história .era vargas professor thiago scott. 3 história era vargas (1930 – 1945) ... estatal

Download História .Era Vargas Professor Thiago Scott. 3 História ERA VARGAS (1930 – 1945) ... estatal

Post on 09-Nov-2018

215 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • www.acasadoconcurseiro.com.br

    Histria

    Era Vargas

    Professor Thiago Scott

  • www.acasadoconcurseiro.com.br 3

    Histria

    ERA VARGAS (1930 1945)

    Governo Provisrio (1930 1934)

    Organizao poltica fundada em fevereiro de 1931, no Rio de Janeiro, por elementos vinculados ao movimento tenentista, em apoio ao Governo Provisrio de Getlio Vargas.

    Vitoriosa a Revoluo de 1930e instalado o novo governo, logo surgiram atritos entre as foras que sustentavam Vargas. De um lado, colocavam-se os "tenentes", que se auto-intitulavam revolucionrios autnticos; de outro, postavam-se os polticos ligados s oligarquias dissidentes que haviam dado apoio revoluo. Nesse ambiente, os principais lderes da faco tenentista decidiram criar uma organizao poltica que sistematizasse as propostas do grupo e unificasse sua atuao. O Clube 3 de Outubro, assim denominado em homenagem data do incio da Revoluo de 1930, defendendia em princpio o prolongamento do Governo Provisrio e o adiamento da reconstitucionalizaco do pas. Sua primeira diretoria foi formada por Ges Monteiro(presidente), Pedro Ernesto (primeiro vice-presidente), Herculino Cascardo (segundo vice-presidente), Oswaldo Aranha (terceiro vice-presidente), Augusto do Amaral Peixoto (tesoureiro), Temstocles Brando Cavalcanti (primeiro-secretrio) e Hugo Napoleo (segundo-secretrio).

    Em junho de 1931, o general Ges Monteiro renunciou e Pedro Ernesto assumiu seu lugar. Iniciou-se, ento, o perodo de maior prestgio do Clube. Por sua influncia, diversos "tenentes" foram nomeados interventores federais nos estados. O prprio Pedro Ernesto, que no era militar, mais era considerado um "tenente civil", assumiu o governo do Distrito Federal.

    Em fevereiro de 1932, o Clube divulgou o esboo de seu programa, que orientaria a atuao de seus integrantes na vida poltica brasileira. O documento, alm de criticar o federalismo oligrquico vigente na Repblica Velha, defendia um governo central forte; a interveno estatal na economia com o objetivo de moderniz-la; a convivncia da representao poltica de base territorial com a representao corporativa, eleita por associaes profissionais reconhecidas pelo governo; a instituio de conselhos tcnicos de auxlio ao governo; a eliminao do latifndio mediante tributao ou simples confisco; a nacionalizao de vrias atividades econmicas, como os transportes, a explorao dos recursos hdricos e minerais, a administrao dos portos etc.; a instituio da previdncia social e da legislao trabalhista.

    Ainda em fevereiro de 1932, o governo federal, contrariando as pretenses do Clube, promul-gou o Cdigo Eleitoral, primeiro passo para a reconstitucionalizao do pas reivindicada pelos grupos polticos tradicionais. Membros do Clube envolveram-se, ento, no empastelamento do Dirio Carioca, jornal alinhado s foras constitucionalistas. Esse fato desencadeou sria crise poltica e marcou o incio do declnio da influncia do Clube junto ao governo federal. Em julho

  • www.acasadoconcurseiro.com.br4

    seguinte, quando se realizou sua primeira Conveno Nacional, a organizao j dava sinais nti-dos de esvaziamento. Entre julho e outubro, com a deflagrao da Revoluo Constitucionalista em So Paulo, suas atividades foram quase inteiramente interrompidas. A partir de outubro o Clube ressurgiu, defendendo princpios claramente autoritrios e dando mostras de exacerba-do nacionalismo, o que resultou inclusive no afastamento de vrias de suas antigas lideranas.

    Em julho de 1934, na poca da eleio do presidente da Repblica pela Assemblia Nacional Constituinte, o Clube 3 de Outubro patrocinou a candidatura do general Ges Monteiro. Essa candidatura, porm, no obteve o apoio desejado e foi retirada antes da eleio.

    Em abril de 1935, por resoluo de seus prprios membros, o Clube 3 de Outubro foi dissolvido.

    As Interventorias

    Elo entre as oligarquias estaduais, os ministrios e a Presidncia da Repblica, as interventorias eram chefiadas por elementos nomeados pelo governo federal, escolhidos entre os nativos do prprio estado, entretanto associados ideologia vargista. Geralmente sem razes partidrias, com pouca biografia poltica, os interventores como Adhemar de Barros em So Paulo, Amaral Peixoto no Rio de Janeiro, Nereu Ramos em Santa Catarina ou Ges Monteiro em Alagoas, por serem desconhecidos regionalmente, teoricamente se manteriam distantes das oligarquias locais, no as permitindo tomarem o poder. Como a indicao ao cargo era feita pela presi-dncia, e no pelos grupos locais, os interventores, por no deverem favores polticos s elites regionais, agiam com certa independncia. Sendo assim, os obstculos centralizao do Exe-cutivo federal foram retirados, atuando os interventores segundo os ditames presidenciais.

    Restava apenas criar mecanismos federais para controlar os interventores. O rodzio dos mes-mos foi o primeiro instrumento para impossibilitar uma nova formao de feudos polticos, como ocorreu durante a Repblica Velha.

    Revoluo Constitucionalista de 1932

    Em sntese: Um dos mais importantes acontecimentos da histria poltica brasileira ocorridos no Governo Provisrio de Getlio Vargas foi a Revoluo Constitucionalista de 1932 desenca-deada em So Paulo. Foram trs meses de combate, que colocaram frente a frente nos campos de batalha foras rebeldes e foras legalistas. A revolta paulista alertou o governo de que era chegado o momento de pr um fim ao carter revolucionrio do regime. Foi o que ocorreu em maio do ano seguinte, quando finalmente se realizaram as eleies para a Assemblia Nacional Constituinte, que iria preparar a Constituio de 1934.

    O estado de So Paulo havia sido a principal base poltica do regime da Primeira Repblica, e por isso era visto por vrios membros do Governo Provisrio como um potencial foco oposi-cionista. Lideranas civis e militares pressionaram ento Getlio Vargas para que no deixasse o governo estadual nas mos do Partido Democrtico de So Paulo, alegando que o PD havia apoiado a Aliana Liberal e a Revoluo de 1930, mas no se envolvera diretamente nos even-tos revolucionrios. Diante dessas presses, Vargas terminou por indicar para os cargos de in-terventor e comandante da Fora Pblica de So Paulo os lderes tenentistas Joo Alberto e Miguel Costa.

  • Histria Era Vargas Prof. Thiago Scott

    www.acasadoconcurseiro.com.br 5

    A excluso do Partido Democrtico teve como principal resultado o incio de uma campanha de mobilizao da sociedade paulista. A palavra de ordem era a imediata reintegrao do pas em um regime constitucional. Essa reivindicao era rechaada pelos "tenentes", interessados em manter um governo discricionrio para promover mais facilmente as mudanas que consi-deravam necessrias. Durante o ano de 1931, o governo Vargas manteve-se muito prximo das teses tenentistas, a ponto de se poder dizer que o Brasil era o pas dos "tenentes".

    A campanha constitucionalista fez sua primeira vtima em julho de 1931. Sem condies de governar, o interventor Joo Alberto renunciou. Iniciou-se ento um perodo de intensa luta poltica entre os diversos grupos que buscavam o poder em So Paulo. Em um curto espao de tempo foram indicados diversos interventores que caam com a mesma facilidade com que su-biam. Essa instabilidade decorria tambm do fato de que o "caso de So Paulo" se tornava cada vez mais um problema poltico que ultrapassava as fronteiras do estado. Qualquer medida do Governo Provisrio no sentido de atender ou no s reivindicaes paulistas tinha repercusso poltica nacional. Setores polticos gachos e mineiros emprestaram solidariedade campanha constitucionalista sem, no entanto, romper naquele momento com o governo de Vargas.

    No final de 1931 e incio de 1932, Vargas procurou conter as crticas organizando uma comis-so, presidida pelo ministro da Justia Maurcio Cardoso, encarregada de organizar o novo C-digo Eleitoral. Em fevereiro de 1932, o Cdigo Eleitoral foi publicado e um novo interventor foi nomeado para So Paulo, o civil e paulista Pedro de Toledo. Os sinais de trgua emitidos por Vargas, no entanto, no arrefereceram os nimos. Formou-se a Frente nica Paulista (FUP), cujos principais lemas eram a constitucionalizao do pas e a autonomia de So Paulo.

    Em maio de 1932, Vargas marcou a data das eleies para dali a um ano. A medida no teve resultados prticos no sentido de conter a conspirao poltica, que naquele momento j corria solta. A morte de quatro estudantes paulistas em confronto com foras legais criou mrtires: as iniciais de seus nomes Miragaia, Martins, Drusio e Camargo foram usadas para designar uma sociedade secreta, MMDC, que tramava para derrubar o governo.

    No dia 9 de julho o movimento revolucionrio ganhou as ruas da capital e do interior de So Pau-lo. Na linha de frente das foras rebeldes estavam remanescentes da Revoluo de 1930, como Bertoldo Klinger e Euclides Figueiredo, e mesmo o antigo lder do levantes de 1924, Isidoro Dias Lopes. A revoluo teve apoio de amplos setores da sociedade paulista. Pegaram em armas inte-lectuais, industriais, estudantes e outros segmentos das camadas mdias, polticos ligados Re-pblica Velha ou ao Partido Democrtico. O que os movia era principalmente a luta antiditatorial.

    A luta armada dos constitucionalistas ficou restrita ao estado de So Paulo. Os governos do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que a princpio viam com bom olhos a campanha pela constituciona-lizao, resolveram no enfrentar a fora militar do governo federal. Isolados, os paulistas no tive-ram condies de manter por muito tempo a revoluo. Em outubro de 1932 assinaram a rendio.

    No perodo seguinte Vargas emitiu dois sinais claros de que estava disposto a uma nova composio poltica com os paulistas: nomeou interventor o paulista e civil Armando de Sales Oliveira (agosto de 1933) e adotou medidas que permitiram o rescalonamento das dvidas dos agricultores em crise.

    No governo de Armando Sales, as elites polticas paulistas procur