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Teoria Democrtica Atual: Esboo de MapeamentoLuiz Felipe Miguel

Erivan da Silva Raposo

A Democracia Grega: O ParadigmaGoverno do povo inclui a assembleia popular, o sorteio para o preenchimento de cargos pblicos e o pagamento pelo exerccio de suas funes, a isonomia, a isegoria, o rodizio nas posies de governo e a crena na igual capacidade de todos os cidados para a gesto da polis. Pierre Vidal-Naquet o que temos hoje uma oligarquia liberal. No podemos ter o governo do povo como tal nossas sociedades so muito extensas, muito populosas e muito complexas e porque a incorporao de mais e mais grupos cidadania multiplicou o nvel potencial de conflito.Gostamos de acreditar, no entanto, que a representao poltica permite a realizao, no mundo atual, de algo similar ao que existiu na Atenas do sculo IV antes da nossa era

ALGUMAS CLASSIFICAESClssica Democracia direta e Democracia indireta ouREPRESENTATIVA Essa dicotomia pouco frutfera. A idia de democracia direta serve, quando muito, como um contraponto, mas no pode guiar projetos de transformao dos sistemas polticos autais. Giovani Sartori Democracia Empirica (descritiva) e Democracia racional (prescritiva). Democracia emprica diz respeito s construes tericas que buscam sistematizar os traos constitutivos dos regimes eleitorais. Democracia racional incluiria todos os modelos que apontam as insuficincias das democracias realmente existentes e propem formas de aprofundamento da presena dos cidados comuns na arena poltica.

SARTORI Ideologizada Relega as teorias crticas condio de

devaneios utpicos (ou perfeccionistas), portanto, irrelevantes para a prtica poltica e, pior, perigosos por levarem destruio a democracia que, bem ou mal, se pode ter. Nenhuma teoria possui fundo normativo neutro; os critrios que definem o que uma democracia no so dedutveis da observao emprica, mas passam por uma definio (implcita) de como DEVE SER uma democracia. Ao negar seu componente normativo, autores como Sartori contrabandeiam uma perspectiva conservadora, que reifica aquilo que e nega validade crtica e s alternativas.

Macpherson (1977) Foco

na democracia liberal em oposio democracia utpica (anterior ao sculo XIX) que pressupe uma sociedade dividida em classes. Quatro modelos sucessivos de democracia: 1. Democracia protetora (Bentham e James Mill) centra-se na ideia de que o direito de voto servia (apenas) de garantia contra a tirania dos governantes. 2. Democracia desenvolvimentista (John Stuart Mill) voltase qualificao dos cidados por sua imerso na esfera pblica. 3. Democracia de equilbrio (Schumpeter) reduz-se competio eleitoral. 4. Democracia participativa.

Macpherson (1977)Os modelos oscilam entre dois polos: um protetor (a democracia de fato pode alcanar apenas a garantia de alguns direitos individuais, contra o risco de despotismo dos governantes), e um polo desenvolvimentista, que propugna que o acesso esfera pblica amplia os horizontes do cidado, permitindo que suas capacidades se realizem mais e melhor.

Jon Elster (1997)Trs modelos A concepo dominante de democracia (ligada s teoria da escolha racional) e duas diferentes CONTESTAES A ELA. No modelo dominante, o processo poltico apenas instrumental. O mtodo democrtico, portanto, resume-se em uma forma de agregao de preferncias individuais, sempre tidas como prvias e construdas na esfera privada Mercado poltico.

Jon Elster (1997)A) Primeira vertente de contestao: DEMOCRACIA PARTICIPATIVA rejeita a caracterizao da poltica como meramente instrumental, afirmando-a como um bem em si mesmo. B) Segunda constetao: DEMOCRACIA DELIBERATIVA (Jrgen Habermas) nega o carter privado da formao das preferncias, enfatizando a necessidade do debate pblico.Schumpeter fica de fora desse esquema ou seja, o principal fundador da democracia (concepo dominante).

Luiz Felipe MiguelNo h uma taxonomia correta, so apenas maios ou menos teis. Apresenta 5 correntes, que encontrariam maior ressonncia HOJE no meio acadmico todas democracia representativa:

1)democracia liberal-pluralista 2) democracia deliberativa 3) republicanismo cvico 4)democracia participativa 5) multiculturalismo

Luiz Felipe MiguelDemocracia liberal-pluralista Liberdades cidads, competio eleitoral livre e multiplicidade de grupos de presso (coalizes e barganha), tentando promover seus interesses. O povo forma o governo, mas no governa.O ponto de partida a concepo liberal de democracia de Joseph Schumpeter maneira de gerar uma minoria governante legtima --. O governo deveria ser formado pela luta competitiva pelos votos do povo.

Luiz Felipe MiguelJoseph Schumpeter Por causa da ascenso do NAZISMO Desencantado com as promessas da democracia (governo do povo, igualdade poltica, participao dos cidados na tomada de decises) o eleitorado voltil e sugestionvel influencivel pelos discursos demaggicos dos candidatos. Ao contrrio, ANTHONY DOWNS eleitores pouco interessado e polticos competindo pelo voto a mais perfeita forma de governo do povo.

Luiz Felipe MiguelANTHONY DOWNS cidados tm interesses identificveis e so capazes de perceber se eles esto sendo bem atendidos ou no.O governo precisa do voto para permanecer no

poder, ento O SEU INTERESSE OBJETIVO realizar os interesses dos outros (e manter, assim, a CONFIANA).

Luiz Felipe MiguelMANCUR OLSON Desinformao e apatia so uma resposta RACIONAL num contexto em que o peso do eleitor muito pequeno (cada um controla apenas seu prprio voto em meio a milhares ou milhes de outros) no vale a pena o investimento de tempo e dinheiro para qualificar-se politicamente.

Luiz Felipe MiguelSEYMOUR LIPSET Apatia e absentesmo demonstra racionalidade, assim como satisfao com o funcionamento do sistema SARTORI A baixa participao poltica a chave para a realizao da democracia como meritocracia ou processo seletivo dos mais aptos a governar.

Luiz Felipe MiguelWILLIAM RIKER H um dependncia das DECISES em relao aos sistemas eleitorais manipulao dos mecanismos decisrios afeta os resultados. Patologias da racionalidade coletiva paradoxo de CONDOCERT um conjunto de indivduos racionais pode chegar a decises coletivas incoerentes. O GOVERNO DO POVO, portanto, UMA ILUSO. PROBLEMA: a premissa de que democracia resume-se ao ato de votar. A discusso, como elemento necessrio, fica de fora.

Luiz Felipe MiguelROBERT DAHLA presuno do eleitorado relativizada os

cidados so, sim, apticos quanto maioria das questes da agenda poltica, mas podem se mobilizar no momento em que um de seus interesses especficos. Se no possvel um GOVERNO DO POVO possvel ter um sistema poltica que distribui a capacidade de sua influncia entre muitas MINORIAS. POLIARQUIA eleies aumentam imensamenteo o tamanho, nmero e variedade das minorias cujas preferncias os lideres tem que considerar decises polticas.

Luiz Felipe MiguelROBERT DAHLNo h classe dominante, embora no exista mesmo

um GOVERNO DO POVO. A minoria governante no existe, existem MINORIAS DISPUTANDO ENTRE SI a respeito de questes especficas e que devem ser levadas em conta pelos governantes. POLIARQUIA existncia de mltiplos centros de poder dentro da sociedade x DEMOCRACIA IDEL NORMATIVO cuja plena realizao UTPICA. PROBLEMA: ignorar a determinao da AGENDA, que uma faceta crucial do EXERCCIO DO PODER.

Luiz Felipe MiguelPOLIARQUIAProcessos de democratizao duas dimenses:

1) INCLUSIVIDADE ampliao do nmero de pessoas INCORPORADAS FORMALMENTE ao processo poltico 2) LIBERALIZAO reconhecimento do DIREITO DE CONTESTAOPROBLEMA: ausncia de uma dimenso SOCIAL direitos de participao e oposio utilizados de MANEIRA EFETIVA incluso formal excluso poltica real dos grupos subalternos.

PLURALISMO LIBERAL

Luiz Felipe Miguel

nfase em eleies competitivas e m mltiplos grupos

de presso IDEOLOGIA OFICIAL DOS REGIMES DEMOCRTICOS OCIDENTAIS PROBLEMAS: 1) Isolamento da esfera poltica em relao ao restante do mundo social. As desigualdades so colocadas entre parnteses FICES: A) cidados iguais perante a lei; B) Contrato entre pessoas livres e iguais. 2) Reduo da poltica a um processo de escolha, no qual, por uma premissa metodolgica, considera-se que todos os cidados so guiados por um entendmento esclarecido de seus interesses.

PLURALISMO LIBERAL

Luiz Felipe Miguel

PROBLEMAS: A construo dos interesses (das vontades e identidades coletivas) SUPRIMIDA DA POLTICA resta apenas uma agregao mecnica de PREFERNCIAS PREEXISTENTES. O aspecto comunicativo da atividade poltica esvaziado

crtica dos DEMOCRATAS DELIBERATIVOS.

Luiz Felipe MiguelDemocracia Deliberativa incorpora-se o ideal participacionista, mas com enfase nos mecanismos discursivos da prtica poltica. JOSHUA COHEN eles (os democratas deliberacionistas) julgam que as decises polticas devem ser tomadas por aqueles que esto submetidos a elas, por meio do RACIOCNIO PBLICO LIVRE ENTRE IGUAIS Isso transcende o pretenso empirismo da vertente hegemnica.

Luiz Felipe MiguelDemocracia Deliberativa 1. Rompe com a percepo da democracia como

simples mtodo para agregao de preferncias individuais pre-existentes preferncias so CONSTRUDAS E RECONSTRUDAS por meio das INTERAES na ESFERA PBLICA debate entre os envolvidos 2. Enfase na IGUALDADE DE PARTICIPAO, que tem sido relegado a segundo plano. 3. AUTONOMIA produo das normas sociais pelos prprios integrantes da sociedade.

Luiz Felipe MiguelDemocracia Deliberativa um MODELO NORMATIVO crtica da poltica VIGENTE a partir de um parmetro IDEAL. A MATRIZ HISTRICA desse ideal ESFERA PBLICA BURGUESA a boa poltica discusso livre das questes de interesse coletivo. Decadncia da esfera pblica MANIPULADA estratgias publicitrias.

Luiz Felipe MiguelDemocracia Deliberativa HABERMASESFERA PBLICA AO COMUNICATIVA

O ideal normativo ao vo