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ROTEIRO DE CURSO2013.2

IDEOLOGIAS MUNDIAIS

AUTORES: LEANDRO MOLHANO RIBEIRO E LUANDA BOTELHOCOLABORADOR: JOO MARCELO DA COSTA E SILVA LIMA

SumrioIdeologias Mundiais

1. JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS DO CURSO: ................................................................................................................ 3

2. MATERIAL DIDTICO: ........................................................................................................................................ 4

3. PROGRAMA .................................................................................................................................................... 5

ROTEIRO DE ESTUDOTh omas Hobbes Contraponto ................................................................................................ 9John Locke Ponto de partida ................................................................................................ 17Jean-Jaqcques Rousseau Crtica e autogoverno ..................................................................... 24John Stuart Mill Novos argumentos ..................................................................................... 28Alexis de Tocqueville Novos argumentos .............................................................................. 31Karl Marx Socialismo cientfi co ........................................................................................... 36

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1. JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS DO CURSO:

Em 1988 foi promulgada a nossa Constituio Cidad. Segundo Aran-tes e Couto (2009, p.17)1, a Constituio concebida como o marco divisor de guas do nosso processo de redemocratizao, conferindo-lhe o carter de refundao do Estado, de nosso arcabouo institucional e do conjunto de direitos fundamentais de cidadania. A Constituio foi, assim, responsvel pela fundao do Estado Nao brasileiro, pelo estabelecimento das insti-tuies democrticas e suas regras do jogo e pela defi nio da cidadania em suas dimenses de direitos e deveres civis, polticos e sociais. Formalmente, a Constituio de 1988 inscreveu o Brasil na rota do Estado Democrtico de Direito, afi nado com o constitucionalismo democrtico vigente no mun-do Ocidental. Mais ainda, ao constitucionalizar direitos sociais, pretendeu promover a justia social no pas. Seguindo a proposta analtica de Arantes e Couto (2009, p.26), a Constituio de 1988 assegura uma polity democrtica brasileira contemplada por (1) Defi nies de Estado e Nao; (2) Direitos individuais de liberdade e de participao poltica; (3) Regras do Jogo e (4) Direitos materiais orientados para o bem-estar e a igualdade.

Mas, como afi rma Lessa (2008, p.371)2, se a prosdia da Constitui-o de 1988 pertence ao campo do Direito Constitucional, sua semntica inscreve-se do da Filosofi a Poltica. Ou seja, o que se materializa ou se institucionaliza atravs da Constituio so idias e valores gerados no de-bate poltico-fi losfi co. Valores, por exemplo, sobre liberdade, igualdade e identidade. Uma sociedade livre e igual teve que ser concebida antes de ser implementada. Mas, qual liberdade e qual igualdade? Liberdade de fazer o que? Como instituir uma ordem social livre? Quais os limites da atuao do Estado sobre as escolhas dos indivduos? Qual tipo de igualdade promover? Igualdade de todos em tudo? Igualdade de todos apenas perante lei? Como compatibilizar valores de liberdade e igualdade? Quem tem direito cidada-nia? Como compatibilizar a diversidade entre indivduo e grupos com a idia de identidade nacional?

Essas so apenas algumas perguntas que orientaram e orientam o pen-samento poltico e que foram e so fundamentais para as confi guraes das instituies polticas existentes. Respostas a elas foram e so dadas por diver-sos pensadores fi liados a correntes ideolgicas distintas. Liberais e Socialistas, por exemplo, so duas grandes correntes ideolgicas que contemplam grande diversidade e uma grande divergncia interna. As proposies elaboradas por essas ideologias polticas ganharam e ganham materialidade na disputa poltica entre atores polticos e sociais.

Nessa disputa algumas idias vencem e se institucionalizam. Outras no. Foram necessrios trs sculos para que direitos civis, polticos e sociais se consolidassem, por exemplo (Marshall, 1967)3. Esse processo no foi line-

1 Rogrio Bastos Arantes e Cludio Gonalves Couto. Uma Constituio In-comum. In Maria Alice Rezende de Car-valho, Ccero Araujo e Jlio Assis Simes (orgs.). A Constituio de 1988: passado e futuro. So Paulo: Ade-raldo & Rothschild: Anpocs, 2009.

2 Renato Lessa. A Constituio brasi-leira de 1988 como experimento de fi losofi a pblica: um ensaio. In Ruben George Oliven, Marcelo Ridenti e Gildo Maral Brando (orgs.). A Constitui-o de 1988 na vida brasileira. So Paulo: Aderaldo & Rothschild: An-pocs, 2008.

3 T.H. Marshall. Cidadania, Clas-se Social e Status. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1967.

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ar, nem tampouco sem retrocessos (Dahl, 1997)4. Alm disso, no plano das idias, a cada movimento de conquista de um direito de cidadania (civil, poltica e social), um conjunto de proposies tericas contrrias era formu-lado, procurando demonstrar a futilidade, perversidade ou ameaa de tais conquistas para a ordem social (Hirshman)5. A materialidade das idias ven-cedoras pode ser observada, sobretudo, no Direito particularmente, nas Constituies.

Tendo essa perspectiva em mente, a disciplina Ideologias Mundiais tem um duplo propsito:

1) Proporcionar um pensamento crtico-refl exivo das principais ver-tentes tericas que tm orientado a relao entre indivduo e socie-dade ao longo da histria moderna. Particularmente, o Liberalis-mo, o Socialismo e o Nacionalismo6.

2) Familiarizar os alunos com formas de argumentao de autores rele-vantes das ideologias estudadas. Por isso, o contedo sobre liberda-de, igualdade e identidade das correntes ideolgicas estudadas ser construdo ao longo do curso, a partir de proposies apresentadas por autores considerados clssicos.

Em relao a este ltimo aspecto importante enfatizar que a disciplina no autoral. Ou seja, no se pretende discutir o autor por ele mesmo. Ao contrrio, os autores escolhidos so aqueles que apresentaram propostas que, de alguma forma, se materializaram no mundo. So autores que foram importantes para mudar a confi gurao das instituies polticas e, conse-quentemente, do direito. Por isso, vamos extrair, a partir da leitura desses autores clssicos, os principais valores, temas e propostas concretas do Libe-ralismo, do Socialismo e do Nacionalismo.

2. MATERIAL DIDTICO:

O presente material didtico tem como principal objetivo preparar o aluno para a leitura dos textos e para a participao em sala de aula. O material no substitui as leituras programadas e no faz um resumo das ideologias estudas. O propsito que as proposies de tais ideologias, assim como as propos-tas institucionais para concretiz-las, sejam descobertas ao longo do curso, atravs das leituras e na interao em sala de aula.

Para orientar os estudos, so apresentados abaixo os valores e temas a se-rem discutidas em cada Ideologia. A cada novo autor a ser estudado, o mate-rial apresentar, tambm, de maneira breve, o contexto em que ele escreveu

4 Robert Dahl. Poliarquia. So Paulo: Edusp, 1997.

5 Albert O. Hirshman. A Retrica da Intransigncia. So Paula: Compa-nhia das Letras, 1992.

6 Pensamentos autoritrios e totalit-rios sero abordados em contraposi-o s idias de liberdade e igualdade discutidas no Liberalismo e Socialismo.

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a sua obra e um roteiro de leitura dos textos. Alm disso, foram selecionados dispositivos constitucionais e legais, bem como entendimentos jurispruden-ciais, para estimular a refl exo e o debate acerca de temas sobre os quais os autores tambm se debruaram. Espera-se, com isso, aproximar ainda mais os alunos dos textos do curso, demonstrando que mesmo as discusses dos temas mais atuais no prescindem de seus fundamentos.

3. PROGRAMA

Aula 1: Apresentao do curso: por que estudar Ideologias Mundiais?

Liberalismo

Temas de estudo na perspectiva Liberal:

A partir dos autores clssicos do liberalismo selecionados, iremos abor-dar o signifi cado dos seguintes temas:

Individualismo Direitos Naturais Liberdade (Negativa e Positiva) Propriedade Igualdade Justia Estado (Liberal e Constitucional) Democracia (Liberal)

Aulas 2 a 16: (Esto previstas trs aulas para cada tpico do programa. No entanto, o tempo previsto em cada tpico poder ser revisto, de acordo com andamento das aulas).

Contraponto

THOMAS HOBBES

HOBBES, Th omas. Leviat, ou, Matria, forma e poder de um Estado eclesi-stico e civil. Traduo Joo Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. So Paulo: Abril Cultural, 1974. Ler Introduo e captulos 13, 14, 16, 17, 18 e 21.

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Ponto de partida

JOHN LOCKE

LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil. Trad. E. Jacy Monteiro. So Paulo: Ibrasa, 1963. Ler captulos 1 a 5, 7 e 8 (at o pargrafo 104).

Crtica e autogoverno

JEAN-JACQUES ROUSSEAU

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, trechos selecionados em: Weff ort, Fran-cisco (Org.). Os Clssicos da Poltica. 14. ed. So Paulo: tica, 2006. v. 2.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. O Contrato Social, trechos selecionados em: Weff ort, Francisco (Org.). Os Clssicos da Poltica. 14. ed. So Paulo: tica, 2006. v. 2.

Novos argumentos

JOHN STUART MILL

MILL, John Stuart Mill. Da Liberdade. Trad. E. Jacy Monteiro. So Paulo: Ibrasa, 1963. Ler Introduo e captulos 1 e 2.

Novos argume