impresso imobiliario nº 63

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Análise, política, cinema, música, HQ, crônica, mercado imobiliário e as melhores ofertas de imóveis. A edição 63 do Impresso Imobiliário já está nos pontos de distribuição! Aqui, você lê e baixa!

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  • 2 N 63 - 2013(16) 3043-6118 - 3237-3900

    EDITORIAL

    Joo Pitombeira

    odo mundo de volta ao traba-lho ainda meio zonzo, os car-ros passam, quem est em fri-

    as tenta atrasar o relgio com o po-der da mente e quem trabalha anseiapelo ano recheado por carnaval,copa do mundo e muitos feriadoscomo s aqui no Brasil sabemos fa-zer. Comea o ano! Mas nessa pocauma espcie diferente ronda os se-mforos da cidade numa busca sel-vagem e incessante pelo seu dinhei-ro que vai financiar festanas inter-minveis regadas a muito lcool esertanejo universitrio: os bixos!

    Muito cuidado. Este espcime,geralmente, passou a vida com osestudos financiados pelos pais paraque pudesse realizar o sonho da fa-mlia de ingressar na vida universit-ria de um dos pases com os pioresndices educacionais no mundo. aelite intelectual de um lugar semconhecimento, os caolhos em terrade cego. Eles surgiro, intrpidos,na frente do seu carro sujos de fari-

    nha, ovos, tinta e com cheiro de(muita) pinga barata com os argu-mentos mais absurdos possveis paraconseguir uma moedinha. Me aju-da a, eu passei em medicina, dizuma. S uma moedinha, vou fazerengenharia na PUC, diz outro.

    Os adeptos do rolezinho inver-so so aqueles que geralmente es-to nos shoppings, academias e fes-tas universitrias. Esto nas escolasparticulares desde pequenos reben-tos ou nos cursinhos, no caso dosmenos ajuizados. Mas, quando pas-sam no temido vestibular, os tam-bm funkeiros , tambm ostentado-res, ocupam o espao pblico comsua sagaz odisseia em busca da di-verso gratuita. a vingana dos queesto segregados. O protesto rou-co daqueles que nunca tiveram a di-vertida oportunidade de ter quepedir dinheiro na rua. E se vocest esperando a vida inteira poruma oportunidade real de carida-de que te d aquela sensao dedever cumprido, v em frente: duma moedinha.

    Rolezinho inverso

    T

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    RE-ESCREVENDO A NOTCIA

    MSICA

    Em 2013, a esquerda foi chamadaprum rolezinho. O rolezinhoacabou em tumulto, feridos e

    confuso em delegacia. Caiu na redee o povo marcou presena no even-to. O povo achou que era esquerdaporque nasceu povo e no elite. Lo-tou ruas e avenidas de todo pas, eas fotos areas estamparam jornaisde todo o mundo. Passou na 2 mai-or emissora televisiva do planeta,que est ligada na maioria das casasbrasileiras... um olho cego que re-flete na ris um Brasil que se divideentre uma psicopata elite e aquelepovo pisado no ncleo 2 de grava-o da novela.

    Segundo os ltimos dados doIBGE, temos o menor ndice de de-sigualdade desde 1963. O maiorpoder de compra com o salrio m-nimo, desde 1979. Taxa de desem-prego em 4,6%. Mais jovens da peri-feria nas universidades. Isso s ocomeo de uma grande revoluodo consumo.

    Consumo, logo existo.E em tempo onde uma reunio

    com mais de 15 logo cortejada por

    uma ou outra bandeira, tudo correo risco de soar poltico.

    Se surgirem 3 ou 4 defecadinhas,j fariam uma pgina nas redes soci-ais pra marcar evento de defecadi-nhas em todo o pas. Especialistas,socilogos, cientistas polticos, psi-clogos, opinilogos correriam ex-plicar o fenmeno sociopoltico,disputando-se a paternidade da con-tempornea manifestao. Virariamoda de to curiosa. Matria espe-cial na revista eletrnica dominical,ganharia capa de revista e jornal, ato odor de um coc poltico gigantee malcheiroso chegar s narinas dopovo que gritaria: No fui eu!.

    Em 2013, a frente das cmeras foitomada pelo bonde da turma da es-querda sem partido. A esquerda sempartido, no pretendia fazer polti-ca. Ouviu-se esquerda e o rolezi-nho do Psol, PCB e o PSTU colougritando ser o bonde da nova esquer-da. Partilharam sindicatos e engros-saram manifestaes. Um trouxe asociologia de elite, o outro o prole-tariado e o ltimo os avatares. Nummundo mgico e distante, Marina Sil-

    va presa numarede imaginria,representou a cha-pa do no existeesquerda, nem di-reita e foi a queprimeiro se aliou sociologia de eli-te.

    A elite, da 1 6 gerao de JosBonifcio o Patriarca, no se mis-tura com empregado. Da 1 6 ge-rao da elite brasileira, ela fingiuestudar o povo. Ps sua 5 geraoa ler Marx e formou socilogos quenunca pretenderam curar a desigual-dade.

    Em 2013, o povo, aquele que sev no avano, ficou de fora das ima-gens que cobriam as manifestaes.No era to branco, no era to jo-vem, no era to bonitinho com clo-se na cara.

    O povo voltou pra casa, ligou aTV, viu desconto e decidiu sair scompras. O povo saiu pra comprar,dar um rolezinho no shopping e fa-zer uns selfies.

    A elite se assustou quando viu.

    Da 1 5 gerao de analfabe-tos, nascem hoje os primeiros dou-tores. Da 1 5 gerao de empre-gados, nascem os primeiros patres.Da 1 5 gerao de pobres, nas-cem os primeiros consumidores deartigos de luxo.

    O povo, joguete de toda sorte deexpert da sua desgraa, hoje s acre-dita no futuro que v um futuro me-lhor pros seus filhos. A 6 geraoda periferia ganha ascenso no con-sumo. Deslumbrado com o que v,o povo chega a acreditar que procombate desigualdade, comprar mais fcil que pensar poltica.

    Meu nome Malu Aires. Pareipara assistir o rol e estou dando

    uma de opiniloga poltica de pr-

    eleio, neste isento impresso.

    migo leitor, finalmente entra-mos em 2014! Este ano vriosimportantes lbuns da histria

    da msica completam aniversrio,entre eles: Dookie do Green Day(1994), Franz Ferdinand o discohomnimo de estreia dos escoceses(2004), Definitely Maybe do Oasis(1994) e Autobahn do Kraftwerk(1974). Mas, eu separei um especialGrace que completa 20 anos.

    Pare, escute e viaje. Prepare-separa entrar em um mundo onde acano pode ser captada por todosos sentidos. O disco lanado por Jeff

    Buckley, em 23 de agosto de 1994, uma obra de arte completa. Pou-cos artistas conseguiram combinarcom tanta perfeio letra e melodia.

    Buckley tem o controle perfeitoda voz. Ao mesmo tempo que podegritar em tons absurdos, ele sussur-ra aos ouvidos sem perder a afina-o. Guitarra, baixo e bateria vivemuma relao de mutualismo, comple-tadas pelos sutis arranjos de cordas.

    A obra traz, ao todo, sete msi-cas autorais e trs releituras, inclu-indo o clssico Hallelujah de Leo-nard Cohen. O arranjo criado por

    Buckley supe-rou o original ehoje a basepara diversas re-gravaes eprogramas decalouros.

    Seria poss-vel Buckley pro-duzir um disco do mesmo nvel? Otempo no deixou responder. No dia29 de maio de 1997, aos 30 anos,ele morreu afogado enquanto nada-va no rio Wolf, afluente do Rio Mis-sissipi, as vsperas da gravao do

    O rol

    Janeiro em estado de graa

    novo lbum.Presenteie os seus ouvidos, can-

    sados de tanto barulho radiofnico!!

    Eduardo Vidal Jornalistaduvidal86@yahoo.com.br

    A

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    OPINIO

    Brasil um pas fantstico. Maisainda, um pas do realismo fan-tstico, onde fico se mistura com

    histria e produz releituras ao sabor dosacontecimentos. A ltima tem comotema a morte do ex-presidente JooGoulart, o Jango, na Argentina.

    A Cmara dos Deputados fez umainvestigao, ouviu dezenas de testemu-nhas e elaborou um longo relatrio. Con-cluiu que no havia indcios de assassi-nato. Em entrevista a Geneton MoraesNeto, publicada no livro Dossi Brasil:as histrias por trs da Histria recentedo pas, a senhora Maria Tereza Gou-lart descartou qualquer suspeita de as-sassinato do seu marido: Eu estava aolado de Jango o tempo todo, nos lti-mos dias. Jango morreu do corao. Ti-nha feito um regime violento e mal con-trolado. Chegou a perder 17 quilos emdois meses. E estava fumando muito. Omdico j tinha dito que ele no pode-ria fumar.

    Jango era um cardiopata. E de longadata. No Mxico, a 10 de abril de 1962,em visita oficial, assistindo a uma exibi-o do bal folclrico mexicano, no Tea-tro Belas Artes, o presidente teve um ata-que cardaco. Ficou desfalecido por umminuto. Atendido por mdicos mexica-nos, ficou impossibilitado de continuara cumprir a agenda presidencial, sendosubstitudo por San Tiago Dantas. No re-torno ao Brasil, o grande assunto era oes-tado de sade de Jango e a possibilida-de de que renunciasse Presidncia. Afi-nal, era o segundo ataque cardaco em

    apenas oito meses. Dois meses depois,quando da recepo em palcio da sele-o brasileira que partiria para a Copado Mundo no Chile, Pel manifestou pre-ocupao com a sade do presidente:Presidente, como vo estas coronri-as? E Jango respondeu: Esto boas,mas no tanto quanto as suas.

    s vsperas do clebre comcio daCentral (13 de maro de 1964), seu es-tado de sade inspirava cuidados. Foiadvertido que poderia ter srias com-plicaes com o corao. Jango desde-nhou e manteve seu ritmo costumeirode vida sedentria, alimentao inade-quada, excesso no consumo de bebidase vivendo em permanente estresse. Noexlio uruguaio, tambm devido aosproblemas com o corao, foi atendidopelo dr. Zerbini. Na Frana, onde este-ve vrias vezes, foi cuidar do corao echegou a tentar uma consulta com odr. Christian Barnard, na frica do Sul,mdico que dirigiu a equipe que fez oprimeiro transplante de corao.

    A transformao de Jango em um pe-rigoso adversrio do regime militar tanto que o seu assassinato teria sidoplanejado pela Operao Condor nopassa de uma farsa. No exlio uruguaio,especialmente nos anos 1970, no ti-nha qualquer atuao poltica.

    Tudo no passa de mais uma tentati-va de mitificao, da hagiografia polticasempre to presente no Brasil. O figurinode democrata, reformista e comprometi-do com os deserdados foi novamente re-tirado do empoeirado armrio. Agora

    pelos seus antigos adversrios, os petis-tas. Mero oportunismo. que a secret-ria dos Direitos Humanos, Maria do Ro-srio, pretende ser candidata ao Senadopelo Rio Grande do Sul. E, como boa pe-tista, no se importa de reescrever a his-tria ao seu bel-prazer.

    O cinquentenrio dos