impresso imobiliario nº 64

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Opinião, análise política, cinema, HQ, poesia, música, saúde, crônica e as melhores ofertas do mercado. Confira a edição 64 do Impresso Imobiliário. Leia, baixe, compartilhe!

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  • 2 N 64 - 2014(16) 3043-6118 - 3237-3900

    O TransporteSeis e dez, nibus lotado.T frio.T calor.T abafado.Ainda tem uma viagem atravessan-

    do a cidade de metr ou trem, numalonga jornada de at 4 horas do seu diavendo a janela passar pela paisagem darua.

    No Rio de Janeiro, 54% dos cariocasutilizam nibus.

    Em Nova York, o nibus no trans-porte mais usado pela maioria da popu-lao. O transporte mais usado pelo ci-dado de Nova York o metr. E se voccomprar o bilhete nico, a viagem podecustar US$ 2,50. Com o dlar hoje aR$2,40, isso daria R$6,01. Em Londres,um bilhete nico pode custar, em m-dia, R$17,00.

    A gente quer chegar mais cedo, po-der dormir 15 minutos a mais, passarmenos tempo no banco do nibus ven-do a vida passar.

    Em Nova York h 418 km de metr e,em Londres, 408 km.

    So Paulo tem 74,3 Km de metr,Braslia 42,4 km, Rio de Janeiro 40,9 km,Recife 39,5 km, Belo Horizonte, 28,2 kme Teresina 12,5 km.

    A extenso de trens metropolitanosno Rio de Janeiro de 270 km. E se agente juntasse as linhas de metr e tremno Rio, teramos a extenso de malhado metr de Tquio, o quarto maior domundo.

    A melhor malha de transporte urba-no do mundo est em Tquio. Um tra-ado inteligente e dinmico que trans-porta em mdia, 14,4 milhes de passa-geiros em 30 milhes de viagens diri-

    as. A capital japonesa tem osistema de transporte maiscomplexo e eficiente do mun-do, ligando trens, metr,balsas e nibus.

    Nos horrios de pico, asplataformas do metr deTquio ficam to lotadasque empurradores, ou comoso chamados oshiya, es-premem as pessoas para ca-berem no maior nmero den-tro dos vages. Para ser tra-

    tado como uma sardinha a vcuo nometro de Tquio, voc desembolsa, emmdia, R$14,00.

    A mobilidade urbana preocupaono mundo todo quando at 100 milpessoas resolvem pegar o metr na mes-ma hora e numa mesma plataforma. Ouquando milhes de novos usurios re-solvem utilizar nibus como transporteurbano, de um ano pro outro.

    O Brasil tem mais de 190 milhes dehabitantes hoje e, em 2030, ter 208milhes de brasileiros. A cidade de SoPaulo tem mais de 20 milhes de habi-tantes hoje. Destes, 9 milhes ocupamseus espaos, diariamente, nos nibus,e 8 milhes em trens e metrs de So

    Paulo - 75% dos usurrios de trens emetrs do pas esto em So Paulo.

    Nas cinco mais bem avaliadas cida-des no mundo em transporte urbano, ometr o veculo principal pra mobili-dade urbana.

    As catracas dos nibus de So Pauloforam giradas 1 bilho 288 milhes 357mil 225 vezes, em 2013. As de metrgiraram 1,297 bilho de vezes, no mes-mo perodo.

    como se a cada 3 anos, o planetainteiro passasse pelas catracas de ni-bus e metrs de So Paulo.

    Quinze pras 7. O nibus chegou naestao! Agora pegar o metr e outronibus.

    E nessa hora que no passa, pra gen-te chegar mais rpido e com mais con-forto, precisava trabalhar menos tempo,em horrios mais flexveis e mais pertode casa.

    Meu nome Malu Aires. Ando muito

    a p e pego nibus quando a subida

    perversa. Cedo assento pra qualquer

    pessoa que tenha a idade do meu pai

    ou minha me porque acredito que

    transporte pblico urbano movido

    gentileza.

    RE-ESCREVENDO A NOTCIA

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    EDITORIAL

    Joo Pitombeira

    Brasil no mais o mesmo. Noque tenha mudado, mas as coi-sas esto mais tensas, h mais

    urgncia. Tudo indica que o momen-to de mudana. Pra onde que oX da questo. A cada dia e nova maisimportante notcia dos ltimos tem-pos que passam o cabo de guerra ficamais disputado. Nas ruas e na inter-net, principalmente, os blocos de opi-nio vo se delineando a olho nu. Ouno.

    A dvida atemporal mas agora sefaz muito necessria. Quando as ma-nifestaes comearam em julho doano passado e Braslia foi tomada na-

    quele noite histrica que no surtiu ltanto efeito assim, todos aplaudiam.De l pra c, de 64 pra c, e desde sem-pre, manifestaes populares superlo-tadas so assim. Assim como no con-gresso ou no estdio de futebol, emmeio multido, existem os insanos.Mas agora a opinio pblica (ou damdia) se mostra muito contrria aosmanifestantes.

    Que a classe poltica e a economiado pas passaram a agradar ao ditobrasileiro mdio eu duvido. Mas seantes adoravam a juventude conscien-tizada, agora repudiam a movimenta-o popular. E as bombas sempre esti-veram l. Do mesmo fato, vrias inter-pretaes, troca de acusaes e tomar

    partido soa meio imprudente diantede tantos interesses envolvidos. Algodeve acontecer mas, como diria um dos

    grandes do nosso rdio de outrora:Melhor acompanhar a marcha dosacontecimentos.

    Tudo novo, de novo

    O

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    Partido dos Trabalhadores, que teve suaslideranas histricas condenadas noprocesso do mensalo, incansvel.

    Quer porque quer desmoralizar o SupremoTribunal Federal. O PT no gosta do Judicirioindependente. O partido fez de tudo para difi-cultar o andamento da Ao Penal 470. Pres-sionou ministros e insinuou at chantagem.Depois desqualificou as condenaes. E trans-formou as prises em espetculo de resistn-cia. Em seguida, forjou convites fantasiososde trabalho desacreditando os postulados doregime semiaberto. Deu para o bem da de-mocracia tudo errado.

    O alvo seguinte foi o presidente do STF, oministro Joaquim Barbosa. o mais odiadopelos marginais do poder, feliz expresso doministro Celso de Mello. Desde 2012 sofre ata-que cerrado dos petistas e dos seus aliados,dos blogs sujos que infestam a internet eque so financiados com dinheiro pblico. injuriado e caluniado sistematicamente peloMinistrio da Verdade petista.

    Recentemente, Barbosa passou por maisuma situao extremamente constrangedora,quando da abertura dos trabalhos legislativos.E a ofensiva continua: no ltimo sbado, o ex-presidente Lula, com a grosseria habitual, vol-tou a atac-lo. O sinhozinho de So Bernardodo Campo no perdoa a independncia do mi-nistro Barbosa. Mais ainda: sonha que o STFseja uma repartio do Palcio do Planalto, umaespcie de Suprema Corte ao estilo cubano.

    Para os policiais da verdade, o ministroBarbosa no pode tirar frias. Quando o fez,teve os reprteres nos seus calcanhares. Pri-vacidade, zero. E at com certa ironia foramdescritos os presentes que comprou em Paris.No fundo estava implcito que negro brasilei-ro deveria levar daqui um berimbau (e porque no um pandeiro?). o velho racismocordial, to nosso como a jabuticaba.

    Os petistas e seus sequazes aproveitaramo momento para desviar a ateno pblicados crimes cometidos pelos apenados. Cons-truram uma verso de que eram inocentes eque estavam sendo perseguidos por Barbosa.Como se o processo do mensalo e as conde-naes fossem da sua exclusiva responsabili-dade. Como se os seus substitutos legais napresidncia no pudessem dar andamento sdecises de rotina da Ao Penal 470.

    Dias depois o foco foi dirigido ao ex-depu-tado Joo Paulo Cunha. Deu diversas entrevis-tas, atacou o tribunal, principalmente, claro, oministro Barbosa. O sentenciado chegou a pro-mover almoo em frente ao prdio da Supre-ma Corte. Fez de tudo para achincalhar o STF.

    Mas os petistas so insaciveis: agora ten-tam desqualificar o cumprimento de uma daspenas a de multa. Muito citado durante ojulgamento do mensalo, o jurista Claus Roxindefende que no se pode aprender aviver em liberdade e respeitando a lei, atra-vs da supresso da liberdade; a perdado posto de trabalho e a separao da fam-

    lia, que decorrem da privao de liberdade,possuem ainda maiores efeitos dessocializa-dores. O desenvolvimento poltico-criminaldeve, portanto, afastar-se ainda mais da penaprivativa de liberdade. Em seu lugar teremos,principalmente, a pena de multa, e em espe-cial no seu uso que reside a tendncia suavi-zao de que falei acima (Estudos de DireitoPenal, Renovar, 2008, pp.18-19).

    Portanto, multa uma pena. No caso daliderana petista, a pena de multa foi acresci-da privao da liberdade. Assim, neste caso,uma no est dissociada da outra. A nossaConstituio muito clara quando determi-na que nenhuma pena passar da pessoa docondenado (artigo 5, XLV) e a multa umadas formas da individualizao da pena (arti-go 5, XLVI,c). E, no Cdigo Penal, o valor damulta est vinculado s condies econmi-cas do ru.

    A vaquinha patrocinada pelos petistas eseus asseclas violou explicitamente a decisodo STF, a Constituio e o Cdigo Penal. abso-lutamente ilegal. Os petistas saudaram comouma manifestao de solidariedade. At a, ne-nhum problema. Afinal, o respeito ao ordena-mento jurdico nunca foi uma caracterstica doPT. O mais terrvel foi encontrar at um ex-pre-sidente do STF respaldando esta chicana. E mais:os ministros da Suprema Corte silenciaram ou quando se pronunciaram foi sobre a formada doao, que importante, mas marginal fren-te gravidade da questo central.

    Contudo, nem sempre possvel contro-lar todas as variveis de um projeto criminosode poder, outra feliz expresso do decano doSTF. Henrique Pizzolatto percebeu aindana fase processual que tinha sido jogadoao mar pela liderana petista. Logo ele, o ho-mem de 73 milhes de reais. No quis repre-sentar o papel de mordomo, como nas velhastramas cinematogrficas. Resolveu com seusprprios meios fugir do pas. Foi preso. Sabemuito. Deve ter medo, principalmente se re-cordar os acontecimentos de Santo Andr.

    Vale destacar que foram os milionriosdesvios do fundo Visanet, oriundos do Ban-co do Brasil, a principal fonte de recursos domensalo, como ficou comprovado no jul-gamento. Sem este dinheiro, no teria havi-do a compra de apoio parlamentar. E quemfoi o organizador deste peculato? HenriquePizzolatto. Mas teve a colaborao de com-parsas, como possvel constatar no relat-rio final da CPMI dos Correios, e que no fo-ram indiciados pelo procurador-geral Anto-nio Fernando de Souza, em 2007.

    O governo brasileiro, obviamente, prefereque Pizzolato permanea na Itlia. O pedido deextradio para ingls ver. Hoje, ele o elomais fraco en