Honorários e despesas

Download Honorários e despesas

Post on 11-Jul-2015

588 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

<p>Processo: N Convencional: Relator: Descritores: N do Documento: Data do Acordo: Votao: Texto Integral: Privacidade: Meio Processual: Deciso: Indicaes Eventuais: rea Temtica: Sumrio:</p> <p>0745393 JTRP00041249 ABLIO RAMALHO APOIO JUDICIRIO HONORRIOS RECURSO RP200804230745393 23-04-2008 UNANIMIDADE S 1 REC. PENAL. REJEITADO O RECURSO. LIVRO 310 - FLS. 86. . Rege-se pelas normas do processo penal e no do processo civil o recurso interposto pelo advogado do assistente de deciso que lhe indeferiu a pretenso de reembolso de determinadas despesas relacionadas com o desenvolvimento do processo, mesmo que tenha sido concedido ao assistente apoio judicirio na modalidade de dispensa do pagamento de honorrios ao patrono. Assim, se no prazo para recorrer, foi apenas apresentado requerimento de interposio de recurso, sem a motivao, o recurso no deve ter sido admitido.</p> <p>Recurso Incidental/Separado n. 5393/07-4 [Processo Comum n. (nuipc) /99.1TBPFR-F, do . J. do T. J. de Paos de Ferreira] *** Acordam em conferncia na 2. Seco Criminal do Tribunal da Relao do Porto: I RELATRIO 1 O Ex.mo advogado B, mandatrio do queixoso/assistente C[1] a quem por deciso de 05/07/2001 do Centro Distrital do Porto do Instituto de Solidariedade e Segurana Social (ISSS) fora concedido o peticionado em 11/06/2001 benefcio de proteco jurdica na modalidade de apoio judicirio nas vertentes de dispensa do pagamento dos demais encargos do processo e de pagamento de honorrios a patrono indicado, (cfr. peas certificadas a fls. 75 e 76 do presente processo incidental), inconformado com o despacho judicial que lhe desatendeu reclamao de deciso denegatria da sua prpria pretenso de ressarcimento pelo Estado de invocadas despesas de duas pessoais deslocaes desde o seu escritrio, sito em Lisboa, ao TIC do Porto (em 23/01/2002 e 20/02/2002), e doutra ao tribunal de Paos de Ferreira (em 08/05/2002), para participao em actos inerentes ao desenvolvimento jurdico-processual do referente processo criminal impulsionado por iniciativa do seu constituinte[2], e, outrossim, com a omisso determinativa de peticionada transcrio dactilogrfica de eventuais-futuros despachos que lhe houvessem de ser notificados, por singela/infundamentada pea processual (certificada a fls. 88), validamente expedida por telecpia no dia 18/04/2007, e cujo original foi registado em 27/04/2007 (cfr. fls. 89), manifestou a sua prpria/pessoal concernente vontade recursria, porm como agravo em matria cvel. 2 Havendo sido efectivamente admitido por despacho de 03/05/2007 tal intencionado recurso como agravo [com regime de subida imediata, em separado, e com efeito meramente devolutivo, (cfr. despacho certificado a fls. 57)], o id. advogado-recorrente providenciou, ento, pela apresentao em 21/05/2007, por telecpia, (cfr. pea certificada a fls. 90/100), cujo original, registado em 31/05/2007, faz fls. 1/12 do presente processo da respectiva motivao, de que extraiu o seguinte quadro conclusivo (por transcrio):</p> <p>1 O Recorrente foi mandatrio numa aco penal, cujo assistente litigava com apoio judicirio e, findos os autos, solicitou ao Mmo. Juiz o pagamento de honorrios e reembolso das despesas atinentes ao processo, juntando como prova de despesas de expediente os recibos do registo com o montante referido, enquanto que as viagens efectuadas constam das actas das diligncias praticadas no tribunal, sendo que, a kilometragem percorrida se reporta ao Mapa de Estradas de Portugal. 2 Uma vez que o tempo requerido naquelas viagens o resultante da velocidade mdia permitida e o espao territorial percorrido, j que o preo por Km. corresponde ao valor pago pelo Estado aos seus funcionrios, tal como se abonou nas contas da nota de honorrios enviada ao Tribunal, dado no ter outra forma de as provar, porquanto as viagens foram realizadas pela estrada nacional, no podendo, por isso, apresentar os recibos das portagens. 3 Contudo, o Mmo juiz ordenou que se liquidasse apenas os honorrios e algumas das despesas de1</p> <p>expediente provadas nos autos, recusando-se a dar pagamento ao reembolso das restantes, alegando que estas no abrangem as deslocaes a tribunais e que as mesmas no se mostram devidamente documentadas. 4 Em obedincia ao principio da cooperao do art. 266 do CPC, o impetrante em vez de interpor recurso, veio reclamar daquela deciso e juntou o rol de testemunhas, visando provar a forma das viagens efectuadas, ponderando que se trata de aco atpica, no existindo um processo de partes, traduzindo-se aquela deciso num mero despacho administrativo. 5 Em funo do qual, o Digno Magistrado avalia os actos praticados no decurso da instncia objecto do apoio judicirio, sindicando a sua conformidade com o pedido do requerente, uma vez que actualmente o Juiz no tem margem para estabelecer os honorrios, limitando-se a remeter os seus valores para a portaria que os fixa, e da que o autor do acto tendo sempre a possibilidade de o substituir ou revogar, permitindo-se, assim, ganhar a eficincia numa economia de meios. 6 E afirmando-se, por outro lado, a eficcia da justia e celeridade processual, sem perder de vista a justa composio da lide, atravs da participao da parte, poupando aos tribunais superiores as decises sobre bagatelas jurdicas que estes, por certo, dispensam e as finanas pblicas, sobretudo, agradecem. 7 Porm, no foi esse o entendimento do douto Tribunal, o qual, sustentando a sua verdade com o teor das pginas 262 da 3 edio do Apoio Judicirio, comentado pelo Exmo. Senhor Juiz Conselheiro Salvador da Costa, julgou nos termos acima referidos, o que sem embargo de melhor opinio, deve, a nosso ver, aquele douto despacho ser declarado nulo, porquanto o mesmo no se mostra fundamentado de facto e de direito. 8 E, de harmonia com o disposto na al. b) do n 1 do art. 668 do CPC, a sentena nula quando "no especifique os fundamentos de facto e de direito que justificam a deciso", sendo que especificar os fundamentos de facto e direito consiste, nos termos do n 2 do art. 653 do mesmo diploma, que a deciso deva declare "quais os factos que o tribunal julga provados e quais os que julga no provados, analisando criticamente as provas e especificando os fundamentos que foram decisivos para a convico do julgador", e no caso sub judice, a mesma no revela qualquer sustentao legal. 9 que, face lei, o tribunal, no apresentou uma nica razo vlida de facto e muito menos de direito que abone a deciso impugnada, a no ser a vontade de recusar o pagamento devido, nem valendo dizerse que as despesas no se mostram documentadas, quando se sabe que em ordem Portaria n 1386/2004/10/11, regulamentadora da Lei n 34/2004/29/07, no exigvel qualquer prova, devendo, assim declarar-se a nulidade do douto despacho recorrido. 10 Mesmo que contra legem, o Dignssimo Magistrado decidisse determinar-se pela necessidade de prova da realizao das viagens, para alm daquela que decorre da exigncia normal da prtica dos actos processuais, sempre, de acordo com o disposto no n 3 do art. n 3 do art. 508 do CPC, deveria convidar2</p> <p>o requerente a suprir o que julgou ser deficincia do pedido, conferindo-lhe um prazo, com vista a corrigi-la e, no o tendo feito, tambm no podia indeferir o pagamento solicitado, motivo pelo deve o despacho ser anulado por omisso de pronncia. 11 E, quando assim no se entenda, sempre a deciso deve ser revogada, dado o Mmo. Juiz, no ter em considerao a prova apresentada pelo recorrente, e decidindo nos termos observados, ofendeu o principio da cooperao do art. 265A do CPC, visto na "conduo e interveno no processo, devem os magistrados, os mandatrios judiciais e as prprias partes cooperar entre si, concorrendo para se obter, com brevidade e eficcia, a justa composio da lide", situao que in casu foi postergada, em virtude do Distinto Magistrado ter exigido prova que no devia, sem o ter ouvido e, sendo esta oferecida, foi por ele recusada. 12 De resto, o Tribunal da Relao de Lisboa, decidiu por Acrdo de 20 de Junho de 2000 pela no exigncia de prova do reembolso das despesas ao mandatrio, julgando ser "legitima a pretenso do recebimento, por advogado oficioso, de despesas realizadas no mbito do apoio judicirio, desde que adequadas ou normais, ainda que no documentadas", e no mesmo sentido, tambm o Tribunal da Relao do Porto, no Acrdo de 28 de Outubro de 2004, decidiu por unanimidade, no Proc. n 0435299, que: 13 "Afigura-se serem de pagar as despesas reclamadas pela patrona quer a titulo de deslocaes ao Tribunal, quer de gastos com fotocpias quer de fax e registos ao colega e ao tribunal, ainda que no documentadas, por se conceder que elas se mostram de adequada e normal realizao, sendo irrazovel uma sobreexigncia de documentao de tais dispndios, respeitantes ao comum avio de escritrio e s indispensveis deslocaes ao Tribunal", para mais adiante concluir: "A no ser assim, a agravante acabaria, apesar dos gastos acrescidos, nomeadamente com deslocaes, por receber de honorrios tanto como receberia um patrono que se encontrasse domiciliado na rea da comarca de Resende e que por esse facto no teria despesas com deslocaes ao tribunal." 14 Por outro lado e finalmente, deve revogar-se o douto despacho que recusa ao impetrante o direito de ter acesso cpia dactilografada das decises do Mmo. Juiz, sem que o tenha de requerer caso a caso, quando esteja assegurado que, ao longo do processo, aquele Juiz mantm o mesmo tipo de caligrafia e sabendo-se de antemo que a mesma ser sempre ilegvel pessoa a quem se destina, sendo, por isso, razovel requer-la de uma vez para todas as decises que hajam de ser proferidas e daquela conhecidas. 15 Porque solicitar a cpia dactilografada para cada caso concreto ao longo da instncia presidida pelo mesmo Juiz, cuja caligrafia ilegvel e de difcil leitura para o destinatrio das suas decises, atenta contra o principio da economia processual e afronta o principio da cooperao, tornando ainda incomportvel as despesas para os utentes da justia, sendo certo que os funcionrios do Tribunal tero o mesmo trabalho e o Tribunal um processo com menos folhas.</p> <p>3</p> <p>IV i)- PEDIDO Nestes termos e nos demais de direito que Vossas Exas., por certo doutamente supriro, deve dar-se provimento aos recursos interpostos e, em consequncia decidir-se a) - Revogar a primeira deciso impugnada, visto a mesma se encontrar ferida de nulidade por ofensa aos termos da al. b) do n 1 do art. 668 do CPC, sofrendo ainda de erro de julgamento, em virtude de contender com as disposies da Lei n 34/2004/29/07 e da Portaria n 1386/2004/10/11, dado nestes diplomas no ser exigvel qualquer prova das despesas realizadas no mbito do apoio judicirio, desde que adequadas ou normais ao processo, bem assim como ofendeu a jurisprudncia do Tribunal da Relao do Porto e de Lisboa, designadamente nos Acrdos de 28 de Outubro de 2004, no Proc. n 0435299, e de 20 de Junho de 2000, violando tambm o teor do n 3 do art. 508 do CPC, por recusar o convite ao impetrante, a fim suprir o que decidiu ser deficincia do pedido, assegurando-lhe um prazo, com vista a corrigi-la. b) - Revogar o douto despacho recorrido e exarado a fls. 1156, j que o mesmo atenta contra o disposto no n 3 do art.138 do CPC, e de igual modo afronta o art. 259 do mesmo diploma, assim como viola o principio de igualdade preconizado no art. 13 da CRP, porquanto se os termos do art. 541, obrigam a que a parte apresente documento legvel e, se no o fizer, incorre em multa, logo no se v porque o Tribunal tambm no deve ceder ao recorrente a cpia legvel, quando requerida para todas as suas decises, mas antes exige que tenha de ser solicitada para cada caso concreto, atentado, desta feita, contra o principio da economia processual. Decidindo como o peticionado, faro como sempre Vossas Excelncias, em nome do povo, a melhor e desejada JUSTIA3 O Ministrio Pblico por Ex.mo representante/magistrado, em primeira instncia pronunciou-se pela insubsistncia argumentativa e pela improcedncia do recurso, (vide referente pea processual - de resposta - de fls. 13/14, cujos dizeres nesta sede se tm identicamente por transcritos). 4 Na fase processual prpria deixou-se consignado o parecer do ora relator da verificao de fundamento de rejeio do recurso por falta de motivao e/ou por manifesta improcedncia , cuja apreciao, observadas as demais formalidades legais, se realizou em conferncia, [vide normativos 417., n. 3, al. c), 418. e 419., n. 4, al. a), do CPP, 17./penltima verso, decorrente do DL n. 324/2003, de 27/12, aplicvel ao caso, a que nos reportaremos no texto do aresto].</p> <p>II FUNDAMENTAO 1 Numa primeira abordagem do acto recursrio importa clarificar o equvoco em que, com o devido respeito, quer o recorrente quer a Ex.ma juza cuja pretenso apreciou incorreram quanto respectiva qualificao e regime jurdico-processual aplicvel. Havendo os sindicados actos decisrios recado sobre incidentes processuais suscitados no mbito de4</p> <p>processo de natureza criminal ainda que substancialmente fundados em autnoma deciso administrativa de apreciao e concesso de apoio judicirio ao sujeito processual patrocinado pelo advogado deles impulsionador , naturalmente que os atinentes recursos se havero que reger pelo que a propsito disciplina o Cdigo de Processo Penal e no o de Processo Civil. O requerente do pagamento de honorrios e despesas alegadamente contradas no exerccio do mandato de patrocnio jurdico de assistente no processo criminal, no sendo parte processual interessada na sorte da lide, haver-se-, necessariamente, naquela qualidade de impetrante ao juiz titular do processo, como interveniente interessado no acautelamento de arrogado direito prprio que, no que tange pretenso ressarcitiva, encontra similitude com o dos peritos no oficiais que houverem efectuado percia juridicamente admissvel no mbito de processo da mesma natureza, (cfr. art. 162., n. 1, do C. P. Penal). Assim, como com estes indubitavelmente acontece, [cfr. citado normativo 162., n. 3, e 401., n. 1, al. d), 2. parte, do CPP], o procedimento legal a que se dever adstringir a manifestao e exerccio do seu invocado direito recursrio de deciso judicial proferida no prprio processo que tenha por pessoalmente desfavorvel abstractamente prevenido no art. 401., n. 1, al. d), 2. parte, da verso (penltima) do referido diploma legal-adjectivo aplicvel , bem como a referente prossecuo, no poder deixar de ser, apodicticamente, o consagrado no Cdigo de Processo Penal. Desta sorte, sendo descabida a convocao do regime de agravo em matria cvel, (enunciado sob os arts. 733./762. do C. P. Civil, 28. verso, consequente ao DL n. 8/2007, de 17/01, vigente poca), impenderia sobre o id. recorrente o nus de imediata motivao/fundamentao do(s) intencionado(s) recurso(s), em conformidade com o estatudo nos arts. 411., n. 3, e 412., do C. P. Penal, sob pena da sua inadmissibilidade. Dado, porm, que no prazo legal prevenido no citado art. 411., n. 1, do CPP, apenas afirmou a pessoal vontade recursiva sem que, concomitantemente, apresentasse a concernente motivao de que s cer...</p>