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1

INCLUSO SOCIAL DOS DEFICIENTES AUDITIVOS:

FUNDAMENTOS JURDICOS E ASPECTOS SOCIAIS ACERCA DA

ACESSIBILIDADE DOS SURDOS1

Adrieli Aline da Silva Frias 2

SUMRIO: 1 INTRODUO; 2 A PESSOA COM DEFICINCIA AUDITIVA; 2.1 DIFERENA ENTRE SURDEZ E DEFICINCIA AUDITIVA; 2.2 DESMISTIFICANDO A LIBRAS; 3 O SURDO NO ORDENAMENTO JURDICO; 3.1 LEGISLAO INTERNACIONAL ou CONVENO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICINCIA; 3.2 GARANTIA DE INTRPRETES AOS SURDOS EM LOCAIS PBLICOS; 3.3 DIREITOS ADQUIRIDOS PELO DECRETO N 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005; 4 O PRINCPIO DA IGUALDADE; 4.1 IGUALDADE FORMAL; 4.2 IGUALDADE MATERIAL; 4.3 BENEFCIOS DECORRENTES POR FORA DA IGUALDADE; 4.4 JURISPRUDNCIAS SOBRE INCLUSO DOS DEFICIENTES AUDITIVOS; 4.5 ESTATSTICA RELATIVAS AOS SURDOS; 5 CONCLUSO. REFERNCIAS.

RESUMO: O presente trabalho analisa questes referentes incluso social dos portadores de deficincia auditiva, no que tange falta de acessibilidade que eles encontram no dia a dia. Inicialmente haver a abordagem do conceito de deficiente auditivo, nomenclaturas e o idioma pelo qual se comunicam sendo este a Lngua Brasileira de Sinais, popularmente conhecida por LIBRAS. Aponta quais as legislaes que tratam das pessoas em comento no mbito dos Tratados Internacionais, Leis Federais e Estaduais. Verifica, atravs do elo das ideias, informaes e dados apresentados imensa falta de acessibilidade e a necessidade da incluso dos surdos perante a sociedade, pois, embora existam normas que garantam isso, mormente so executadas. Aponta a falta de preparo ou interesse dos cidados ouvintes; a falta de aplicabilidade das normas jurdicas e o descaso com essas pessoas, o qual tem grande relevncia para com o Direito. Demonstra, por meio de pesquisa estatstica, a quantidade, aproximada, de surdos cadastrados na cidade de Apucarana, estado do Paran.

PALAVRAS-CHAVES: DEFICIENTES AUDITIVOS; INCLUSO SOCIAL; LIBRAS; IGUALDADE.

ABSTRACT: In this work will be reviewed questions concerning the social inclusion of people with hearing impairment, with regard to the lack of accessibility that they find day by day. Initially there will be the approach of the

1 Trabalho de Concluso de Curso apresentado como requisito parcial obteno do grau de

Bacharel em Direito, do Curso de Direito da Faculdade do Norte Novo de Apucarana FACNOPAR. Orientao a cargo da Professora M Rosngela Mara Sartori Borges. 2 Acadmica do Curso de Direito da Faculdade do Norte Novo de Apucarana FACNOPAR.

Turma do ano de 2011.

2

concept of hearing impaired, classifications and the language in which they communicate this being the Brazilian Sign Language popularly known as "LIBRAS". Then will be identified legislation which deal with the persons under discussion under the International Treaties, Federal Laws and State. Finally, through the link of ideas, information and data presented you can check the huge lack of accessibility and the need for inclusion of the deaf towards society although there are rules ensuring that especially are performed. In time will plausible to pay attention to the limitation of the deaf demonstrating that there is a minimum of equality towards those are not deaf - called "listeners" - whether in public places, the workplace and even in his private life. It will also explained the lack of knowledge or interest of listeners citizens and the lack of applicability of legal rules and the neglect with these people the which has great relevance towards the Right. Finally, it will be demonstrated by means of statistical research the amount of registered deaf in the Apucarana City, Paran State. KEYWORDS: DISABLED HEARING; LIBRAS; SOCIAL INCLUSION; EQUALITY.

1 INTRODUO

O presente trabalho versa sobre a incluso social dos

portadores de deficincia auditiva, juntamente da falta de acessibilidade que

eles encontram no dia-dia.

Inicialmente, sero abordadas questes referentes ao conceito

de deficiente auditivo, nomeclaturas, mtodo usado para a comunicao -

precisamente a Lngua Brasileira de Sinais, popularmente conhecida por

LIBRAS - e as dificuldades encontradas perante a sociedade.

Aps, sero abordadas as legislaces que tratam sobre os

deficientes auditivos, no mbito dos Tradados Internacionais, Leis Federais,

Estaduais e Municipais.

Ainda, leis que regulam a incluso dos surdos perante a

sociedade, consoante projeto de lei que coloca LIBRAS como disciplina

obrigatria no ensino de magistrio.

Na sequncia, tratatar-se- sobre o Princpio da Igualdade,

constante no artigo 5 da Constituio Federal de 1988, o qual veda a

discriminao de pessoas por qualquer natureza, muito embora a Lei possa

implantar diferenciaes justificveis, tendo em vista que a partir do

propsito de igualar os iguais na medida de suas igualdades e desigualar os

desiguais na medida de suas desigualdades que o novo modelo constitucional

tenta garantir ao cidado oportunidade de reparar injustias, dando

3

efetividade e dinamicidade ao princpio da igualdade, buscando o bem estar

social.

A doutrina elenca duas formas de igualdade: formal e material.

A igualdade formal est assegurada no artigo 5 CFB, sendo a igualdade

perante a lei. A igualdade material, tambm tratada por igualdade real, se

concretiza atravs da igualizao dos desiguais por meio de direitos socias.

Posteriormente, ser apresentada uma pesquisa acerca da

quantidade de surdos na Cidade de Apucarana-PR.

To logo, sero colacionadas jurisprudncias sobre o tema,

verificando-se, assim, como se porta o Poder Judicirio diante do surdo.

Por fim, atravs do elo das ideias, informaes e dados

apresentados, ser palpvel a verificao da falta de acessibilidade, e a

necessria incluso dos surdos perante a sociedade. Muito embora existam

normas que garantam isso, mormente so executadas.

2 A PESSOA COM DEFICINCIA AUDITIVA

Conforme mencionado no primeiro item 01 (um) desta

produo essencial conhecer o objeto sob o qual se encontra o foco. Ou seja,

a exata compreenso do trabalho requer o tratamento da definio dos termos

surdo e deficiente auditivo, juntamente da linguagem por eles utilizada.

2.1 DEFINIO DE DEFICIENTE AUDITIVO E SURDO

Primeiramente, de modo simples o dicionrio mdico traz uma

definio rpida e objetiva de surdo/deficiente auditivo como quem no ouve

ou ouve mal3. O antnimo disso ouvinte, que significa pessoa que ouve4.

Porm, ao analisar essa terminologia perante o Decreto n

5.626, de 22 de dezembro de 2005, em seu artigo 2, entende-se como

surdo/deficiente a pessoa que, por ter perda auditiva, compreende e interage

3 Dicionrio mdico. Disponvel em: http://www.xn--dicionriomdico-

0gb6k.com/display.php?action=search&word=surdo. Acesso em: 23/02/2015. 4 Dicionrio Aurlio. Disponvel em http://www.dicionariodoaurelio.com/ouvinte. Acessado em

23/02/2015.

4

com o mundo por meio de experincias visuais, manifestando sua cultura

principalmente pelo uso da Lngua Brasileira de Sinais LIBRAS5.

E o pargrafo nico considera pessoa com deficincia auditiva

com perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibis (dB) ou mais,

aferida por audiograma nas frequncias de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e

3.000Hz6.

O Decreto n 7.612, de 17 de novembro de 2011 que institui o

Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficincia - Plano Viver sem

Limite, em seu artigo 2, considera da seguinte forma as pessoas com

deficincia:

So consideradas pessoas com deficincia aquelas que tm impedimentos de longo prazo de natureza fsica, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interao com diversas barreiras, podem obstruir sua participao plena e efetiva na sociedade em igualdades de condies com as demais pessoas

7.

Aprofundando o assunto, os pesquisadores da Federao

Nacional de Educao e Integrao dos Surdos8 (FENEIS) entendem que a

terminologia Surdo atribuda a quem alfabetizado e tem a Lngua

Brasileira de Sinais (LIBRAS) como sua lngua materna. J a expresso

Deficiente Auditivo refere-se a quem no participa de associaes e no sabe

a LIBRAS.

Em suma, para a FENEIS, a diferena encontra-se no

conhecimento da LIBRAS, ou seja, aos que sabem e dominam este idioma.

Nesse sentido, Cludia A. Bisol e Carla Beatris Valentini

elencam duas formas de anlise da denominao surdo e deficiente auditivo: a

orgnica e a histrica/cultural.

5 BRASIL. Lei n 5626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de

abril de 2002, que dispe sobre a Lngua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Dirio Oficial da Unio, Braslia, 22 de dezembro de 2005. Disponvel em: . Acesso em: 21 mar 2015. 6 Idem

7 BRASIL. Decreto n 7.612, de 17 de novembro de 2011. Regulamenta o Plano Nacional dos

Direitos da Pessoa com Deficincia - Plano Viver sem Limite. Dirio Oficial da Unio, Braslia, 17 de novembro de 2011. Disponvel em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7612.htm >. Acesso em: 21 mar 2015. 8 FENEIS (Federao Nacional de Educao e Integrao com os Surdos). Kit LIBRAS

legal!, 2002.

5

A primeira forma entende que surdo e deficiente auditivo so

sinnimos utilizado

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