ideologias politicas

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1. RECENSO CRTICA: Da I Parte da obra: Subsdios breves param o debate de princpios e valores na formao do (a) Educador (a) Social, da autora Rosanna Barros. Docente: Rosanna Barros Discente: Cludia Brito (N 47027) UNIVERSIDADE DO ALGARVE Escola Superior de Educao e Comunicao (ESEC) Curso Superior de Educao Social (Ps-Laboral) Ano letivo de 2013/2014 2 Ano 2 Semestre Unidade Curricular: Politicas Socioeducativas no Contexto da Unio Europeia 2. Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 2014 Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 2 No h nenhuma atividade humana da qual se possa excluir qualquer interveno intelectual o Homo faber no pode ser separado do Homo sapiens. Alm disso, fora do trabalho, todo o homem desenvolve alguma atividade intelectual; ele entre outras palavras, um filsofo, um artista, um homem co sensibilidade; ele partilha uma conceo do mundo, tem uma linha consciente de conduta moral, e portanto, contribui para manter ou mudar a conceo do mundo, isto , para estimular novas formas de pensamento. Antnio Gramsci 3. Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 2014 Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 3 No mbito do contedo programtico da Unidade Curricular de Polticas Socioeducativas no Contexto da Unio Europeia, do 2 ano - 2 semestre do Curso de Educao Social (ps laboral), foi-nos proposto, pela professora Rosanna Barros, a elaborao de uma recenso crtica, da primeira parte do seu livro, que se intitula Subsdios Breves para o Debate de Princpios e Valores na Formao Poltica do (a) Educador (a) Social, editado pela Chiado, em 2012. O livro estrutura-se em duas partes. A primeira, que se intitula Sebenta sobre as Ideologias Polticas Modernas e sobre as Teorias do Estado: Uma Sntese entre Outras Possveis, divide-se em duas partes, a saber: a primeira, que aborda diversas ideologias polticas modernas (liberalismo, conservadorismo, socialismo, anarquismo, fascismo, feminismo e ecologismo), e a segunda, que nos fala do Estado e das suas teorias. A segunda parte do livro, que se intitula Estado e Sociedade na Modernidade Ocidental: Um Debate Ideolgico e de Princpios Incontornvel para a Educao Transformadora, aborda cinco pontos, a saber: Estado e Sociedade na Modernidade Ocidental; O Estado Capitalista Democrtico; O Estado- Providencia; O Estado Neoliberal; A Redefinio do Papel do Estado e o seu Impacto na Regulao Social. Ainda que se tenha apresentado a estrutura do livro, o objeto desta recenso crtica ser a primeira parte do livro, da pgina 25 106. Antes de abordar as diferentes ideologias polticas modernas, a autora faz uma breve introduo, onde justifica a necessidade de clarificar conceitos e tecer aproximaes tericas a certos aspetos que esto inscritos na base da cincia politica, abordar questes relacionadas com a politicidade da educao (destacando, o pedagogo brasileiro Paulo Freire, que defende uma educao libertadora), para que o educador (a) Social possa construir saberes basilares para uma conscientizao, uma auto-reflexividade crtica e uma formao politica, necessrias ao desempenho prtico-profissional e de cidadania. Seguidamente, na I parte do livro, percebe-se que a autora considera que a noo de ideologia no percecionada por todos da mesma forma, quando afirma: No entanto, os pressupostos segundo os quais se pensa e reflete acerca da prpria noo de ideologia, no tem gerado a mesma consensualidade, sendo fcil constatar que o termo no percecionado da mesma maneira por todos os que sobre ele se pronunciam (Barros, 2012). 4. Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 2014 Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 4 Apesar de, numa perspetiva critica, se aceitar que a dimenso ideolgica parte integrante dos elementos que constituem o poder poltico. Assim, entre os vrios significados que o termo ideologia pode assumir, torna-se imprescindvel fazer uma clara distino entre: uma, que se refere a um conjunto qualquer de ideias sobre um determinado assunto (conceo neutra - sinonima de iderio) e, outra, em que a ideologia, orientadora do poder poltico, utiliza ferramentas simblicas para criar e manter relaes de dominao (conceo critica). Importante ser dizer, que sob uma perspetiva critica, a ideologia comumente dissimuladora da realidade, porque a distorce ou a mostra apenas parcialmente. Entre muitas outras possveis, numa perspetiva crtica, a ideologia (numa classificao tripartida), segundo Slavoj Zizek, pode ser entendida como: A ideologia em si um conjunto de ideias destinadas a nos convencer acerca da sua veracidade, mas, em verdade, serve a um interesse particular de poder no confessado. Por isso, importante em nossa anlise discernir, atravs das ruturas, lapsos, lacunas, a tendenciosidade (o projeto de poder) no declarada no texto oficial. Como por exemplo, discernir na igualdade e liberdade a igualdade e a liberdade dos parceiros nas trocas comerciais que, evidentemente, privilegiam o proprietrio dos meios de produo e o livre mercado. O papel, pois, da ideologia gerar uma rede de discursividade (constituio do mundo) em que os fatos falem por si, sejam autoevidentes, isto , sejam naturalizados. A Ideologia para-si revela, na linha de pensamento de Althusser, a necessidade de reproduo por meio dos aparelhos especiais de Estado voltados para a materizalizao da ideologia no quotidiano que, como Foucault diria, disciplinam o sujeito nas microestruturas de poder. A ideologia em-si-e-para-si, ou seja, a ideologia refletida em si mesma obscurece uma rede de pressupostos e de atitudes quase espontneas que formam um momento irredutvel da reproduo de prticas no-ideolgicas, como por exemplo os atos comerciais, legais, sexuais, etc. Ou seja, a ideologia, suas manifestaes concretas, suas instituies de reproduo apresentam-se no quotidiano como naturais, destitudas de histria, destitudas de ideologia. 5. Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 2014 Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 5 Numa perspetiva crtica, assumida claramente pela autora, e que a que nos interessa, percebe-se que as ideologias polticas nunca foram, nem so neutras. Esta ausncia de neutralidade justifica-se pelos interesses das classes dominantes, que vm submetendo outras classes ao longo da histria, de forma mais ou menos mascarada, para atingir esses mesmos interesses. Essa submisso tem sido conseguida, com a transposio de vrias ideologias politicas que, atravs das leis/regras concebidas pelo poder politico, tm imposto obedincia s coletividades. Para uma melhor compreenso dos significados do termo ideologia e para proporcionar um pensamento critico-reflexivo das principais ideologias politicas, que tm orientado a relao entre o individuo e sociedade ao longo da histria moderna, a autora, segue duas tipologias, a de Antnio Jos Fernandes (ideologias politicas que vo desde a antiguidade clssica s ideologias politicas modernas) e as de Andrew Vincent (ideologias politicas da modernidade: Liberalismo, Conservadorismo, Socialismo, Anarquismo, Fascismo, Feminismo e Ecologismo), entre outras que seriam possveis. Percebe-se que a histria do termo ideologia relativamente recente e, portanto, coincidente com a nossa era contempornea. O termo ideologia, neologismo criado a partir das palavras gregas eidos (ideias) e logos (cincia), significa a cincia das ideias. Mas, se seria de esperar que o termo significasse apenas uma postura anticlerical e materialista, muito prprias da Revoluo Francesa (1789) e do Iluminismo, ele ganha outra direo com Antoine Destutt de Tracy. Cunhando-a pela primeira vez nos seus escritos - lments d'idologie - nos finais de setecentos, Tracy (assim como outros adeptos desta nova cincia das ideias), perceberam que serviria para preparar uma cincia da legislao e ter um considervel impacto na poltica. Desta forma, no incio de oitocentos, na Frana, o termo ideologia deixa de ser somente uma cincia das ideias para passar a uma doutrina poltica especifica: o liberalismo. No sculo XIX, o termo ideologia reconstrudo por Marx e Engels, e inserido num original sistema de pressupostos paradigmticos: materialismo histrico. Neste, a diviso social do trabalho causadora da iluso ou da perda da noo da realidade, ou seja, Marx desenvolve a () ideia de ideologia como falsa conscincia (Barros, 2012, pag.33), contrapondo-a realidade prtica e cincia materialista (significantes de verdade). 6. Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 2014 Recenso crtica da primeira parte da obra Subsdios breves para o debate de princpios e valores na formao poltica do (a) Educador (a) Social 6 Posteriormente, a partir da conceo de ideologia de Marx, e do socialismo cientfico, surgem outras interpretaes para o conceito de ideologia. Entre muitos, Gramsci, que atribui um papel central separao entre infraestrutura (foras produtivas e relaes sociais de produo) e superestrutura (a ideologia constituda pelos sistemas de ideias, instituies, doutrinas e crenas de uma sociedade), mostra-nos, a partir do conceito de bloco hegemnico, que o poder das classes dominantes sobre as classes dominadas (no modo de produo capitalista), no se explica somente pelo controlo dos ap