História do Brasil - Pré-Vestibular - Resumo

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RESUMO HISTRIA DO BRASILA transio da Idade Mdia para a Idade ModernaA partir da Segunda metade do sculo XV, o mundo europeu sofreu grandes transformaes polticas, econmicas, sociais e culturais. Estas transformaes, que marcam o fim da Idade Mdia e o incio dos Tempos Modernos, trouxeram como conseqncia a expanso comercial europia e levaram aos Descobrimentos Martimos. No campo poltico, houve o fortalecimento e centralizao do poder real; Na economia, o comrcio tornou-se mais importante; Na sociedade, surgiu e se fortaleceu uma nova classe social: a burguesia; No campo cultural, houve o Renascimento artstico; Nas cincias, houve o progresso tcnico e cientfico; No campo religioso, o Cristianismo foi divulgado em outros continentes. As rotas comerciais que ligavam Europa, sia e frica tinham como centro de convergncia o Mar Mediterrneo.O Comrcio das EspeciariasEspeciarias eram produtos raros, vindos principalmente do oriente, que passaram a ser consumidos em larga escala pelos europeus desde a poca das Cruzadas (Idade Mdia). Exemplos: pimentas, canela, cravo, seda, marfim, cnfora, ns moscada, gengibre, ales, incenso, sndalo, perfumes e produtos aromticos. Constantinopla, cidade pela qual as especiarias orientais chegavam Europa, onde eram distribudas com grandes lucros, pelos navios das repblicas de Gnova e Veneza, foi conquistada pelos turcos otomanos, em 1453. Importante: O comrcio das especiarias do Oriente fez desenvolver o Capitalismo europeu na sua fase mercantilista. Favoreceram Portugal e Espanha a se lanarem nas Grandes Navegaes: a posio geogrfica privilegiada, a tradio martima (atividade pesqueira) e a centralizao poltica pioneira, devido "Reconquista" (luta dos cristos contra os rabes). Dois foram os principais ciclos de navegao: leste ou oriental (ciclo dos Portugueses) e oeste ou ocidental (ciclo dos Espanhis).Ciclo PortugusO ciclo oriental ou portugus visava a contornar o litoral da frica para chegar s ndias (oriente). O grande impulso para os descobrimentos portugueses foi a criao do Centro de Geografia e Nutica, localizado em Sagres (sul de Portugal), pelo Infante Dom Henrique("O Navegador"). O Estado financiava as pesquisas e reservava para si a exclusividade das viagens. A tomada de Celta, em 1415, no norte da frica, marcou o incio das conquistas de alm-mar.Ciclo EspanholO ciclo ocidental ou espanhol objetivava chegar ao Oriente (ndias) viajando pelo ocidente ("El Ocidente por el poniente"), segundo os planos do navegador Cristvo Colombo, natural de Gnova (Itlia), que acreditava na esfericidade ou redondeza da terra. Recebeu apoio dos "Reis Catlicos" que governavam a Espanha: Ferno (rei de Arago) e Isabel (rainha de Castela). Suas caravelas eram: Santa Maria (nau capitnia), Pinta e Nina.O Tratado de TordesilhasO descobrimento da Amrica quase levou Portugal a declarar guerra Espanha pois o rei daquele pas julgava-se lesado em seus direitos. Para solucionar o problema da partilha (diviso) das terras descobertas, o Papa Alexandre VI, a pedido dos "Reis Catlicos", por intermdio da Bula Intercoetera (1493) estabeleceu os limites das terras entre Portugal e Espanha, atravs de um meridiano imaginrio que seria contado a partir de 100 lguas a oeste das Ilhas de Cabo Verde e Aores, o que no foi aceito por Portugal. Os pases ibricos chegaram a um acordo atravs do Tratado de Tordesilhas ou de participao do Mar Oceano, assinado em 1494. Ficou estabelecido que as terras e Ilhas a leste do meridiano, a contar de 370 lguas das Ilhas de Cabo Verde, pertenceriam a Portugal e, as que ficassem a oeste da mesma linha, pertenceriam Espanha. Conseqncias da expanso martima e comercial europia: surgimento de Imprios Coloniais regidos pela poltica mercantilista; oceano Atlntico passou a ser o principal centro comercial; propagaram-se os conhecimentos geogrficos e astronmicos e os das cincias naturais; baixou o preo de custo das especiarias e drogas; surgiram as companhias de comrcio; a burguesia passou a ter maior importncia social e influncia poltica.O Descobrimento do BrasilAps o descobrimento do caminho martimo para as ndias, o rei de Portugal,Dom Manuel I, "O Venturoso", (da dinastia de vis) organizou poderosa esquadra com objetivo de fundar feitorias no Oriente (Calicute). Esta expedio, que foi chefiada pelo fidalgo Pedro lvares Cabral, senhor de Bel Monte e Alcaide - Mor de Azurara, descobriu o Brasil no dia 22 de abril de 1500. Denominamos perodo pr-colonial a fase transcorrida entre a chegada da esquadra de Pedro lvares Cabral e o primeiro projeto nitidamente colonizador empreendido por Martim Afonso de Souza em 1531. Durante esse perodo, a regio conhecida como Amrica portuguesa teve um papel secundrio na economia de Portugal, no momento em que o comrcio com as ndias Orientais monopolizava os interesses mercantins do Imprio.Apesar da importncia secundaria, era inegvel a preocupao estatal com o reconhecimento e a proteo desse territrio. Diversas expedies foram para procurar no Brasil riquezas que pudessem ser exploradas e ao mesmo tempo combater invasores estrangeiros (principalmente espanhis e franceses). Essas expedies no conseguiram descobrir os to sonhados metais preciosos, que s foram encontrados no final do sculo XVII (no podemos nos esquecer que uma das bases do sistema mercantil era o metalismo). No entanto, localizaram nos litorais brasileiros um produto de importncia menor que viabilizou o surgimento de um incipiente comrcio: o do pau-brasil. A explorao dessa madeira, que era utilizada na tintura de tecidos europeus, tornouse a principal atividade econmica do perodo pr-colonial. Esse comrcio tornou-se vivel graas ao escambo com os indgenas e ao surgimento de algumas poucas feitorias no litoral.Chegada da Esquadra de Pedro lvares CabralPedro Alvars Cabral partiu de Portugal para encontrar terras alm-Atlntico, as ndias. Sua frota era composta por dez naus e 3 caravelas, chefiadas pelos navegadores Bartolomeu Dias, Nicolau Coelho, Duarte Pacheco Pereira e pelo fidalgo Sancho de Tovar. Sua expedio contava com cerca de 1500 homens esua misso era feitorias nas ndias e criar bases comerciais permanentes na sia. Iniciou sua viagem em 9 de maro de 1500, com sua sada do Porto de Restelo. Em 22 de maro chega ao arquiplago de Cabo Verde e l desaparece a nau de Vasco Atade.Em documento escrito por Duarte Pacheco Pereira, existe um indicador de que o rumo tomado era proposital, a mando de D. Manuel I, que queria se certificar da existncia de terras alm do Atlntico das quais poderia tomar posse, conforme determinado no Tratado de Tordesilhas. Em sua chegada, em 22 de abril, avistou a nova terra e os novos habitantes, os ndios (foram chamados de ndios pois os portugueses acharam estar nas ndias).Explorao de Pau - BrasilA primeira riqueza explorada pelo europeu em terras brasileiras foi o pau-brasil (caesalpinia echinata),rvore que existia com relativa abundncia em largas faixas dacosta brasileira. O interesse comercial nessa madeira decorria da possibilidade de extrair-se dela uma substncia corante, comumente utilizada para tingir tecidos. Antes da conquista da Amrica indstria europia de tintas comprava o pau-brasil trazido do Oriente pelos mercadores que atuavam nas rotas tradicionais do comrcio indiano. Aps a conquista do Brasil, tornava-se mais lucrativo extra-lo diretamente de nossas matas litorneas. O rei de Portugal no demorou a declarar a explorao do pau-brasil um monoplio da coroa portuguesa. Oficialmente, ningum poderia retir-lo de nossas matas sem prvia concesso da coroa e o pagamento do correspondente tributo. A primeira concesso para explorar o pau-brasil foi fornecida a Ferno de Noronha, em 1501, que estava associada a vrios comerciantes judeus. Os Franceses, que no reconheciam a legitimidade do Tratado de Tordesilhas, agiam intensamente no litoral brasileiro, extraindo a madeira sem pagar os tributos exigidos pela coroa portuguesa. O esquema montado para a extrao do pau-brasil contava ,essencialmente , com a importante participao do indgena. S as tripulaes dos navios que efetuam o trfico no dariam conta, a no ser de forma muito limitada , da rdua tarefa de cortar rvores de grande porte como o pau-brasil , que alcana um metro de dimetro na base do tronco e 10 a 15m de altura. A princpio , o trabalho do ndio era conseguido "amigavelmente" com o escambo. Este consistia , basicamente , em derrubar as grandes rvores , cort-las em pequenas toras , transport-las at a praia e , da, aos locais onde estavam ancorados os navios.Notas: Escambo - troca de bens e servios sem a intermediao do dinheiro. Logo aps a chegada dos portugueses no Brasil, o escambo foi intensamente empregado nas relaes entre europeus e amerndios para carregamento do pau-brasil. Os ndios cortavam a madeira e a deixavam na praia, para ser colocada nos navios, em troca recebiam facas, espelhos e burgigangas de fabricao europia. Feitorias - estruturas comerciais, em geral fortificadas e situados no litoral, que serviam de entrepostos com o interior da colniasA Viagem de CabralNa viagem, durante a travessia do Atlntico desgarrou-se a nau (barco) de Vasco de Atade. O primeiro ponto avistado foi o Monte Pascoal, no dia 22 de abril de 1500. Aps o contato inicial amistoso com os ndios, a esquadra fundeou na atual baia de Cabrlia ("Porto Seguro"). Tendo Gaspar de Lemos retornado a Portugal levando cartas relativas ao descobrimento, a esquadra prosseguiu viagem para as ndias, aps deixar no Brasil dois degredados. Denominou-se "Semana de Vera Cruz" ao perodo em que a esquadra de Cabral esteve no Brasil. Documentos sobre a descoberta Os principais documentos sobre o descobrimento so:Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal Dom Manuel I; Carta do Mestre Joo ao mesmo rei; Relao do piloto Annimo; Carta de Dom Manuel I aos reis Catlicos. Nomes dados terra Cabral chamou-a de Terra de Vera Cruz, enquanto Caminha denominou-a Ilha de Vera Cruz. Nome Brasil foi devido abundncia de madeira tintorial (Ibirapitanga), que os europeus chamavam de pau-brasil. Teorias do Descobrimento As duas teorias que surgiram para explicar o Descobrimento do Brasil so: intencionalidade (mais aceita) e casualidade (acaso).II - A COLONIZAOMercantilismo e colonizao A colonizao na poca moderna aparece como um desdobramento da expanso martima e comercial europia, que assinala o inicio dos Tempos Modernos. O sistema de colonizao que a poltica mercantilista visa a desenvolver, subordina se ao Mercantilismo: a funo da Colnia seria completar a economia metropolitana. A histria colonial do Brasil est vinculada expanso comercial e colonial da Europa. O sistema colonial o conjunto de relaes entre as metrpoles e suas respectivas colnias em uma determinada poca histrica. Colnias de povoamento e de explorao Colnias de povoamento. Nos termos caractersticos do sistema colonial mercantilista, elas podem ser consideradas um foco de desajuste. Toda sua organizao econmica no est montada para a metrpole, no se constituindo desse modo como economia complementar. A produo feita para o consumo interno, caracterizando-se pela diversificao de seus produtos. A pequena propriedade o tipo predominante, normalmente localizadas em reas de clima temperado. Colnias de explorao. Podem ser consideradas como as mais tpicas da colonizao europia. Toda organizao econmica est em funo do mercado externo. Coerentemente, a grande propriedade, a monocultura e o trabalho escravo so os pilares dessas economias complementares. A que particularmente nos interessa a Amrica portuguesa, que pode ser definida como colnia de explorao. Perodo pr - colonial (1500 - 1530)Corresponde fase da explorao do pau-brasil. Neste perodo o rei de Portugal tomou as seguintes providncias: enviou expedies exploradoras, arrendou o Brasil e enviou expedies guarda-costas. As expedies de Gaspar de Lemos (1501) e de Gonalo Coelho (1503) vieram fazer o reconhecimento do litoral brasileiro.Portugal arrendou o Brasil a um grupo de cristos novos (judeus) chefiados por Ferno de Noronha. Este tambm recebeu a primeira Capitania Hereditria (1504): a ilha de So Joo ou da Quaresma, hoje integrantes do arquiplago de Fernando de Noronha. Pelo arrendamento, era permitido extrair pau-brasil e estabelecia a obrigatoriedade de fundar feitorias (armazns fortificados). Para reprimir (combater) o contrabando do pau-brasil, realizado principalmente por corsrios franceses, foram enviadas duas expedies policiadoras (guarda-costas) de 1516 e 1526, chefiadas por Cristvo Jacques. Neste perodo, a atitude de Portugal em relao ao Brasil de desinteresse pois o comrcio oriental (das especiarias) o foco central do comrcio externo portugus. Alm disso, o que a colnia recm descoberta poderia oferecer? No h nenhum produto que possa atrair a poltica mercantilista portuguesa. Em outras palavras, qualquer tentativa de aproveitamento da terra implicaria em gastos para a metrpole. Extrao do pau-brasilO pau-brasil existia com abundncia na orla litornea, desde o Rio Grande do Norte at a regio fluminense (Cabo Frio). A viagem da nau Bretoa est ligada a um grande carregamento desta madeira. Conhecido pelos ndios como "Ibirapitanga" e batizado pelos europeus como paubrasil, teve fcil aceitao na Europa como material colorante, prprio para tingir tecidos. Descoberto o produto, foi imediatamente declarado monoplio da Coroa e sua explorao feita pela iniciativa privada (particular), tendo a frente Ferno de Noronha. No perodo pr - colonizador (1500 - 1530), a extrao do pau - brasil constituiu-se na mais importante atividade econmica. O grande nmero de indgenas existente na costa permitiu aos portugueses que a explorao dessa madeira tintorial (pau - brasil) fosse realizada com facilidade, atravs da utilizao da mo de obra indgena sob a forma de Escambo ou comrcio de troca. Conseqncias da extrao do pau - brasil: ocasionou o surgimento de feitorias. Estas no chegaram a fixar o colono europeu ao solo; influenciou na substituio do nome de Terra de Santa Cruz pelo de Brasil. claro que, desde a descoberta, a metrpole reserva para si a exclusividade da explorao do pau - brasil. Assim, a Coroa passa a ter controle sobre o produto, inserindo-o do mesmo sistema comercial que vigorava no Oriente, isto , o Estanco: a metrpole pode fazer concesses a particulares mediante pagamento de direitos. Toda a explorao feita com o consentimento do rei de Portugal. Importante: Em relao a nossa colonizao, a explorao do pau - brasil no favoreceu a criao de ncleos fixos de povoamento, pois era uma atividade nmade. A colonizao: Esta fase tem incio em 1530 quando Portugal toma providncias visando a ocupao sistemtica (efetiva) do litoral brasileiro. Principais medidas: expedio colonizadora de Martim Afonso de Souza (1530/ 32), diviso do Brasil em Capitanias Hereditrias e instituio do Governo geral.As razes da colonizao podem ser assim resumidas: comrcio portugus das especiarias nas ndias (Oriente) estava em decadncia; Portugal corria o risco de perder o Brasil devido presena dos corsrios franceses no litoral a possibilidade de encontrar jazidas minerais.Segunda ParteIII - ORGANIZAO POLTICA E SOCIAL DO PERODO COLONIALCapitanias Hereditrias O rei D. Joo III ("O Colonizador") instituiu este regime, em 1534, graas influncia de Diogo de Gouveia. Nosso pas foi dividido em lotes de terras ("Capitanias"), doadas a Capites (Donatrios); comeavam no litoral indo at o meridiano de Tordesilhas. Motivos que levaram o rei de Portugal a instituir este sistema: a grande extenso territorial do Brasil; a experincia bem sucedida dos portugueses nas ilhas do Atlntico: Aores, Madeira, Cabo Verde, ... os recursos limitados da Coroa portuguesa, devido ao insucesso dos negcios doOriente (ndias). Mas, como as capitanias hereditrias solucionariam os problemas portugueses? Em primeiro lugar, defenderiam a terra face ameaa externa e transferiam para particulares o nus da colonizao, preservando a Coroa e criando uma alternativa ao comrcio do Oriente. Carta de doao e foral eram documentos que regulamentavam as Capitanias. Pela carta de doao, o Capito-mor (donatrio) recebia a concesso da terra do rei. Atravs do foral eram fixados os direitos e deveres dos donatrios e colonos. Direitos dos donatrios: fundar vilas ou ncleos de povoao; distribuir lotes de terras ou sesmarias; exercer a justia civil e criminal; colonizar, defender e fazer progredir a Capitania com seus prprios recursos. Entre os direitos da Coroa (Metrpole) podemos citar: monoplio da explorao do pau-brasil; fabricao de moedas; o quinto de ouro e das pedras preciosas. So Vicente e Pernambuco foram as Capitanias que mais prosperaram. Na Capitania de So Vicente foram fundadas as povoaes (vilas) de santos (por Brs Cubas), Santo Andr da Borda do campo, So Paulo de Piratininga e Itanham. Diversos fatores do relativo insucesso das Capitanias: a indisciplina dos colonos, os ataques dos indgenas, as incurses de estrangeiros (franceses), a falta de recursos dos donatrios, a inexistncia de um governo central para ajudar os donatrios. So Vicente, doada a Martim Afonso de Sousa, foi administrada pelo Padre Gonalo Monteiro. So Vicente inclua dois lotes. Principal riqueza: cana-deacar. A extino das Capitanias Hereditrias ocorreu na administrao do Marqus de Pombal (1759). A instituio das Capitanias resultou numa grande descentralizao: o rei dava ao donatrio amplos poderes.As Capitanias so em nmero de quinze e os donatrios, doze. Entretanto o regime das Capitanias hereditrias no apresentou o resultado esperado, comprometendo essa primeira iniciativa de Colonizao. Diversos fatores contriburam para o relativo insucesso das Capitanias: o direito do couto e do homizio, a grande extenso dos lotes, a indisciplina dos colonos. Governos Gerais O insucesso das Capitanias Hereditrias mostrou a impossibilidade da colonizao com base apenas no capital particular. O Governo Geral foi institudo pelo rei D. Joo III em 1548, a conselho de Lus de Gis. Foi criado tendo em vista a necessidade de organizar e centralizar a administrao, exercer uma melhor fiscalizao, promover a defesa da Colnia contra os ataques estrangeiros e para dar " favor e ajuda" aos donatrios das Capitanias. As atribuies do Governador Geral estavam no Regimento (Regimento de Almeirim ou Regimento da Castanheira). A Capitania da Bahia de Todos-os-Santos foi adquirida pelo rei, mediante indenizao, para ser a sede do Governo Geral. Os trs auxiliares do Governador Geral eram: provedor-mor, ouvidor-mor e o capito-mor da costa. O provedor-mor era encarregado de assuntos financeiros; o ouvidor-mor cuidava de assuntos judiciais; o capito-mor da costa era encarregado da defesa. O Governo Geral foi criado mediante em Regimento que procurava superar os antigos obstculos encontrados. Seus artigos do atribuies muito bem definidas ao novo representante do governo portugus na Colnia. Ao Governador-Geral competia: coordenar a defesa da terra contra ataques, instalando e refazendo fortes, construindo navios e armando os colonos; fazer alianas com os ndios, iniciando sua catequese; explorar o serto, informando a Coroa Portuguesa sobre as descobertas feitas; doar sesmarias, facilitando o estabelecimento de engenhos; proteger os interesses metropolitanos no que diz respeito ao estanco do pau-brasil e arrecadao de impostos. importante lembrar que o Governo Geral no foi criado para acabar com as Capitanias hereditrias, mas sim para centralizar a administrao. As Capitanias continuaram existindo e sendo administradas pelos seus donatrios, que, entretanto, a partir da, deveriam prestar obedincia poltica ao GovernadorGeral. O que desapareceu foi a descentralizao poltica, pois o governador como representante do rei portugus, simbolizava a autoridade suprema na Colnia, o poder centralizado de onde partiam as decises poltica em nome de Portugal.Os trs primeiros Governadores do Brasil foram, respectivamente, Tom de Souza, Duarte da Costa e Mem de S. 1 Governador Geral (Tom de Souza - 1549/1553) Os fatos principais foram: chegou Bahia em 1549 e, neste mesmo ano, fundou Salvador, a primeira cidade e capital brasileira. Foi auxiliado pelo nufrago Diogo lvares Correia (" Caramuru" ); trouxe o primeiro grupo de padres jesutas incluindo Manuel da Nbrega para iniciar o trabalho de catequese; criao do primeiro bispado do Brasil, sendo D. Pedro Fernandes Sardinha nosso primeiro (1551); realizado uma visita s Capitanias do Sul; mandou que se organizasse uma expedio para fazer o reconhecimento do interior da Bahia (Francisco Bruza Espinoza). Incrementou a cultura da cana-de-acar; importou gado da ilha de Cabo Verde; introduziu escravos negros africanos no Brasil. 2 Governador Geral (Duarte da Costa - 1553/1557) Fatos principais: trouxe sete jesutas incluindo o " Apstolo do Brasil e do Novo Mundo" (Jos de Anchieta); houve a invaso da Baa de Guanabara pelos franceses chefiados por Villegaignon; surgiu a questo entre o 1 Bispo e o filho do Governador (lvaro da Costa); foi fundado o colgio de So Paulo de Piratininga pelos padres jesutas (Nbrega, Anchieta, Manuel de Paiva, Leonardo Nunes e Outros); houve uma insurreio dos indgenas ("Confederao dos Tamoios") chefiada por Cunhambebe. 3 Governador Geral (Mem de S - 1558/1572) Expulso dos franceses da Baa de Guanabara, graas participao dos tamoios pelos jesutas Nbrega e Anchieta ("Paz de Iproig"); fundao da cidade de So Sebastio do Rio de Janeiro por Estcio de S (1565); organizao de trs entradas; combate escravizao indgena e antropofagia; chegada do segundo Bispo do Brasil (D. Pero Leito), em 1559.Os quarenta mrtires do BrasilD. Lus Fernandes de Vasconcelos foi nomeado quarto Governador Geral. No chegou ao Brasil em virtude de sua esquadra Ter sido atacada por corsrios calvinistas em alto-mar (Jacques Sria - 1570 e Jean Capdeville - 1571). No primeiro ataque o Governador foi morto e diversos padres jesutas chefiados por Incio de Azevedo foram sacrificados ("Os quarenta mrtires do Brasil"). Diviso do Brasil em dois governos Em 1572, o rei de Portugal, Dom Sebastio, resolveu dividir o Brasil em dois governos: Norte, sediado em Salvador, sob a chefia de Lus de Brito e Almeida. Sul, sediado no Rio de Janeiro, chefiado por Antnio Salema.IV - A ECONOMIA COLONIALAspectos gerais"A mentalidade mercantilista entre os sculos XIV e XV caracterizou-se pelo esprito do lucro fcil e enriquecimento rpido". "Portugal no pensou no Brasil como regio para onde seria transferida a populao. Considerou sua Colnia americana como supridora ou fornecedora de matrias primas e consumidora de produtos enviados pela metrpole". Ciclos econmicos O estudo da formao econmica do Brasil pode ser orientado atravs do estudo dos ciclos, isto , o perodo no qual determinado produto ou atividade econmica constituiu realmente o esteio econmico bsico da Colnia. Segundo este conceito os ciclos de nossa economia podem ser limitados, no tempo, da seguinte forma: ciclo do pau - brasil (de 1500 a 1553); ciclo da cana-de-acar (de 1600 a 1700); ciclo do ouro ou da minerao (de 1700 a 1800). Importantes aspectos As caractersticas bsicas eram monocultura, escravido, latifndio e exportao. Elas esto mais identificadas com a produo aucareira. Principais produes: acar e minerao. Atividades subsidirias: algodo, tabaco, extrativismo vegetal. Outra forma de produo no escravista: a pecuria. A existncia de "produtos-rei" ou "ciclos" em nossa economia resulta da dependncia ao mercado externo, ou seja, uma produo voltada basicamente para o exterior. Manufaturas que se desenvolveram na etapa colonial: charqueadas e curtumes, cermica e cordoaria, estaleiros, caieiras, artefatos de ferro, ourivesaria, manufaturas de tecidos, etc. Companhia de comrcio Portugal exerceu, inicialmente, o direito de exclusividade (monoplio) sobre certos produtos (ex.: pau-brasil). No perodo da Unio Ibrica (1580 - 1640), o monoplio tornou-se total. Aps a Unio Ibrica, Portugal continuou com o sistema de monoplio, atravs das Companhias de Comrcio. As Companhias de Comrcio na poca colonial foram: Companhia Geral do Comrcio do Brasil (1649). Contribuiu para a expulso dos holandeses do Nordeste brasileiro, sendo criada por sugesto do Padre Vieira. Companhia de Comrcio do Estado do Maranho (1682). Esteve ligada revolta de Beckman Companhia Geral de Comrcio do Gro-Par e Maranho (1755) e Companhia Geral de Comrcio de Pernambuco e da Paraba (1759). Foram criadas pelo Marqus de Pombal.A agroindstria aucareira A empresa aucareira foi a soluo que possibilitou a valorizao econmica das terras descobertas e dessa forma garantiu a posse pelo povoamento da Amrica Portuguesa. O cultivo da cana-de-acar desenvolveu-se no litoral, especialmente na Zona da Mata Nordestina. A cana-de-acar foi o mais importante produto agrcola at o Primeiro Reinado. Esta atividade favoreceu o aparecimento de uma nova estrutura social e econmica. Durante mais de sculo e meio, a produo do acar representou, praticamente, a nica base da economia brasileira. At meados do sculo XVII, o Brasil foi o maior produtor mundial de acar. A escolha da empresa aucareira no foi feita por acaso. Os portugueses escolheram a explorao da monocultura da cana-deacar porque, alm de seu aspecto econmico, ela viabilizaria a colonizao do pas. Obs.: Portugal no tinha condies econmicas suficientes para estabelecer sozinho, uma empresa aucareira no Brasil. Diante dessas dificuldades, os portugueses recorreram aos holandeses, que financiaram as despesas, mas fizeram algumas exigncias, tais como o direito de refinar e negociar o acar. A facilidade de levantar emprstimos dos holandeses se deveu ao fato deles j comerciarem o acar, produzido pelos portugueses nas ilhas atlnticas desde o sculo XV e, principalmente, porque a empresa aucareira brasileira despontava como algo vivel e altamente rentvel. Conseqncias da produo aucareira: ocupao das terras midas do litoral nordestino (Zona da Mata); a formao da famlia patriarcal; surgimento de uma aristocracia rural (os senhores-de-engenho); as invases holandesas no Nordeste ("Guerra do acar"); introduo do escravo negro africano; fixao do colono terra; progresso das Capitanias de Pernambuco e So Vicente; desenvolvimento da monocultura e do latifndio; surgimento de povoados, vilas e cidades. Importante: o socilogo Gilberto Freyre no livro "Casa Grande e Senzala", descreveu muito bem a sociedade aucareira nordestina onde predominava o patriarcalismo. Atividade pastoril A criao de gado (pecuria) durante o Brasil-Colnia esteve, inicialmente, associada ao cultivo da cana-de-acar junto ao litoral, porque era uma atividade acessria (desubsistncia). Com a expanso da agro-indstria aucareira surgiram conflitos entre criadores de gado e plantadores de cana. O gado foi obrigado a se deslocar para o serto, porque as terras do litoral eram necessrias ao cultivo da cana-de-acar. Junto ao Rio So Francisco ("Rio dos Currais") surgiram vrias fazendas de gado como a de Garcia D'vila, proprietrio da Casa de Torre e Guedes de Brito. A iniciativa de afastar o gado do litoral partiu dos senhores de engenho, no que foram apoiados pela metrpole. Para os senhores, era importante afastar o gado dos engenhos porque ele causavalhes prejuzo, pois estragava o plantio da cana-de-acar, e a sua importncia era absolutamente inferior. O gado servia apenas como alimento, transporte e fora de trabalho em alguns engenhos, ao passo que a empresa aucareira era, ento, a fonte fundamental da riqueza colonial. A pecuria brasileira, no perodo colonial, caracterizou-se por: - exigir pequeno investimento inicial; da estar aberta a quase todos os homens livres; - aproveitar a mo-de-obra indgena, que a ela se adaptava mais que agricultura; - Ter-se desenvolvido de forma extensiva, contribuindo para o povoamento do interior (serto brasileiro); - Ter sido motivo de sobrevivncia econmica de regies em que outras atividades entraram em decadncia. A pecuria originou ainda um novo tipo social, o fazendeiro de gado. Alguns senhores, inclusive, j tinham sido proprietrios de terra no litoral e, decadentes, buscavam agora formar fazendas de gado no interior. O vaqueiro era um homem livre. No estava sujeito aos abusos e ao chicote do feitor. Alm disso, o vaqueiro tinha o direito de ter a sua prpria roa, recebia um salrio anual e podia formar a sua prpria fazenda, pois a montagem de uma fazenda de gado no exigia a aplicao de muito capital. A terra era abundante e o vaqueiro conseguia as suas primeiras cabeas de gado, ganhando do fazendeiro uma cabea para cada quatro que nasciam. Alguns ndios se adaptaram ao trabalho nas fazendas de gado e se tornaram boiadeiros. Conseqncia da criao de gado: influencia do folclore: "bumba meu boi, negrinho do pastoreio", etc. contribuiu para ocupao do serto nordestino e do Centro Sul do pas; ocupao dos Estados do Piau e Maranho (do serto para o litoral); surgimento de cidades no interior; incorporao do ndio sociedade brasileira; facilitou a integrao das regies brasileiras.A MINERAOO ciclo do ouro, diamantes e pedras preciosas fez com que nosso pas passasse a ter novas riquezas. Teve importncia decisiva na ocupao da regio de Minas Gerais, Mato Grosso, Gois e Planalto Baiano. A minerao tornou-se a mais importante atividade econmica do Brasil-Colnia no sculo XVIII. Pela prpria caracterstica desta atividade, altamente lucrativa, a Coroa, para evitar evaso de divisas, teve que exercer controle direto sobre a produo. Foi assim a atividade econmica que maior fiscalizao sofreu por parte de Portugal. De incio, era permitida a livre explorao, devendo ser pago como tributo a metrpole, a quinta parte (20%) de tudo que era extrado ("o quinto"). Depois dos primeiros achados de ouro em Minas Gerais (1693), surge o Regimento de Superintendentes, guardasmores e oficiais deputados para as minas de ouro (1712), em que era estabelecido a Intendncia das Minas, atravs da qual o superintendente dirigia, fiscalizava e cobrava o tributo ("o quinto"). Foi estabelecida depois a cobrana indireta atravs da capitao, isto , um tributo fixo pago em ouro e que recaia sobre cada um dos trabalhadores empregados nas minas. Para evitar o descaminho e o contrabando, Portugal proibiu a circulao de ouro em p e em pepitas e criou as Casas de Fundio (1720). Quando o quinto arrecadado no chegava a cem arrobas (1500 Kg), procedia-se a "Derrama", isto , obrigava-se a populao a completar a soma. Havia dois tipos de extrao de ouro: a faiscao e as lavras. Faiscao ou faisqueira era a pequena extrao, feita por homens livres e nmades; era uma atividade realizada normalmente nas areias dos rios ou riachos. As lavras eram a extrao de grande porte, exigiam maior investimento de capital, eram estabelecimentos fixos, dispondo de mo de obra escrava e algumas ferramentas. A lavra foi o tipo de extrao mais freqente na fase urea da minerao. Intendncia das Minas Era o rgo responsvel pelo policiamento da minerao, pela fiscalizao e direo da explorao das jazidas. Era o local onde se fazia o registro das minas descobertas. Funcionou como tribunal e era responsvel pela cobrana de impostos. A descoberta de uma jazida deveria ser comunicada ao Intendente das Minas que procedia a diviso das datas (lotes). O indivduo que havia descoberto tinha o direito de escolher os dois primeiros lotes. Em seguida, era escolhida uma data para a Fazenda Real, que depois a vendia em leilo. Os outros lotes eram sorteados entre os interessados presentes.Mo de obra O negro escravo africano predominou como mo de obra na rea mineradora. O negro, na rea mineradora, desfrutava de uma situao melhor do que na regio aucareira: podia conseguir a carta de alforria, pagando certa quantia.reas de produo As principais reas mineradoras no Brasil-Colnia foram Minas Gerais, Mato Grosso e Gois ou seja, a parte Centro-Sul do pas. Apogeu da minerao O sculo XVIII corresponde fase de apogeu da minerao, levando certo autor a falar na "Idade do Ouro" do Brasil. Neste perodo houve grande desenvolvimento artstico e cultural na regio de Minas Gerais, como o estilo barroco das construes das igrejas e moradias, a Escola Literria Mineira, as esculturas do "Aleijadinho", as msicas cantadas nas igrejas e associaes religiosas. Tratado de Methuen 1703 O tratado estipulava o seguinte: Portugal admitia s consumir tecidos ingleses. A Inglaterra admitia s consumir vinhos portugueses. Como conseqncia desse tratado, Portugal tornou-se um pas exclusivamente agrrio, o que prejudicou as possibilidades de desenvolvimento de uma indstria manufatureira, colocando o pas submisso ao capital ingls. O tratado tornou-se um dos motivos para o escoamento do ouro brasileiro para os cofres britnicos. As jazidas de ouro e diamantes encontradas no Brasil eram de aluvio. Isto quer dizer que elas estavam na superfcie da terra e, por isso mesmo, era mais fcil explor-las. Por esse motivo, as jazidas se esgotaram rapidamente e a minerao entrou em decadncia. Em 1765, o Marqus de Pombal, ministro portugus, determinou a cobrana de impostos atrasados. Esta cobrana, denominada "derrama", era feia com muita violncia pelas autoridades portuguesas. Extrao de diamantes O Brasil foi o primeiro grande produtor moderno de diamantes. Os primeiros achados foram na regio do Arraial do Tijuco, depois Distrito Diamantino (subordinado diretamente a Portugal) e atual cidade de Diamantina situada em Minas Gerais. Conseqncias A atividade mineradora ocasionou muitas transformaes para a Colnia (Brasil) e trouxe conseqncias (internas e externas) no plano poltico, social e econmico. Podemos alinhar como conseqncia da minerao: o surgimento das inmeras povoaes (ncleos urbanos) no interior: as "Vilas do Serto"; o controle direto do sistema de produo mineral pela Coroa, para assegurar grandes ncleos na explorao das minas;surgimento de reaes contra a poltica fiscal (Revolta de Vila Rica e Inconfidncia Mineira); a transferncia da capital em 1763, da Bahia (Salvador) para o Rio de Janeiro, que tornar-se- o principal centro urbano da Colnia; a sociedade torna-se mais complexa, surgindo atividades de trabalho livre como arteso, comerciantes, militares e funcionrios; progresso cultural com o aparecimento do estilo barroco nas igrejas de Minas Gerais e os trabalhos esculpidos por "Aleijadinho"; deslocamento do eixo econmico do Nordeste aucareiro (em crise) para a rea mineradora (Centro-Sul); a Guerra dos Emboabas (1707-1709), que foi uma luta entre paulistas(descobridores das minas) e os forasteiros; um rpido crescimento demogrfico. O nmero de habitantes do Brasil aumentou consideravelmente, tendo em vista o afluxo de pessoas provenientes de vrias partes do mundo, em busca de riquezas minerais; surgimento do mercado interno por causa do desenvolvimento do comrcio; ocupao de todo o centro do continente sul-americano pela colonizao portuguesa; criao das Capitanias de Minas Gerais (1720), Gois (1744) e Mato Grosso (1748); abertura das primeiras estradas entre o interior "serto" e o litoral; desenvolvimento da pecuria. Conseqncias externas da minerao A principal conseqncia da produo mineradora do Brasil, no plano externo foi a forte concentrao de capital na Inglaterra, que possibilitou a Revoluo Industrial. Outros produtos: fumo, algodo e "drogas do serto". Cultivo do algodo Inicialmente utilizado para a produo de vestimentas de pobres escravos, atingiu apogeu no sculo XVIII com o desenvolvimento da indstria txtil, durante a Revoluo Industrial. Teve grande produo no Maranho e Pernambuco.Cultivo do fumo O fumo (tabaco) era cultivado no litoral da Bahia (Recncavo), de Sergipe e Alagoas, tendo-se constitudo num comrcio complementar e dependente ao do acar pois servia para a troca (escambo) de escravos da frica.Extrao das "Drogas do Serto" "Drogas do Serto" eram assim chamados os produtos extrados da exuberante Floresta Amaznica, Par e Maranho. Na extrao das "drogas do serto" foi empregada a mo de obra indgena. "Droguistas do Serto" eram expedies que penetravam no Vale Amaznico procura destes produtos. "Tropas de Resgate" eram expedies militares que iam escravizar ndios na Amaznia para trabalhar nas fazendas do Maranho e Par.Terceira ParteA SOCIEDADE COLONIALBasicamente trs grupos tnicos entraram na formao da sociedade colonial: o indgena, o europeu (portugus) e o negro africano. Desde o incio da colonizao mesclaram-se os grupos tnicos, atravs da miscigenao racial, originando-se vrios tipos de mestios: -do branco com o negro = mulato - do branco com o ndio = mameluco (caboclo) -do negro com o ndio = cafuzo As condies histricas da colonizao criaram formas de convivncia e adaptao entre as raas formadoras da etnia brasileira. Os ndios sempre que conseguiram, optaram pelo isolamento. J o convvio entre portugueses e africanos obedecia s regras do sistema escravista aqui implantado, resultando em maior aproximao e em verdadeira promiscuidade. A Sociedade Colonial Nos sculos XVI e XVII a sociedade colonial brasileira era basicamente rural (agrria), patriarcal e escravista, onde a atividade econmica predominante era a agricultura (cana-de-acar e tabaco). Esta sociedade era rigidamente estratificada: no vrtice da pirmide estavam os grandes proprietrios rurais ("senhores-de-engenho"), que formavam uma aristocracia rural; na base havia um contingente numeroso de escravos e dependentes. No sculo XVIII, com a minerao, a sociedade tornou-se mais democratizada, possibilitando uma maior mobilidade social.Isto porque na rea mineradora, em processo de urbanizao a posio social do indivduo dependia apenas da quantidade de dinheiro que possua. As principais naes indgenas Usando-se critrios lingsticos, podemos dividir os ndios do Brasil em quatro naes: -Carabas -encontrados no norte da bacia Amaznica;-Nuaruaques -encontrados na bacia Amaznica, at os Andes; -Js ou Tapuias encontrados no Planalto Central brasileiro; -Tupis -encontrados por toda a costa atlntica e algumas reas do interior.A maior parte dos indgenas que habitavam o litoral do Brasil na poca do descobrimento pertencia ao grupo lingstico tupi. O indgena brasileiro encontrado pelos portugueses vivia num regime de comunidade primitiva, ou seja, uma forma de organizao social onde a ausncia da propriedade privada dos meios de produo resulta numa economia comunitria, onde no existiam classes sociais. Contribuies Os ndios deram importante contribuio para os costumes, cultura e a formao do povo brasileiro. Dentre essas contribuies, podemos destacar: uso da rede para dormir, to comum nas regies Norte e Nordeste; utilizao do milho, da mandioca, do guaran, etc; tcnicas da coivara, ou queimada das roas antes de fazer novo plantio. diversos vocabulrios falados no idioma.A escravido e o extermnio indgena Na poca do descobrimento, a populao indgena do Brasil era de mais de um milho de pessoas. Atualmente, est reduzida a menos de cem mil. Os primeiros contatos entre brancos e ndios foram amigveis. Mais tarde, quando teve incio a explorao agrcola, os ndios passaram a ser um obstculo para os colonizadores, que precisavam de suas terras e de seu trabalho. Assim, os indgenas comearam a ser obrigados ao trabalho da lavoura. Muitos ndios foram massacrados ou escravizados pelo colonizador, que lhes roubava a terra e atacava suas mulheres. A escravido dos indgenas acontecia principalmente nas reas mais pobres, onde havia poucos recursos para a compra de escravos negros. O maior exemplo disso foi a Capitania de So Vicente (So Paulo), nos sculos XVI e XVII; de l partiam as bandeiras do ciclo do apresamento indgena, que promoviam verdadeiras guerras de extermnio. O negro do Brasil Os negros foram introduzidos no Brasil a fim de atender s necessidades de mo-deobra e s atividades mercantis (trfico negreiro). O comrcio de escravos africanos para o Brasil teve incio nos primeiros tempos da colonizao. Na frica os negros eram trocados por aguardentes de cana, fumo, faces, tecidos, espelhos, etc. Os africanos que vieram para o Brasil pertenciam a uma grande variedade de etnias. De modo geral, podemos classificar os negros entrados no Brasil em trs grandes grupos:Sudaneses - oriundos da Nigria, Daom, Costa do Ouro. Compreendia os iorubas, jejs, minas, fanti-ashanti e outros. Localizados inicialmente na Bahia, depois se espalharam pelas regies vizinhas. Bantos - divididos em dois grupos: Congo-angolanos e moambiques. Os bantos foram traduzidos para o Rio de Janeiro, Maranho e Pernambuco. Mals - eram os sudaneses islamizados.Os negros possuam religio politesta e suas crenas mesclaram-se ao cristianismo (sincretismo religioso). A escravido negra no Brasil no foi apenas uma questo de preferncia do negro ao ndio, mas sim uma questo de interesse da burguesia e do governo portugus, que j se enriqueciam com o trfico negreiro antes da descoberta do Brasil. Aprisionados ou trocados, os negros eram trazidos para o Brasil nos pores dos navios negreiros (tumbeiros). Durante a viagem, morriam cerca de 40% dos traficados. Marcados com ferro em brasa, os negros eram embarcados em Angola, Moambique e Guin e desembarcados em Recife, Salvador e Rio de Janeiro. O negro entrou na sociedade colonial brasileira como cultura dominada; as marcas da escravido persistem at os dias de hoje. As contribuies dos negros para a cultura brasileira O negro deu importantes contribuies para a cultura e para a formao do povo brasileiro, podendo citar-se: diversos vocbulos falados no idioma; hbitos alimentares, principalmente da culinria baiana; instrumentos musicais, como tambores, atabaques, flautas, marimbas, cucas e berimbaus; ritmo musical das canes populares brasileiras, como o samba; danas, como o cateret, o jongo, etc. (folclore). O negro deixou marcas profunda na prpria composio fsica do povo brasileiro. Apesar de muito se dizer ao contrrio, os negros reagiram opresso branca e iniciaram, no Brasil, os primeiros movimentos para a sua libertao, formando os quilombos. O mais importante dos quilombos foi Palmares. Localizava-se no atual Estado de Alagoas e durou aproximadamente 70 anos. Como Palmares significava a liberdade e, portanto, era uma atrao constante para novas fugas de escravos, tinha de ser destrudo pelos senhores prejudicados pela existncia dessa rebeldia negra. Palmares foi destrudo em 1694, pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, contratado pelos senhores de engenho. Em 1695, foi assassinado Zumbi, o maior lder negro da Histria do Brasil. Sua cabea foi exposta em Pernambuco, acabando com a lenda da sua imortalidade.V - ATAQUES AO LITORAL BRASILEIROOs franceses no Rio de Janeiro (sculo XVI) Em 1555, durante o governo de Duarte da Costa, houve a invaso francesa na Baa de Guanabara. A expedio, apoiada pelo Almirante Coligny, era comandada por Nicolau Durand Villegaignon e tinha por objetivo estabelecer a Frana Antrtica, colnia para os protestantes(huguenotes) que estavam sendo perseguidos na Frana. A expulso dos franceses ocorreu aps os combates de Uruumirim e Paranapu, no governo de Mem de S (1565), graas a Estcio de S e atuao dos padres jesutas Jos de Anchieta e Manoel da Nbrega, responsveis pela pacificao dos ndios revoltados ("Confederao dos Tamoios"), chefiados por Cunhanbebe. Em 1594, Jacques Riffault e Chales des Vaux estiveram no Maranho. O ltimo levou informaes Frana sobre a possibilidade de fundar uma colnia naquela regio. Em 1612, chegou ao Maranho uma expedio chefiada por Daniel de La Touche, que fundou a cidade de So Lus ( atual capital do Maranho), cujo objetivo era fundar uma colnia ("Frana Equinocial").A expulso dos franceses foi conseguida graas ao mameluco Jernimo de Albuquerque e Alexandre de Moura, entre 1614/1615. Os franceses no Rio de Janeiro (sculo XVIII) Em 1710 a cidade do Rio de Janeiro, na poca, grande centro produtor de acar, foi atacada pela esquadra de Jean Franois Duclerc. Este foi derrotado, aprisionado e depois misteriosamente assassinado.Em 1711 chegou a 2 esquadra chefiada por Duguai Trouin que exigiu a rendio do governador do Rio de Janeiro Francisco de Castro Morais e s se retirou mediante recebimento de elevado resgate. Ataques ingleses Durante a Unio Ibrica, corsrio e piratas fizeram incurses em diversos pontos de nosso litoral, como: Edward Fenton atacou Santos (1583), sendo repelido; Robert Withrington entrou na Baa de Todos os Santos e saqueou o Recncavo(1587); Thomas Cavendish atacou Santos e So Vicente (1591); Jaime Lancaster, com os piratas franceses Venner e Noyer, atacou Recife e Olinda (1595), saqueando a primeira; presena inglesa no Gro-Par, com fundao de fortins na Amaznia: Jaime Purcell (1621) e Rogrio North (1631).UNIO IBRICAChamamos de Unio Ibrica ou Unio das Monarquias Ibricas, o perodo que vai de 1580 a 1640, quando Portugal e suas colnias passaram para o domnio da Espanha. Isto aconteceu devido questo da sucesso dinstica em Portugal. Depois de D. Joo III ("O Colonizador") reinou, em Portugal, seu neto D. Sebastio. Mas este morreu na batalha de Alcce-Quibir (1578), na frica combatendo os muulmanos ("cruzadismo portugus"). sucedido pelo seu tio-av, o velho Cardeal D. Henrique, que reinou apenas dois anos, pois morreu em 1580. Ao falecer, surgiu a questo da sucesso dinstica: o cardeal D. Henrique no possua filho e seu parente mais prximo era Felipe II, rei da Espanha, da dinastia dos Habsburgos, que se impe como herdeiro legtimo e passa a governar Portugal e todas as suas colnias, inclusive o Brasil. Conseqncias da Unio Ibrica (1580 - 1640) a ruptura prtica da linha de Tordesilhas; o Brasil comeou a sofrer investidas dos maiores adversrios da Espanha: Inglaterra, Frana e Holanda; a aplicao das Ordenaes Filipinas; em 1621, o Brasil foi dividido em dois Estados: Estado do Maranho, com capital em So Lus e depois Belm; Estado do Brasil (do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul), tendo como capital, Salvador; as invases holandesas no Nordeste brasileiro, devido guerra entre Espanha e Holanda; criao do Conselho das ndias (1604), para fortalecer as fiscalizao das colnias; a decadncia econmica e poltica do reino lusitano, que passa a depender, cada vez mais, da Inglaterra. O povo portugus ficou revoltado, nada podendo fazer para evitar que Felipe II subornasse as autoridades do Reino, at o momento em que as Cortes o aclamaram Rei de Portugal, com o nome de Felipe I.AS INVASES HOLANDESAS (A guerra do Acar)Antecedentes. O pas que hoje chamamos Holanda, pertencia Espanha at 1579, ano em que os holandeses iniciaram a sua Guerra de Independncia. A Espanha no reconheceu a independncia da Holanda e a guerra entre os dois pases prosseguiu at 1648. Devido a esta guerra, a Espanha proibiu suas colnias de fazerem comrcio com os holandeses. As invases holandesas (1624 - 1630) As invases holandesas ou "Guerra do Acar" no Nordeste tm como causas: a Unio Ibrica (1580/ 1640); a proibio do rei Felipe II, ordenado que os portos de todas as colnias fossem fechados aos navios da Holanda; o interesse dos holandeses em ocupar a Zona da Mata nordestina para restabelecer o comrcio aucareiro que lhes proporcionava grandes lucros.A Companhia de Comrcio das ndias Ocidentais (1621), que recebeu o monoplio do Comrcio do Atlntico, foi criada com o objetivo de ocupar o Nordeste Aucareiro. Bahia e Pernambuco, as Capitanias que mais produziam acar na poca colonial, foram atacadas pelos holandeses. Invaso da Bahia (1624 - 1625) Na primeira invaso (1624), os holandeses eram chefiados por Jacob Willekens e Johan Van Dorth. O Governador do Brasil era Diogo de Mendona Furtado, que foi preso de "armas na mo"; os invasores ocuparam a cidade de Salvador, sede do Governo Geral. A defesa ficou a cargo do Bispo D. Marcos Teixeira, que criou uma companhia de emboscadas ("Milcia dos Descalos"). A expulso dos holandeses ocorreu em 1625, graas expedio luso-espanhola ("Jornal dos Vassalos"), comandada por D. Fradique de Toledo Osrio. Os holandeses cercados pela esquadra no porto de Salvador, capitularam e retornaram para a Europa. Invaso em Pernambuco (1630 - 1654) A segunda invaso holandesa ocorreu em Pernambuco, ("Zuickerland" = terra do acar) em 1630, sob o comando de Hendrick Coenelizoon Lonck; o desembarque ocorreu em Pau Amarelo. A resistncia foi organizada por Matias de Albuquerque, governador de Pernambuco, que fundou o Arraial do Bom Jesus. Em 1631 ocorreu a batalha dos Abrolhos entre a esquadra de D. Antnio de Oquendo (espanhola) e a esquadra do Almirante holands Jansen Pater. Em 1632 ocorreu a desero de Domingos Fernandes Calabar, contribuindo decisivamente para que os holandeses se fixassem no Nordeste. Os holandeses ocuparam novos territrios (Itamarac, Rio Grande do Norte, Paraba) e tomaram o Arraial do Bom Jesus. Em Porto Calvo, Calabar foi preso e enforcado. Matias de Albuquerque foi substitudo por D. Lus de Rojas e Borba, que depois morreu no combate de Mata Redonda frente aos holandeses; seu substituto foi o Conde Bagnoli. Para governar o "Brasil Holands", foi nomeado o Conde Maurcio de Nassau, que alm de estender o domnio holands (do Maranho at Sergipe, no rio So Francisco) realizou uma excelente administrao: - fez uma poltica de aproximao com os senhores-de-engenho; -incrementou a produo aucareira; -concedeu tolerncia religiosa; - trouxe artistas e cientistas como Franz Post (pintor) Jorge Markgraf (botnico), Pieter Post (arquiteto), nomes ligados ao movimento renascentista flamengo; - promoveu o embelezamento da cidade de Recife, onde surgiu a "Mauricia", nailha de Antnio Vaz.Denominou-se "Insurreio Pernambucana" (1645 - 1654) o movimento de reao ao domnio holands no Nordeste, aps a retirada do Conde Maurcio de Nassau. Os principais nomes foram o ndio Poti (Felipe Camaro), o negro Henrique Dias, o portugus Joo Fernandes Vieira e Andr Vidal de Negreiros. Os insurgentes adotaram como lema "Deus e Liberdade" e fundaram o Arraial Novo do Bom Jesus. Os "independentes" conseguiram derrotar os holandeses nas batalhas do Monte das Tobocas (1645) e dos Guararapes (1 1648, 2 1649). A rendio ocorreu na Campina da Taborda (1654). Contudo, as guerras holandesas s se encerraram com a assinatura do Tratado de Haia (1661) entre Portugal e Holanda. A integrao entre brasileiros, portugueses, brancos, negros e mestios, que lutaram juntos pela defesa do Brasil, contribuiu para desenvolver o sentimento de brasilidade, ou seja, o sentimento nativista. Diversos fatos esto relacionados com a capitulao dos holandeses do Brasil: a restaurao de Portugal (fim do domnio espanhol), devido a aclamao do Duque de Bragana com o ttulo de D. Joo IV, motivou um levante no Maranho, culminando com a expulso dos holandeses daquela regio; o Ato de Navegao (1651) decretado por Cromwell, da Inglaterra, que enfraqueceu o poderio martimo holands; a criao da Companhia Geral do Comrcio do Brasil (1649), a conselho do Padre Vieira, para fazer concorrncia Companhia das ndias Ocidentais (holandesa); a poltica da intolerncia dos sucessores de Nassau fez unir os senhores-de-engenho (aristocracia rural) que haviam se acomodado com a situao. Expulsos do Brasil, os holandeses passaram a produzir acar na regio das Antilhas, fazendo concorrncia ao acar produzido no Brasil. Isto contribuiu decisivamente para o declnio (diminuio) da produo aucareira nordestina, que entrou em crise. Esta crise que o Brasil e Portugal atravessavam foi superada com a descoberta das riquezas minerais (ouro, diamante e pedras preciosas), no sculo XVIII. Aps a expulso dos holandeses (Paz de Haia, em 1661), Portugal passou a sofrer maior influncia da Inglaterra (Tratado de Methuem).Quarta ParteVI - A EXPANSO TERRITORIAL"Os portugueses andavam como caranguejos, arranhando o litoral". (Frei Vicente Salvador).Conquistas do Norte e Nordeste - Na Paraba as primeiras tentativas foram feitas, sem xito, por Frutuoso Barbosa. Mais tarde, ele e Felipe de Moura com uma expedio por terra e Diogo Flores Valds, chefiando uma expedio martima, fundaram o Forte de So Felipe,depois abandonado por causa dos ataques dos ndios potiguares.A conquista da Paraba foiefetivada por Martim Leito, que se aliou ao chefe indgena Piragibe, surgindo a cidade de Filipia de Nossa Senhora das Neves (1584), depois chamada de Paraba, atual Joo Pessoa. - A conquista de Sergipe foi efetuada Cristvo de Barros, em 1590, que derrotou os ndios chefiados por Boiapeba e fundou So Cristvo. - Manuel Mascarenhas Homem conquistou o Rio Grande do Norte, com auxlio de Feliciano Coelho e Jernimo de Albuquerque. Em 1597, foi fundado o Forte dos Reis Magos, que a partir de 1599, passou a se chamar Natal. - Pero Coelho de Souza tentou, sem xito, atravs de duas investidas, ocupar o Cear. Os padres jesutas Francisco Pinto e Luiz Figueira tambm no conseguiram. A ocupao do Cear foi realizada por Martim Soares Moreno, ajudado pelo ndio Jacana. Fundou o Forte de Nossa Senhora do Amparo (1613) que deu origem atual cidade de Fortaleza. - O Maranho foi conquistado por Alexandre de Moura e o mameluco Jernimo de Albuquerque (1615), do interior para o litoral, graas atividade pastoril. - A conquista do Par foi efetuada por Francisco Caldeira Castelo Branco, que fundou o forte Prespio, origem da cidade de Belm (1616). - O povoamento do Piau foi feito do interior para o litoral, graas criao de gado bovino. Os irmos Domingos Afonso Mafrense ("O Serto") e Julio Afonso Serra, rendeiros da Casa da Torre (de Garcia D'vila), fundaram a Vila Mocha, depois Oeiras, antiga capital de Piau (1674). - A conquista do Vale Amaznico foi realizada pelo Capito Pedro Teixeira (1637 - 1639), que subiu o rio Amazonas (de Belm at Quito), tomando posse desta imensa regio, em nome do rei de Portugal. A posse da bacia amaznica deveu-se aos missionrios (jesutas, franciscanos, carmelitas e mercenrios), s lutas contra os estrangeiros, os "droguistas do serto" e s expedies militares ("tropas de resgate"). Importante: S com a expulso dos franceses da Paraba, do Rio Grande do Norte, do Cear e do Maranho foi possvel completar a ocupao da Regio Nordeste. Ocupao do Interior As quatro bases econmicas da ocupao do serto foram: a criao de gado, caa ao gentio, a atividade mineradora e a extrao de especiarias, produtos silvestres e plantas medicinais ("drogas do serto"). O elemento humano que realizou a expanso territorial do Brasil era representado pelos criadores de gado (boiadeiros), pelos padres missionrios no seu trabalho de catequese, pelos entradistas e bandeirantes, cuja atuao foi de fundamental importncia e cujos motivos de ao foram mltiplos e variados: expedies militares, apresamento de indgenas, descoberta de ouro e pedras preciosas. O caminho dos que partiam de Pernambuco em demanda (direo)do serto foi o Rio So Francisco, conhecido como "Rio da Unidade Nacional" e "Rio do Currais", devido existncia de grandes e numerosas fazendas de gado em suas margens. No Sul, onde tiveram incio as primeiras expedies pelo interior, os meios de penetrao do serto foram os Rios Paran, Tiet e Paraba do Sul. A ocupao da Plancie AmaznicaO povoamento do Vale Amaznico amoldou-se s contingncias da coleta dos produtos extrativos, sobretudo vegetais ("drogas do serto "), na considervel disperso amaznica, onde os cursos d`gua serviam como nico plo forte e estvel de atrao do povoamento. Nesta atividade extrativa o ndio era insubstituvel, pois sem ele "no se dava um passo". A escravizao dos silvcolas pelos colonos, no Maranho, deu origem a conflitos com os padres jesutas a organizao da produo tambm reflete as condies em que ela se realiza: no tem por base a propriedade da terra (fundiria), como na agricultura e na minerao. A explorao realiza-se indiferentemente na imensa floresta aberta a todos e faz-se de maneira espordica, coincidindo com as pocas prprias da coleta. Colonizao do Vale Amaznico Diversos fatores contriburam para a ocupao do Vale Amaznico: a extensa rede hidrogrfica, a fundao de diversas misses religiosas, a presena dos droguistas do serto e das tropas de resgates. A rede hidrogrfica A Bacia Amaznica a maior bacia fluvial do globo. Essa imensa rede hidrogrfica comandada pelo Rio Amazonas, o segundo do mundo pela extenso e pelos inmeros afluentes, alguns dos quais esto includos entre os mais extensos rios da Terra: Madeira, Juru, Tapajs, Xingu, etc. Os cursos fluviais, por serem inteiramente navegveis, contriburam sobremaneira para a ocupao da Amaznica. Ocupao e povoamento do Centro-Sul (sculo XVIII) O Centro-Sul compreendia as atuais Regies Sudeste e Centro-Oeste. Sua ocupao se processou atravs do extrativismo mineral e pelo movimento das "entradas e bandeiras". A atividade responsvel pela ocupao e povoamento do Centro-Sul, especialmente das atuais regies de Minas Gerais, Mato Grosso e Gois, foi a minerao. Ocupao do Extremo Sul O Extremo Sul foi a ltima regio incorporada ao territrio brasileiro. Isto ocorreu s no final do sculo XVIII. O meio geogrfico A parte meridional do Brasil apresenta uma individualidade em relao s demais regies: est totalmente dentro do clima temperado (subtropical), possui uma vegetao de fcil penetrao, com uma plancie (Pampa ou Campanha Gacha) coberta por campos limpos, apresentando pequenas ondulaes ("coxilhas"). A ocupao da extremidade sul do Brasil foi essencialmente militar. O tipo de povoamento baseou-se na colonizao e imigrao. O regime da posse da terra era a grande propriedade. Em 1737, povoadores militares ocuparam o Rio Grande do Sul fundando o Forte (presdio) Jesus-Maria-Jos, do qual se originou a atual cidade do Rio Grande. Expanso bandeiranteConstituem movimentos de expanso territorial, responsveis pela atual configurao geogrfica do Brasil. As entradas eram expedies organizadas pela iniciativa oficial (governo), prevaleceram no sculo XVI e normalmente respeitavam a linha de Tordesilhas. As entradas de Aleixo Garcia e Pedro Teixeira constituem excees. As bandeiras geralmente organizadas graas iniciativa particular, eram expedies que: ultrapassavam a linha do Meridiano de Tordesilhas; contriburam para aumentar consideravelmente o territrio brasileiro; partiam, quase todas de So Vicente (So Paulo); utilizavam os rios Tiet, Paran, So Francisco e os afluentes meridionais do Amazonas; aprisionavam ndios em massa; comearam no sculo XVI e atingiram apogeu nos sculos XVII e XVIII; tiveram a participao ativa dos paulistas. Entradas pioneiras Em 1504, Amrico Vespcio organizou uma entrada em Cabo Frio (RJ). Depois Martim Afonso de Souza organizou trs outras: no Rio de Janeiro (Francisco Chaves), em Canania (SP) e na regio do rio da Prata (Pero Lopes de Souza). Ciclo das entradas Alm das entradas pioneiras, temos o ciclo baiano, sergipano, cearense, espritosantense e amaznico. Os integrantes do Ciclo baiano so: Francisco Bruza Espinosa, o padre Azpilcueta Navarro, Antnio Dias Navarro e Gabriel Soares de Souza. Pero Coelho de Souza e os padres jesutas Francisco Pinto e Luiz Figueira destacaram-se no Ciclo Cearense. Marcos de Azevedo pertence ao ciclo espritosantense; o capito Teixeira est ligado ao ciclo amaznico. Ciclo das bandeiras As bandeiras paulistas abrangem trs fases: ciclo do ouro de lavagem, ciclo da caa ao ndio (bandeirismo de apresamento) e grande ciclo do ouro. Estas bandeiras, alm de procurar riquezas minerais escravizavam ndios e combatiam os negros que haviam fugido das fazendas. Ciclo do ouro de lavagem Ferno Dias Paes ("Caador de Esmeraldas"), foi o mais famoso bandeirante do ciclo do ouro de lavagem. Outros nomes deste ciclo: Brs Cubas, Luis Martins, Andr Leo, Garcia Rodrigues Paes, Heliodoro Eobanos e Jernimo Leito. O romance "Caador de Esmeraldas", escrito por Olavo Bilac, descreve a bandeira chefiada por Ferno Dias Paes, nos sertes de Minas Gerais. Ciclo da caa do ndioAntnio Raposo Tavares foi o bandeirante que mais se destacou na caa ao gentio (indgena). Ele destruiu as provncias missionrias jesuticas (misses ou redues) de Guair (no Paran), Tape e Uruguai (no Rio grande do Sul) e Itatim (em Mato Grosso), aprisionando milhares de ndios. Depois de atravessar Mato Grosso, entrou na Bolvia, atravessou a Cordilheira dos Andes, foi at o oceano Pacfico, regressou ao litoral Atlntico pelo Rio Amazonas e voltou a So Paulo pela zona costeira (16481651) - (1 Priplo Brasileiro). Os irmos Preto (Manuel e Sebastio) foram os primeiros a fazer uma investida contra uma provncia inaciana. Eles atacaram as redues jesuticas de Guair (1628 1630), Tape e Uruguai, habitadas por cerca de 200.000 indgenas. Domingos Jorge Velho foi o bandeirante paulista contratado para destruir o Quilombo dos Palmares (1694), localizado em Alagoas. Aps extinguir aquele agrupamento de negros fugitivos, ocupou o interior de Piau, exterminando os indgenas ("Guerra dos Cariris" ou "Guerra dos Brbaros"), possibilitando a montagem de 39 estncias de gados na regio. Bartolomeu Bueno da Silva (pai), chamado pelos ndios de "Anhanguera", devassou os sertes de Gois. Grande ciclo do ouro e diamante Antnio Rodrigues Arzo descobriu as primeiras minas de ouro, em 1693, no rio Casca (Cataguases) em Minas; Manuel Borba Gato descobriu as Minas de Sabar (Minas Gerais), em 1700; Bernardo da Fonseca Lobo descobriu diamantes em Diamantina (antes Arraial do Tijuco e Distrito Diamantino) - Minas Gerais, em 1729; Bartolomeu Bueno da Silva Jnior (filho), 2 "Anhanguera", encontrou ouro onde surgiu Vila Boa, hoje cidade de Gois; Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro em Coxip-Mirim (Mato Grosso), em 1719. Mones Foram expedies fluviais, que saram de So Paulo (Porto Feliz), em direo a Mato Grosso e Gois, como conseqncia do movimento bandeirista.VII - OS TRATADOS DE LIMITES E AS GUERRAS NO SULAntecedentesO Tratado de Tordesilhas, na realidade jamais demarcado, nunca foi respeitado. A identificao dos limites dos domnios portugueses e espanhis na Amrica do Sul agravou-se aps a Unio Ibrica; A ocupao portuguesa no Sul (poltica expansionista realizada pelos bandeirantes) chocou-se com os interesses espanhis no Rio da Prata, que tinha em Buenos Aires seu centro mais importante; A cobia dos portugueses (aliados dos ingleses) pela rea do Prata comprovada pela fundao da Colnia do Sacramento em 1680, defronte a Buenos Aires, centro da disputa entre espanhis e portugueses;O interesse ingls em dominar o mercado platino aps a Restaurao portuguesa (1640). A Inglaterra pressionar para a ocupao, pelos portugueses, da sada do Rio da Prata; O contrabando, facilitado pela presena da Colnia do Sacramento provocou intensos choques entre portugueses e espanhis, levando-os a assinarem diversos tratados a respeito da regio.Ocupao do extremo sul Abandonada por longo tempo, s no final do sculo XVII esta regio, cujas pastagens so as melhores do pas, teve o estabelecimento de vrias misses jesuticas espanholas: Santo ngelo, So Borja, So Miguel, So Loureno, So Joo Batista, So Nicolau e So Lus Gonzaga, que foram os Sete Povos das Misses, do rio Uruguai. Em 1680, uma expedio chefiada por D. Manuel Lobo, governador do Rio de Janeiro, fundou a Colnia do Sacramento na margem esquerda do Rio da Prata, foco de grande disputa entre Portugal e Espanha, na regio Platina. A fundao da Colnia de Sacramento, pelos portugueses, motivou a reao dos espanhis e os choques militares no sul tornaram-se freqentes. O forte presdio Jesus-Maria-Jos, atual cidade do Rio Grande (RS), foi fundado pelo Brigadeiro Jos da Silva Pais, que chefiava uma expedio para combater os espanhis. Em 1760, o Rio Grande foi elevado condio de Capitania, subordinada ao Rio de Janeiro. Tratados de limites Aps a vigncia da Unio Ibrica, foram assinados diversos tratados de limites que envolviam regies ao sul da Amrica tais como: Lisboa, 1 de Utrecht, 2 de Utrecht, Madri, El Pardo, Santo Idelfonso e Badajs. Tratados de Lisboa (1681) Foi motivado pela anexao espanhola da Colnia do Sacramento. Portugal, apoiado pela Inglaterra, obtm a devoluo da Colnia (1681). 1 Tratado de Utrecht (1713) O 1 Tratado de Utrecht foi firmado entre a Frana (Lus XIV) e Portugal (D. Joo V). Estabeleceu os limites entre o Brasil e a Guiana Francesa, assegurando o nosso domnio sobre o Amap (ou a Terra do Cabo Norte), tendo como base o rio Oiapoque (Vicente Pinzn). 2 Tratado de Utrecht (1715) Foi firmado entre Portugal e Espanha. A Colnia do Sacramento era devolvida pela segunda vez a Portugal, porque os espanhis haviam atacado e retomado aquelaColnia. Os colonos espanhis protestaram contra a devoluo e fundam Montevidu, junto Colnia do Sacramento, provocando novos choques na regio. Tratado de Madri (1750) Foi o mais importante dos Tratados de limites assinados entre portugueses e espanhis. Estabeleceu a troca da Colnia do Sacramento, que passaria para Espanha. O brasileiro Alexandre de Gusmo ("Av dos Diplomatas brasileiros") defendeu o princpio do "Uti Possidetis" (direito de posse), ou seja estabeleceu que cada uma das naes ficaria com os territrios que j estivessem em seu poder. Este princpio, aceito pela Espanha, beneficiou Portugal que havia ocupado as terras a oeste do Meridiano de Tordesilhas, graas expanso territorial feita pelos bandeirantes, durante o perodo da Unio Ibrica (1580 - 1640), completada pelos criadores de gado e padres missionrios. O Tratado de Madri importante porque dava ao Brasil (salvo pequenas modificaes, como a compra do Acre em 1903), aproximadamente, a sua atual configurao geogrfica. Os padres jesutas espanhis, juntamente com os comerciantes da regio no se conformaram com as decises do Tratado de passar a regio dos Sete Povos das Misses para o domnio portugus: instigaram os ndios a uma luta, ocasionando a "Guerra Guarantica". Como o tratado no foi cumprido, porque os demarcadores suspenderam os trabalhos, a Colnia do Sacramento permaneceu com Portugal. Guerra de El Pardo (1761) Anulou o de Madri, porque os ndios dos Sete Povos das Misses revoltaram-se ("Guerra Guarantica") e Portugal recusou-se a entregar a Colnia do Sacramento. Tratado de Santo Idelfonso (1777) Antecedentes Em conseqncia da Guerra dos Sete Anos, na Europa, surgiram hostilidades na Amrica. D. Pedro de Cevallos, governador de Buenos Aires, atacou e ocupou a Colnia do Sacramento em 1762, tendo sido devolvida no ano seguinte. Posteriormente, os espanhis se apossaram de Santa Catarina e, pela quinta vez, da Colnia do Sacramento. O Tratado reconheceu o princpio do "Uti possidetis"(direito de posse) e restabeleceu, em linhas gerais, o Tratado de Madri. Contudo, Portugal cedia a Colnia do Sacramento, os Sete Povos das Misses e parte do Rio Grande; a Espanha devolvia a Ilha de Santa Catarina.Tratado de Badajs (1801) As guerras napolenicas levaram a Espanha a lutar contra Portugal. O Tratado de Badajs ps fim Guerra e determinou que a Colnia do Sacramento passaria para a Espanha. Como no mencionasse os Sete Povos e parte do Rio Grande, permitiuassim que Portugal ficasse na posse dos territrios conquistados (Rio Grande de So Pedro).Quinta ParteVIII - NOVA POLTICA COLONIAL ( SCULO XVIII)Aps a restaurao portuguesa (1640), o primeiro rei da Dinastia de Bragana (D. Joo IV) dedicou a maior ateno poltica administrativa da Colnia, tomando medidas visando defesa, povoamento, melhoria das comunicaes e organizao da justia. A administrao tornou-se mais rgida, sendo criado o Conselho Ultramarino (1642), visando a centralizar toda a administrao colonial. Ao contrrio do que acontecera at meados do sculo XVII, as Cmaras Municipais, antes to poderosas, tiveram seus poderes restringidos. Os juizes ordinrios, eleitos pelos colonos que tinham direito a voto, foram substitudos pelos Juizes de Fora, nomeados pelo rei. Surgiram Companhias de Comrcio privilegiadas, que tinham monoplios de certos produtos em determinadas regies. Administrao Pombalina (sculo XVIII) No sculo XVIII, em virtude da pregao das idias liberais, surge em Portugal uma tentativa de reformulao especialmente no campo econmico: a poltica pombalina. Sebastio Jos de Carvalho e Melo, conde de Oeiras (Marqus de Pombal), era primeiro ministro do rei D. Jos I de Portugal. A administrao pombalina visava a recuperao da economia do Brasil em benefcio de Portugal, a fim deste pas se livrar do domnio econmico da Inglaterra. Pombal incentivou as atividades comerciais, agrcolas e de construo naval. Algumas medidas tomadas por Pombal: promoveu a transferncia da capital do Brasil para o Rio de Janeiro (1763); criou duas companhias de comrcio: Maranho/ Gro-Par e Pernambuco/ Paraba; expulsou os padres jesutas e criou as escolas rgias; impulsionou a construo naval; incrementou algumas indstrias como laticnios e anil; deu maior ateno minerao; criou o Tribunal de Relao no Rio de Janeiro e Juntas de Justia nas demais Capitanias; extinguiu o estado do Maranho e o sistema de Capitanias Hereditrias; com a morte de D. Jos I (1777) sobe ao trono D. Maria I, ocasio em que a obra de Pombal paulatinamente (aos poucos) desfeita ("Viradeira").IX - OS CONFLITOS DO BRASIL COLNIAAs rebelies coloniais conheceram duas fases:movimentos nativistas; movimentos de libertao nacional. Movimentos Econmico-Nativistas Caracterizao Nativismo o sentimento de apego (amor) a terra EM QUE NASCEU. Os movimentos nativistas expressam o descontentamento dos colonos frente a problemas econmicos locais. Estes movimentos, liberados pela aristocracia rural brasileira (proprietrios de terras e escravos), classe dominante da Colnia, via seus lucros reduzidos pela intermediao dos comerciantes portugueses. O sentimento nativista, no Nordeste desenvolveu-se em funo das lutas contra os holandeses, para combater a poltica de "arrocho" aps a sada de Nassau do Brasil; no Sudeste foi devido as lutas pela posse de minas. As principais manifestaes foram: Aclamao de Amador Bueno (1641); Revolta de Beckman (1684), Guerra dos Emboabas (1707-1709); Guerra dos Mascates (1710) e Revolta de Vila Rica (1720). Aclamao de Amador Bueno (1641) Ocorreu em So Paulo, regio que se encontrava marginalizada dentro do sistema Colonial Portugus e onde existia grande nmero de espanhis, devido a Unio Ibrica e a proximidade da regio do Prata. Em 1 de dezembro de 1640 deu-se a Restaurao em Portugal sendo aclamado o Duque de Bragana que reinou com o nome de D. Joo IV, acabando o domnio espanhol. Em 1641, chega a So Paulo a notcia da restaurao. Parte da populao insuflada pelos espanhis resolveu aclamar o paulista Amador Bueno, rico fazendeiro, rei de So Paulo. Recusando o ttulo, procurou abrigo no mosteiro de So Bento. Este episdio pode ser conceituado como "simples e v tentativa dos castelhanos em, fazendo valer o prestgio adquirido, subordinarem So Paulo coroa da Espanha". Revolta de Beckman (1684) Ocorreu no Maranho e teve como causas: a luta entre os colonos e jesutas devido a escravizao dos ndios; a mudana da sede do governo do Estado do Maranho, de So Lus para Belm; os abusos cometidos pela Cia de Comrcio do Estado do Maranho que exercia o monoplio de todo o comrcio de compra e venda da produo maranhense; a concorrncia na explorao das "Drogas do Serto". Aproveitando a ausncia do governador, Manuel Beckman (rico fazendeiro), secundando pelo irmo Toms Beckman, Jorge Sampaio e Francisco Deir, depuseram o capito-mor e tomaram a administrao da capitania. Organizaram uma "Junta dos Trs Estados" (representantes do clero, nobreza e povo) que tomou as seguintes medidas:-expulso dos jesutas; - abolio do monoplio comercial (a Cia de Comrcio foi extinta); - envio de um emissrio a Portugal para justificar o movimento e fazer reclamaes. O movimento terminou com a nomeao do novo governador, Gomes Freire de Andrade, que anulou os atos da Junta. A represso revolta levou morte os lderes rebeldes. Manuel Beckman foi enforcado (1685). Este movimento, foi isolado e no contestou a dominao metropolitana, mas apenas um de seus aspectos: o monoplio. O governo portugus extinguiu a Companhia de Comrcio do Maranho, como queriam os revoltosos, mas os jesutas puderam retornar e continuar o seu trabalho. Guerra dos Emboabas (1709) Ocorreu em Minas Gerais e teve como causa a luta pela posse das minas entre paulistas e emboabas (forasteiros). Com a descoberta de ouro no Brasil, muitos portugueses e populaes da orla litornea, que estavam decadentes devido ao declnio da produo aucareira, dirigiram-se para os sertes de Minas Gerais entrando em conflito com os descobridores das minas (paulistas) para explorao das jazidas. O primeiro incidente aconteceu entre o paulista Jernimo Pedroso de Barros e o reino (portugus) Manuel Nunes Viana, em Caet. A nomeao do "emboabas" Manuel Nunes Viana como "governador das Minas" irritou os paulistas, pois se sentiram lesados, comeando, ento, violentos choques: atacados pelos emboabas chefiados por Bento do Amaral Coutinho, junto ao rio das Mortes, depois de resistirem, os paulistas cercados se renderam, mas foram trados. Foi o episdio do Capo da Traio (1708) onde morreram 300 paulistas.O governador do Rio de Janeiro D. Fernando Mascarenhas de Lencastre tentou acabar a luta, mas no teve xito (1709). Seu substituto, Antnio de Albuquerque Coelho de Carvalho conseguiu a pacificao. Principais conseqncias: criao de uma nova Capitania, a de So Paulo e Minas do Ouro, separada do Rio de Janeiro (09 de Novembro de 1709) que passou ao domnio direto da Coroa, sendo seu primeiro governador Antnio de Albuquerque Coelho de Carvalho; elevao da vila de So Paulo categoria de cidade (julho de 1711); separao entre a Capitania de So Paulo e a de Minas Gerais (1720) transferncia do plo de irradiao de Taubat para Sorocaba pelos bandeirantes paulistas; descoberta de ouro nas regies de Mato Grosso e Gois para onde se dirigiram, depois, os paulistas. Guerra dos Mascates (1710 - 1711) Foi um conflito ocorrido em Pernambuco, resultado do choque entre a aristocracia rural de Olinda e os comerciantes ("Mascates") de Recife. A rivalidade entre "brasileiros" (de Olinda) e "portugueses" (de Recife), tinha como causas: 1) a decadncia da lavoura aucareira devido a concorrncia Antilhana, levou a aristocracia rural a endividar-se com os comerciantes portugueses que monopolizavam o comrciode Pernambuco; 2) mesmo decadente, Olinda era Vila, possua Cmara Municipal e tinha autonomia em relao a Recife, que era sua comarca e subordinada administrativamente. A elevao de Recife a categoria de vila pelo rei de Portugal no final de 1709, por presso dos "mascates" separando-a de Olinda precipitou os acontecimentos. Os primeiros desentendimento surgiram entre o governador Sebastio de Castro Caldas, simptico aos mascates (de Recife) e o ouvidor Luiz de Valenzuela Ortiz, favorvel aos de Olinda. Um atentado vida do governador por desconhecidos levou-o a tomar medidas repressivas contra os olindenses. Estes revoltaram-se em fins de 1710, liderados por Bernardo Vieira de Melo, invadindo Recife, derrubando o pelourinho (smbolo de autonomia administrativa) e obrigando o governador a fugir para a Bahia. Abertas as vias de sucesso, o governo foi entregue ao bispo D. Manuel lvares da Costa, que anistiou os amotinados, enquanto era rejeitada a proposta do Sargentomor Bernardo Vieira de Melo de proclamar a independncia de Pernambuco sob a forma republicana de governo, no mesmo estilo das cidades livres da Itlia (Veneza e Gnova) e contaria com a proteo de uma potncia crist. A luta terminou com a chegada do novo governador, Felix Jos Machado, que recebeu ordem de pacificar os conflitos em Pernambuco. Os principais envolvidos foram presos e Recife foi confirmada como vila, passando a ser o centro administrativo da Capitania. A vitria dos comerciantes de Recife tornou claro aristocracia rural que os seus interesses eram bem diferentes dos interesses portugueses. A rivalidade entre brasileiros e portugueses na Capitania continuou a existir mas s se transformou novamente em revolta mais de um sculo depois (1817 - Revoluo Pernambucana) e com carter diferente. Revolta de Vila Rica (1720) Ocorreu em Minas Gerais e teve como causas principais a criao das "casas de fundio", a carestia de vida e monoplio e estanco sobre mercadorias. Com a criao das casas de fundio, todo ouro extrado deveria ser fundido em barra , isto , "quintado" (retirado o imposto do quinto) sendo proibida a circulao do ouro em p, para evitar o contrabando. O monoplio que os reinis (portugueses) exerciam sobre a comercializao de gneros de primeira necessidade encarecia, medida que aumentava a produo de ouro. Vrios mineiros, entre os quais Pascoal da Silva Guimares, Sebastio Veiga Cabral e Felipe dos Santos Freire (principal lder), em Vila Rica, promoveram o levante. O governador de Minas, Conde Assumar (D. Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos) que estava em Ribeiro do Carmo (Mariana), atendeu s exigncias dos revoltosos. Em seguida , contando com os "Drages" e os paulistas, avanou contra Vila Rica, reprimiu violentamente esta rebelio prendendo os principais chefes. Felipe dos Santos, o de mais baixa condio social, foi o nico condenado morte: foi enforcado e esquartejado.A revolta de Vila Rica foi o reflexo do aumento da explorao portuguesa sobre o Brasil. Este movimento foi local e no contestou a dominao portuguesa. Seu objetivo no era fazer a libertao do Brasil e sim acabar com os abusos do monoplio portugus. A revolta de Felipe do Santos (1720) antecedeu a Inconfidncia Mineira (1789), na mesma Vila Rica (atual Ouro Preto). A conseqncia dessa revolta foi a criao da Capitania de Minas Gerais, separada de So Paulo (1720). A Revolta de Vila Rica foi fundamental para o amadurecimento da conscincia colonial. Por outro lado, inaugurou um perodo de sangrentas represses desfechadas pela Metrpole. O antagonismo entre Colnia e Metrpole retratado nas ltimas palavras de Felipe dos Santos: "Morro sem me arrepender do que fiz e certo de que o canalha do rei ser esmagado". Era o prenncio das lutas de libertao nacional que se desencadeariam no Brasil a partir do sculo XVIII. Tentativas de Libertao Colonial Caracterizao - estes movimentos tinham como objetivo libertar o Brasil do domnio portugus e foram mais abrangentes que os movimentos nativistas; - ocorreram no perodo de crise do capitalismo comercial e ascenso do capitalismo industrial (este era contrrio aos monoplios); - com a Revoluo Industrial, a partir do final do sculo XVIII desenvolve-se o livre cambismo, que forava a abertura de novas frentes de trabalhos. Isto chocava-se com o pacto colonial; - a Inglaterra, nao pioneira da Revoluo Industrial, como centro da capitalismo desejava garantir os mercados de matrias-primas e consumidores de manufaturados; -as naes Ibricas (Portugal e Espanha) entraram em decadncia. Por no terem acumulado capital suficiente para iniciar o processo de industrializao, ficaram presas ao Mercantilismo e ao Absolutismo (Antigo Regime). No tinham, portanto, as condies necessrias para ingressar na nova fase do Capitalismo; - o Liberalismo poltico e econmico, posto em prtica na Revoluo Francesa, repercutiu nas colnias; - a Independncia dos Estados Unidos (em 1776 - primeiro pas do Continente Americano a romper com os laos coloniais) provou que o colonialismo mercantilista podia ser derrotado; - o Iluminismo, filosofia revolucionria do sculo XVIII que defendia os princpios de "Liberdade, Igualdade, Fraternidade", foi o pensamento que orientou os movimentos contrrios ao Antigo Regime; - os movimentos que precederam nossa independncia poltica sofreram influncias das idias liberais da Frana e da Independncia dos Estados Unidos e quase todos tiveram a participao ativa do clero e da Maonaria; - a Inconfidncia Mineira (1789), a Conjurao Baiana (1798) e a Revoluo Pernambucana (1817) foram os principais movimentos precursores da Independncia do Brasil.Inconfidncia Mineira (1789)Aconteceu na regio de Minas, onde a opresso metropolitana estava concentrada nos monoplios e nos impostos. Foi o primeiro movimento de tentativa de libertao nacional e teve como causas: Intelectuais - A divulgao das idias liberais francesas, trazidas da Europa por estudantes brasileiros (Domingos Vidal Barbosa, Jos lvares Maciel, Jos Joaquim Maia, Jos Mariano Leal) e o exemplo da Independncia dos Estados Unidos (1 colnia da Amrica a se libertar do domnio da metrpole - 1776); Polticas - O governo desptico da metrpole, a pssima administrao dos vice-reis e governadores de minas; Sociais - O desenvolvimento de uma classe mdia com o aparecimento de uma elite intelectual; Econmicas - A cobrana de pesados impostos que asfixiaram a regio mineradora por ocasio da exausto das minas, o estanco do sal, a derrama (cobrana dos quintos atrasados), a proibio de instalao de fbricas (1785), a proibio da construo de estradas para o interior e para o litoral. A conspirao foi realizada por elementos da elite econmica, onde se destacou a presena de padres e letrados como: - Toms Antnio Gonzaga desembargador e poeta, autor do poema "Marlia de Dirceu" e "Cartas Chilenas"; - Cludio Manuel da Costa, advogado e poeta muito rico, emprestava sua casa para os conspiradores se reunirem; -padres Carlos de Toledo e Jos de Oliveira Rolim; - Francisco de Paula Freire de Andrade, tenente-coronel, comandante do "Regimento dos Drages", tropa militar de Minas Gerais, e que estava hierarquicamente logo abaixo do governador; - Incio de Alvarenga Peixoto, poeta e minerador; - Jos lvares Maciel, estudante universitrio, tendo chegado ao Brasil em 1788, era francamente fiel aos ideais iluministas; -Jos Joaquim de Maia, estudante universitrio, que teria se entrevistado com Thomas Jefferson, embaixador dos Estados Unidos na Frana e um dos lderes do movimento de independncia daquele pas, e solicitado auxilio aos norte-americanos; - Domingos Vidal Barbosa e Salvador Gurgel do Amaral, doutores; -Francisco Antnio de Oliveira Lopes, Coronel; - Luiz Vieira da Silva, cnego; - Joaquim Silvrio dos Reis, Baslio de Brito Malheiros (coronis) e o mestre de campo Incio Correa Pamplona (delatores). O Alferes Joaquim Jos da Silva Xavier ("Tiradentes") considerado o principal nome pois foi o que propagou junto ao povo insatisfeito e conseguiu adeptos para a conspirao. A revolta seria iniciada por ocasio da "Derrama" (cobrana dos impostos atrasados) e a senha seria: "Tal dia fao meu batizado". O Visconde de Barbacena (Luiz Antnio Furtado de Mendona) era o ento governado de Minas Gerais. Com exceo de Tiradentes, todos os lderes da Inconfidncia Mineira eram ricos, ligados extrao mineral e produo agrcola. Esse fato perfeitamente compreensvel, pois os grandes proprietrios eram os que mais interesses tinham em romper o pacto colonial. Planos dos conjurados:fazer a independncia com a capital em So Joo Del Rei; fundar uma universidade em Vila Rica; adotar uma bandeira com o dstico (frase ou lema): "Libertas quae sera tamem" (liberdade ainda que tardia), do poeta Virglio; adotar, provavelmente a forma republicana de governo; instituir o servio militar obrigatrio e uma ajuda (penso) s famlias numerosas; criar indstrias; quanto ao trabalho escravo, no chegaram a uma concluso. A denncia e a devassa O movimento no chegou a ter sucesso, uma vez que os grandes planos no iam muito alm das salas de reunies. Isolados da grande massa popular, sem pensar em armas para o levante, bastou uma denncia para acordar os conspiradores de seu grande sonho. Joaquim Silvrio dos Reis, principal delator e um dos maiores devedores da Coroa, resolveu denunciar o movimento ao Visconde de Barbacena, em troca do perdo da dvida. Logo aps aconteceram os seguintes fatos: - O Visconde de Barbacena suspendeu a "derrama" e determinou a priso dos envolvidos em sua Capitania; - houve priso de Tiradentes no Rio de Janeiro, na ruas dos Latoeiros, atual Gonalves Dias, (o vice-rei na poca era D. Lus de Vasconcelos e Souza); - Foram abertas duas devassas que depois se unificaram, transformando-se numa alada (tribunal especial); - Cludio Manuel da Costa suicidou-se na priso , em Vila Rica (Casa dos Contos); - de todos os conjurados presos, que respondiam pelo crime de inconfidncia (falta de fidelidade ao rei), Tiradentes foi o nico que assumiu total responsabilidade e participao no movimento; - na sentena, 12 lderes foram condenados morte e depois perdoados pela rainha D. Maria I, que condenou alguns ao degredo perptuo e outros ao degredo provisrio; - Tiradentes foi condenado morte por enforcamento. Foi executado no Campo da Lampadosa, no Rio de Janeiro, no dia 21 de abril de 1792; a cabea cortada e conduzida para Vila Rica, o corpo foi esquartejado e postos os pedaos pelos caminhos de Minas Gerais. Avisado da conspirao, o Visconde de Barbacena suspendeu a derrama e iniciou a captura dos implicados. Quase trs anos depois terminava a devassa. A sentena que condenava morte 11 dos acusados foi modificada por Dona Maria I. Estabeleceu-se o degredo perptuo para dez inconfidentes e apenas um serviria de bode expiatrio: Tiradentes. A 21 de abril de 1792 executou-se a sentena de Tiradentes com requintes de crueldade... Conseqncias: suspenso da derrama; abolio do estanco do sal; a idia de independncia germinaria mais tarde em 1822. Sobre o movimento pode-se afirmar que a falta de consistncia ideolgica no invalida o significado da Inconfidncia Mineira. Era um sintoma da desagregao do Imprio portugus na Amrica. Pode-se, portanto, consider-la, sem hesitao, um movimento precursor da Independncia do Brasil.Conjurao Baiana (1798)Tambm conhecida como "Revoluo dos Alfaiates" foi o movimento precursor da Independncia que apresentou caractersticas mais populares. Considerada a Primeira Revoluo Social do Brasil, a Conjurao Baiana teve a participao de pessoas humildes como soldados libertos, alfaiates, etc. Surgiu devido pregao das idias liberais francesas e ao da Maonaria. Seus objetivos eram: atender s reivindicaes das camadas pobres da populao, libertar o Brasil de Portugal, proclamar a repblica, conceder liberdade de comrcio e abolir a escravido. Seus objetivos, portanto, foram mais abrangentes, no se limitando apenas aos ideais de liberdade e independncia do movimento de Minas Gerais. O levante baiano propunha mudanas verdadeiramente revolucionrias na estrutura da Colnia. Pregava a igualdade de raa e cor, o fim da escravido, a abolio de todos os privilgios, podendo ser considerada a primeira tentativa de revoluo social brasileira. A revolta teve como lderes: Joo de Deus Nascimento, alfaiate e principal figura; Manuel Faustino dos Santos Lira, alfaiate, preto liberto; Lus Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, soldados. Todas as pessoas acima estavam aliadas aos elementos da Maonaria. A divulgao da ideologia liberal da Revoluo Francesa era feita, na Bahia, pela loja manica "Cavaleiros da Luz", que contava com a participao de intelectuais como Cipriano Barata (cirurgio) e Jos da Silva Lisboa (futuro Visconde de Cairu). O movimento limitou-se a Salvador, antiga Capital do Brasil, onde grande parte da populao compunha-se de artesos livres (sapateiros, alfaiates, mulatos, exescravos). Pode-se afirmar ainda que a Conjurao Baiana foi influenciada tambm pela Independncia de Haiti, antiga colnia francesa situada nas Antilhas. Tendo sido distribudos papis em Salvador anunciando o movimento, o governador da Bahia, Marqus de Aguiar (D. Fernando Jos de Portugal e Castro), mandou apurar a autoria dos manuscritos, tendo sido identificado o soldado Lus Gonzaga das Virgens, que foi logo preso. Trados por delatores, os chefes foram presos e julgados. Lus Gonzaga das Virgens, Lucas Dantas, Joo de Deus e Manuel Faustino dos Santos Lira foram condenados morte (enforcados) e depois esquartejados; os intelectuais como Cipriano Barata foram absolvidos. A violncia da represso expressou a popularidade do movimento. Seis dos rus foram condenados morte e os demais tiveram pena de degredo ou priso. O surgimento das lutas de libertao aumentou a represso metropolitana. A Coroa passou a conceder prmios em dinheiro, privilgios e cargos importantes aos denunciantes dos chamados crimes contra a Coroa Portuguesa. Revoluo Pernambucana de 1817 Ocorreu durante a permanncia da famlia real no Brasil e teve como causas: rivalidade entre reinos (portugueses) e mazombos (brasileiros); influncia das idias liberais francesas; pesados impostos e abusos administrativos; exemplo das colnias espanholas; arbitrria e opressiva administrao militar; atuao das sociedadessecretas (Maonaria), como o nativista Arepago de Itamb, que defendiam idias anticolonialistas; insatisfao popular e atraso no pagamento da tropa. A difcil situao econmica de Pernambuco (crise na lavoura aucareira), escassez de gneros de primeira necessidade e a seca que assolava a regio criaram um clima favorvel ao movimento revolucionrio. O protesto para o incio do movimento foi o incidente em que um reino foi surrado por um oficial do Regimento dos Henriques. O governador de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, tendo recebido denncias dos preparativos dos revoltosos, determinou a priso de todos os implicados. O Brigadeiro Barbosa de Castro ao prender o Capito Jos de Barros Lima ("Leo Coroado") foi morto, amotinando-se a tropa. O governador enviou ao quartel seu ajudante de ordens Ten Cel Alexandre Toms, que tambm foi morto. Caetano Pinto refugiou-se na Fortaleza do Brum, onde capitulou e retirou-se para o Rio de Janeiro. Com a resistncia dos militares envolvidos tem incio a revoluo que, vitoriosa, organizou um governo provisrio: - Domingos Jos Martins, principal figura, representava o comrcio; - Domingos Teotnio Jorge (Exrcito); - Padre Joo Pessoa Ribeiro de Melo Montenegro (clero); -Manoel Garcia de Arajo (agricultura); -Dr. Jos Luiz de Mendona (Magistratura). O Padre Miguelino (Miguel Joaquim de Almeida Castro)era o secretrio de governo; no jornal "Preciso" eram publicados as diretrizes do governo. Organizou-se, tambm, um Conselho Consultivo onde se destacava Antnio Carlos de Andrade (irmo de Jos Bonifcio) e o dicionarista Antnio de Morais Silva. A revoluo teve a adeso das seguintes Provncias do Nordeste: Paraba e Rio Grande do Norte. Os principais fatos foram : Enviou emissrios ao estrangeiro (Inglaterra, Estados Unidos e Argentina); Estabeleceu a liberdade de pensamento; Aboliu o monoplio do pau-brasil, o estanco do sal e os ttulos de nobreza; Adotou uma bandeira (azul e branca, com uma cruz vermelha, trs estrelas, o arco-ris e o sol); Enviou Jos Martiniano de Alencar (que foi preso no Cear) e Jos Ribeiro de Abreu Lima, mais conhecido como Padre Roma (que foi preso e executado na Bahia). O conde dos Arcos (D. Marcos de Noronha), governador da Bahia, enviou alguns navios comandados por Rufino Batista e uma diviso, por terra, comandada pelo Marechal Joaquim de Melo Cogominho de Lacerda que se juntou s foras do novo governador Luiz de Rego (este formara um "Corpo Expedicionrio"). Do Rio de Janeiro seguiu uma esquadra chefiada por Rodrigo Lobo. Os revoltosos foram derrotados em Utinga, Pindobas e Ipojuca. A represso se prolongou at 1818: 12 foram executados como os Padres Miguelino e Roma e o capito Domingos Teotonio Jorge; alguns implicados foram libertados e outros transferidos para as prises da Bahia onde permaneceram at 1821, quando obtiveram o perdo real. As principais conseqncia deste movimento foram: aceleramento da marcha para a Independncia e separao de Alagoas e do Rio Grande do Norte da Provncia de Pernambuco.

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