História do Brasil - Pré-Vestibular Impacto - A Belle - Epoque na Amazônica

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4CONTEDOPROF: NETOINTRODUO:05A Certeza de VencerA Belle Epoque na AmaznicaKL 140408Fale conosco www.portalimpacto.com.br1850 e 1870, vemos seringais nos rios Madeiras e Purus, iniciando um processo de devastamento do vale amaznico. Todo esse deslocamento de mo-de-obra para a zona da borracha acarretou problemas para os outros subsetores da economia, como por exemplo, a agricultura, que teve a predominncia de mulheres, crianas e adultos idosos, levando ao decrscimo da produo. A QUESTO DA MO-DE-OBRA No final da dcada de 1870, o problema da mo-de-obra aumentara ainda mais, tento que a produo no passara das 10.000 toneladas, enquanto que a demanda mundial se situara entre 8.000 e 10.000 toneladas.A partir da Segunda metade do sculo XIX e incio do XX, a Amaznia ser marcada pela ascenso da economia gomfera, Produtora de muitas riquezas, a borracha favorecer a industrializao do sul do pas, ocasionando uma espcie de colonialismo interno, e o prprio capitalismo internacional (colonialismo externo). Toda essa riqueza, que por sinal no ser aproveitada para o desenvolvimento econmico, favorecer a concentrao de renda nas mos de uns poucos privilegiados, enquanto a grande massa populacional ser alvo de uma explorao desumana. POSIO GEOGRFICA A Amaznia abrange cerca de 6.500.000 Km2 da Amrica do Sul, correspondendo a 36% da superfcie da Amrica se estendendo por Brasil, Bolvia, Peru, Equador, Venezuela e Colmbia. ANTECEDENTES As civilizaes pr-colombianas j utilizam h muito a borracha. Aqui na Amaznia ocorria o mesmo, sendo as rvores conhecidas como "Cauchu" pelos gentios, e mais tarde seringueiras, aps o domnio portugus. A AMAZNIA AT A METADE DO SCULO XIX A Amaznia ingressa no sculo XIX com uma economia bastante relacionada com o exterior, entretanto no apresentava solidez interna, quer dizer, o principal produto o cacau, gerava grandes lucros, mas a maior parte tinha um caminho certo: a metrpole portuguesa. Sendo assim, em 1800, a renda per capita interna no passara de US$ 56. Entre 1805 e 1840, a economia regional apresentara um declnio maior. Destaque para ocupao militar das Guianas por D. Joo VI, desviando boa parte da mo-de-obra das atividades produtivas, e a guerra civil amaznica (Cabanagem), em 1835, causadora de grande mortalidade. Resultado disso tudo que a renda per capita baixara para US$ 49. O AUMENTO NA DEMANDA DA BORRACHA Desde 1736, diversos estudiosos vinham desenvolvendo pesquisas no sentido de um melhor aproveitamento da borracha. Foram tais pesquisas anteriores que possibilitaram Charles Goodyear descobrir, em 1839 um processo pelo qual a borracha se tornava mais resistente e insolvel. Era um processo de vulcanizao. Cerca de trs anos depois, Hanicoock torna a borracha mais resistente e quase insensvel temperatura, garantindo a sua elasticidade e impermeabilidade. E, finalmente, com a inveno do Pneumtico, em 1890, a industrializao da borracha aumenta ainda mais. A resultante disso tudo um crescimento da demanda, ou seja, de pouco mais de 5.000 indivduos ocupados no subsetor gomfero em 1850. A borracha exigira mais de 31.000 em 1870. De 1825 a 1850, a produo comercial de borracha se concentrara principalmente em Belm, Xingu e Tapajs. Mas entreA sada para o problema da fora de trabalho foi incrementada pela migrao - regional, e a destacamos dois tipos: a) a imigrao dirigida, que tinha como finalidade principal a colonizao agrcola sobressaindo-se o poder pblico com finalidade principal a colonizao agrcola sobressaindo-se o poder pblico com financiamentos. b) J a imigrao "espontnea" tinha como destaque a iniciativa privada, atravs do recrutamento de mo-de-obra para os seringais. A imigrao dirigida, devido a sua prpria estrutura, praticamente fracassou com certo destaque para a zona bragantina, onde uma estrada de ferro foi construda, assim como projetos agrcolas al implantados, com o fim de abastecer Belm: "Com solos, culturas e colonos mal escolhidos, o saldo histrico dessa colonizao uma vasta regio povoada, mas pobre e cheia de problemas na atualidade". (Roberto Santos - Histria Econmica da Amaznia, pg. 117). Ressaltamos ainda que parte da mo-de-obra dirigida se reorientou para os seringais, enquanto que parte da fora de trabalho "espontnea" alm dos seringais, de dirigiu para as atividades do setor tercirio, e, s vezes, ao secundrio com destaque para os trabalhadores da Madeira-Mamor O SERINGUEIRO No que diz respeito ao seringueiro, no incio da produo, era basicamente de origem indgena. Com o tempo a demanda mundial de borracha aumentaria bastante, sendo um dos fatores determinantes para o aproveitamento da mo-de-obra nordestina, que se retirava de sua regio devido a seca de 1877 a 1880. Assim, chegando ao seringal, o imigrante j se encontrava endividado com o proprietrio (seringalista). Aliado a isso, o trabalho era bastante perigoso e solitrio, pois era quase impossvel a utilizao de mulheres na extrao, alm do que, os ataques de ndios e de onas eram constantes. OS INVESTIMENTOS E AS DIVISES NA PRODUO Os diversos investimentos e os financiamentos que a fluram para a regio tinham duas origens principais: o estrangeiro, com destaque para o capital norte-americano, ingls, francs e belga, alm, claro, do capital nacional, sobressaindo-se o empreendimento de navegao fluvial por MAU e a construo da Madeira-Mamor, sendo que ambas as empresa tinham dominncia do capital pblico. No incio da produo comercial, o exportador de borracha principalmente norte-americanos e ingleses - era o mesmo que importava os bens de consumo, por exemplo. Quando a produo cresce, h uma ntida especializao entre exportadores e importadores. Os exportadores eram em sua maioria os portugueses, que passaram a abastecer as casas aviadoras. Ao mesmo tempo, o crescimento econmico e populacional acarretara um aumento na demanda interna por alimento e a crescente importncia dos pecuaristas do Maraj. Esse "rush" econmico tambm propiciara um aumento na receita dos governos estaduais, tanto que em Belm e Manaus, eram feitos investimentos no melhoramento e ampliao do sistema virio.FAO IMPACTO - A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009Fale conosco www.portalimpacto.com.brFAO IMPACTO A CERTEZA DE VENCER!!!VESTIBULAR 2009O SUBSETOR INDSTRIA Desde os tempos coloniais, o aviamento surge graas ao escambo entre as sociedades tribais e as mercantis, e se fortalecera mais ainda quando a regio entrou em contato com o capitalismo externo. A principal parcela de onde se originava o excedente da produo era a espoliao do seringueiro, que ficava sempre na condio de devedor perpetuo. Foi graas a essa poupana forada que muitos seringalistas e aviadores enriqueceram de um momento para o outro. Alm dessa espoliao dos trabalhadores da borracha, o aviamento tambm influenciou bastante na atrofia do setor tercirio o mais ainda do secundrio, pois com os juros altssimos, no era possvel desenvolver um razovel parque industrial, quer dizer, quanto mais crescia a demanda externa pela borracha, mais o aviamento era fortalecido destimulando a industrializao. Nesse caso temos uma concentrao de renda em Belm e Manaus, alm do "laissez-faire" dos governos estaduais que freqentemente davam apoio a essas relaes de trabalho injustas. O TRATADO DE PETRPOLIS Em 1901, um grupo de capitalistas organizado em Londres e Nova York decide tomar posse do Acre: "Era a Bolivian Syndicate, a mais explcita das tentativas do imperialismo em terras sul americanas desde as faanhas de Portugal e Espanha no remoto passado". (Roberto Santos - Histria Econmica da Amaznia, pg. 207). Tal procedimento contou com o apoio do governo boliviano que tentava de qualquer maneira barrar pretenses brasileiras naquela regio que apresentava os maiores ndices de produtividade gomfera. Mas em 1903, o governo federal brasileiro firma com a Bolvia o TRATADO DE PETRPOLIS, onde o Acre seria incorporado ao Brasil, tendo em contra partida uma indenizao de US$ 550.000 (cento e dez mil libras) e da construo da estrada de ferro Madeira-Mamor que custara milhares de vida. APOGEU E DECADNCIA DA BORRACHA AMAZNICA De 1910 a 1912, a economia gomfera amaznica atingira o apogeu com sua explorao concentrada principalmente no Par, Amazonas e Acre. Alguns anos antes, mais exatamente em 1876, Henry Wickham, capitalista ingls contrabandeia milhares de semente HEVEAS BRASILEIRAS e passa a aclimatar a planta no Jardim Botnico de Kew. Pouco depois o governo britnico e o capital estrangeiro de uma maneira geral, comeam a experimentao na sia (Ceilo, Malsia, Indochina, dentre outras regies coloniais). De trs toneladas em 1910, a oferta asitica passa para 8.753 toneladas em 1910, 107 mil em 1915 e 382.860 toneladas em 1919. Com uma explorao mais racional, a sia destrona a Amaznia, visto que as rvores eram plantadas em terrenos limpos e a alguns metros umas das outros, barateando os custos e aumentando a produo, enquanto aqui o produto era coletado no meio da mata. A LIGA DOS AVIADORES O resultado de toda essa conjuntura foi que os aviadores regionais formaram uma liga passando a estocar a borracha para que o preo subisse. Mas, em 1912, no agentando os custos, foram forados a soltar a produo estocada que, se juntando a safra do ano, aumentara estupidamente a oferta, fazendo com que os preos caissem ainda mais. A longo prazo, a maioria dos grandes grupos regionais que dominavam a produo gomfera, transferira o capital para a produo de castanha e para o setor madeireiro, ao mesmo tempo em que os latifundirio, pecuaristas marajoaras aumentaram sua influncia na administrao republica. AS TENTATIVAS DE SOLUO POR PARTE DO PODER PBLICO A nvel estadual e regional, veremos o Convnio ParAmazonas, e a nvel federal, o Plano de Defesa da Borracha. Tinham em comum a tentativa de salvar a economia gomfera. No que se refere ao plano federal, era mais abrangente, pois previa investimentos na produo agrcola alimentar, pesca industrializao, sade, dentre outras atividades. H no ser no setor sade (e mesmo assim limitado), onde veremos a presena de OSWALDO CRUZ, CARLOS CHAGAS, JOO PEDROSA e GASPAR VIANA, enquanto em 1870 a populao amaznica no passava de 323.000 pessoas, em 1910 subira para 1.2000000.O PROCESSO PRODUTIVO Como vimos anteriormente, a partir de 1850 a produo amaznica de borracha comeara a se organizar mais efetivamente. A despeito disso, o processo produtivo era baseado no extrativismo, onde a extrao do ltex era feita de forma rudimentar. A identificao das rvores era feita por um mateiro, geralmente de origem indgena. A abertura das "estradas" era efetuada pelos toqueiros, que abriam picadas por onde os trabalhadores chegavam s plantas. A extrao do ltex inicialmente se desenvolver de maneira predatria, ou seja, o tronco da rvore era aberto de alto para baixo, e logo aps amarrados com cips para que a seiva fosse espremida. Como esse processo matava o vegetal, a extrao foi melhor racionalizada, com os troncos sendo cortados em forma de "VS", embaixo dos quais eram amarradas cuias. Perto do seringal se encontravam defumadores, que transformavam o ltex em bolas para a comercializao. As casas aviadoras, por sua vez completavam o seringal, eram elas as abastecedoras dos campos de trabalhos. grande capacidade. O restante do plano foi por gua abaixo. Tal desinteresse oficial pela regio era atmica at a dcada de 1950. A CRISE NO SETOR RURAL Boa parte dos contingentes expulsos da extrao gomfera, era imediatamente empregada na agricultura, extrao madeireira e de castanha. Ao mesmo tempo uma grande poro dos nordestinos reflura principalmente para o Maranho reduzindo consideravelmente a populao regional; isso representar maior oferta de bens de consumo no mercado interno. Ao lado disso atividades no monetizadas como a pesca, a caa e a coleta de frutos, diminuram em muito o rigor da crise. A CRISE NO SETOR URBANO na cidade que a crise se apresentara mais aguda, onde casas comerciais e financeiras apresentam altos ndices de falncias. Alm do mais, o nmero de habitantes de Belm e Manaus aumentara muito, tanto que a oferta de bens de consumo, por exemplo, no era suficiente frente crescente demanda, ocasionando constantes revoltas. Enquanto isso, o abastecimento urbano de carne era feito majoritariamente pelos fazendeiros marajoaras que, como dissemos, aumentaram sua fora poltica. A renda per capita, que atingiu US$ 362 em 1885, cara para US$ 74 em 1920, alm do que "(...) todos os sacrifcios imposto populao pelo poder pblico derivam da inteno de satisfazer corretamente aos credores estrangeiros, a fim de facilitar a obteno de novos emprstimos externos" (Roberto Santos). Enfim, a borracha entreva em decadncia depois de gerar durante anos divisas para a economia brasileira, favorecendo inclusive a indstria do sul. TEXTOS PARA ANLISE 01. O SISTEMA DE AVIAMENTO O aviamento um sistema tradicional de crdito existente na Amaznia desde os tempos ureos da borracha. Aviar, significa fornecer mercadorias crdito, tanto para a produo quanto para consumo. Sistema hierarquizado de dois fluxos onerava sucessivamente os produtos aviados e tentava aviltar o valor da produo no fluxo inverso. Mantinha numa ponta o industrial ou banqueiro estrangeiros, que fornecia capital a grandes comerciantes da cidades maiores. Estes abasteciam os donos dos seringais, que forneciam produtos aos seus trabalhadores. A produo seguia caminho inverso. Os diversos nveis da hierarquia geralmente, tambm envolviam capital de giro, excetuandose o produtor final, que se endividava continuadamente com o patro. 02. TESTEMUNHOS CLSSICOS DA ESPOLIAO "(...) os lucros avultadssimos dessa indstria (extrativo da borracha), que absorve e aniquila todas as outras, longe de tenderem criana da pequena propriedade, com a sua permanncia e as suas vantagens, e diviso da riqueza, s do em ultimo resultado acumularem esta em poucas mos, e pela maior parte estrangeiro, acarretando a misria grande massa, daqueles que atrs dela abandonam seus lares, os seus pequenos estabelecimentos e talvez, suas famlias, para se entregarem a uma vida de encerteza e privao e na qual os ganhos de vspera evaporam-se no dia seguinte.Raymundo Garcia Costa - Carajs: A invaso desarmada. Ed. Vozes, 1984 (p. 33)

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