HISTÓRIA ECLESIÁSTICA de Dom Bosco

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<p>HISTRIA DA IGREJADom Bosco, santo fundador dos Salesianos, recebeu de Deus um carisma especial no trato com os jovens, aos quais dedicou toda sua vida. Dentre os muitos escritos de Dom Bosco, que infelizmente no so divulgados, mesmo pela Editora Salesiana, como se esperaria, est a "Histria Eclesistica", que na sua linguagem simples, direta e dinmica, elaborada pelo santo para ser agradvel ao leitor jovem, incrivelmente, ainda hoje, aps quase 140 anos, atual no seu objetivo. Por esta razo foi ela, a , a nossa escolhida para ilustrar a pgina HISTRIA DA IGREJA do "Duc in altum!", mesmo que para isso tenhamos tido que esperar 6 anos, desde a fundao do site, para encontrarmos um exemplar do livro de Dom Bosco.</p> <p>Querido pai Dom Bosco, pedimos vossa intercesso para que a transcrio da vossa "Histria Eclesistica" possa, ainda hoje, servir de instrumento para instruir e inflamar os coraes jovens, de todas as idades, ao amor Santa Madre Igreja Catlica Apostlica Romana. Amm. 8 de maio de 2008.</p> <p>DOM BOSCO - HISTRIA ECLESISTICA APROVAO De s. Excia. Revma. o Sr. Arcebispo de Turim Tendo ns lido e atentamente examinado o "Compndio de Histria Eclesistica" escrito pelo muito Reverendo Padre Joo Bosco, fundador da Congregao de So Francisco de Sales, e tendo-o achado muito oportuno e apto para dar os conhecimentos suficientes de uma coisa to necessria hoje em dia, como a Histria de Jesus Cristo, a todos aqueles que por qualquer motivo no podem dedicar-se a um estudo mais profundo e vasto da mesma, no s o aprovamos, mas tambm ardorosamente o recomendamos a todas aquelas pessoas que tm zelo por nossa Santa Religio, e particularmente a todos os professores de escola, e a todos os que se dedicam a instruir de modo cristo a mocidade. Turim, Seminrio So Jos, 1872. Loureno Arcebispo NOES PRELIMINARES Histria Eclesistica e suas divises - Igreja Catlica - Hierarquia da Igreja: Procos - Conclios: gerais, nacionais, provinciais e diocesanos.Papa, Cardeais, Bispos, Padres.</p> <p>I. Histrias Eclesistica e suas divises - Histria Eclesistica a narrao dos fatos que tem relao com a Igreja Catlica, fundada por nosso divino Redentor Jesus Cristo, acompanhada das razes que explicam esses mesmos fatos. A histria se distingue da crnica; esta registra simplesmente os fatos segundo a ordem cronolgica em que sucederam, aquela intercala a relao dos fatos com as observaes que melhor os aclaram e explicam, para poder deste modo deduzir utilssimos conhecimentos e ensinamentos prticos. A histria se divide em seis idades, determinadas pelas pocas em que aconteceu algum fato extraordinrio ou alguma mudana notvel nos costumes. A primeira poca data desde a fundao da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, e se estende at a converso do Imperador Constantino o Grande, acontecida no ano 312 da era crist.</p> <p>A segunda poca comea com a converso de Constantino e chega at a apario do Maometismo no ano 622. A terceira poca vai desde a apario do Maometismo at o II conclio de Latro em 1215. A quarta poca inicia-se com a celebrao deste Conclio e vai at a reforma de Lutero em 1517. A quinta poca comea com a reforma de Lutero e chega at a morte de Pio VI em 1799. A sexta poca comea com a morte de Pio VI e chega at o Conclio Vaticano I em 1869-70. II. Igreja Catlica - A Igreja Catlica a congregao dos que professam na ntegra a f e a doutrina de Jesus Cristo, e respeitam a autoridade do Soberano Pontfice, constitudo pelo mesmo Jesus Cristo como Vigrio e supremo Chefe visvel da Igreja. III. Hierarquia da Igreja - Nesta congregao de fiis existe uma hierarquia eclesistica, isto , uma ordem de ministros sagrados estabelecidos para conservar, propagar e governar a mesma Igreja. Esta Hierarquia em parte foi instituda por Nosso Senhor Jesus Cristo e completada pela Igreja, no exerccio da faculdade que recebeu das mos do mesmo. Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu: 1. O Papa, que o Bispo dos Bispos. 2. Os Bispos, que alm do poder de consagrar o Corpo e Sangue do Redentor e perdoar os pecados, tem a faculdade de comunicar a outrem o mesmo poder, consagrando os Sacerdotes. 3. Os Sacerdotes, que podem consagrar o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo e redimir os pecados, porm no podem transmitir a outrem este poder. 4. Os Diconos ou ministros, que devem ajudar os Bispos e os Sacerdotes no desempenho do seu sagrado ministrio. A Igreja estabeleceu: 1. Dividir em certa maneira, em vrias ordens as atribuies dos diconos, ajuntando os subdiconos, aclitos, leitores, exorcistas e hostirios. 2. Que entre os Sacerdotes, alguns tivessem o cuidado de alguma parte da Diocese; isto , do rebanho confiado aos cuidados do Bispo, dando-lhes o nome e ofcio de Procos, dividindo assim a Diocese em Parquias. 3. Que os Bispos tivessem o governo de uma Diocese, e que as Dioceses fossem reunidas em Provncias, presididas por um Arcebispo, com jurisdio sobre os Bispos da mesma Provncia, chamados sulfragneos. 4. Que em alguns reinos e imprios houvesse, frente de vrias Provncias, um Bispo Primaz ou Patriarca, do qual depende os mesmos Arcebispos e as Provncias por eles governadas. 5. Finalmente que os Bispos das cidades mais circunvizinhas de Roma, capital do Catolicismo, e os Sacerdotes e Diconos adidos s principais Igrejas da Cidade Eterna formassem como o Senado do Soberano Pontfice, quanto ao privilgio de eleger o Papa, e ajudassem a este na administrao da Igreja Universal. A estes foi dado o nome de Cardeais porque todos eles tomam o ttulo de uma Igreja a cujo servio se acham ligados como portas de um edifcio a seus gonzos (em latim cardines). De modo que a Hierarquia instituda por Jesus Cristo e completada mais tarde pela Igreja, compe-se: 1. do Papa; 2. dos Cardeais; 3. dos Patriarcas; 4. dos Arcebispos; 5. dos Bispos; 6. dos Sacerdotes (Presbteros); 7. dos Diconos; 8. dos Subdiconos (extinto pelo Papa Paulo VI, atravs do Motu Proprio Ministeria Quaedam de 15 de agosto de 1972); 9. dos Aclitos e Leitores (incluso nos Diconos) IV. Conclios - Os Conclios so assemblias de Bispos, convocadas para tratar das questes religiosas e falar sobre as mesmas. Os Conclios podem ser: Ecumnicos ou Gerais, Nacionais e Provinciais. Conclio Ecumnico a reunio de todos, ou de uma grande parte dos Bispos da Igreja Catlica, aos quais convoca e preside pessoalmente ou por delegao, o mesmo Sumo Pontfice. O Conclio Geral decide em ltima instncia as controvrsias religiosas e ditas leis gerais para toda Igreja; porm, nem as sentenas, nem as leis do Conclios Gerais tem fora alguma, antes de serem aprovadas pelo Papa; de modo que, o Conclio Geral legitimamente congregado representa toda a Igreja Universal; e suas sentenas, quando trazem a aprovao do Papa, sendo infAliveis, devero ser tidas como artigos de f.</p> <p>O Conclio Nacional a reunio dos Bispos de uma nao ou de um reino, convocados pelo Patriarca ou pelo Primaz, ou mesmo por um Bispo da Provncia, nomeado para este efeito pelo Sumo Pontfice. O Conclio Provincial a reunio dos Bispos de uma mesma Provncia, convocados pelo Metropolitano, isto , pelo Arcebispo, ou mesmo por outro Bispo coprovinciano, delegado pelo Soberano Pontfice. Tambm existem os Conclios Diocesanos, que consistem na reunio de todos os Procos e demais eclesisticos eminentes de uma Diocese, convocados por seu Bispo. Advirta-se, entretanto, que toda autoridade destes Conclios em resolver questes religiosas, ou ditar sentenas relacionadas com elas, compete exclusivamente ao Bispo; em quanto que nos Conclios Gerais, Nacionais e Provinciais todos os Bispos congregados tm a faculdade de proferir um juzo deliberativo. Nos Conclios Diocesanos os Procos so simples conselheiros, nos demais Conclios, os Bispos so juzes.</p> <p>PRIMEIRA POCADesde a fundao da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, at a converso de Constantino, o Grande. (ano 312 da era crist).</p> <p>CAPTULO I Maria Santssima e So Jos - Nascimento do Salvador - Adorao dos Reis Magos Degolao dos Inocentes - A Sagrada Famlia no Egito - Disputa com os Doutores -So Joo Batista - Batismo de Jesus. Maria Santssima e So Jos - Aproximava-se o tempo para os quais os profetas tinham fixado a vinda do Salvador: todo o mundo esperava um mestre que, baixando do Cu, trouxesse terra uma regra segura para discernir a verdade do erro e reformar assim os costumes depravados dos homens. Depois de 4.000 anos de contnuos suspiros, Deus decretou o cumprimento do mistrio da Redeno. Uma Virgem chamada Maria, foi a mulher venturosa que Deus escolheu para ser me de seu Divino Filho. So Joaquim e Santa Ana, ambos descendentes da real estirpe de Davi, e da Tribo de Jud, foram os pais de Maria. Sendo j velhos, e faltando-lhes prole, dirigiram ao Cu suas oraes, e o Senhor os ouviu, concedendo-lhes uma filha a que chamaram Maria. Aos trs anos de idade foi esta apresentada ao Templo, para que, juntamente com as outras virgens, no exerccio da piedade e do trabalho se preparasse desde ento para ser digna me do Salvador do mundo. (So Joo Damasceno) Tendo chegado idade de tomar estado, respondendo a uma voz celeste, foi desposada com So Jos, varo santssimo, oriundo de Nazar, o qual viveu com ela como se fosse uma irm. Depois de breve tempo, o Arcanjo Gabriel foi enviado para anunciar a Maria a sublime dignidade de me de Deus. Certificada Maria que tudo era obra do Esprito Santo submeteu-se Vontade do Altssimo, dizendo ao Anjo: Eis aqui a serva do Senhor; faase em mim segundo a tua palavra. Nascimento do Salvador - Corria o ano 4.000 da criao do mundo e Herodes, chamado o Grande, reinava na Judia. Maria Santssima e So Jos, obedecendo s ordens do Imperador Romano, Csar Augusto, se transportaram para Belm, pequena cidade da Judia para inscreverem seus nomes nos registros do imprio. Estando as casas da Cidade cheias de forasteiros, tiveram de sair da e alojar-se em uma gruta que servia de estbulo, onde se achavam dois animais.</p> <p>Em to humilde local, meia-noite de 25 de dezembro, nasceu o Senhor do Cu e da terra. Nesse mesmo instante, um anjo revestido de luz deslumbrante, anunciou a boa nova a uns pastores que velavam guardando seus rebanhos, enquanto que uma multido de anjos fazia ressoar nos ares aquelas palavras celestiais: "Glria Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade". Os pastores cheios de admirao por to inslitos portentos, correram pressurosos a Belm e encontraram ali o celestial Menino. Depois de o haverem adorado e reconhecido como seu verdadeiro Deus e Salvador, cheios de alegria voltaram a seus rebanhos bendizendo ao Altssimo. Aos oito dias de seu nascimento o Menino foi circuncidado e foi lhe posto o adorvel nome de Jesus, que quer dizer Salvador, como o tinha ordenado o anjo antes do seu nascimento. Adorao dos Reis Magos - Algum tempo depois, alguns sbios do Oriente, guiados por uma estrela prodigiosa, que ento apareceu em suas regies, dirigiram-se Jerusalm para adorar o recm-nascido Messias. Chegando Jerusalm perguntaram a Herodes onde havia nascido o rei dos Judeus. A to estranha pergunta perturbou-se Herodes; reuniu em Conclio os Prncipes e Sacerdotes e os Doutores da Lei e lhes perguntou onde havia de nascer o Messias. A Assemblia declarou que devia nascer em Belm de Jud, segundo a profecia de Miquias, que, falando do nascimento do Messias, disse: " E tu, Belm de Jud, no s a menor entre as principais de Jud, porque de ti nascer o chefe que governar meu povo de Israel." Com tais informaes saram de Jerusalm os piedosos Reis e acompanhando o curso da estrela milagrosa chegaram onde se achava o divino Infante, e humildemente prostrados ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra. Em seguida, avisados por um Anjo, regressaram por outro caminho a sua ptria. Degolao dos Inocentes e fuga para o Egito - Herodes ao despedir os Reis recomendou-lhes encarecidamente que passassem por seu palcio e o inteirassem de quanto se referia ao novo rei, com o fim, porm, de faz-lo perecer, temendo que crescendo o despojasse do seu trono. Mas, tendo esperado inutilmente pela volta dos reis, e presumindo por ventura alguma coisa do acontecido no templo, agitado por mil suspeitas, lavrou um decreto em que ordenava a degolao de todos os meninos que no tendo chegado ainda aos dois anos de idade se achassem em Belm e suas circunvizinhaas. Deus, porm, enviou um anjo que comunicou em sonhos a Jos as brutais disposies de Herodes, pelo que Jos fugiu para o Egito com Maria e o Menino. Da s voltou depois que o anjo anunciou a morte de Herodes. Havendo morrido Herodes, a Sagrada Famlia regressou a Nazar, sua ptria, cumprindo-se assim a profecia de Osias que havia dito em nome de Deus: Desde o Egito eu chamei meu filho. (Osias, cap. 2) Disputa com os Doutores - Jos e Maria juntamente com Jesus, viviam tranquilos em sua ptria, ganhando o po com o trabalho de suas mos. Na idade de doze anos, tendo ido Jesus com seus pais a Jerusalm para celebrar a Pscoa, perdeu-se. Jos e Maria debulhados em pranto, procuraram-no por trs dias com incrvel ansiedade; finalmente puderam encontra-lo no templo enquanto disputava com os Doutores da lei aos quais causava grande admirao com suas sbias perguntas e respostas. Vendo-o Maria lhe disse: "Filho porque procedeste assim conosco? V como teu pai e eu angustiados te procurvamos". Jesus lhe respondeu: "Porque me procurveis? No sabeis que nas coisas que so de meu pai me convm estar?" este o ltimo fato que nos narra o Evangelho da infncia de Jesus, que depois de regressar a Nazar, submisso e</p> <p>obediente a Maria e a So Jos, se ocupou nos humildes trabalhos de simples arteso, at aos 30 anos de idade. So Joo Batista - Quando o anjo anunciou a Maria a sublime dignidade de Me de Deus, disse-lhe tambm que sua prima Isabel, apesar de sua avanada idade, daria luz um filho destinado por Deus para preparar a receberem o Messias. Maria, sabedora, pela revelao de um anjo, das maravilhas que Deus estava obrando na pessoa de sua prima Isabel, foi logo a sua casa visit-la e esteve com ela trs meses. Seis meses antes do nascimento do Salvador, Isabel deu luz o filho prometido que recebeu o nome de Joo ao qual se acrescentou mais tarde o apelido de Batista, porque batizava as multides. Este menino foi o precursor do Messias. Para fugir aos tumultos do sculo, retirou-se, ainda muito criana soledade do deserto onde levou uma vida anglica; seu alimento se compunha de gafanhotos e mel silvestre e no tinha outra vestimenta alm da pele de um cameio e um cinturo de couro. Estava Joo pelos trinta anos de idade quando recebeu ordem do Senhor de ir s margens do Jordo para pregar a penitncia e anunciar a chegada do Messias. Todos corriam para ouvir seus sermes e muitos recebiam o batismo. Batismo de Jesus - Jesus aos 30 anos de idade saiu de Nazar para chegar s margens do Jordo, e receber tambm Ele o batismo. So Joo como nunca o tinha visto, no o conhecia ainda; entretanto iluminado pelo Esprito Santo, correu a seu encontro nas margens do Jordo, gritando para a multido que o acompanhava: "Eis aqui o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo". Falando em seguida a Jesus, disse-lhe: "Tu queres que eu te batiz...</p>