IMPLANTAO DE CINTURO VERDE EM UMA ESTAO DE TRATAMENTO ... ? Este trabalho tem como objetivo

Download IMPLANTAO DE CINTURO VERDE EM UMA ESTAO DE TRATAMENTO ... ? Este trabalho tem como objetivo

Post on 16-Jul-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

TRANSCRIPT

VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 1 IMPLANTAO DE CINTURO VERDE EM UMA ESTAO DE TRATAMENTO DE ESGOTO E PERCEPO AMBIENTAL EM UM INSTITUTO FEDERAL Iasmyne Dias Machado Gonalves (*), Flvio Jos de Assis Barony, Daniela Martins Cunha, Tatiana Amaral Nunes * Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), campus Governador Valadares, mynegv@hotmail.com RESUMO Este trabalho tem como objetivo geral a implantao do cinturo verde na Estao de Tratamento de Esgoto (ETE) do campus Governador Valadares do Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia de Minas Gerais- IFMG/GV; e como objetivo especfico realizar um diagnstico da percepo ambiental quanto instalao da ETE. Foi aplicado um questionrio contendo 11 questes com o intuito de avaliar a percepo ambiental da comunidade do instituto, referente Estao. Tambm foram plantadas 16 mudas de rvores nativas contornando a rea da ETE. Os resultados do questionrio demonstram que 64% dos entrevistados visualizaram a instalao da Estao, mesmo esta sendo instalada na entrada do campus e em localizao visvel, mas com nvel considervel de aceitao e viso de benefcios a sociedade. J o cinturo verde, aps 4 meses de plantio h sobrevivncia de todas as mudas, logo contundente que esta ao minimizar os impactos negativos da rea estudada, sobretudo, quando as rvores se encontrarem na fase adulta de forma que o projeto possa atender melhor as necessidades ambientais do campus. PALAVRAS-CHAVE: Cinturo verde, educao ambiental, tratamento de esgoto, mudas, percepo ambiental. INTRODUO Para o avano do conhecimento cientfico, primordial estudar os indicadores ambientais e trocar experincias (MAIA et al., 2001 citado por BRANDALISE, 2009, p. 277). A percepo nitidamente mais do que o processo no qual os estmulos vencem os sentidos, o incio do processamento de informaes, a interpretao dos estmulos aos quais se presta a ateno de acordo com a conformao mental existente, que so as atitudes, experincia e motivao (BAKER, 2005 citado por BRANDALISE, 2009, p. 277). A percepo ambiental pode ser definida como sendo uma tomada de conscincia do ambiente pelo ser humano, ou seja, o ato de perceber o ambiente em que se est inserido (FAGGIONATO, 2004 citado por MARCZWSKI, 2006, p. 20). A importncia da pesquisa em percepo ambiental para o planejamento do ambiente foi ressaltada pela UNESCO em 1973. Uma das dificuldades para a proteo dos ambientes naturais est na existncia de diferenas nas percepes dos valores e da importncia dos mesmos entre os indivduos de culturas diferentes ou de grupos socioeconmicos que desempenham funes distintas, no plano social, nesses ambientes (FERNANDES et al., 2004, p. 2). No campus do IFMG-GV foi instalada uma estao de tratamento de esgoto (ETE), localizada na entrada do campus de forma a ser perceptvel a toda a comunidade, logo gerando pontos positivos e negativos. Portanto a percepo ambiental da comunidade importante para que possam ser tomadas atitudes que minimizem os impactos negativos e potencialize os positivos. Embora os impactos da estao de tratamento sejam positivos, como uma ferramenta de proteo ambiental, muito habitual que a populao na rea prxima ETE se manifeste e se posicione contra a construo e a localizao da estao, considerando apenas os aspectos negativos do projeto (JORDO; PESSA, 2011, p. 139). As ETEs geralmente encontram-se as nas altitudes mais baixas e prximas de reas urbanas. Em algumas situaes tais empreendimentos podem causar aos habitantes circunvizinhos um desconforto visual, esttico e principalmente, olfativo e de sade; em funo dos odores caractersticos que so gerados durante o processo de tratamento do esgoto e dispersados pelos ventos a longas distncias. Na maioria dos casos, isso ocorre porque a vegetao existente limita-se apenas grama, pequenos arbustos e algumas poucas rvores dispersas, no conseguindo promover a quebra ou dissipao dos ventos (CARNEIRO et al., 2009, p. 14). VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 2 As ETEs instaladas em reas urbanas so encontradas normalmente em grandes espaos disponveis. Nesses espaos aconselha-se que sejam implantados bosques com espcies nativas da regio. Visto que, alm de cumprir com as obrigaes legais e ambientais, esses bosques melhoram a aparncia da estao e tornam o local mais agradvel aos trabalhadores e frequentadores (CARNEIRO et al., 2009, p. 18). A utilizao de barreiras vegetais como tcnica para controle de odores empregada em diversas situaes em todo o mundo, contudo comumente de forma emprica, sem uma orientao tcnica sistematizada, capaz de associar os efeitos de barreira de vento, aromatizador, paisagstico e de isolamento das reas (CARNEIRO et al., 2009, p. 10). De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) sobre o diagnstico do saneamento bsico no pas, mostrou que 40% dos domiclios no Brasil no dispem de nenhum tipo de conexo com a rede coletora de esgotos e somente 38% do esgoto gerado recebe algum tipo de tratamento. Porm o maior agravante da situao que aproximadamente 15 bilhes de litros de esgoto no tratado despejado diariamente no meio ambiente. (IBGE, 2012). Ou seja, fundamental a instalao das ETE's em funo da baixa prestao deste tipo de servio de saneamento no Brasil. Posto isto, o indivduo pode perceber a interao de vrios componentes ambientais com o seu dia a dia e a interferncia destes no ambiente, como a relao da arborizao urbana com o micro clima, as encostas degradadas e o aumento do escoamento superficial, o mau odor emanando de redes pluviais devido ligao clandestina e outros. Cinturo verde o nome dado para as reas de ambiente natural, pouco urbanizadas e, muitas vezes, de uso agrcola, que esto ao redor ou nas vizinhanas de uma regio urbanizada (MORAES, 2012). O cinturo verde caracteriza-se pela implantao orientada de indivduos de duas ou mais espcies arbreas e arbustivas adaptadas regio e ao solo/substrato local, disseminadas em linhas paralelas, de forma que as plantas de uma linha no fiquem alinhadas com as plantas da linha adjacente, propiciando barreiras de isolamento, as quais em ETEs so dispostas ao redor das fontes emissoras de odores e no seu entorno. (CARNEIRO et al., 2009, p. 14). Este tema por sua vez deve ter utilidade para o pesquisador, o pesquisado e a sociedade propriamente dita, pois almeja atenuar os impactos negativos oferecidos pela ETE, para que assim esses efeitos nocivos sejam minimizados e convertidos em melhorias para o meio ambiente e a circunvizinhana do local em estudo. Desta forma, este trabalho tem como objetivo geral a implantao do cinturo verde na Estao de Tratamento de Esgoto do campus; e como objetivo especfico realizar um diagnstico da percepo ambiental quanto instalao da ETE. PROCEDIMENTOS METODOLGICOS CARACTERIZAO DA AREA DE ESTUDO O estudo foi realizado com a comunidade escolar do campus de Governador Valadares. O campus construdo em um terreno de relevo irregular, com encostas de morro em processo de degradao. A cobertura vegetal deu lugar a pastagens, deixando o terreno merc de intempries, podendo vir a ocorrer eroso, o que alm de piorar a situao, assorear a lagoa existente no sop da encosta em perodos chuvosos, o qual se d na regio de Governador Valadares de outubro a maro (VIANELLO citado por CUPOLILLO, 2008). A figura apresenta o mapa de localizao regional do campus. A rea em estudo est localizada no municpio de Governador Valadares, Minas Gerais. A rea do campus de 125.334,35 m, e atualmente tem um contingente de 760 estudantes e aproximadamente 95 colaboradores, entre servidores pblicos e terceirizados. O esgoto do campus coletado e jogado para a rede pblica. A rede esta interceptada na ETE e assim que iniciar a operao, o esgoto passar por tratamento e em seguida retornar para a rede pblica. VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 3 Figura 1 - Localizao do IFMG. Fonte: Guimares, 2014. TECNICAS DE COLETA E ANALISE DE DADOS Para realizar o diagnstico da percepo ambiental quanto instalao da ETE, optou-se pelo desenvolvimento de um estudo descritivo, qualiquantitativo e anlise estatstica, conforme descrito por Gil (2008, p. 28). Segundo Fernandes (2004, p. 4), a base do sucesso de uma pesquisa envolvendo percepo ambiental est diretamente ligada qualidade do questionrio adotado e o mesmo dever estar estruturado luz dos objetivos a que se pretende como pesquisa e, principalmente, considerar o tipo/nvel dos entrevistados. Nesse estudo a avaliao do nvel de percepo ambiental da comunidade escolar foi realizada atravs do encaminhamento do questionrio sobre percepo ambiental, constitudo por 11 perguntas (apndice 1), atravs da plataforma gratuita e online Google Docs com o intuito de atingir toda a comunidade. A secretaria do campus enviou o questionrio para o e-mail da comunidade escolar atravs do Mdulo Educacional Conecta. SELEO DE MUDAS E PLANTIO A seleo das mudas foi realizada de acordo com a indicao e com a disponibilidade encontrada no Instituto Estadual de Florestas (IEF). Durante a visita ao IEF e ao Viveiro Florestal de Governador Valadares o rgo indicou as espcies mais adequadas ao plantio de acordo com a disponibilidade no viveiro. As mudas indicadas para a criao do cinturo verde foram de Lagerstroemia indica (escumilha), Licania tomentosa (Oiti), Handroanthus serratifolius (Ip-amarelo), Clitoria fairchildiana (sombreiro) e Hibiscus rosa-sinensis L. (hibisco), (IEF, 2016). Na tabela 1 temos quadro que exibe as caractersticas gerais das espcies indicadas. Tabela 1. Quadro de informaes das espcies. - Fonte: Manual de arborizao - Companhia Energtica de Minas Gerais, 2011. Espcie Nomes Populares Famlia Caractersticas Lagerstroemia indica regina, extremosa, mimosa-dos-jardins, escumilha Lythraceae Pode atingir 15m de altura, copa arredondada. Florao na primavera e vero. Frutificao no inverno e primavera. Licania tomentosa oiti-da-praia, guaili, oiti-cago, oiti-mirim, Chrysobalanaceae Pode atingir 20m de altura, copa arredondada. Florao no inverno. VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 4 oitizeiro Frutificao no vero. Handroanthus serratifolius pau-darcoamarelo, piva-amarela, opa, peva, ip-ovo-de-macuco, tamur-tura, ip-pardo, ip-do-cerrado, ip amarelo. Bignoniaceae Pode alcanar at 25m de altura. Florao no inverno. Frutificao na primavera. Clitoria fairchildiana faveira, sombreiro, palheteira Fabaceae Pode atingir 12m de altura. Florao no vero. Frutificao no outono e inverno. Hibiscus rosa-sinensis Hibisco, Graxa-de-estudante, Hibisco-da-china, Hibisco-tropical, Mimo-de-vnus Malvaceae Pode atingir trs a cinco metros de altura. Florao na primavera e no vero. As tcnicas para plantio seguiram o estabelecido por Gonalves e Paiva (2013); Martins (2013): tamanho da cova, adubao, presena de torres e outros. As principais prticas para a manuteno sero o permanente combate das formigas cortadeiras, o coroamento ao redor das mudas, ou capinas ou roadas, ao longo das linhas de plantios, o controle das trepadeiras, a adubao de cobertura e a irrigao nas pocas de dficit hdrico acentuado (MARTINS, 2013). Assim como tambm apontado por Carneiro et al. (2009, p. 14) a necessidade das atividades de manejo e em especial a reposio das plantas que no tiveram condies de sobrevivncia. Enfatiza-se que o plantio e acompanhamento do desenvolvimento das mudas encontra-se descrito no apndice 2. RESULTADOS E DISCUSSO No decurso de um a seis de junho de 2016 foi disponibilizado o questionrio atravs do sistema do aluno/servidor- Conecta, ou seja, via correio eletrnico para toda a comunidade do IFMG-GV, do qual se obteve 179 respostas. Nota-se que houve um equilbrio representativo entre os sexos, sendo 51,4% constitudo pelo sexo feminino, e 48,6% pelo sexo masculino. A figura 2 representa a idade daqueles que se disponibilizaram a responder o questionrio, sendo o maior percentual representado por cidados que possuem idade igual ou superior a 30 anos. Figura 2: Faixa etria dos participantes da pesquisa. Fonte: Autora do Trabalho. Os entrevistados com remunerao de quatro salrios mnimos ou mais representam 36,9%, 34,6% recebem de dois a trs salrios mnimos e 28,5% recebem at um salrio mnimo. Quanto ao grupo da comunidade escolar com maior incidncia de respostas, destacou-se o curso Superior em Engenharia de Produo e no houve nenhuma participao de alunos dos cursos do PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Tcnico e Emprego) e dos tcnicos de servios jurdicos EAD (Ensino Distncia) conforme apresentado na figura 3. Apesar de a ETE estar instalada na entrada do campus, apenas 64,2% percebeu a implantao da mesma. Este nmero pouco expressivo, haja vista que o projeto de implantao da ETE foi divulgado em vrios eventos do campus, bem como a instalao da mesma deu-se a aproximadamente 5m do porto de entrada do campus, VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 5 sem que outras instalaes dificultassem a visualizao dos que ali transitam, seja pedestre ou com veculos, alm de estar tambm prxima ao ponto de nibus, como pode ser percebido na figura 4 (IFMG, 2016). Segundo Panquestor e Riguetti (2008, p. 7) seja pelo fato da percepo ambiental ser a tomada de conscincia do ambiente na qual o homem est inserido, em que cada indivduo percebe, reage, e responde diferentemente, frente s aes sobre o meio em que vive assim as respostas ou manifestaes da decorrentes so resultados das percepes, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada pessoa. Figura 3: Participao da comunidade escolar na pesquisa. Fonte: Autora do Trabalho. Figura 4: Visualizao da ETE ( esquerda). Entrada do campus ( direita). Fonte: Autora Trabalho. Quando indagados da existncia de algum impacto visual negativo, 38% responderam que sim e desses 83,6% pensam ou concordam que um cinturo verde minimizaria este impacto visual. Estes resultados confirmam o apontamento de Carneiro et al. (2009, p. 17) que a vegetao no entorno da ETE tambm contribui significativamente para os fatores estticos e de segurana, promovendo o isolamento visual e fsico da estao e melhorando a convivncia com a populao circunvizinha. No estudo, 34,6% responderam que sim, quando questionados se toda ETE pode gerar odor, ou seja, 65,4% acreditam que as referidas no geram odor. Deste modo, conciliar a instalao das ETEs de forma a minimizar eventuais efeitos deletrios populao adjacente um grande desafio. A emisso de odores provenientes de estaes de tratamento de esgoto (ETEs) em reas urbanas acarreta incmodos a populaes vizinhas a essas estaes. Segundo Kaye e Jiang (2000 citado por SILVA, 2007, p. 1), as reclamaes a esse respeito representam mais de 50% das denncias ambientais encaminhadas pela populao aos rgos de controle ambiental em todo o mundo. Segundo o trabalho de Rocha (2014) 60% dos moradores prximos a construo de uma ETE responderam que acham que essa construo trar algum problema, dentre os citados o mau cheiro. Quando questionados sobre o fato de a ETE proporcionar algum benefcio ao campus, podendo escolher mais de uma categoria, obteve-se maior incidncia em prticas de ensino com 81,6% seguidos por pesquisa com 74,3% e extenso com 50,8%, somente 3,4% respondeu nenhuma. VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 6 Aps o questionamento relativo ETE servir de modelo para que seja implementada em outras instituies, foi constatado que 96,6% concordam que sim, demonstrando expectativas otimistas de disseminao dos ideais propostos pela implantao da ETE no campus. De acordo com Noronha et al. (2014, p. 2) mesmo sabendo da importncia do saneamento bsico, est comprovado que um dos maiores problemas ambientais presentes no Brasil justamente a falta de tratamento de esgoto, e assim repercutindo de maneira negativa sobre a qualidade de vida e sade da sociedade, uma vez que o acmulo de resduos slidos em local indevido e o esgotamento sanitrio inadequado podem propiciar a contaminao do solo e mananciais, alm de proliferao de doenas. Analisando as constataes pessoais da pergunta final pertencente ao questionrio, cujo contedo prope a apresentao de alguma outra percepo sobre uma ETE no campus, inmeros candidatos responderam no possu-la, entretanto, foram recebidos diversos comentrios apontando, por exemplo: os benefcios gerados ao instituto e a comunidade; a utilizao da ETE visando o auxlio nos estudos mediante a execuo de aulas prticas; a reduo da carga orgnica lanada nos corpos dgua jusante; a sugesto para que seja divulgado e explicado o funcionamento da ETE para a cidade e para realizar uma proteo dos tanques reatores a fim de proteger da exposio da luz solar, dentre diversos outros. Conforme Carneiro et al. (2009, p. 5) a implantao do cinturo verde apresenta outras finalidades que no apenas na mitigao de odores em estaes de tratamento, como por exemplo, conteno de particulados de pedreiras, a utilizao de quebra-ventos na agricultura, na pecuria, reas de lazer e a utilizao da vegetao como forma de proteo dessas reas, entre outros. Referente ao plantio das mudas procedeu-se a preparao das covas e adubao no dia vinte e cinco de fevereiro de 2016, conforme apresentado na figura 5 esquerda, e a direita apresenta a muda aps trinta dias do plantio. Figura 5: Preparao das covas e adubao ( esquerda) e mudas aps 30 dias do plantio ( direita). Muda de Clitoria fairchildiana (sombreiro). Fonte: Autora do Trabalho. Na figura 6 observa-se a imagem da mesma muda da figura 7 quatro meses aps o seu plantio. Figura 6: Muda de Clitoria fairchildiana (sombreiro) quatro meses aps o plantio. Fonte: Autora do Trabalho. Salienta-se que o supracitado cinturo deu-se a partir do plantio de 16 mudas no entorno da ETE, sendo dez mudas de Handroanthus serratifolius (Ip-amarelo), trs de Licania tomentosa (Oiti) e trs mudas de Clitoria fairchildiana (sombreiro) demonstrado em layout na figura 7. A escolha e a quantidade dessas mudas foram de VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 7 acordo com a disponibilidade e indicao do analista ambiental do IEF, que cumprir tanto com a minimizao do impacto visual, como tambm eventual emanao de odores. Todavia, especificamente quanto aos odores, outras propostas podem ser elaboradas, como a de plantas que liberam fragrncia. Contudo, a ETE dispe de sistema de coleta e tratamento de gases. Figura 7: Layout das mudas no entorno da ETE. Fonte: Autora do Trabalho. Na figura 8 apresenta-se a imagem da ETE bem como as mudas ao seu redor. Figura 8: Visualizao da ETE e mudas ( esquerda). Fonte: Autora do Trabalho. CONSIDERAES FINAIS Por intermdio da pesquisa realizada sobre a percepo ambiental quanto implantao da ETE no campus constatou-se que a comunidade vislumbra benefcios ao campus e a todos de um modo indistinto, tendo em vista compor-se na possibilidade de sua apresentao como prottipo, e ainda, como um incentivo implantao em outras localidades. Contudo, apenas 64% dos entrevistados conseguiram perceber e identificar que a estrutura existente na entrada do campus era referente a uma ETE. Quanto ao cinturo verde as mudas foram inseridas no contorno da rea e sugerem-se os cuidados com a manuteno das mesmas, como adubao e irrigao, para que haja o crescimento e alcance o objetivo do cinturo. Entre os entrevistados 83,6% acredita que o cinturo ir minimizar o impacto visual proporcionado pela ETE. Outra recomendao a insero de novas espcies florestais com vistas amenizao do impacto visual e de eventual liberao de odores desagradveis, alm da proteo dos equipamentos da estao proporcionado pelo sombreamento e menor incidncia da radiao solar. VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 8 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 1. Carneiro, C. et al. Manual tcnico para implantao de cortinas verdes e outros padres vegetais em Estaes de Tratamento de Esgoto. Curitiba: Sanepar, 2009. 2. Companhia Energtica de Minas Gerais (CEMIG). Manual de arborizao. Belo Horizonte: CEMIG/Fundao Biodiversitas, 2011. 3. Fernandes R. S.; Uso da Percepo Ambiental como instrumento de gesto em aplicaes ligadas s reas educacional, social e ambiental. In: ll Encontro da Anppas, 2004, Indaiatuba. Disponvel em: http://www.anppas.org.br. Acesso: 15 abr. 2016. 4. Gil, A. C. Mtodos e tcnicas de pesquisa social. 6. ed. So Paulo: Atlas, 2008. 5. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE). Mapa de Clima do Brasil, Diretoria de Geocincias, Rio de janeiro, 2002. Disponvel em: http://www.terrabrasilis.org.br/ecotecadigital/pdf/mapa-de-clima-do-brasil-ibge.pdf. Acesso: 20 fev. 2016. 6. ______. IBGE aponta que falta de saneamento ainda problema grave no Brasil. 2012. (Reportagens). Jornal Nacional. [Rio de Janeiro]. Disponvel em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/10/ibge-aponta-que-falta-de-saneamento-ainda-e-problema-grave-no-brasil.html. Acesso: 16 jan. 2016. 7. Instituto Estadual de Florestas (IEF). Informao obtida em visita ao viveiro de mudas. Viveiro Florestal de Governador Valadares: BR 116, Km 6. Analista Ambiental Einer d'Oliveira Andrade Filho. 2016. 8. Jordo, E. P.; Pessa, C. A. Tratamento de esgotos domsticos. 6. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2011. 9. Marczwski, M. Avaliao da percepo ambiental em uma populao de estudantes do ensino fundamental de uma escola municipal rural: Um estudo de caso, Instituto de Biocincias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006. 10. Martins, S. V. Recuperao de reas degradadas: Aes em reas de preservao permanente, voorocas, taludes rodovirios e de minerao. 3. ed. Viosa, MG: Aprenda Fcil, 2013. 11. Moraes, F. Cinturo Verde: A batalha de Porto Alegre. 2012. (Reportagens) Associao O Eco, organizao brasileira. Disponvel em: http://www.oeco.org.br/reportagens/26438-cinturao-verde-a-batalha-de-porto-alegre/. Acesso: 10 de dezembro de 2015. 12. Noronha, E. C.; Pereira, H. F. B.; Assuno, D. S. Diagnstico do esgotamento sanitrio e possveis impactos no meio ambiente e na sade dos moradores do bairro Nova Repblica em Santarm, Par. Universidade Federal do Oeste do Par; Santarm, Par, 2014. 13. Panquestor, E. K. Riguetti, N. K. Percepo ambiental, descaso e conservao: uso da geoinformao no estudo de reas verdes pblicas em Carangola MG. In: lV Encontro das Anppas, 2008, Braslia, Distrito Federal, 20 p. Disponvel em: http://www.anppas.org.br. Acesso: 14 jun. 2016. 14. Rocha, L. F. Percepo dos moradores do bairro Santos Dumont ll em Governador Valadares - MG sobre a implantao da ETE no local. 2014. (Artigo Cientfico) - Instituto Federal de Cincia e Tecnologia de Minas Gerais campus Governador Valadares, 2014. 15. Silva, A. B. Avaliao da produo de odor na estao de tratamento de esgoto Parano e seus problemas associados. 2007. (Dissertao de Mestrado) Faculdade de Tecnologia. Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, Universidade de Braslia, Braslia, 2007. VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 9 APNDICE 1 INSTITUTO FEDERAL DE MINAS GERAIS QUESTIONRIO SOBRE PERCEPO AMBIENTAL APLICADO A COMUNIDADE ESCOLAR DO IFMG-GV ETE: ESTAAO DE TRATAMETNO DE ESGOTO QUESTIONRIO PARA FINS DE ELABORACAO DO TCC DA ESTUDANTE IASMYNE DIAS CURSO DE TGA TODOS OS DADOS SERAO PRESERVADOS FAVOR RESPONDER AT O DIA 06/06/2016 1. Sexo o Feminino o Masculino 2. Idade o 14 a 17 o 18 a 21 o 22 a 25 o 26 a 29 o 30 ou mais 3. Qual grupo da comunidade escolar voc pertence? o Ensino Mdio integrado o Ensino Mdio subsequente o Tcnico Servios Jurdicos EAD o Superior em Tecnologia em Gesto Ambiental o Superior em Engenharia de Produo. o Ps Graduao em Engenharia de Segurana do Trabalho o Pronatec o Servidor ou funcionrio o Outros 4. Qual a sua renda? o At 1 salrio mnimo o 2 a 3 salrios mnimos o 4 ou mais salrios mnimos 5. Voc visualizou a instalao da ETE (Estao de Tratamento de Esgoto) no campus? o Sim o No 6. A iniciativa da implantao da ETE trouxe algum impacto negativo visual? o Sim o No 7. Se voc respondeu sim na pergunta acima, pensa ou concorda que o cinturo (mudas de rvores no entorno da estao) nesta ETE minimizaria este aspecto visual? o Sim o No 8. Para voc toda ETE gera odores no seu entorno? o Sim o No 9. A ETE poder proporcionar algum beneficio ao campus? o Pesquisa o Extenso o Prticas de ensino o Nenhum o Outros 10. A ETE poder servir de modelo (incentivar) para que seja implementada em outras instituies? o Sim o No 11. Voc tem alguma outra percepo sobre uma ETE aqui no campus? Comente. VII Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Campina Grande/PB 21 a 24/11/2016 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 10 APNDICE 2 Acompanhamento das mudas. Nmero Espcie Nome Popular Mudas 30 dias aps o plantio. Tamanho (cm) Mudas aps 04 meses do plantio. Tamanho (cm) 1 Licania tomentosa Oiti * 46 cm 2 Clitoria fairchildiana Sombreiro 77 cm 137 cm 3 Licania tomentosa Oiti 48 cm 53 cm 4 Clitoria fairchildiana Sombreiro 103 cm 120 cm 5 Licania tomentosa Oiti 47 cm 62 cm 6 Clitoria fairchildiana Sombreiro 130 cm 146 cm 7 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 110 cm 119 cm 8 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 85 cm 88 cm 9 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 90 cm 101 cm 10 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 92 cm 104 cm 11 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 89 cm 108 cm 12 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 70 cm 92 cm 13 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 115 cm 138 cm 14 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 105 cm 118 cm 15 Handroanthus serratifolius Ip amarelo 74 cm 92 cm 16 Handroanthus serratifolius Ip amarelo * 89 cm * Plantio em data posterior - realizado em meados de junho. Fonte: Autora do Trabalho.

Recommended

View more >