História do Brasil - Pré-Vestibular Impacto - Sociedade Açucareira I

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2CONTEDOPROF: ASSAIDOS PRIMEIROS TEMPOS DE BRASIL03A Certeza de VencerSOCIEDADE AUCAREIRA IJACKY01/0408Nos primeiros trinta anos, aps o descobrimento do Brasil, a Coroa portuguesa no desenvolveu nenhum planejamento ou ao de aproveitamento sistemtico da nova terra. O comrcio com as ndias era muito lucrativo e as perspectivas em relao s terras americanas no eram das melhores, pelo menos de forma imediata, pois metais preciosos e especiarias no foram encontrados por aqui. Porm, a enorme quantidade de pau-brasil, rvore j conhecida dos europeus, no poderia escapar aos olhos lusitanos. E mesmo que o seu comrcio no tivesse as mesmas perspectivas dos imensos lucros dos negcios com as ndias, as possibilidades de ganhos eram bastante animadoras. A Coroa portuguesa declarou o monoplio do comrcio da madeira. E arrendou o direito de explor-la, por trs anos, renovveis, a um grupo de comerciantes, liderados pelo cristo novo Ferno de Loronha (ou Noronha). A partir da, feitorias foram estabelecidas no litoral. Elas eram as bases para a extrao do pau-brasil. A obteno da madeira dava-se com a mo-de-obra indgena, atravs do escambo. Em troca do trabalho de corte e carregamento das toras, os ndios recebiam tecidos, espelhos, tesouras, facas, machados e outros objetos de pouco valor relativo para os europeus, mas muito valorizados pelos indgenas. possvel que esse escambo tenha levado a um progresso produtivo nessas aldeias nativas. Alm de portugueses, espanhis e franceses passaram a freqentar o territrio, que a Coroa portuguesa considerava como sua possesso legtima. As negociaes com os espanhis foram facilitadas pelo Tratado de Tordesilhas. O prprio governo espanhol no concordava com a presena de seus sditos no territrio que, pelo acordo entre os dois pases, pertencia a Portugal. Com os franceses as relaes foram mais difceis, pelo fato deles no reconhecerem o direito de espanhis e portugueses dividirem o mundo entre eles. Em outras palavras, os franceses no reconheciam a validade do Tratado de Tordesilhas e, conseqentemente, ignoravam os direitos portugueses sobre o territrio brasileiro. A presena de franceses no territrio, comercializando com os ndios, era intensa. Firmaram at vrias alianas ao longo do litoral. Essa ameaa posse portuguesa foi determinante para que a Coroa portuguesa decidisse pela colonizao da terra.Fale conosco www.portalimpacto.com.brda vila de So Vicente, onde foram erguidas uma igreja, uma cadeia e a Casa do Conselho. Como tantas outras vilas surgidas posteriormente, So Vicente criava por aqui um jeito novo do uso do espao. A disposio das habitaes, a igreja, a cadeia e o conselho demarcavam, aos olhos dos europeus, a fronteira entre a vida civilizada e a selvagem. Aos habitantes foram impostas normas de comportamento de acordo com o modo de vida cristo, como jejuar nos dias determinados, celebrar casamentos e usar vestimentas adequadas. Temia-se que os colonos recm-chegados acabassem incorporando a maneira de viver dos indgenas, como fez Joo Ramalho.ESTADO E CAPITAL PRIVADO: AS CAPITANIASA iniciativa de colonizar o Brasil era do Estado luso, e isso fato. E as informaes passadas por Martim Afonso de Souza ao rei D. Joo III muito contriburam para a deciso de colonizar o Brasil por meio de donatarias, modelo j experimentado com sucesso nas ilhas do Atlntico africano. Da, a terra foi dividida em imensas faixas no sentido litoral-serto, formando as capitanias. O usufruto delas seria doado, em carter hereditrio, a particulares, notadamente membros da pequena nobreza, que deveriam explorar a terra com recursos prprios. Em troca, esses capites-donatrios receberiam uma srie de direitos e privilgios, como a jurisdio civil e criminal ou o direito de doar sesmarias a pessoas que fossem catlicas. Os lotes doados eram legtima propriedade de quem os recebia. Porm, de acordo com as Ordenaes Manuelinas, a terra deveria ser aproveitada num prazo mximo de cinco anos. A definio das relaes jurdicas entre sesmeiros, donatrios e o Estado era regida por dois documentos: a Carta de Doao e o Foral. Se o sistema de donatarias nas ilhas do Atlntico mostrouse satisfatrio, sua aplicao no Brasil no teve resultados muito animadores. Houve donatrios que nem chegaram a vir para o Brasil. Alguns depararam com tantas dificuldades que acabaram por desistir da tarefa de explorar a capitania. Outros morreram tentando. A escassez de recursos financeiros e humanos, as dificuldades com o meio geogrfico, os freqentes conflitos com indgenas e a extenso territorial gigantesca so outras das razes para que esse sistema no tenha tido xito esperado. Entretanto, pode-se dizer que pelo menos duas capitanias cumpriram a misso colonizadora a contento: So Vicente e Pernambuco.O PBLICO E O PRIVADO O sistema de donatarias implantado na colnia reproduziu, em certosentido, relaes tpicas presentes na Metrpole. que l o Estado centralizado portugus confundia-se com a pessoa do Rei. O Monarca possua um imenso patrimnio em terras e bens. Suas propriedades eram mais vastas que as da Igreja. Esse imenso patrimnio particular (esfera privada) acabava por se confundir com o patrimnio do Estado (esfera pblica). Algumas vezes, o Rei pagava os funcionrios do Estado com recursos extrados de suas propriedades. Outras despesas pessoais da famlia real eram financiadas com dinheiro pblico. Na Colnia, o sistema de donatarias tambm inaugurou essa mistura entre o pblico e o privado. Atribuies do Estado e do capito donatrio, por vezes, eram as mesmas, sendo que este exercia as funes daquele. Ora, pelas atribuies conferidas aos donatrios, eram eles que deveriam exercer o poder pblico. Ao ter direito de governo sobre a capitania, acabavam exercendo o Poder Executivo. Alm disso, cabia a ele a aplicao da jurisdio civil e criminal. Entretanto, o donatrio, apesar de receber o usufruto da terra, no a propriedade, utilizava a capitania como seu domnio particular. Duarte Coelho, por exemplo, da Capitania de Pernambuco, recusou submeter-se autoridade de Tom de Souza, o primeiro governador-geral do Brasil. Ou seja, impediu a ao do poder pblico naquilo que pertencia ao Estado, mas que era tratado como coisa privada.SO VICENTE: O 1 NCLEO PORTUGUSEm dezembro de 1530, partiu de Portugal uma expedio composta de cinco navios e quatrocentos homens, com o objetivo de iniciar a colonizao efetiva do Brasil. Comandada por Martim Afonso de Souza, curiosamente no registra a presena de mulheres a bordo, apesar do objetivo da misso. Chegando j em 1531, e aps entrar em combate com franceses no litoral brasileiro, a frota aportou na Bahia, onde um portugus, Diogo lvares Corra, o Caramuru, estava h 22 anos vivendo entre os indgenas da regio. De l, foi at o extremo sul e subiu novamente at a regio de So Vicente, onde encontrou mais portugueses, entre eles, Joo Ramalho1, que vivia h muito entre os ndios. Com um profundo conhecimento da terra e de sua gente, esse nufrago em muito ajudou Martim Afonso quando da fundao1JOO RAMALHO (1490-1580) viveu entre os ndios tupiniquins, inclusive casando-se com a ndia Bartira, filha do chefe Tibiri.FAO IMPACTO - A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009Fale conosco www.portalimpacto.com.brTOM DE SOUZA vs. DUARTE COELHO (...) Ora, pois, Senhor, que eu c por minha parte trabalho e fao tanto o que devo, escrevia o donatrio, que hora de aumentar as liberdades e privilgios e no para os diminuir. Por muito tempo D. Joo III cedeu aos apelos de Duarte Coelho, chegando a interditar a Tom de Souza as visitas a Pernambuco, apesar do que determinava seu prprio documento. De seu lado, o governador-geral valia-se das ordens reais para reafirmar seus poderes nas terras brasileiras: O capito Duarte Coelho, sobre quem largamente tenho escrito a Vossa Alteza, mais do que todos aqui merecedor de muita honra e merc de Vossa Alteza, mas no deixar ir Vossa Alteza s suas Terras parece-me grande desservio de Deus, de Vossa conscincia e danificao de Vossas rendas.... (in Brasil 500 Anos. Ed. Abril) Alguns consideram que o sistema de donatarias e sesmarias que d incio tradio brasileira de concentrao de grandes extenses de terras nas mos de poucas pessoas, originando outra caracterstica que permeou quase toda a histria do pas: o mandonismo local. Isso porque, na colnia, a imensa autoridade dos grandes proprietrios de terras acabava fazendo o papel que deveria ser do poder pblico.O ACARO acar alcanara altos preos na Idade Mdia, quando era considerado uma rara especiaria e usado at como produto medicinal. Aos poucos, tornou-se gnero de primeira necessidade. Os portugueses dominavam as tcnicas de produo desde o sculo XV, quando iniciaram a plantao de cana-de-acar nas suas ilhas do Atlntico. O acar ali produzido era distribudo na Europa primeiramente por genoveses e venezianos, posteriormente por holandeses. Com o conhecimento tcnico necessrio e a disposio de terras em abundncia no Brasil, dificilmente a escolha dos colonos poderia ser outra que no o acar. At ento, as prticas dos pases europeus no comrcio internacional era de apanhar produtos em um lugar e lev-lo a outro aonde deveria ser vendido. o caso do comrcio com as ndias. Mesmo quando encontravam uma terra que no conheciam, a prtica no era muito diferente. Comercializava-se o produto encontrado na terra descoberta a exemplo do pau-brasil, encontrado em grande quantidade por aqui.LATIFNDIOS E OUTRAS PROPRIEDADESDurante muito tempo, a ocupao das terras brasileiras foi compreendida como fruto de um grande projeto colonizador da Coroa portuguesa. Esse projeto teria resultado na implantao do modelo conhecido como plantation, que se baseava na grande propriedade monocultora, onde se cultivava um produto destinado ao mercado externo, com base no trabalho escravo. Hoje essa afirmao vem sendo bastante criticada por vrios historiadores, que consideram que os interesses dos prprios colonos determinaram o carter monocultor e escravocrata da colonizao, j que no queriam ser meros camponeses no Brasil. E foram eles que decidiram concentrar seus esforos no plantio de cana-deacar. Ao contrrio, a Coroa chegou a tentar obrig-los a destinar uma parte de suas terras para a produo de gneros alimentcios, e que nem sempre obtinha sucesso. Mas, ateno. Mesmo que se considere que existia um modelo que interessava ao Estado portugus (latifndio, monocultura, escravido e exportao), deve se levar em considerao que entre os interesses da Coroa e a realidade da colonizao, vai uma distncia enorme. E que a colonizao apresentou nuances mais diversificadas. Observe, j se viu que a obteno de terras deveria ser feita atravs das sesmarias, que consistia em um pedao de terra que o interessado solicitava ao donatrio da capitania. O sesmeiro deveria ser homem de cabedal (recursos), mas no deveria receber uma propriedade maior do que pudesse cultivar. Alm disso, havia um prazo para que se cultivasse a terra, sob pena de perd-la. Ocorre que a prtica foi diferente daquilo que estava na legislao. Houve sesmeiros que aproveitaram apenas um pequeno pedao da terra, deixando a maior parte abandonada. Outros nem chegaram a produzir, mas nem por isso perderam a posse de suas terras. Outro exemplo que, s vezes, o aproveitamento da terra antecedia a posse legal. Como se v, as formas de obteno de terras eram variadas, fugindo da ineficaz fiscalizao portuguesa. A verdade que a apropriao da terra foi, e continua sendo, bastante comum no Brasil. Nos sculos XVI e XVII, a extenso do territrio, a falta de fiscalizao, em suma, as condies prprias da realidade colonial, facilitavam o acesso terra, de forma legal ou no. Em geral, as melhores terras (aquelas favorecidas pela localizao, fertilidade, proximidade de portos, etc.) ficavam nas mos dos que tinham mais recursos. Era nelas que, em geral, iriam surgir os grandes engenhos de acar. Mas, o latifndio no foi, como j se disse, a nica forma de ocupao nem de produo aucareira. Essa grande propriedade convivia com outras menores, de variados tamanhos. Muitas das quais no tendo condio de montar uma casa-de-engenho, ou seja, a estrutura de moagem da cana e fabrico do acar, levavam sua produo para ser moda nos engenhos maiores: era a cana obrigada. Havia ainda aqueles que se instalavam nas propriedades como arrendatrios de um senhor de engenho. Tanto no caso de produtores livres, como de arrendatrios, deveriam deixar para o grande proprietrio uma parte de sua produo (em geral 1/4 e 1/3 respectivamente), pela moagem da cana. Deve-se mencionar, ainda, a existncia de propriedades destinadas ao cultivo do tabaco, especialmente na Bahia, alm de pequenas propriedades voltadas produo de alimentos e abastecimento de centros urbanos, como Rio de Janeiro e Salvador.O ESTADO NA COLNIA: O GOVERNO GERALComo se sabe, a diviso do Brasil em capitanias hereditrias no apresentou os resultados esperados. A maioria das vilas fundadas no fazia mais do que subsistir, alm de no garantir a segurana do litoral. O Brasil continuava vulnervel num momento em que a produo de cana-de-acar apresentava-se com grandes possibilidades e os negcios com as ndias geravam lucros cada vez menores devido concorrncia internacional. Nesse contexto, o rei D. Joo III, visando melhor coordenar o empreendimentoMandonismo: Expresso usada para referir o poder de mando exercido pelos grandes senhores de terras nas suas regies de influncia, praticamente substituindo as autoridades governamentais ausentes ou distantes. Um dos efeitos dessa prtica foi a tendncia ao enfraquecimento dos limites entre as esferas pblica e privada da vida social. (TEIXEIRA, Francisco M. P. Brasil: Histria e Sociedade. SoPaulo, tica, 2000)colonizador, decidiu criar, atravs do Regimento de 1548, o Governo-Geral, no Brasil, estabelecendo a centralizao administrativa na Colnia. Assim, a Coroa pretendia redobrar os esforos contra a ameaa externa, bem como reafirmar a soberania da Metrpole sobre a Colnia. no perodo dos trs primeiros governadores (Tom de Souza, Duarte da Costa e Mem de S) que a montagem do sistema colonial foi consolidada. Atravs do Regimento de 1548, as funes do governador foram definidas. Ele deveria avaliar e auxiliar o desenvolvimento das capitanias, estimulando a instalao de novos engenhos; promover a fundao de vilas e controlar as relaes com os indgenas, castigando aqueles considerados hostis; deveriam ainda incentivar a catequese e evitar a escravido dos nativos.A criao do governo-geral tinha, como se v, uma clara inteno de centralizao poltica,. O administrativa e jurdica da colnia governador no s dispunha de autoridade superior dos donatrios como estava investido de maiores atribuies: cobrana dos impostos devidos Coroa; instalao dos servios judicirios; fiscalizao dos governos das capitanias e das vilas; fiscalizao dos atos dos eclesisticos e indicao dos vigrios das parquias; planejamento e organizao das atividades militares. (TEIXEIRA, Francisco M. P. Op. Cit.)Percebe-se, ento, que o governo-geral seria o elemento centralizador da administrao colonial, condio essencial para a afirmao da autoridade da Metrpole. A deciso de ampliar a atuao do Estado no Brasil vincula-se tambm conjuntura internacional. Alm da j mencionada queda de preos dos produtos orientais, deve-se considerar que os espanhis intensificaram a explorao de ouro na Amrica, ocupando novas reas. Em 1545, encontraram as ricas minas de prata em Potosi, na Bolvia. Sem dvida que isso era uma forte razo de estmulo Coroa na sua deciso de, atravs do governo-geral, aumentar sua presena na colnia.FAO IMPACTO A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009