Histria do Brasil - Pr-Vestibular Impacto - A Proclamao da Repblica

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4CONTEDOPROF: NETOTEXTO 0104A Certeza de VencerA PROCLAMAO DA REPBLICAMA070408Fale conosco www.portalimpacto.com.brEnquanto se comemorava, na Europa a queda do Antigo Regime, no Brasil o ano de 1889 assistia a instaurao do regime republicano. Desde meados do sculo a economia brasileira desenvolvia-se com maior impulso; o caf brilhava no mercado mundial; indstrias comeavam a implantar-se; novas necessidades eram criadas. A expanso das Provncias mais ricas, notadamente So Paulo, maior produtor nacional de caf, esbarrava, porm, no forte centralismo monrquico, que as impedia de negociar diretamente com os banqueiros e compradores estrangeiros. Para destruir esse obstculo, s havia um meio: depor a monarquia. Resultado de uma conspirao bem tramada no seio da burguesia cafeeira, a Repblica foi proclamada no Rio de Janeiro, ao amanhecer do dia 15 de novembro, sem que um tiro se quer despertasse a populao. Dois dias depois, o imperador embarcava com a famlia rumo a Portugal, terra de seus ancestrais paternos, e o marechal Deodoro da Fonseca assumiu a difcil tarefa de governar o Pas. O povo, alheio a tudo, apenas observava.( Martins, Mariana (ed.) Grandes Fatos do Sculo Vinte. Rio de Janeiro: Rio Grfica, 1984, vol. 1, p.3.)No caso do jacobinismo, por exemplo, havia a idealizao da democracia clssica, a utopia da democracia direta, do governo por intermdio da participao direta de todos os cidados. No caso do liberalismo, a utopia era outra, era de uma sociedade composta por indivduos autnomos, cujos interesses eram compatibilizados pela mo invisvel do mercado. Nessa verso, cabia ao governo intervir o menos possvel na vida dos cidados. O positivismo possua ingredientes utpicos ainda mais salientes. A repblica era a vista dentro de uma perspectiva de mais ampla que postulava uma futura idade de ouro em que os seres humanos realizariam plenamente no seio de uma humanidade mitificada. Como discurso, as ideologias republicanas permaneciam enclausuradas no fechado crculo das elites educadas.(Carvalho, Jos Murilo de. A Formao das Almas: o imaginrio da Repblica no Brasil. So Paulo: Companhia das Letras, 1990.)TEXTO 02 A Proclamao da Repblica corresponde ao encontro de duas foras diversas Exrcito e Fazendeiros de caf movidas por razes diferentes, () A Guerra do Paraguai favoreceu a identificao dos militares como grupo, e eles comearam a critica aposio secundria que o Imprio conferia instituio, () Ao mesmo tempo, um grupo minoritrio, mas extremamente ativo, liderado por Benjamin Constant, combinava tais criticas com uma perspectiva ideolgica de maior alcance. Sob a influncia do positivismo, defendiam a implantar de um regime republicano e modernizador. Como se sabe, os fazendeiros paulistas, atravs do Partido Republicano Paulista, moviamse por razes claramente econmica. A Repblica, sob forma federativa, significava o fim da centralizao imperial, a autonomia dos Estados e a possibilidade de impor ao pas um sistema que favorece o ncleo agrrio-exportador em expanso. Contando com o apoio deste ncleo, o Exrcito desfechou o golpe de 15 de novembro e assumiu o controle do governo. Na luta que se seguiu, entre o grupo militar e a classe social, esta acabou por triunfar.() A constituio de 1891 representou uma vitria dos grandes Estados: a forma federativa deu-lhes ampla autonomia, com a possibilidade de contrair emprstimos externos, constituir foras militares prprias e uma justia estadual. TEXTO 03 Os Modelos de Repblicas No perodo da proclamao da Repblica, havia no Brasil pelo menos trs correntes que disputavam a definio da natureza do novo regime. Essas trs correntes eram o liberalismo americana, o jacobinismo francesa, e o positivismo. As trs correntes combateramse intensamente nos anos iniciais da repblica, at a vitria do liberalismo americana, por volta da virada do sculo XIX para o XX. Cada uma destas correntes supunha modelos de repblica diferentes, modelos especficos de organizao da sociedade (). INTRODUO E 15 de novembro de 1889, o Brasil passou de um regime monrquico para um republicano. Com a constituio de 1891, adotouse no Brasil a Repblica Federativa com os poderes divididos em trs nveis: executivo, legislativo e judicirio. Inaugurouse, tambm, uma nova forma de fazer poltica, atravs da qual se garantia a manuteno do poder nas mos das oligarquias. O entendimento desta nova realidade passa necessariamente pela compreenso de temas como patriarcalismo, coronelismo, controle das eleies, poltica dos governadores e poltica do caf com leite. Vejamos, a partir de agora cada uma delas. PATRIARCALISMO No incio do sculo XX os homens achavam que as mulheres eram naturalmente incapacitadas para tomar decises. A funo da mulher deveria ser a de manter a harmonia do lar, limitando-se sua atuao casa e aos filhos. Na famlia como sociedade, quem mandava eram os homens. A famlia, nesse perodo, eram um grupo maior, integrado pela esposa, eventuais amantes, filhos, parentes, padrinhos, afilhados, amigos, dependentes, e ex-escravos. Um imenso grupo de pessoas submetidas autoridade indiscutvel que emana da temida e venerada figura do patriarca. Esse patriarca era um grande senhor rural, o Coronel, proprietrio de imensas fazendas, onde se plantavam as bases da economia brasileira da Repblica Velha: caf, cacau, algodo, cana-de-acar e outros produtos agrcolas.VESTIBULAR 2009CORONELISMOO Coronelismo pode ser definido como um fenmeno poltico caracterstico da Repblica Velha, possibilitando, atravs da manipulao e controle das eleies, o controle da poltica nacional por parte das oligarquias agrrias.FAO IMPACTO - A CERTEZA DE VENCER!!!Fale conosco www.portalimpacto.com.brO Coronel, ou chefe poltico local, possua o seu curral eleitoral formado por eleitores de sua inteira confiana e que voltavam, obrigatoriamente, nos candidatos indicados por eles. Atravs de capangas e de seu poderio econmico, o coronel garantia a maioria necessria eleio de candidatos de confiana do sistema, a includos o presidente (governador) do Estado, e o prprio presidente da Repblica. Ainda sobre o coronelismo, o historiador Edgar Corone considera que socialmente, o coronel exerce uma srie de funes que o fazem temido e obedecido (). Aos agregados, ele dispensa favores: d-lhes terras, tira-os da cadeia e ajude-os quando doente; em compensao, exige fidelidade, servios, permanncia infinita em suas terras, participao nos grupos armados, etc. aos familiares e amigos ele distribui empregos pblicos, empresta dinheiro, obtm crdito, protege-os das autoridades policiais e jurdicas, ajudaos a fugir dos compromissos fiscais do Estado, etc. o juiz pois obrigatoriamente, ouvido a respeito de questes de terras e at de casos de fugas de moas solteiras. O CONTROLE DAS ELEIES: Uma das grandes reivindicaes que motivou o fim do Imprio foi o desejo da descentralizao poltica. Com a Repblica, estes interesses foram concretizados. Cada Estado da Federao teria suas leis, sua fora policial, seu poder judicirio e seu sistema eleitoral. Apesar do fim do voto censitrio, poucos brasileiros participavam das eleies. Os analfabetos, mendigos, soldados, frades e mulheres no tinham o direito ao voto. Alm disso, o voto no era obrigatrio. Os que tomavam parte na votao acabavam se tornando massa de manobra da disputa entre os chefes polticos locais: os patriarcas (coronis). O controle que os coronis exerciam sobre as eleies se realizava, principalmente, atravs de dois mecanismos: a) o voto de bico de pena: este consistia no fato de que a lista de eleitores era feita no Municpio, obedecendo aos interesses dos chefes polticos locais (coronis). Muitas vezes os eleitores da oposio encontravam dificuldades em serem includos na lista de votantes. Muitas listas eram compostas incluindo analfabetos ou mesmo pessoas j mortas. Assim, uma mesma pessoa assinava vrios nomes de eleitores favorecendo o fazendeiro mais importantes da regio . b) o voto de cabresto: este consistia no fato de que os eleitores que realmente votavam estavam vinculados a um coronel como por um cabresto. Isto, porque os capatazes e capangas do coronel levavam os eleitores at a boca da uma, ameaando dar uma surra de cacete e at matar aquele que pretendesse votar em outro candidato. A POLTICA DOS GOVERNADORES A partir do governo do presidente Campos Sales (18981902) oficializou-se o que veio a denominar-se poltica dos governadores, ou poltica dos estados, conforme a expresso do prpria Campos Sales. Em relao a este assunto, o historiador Roberto Lopes considera que () durante a mandato de Campos Sales, o Governo Federal, para fazer face ao extremo federalismo vigente, () resolveu estabelecer acordos polticos com os Governos Estaduais a fim de garantir a formao de Congressos dceis s diretrizes presidenciais (). Esta foi a chamada poltica dos governadores: os governadores se responsabilizariam pela escolha de bons deputados e bons senadores nas eleies a partir de acordos com os chefes polticos lacas, isto , os coronis-latifundirios, manipuladores do voto e da frgil vontade do povo campons. A POLTICA DO CAF COM LEITE Com a montagem da poltica dos governadores por Sales, as oligarquias paulista e mineira representadas pelos Partidos Republicano Paulista (PRP) e Republicano Mineiro (PRM) passaram a dispor de melhores condies para exercer a direo poltica do pas. E foi o que aconteceu entre 1889 e 1930, perodo que ficou conhecido como Primeira repblica ou Repblica Velha. O predomnio poltico destes dois Estados foi chamado de poltica do caf com leite. O PRP e o PRM, dominados pelas respectivas oligarquias estaduais, revezaram-se no poder elegendo os Presidentes da Repblica at 1930. A propsito, oligarquias so grupos de pessoas pertencentes ou a mesma famlia, classe ou partido, que detm o poder econmico e o poltico, utilizando-se deste ltimo em benefcio prprio. A poltica do caf com leite era, na verdade, um acordo de oligarquias, uma aliana entre coronis que dominavam os Estados (poltica dos governadores). TEXTO COMPLEMENTARA Mquina Eleitoral na Repblica VelhaA classe dos fazendeiros do caf que, aliada s demais classes rurais nos diversos Estados, governava o pas em seu proveio, no se mantinha no poder pela fora militar, como em outros pases sulamericanos. Ela se conservava e eternizava no governo graas a uma mquina eleitoral que se entendia por todo pas, mergulhando suas razes na terra. Era como uma pirmide em cujo pice se encontrava o Presidente da Repblica, vindo logo abaixo o Partido Republicano paulistas e os Partidos Republicanos Estaduais, e, na base do arcabouo, o coronel e sua famlia, amigos, parentes e dependentes, constituindo as famosas oligarquias estaduais, pequenos estados dentro do Estado, que centralizavam em suas mos, nos sertes, os trs poderes fundamentais da Repblica: legislavam, julgavam e executavam. Os chefes desses cls polticos, espcie de caudilhos locais, eram conhecidos e respeitados. Sua fora estava no domnio da terra e da vida dos que nela habitavam merc de sua graa(). Para servir os coronis, os sertanejos de qualquer categoria social, trabalhador, parceiro ou pequeno proprietrio, e afim de dar uma aparncia legal ao predomnio dos mesmos, tinham de voltar com ele. Os analfabetos aprendiam s vezes a assinar o nome a aprender lanar na urna um voto cujo o nome para poder lanar na urna um voto cujo nome no podiam ler. E, se o pudessem, seria a mesma coisa. Em vsperas de eleio, eram conduzidos em lotes, de qualquer modo, aos locais prximos dos postos eleitorais onde eram guardados s vezes com sentinelas, nos chamados quartis ou currais, nos quais se fazia a concentrao de eleitores. O chefe poltico lhes dava, alm da conduo, roupa, cachaa e uma papeleta de voto. () O interior do pas, sujeito a esse regime, concentrava 70% da populao e, por mais livres que fossem os eleitores das cidades, a votao do interior, produto das mquinas eleitorais, os sobrepujava. Adaptado de:BASBAUM, Lenicio. Histria Sincera da Repblica: de 1889 a 1930. So Paulo, Alfa-mega, 1981, p. 190-91.CamposFAO IMPACTO A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009