história política e econômica de mato grosso

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Histria Poltica e Econmica e Geografia de Mato GrossoPROF. JUANIL BARROS CURSO PREPARATRIO PEDRO GOMES 1. Antecedentes histricos da fundao de Cuiab;O BANDEIRANTISMO NO BRASIL DO SCULO XVII O desejo de explorar o territrio brasileiro, a busca de pedras e metais preciosos, a preocupao do colonizador portugus em consolidar seu domnio e a vontade de arrebanhar mo-de-obra indgena para trabalhar nas lavouras resultaram em incurses pelo interior do pas, feitas muitas vezes por milhares de homens, em viagens que duravam meses e at anos. Nestas incurses era evidente a preocupao do europeu em escravizar o ndio, e no foi pequeno o morticnio nas verdadeiras caadas humanas que ento ocorreram, como observa o historiador Joo Ribeiro. As bandeiras, fenmeno tipicamente paulista que data do incio do sculo XVII, no extinguiram as entradas e tambm no foram iniciativa exclusiva dos mamelucos - filhos de portugueses com ndias - do planalto de So Paulo. Elas marcam o incio de uma conscincia nativista e antiportuguesa. Calcula-se que 300.000 ndios foram escravizados at 1641, quando o bandeirantismo de aprisionamento declinou e deu lugar a expedies cada vez maiores em busca de ouro, prata e pedras preciosas. A caa ao ndio foi implacvel. Os que no se submetiam, eram exterminados se no fugissem. Os bandeirantes paulistas atacavam seguidamente as misses religiosas jesutas, uma vez que o ndio catequizado, vivendo nessas aldeias, era presa fcil. Em 1580, o capito-mor Jernimo Leito trouxe de Guair, a maior dessas misses, um grande contingente de ndios escravizados, a que se seguiram outros. Todas ou quase todas essas aldeias foram destrudas, a comear pela de Guair, em 1629, numa expedio que teve entre seus chefes Antnio Raposo Tavares. A destruio sistemtica das misses prosseguiu a sudoeste de Mato Grosso (Itatim) e ao sul, na direo do Rio Grande, proporo que os missionrios recuavam para as regies prximas aos rios Uruguai e Paran, onde conseguiram organizar a resistncia, auxiliados pelo governador do Paraguai, D. Pedro de Lugo y Navarra. Os paulistas foram derrotados em Mboror em 1641 e com isso o avano sobre as misses arrefeceu durante algum tempo Portanto, a histria de MT, no perodo "colonial" esta intimamente ligada ao ciclo das bandeiras. Houve quatro tipos de bandeiras: as de tipo apresador, para a captura de ndios (chamado indistintamente o gentio) para vender como escravos; as de tipo prospector, voltadas para a busca de pedras ou metais preciosos as de sertanismo de contrato, para combater ndios e negros (quilombos) as mones (expedies com finalidade de abastecer com suprimentos as regies mineradoras). Atravs dos bandeirantes, Portugal consolidou a sua propriedade e posse at os limites do rio Guapor e Mamor.

Os Bandeirantes em Mato GrossoO estado de Mato Grosso foi ocupado durante o perodo de colonizao do Brasil por meio das expedies dos Bandeirantes, sendo reconhecido como brasileiro pelo Tratado de Madri de 1751. O que hoje conhecemos como Mato Grosso j foi territrio espanhol, levando-se em conta os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas - pelo qual o Brasil teria menos que 30% de seu atual territrio. Entre 1673 e 1682, os bandeirantes paulistas Manoel de Campos Bicudo e Bartolomeu Bueno da Silva subiram o rio Cuiab at a sua confluncia com o rio Coxip-Mirim, onde acamparam, denominando o local de So Gonalo. No final de 1717, seguindo o mesmo caminho do seu pai, Antnio Pires de Campos chegou ao mesmo local, rebatizando-o de So Gonalo Velho. Nessa regio, onde hoje vivem ribeirinhos e ceramistas, encontraram uma aldeia de ndios Boror. Muitos foram aprisionados em combate e levados para So Paulo como escravos. Fonte: Silva & Freitas (2000). As primeiras informaes sobre os primrdios mato-grossenses indicam que o primeiro europeu a desbravar a rea que viria a constituir o estado do Mato Grosso foi o portugus Aleixo Garcia (h quem lhe atribua, sem provas decisivas, a nacionalidade espanhola), nufrago da esquadra de Juan Diaz de Sols. Em 1525, ele atravessou a Mesopotmia formada pelos rios Paran e Paraguai e, frente de uma expedio que chegou a contar com dois mil homens, avanaram at a Bolvia. De volta, com grande quantidade de prata e cobre, Garcia foi morto por ndios paiagu Sebastio Caboto tambm penetrou na regio em 1526 e subiu o Paraguai at alcanar o domnio dos guaranis, com os quais travou relaes de amizade e de quem recebeu, como presente, peas de metais preciosos.

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Em 1543 o espanhol Domingos Martinez de Irala foi incumbido pelo governador do Esturio do Prata, D. Alvar Nues Cabeza de Vaca (sede em Assuno), chegou at a regio das lagoas que hoje divide os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e as denominou de Puerto de los Reys. O prprio Cabeza de Vaca retornaria para Puerto de Los Reys e a transformou em sua base na busca de encontrar o grande rei branco e uma serra inteirinha de prata. Em 1560 Nuflo Chaves sob o comando de Irala percorreu a cabeceira do Rio Paraguai, fundou Santa Cruz de La Sierra, percorreu terras dos atuais municpios de Vila Bela da Santssima Trindade e Cceres, sendo morto pelo cacique Parrilha. Em funo de questes comerciais e a falta de estmulo por no terem encontrado nenhum grande veio mineral, a regio do Rio Paraguai permaneceu a margem dos interesses dos governos coloniais com exceo da fundao de Jerez, na regio de Miranda e das Misses jesuticas desenvolvidas na margem esquerda do Rio Paraguai. A misso de Camapu que surgiu em funo da penetrao de jesutas pelo Rio Paran. Desde 1632, os bandeirantes conheciam, de passagem e de lutas, a regio onde os jesutas haviam localizado as suas redues e que os espanhis percorriam como terra sua. Antnio Pires de Campos chegou criana, em 1672, com a bandeira paterna, s depois famosas minas dos Martrios. J adulto, retornou o caminho da serra misteriosa e navegou, de contracorrente, o rio Paraguai e o rio So Loureno, embicando Cuiab acima, at o atual porto de So Gonalo Velho, onde travou uma batalha com os ndios coxiponeses, que retiraram derrotado, foram aprisionados e levados So Paulo como escravos.

A BANDEIRA DE PASCOAL MOREIRA CABRAL E A FUNDAO DE CUIABA notcia de ndios pouco ariscos e descuidados logo se espalhou entre os sertanistas. Em 1718, um bandeirante de Sorocaba, Pascoal Moreira Cabral Leme, descendente de ndios, realizou uma incurso ao Centro-Oeste, no caminho encontra-se com Antnio Pires de Campos que retornava So Paulo depois de um bem sucedido confronto com os coxiponeses. Pascoal Moreira Cabral recebe um esboo de um mapa com a localizao dos ndios coxiponeses subiu o rio Coxip at atingir a aldeia destruda dos coxiponeses, onde depois de uma resistncia inicial dos nativos, solicitou reforo incio rancharia de uma base de operaes, s margens do Coxip e do Cuiab. Os bandeirantes recuaram, mas no desistiram de seus objetivos de tal forma que em 1718 na confluncia do Rio Coxip com o Rio Cuiab os homens de Pascoal Moreira Cabral encontraram o maior veio aurfero da poca, o local comeou a atrair moradores das mais distintas partes do pas e surgia assim primeiro arraial mato-grossense que recebeu o nome de So Gonalo Velho, situado nas margens do rio Coxip. A bandeira de Cabral descobriu abundantes jazidas de ouro. A caa ao ndio cedeu vez, ento, s atividades mineradoras. Em oito de abril de 1719, foi lavrado o termo de fundao do Arraial de Cuyab, e aclamou-se Pascoal Moreira, guarda-mor regente com a funo de "guardar todos os ribeiros de ouro, socavar, examinar, fazer composies com os mineiros e colocar bandeiras, tanto aurinas, como ao inimigo brbaro". Atendendo a que Pascoal Moreira Cabral tem feito entradas nos sertes diligncia de descobrir ouro, em que gastou alguns anos, com muita despesa de sua fazenda, morte de escravos e com grande risco da prpria vida, pelo dilatado e agreste serto, e multido do gentio brbaro, conseguindo com a sua diligncia o descobrimento de ouro, que hoje se acha com grande estabelecimento no serto do Cuiab, e ter sido eleito pelo povo, que se achava naquelas minas, e ter sido confirmado pelo meu antecessor, o Conde D. Pedro de Almeida, hei por bem fazer-lhe merc do cargo de Guarda-mor das ditas minas [...]. Rodrigo Moreira Csar de Menezes (LEITE-1982). Neste perodo a Colnia brasileira passava por um momento de forte opresso portuguesa objetivando a maior extrao possvel de minerais em nome da Coroa Portuguesa. Convm destacar que os paulistas tinham sofrido uma derrota avassaladora na Guerra dos Emboabas em Minas Gerais e isto certamente estimulou Moreira Cabral a permanecer em MT mesmo depois de uma tentativa frustrada de aprisionar os ndios coxiponeses. Os rios eram os caminhos naturais de penetrao do serto. O principal trajeto seguia o seguinte itinerrio: Rio Tiet, Rio grande, Rio Pardo, Rio Camapu, Rio Coxim, Rio Taquari, Rio Paraguai, Rio So Loureno e Finalmente Rio Cuiab. Nesta poca Mato Grosso pertencia a Capitania de So Paulo e o surgimento de novas lavras comeava a despertar o interesse dos representantes da Coroa Portuguesa no territrio mato-grossense, entre eles destacamos: O arraial da Forquilha localizava-se na confluncia de dois ribeires (Mutuca e Coxip), que, ao juntar-se, davam continuidade ao rio Coxip. Da a origem do nome. Supe-se que o fundador do arraial tenha sido o bandeirante Antnio de Almeida Lara, que, em 1720, estava explorando o rio Coxip. Forquilha teve vida efmera. Manteve-se como principal arraial das minas cuiabanas por apenas um ano e meio, at a descoberta das Lavras do Sutil, quando entrou em plena decadncia. Em 1722 so descobertas as lavras do Sutil, dando incio a um povoamento desordenado. Em 1723 surgia o Arraial do Senhor Bom Jesus de Cuiab e em 1726 era elevado a categoria de Vila Real do Bom Jesus de Cuiab. SILVA & FREITAS (2000). A notcia da descoberta de ouro no tardou em transpor os sertes, dando motivo a uma corrida sem precedentes para o oeste. A viagem at Cuiab, distante mais de 500 lguas do litoral atlntico, exigia de quatro a sei