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    Rosicler Martins Rodrigues

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    Quando voc ler este artigo, o conjunto de saltos e quedas d'gua co-nhecido por Sete Quedas j ter deixado de existir, "afogado" no fundode um imenso lago, formado pelo represamento do Rio Paran, na bar-ragem de Itaipu. Perdemos Sete Quedas, considerada como uma dasmaravilhas da natureza e ganhamos Itaipu, a maior usina hidroeltricado mundo, segundo muitos, "maravilha do engenho humano".Esse acontecimento provocou intensa polmica. Muitos so radical-mente contra a destruio de Sete Quedas, outros acham que ela foisacrificada por justa causa. Ambas as partes defendem seus prpriosvalores e ideais, arrolando uma infinidade de argumentos. Achamosque assunto to polmico, envolvendo diferentes posicionamentos emrelao ao meio ambiente e aos anseios de progresso humano, mere-ce ser levado aos estudantes como um exerccio para o desenvolvi-mento de uma conscincia ambienta/. importante que os jovens co-nheam os acontecimentos e tambm se posicionem, pois s assimpodero adquirir a prtica do pensar a respeito de seus prprios valo-res em relao ao ambiente e assumir atitudes perante os problemasambientais de nosso tempo. Sugerimos ao professor uma atividadeque ser desenvolvida em etapas, culminando num debate.

    UM DEBATE

    SOBRE

    SETE QUEDAS

    Centro de Treinamento para Professores

    de Cincias Exatas e Naturais

    de So Paulo

    CECISP

    28

  • Na primeira etapa, o professor transmite aos alunosdados objetivos sobre Sete Quedas e a represa de Itaipu(Anexos I e 11),tomando cuidado para no assumir posicio-namento pessoal.

    Na segunda etapa, os alunos fazem uma pesquisa deopinio, perguntando a vrias pessoas: "Voc contra oua favor da destruio de Sete Quedas para a formao darepresa de Itaipu? Quais os seus argumentos?"

    Na terceira etapa, os alunos, reunidos em grupos,analisam as opinies coletadas, cotejando-as (se for o ca-so) com os dados fornecidos pelo professor.

    Na quarta etapa, para enriquecer o debate, o profes-sor apresenta os argumentos pr e contra Itaipu que estoreproduzidos nos Anexos 111e IV, deixando claro que soopinies impregnadas de valores pessoais. Esses argu-mentos foram transcritos de entrevistas realizadas por jor-nalistas com pesoas as mais diversas, como professoresuniversitrios, polticos, militares e participantes de movi-mentos ecolgicos.

    A Revista de Ensino de Cincias no se responsabili-za pela exatido das afirmaes feitas pelos entrevista-dos. Elas so apresentadas para dar aos alunos mais ele-mentos para faz-Ios perceber que os problemas ambien-tais, alm de complexos por si mesmos, se tornam aindamais difceis pelas reaes emocionais que desenca-deiam.

    No final desta etapa, muito provvel que os alunosj tenham formado suas prprias opinies e estejam emcondies de realizar o debate. O professor ser o media-dor e, s no fim das trocas de idias, dever dar sua opi-nio pessoal.

    Anexo IALGUNS DADOS SOBRE SETE QUEDAS

    O conjunto de saltos e quedas d'gua estava localiza-do ao oeste do Estado do Paran, no Municpio de Guara,divisa entre o Brasil e o Paraguai. Eraformado por uma su-cesso de quedas e saltos, tendo o maior deles 37 metrosde altura. Calcula-se que a gua do Rio Paran levou cer-ca de 1 milho de anos para cavar no basalto, rocha vul-cnica dura, o caminho que percorria. Era a cachoeiramais caudalosa do mundo, nela se escoando cerca de 75mil metros cbicos de gua por segundo, numa velocida-de de 150 km por hora. Segundo muitos, era um dos maisbelos monumentos do planeta, insupervel espetculo danatureza.

    Os saltos e quedas estavam no Parque Nacional deSete Quedas criado em 1961 , como rea de reserva eco-lgica, destinada preservao de animais e plantas.Mas, na verdade, pouco foi preservado. No decorrer dotempo, a natureza foi sendo devastada por caadores eagricultores.

    De sua flora primitiva, no lado brasileiro, s restavamalguns minguados ps de taquaruu, formoso bambu quefloresce a cada 25 anos, algumas begnias, maracujs,um ou outro p de pacuri, alm de extensas plantaes.Do lado Paraguaio, a mata ainda conserva rica variedadede plantas.

    Quando criado, o Parque Nacional de Sete Quedasabrigava muitas espcies de animais: jacar, sucuris, lon-tras, ariranhas, capivaras, garas, mutuns, siriemas, cego-nhas, emas, veados, onas, pacas, tatus. Lamentavel-mente, a criao do Parque tambm no foi suficiente pa-ra garantir a preservao da fauna.

    No lado brasileiro, sobrevviam principalmente asaves. As capivaras haviam at aumentado em nmero,pois, h muito tempo, estavam livres das onas, seusmaiores predadores. De resto, quase somente animais depequeno porte, como esquilos, lagartos, cobras, uma ououtra cutia ou paca e o veado mateiro.

    A maioria dos animais vivia nas matas do lado Para-

    guaio, onde, calcula-se, encontravam-se cerca de 70 esp-cies de mamferos, entre os quais se destacavam, pelo pe-so, as antas e, pela beleza, os felinos.

    No rio Paran, a quantidade e variedade de peixeseram muito grandes ao tempo da criao do Parque, mastambm haviam decrescido bastante, em conseqnciada pesca indiscriminada.

    Alm do ro e do que restava de mata, havia um outroambiente, em geral pouco notado pelos visitantes da re-gio: as lagoas de gua doce, formadas por gua, de chu-va, represada nas depresses das plataformas das ro-chas. Nesses iocais, ornados por bromlias e cactceas,viviam centenas de pequenos lagartos, vrias espcies deaves e umaespciede gavioque se alimentavade mo- .luscos que viviam nas lagoas.

    Toda a rea do Parque e suas vizinhanas foi habita-da pelo homem nos ltimos 8.000 anos. Havia numerososstios arqueolgicos na regio, muitos deles guardando,soterrados, objetos de madeira, pedra, cermica e osso,de grande valia para a reconstruo da histria cultural daAmrica do Sul.

    Anexo 11

    ALGUNS DADOS SOBRE ITAIPU

    Capaz de gerar 15 milhes de kilowatts, Itaipu a usi-na de maior potencial energtico do mundo. Permitir atransmisso de energia eltrica num raio de 1ZOOquil-metros, de Itaipu at a costa do Brasil, na Guanabara, e deItaipu at as encostas andinas; e desde Braslia, no Plana~to Central, at o esturio do Prata, na altura de Montevi-du, atingindo uma populao estimada em 80 milhes dehabitantes.

    A barragem, que represa o Rio Paran, tem a alturaaproximada de um edifcio de 62 andares (185 metros),196 metros de largura e 7 quilmetros de extenso. O vo-lume de concreto empregado em sua construo dariapara construir cerca de 160 estdios equivalentes ao doMaracan, no Rio de Janeiro.

    Quando estiver completamente cheio, o lago, forma-do pelo represamento do rio, ser trs vezes maior que aBaa de Guanabara, com 1350 km2 de superfcie e 170metros de profundidade, em mdia.

    Com a formao do lago, a flora e a fauna do localpereceram sob as guas e os peixes, que habitualmente

    29

  • nadam rio acima para a desova, tero seu ciclo de vidaperturbado.

    Dois projetos ambientalistas foram executados paraminimizar os desastres causados pelo lago. Um deles re-fere-se fauna: foi feito o levantamento das espcies ani-mais da regio e criaram-se refgios que serviro paraabrigar os animais, salvos da inudao. a segundo projetodiz respeito flora: foi feito um levantamento das espciesde plantas da regio e a coleta de mudas para a formaode um bosque ao redor da barragem. Tudo mais apodre-cer no fundo do lago.

    Com o afogamento das quedas, Guara perdeu suafonte de renda: o turismo. Mas, segundo alguns, o lagopoder gerar novas atraes tursticas na regio.

    Anexo111

    O QUE DIZEM OS QUE SO CONTRAO DESAPARECIMENTO DE SETE QUEDAS

    Teria sido mais econmico e vivel construir muitas pe-quenas usinas, que trariam menos danos ecolgicos queItaipu.

    Sete Quedas existia, na forma em que a conhecemos, hcerca de 1 milho de anos. Num pas cujos dirigentes fos-sem razoavelmente afinados com a sensibilidade cultural

    da nao, tudo se teria feito para preservar essa grandemaravilha do planeta.

    No lago de Itaipu desaparecetam mamferos, pertencentesa 70 espcies, e aves, pertencentes a 252 espcies, almde insetos de 1600 espcies. Muitos exemplares foramsalvos, mas calcula-se que 70% pereceu sob as guas.

    Existia um outro projeto, que no foi levado em considera-o, elaborado pelo Engenheiro Marcondes Ferraz, cria-dor do projeto da Usina de Paulo Afonso. Com ele, SeteQuedas seria preservada, pois a barragem seria constru-da acima das quedas e uma parte da gua desceria porum tnel cavado dentro da rocha viva, at as turbinas queficariam num "salo" subterrneo.

    Muitos homens esto cegos com a fora da cincia e datecnologia; no medem as conseqncias sociais e huma-nas desses projetos; perderam o respeito natureza.

    No temos nem como aproveitar tanta potncia energti-ca. Essa usina para o prximo sculo, no deveria ser

    construda agora, quando h problemas mais graves paraserem resolvidos.

    inacreditvel que um projeto como esse no tenha sidodiscutido em nvel nacional, com esclarecimento popula-o sobre os prs e contras que envolve.

    Haver alterao do clima local, com a formao de nebli-na, aumento da velocidade dos ventos e modificaes natemperatura. a ambiente sempre d uma resposta inter-ferncia do homem.

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    Perdemos135.000hectaresde terrascultivveis,quepro-duziam200 mil toneladasde produtosagrcolaspor ano.

    a movimento ambientalistarecomendaque seja incenti-vada a formao de pequenascidades. Itaipu mandarenergiaparagrandescidades,dando condiesparaquese tornem megalpolis. a idia de progresso: quantomaior, melhor. a que, geralmente, no verdade.

    Essa usina uma das armas mais sinistras da histria. Agua do lago, se

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