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  • Conselho Internacional do Caf 117.a sesso 19 23 setembro 2016 Londres, Reino Unido

    Avaliao da sustentabilidade econmica da cafeicultura

    Antecedentes

    O Artigo 34 do Acordo Internacional do Caf de 2007 estabelece que a Organizao Internacional do Caf deve disponibilizar aos Membros estudos e relatrios sobre aspectos relevantes do setor cafeeiro. Este documento contm um estudo que se elaborou com o propsito de avaliar a sustentabilidade econmica da cafeicultura. Ao Solicita-se ao Conselho que tome nota deste documento.

    ICC 117-6 15 setembro 2016 Original: ingls

    P

  • Avaliao da sustentabilidade econmica da cafeicultura

    Introduo

    O preo indicativo composto da OIC se mantm abaixo de sua mdia de 10 anos de 137,24 centavos de dlar dos EUA por libra-peso desde maro de 2015, gerando preocupaes com a viabilidade econmica da cafeicultura. Esta situao pe em risco os meios de subsistncia dos produtores de caf em muitos pases.

    Perodos prolongados de preos baixos pressionam a liquidez da lavoura e resultam na utilizao subtima de insumos no ciclo produtivo seguinte, afetando negativamente o rendimento dos cafezais e a qualidade do caf. A expectativa de preos demasiado baixos e por isso insuficientes para cobrir todos os custos de produo no futuro pode impedir que se invista na renovao dos cafezais. O replantio particularmente importante como parte da mitigao do impacto das mudanas climticas e como resposta a maiores presses de pragas e doenas. Por ltimo, rentabilidade baixa ou negativa pode levar ao abandono da produo de caf, pois os cafeicultores podem deixar a cafeicultura em favor de cultivos mais lucrativos.

    Disso resulta uma preocupao generalizada no setor cafeeiro com a possibilidade de os perodos longos de preos baixos do caf afetarem negativamente a oferta de caf de alta qualidade e terem efeitos adversos nas rendas das famlias nas comunidades cafeicultoras. Polticas especficas, assim, precisam ser formuladas para que se possa resolver a questo da sustentabilidade econmica da produo e estabilizar a oferta de caf no futuro, permitindo que os cafeicultores obtenham uma remunerao justa.

    Este estudo 1) avaliar a estrutura de custos da cafeicultura em pases selecionados, e 2) far recomendaes sobre como melhorar a viabilidade econmica da produo de caf.

    Nosso trabalho consistir em uma anlise dos nveis de preos do caf, usando dados de mercado da OIC, e em uma avaliao da produo com base em informaes sobre custos fornecidas pelos Membros.

  • - 2 - Avaliao dos preos do caf

    Os preos do caf so notoriamente volteis. Perodos de grandes altas nos preos pagos aos produtores so seguidos por perodos de preos relativamente baixos. Nos perodos em que os consumidores se beneficiam de preos baixos, os produtores enfrentam desafios viabilidade econmica de sua atividade. Apesar de os preos estarem subindo, a fase atual de baixa. Em julho de 2016, a mdia mensal do preo indicativo composto da OIC, de 132,98 centavos de dlar dos EUA por libra-peso, foi a mais alta dos 17 ltimos meses. Mesmo assim, ela ainda est abaixo da mdia de 10 anos de 137,24 centavos (grfico 1).

    A partir de 2000, o preo indicativo composto da OIC flutuou entre 41,17 centavos de dlar dos EUA por libra-peso em setembro de 2001 e 231,24 centavos em abril de 2011. Nos primeiros cinco anos do perodo, o caf registrou preos persistentemente baixos e o indicativo composto da OIC no chegou a alcanar 100 centavos de dlar dos EUA por libra-peso. Essa foi a "crise do caf", durante a qual muitos cafeicultores abandonaram suas lavouras ou substituram o caf por outros cultivos. Entre 2005 e 2010, a mdia anual dos preos se elevou continuamente, passando de 89,36 a 147,24 centavos. Desde 2010, o mercado atingiu dois picos significativos; o primeiro em 2011, quando a queda de produo na Colmbia levou a uma escassez de oferta; e o segundo no incio de 2014, devido a uma seca no Brasil. Entre os dois picos, porm, os preos em geral sofreram correes baixistas.

    At agora examinamos preos nominais e vimos que os preos de hoje esto perto de sua mdia histrica. No entanto, como 137 centavos de dlar dos EUA hoje no so o equivalente a 137 centavos h 10 anos, convm compararmos o desenvolvimento dos preos do caf em

  • - 3 - termos tanto reais quanto nominais. Usamos o ndice das Naes Unidas das exportaes de manufaturados pelas economias desenvolvidas para deflacionar os preos do caf e mostrar sua evoluo em termos reais e em termos nominais.

    Como mostra o grfico 2, quando um deflator aplicado ao preo indicativo composto da OIC, o aumento dos preos muito menos acentuado do que antes se observava. Em termos reais, o indicativo composto da OIC de janeiro de 2016 foi de 82,75 centavos, tendo mudado pouco em relao a seu nvel de janeiro de 2000, de 80,53 centavos. Tambm podemos ver que, apesar da constante tendncia altista que se observa desde 2000 (em termos tanto reais quanto nominais), a variao dos preos em torno da tendncia significativa. Entre abril de 2011 e novembro de 2013, por exemplo, os preos nominais caram mais de 50%. Isso causa grandes incertezas no mercado. As grandes escaladas, por sua vez, em geral so precipitadas por eventos meteorolgicos adversos, por natureza difceis de prever.

  • - 4 - Rentabilidade da cafeicultura

    Consideraes metodolgicas

    Nesta seo, avaliamos a viabilidade econmica da produo de caf, isto , se a cafeicultura com o passar do tempo tem condies de se sustentar financeiramente em diversos pases. Analisamos em especfico a capacidade dos cafeicultores de manter suas operaes com base em receitas correntes e projetadas que sejam iguais ou superiores s despesas correntes e planejadas, ou seja, aos custos.

    Receitas O caf um cultivo pecunirio, e os cafeicultores o vendem para gerar receita. A receita por hectare uma funo dos nveis de rendimento e do preo de mercado por unidade produzida. As receitas, por conseguinte, diferem se o nvel de rendimento for o mesmo mas o preo variar e vice-versa.

    Os nveis de rendimento dos cafezais dependem da escolha de insumos e de um elemento estocstico. Condies climticas, bem como pragas e doenas, por exemplo, podem levar a variaes do rendimento. Atravs do uso de insumos como fertilizantes e pesticidas e da implementao de tcnicas agronmicas especficas, os agricultores at certo ponto podem mitigar o impacto desses fatores.

    Os produtores de caf esto merc dos preos de mercado. Isso no se aplica apenas aos pequenos cafeicultores, que so 70% dos produtores, mas tambm aos grandes. Por isso, tratamos como exgenos os movimentos de preos, que afetam as receitas dos produtores de forma direta. O acesso que eles tm a instrumentos de mitigao dos riscos de preos costuma ser limitado.

    Custos Os cafeicultores arcam com custos para produzir caf. Alguns desses custos so incorridos na lavoura e dependem dos nveis de rendimento previstos. Entre os custos variveis esto a remunerao dos trabalhadores agrcolas e insumos como fertilizantes, pesticidas ou combustveis para mquinas. Os custos fixos, por outro lado, compreendem despesas que independem dos nveis de rendimento da lavoura ou que so incorridas antecipadamente, no dependendo de a produo acontecer ou no (por exemplo, seguros e outros encargos gerais). Este componente dos custos tambm inclui a depreciao da lavoura. A implantao do cafezal preparo do solo, custo das mudas e do plantio representa uma despesa considervel, em geral distribuda uniformemente ao longo da vida dos cafeeiros. Dependendo do pas, essa vida pode variar entre 8 e 20 ou mais anos. No entanto, a poca da substituio (isto , do replantio) pode ocorrer muito mais cedo, dependendo do perfil de rendimento dos cafeeiros. No incio do amadurecimento destes, o rendimento aumenta at

  • - 5 - se estabilizar; depois diminui gradualmente. O uso prolongado dos cafezais tambm afeta a capacidade do produtor de se beneficiar de aumentos de rendimento trazidos por novas variedades, frequentemente mais produtivas e mais resistentes a pragas e doenas.

    Lucros e viabilidade econmica Lucro a diferena entre a receita da venda do caf em gro e o custo de produo. No curto prazo, a produo de caf lucrativa quando os custos variveis so cobertos. No longo prazo, a rentabilidade s alcanada quando todos os custos de produo (variveis e fixos, incluindo a depreciao) so cobertos.

    Neste estudo, definimos como economicamente vivel o sistema de produo que lucrativo no longo prazo. Se os custos totais de produo no so cobertos, no possvel substituir os bens depreciados por exemplo, lavouras que envelhecem no podem ser replantadas e maquinaria defasada no pode ser substituda. Em consequncia, a produtividade pode diminuir e os cafezais podem correr o risco de ser negligenciados ou abandonados.

    Dados e enfoque analtico A OIC obtm de seus Membros dados sobre custos de produo e preos de porteira de fazenda em importantes regies produtoras. O conjunto de dados que aqui se utilizam cobre os anos cafeeiros de 2006/07 as 2015/16 e quatro pases: Brasil, Colmbia, Costa Rica e El Salvador.1

    Os dados disponveis permitem desagregar os custos de produo da Colmbia e do Brasil em variveis e fixos, mas no caso dos outros pases no permitem essa desagregao, por estarem incompletos. Na categoria dos custos variveis, podemos distinguir entre custos de mo de obra e custos que no so de mo de obra. Os dados fornecidos foram coletados por cada pas usando sua metodologia especfica. Embora as comparaes de custos em escala temporal dentro de um pas sejam possveis, as metodologias potencialmente diferentes aplicadas em cada um tornam menos slidos os resultados das comparaes entre pases. Por isso, decidimos tratar cada pas separadamente, como estudo de caso. Primeiro, examinam