impresso imobiliario nº61

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  • 2 N 61 - 2013(16) 3043-6118 - 3237-3900

    EDITORIAL

    Joo Pitombeira

    hhhhhh 2013, o que foi quete aconteceu? De onde trou-xeste o funk ostentao, acensura e a represso? Por-

    que chamar negros de morenos? E essainsistncia em manter a TV ligada?Presidentes com ameaa de guerra eainda querem reduzir a maioridadepenal. Quantos filhos do Datena espa-lhados por a. Black Blocks, bombas,bancos, juros, furos. Querem o comu-nismo! Querem de volta a ditadura!

    2013 veio para nos provar que nemtudo est to ruim que no possa pio-rar, assim como o Eike Batista foi ca-paz de salientar que seu filho Thor no a nica cagada sada de suas entra-nhas. Silas Malafaia, meu caro, ainda tempo de arrependimento. Compreuma casa na praia, v vender coco, epare de regular as partes ntimas darapaziada. Deixe pra l o Alckmin, queest para Mdici assim como o apren-diz est para o mestre. E quantos fal-sos mestres e profetas continuam pora tanto tempo depois de a bblia tersido inventada...

    Por aqui, neste sculo, usam a pa-lavra gay para xingar, bandido bom bandido morto, falta saneamento b-sico, jornalista julga mdico cubanopela aparncia, e o novo heri nacio-nal gasta 70 mil no camarote de umaboate. Ah, revista Veja, de que buracoinfernal surgistes? Tem gente morren-do de fome, tem diz que me diz, temmelindres e o Bolsonaro. A Marina(mentira) Silva no deu certo. E olhaque o ano pode nos render um filme:MPB, a censura dos traras (no eraproibido proibir?).

    O ano de 2013, j no fim, trouxeum qu de Idade Mdia (Idade das tre-vas soa mais adequado) para o plane-ta. Diferenas, planos, conflitos, dis-trbios e desarmonias ganham desta-que o tempo todo, cada vez mais eintensamente, dando uma aparncia deretrocesso ao nosso processo de evo-luo.

    Que os trabalhos findem, a vela sejasoprada, o bolo cortado, o presenteenviado, a rvore montada, os fogosacesos e o calendrio rasgado. Chegade 2013.

    Feliz ano novo!

    Que venha logo o novo ano

    A

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    RE-ESCREVENDO A NOTCIA

    Hoje no se sabe mais o que notcia, contrainformao e in-teligncia.

    A inteligncia a faculda-de de compreender. Em latim intellec-tus era atribudo a quem lia, a quemsoubesse interpretar e absorver conhe-cimento.

    Com o tempo, novas definies de-ram mais encargos inteligncia. A in-teligncia deveria saber ler, interpretar,organizar ideias, promover solues eter poder de convencimento.

    O sistema taxativo: seleciona in-teligncias.

    Seleciona inteligncias e condicio-na inteligncias ao sistema que gira seumotor.

    A gente compra, parcela, faz carn.Pega conduo, come fora e mal... nofinal, s quer relaxar um pouco e vernovela. Assistir comercial.

    A gente paga imposto. A gente pagao posto, o mecnico, a padaria. A gen-te movimenta tudo isso aqui. No fim

    do dia, a gente s quer descansar nosof.

    Liga a TV, aciona todas as clulasreceptoras e aprende. Aprende a con-sumir. Consome ideias, notcias, com-portamento e confunde informaocom inteligncia.

    De um lado a oferta, do outro a pro-cura.

    Todo o conhecimento repassado abilhes de pessoas formando consumi-dores.

    Inteligncia pode ser segredo deEstado. E pode ser truque de trapacei-ro.

    Inteligncia pode ser precauo eboa precauo manter segredo. Se-gredo a inteligncia longe do alcanceda maioria.

    A inteligncia, capaz de mudar omundo, tornar o espao civilizado, anatureza inteligvel nunca deu lucro emais privilgio a ningum.

    Conhecimento poder se mantidoem segredo.

    O poder hierrquico. Conquistado,desde os primrdios, a base de guerras.

    E a gente, receptora de conhecimen-tos, aprendendo o que lhe permitidosaber em tempos de paz, no sabianada.

    A gente em paz no sof da sala, as-sistia nos filmes e novelas que a genteera aquilo ali. Num meio miservel commais problemas que nossa intelignciapoderia inteligir.

    Ento, a gente espera algum maisinteligente que a gente pra resolvertudo. Nenhum habilitado e todos bemarmados.

    A gente se viu sozinha e percebeuque depende da prpria intelignciapara ter o prprio poder.

    A gente paga imposto, paga o pos-to, o salo, movimenta tudo isso, cui-da dos filhos, cuida da cidade e a genteno boba, a gente no burra. A gen-te sabe quem a engana e sabe fazersegredo da prpria inteligncia. E nemfala por a de tudo o que sabe. E nem

    tem vergonha de dizer que no sabenada... A gente no culpada pelos li-vros que leu. A gente no respons-vel pela histria contada.

    A inteligncia a providncia dabusca humana pela felicidade. Da bus-ca humana pelo bem-estar e a gentesempre se vira com mais intelignciaque poder.

    Penso, logo existo, ou aprendo.A gente est pensando mais, e

    aprendendo cada vez menos, a ser con-sumidora de lixo industrial. Consumi-dora de histrias no jornal. Consumi-dora de ideias e comportamentos demau gosto.

    A gente quando desligou a TV, des-ligou o comando e fez um silncio queincomodou at o poder.

    Ningum sabe mais o que a genteest pensando.

    Meu nome Malu Aires. Artista. To

    burra quanto voc. To inteligente

    quanto voc. Eu penso, tu pensas.

    A inteligncia

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    moa que cuida de mim vai embora. J faizdois mis que ela t me avisando, mais euachava que era mentira. De comeo eu nogostei dela. Falava comigo como se eu fos-

    se nen de bero. Despois a gente foi pegando cari-nho. Ela sempre me tratou bem. As vis eu ficava bra-va quando ela no fazia o que eu mandava. Eu xinga-va ela! Cheguei a ver ela chorando... quando lembra-va, pedia desculpa do meu jeito. Ah! Ela entendia. Asvis, a gente t de ovo virado.Viver at o tempo queeu vivi no fcil. Nis v muita injustia e canalhicedas pessoa, o corpo no responde mais e Deus nochama! Agora, ela vai vort pra cidade dela. Diz quequer estudar e casar. Faz bem! Velho s incomodamesmo! Meu pai contava uma histria do filho quelevou o pai pra montanha. Diz que a nora num aguen-tava o sogro velho e mandou o marido se livr dovelhinho. Quando chegou no alto da montanha, o fi-lho deu pro velho um cobertor pro frio e um pedaode po. Ia deix o pai morrer l. O velho pediu profilho uma faca e cortou no meio o cobertor e o po.Ficou com metade e deu metade pro filho. O filhoficou com cara de bobo. A o pai falou: Fica com me-tade do cobertor e do po, pra quando seu filho tedeixar aqui na montanha, voc ter mais do que voct me dando. O filho voltou pra aldeia com o pai,deu uma surra na mulher e tudo ficou bem. Antes ascoisa era diferente... Eu vou sentir falta da desgraa-da. Antes dela, j tinha tido outras. Umas boas e ou-tras pior. As vis, ela parecia uma neta minha. Nuncative empregada quando era moa. Sempre fiz tudo naminha casa. S precisei de algum pra me cuidar de-pois dos 85 ano. No meu tempo, s rico que tinhaempregada. Meu bisneto disse que ter empregada tdifcil hoje. Mas ela no era minha empregada, mi-nha neta. Escreveu o que eu mandei? Ento, manda.

    Dona Adelaide uma assdua leitora do IM-PRESSO IMOBILIRIO, e com sua perspiccia, lu-cidez e humor, colabora com suas opinies, que

    publicamos com muito gosto.

    Nasceu em 1915 e suas posies s vezes no

    cabem no que hoje entendemos por politica-

    mente correto.

    Quando indignada, costuma praguejar e sol-

    tar alguns improprios.

    Fala Dona Adelaide!

    FALA DONA ADELAIDE

    Envie sua opinio sobre asposies de Dona Adelaide,

    seja tambm nosso colaborador.impressoimobiliario@gmail.com

    A

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    gigante voltou a adormecer.Seis meses depois das mani-festaes de junho, o Brasilcontinua o mesmo. Nada

    mudou. o Brasil brasileiro de sem-pre. Mais uma vez, os fatores de per-manncia foram muito mais slidos doque os frgeis fatores de mudana.

    As instituies democrticas esta-vam e continuaram desmorali-zadas. Basta observar as instnciassuperiores dos Trs Poderes. O Supre-mo Tribunal Federal chegou ao cmu-lo de abrir caminho para a reviso dassentenas dos mensaleiros. Mais umavez e raramente na sua histria es-teve na linha de frente da defesa doEstado Democrtico de Direito ce-deu s presses dos interesses polti-cos.

    O ministro Lus Roberto Barroso o novato descobriu, depois de trsmeses no STF, que o volume de traba-lho irracional. Defendeu na entrevis-ta ao GLOBO que o Supremo legisleonde o Congresso foi omisso. E que ocandidato registre em cartrio o seuprograma, o que serviria, presumo,para cobranas por parte de seus elei-tores. Convenhamos, so trs conclu-ses fantsticas.

    Mas o pior estava por vir: disse queo pas no aguentava mais o processodo mensalo. E o que ele fez? Ao in-vs de negar a procrastinao da aopenal 470, defendeu enfaticamente areviso da condenao dos quadrilhei-ros; e elogiou um dos sentenciados

    publicamente, em plena sesso, casonico na histria daquela Corte.

    O Congresso Nacional continua omesmo. So os white blocs. Destro-em as esperanas populares, mostramos rostos sempre alegres e osorriso de escrnio. Odeiam a partici-pao popular. Consideram o espaoda poltica como propriedade privada,deles. E permanecem fazendo seusnegcios.

    Os parlamentares, fingindo atentar presso das ruas, aprovaram algunsprojetos moralizadores, sob a lideran-a de Renan Calheiros, o gluto do Pla-nalto Central o que dizer de algumque adquire, com dinheiro pblico,duas toneladas de carne? No deu emnada. Algum lembra de algum?

    E os partidos polticos? Nos insu-portveis programas obrigatriosapresentaram as reivindicaes de ju-nho como se fossem deles. Mas como atores canastres que so fra-cassaram. Era pura encenao. A poei-ra baixou e voltaram ao tradicional ra-merro. Basta citar o troca-troca parti-drio no fim de setembro e a aprova-o pelo TSE de