IMPROVISAO NA MSICA POPULAR BRASILEIRA Final de...ao curso de Mestrado em Msica da Escola de Msica ... Contrabaixo Acstico Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI). 2. Performance Musical 3. I.

Download IMPROVISAO NA MSICA POPULAR BRASILEIRA   Final de...ao curso de Mestrado em Msica da Escola de Msica ... Contrabaixo Acstico  Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI). 2. Performance Musical 3. I.

Post on 22-Feb-2018

213 views

Category:

Documents

1 download

TRANSCRIPT

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIS ESCOLA DE MSICA E ARTES CNICAS BRUNO REJAN SILVA IMPROVISAO NA MSICA POPULAR BRASILEIRA INSTRUMENTAL (MPBI): ASPECTOS DA PERFORMANCE DO CONTRABAIXO ACSTICO !Goinia 2011 BRUNO REJAN SILVA IMPROVISAO NA MSICA POPULAR BRASILEIRA INSTRUMENTAL (MPBI): ASPECTOS DA PERFORMANCE DO CONTRABAIXO ACSTICO Produto Final (produo artstica e artigo) apresentado ao curso de Mestrado em Msica da Escola de Msica e Artes Cnicas da Universidade Federal de Gois, para obteno do ttulo de Mestre em Msica. rea de Concentrao: Msica na Contemporaneidade. Linha de Pesquisa: Msica, Criao e Expresso Musical - Performance Musical (Contrabaixo) Orientadora: Prof. Dr. Sonia Ray Goinia 2011 Dados Internacionais de Catalogao na Publicao na (CIP) GPT/BC/UFG S586i Silva, Bruno Rejan. Improvisao na Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI) [manuscrito]: aspectos da performance do contrabaixo acstico / Bruno Rejan Silva. - 2011. 74 f. Orientadora: Prof. Dr. Sonia Marta Rodrigues Raymundo. Dissertao (Mestrado) Universidade Federal de Gois, Escola de Msica e Artes Cnicas, 2011. Bibliografia. Inclui lista de exemplos musicais. Acompanha Recital de Defesa. 1. Contrabaixo Acstico Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI). 2. Performance Musical 3. I. Ttulo. CDU: 785 Aos meus pais Eleusa e Gildson pelo amor, carinho e ensinamentos dirios, e ao meu irmo Rodrigo, pela amizade e por apresentar-me o contrabaixo AGRADECIMENTOS a Deus, por seu amor e graa abundantes. aos meus familiares, pelo apoio, motivao e confiana. a minha noiva Raquel, pelo amor, companhia e apoio. ao programa de Ps-Graduao em Msica Strictu Sensu da EMAC/UFG, representado pela pessoa da Profa. Dra. Cludia Zanini e aos professores que, de forma singular, contriburam em cada disciplina. Pr-Reitoria de Pesquisa e Ps-Graduao (PRPPG) pela concesso da bolsa Reuni de estudos.! Prof. Dra. Snia Ray, por sua cumplicidade, amizade e dedicao em todo o processo desta pesquisa, contribuindo para minha formao enquanto msico pesquisador e tambm como pessoa. ao Prof. Everson Bastos pela amizade e pela contribuio no trabalho artstico, participando de vrios ensaios com pacincia e dedicao. ao flautista Everton Loredo, pela participao especial no Recital de Defesa de Mestrado, aos colegas do curso de Mestrado em Msica/UFG, que mesmo em curtos perodos de convivncia, compartilharam comigo de um mesmo ideal. aos meus amigos, que direta ou indiretamente contriburam com este trabalho. !!"!RESUMO Este trabalho trata de procedimentos de improvisao ao contrabaixo acstico no contexto da Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI). A literatura disponvel sobre msica popular instrumental concentrada no jazz norte-americano sendo que h muito a ser explorado e divulgado em relao ao material produzido e publicado no Brasil sobre MPBI, em particular sobre o contrabaixo. Autores como Piedade (2005) e Cirino (2009) discutem a escassa literatura disponvel e refletem sobre a improvisao na msica brasileira em geral. As idias desses autores so referncias para este trabalho, que aprofunda a discusso sobre improvisao por eles proposta e a estende para a improvisao ao contrabaixo, sobretudo na interpretao de gneros brasileiros. O objetivo principal deste trabalho discutir a utilizao de clulas rtmicas e melodias idiomticas em improvisos dos gneros brasileiros: baio, choro e samba. A metodologia do trabalho est organizada em trs etapas principais: 1) reviso da literatura em portugus e ingls; 2) seleo e discusso de elementos atravs da audio de gravaes audiovisuais, 3) aplicao dos elementos selecionados em improvisos de trechos de peas populares. O trabalho traz ainda anexos com partituras completas do recital de defesa e udio dos exemplos dos improvisos sugeridos. O resultado final da pesquisa (produto final de concluso do Curso de Mestrado em Msica) apresentado em duas partes: o recital de defesa (com incluso de peas com improviso de MPBI) que apresenta o produto artstico resultante da pesquisa e a defesa do artigo cientfico, que registra o processo percorrido pela pesquisa. Palavras-chave: Msica Popular Brasileira Instrumental, performance musical, improvisao e contrabaixo acstico. !!#!ABSTRACT This paper deals with improvisation procedures for double bass in Instrumental Brazilian Popular Music (MPBI). Available literature on instrumental popular music focuses on North American jazz, however there is much to be explored and released concerning the material produced and published in Brazil about MPBI, particularly on double bass. Authors such as Piedade (2005) and Cirino (2009) discuss the scarce available literature and ponder on improvisation in overall Brazilian music. These authors' ideas are references to this work, which deepens their proposed discussion of improvisation and spreads it to double bass improvisation, mostly in interpretation of Brazilian genres. This paper's main goal is to discuss the use of rythmic cells and idiomatic melodies in improvisation for Brazilian genres baio, choro and samba. The work's methodology is made up of three main steps: 1) literary review in Portuguese and English; 2) selection and discussion of elements through hearing of audiovisual recordings, 3) applying selected elements to improvisation on popular themess excerpts. The work will also bring appendixes with full sheets for the defense recital and audio samples for the suggested improvisations. The research's final results (final product for concluding the Master's Degree in Music course) are presented in two parts: the defense recital (including themes with MPBI improvisation), which presents the research-originated artistic product, and the scientific articles defense, which records the process of research itself. Keywords: Instrumental Brazilian Popular Music, music performance, improvisation and acoustic bass. !!$!LISTAS DE EXEMPLOS MUSICAIS Exemplo 1 Sncopas e notas repetidas - elementos selecionados do trecho da msica Baio (CARIOCA, 2000). Faixa 1, 311 317 ................................................................... 34 Exemplo 2 Aplicao de sncopas e notas repetidas no baio. Elaborado pelo autor ...................................................................... 34 Exemplo 3 Grupetto, cromatismo e arpejos - elementos selecionados do trecho da msica Pau de Arara (COSTA E DOMINGUINHOS, 2010). Faixa 13, 143 150 .................................................................. 35 Exemplo 4 Aplicao de grupetto, cromatismo e arpejos no baio. Elaborado pelo autor ...................................................................... 36 Exemplo 5 Ligaduras, uso de cordas soltas e arpejo - elementos selecionados do trecho da msica Carioquinha (COSTA E DOMINGUINHOS, 2010). Faixa 11, 115 121 .................................................................. 37 Exemplo 6 Aplicao de ligaduras, uso de cordas soltas e arpejo no choro. Elaborado pelo autor ...................................................... 37 Exemplo 7 Modificao do material temtico - elemento selecionado do trecho da msica Um a Zero interpretada pelo bandolinista Danilo Brito (2011). Vdeo, 129 133 .................................... 38 Exemplo 8 Trecho inicial da melodia de Um a Zero (CARRASQUEIRA, 1997) ............................................................ 38 Exemplo 9 Trecho inicial da melodia de Receita de Samba ............................ 39 Exemplo 10 Aplicao de modificao do material temtico no choro. Elaborado pelo autor ...................................................................... 39 Exemplo 11 Cromatismo e sncopas - elementos selecionados do trecho da msica Enchendo o Lato (HOLANDA E MEHMARI, 2007). Faixa 8, 105 108 .................................................................... 39 Exemplo 12 Aplicao de cromatismo e sncopas no samba. Elaborado pelo autor ...................................................................... 40 Exemplo 13 Citao em contexto, staccato e ritmo contextualizado - elementos selecionados do trecho da msica Enchendo o Lato (HOLANDA E MEHMARI, 2007). Faixa 8, 236 244 .................................................................... 41 Exemplo 14 Aplicao de citao em contexto, staccato e ritmo contextualizado no samba. Elaborado pelo autor ........................... 41 !!%!SUMRIO RESUMO .................................................................................................. 6 ABSTRACT .............................................................................................. 7 LISTAS DE EXEMPLOS MUSICAIS .................................................. 8 SUMRIO ................................................................................................ 9 PARTE A: PRODUO ARTSTICA RECITAL DE DEFESA .......................................................................... 12 NOTAS DO PROGRAMA DO RECITAL DE DEFESA .................... 13 CONCERTO DA BANDA PEQUI NA XX ANPPOM ........................ 16 CONCERTO DE MPBI QUINTETO ................................................. 17 RECITAL DE MSICA DE CMARA PARA CONTRABAIXO 18 RECITAL DE MSICA DE CMARA PARA DUETOS DE CONTRABAIXOS ................................................................................... 19 PARTE B: ARTIGO IMPROVISAO NA MSICA POPULAR BRASILEIRA INSTRUMENTAL: ASPECTOS DA PERFORMANCE DO CONTRABAIXO ACSTICO INTRODUO ........................................................................................ 21 1 REVISO DE LITERATURA ............................................................... 25 1.1 IMPROVISAO E CONTRABAIXO ................................................... 25 1.2 MSICA POPULAR BRASILEIRA INSTRUMENTAL ........................ 28 2 SELEO DE ELEMENTOS A SEREM UTILIZADOS NOS IMPROVISOS DE MPBI ........................................................................ 31 2.1 PRIMEIRO CRITRIO: QUANTO PROCEDNCIA DAS GRAVAES ........................................................................................... 31 2.2 SEGUNDO CRITRIO: QUANTO AOS GNEROS ............................. 31 2.3 TERCEIRO CRITRIO: QUANTO QUESTES IDIOMTICAS DO CONTRABAIXO ............................................................................... 32 3 DISCUSSO E APLICAO DOS ELEMENTOS SELECIONADOS .................................................................................... 33 3.1 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO BAIO: DESLOCAMENTO DE TEMPO E NOTAS REPETIDAS ..................... 34 3.2 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO BAIO: GRUPETTO, CROMATISMO E ARPEJOS ............................................ 35 3.3 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO CHORO: LIGADURAS, USO DE CORDAS SOLTAS E ARPEJO ....................... 37 3.4 IDENTIFICAO E APLICAO DO ELEMENTO DO CHORO: MODIFICAO DO MATERIAL TEMTICO ..................................... 38 3.5 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO SAMBA: CROMATISMO E SNCOPAS .............................................................. 39 !!&'!3.6 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO SAMBA: CITAO EM CONTEXTO, STACCATO E RITMO CONTEXTUALIZADO ............................................................................ 41 CONSIDERAES FINAIS .................................................................. 43 REFERNCIAS ....................................................................................... 46 ANEXOS ................................................................................................... 50 !!!!PARTE A: PRODUO ARTSTICA !!"#!UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIS Escola de Msica e Artes Cnicas Programa de Ps-Graduao em Msica RECITAL DE DEFESA DE MESTRADO Auditrio Belkiss Carneiro de Mendona Goinia, 30 de Abril de 2011 10 horas BRUNO REJAN SILVA, contrabaixo (candidato) PROGRAMA Santino Parpinelli (1912 - 1991) Jongo Adriano Giffoni (1959) Sandrino no Choro Hermeto Pascoal (1936) Beb Luiz Gonzaga (1912 - 1989) Baio Antnio Carlos Jobim, Tom Jobim (1927 - 1994) S Dano Samba Antnio Carlos Jobim, Tom Jobim (1927 - 1994) Corcovado Jacob do Bandolim (1918 - 1969) Recita de Samba Bruno Rejan (1985) T em casa Msicos Convidados: Piano: Everson Bastos Flauta: Everton Loredo Recital apresentado por Bruno Rejan Silva ao curso de Mestrado em Msica da Escola de Msica e Artes Cnicas da Universidade Federal de Gois, como requisito parcial para a obteno do ttulo de MESTRE EM MSICA. rea de Concentrao: Msica Criao e Expresso. Linha de Pesquisa: Performance Musical e suas Interfaces (Contrabaixo). Orientadora: Dra. Sonia Ray. !!"$!UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIS Escola de Msica e Artes Cnicas Programa de Ps-Graduao em Msica RECITAL DE DEFESA DE MESTRADO Auditrio Belkiss Carneiro de Mendona Goinia, 30 de Abril de 2011 10 horas NOTAS DE PROGRAMA As obras apresentadas neste recital pertencem aos gneros baio, choro e samba. Estes gneros, no contexto da msica instrumental, participam do grande grupo Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI), o qual rene alm dos trs gneros apontados, outros como maracatu, afox e xote. Na MPBI, os diversos gneros brasileiros dialogam com gneros estrangeiros como o jazz e o rock. Neste recital ser explorado a improvisao, caracterstica presente na MPBI. Porm, apesar de o dilogo com musicalidades de outros gneros ser comum neste contexto, para esta apresentaco, buscou-se nos improvisos, a nfase das musicalidades brasileiras. A seleo das msicas para este recital foi cautelosa para que no se inclussem peas desfavorveis s condies tcnicas, anatmicas e timbrsticas do contrabaixo. Para isto, selecionou-se sete obras dos gneros baio, choro e samba que se destacam pela relevncia do autor, pela relao idiomtica com o contrabaixo e pela relevncia da obra no contexto da MPBI. Estes destaques sero comentados em seguida. A msica Jongo foi composta pelo violinista Santino Parpinelli (1912-1991), cujo pai era contrabaixista. Parpinelli foi integrante do Quarteto Brasileiro de Cordas por 37 anos e conviveu com o contrabaixista Sandrino Santoro. A herana paterna e a convivncia com Sandrino influenciou o violinista a compor, dentre poucas obras de sua histria, seis peas para contrabaixo. Estas peas se destacam pelos aspectos idiomticos ao contrabaixo e pelas influncias da cultura brasileira, em especial do folclore. Jongo por exemplo, uma manifestao cultural rural (dana de umbigada associada cultura africana no Brasil) que contribuiu para a formao do samba. A segunda msica, Sandrino no Choro homenageia o contrabaixista Sandrino Santoro, professor de vrios msicos, estudantes e profissionais, inclusive !!"%!do compositor desta pea, Adriano Giffoni (1959). Giffoni contrabaixista profissional e j trabalhou com vrios artistas e grupos da MPB, como Gal Costa, Roberto Menescal, Quarteto em Cy, Joyce, Joo Donato, Nana Caymmi, Joo Bosco, Leila Pinheiro, Joo Donato, Maria Bethnia e Leny Andrade. Alm desse trabalhos, j gravou sete cds com composies prprias, com destaque para o contrabaixo solo. Esta pea apresenta caractersticas idiomticas para execuco com arco ou pizzicato e possui aspectos rtmicos e meldicos do choro como arpejos, cromatismos e sncopes. A obra Beb, do multi-instrumentista Hermeto Pascoal (1936) apresenta uma das marcas do compositor: a mescla entre aspectos da msica popular brasileira e aspectos estrangeiros (europeus e americanos). Hermeto tem uma partcipaco fundamental na MPBI, desde a dcada de 60, perodo em que integrou grupos como Som Quatro, Sambrasa Trio e Quarteto Novo. Desde ento, Hermeto se preocupa com a manuteno das musicalidades brasileiras. Tal fato se verifica em suas composies: Chorinho pra Ele, Forr Brasil, Frevo em Macei e outras. Dentre tantas, a pea no gnero baio Beb, se enquadra no grupo das que foram executadas e gravadas por vrios msicos renomados como Heraldo do Monte, Hamilton de Holanda, Tho de Barros, Willian Magalhes, Cludio Bertrami e Andr Mehmari. A execuo desta pea tornou-se frequente nas Jam Sessions no Brasil. A quarta msica do recital uma composio de Luiz Gonzaga (1912 - 1989), personalidade nordestina de carter artstico reconhecido. Gonzaga era sanfoneiro, cantor e compositor. Ele foi um dos responsveis por difundir o gnero baio no Brasil atravs de parcerias com Humberto Teixeira e Z Dantas, os quais escreveram letras para maioria de suas msicas. A obra Baio traz elementos do gnero baio, frequentes nas composies de Gonzaga como acordes maiores com stima menor e melodia composta de notas da escala mixoldia. A letra da msica, alm disso, exalta o gnero, apresentando-o ao pblico e comparando-o com outros gneros, na tentativa de convencer os ouvintes que o baio tinha um qu (expresso usada na letra da msica) que outros gneros no tinham. As obras S dano samba e Corcovado so composies do pianista, violonista e compositor Tom Jobim (1927 - 1994). S dano samba apresenta traos das antigas composies de samba, acordes simples e uma base rtmico-harmnica sincopada, enquanto que Corcovado apresenta caractersticas do renascimento do samba no final da dcada de 50, a bossa-nova. Nesta ltima pea observa-se acordes dissonantes com funes harmnicas modais; a base rtmico-harmnica no to !!"&!marcada como na outra pea e a melodia mais melanclica, com ritmo menos acentuado. Tom Jobim um importante compositor da MPB, autor de vrias canes, transitando principalmente pelo samba e bossa-nova. A exemplo de outros sambas cita-se Samba de uma nota s e Wave. A exemplo de outras bossas-novas cita-se Insensatez e Lgia. Jobim foi um artista cujas composies tiveram muitas regravaes. O saxofonista de jazz Stan Getz por exemplo, gravou um disco intitulado Jazz Samba com composies de Jobim. A veiculao das obras de Jobim no cinema, no rdio e em outros veculos de mdia contriburam para que o o compositor obtivesse reconhecimento internacional. Atualmente, vrias peas de Jobim participam de um livro americano que rene os standards de jazz, The Real Book. A stima obra Receita de Samba de Jacob do Bandolim (1918 - 1969). O bandolinista Jacob foi um importante compositor e instrumentista do choro. Comps diversas obras importantes como Noites Cariocas e Doce de Cco. Receita de Samba se destaca particularmente, por um arranjo do trombonista Z da Velha e do trompetista Silvrio Pontes, em que o trombonista simula o violo de sete cordas fazendo os contracantos da baixaria. Esse arranjo foi adaptado para este recital, sendo que o contrabaixo executa a linha meldica que o trombone executaria. A ltima obra uma composio minha, um samba com ttulo de T em casa. uma expresso popular que no contexto da composio, transmite a idia de que quando se executa um samba, o intrprete sente o conforto e a paz de estar em sua casa. T em casa uma melodia acompanhada com influncias harmnicas do jazz e melodia sincopada. Essa composio resultado de pesquisas e experincias na MPBI de dez anos, principalmente dos ltimos dois, os quais dediquei para a pesquisa do mestrado. !!"'!UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CATARINA CEART Espao Central do Bloco Amarelo XX Congresso Nacional da Anppom Florianpolis, 27 de agosto de 2010 16h30 CONCERTO DA BANDA PEQUI PROGRAMA Baden Powell (1937) Berimbau (arr. Tarantilio) Ary Barroso (1903 - 1964) Isso Aqui (arr. Neves) Chico Buarque (1944) Pelas Tabelas (arr. Jarbas Cavendish) Hermeto Pascoal (1936) - Vale da Ribeira (arr. Diones Correntino) Rafael dos Santos Jirau (arr. R. Dos Santos) Nelson Farias (1963) Brooklyn High (arr. Nelson Farias) Maurcio Einhor (1932) Estamos A (arr. Nelson Farias) Dorival Caimmy (1914 - 2008) Maracangalha (arr. Jarbas Cavendish) Gilberto Gil (1942) Lamento Sertanejo (arr. Jarbas Cavendish) Rafael dos Santos Samba da Borda (arr. R. Dos Santos) Cip Muderninho (arr. Adail Fernandes) Nelson Farias (1963) Ioi (arr. Nelson Farias) Joo Bosco e Aldir Blanc Linha de Passe (arr. Ney Couteiro) Moacir Santos (1926 - 2006) Coisa no 10 (arr. Adail Fernandes) Msicos Saxofones: Antnio Alves (Foka), Juarez Portilho, Everton Matos, Philip Jonathas e Marcos Lincon. Trompetes: Manasss Arago, Alan Peixoto, Rogrio Pinheiro e Antnio Cardoso. Trombones: Lus Fagner, Kalebe Pinheiro, Jacks Douglas e Magno Santos. Piano: Everson Bastos Percusso: Fbio Oliveira e Diego Amaral Guitarra: Fabiano Chagas Bateria: Jader Steter Contrabaixo: Bruno Rejan* Regncia: Jarbas Cavendish * Bruno Rejan candidato a Mestre em Msica, no Programa de Ps-Graduao em Msica da UFG. !!"(!UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIS Escola de Msica e Artes Cnicas- UFG Teatro Belkiss Carneiro de Mendona Projeto Msica na Escola de Msica - Temporada 2010 Goinia, 07 de abril 09h20 CONCERTO DE MPBI - QUINTETO PROGRAMA Carlos Lyra (1936) S dano samba Guinga (1950) Cheio de Dedos Hermeto Pascoal (1936) Montreux Noel Rosa (1910 - 1937) Feitio de Orao Fabiano Chagas Baio de 12 Wayne Shorter (1933) Footprints Msicos: Fabiano Chagas, guitarra Bruno Rejan, contrabaixo* Fbio Oliveira, bateria e percusso Diones Correntino, piano Jonhson Machado, sax e clarineta * Bruno Rejan candidato a Mestre em Msica, no Programa de Ps-Graduao em Msica da UFG. !!")!UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIS Escola de Msica e Artes Cnicas- UFG Mini-auditrio da EMAC UFG Goinia, 1 de dezembro de 2009 12h00 RECITAL DE MSICA DE CMARA PARA CONTRABAIXOS PROGRAMA A. Vivaldi (1678 - 1741) Hugleivison, contrabaixo Sonata em Mi Menor Andante Allegro K.V. Dittersdorf (1739 - 1799) Concerto em D Maior Andante Sylvia Costa e Silva, contrabaixo B. Marcello (1650 - 1800) Sonata em Sol Menor Adagio Allegro W. Byrd (1543 - 1623) Contrabaixos: Salute (a canon) Sonia Ray, Ricardo Newton, Paulo Dantas e Sylvia Costa e Silva Ignace Pleyel (1751 - 1831) Contrabaixos: Duetto Bruno Rejan* e Paulo Dantas Joseph Haydn (1732 - 1809) Echo D. Anderson (1971) Kibbles & Kibitz Parade of the Politically Prudent Pigs Contrabaixos: Sonia Ray Lament Ricardo Newton Blue Cheeze Rush hour * Bruno Rejan candidato a Mestre em Msica, no Programa de Ps-Graduao em Msica da UFG. !!"*!UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIS Escola de Msica e Artes Cnicas Mini-auditrio da EMAC UFG IX SEMPEM SEMINRIO NACIONAL DE PESQUISA EM MSICA Goinia, 15 de outubro de 2009 13h30. RECITAL DE MSICA DE CMARA PARA DUETOS DE CONTRABAIXOS PROGRAMA John Lennon (1940 - 1980) e Paul McCartney (1942) Eleanor Rigby - Arr. John Schimek Contrabaixo I: Paulo Dantas Contrabaixo II: Diuliano Lucena Contrabaixo III: Lucas Costa Contrabaixo IV: Bruno Rejan* Contrabaixo V: Ricardo Newton Tony Osborne (1947) Kick Start (da suite All in a Days Work) Contrabaixo I: Paulo Dantas Contrabaixo II: Diuliano Lucena Contrabaixo III: Lucas Costa Contrabaixo IV: Bruno Rejan Rufus Reid (1944) Almost but maybe Contrabaixo I: Paulo Dantas Jamil Joanes (1952) Contrabaixo II: Bruno Rejan De ombro Nico Assumpco (1954 - 2001) Paca Tatu Cotia No Hermeto Pascoal (1936) Bruno Rejan, contrabaixo Montreux Everson Bastos, piano 1o de junho de 1997 Reuel, bateria Ginga Carioca * Bruno Rejan candidato a Mestre em Msica, no Programa de Ps-Graduao em Msica da UFG. PARTE B: ARTIGO IMPROVISAO NA MSICA POPULAR BRASILEIRA INSTRUMENTAL (MPBI): ASPECTOS DA PERFORMANCE DO CONTRABAIXO ACSTICO !!"#!INTRODUO Este trabalho trata de procedimentos de improvisao ao contrabaixo acsticoi na Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI). O autor entende por procedimentos de improvisao, recursos improvisatrios utilizados por performers de diferentes instrumentos para criar solos, frases, trechos ou idias musicais em tempo real, tais como: clulas rtmicas e melodias idiomticas de gneros musicais. O termo MPBI usado em definies que variam um pouco entre si, porm no so contraditrias. Neste trabalho utilizada com prioridade a definio do etnomusiclogo Accio Piedade (2005) para se referir msica instrumental brasileira ou o jazz brasileiro. Segundo o pesquisador, MPBI um subgrupo da MPB que rene diversos gneros como baio, samba, bossa-nova e outros misturados ou no com gneros estrangeiros como o jazz, rock, soul e msica erudita. O pesquisador Giovanni Cirino (2009) corrobora as reflexes de Piedade sobre a relao da MPBI com o jazz. Esta relao ocorre principalmente atravs dos aspectos improvisatrios e da forma (tema, parte para improvisao, reexposio do tema). Cirino expande estas idias complementando-as com outros aspectos relevantes da formao e das caractersticas da MPBI. As idias destes autores so os referenciais tericos deste trabalho. Ambos, Piedade e Cirino, abordam caractersticas da MPBI que auxiliam a compreenso da performance musical de improvisao neste gnero. Apesar de comentarem sobre a heterogeneidade dos caracteres que envolvem a MPBI (caracteres de diferentes nacionalidades), os autores deixam claro que tais caracteres no se misturam a ponto de converterem-se num novo elemento. Assim, torna-se possvel a manipulao individual dos aspectos brasileiros, europeus e norte-americanos. Piedade (2005) comenta sobre a improvisao na MPBI e sua relao de aproximao e distanciamento do jazz. Segundo o autor, essa relao se d por uma frico de musicalidades. As musicalidadesii brasileiras e norte-americanas estabelecem um dilogo fricativo na MPBI, como que num confronto hora percebe-se o uso de elementos rtmicos meldicos do jazz bebop, como escalas de blues, swing feeliii (aproximao), hora percebe-se o uso de elementos rtmicos meldicos de estilos brasileiros tais como samba, maracatu, frevo e baio. (distanciamento). Esse confronto se d de forma livre; ao mesmo tempo em que a MPBI assimila as !!""!caractersticas do jazz, ela evita essa linguagem atravs das musicalidades brasileiras. Para o autor, os elementos das musicalidades brasileiras so evidentes, uma vez que estas no se misturam, mas se friccionam. Ele cita alguns desses elementos na improvisao: melodias de canes populares adaptadas em diferentes ritmos-harmnicos, uso de idiomas regionais (como a msica nordestina) e uso de clulas rtmicas de estilos brasileiros. Cirino (2009) tambm comenta sobre a improvisao na MPBI, pontuando alguns aspectos importantes. O autor apresenta a hibridao na msica popular brasileira instrumental, em que elementos brasileiros, populares, tradicionais, estrangeiros, eruditos e modernos se articulam numa espcie de tranaiv. Esses diversos elementos compem o carter universalista da identidade na msica instrumental brasileira. Na descrio do autor, essa identidade indica que a relao de pureza na MPBI est mais vinculada ao manejo dos diversos elementos do que ao contedo destes. Estes aspectos so observados a partir da experincia musical e da performance (ao vivo e em gravaes) de msicos e grupos selecionados. Cirino (2009) e Piedade (2005) comentam a existncia de diferentes musicalidades na MPBI, mas no aprofundam sobre as caractersticas de cada uma delas. Alguns autores apresentam trabalhos especificando aspectos musicais de outras nacionalidades, como Schulz (2007) e Haro (2006) que abordam respectivamente, elementos das msicas barroca e contempornea no contexto da improvisao. Existem publicaes que destacam elementos de nacionalidade brasileira, a exemplo de Korman (2004), Gomes (2003) e Visconti (2005). Contudo, trabalhos como os de Ray (1999), Borm e Santos (2003) evidenciando os aspectos musicais brasileiros ao contrabaixo, ainda so raros. Trabalhos sobre improvisao idiomtica no so escassos. Diversos autores publicaram materiais recentes abordando o tema em questo. Schulz (2007) comenta a improvisao na msica barroca ao piano, destacando a ornamentao, a variao do ritmo e a mudana de instrumentos enquanto procedimentos de improvisao pertinentes ao estilo da msica barroca. Haro (2006) aborda a improvisao na msica contempornea de concerto ao piano, sugerindo exerccios para executar a improvisao na cadenza da pea The days fly by de Frederic Rzewski. Alm dessas publicaes recentes, pode-se apontar alguns mtodos de autores importantes. Aebersold (1992) dialoga sobre aspectos da improvisao no jazz de modo geral. O autor salienta principalmente a relao entre as escalas e as harmonias !!"$!mais utilizadas no estilo. Baker (1985) comenta sobre um estilo particular do jazz, o Bebop. Ele apresenta ritmos usuais do Bebop, o processo de construo meldica das frases e particularidades de alguns instrumentistas de destaque, como por exemplo Charlie Parker. A improvisao jazzstica ao contrabaixo, segundo Sher e Johnson (1993) abordada atravs de exerccios e estudos que auxiliam a criao de frases contextualizadas com o estilo e com as possibilidades do instrumento. Assim como na msica europia e no jazz, existem publicaes abordando a improvisao na Msica Popular Brasileira Instrumental. O pianista, compositor e educador Cliff Korman (2004) destaca as baixarias do violo, as variaes rtmico-meldicas do tema e as dinmicas como elementos importantes da improvisao no choro. O guitarrista e pesquisador Eduardo Visconti (2005) enfatiza as concepes musicais do guitarrista Heraldo do Monte, demonstrando elementos da msica brasileira em suas composies e improvisos transcritos. Existem diversos trabalhos abordando a improvisao na MPBI, porm poucos relacionando-a com a performance ao contrabaixo. Dentre as publicaes relevantes sobre o tema est o trabalho dos instrumentistas Fausto Borm (contrabaixo) e Rafael dos Santos (piano) que demonstram, em artigo publicado em 2003, tcnicas de arco e pizzicato no contrabaixo em obras da MPB. No texto os autores tambm destacam algumas caractersticas musicais relacionadas interpretao e a compreenso de elementos rtmico-meldicos ao contrabaixo e comentam sobre a improvisao em seus instrumentos. O contrabaixista Paulo Dantas de Assis (2010) aprofunda mais o assunto da improvisao ao contrabaixo na MPBI, a medida em que aborda a tcnica de arco no jazz brasileiro, tambm chamado samba jazz. Como acrscimo esta literatura de rea, este trabalho pretende contribuir com a ampliao dos materiais disponveis sobre improvisao na MPBI, particularmente ao contrabaixo. Para tal, prope uma discusso seguida de aplicao de elementos rtmicos-meldicos em trechos musicais selecionados. A metodologia do trabalho est organizada em trs etapas principais: 1) reviso da literatura em portugus e ingls; 2) seleo e discusso de elementos atravs da audio de gravaes audiovisuais, 3) aplicao dos elementos selecionados em improvisos de trechos de peas populares. O trabalho traz ainda anexos com partituras completas do recital de defesa e udio dos exemplos dos improvisos sugeridos. O resultado final da pesquisa (produto final de concluso do Curso de Mestrado em Msica) apresentado em duas partes: o recital de defesa (com incluso de peas com improviso de MPBI) !!"%!que apresenta o produto artstico resultante da pesquisa e a defesa do artigo cientfico, que registra o processo percorrido pela pesquisa. !!"&!1. REVISO DE LITERATURA Nesta primeira parte do artigo ser apresentada uma reviso da literatura de temas que cercam o trabalho: improvisao, contrabaixo acstico e Msica Popular Brasileira Instrumental. As obras consultadas foram selecionadas pela relevncia neste trabalho. Sobre improvisao, buscou-se evidenciar os trabalhos que a tratassem no contexto da msica popular. Sobre contrabaixo, fez-se o mesmo. Encontrou-se diversas discusses sobre Msica Popular Brasileira Instrumental ou mesmo a Msica Popular Brasileira, que em sua maior parte, revelaram aspectos sociais, de formao de povo e identidade de nao. Aquelas que relacionaram tais aspectos aos musicais foram destacados nesta reviso. Este captulo foi realizado atravs de consultas a livros, peridicos, anais, dicionrios, websites, cds, vdeos e dissertaes. A reviso est organizada em: 1) Improvisao e contrabaixo, e 2) Msica Popular Brasileira Instrumental. 1.1 IMPROVISAO E CONTRABAIXO A improvisao um tema que obteve bastante ateno em pesquisas recentes (BORM e SANTOS, 2003; VISCONTI, 2005; e ASSIS 2010). Em diferentes contextos, observou-se enfoques complementares sobre este assunto, que conceituado nos dicionrios como ato de improvisar, aquilo que se improvisa, execuo e criao realizadas sem prvia preparao. Na improvisao musical esse conceito apresenta algumas adaptaes que sero apontadas a seguir.!Nettl (2010) afirma que a improvisao um estado no finalizado da composio. Tal idia permite relacionar composio e improvisao como partes uma da outra ou em alguns casos, como sinnimos. A afirmao do autor permite deduzir que a improvisao, assim como a composio pode ser elaborada/ executada preliminarmente. Borm e Santos (2003, p. 4) corroboram esta idia apontando que a estruturao prvia dos improvisos atravs do conhecimento das estruturas rtmico-meldicos e da harmonia pertinente ao estilo em que se improvisa eficaz para a performance deste discurso aparentemente aleatrio. O violinista de jazz Joe Venuti um exemplo claro de que a composio dos improvisos uma prtica comum entre os improvisadores. Venuti destaca que para se executar um bom chorus de improviso no jazz preciso saber escrever um bom chorus (VENUTI, sd., p. 76). !!"'!Haro (2006, p. 11) tambm corrobora este conceito, demonstrando que ao elencar recursos teis para a improvisao (grupos meldico-rtmicos, arpejos, escalas) o improvisador reduz a quantidade de decises que precisam ser tomadas ao longo da performance. Neste caso pode-se afirmar que no pre-requisito para o performer ter espontaneidade plena nos improvisos, mas necessrio que a criatividade, sensibilidade e outros adjetivos subjetivos aliem-se a um trabalho pragmtico e metdico de compreender ao menos, a estrutura harmnica, a estrutura rtmica e as escalas necessrias para uma improvisao satisfatria. Os metdos de improvisao no jazz estabelecem que a improvisao resultado de estudo e preparao. Autores como Baker (1985) e Aebersold (1992) apresentam mtodos sequenciais de estudo: demonstrao das escalas empregadas em diferentes situaes harmnicas e exerccicios com frases musicais, utilizando play-along com bateria, piano e contrabaixo para criar um ambiente sonoro de jazz, enquanto o improvisador executa os exerccios. Outros ainda, trazem transcries de improvisos de grandes msicos como Charlie Parker (AEBERSOLD e SLONE, 1981). Mtodos como esses facilitam a compreenso inicial da linguagem do jazz e a tornam acessveis independente da distncia do pas de origem (EUA). Ainda so poucos os mtodos que se destinam a fazer o mesmo com outras linguagens, como a msica brasileira, msica cubana, msica africana e outras. Por outro lado, a pesquisa acadmica no Brasil tem aumentado sua ateno para a improvisao brasileira. Visconti (2005) discute traos de brasilidade na improvisao de Heraldo do Monte, apresentando estruturas rtmicas utilizadas em estilos brasileiros como samba, baio e maracatu, e aponta algumas escalas encontradas, como a drica, escala frequentemente utilizada nas melodias cantadas de baies. As reflexes apresentadas por Visconti (2005) concordam com outros autores, principalmente em caractersticas estilsticas que apontam para uma improvisao idiomtica. A improvisao idiomtica inerente vrias propostas, como a improvisao na Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI), a improvisao no jazz e a improvisao no choro. Ao contrrio de Costa (2007), que discute a improvisao livrev, partindo de quaisquer pressupostos, sem depender de nenhum deles, os autores que refletem sobre a improvisao idiomtica estabelecem critrios preliminares para a preparao de uma performance. Valente (2008, p. 2) utiliza a expresso improvisao idiomtica para determinar a caracterstica da improvisao no choro. A autora analisa dois improvisos de msicos importantes neste estilo, Pixinguinha e !!"(!K-Ximbinho, demonstrando aspectos do estilo improvisado. Haro (2006) tambm compartilha desta idia ao apontar elementos iniciais para preparar uma performance de improvisao em msica contempornea de concerto. O autor utiliza a expresso improvisao contextualizada. O contrabaixo acstico teve, e ainda tem, grande representatividade na improvisao, principalmente na linguagem jazzstica. Pode-se citar nomes como Ray Brown, Charles Mingus, John Patitucci, Christian McBride, Avishai Cohen, Brian Broomberg e outros. No contexto da msica brasileira apresentam-se tambm vrios nomes, como: Paulo Russo, Paulo Paulelli, Clio Barros, Lus Chaves, dentre outros. A maioria dos contrabaixistas utilizam a tcnica de pizzicato para improvisao, porm h alguns que utilizam o arco. A utilizao do arco promove novas opes tcnicas e tmbricas. Sobre o arco, Assis (2010) discute seu uso em improvisao na MPBI. O autor aborda estratgias de estudo para uma performance satisfatria, observando critrios da linguagem da MPBI e, principalmente das maneiras de friccionar o arco sobre as cordas para obter um som prprio para a linguagem popular no momento da improvisao. Como exemplo, pode-se citar o uso da regio central do arco, com arcadas para cima e para baixo. Borm e Santos (2003) tambm sugerem maneiras de executar msica popular com arco propondo a emulao de sons de instrumentos como o violo e a voz. O uso da tcnica expandida tambm um recurso utilizado por alguns contrabaixistas no momento da performance de improvisao. Um exemplo evidente o grupo LOrchestre de Contrebasses (GENTET, 2010). O contrabaixista Clio Barros tambm utiliza esta tcnica. Ele ainda adiciona equipamentos ao contrabaixo como pregadores de roupa, criando um contrabaixo preparado (BARROS, C.; FREIRE, F.; ROHRER, T, 1999). A improvisao um tema amplo que pode ser abordado sob a forma idiomtica ou livre. Ela apresenta relao com a composio, podendo ser explorado momentos anteriores performance, de forma que o performer se situe em relao s progresses harmnicas, ritmos, melodias, dinmicas e articulaes tpicas da linguagem trabalhada. A improvisao ao contrabaixo permite a utilizao de diversos recursos: pizzicato, com arco, e com tcnicas expandidas. Essa diversidade possibilita ao instrumentista, no s uma execuo coerente com a linguagem, mas criativa e de nvel tcnico elevado. Na MPBI, percebe-se com frequncia a utilizao da improvisao idiomtica. No contrabaixo acstico os recursos tcnicos se concentram !!")!no uso do pizzicato. A improvisao livre talvez no seja a ideal para a MPBI pois no se concentra em destacar elementos da linguagem, porm, o uso do arco e de tcnicas expandidas pode ampliar os recursos sonoros na improvisao ao contrabaixo na MPBI. 1.2 MSICA POPULAR BRASILEIRA INSTRUMENTAL O termo MPBI usado recentemente por autores como Piedade (2005) e Cirino (2009) para integrar os espaos geogrficos e estilsticos que a msica instrumental brasileira abrange. Segundo Cirino (2009, p.14) o termo origina-se da sigla MPB, que pode ser entendida como gnero musical que abarca o mundo cancional urbano que se delineia pelo sculo XX. Piedade (2005) apresenta relaes sociais e musicais que constituem esse tipo de linguagem musical. Segundo ele, na MPBI possvel visualizar traos da globalizao e do imperialismo cultural norte-americano. Ele comenta que esses traos, essas relaes, se concretizam numa frico de musicalidades. Essa frico se d principalmente na improvisao, em que o msico ora apresenta idias musicais que remetem ao idioma do jazz (escalas de blues, swing feel), ora ignora essa linguagem norte-americana para dar espao aos elementos brasileiros, melodias nordestinas, ritmos de estilos brasileiros como samba, maracatu e baio (PIEDADE, 2005). Cirino (2009) concorda com Piedade (2005), expandindo a idia de que a formao e constituio da MPBI, alm da relao de frico com o jazz, apresenta marcas de outros estilos e pases. Atravs de um breve panorama histrico, o autor afirma que as orquestras dos circos, das rdios e as bandas de msica foram fundamentais para a consolidao desse gnero. Cirino ainda aponta que uma das marcas fundamentais da formao da MPBI o hibridismo, em que elementos brasileiros, populares, tradicionais, estrangeiros, eruditos e modernos se articulam, desenvolvendo uma identidade nacional. A articulaco desses diferentes elementos similar a constituio de uma trana. Os fios esto sobrepostos e por cada ngulo que a trana observada, possvel ver alguns deles na superfcie, porm assim como no conceito de frico, esses fios (elementos) no se misturam. A identidade, segundo o prprio autor caracterizada pela forma como o msico, na performance, articula os vrios elementos que englobam a dita Msica Popular Brasileira Instrumental. Gomes !!"*!(2003, p. 6-8) corrobora os argumentos anteriores ao demonstrar que na constituio do samba como gnero nacional brasileiro, esto presentes aspectos de hibridismo, como a mescla das culturas portuguesa e africana. Os ambientes sonoros criados pelas gravaes de udio e vdeo de artistas e grupos da MPBI so importantes fontes para a compreenso deste contexto heterogneo. Encontrou-se alguns trabalhos cuja discusso acerca das caractersticas de trechos ou obras musicais gravadas. A exemplo disto, Visconti (2005) apresenta transcries de improvisos do guitarrista Heraldo do Monte com caractersticas jazzsticas tais como uso de escalas simtricas nos acordes dominantes (escala de tons inteiros e escala dominante diminuta). Por outro lado, no mesmo improviso ele no utiliza a articulao tipicamente jazzstica (swing feel), o guitarrista executa as semicolcheias com a exatido real acentuando o primeiro tempo de cada compasso (2/4). Ele tambm utiliza staccato e notas repetidas, recursos esses que, segundo Piedade (2005) simulam as melodias cantadas de msicas populares e folclricas brasileiras. Outro exemplo Falleiros (2006), que traz uma discusso aprofundada sobre o estilo musical do saxofonista e clarinetista Nailor Azevedo, Proveta. O autor aborda a formao musical de Proveta desde sua infncia, afim de identificar alguns processos de aprendizagem que o levaram a fazer msica da forma particular que ele faz. Falleiros demonstra, atravs da anlise musical de improvisos de Proveta, que existem elementos de vrias experincias musicais do saxofonista oriundos de Bandas de Msica, do choro e do jazz. A manipulao desses elementos de forma espontnea o argumento utilizado pelo autor para refutar a originalidade de Proveta. A MPBI formada de vrios estilos tais como maracatu, frevo, baio, samba e choro. Porm, o jazz tambm aparece de forma friccionada, principalmente nos improvisos. As duas musicalidades so distinguveis, pois no se misturam. Assim a forma como so manipuladas as diferentes linguagens, determina uma das caractersticas marcantes da MPBI. O contrabaixo um instrumento verstil que possibilita a emisso de diferentes timbres, sejam eles meldicos ou at mesmo percussivos. Tais recursos sero teis posteriormente no desenvolvimento de idias musicais para a compreenso da improvisao na MPBI. Improvisar na MPBI, segundo os trabalhos consultados, improvisar idiomaticamente. Por isso, necessrio compreender alguns elementos que englobam este gnero, tais como as clulas rtmicas, melodias (escalas e intervalos), harmonias e articulaes mais frequentes. Como j foi comentado, o jazz !!$+!faz parte da MPBI, porm no se funde aos elementos ditos brasileiros. Isso nos permite focar nos caracteres brasileiros para que a compreenso da linguagem da MPBI seja enfocada e o performer tenha recursos para caracterizar uma improvisao idiomtica. !!$#!2. SELEO DE ELEMENTOS A SEREM UTILIZADOS NOS IMPROVISOS DE MPBI Nesta parte, para que uma seleo de elementos pudesse ser realizada, foi necessrio definir alguns critrios de delimitao, bem como esclarecer o uso de alguns termos. Por elementos, entende-se cada aspecto extrado de um trecho de msica retirado de um improviso dentre os selecionados. Neste sentido, elementos podem ser articulaes, clulas rtmicas, sequncias meldicas, sempre em combinao com um gnero musical. Trs critrios foram definidos como base delimitadora da seleo de trechos, de onde os elementos foram extrados: 1. A procedncia das gravaes utilizadas como referncia; 2. Os gneros utilizados no trabalho: baio, choro e samba; 3. Questes referentes ao idiomatismo do contrabaixo. 2.1 PRIMEIRO CRITRIO: QUANTO PROCEDNCIA DAS GRAVAES Quanto a procedncia das gravaes, optou-se por msicos que obtiveram o primeiro lugar no Prmio Visa na Ediovi Instrumentistas. O Prmio Visa possui um jri especializado e os participantes so julgados dentre outros critrios, pela relao das msicas apresentadas com o universo da tradio musical brasileira (RDIO ELDORADO, 2010). At o presente momento, foram realizadas quatro edies Instrumentistas. O contrabaixista Clio Barros e o pianista Andr Mehmari venceram em 1998, o violonista Yamand Costa venceu em 2001 e o bandolinista Danilo Brito venceu em 2004. Dessa maneira, buscou-se gravaes recentes (ano de 1998 at os dias atuais) desses quatro msicos. 2.2 SEGUNDO CRITRIO: QUANTO AOS GNEROS Quantos aos gneros, optou-se pelo baio, choro e samba. Os gneros escolhidos justificam-se por serem os mais executados em gravaes de Clio Barros (CARIOCA, 2000), Andr Mehmari (2007), Yamand Costa (2009, 2010) e Danilo Brito (2008). Alm disso, so os gneros populares mais recorrentes em trabalhos de pesquisadores contrabaixistas como Ray (1999, 2000), Borm e Santos (2003) e Borm (2006). !!$"!!2.3 TERCEIRO CRITRIO: QUANTO QUESTES IDIOMTICAS DO CONTRABAIXO Quanto ao idiomatismo do contrabaixo, houve o cuidado de selecionar elementos idiomticos ao instrumento, ou seja, que fossem adaptveis s condies tcnicas, anatmicas e timbrsticas do contrabaixo. Este critrio foi necessrio porque o piano, o violo e o bandolim so instrumentos que possuem caractersticas no-idiomticas ao contrabaixo. Como exemplo dessas caractersticas, pode-se observar que os trs instrumentos tm a possibilidade de executar harmonia, harmonia e melodia simultneas e notas rpidas; o bandolim apresenta uma caracterstica tmbrica particular, proveniente da sua estrutura e das cordas duplas; o violo permite a emisso de sons percussivos intercalados de sons harmnicos e meldicos atravs da tcnica da mo direita; e o piano possibilita a execuo simultnea de sons muito graves e muito agudos (como D 1 e Si 7). Alm desses recursos no idiomticos ao contrabaixo citados, o contrabaixista Clio Barros apresenta, em algumas gravaes, o uso de recursos expandidos, recursos estes que no so comuns e de fcil adaptao. Sendo assim, optou-se por elementos que contivessem uma nica linha meldica. Quanto a sonoridade, a discusso e a aplicao posteriores no propem uma imitao dos timbres dos instrumentos executores dos elementos. !!$$!3. DISCUSSO E APLICAO DOS ELEMENTOS SELECIONADOS Esta parte apresenta uma breve discusso dos elementos selecionados, fundamentada por pesquisadores e artistas que discutem aspectos relacionados improvisaco na MPBI. Os elementos sero identificados e discutidos. Aps a identificaovii dos elementos selecionados, sugere-se ainda improvisos com aplicao dos mesmos. Para tal, utilizou-se acordes e progresses harmnicas de trechos das msicas do recital de defesa. Optou-se por msicas que compem o recitalviii para que o trabalho pudesse ser ilustrado no s em curtos exemplos grafados mas tambm na realizao artstica plena, no palco. Cada sugesto de aplicao dos elementos num improviso ser aqui demonstrada sobre os gneros baio, choro e samba, conforme critrios previamente definidos (parte 2). Nas aplicaes sero tambm enfatizados aspectos como a escolha das notas (escalas e arpejos), a articulao, o ritmo e a sonoridade. Alguns autores, que so referncia em trabalhos sobre MPBI, trazem conceitos importantes para a discusso proposta. O baterista e percussionista Oscar Bolo (2003) descreve ritmos usados no samba bem como instrumentos de percusso e suas formas de execuo. O baterista Cssio Cunha (2000) aborda combinaes de diferentes ritmos em estilos brasileiros como samba, maracatu, baio e outros em um mtodo prtico. O pesquisador e clarinetista Jos de Geus (2009) traz reflexes sobre aspectos da improvisao no choro partindo de anlises de improvisos de Pixinguinha e Dino Sete Cordas, como a utilizao de nota alvo no cromatismo. O violonista e pesquisador Remo Pellegrini (2005) versa sobre os acompanhamentos de Dino Sete Cordas, atravs da anlise, apontando procedimentos de improvisao constantes na criao dos contracantos executados pelo violo. Marcelo Gomes (2003) apresenta um trabalho cujo tema so os aspectos rtmicos da improvisao no samba atravs da discusso histrica e de anlises musicais e Accio Piedade (2005) versa sobre a relao da msica popular brasileira instrumental com o jazz, apontando caractersticas da msica nordestina como destaque na musicalidade brasileira. Assim, com o suporte destes trabalhos, os elementos selecionados sero identificados, discutidos e aplicados em exemplos de improvisos. !!$%!3.1 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO BAIO: DESLOCAMENTO DE TEMPO E NOTAS REPETIDAS O exemplo n.1 abaixo apresenta um trecho improvisado pelo contrabaixista Clio Barros, no qual destacam-se as notas repetidas (em retngulo) e o deslocamento de tempo gerado pelas notas acentuadas nos meios-tempos. Exemplo n.1: sncopas e notas repetidas - elementos selecionados do trecho da msica Baio (CARIOCA, 2000). Faixa 1, 311 317. As notas repetidas so comuns em melodias de canes populares, principalmente de canes nordestinas (PIEDADE, 2005). Alguns instrumentos de percusso como blocos sonoros, tringulo e bacalhau (vareta flexvel tocada no aro da zabumba por baixo) executam grupos rtmicos semelhantes em que as notas mais evidentes esto na colcheia, nos meios-tempos. Com a utilizao das notas repetidas e o acento, o ritmo valorizado, contribuindo assim para uma melhor caracterizao deste gnero no improviso. A disposico das notas em graus conjuntos possibilita a adaptao para o contrabaixo com uso de arco ou em pizzicato. No trecho de improviso abaixo (exemplo n.2) aplicou-se os elementos supra citados, quais sejam notas repetidas (em retngulo) e deslocamento de tempo gerado pelas notas acentuadas nos meios-tempos. Exemplo n.2: aplicao de sncopas e notas repetidas no baio. Elaborado pelo autor. !!$&!Realizou-se esta aplicao sobre um trecho da msica Baio de Luiz Gonzaga. As escalas utilizadas nestre trecho foram a mixoldia e a mixoldia com quarta aumentada (ou modo ldio b7). A escolha delas se deu em funo de serem as mais comuns na improvisao sobre acordes maiores com stima menor (no caso Bb7) no gnero baio. As notas repetidas e deslocadas foram Lab, Sol, F e Mi. O Lb (stima menor) e o F (quinta justa) so notas do acorde e o Sol sexta maior do acorde. A ltima nota Mi, a nota escolhida para ser enfatizada. Esta nota a quarta aumentada, nota que caracteriza a transio da escala mixoldia para a escala mixoldia com quarta aumentada. 3.2 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO BAIO: GRUPETTO, CROMATISMO E ARPEJOS. O exemplo n.3 apresenta um trecho improvisado pelo violonista Yamandu Costa. Os elementos destacados foram: grupetto (circulado), cromatismo (em retngulo) e arpejos a partir do segundo compasso sobre os acordes Dm, Edim, F6 e Gdim. Exemplo n.3: grupetto, cromatismo e arpejos - elementos selecionados do trecho da msica Pau de Arara (COSTA e DOMINGUINHOS, 2010). Faixa 13, 143 150. Verificou-se a execuo deste grupetto em outras gravaces de baio e choro de Costa e Dominguinhos (2010) e Danilo Brito (2008). Este ornamento formado por quatro notas. O legato acontece entre as ts primeiras notas e a ltima separada para reforar a nota do acorde. Em outras situaes modifica-se a nota do acorde por uma quinta justa, tera maior ou menor ou outro intervalo escolhido. De um modo geral, este gruppeto de quatros notas possui intervalos de semitons e legato nas trs primeiras notas. !!$'!Os cromatismos acontecem de modo semelhante improvisaco no choro, com a finalidade de alcanar uma nota alvo (GEUS, 2009). No exemplo n.3 o cromatismo inicia em l com nota alvo em f, tera menor do acorde Dm, de onde inicia-se o arpejo. Os arpejos executados sobre os acordes Dm e Edim partem da tera (F, tera menor e Sol, tera menor). No acorde F6 o arpejo tem a quinta justa (D) substituda pela sexta maior (R), caracterizando este grau do acorde. A execuo destas idias adaptvel ao contrabaixo em pizzicato, mas para a execuo com arco necessrio algumas consideraces. O intervalo de oitava no primeiro compasso e os arpejos em semicolcheia dificultam a execuo deste trecho em andamentos rpidos. Porm, se os arpejos forem executados com arco ligado, aumenta-se a possiblidade de adaptao, apesar deste recurso exigir um nvel tcnico elevado para andamentos mais rpidos. No exemplo n.4 abaixo, aplicou-se os elementos supra citados, quais sejam gruppetos (circulados), cromatismo (em retngulo) e arpejos. Exemplo n.4: aplicao de grupetto, cromatismo e arpejos no baio. Elaborado pelo autor. Realizou-se esta aplicao sobre um trecho da msica Beb de Hermeto Pascoal. Neste exemplo o gruppeto se desenvolve sobre a quinta justa dos acordes Dm7 (quinta justa L), Cm7 (quinta justa Sol) e Bb7 (quinta justa F). Utiliza-se intervalos de tera habituais gnero entre os gruppetos e os arpejos. Sobre o acorde G7 e F7 executa-se dois tipos de arpejo, trade maior e trade maior com quinta aumentada. A quinta aumentada, apesar de no ser comum em canes de baio, utilizada na MPBI por compositores como Hermeto Pascoal. Sua utilizaco em acordes dominantes remete idiomas como o jazz e caracteriza uma das marcas do compositor Hermeto Pascoal, a mescla das musicalidades brasileiras com musicalidades estrangeiras. Ao utilizar o R# sobre G7, este acorde soa como um "#$%&'(!"#$%&'(!"#$%&'(!!!$(!G7(b13), acontecendo de forma semelhante sobre o acorde F7. O cromatismo parte da tnica (Si) do acorde Bm7(b5) e tem como nota alvo o Sol#, tera maior do acorde E7(b9). 3.3 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO CHORO: LIGADURAS, USO DE CORDAS SOLTAS E ARPEJO O exemplo n.5 apresenta um trecho improvisado pelo violonista Yamandu Costa. Neste trecho, destacam-se os elementos: uso de cordas soltas, ligaduras e arpejo, utilizados com frequncia nas baixarias. Exemplo n.5: ligaduras, uso de cordas soltas e arpejo - elementos selecionados do trecho da msica Carioquinha (COSTA E DOMINGUINHOS, 2010). Faixa 11, 115 121. O termo baixaria utilizado para caracterizar os contracantos do violo, que so executados na regio grave explorando as cordas soltas atravs do uso de ligaduras. Neste recurso, comum o uso de fusas e as quilteras de semicolcheias. Para melhor compreenso deste recurso, ver Pellegrini (2005) e Geus (2009). O uso de ligaduras oferece vantagens execuo desta idia ao contrabaixo com uso de arco, pois as notas tornam-se mais claras, enquanto que na execuco em pizzicato, as ligaduras exigem maior nvel tcnico do performer para clareza das notas. Os arpejos no choro acontecem de um modo geral, com notas do prprio acorde, em oposico utilizao dos arpejos no jazz, que ocorre, em muitos casos de forma sobrepostaix. Neste exemplo, as notas Mi 4, Si 4, R 3 e Mi 2 foram executadas com uso de cordas soltas, caracterizando assim, este recurso frequente do choro, a baixaria. No exemplo n.6 aplicou-se o uso de cordas soltas, ligaduras e arpejo (em retngulo). Exemplo n.6: aplicao de ligaduras, uso de cordas soltas e arpejos no choro. Elaborado pelo autor. !!$)!Esta aplicao sucedeu-se sobre um trecho da msica Sandrino no Choro de Adriano Giffoni. O ritmo composto por grupos de semicolcheias, tendo ictus inicial acfalo. Os arpejos e as ligaduras no contexto da baixaria, acontecem em geral, na regio grave do violo. Para que esta idia seja transposta para o contrabaixo importante que o instrumentista que acompanha o improvisador (violonista, pianista ou guitarrista) execute a harmonia numa regio bem mais aguda que a do improviso do contrabaixo, para haver distino clara. O improvisador pode preparar um improviso para uma performance, determinando um ou mais chorusx para utilizar o recurso da baixaria, de modo que o acompanhador saber o momento de executar os acordes na regio aguda. 3.4 IDENTIFICAO E APLICAO DO ELEMENTO DO CHORO: MODIFICAO DO MATERIAL TEMTICO O exemplo n.7 apresenta um trecho improvisado pelo bandolinista Danilo Brito. Neste trecho, destaca-se um elemento frequente no choro: modificao do material temtico. Exemplo n.7: modificao do material temtico - elemento selecionado do trecho da msica Um a Zero interpretada pelo bandolinista Danilo Brito (2011). Vdeo, 129 133. Autores como Geus (2009) e Pellegrini (2005) comentam que a improvisao no choro est inserida principalmente nos ornamentos e na interpretao, de modo que a partir do tema, o performer modifica as idias de forma improvisada. Neste exemplo, o bandolinista aproveitou as notas modificando o ritmo. Utilizou sncopas, articulaes em staccato e acentos para reforar o deslocamento rtmico provocado pelas sncopas. A melodia original encontra-se no exemplo n.8 abaixo: !!$*! Exemplo n.8: trecho inicial da melodia de Um a Zero (CARRASQUEIRA, 1997). Na aplicao a seguir, utilizou-se a modificao do material temtico: Exemplo n.9: aplicao de modificao do material temtico no choro. Elaborado pelo autor. Esta aplicao ocorreu em um trecho harmnico da msica Receita de Samba de Jacob do Bandolim. A aplicao deste elemento ocorre de forma livre, privilegiando a criatividade do intrprete e a manuteno da idia temtica. Neste caso, necessrio algumas adaptaes das notas para que o sentido meldico no se perca. No exemplo n.10 abaixo encontra-se a melodia original da msica. Exemplo n.10: trecho inicial da melodia de Receita de Samba. 3.5 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO SAMBA: CROMATISMO E SNCOPAS. No exemplo n.11 apresenta-se um trecho improvisado pelo pianista Andr Mehmari. Destacam-se os elementos cromatismo (circulado) e sncopas (em retngulo). Exemplo n.11: cromatismo e sncopas - elementos selecionados do trecho da msica Enchendo o Lato (HOLANDA E MEHMARI, 2007). Faixa 8, 105 108. !!%+!Gomes (2003, p. 62) afirma que a sncopa a acentuao das notas em tempos fracos criando um deslocamento do pulso e resultando em surpresa. A sncopa, segundo o autor, parte constituinte do gnero samba, estando presente nos ritmos dos instrumentos de percusso e nas melodias de canes deste gnero. O uso desse recurso propicia uma caracterizao do samba no improviso. Em outras gravaes de samba, como Costa e Holanda (2009), verificou-se atravs da audio, o uso de cromatismos. Este um recurso observado em gravaes de outros gneros da MPBI, como choro e frevo. Neste exemplo, o cromatismo inicia-se na nota R# finalizando na nota alvo Sol, sexta maior do acorde Bb7. A utilizao desta nota no tempo forte do compasso faz com que o acorde soe como se fosse Bb7(13). No exemplo n.12 abaixo, aplicou-se os elementos: cromatismo (em retngulo) e sncopas. Exemplo n.12: aplicao de cromatismo e sncopas no samba. Elaborado pelo autor. Esta aplicao ocorreu em um trecho harmnico da msica T em Casa de Bruno Rejan. O cromatismo iniciou-se na nota L (stima maior do acorde Bb7M), finalizando na nota alvo D. Esta nota foi executada sob antecipaco, sendo a sexta menor do acorde E7(#9). A nota D bem como as outras notas do segundo compasso deste trecho fazem parte da escala alterada, tambm chamada de modo super lcrio (stimo modo da escala menor meldica). As sncopas sucederam-se sobre os acordes Eb7M e Db7M(#5). !!%#!3.6 IDENTIFICAO E APLICAO DOS ELEMENTOS DO SAMBA: CITAO EM CONTEXTO, STACCATO E RITMO CONTEXTUALIZADO. No exemplo n.13 apresenta-se um trecho improvisado pelo pianista Andr Mehmari em que so utilizados os elementos: citao em contexto, staccato e ritmo contextualizado. Exemplo n.13: citao em contexto, staccato e ritmo contextualizado - elementos selecionados do trecho da msica Enchendo o Lato (HOLANDA E MEHMARI, 2007). Faixa 8, 236 244. Neste exemplo so citadas partes do arranjo de Edu Lobo da msica Upa Neguinho. Piedade (2005, p. 203) usa o termo citao em contexto para caracterizar este recurso. A citao do arranjo de Edu Lobo executada trs vezes, de forma adaptada aos acordes G/A, F/A e Eb/A. Do sexto ao nono compasso deste trecho, o pianista executa um ostinato rtmico com altura varivel tpica de instrumentos de percusso e bateria como caixas, tamborins e repiniques (BOLO, 2003; CUNHA, 2000). Para nomear ritmos utilizados em instrumentos de percusso e bateria caractersticos do gnero em que se improvisa, optou-se, para este trabalho, por ritmo contextualizado. No exemplo n.14 aplicou-se os elementos citao em contexto, staccato e ritmo contextualizado. Exemplo n.14: aplicao de citao em contexto, staccato e ritmo contextualizado no samba. Elaborado pelo autor. !!%"!Modificou-se as estruturas rtmico-meldicas da melodia da cano Triste de Tom Jobim adaptando-a para este trecho harmnico da msica S Dano Samba de mesmo autor sobre os acordes Gm, C7 e F7M. Em seguida, sobre os acordes Am7, D7, Dm7 e G7 utilizou-se um ostinato rtmico executado frequentemente pelos tamborins no samba (BOLO, 2003, p. 35). Estas aplicaes so sugestes para serem utilizadas em improvisos. Elas podem servir como estruturas pr-determinadas (padres rtmicos e meldicos) para o momento da improvisao desde que o instrumentista estude maneiras para aplic-las em outras situaes rtmico-harmnicas. Foram sugeridas aqui, algumas adaptaes de improvisos de msicos de referncia no meio artstico. Esta uma forma de conhecer e aperfeioar aspectos da performance musical que transmitem brasilidade, principalmente na improvisao ao contrabaixo. Para a execuo destas aplicaes sugiro interpretar os ritmos de semicolcheia em staccato para pizzicato ou com uso de arco. O resultado sonoro desta articulao lembra a sonoridade utilizada por instrumentos que tornaram-se habituais na msica brasileira, como acordeon e bandolim, alm de destacar o ritmo. !!%$!CONSIDERAES FINAIS Partindo num primeiro momento, da Reviso de Literatura, este trabalho verificou a situao da pesquisa em improvisao e Msica Popular Brasileira Instrumental no contexto do contrabaixo. Pde-se verificar que alguns autores concordam que a improvisao, apesar de exigir criatividade e espontaneidade, pode ser previamente desenvolvida ou estruturada. Este desenvolvimento prvio requer o conhecimento de alguns aspectos do gnero em que se improvisa, como grupos rtmicos mais usados, articulaes e escalas mais frequentes. Improvisar com base nestes aspectos denominado improvisao idiomtica, a qual conclumos que o tipo de improvisao da MPBI. Verificou-se ainda, neste primeiro momento, que a improvisao na MPBI apresenta alguns trabalhos no contexto da guitarra, do violo, do saxofone e do contrabaixo. Estes trabalhos abordam em geral, caractersticas de msicos brasileiros e apenas um deles discutiu a improvisao ao contrabaixo na MPBI. Porm este trabalho se ateve execuo do improviso com arco e nos gneros samba e bossa-nova. Percebeu-se tambm, neste momento, que o termo MBPI envolve vrios gneros brasileiros como samba, baio, maracatu, choro que dialogam com o jazz e outros idiomas estrangeiros. Em um segundo momento, definiu-se critrios para selecionar idias musicais para improvisos, afim de entender alguns apectos da improvisao na MPBI. Selecionou-se seis trechos de improvisos de msicos de referncia no meio artstico e, atravs da discusso, pde-se observar caractersticas dos trs gneros: baio, choro e samba. Esta etapa fundamental para o instrumentista que pretende improvisar ou aprimorar seus conhecimentos de improvisao na MPBI seja no contrabaixo ou em outro instrumento, pois como verificado na Reviso de Literatura, existem poucas publicaces e mtodos prticos que trazem improvisos escritos, sendo necessrio fazer transcries. Em um terceiro momento, os elementos selecionados foram identificados e discutidos. As articulaes mais usadas nos trechos selecionados foram legatos e staccatos. Nos trs gneros observamos que o ritmo um aspecto relevante, sendo que notas repetidas, acentos e staccato so recursos para enfatiz-lo. O ritmo, em dois dos trechos selecionados (Exemplos n.1 e n.13), apresenta ostinatos rtmicos de instrumentos de percusso ou bateria. As sncopas, apesar de tambm aparecerem no !!%%!choro e baio, so mais frequentes no samba, sendo um importante recurso para caracterizar este gnero. A modificao do material temtico foi ilustrada na improvisaco no choro, gnero em que este recurso recebe maior destaque, porm recorrente em outros gneros tambm, como no jazz por exemplo. Outro recurso verificado a citao em contexto, que apesar de ter sido ilustrada apenas no samba, foi verificada, atravs da audio de gravaes, em outros gneros tambm. Aps a discusso de cada trecho musical sugeriu-se exemplos de improvisos com base nas discusses realizadas sobre os elementos selecionados. Percebeu-se que necessrio, em algumas situaes, adaptar as escalas para coerncia meldico-harmnica. A discusso de trechos de improvisos de instrumentos diferentes do contrabaixo satisfatria, pois amplia as opes de idias musicais ao apresentar, atravs das transcries, opes de interpretao e execuo no comuns em discusses sobre improvisaco no jazz ou na MPBI ao contrabaixo. Essas opes so os elementos selecionados: grupettos, staccatos, ritmo contextualizado, deslocamento de tempo, uso de cordas soltas, modificaco do material temtico, ligaduras, notas repetidas, cromatismos, sncopas e arpejos. Apesar de at o presente momento, alguns destes elementos ainda no terem sido discutidos em improvisao na MPBI ou no jazz, no significa que a presena deles em trechos gravados de MPBI so exclusivos deste grupo. As sncopas, os grupettos e os demais elementos esto presentes em outros tantos gneros como o jazz e a msica barroca. Os elementos podem sugerir brasilidade quando executados em um contexto musical propcio. Por exemplo, a execuo de grupettos sobre um contexto rtmico-harmnico de jazz diferente da execuo dos mesmos grupettos num contexto rtmico-harmnico de choro. Assim como diferente executar colcheias em swing feel no samba e executar colcheias em swing feel no jazz. Dessa maneira, a brasilidade no est apenas nos improvisos, mas tambm no contexto musical do acompanhamento. Espera-se que, atravs deste trabalho, o instrumentista, principalmente o contrabaixista, possa conhecer e ampliar os elementos utilizados para a improvisao na MPBI. Utilizando os elementos selecionados neste trabalho no contexto musical de MPBI possvel improvisar idiomaticamente. Atravs das etapas propostas neste artigo: seleo, discusso e aplicao, possvel ao contrabaixista pesquisador !!%&!expandir e ampliar as discusses deste trabalho, seja mediante a abordagem de outros elementos dos gneros baio, choro e samba ou mediante a abordagem de elementos de outros gneros. !!%'!REFERNCIAS AEBERSOLD, Jamey. How to Play and Improvise Jazz. New Albany: Jamey Aebersold, 1992. AEBERSOLD, Jamey; SLONE, Ken. Charlie Parker Omnibook: for all bass clef instruments. Van Nuys: Alfred Publishing, 1981. ASSIS, Paulo Dantas de Paiva. Improvisao ao Contrabaixo Acstico com Uso de Arco na Msica Popular Brasileira Instrumental (MPBI): estratgias de estudo e performance. 2010. 62 f. Artigo (Mestrado em Msica) Programa de Ps-Graduao em Msica, Universidade Federal de Gois, Goinia, 2010. BAKER, David. The Bebop Scales and Other Scales in Common Use. Van Nuys: Alfred Publishing, 1985. BOLO, Oscar. O Batuque um Privilgio: a percusso na msica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar. 2003. BARROS, C.; FREIRE, F.; ROHRER, T. Thomas Rohrer, Clio barros, Fbio Freire. CD 2000031406107. PMC, 1999. BORM, Fausto. O repertrio orquestral do contrabaixo: questes tcnico-musicais na realizao de pizzicati, harmnicos, vibrati e referncias aos gneros da msica popular. In: CONGRESSO DA ASSOCIAO NACIONAL DE PESQUISA E PS-GRADUAO EM MSICA, 16., 2006, Braslia. Anais Braslia: ANPPOM, 2006, p. 649-657. BORM, Fausto; SANTOS, Rafael dos. Prticas de performance "erudito-populares" no contrabaixo: tcnicas e estilos de arco e pizzicato em trs obras da MPB. In: CONGRESSO DA ASSOCIAO NACIONAL DE PESQUISA E PS-GRADUAO EM MSICA, 14., 2003, Porto Alegre. Anais Porto Alegre: ANPPOM, 2003, p. 1-20. BRITO, Danilo. Danilo Brito - 1X0 (Pixinguinha/Benedito Lacerda) - Instrumental SESC Brasil - 30/03/2010. Disponvel em . Acesso 10/01/2011. ____________. Sem Restries. CD 7899004743234. Orpheu Music, 2008. CARIOCA. Danas Brasileiras. CD 7898369067993. Independente, 2000. CARRASQUEIRA, Maria Jos (Coord.). O Melhor de Pixinguinha: melodias e cifras. Rio de Janeiro: Irmos vitale, 1997. CIRINO, Giovanni. Narrativas Musicais: performance e experincia na msica popular instrumental brasileira. So Paulo: Annablume; Fapesp, 2009. !!%(!COSTA, Rogrio Luiz Moraes. Improvisao Musical Livre, Expressionismo Abstrato e Surrealismo: aproximaes. In: CONGRESSO DA ASSOCIAO NACIONAL DE PESQUISA E PS-GRADUAO EM MSICA, 17., 2007, So Paulo. Anais So Paulo: ANPPOM, 2007, p. 1-9. COSTA, Yamandu; DOMINGUINHOS. Lado B. CD 7898324759635. Biscoito Fino, 2010. COSTA, Yamandu; HOLANDA, Hamilton. Luz da Aurora. CD 2496324750630. Biscoito Fino, 2009. FALLEIROS, Manuel Silveira. Anatomia de um Improvisador: o estilo de Nailor Azevedo. 2006. 136 f. Dissertao (Mestrado em Msica) Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006. GENTET, C. et al. L'Orchestre De Contrebasses. Disponvel em . Acesso em 08/06/2010. GEUS, Jos Reis de. Pixinguinha e Dino Sete Cordas: reflexes sobre a improvisao no choro. 2009. 161 f. Dissertaco (Mestrado em Msica) Programa de Ps-Graduao em Msica, Universidade Federal de Gois, Goinia, 2009. GOMES, Marcelo Silva. O Samba na Msica Popular Instrumental Brasileira de 1978 a 1998. 2003. 121 f. Dissertao (Mestrado em Educao, Artes e Histria da Cultura) Universidade Presbiteriana Mackenzie, So Paulo, 2003. HARO, Diogo de. Improvisao na Msica Contempornea de Concerto: parmetros para execuo da cadenza da pea "The days fly by" de Frederic Rzewski. 2006. 92 f. Dissertao (Mestrado em Msica) Programa de Ps-Graduao em Msica, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006. HOLANDA, Hamilton; MEHMARI, Andr. Contnua Amizade. CD 5896369067890. Biscoito Fino, 2007. KORMAN, Clifford. A importncia de improvisao na histria do choro. In: CONGRESSO LATINOAMERICANO DA ASSOCIAO INTERNACIONAL PARA O ESTUDO DA MSICA POPULAR, 5., 2004, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: IASPM, 2004, p. 1-7. NETTL, B. et al. Improvisation. Disponvel em: . Acesso em 15/02/2010. PELLEGRINI, Remo Tarazona. Anlise dos acompanhamentos de Dino Sete Cordas em samba e choro. 2005. 250 f. Dissertao (Mestrado em Msica) Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005. PIEDADE, Accio Tadeu de Camargo. Jazz, Msica Brasileira e Frico de musicalidades. Revista Opus, Campinas, v. 1, n. 11, p. 197-207, 2005. !!%)!RDIO ELDORADO. Inscries: regulamento. Disponvel em . Acesso em 15/12/2010. RAY, Sonia. A influncia do baio no repertrio brasileiro erudito para contrabaixo. In: CONGRESSO DA ASSOCIAO NACIONAL DE PESQUISA E PS-GRADUAO EM MSICA, 12., 1999, Salvador. Anais So Paulo: ANPPOM, 1999, p. 1-8. __________. A influncia do choro na Msica Brasileira Erudita para contrabaixo. In: SIMPSIO NACIONAL DE PESQUISA EM PERFORMANCE MUSICAL, 1., 2000, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: SNPPM, 2000, p. 328-331. SCHULZ, Sabrina Laurelee. Msica para teclas do perodo barroco: realizao interpretativa da Allemande de Jean-Phillippe Rameau. In: CONGRESSO DA ASSOCIAO NACIONAL DE PESQUISA E PS-GRADUAO EM MSICA, 17., 2007, So Paulo. Anais So Paulo: ANPPOM, 2007, p. 1-9. SHER, Chuck; JOHNSON, Marc. Concepts for bass soloing. Petaluma: Sher Music,1993. VALENTE, Paula Veneziano. Horizontalidade e verticalidade: dois modelos de improvisao no choro brasileiro. In: CONGRESSO DA ASSOCIAO NACIONAL DE PESQUISA E PS-GRADUAO EM MSICA, 18., 2008, Salvador. Anais Salvador: ANPPOM, 2008, p. 1-5. VENUTI, Joe. Violin Rhythm: a school of modern rhythmic violin playing. Ed. Eddy Noordijk. New York: Robbins, (s.d.). VISCONTI, Eduardo de Lima. A Guitarra Brasileira de Heraldo do Monte. 2005. 259 f. Dissertao (Mestrado em Msica) Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005. !!%*!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!i Neste trabalho, a palavracontrabaixo sempre remeter ao contrabaixo acstico. ii Piedade (2005) entende esse termo como conjunto de elementos musicais e simblicos, profundamente imbricados, que dirige tanto a atuao quanto a audio musical de uma comunidade de pessoas. Ele chama tambm de memria-musical compartilhada pela comunidade. iii Termo usado para a interpretao de colcheias. Grupos de duas colcheias so interpretados da seguinte forma: = (AEBERSOLD, 1992). iv Ver Cirino (2009, p. 48-53). v Segundo COSTA (2002), na improvisao livre utiliza-se de uma tcnica descontextualizada, de modo que as regras tradicionais de harmonia, escalas, forma musical e articulaes so abandonadas permitindo fluir o experimental, explorao de timbres diversos, tornando o ambiente sonoro no-idiomtico. vi O Prmio Visa tem trs edies que se revezam a cada ano, Edio Instrumentistas, Edio Vocal e Edio Compositores, sendo que o primeiro Premio Visa aconteceu em 1998. vii A identificao demonstrada atravs da transcrio e discusso do trecho musical em que encontram-se os elementos. Todas as transcries foram feitas pelo autor atravs da audio dos trechos gravados. viii Ver Notas de Programa em PARTE A - PRODUO ARTSTICA. ix Sobreposio de arpejos consiste em executar arpejos com tonalidades e categorias distintas do acorde sopreposto. Por exemplo, executar um arpejo de r maior sobre o acorde C. Por causa das notas do arpejo, r, f# e l, o acorde C passa a soar como se tivesse nona maior, quarta aumentada e sexta maior. Esse recurso muito utilizado no jazz. x No jazz e na msica instrumental, esta palavra remete forma da msica. Neste contexto, de um modo geral, as msicas iniciam-se com o tema e em seguida executa-se os improvisos sobre a mesma estrutura da msica, sobre os mesmo acordes. Cada execuo da msica chamada de chorus. ANEXOS ? 42 ..! ! ! " % " ? ..8 " " 1. " ? .. ..#13 2. J F.# J . J J 1. # # J ?22 2. # # N f f?28 " f ! !? .. ..35 J dolce . J b . 1. J2.?45 dim. rit. % " f " ?52 " . ?59 " a tempop " J J pizz.J J $Jongo Santino Parpinelli ( - 1985) brunorejan@hotmail.comRecital de Defesa de Mestrado em Msica&?##4242Melodia PianoBaixo Acstico Intro # C69 C#dim. # . nG7M E7 Am7 D7n # Dm7 G7&?##....M.P.B.A.55 # C69 C#dim. G7M E7 . Am7 D7 G7M ! R . ! R .D47% G7MA&?##M.P.B.A.1010 Am7 D7 # D/F# G7Mb n # F#m7 B7&?##....M.P.B.A.1414 Em71.# A7 D72. Am7 D7Fine G7M&?##....M.P.B.A. 19 F#m7 B7B Em7 n nA7 3 3D7Sandrino no Choro Adriano Giffoni (1959)brunorejan@hotmail.comAdaptao: Bruno RejanRecital de Defesa de Mestrado em Msica&?##M.P.B.A.2323 3 3 3 3C 3 3 3 3G/B1. # nA7&?##........M.P.B.A.2626 3D72. # Am7 D7 G7M!. Em7C!.# B7! b n # F#m7(b5) B7&?##....M.P.B.A.321.!32 . Em7(9)!" Am7 D7!G7M!# F#7! C7 B72.!. # F7 E7&?##M.P.B.A.38 !38 b Am7 D7! b G7M C7M! b b #F#m7 B7(b9) b Em7 Eb7 D7&?##....M.P.B.A.4242G7MImprovisoAm7 D7 D/F# G7M F#m7 B7 Em72 Sandrino no Choro&?##........M.P.B.A.481.48A7 D72.Am 7 D7 G7M F#m 7 B7 Em 7&?##....M.P.B.A.5454A7 D7 C G/B1.A7 D7&?##....M.P.B.A.602.60Am 7 D7 G7M!. Em 7C2!.# B7! b n # F#m 7(b5) B7&?##....M.P.B.A.651.!65 . Em 7(9)!" Am 7 D7!G7M!# F#7! C7 B7&?##M.P.B.A.702.!70 . # F7 E7! b ! b ! b b #D.S. al Fine! b 3Sandrino no Choro&?4242....Melodia PianoBaixo Acstico!. Am7Intro!!. F7M(#11)/A!&?....M.P.B.A.5 !. b Bb7M(#11)/D!!. # C#/E!&&&....M.P.B.A.! Am7A! !Am7(b6)!&&M.P.B.A.13 ! Am7! !C#m7!&&M.P.B.A.17 ! Dm7! G7(13) G7(b13)! b Cm7! b F7(13) F7(b13)Beb Hermeto Pascoal (1936)brunorejan@hotmail.comArranjo e adaptao: Bruno Rejan e Everson BastosRecital de Defesa de Mestrado&&....M.P.B.A.21 ! b b Bb7(13)1.! b b !Bm7(b5)!E7(b9)&&....M.P.B.A.252.! b b Bb7(9)!Am7! ? !Em7(b5)B&?M.P.B.A.29 " b !A7(13) A7(b13)" !Dm7(b5)" b !G7(13) G7(b13)" b b !Cm7(b5)&?....M.P.B.A.331." b b " !B7(#11) . # !A#7M B7M C7M C#7M J# " .J!D7M D#7M 2. b b 3 3!B7(#11)&?....M.P.B.A.37 !Bb7M !B7(#11)! b Cm7(11)C! b b B7(#11)2 Beb&?M.P.B.A.41 !b b Bbm7(11)!b b n b A7(#11)!b b G#m7(11) 1.!# " G7(#11)&?....M.P.B.A.45. .# #F#7M G7M G#7M A7M j " .j J " .J#A#7M B7M 2.!# 3 3G7(#11)!F#7M&?M.P.B.A.49 J. jBm7(11) !D&?M.P.B.A.51 !Bb7(#11) !Am7(11) b !Ab7(#11) b !Gm7(11) b b 3 3!Gb7(#11) !F7M&?....M.P.B.A.57 !!E7(#9) fi!!!Am7Improvisos!!!!Am7(b6)!!!!Am7!!!!C#m7!!3Beb&?M.P.B.A.68 !!Dm7!!G7(13) G7(b13)!!Cm7!!F7(13) F7(b13)!!Bb7(13)!!&?........M.P.B.A.74 !!Bm7(b5)1.!!E7(b9)2.!!Am7!!!!Em7(b5)!!A7(13) A7(b13)&?....M.P.B.A.80 !!Dm7(b5)!!G7(13) G7(b13)!!Cm7(b5)!!F7!!Bb7M!D.C. al Coda!&?M.P.B.A.86fi!!Bb7M(9)/D! dim.! A7M(9)/C#! UC6!#UG#m7(11)4 Beb&?# # ## # #4242....PianoBaixo AcsticoA7Intro&?# # ## # #....P.B.A.44 j A7An j n j &?# # ## # #P.B.A.10 10 n n nEb7(9) J D7(9)n J n &?# # ## # #P.B.A.17 17 J n n n 3G7 nE7A7 n &?# # ## # #P.B.A.2525 J A7A2n J n J n n BaioLuiz Gonzaga (1912 - 1989)brunorejan@hotmail.comArr: Bruno Rejan e Everson BastosRecital de Defesa de Mestrado em MsicaImprovisao Livre&?# # ## # #P.B.A.3232 nEb7(9) J D7(9)n J n J n n&?# # ## # #P.B.A.3939 n 3G7 nE7A7 n! n "j J B&?# # ## # #P.B.A.46 "46 D7(9) J J J n" J A7&?# # ## # #P.B.A.54 54 n J n n 3G7 nE7A7 fi nD7A7&?# # ## # #....P.B.A.6262 D7 A7Improvisos 2 Baio&?# # ## # #P.B.A.66 66C7(9)&?# # ## # #P.B.A.69 69Bb7(9)&?# # ## # #P.B.A.72 72G7 G#7 A7&?# # ## # #....P.B.A.7676D7 A74xsD.C. al CodaD7A7fi nD7A7 nD7A7 D7&?# # ## # #P.B.A.8585 F#7(13) G7(13) ! n ! nG#7(13) j jA73Baio&?4242Melodia PianoBaixo Acstico!" C6(9)Intropizz.r . r " " #D7(9)! # r " Dm7 r " bDb7(9)&?M.P.B.A.6 r " # Em7. . . b . Eb7(9) Ab7M b Db7M&?M.P.B.A.%!" " C6(9)Aarco! F7! b 3 3D7(9)!%!" " Dm7&?....M.P.B.A.14 . . RG7 C6(9) . r . r!A7(b13) Dm71. !G72.!!!! &&&M.P.B.A.! Gm7B! b C7(9)!F7M! %S Dano Samba Tom Jobim (1927 - 1994)brunorejan@hotmail.comArranjo e Adaptao:Bruno RejanRecital de Defesa de Mestrado&&M.P.B.A.23 ! Am7! b D7(9)! Dm7! ?G7&?M.P.B.A.!" " C6(9)C! F7! b 3 3D7(9)!%&?M.P.B.A.31 fi!" " Dm7 . . RG7 C6(9)!!!!G7&?....M.P.B.A.!!C6(9)ImprovisosD!!F7!!D7(9)!!%!!Dm7!!G7&?M.P.B.A.41 !!C6(9) A7(b13)!!Dm7 G7 !!C6(9)!!F7!!D7(9)!!%2 S Dano Samba&?M.P.B.A.47 !!Dm 7!!G7!!C6(9)!!%!!Gm 7!!C7(9)!!F7M!!%&?M.P.B.A.55 !!Am 7!!D7(9)!!Dm 7!!G7!!C6(9)!!F7!!D7(9)!!%&?....M.P.B.A.63 !!Dm 7!!G7!!C6(9) 4xsD.S. al Coda!!G7&?M.P.B.A.67fi . . RG7 C6(9) . r . r . R . RbEm 7 Eb7pizz. . r " . R " Dm 7 G7 C6(9) . r . r . R . RbEm 7 Eb7&?M.P.B.A.71 . r " . R " Dm 7 G7 C6(9)u!C7M(#11)3S Dano Samba(Improvisao livre de Contrabaixo)&&CCMelodia PianoBaixo Acstico! 3Intro!J j!wAm6!j b jG#dim(b13)! b3Gm7&&M.P.B.A.6 !j jC7(9)! 3F7M!. Fm6! Em7! 3Am7! 3D7(9)&&M.P.B.A.12 ! G#dim(b13) %! . j3Am6A!j j ! . j3G#dim(b13)!j j &&M.P.B.A.17 ! . j3Gm7!j jC7(9)!wFdim!wF7M! . j3Fm7B!j j Bb7(9)&&M.P.B.A.23 ! . j3Em7(b5)!j j A7(b13)! . j3D7(9)! # 3! 3Dm7Corcovado Tom Jobim (1927 - 1994)brunorejan@hotmail.comArranjo: Bruno RejanRecital de Defesa de Mestrado em Msica&&M.P.B.A.28 ! G#dim(b13)! . j3Am6C!j j ! . j3G#dim(b13)!j j &&M.P.B.A.33 ! 3Gm7! j jC7(9)!wFdim!wF7M J b b J b b Fm7D&&M.P.B.A.38 b b Bb7(9) J J Em7 Am7 J j Dm7J Jj jG7&&....M.P.B.A.43 wwEm7(b5) wwA7(b13) . J . j Dm7 fi 3 3G7wwC6(9)!!!!Am6ImprovisosE&&M.P.B.A.50 !!!!G#dim(b13)!!!!Gm7!!C7(9)!!Fdim!!F7M!!Fm72 Corcovado&&M.P.B.A.58 !!Bb7(9)!!Em7(b5)!!A7(b13)!!D7(9)!!!!Dm7!!G#dim(b13)!!Am6&&M.P.B.A.66 !!!!G#dim(b13)!!!!Gm7!!C7(9) FdimO O!F7M!!!!Fm7&&M.P.B.A.74 !!Bb7(9)!!Em7!!Am7!!Dm7!!G7!!Em7(b5)!!A7(b13)!!Dm7&&........M.P.B.A.82 !!G74xsD.S. al Coda!!C6(9)fi!wEm7(b5)!wA7(b13)! .j Dm7! 3G7!wAm6&&....M.P.B.A.89 !!!wG#dim! 3!wAm63Corcovado& # 42C C#dim G F E7 A7 D7 G D7& # ..%! G6A b Cm6 ! G6 b& #14 Cm6 ! # nG7. ! # nC. & #20 ! # A7 # n D7# D7(#5)! G6& #25 b Cm6 ! G6 # G G7(#5) C "E7/G#& #32 ! # Am . Bbdim! # G/B fi. E7! # Am. D7& # .. ..381.G6"D7(#5)2.G6! # # B7/D#B # B7/F#. Em B7/F#& #45 ! # nEm/G # nE7/G# # nE7/B . Am E7/B ! Am/CReceita de Samba Jacob do Bandolim (1918 - 1969)brunorejan@hotmail.comAdaptao: Bruno RejanRecital de Defesa de Mestrado em Msica& #50 # Am # F#m 7(b5) Em/G # Em # #F#7& #55 . # # nB7 # # B7/D# # B7/F#& #60 . Em B7/F#! # nEm/G # nE7/G# # nE7/B . Am E7/B& #65 ! Am/C # Am # F#m 7(b5) Em/G # Em& # ..70 # # F#7 B7(b9)1.. Em 7! # 2.. Em 7& #75 "D7D.S. al Codafi! Am . D7! # Dm 6/F& #80 n E7! # Am # Bbdim G/B E7 #A7& #86 # D7 # G # 2 Receita de Samba&&?bbbbbb424242......FlautaMelodia PianoBaixo Acstico!!!FsusIntro!!!!!!F7(#11)!!!!!!F7(13)!!!!!!F7(#9)&&?bbbbbb......Fl.M.P.B.A.8 !8 !!F7(b9) % J " .j!!Bb7MA " !!E7(#9) !!Eb7M b b !!Db7M(#5). .b Rn!!Ab7M(9)/C&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.14 n 14 !!F#7(#11) " b!!Fm7(9)n A b !!G7(b13) " b!!Ab7M # !!D7(#9)T em Casa Bruno Rejan (1985)brunorejan@hotmail.comRecital de Defesa de Mestrado em Msica &&?bbbbbbFl.M.P.B.A.19 ! 19 ""Eb7M ""F/Eb b""Bb7M(9)/D n b ! b""Db7(13).A b ""Gb7M&&?bbbbbb......Fl.M.P.B.A.24 b n b b 24 ""F/Gb 3""Fsusn 3""F7(#11) 3""Fsusn""F7(b9)"" 3Eb7M/GB&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.30 "30 " J 3 3"" 3D7/A"" #3"""Bb7M(#11)"""""""""2 T em Casa&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.37 !37 ! 3Eb7M/G!! J 3 3!!!D7/A!!!!!!Bb7(#11)!!!!!!!!!&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.!45 !!E7sus7MC !!!!Db7(13)/Eb !! !!Db7M/Ab !!b!!Db/G !!!!!E7sus7M !!&&?bbbbbb......Fl.M.P.B.A.55 55 !!Db7(13)/Eb !! !!Db7M/Ab !!b!!Db/G Fine!!Db/Gb!!Bb7MImprovisos!!E7(#9)!!Eb7M3T em Casa&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.6464 !!Db7M(#5)!!Ab7M(9)/C!!F#7(#11)!!Fm7!!G7(b13)!!Ab7M!!D7(#9)&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.7171 !!Eb7M!!F/Eb!!Bb7M(9)/D!!Db7(13)!!Gb7M!!F/Gb!!Fsus!!F7(#11)&&?bbbbbb......Fl.M.P.B.A.7979 !!Fsus!!!!!Eb7M/G!!!!D7/A!!!!!Bb7M(#11)!!!!!!4 T em Casa&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.88 !88 !!!!Eb7M/G!!!!D7/A!!!!Bb7(#11)!!!!!!!!E7sus7M&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.9898 !!!!Db7(13)/Eb!!!!Db7M/Ab!!!!Db/G!!!!E7sus7M!!!!Db7(13)/Eb&&?bbbbbbFl.M.P.B.A.108108 !!!!Db7M/Ab!!!!Db/GD.S. al Fine!!Db/Gb5T em Casa

Recommended

View more >