inclusão da artrite reumatoide

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  • 1. INCLUSO DA ARTRITE REUMATIDE ENTRE ASDOENAS GRAVES ESPECIFICADAS EM LEICludio Viveiros de Carvalho2005

2. ESTUDOCmara dos DeputadosPraa 3 PoderesConsultoria LegislativaAnexo III - TrreoBraslia - DFINCLUSO DA ARTRITE REUMATIDEENTRE AS DOENAS GRAVESESPECIFICADAS EM LEICludio Viveiros de CarvalhoConsultor Legislativo da rea XVISade Pblica, SanitarismoESTUDOJULHO/2005 3. 2SUMRIO1 ARTRITE REUMATIDE ................................................................................................................................ 31.1 ETIOLOGIA .................................................................................................................................................. 31.2 FISIOPATOLOGIA...................................................................................................................................... 41.3 QUADRO CLNICO.................................................................................................................................... 41.4 DIAGNSTICO............................................................................................................................................ 51.5 TRATAMENTO............................................................................................................................................. 62 DOENAS GRAVES ESPECIFICADAS EM LEI....................................................................................... 72.1 DOENAS ESPECIFICADAS EM LEI ................................................................................................112.2 BENEFCIOS ASSEGURADOS EM LEI..............................................................................................123 PROJETOS EM TRAMITAO ....................................................................................................................133.1 CMARA DOS DEPUTADOS................................................................................................................133.2 SENADO FEDERAL.................................................................................................................................144 DISCUSSO E CONCLUSO........................................................................................................................155 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ............................................................................................................16 2005 Cmara dos Deputados.Todos os direitos reservados. Este trabalho poder ser reproduzido ou transmitido na ntegra, desde quecitados o autor e a Consultoria Legislativa da Cmara dos Deputados. So vedadas a venda, a reproduoparcial e a traduo, sem autorizao prvia por escrito da Cmara dos Deputados.Este trabalho de inteira responsabilidade de seu autor, no representando necessariamente a opinio daCmara dos Deputados. 4. 3INCLUSO DA ARTRITE REUMATIDE ENTRE ASDOENAS GRAVES ESPECIFICADAS EM LEICludio Viveiros de CarvalhoEste estudo visa a avaliar a propriedade da incluso da artrite reumatideentre as doenas graves e incapacitantes que justificam benefcios tributrios, previdencirios etrabalhistas aos seus portadores.1 ARTRITE REUMATIDEA primeira descrio sobre artrite reumatide data de 1800, por LandrBeauvais, porm existem registros de alteraes articulares sugestivas desta doena desde ahistria antiga.A artrite reumatide (AR) uma doena sistmica do tecido conjuntivo,cuja manifestao caracterstica a inflamao crnica da membrana sinovial. Apesar de seucarter sistmico, a inflamao comumente acomete apenas as articulaes, poupando outrosrgos e sistemas. Quando no tratada, a AR leva a substancial comprometimento da qualidadede vida e a morte prematura.A doena acomete duas a trs vezes mais mulheres que homens, e oincio mais precoce tambm no sexo feminino. A prevalncia mundial de cerca de 1% dapopulao adulta, sem apresentar grandes variaes regionais; no entanto, aparenta ser maisfreqente no meio urbano que no rural. Ainda, algumas populaes na ndia e na fricaapresentam coeficientes mais elevados.1.1 ETIOLOGIAA etiologia da artrite reumatide no totalmente conhecida; vriosfatores parecem influenciar seu desenvolvimento, mas no existem evidncias definitivas daefetiva participao de cada um deles na gnese da doena. Segundo Carvalho e Xavier (p. 371),a etiologia da AR tem, at o momento, uma conotao multifatorial, que parece relacionarfatores comportamentais, fatores ambientais (vrus, bactrias, micoplasmas etc.); o patrimniogentico, em especial HLA-DR4 (talvez DR1 em algumas populaes); desequilbrio imunolgicoe alteraes neuroendcrinas. 5. 4Alguns estudos genticos apontam para caractersticas familiares da AR.O antgeno HLA contribui com um quarto do risco gentico; o restante se deve a um conjunto demltiplos genes. Postula-se que o desencadeamento e a manuteno do quadro sejamdeterminados, em indivduos geneticamente predispostos, por um desarranjo na homeostase dossistemas neuroendcrino e imunolgico causado por fatores externos.Embora no haja evidncia direta da participao de agentes infecciososna sua gnese, acredita-se que ela tambm exista. descrita, por exemplo, uma associaoimportante entre o vrus de Epstein-Barr e o desenvolvimento da artrite reumatide,possivelmente em decorrncia da semelhana entre antgenos virais e protenas do tecido normal.Ainda, a gestao aparenta desenvolver um papel na evoluo da AR,mais por influncia imunolgica que hormonal. comumente associada com a melhora doquadro clnico, chegando remisso em 75% dos casos; contudo, so comuns crises de recidivada doena algumas semanas aps o parto. Alm disso, a ocorrncia de gravidez precoce parecediminuir o risco de desenvolvimento de AR.1.2 FISIOPATOLOGIAA teoria mais aceita sugere que a progresso da artrite reumatide sejaum evento imunologicamente mediado, precipitado por antgenos desconhecidos. Os linfcitosCD4, ao reconhecerem esses antgenos na articulao, desencadeariam um processo inflamatrioque estimularia fibroblastos sinoviais; estes, semelhana de um tumor, invadiriam e destruiriam acartilagem articular, o osso subcondral, os tendes e os ligamentos.A inflamao seria conseqente sntese de mediadores inflamatrios,como interleucinas e fator de necrose tumoral (TNF). Existem evidncias de que alguns pacientesde AR, que possuem uma variao gentica do TNF, podem apresentar maior destruioarticular.A sinovite, segundo Carvalho e Xavier (p. 372-373), pode sercaracterizada microscopicamente por uma fase de exsudao, uma de infiltrao celular e,finalmente, pela formao de um tecido de granulao ... A fase crnica caracterizada por umamembrana sinovial hiperplasiada e hipertrofiada que forma um tecido de granulao que recobrea cartilagem e o osso subcondral (pannus).O pannus um tecido invasivo, composto por clulasque produzem grandes quantidades de enzimas destrutivas, que progressivamente substitui acartilagem hialina ... o resultado final a anquilose fibrosa ou ssea.1.3 QUADRO CLNICONa maior parte das vezes, a AR instala-se de maneira insidiosa eprogressiva; os sintomas iniciais podem ser articulares ou sistmicos, como fadiga, astenia, mal- 6. 5estar, febre ou dores musculoesquelticas. As articulaes mais freqentemente acometidas noincio so as dos punhos, das mos, dos ps, os ombros e joelhos; entretanto, com a evoluo doquadro, muitas outras podem ser envolvidas; caracterstico o comprometimento simtrico dasarticulaes.A intensidade da dor depende de vrios fatores, mas costuma sermoderada. Caracteristicamente, a sintomatologia lgica mais intensa pela manh, quando seacompanha da rigidez articular, ou noite.Com a evoluo do quadro, pode haver deformaes articularescaractersticas da AR, principalmente em mos, punhos, cotovelos, ps e tornozelos. As outrasarticulaes, mesmo no apresentando freqentes anquiloses, podem apresentar limitaesfuncionais de sua amplitude, prejudicando as atividades do paciente.Alm dos sintomas sistmicos iniciais, pode haver outras manifestaesextra-articulares de gravidade varivel. Os ndulos subcutneos so a manifestao maisfreqente, e podem significar maior gravidade do quadro. Vasculites, eventualmente associadascom neuropatia perifrica secundria, podem configurar quadros graves. Manifestaes de pele,pulmonares, neurolgicas, esplnicas e oculares so tambm descritas com maior ou menorprevalncia.Em estgios avanados, as manifestaes sistmicas da artrite reumatidepodem ser fatais; as articulares, ainda que de menor gravidade, podem determinar quadros deincapacidade para as atividades da vida diria e de invalidez para o trabalho.Raramente, pode manifestar-se de forma sistmica, caracterizando adoena de Still do adulto. Nesse caso, os pacientes costumam apresentar febre diria, associada aeritema rseo; linfadenopatia e leucocitose. O fator reumatide e os anticorpos antinucleares sonegativos. Os pacientes no apresentam ndulos subcutneos, mas o acometimento da colunacervical e as serosites so mais freqentes que em outros casos de AR.A AR pode tambm manifestar-se de forma mono ou oligoarticular, comincio sbito de sintomatologia de grande intensidade. O quadro evolui em crises, com perodosde remisso dos sintomas.1.4 DIAGNSTICOO diagnstico da artrite reumatide fundamentalmente clnico, baseadona anamnese e no exame fsico. Os exames complementares so inespecficos, mas em conjuntocom o quadro clnico, podem caracterizar o diagnstico.O hemograma pode apresentar anemia moderada, leucocitose, eosinofiliaou trombocitose. O teste de fixao do ltex e a reao de Waaler-Rose podem ser utilizadas paraa deteco dos fatores reumatides. Os anticorpos antinucleares costumam ser negativos, mas 7. 6podem estar presentes em baixa titulao, especialmente se associada a sndrome de Sjgren. Avelocidade de hemossedimentao (VHS) permite, muitas vezes, avaliar a presena e a evoluodo processo inflamatrio.Manifestaes radiolgicas podem auxiliar tanto no diagnstico quantono acompanhamento da evoluo do quadro. Alteraes nas pequenas articulaes das mos edos ps so as mais freqentes e precoces. Na coluna vertebral, o acom

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