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II.5.1. MEIO FSICO Os Blocos BM-C-39 e BM-C-40 esto localizados na poro meridional da Bacia de Campos, a qual se situa na poro sudeste da margem continental brasileira, em frente aos Estados do Rio de Janeiro e do Esprito Santo. A Bacia de Campos encontra-se situada a norte do Estado do Rio de Janeiro e a sul do Esprito Santo. Limita-se ao sul pelo Alto de Cabo Frio e a norte pelo Alto de Vitria. A sul dessa bacia temos a Bacia de Santos e a norte a Bacia do Esprito Santo. Os Blocos BM-C-39 e BM-C-40 encontram-se a aproximadamente 80 km da costa, prximo cidade de Armao dos Bzios, conforme apresenta a Figura II.5.1.1. A rea destacada representa a Bacia de Campos. O item Meio Fsico objetiva diagnosticar os principais fatores ambientais que caracterizam o meio fsico da rea potencialmente afetada pela atividade de desenvolvimento e escoamento da produo de petrleo nos Blocos BM-C-39 e BM-C-40, abrangendo os aspectos meteorolgicos, oceanogrficos, de qualidade de gua e sedimentos, geolgicos e geomorfolgicos.

FIGURA II.5.1.1 Localizao dos Blocos BM-C-39 e BM-C-40, no Estado do

Rio de Janeiro.

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II.5.1.1. Meteorologia A caracterizao ambiental de uma determinada regio representa uma importante ferramenta de planejamento do uso dos recursos naturais e de otimizao de investimentos. Assim sendo, o presente estudo aborda os aspectos meteorolgicos mais relevantes da Bacia de Campos, mais precisamente, nas proximidades dos Blocos BM-C-39 e BM-C-40. Para tanto, foram pesquisadas informaes secundrias de bases regionais e globais, alm de dados medidos in situ, sendo estes analisados atravs de procedimentos estatsticos, de forma a atender s exigncias do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renovveis (IBAMA). Os parmetros analisados no estudo so: temperatura, precipitao, evaporao, umidade relativa, presso atmosfrica, insolao e regime de ventos. A. Caracterizao climtica Devido sua extenso territorial, o posicionamento geogrfico e o relevo, a Amrica do Sul apresenta caractersticas climticas distintas, principalmente quanto ao seu regime de chuvas e temperaturas. Essa variabilidade climtica est diretamente relacionada com as condies atmosfricas decorrentes da interao entre fenmenos pertencentes a vrias escalas de tempo e espao, que vo desde a planetria at a escala local. A relao entre o padro da circulao atmosfrica sobre a Amrica do Sul e a distribuio espacial e temporal dos sistemas meteorolgicos apresenta vrias caractersticas interessantes, tais como a Alta da Bolvia (AB), os Vrtices Ciclnicos de Altos Nveis (VCAN), a Zona de Convergncia do Atlntico Sul (ZCAS), Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs), a Baixa do Chaco (que no vero interage com os sistemas frontais) e ondas de frios, que surgem na regio equatorial e so chamadas de friagens no inverno. No Oceano Atlntico tropical, ocorre ainda a Zona de Convergncia Intertropical (ZCIT) (RI PRO06, 2007). Registra-se tambm a presena de sistemas de meso escala como brisas martimas e terrestres. A Amrica do Sul tambm uma regio de forte interao meridional entre os trpicos e os extra-trpicos. As regies tropicais e subtropicais da Amrica do Sul sofrem influncia direta do fenmeno ENOS (El Nio-Oscilao Sul) e La Nia. importante ressaltar que, embora exista essa relao direta para algumas regies, tais como o norte da regio Nordeste e o Sul do Brasil, o Estado do Rio de Janeiro est em uma regio que ainda pode sofrer alguma influncia do ENOS. Caractersticas adicionais e descries destes sistemas podem ser encontradas em Satyamurty et al. (1998) e Lima (1996). Particularmente sobre a Amrica do Sul, a circulao atmosfrica modifica-se significativamente da estao de vero (dezembro-janeiro-fevereiro) para a de inverno (junho-julho-agosto), principalmente nos altos nveis (200 hPa). Isto pode ser visto na 200 hPa Figura II.5.1.1.1, que compara os padres de circulao

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troposfrico mdio nessas duas estaes em altos nveis e na Figura II.5.1.1.2, que faz o mesmo para baixos nveis (850 hPa ). Durante o vero, o clima da Amrica do Sul modulado por circulaes quase-estacionrias. Na alta troposfera (aproximadamente 10 km de altura), observa-se um cavado sobre o Pacfico Leste e outro sobre o Atlntico associado Alta da Bolvia (AB), que eventualmente se fecha, sendo denominado Vrtice Ciclnico do Nordeste do Brasil (Figura II.5.1.1.1 a). No vero, a corrente de jato subtropical se desloca para latitudes mais altas, com mxima intensidade em aproximadamente 45S. No inverno na alta troposfera (Figura II.5.1.1.1 b), o padro do escoamento zonal e a corrente de jato de oeste bastante intensa, com centro de mxima intensidade localizado entre 20S e 40S. Em baixos nveis, o padro do escoamento sobre a Amrica do Sul no muda significativamente entre o vero e o inverno (Figura II.5.1.1.2 a e Figura II.5.1.1.2 b, respectivamente). importante destacar a presena do Jato de baixos nveis abaixo de 850 hPa que responsvel pelo transporte de vapor dgua e calor da Amaznia para a regio Sul, o Paraguai e o norte da Argentina. No inverno, observam-se os centros do Anticiclone Subtropical do Pacfico Sul (ASPS) e do Anticiclone Subtropical do Atlntico Sul (ASAS), mais forte que no vero. Observa-se tambm um ligeiro deslocamento do ASPS em direo linha do Equador em relao sua posio no vero e do ASAS para mais prximo do continente sul-americano, deslocado para oeste (RI PRO06, 2007).

(a) (b)

FIGURA II.5.1.1.1 Campos mdios sazonais do vento no nvel de 200 hPa (m/s) referentes ao perodo de vero (a) e inverno (b). Fonte: Reanlise do NCPE/NCAR.

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(a) (b)

FIGURA II.5.1.1.2 Campos mdios sazonais do vento no nvel de 850 hPa (m/s) referentes ao perodo de vero (a) e inverno (b). Fonte: Reanlise do NCPE/NCAR. A penetrao de frentes (ou sistemas frontais) frias um mecanismo de grande impacto no clima do Sudeste brasileiro durante todo o ano e possuem importante papel na transferncia de calor, momentum e umidade das altas para as baixas latitudes. No setor quente da frente, segundo Stech & Lorenzzetti (1992), a velocidade mdia do vento de 5 m/s, variando sua direo de predominantemente nordeste para noroeste com a aproximao da frente. Imediatamente aps a passagem da frente fria, o vento tem direo sudoeste, com velocidades tipicamente em torno de 8 m/s (STECH; LORENZZETTI, 1992). Aproximadamente um dia aps a passagem da frente pela regio, o vento novamente gira no sentido anti-horrio, de sudoeste para nordeste (STECH; LORENZZETTI, 1992). De maneira geral, na Amrica do Sul, os sistemas provenientes do Pacfico deslocam-se para leste adquirindo, depois da passagem pela Cordilheira dos Andes, uma componente em direo ao Equador. Esses sistemas podem avanar pelo continente ou deslocar-se para o oceano Atlntico. Apesar de se observar sistemas frontais durante todo o ano, no vero que eles atuam de modo a causar muita precipitao ao se associar a outros tipos de sistemas que provocam chuvas na regio: os sistemas convectivos. A conveco provocada pela associao das altas temperaturas com a umidade do ar. Estes dois fatores favorecem a formao de nuvens, causando instabilidades e chuvas isoladas em forma de pancadas, principalmente no perodo da tarde. No inverno os sistemas frontais esto mais relacionados com a penetrao de massas de ar frio. A penetrao de sistemas frontais na Amrica do Sul influenciada por vrios fatores, tais como o posicionamento da Alta do Atlntico Sul, da Alta da Bolvia, em altos nveis, durante o vero, e de fenmenos como El Nio e La Nia.

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Durante o inverno, devido ao resfriamento do Hemisfrio Sul e ao aquecimento do Hemisfrio Norte, a Zona de Convergncia Intertropical (ZCIT) ocupa a sua posio mais setentrional (MARTIN et al., 1998). Nesse perodo, os sistemas frontais e os distrbios de leste, que so aglomerados convectivos trazidos pelos ventos alsios de sudeste em direo ao continente, atuam com mais freqncia sobre a Regio do Sudeste brasileiro. No vero, o resfriamento do Hemisfrio Norte e o aquecimento do Hemisfrio Sul deslocam a ZCIT para uma posio mais ao Sul, curvando-a em direo ao continente (MARTIN et al., 1998). O deslocamento da ZCIT mais para Sul favorece a predominncia dos ventos alsios de nordeste. Nesse perodo, os sistemas frontais no chegam a ultrapassar o Trpico de Capricrnio. O outono o perodo onde a ZCIT encontra-se em sua posio mais a sul, porm os sistemas frontais voltam a atuar com certa freqncia, devido ao posicionamento mais a leste do ASAS neste perodo, e os ventos alsios passam a ser de sudeste, fechando desta forma o ciclo anual de atuao dos principais sistemas atmosfricos que atuam na regio Sudeste. O ASAS afeta o clima do Brasil oscilando em torno de sua posio mdia. No vero, o ASAS encontrado predominantemente mais a sul e a oeste (30S e 15W), j no inverno, sua posio deslocada a norte e a oeste (22S e 30W). Essa oscilao E-W decorre porque, durante o inverno, as temperaturas so menores sobre os continentes e, em conseqncia, os centros de alta presso migram para o continente, enquanto no vero, as temperaturas sobre os continentes so maiores e os centros de alta presso localizam-se sobre os oceanos. A migrao do ASAS para sul resulta na sua intensificao, fazendo com que alcance mximos climatolgicos em torno de 1026 HPa nos meses de agosto (HASTENRATH, 1985). O sistema ocupa a sua posio mais ao Norte nos meses de inverno, ficando mais prximo linha do Equador. As variaes na Alta da Bolvia parecem estar vinculadas tambm s penetraes de sistemas frontais sobre o continente. Oliveira (1986) registrou nove casos de ocorrncia da Alta da Bolvia, nos quais a passagem de uma frente sob a parte central do continente levava a Alta a deslocar-se para oeste. VCANs

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