Histria do Brasil - Pr-Vestibular Impacto - A Classe Operria Brasileira

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4CONTEDO

PROF: NETO

08A Certeza de Vencer

A Classe Operria BrasileiraGE030508

AS PRIMEIRAS ORGANIZAES

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ASSOCIAES MUTUALISTAS: Surgiram entre 1850 e 1880, no tinham carter poltico, eram instituies que desenvolviam o auxlio mtuo entre os seus membros, nos casos de extrema necessidade como: doenas, enterros, acidentes, etc, a partir da iniciativa exclusiva dos prprios trabalhadores. Atente-se que, essas Associaes no representavam uma ferramenta de resistncia explorao patronal.

LIGAS OPERRIASComearam a surgir a partir de 1870, mais politizadas que as anteriores, deram origem aos primeiros sindicatos operrios brasileiros. Objetivavam cobrar direitos, preconizando a greve como instrumento de luta. Deste momento em diante, as reivindicaes operrias so: a reduo da jornada de trabalho, o aumento salarial e a melhoria das condies de trabalho. SINDICATOS O termo SINDICATO passa a ser usado com mais, frequncia, aps o 1 Congresso Operrio Brasileiro, realizado em 1906, que sugeriu o seu uso para estabelecer diferena entre as associaes de resistncia ao patronato das associaes beneficentes. Os sindicatos, em sua maioria, reuniam operrios do mesmo ofcio: sapateiros, chapeleiros, operrios de indstria txteis, garons, grfico, oleiros, vidraceiros, ferreiros marmoristas, etc. Havia, no entanto, sindicatos que reuniam, indistintamente, operrios de diversos ofcios e de vrios locais de trabalho. Podiam ainda, ser encontrados sindicatos que reuniam trabalhadores do mesmo grupo tnico, como o Crculo Operrio Italiano e associaes que se definiam pelo quadro de organizao tcnica de trabalho, como, por exemplo, o Sindicato dos Ferrovirios. Esta nova forma de organizao teve como principal caracterstica a total desvinculao dos sindicatos de trabalhadores com relao ao Estado.

fonte de todos os problemas da sociedade (destruir a propriedade privada sem destruir o governo burocrtico de nada adiantaria, porque os burocratas concentram privilgios e no tm interesse em perde-los) consideravam a associao sindical como a nica organizao legtima dos trabalhadores (s o sindicato seria capaz de agrupar e solidarizar os operrios conscientes, com base em interesses comuns), a nfase na ao direta como instrumento de resistncia ao capital, entendida como greve (geral ou parcial), passando pelo boicote, queda do ritmo de trabalho,produo intencionalmente imperfeita, alm das manifestaes pblicas (passeatas). As greves deveriam constituir um exerccio preparatrio para a greve geral revolucionria. O Anarquismo defendia ainda o desenvolvimento de uma cultura operria prpria, marcada pela prtica de vrias atividades, que iam dos piqueniques, passeios e bailes, ao teatro e festivais de todos os tipos. A atuao sindical se faria atravs de duas vias: a participao em movimentos coletivos de protesto ou reivindicao e a divulgao dos ideais anarquistas no meio do operariado.

COMUNISTASA Influncia comunista no meio sindical teve incio com a fundao do Partido Comunista, em 1922, formado por exanarquistas, na cidade de Niteri. Inicialmente chamado Partido Comunista do Brasil, depois se denominou Partido Comunista Brasileiro. Sua fundao reflexo do processo revolucionrio desencadeado na Rssia (Revoluo de 1917) e da realizao da Terceira Internacional Comunista, que tinha por objetivo, dirigir a revoluo socialista em todas as partes do mundo. Condenava as greves sem prvia anlise de sua convenincia. Pregava um modelo de estrutura sindical que se completaria com uma central sindical. Em 1928, o PCB fundou a Confederao Geral do Trabalho do Brasil, que reunia cerca de 60.000 de trabalhadores sindicalizados. Os comunistas defendiam a transformao da luta econmica dos operrios em luta poltica e o centralismo democrtico, ou seja, que as decises fossem tomadas pela direo do Partido, que promoveria a tomada do Estado e instalaria a ditadura do proletariado. O PCB defendia ainda a sua participao nas eleies e a formao de "frentes nicas", isto , a sua unio com diversos outros setores da sociedade para atender os interesses dos trabalhadores, mesmos que estes tivessem posies muito diferentes dos comunistas. O PCB sofreu vrias oscilaes quanto sua, legalizao (foi fechado em 1922 e depois em 1927) Para contornar esta situao, expandiu-se o Bloco Operrio para Bloco Operrio e Campons (BOC), que apesar de campons, no teve nenhuma penetrao nas zonas rurais, ficando restrito s grandes cidades. A maior vitria do BOC ocorreu nas eleies de 1928, no Rio de Janeiro com as vitrias de Otvio Brando (dirigente do PCB) e Minervino de Oliveira (operrio marmorista e dirigente da Federao Sindical Regional).

DOUTRINAS SOCIAIS:Durante o perodo em que o movimento operrio gozou de total liberdade de associao (Repblica Oligrquica), trs correntes disputaram entre si a liderana da classe: Socialista, Anarcosindicalista.

SOCIALISMOLiderados por intelectuais pertencentes classe mdia, os sindicatos socialistas tiveram pequena penetrao nos meios populares, porque defendiam a aliana dos setores mdios urbanos ao operariado, como estratgia revolucionria. Suas preocupaes centravam-se na divulgao das idias de Marx e Engels no Brasil, No acreditavam no sindicato como principal instrumento para a emancipao dos trabalhadores. Por buscarem a transformao gradativa do sistema social existente atravs da atuao de um partido poltico, insistiam no alistamento eleitoral e na adoo, pelo imigrante, da cidadania brasileira, necessria para a filiao ao partido socialista e para obter o direito ao voto nas eleies. Ao condenarem a greve como instrumento de luta, distanciavam-se cada vez mais do proletariado.

TEXTOS COMPLEMENTARESVESTIBULAR 2009

ANARCOSINDICALISMOQuase sempre associado presena de imigrantes italianos e espanhis, foi a corrente de maior prestgio junto classe operria brasileira da poca. Seus lderes eram operrios e priorizavam as reivindicaes da classe. Dentre seus princpios bsicos destacam-se: a negao da autoridade do Estado ( a liberdade e a igualdade s seriam conseguidas com a destruio do capitalismo e do Estado que o defende), pregavam contra a propriedade privada, pois seria a

Jornal Avanti - 12 - 10 - 1901: "A formao de sindicatos - e tenham isto presente tambm os industriais - um remdio preventivo das greves, para torn-las menos frequentes, menos impulsivas, sempre mais razoveis e pacficas, pois a organizao forte e compacta impe, por si, muitas vezes mais do que cem greves".

Jornal A Plebe: "O Brasil no pertence populao que o habita. O Brasil pertence a algumas dzias de sindicatos industriais e financeiros, a algumas dezenas de fazendeiros e

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latifundirio ...Contra esses nos revoltamos! Contra esses nos batemos ns!... E o Brasil novo, o Brasil de amanh, terra de liberdade e bem estar, (...) s se tornar realidade concreta quando, sacudida pelo furaco renovador, arremessar para o lixo da histria todas essas castas malditas de parasitas e sugadores que a infestam ..." Lei Adolfo Gordo: contra os imigrantes Como a maioria dos operrios era constituda de imigrantes europeus, o Congresso Nacional aprovou a Lei Adolfo Gordo, em 1907, como forma de desarticular e combater os operrios que lutavam por melhores condies de vida e de trabalho. Essa Lei autorizava a deportao dos estrangeiros que colocassem em perigo a ordem pblica.(Nosso Sculo; 1910-1930. So Paulo: Abril Cultural. 1985. V 3,p. 119)

a) promover a unio dos trabalhadores assalariados para a defesa dos seus interesses morais e materiais, econmicos e profissionais; b) estreitar os laos de solidariedade, entre o proletariado organizado, dando mais fora e coeso aos seus esforos e reivindicaes, tanto moral como materialmente; c) estudar e propagar os meios de comunicao do proletariado e defender em pblico as reivindicaes; econmicas dos trabalhadores, servindo-se, para isso de todos os meios de propaganda conhecidos nomeadamente de um jornal que se intitular "A Voz do Trabalhador" d) reunir e publicar dados estatsticos e informaes exatas sobre o movimento operrio em todo o pas.(RODRIGUES, Edgar. Socialismo e Sindicalismo no Brasil; 1875-1913. Rio de Janeiro: Guanabara. Laemmert, 1969. p.117-8)

Imprensa Operria na primeira dcada do sculo XX. "Os sindicatos e os partidos operrios publicavam suas reivindicaes, denncias e propostas e peridicos. Na cidade de So Paulo, destacaram-se os jornais anarquistas, como o La Bataglia, fundado em 1904 e dirigido por Oreste Ristori, O Amigo do Povo, iniciado em 1902 e A Terra Livre, em 1905, ambos orientados por Neno Vasco e Edgar Leurenroth. (...) Outros exemplos da imprensa operria no pas: no Rio Grande do Sul, Echo Operrio, na Bahia, Voz do Operrio, em Belm do Par, O Trabalho, em Fortaleza, O Operrio, em Alagoas, O Trabalhador Livre. Os jornais operrios denunciavam as precrias condies dos trabalhadores e eram porta-vozes dos diferentes grupos que os publicavam Partido Socialista, Anarcosindicatistas, ete, que assim, procuravam oferecer formao poltica aos operrios. Normalmente, o jornal era lido em voz alta para que, Os trabalhadores analfabetos tivessem acesso publicao. Alm disso, muitos deles aprendiam a ler nos prprios sindicatos ou partidos. No era proibida a divulgao desses jornais, mas a imprensa operria era conscantemente perseguida pela polcia".(MONTELLATO, CABRINI, CATELLI.Histria Temtica. O Mundo dos Cidados. So Paulo: Scipione, 2000. p, 172-173)

Paraso ou absurdo: a proposta poltica dos anarquistas."Geralmente quando surge uma revolta porque os revoltosos querem acabar com um tipo de poder existente e desejam estabelecer outras relaes de poder. Os anarquistas so diferentes da maioria dos revoltosos. Eles no so contra apenas um tipo de poder. So contra todos os tipos de poder. Querem acabar com o poder em si. E no substu-lo por outro. Na Europa, o anarquismo teve importncia no fim do sculo passado e comeo do nosso sculo. Foi trazido para o Brasil pelos imigrantes italianos e espanhis e influenciou a formao do movimento operrio no pas. O que pretendiam os anarquistas? Queriam, por exemplo, escolas que os alunos frequentassem apenas pelo prazer de estudar. Queriam o amor livre entre homens e mulheres, sem que ningum fosse obrigado a viver junto para sempre, caso o amor se acabasse. Os anarquistas lutavam contra o poder e a explorao e todos os locais; nas escolas, na famlia, na igreja, nas fbricas, nos sindicatos, etc. Eles pensavam em criar uma sociedade onde um no explorasse o outro. No haveria ladres, porque tudo seria de todos, No haveria patro mandando, nem empregado obedecendo. No haveria polcia, nem prises. Cada um seria responsvel pela sua vida e, solidariamente, pela vida do outro. Para uns essas propostas do anarquismo podem parecer absurdo. Para outros, a realizao do paraso"

Trabalho e Lazer: veladas operrias"Em So Paulo, nas primeiras dcadas, eram comuns as chamadas veladas operrias (noitadas, viglias). Consistiam em teatro, msica, conferncias, jogos de futebol, danas, geralmente realizadas nas sedes das associaes. Comeavam normalmente no sbado e se estendiam at o domingo. Aps a exposio de conferncias sobre temas relativos aos problemas dos trabalhadores, custo de vida ou situao da mulher, a velada terminava com um baile ou piquenique. medida que os operrios se organizavam como classe e lutavam por seus direitos, aumentava, por outro lado, o controle dos patres sobre o lazer e a educao dos trabalhadores.(MONTELLATO, CABRINl, CATELLI. Histria Temtica. O Mundo dos Cidados. So Paulo: Sciplone, 2000, p. 173)

Resistindo ao controle"(...) Os operrios moravam em casa construdas com materiais precrios e comprimidas e espaos muito pequenos, o que os obrigava a utilizar as reas livras para a lavagem e secagem coletiva das suas roupas. Essas habitaes eram conhecidas como cortios. Antes das 5 da manh, os ptios dos cortios j estavam cheios. Todos procuravam se apressar para a higiene matinal: havia um tanque e uma latrina para o uso de todos os moradores. Em seguida, retornavam ao comodo, que servia ao mesmo tempo de dormitrio, cozinha e sala de refeies, onde tomavam caf com um pedao de po. Vestiamse, ento,para o trabalho: os homens usavam calas e palet escuros, camisa clara e botina de couro, quase todos usavam tambm um chapu de feltro. J as mulheres usavam o seu "vestido de trabalho"e 'sandlias, e algumas calavam tamancos de madeira. Em seguida, todos se dirigiam fbrica, geralmente localizada no mesmo bairro, onde homens, mulheres e crianas trabalhavam, s vezes em p, por cerca de 16 horas, vigiados de perto por capatazes. (...). A exposio frequente ao p ou umidade era causadora de uma srie de doenas, contudo, no havia licena para tratamento de sade, e os trabalhadores eram demitidos logo que adoeciam."

Os Anarquistas e a Educao "... os libertrios tiveram Intensa participao em atividades culturais e, especificamente preocupados com a educao popular, fundaram pelo menos 25 escolas livres ou modernas, centros de ensino profissional, grupos de estudo, centros de cultura proletria, centros de educao artstica, grupos dramticos e musicais. .. Ainda um outro sonho deste primeiro movimento operrio no pas merece ser registrado: a fundao da Universidade Popular de Ensino Livre, no Rio de Janeiro, em 1904. ... este centro intelectual tinha por objetivo a instruo superior e a educao social do proletariado"(Rago, Margareth. Do Cabar ao Lar: a Utopia da cidade disciplinar, Brasil 1890-1930. Rio de janeiro: Paz e Terra. P 159 e 161).

(Cenas Cotidianas, in DREGUER, Ricardo. Histria, Cotidiano e Mentalidades. So Paulo. Atual, 1995. p. 93-94)

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VESTIBULAR 2009

"Com o propsito de unificar o movimento operrio brasileiro no Incio da industrializao no pas foi promovido o 1 Congresso Operrio Brasileiro, em 1906. Nesse Congresso, os operrios, entre outras reivindicaes, reafirmaram a luta por 8 horas dirias, de trabalho, sem diminuio de salrio e aprovaram a criao de uma central de sindicatos de operrios, a COB (Confederao Operria Brasileira), que entrou em atividade em 1908, com os seguintes objetivos: