas

do país.

Entre as causas consideradas crônicas, as

doenças do aparelho circulatório e as neoplasias fo-

ram responsáveis, em 2003, por cerca de 37% dos

óbitos tanto no país como no Estado. Ainda que as

primeiras apresentem valores bem maiores, a dife-

rença em relação às neoplasias vem diminuindo a

cada ano, devido aos comportamentos distintos de

ambas. Enquanto as doenças do aparelho circulató-

rio apresentam tendência à diminuição há vários

Page 24: Indicadores Sao Paulo

2525252525

anos, os óbitos provocados por neoplasias têm au-

mentado consideravelmente: passaram entre 1979

e 2003, de 10,4% para 15,9%, no país, e de 11,2%

para 17,1%, no Estado.

Já as causas externas,5 que respondiam,

em 1979, por cerca de 9,2% dos óbitos, tanto no

Estado como no país, chegaram a 13,2% e 14,4%,

respectivamente, nos últimos anos da década de 90.

Mais recentemente, têm-se observado reduções im-

portantes, mas essas causas ainda se mantêm entre

as três principais no Brasil e em São Paulo, um pou-

co à frente das doenças do aparelho respiratório,

que apresentaram poucas alterações no período con-

siderado: cerca de 11% do total de óbitos em am-

bas as áreas (Gráfico 21).

FREQÜÊNCIA DE CONSULTAS AO DENTISTA

Em relação ao Brasil, é relativamente maior

o acesso aos serviços odontológicos no Estado de

São Paulo. Em 2003, pouco mais de 50% da

população paulista, com idade entre 7 e 49 anos,

havia realizado pelo menos uma consulta ao dentista

há menos de 12 meses. No Brasil, esse porcentual

era de 45,3%. Entre 1998 e 2003, o Estado registrou

aumento de 7,3 pontos porcentuais nessa

proporção. Com relação às pessoas na mesma faixa

etária que declararam nunca ter ido ao dentista,

5. As causas externas incluem as agressões, acidentes (inclusive de trânsito)e suicídios. No presente texto, na seção sobre Segurança Pública, as infor-mações referentes aos óbitos por agressão são apresentadas isoladamente.

Fonte: Ministério da Saúde; Fundação Seade.Nota: A partir de 1996 foi introduzida a décima revisão da Classificação Inter-nacional de Doenças (CID-10), em substituição à versão anterior (CID-9), o queprovocou efeitos importantes nas estatísticas, especialmente nas relacionadasàs doenças infecciosas e parasitárias. As causas de morte mal definidas foramdistribuídas proporcionalmente e as causas dos Capítulos não estão compati-bilizadas entre a CID-9 e a CID-10. As causas externas incluem as agressões,acidentes (inclusive de trânsito) e suicídios.

Gráfico 21Gráfico 21Gráfico 21Gráfico 21Gráfico 21Principais Causas de Morte por CapítuloBrasil e Estado de São Paulo1979-2003

Brasil

0

5

10

15

20

25

30

35

40

1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003

Em %

Estado de São Paulo

0

5

10

15

20

25

30

35

40Em %

Doenças do Aparelho CirculatórioNeoplasiasDoenças do Aparelho Respiratório

Causas Externas Doenças Infecciosas e Parasitárias

1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003

Page 25: Indicadores Sao Paulo

2626262626

4,3% da população paulista e 9,1% da brasileira

encontravam-se nessa situação em 2003 (Gráfico 22).

No período de 1998 a 2003, os 20% mais

pobres da população do Estado aumentaram sua

freqüência ao dentista: expansão de 7,3 pontos

porcentuais na parcela da população que declarou

pelo menos uma visita ao dentista nos últimos 12

meses. Entre os 20% mais ricos o aumento foi de

4,3 pontos porcentuais. Entre a parcela dos que

nunca foram ao dentista, embora tenha declinado

levemente no período, não mudou a distância entre

os mais pobres e os mais ricos (Gráfico 23).

No Estado de São Paulo, o Programa de

Saúde Bucal, da Secretaria da Saúde, desde 1995

vem ampliando o acesso da população às ações de

prevenção, tratamento e controle das doenças bu-

cais. O programa engloba diversas iniciativas:

fluoretação das águas do sistema público de abas-

tecimento, prevenção e diagnóstico do câncer bu-

cal, promoção da saúde bucal para idosos, crian-

ças de 0 a 5 anos e adolescentes, realização de le-

Gráfico 23Gráfico 23Gráfico 23Gráfico 23Gráfico 23População de 7 a 49 Anos, segundo Freqüência deConsulta ao Dentista, por Quintil de Renda FamiliarEstado de São Paulo2003

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

Gráfico 22Gráfico 22Gráfico 22Gráfico 22Gráfico 22População de 7 a 49 Anos, segundo Freqüênciade Consulta ao DentistaBrasil e Estado de São Paulo2003

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

52,3

4,3

45,3

9,1

0

10

20

30

40

50

60

Menos de Um Ano Nunca Foi ao Dentista

Em %São Paulo Brasil

Menos de Um Ano

40,132,8

69,565,2

0

10

20

30

40

50

60

70

80

1998 2003

Em %

Nunca Foi ao Dentista

10,6

0,5

10,9

0,70

2

4

6

8

10

12

1998 2003

Em %

-- 20% mais pobres -- 20% mais ricos

Page 26: Indicadores Sao Paulo

2727272727

vantamentos epidemiológicos e de fóruns estadu-

ais de saúde bucal, inclusão de equipes de saúde bu-

cal no Programa Saúde da Família e realização de

procedimentos coletivos e individuais básicos, com ati-

vidades de educação e prevenção trimestrais em espa-

ços sociais como escolas, creches, asilos, entre outros.

Entre 1995 e 2002, a média anual de pes-

soas inscritas nos procedimentos coletivos cresceu

de 1,5 milhão para 2,7 milhões e a de pessoas ins-

critas nos procedimentos individuais básicos passou

de 1,5 milhão para 1,9 milhão.

Considerando as Equipes de Saúde Bucal

no Programa Saúde da Família, entre 2002 e 2004,

houve aumento de 318 para 745, no número de

equipes qualificadas, e de 204 para 556, em se tra-

tando de equipes implantadas. Esse conjunto de

dados ilustra o papel da administração paulista na

busca por melhores condições de saúde bucal da

população.

SEGURANÇA PÚBLICAUma das questões centrais na agenda das

políticas públicas, nos últimos dez anos, foi, sem

dúvida, o combate à violência, em especial de na-

tureza fatal (homicídios, latrocínios, etc). Estados,

União e, mais recentemente, municípios depara-

ram-se com o desafio de planejar e executar ações

de combate e prevenção à criminalidade e, ao mes-

mo tempo, garantir o respeito aos direitos huma-

nos e de cidadania.

Em São Paulo, avanços importantes têm

sido registrados, com várias ações implementadas

pelo governo estadual. São Paulo foi um dos Esta-

dos que primeiro promulgou um Plano Estadual de

Direitos Humanos. Implementou vários programas

de reestruturação, integração e modernização da

atividade policial: compatibilização de áreas de atua-

ção das polícias civil e militar; implementação de

programas de policiamento comunitário, valoriza-

ção da polícia técnica e aperfeiçoamento dos siste-

mas de informação e inteligência policial. Adicional-

mente, investiu na ampliação e renovação de frotas

e equipamentos (entre 2002 e agosto de 2005, fo-

ram entregues cerca de 6,7 mil veículos, 11 mil ar-

mamentos e 55 mil coletes à prova de bala) e na

capacitação profissional.

Ótimo exemplo da modernização da ativi-

dade policial paulista é o Infocrim, um sistema de

geoprocessamento que consolida as informações dos

boletins de ocorrência, proporcionando gerencia-

mento estatístico e dinâmico que auxilia a Secreta-

ria de Segurança Pública na prevenção e no comba-

te à criminalidade.

Houve avanços importantes na própria

compreensão do fenômeno da violência e de seu

enfrentamento. Passou-se a reconhecer suas múlti-

plas causas e os impactos diferenciados provocados

na sociedade, bem como que seu enfrentamento

passa pela articulação e integração de ações em vá-

rios níveis, seja no âmbito do Estado, seja no da so-

Page 27: Indicadores Sao Paulo

2828282828

ciedade. Sob essa perspectiva, o governo paulista

estabeleceu parcerias com a União, com os municí-

pios e, em especial, com a sociedade civil organiza-

da para conduzir ações coordenadas de combate à

criminalidade, cujos bons resultados têm sido am-

plamente divulgados pela imprensa. Retrato da arti-

culação entre polícia e sociedade, os Conselhos Co-

munitários de Segurança (Consegs) já são em nú-

mero de 784 espalhados por todo o Estado.

Também foram construídas novas unida-

des prisionais capazes de abrigar a crescente popu-

lação carcerária e assim liberar e fechar os xadrezes

dos Distritos Policiais, com freqüência convertidos,

indevidamente, em locais para cumprimento de pe-

nas de prisão. Entre 1940 e 1995, haviam sido cria-

das 18.770 vagas em estabelecimentos prisionais

pelo governo estadual. Desde então, para dar conta

do aumento do número de prisões efetuadas, fo-

ram geradas 56.850 novas vagas (e há outras 10.000

em construção), divididas entre penitenciárias, ca-

deias públicas e centros de detenção provisória, en-

tre outros, que se destinam, conforme determina a

legislação, a diferentes modalidades de presos e de

cumprimento de penas.

MORTALIDADE POR AGRESSÕES

Durante mais de 20 anos, a taxa de morta-

lidade por agressões cresceu continuamente no Esta-

do de São Paulo. Em 1999, atingiu seu ponto máxi-

mo, tanto no conjunto do Estado (43,3 mil óbitos

por 100 mil habitantes) quanto na Região Metropoli-

tana de São Paulo (65,2 óbitos por 100 mil). A partir

desse ano, foi iniciado um movimento de contínua

redução em ambas unidades geográficas. Isso fez com

que, em 2004, as taxas regredissem para, respectiva-

mente, 28,4 e 37,0 óbitos por 100 mil habitantes

(Gráfico 24), revertendo uma tendência que causava

preocupação e temor na população.Gráfico 24Gráfico 24Gráfico 24Gráfico 24Gráfico 24Taxas de Mortalidade por AgressõesEstado de São Paulo e Região Metropolitanade São Paulo1993-2004

Fonte: Fundação Seade.Nota: Em 100 mil habitantes.

0

10

20

30

40

50

60

70

1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Taxa de Mortalidade por Agressões Estado de São Paulo RM de São Paulo

OCORRÊNCIAS POLICIAIS

Tal como a mortalidade provocada por

atos violentos, outros indicadores de resultados das

ações na área da segurança pública também têm

mostrado evolução positiva. São os casos de roubo

Page 28: Indicadores Sao Paulo

2929292929

ou furto de veículos e, em menor medida, de crimes

violentos não letais. Os boletins de ocorrências poli-

ciais constituem a principal fonte de dados para a

geração dessas estatísticas.

Em relação ao primeiro, o Gráfico 25 mos-

tra um crescimento explosivo entre 1997 e 2000,

quando esse indicador atingiu seu ponto máximo,

de 2,2 mil veículos roubados ou furtados por grupo

de 100 mil veículos em circulação. A partir daí, hou-

ve clara reversão dessa tendência, que se estende

até 2004. Não há dúvidas de que os atuais patama-

res desse indicador (1,3 mil veículos roubados ou

furtados a cada 100 mil veículos em circulação) ain-

da são elevados, mas sua trajetória recente sugere

que as ações direcionadas a esse campo vêm mos-

trando resultados efetivos.

No caso dos crimes violentos não letais, a

situação não é tão favorável. Note-se que, sob esse

título, estão agregados diferentes atos violentos, cujo

combate exige métodos e ações específicos. Nesse

conjunto, os crimes numericamente mais expressi-

vos são os roubos e as lesões corporais, que expli-

cam boa parte do comportamento do indicador.

Após um período de crescimento muito acentuado

no final dos anos 90, a incidência desse conjunto de

crimes estabilizou-se num patamar ainda elevado

desde 2000 e, com pequenas flutuações, assim se

manteve até 2004. Sua reversão, já visível nos rou-

bos de veículos, constitui hoje um dos maiores de-

safios da política de segurança pública no Estado de

São Paulo.

EDUCAÇÃO

São amplamente conhecidos os progressos

obtidos no campo da educação no Estado de São Pau-

lo, na última década. Uma possível medida dos esfor-

ços do governo estadual nessa área pode ser encon-

trada na evolução dos recursos orçamentários desti-

nados à função educação: entre 1997 e 2005 eleva-

ram-se, em termos nominais, em mais de 92%.

Gráfico 25Gráfico 25Gráfico 25Gráfico 25Gráfico 25Taxas de Ocorrências PoliciaisEstado de São Paulo1997-04

Fonte: Secretaria da Segurança Pública – SSP/Delegacia Geral de Polícia– DGP/Departamento de Administração e Planejamento – DAP/ Núcleode Análise de Dados; Ministério das Cidades, Departamento Nacional deTrânsito – Denatran; Fundação Seade.Nota: Crimes violentos não letais incluem: tentativas de homicídio, lesõescorporais dolosas, roubos consumados, roubos tentados, roubos de veícu-los consumados, roubos de veículos tentados, extorsões mediante seqüestro,estupros consumados, estupros tentados e atentados violentos ao pudor.

800

1000

1200

1400

1600

1800

2000

2200

2400

1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

Crimes Violentos Não-Letais (em 100 mil habitantes)Roubo e Furto de Veículos (em 100 mil veículos)

Page 29: Indicadores Sao Paulo

3030303030

A ampliação do acesso e da permanência

dos alunos na escola e o conseqüente aumento da

produtividade do sistema escolar e da escolaridade

média resultam de uma série de políticas e ações

desenvolvidas em nosso Estado, ao longo de vários

anos. Entre elas se destacam: as voltadas para pro-

mover a correção do fluxo escolar (introdução de

programas de recuperação escolar, as classes de

aceleração de estudos e, no ensino médio, a intro-

dução da matrícula por disciplina); o sistema de pro-

gressão continuada, que eliminou a repetência den-

tro dos ciclos; o aumento da jornada escolar; os pro-

gramas de capacitação dos professores, com desta-

que para os que usam tecnologias à distância; e a

reorganização da rede física, com a separação das

escolas de crianças e de jovens que, além dos bene-

fícios pedagógicos, permite a alocação mais racio-

nal dos equipamentos (Gráfico 26).

Alguns programas no campo da educa-

ção, pela sua importância e pela grande receptivi-

dade que vêm recebendo de seus públicos-alvos,

merecem destaque, como o Escola da Família e o

Teia do Saber. Ao primeiro, foram destinados mais

de R$ 360 milhões, entre 2002 e 2005, e estão pre-

vistos mais de R$ 170 milhões em 2006. Além de

transformar, nos fins de semana, cerca de seis mil

escolas da rede estadual em centros de convivência,

com atividades voltadas às áreas esportiva, cultural,

de saúde e qualificação para o trabalho, esse pro-

grama busca criar a cultura da paz, despertar

potencialidades e desenvolver hábitos saudáveis nos

mais de sete milhões de jovens que vivem no Estado

de São Paulo.

O Programa Teia do Saber visa à formação

continuada dos educadores, atualizando seus conhe-

cimentos sobre novas metodologias de ensino e so-

bre o uso de novas tecnologias a serviço do ensino,

além de aliar o trabalho de fundamentação teórica

com a vivência efetiva dos educadores que atuam na

rede pública estadual. É um dos programas mais re-

levantes conduzidos pela Secretaria Estadual de Edu-

cação. Entre 2004 e 2005 foi direcionado a este pro-

grama o montante de R$ 214 milhões e espera-se

que em 2006 mais de R$ 125 milhões sejam investi-

dos na capacitação dos educadores.

Gráfico 26Gráfico 26Gráfico 26Gráfico 26Gráfico 26Taxa de Atendimento Escolar, segundo Faixas EtáriasBrasil e Estado de São Paulo2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

40

50

60

70

80

90

100

4 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos

Em % São Paulo Brasil

Page 30: Indicadores Sao Paulo

3131313131

ACESSO À ESCOLA

A ampliação do acesso por nível de ensi-

no pode ser observada pela evolução das taxas de

atendimento escolar. Praticamente a totalidade de

crianças em idade escolar obrigatória (7 a 14 anos)

estava freqüentando escola (98,5%), em 2004, e

tem sido sistemático o crescimento na freqüência

escolar nos demais grupos etários. Nesse mesmo ano,

74,7% das crianças de 4 a 6 anos freqüentavam um

estabelecimento escolar, representando um aumen-

to de 16,3 pontos porcentuais em relação a 1993.

A taxa de atendimento dos jovens de 15 a 17 anos

aumentou 16,9 pontos porcentuais nos últimos 10

anos e, em 2004, atingiu 86,8% desses jovens.

À exceção das crianças em idade escolar

obrigatória (7 a 14 anos), para as quais não há mais

grande diferenciação em razão do nível de rendi-

mento familiar (Gráfico 27), nos demais grupos etá-

rios, essa influência, embora declinante, ainda per-

siste: na faixa etária de 4 a 6 anos, a taxa de atendi-

mento variou de 63,1%, para os 20% mais pobres,

até 92,7% para os 20% mais ricos, em 2004. A

mesma situação pode ser observada entre os jovens

de 15 a 17 anos. No entanto, a distância que separa

esses segmentos extremos vem se reduzindo conti-

nuamente ao longo dos últimos anos, nas faixas etá-

rias analisadas, revelando os esforços dos governos

e da sociedade nesse campo.

Crianças de 4 a 6 Anos Crianças de 7 a 14 Anos

Entre os 20% Mais Pobres Entre os 20% Mais Ricos

63,1

41,8

92,788,1

30

40

50

60

70

80

90

100

89,997,5

99,0 99,7

Jovens de 15 a 17 Anos

77,8

58,0

97,7

88,9

30

40

50

60

70

80

90

100

30

40

50

60

70

80

90

100

19931995

19961997

19981999

20012002

20032004

19931995

19961997

19981999

20012002

20032004

19931995

19961997

19981999

20012002

20032004

Gráfico 27Gráfico 27Gráfico 27Gráfico 27Gráfico 27Taxa de Atendimento Escolar, segundo Faixas Etárias, por Quintis do Rendimento Familiar Per CapitaEstado de São Paulo1993-2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

Page 31: Indicadores Sao Paulo

3232323232

TAXA DE ESCOLARIZAÇÃO LÍQUIDA

Devido à repetência e à evasão, parte dos

alunos apresenta distorção entre a série esperada

para sua idade e a série que efetivamente

freqüenta. A evolução da taxa de escolarização

líquida nos diferentes níveis de ensino6 mostra

ganhos importantes na produtividade do sistema.

No caso dos jovens de 15 a 17 anos, que

deveriam estar freqüentando o ensino médio, ape-

nas 66,3% encontravam-se em tal situação em

2004. Na média nacional, a taxa de escolarização

líquida no ensino médio apresenta patamar bem

inferior: 44,3%. O programa Expansão e Melho-

ria do Ensino Médio, cujos investimentos para

2005 totalizam R$ 140,4 milhões, tem ampliado

a infra-estrutura física e pedagógica do ensino

médio, contribuindo para a evolução positiva desta

taxa. Da mesma forma, os programas Ação Jovem

e Escola da Juventude, que incentivam o retorno

à escola e a permanência nela de jovens com mais

de 15 anos, também têm contribuído para este

resultado favorável.

MÉDIA DE ANOS DE ESTUDO

Outro indicador que revela a situação

educacional da população é a média de anos de es-

tudo. Para a população paulista de 15 anos e mais,

essa média passou de 6,2 anos, em 1993, para 7,9

anos, em 2004, aproximando-se da escolaridade

equivalente à conclusão do ensino fundamental. O

fato de esse indicador ser mais baixo para a popula-

ção com idade igual ou maior que 40 anos (6,4 anos,

em 2004) indica a influência da baixa escolaridade

das pessoas mais velhas na média da população e

que o problema da baixa escolaridade vem sendo

enfrentado com sucesso.

6. A educação formal encontra-se estruturada em um mínimo de 15anos de estudo: oito para o ensino fundamental, três para o médio e ummínimo de 4 anos para a educação superior. As idades consideradasadequadas a esses níveis de ensino são, respectivamente: 7 a 14 anos,15 a 17 anos, e 18 a 24 anos (considerando as diferentes durações decada curso).

68,8

35,8

96,392,3

66,3

31,713,9

7,4

0,0

10,0

20,0

30,0

40,0

50,0

60,0

70,0

80,0

90,0

100,0

1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004

Em %

Educação Infantil Ensino Fundamental

Ensino Médio Educação Superior

Gráfico 28Gráfico 28Gráfico 28Gráfico 28Gráfico 28Taxa de Escolarização Líquida, segundo Níveis deEnsinoEstado de São Paulo1993-2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

Page 32: Indicadores Sao Paulo

3333333333

Gráfico 29Gráfico 29Gráfico 29Gráfico 29Gráfico 29Média de Anos de Estudo, segundo Faixas EtáriasBrasil e Estado de São Paulo2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.

7,9

9,2

6,46,88,0

5,4

0

2

4

6

8

10

12

14

15 Anos e Mais 18 a 39 Anos 40 Anos e Mais

Média de anos de estudo Estado de São Paulo Brasil

HABITAÇÃO E SANEAMENTO

No campo habitacional, o Estado de São

Paulo vem progredindo continuamente. As ações

públicas foram articuladas no Programa Pró-Lar, cujo

objetivo central é unir esforços, por meio de parcerias

com prefeituras, organizações governamentais e não-

governamentais, iniciativa privada e a própria popula-

ção, para reduzir o déficit habitacional, melhorar as

condições de infra-estrutura urbana e ambiental das

cidades e diminuir as desigualdades sociais.

Entre 1995 e 2005, o governo estadual,

por meio da Companhia de Desenvolvimento

Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo

(CDHU), viabilizou a entrega de mais de 223 mil mo-

radias. Isso contribuiu para o avanço nos resultados

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD. (1) Inadequação habitacional é definida como os domicílios particularespermanentes que apresentavam pelo menos um dos seguintes tipos deinadequação: ausência de água de rede geral, canalizada para o domicí-lio ou para a propriedade; ausência de esgoto sanitário por rede geral oufossa séptica; área insuficiente para morar, ou seja, domicílios com trêspessoas ou mais por cômodo servindo como dormitório; qualidade estru-tural indadequada, devido ao uso de materiais não duráveis nas paredese teto, ou à não conformidade com os padrões construtivos e urbanísti-cos (aglomerados subnormais); e insegurança da posse, como no caso dedomicílios edificados em terrenos de propriedade de terceiros e outrascondições de moradia, como invasões.

Gráfico 30Gráfico 30Gráfico 30Gráfico 30Gráfico 30Proporção de Moradias que Não ApresentamNenhum Tipo de Inadequação Habitacional (1)Estado de São Paulo1993-2004

apresentados no Gráfico 30, que revela que, em 2004,

mais de 75% das moradias existentes no território paulis-

ta eram adequadas, em comparação a 68% em 1993.

Nessa mesma situação encontravam-se, em 2004,

cerca de 61% das moradias existentes no Brasil.

Um dos critérios considerados para classi-

ficar as moradias como adequadas é o acesso a re-

des de serviços urbanos, cuja evolução em São Pau-

lo pode ser visualizada no Gráfico 31. Nota-se que o

68,1 69,8 70,2 71,5 73,7 73,8 74,4 75,2 76,8 75,4

0102030405060708090

100

1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004

%

Page 33: Indicadores Sao Paulo

3434343434

acesso às redes de água e de coleta de lixo são pra-

ticamente universais em nosso Estado e que pro-

gressos importantes vêm sendo obtidos no que diz

respeito à rede de esgotamento sanitário: se em

1993, 77% das moradias paulistas tinham acesso a

esses serviços, em 2004 esse percentual supera 87%,

evidenciando que a política de saneamento paulista

trouxe grandes benefícios nesses 10 anos.

A título de comparação, as proporções de

moradias com acesso a essas redes no Brasil, em

2004, eram de 82% para a rede de abastecimento

de água, 77% para a de coleta de lixo e de 48%

para a de esgotamento sanitário (Gráfico 32).

Gráfico 31Gráfico 31Gráfico 31Gráfico 31Gráfico 31Proporção de Moradias, segundo Acesso às Redesde Serviços Urbanos de Água, Lixo e Esgoto (1)Estado de São Paulo1993-2004

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.(1) Serviços Urbanos de Água - proporção de domicílios particulares perma-nentes que têm água de rede geral, canalizada para o domicílio ou para apropriedade. Lixo - proporção de domicílios particulares permanentes quetêm lixo coletado diretamente por serviço ou empresa de limpeza, públicaou privada. Esgoto - proporção de domicílios particulares permanentes quetêm esgoto sanitário por rede geral.

0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

100

1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004

% Água Lixo Esgoto

A universalização dos serviços de abaste-

cimento de água e coleta de esgoto nos domicílios

paulistas deverá ser alcançada em tempo relativa-

mente curto, uma vez que diversos programas de

saneamento encontram-se em execução no Estado.

Dentre eles, merece destaque o Projeto de Sanea-

mento Ambiental da Baixada Santista, que ampliará

o serviço de coleta de esgoto, com a construção de

125.000 novas ligações domiciliares nos nove mu-

nicípios da Baixada Santista.

Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD.(1) Serviços urbanos de água - proporção de domicílios particulares per-manentes que têm água de rede geral, canalizada para o domicílio oupara a propriedade. Lixo - proporção de domicílios particulares perma-nentes que têm lixo coletado diretamente por serviço ou empresa delimpeza, pública ou privada. Esgoto - proporção de domicílios particula-res permanentes que têm esgoto sanitário por rede geral.

Gráfico 32Gráfico 32Gráfico 32Gráfico 32Gráfico 32Proporção de Moradias, segundo Acesso às Redesde Serviços Urbanos de Água, Lixo e Esgoto (1)Brasil e Estado de São Paulo2004

0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

100

Água Lixo Esgoto

% Estado de São Paulo Brasil

96,3

82,2

93,0

77,2

87,3

48,0

Page 34: Indicadores Sao Paulo

3535353535

MEIO AMBIENTE

Ao lado das políticas estaduais de

habitação e saneamento, diversas ações voltadas à

preservação e gestão responsável do meio ambiente

vêm sendo desenvolvidas no Estado. Considerando

as quatro dimensões do ambiente em que se

distribuem as informações da Secretaria de Meio

Ambiente do Estado de São Paulo (SMA) – recursos

hídricos, ar, solo e biodiversidade –, há 56 programas

e 47 ações. A dimensão que possui mais iniciativas

é a de recursos hídricos, com 24 programas e 15

ações específicas componentes desses programas.

Boa parte vincula-se à área de saúde pública e

saneamento, sobretudo à epidemiologia e ao

tratamento de água e esgotos (com a participação

da Secretaria de Recursos Hídricos e da Sabesp). A

gestão de bacias hidrográficas e o combate às

enchentes também são aspectos relevantes nessa

área, com destaque para a Bacia do Alto Tietê.

Programas e ações sobre a biodiversidade

aparecem em segundo lugar (11 programas e 20

ações). Nessa área destacam-se os dirigidos às

Unidades de Conservação e de Desenvolvimento

Sustentável. Além desses, cabe sublinhar o avanço

na aplicação do ICMS Ecológico entre 1999 e 2004:

no primeiro ano foram 149 os municípios

atendidos, com um total de R$ 27,02 milhões; em

2004 o número de municípios atendidos chegou a

174, com um total de R$ 49,03 milhões. Isso

corresponde a um aumento de 16,8% no número

de municípios atendidos e de 81,5% no volume de

recursos repassados. Como o repasse desse tributo

vincula-se a uma série de compromissos ambientais

assumidos pelos municípios, tanto o aumento de

seu número quanto a expressiva expansão dos

repasses indicam o acerto na implementação do

programa pelo governo estadual e a crescente

preocupação dos gestores municipais com a

preservação de suas áreas naturais e os

conseqüentes benefícios à coletividade.

Entre os programas e ações sobre o solo

(15 programas e 13 ações), os de maior destaque

vinculam-se à fiscalização de resíduos sólidos e de

zoneamento ecológico-econômico, além da gestão

das zonas costeiras do Estado. Quanto aos cinco

programas e ações sobre a qualidade do ar, merece

menção o Programa Estadual de Mudanças Climáti-

cas Globais.

Esse conjunto de atividades mostra o di-

namismo dos órgãos da SMA, que respondem à

grande diversidade de demandas ambientais no Es-

tado e procuram conciliar o desenvolvimento

econômico com a preservação ambiental, por meio

de uma política ambiental marcada pela gestão pú-

blica integrada, descentralizada e participativa.

Os dados de controle ambiental, obtidos

nas ações do Departamento Estadual de Preserva-

ção dos Recursos Naturais (DEPRN), do Departamen-

to de Uso do Solo Metropolitano (DUSM), da Com-

panhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental

(Cetesb) e da Polícia Militar Ambiental (Polícia Flo-

restal), também auxiliam a avaliação ambiental do

Estado.

Page 35: Indicadores Sao Paulo

3636363636

Com exceção dos dados do DEPRN, que

expressam apenas a situação dos autos de infração

de 2003 e 2004 – período muito curto para uma aná-

lise de tendência de comportamento desses dados –,

verifica-se que a quantidade de autos de infração e de

autuações das autoridades ambientais têm se reduzi-

do. De fato, as informações do DUSM mostram que-

da substantiva nas autuações na RMSP entre 1997 e

2004: 50% nas advertências (de 524 em 1997 para

262 em 2004); 53,6% nos embargos (de 125 em 1997

para 58 em 2004); 79,4% nas interdições (de 82 para

17 casos no período); e 91,7% nas demolições (de 36

em 1997 para apenas 3 em 2004). O número de

multas aplicadas pela Cetesb diminuiu 3,1% nesse

período, ao passar de 2.169 em 1997 para 2.101 em

2004. O mesmo ocorreu com as autuações da Polícia

Militar Ambiental, cujo número diminuiu de 17.698,

em 2000, para 12.604 (variação de –28,8%).

Diante dessa tendência, é de se esperar

que também os dados do DEPRN sejam declinantes,

tal como ocorreu entre 2003 e 2004, quando o nú-

mero de autos de infração diminuiu 32,6%, ao pas-

sar de 14.738 para 9.934. Esses números sugerem

que, ao contrário do que poderia parecer, as políti-

cas de controle ambiental implementadas nos últi-

mos anos têm surtido efeito, pois os agentes

danificadores do ambiente estão conscientes das

punições decorrentes do não cumprimento da le-

gislação ambiental.

Tal hipótese pode ser confirmada pelo

aumento, no período analisado, no número de

advertências emitidas pela Cetesb e no atendimento

ao Ministério Público. De fato, em 1997 a Cetesb

emitiu 4.542 advertências, em comparação a 6.687

em 2004 (aumento de 47,2%). Ainda mais

revelador foi o crescimento do número de atendi-

mentos a solicitações emitidas pelo Ministério Pú-

blico: se em 1997 esse número era de 1.782, atin-

giu 3.404 em 2004 (aumento de 91%). Ou seja, a

diminuição do número de autos de infração e de

multas não reflete a omissão dos órgãos ambientais,

mas, ao contrário, mostra que sua ação contínua

de prevenção e repressão ao dano ambiental está

gerando importantes resultados.

Finalmente, outro indicador que revela

resultados positivos na aplicação das políticas de

meio ambiente, no Estado, é o referente ao aumento

da massa florestada. Os levantamentos feitos no

início dos anos 90 mostraram que o Estado de São

Paulo possuía um total de 3.331 mil ha

remanescentes de vegetação nativa. Os realizados

em 2000/2001 revelam que essa área correspondia

a 3.457 mil ha., o que equivale a um aumento de

126 mil ha, – ou 3,8% – nas matas do Estado. Ainda

que se possa considerar que tais resultados estejam

influenciados por avanços na qualidade da coleta

de informações primárias, eles reforçam a

constatação de que a ação conjunta de fiscalização

e controle e os programas e ações conduzidos pelos

diversos órgãos da SMA têm resultado em uma

melhora nos indicadores ambientais do Estado.

Page 36: Indicadores Sao Paulo

3737373737

CONCLUSÃO

O conjunto de indicadores aqui apresen-

tados mostra os expressivos avanços obtidos pelo

Estado de São Paulo no campo social, nos últimos

anos. Os crescentes gastos sociais do governo do

Estado, associados à qualidade e à focalização dos

programas e ações, têm sido fundamentais para o

desenvolvimento paulista e para os progressos nas

condições de vida de sua população.

No período em análise, além de buscar

suprir as carências históricas que ainda atingem par-

celas importantes da população paulista, surgiram

novas demandas, especialmente as decorrentes do

novo perfil etário da população e dos efeitos da rees-

truturação produtiva sobre o mercado de trabalho

paulista.

Mesmo num período de forte ajuste fis-

cal, o governo do Estado de São Paulo não mediu

esforços para expandir as ações no campo social e

adequá-las às novas necessidades da população. Os

resultados dessa atuação podem ser vistos e avalia-

dos por meio dos indicadores ora apresentados.

Vale lembrar que as intervenções nas di-

versas áreas do campo social são complementares e

se entrecruzam, o que dificulta estabelecer relações

estritas entre cada uma dessas ações e seus respec-

tivos resultados. Por exemplo, os programas de sa-

neamento, que possibilitaram a quase universaliza-

ção do acesso aos serviços de abastecimento de água

e coleta de lixo e esgoto pelos domicílios paulistas,

foram fundamentais para proporcionar melhores

condições de moradia, com reflexos diretos nos in-

dicadores de saúde da população. Ademais, os re-

sultados das ações do governo em educação certa-

mente provocaram efeitos positivos importantes no

acesso ao mercado de trabalho e nas condições de

saúde.

Também há que se reconhecer que as dis-

tintas esferas do governo e a sociedade organizada

têm atuado nessa área de forma complementar e

nem sempre é possível isolar o papel de cada um

nos avanços obtidos. O que importa é ressaltar que

esses resultados, refletidos na evolução dos indica-

dores sociais paulistas, não decorrem de um movi-

mento autônomo ou mesmo natural, mas de diver-

sas ações de desenvolvimento e inclusão social con-

sistentes e da prestação de serviços de qualidade,

no que o governo do Estado de São Paulo tem cum-

prido um papel de destaque.

Por fim, ainda que haja muito a progre-

dir, o patamar de desenvolvimento social já alcan-

çado pelo Estado de São Paulo é inconteste. Tal

constatação não significa que os esforços até agora

dirigidos a esse campo sejam suficientes mas, ao

contrário, que são crescentes os desafios para con-

tinuar nessa trajetória. Como se sabe, uma das ca-

racterísticas das políticas sociais é demandarem es-

forços tanto maiores e mais complexos quanto mais

bem-sucedidas sejam. Nesse contexto, um novo

desafio é apresentado aos paulistas: esforços adi-

cionais e crescentes para manter e melhorar os re-

sultados no campo social.

Page 37: Indicadores Sao Paulo

3838383838

GLOSSÁRIOESPERANÇA DE VIDA AO NASCER:Número médio de anos de vida esperados para um re-cém-nascido, mantido o padrão de mortalidade existentena população residente em determinado espaço geográ-fico, no ano considerado.

PIRÂMIDE ETÁRIA:Forma ilustrativa de representar a estrutura da populaçãopor idade e sexo. O eixo horizontal de uma pirâmide etáriarepresenta o número absoluto ou a proporção da popula-ção, enquanto o eixo vertical representa os grupos etários.O lado direito do eixo horizontal é destinado à representa-ção do contingente ou proporção de mulheres e o esquer-do, dos homens.

RENDA DOMICILIAR PER CAPITA:Somatório dos rendimentos de todas as fontes, obtidospelos membros de um domicílio, dividido pelo númerode seus componentes.

QUINTIL DE RENDA DOMICILIAR:Limites da distribuição da renda domiciliar que a dividemem cinco grupos ordenados, contendo cada um 20% dapopulação residente.

PERCENTUAL DE RENDA APROPRIADA PELOS 50% MAISPOBRES, OS 40% SEGUINTES E 10% MAIS RICOS:- 50% mais pobres: quociente entre a massa de rendi-

mento dos 50% mais pobres da população e a massatotal de rendimentos;

- 40% seguintes (50% a 90%): quociente entre a massade rendimento dos que estão entre os 50% mais po-bres e os 10% mais ricos da população e a massa totalde rendimentos;

- 10% mais ricos: quociente entre a massa de rendimen-to dos 10% mais ricos da população e a massa total derendimentos.

TRABALHO (CONCEITO UTILIZADO NA PESQUISANACIONAL POR AMOSTRA DE DOMICÍLIOS – PNAD):Considerou-se como trabalho em atividade econômica oexercício de:a) Ocupação remunerada em dinheiro, produtos, merca-dorias ou benefícios (moradia, alimentação, roupas, etc.)na produção de bens e serviços;b) Ocupação remunerada em dinheiro ou benefícios (mo-radia, alimentação, roupas, etc.) no serviço doméstico;c) Ocupação sem remuneração na produção de bens eserviços, desenvolvida durante pelo menos uma hora nasemana:

- em ajuda a membro da unidade domiciliar que tives-se trabalho como: empregado na produção de bensprimários (que compreende as atividades da agricultu-ra, silvicultura, pecuária, extração vegetal ou mineral,caça, pesca e piscicultura), conta-própria ou emprega-dor; e- em ajuda a instituição religiosa, beneficente ou decooperativismo; ou- como aprendiz ou estagiário;

d) Ocupação desenvolvida, durante pelo menos uma horana semana:

- na produção de bens, do ramo que compreende asatividades da agricultura, silvicultura, pecuária, extraçãovegetal, pesca e piscicultura, destinados à própria ali-mentação de pelo menos um membro da unidade do-miciliar; ou- na construção de edificações, estradas privativas, po-ços e outras benfeitorias (exceto as obras destinadasunicamente à reforma) para o próprio uso de pelo me-nos um membro da unidade domiciliar.

Portanto, no conceito de trabalho caracterizam-se as con-dições de:

- trabalho remunerado (itens a e b);- trabalho não-remunerado (item c); e- trabalho na produção para o próprio consumo ou naconstrução para o próprio uso (item d).

Page 38: Indicadores Sao Paulo

3939393939

PESSOAS OCUPADAS (CONCEITO UTILIZADO NAPESQUISA NACIONAL POR AMOSTRA DEDOMICÍLIOS – PNAD):Foram classificadas como ocupadas na semana de refe-rência as pessoas que tinham trabalho durante todo ouparte desse período. Incluíram-se, ainda, como ocupadasas pessoas que não exerceram o trabalho remuneradoque tinham na semana de referência por motivo de fé-rias, licença, greve, etc.

PESSOAS DESOCUPADAS (CONCEITO UTILIZADONA PESQUISA NACIONAL POR AMOSTRA DE DOMI-CÍLIOS – PNAD):Foram classificadas como desocupadas, na semana de re-ferência, as pessoas sem trabalho que tomaram algumaprovidência efetiva de procurar trabalho nesse período.

POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA (PIA):Corresponde à população com idade igual ou superior a10 anos.

PESSOAS ECONOMICAMENTE ATIVAS (PEA):Parcela da população em idade ativa (PIA) que, na semanade referência, encontrava-se ativamente no mercado detrabalho, na condição de ocupadas ou de desocupadas.

PESSOAS NÃO ECONOMICAMENTE ATIVAS:Parcela da população em idade ativa (PIA) que não estavainserida no mercado de trabalho na semana de referência.

TAXA DE ATIVIDADE DA POPULAÇÃO DE 10 ANOSE MAIS:Proporção da população em idade ativa que se encontra-va ativamente inserida no mercado de trabalho na sema-na de referência.

TAXA DE DESEMPREGO:Proporção da população economicamente ativa que seencontrava na condição de desocupação ou desemprego.

PROPORÇÃO DA POPULAÇÃO QUE NÃO POSSUIPLANO DE SAÚDE:Quociente entre a população que não possui plano desaúde e a população total de uma área geográfica, numdeterminado período de tempo.Entendeu-se por plano de saúde, médico ou odontológico,o contrato ou direito adquirido individualmente ou pormeio de empregador (público ou privado), visando o aten-dimento de saúde a ser prestado por profissionais e/ouempresas de saúde (clínicas, hospitais, laboratórios, etc.).O usufruto desse direito é garantido pelo pagamento demensalidade diretamente pela pessoa ou por terceiro, porseu empregador ou por meio de desconto mensal emfolha de pagamento. Esse contrato pode ser estabeleci-do com diversos tipos de instituição: cooperativa médica,empresa de medicina de grupo, seguradora, empresa quefunciona de forma mista como seguradora e provedorade serviços de saúde ou, ainda, com qualquer clínica,hospital, laboratório, etc. (Conceito utilizado na PesquisaNacional por Amostra de Domicílios – PNAD).

TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL:Quociente entre os óbitos de menores de um ano de resi-dentes numa unidade geográfica, num determinado pe-ríodo de tempo (geralmente um ano), e os nascidos vivosda mesma unidade nesse período (multiplicados por1.000). As informações de óbitos têm como fonte os ates-tados de óbitos recebidos pelos cartórios de registro civil.

TAXA DE MORTALIDADE MATERNA:Quociente entre os óbitos por complicações da gravidez,do parto e do puerpério ou devidos a doenças pré-exis-tentes agravadas pelo estado de gravidez de mulheresresidentes em uma determinada unidade geográfica ocor-ridos num certo período de tempo, e os nascidos vivos namesma unidade e período (multiplicados por 100.000).

Page 39: Indicadores Sao Paulo

4040404040

PROPORÇÃO DE GESTANTES QUE REALIZARAMMAIS DE SEIS CONSULTAS PRÉ-NATAIS:Porcentual de mães de nascidos vivos com seis e mais con-sultas de atendimento pré-natal, em determinado espaçogeográfico e certo período de tempo.

TAXA DE INCIDÊNCIA DE AIDS:Número de casos novos notificados de Aids, ocorridos emdeterminado local e certo período de tempo, dividido pelapopulação, expresso por 100 mil habitantes.

TAXA DE MORTALIDADE POR AIDS:Quociente entre os óbitos por Aids ocorridos em uma

determinada unidade geográfica e num certo período detempo e a população da mesma unidade, estimada aomeio do período (multiplicados por 100.000). As infor-

mações de óbitos têm como fonte os atestados de óbitosrecebidos pelos cartórios de registro civil.

TAXA DE MORTALIDADE POR AGRESSÕES:Quociente entre os óbitos provocados por agressões, se-gundo a décima revisão da Classificação Internacional de

Doenças (CID-10), ocorridos em uma determinada unida-de geográfica e período de tempo e a população da mes-ma unidade, estimada ao meio do período (multiplicados

por 100.000). As informações de óbitos têm como fonteos atestados de óbitos recebidos pelos cartórios de registro

civil.

TAXAS DE OCORRÊNCIAS POLICIAIS:Número de crimes violentos não letais por habitante emdeterminada unidade geográfica e período de tempo (mul-tiplicados por 100.000 habitantes). As informações têm

como fonte os boletins de ocorrências policiais.

TAXA DE ATENDIMENTO ESCOLAR:Quociente entre o número total de pessoas de uma de-terminada faixa etária que estão estudando e o total dapopulação dessa mesma faixa etária multiplicado por 100.

TAXA DE ESCOLARIZAÇÃO LÍQUIDA:Quociente entre o número de pessoas que estão

freqüentando o nível de ensino adequado a sua faixa etáriae a população dessa faixa etária multiplicado por 100.

MÉDIA DE ANOS DE ESTUDO:Número médio de anos de estudo da população de 15anos ou mais. A informação de anos de estudo é obtida

em razão da série e grau mais elevado concluído comaprovação.