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IMMANUEL KANT

Fundamentao

da Metafsica

dos Costumes

TEXTOS FILOSFICOS

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Pr o leitor directamente em contacto com textos marcantes da histria da filosofia

atravs de tradues feitas a partir dos respectivos originais,

por tradutores responsveis, acompanhadas de introdues

e notas explicativas foi o ponto de partida

para esta coleco. O seu mbito estender-se-

a todas as pocas e a todos os tipos e estilos de filosofia,

procurando incluir os textos mais significativos do pensamento filosfico

na sua multiplicidade e riqueza. Ser assim um reflexo da vibratilidade

do esprito filosfico perante o seu tempo, perante a cincia

e o problema do homem e do mundo.

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Textos filosficos

Director da Coleco: Artur Moro

1. Crtica da Razo Prtica, Immanuel Kant 2. Investigao sobre o Entendimento Humano, David Hume 3. Crepsculo dos dolos, Friedrich Nietzsche 4. Discurso de Metafsica, Gottfricd Wilhelm Leibniz 5. Os Processos da Metafsica, Immanuel Kant 6. Regras para a Direco do Espirito, Ren Descartes 7. Fundamentao da Metafsica dos Costumes, Immanuel Kant 8. A Ideia da Fenomenologia, Edmund Husserl 9. Discurso do Mtodo, Ren Descartes

10. Ponto de Vista Explicativo da Minha Obra de Escritor, Sren Kierkegaard 11. A Filosofia na Idade Trgica dos Gregos, Friedrich Nietzsche 12. Carta sobre a Tolerncia. John Locke 13. Prolegmenos a Toda a Metafsica Futura, Immanuel Kant 14. Tratado da Reforma do Entendimento, Bento de Espinosa 15. Simbolismo: Seu Significado e Efeito, Alfred North Whitehead 16. Ensaio Sobre os Dados /mediatos da Conscincia, Henri Bergson 17. Enciclopdia das Cincias Filosficas em Epitome (vol. I), Georg Wilhelm Friedrich Hegel 18. A Paz Perptua e Outros Opsculos, Immanuel Kant 19. Dilogo sobre a Felicidade, Santo Agostinho 20. Princpios da Filosofa do Futuro, Ludwig Feuerbach 21. Enciclopdia das Cincias Filosficas em Epitome (vol. //) Georg Wilhelm Friedrich Hegel 22. Manuscritos Econmicos-Filosficos, Karl Marx 23. Propedutica Filosfica, Georg Wilhelm Friedrich Hegel 24. O Anticristo, Friedrich Nietzsche 25. Discurso sobre a Dignidade do Homem, Giovanni Pico della Mirandola 26. Ecce Homo, Friedrich Nietzsche 27. O Materialismo Racional, Gaston Bachelard 28. Princpios Metafsicos da Cincia da Natureza, Friedrich Nietzsche 29. Dilogo de um Filsofo Cristo e de um Filosofo Chins, Nicolas Malebranche 30. O Sistema da Vida tica, Georg Wilhelm Friedrich Hegel 31. Introduo Histria da Filosofia, Georg Wilhelm Friedrich Hegel 32. As Conferncias de Paris, Edmund Husserl 33. Teoria das Concepes do Mundo, Wilhelm Dilthey 34. A Religio nos Limites da Simples Razo, Immanuel Kant 35. Enciclopdia das Cincias Filosficas em Epitome (vol III), Georg Wilhelm Friedrich Hegel 36. Investigaes Filosficas Sobre a Essncia da Liberdade Humana, F.W.J. Schelling 37. O Conflito das Faculdades, Immanuel Kant 38. Morte e Sobrevivncia, Max Scheler 39. A Razo na Histria, Georg Whilhelm Friedrich Hegel 40. O Novo Esprito Cientfico, Gaston Bachelard 41. Sobre a Metafsica do Ser no Tempo, Henrique de Gand 42. Princpios da Filosofa, Ren Descartes 43. Tratado do Primeiro Princpio, Joo Duns Escoto 44. Ensaio sobre a Verdadeira Origem, Extenso e Fim do Governo Civil, John Locke 45. A Unidade do Intelecto contra os Averrostas, So Toms de Aquino 46. A Guerra e Queixa da Paz, Erasmo de Roterdo 47. Lies sobre a Vocao do Sbio, Johann Gottlieb Fichte 48. Dos Deveres (De Officiis), Ccero 49. Da Alma (De Anima), Aristteles 50. A Evoluo Criadora, Henri Bergson 51. Psicologia e Compreenso, Wilhelm Dilthey 52. Deus e a Filosofa, tienne Gilson 53. Metafsica dos Costumes. Parte I, Princpios Metafsicos da Doutrina do Direito, Immanuel Kant 54. Metafsica dos Costumes. Parte //, Princpios Metafsicos da Doutrina da Virtude, Immanuel Kant 55. Leis. Vol. I, Plato

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Immanuel Kant

Fundamentao

da Metafsica

dos Costumes

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Ttulo original: Grundlegung zur Metaphysic der Sitten desta traduo Edies 70, Lda.

Traduo: Paulo Quintela Capa: FBA

Depsito Legal n 264507/07 Impresso, paginao e acabamento:

CASAGRAF para

EDIES 70, LDA. Setembro de 2007

ISBN: 978-972-44-1439-3 ISBN da 1 edio: 972-44-0306-8

EDIES 70, Lda.

Rua Luciano Cordeiro, 123- 1 Esq-1069-157 Lisboa / Portugal Telefs.:213190240-Fax: 213190249

e-mail: geral@edicoes70.pt

www.edicoes70.pt

Esta obra est protegida pela lei. No pode ser reproduzida,

no todo ou em parte, qualquer que seja o modo utilizado, incluindo fotocpia e xerocopia, sem prvia autorizao do Editor. Qualquer transgresso lei dos Direitos de Autor ser passvel

de procedimento judicial.

mailto:geral@edicoes70.pthttp://www.edicoes70.pt/

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Immanuel Kant

Fundamentao

da Metafsica

dos Costumes

TRADUZIDA DO ALEMO POR

PAULO QUINTELA

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RECONHECIMENTO A coleco Textos Filosficos fica deveras enriquecida

com a introduo, entre os seus ttulos, da Fundamentao da Metafsica dos Costumes, na verso do Prof. Dr. Paulo Quintela, verso que se tornou j um bem comum nosso pela sua qualidade nunca desmentida, pela confiana que inspira e deve inspirar ao leitor que se embrenha por este clssico texto kantiano e se entrega sua fruio filosfica.

Aqui fica expresso ao ilustre germanista o nosso reco-nhecimento por to prontamente ter acedido ao nosso desejo de publicar este texto j esgotado e sempre objecto de incessante procura pelo pblico estudioso.

O Editor

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NOTA PRVIA DO TRADUTOR A presente verso portuguesa da Grundlegung zur

Metaphysik der Sitten de Immanuel Kant foi feita sobre o texto da edio de Immanuel Kants Werke preparada por Artur Buchenau e Ernst Cassirer e publicada pela casa de Bruno Cassirer, Berlim, 1922, vol. IV, pgs. 241-324. a reproduo da segunda edio, de Riga, 1786.

Ao rever a nossa traduo, demo-nos ao trabalho de a confrontar com as francesas de Victor Delbos (Kant, Fondements de la Mtaphysique des Moeurs, Paris, 1934) e de H. Lachelier (E. Kant, Fondements de la Mtaphysique des Moeurs, 6.3 edio, Paris, Hachette) e com a espanhola de Manuel G. Morente (M. Kant, Fundamentacin de la metafsica de las costumbres, Madrid, 1942). Nos passos de interpretao difcil ou duvidosa, tivemos o cuidado de indicar, em notas assinadas P.Q., o resultado da colao. O leitor ter assim a possibilidade de preferir nossa qualquer das outras interpretaes.

Coimbra, Agosto de 1948. PAULO QUINTELA

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Imprime-se finalmente a traduo feita h quase doze anos por incumbncia do Prof. Joaquim de Carvalho que repetidamente anunciou a sua incluso nesta coleco por ele lanada e dirigida. Deveria sair com prefcio e notas de sua autoria. Como nada, porm, parece ter-se achado no seu esplio para este propsito, houve-se por bem public-la agora, na certeza de que o texto, sem mais, cumprir a sua obrigao perante o pblico interessado de lngua portuguesa.

Coimbra, Maro de 1960. P.Q.

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// PREFCIO A velha filosofia grega dividia-se em trs cincias: a Fsica,

a tica e a Lgica. Esta diviso est perfeitamente conforme com a natureza das coisas, e nada h a corrigir nela a no ser apenas acrescentar o princpio em que se baseia, para deste modo, por um lado, nos assegurarmos da sua perfeio, e, por outro, podermos determinar exactamente as necessrias subdivises.

Todo conhecimento racional : ou material e considera qualquer objecto, ou formal e ocupa-se apenas da forma do entendimento e da razo em si mesmas e das regras universais do pensar em geral, sem distino dos objectos. A filosofia formal chama-se Lgica; a material porm, // que se ocupa de determinados objectos e das leis a que eles esto submetidos, por sua vez dupla, pois que estas leis ou so leis da natureza ou leis da liberdade. A cincia da primeira chama-se Fsica, a da outra a tica; aquela chama-se tambm Teoria da Natureza, esta Teoria dos Costumes.

A Lgica no pode ter parte emprica, isto parte em que as leis universais e necessrias do pensar assentassem em __________________________ // BA III, IV

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princpios tirados da experincia, pois que ento no seria Lgica, isto um cnone para o entendimento ou para a razo que vlido para todo o pensar e que tem de ser demonstrado. Em contraposio, tanto a Filosofia natural como a Filosofia moral podem cada uma ter a sua parte emprica, porque aquela tem de determinar as leis da natureza como objecto da experincia, esta porm as da vontade do homem enquanto ela afectada pela natureza; quer dizer, as primeiras como leis segundo as quais tudo acontece, as // segundas como leis segundo as quais tudo deve acontecer, mas ponderando tambm as condies sob as quais muitas vezes no acontece o que devia acontecer.

Pode-se chamar emprica a toda a filosofia que se baseie em princpios da experincia, quela porm cujas doutrinas se apoiam em princpios a priori chama-se filosofia pura. Esta ltima, quando simplesmente formal, chama-se Lgica; mas quando se limita a determinados objectos do entendimento chama-se Metafsica.

Desta maneira surge a ideia duma dupla metafsica, uma Metafsica da Natureza e uma Metafsica dos Costumes. A Fsica ter portanto a sua parte emprica, mas tambm uma parte racional; igualmente a tica, se bem que nesta a parte emprica se poderia chamar especialmente Antropologia prtica, enquanto a racional seria a Mor

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