Histria do Brasil - Pr-Vestibular Impacto - Os Republicanos e os Abolicionismos no Brasil I

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1CONTEDOPROF: NETO01A Certeza de VencerOs Republicanos e os Abolicionismos no BrasilMA120208Fale conosco www.portalimpacto.com.brOS REPUBLICANISMOS E OS ABOLICIONISMOS NO BRASIL 1. INTRODUO Durante a segunda metade do sculo XIX a poltica e a economia nacional passavam por sensveis transformaes. Este perodo foi marcado pela organizao do segundo reinado (1840-1889), quando foi mais evidente a crise da monarquia brasileira culminando no golpe que instaurou a republica. Este texto tem por finalidade analisar o perodo final do segundo reinado, privilegiando os debates envolvendo a abolio da escravido e o surgimento da repblica no Brasil. 2. Os movimentos abolicionistas no Brasil Texto A Por que considerar abolicionismos e no abolicionismo? A resposta deve-se ao fato de que no houve uma unidade de interesses e propostas em torno da idia abolicionista. Estamos longe de acreditar que a abolio da escravido brasileira representou uma atitude piedosa da princesa Isabel em favor dos escravos, como tambm no podemos creditar a extino da escravido apenas como um resultado das presses inglesas em favor da ampliao dos mercados de consumidores no Brasil (pois necessrio considerar que muitos ex-escravos aps a Lei urea permaneceram excludos do mercado de trabalho no pas). preciso ir mais longe e compreender que os movimentos abolicionistas assumiram diversas formas no Pas. 3. As idias abolicionistas O Brasil entrava na dcada de 80 do sculo XIX como o nico pas do Ocidente a manter o trabalho escravo. A idia de civilizao, de progresso, de evoluo, associada Declarao Universal dos Direitos do Homem, construa-se a partir dos princpios liberais, que defendiam a igualdade de todos os homens. Enquanto essa igualdade no alcanasse a sociedade brasileira, o pas no seria reconhecido no conjunto das naes como civilizado. No pertencer ao rol dos civilizados era smbolo de atraso, de barbrie, de inferioridade. O regime escravista, que fora a base de todo o desenvolvimento econmico at o sculo XVIII, em face das mudanas que ele prprio gerara, passava a ser completamente repelido, rejeitado, condenado. Discursos, declaraes, livros e artigos que justificaram, durante vrios sculos, a justeza e a necessidade do trabalho escravo eram substitudos por outros discursos, livros e artigos que defendiam exatamente o contrrio.Nesse palco que se digladiam duas foras antagnicas na sociedade brasileira: grandes proprietrios de fazendas de caf, senhores de engenho, comerciantes e polticos representantes dos seus interesses, de um lado, e, de outro, as camadas mdias, polticos e proprietrios no mais dependentes do regime escravista. Essa luta dos que reivindicam a extino imediata da escravido - a abolio -, contrariamente idia de processo lento e gradual defendida pelos emancipacionistas, ir envolvendo toda a sociedade. So fundados clubes e associaes abolicionistas em quase todas as principais cidades das provncias. Estes trabalham tanto no sentido de propagandear, para convencer o resto da populao, a justia e a importncia de se abolir o trabalho escravo, como no de fazer cotas para comprar a liberdade de determinados escravos. No dia da libertao do escravo, fazia-se uma grande festa cvica, que emocionava a populao e ampliava nela o sentimento abolicionista. Muitos desses clubes e Associaes iro colaborar na fuga de escravos, escondendo-os ou ajudando a transport-los para outras provncias, onde no seriam reconhecidos ou onde o trabalho escravo estava praticamente abolido. Os grandes proprietrios e comerciantes, vendo seus interesses ameaados atravs dessa vasta rede de clubes e organizaes abolicionistas, fundam os clubes da lavoura e comrcio, com o objetivo de opor-se campanha do movimento abolicionista. 4. Liberdade para morrer Foi nesse clima acirrado de disputa entre abolicionistas e escravistas que, em 1884, comea a ser discutido, na Cmara, um projeto acerca da libertao dos escravos idosos, que ficou conhecido por lei do Sexagenrio. Tal projeto de lei era, para muitos, uma conquista do movimento abolicionista, que lutava, cotidianamente, pelo fim da escravido. Nessa ocasio, os grandes proprietrios e comerciantes voltam a defender a extino lenta e gradual da escravido, sem a aprovao de nenhuma lei alm da do Ventre Livre. O debate sobre a lei do Sexagenrio criou uma grande expectativa nos meios abolicionistas. Acreditava-se que, aprovada essa lei, poder-se-ia passar aprovao da abolio. A discusso em torno desse projeto de lei, a partir de junho de 1884, vai mostrar, tambm, a fora e a influncia dos clubes da lavoura e do comrcio. Comeam a chegar Cmara dezenas de abaixo-assinados de proprietrios e comerciantes opondo-se lei do Sexagenrio e afirmando que a lei do Ventre Livre era suficiente para garantir uma lenta e tranqila extino do trabalho escravo no Brasil. Os debates entre parlamentares abolicionistas e escravistas so iniciados. Cedo, fica evidente que os escravistas so maioria e que a liberdade para os escravos de sessenta anos j no seria aprovada. Nessas condies, atravessa-se todo o ano de 1884; s em agosto de 1885 a lei consegue ser aprovada. Mas as modificaes introduzidas pelos escravistas descaracterizam completamente o projeto inicial. EmboraFAO IMPACTO - A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009Fale conosco www.portalimpacto.com.bressa lei tenha ficado conhecida como aquela que deu liberdade aos escravos com sessenta anos, a verdade outra. S foram libertos, imediatamente, os escravos com 65 anos. Os que tivessem sessenta anos eram obrigados a trabalhar mais trs anos para os seus senhores, como indenizao pela liberdade. A aprovao da lei nessas condies revoltou o movimento abolicionista, tornando evidente que, pela via parlamentar e legal, a abolio ainda estava muito distante. 5. O processo final da abolio Na dcada de 1880, em face da crescente organizao do movimento abolicionista, a escravido tinha seus dias contados. Os escravos, que at ento lutavam sozinhos, tinham agora, como aliados, importantes setores da sociedade - profissionais liberais, militares, jornalistas, estudantes e uma parcela de polticos e proprietrios. Como resultado dessa aliana entre escravos e movimento abolicionista, as provncias do Cear e do Amazonas, em 1884, declaram extinta a escravido. Esse fato tem uma enorme repercusso nas demais provncias, fortalecendo, consideravelmente, o movimento abolicionista. Pernambuco, Rio Grande do Norte e Piau encaminham protesto ao governo central, pelo fato de muitos escravos, auxiliados em suas fugas pelos abolicionistas, estarem se dirigindo para o Cear, onde no correm nenhum perigo de serem capturados, j que nessa provncia a escravido fora abolida. Vinha, dessa forma, ganhando, dia a dia, maiores adeses o movimento abolicionista. Entretanto, o expressivo valor do escravo e a importncia do seu trabalho na cultura do caf e mesmo na do acar criavam ainda forte resistncia abolio. A morte de dois escravos em Paraba do Sul (Rio de Janeiro), depois de condenados a um castigo de trezentos aoites, levantou uma onda de protestos e indignao, culminando com a aprovao, na Cmara, de uma lei que proibia, definitivamente, o aoite. Nesse perodo, as fugas comeam a crescer em nmero incontrolvel nas fazendas de caf da provncia de So Paulo, acelerando-se em 1887. A cidade de Santos era o destino de muitos dos fugitivos, por congregar uma importante organizao abolicionista liderada por Antnio Bento. Esta fuga generalizada provoca uma reao dos fazendeiros de caf, que solicitam do presidente da provncia de So Paulo a convocao de foras militares para reprimir os revoltosos. Uma carta dos militares princesa Isabel, na poca respondendo pelo monarca, para que o exrcito no seja mais encarregado de capturar escravos, marca a perda definitiva de controle dos senhores sobre o processo de libertao dos escravos. Tinham, assim, os escravos conquistados, atravs de muita luta, sofrimento e morte, e com o apoio tardio de alguns setores da sociedade, sua originria condio de homens livres, em 13 de maio de 1888.6. Liberdade, para qu? Pesquisando-se em jornais de 13 de maio de 1889, 1890 e 1891, descobre-se como as autoridades, nos anos seguintes aprovao da lei que aboliu a escravido, sempre vinham realizando comemoraes referentes a essa data. Nesses jornais, no se registra a presena, o nome ou algum discurso de africanos ou seus descendentes. Esse fato, que ao leitor desatento pode passar despercebido, vai apenas se tornar mais um elemento do quadro histrico onde os ex-escravos africanos a nacionais, apesar de livres, continuavam a sofrer discriminao social, poltica, cultural e econmica. Na data da celebrao da sua liberdade, os jornais e a sociedade comemoram em teatros e recintos fechados, onde aquele por quem se comemora estava ausente. A ausncia de ex-escravos no noticirio dessas comemoraes indicativa de que eles, apesar de livres, no conquistaram, de fato, a condio de igualdade que na lei estava registrada. O movimento abolicionista, ao obter o apoio de amplos setores da sociedade que at ento era escravocrata, impediu ou mesmo dificultou uma luta pela libertao que inclusse, em seu programa, questes referentes a trabalho, educao e sade de toda essa enorme parcela da populao constituda por africanos, descendentes destes e mestios. O movimento abolicionista, na verdade, restringiu-se a extinguir o regime escravista, no colocando em discusso as formas de vida do ex-escravo. Esse fato nos possibilita reconhecer que a abolio precisava vir acompanhada de um amplo programa poltico. A conquista da condio de homem livre deveria estar associada a outras condies de trabalho e de vida, inclusive relacionando abolio com reforma agrria. Ao ex-escravo, aps as comemoraes do 13 -de maio de 1888, s restou voltar a trabalhar para o exsenhor, recebendo pequenos salrios (pois eram deste as terras, as casas, os instrumentos de trabalho), ou se estabelecer na periferia das cidades, realizando pequenos servios ou trabalhos mais regulares.ANOTAESFAO IMPACTO A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009