Histria do Brasil - Pr-Vestibular Impacto - Estrutura Poltica na 1 Repblica II

Download Histria do Brasil - Pr-Vestibular Impacto - Estrutura Poltica na 1 Repblica II

Post on 06-Jun-2015

639 views

Category:

Documents

1 download

TRANSCRIPT

4CONTEDO

PROF: NETOA Revolta de Canudos A Proclamao da Repblica, em 1889, justificada por todo um discurso recheado de justia, direitos, igualdade, no modificou a condio de vida da maioria da populao brasileira, especialmente os residentes nas reas rurais, que constituam na ocasio a maioria da sociedade. O latifndio ocupava a maioria das terras agricultveis e que nem sempre eram cultivadas, a predominncia era de propriedade improdutivas, pertencentes a oligarquias poderosas e muito importantes para o novo regime. Sob a autoridade do coronel, submetida manipulao, havia uma populao miservel, submissa, explorada at as ltimas conseqncias. A legislao existentes no Imprio, e reforada com a Repblica, no garantia as mnimas condies de vida: salrio, comida, remdios, justia, eram coisas que existiam apenas para favorecer os ricos fazendeiros. Em casos de litgios pela posse da terra, invariavelmente, a lei ficava ao lado dos poderosos. A Repblica, alm de no resolver as menores questes sociais, ainda reforou o poder das oligarquias quando estabeleceu o voto aberto, na Carta de 1891. Isolados, esquecidos, desprezados pelas grandes autoridades da Repblica a massa rural muitas vezes rebelou-se e pela fora das armas resistiu: na segunda metade do sculo. XIX, no Imprio e na Repblica, bandos de cangaceiros, formados originalmente por excludos da terra, assaltavam e pilhavam propriedades e at cidades no Nordeste, por outro lado, e no poucas vezes, milhares de miserveis reuniam-se em volta de beatos, criando movimentos religiosos e ameaando as estruturas formais de dominao social. O flagelo da seca, que matou milhares de pessoas entre 1877 e 1879, constitui outro componente dramtico no quadro de sofrimentos da regio: queda da produo agrcola, perda do gado, estagnao das ainda rudimentares formas de explorao econmica, aumento da explorao das massa rurais. No so muitas as alternativas- a morte determinada pela seca ou a busca de melhores condies em outros lugares. No mesmo momento em que esse quadro terrvel se passa no Nordeste, duas outras regies explodiam em riquezas: o sudeste com as vastas plantaes de caf e a Amaznia, onde as imensas plantaes nativas de seringueiras faziam surgir um novo "Eldorado". 1- O SERTO VAI VIRAR MAR E O MAR VAI VIRAR SERTO: O MESSIANISMO EM CANUDOS A bons seis meses que por todo o centro desta Provncia da Bahia chegado; (diz ele), da do Cear infesta um aventureiro santarro que se apelida por Antnio dos Mares: o que, vista dos aparentes e mentirosos milagres que dizem ter ele feito tem dado lugar a que o povo o trate por S. Antnio dos Mares.(O Rabudo Estncia, 22 de novembro de 1874. Primeira notcia publicada em jornal sobre Antnio Conselheiro)

07A Certeza de Vencer

Estrutura Poltica na 1 RepblicaKL 280408

religioso. Enquanto nas regies imigrantistas a liberdade de culto integrava ortodoxos, judeus, budistas, xintostas, hindus, muulmanos e outros demais pequenos credos, no interior do Brasil a religiosidade catlica permaneceu firme e forte nas crenas e esperanas dos sertanejos. A regio nordeste um timo exemplo de como essas manifestaes crists populares eram ativas e presentes no cotidiano de milhares de homens e mulheres. Assolada permanentemente por penosos surtos de secas, a regio interiorana caracteriza-se, at hoje, pela condio de precariedade em que vivem os habitantes. Uma regio castigada pela pobreza e por histrias de vida inseridas na misria, na fome, no descaso das autoridades pblicas, na marginalizao social. Esse panorama no era diferente no fim do sculo XIX. Entre 1877 e 1879, o serto nordestino foi castigado por uma das mais difceis secas dos sculo XIX, que arrastou para as valas secas da misria milhares de pessoas que perderam plantaes, os poucos animais que ainda restavam e at a prpria dignidade da vida. Essa grande seca, como foi chamada pelos sertanejos, levou muitos sertanejos a migrarem para a regio sudeste, aonde a lavoura cafeeira se expandia e criava expectativas de dias melhores para os nordestinos que l chegavam. Porm, os sertanejos pobres que permaneceram em sua terra natal passaram a fortalecer ainda mais suas esperanas com base na extrema religiosidade crist que passou a se expandir pela regio atravs de diversas pregaes de profetas que antecipavam a destruio do mundo e seu renascimento.

impulsionou para uma vida de andanas pelo serto cearense. O fato que em 1874 parece ter iniciado suas pregaes nas zonas ridas da Bahia e de Sergipe, e desde logo j era seguido por centenas de pessoas. O Conselheiro parece ter iniciado sua misso atravs da construo de pequenas capelas, igrejinhas, muros de cemitrios e pequenos tanques dgua. um benemrito dos sertes que rapidamente passa a pregar as escrituras bblicas e arrastar uma multido de pessoas que passam a segui-lo. O importante que a populao o via como uma espcie de santo, cuja misso era anunciar os tempos futuros. Nas pregaes do Conselheiro sempre estavam presentes premolies catastrficas em relao ao mundo; a seca seria um sinal divino para anunciar o juzo final. Portanto, era tempo de purificao, de orao, de resignao para a espera do Messias. Aqui est o ncleo do que chamamos Messianismo. O fim do sculo estava se aproximando e com ele o dia em que o Messias, Jesus Cristo, iria descer terra para o ltimo julgamento. Essa crena no retorno do messias era apropriada pela populao como uma verdade infalvel, inquestionvel. E o arauto, o profeta escolhido por Deus para to importante informao era justamente Antnio Conselheiro. O fim do sculo no era coincidncia para os fiis que associavam o trmino do sculo XIX com o fim do mundo. Essa concepo chamamos de Milenarismo, que fortaleceu ainda mais a religiosidade popular no nordeste. Cabe aqui uma outra idia: por que um beato e no um padre poderia der o profeta dos sertes? Os beatos eram vistos como pessoas abenoadas e bem mais presentes no dia-a-dia das camadas pobres do que os clrigos. A Igreja Catlica no possua uma presena significativa na vida desses sertanejos, mas misses espordicas lembravam-nos que existia uma Igreja. Esta ausncia levou a proliferao de vrios profetas que passaram a pregar a doutrina crist sem a autorizao da Igreja, passando mesmo a serem combatidos pelos clrigos. 2.2 - O Imaginrio do Belo Monte: os conselheiristas e a idia do paraso. Mas, o que queria o profeta e seus seguidores? No imaginrio religioso das pregaes do Conselheiro o objetivo das andanas pelo serto era atingir uma terra de onde corria um rio de leite e eram de cuzcuz os seus barrancos, segundo o relato de um missionrio que visitou o arraial pouco antes de sua destruio. O profeta e seus seguidores buscavam atingir uma terra bastante parecida com o paraso que Deus revelara a Moiss na ocasio da fuga dos hebreus do Egito. Ou seja, baseado nas escrituras bblicas, Antnio pregava a existncia de uma nova Cana no serto, local aonde estaria o paraso para os puros e seguidores fiis da religio e das leis divinas. L, os conselheiristas deveriam construir uma cidade que chamaria-se Belo Monte. Portanto, as peregrinaes tinham uma finalidade que era erguer uma comunidade em algum lugar do interior nordestino. O Belo Monte estava longe de ser pura imaginao da cabea do profeta e de seus seguidores, era um lugar absolutamente real, bastava encontr-lo. Nos primeiros dias de julho de 1893, Antnio Conselheiro e seu squito de fiis fixaram moradia em uma regio chamada Canudos, que era uma fazenda abandonada em uma rea extremamente rida localizada s margens de um rio quase seco, o Vaza-Barris, na freguesia do Cumbe, Bahia. L a comunidade comeou a erguer uma cidade enorme que chegou a abrigar uma populao de 25 mil habitantes, o que tornou o arraial a segunda maior cidade de toda a Bahia, inferior somente capital, Salvador

Fale conosco www.portalimpacto.com.br

Canudos oeste. Repare no tipo de moradia do arraial de Canudos. Casas precrias no escondiam a situao de extrema misria dos habitantes da cidade. In: ALMEIDA, Ccero Antnio F. de. Canudos: Imagens da Guerra. Rio de Janeiro : Lacerda Editora/ Museu da Repblica, 1997.

Desde o incio da colonizao portuguesa na Amrica foi dada uma grande importncia s prticas religiosas no Novo Mundo, at porque a Igreja estava unida ao Estado na conquista e colonizao do territrio. Dessa forma, o cristianismo passou a se constituir em cultura erudita no mundo colonial e imperial, uma religio oficial que o Estado sempre protegei e incentivou. A proclamao da Repblica em 1889, modificou bastante essa realidade. Preocupados com a chegada dos estrangeiros muitos no eram catlicos o governo decretou por afirmar um regime leigo, ou seja, um Estado que passava a se desatrelar da Igreja Catlica, quebrando, assim, uma relao de sculos de unio atravs do padroado real. Entretanto, dizer que o Estado separou-se da Igreja institucionalmente no quer dizer que a populao se apartou completamente da religiosidade crist e passou a professar outros credos. A cultura erudita, ao longo de um processo de sculos de relaes com outras religiosidades, constituiu-se em cultura popular, profundamente marcada pelo sincretismo

Um rico imaginrio bblico lido pelos olhos de religiosos que no eram ligados Igreja Catlica passou a compor o dia-a-dia do serto da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Cear. A isso muito se deveu a peregrinao dos chamados beatos, espcie de profetas do serto que, acreditava a populao, eram homens santos mandados pelos cus, profetas que tinham o poder de prever o futuro, uma esperana da ressurreio de um novo serto. A sada para a misria do povo passou a estar nas esperanas geradas das pregaes desses sacerdotes leigos. 2.1 - As pregaes de Antnio dos Mares: o messianismo/milenarismo do Conselheiro no serto nordestino. Um dos beatos mais famosos que destacaram-se no cenrio seco do nordeste foi Antnio Vicente Mendes Maciel, conhecido por Antnio dos Mares, Antnio Conselheiro, Bom Jesus Conselheiro, Santo Antnio Aparecido, Santo Conselheiro e outros demais nomes. Pelo serto baiano, na regio de Canudos, era mais conhecido como Antnio Conselheiro. Sua histria hoje bem documentada. Nascido na cidade de Quixeramobim (Cear) em 1830, Antnio era filho de comerciantes. Casado por duas vezes, Antnio teve uma grande decepo amorosa que o fez desequilibrar sua vida familiar e, provavelmente, o FAO IMPACTO - A CERTEZA DE VENCER!!!

VESTIBULAR 2009

Fale conosco www.portalimpacto.com.br

As casas acumulam-se em absoluta desordem, completamente isoladas, algumas entre quatro vielas estreitas, unidas outras, com as testadas voltadas para todos os pontos, cumeeiras orientadas em todos os sentidos, num baralhamento indescritvel, como se tudo fosse construdo rapidamente, vertiginosamente, febrilmente(...).(Euclides da Cunha. Os sertes)

uma outra grave acusao: Canudos poderia ser um reduto monarquista.SOBRE A REPBLICA evidente que a Repblica permanece sobre um princpio falso e dele no se pode tirar conseqncia legtima: sustentar o contrrio seria absurdo, espantoso e singularssimo; porque, ainda que ela trouxesse o bem para o pas, por si m, porque vai de encontro vontade d Deus, com manifesta de sua divina lei. Como podem conciliar-se a lei divina e as humanas, tirando o direito de quem tem para dar a quem no tem? Quem no sabe que o digno prncipe, o senhor Pedro 3o, tem poder legitimamente constitudo por Deus para governar o Brasil? (ANTNIO CONSELHEIRO. Prdicas)

No centro do arraial estava a Igreja Central e tambm moradia do Conselheiro, a Igreja do Bom Jesus, e ao redor dela se espalhavam centenas de pequenas moradias feitas de barro e taipa e cobertas com palha. Alguns cronistas que visitaram o arraial tiveram pssimas impresses de sua organizao (ver quadro), entendendo que no existia qualquer organizao; era a viso do caos completo. L a comunidade passou a sobreviver atravs de uma pequena plantao de mandioca, da criao de animais como cabras e bodes e a tecer cestos de palha que eram negociados com as vilas e povoados vizinhos. Quanto mais tempo o Belo Monte se sustentava mais atraa fiis para o arraial. Comearam a chegar cidade no somente pessoas pobres, mas tambm comerciantes comearam a aderir ao carisma de Antnio Conselheiro e at cangaceiros passaram a integrar a comunidade de Canudos, o que levou a uma maior complexidade das relaes sociais e de trabalho dentro do arraial. Essa grande afluncia de sertanejos comeou a despertar problemas junto aos coronis da regio, o que representou o fator central do incio da Guerra de Canudos.Para que V. Sa. Saiba que Antnio Conselheiro, basta dizer que acompanhado por centenas de pessoas, que ouvem-no e cumprem suas ordens de preferncia s do vigrio desta parquia (Itapicuru). O fanatismo no tem limites, assim que, sem medo de erro e firmado em fatos, posso afirmar que adoram-no como se fosse um Deus vivo. Nos dias dos sermes e tero, o ajuntamento sobre a mil pessoas. (...) Cumpre dizer que Antnio Conselheiro, que veste uma camisola de pano azul, com barbas e cabelos longos, malcriado, caprichoso e soberbo.(Correspondncia do Chefe de Polcia do Cear ao chefe de polcia da Bahia. IN: Aristides A. MILTON. A Campanha de Canudos. Revista Trismestral do Instituto Histrico e Geogrfico Brasileiro. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1902, p.16)

Essa idia caiu como uma bomba entre os crculos polticos da Bahia e do prprio Rio de Janeiro, pois, no devemos esquecer que o regime republicano tinha sido proclamado recentemente, e o Conselheiro e seus fanticos seriam agentes de foras polticas e militares favorveis restaurao da monarquia e lutadores da destruio da repblica. Esses argumentos tinham bases fundadas nas prprias palavras do beato Conselheiro que, em alguns pronunciamentos pblicos e em seus escritos sobre a religio e a poltica dos sertes (as Prdicas) criticava veementemente a Repblica, associando-a ao anticristo, ou seja, ao demnio e maldade (ver quadro ao lado). Para o Conselheiro, a Repblica seria demonaca por ter rompido os santos laos de fidelidade Igreja Catlica, separando-se dela e reduzindo seu papel social. Embora no fosse clrigo, Antnio dos Mares combatia a separao entre Igreja e Estado e principalmente as novidades criadas pelos republicanos, como por exemplo o casamento civil. Como poderia um sacramento religioso ser ministrado por juizes? Aos olhos do Conselheiro e da religiosidade popular dos sertanejos, isso era inadmissvel.SOBRE O CASAMENTO CIVIL A religio santifica tudo e no destri coisa alguma, exceto o pecado. Daqui se v que o casamento civil ocasiona a nulidade do casamento, conforme manda a santa madre Igreja de Roma, contra a disposio mais clara do seu ensino (ANTNIO CONSELHEIRO. Prdicas)

CANUDOS E O REPUBLICANISMO NOS SERTES: A QUESTO DA CIDADANIA O caso de Canudos tambm envolve uma questo muito importante, a religiosidade em confronto com a estrutura de poder local dos coronis. Na realidade, a comunidade agreste do Belo Monte comeou a despertar a preocupao dos mandatrios locais, os coronis, principalmente quando o arraial comea a tomar propores de grande aglomerao urbana. 3.1 - Canudos como desordem para os coronis baianos O crescimento de Canudos passou a ser vista pelos coronis como o crescimento de um a grande desordem dentro do serto baiano; um ajuntamento que no est subordinado s leis, s autoridades pblicas e at mesmo no se subordina ao poder republicano. Para os latifundirios, o prprio Antnio Conselheiro era um criminoso que j habia sido preso anteriormente acusado do assassinato de sua prpria me, em outras palavras, ao invs de santo, o Conselheiro seria um bandido a insuflar os ingnuos sertanejos revolta, desordem contra os poderosos da regio (ver quadro ao lado). O crescimento populacional do arraial de Canudos se devia essencialmente migrao de trabalhadores das fazendas para o Belo Monte, o que passou a levar os latifundirios a criticar o Conselheiro. Era um agitador, um malcriado, um soberbo, por achar-se mais poderoso que o coronelismo baiano. Nesse sentido que comeou a se formar um ambiente de desordem em relao ao ajuntamento humano de Canudos, o que levou os coronis baianos a comunicarem s autoridades pblicas a alta periculosidade a que estava exposta a regio sertaneja. Passou a ser prioridade para os coronis dispersar os fiis conselheiristas de sua cidade para evitar novos prejuzos para a lavoura e para o poder local. Canudos como movimento anti-republicano: Entretanto as disputas em torno da regio de Canudos entre os coronis e o Conselheiro passou por

Por outro lado, o beato criticou publicamente o regime republicano por associar ao novo regime a culpa pelo aumento da misria material dos sertanejos. H u fato que ilustra bem isso: em 1893, na vila do Soure, nordste baiano, Conselheiro e seus seguidores despedaaram tbuas municipais onde figuravam os impostos estabelecidos pelas autoridades locais. O ato de rebeldia foi tambm praticado em outras localidades. Os impostos, portanto, eram as culpas de uma Repblica que ao invs de trazer a bonana trouxe somente mais e mais misria para o povo. Da em diante, o profeta e seus asseclas passaram a ser associados pelas autoridades pblicas e militares como desordeiros e bandidos. A critica Repblica foi rapidamente apreendida pelos polticos locais e estaduais como uma defesa monarquista. Mas, ser que o Conselheiro era mesmo monarquista? Certamente no! Suas falas esto marcadas por uma profunda religiosidade e no por disputas polticas. O discurso monarquista foi muito mais uma estratgia utilizada pelos poderosos da regio para incentivarem a destruio do arraial entre 1896 e 1897. A GUERRA DE CANUDOS E O FIM DE UM SONHO... O crescimento de Canudos como um reduto monarquista caiu como uma bomba na capital da repblica. A imprensa ainda ajudou a colocar mais lenha na fogueira insuflando a opinio pblica a acreditar que o Conselheiro fosse um agente perigoso que estaria pronto a derrubar o novo regime. Os jacobinos passaram a pressionar o presidente Prudente de Morais a tomar alguma providncia para dispersar a populao da regio do Vaza-Barris. Era o incio de uma das mais sangrentas pginas da histria da Bahia... O governo comeou a organizar uma srie de campanhas militares que tinham como meta destruir a cidade do Belo Monte e levar a populao canudense a retornar s suas terras. Entretanto, as campanhas mostraram-se frustradas frente tenaz resistncia dos

conselheiristas que por trs vezes venceram as tropas legalistas, afirmando fama de independentes no serto. Derrubar Antnio Conselheiro e seus seguidores passou a ser uma questo de honra para os coronis, o governo baiano e o governo estadual. Vejamos uma sntese das trs principais batalhas: Primeira Expedio: organizada pelo governo da Bahia, essa expedio foi liderada pelo Tenente Manuel da Silva Pires Ferreira. Com uma fora de aproximadamente 120 homens, a campanha foi surpreendida pelos conselheiristas no povoado de Uau, onde a jagunada colocou os soldados para correr em meio vivas ao Bom Jesus Conselheiro; Segunda Expedio: fruto da associao entre os governos da Bahia, Sergipe e Alagoas, essa campanha comportou aproximadamente 625 homens comandados pelo major Febrnio de Brito. Mais uma vez a tropa surpreendida prximo ao arraial, em um local chamado Tabolheirinhos de Canudos depois da Lagoa do Sangue, sofrendo sua segunda derrota; Terceira Expedio: os remanescentes da segunda expedio so fortalecidos com mais soldados provenientes das tropas federais sob a liderana do temvel republicano o Cel. Antnio Moreira Czar, conhecido por corta cabeas. Abrigou 1.300 homens, terceira derrota, com a morte do corta-cabeas decapitado pelos conselheiristas. A imprensa carioca noticia Canudos como um reduto monarquista; Quarta Expedio: o governo federal reuniu a maior tropa proveniente de vrios estados do pas, inclusive do Par, chegando ao numeroso contigente de 10.000 homens liderados pelo Comandante-em-chefe Arthur Oscar de Andrade Guimares. Armados com instrumentos blicos potentes de grande destruio, como os canhes alemes Krupp, o Exrcito arrasa o arraial completamente, levando a populao masculina quase a extino. O Conselheiro faleceu de problemas intestinais antes do trmino do conflito e teve seu corpo exumado das runas da Igreja do Bom Jesus na praa central da cidade. No fim da guerra, uma chacina. Degolamentos em grande nmero (a gravata vermelha). A opinio nacional que aprovava a luta com os supostos monarquistas condenou a mortandade dos sertanejos. A guerra demonstrou a existncia de dois brasis dentro do Brasil, pois o abismo que existia entre a cidade e o campo foi ressaltada pelas imagens de pobreza e misria no solo seco do interior da Bahia. Os canudenses, na realidade, so parte de uma histria em que a Repblica no conseguiu transformar a realidade de dificuldades sociais em que estavam inseridas milhares de pessoas pobres do interior do pas.

Foto do cadver exumado de Antnio Conselheiro, tirada por Flvio de Barros, quatorze dias aps a morte do lder de Canudos. In: Op. cit.

BIBLIOGRAFIA COSULTADA

CALASANS, Jos. Textos. In: Dossi Canudos. Revista da USP no. 20, Dez/Jan/fev 1993-94, So Paulo. QUEIRZ, Maria Isaura Pereira de. D. Sebastio no Brasil. In: Dossi Canudos. Revista da USP no. 20, Dez/Jan/fev 1993-94, So Paulo. ALMEIDA, Ccero Antnio F. de. Canudos: Imagens da Guerra. Rio de Janeiro : Lacerda Editora/ Museu da Repblica, 1997.

FAO IMPACTO A CERTEZA DE VENCER!!!

VESTIBULAR 2009

A falta de cidadania um elemento central na compreenso da histria de Canudos. A marginalizao social e material levou essas pessoas a fortalecer o nico significado certo para eles, a religiosidade. A viso mtica e crist serviu como um fator de solidariedade ao mesmo tempo que contribua para a resignao diante do destino das secas e da misria. O Conselheiro modificou essa forma de pensar ao vislumbrar uma terra prometida sem fome e sem misria. Quantos milhares de pessoas ainda esto na mesma situao? Lutas e lutas pela terra ainda nos fazem ver Canudos como um marco na histria brasileira do fim do sculo XIX...