Histria do Brasil - Pr-Vestibular Impacto - Sociedade Tupi-guarani

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2CONTEDOPROF: JLIO CHARCHARAPRESENTAO01A Certeza de VencerSOCIEDADE TUPI-GUARANIKL 200208Fale conosco www.portalimpacto.com.brO Nosso conhecimento dos grupos Tupi-guarani que habitavam a costa brasileira nos dois primeiros sculos da conquista depende de um material razoavelmente extenso, mas sobre tudo variado em sua origem. Trata-se de crnicas de viajantes e correspondncias entre religiosos cujos autores escrevem de posies bastante distinta: h jesutas Ibricos como Anchieta e Nbrega, capuchinhos, franceses como Abville e vreuux, o Huguenote lery, o colono portugus (e escravizador de ndios) Soares de Souza , o artilheiro Alemo e prisioneiro dos tupinamb Hans Stadem, o amigo de camares Pedro de magalhes Gandavo, entre outros se suas origens e posies so diversas no menos dissimilares so suas experincias na terra com a gente do Brasil: o tipo de envolvimento que tiveram com os ndios, quanto tempo aqui permaneceram, para que vieram, o que almejavam, a que serviram. A despeito de tudo isso, h uma razovel homogeneidade de informaes, que nos permite um certo grau de segurana na reconstruo dessas sociedades , mas no nos dispensa de uma leitura critica, feita a partir da situao dos autores. (Fausto, Carlos. Fragmentos de histria e cultura tupinamb)I. A DISTRIBUIO DAS NAES TUPI E TAPUIAS NA COSTA BRASILEIRAQuando os Europeus chegaram ao que viria a ser o Brasil, encontraram primeiramente no litoral uma populao amerndia bastante homognea em termos culturas e lingsticos, distribudas a grosso modo ao longo de toda a costa. A respeito dessa homogeneidade dividiram-se dois grandes blocos: ao sul o Guarani e ao norte o TUPI. Todavia logo os europeus perceberam que Havia diferenas marcantes entre a grande quantidade de indgenas que habitavam o litoral. As outras populaes indgenas no tupis que tambm habitavam o litoral no momento da chegada dos conquistadores eram chamadas de TAPUIAS que diferentes dos tupis no conheciam a atividade agrcola e nem praticavam a antropofagia. E importante destacar que nos primrdios, o litoral Brasileiro era dominado pelos chamados poros sambaquis, que foram expulsos pelos tapuios e estes posteriormente pelos Tupis. Assim, quando os conquistadores chagaram no litoral, deparou-se com uma grande quantidade de nativos que falavam no tupi, que foi a primeira lngua assimilada pelos conquistadores, tornando-se posteriormente A Lngua Geral que foi imposta a outros ndios no-tupis servindo como uma arma poderosa no processo colonizador dos Europeus.II. A ORGANIZAO DO TRABALHO ENTRE OS TUPIS GUARANISSegundo os registros deixados por missionrios e viajantes europeus dos sculos XVI e XVII. Os tupis praticavam sistematicamente a agricultura e a cermica, embora nem todos os grupos tupis guaranis fossem agricultores e ceramistas. O desenvolvimento da agricultura como principal atividade produtiva, alm das atividades de caa e pesca e as diminuies da mobilidade espacial, afetaram as populaes tupis de maneira diversa e em pocas diferentes de acordo com cada regio. Em muitos casos, as populaes agrcolas tambm eram fabricantes de cermica. A necessidade de cozinhar e armazenar alimentos levou-as a confeccionar os primeiros utenslios cermicos: potes vasos, panela, tijelas. As tarefas cotidianas eram divididas de acordo com a faixa etria e com o sexo dos indivduos. As mulheres eram responsveis por cuidar da casa, pela coleta de frutos e razes e pela agricultura, e os homens dedicavam-se caa, pesca, guerra e a derrubada das matas para plantio. Homens e mulheres confeccionavam seus prprios pertences pessoais, tais como ornamentos de penas, cestas, arcos, flecha, canoas, residncias e demais produtos, ocorrendo uma cumplicidade em seu trabalho como afirma o historiador Sergio Buarque de Holanda em sua obra histria geral da civilizao Brasileira.A DIVISO DO TRABALHO, NOS GRUPOS LOCAIS, OBEDECIA AS PRESCRIES BASEADAS NO SEXO E NA IDADE.As mulheres ocupavam-se com o trabalho agrcola (desde o plantio e semeadura at a conservao e a colheita) e as atividades de coleta (de frutas silvestres, de mariscos etc.) colaboravam nas pescarias indo buscar o peixe fechados pelos homens, transportavam produtos das caadas, aprisionavam as formigas voadoras, fabricavam farinha, preparavam as razes e o milho para a produo do cauim, incubindo-se da salivao do milho, fabricavam azeite de coco, fiavam algodo (...) cuidavam dos animais domsticos, realizavam todos os servios, relacionados com a manuteno da casa (...) os homens ocupavam-se com a derrubada e a recuperao da terra para a horticultura, entregando as prontas para o plantio das mulheres (...) praticavam a caa e a pesca, fabricavam canoas (...) e claro que a proteo das mulheres, crianas e velhos eram atividade masculina, bem como a realizao de expedies guerreiros e o sacrifcio de inimigos ou de animais como a ona constituram prerrogativas masculinas. (Holanda, Sergio Buarque de. Histria geral da civilizao brasileira, tomo I, 1 volume Difel, So Paulo, 1960, 75-76)A CULTURA E COSTUMES TUPI-GUARANI 1. ANTROPOFAGIA INDGENAEm 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil se espantaram com um dos hbitos das tribos tupis: A antropofagia ritual milenar de alguns ndios americanos era uma cerimnia que misturava bravura, dio e at respeito pelo inimigo. Nas guerras rotineiras entre as tribos, a vitria de uma delas lhe garantia o direito de devorar um dos guerreiros da tribo inimiga. O prisioneiro era levado para a aldeia e obrigado a desfilar diante das pessoas enquanto todos o ameaavam, prometendo-lhe a morte. A execuo poderia demorar quase um ano para acontecer. Enquanto isso, o prisioneiro era muito bem tratado, alimentado e poderia at receber uma esposa. Quando se aproximava o dia de sua morte, as tribos vizinhas eram convidadas para a grande festa. Chegado o dia, o prisioneiro e o escolhido para ser o executor eram enfeitados com cores fortes e brilhantes, depois de imobilizado, o prisioneiro tinha a cabea arrebentada com a IBIRAPEMA. O corpo era limpo, cozido em grandes panelas e saboreado pelos parentes.FAO IMPACTO - A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009Fale conosco www.portalimpacto.com.brE importante ressaltarmos que o ritual da antropofagia esteve repleto de simbologias dentre elas podemos citar: momento para se vingar das comunidades indgenas rivais. oportunidade para satisfazer e louvar os deuses indgenas. significava o fortalecimento do esprito guerreiro ingerindo carne humana. estabelecer alianas com outras tribos2. O SGNIFICADO DA GUERRA PARA OS TUPISUma das coisas que mais intrigou os europeus quando atingiram a costa brasileira, foram s sangrentas guerras entre as diversas tribos indgenas que muitas vezes pertenciam mesma etnia. Muitos conquistadores chegaram a se perguntar, por que aqueles povos viviam em constante estado de guerra se no tinham propriedades, nem reinos ou senhores para defender? Muitas possibilidades foram levantadas ao longo do tempo na tentativa de explicar o esprito guerreiro dos nativos. Alguns cronistas da poca atravs de seus relatos associam a guerra ao esprito de vingana dos nativos, tentando integrar os mortos ao mundo dos vivos como narra o cronista da poca Andr Trevet Todas suas guerras no se devem seno a um absurdo e gratuito sentimento de vingana. Outra hiptese que busca explicar o esprito guerreiro dos nativos era a busca de novos territrios, devido o esgotamento do territrio antigo, o que poderia acarretar choques entre as tribos na disputa por terras frteis. Por exemplo, isto pode ter acontecido antes da chegada dos conquistadores quando os Tupis expulsaram os Tapuais do litoral e estes anteriormente expulsaram os povos sambaquis. Porem devemos compreender que a guerra para os tupi no tinha como finalidade a escravido e muito menos a aniquilao de seus contrrios, pois isso iria contra a essncia guerreira e igualitria da sociedade tupi-guarani como afirma o historiador Luiz KoshibaA guerra indgena no poderia redundar na completa aniquilao do inimigo, pois como guerreiros, os ndios s poderiam existir uns contra os outros. Portanto quando partiam para a guerra os tupis, previamente faziam reverencias a seus antepassados guerreiros e saiam em busca no de riquezas ou escravos, mais dos maiores nmeros de prisioneiros possveis.III. O NOMADISMO E A BUSCA PELA TERRA SEM MALSabe-se que os tupis, o principal grupo que habitava o litoral da Amrica portuguesa, deslocavam-se continuamente no sentido leste oeste, em busca de uma regio que acreditavam ser a morada de seus ancestrais e ao mesmo tempo, um lugar de abundancia, juventude e imortalidade, a terra sem mal. Profetas indgenas percorriam as aldeias apresentado-se como reencarnao de antepassados hericos e procurando convencer seus habitantes a abandonar o trabalho e a danar. As peregrinaes em busca desta verdadeira Terra Prometida provocavam um comportamento nmade ou semi-sedentrio entre os tupis. Em razo disso a sedentarizao completa era incompreensvel para suas bases culturais, pois significava o afastamento em relao ao sentido essencial da vida, ou seja, a busca da TERRA SEM MAL. A pratica de refundao de aldeias seja em busca da terra sem mal seja provocada pela escassez de caa ou pelo esgotamento do solo, constitua elemento indissocivel da vida tupi. A maior parte das organizaes tribais da parcela da Amrica conquistada pelos Portugueses era composta por coletores caadores nmades ou por comunidades semi-sedentrias praticavam a pesca a caa e no caso destas ultimas a agricultura com tcnicas rudimentares. Uma vs esgotada a fertilidade do solo, pelas queimadas, realizadas antes do plantio pelas sucessivas colheitas, os campos eram abandonados e as tribos saiam em busca de novas terras, onde estabeleciam novas aldeias.IV. A ORGANIZAO DAS CHEFIAS E CACICADOSAs aldeias que podia abrigar de 500 acerca de 3 mil ndios eram compostas por malocas que ficavam em torno de uma espcie de ptio central. Inimizades ou alianas definiam as relaes entre as diversa aldeias e operaes de guerra. No entanto, no se estabeleceu nenhuma autoridade central que se impusesse a todas nem a delimitao clara de fronteiras entre suas reas. O prestgios de alguns chefes podia circunstancialmente, transforma-se em liderana poltica em caso de expedies guerreiras, mas no em uma organizao duradoura. A estrutura da chefia era to difusa quanto as das unidades sociais. Cada maloca dentro de uma aldeia tinha um principal, que era algum que conseguiria reunir entorno de si uma grande parentela. Todo o chefe alm de sogro era um grande matador e lder de um grupo guerreiro. Varias malocas aliadas formavam uma aldeia assim como varias aldeias formavam um cacicado. Ser filho de chefe no era seno um ponto de partida para se reivindicar essa condio no era, porm, nem condio necessria, nem suficiente. Era preciso ser o mais valente, o que mais proezas fez na guerra, o que mais massacrou inimigos, o que possui maior famlia, o maior nmero de mulheres (poligamia), maior nmero de cativos. No havia uma regra mecnica de sucesso chefia, pois estrutura do poder dependia do evento, da circunstncia dos caprichos do acontecimento. Assim o acesso a chefia e seu exerccio dependiam antes do processo de constituio das unidades domesticas das estratgias matrimoniais e das virtudes pessoais do individuo, do que de uma autoridade emanada de um lugar da chefia. Era preciso ser capaz de articular uma parentela forte, ser temido e respeitado como guerreiro e ser como os XAMS grande orador. A poligamia a virilocalidade no eram privilgios de um chefe, mas antes elementos do processo de constituio de um chefe: ter muitas mulheres. As sociedades tupis estavam concentradas em sua maioria no litoral e organizavam-se em cacicados caracterizados por uma complexa hierarquia social sob a tutela de um chefe. Os cacicasdos mantinham-se e formavam-se pela lgica da guerra. Uma aldeia tupi tpica organizava-se em torno de quatro ou oito malocas dispostas em crculos. Cada uma dessas malocas agrupava varias famlias que dormiam em redes. O agrupamento de varia aldeia formava um cacicados. O interior das malocas foi descrito por Hans Staden no tem divises no interior nem tem um quarto; a cada ocupante, porm, marido e mulher, cabe, de um lado, um espao de doze ps ao comprido. O espao correspondente do outro e ocupado por outro ocupante assim ficam repletas as cabanas. Cada ocupante tem seu fogo prprio. O chefe da cabana recebe seu lugar no centroFAO IMPACTO A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009