Histria - Pr-Vestibular Impacto - Grcia - A Cidade-Estado I

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1CONTEDO

PROF: MARQUES

01A Certeza de Vencer

A CIDADE - ESTADOKL 070208

I. INTRODUO O Povo Heleno Os gregos, no seu prprio idioma, nunca se apelidaram gregos (o termo deriva do nome que os romanos lhes davam: Graeci). Nos tempos micnicos, parece que eram conhecidos como Aqueus (segundo registros dos seus contemporneos Hititas), um dos vrios nomes que ainda conservam nos poemas homricos, a mais antiga literatura grega. No decurso da Idade das trevas, ou talvez no seu final, o termo helenos substitui todos os outros e Hlade passou a ser o nome coletivo para designar o conjunto dos gregos. Na antiguidade, contudo, nada existia de comparvel a que os helenos pudessem chamar o nosso pas. Para eles, a Hlade era essencialmente uma abstrao, tal como a Cristandade na Idade Mdia, ou o mundo rabe atualmente, porque os gregos antigos nunca tiveram unidade poltica ou territorial. (...) Todos esses gregos, apesar de espalhados, tinham conscincia de pertencer a uma nica cultura seres da mesma raa e com a mesma lngua, possuindo santurios comuns dos deuses e iguais rituais, costumes semelhantes tal como Herdoto se expressou. O mundo em que habitavam, quer na prpria pennsula grega, quer nas ilhas do mar Egeu, tornara-se de fato, totalmente grego, exceo dos escravos e dos visitantes estrangeiros (...). Naturalmente a civilizao comum nunca significou identidade absoluta. Havia diferenas de dialeto, na organizao poltica, na prtica de culto, freqentemente na moral e nos valores (...). No entanto, aos seus prprios olhos, essas diferenas eram secundrias quando comparadas com os elementos comuns, de que tinham conscincia.(FINLEY, p.14-16)

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J se sonhou bastante e s vezes at se delirou sobre o poeta cego. Existiu um Homero, dois Homeros e at, como alguns pensaram, uma multido de Homeros? Na ilha de Quios havia os chamados homridas, que se diziam descendentes de Homero e constituam um grupo de rapsodos que cantavam os poemas de seu pretenso antepassado.(VIDAL-NAQUET p.13-14).

A Poesia Oral (...) Por detrs da Ilada e da Odissia, h sculos de poesia oral, composta, recitada e transmitida por bardos profissionais, sem o auxlio de nenhuma palavra escrita.(FINLEY p. 17).

Homero (...) era um aedo. Essa palavra, que vem do grego aoids, significa cantor. Os poemas homricos eram compostos e cantados por aedos que se acompanhavam com um pequeno instrumento de cordas a phrminx.(VIDAL NAQUET, p.14-15)

Helenos e Brbaros (...) Os homens costumavam ser divididos em duas categorias: os gregos chamados de helenos ainda hoje o nome que prevalece na Grcia , e os brbaros. A palavra brbaro tem certamente uma conotao pejorativa, mas o seu sentido inicial significa simplesmente aquele que no fala o grego e que parece que est balbuciando. No se tratava de uma oposio de raas. Muitos gregos escreveram: torna-se grego pela educao, a paidia, e no pelo nascimento. A Grcia se fez Grcia.(Vidal-Naquet, p.37)

Um Rapsodo (Trata-se de um artista popular que peregrina pelas cidades recitando poemas conhecidos. No se apresenta acompanhado por instrumentos musicais, geralmente permanece em p segurando um galho de loureiro, smbolo de Apolo. Em algumas circunstncias, atuava como um exegeta dos poemas que recitava.). nfora tica com figuras vermelhas atribuda ao pintor de Cleofrades, c 480 a.C. A Moral Herica (...) A Ilada e a Odissia, aos olhos dos Gregos, surgiram como veculos portadores de um sistema de valores, essa moral herica cuja influncia, at mesmo na democrtica Atenas da poca clssica, ir continuar a fazer-se sentir. Como evidente, estes princpios correspondem aos de uma aristocracia guerreira para a qual as virtudes essenciais so aquelas que possam revelar-se em combate, visto ser a que o guerreiro pode ganhar a kleos, a glria que o tornar imortal (...). Para estes heris sucumbir em combate representa a glria suprema. Aquiles no seu carro arrasta o corpo de Heitor; A sombra de Ptroclo aparece direito. Relevo romano do sculo II d.C. encaixado no muro exterior da Igreja de Maria Saal (ustria)

II. OS POEMAS HOMRICOS Segundo a tradio, Homero era um grego da Jnia, compositor de duas grandes epopias, a Ilada e a Odissia. Porm, desde a antiguidade, pairam dvidas sobre o momento em que viveu e o local exato de seu nascimento. A questo homrica ento nunca deixou de dividir o mundo erudito. O primeiro dos dois poemas que nos foram transmitidos como de sua autoria tem como assunto um episdio da Guerra de Tria e o segundo, o retorno de um dos heris desta guerra: Ulisses, que, por haver ofendido o deus Posidon vagou pelos mares dez anos antes de voltar ptria, a ilha de taca, e esposa, a fiel Penlope.(MOSS, 2004. p.171)

A Questo Homrica (...) Existem histrias sobre a vida de Homero, mas elas so totalmente lendrias. Se ele era tido como cego porque os antigos consideravam, talvez no sem razo, que a memria de um homem era mais extraordinria quando ele se encontrava desprovido de viso.

Esta bela morte que espera o guerreiro, qual ele deve a sua Kleos, h que procur-la na fora da idade, quando o seu corpo ignora ainda as decrepitudes da velhice, tal como foi o caso de Aquiles, Heitor e Ptroclo, pois s desse modo permanecer para sempre juvenil e belo na memria dos homens. E justamente por a glria do guerreiro se achar ligada

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a esta eterna juventude que os seus restos mortais so objeto de cuidados particulares. Ao invs, a pior injria que se pode infligir a um inimigo precisamente mutilar-lhe o cadver, assim age Aquiles, prendendo o corpo de Heitor ao seu carro para depois o arrastar na poeira, desejoso de o dar de pasto aos ces e aos abutres.(MOSS, 1989. p.47)

e mais extensas. O surgimento da plis tambm esteve vinculado a um vigoroso aumento da populao (...). Este acrscimo demogrfico, juntamente com uma retomada do progresso tecnolgico, artesanal e comercial foi fator de rpida urbanizao.(CARDOSO, 1993. p.20-21)

Plis Cidade antiga. Pintura elaborada com a finalidade de demonstrar a topografia de uma cidadeEstado grega

O Genos O centro da organizao social era a famlia aristocrtica que se julgava descender de um heri ou de um deus o genos , certamente uma famlia patriarcal extensa em que vrios casais poderiam viver sob a autoridade de um nico chefe; mas no um cl, como era usualmente definida, sob a influncia de Morgan e Engels, at as primeiras dcadas do sculo passado. Acreditava-se, ento, que o genos fosse um cl possuidor de terras em comum e que da sua diferenciao interna surgira a polarizao em aristocracia e povo; mas tal interpretao carece de base. O genos era invariavelmente s aristocrtico e no h sinais de propriedade coletiva nos poemas homricos ou nos de Hesodo.(CARDOSO, p. 19-20)

O Oikos Trata-se de termo antigo, encontrado desde os poemas homricos, que designa o domnio aristocrtico, ou seja, ao mesmo tempo as terras, a casa e todos aqueles que, de um modo ou de outro, fazem parte deste domnio: parentes, servos, escravos. Na poca clssica, esse sentido mantido, mas o oikos passa a referir-se com mais freqncia ao senhor, sua esposa, s crianas e escravos.(MOSS, 2004. p.213)

Cada genos era o ncleo em torno do qual se organizava uma casa real ou nobre, o oikos, que reunia pessoas e bens variados (terras, rebanhos, o palcio de fato bem modesto , um tesouro constitudo por reservas de vinho e alimentos, objetos de metal, tecidos preciosos e etc.), todos e tudo obedecendo ao chefe do genos em questo. Fora do oikos, achamos: uma categoria de trabalhadores da coletividade (demiurgos), gozando de certo prestgio social artesos especializados, profetas, mdicos, arautos, poetas cantores (aedos), etc. , que iam de uma casa nobre a outra na medida em que fossem solicitados seus servios.(CARDOSO, p.20)

(...) A plis grega apresentava-se antes de mais nada como uma comunidade humana composta pelos politai, os cidados. Os autores antigos falam, alis, de atenienses, corntios, lacedemnios etc., empregando em rarssimos casos o nome das cidades ao evocar seu papel de comunidade a agir politicamente. A plis, entretanto, era inseparvel do territrio em que estava estabelecida a comunidade dos politai, a no ser em casos excepcionais. Cada plis era um Estado autnomo, governado pelas suas prprias leis e colocado sob a proteo de seus prprios deuses. Havia, entretanto, no mundo grego da poca clssica, agrupamentos de cidades-estados reunidos em torno de uma cidade mais poderosa ou de um santurio, dotando-se ento de instituies federativas comuns.(MOSS,2004,p.240)

(...) A agricultura e a criao de gado constituem as duas principais atividades de um domnio, as quais so supervisionadas pelo senhor do oikos em pessoa, e isto mesmo tratando-se de um rei. Com efeito, se o senhor superintende sobre os trabalhadores do campo, a senhora, quanto a si, reina sobre a casa e as suas servas. ela quem acolhe os visitantes, quem lhes manda preparar um banho relaxante e leitos para passarem a noite. tambm ela quem preside o preparo das refeies. Durante o resto do tempo, fia e tece rodeada pelas suas servas. (...) Ela tambm guarda a chave do tesouro.(MOSS, 1989. p.60-61)

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III. A CIDADE-ESTADO GREGA A constituio da plis aristocrtica plenamente caracterizada deu-se com o desaparecimento da monarquia, substituda por magistrados eleitos pela nobreza de sangue entre seus prprios membros, persistindo o Conselho, antes rgo consultivo do rei, agora com freqncia o centro da vida poltica. Esta evoluo que parece ter ocorrido entre a segunda metade do sculo VIII a.C. e o incio do sculo seguinte, significou, por um lado, uma subordinao do genos e do oikos comunidade (seguida do enfraquecimento destas formas tradicionais de organizao pr-urbana), e por outro lado h indcios de que, de algum modo, os aristocratas se apoderaram das terras melhores

Os gregos de pocas posteriores conservavam a lembrana de que, em certos casos, o aparecimento das pleis ligara-se, no passado, a um movimento de concentrao populacional e fuso poltica: chamavam simpolitia a unio de vrias coletividades para formar uma maior e sinecismo o mesmo fenmeno quando, paralelamente, dava-se o transplante de boa parte dos habitantes aglomerao mais importante ou a uma cidade especialmente fundada para tal. Do ponto de vista topogrfico, uma plis, no seu ncleo urbano, dividia-se com freqncia em duas partes, que podiam ter surgido primeiro independentemente: a acrpole, colina fortificada e centro religioso, e a sty ou cidade baixa, cujo ponto focal era o lugar de reunio (posteriormente tambm um mercado com lojas) a gora. Um terceiro elemento muitas vezes presente era o porto, mas este podia muitas vezes formar uma aglomerao separada, embora prxima ( o caso do Pireu, principal porto de Atenas). Por fim, o territrio rural semeado de aldeias (khra) completava o quadro da cidade-Estado. Esta viso topogrfica mais nossa do que dos gregos, para os quais uma Cidade-Estado era formada pela comunidade de seus cidados: da que mencionassem, falando de pleis, os atenienses, os lacedemnios, os corntios, e no Atenas, Esparta ou Corinto.(CARDOSO, 1993. p.21) BIBLIOGRAFIA CARDOSO, Ciro Flamarion. A Cidade-Estado Antiga. So Paulo: Editora tica, 1993. FINLEY, Moses. Os Gregos Antigos. Lisboa: Edies 70, 2002. MOSS, Claude. Dicionrio da Civilizao Grega. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004. MOSS, Claude. A Grcia Arcaica de Homero squilo. Lisboa: Edies 70, 1989. VIDAL-NAQUET, Pierre. O Mundo de Homero. So Paulo: Companhia das Letras, 2002.