Identificao e Manejo das Principais Doenas do Cacaueiro no Brasil

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  • Identificao e Manejo dasPrincipais Doenas do

    Cacaueiro no Brasil

  • Identificao e Manejo dasPrincipais Doenas do

    Cacaueiro no Brasil

    Marival Lopes de OliveiraEng. Agrnomo, M. Sc., Ph. D., Fitopatologista

    Pesquisador do Centro de Pesquisas do CacauIlhus, BA

    Edna Dora Martins Newman LuzEng. Agrnoma, M. Sc., Ph. D., Fitopatologista

    Pesquisadora do Centro de Pesquisas do CacauIlhus, BA

    Seo de FitopatologiaCentro de Pesquisas do Cacau

    Comisso Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira

    Ilhus - Bahia2005

  • 2004 by Marival Lopes de Oliveira Edna Dora Martins Newman Luz

    Direitos de edio reservados aos autores. Nenhuma parte poder serreproduzida sem a autorizao expressa e por escrito dos autores ou doeditor, conforme a legislao.

    Capa:Gildefran Alves Dimpino de Assis

    Ilustrao da Capa:Marival Lopes de Oliveira

    Diagramao:Jacqueline Conceio C. Amaral

    Normalizao de referncias bibliogrficas:Maria Christina de C. Faria

    Editor:Centro de Pesquisas do CacauMiguel Antonio Moreno Ruiz

    Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC)Comisso Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC)Rodovia Ilhus Itabuna, Km 22Fone: (73) 3214-300045600-970 Itabuna BA BrasilHome-page: www.ceplac.gov.br.

    Oliveira, M. L.; LUZ, E.D.M.N. 2005. Identificao e manejo dasprincipais doenas do cacaueiro no Brasil. Ilhus, CEPLAC/CEPEC/SEFIT. 132p.

    ISBN 85-99169-01-7

    1. Theobroma cacao - Doenas - Identificao. 2. Theobromacacao - Doenas - Manejo. I. Ttulo.

    633.744O48

  • A meus pais, irmos e demais familiares, minha esposa Valdvia e filhas Julianna e Isadora,

    Dedico.Marival Lopes de Oliveira

    A meus pais, irmos, sobrinhos e tias,A meu marido Emanoel e a todos os inmeros

    filhos que a cincia me deu,Dedico com amor.

    Edna Dora Martins Newman Luz

  • APRESENTAO

    Doenas so responsveis por elevadas perdas naproduo de cacau no Brasil e no mundo. O primeiro passopara a reduo nos danos provocados por elas oconhecimento dos seus diferentes aspectos. Infelizmente,embora muitos conhecimentos tenham sido gerados ao longodos anos, tais informaes encontram-se, muitas vezes,dispersas em um grande nmero de publicaes cientficas,a maioria das quais em linguagem complexa para os noespecialistas, e grande parte delas escrita em outras lnguasque no o portugus. O presente livro, Identificao e manejodas principais doenas do cacaueiro no Brasil aborda temascomo etiologia, sintomatologia, epidemiologia e controle dasprincipais doenas do cacaueiro que ocorrem no Brasil, deforma simples, ilustrativa e concisa, preenchendo assim umaimportante lacuna na literatura de cacau no Brasil. Com isso,coloca-se disposio dos no especialistas e produtores,informaes que antes s aquelas pessoas trabalhando nodia-a-dia com doenas do cacaueiro tinham acesso. Assim,mais uma das misses da CEPLAC cumprida, ou seja, ademocratizao do conhecimento gerado por ela e por outros.

    Uilson Vanderlei Lopes

    PhD em Gentica,Centro de Pesquisas do Cacau

  • PREFCIO

    Este trabalho fruto de experincias de dois autores quepor mais de vinte anos de pesquisas adquiriramconhecimentos prticos sobre as enfermidades da planta decacau, observando seus surtos epidmicos, tomando dadosexperimentais, analisando variveis e verificando os efeitosdo manejo destas doenas sobre sua produo. No faltaembasamento terico e qualificao acadmica a essesilustres colegas, ambos detentores do ttulo de PhD emrenomadas universidades americanas. Pelo contrrio, essepreparo cientfico os capacita a enxergar e entender muitasvezes o bvio, ao vivenciarem o dia a dia do produtor decacau e os resultados da sua forma de conduzir a plantao.

    O grande mrito deste livro est em retratar a vivnciafitopatolgica atualizada de dois eminentes pesquisadoresda regio cacaueira da Bahia.

    A reviso bibliogrfica inclui trabalhos modernos e antigos,mas no pretende ser exaustiva.

    Em boa hora os autores resolveram escrever estecompndio sobre as doenas do cacaueiro que ser muitotil a extensionistas, pesquisadores, professores, estudantese produtores que tero acesso direto experincia abalizadadesses colegas que falam do que sabem e no do queouviram dizer.

    Pesquisador, PhD em Micologia,Centro de Pesquisas do Cacau,

    Ilhus, Bahia, Novembro de 2004.

    Jos Luiz Bezerra

  • SUMRIO

    CAPTULO IIntroduo

    CAPTULO IIVassoura-de-bruxaReferncias bibliogrficas

    CAPTULO IIIPodrido-pardaReferncias bibliogrficas

    CAPTULO IVMurcha-de-VerticilliumReferncias bibliogrficas

    CAPTULO VMurcha-de-CeratocystisReferncias bibliogrficas

    CAPTULO VIDoenas de razes

    1. Podrido-negra2. Podrido-vermelha3. Podrido-castanha4. Podrido-branca5. Podrido associada ao fungo Mycoleptodiscus

    terrestrisReferncias bibliogrficas

    13

    34

    2815

    41

    4652

    5562

    64657176

    76

    79

    76

  • CAPTULO VIICancros

    1. Cancro-de-Phytophthora2. Cancro-de-Lasiodiplodia

    Referncias bibliogrficas

    CAPTULO VIIIMorte-descendenteReferncias bibliogrficas

    CAPTULO IXMal-rosadoReferncias bibliogrficas

    CAPTULO XGalha-floralReferncias bibliogrficas

    CAPTULO XIAntracnoseReferncias bibliogrficas

    CAPTULO XIIMonilaseReferncias bibliogrficas

    CAPTULO XIIIClnica FitopatolgicaInstrues para coleta e envio de amostras paraanliseReferncias bibliogrficas

    81818389

    9196

    97101

    102107

    109113

    114122

    127128

    132

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Introduo

    A podrido-parda permaneceu durante muitos anos como amais importante doena do cacaueiro na regio Sul da Bahia,acarretando perdas estimadas entre 20 a 30% da produo anual.Entretanto, desde o aparecimento da vassoura-de-bruxa (VB) em1989, na regio, a doena foi praticamente relegada aoesquecimento, em decorrncia no s das condies ambientaisdesfavorveis, como tambm dos srios problemas econmicosacarretados pela VB. Ao encontrar condies ambientaisextremamente favorveis, a VB disseminou-se, rapidamente,atingindo propores epidmicas e causando, em curto espaode tempo, problemas sociais profundos e um virtual colapso naeconomia regional. No momento, em funo do sucesso alcanadopelos clones de cacau com resistncia VB e das condiesclimticas voltando a ser favorveis, a podrido-parda comea areaparecer, trazendo novamente preocupaes aos agricultores.

    Com a implantao de novas reas, o replantio e oadensamento com materiais genticos resistentes VB, outradoena igualmente importante, a murcha-de-Ceratocystis,favorecida pela prtica da enxertia adotada na propagaovegetativa e das freqentes podas de formao do materialgentico, comeou a se manifestar principalmente na variedadeTheobahia acarretando preocupaes adicionais aoscacauicultores.

    Anteriormente, a partir da dcada de 70, com o advento doPrograma de Expanso da Cacauicultura Nacional (PROCACAU),que compreendia alm do plantio de novas reas a renovao decacauais decadentes, incentivado pelo governo federal, uma

    Captulo I

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    Oliveira e Luz

    doena at ento conhecida sob a denominao genrica demorte sbita, passou a ser melhor estudada resultando nadescrio e caracterizao etiolgica de uma srie de novasenfermidades sobre o cacaueiro. Entre elas destacam-se amurcha-de-Verticillium, o cancro-de-Lasiodiplodia, e as podridesnegra e vermelha das razes, causadas respectivamente, pelosfungos Rosellinia pepo Pat. e Ganoderma philippii (Bres. et Henn)Bres. Cita-se tambm o mal-rosado que chegou a assumir algumaimportncia econmica no passado em funo da renovao edos novos plantios, uma vez que se trata de uma doena commaior incidncia em plantios novos.

    Alm destas, so tambm abordadas neste livro algumasdoenas que embora sejam de ocorrncia bastante antiga naregio cacaueira da Bahia, no chegam a causar prejuzos oupreocupaes srias, como so os casos do cancro-de-Phytophthora, da galha-floral, da antracnose e da morte-descendente. Tambm feita referncia monilase causada pelofungo Moniliophthora roreri, que embora no ocorra no nosso pas,constitui-se em uma sria ameaa cacaicultura nacional.

    Espera-se que este livro venha preencher algumas lacunasobservadas na literatura brasileira no que se refere aos principaisproblemas fitopatolgicos da cultura do cacau, contribuindo parao seu melhor conhecimento, facilitando assim a busca desolues para os mesmos, uma vez que as informaes geradasat ento, nem sempre eram acessveis maioria das pessoas,estando normalmente dispersas em uma srie de publicaes,geralmente em forma de artigos cientficos.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Vassoura-de-Bruxa

    A vassoura-de-bruxa (VB) uma das mais importantes edestrutivas doenas do cacaueiro, chegando a causar perdas deat 90% na produo (Evans, 1981; Evans & Bastos, 1981;Bastos, 1988). A doena foi descoberta pela primeira vez noSuriname, em 1895 (Wheeler & Mepsted, 1988), e emboraocorresse de forma endmica na regio Amaznica, desde osculo XIX, alm de estar presente em diversos pases da Amricado Sul e Central como: Bolvia, Colmbia, Equador, Guiana,Granada, Peru, Suriname, Venezuela, Trinidad e Tobago, s foiconstatada na principal regio produtora de cacau do Brasil, o sul daBahia, em 1989. Ao encontrar condies ambientais favorveis,disseminou-se rapidamente, provocando um virtual colapso naeconomia regional. A doena foi registrada inicialmente no municpiode Uruuca (Pereira et al., 1989) e logo em seguida em Camac,estando disseminada, no momento, em toda a regio cacaueira daBahia, j tendo sido detectada, inclusive, no estado do Esprito Santo.

    Etiologia

    A doena causada por Crinipellis perniciosa (Stahel) Singer,fungo pertencente classe dos Basidiomicetos, ordem Agaricalese famlia Tricholomataceae. Produz basidiomas (basidiocarpos)pileados e estipitados, ligncolas, apresentando impresso deesporos de colorao branca. Levando em considerao,principalmente, a colorao do pleo, Pegler (1978) reconheceutrs variedades do patgeno: C. perniciosa var. perniciosa; C.perniciosa var. equatoriensis e C. perniciosa var. citriniceps.Variabilidade dentro da espcie tem sido tambm detectadaquando isolados, de um ou de diferentes pases ou hospedeiros,

    Captulo II

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    Oliveira e Luz

    so comparados. Tal variabilidade tem sido traduzida, por exemplo,em termos de crescimento micelial em meios de cultura, tipos dereao em alguns testes bioqumicos, compatibilidade somticae patogenicidade ao cacaueiro e a outros hospedeiros (Thorold,1975; Bartley, 1977; Evans, 1978; Wheeler & Mepsted, 1982, 1988;Rocha, 1983; Andebhran & Almeida, 1984; Andebhran, 1985,1988a; Andebhran & Bastos, 1985; Bastos & Evans, 1985; Bastos,1986; McGeary & Wheeler, 1988). Em funo dessecomportamento, possvel se esperar variao do patgeno atmesmo com referncia sensibilidade a fungicidas, o que poderiaeventualmente explicar o maior ou menor sucesso dasrecomendaes de controle da doena em determinadassituaes.

    Crinipellis perniciosa possui um ciclo de vida dividido em duasfases principais, uma parastica e outra saproftica. A faseparastica constituda pelo miclio monocaritico, sem gramposde conexo, apresentando crescimento intercelular. Seu miclio mais espesso que o saproftico e dicaritico, que ao contrriodo da fase parastica, apresenta grampos de conexo e podecrescer tanto inter- quanto intracelularmente (Evans, 1980, 1981;McGeary & Wheeler, 1988).

    Os basidiocarpos, produzidos tanto sobre vassouras secasquanto sobre frutos infectados (Figura 4c), aps alternncias deperodos secos e midos (Rocha & Wheeler, 1982), constituem-se em fontes primrias de inculo, liberando basidisporos, queso as principais unidades infectivas do patgeno (Bastos, 1986).A liberao dos basidisporos se d, preferencialmente, durantea noite (Solorzano, 1977; Evans & Solorzano, 1982; Rodrigues,1983; Lawrence et al., 1991), com umidade relativa do ar entre 80e 85% e temperatura entre 20-25 o C (Rocha & Wheeler, 1985).

    Hospedeiros

    O fungo endmico na Regio Amaznica onde ocorre desdeo sculo XIX no s em cacau nativo e cultivado, como tambmem espcies relacionadas dos gneros Theobroma e Herrania,

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    como: T. grandiflorum (Willd. Ex. Spreng) Schum. (cupuau), T.bicolor Humb. & Bompl. (cacau-do-Par), T. microcarpum (cacaujacar), T. subincanum (cupu), T. obovatum Barn. (cacau-cabea-de-urubu), T. speciosum Willd. (cacaui); H. albiflora, H. nitida(Poepp.) Schultes e H. purpurea; em liana (Entada gigas (L.) Falc.& Rendle); alm de espcies da famlia Solanaceae, pertencentes,principalmente, aos gneros Solanum e Capsicum, como: S.paniculatum L. (jurubeba), S. gilo Raddi (jil), S. stipulaceum Willdex. Roem & Shult. (caiara), S. melogena L. (berinjela), C. annuumL. (pimento) e C. frutescens (pimenta malagueta) (Thorold, 1975;Evans, 1978; Bastos & Evans, 1985; Wood & Lass, 1985, Luz etal., 1997). Existem evidncias de que diferentes pattipos estejamassociados a cacau, liana, Bixa orellana L. (urucum) e solanceas.Um novo hospedeiro, Stigmatophylum sp., pertencente famliaMalpighiaceae foi tambm relatado no sul da Bahia (Luz et al.,1997). Evans (1978) encontrou que isolados de C. perniciosa decacau foram patognicos a cacau, T. bicolor e H. nitida, enquantoisolados de liana s o foram liana. Bastos e Evans (1985)trabalhando com isolados de C. perniciosa de Solanum rugosumDum. e S. lasiantherum v. Heurck foram incapazes de induzirsintomas da doena em clones de cacau consideradossusceptveis, embora tenham infectado outras plantas da famliaSolanaceae. Bastos (1986) constatou tambm diferenas empatogenicidade entre isolados de C. perniciosa provenientes dediversos hospedeiros. Os isolados de cacau foram patognicosa cacau, T. speciosum e Herrania, enquanto que o isolado de T.grandiflorum, no o foi a cacau, mas sim s demais espcies deTheobroma e Herrania.

    Sintomas

    Os sintomas da doena so caracterizados pelosuperbrotamento de lanamentos foliares, com proliferao degemas laterais, e engrossamento de tecidos infectados emcrescimento (Figura 1c, d). Almofadas florais infectadas podemproduzir vassouras vegetativas, alm de flores anormais (Figura2a, b, c), e os frutos produzidos em tais casos so, freqentemente,

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    Oliveira e Luz

    partenocrpicos com formas diferentes (morango, cenoura, etc.)da sua morfologia normal (Figura 2b, c, d, e, f). Em frutos adultospodem ser observadas algumas variaes nos sintomas, ora comamarelecimento precoce sem sintomas necrticos (Figura 3a,b), ora deformados sem (Figura 3c) ou com a presena de lesesnecrticas externas (Figura 3d), podendo ainda, apresentarem-se deprimidas ou no, e circundadas por halos clorticos (Figura3e, f, g, h). Os danos internos em frutos so mais pronunciadosque os da podrido-parda, com as amndoas, na maioria dasvezes, apresentando-se completamente danificadas (Figura 4a),e em fase mais avanada, com crescimento micelial do fungona sua superfcie (Figura 4b). O fungo tambm infecta gemasapicais, em mudas, induzindo a proliferao de brotaeslaterais (vassouras terminais) (Figura 4d, e), podendo ainda,causar a formao de cancros, tanto em mudas quanto emramos (Figura 4f, g).

    Epidemiologia

    A principal forma de disseminao da doena pelo ar, emborachuvas no deixam de exercer tambm um importante papel(Evans, 1981; Andebhran, 1988b). Aps a infeco dos tecidossusceptveis, principalmente, os meristemticos (Cronshaw &Evans, 1978), observa-se a formao de brotaes hipertrofiadas,com interndios mais curtos, e excessiva proliferao de gemaslaterais, comumente denominadas de vassouras verdes (Evans,1981) (Fig. 1a, b, c, d; 2 d, e). O perodo em que as vassouraspermanecem nesta fase varivel, dependendo do vigor da plantae do pattipo do fungo (Wheeler & Mepsted 1982), ficando emmdia entre cinco e doze semanas (Baker & Holliday, 1957;Solorzano, 1977). Aps a seca das vassouras, observa-se umperodo de dormncia antes que os basidiocarpos comecem aser produzidos. Este perodo, tambm varivel, estendendo deum mnimo de quatro a um mximo de 66 semanas (Baker &Holliday, 1957; Solorzano, 1977; Evans, 1981). A produo debasidiocarpos favorecida por perodos alternados de ganho e

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    perda de gua durante a estao chuvosa (Baker & Holliday,1957). Rocha (1983) demonstrou que basidiocarpos poderiamser produzidos, em quantidade e de forma regular, sobrevassouras secas em regimes alternados de 8 horas demolhamento e 16 horas de seca, e temperaturas variando de20-25 C, na presena de luz.

    Controle

    Desde seu primeiro registro, no Suriname, diferentesestratgias de controle da doena, compreendendo podafitossanitria, os controles qumico e biolgico, a seleo emelhoramento gentico visando resistncia, alm do manejointegrado como um todo, tm sido tentadas. Enquanto a utilizaode materiais genticos resistentes considerada a soluo maiseconmica e desejvel, resultados obtidos no passado, nemsempre foram consistentes, com determinados materiais oracomportando-se como resistentes em alguns pases, esusceptveis em outros. Esforos recentes visando a seleo denovos materiais tm sido intensificados, o que vemproporcionando alento e esperana na busca de solues maisduradouras para o problema, no obstante a poda fitossanitria,a despeito do seu custo elevado, ainda continuar sendo utilizadacom freqncia. Atualmente, diversos clones apresentando bonsnveis de resistncia doena, j foram disponibilizados peloCentro de Pesquisas do Cacau (CEPEC) aos produtores daregio sul da Bahia.

    Controle biolgico seria outra alternativa vivel no manejo dadoena. A utilizao de microorganismos antagnicos envolvendodiferentes mecanismos de ao como competio, antibiose ehiperparasitismo, poderia desempenhar importante papel numprograma de manejo integrado da doena envolvendo,adicionalmente, resistncia, controle qumico e cultural (podafitossanitria). Trabalho inicial desenvolvido por Bastos et al. (1981)mostrou que Cladobotryum amazonense Bastos, Evans et

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    Oliveira e Luz

    Samson, um fungo encontrado hiper-parasitando basidiocarposde C. perniciosa, tambm produzia uma substncia antibiticacapaz de inibir o crescimento micelial e a germinao debasidisporos do fungo in vitro. Entretanto, o seu papel sobre adoena, em condies de campo, ainda merece ser melhoravaliado. No momento, dentro do enfoque do controle biolgico,j existe uma alternativa disponibilizada pelo CEPEC aosprodutores da regio cacaueira da Bahia, que a utilizao doproduto Tricovab, que foi desenvolvido e formulado a partir dofungo Trichoderma stromaticum Samuels & Pardo-Shultheiss.

    A poda fitossanitria, recomendada inicialmente por Stahel,em 1915, ainda permanece como uma medida efetivamenteutilizada no controle da doena, a despeito de aumentarsobremaneira os custos de produo.

    O controle qumico da VB foi primeiro testado em 1909 noSuriname (Van Hall & Drost, 1909) atravs da utilizao da caldabordaleza. Desde ento, novas tentativas foram feitas, inclusiveno Brasil, sem que os resultados tivessem sido inteiramentesatisfatrios e/ou econmicos, como j enfatizaram Baker eHolliday (1957). Rudgard e Lass (1985) salientaram que, em funoda inadequao de outras medidas de controle, o controle qumicoainda ofereceria, em curto prazo, as melhores opes deconteno da doena, criando estabilidade econmica at queoutras estratgias fossem disponibilizadas. A associao doscontroles cultural e qumico, por exemplo, foi recomendada porStahel, desde 1915.

    Experimentos conduzidos por Thorold (1953), avaliandofungicidas base de cobre e enxofre mostraram-se inconclusivos.Entretanto, alguns trabalhos posteriores demonstraram a eficciada calda bordaleza no controle da doena sobre frutos (Holliday,1954; Silva et al., 1985; Bastos et al., 1987a, b). Testes com outrosfungicidas base de cobre, na sua maioria realizados no Brasil,apresentaram, da mesma forma, algumas inconsistncias.Embora, algumas vezes tais produtos tenham mostrado efeitospositivos em controlar a doena sobre frutos, na grande maioria,entretanto, as avaliaes concluram pela sua ineficcia no

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    controle da VB (Holliday, 1954, 1960; Cronshaw, 1979; Bastos &Evans, 1979; Almeida, 1982; Almeida & Andebhran, 1984; Coelho,1986; Bastos et al., 1987b). Outro grupo de fungicidasamplamente testado, principalmente no Brasil, o dos orgnicosprotetores. Neste caso, as mesmas concluses com relao aosfungicidas cpricos, so tambm aplicveis (Cronshaw, 1979;Almeida, 1982; Silva et al., 1985; Coelho, 1986). Possveis razespara as discrepncias nos resultados das pesquisas poderiamestar associadas s perdas dos produtos provocadas por chuvas,to comuns na maioria das reas produtoras de cacau em todomundo; baixa tenacidade, principalmente, dos fungicidasorgnicos; e provavelmente na maioria dos casos, pelainadequao, falta de uniformidade dos mtodos, pocas,nmero e tecnologias de aplicao dos fungicidas.

    Atualmente, dos produtos base de cobre, apenas o xidocuproso recomendado pelo CEPEC no controle da VB.Trabalhos conduzidos em Rondnia demonstraram a eficcia dofungicida na reduo de infeces em frutos. Entretanto, poucaou nenhuma ao tem sido encontrada no controle da doenaem outras partes da planta, como almofadas florais elanamentos foliares. As dosagens recomendadas so de trsou seis gramas do princpio ativo por planta, caso as aplicaessejam efetuadas a intervalos mensais ou bimestrais,respectivamente, de forma preventiva e no momento adequado.O seu uso tem que estar associado, entretanto, podafitossanitria (remoo de vassouras e outros tecidos atacados),alm da necessidade de tais recomendaes serem seguidasde forma criteriosa, para que surtam os efeitos desejados.

    O surgimento no mercado dos fungicidas sistmicos,principalmente, daqueles com atividade contra fungos da classedos basidiomicetos tem criado novas perspectivas para o controleda VB, no s em frutos, mas tambm em lanamentos foliarese almofadas florais. Alguns destes fungicidas tm mostradoatividade contra C. perniciosa, principalmente in vitro (Annimo,1980; Bastos, 1982, 1987; Silva et al., 1985; Laker et al., 1988;McQuilken et al., 1988; Oliveira, 2000), entretanto, o primeiro grupo

  • 22

    Oliveira e Luz

    a realmente mostrar alguma eficcia in vivo foi o dos triazis(Annimo, 1980; Bastos, 1982; Silva et al., 1985; Lins, 1985;Bastos, 1987; McQuilken et al., 1988; Oliveira, 2000). Asbenzanilidas, com destaque para o fungicida flutalonil (Laker eRudgard, 1989), foi outro grupo com atividade contra a doena,suprimindo a formao de vassouras em plantas de cacau, comnove meses de idade, quando aplicado no solo.

    No Brasil, fungicidas do grupo dos triazis tm se destacadono s em ensaios de laboratrio e casa-de-vegetao (Oliveira,2000), mas tambm e principalmente em condies de campo(Oliveira, 2004a). Em uma srie de experimentos realizados naregio cacaueira da Bahia, o fungicida tebuconazole foi aqueleque apresentou os melhores resultados, o que motivou suarecomendao no controle da VB tanto em viveiros quanto emcampo (Oliveira, 2004a). Em plantios safreiros tradicionais,quando pulverizado a intervalos mensais, quatro a cinco vezesao ano, dosagem de 1,2 litro por hectare, o tebuconazole temmostrado eficcia na reduo de infeces em almofadas florais,diminuindo ou eliminando a produo de frutos-morango evassouras vegetativas, alm de reduzir a formao de vassourasem lanamentos foliares e a infeco de frutos. O fungicida foiigualmente eficiente na reduo da esporulao, diminuindo aproduo de basidiocarpos (cogumelos) tanto em frutos quantoem vassouras, bem como no controle da doena em condiesde viveiros, em dosagens desde 1,0 a 2,5 mL do produto, por litrode gua. Em ensaios recentes utilizando-se clones com diferentesnveis de resistncia doena, em condies de campo, aaplicao do fungicida em dosagens j a partir de 0,3 mL doproduto comercial, por planta, reduziu a incidncia da VB emfrutos, resultado este importante, principalmente, quando adotadono controle da doena em materiais genticos mais produtivos,que embora apresentem bons nveis de resistncia na copa, aindamostram alguma susceptibilidade em frutos, o que viabilizariaassim o controle qumico da doena com este fungicida.

    Outro grupo de fungicidas que tem apresentado atividade contraa VB o das estrobilurinas, com destaque para a azoxystrobina

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    (Oliveira, 2004b). Confirmando sua ao destacada no controlede doenas em outras culturas, a azoxystrobina, em dosagensrelativamente baixas, tem apresentado resultados satisfatriostambm contra a VB, principalmente, no que se refere ao controleem almofadas florais e lanamentos foliares, a despeito de suamenor eficcia na reduo de infeces em frutos, quandocomparada do tebuconazole. Neste sentido, ao serem avaliadasdosagens variando de 200 a 700 g do produto comercial porhectare, observou-se reduo significativa no nmero de infecesem almofadas florais, na ordem de 73% j dosagem de 200 g /ha, embora este percentual tenha cado para 48% quando seconsiderou o percentual de frutos infectados (M. L. Oliveira, dadosno publicados).

  • 24

    Oliveira e Luz

    Figura 1. Sintomas da vassoura-de-bruxa do cacaueiro causada por Crinipellis perniciosa: aspectosde duas reas severamente afetadas pela doena (a, b), e alguns tipos de vassouras emlanamentos foliares (c, d).

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    Principais doenas do cacaueiro no B

    rasil

    Figura 2. Sintomas da vassoura-de-bruxa em almofadas florais: Vassouras vegetativas (a, b, c) efrutos partenocrpicos (morango) (b, c, d, e, f).

  • 26

    Oliveira e Luz

    Figura 3. Sintomas da vassoura-de-bruxa em frutos: frutos com amarelecimento precoce (a, b, d, e,g), deformados sem (c) e com a presena de leses necrticas (d), apresentando lesescircundadas por halos amarelados (f, g), e quase totalmente necrosado (h).

  • 27

    Principais doenas do cacaueiro no B

    rasil

    Figura 4. Sintomas da vassoura-de-bruxa: amontoa de frutos infectados mostrando danos internos (a).Amndoas mumificadas apresentando crescimento micelial do fungo (b). Fruto esporuladoexibindo um grande nmero de basidiocarpos (cogumelos) (c). Sintomas em mudas: infecoda gema apical (d), proliferao de brotaes laterais (vassouras) (e), e mudas ou ramosexibindo cancros caractersticos (f, g).

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    Oliveira e Luz

    Podrido-parda

    Mesmo aps o surgimento da vassoura-de-bruxa na regiosul da Bahia, e a despeito das condies ambientaispermanecerem desfavorveis por vrios anos, a podrido-pardado cacaueiro (Theobroma cacao L.) ainda apresentapotencialidades de assumir os mesmos nveis de importnciaeconmica registrados no passado, quando chegava a causarperdas estimadas entre 20 a 30 % da produo anual de cacauno Brasil (Medeiros et al., 1977).

    Etiologia

    At 1979 o agente causal da podrido-parda do cacaueiro eraclassificado como Phytophthora palmivora (Butler) Butler. Desdeento, a taxonomia de Phytophthora em cacau tem se modificadobastante. Trs das quatro formas morfolgicos (MF) de P.palmivora reconhecidas at ento: MF1, MF3 e MF4, agora soconsideradas espcies distintas. A forma morfolgica 1 (MF1) foireconhecida como P. palmivora sensu Butler. A MF3 foi descritacomo uma nova espcie, Phytophthora megakarya Brasier &Griffin, e a MF4 agora considerada como Phytophthora capsiciLeonian. Phytophthora megakarya s ocorre na frica, P.palmivora tem uma distribuio mundial e P. capsici foi relatadatanto nas Amricas Central e do Sul (Brasier & Griffin, 1979),quanto em Camares na frica (Zentmyer et al., 1981). Em adioa estas espcies, Phytophthora citrophthora (Smith & Smith)

    Captulo III

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Leonian foi tambm descrita causando podrido-parda docacaueiro no Brasil (Kellam & Zentmyer, 1981). Existem maisduas espcies: Phytophthora heveae Thompson causandopodrido em frutos na Malsia (Turner, 1968) e no Mxico(Lozano-Trevino & Romero-Cova, 1974), e Phytophthoramegasperma Drechsler infectando frutos na Venezuela (Reyeset al., 1972). Das trs espcies que causam a podrido-pardado cacaueiro, no Brasil, P. citrophthora a mais virulenta seguidapor P. palmivora e P. capsici (Lawrence et al., 1990). O gneroPhytophthora pertence classe dos Oomicetos, ordem Pythialese famlia Pythiaceae.

    Hospedeiros

    As trs espcies de Phytophthora que causam a podrido-parda do cacaueiro no Brasil possuem um amplo crculo dehospedeiros podendo infectar diversos cultivos de importnciaeconmica. Phytophthora palmivora a espcie com crculo dehospedeiros mais amplo, compreendendo diversas famliasbotnicas, possuindo a habilidade de infectar quase todas aspartes da planta, desde folhas, ramos, frutos, caule e razes, oque faz dela um dos mais importantes patgenos de plantas nasregies de climas mais quentes no mundo (Wood & Lass, 1985).Phytophthora palmivora j foi relatada atacando espciespertencentes a 41 famlias de plantas (Chee, 1969, 1974), entreelas, muitas com importncia econmica como: abacaxi, abacate,mamo, citros, feijo, noz-moscada, algodo, seringueira,pimenta-do-reino, coco, dend, mamona, fumo, tomate, cebola,berinjela, pimento, ervilha, alm de plantas ornamentais e desombra. Phytophthora capsici, alm de cacau pode atacarpimento, tomate, berinjela, seringueira, pimenta-do-reino, eplantas da famlia das cucurbitceas. Por sua vez, P. citrophthora um importante patgeno, principalmente, de citros e de algumasrosceas de clima temperado (Luz et al., 1997).

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    Oliveira e Luz

    Sintomas

    Um dos primeiros sintomas da podrido-parda vistosaproximadamente 30 horas aps a infeco, o aparecimentode pequenas manchas na superfcie dos frutos, sob condiesde alta umidade. As leses desenvolvem-se rapidamente,escurecem assumindo a colorao castanha caracterstica(Figura 1 a), podendo atingir toda a superfcie do fruto entre 10 a14 dias (Figura 1 b). A infeco pode ocorrer em qualquer local dasuperfcie do fruto e em qualquer fase do seu desenvolvimento(Figura 1 b). Em condies de alta umidade, entre trs a cincodias aps o aparecimento dos primeiros sintomas da doena,pode-se observar sobre as leses o aparecimento de umcrescimento pulverulento branco formado pelo miclio eesporngios do fungo (Figura 1 a, b). Os sintomas mais avanadosda doena em frutos jovens (bilros), podem ser, muitas vezes,confundidos com os de peco fisiolgico. No incio da infeco,quando a leso ainda no atingiu todo o fruto possvel a distino,mas medida que os sintomas evoluem culminando com anecrose completa dos frutos, tal tarefa torna-se quase impossvelde ser concretizada (Wood & Lass, 1985).

    Infeces de Phytophthora spp. podem tambm ocorrer emoutras partes da planta, sem, entretanto, causar danoseconmicos importantes. Em chupes e lanamentos foliaresnovos nota-se o aparecimento de leses necrticas escurastanto no limbo foliar quanto na haste, ramos e pecolos. Emfolhas novas, observa-se, adicionalmente, a necrose dasnervuras e seca das folhas. Em condies de viveiros, emsituaes de alta umidade, tais sintomas so observados comfreqncia, alm da murcha e seca das plntulas (Figura 1d,e). As trs espcies de Phytophthora responsveis pelapodrido-parda do cacaueiro, no Brasil, podem se manifestarcom diferentes nveis de virulncia em frutos de cacau, sendoP. citrophthora a espcie mais virulenta, seguida por P.palmivora e P. capsici (Figura 1c).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Epidemiologia

    A podrido-parda conhecida como uma doena de ocorrnciacclica, observando-se com freqncia, dentro de uma mesmafazenda, diferenas em termos de incidncia e severidade (reas-foco). Este fato sugere uma relao estreita com fatoresmeteorolgicos, com o micro-clima assumindo um papelimportante na ocorrncia dos surtos da doena (Medeiros, 1977).Muitos autores tm tentado correlacionar o aparecimento deepidemias da podrido-parda com fatores meteorolgicos (Dade,1927). No Brasil, Lellis (1952) notou que as maiores perdas naproduo de cacau eram registradas em meses mais frios doano, ficando estabelecida uma correlao negativa entre atemperatura e a incidncia da doena. Miranda e Cruz (1953),por sua vez, encontraram correlao entre temperaturas baixas(20 C) e umidades relativas do ar acima de 85 % com oaparecimento da podrido-parda. Medeiros (1967), observou quea incidncia da podrido-parda era diretamente proporcional aonmero de frutos por planta e ocorrncia de chuvas. Rocha eMachado (1972) mostraram uma correlao negativa entre suaincidncia e o dficit de presso de vapor.

    Como fontes de inculo para o incio de surtos epidmicos dapodrido-parda destacam-se propgulos que sobrevivem no solo,almofadas florais e casqueiros (Dakwa, 1974; Jackson &Newhook, 1978; Mano, 1974; Medeiros, 1974, 1977; Muller, 1974;Newhall et al., 1966a; Newhook & Jackson, 1977; Okaisabor, 1974;Onesirosan, 1971; Turner, 1965). Fontes adicionais incluemrazes, frutos mumificados, casca, folhas, chupes e cancros(Asomaning, 1964; Jackson & Newhook, 1978; Mano, 1966,1974; Medeiros, 1977; Newhall, 1967; Newhall & Diaz, 1966;Turner, 1960; Turner & Wharton, 1960). Em geral, o solo tem sidoconsiderado como principal reservatrio de inculo para incio deepidemias da podrido-parda em muitos pases (Grimaldi, 1957;Newhall et al., 1966b; Onesirosan, 1971; Thorold, 1955). No Brasil,papel igualmente importante tem sido atribudo, adicionalmente,aos casqueiros (Medeiros, 1977).

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    Oliveira e Luz

    Como um dos principais agentes de disseminao da doena,favorecendo igualmente sua infeco, destaca-se a chuva.Respingos de chuva tm sido implicados no incio de surtosepidmicos, ao transportar propgulos do solo para os frutosprximos ao cho. Chuva tambm pode lavar propgulos deleses esporuladas, carreando-os no sentido descendente. Outrosagentes de disseminao de menor importncia incluem o vento,insetos e ratos.

    De acordo com Medeiros et al. (1969) o progresso de umaepidemia da podrido-parda, pode ser dividido em dois estgios:a disseminao horizontal e a vertical. A disseminao horizontalocorre, normalmente, no incio do surto epidmico, enquanto quea vertical observada dois ou trs meses depois, atravs doaumento no nmero de frutos infectados por planta, tanto nosentido ascendente quanto descendente. Para que a epidemiaalcance seu pico mximo, so requeridos normalmente de trs acinco meses.

    Controle

    As estratgias de controle para a podrido-parda baseiam-se,principalmente, na adoo de medidas profilticas, envolvendo ouso de fungicidas protetores, principalmente, os base de cobre,alm do emprego de prticas culturais como: remoo de frutosinfectados, colheitas freqentes, eliminao de casqueiros, almda reduo no sombreamento, poda e drenagem do solo,visando tornar o ambiente desfavorvel doena (Medeiros,1965, 1974, 1977).

    No Brasil, as primeiras tentativas de controle qumico dapodrido-parda tiveram incio nos anos 50 (Cruz & Paiva, 1956).Desde ento, fungicidas base de cobre vm sendo utilizadosde forma bem sucedida, embora existam relatos de usoinsatisfatrios em outros pases, onde muitas vezes, sorequeridas at doze aplicaes, ao ano, para se ter um controleadequado (Wood & Lass, 1985).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    O surgimento de produtos sistmicos com atividade contraoomicetos modificou bastante os conceitos quanto ao controlequmico de doenas causadas por espcies de Phytophthora.Entre os fungicidas de maior destaque esto o metalaxyl e ophosetyl-Al, empregados com sucesso no controle de um grandenmero de doenas causadas por espcies de Phytophthora.Ambos tm proporcionado excelente controle de patgenosfoliares e de solo (Anderson & Buzzell, 1982; Bruck et al., 1980;Clergeau & Beyries, 1977; Cohen et al., 1979; Davis, 1981, 1982;Easton & Nagle, 1985; Falloon et al, 1985), no obstante ometalaxyl ser o de maior destaque, controlando um nmero maiorde espcies em uma gama de hospedeiros bem mais ampla.Excelente eficcia do metalaxyl foi obtida por Oliveira e Menge(1995, 1998) na inibio da produo e da esporulao de algumasestruturas do ciclo de vida das trs espcies de Phytophthoraque causam a podrido-parda do cacaueiro. No Brasil, entretanto,existem poucas tentativas experimentais visando comprovar suaeficcia sob condies de campo (Pereira, 1988; Oliveira &Almeida 1999). Oliveira e Almeida (1999) avaliando umaformulao granulada do produto, em condies de campo,objetivando principalmente o controle da doena pela reduo doinculo do solo, encontraram que o metalaxyl aplicado duas vezesao ano, em dosagens relativamente baixas, foi to eficiente quantoa recomendao tradicional de trs a quatro pulverizaes anuaiscom produtos base de cobre.

    Resistncia gentica seria outra importante alternativa decontrole para a podrido-parda, no fossem as dificuldadesencontradas na seleo de materiais resistentes pela existnciade mais de uma espcie de Phytophthora causando a doena noBrasil. Entre 82 gentipos testados na Bahia, por exemplo, apenasas cultivares PA 30 e PA 150 apresentaram resistncia a P.palmivora, P. capsici e P. citrophthora, ao mesmo tempo.Dezenove outros materiais mostraram resistncia ora a uma ouduas espcies, mas no s trs, podendo ainda assim serutilizados em programas de melhoramento gentico visandoresistncia s doenas do cacaueiro ( Luz et al., 1996; 1997).

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    Figura 1. Sintomas tpicos da podrido-parda do cacaueiro: frutos com leses arredondadas, combordos bem definidos, e sem a presena de halos amarelados como no caso da vassoura-de-bruxa (a, b c), frutos inoculados artificialmente com Phytophthora citrophthora, P. palmivora eP. capsici, respectivamente (c), e mudas de cacau com sintomas da doena (d, e).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

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    Oliveira e Luz

    Murcha-de-Verticillium

    A doena conhecida como morte sbita do cacaueiropermaneceu com sua etiologia desconhecida, no Brasil, at adcada de 80. Foi registrada pela primeira vez em 1938, emboraexistissem indicaes da sua ocorrncia desde 1929 (Silva, 1938).Silva (1950) no sentido de estabelecer possveis causas para adoena associou-a a problemas fisiolgicos relacionados a fatoresde solo e sombreamento, alm da ao do fungo Diplodia theobromaeDowel. Por outro lado, Mano e Medeiros (1969), com base naobservao de que a planta regenerava-se quando recepadaadmitiram uma causa no patolgica para ela. A doena tambmocorre em outros pases produtores de cacau como Ilhas de SoTom e Prncipe, Gabo, Sri Lanka e Uganda (Chalot & Luc, 1906;Kaden, 1933; Leakey, 1965; Matovu, 1973; Navel, 1921; Park, 1933,1934). Em Uganda, estudos etiolgicos comprovaram que o fungoVerticillium dahliae Kleb era o agente causal da doena (Emechebeet al., 1971) . Segundo os autores, V. dahliae seguido por Armillariamellea (Vahl.) Pat., Phytophthora palmivora (Butl.). Butl. e Albonectriarigidiuscula (B. & Br.) Rossman & Samuels (sinnimo: Calonectriarigidiuscula (B. & Br.) Sacc.), constituam-se no principal problemafitopatolgico da cultura do cacau naquele pas.

    No Brasil, o fungo V. dahliae foi isolado pela primeira vez decacaueiros procedentes do municpio de Linhares (ES)apresentando sintomas caractersticos da morte sbita (Oliveira,1980a, 1983), sendo logo em seguida tambm encontrado emdiversos municpios da regio cacaueira da Bahia (Oliveira,1980b). Recentemente a doena foi constatada tambm naColmbia (Granada, 1989).

    Captulo IV

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Etiologia

    A murcha-de-Verticillium causada por V. dahliae Kleb., fungopertencente aos fungos anamrficos, ordem Moniliales e famliaMoniliaceae. O fungo produz condios hialinos, unicelulares, ovaisa oblongos sobre conidiforos verticilados. O que distingue estaespcie de outra igualmente importante, V. albo-atrum Reinke &Berth., a produo de estruturas de resistncia caractersticas,os microesclercios (Figura 1f). Uma caracterstica das doenasvasculares, causadas por fungos, que o patgeno permaneceno interior dos vasos do xilema at o final do processo depatognese, passando ento a produzir estruturas de resistnciaque vo permitir a sua sobrevivncia tanto em restos de culturaquanto no solo, por vrios anos. (Pegg, 1981).

    Hospedeiros

    O crculo de hospedeiros de V. dahliae bastante amplo(Ebbels, 1976; Pegg, 1974), podendo incluir tanto plantas lenhosasquanto herbceas, cultivadas ou no. No Brasil, segundo Galli etal. (1980), ele mais predominante nas culturas de algodo,quiabo, berinjela, jil e tomate.

    Sintomas

    Os sintomas da doena iniciam, geralmente, com a murcha eamarelecimento das folhas, as quais sem perda aparente daturgidez pendem-se, verticalmente, comeando a secar e enrolar,continuando, entretanto, aderidas planta, mesmo aps sua morte(Figura 1a). Algumas vezes, as plantas infectadas sequer chegama apresentar sintomas de amarelecimento, passando diretamentedo estgio de murcha para seca completa e repentina da folhagem.Outras vezes, os sintomas manifestam-se de forma unilateralem funo do nvel de obstruo vascular, na forma depontuaes, observadas nas partes lenhosas do tronco, galhose ramos. Em tais casos, apenas um ou outro galho pode secar,

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    Oliveira e Luz

    permanecendo o restante da planta, aparentemente, sadia. Damesma forma, folhas tambm podem apresentar reas clorticaslocalizadas, as quais evoluem para necrose e queima de bordos,principalmente, em plntulas inoculadas em casa-de-vegetao.Na maioria das vezes, plantas completamente secas eaparentemente mortas, so capazes de regenerar quandorecepadas, observando-se freqentemente a emisso debrotaes na base ou at em partes superiores do caule, adepender do nvel de obstruo vascular, j que aparentemente osistema radicular permanece sadio e desempenhando,normalmente, suas funes. Contudo, tais brotaes noconseguem sobreviver por muito tempo, ocasio em que inclusivea maioria dos vasos lenhosos das partes inferiores do caule e dosistema radicular, encontra-se tambm obstruda. O sintoma devalor diagnstico para a murcha-de-Verticillium do cacaueiro, semelhana do observado em outros hospedeiros, adescolorao dos vasos do xilema que se manifesta na forma depontuaes de colorao castanho a negro em secestransversais (Figura 1b), e listras descontnuas, em seceslongitudinais (Figura 1c). Atravs do exame de seceshistolgicas, longitudinais (Figura 1d) e transversais (Figura 1e),pode-se observar que o escurecimento e a obstruo dos vasosdo xilema se d em decorrncia da presena de tiloses ou calos,depsito de goma, ou ainda, pela prpria necrose das paredesdos vasos do xilema (Figura 1d, e).

    Epidemiologia

    Dentre as mais importantes doenas de plantas cultivadas,incluindo ornamentais, em todo o mundo, encontram-se aquelascausadas por espcies do gnero Verticillium, entre elas: V. albo-atrum Reinke & Berth. e V. dahliae so as que causam maioresprejuzos. Ambas possuem ampla distribuio mundial, ocorrendotanto em regies temperadas quanto tropicais (Pegg, 1974), sendoque V. dahliae a espcie mais amplamente envolvida comopatgeno em todo o mundo.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    No Brasil, conquanto no tenham sido realizados estudosepidemiolgicos nem levantamentos exaustivos, a murcha-de-Verticillium foi encontrada no municpio de Linhares, ES (Oliveira,1980 a), e em diversos municpios da regio cacaueira da Bahia(Oliveira, 1980b). At o final dos anos 80, antes do surgimento davassoura-de-bruxa, que quase dizimou a cultura do cacau daregio sul da Bahia, a murcha-de-Verticillium chegou a atingiralguma importncia econmica, principalmente, nos municpioslocalizados em reas de transio, sujeitas a perodos secosprolongados. Aparentemente, o dficit hdrico observado em taisregies contribui para apressar o processo de morte das plantas,uma vez que em funo da obstruo ter atingido a maior partedos vasos do xilema e medida que tais plantas esto sujeitas auma maior transpirao, a quantidade de gua absorvida e quechega parte area insuficiente para manter a turgidez dasfolhas, por isso se observa a murcha e seca repentina dafolhagem, sem que a mesma chegue sequer a exibir sintomasde amarelecimento. Argumentao semelhante seria tambmapropriada para o efeito do sombreamento na incidncia dadoena, uma vez que sombreamento deficitrio exporia aindamais as plantas ao sol, aumentando assim o stress hdrico.Observaes semelhantes foram tambm efetuadas em Uganda,na frica (Trochm, 1972).

    Em funo da capacidade do fungo de produzir estruturas deresistncia, os microesclercios, os quais permitem suasobrevivncia no solo e em restos vegetais, por vrios anos, tem-se observado com freqncia, a morte de plantas entre um e trsanos de idade, principalmente em reas-foco replantadas comcacau (Oliveira, 1982a).

    Controle

    Ainda no existem recomendaes, completamente eficientese/ou econmicas, para o controle bem sucedido da murcha-de-Verticillium do cacaueiro, no obstante terem sido identificadasalgumas fontes de resistncia entre os materiais genticos

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    Oliveira e Luz

    pertencentes ao banco de germoplasma do CEPEC, como ocaso do clone Pound 7 (Braga & Silva, 1989). De acordo comCooper et al. (1995), em alguns casos pode-se observar arecuperao de plantas doentes, principalmente naquelasapresentando sintomas de desfolha precoce, atravs dodesenvolvimento de gemas axilares nos ramos principais, e quetais sintomas so uma indicao da resistncia do materialgentico.

    Da mesma forma, foi constatada a eficcia dos fungicidas dogrupo dos benzimidazis no controle da doena, embora aimplementao de medidas baseadas na sua utilizao sofrarestries principalmente em funo dos custos elevados(Oliveira, 1982a, b, c; 1984).

    Como no existem outras estratgias de controle, algumasmedidas baseadas no bom senso seriam teis no manejoadequado da doena, visando diminuir principalmente suaincidncia e disseminao. Assim, plantas mortas, incluindo seusistema radicular, bem como quaisquer materiais de cacaueliminados, devem ser queimados. Adubao rica em potssio,que normalmente contribui para o aumento na resistncia sdoenas vasculares (Shnathorst, 1981), e a recomposio dosombreamento em reas deficitrias, so procedimentos quepoderiam melhorar o manejo da doena e prolongar a vida tildas plantas.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Figura 1. Sintomas da murcha-de-Verticillium do cacaueiro: amarelecimentoe seca da folhagem permanecendo aderida planta mesmo apsa sua morte (a), descolorao vascular na forma de pontuaes elistras descontnuas em cortes transversais (b) e longitudinais (c),e seces histolgicas longitudinais (d) e transversais (e)mostrando a obstruo dos vasos do xilema. Microesclerciosproduzidos pelo fungo (f).

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    Oliveira e Luz

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Murcha-de-Ceratocystis

    A murcha-de-Ceratocystis do cacaueiro, tambm conhecidacomo mal-do-faco, foi descrita pela primeira vez no Equadorem 1918 (Delgado & Echondi, 1965), e posteriormente, em outrospases das Amricas do Sul (Colmbia, Equador, Peru eVenezuela) e Central (Costa Rica, Guatemala, Mxico, RepblicaDominicana, Trinidad e Haiti) (Thorold, 1975). No Brasil, foiencontrada pela primeira vez em Rondnia (Bastos & Evans,1978), e mais recentemente, na regio sul da Bahia (Bezerra etal., 1998). possvel at que a doena estivesse presente, deforma espordica na regio, j por alguns anos, s comeandorealmente a apresentar alguma importncia econmica com oplantio de alguns novos materiais genticos, a partir de 1995, quea despeito de apresentarem resistncia vassoura-de-bruxa,mostraram-se bastante susceptveis murcha-de-Ceratocystis,como foi o caso da variedade Theobahia.

    Etiologia

    A murcha-de-Ceratocystis causada pelo fungo Ceratocystisfimbriata Ell. & Halst., pertencente classe dos Ascomycetos,subclasse Plectomycetidae, ordem Microascales e famliaOphiostomataceae. O fungo produz peritcios superficiais,parcial- ou completamente imersos no substrato, globosos, compescoos longos e fimbriados, e com colorao castanha a preto.Os ascsporos so elipsides, hialinos, possuindo uma espciede bainha gelatinosa, o que lhes d uma aparncia de chapu.

    Captulo V

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    Oliveira e Luz

    So produzidos em ascas evanescentes, cujas paredesdissolvem-se facilmente, e ento liberados atravs do ostolo emuma substncia gelatinosa. Na fase assexuada so produzidosdois tipos de esporos: os condios hialinos, cilndricos,catenulados, e os clamidsporos terminais, tambm em cadeias,obovatos a ovais, com paredes espessas e colorao castanha(Morgan-Jones, 1967; Thorold, 1975; Lawrence et al., 1991b).

    Hospedeiros

    O fungo tem uma distribuio mundial sobre uma variedadede hospedeiros, afetando mais de 50 famlias de angiospermas,sendo particularmente mais freqente em coco, caf, seringueira,batata doce, manga e cacau. Outros hospedeiros incluem cssia,crotalria e mamona (Morgan-Jones, 1967; MacFarlene, 1968).

    Sintomas

    Os sintomas da doena, na parte area, so caracterizadospor murcha, amarelecimento e seca de galhos, ou da planta toda,a depender do local de infeco (Figura 1a, b, c). As folhas perdema turgidez, pendendo verticalmente, enrolando, secando,permanecendo aderidas aos ramos por algumas semanas,mesmo aps a morte aparente da planta (Figura 1c). Quando seinspeciona os tecidos lenhosos, nota-se, facilmente, a presenade leses necrticas deprimidas ou cancros, resultantes dapenetrao do fungo, principalmente, atravs de ferimentosdeixados durante as prticas de poda, limpeza do solo, desbrota,colheita de frutos, estendendo-se desde a regio prxima ao coletoat as bifurcaes dos galhos (forquilha). Tais leses iniciam apartir do ponto de penetrao do fungo, assumindo normalmenteuma colorao escura, de onde se pode observar, algumas vezes,a exsudao de um lquido escuro (Figuras 1d, e, f, g, h; 2a, b, c).Sobre o lenho, a leso apresenta-se com colorao castanha

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    avermelhada, a prpura, estendendo-se para cima e para baixoem torno do ponto de infeco e diminuindo em intensidade, emdireo aos tecidos sadios (Figura 1g, h; 2c) (Hardy, 1961).Variaes na colorao, tais como a presena de estrias, podemser observadas, provavelmente, em funo da participao deoutros fungos como invasores secundrios (Iton & Conway, 1961;Thorold, 1975). A associao dos sintomas da murcha-de-Ceratocystis com a presena de insetos dos gneros Xyleboruse Xylosandrus, freqente. Tais insetos perfuram os tecidosinfectados, abrindo galerias e liberando, pelos orifcios,fragmentos de madeira, p-de-serra, juntamente com propgulosdo fungo, contribuindo assim, indiretamente, para adisseminao da doena (Iton, 1961). O inseto pode tambmdissemin-la de forma direta, transportando externamente,aderidos ao corpo, e internamente, no trato alimentar, propgulosdo fungo (Thorold, 1975). Na regio cacaueira da Bahia, a doenapassou a assumir importncia econmica, com o plantio e aenxertia com materiais genticos, que embora resistentes vassoura-de-bruxa, apresentavam elevada susceptibilidade murcha-de-Ceratocystis, favorecida por freqentes podas deformao e principalmente pela prtica da enxertia que por si sj facilitava tanto a penetrao quanto a disseminao do fungo(Figura 2d, e, f).

    Epidemiologia

    A produo de esporos pelo fungo se d, principalmente, dentrodos tecidos da planta, especialmente, em galerias abertas porespcies do gnero Xyleborus. Tais esporos so liberados noambiente juntamente com p-de-serra, e so disseminados, tantopelo vento, quanto pelos prprios insetos, ficando assim evidenteo papel destes no s na disseminao indireta quanto direta dofungo (Thorold, 1975; Wood & Lass, 1985). possvel, segundoIton (1966), que outros insetos, caros e at nematides estejamtambm envolvidos na disseminao do patgeno.

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    Oliveira e Luz

    Ceratocystis fimbriata possui distribuio mundial, estandoassociado a uma ampla diversidade de condies ambientais.Existem indicaes de que alguns estresses ambientais podempredispor a planta ao ataque do fungo. Na Colmbia, Equador eTrinidad, incidncias srias da murcha-de-Ceratocystis foramassociadas a condies de seca, enquanto que na Venezuela eCosta Rica a doena foi mais prevalente aps perodos chuvosos(Thorold, 1975), no obstante, na Venezuela, segundo Reyes(1978), estar mais localizada em reas mais secas e de baixaumidade. Parece bastante provvel, portanto, que tais fatoresambientais podem, na verdade, estar debilitando as plantas efavorecendo a infeco do fungo (Saunders, 1964). Com relao altitude, tm sido tambm observadas algumas variaes,podendo a doena estar associada tanto a altitudes variando de500 a 1200 metros, quanto a condies de baixas elevaes. Deacordo com Saunders (1964) condies adversas aodesenvolvimento da planta, so favorveis ao estabelecimento edesenvolvimento do fungo.

    Controle

    Diversas estratgias, envolvendo prticas culturais, manejoadequado com o objetivo de reduzir fontes de inculo responsveispela disseminao da doena e sobrevivncia do inseto, controlequmico tanto do inseto quanto do fungo, alm de resistnciagentica, tm sido utilizadas, embora nem sempre de forma bemsucedida, visando o controle da murcha-de-Ceratocystis.Aparentemente, nem o controle qumico do inseto ou do fungo, enem a destruio de restos infectados tem sido inteiramentesatisfatrios (Thorold, 1975; Wood & Lass, 1985). Embora algunsautores (Wood & Lass, 1985) chamem a ateno para o fato deque a remoo e queima de materiais infectados podem provocarperturbaes tanto no inseto quanto no inculo, contribuindo paraa maior disseminao da doena, outros acreditam, ainda assim,que tal prtica recomendvel j que contribui para a diminuio

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    do nvel de inculo e da populao de insetos na rea (Iton, 1966).Assim inspees freqentes com a finalidade de detectar eeliminar novos casos de plantas mortas ou doentes so bastantedesejveis para se evitar a disseminao da doena.

    Uma das recomendaes mais teis na preveno dadisseminao da doena , sem sombra de dvidas, os cuidadosadotados no sentido de minimizar danos mecnicos durante,principalmente, as prticas de poda e colheita (Thorold, 1975;Wood & Lass, 1985). A esterilizao das ferramentas com umasoluo de hipoclorito de sdio a 1% por ocasio de tais prticas;a remoo cirrgica de tecidos infectados, e a proteo dostecidos expostas com uma pasta fungicida podem apresentaralgum sucesso no controle e na disseminao da doena (Thorold,1975; Reyes, 1978; Wood & Lass, 1985).

    Conquanto os resultados obtidos com fungicidas de contatosejam pouco alentadores, alguns sistmicos tm mostrado-sebastante promissores no controle da murcha-de-Ceratocystis. NoEquador, a utilizao de tiofanato metlico no solo, antes dainoculao de plntulas, proporcionou reduo na incidncia daenfermidade. Na Venezuela resultados semelhantes foram obtidostanto com o fungicida tiofanato metlico, quanto com o benomil(Reyes, 1978).

    Uma das melhores opes de controle da murcha-de-Ceratocystis sem sombra de dvidas a utilizao da resistnciagentica. Os trabalhos de Delgado e Echandi (1965) mostraramque os materiais genticos IMC 67, Pound 12 e SPA 9 eramaltamente resistentes doena na Costa Rica. Na Colmbia, porsua vez, o ICS 6, TSA 654 e ICS 95, foram aqueles queapresentaram maiores nveis de resistncia doena(Barros,1981). Na Venezuela, Reyes (1981) encontrou que oscultivares mais resistentes eram prognies de IMC 67. No Brasil,entretanto, ainda no se tm informaes do comportamento detais materiais genticos em relao murcha-de-Ceratocystis,embora trabalhos visando a seleo de materiais resistentesencontrem-se em andamento.

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    Oliveira e Luz

    Figura 1. Sintomas da murcha-de-Ceratocystis em cacau: planta nova (a) e enxerto (b) exibido sintomade murcha e amarelecimento da folhagem, evoluindo para seca rpida e generalizada, comfolhas aderidas planta (c), e cancros e leses necrticas no caule iniciadas normalmentea partir de ferimentos na casca (d, e, f), atingindo normalmente grandes extenses do lenho(g, h). (Fotos com a autorizao e cortesia do Dr. Asha Ram).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Figura 2. Sintomas externos (a, b, f) e internos (c) da murcha-de-Ceratocystis no caule do cacaueiro: sintomas iniciados,normalmente, atravs de ferimentos durante a poda, colheita (a,b, c), e clonagem com materiais resistentes vassoura-de-bruxa,observa-se tambm plantas com enxertos ainda vivos (d, e), eoutros j mortos (f). (Fotos com a autorizao e cortesia do Dr.Asha Ram).

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    Oliveira e Luz

    Referncias Bibliogrficas

    BARROS, N. O. 1981. Cacao. Manual de Asistencia Tcnica n23. Instituto Colombiano Agropecuario, Bogot. 286 p.

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    LAWRENCE, J. S.; CAMPLO, A. M. F. L.; FIGUEIREDO, J. M.1991. Enfermidades do cacaueiro. III Doenas fngicasvasculares e radiculares. Agrotrpica (Brasil) 3(2): 65-73.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

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    WOOD, G. A. R.; LASS, R. A. 1985. Cocoa. Longman, London.620p.

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    Oliveira e Luz

    Doenas de razes

    Captulo VI

    O incentivo renovao de cacauais decadentes e expansoda cacauicultura recomendados pela CEPLAC a partir da dcadade 70, contriburam para que as doenas de razes passassema assumir maior importncia econmica. Tais doenas podemser causadas por diversos patgenos e sua importnciaeconmica varia de pas para pas. Entre as doenas radicularesde maior importncia esto aquelas conhecidas como: podrido-negra, vermelha, castanha e branca, causadas,respectivamente, por Rosellinia spp., Ganoderma philippii (Bres.& Henn.) Bres., Phellinus noxius (Corner) Cunn. e Rigidoporuslignosus (Klotzsch) Imazeki. Entre outros patgenos de destaqueesto Armillariella mellea (Vahl. ex Fr.) Karst. e Ustulina deusta(Hoffm., ex Fr.) Lind. Como fontes de inculo responsveis peloincio de surtos epidmicos das doenas radiculares docacaueiro destacam-se tocos remanescentes durante a limpezaou o raleamento da mata para a implantao da cultura.

    No Brasil, nem todas as doenas mencionadas foramidentificadas, apenas as duas primeiras tm assumido algumaimportncia econmica. A podrido-vermelha tem sidoencontrada com maior freqncia em cacaueiros jovens de atseis anos de idade (Oliveira, 1993), enquanto que a podrido-negra, pode ocasionar a morte de plantas em qualquer fase doseu desenvolvimento (Oliveira, 1992b). Existe um outro tipo depodrido de raiz associada ao fungo Mycoleptodiscus terrestris(Gerd.) Ostazeski, cuja etiologia ainda necessita ser melhorinvestigada e definida (Ram, 1979).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    1. Podrido-negra

    A podrido-negra uma doena comum em plantas lenhosastropicais e subtropicais, causadas por algumas espcies deRosellinia, embora no Brasil s tenham sido encontradas duasespcies em cacau: R. pepo Pat. e R. bunodes (Berk. et Br.)Sacc. (Oliveira, 1992a). De acordo com Waterston (1941), R.bunodes a espcie com distribuio geogrfica maisgeneralizada, ocorrendo na Amrica, frica, ndia, Indonsia (Javae Sumatra), Filipinas, Sri Lanka, Malsia e Papua-Nova Guin. NoBrasil, entretanto, a primeira espcie a que tem manifestado-secom maior prevalncia. A doena pode causar maiores danoseconmicos em plantas lenhosas, principalmente, em terrenosrecm-desmatados.

    Etiologia

    A nvel mundial, a doena pode ser causada por trs espciesde Rosellinia: R. pepo Pat., R. bunodes (Berk. et Br.) Sacc. e R.paraguayensis Starb. (Briton-Jones, 1934). No Brasil, entretanto,apenas as duas primeiras foram identificadas. Os anamorfos de R.pepo e R. bunodes so referidos na literatura como Dematophorasp. (Figura 2 b) e Graphium sp. (Booth & Holliday, 1972; Briton-Jones,1934; Brooks, 1953; Nowell, 1923). O gnero pertence classedos Pyrenomicetos, ordem Sphaeriales e famlia Xylariaceae.

    Hospedeiros

    A doena alm de apresentar importncia econmica emcacau, pode tambm assumir algum destaque nas culturas docaf, seringueira, citros, abacate, banana, guandu, cnfora,mandioca, crotalria, gengibre, fruta-po, inhame japons, noz-moscada, taioba (Xanthosoma sp.), pimenta-do-reino, ch, entreoutras (Holliday, 1980; Kranz et al., 1978; Thorold, 1975).

    Na regio cacaueira da Bahia, o fungo R. pepo foi tambmassinalado em eritrina (Erythrina spp.) (Oliveira & Lellis, 1985;

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    Oliveira e Luz

    Oliveira, 1992a) e encontrado em mais alguns hospedeiros comomangosto (Garcinia mangostana L.) (M. L. Oliveira, dados nopublicados) e pinha-do-serto (Annona squamosa L.) (J. L.Bezerra, comunicao pessoal).

    Sintomas

    A podrido-negra pode ocorrer em qualquer fase dodesenvolvimento do cacaueiro. Em plantas mais jovens comaproximadamente oito meses de idade, foi observada em reasde replantio onde, normalmente, no era procedida a remoodos restos de razes durante a erradicao das plantas mortas(Figura 2a). Em algumas situaes, o agricultor sequer removiao sistema radicular das plantas infectadas, limitando-se eliminao da sua parte area.

    Em funo da idade da planta, os sintomas da doena podemse manifestar com algumas variaes. Em cacaueiros novos, anecrose do sistema radicular se d de forma generalizada, maisou menos rpida e uniforme, enquanto que a parte areaapresenta sintomas reflexos de murcha, amarelecimento e secadas folhas, as quais permanecem ainda presas planta, mesmoaps sua morte. Em cacaueiros mais velhos, alm dos sintomasdescritos, podem ser tambm observados murcha,amarelecimento e seca das folhas, de forma apenas parcial, asquais caem deixando os galhos desfolhados, uma vez que amanifestao da doena, em tais casos, aparentemente maislenta. Muitas vezes, a planta ainda pode emitir brotaes,entretanto, estas se apresentam, freqentemente, clorticas ecom folhas pequenas. Com o progresso da infeco, ao atingir ocoleto, ocorre a morte da planta.

    Ao se inspecionar o sistema radicular, observa-se em algumassituaes, sobre a casca, estendendo-se at um pouco acimado nvel do coleto, o crescimento micelial do fungo na cor cinza-escuro, quase preto, com margens claras, que se funde paraformar uma massa carboncea com superfcie lanosa (Figura1a). Algumas vezes, quando o sistema radicular removido pode-

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    se observar tambm o crescimento do fungo sobre o solo aderidos razes (Figura 1b). Ao se remover a casca necrosada dosistema radicular, observa-se sobre o lenho a formao deestruturas miceliais (rizomorfas) em forma de leque ou estrela,com colorao esbranquiada. Tais estruturas constituem-se nossinais tpicos e diagnsticos da doena causada pela espcie R.pepo (Figura 1c, d), uma vez que no caso especfico da outraespcie, R. bunodes, elas apresentam-se com colorao escura.

    Epidemiologia

    Das duas espcies assinaladas no Brasil, Rosellinia pepo temsido a mais prevalente, embora a literatura refira-se a R. bunodescomo aquela mais virulenta e mais freqentemente encontradaem outros pases (Waterston, 1941; Sivanesan & Holliday,1972;Booth & Holliday, 1972; Gibson, 1978; Holliday, 1980). Roselliniapepo foi tambm registrada na regio cacaueira da Bahiacausando apodrecimento do sistema radicular da eritrina,comprometendo-a na sua principal funo, de proporcionarsombreamento definitivo ao cacaueiro (Oliveira & Lellis, 1985;Oliveira, 1992a). Em funo da disseminao das espcies deRosellinia se processar tanto pelo contato entre tecidos infectadose sadios, quanto atravs do prprio crescimento do fungo sobrea matria orgnica no solo (Gibson, 1978), a eritrina poderiafuncionar como um importante agente de disperso da doena, amaiores distncias, uma vez que a planta possui um sistemaradicular bem desenvolvido e sempre em contato com o cacaueiro.

    A incidncia e severidade da podrido-negra so dependentes,portanto, da sua maior ou menor capacidade de disseminaoem funo de tais fatores. A doena ocorre em reboleiras comincidncia mais ou menos elevada em decorrncia das condiestopogrficas e da maior ou menor presena de restos vegetaisno solo. Este aspecto poderia explicar, por exemplo, a maior oumenor importncia que a doena assume em certos hospedeiros,como o caso do cacaueiro, onde a presena de matria orgnicano solo grande, comparativamente a outras culturas.

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    Oliveira e Luz

    A ocorrncia da doena chega a ser inexpressiva em algumassituaes, notadamente, onde a freqncia de chuvas pequena,com pouca acumulao de hmus ou de restos vegetais, e ondeo sombreamento do cacaueiro deficitrio. Em tais condies, adisseminao lenta e restrita a pequenos focos, processando-se principalmente pelo contato entre razes infectadas e sadias.Acredita-se que a disseminao por condios ou ascsporos sejade pouca importncia tambm no Brasil, a exemplo do observadoem outros pases, uma vez que frutificaes, principalmente, doteleomorfo do fungo, so difceis de serem encontrados emcondies de campo, provavelmente em funo das plantasserem eliminadas logo aps sua morte, para que se proceda aoreplantio no local.

    Tentativas no sentido de estabelecer correlaes entreincidncia e severidade da doena com fatores de solo como:concentrao hidrogeninica, nvel de nitrognio e de matriaorgnica, disponibilidade de potssio e fsforo e taxa denitrificao, mostraram que apenas a deficincia de fsforo eraum fator comum a todas as reas estudadas. Foram encontradasevidncias de que a textura do solo, associada topografia eumidade, exerceria influncia significativa na manifestao dadoena (Waterston 1941). Apesar de no terem sido realizadoslevantamentos ou estudos epidemiolgicos com a doena, noBrasil, tem-se observado uma tendncia dela ocorrer em solosmais leves e bem drenados (Oliveira, 1992a), tal como constatadopor Howard (1901).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Figura 1. Sintomas da podrido-negra em razes de cacaueiro. Sintomase sinais diagnsticos da doena (a, b, c, d): crescimento micelialdo fungo acima do coleto (a), no solo aderido ao sistema radicular(b), e sintomas e sinais caractersticos, em forma de leque ouestrela sobre o lenho, aps a remoo da casca (c, d).

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    Figura 2. Muda de cacau morta em rea-foco replantada (a) e estruturasmicroscpicas (sinmios) caractersticas da forma imperfeita dofungo (b).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    2. Podrido-vermelha

    Acredita-se que em ordem de importncia, a podrido-vermelha, depois da podrido-negra, seja a doena do sistemaradicular do cacaueiro de maior importncia econmica, no Brasil,ocorrendo com maior freqncia em plantas de ataproximadamente seis anos de idade (Oliveira, 1993). A doenatem distribuio mundial, embora seja de particular importnciana Indonsia e na Malsia, principalmente em dend e seringueira,onde normalmente tm sido registradas perdas de at 50%.Ocorre tambm no sudeste da ndia e Papua-Nova Guin.Steyaert (1975) chamou a ateno para o fato de que os relatosda doena na frica foram baseados apenas em caracteresvegetativos, uma vez que no foram encontrados basidiocarposdo fungo.

    O fungo Ganoderma philippii (Bres. et Henn.) Bres., agentecausal da podrido-vermelha, pertence classe dosHymenomycetos, ordem Aphiloforales, famlia Ganodermataceaee apresenta a seguinte sinonmia: Fomes philippii Bres. et P. Henn.ex. Sacc.; F. pseudoferreus Wakef.; Ganoderma pseudoferreum(Wakef.) Over. & Steinm.

    A doena no ocorre apenas em plantas lenhosas. Alm daseringueira e do cacaueiro encontrada em ch, coco, cnfora,caf, mandioca e dend (Briton-Jones, 1934; Thorold, 1975; Kranzet al., 1978). No sul da Bahia foi tambm relatada em outroscultivos de importncia econmica como cravo-da-ndia (Oliveira,1992b), mandioca (Oliveira, 1993), guaran (Ram & Oliveira,1983) e urucum (Ram, 1985).

    Etiologia

    Hospedeiros

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    Oliveira e Luz

    A doena recebeu a denominao podrido-vermelha emfuno da colorao castanho-avermelhada observada sobre ocrtex das razes, principalmente, em seringueira. No casoparticular do cacaueiro, esta no uma denominaocompletamente adequada, em funo das dificuldades emvisualiz-la, o que s possvel em certos estgios da infeco eaps a lavagem do sistema radicular. No processo de diagnosedas doenas de razes, trs aspectos devem ser considerados:a) presena de rizomorfas de colorao caracterstica sobre asrazes, b) aparncia do lenho apodrecido, e c) presena dosbasidiocarpos do fungo.

    A deteco da doena em seu estgio inicial nem sempre uma tarefa fcil, uma vez que a parte area da planta apresenta-se, aparentemente, sadia at que os danos no sistema radiculartornem-se severos, atingindo o coleto, impedindo assim a absoroe translocao de gua e nutrientes para a parte area,oportunidade em que a planta morre rapidamente. Os sintomasiniciais da doena so a murcha e clorose foliar, evoluindo para oamarelecimento e seca generalizada da folhagem, a qualpermanece aderida planta mesmo aps sua morte (Figura 3a).Em fase avanada, todo o sistema radicular, incluindo a raizpivotante at o nvel do coleto, encontra-se necrosado e revestidopor rizomorfas, que ao coalescerem vo aderindo partculas desolo e restos vegetais para formar uma crosta revestida por umapelcula de colorao escura (Figura 3b, c). Tal pelcula, em contatocom os dedos, desprende-se facilmente, deixando exposto omiclio esbranquiado do fungo sobre a casca (Figura 3b, c).Estes sintomas e sinais diferem, entretanto, daqueles apresentadospela podrido-negra, uma vez que as estruturas miceliais(rizomorfas) em forma de leque ou estrela no so aqui observadas.Os sintomas descritos em cacau so tambm semelhantes aosobservados em outros cultivos de valor econmico como o cravo-da-ndia (Figura 3d, e) e o guaran (Figura 3f), sobre os quais adoena foi tambm encontrada no sul da Bahia.

    Sintomas

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Epidemiologia

    Ganoderma philippii , primariamente, um patgeno fraco quesobrevive, muitas vezes, em tecidos doentes ou mortos. Suadisseminao ocorre basicamente pelo contato entre as razese as fontes de inculo, que inicialmente, so constitudas portocos e pedaos de razes remanescentes por ocasio dalimpeza e preparo do terreno para a implantao da cultura docacau. desta forma que surgem os primeiros focos da doenanuma determinada rea. O fungo possui crescimento lento e ossintomas s so notados com clareza a partir do momento que araiz pivotante atingida. As rizomorfas raramente estendem-semais que poucos centmetros do ponto de penetrao do fungo.Seu crescimento micelial no ocorre no solo, e evidncias deque as infeces possam ser originadas atravs de esporos noso conclusivas (Holliday, 1980; Kranz et al., 1978). Sendo oprincipal mecanismo de disseminao da doena o contato entreas razes sadias e as fontes de inculo, os primeiros casos dadoena numa rea s so observados depois de alguns anos,justamente quando o sistema radicular do cacaueiro, j bemdesenvolvido, comea a entrar em contato com as fontes deinculo representadas por tocos e outros materiais infectados.Acredita-se que a associao da doena com cacaueiros maisnovos (at aproximadamente 6 anos de idade) esteja relacionadacom o fato das fontes de inculo, representadas por tocos erestos de razes, depois de algum tempo no se constituremmais em bases alimentares para o fungo, encontrando-secompletamente apodrecidas, enquanto que os cacaueirosmortos, que poderiam se constituir em novas fontes de inculo,so normalmente eliminados para que seja procedido ao replantiono local.

    Um conjunto de fatores ambientais tm sido correlacionadoscom o desenvolvimento da doena em alguns cultivos. Climaseco, primariamente, acentua a severidade dos sintomas demurcha e a morte das plantas. Fatores como m drenagem,inundao, manejo inadequado com proliferao de ervas-

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    Oliveira e Luz

    daninhas, alm de desordens nutricionais, tm sido consideradoscomo predisponentes infeco (Kranz et al., 1978).

    Um fator importante observado, no Brasil, e queaparentemente contribuiu para o aumento na incidncia edisseminao da doena, em algumas oportunidades, resultandoem srios surtos da doena na regio sul da Bahia, foi aconsorciao entre cacau e mandioca. Aparentemente, o queocorria era que ao se plantar mandioca entre fileiras de cacau sediminua a distncia entre as fontes de inculo e as razes docacaueiro, contribuindo assim para a disseminao mais rpidada doena (Oliveira, 1993).

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    Principais doenas do cacaueiro no B

    rasil

    Figura 3. Sintomas da podrido-vermelha em cacau e outros hospedeiros. Sintomas externos em plantasde cacau, mostrando folhas murchas, amareladas e secas aderidas planta (a), e em um plantiode cravo-da-ndia (d). Sintomas em razes de cacau (b, c), cravo-da-ndia (e) e guaran (f), mostrandorizomorfas e uma crosta escura sobre as razes.

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    Oliveira e Luz

    3. Podrido-castanha

    O fungo Phellinus noxius (Corner) Cunn. (=Fomes noxiusCorner) o agente causal da doena conhecida como podrido-castanha em mais de 50 gneros de plantas tropicais. Alm docacaueiro infecta cultivos de importncia econmica como:seringueira, dend, abacate, caf, mangosto, laranja, ram e ch.A doena encontrada em alguns pases da frica Ocidental, naIndonsia, Malsia e Papua Nova-Guin (Holliday, 1980; Wood &Lass, 1985). Embora exista relato na literatura da sua ocorrnciaem cacau na regio sul da Bahia, aparentemente este no foiconfirmado, permanecendo a doena confundida, por muitos anos,com a podrido-negra causada pelo fungo Rosellinia pepo Pat.(Oliveira, 1992a).

    4. Podrido-branca

    O fungo que causa a podrido-branca ocorre em diversoscultivos tropicais, tendo sido descrito inicialmente como umimportante patgeno de seringueira na Malsia (Holliday, 1980). Apodrido-branca normalmente considerada de pouca importnciaeconmica em cacau, entretanto, seu agente causal pode setornar um patgeno srio, principalmente, onde o cacaueiro plantado em consorciao com a seringueira, ou aps ela.

    O agente causal da doena, o fungo Rigidoporus lignosus(Klotzsch) Imazeki (=Fomes lignosus (Klotzsch) Bres.) amplamente distribudo no sudeste da sia, em Sri Lanka, noLeste, Oeste e na frica Central, tendo como hospedeirosprincipais: cacau, seringueira, mamo e ch (Holliday, 1980).

    5. Podrido associada a Mycoleptodiscus terrestris

    A podrido de raiz associada ao fungo Mycoleptodiscusterrestris (Gerd.) Ostazeski uma doena que pode assumiralguma importncia econmica em determinadas situaes, s

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    tendo sido constatada, at o momento, no Brasil (Ram, 1979;Lawrence et al., 1991). Na Bahia, juntamente com a murcha-de-Verticillium e as outras doenas radiculares do cacaueiro, ficouconhecida, por muito tempo, com a denominao genrica demorte sbita. No obstante a etiologia da maioria das doenasque faziam parte do complexo morte sbita ter sido elucidada,esta doena ainda permanece sem ter seu agente causal definido,embora sua associao com o fungo M. terrestris seja freqente.

    Os sintomas reflexos ou secundrios, na parte area, sosemelhantes aos descritos para as demais doenas que causama morte de cacaueiros, s sendo possvel a distino entre elaspelo exame do sistema radicular. A necrose normalmente se iniciapelas extremidades das razes laterais com a morte das radicelas,evoluindo rapidamente at atingir a raiz pivotante e causar a morte,repentina, da planta. As extremidades das razes lateraisapresentam-se necrosadas sem margens definidas, assumindouma colorao castanha, tanto no crtex, quanto no lenho, semapresentar, entretanto, como nos casos das demais doenasradiculares, quaisquer sinais do fungo. Ao se constatar uma plantacom sintomas iniciais, invariavelmente, as possibilidades de suaregenerao so pequenas, uma vez que o sistema radicular,incluindo o coleto, encontra-se totalmente necrosado.

    Controle das doenas de razes

    Embora, teoricamente, o controle das doenas de razes noseja uma tarefa to difcil, existem poucas perspectivas com baseno controle qumico, no s no que se refere eficcia dosprodutos e praticidade de implementao, mas tambm e,principalmente, quando se leva em considerao o aspecto daeconomicidade. Alguns fungicidas, como sulfato de cobre e PCNB,tm sido utilizados em outros cultivos (Wood & Lass, 1985,Thorold, 1975), entretanto, seu uso em cacau sofre restries,principalmente, no que se refere s limitaes em termos depraticidade de uso.

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    Oliveira e Luz

    Medidas de pr- e ps-plantio, adotadas em seringueira, dend,coco e caf, por exemplo, poderiam ter alguma importnciatambm na cultura do cacau, j tendo algumas delas sido inclusiveutilizadas em outros pases. Medidas preventivas como destoca eremoo dos restos vegetais por ocasio do preparo do terrenopara o plantio da cultura, teoricamente, eliminariam quaisquerproblemas futuros com a maioria das doenas radiculares docacaueiro, entretanto, sua adoo poderia ser inviabilizada pelaelevao dos custos de implantao de novas reas. A utilizaode cobertura vegetal com leguminosas, utilizada com sucesso emseringueira, seria tambm de pouca viabilidade na cultura do cacau.

    Quando as doenas de razes encontram-se j instaladasnuma rea, e medida que vo surgindo novas plantas mortas, recomendada sua eliminao, procurando retirar do solo a maiorparte dos pedaos e fragmentos de razes, a fim de evitar oaparecimento de novos focos. Todo o material removido deve serretirado e queimado. Inspees freqentes em fazendas comhistria de ocorrncia de doenas de razes so recomendadas,buscando-se detectar plantas em estgio inicial de infeco,embora, em se tratando de cacau, esta no seja uma tarefa dasmais fceis. Na fase inicial, cal ou calcrio, na proporo de doisquilogramas por planta, tm sido utilizados com algum sucessono controle, principalmente, da podrido-vermelha. A aplicao doscorretivos deve se estender s plantas circunvizinhas para evitar adisseminao da doena. Na opo de se proceder ao replantio nomesmo local, recomendado tambm o tratamento do solorevolvido com igual quantidade dos corretivos, principalmente,quando se tratar da podrido-vermelha (Oliveira, 1993).

    O isolamento de plantas infectadas atravs de trincheiras,tambm adotado em seringueira (Liu & Liew, 1975), no temencontrado aplicabilidade prtica na cultura do cacau no Brasil.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Cancros

    Os cancros do cacaueiro so de registro bastante antigo,remontando-se ao sculo dezenove. Durante muitos anos foramgenericamente atribudos ao fungo Phytophthora palmivora (Butl.)Butl., entretanto, mais recentemente, outros tipos de cancro comoo de Lasiodiplodia (Oliveira, 1983, 1992) e outro associado aofungo Nectria sp. foram tambm assinalados na regiocacaueira da Bahia (Oliveira & Bezerra, 1982).

    1. Cancro-de-Phytophthora

    O cancro causado por Phytophthora foi relatado pela primeiravez em 1833 por Porter, mas sua etiologia s foi definida em 1910por Rorer e Petch trabalhando em Trinidad e Sri Lanka,respectivamente (Rorer, 1910; Petch, 1910).

    A doena, no tem causado preocupaes srias no Brasil(Bondar, 1936; Lellis, 1964; Thorold, 1967) e nem na frica(Crowdy, 1947; Thorold, 1967, 1975; Firman & Vernon, 1970);entretanto, em condies favorveis, chega a provocar prejuzosconsiderveis, como os observados na regio cacaueira daBahia, em 1970 (Rocha & Ram, 1971) e nos estados da Bahia eEsprito Santo em 1979 (Pereira & Pizzigatti, 1980), onde foiregistrado um surto severo da doena (Lawrence et al., 1991).Levantamentos efetuados mostraram um elevado nmero deplantas em processo de morte ou j mortas.

    CaptuloVII

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    Oliveira e Luz

    Etiologia

    Durante muito tempo o cancro causado por Phytophthoraera atribudo genericamente espcie Phytophthora palmivora(Butl.) Butl. Sabe-se, atualmente, que outras espcies, como ocaso de P. citrophthora (Smith et Smith) Leonian, podem tambmestar envolvidas na sua etiologia.

    Hospedeiros

    O gnero Phytophthora, segundo Newhook et al. (1978),compreende em torno de 43 espcies vlidas causando umgrande nmero de doenas em um nmero cada vez maior deplantas incluindo: cultivos alimentares, essncias florestais,plantas ornamentais, rvores frutferas tropicais e subtropicais,alm de cultivos tropicais, de valor para exportao, como ocaso do cacau. Com relao s trs espcies de Phytophthoraque ocorrem em cacau, no Brasil, a maioria dos seus hospedeiros nativa tanto na sia quanto nas Amricas do Sul e Central.

    Sintomas

    Os sintomas do cancro-de-Phytophthora compreendemmanchas mais ou menos circulares a oblongas no tronco, commargens difusas, apresentando colorao roxa a preta, variandoem intensidade e com aparncia seca (Figura 1e, f). Em estgiomais avanado da infeco, um fluido avermelhado normalmente notado exsudando de rachaduras sobre a casca,tornando-se um depsito castanho-avermelhado, ficando as reasem torno das rachaduras normalmente deprimidas (Rorer, 1910;Pereira & Pizzigatti, 1980). Na maioria das vezes, este tipo decancro ocorre no tronco at um metro de altura do solo, podendoatingir em torno de 50 cm de comprimento e tomar todo o seudimetro. Removendo-se a casca infectada, nota-se sobre o lenhoo tecido infectado de colorao violeta.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Epidemiologia

    Somente em condies favorveis que se tem observado aocorrncia de surtos srios do cancro-de-Phytophthora. Rocha eRam (1971) associaram-no a temperaturas baixas e a chuvas,excepcionalmente intensas e prolongadas no ano de 1970, ePereira e Pizzigatti (1980), a um perodo prolongado de chuvasque provocaram inundaes, principalmente, nos vales de algunsrios dos estados da Bahia e Esprito Santo, no ano de 1979. Parece,portanto, que as maiores epidemias do cancro-de-Phytophthoraocorrem em perodos excepcionalmente midos, com saturaode gua provocada por chuvas intensas e prolongadas.

    2. Cancro-de-Lasiodiplodia

    Em alguns pases, o cancro-de-Lasiodiplodia tem sidoassociado a condies ambientais diferentes daquelas que,normalmente, so favorveis ao cancro-de-Phytophthora, taiscomo seca, sombreamento deficitrio e baixa fertilidade do solo(Firman & Vernon, 1970) o que, por si s, poderia explicar aocorrncia de outros tipos de cancro sendo causados porpatgenos diferentes de Phytophthora. Entre eles, esto espciesde Fusarium ou seus estgios teleomrficos de Nectria (Firman,1974; Oliveira & Bezerra, 1982) e Calonectria (Johnston,1964;Firman & Vernon, 1970; Firman, 1974), alm do fungoLasiodiplodia theobromae (Pat.) Griffon & Maubl. (Maitland, 1924;Firman, 1974; Reyes, 1978). Na Venezuela, L. theobromae foitambm relatado (Reyes, 1978) como agente causal de um tipode cancro semelhante ao observado no Brasil (Oliveira, 1983,1992).

    Etiologia

    O teleomorfo de Lasiodiplodia theobromae (Pat.) Griff. foidescrito como Physalospora rhodina Berk & Curt. O fungo pertence

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    Oliveira e Luz

    classe dos Coelomicetos e apresenta a seguinte sinonmia:Botryodiplodia theobromae Pat.; B. gossypii Ellis & Barth.; Diplodiatheobromae (Pat.) W. Nowell; D.gossypina Coke; D. natalensis Pole-Evans; D. tubericola (Ellis & Everth.) Taubenhaus; Lasiodiplodiatriflorae Higgins; L. tubericola Ellis & Everth.

    Hospedeiros

    Lasiodiplodia theobromae um patgeno secundrio quenecessita normalmente de ferimentos para que penetre nohospedeiro, um saprfita, que particularmente comum emtemperaturas relativamente altas, sendo de ampla distribuiomundial e ocorrendo em pelo menos 280 gneros de plantasvasculares. Seus hospedeiros mais conhecidos e importantesso: banana, cacau, coco, dend, seringueira, mandioca, inhame,batata doce, citros, soja, algodo, quiabo, tomate, mamona,manga, entre outros.

    Sintomas

    Em alguns municpios da regio cacaueira da Bahia, o cancro-de-Lasiodiplodia pode assumir uma elevada incidncia, comoocorreu nos municpios de Itap e Pau Brasil no ano 1982, ondefoi registrada intensa mortalidade de cacaueiros em reas derenovao por baixo, ocupadas por plantios tradicionais edecadentes, e por cacaueiros novos com um e meio a dois anosde idade (Oliveira, 1992).

    Os sintomas da doena caracterizam-se pelo aparecimentode manchas escuras na casca de todas as partes lenhosas daplanta (Figura 1a), as quais correspondem a reas necrticas nolenho, com colorao castanha a avermelhada. Internamente asreas das leses so freqentemente de maiores propores queas observadas sobre a casca, onde, muitas vezes, os sintomasrestringem-se, praticamente, ao ponto de penetrao do fungo,

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    enquanto internamente os danos chegam a atingir quase todo odimetro do lenho, em uma extenso bem superior (Figura 1b, c).Em fase avanada, a casca apresenta-se com consistnciaendurecida, enrugada e, s vezes, fendilhada (Figura 1a). medida que a necrose atinge a maior parte do dimetro do lenho,observam-se a murcha, o amarelecimento e a seca das folhasem galhos, ou na planta como um todo, dependendo do local deinfeco. Em cacaueiros novos, e em tecidos em processo decrescimento rpido observam-se tambm a hipertrofia das reasatacadas (Figura 1d), rachaduras da casca e exsudao de umfluido avermelhado. Nas reas hipertrofiadas, ao se efetuarperfuraes com a ponta do faco, observa-se freqentemente aliberao de gua sob forte presso.

    Epidemiologia

    Durante muito tempo, ao se observar qualquer tipo de cancroem cacau, imediatamente o associava a Phytophthora, ainda queo quadro sintomatolgico fosse diferente daquele normalmenteinduzido por este patgeno. Muitas vezes, as condiesambientais observadas eram completamente adversas quelasque, normalmente, favorecem o cancro-de-Phytophthora e, aindaassim, a associao era estabelecida. Como ilustrao, pode-secitar o fato de que em alguns pases, sintomas de cancro estotambm associados a fatores como: seca, sombreamentodeficitrio e baixa fertilidade do solo (Firman & Vernon, 1970; Wood& Lass, 1985), condies estas normalmente desfavorveis sespcies de Phytophthora.

    O fungo tambm infecta frutos, causando o que se denominapodrido-mole. Em reas com elevada ocorrncia de cancro,tambm se observa maior incidncia do fungo em frutos. Opatgeno tem estado envolvido ainda no complexo responsvelpela doena denominada morte-descendente do cacaueiro. Turner(1967) discutiu em detalhes esta doena e concluiu que L.theobromae deveria ser considerado um invasor secundrio ao

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    Oliveira e Luz

    lado de Albonectria rigidiuscula (B. & Br.) Rossman & Samuels(sinnimo: Calonectria rigidiuscula (B. & Br.) Sacc.) (anamorfoFusarium descemcellulare Brick).

    O cancro-de-Lasiodiplodia normalmente se manifesta commaior incidncia e severidade em cacaueiros com baixo vigorvegetativo, quando submetidos a algum tipo de estresse. Assim,a doena mais prevalente em reas mal sombreadas, onde ograu de infestao e o ataque de insetos perfuradores so maisintensos, facilitando a penetrao do fungo. Na maioria das vezesobserva-se a associao da doena com ferimentos provocadosdurante a poda e a colheita, que se constituem em portas deentrada para o fungo, normalmente considerado um patgenofraco ou um colonizador secundrio, comum em regies de climasquentes, mas que, sob condies favorveis, pode se tornar maisagressivo, chegando a causar perdas considerveis,principalmente, em reas de transio da regio cacaueira daBahia, sujeitas as deficincias hdricas.

    Controle dos Cancros do Cacaueiro

    Em funo de poucas pesquisas terem sido realizadas at omomento com o cancro de Lasiodiplodia, as recomendaesvisando o seu controle baseiam-se no bom senso e naquelasadotadas para o cancro de Phytophthora. Tais medidas envolvema adoo de prticas teraputicas e profilticas compreendendoa remoo cirrgica de tecidos infectados e a proteo das reasexpostas com uma pasta cicatrizante base de fungicidasprotetores (cpricos e mancozeb). Se os sintomas ocorrem emgalhos, recomenda-se a sua eliminao por meio de cortesefetuados 20 a 30 cm abaixo das reas necrosadas. No caule,em fase inicial da doena, a remoo dos tecidos infectados ainda possvel, mas em fase avanada, principalmente no caso docancro de Lasiodiplodia, tal procedimento na maioria das vezes impraticvel, em funo da necrose j ter atingido a maior partedo dimetro do tronco. Em tais condies, recomenda-se a recepa

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    da planta abaixo da rea necrosada, atravs de cortes em formade bisel, e a proteo dos tecidos expostos com uma pastacicatrizante base de fungicidas, para permitir a regenerao daplanta pela emisso de um chupo (broto) basal. Recomenda-setambm a pulverizao das plantas infectadas e dascircunvizinhas com fungicidas protetores, principalmente, os base de cobre e mancozeb. Como medidas complementares sugerem-se evitar danosmecnicos desnecessrios durante as prticas de poda e colheitae a regularizao das condies de sombreamento. Pulverizaescom inseticidas ou misturas destes com fungicidas seriamtambm desejveis, desde que compatveis, principalmente, emreas mal sombreadas onde a infestao com pragas normalmente mais elevada.

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    Oliveira e Luz

    Figura 1. Sintomas do cancro-de-Lasiodiplodia em caules de cacaueiro:leses deprimidas no local de penetrao do fungo, apresentandomanchas escuras na casca (a), e cortes, progressivamente maisprofundos no lenho, mostrando a dimenso da rea necrosada(b, c). Hipertrofia de reas atacadas em caules de plantas jovens(d). Sintomas do cancro-de-Phytophthora em caules de cacaueiro(e, f).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Morte-descendente

    Captulo VIII

    A denominao morte-descendente, na verdade, refere-se aotipo de sintoma caracterizado pela seca progressiva dos galhosdo cacaueiro iniciada, normalmente, nas suas extremidades, eque progride no sentido descendente at atingir o caule e as razes,ocasionando a morte da planta. Tais sintomas, entretanto, podemestar associados a diversas doenas e, muitas vezes, ter seudesenvolvimento condicionado a mais de uma causa primria,desde aspectos fisiolgicos e patolgicos, at ao ataque depragas. Algumas destas doenas, antes de ter sua etiologiaesclarecida, foram genericamente denominadas de dieback(morte-descendente), como so os casos da murcha-de-Verticillium (Trochm, 1972) e da doena causada pelo fungoOncobasidium theobromae Talbot & Keane, conhecida comovascular-streak dieback, que s foi encontrada at o momentona sia (Wood & Lass, 1985).

    Etiologia

    A morte-descendente ocorre em praticamente todos os pasesonde se cultiva cacau, podendo estar associada s mais diversascausas (Turner, 1967). No Brasil, alm das doenas cometiologias j esclarecidas que, eventualmente, podem apresentarsintomas de morte-descendente, ainda so encontrados casosque no se enquadram na etiologia de tais doenas, podendoestar associados a mais de uma causa primria, como: fatoresambientais, fisiolgicos e nutricionais adversos, alm do ataquede fungos ou insetos, ou ainda, da ao conjunta de dois ou mais

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    Oliveira e Luz

    destes fatores (Thorold, 1975; Turner, 1967; Wood & Lass, 1985).Desta forma, a doena tem sido, mais freqente, em reassujeitas a estresses hdricos e nutricionais, em solos poucoprofundos, em reas expostas ao sol e sujeitas ao do vento eao ataque de pragas, que alm de causar danos fsicos e deproduzir toxinas, abrem portas de entrada, facilitando a penetraode fungos normalmente caracterizados como patgenos fracos,como so os casos de Lasiodipodia theobromae (Pat.) Griff.Fusarium decemcellulare Brick (teleomorfo Albonectria rigidiuscula(B. & Br.) Rossman & Samuels (sinnimo: Calonectria rigidiuscula(B.& Br.) Sacc.), e Colletotrichum gloeosporioides (Penz.)Sacc.(Turner, 1967; Liu & Liew, 1975; Bastos & Evans, 1979;Lawrence et al., 1991).

    Hospedeiros

    Os principais fungos associados morte-descendente docacaueiro so amplamente distribudos atravs dos trpicos,podendo ocorrer num grande nmero de cultivos de valor econmico,entre os quais: a mangueira, a bananeira, a seringueira e o inhame(Madelin & Uduebo, 1974; Verma & Sing, 1971; Walker, 1950).

    Sintomas

    A doena caracteriza-se pela morte de ramos e galhos,iniciando-se normalmente nas suas extremidades e evoluindo nosentido descendente, podendo atingir at o sistema radicular ecausar a morte da planta se no forem tomadas medidas paraconter o seu progresso. Os galhos assumem inicialmente umacolorao castanha, tornando-se ressecados (Turner, 1967), e asfolhas, de forma no generalizada, comeam a murchar, amarelar,retorcer, exibindo freqentemente margens ou reas necrticas nolimbo, comeam a cair, deixando a planta emponteirada edesfolhada, e com aspecto debilitado (Figura 1a, b, c). Dependendo

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    da severidade, os sintomas evoluem podendo atingir o tronco eas razes e provocar a morte das plantas (Figura 1d, e).

    Ao se inspecionar os tecidos lenhosos de ramos e galhos,pela raspagem da casca, observa-se uma zona de transio ntidaentre os tecidos sadios e infectados, normalmente, com acolorao castanha (Figura 1d, e).

    Epidemiologia

    Diversos fatores tm sido associados ao aparecimento damorte-descendente, entretanto, so poucas as evidnciasconcretas de que tal relao seja direta (Ram et al., 1971; Thorold,1975). Assim, condies normalmente desfavorveis plantacomo: fatores ambientais relacionados ao tipo de solo, seusaspectos qumicos, fsicos e estruturais; dficits hdricos; carnciade sombreamento com aumento na insolao, e diminuio naproteo do solo, e do seu nvel de umidade; exposio ao sol e aventos; fatores nutricionais, envolvendo nutrio desbalanceadaou pobre, contribuindo para uma maior susceptibilidade das plantaaos fungos, ou ainda deficincias ou excesso de mineraisessenciais, causando toxicidade, podem tambm estarassociados com a morte-descendente (Turner, 1967; Wood &Lass, 1985). Fatores adicionais compreendem: resposta varietal;ataques de pragas (Liu & Liew, 1975); diminuio na resistnciada planta, concomitante reduo no seu vigor, predispondo-aao ataque de fungos que normalmente no causam quaisquerproblemas em tecidos sadios, uma vez que so patgenosfracos (Turner, 1967).

    Controle

    Em decorrncia da morte-descendente estar associada,muitas vezes, ao de duas ou mais causas primrias, o seucontrole naturalmente requer, na maioria das vezes, a adoo de

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    Oliveira e Luz

    mais de uma estratgia. Na verdade, existem poucas informaesdisponveis baseadas em experimentao e muitas dasevidncias para o controle bem sucedido da doena so indiretase circunstanciais. No Brasil, assim como em outros pasesprodutores de cacau, resultados satisfatrios tm sidoconseguidos utilizando-se um conjunto de medidas que envolvema eliminao e queima de galhos atacados, normalmente,cortados um palmo abaixo da regio de transio entre os tecidossadios e doentes; proteo tanto dos tecidos expostos quantodas plantas em reas-foco com fungicidas de contato, tais comoos base de cobre (Kay, 1959; Thorold, 1975) e mancozeb; eonde se fizer necessrio, recomenda-se a recomposio dosombreamento, o controle de pragas (Ali, 1972; Marchart, 1969)e a adubao do solo, no sentido de favorecer a recuperao deplantas debilitadas.

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    Principais doenas do cacaueiro no B

    rasil

    Figura 1. Sintomas da morte-descendente do cacaueiro: aspecto de uma rea afetada (a),sintomas de amarelecimento no generalizado das folhas, que ao carem deixam asplantas emponteiradas e desfolhadas (a, b, c), e necrose dos tecidos do lenho,mostrando zona de transio entre os tecidos sadios e infectados (d, e).

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    Oliveira e Luz

    Referncias Bibliogrficas

    ALI, F. M. 1972. Effect of gamma BHC against capsids on cocoain Ghana. Expl. Agriculture 8: 73-77.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Mal-rosado

    Captulo IX

    O mal-rosado atualmente uma doena pouco observadana regio cacaueira da Bahia, embora tenha assumido algumaimportncia econmica nas dcadas de 70 e 80, em decorrnciado incentivo do governo expanso da cacauicultura e arenovao de cacauais decadentes. No momento, com a prticada clonagem utilizando-se materiais resistentes vassoura-de-bruxa, a doena teria grandes chances de reaparecer, podendovoltar a assumir alguma importncia econmica, uma vez que mais prevalente em plantios jovens, de at cinco anos de idade. Omal-rosado uma doena encontrada normalmente em regiestropicais e sub-tropicais, tendo sido registrada no Brasil, Colmbia,Peru, Malsia, Samoa Ocidental, Camares, Gana, Nigria, Papua-Nova Guin e Trinidad (Liu & Liew, 1975; Wood & Lass, 1985).

    Etiologia

    A doena causada pelo fungo Erythricium salmonicolor (Berk.& Br.) Burdsall (sinnimo: Corticium salmonicolor Berk & Br.)(anamorfo Necator decretus Mass.), pertencente classe dosBasidiomicetos, subclasse Holobasidiomycetidae, ordemStereales, famlia Corticiaceae, que apresenta basidiomasefusos, formando uma crosta rosada em ramos e galhosinfectados, normalmente aparecendo como uma fina camada(himnio) de basdios claviformes ou cilndricos, combasidisporos elipsides, os quais constituem as unidadesinfectivas do patgeno.

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    Oliveira e Luz

    Hospedeiros

    O fungo j foi assinalado em mais de 100 gneros de plantas,sendo algumas de interesse econmico como: cacau, citros, caf,ch (Camelia sinensis L.), eucalipto, pimenta-do-reino, seringueira,entre outras, podendo tambm ocorrer em plantas utilizadas emcoberturas do solo, como: crtons, feijo-guandu (Cajanus cajan(L.) Huth.) e Tephrosia spp. (Briton-Jones, 1934; Liu & Liew, 1975;Wood & Lass, 1985).

    Sintomas

    Os sintomas iniciais da doena so caracterizados peloaparecimento de pstulas estreis, esbranquiadas, em ramose galhos (Figura 1a), dando origem a um miclio finoesbranquiado em forma de teia (Figura 1b), que se espalha sobrea superfcie dos galhos, penetrando o crtex e o cmbio eacarretando a sua seca (Luz & Ram, 1980). Com a evoluo doquadro sintomatolgico observa-se o aparecimento de fendas nacasca, culminando com o surgimento da crosta rosadacaracterstica (Figura 1c, d). Tais sintomas e sinais em associaocom o aparecimento de galhos secos mostrando folhas presas,permitem um fcil diagnstico da doena. Em plantas jovens adoena mais freqente em galhos e no caule, normalmente,prximo forquilha, podendo nestes casos ocasionar a seca detoda a copa da planta.

    Epidemiologia

    A disseminao da doena se d normalmente pelo vento,embora chuva tenha tambm um papel importante na suadisseminao no interior da copa (Almeida & Luz, 1986; Luz etal., 1985 b). Temperaturas mdias em torno de 25 C e umidadesrelativas do ar prximas saturao so condies favorveis

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    ao seu desenvolvimento, enquanto temperaturas acima de 30 Cinibem o aparecimento de sintomas e a esporulao do fungo(Luz & Bezerra, 1982).

    A doena de ocorrncia sazonal na Bahia, sendo mais comumem reas mal sombreadas (Luz, 1982). Manifesta-se maisativamente entre maro/abril e setembro/outubro na regio Sul, eentre abril/maio e agosto/setembro no Recncavo, e os maiorespercentuais de incidncia so normalmente observados nosmeses de junho, julho e agosto, em ambas regies (Luz et al.,1985a; Luz et al., 1997; Lawrence et al., 1991).

    Controle

    O mal-rosado, aparentemente, no uma doena de difcilcontrole. Muitas vezes, apenas medidas teraputicas e profilticasenvolvendo a remoo de galhos infectados cortados 20 a 30centmetros abaixo do tecido necrosado, e proteo dos tecidosexpostos com uma pasta fungicida a 5%, normalmente basede cobre ou mancozeb, j proporciona um controle adequado dadoena. Pulverizaes com xido cuproso e mancozeb, emcombinao com a poda fitossanitria tambm apresentameficcia no seu controle (Luz et al., 1997).

    Avaliaes de fungicidas em condies de campo, no Brasil,mostraram uma maior eficcia do fungicida sistmicopropiconazole e dos protetores xido cuproso e de um produto base de oxicloreto de cobre, maneb e zineb no controle da doena(Ram et al., 1982; Wood & Lass, 1985).

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    Oliveira e Luz

    Figura 1. Sintomas e sinais caractersticos do mal-rosado do cacaueirocausado por Erythricium salmonicolor (sinnimo: Corticiumsalmonicolor): estruturas miceliais de colorao rosa-claro emforma de pstulas (a), miclio esbranquiado fino sobre a cascasemelhante a teia de aranha (b), e crosta rosada caractersticada doena (c, d).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Referncias Bibliogrficas

    ALMEIDA, L. C. C.; LUZ, E. D. M. N. 1986. Ao do vento nadisseminao do mal-rosado do cacaueiro. Revista Theobroma(Brasil) 16: 133-140.

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    WOOD, G. A. R.; LASS, R. A. 1985. Cocoa. 4 ed. London, Longman.620p.

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    Oliveira e Luz

    Galha-floral

    Captulo X

    A galha-floral ou galha da almofada floral, tambm conhecidacomo buba floral a denominao para um conjunto de tipos dehipertrofias, que se manifestam tanto no tronco quanto nos galhosdo cacaueiro, conhecidas como: galhas de ponto verde, floral, deboto, de disco e de leque (Thorold, 1975; Wood & Lass, 1985,Lawrence et al., 1991). A doena existe em quase todos os pasesprodutores de cacau, mas costuma ser mais importante nospases das Amricas Central e do Sul (Wood & Lass, 1985). Asmaiores ocorrncias da doena foram registradas na Nicargua,Venezuela, Colmbia, Papua e Nova Guin (Hutchins, 1960;Reyes, 1978; Siller, 1961; Thorold, 1975; Wood & Lass, 1985).Seus danos so de difcil avaliao, podendo ocorrer variao nocomportamento dos materiais genticos em diferentes regies(Reyes, 1978; Reyes et al., 1960). Na Venezuela foram registradosplantios com elevada incidncia e severidade, onde 90% dasplantas encontravam-se afetadas e com produo praticamentenula (Reyes, 1978). Existem tambm relatos de incidncias dadoena em torno de 75% tanto na Nicargua quanto na Colmbia(Wood & Lass, 1985). No Brasil, sua ocorrncia tem sidoespordica tanto na regio Amaznica quanto no sul da Bahia,no chegando a causar prejuzos srios. Atualmente, a doenavem se manifestando com alguma freqncia em funo dosnovos plantios e da clonagem com materiais genticos, queembora resistentes vassoura-de-bruxa, apresentam algumasusceptibilidade a ela.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Etiologia

    possvel que nem todas as formas de galhas conhecidaspossuam o mesmo agente etiolgico, entretanto, as duasprincipais formas, ponto verde e floral, tm sido atribudas aFusarium decemcellulare Brick. (teleomorfo Albonectriarigidiuscula (B. & Br.) Rossman & Samuels (sinnimo:Calonectria rigidiuscula (B. & Br.) Sacc.), fungo pertencente aosfungos anamrficos, ordem Moniliales e famlia Tuberculariaceae.Possui miclio cotonoso, com colorao prpura, produzindo doistipos de esporos, os macrocondios medindo de 50-60 x 4-6micrmetros, com vrios septos com forma caracterstica decanoa, e os microcondios, unicelulares, ovides a oblongos,medindo 5-9 x 3-5 micrmetros.

    Hospedeiros

    Embora a galha-floral tenha sido registrada primeiro nocacaueiro, existem conjecturas da sua relao com algumasestruturas semelhantes que ocorrem em outros hospedeiros.Em estudos realizados na Guiana, a doena foi transmitida paramanga e Cajanus sp. (Thorold, 1975) utilizando-se inculoproveniente de cacau. Em sementes de melo e girassol,inoculadas com suspenses de esporos de um isolado deAlbonectria rigidiuscula proveniente de cacau, foi possvel areproduo e o desenvolvimento de alguns sintomas da doena(Hansen, 1963). Da mesma forma, foi observada a formaode pequenas galhas em Vigna ungiculata inoculadas com umisolado de cacau (Brunt & Warton, 1962). Outras plantas, taiscomo caf podem tambm ser infectadas por C. rigidiuscula,entretanto, no existem evidncias do papel deste ou de outrospossveis hospedeiros em relao a doena, na natureza(Thorold, 1975).

  • 104

    Oliveira e Luz

    Sintomas

    Os sintomas dos principais tipos de galhas podem semanifestar tanto nos galhos quanto no tronco, sendo normalmentecaracterizados pelo desenvolvimento anormal e hipertrofiado detecidos infectados, aparecendo como superbrotaes,principalmente em almofadas florais (Figura 1a, b, c, d, e, f). Soformadas por inmeras gemas que no se desenvolvem,permanecendo compactas, com a aparncia de couve-flor,estando ligadas planta por um pednculo curto e lenhoso. Oseu tamanho varia normalmente entre 10 e 15 centmetros dedimetro (Hutchins, 1960). Os tecidos internos possuemcolorao clara e textura macia ramificando-se, lateralmente, apartir do pednculo central. Podem permanecer verdes durantequatro a cinco meses, passando ento a secar e a assumir umacolorao castanha (Thorold, 1975). Plantas podem apresentargalhas de ponto verde desde idades jovens, entretanto, sua maiorfreqncia, como tambm da galha-floral, parece estar associada ativao das almofadas florais durante as etapas iniciais deproduo. Com o aumento na idade das plantas, a incidncia dadoena tende a diminuir.

    Epidemiologia

    Na Venezuela, a doena se manifesta em uma grandediversidade de condies ambientais, com as maiores incidnciasocorrendo em situaes de alta luminosidade, em solosadubados, e durante perodos de menores precipitaespluviomtricas (Reyes,1978). Na Nicargua, entretanto, osmaiores tamanhos e incidncias de galhas coincidem com osperodos de maior crescimento da planta durante a estaochuvosa (Gorenz, 1960; Thorold, 1975). Normalmente as galhasmorrem no final da estao de crescimento, voltando a sedesenvolver no ano seguinte (Gorenz, 1960). Em Trinidad, poroutro lado, incidncias mais elevadas da doena so observadas

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    durante os perodos chuvosos, havendo evidncias de que osmaiores tamanhos de galhas, principalmente, de ponto verde,ocorrerem em reas sombreadas (Goberdhan & Ganpat, 1960).Em Costa Rica, ao contrrio, foram registradas maioresincidncias e disseminao da doena em reas mal sombreadas(Molina & Desrosiers, 1965). No Brasil, em decorrncia dapequena importncia econmica, a doena tem sido poucoestudada.

    Controle

    A despeito de no terem sido efetuados levantamentosvisando avaliar a importncia econmica da doena na regiosul da Bahia, tem se observado que ela comeou a apresentarmaior incidncia com o plantio dos novos materiais genticoscom resistncia vassoura-de-bruxa recomendados pelaCEPLAC. Fato semelhante foi tambm registrado em CostaRica, onde alguns clones UF mostraram-se resistentes,enquanto outros apresentaram diferentes nveis desusceptibilidade (Brenes & Enrquez, 1982; Hutchins et al., 1959,1964). No Equador, o SCA 6 e algumas selees locais (EET),estavam entre os materiais que no apresentaram sintomas dadoena (Thorold, 1975). Na frica, por sua vez, foram observadasmaiores incidncias em materiais trinitrios que em amelonados(Gorenz, 1969; Longworth, 1960; Tinsley, 1960).

    No Brasil, embora no tenham sido ainda realizadas pesquisas,principalmente no que se refere ao controle qumico, em decorrnciada sua pequena importncia econmica, acredita-se que a doenano seja de difcil controle, j que sua incidncia mesmo nosmateriais mais susceptveis, ainda muito baixa, e em tais casos,apenas a remoo dos tecidos afetados, com a proteo dos tecidosexpostos com uma pasta fungicida base de cobre ou mancozeb,por exemplo, a 5%, alm da pulverizao das plantas infectadase circunvizinhas com os fungicidas mencionados ou ainda comalguns sistmicos do grupo dos benzimidazis j seria suficientepara se ter um controle adequado da doena.

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    Oliveira e Luz

    Figura 1. Sintomas da galha-floral, causada por Fusarium decemcellulare em diferentes partes do cacaueiro:tipos e tamanhos de galhas em almofadas florais infectadas (a, b, c, d, e, f).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Referncias Bibliogrficas

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    Oliveira e Luz

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Antracnose

    Captulo XI

    A antracnose do cacaueiro apresenta uma distribuio mundial,j tendo sido constatada em quase todos os pases produtores.Pode afetar folhas, ramos e frutos em qualquer idade, nochegando, entretanto, a assumir qualquer importncia econmica,uma vez que seus efeitos principais so mais pronunciados emfolhas e ramos. A doena pode apresentar alguma importnciaeconmica na Colmbia (Barros, 1981), e em pases do oeste dafrica e sudeste da sia.

    Etiologia

    A antracnose causada pelo fungo Colletotrichumgloeosporioides Penz., (teleomorfo: Glomerella cingulata(Stoneman) Spauld. & H. Schrenk) pertencente aos fungosanamrficos, ordem Melanconiales, famlia Melanconiaceae. Ofungo produz condios ovides ou oblongos e hialinos emconidiforos simples e alongados, alm de setas escurascaractersticas, em estruturas sub-epidrmicas, conhecidascomo acrvulos. Em meio de cultura, o fungo desenvolve-serapidamente, dando origem a colnias cinza com massas decondios de cor amarelada.

    Hospedeiros

    O fungo possui ampla distribuio mundial ocorrendo em

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    Oliveira e Luz

    diversos hospedeiros, sendo entretanto bastante comum emabacate, manga, caju, banana e citros.

    Sintomas

    A doena infecta folhas, ramos e frutos, sendo sua incidnciamuito mais pronunciada em folhas e lanamentos novos, osquais so normalmente mais susceptveis doena (Barros,1981). Folhas atacadas apresentam manchas necrticas de corescura, iniciando-se normalmente a partir do pice, atingindoas margens e em seguida a maior parte do limbo foliar eocasionando o seu enrolamento. No raro se observa a maioriados ramos de uma planta aparecerem infectados (Reyes, 1978).O fungo infecta tambm pecolos e ramos, causando a quedaprematura de folhas, e muitas vezes, a emisso de ramoslaterais dando um aspecto de superbrotamento, entretanto, taissintomas diferem daqueles apresentados pela vassorua-de-bruxa(Desrosiers, 1960). O patgeno pode tambm provocar a morte-descendente dos galhos ou at da planta como um todo. Emfrutos jovens, os sintomas podem manifestar-se na forma deinmeras pontuaes pequenas, escuras e midas, a partir dasquais o fungo se desenvolve formando leses necrticas com halosclorticos (Figura1a, b), podendo atingir as amndoas e causar oretardamento no desenvolvimento dos frutos (Hardy, 1961). Emfrutos adultos os sintomas surgem como manchas escuras,deprimidas, isoladas e midas, as quais podem coalescer semcausar, entretanto, danos srios (Reyes, 1978) (Figura 1c, d).Quando se examina o centro das leses, nota-se freqentementea presena de uma massa pulverulenta, amarelada, correspondentes frutificaes do fungo (Wood & Lass, 1985).

    Epidemiologia

    Em funo da grande quantidade de massas de esporosproduzidas em ramos e frutos infectados, a chuva, o vento, e at

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    mesmo os insetos podem desempenhar um importante papel nadisseminao da doena. Em viveiros, a multiplicao e adisseminao do fungo podem ser rpidas, favorecidasprincipalmente pela gua de irrigao e por respingos procedentesdo solo. Uma vez que temperaturas altas favorecem normalmentea emisso de lanamentos novos, principalmente em reas maisexpostas luz, existe a tendncia do fungo se estabelecer emtais condies, principalmente, se no forem corrigidos osproblemas de carncias nutricionais normalmente observadas emtais situaes (Reyes, 1978).

    Controle

    Proceder a remoo de tecidos mortos e de frutos infectadosa fim de diminuir o potencial de inculo e reduzir a incidncia dadoena (Wood & Lass, 1985). Efetuar pulverizaes comfungicidas base de cobre, quando necessrio, seguindo asmesmas orientaes adotadas no controle da podrido-parda,ou ento com o fungicida mancozeb a 2% do produto comercial(80% do princpio ativo) em plantios comerciais, ou a 0,3 % notratamento de mudas em condies de viveiros e campo. NaVenezuela, tambm se recomenda a aplicao do fungicidabenomil a 0,1% do produto comercial. As aplicaes devem serfeitas de forma preventiva a fim de proteger os frutos novos e osnovos lanamentos foliares. Normalmente, de duas a trsaplicaes j seriam suficientes para se ter um controle adequadoda doena (Reyes, 1978).

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    Figura 1. Sintomas da antracnose causada por Colletotrichum gloeosporiodes em frutos de cacau: leses necrticasem frutos jovens mostrando halos amarelados (a e b) e em frutos adultos leses necrticas escuras(pretas), deprimidas, isoladas e midas coalescendo muitas vezes para formar leses maiores (c e d).

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

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    Monilase

    CaptuloXII

    Embora a doena no tenha ainda sido registrada no Brasil,ser aqui abordada, levando-se em considerao sua importnciaeconmica e a ameaa potencial que representa cacauiculturabrasileira. Tal como a vassoura-de-bruxa, a monilase encontra-se confinada s Amricas do Sul e Central, tendo sido relatadapela primeira vez no Equador por volta de 1914 (Rorer, 1918), eem seguida na Colmbia, Peru, Venezuela, Panam, Costa Rica,Nicargua e Honduras. Segundo Evans (1981), os relatosefetuados no Brasil e Bolvia permanecem sem confirmao,sendo considerados aparentemente errneos. A cordilheira dosAndes parece ter historicamente atuado como uma barreiranatural efetiva contra a disseminao da doena, e s maisrecentemente ela foi encontrada em provncias colombianas(Barros, 1981), equatorianas (Wood & Lass, 1985) e peruanassituadas no lado oriental da cordilheira (Hernandez et al., 1990).A monilase uma doena basicamente de frutos, afetandodiretamente a produo, chegando a causar perdas de at 90%.A doena constitui-se num dos principais fatores limitantes daproduo de cacau em Costa Rica (Enriquez et al., 1982;Galindo, 1987), Equador (Rorer, 1926; Evans, 1986), Colmbia(Barros, 1981; Cubillos & Aranzazu, 1979) e Peru (Evans et al.,1998). Seus danos so normalmente difceis de serem avaliadospelas dificuldades em distingu-la da vassoura-de-bruxa, emlocais onde as duas doenas ocorrem ao mesmo tempo, atque seja observada a esporulao do fungo na superfcie dofruto. Embora o nome da doena, monilase, no seja maisinteiramente adequado aps a re-descrio do gnero, aindaassim ser aqui mantido em funo do seu amplo uso.

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    Etiologia

    O agente causal da doena foi descrito inicialmente comoMonilia roreri Ciferri (apud Ciferri & Parodi, 1933) em homenagema J. S. Rorer que realizou pesquisas pioneiras com a doena(Evans, 1981). Posteriormente a espcie foi re-descrita e um novognero, Moniliophthora, foi proposto (Evans et al.,1978) devido presena de septos do tipo doliporo. Hoje, o nome da espcie universalmente conhecido e aceito como Moniliophthora roreri(Ciferri & Parodi) Evans et al, embora esteja em discusso e jtenha sido inclusive proposta sua reclassificao como Crinipellisroreri Evans et al., em funo das semelhanas biomolecularescom C. perniciosa (Evans et al., 2002). O fungo produz hifashialinas, septadas com 4-5 m de dimetro. Os condios hialinos,variam de esfricos a elpticos medindo de 7-10 por 9-14 m eso formados em cadeias.

    Hospedeiros

    Os nicos hospedeiros conhecidos do fungo esto dentro dosgneros Theobroma e Herrania, da famlia Sterculiaceae. Asseguintes espcies tm mostrado susceptibilidade ao fungo sejaem infeces naturais ou artificiais: T. angustifolium Moino & Sess,T. bicolor Humb.& Bonpl., T. mamosum Cuatr. & Len, T. SimiarumDonn. & Smith, T. sylvestre Mart., H. balaensis Preuss., H. nitida(Poepp.) Schultes, H. pulcherrima Goudot, e em mais quatro ou cincoespcies de Herrania no identificadas (Evans, 1981). O patgenofoi tambm identificado em T. grandiflorum (Willd. ex Spreng)Schum. e H. purpurea (Pitt.) Shultes (Enriquez & Soria, 1981).

    Sintomas

    Em condies de campo a doena s tem sido encontradasobre frutos (Desrosiers & Suarez, 1974; Enriquez, 1983),

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    entretanto, algumas infeces tm sido observadas em mudas elanamentos foliares inoculados artificialmente com o fungo(Evans, 1981). A penetrao e infeco podem ocorrer emqualquer fase do desenvolvimento do fruto (Suarez, 1971),entretanto, os frutos so mais susceptveis at os trs meses deidade (Ampuero, 1967; Barros, 1981).

    Aps a penetrao no fruto, o fungo desenvolve-seintercelularmente nas clulas do parnquima cortical,apresentando normalmente um longo perodo de incubao.Embora em frutos jovens possam ser observadas reas comcrescimentos anormais, formando protuberncias pronunciadasna superfcie dos frutos (inchaos) (Figura 1a), semelhantes aossintomas de malformao induzidos por Crinipellis perniciosa,sintomas externos podem ser completamente ausentes at aformao de leses entre 45 a 90 dias aps a penetrao dofungo. Segundo Evans et al. (1978) esta poderia ser consideradacomo a fase biotrfica do fungo, enquanto que a necrotrfica, quepode ser precedida pelo amadurecimento irregular e prematuro,desenvolve-se rapidamente, com o aparecimento de lesesirregulares com colorao chocolate ou castanho-escuro, que vocoalescendo, gradualmente, cobrindo toda a superfcie do fruto,embora em infeces tardias, leses restritas, castanho-escurase deprimidas so predominantes. Em torno de 3 a 8 dias aps oincio da leso, um crescimento micelial branco a cremedesenvolve-se sobre os tecidos infectados (Figura 1c, d),tornando-se logo em seguida coberto com uma densa massapulverulenta creme, constituda pelos esporos do fungo, que vaimudando gradualmente de colorao para cinza e marrom(Evans et al., 1978). Os sintomas da doena podem variar coma idade do fruto e o tipo de material gentico. Os tecidos noslocos das amndoas podem ser substitudos por substnciasaquosas ou gelatinosas desorganizadas, por isso a doenatambm costuma receber, de forma inadequada, a denominaode podrido-aquosa dos frutos. As amndoas apresentam-sefreqentemente agarradas umas s outras e parede internados frutos, tornando-se muitas vezes difceis de serem removidas

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    (Figura 1b) (Evans et al., 1978). Tais frutos so normalmente maispesados do que os sadios. Na ausncia de esporulao, os frutosmaduros infectados so de forma geral indistintos daquelesinfectados com a vassoura-de-bruxa (Figura 1a) (Evans, 1981;Wood & Lass, 1985).

    Epidemiologia

    A esporulao do fungo na superfcie do fruto to intensa quenuvens de condios so liberadas e transportadas livremente pelovento ou por correntes de conveco. A doena pode ainda serdisseminada pela chuva e em menor proporo por insetos(Jorgensen, 1970; Evans, 1986). Estima-se que a densidade deesporulao do fungo na superfcie do fruto pode atingir 44 milhesde condios por cm2 de rea (Campuzano, 1982). Entretanto, talnvel de esporulao s observado durante poucas semanasaps o seu incio, reduzindo-se em intensidade ataproximadamente dez semanas, quando a quantidade de esporosproduzidos torna-se quase insignificante. Ainda assim, esporospodem ser coletados mesmo em frutos mumificados um ano apsa infeco, o que por si s j garantiria o fornecimento de inculopara o incio de novos surtos da doena na estao seguinte(Evans, 1981; Wood & Lass, 1985, Lawrence et al., 1990). Agerminao dos condios normalmente observada em poucashoras, na presena de gua, e a penetrao do tubo germinativopode ocorrer tanto de forma direta, atravs da epiderme, quantopelos estmatos, passando o miclio a se desenvolver,intercelularmente, nos tecidos do parnquima cortical. Emboraem torno de 90 % dos condios possam germinar em meiosespeciais, apenas aproximadamente 10% deles so capazes degerminar em gua (Ram et al., 2004).

    No Equador o ciclo da doena inicia-se no comeo da estaochuvosa (dezembro-janeiro), a partir de fontes primrias deinculo constitudas, principalmente, por esporos produzidos nasuperfcie de frutos maduros infectados ou em frutos mumificados

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    presos planta. Assim frutos mumificados deixados na copa soconsiderados como a principal fonte de inculo para o incio desurtos da doena (Enriquez, 1983), enquanto que ao carem nosolo, so degradados por microorganismos, deixando de terimportante papel na disseminao da doena (Gonzalez, 1983).A presena de gua livre permite a germinao dos condios comotambm remove o inculo dos frutos mumificados na copa,disseminando-o no sentido descendente (Fulton, 1986). NoEquador, normalmente, os frutos infectados em dezembro-janeiros esporularo aps fevereiro-maro e justamente neste perodoque so registrados os maiores nveis de frutificao,disseminao e perdas provocadas pela doena. Existe umacorrelao estreita entre a quantidade de chuva no perodo deflorao e formao de frutos e a ocorrncia da doena(Desrosiers et al., 1955; Thorold, 1975; Barros, 1981), sendoque condies de climas secos so desfavorveis infeco.Acredita-se que a infeco dos frutos acontea durante aflorao ou na fase de formao dos frutos, entretanto asevidncias para comprovar tal fato so insuficientes. Uma vezque frutos infectados so encontrados durante o ano inteiro,acredita-se que possam ocorrer vrias infeces secundriasdurante a estao chuvosa (Kranz et al., 1978; Evans, 1981).No est bem claro quo distante os condios podem serdisseminados a partir das fontes de inculo, entretantodistncias de at um quilmetro j foram sugeridas (Evans,1981), embora outros autores mais conservadores, tenhamlimitado tal disseminao a distncias entre 30 e 375 metros(Green, 1977; Merchn, 1981).

    Controle

    Semelhantemente vassoura-de-bruxa, no existe umaestratgia padro de controle da monilase. No Equador, talvez amedida mais simples e custo efetiva seja a remoo de fontesprimrias de inculo, representadas por frutos mumificados

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    deixados na copa da planta durante a entressafra ou estao seca(Wood & Lass, 1985). Existem controvrsias quanto remooe destino dos frutos infectados durante a colheita. Embora algunstrabalhos tenham mostrado efeitos benficos em relao remoo de frutos infectados (Desrosiers, 1960; Ampuero, 1967;Desrosiers & Suarez, 1974, Barros, 1981), outros tm sugerido ecomprovado que o manuseio de frutos doentes serve meramentepara disseminar a doena, provocando um aumento dramticonas perdas, no sendo observada qualquer reduo no inculodo fungo (Rorer, 1918; Jorgensen, 1970; Campuzando, 1982;Gonzalez, 1983). O enterrio de frutos infectados antes doaparecimento do miclio do fungo uma prtica desejvel erecomendada por alguns autores (Rorer, 1918; Garces, 1940).Estratgias adicionais incluiriam a eliminao de plantas maissusceptveis e o arejamento da rea atravs da poda e reduono sombreamento (Jorgensen, 1970). Colheitas mais freqentesde frutos infectados e sua destruio fora das roas seriamtambm medidas desejveis (Barros, 1966; 1980; 1982).

    De forma condensada, as medidas gerais de controle, emCosta Rica, envolvem a remoo de frutos infectados antes daesporulao, deixando-os sobre o solo, drenagem do solo a fimde reduzir a umidade na rea, reduo no sombreamento, podade cacaueiros, controle de ervas daninhas, alm dorebaixamento da copa visando facilitar a remoo de frutosinfectados (Galindo, 1987).

    Trabalhos realizados em diferentes pases mostraram que osfrutos infectados e deixados sobre o solo no so importantescomo fontes de inculo para a disseminao da doena, o querepresenta uma vantagem em termos econmicos.

    Com o surgimento dos fungicidas mais modernos, asperspectivas de controle da monilase tambm tem aumentado,embora os resultados obtidos at a dcada de 80 no tenhamsido encorajadores, no s pela baixa eficcia, mas tambm peloaspecto da economicidade (Rorer, 1926; Desrosiers & Surarez,1974; Suarez, 1982; Gonzalez et al., 1983). Entre os produtos javaliados contra a doena podem ser relacionados: calda

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    bordaleza, enxofre, zineb, maneb, trifenil acetato de estanho, xidocuproso, oxiclorento de cobre, captafol, captan, benomil,chlorothalonil, bitertanol, tiofanato metlico e bisditiocarbamato demangans (Desrosiers, 1957; Delgado, 1963; Antepara, 1965;Jorgensen, 1970; Sotomayor, 1973; Ocampo et al., 1976).Aparentemente, os melhores resultados obtidos no controle dadoena em condies de campo, tem sido atravs da aplicaodos fungicidas: chlorothalonil, que alm de reduzir a incidncia dadoena aumenta a produo (Cronshaw, 1979; Gonzalez, 1982;Gonzalez et al., 1983), e do xido cuproso, ou ainda da associaode ambos (Cruz, 1986; Palcios et al., 1986; Ram, 1989).

    Com relao resistncia, os resultados tm se mostradocontraditrios com alguns materiais comportando-se comoresistentes em alguns pases e susceptveis em outros, como foio caso do EET 96, que se mostrou resistente no Equador esusceptvel na Colmbia (Merchn, 1978), e tambm do EET 399,relatado tanto como susceptvel (Phillips, 1986) quanto comoresistente (Brenes, 1983) na Costa Rica. Semelhantemente, naprpria Costa Rica, alguns cultivares mostraram-se maissusceptveis em certas localidades que em outras, como foramos casos de La Lola e Turrialba (Porras, 1985; Porras et al., 1986).Uma srie de materiais genticos j foi apresentada comoresistente monilase, entre os quais citam-se: RB 41, EET 399,UF 296, PA 169, UF 273, CC137, EET 67, EET 183, EET 75 eEET 233 (Sanchez, 1982; Brenes, 1983; Phillips, 1986; Aragundiet al., 1988), embora venha sendo observada uma grandevariabilidade entre os resultados, provavelmente comoconseqncia de mudanas nas condies climticas de umano para outro ou entre diferentes localidades (Rodriquez &Suarez, 1973; Sanchez, 1982; Suarez, 1982).

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    Figura 1. Sintomas da monilase causada por Moniliophthora roreri em frutosde cacau. Fruto com crescimento anormal formando protubernciasque muitas vezes precedem o aparecimento de leses necrticas(a). Sintomas internos mostrando danos s amndoassemelhantemente aos observados no caso da vassoura-de-bruxa(b). Frutos mumificados ou no exibindo crescimento micelial euma massa pulverulenta constituda pelos esporos do fungo (c, d).(Fotos com autorizao e cortezia do Dr. Asha Ram).

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    SUAREZ, C. C. 1982. El problema de la moniliasis y su combateen el Ecuador. In Enriquez, G. A. Ed. La moniliasis de cacao.CATIE Serie Tcnica. Informe Tcnico 28. pp. 70-78.

    SOTOMAYOR, T. 1973. Efecto de fungicidas sistmicos en elcontrol de la moniliasis del cacao. Ing. Agr. Thesis. Ecuador.Universidad de Guayaquil.

    THOROLD, C. A. 1975. Diseases of cocoa. Oxford, UK, ClaredonPress. 423p.

    WOOD, G. A. R.; LASS, R. A. 1985. Cocoa. 4 ed. London,Longman. 620p.

  • 127

    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    Clnica Fitopatolgica

    Captulo XIII

    O presente captulo foi includo no livro com o objetivo deorientar aos usurios, principalmente, agrnomos e tcnicosagrcolas dos escritrios locais da CEPLAC, alm de agricultorescom relao aos cuidados a serem tomados durante a coleta,preparo e envio de amostras vegetais para anlise, facilitando eaprimorando o processo de diagnose dos principais problemasfitopatolgicos observados no s na cultura do cacau, comotambm dos diversos cultivos diversificados assistidos pelainstituio na regio sul da Bahia.

    A Clnica Fitopatolgica do Centro de Pesquisas do Cacau(CEPEC) est vinculada Seo de Fitopatologia e tem comoobjetivos principais o atendimento comunidade regionalcompreendendo agricultores, tcnicos de extenso rural, rgospblicos municipais, estaduais e federais, pesquisadores doprprio CEPEC e de outras instituies de pesquisas,universidades, estudantes de graduao e ps-graduao, entreoutros, no que se refere s anlises principalmente de materiaisvegetais e solo, visando diagnose de doenas em plantas deinteresse econmico ou at mesmo particular. Entre as culturasexaminadas, com mais freqncia, destacam-se: o cacaueiro,coqueiro, mangosto, graviola, pimenta-do-reino, mamoeiro,pupunha, cupuau, macadmia, baunilha, cravo-da-ndia, abacaxie jambo vermelho.

    Alm do prprio Laboratrio de Anlises, a Clnica conta como apoio de outros laboratrios e especialistas do CEPEC, comotambm de estudantes de graduao e ps-graduao.

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    Oliveira e Luz

    Instrues para coleta e envio de amostras paraanlise

    Cuidados Gerais

    1. Antes da coleta do material para anlise, faa planejamentoquanto ao seu envio, procurando concili-lo disponibilidade de transporte para a entrega.

    2. Aconselha-se evitar o envio de amostras nos fins desemana ou dias prximos aos mesmos, procurandopreferencialmente colet-las e envi-las das 2as s 4as

    feiras.

    3. Uma ficha de informaes, devidamente preenchida,dever acompanhar cada amostra, de tal forma que,aquelas sem informaes no sero analisadas e seroautomaticamente descartadas.

    4. Identificar adequadamente cada amostra embalando-asseparadamente.

    5. Depois de coletadas, as amostras devero chegar aodestino no menor tempo possvel. As amostras jamaisdevero ser congeladas.

    Cuidados durante a coleta das amostras

    1. Antes de coletar as amostras, recomenda-se examinardetalhadamente as plantas, incluindo-se as razes, procura de sintomas a fim de subsidiar o preenchimentoda ficha de informaes.

    2. Colete todas as partes da planta exibindo sintomas.Quando os sintomas detectados forem no sistemaradicular, toda as razes, incluindo o coleto, devero, namedida do possvel, ser coletadas e enviadas.

    3. Quando se tratar de plantas de pequeno porte, aconselha-se enviar a planta inteira.

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    4. Recomenda-se no coletar plantas j totalmente mortase secas, mas sim aquelas com partes lenhosas aindaverdes e exibindo os sintomas da doena.

    5. Em reas onde as plantas apresentem sintomas dedeficincias nutricionais, recomenda-se a coleta tambmde amostras de solo para que se proceda a sua anliseem laboratrios especializados.

    Preparo das amostras a serem encaminhadas clnica

    Como mencionado anteriormente, as amostras devero chegar Clnica o mais rapidamente possvel, preferencialmente, aindafrescas. Caso contrrio, devero ser tomados os seguintescuidados:

    1. Se a chegada for prevista para at um dia aps a coleta,as amostras podero ser embaladas em sacos de papel.Se forem utilizados sacos plsticos, aconselha-se efetuarpequenos furos para evitar excesso de umidade. Em casode materiais tenros e sob condies de climas quentes,aconselha-se o transporte das amostras em caixas deisopor.

    2. Para os casos em que a chegada prevista for em torno dedois dias aps a coleta, as amostras de plantas tenras(herbceas) devero ser colocadas entre folhas de jornalumedecidas em gua (se possvel gelada), dentro desacos plsticos no furados e transportadas em caixasde isopor, contendo, se possvel, cubos de gelo. Se issono for possvel, em perodos mais frios do ano, amostrasde plantas pouco suculentas podero ser enviadas comodescrito no item anterior.

    3. Quando se tratar de amostras de solo, estas no poderosecar ou ficar expostas a altas temperaturas.

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    Oliveira e Luz

    CEPEC / CEPLAC

    Seo de Fitopatologia (SEFIT). Cx. Postal 07

    Rodovia Ilhus / Itabuna, KM 22.

    45600-970 - Itabuna Bahia.

    Fone: (0xx73) 214-3279

    e-mail: sefit@cepec.gov.br

    Endereo para envio de amostras e para contato

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    Principais doenas do cacaueiro no Brasil

    CEPLAC / CEPEC / S

    CLNICA FITOPATOL

    FI CH A DE INF ORM AE S P ARA SOLICITA

    Produtor: _________________________________Fazenda: ______ _Data da coleta:......./......./....... N o da amostra: _____ Procedncia d oEndereo: __________________________________________ Cida dEstado: _______________________ CEP: _______________ _Escritrio da CEPLAC solicitante: ___________________________ _Cultura: ___________________________________________ Culti vrea cultivada (Ha): ________ Idade das plantas: _______ r e_______________________________________________________ _No local j havia sido plantado o mesmo cultivar : sim ( ), n_______________________________________________________ _Parte atacada: razes ( ), caule ( ), frutos ( ), folhas ( ), flores ( ).Sintomas observados:

    Em toda a planta: amarelecimento ( ), murcha ( ), empont edesfolha ( ), seca generalizada com folhas aderidas planta ( ), nEm folhas: amarelecimento ( ), manchas ( ), necrose ( ), enrolamineral ( ), outros ( ): ________________________.Em ramos: envassouramento ( ), manchas ( ), leses necrtica soutros: ______________________________________________ _Em frutos: manchas ( ), podrido mole ( ), podrido seca ( ), l equeda precoce ( ), leso do pednculo ( ), outros ( ): _________ _Em caule e razes: podrido ( ), tombamento ( ), galhas (escurecimento dos vasos do xilema ( ), gomose ( ), t u____________________________________________________ _

    Quando apareceu a doena: _____ dias (aproximadamente), ____ _

    J havia ocorrido antes: ( ) No ano anterior ( ), nos anos anterior e

    Distribuio da doena na rea: geral ( ), reboleiras ( ), pl aDissemina o da doen a: lenta ( ) , moderada ( ) , rpida ( ) .

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    Oliveira e Luz

    Referncias Bibliogrficas

    LIBERATO, J. R.; VENTURA, J. A.; COSTA, H. 1996. Instruesbsicas para coleta e envio de materiais para examefitopatolgico. Campos, RJ. Centro de Cincias eTecnologias Agropecurias (CCTA), UENF, Boletim Tcnicovol. 1, n 7. 18p.

    FREIRE, F. C. O. 1986. Consideraes sobre a coleta deamostras para exame fitopatolgico. Belm, EMBRAPA/CPATU. 16p.

    VENTURA, J. A. 1976. Normas fitopatolgicas para coleta e enviode material para exame fitopatolgico. Cariacica, ES,ENCAPA, Comunicado Tcnico n 1. 4p.

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