História do Brasil - Pré-Vestibular - 1964 - Ditadura Militar

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<p>Conflitos na Histria do Brasil Ditadura MilitarDitadura militar no Brasil (1964-1985)O Regime Militar de 1964 no Brasil se iniciou imediatamente aps o Golpe Militar de 1964. Para mostrar opinio pblica mundial que o incio do movimento era lcito, este foi definido como um movimento legalista, uma revoluo democrtica. Para tal, a explicao dada pelo general Olmpio Mouro Filho, era que o golpe seguiu os trmites legais. A afirmativa era que Jango estava abusando do poder e deveria ser substitudo de acordo com a Lei.</p> <p>Castello BrancoNo dia 11, o Congresso Nacional ratificou a indicao do comando militar, e elegeu o Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, chefe do Estado-Maior do Exrcito. Como vice-presidente foi eleito o deputado pelo PSD Jos Maria Alkmin, secretrio de finanas do governo de Minas Gerais, do governador Magalhes Pinto, que ajudou a articular o golpe. No dia 15 de abril, Castello Branco tomou posse. Em 17 de julho, sob a justificativa de que a reforma poltica e econmica planejada pelo governo militar poderia no ser concluda at 31 de janeiro de 1966, quando terminaria o mandato presidencial inaugurado em 1961, o Congresso aprovou a prorrogao do seu mandato at 15 de maro de 1967, adiando as eleies presidenciais para 3 de outubro de 1966. Essa mudana fez alguns polticos que apoiaram ao golpe passar a ser crticos do governo, a exemplo de Carlos Lacerda, que teve sua pr-candidatura homologada pela UDN ainda em 8 de novembro de 1964. As cassaes continuaram, superando 3.500 nomes em 1964, entre os quais o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que se exilou em Paris.</p> <p>O GolpeQuando Castelo Branco baixou o AI-2, o movimento militar passou a se constituir num regime militar, evoluindo para uma ditadura militar com a chegada da linha dura ao poder atravs do general Costa e Silva em 1967. Com o governo dominado por oficiais da linha dura, e as ruas dominadas pelas greves dos operrios e pelos movimentos estudantis, se iniciou a violncia de Estado de um lado e a a resposta dos manifestantes de outro. As liberdades individuais foram eliminadas, a Nao estava se tornando um verdadeiro caos. Desta forma, o regime iria fechando cada vez mais, chegando futuramente ao AI-5.</p> <p>Eleies de 1965A lei eleitoral de 15 de julho de 1965 proibia a reeleio, assim, Magalhes Pinto e Carlos Lacerda, no concorreram, ficando apenas apoiando seus candidatos da UDN. No entanto, em Minas Gerais venceu Israel Pinheiro, do PSD e no Rio de Janeiro, Francisco Negro de Lima, do PTB, o que foi visto como alarmante pelos setores "linha dura" do governo militar que se mobilizaram em alterar mais uma vez a constituio para garantir a vitria dos polticos de situao. No dia 6 de outubro, o Presidente da Repblica encaminhou ao Congresso Nacional medidas para endurecer o regime, atribuindo ao governo militar mais poderes, restringindo a liberdade de expresso e ao dos cassados, controlar o Supremo Tribunal Federal, acabar com o foro especial para os que exerceram mandato executivo e estabelecendo eleies indiretas para Presidente da Repblica. No dia 8 de outubro, Lacerda, na televiso, chama Castelo Branco de traidor da revoluo, rompe com o governo e renuncia sua candidatura.</p> <p>1968 - Reaes ao regimeEm julho ocorreu a primeira greve do governo militar, em Osasco. A linha dura, representada entre outros por Aurlio de Lira Tavares, ministro do exrcito e Emlio Garrastazu Mdici, chefe do SNI comeou a exigir medidas mais repressivas e combate s idias consideradas subversivas. A represso se intensificou e em 30 de agosto a Universidade Federal de Minas foi fechada e a Universidade de Braslia invadida pela polcia. Em 2 de setembro, o deputado Mrcio Moreira Alves, do MDB, pronunciou discurso na Cmara convocando o povo a um boicote ao militarismo e a no participar dos festejos de Independncia do Brasil em 7 de setembro como forma de protesto. O discurso foi considerado como ofensivo pelos militares e o governo encaminhou ao congresso pedido para processar deputado Mrcio Moreira Alves, o que foi rejeitado na Cmara por 75 votos.</p> <p>O AI-5 e o fechamento do regime militarPara enfrentar a crise Costa e Silva editou, em 13 de dezembro de 1968, o AI-5 que permitia ao governo decretar o recesso legislativo e intervir nos estados sem as limitaes da constituio, a cassar mandatos eletivos, decretar confisco dos bens "de todos quantos tenham enriquecido ilicitamente" e suspender por 10 anos os direitos polticos de qualquer cidado. Ou seja, apertou ainda mais o regime. O AC 38 decretou o recesso do Congresso por tempo indeterminado. Foram presos jornalistas e polticos que haviam se manifestado contra o regime, entre eles o expresidente Juscelino Kubitschek, e ex-governador Carlos Lacerda, alm de deputados estaduais e federais do MDB e mesmo da ARENA. Lacerda foi preso e conduzido ao Regimento Marechal Caetano de Farias, da Polcia Militar do Estado da Guanabara, sendo libertado por estar com a sade debilitada, aps uma semana fazendo greve de fome. No dia 30 de dezembro de 1968 foi divulgada uma lista de polticos cassados: 11 deputados federais, entre os quais Mrcio Moreira Alves. Carlos Lacerda teve os direitos polticos suspensos. No dia seguinte, o presidente Costa e Silva falou em rede de rdio e tv, afirmando que o AI-5 havia sido no a melhor, mas a nica soluo e que havia salvo a democracia e estabelecido a volta s origens do regime. No incio de 1969 Lacerda viajou para a Europa e, em maio, seguiu para a frica como enviado especial de O Estado de So Paulo e do Jornal da Tarde. Em 16 de janeiro de 1969 foi divulgada nova lista de 43 cassados com 35 deputados, 2 senadores e 1 ministro do STF, Peri Constant Bevilacqua. O regime militar estava se tornando uma ditadura mais e mais violenta, a imprensa da poca (Folha de So Paulo) veladamente afirmava que o AI-5 foi o golpe dentro do golpe, expresso esta que acabou virando chavo entre a populao.</p> <p>A Emenda ConstitucionalNo dia 17 de outubro, foi promulgada pela junta militar a Emenda Constitucional n 1, incorporando dispositivos do AI-5 constituio, estabelecendo o que ficou conhecido como Constituio de 1969. Em 25 de outubro, Mdici e Rademaker foram eleitos pelo Congresso por 293 votos, havendo 76 abstenes, correspondentes bancada do MDB. O novo presidente tomou posse no dia 30 de novembro.</p> <p>Golpe Militar de 1964O Golpe Militar de 1964 designa o conjunto dos eventos de 31 de maro de 1964, ocorridos no Brasil, e que culminaram em um golpe de estado (atualmente, alguns historiadores afirmam ter sido um golpe civil-militar) que interrompeu o governo do presidente Joo Belchior Marques Goulart, tambm conhecido como Jango, que havia sido democraticamente eleito vice-presidente, pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) nas mesmas eleies que conduziram Jnio da Silva Quadros presidncia pela UDN (Unio Democrtica Nacional) Jnio renunciou o mandato no mesmo ano de sua posse (1961), Joo Goulart, que deveria assumir a presidncia, segundo a Constituio vigente poca, promulgada em 1946, estava em viagem diplomtica na Repblica Popular da China. Militantes de direita acusaram Jango, como era conhecido, de ser comunista e o impediram de assumir presidncia no regime presidencialista. feito um acordo poltico e o Parlamento</p> <p>brasileiro cria o regime parlamentarista, sendo Joo Goulart chefe de Estado. Em 1963 em plebiscito o povo brasileiro votou pela volta do regime presidencialista, e Joo Goulart finalmente assume a presidncia da repblica com amplos poderes. O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a uma ditadura militar que durou at 1985, quando, indiretamente, foi eleito o primeiro presidente civil desde o golpe de 1964, Tancredo Neves. Alguns, entretanto, consideram-no um movimento poltico de duplo escopo, surgido do temor do expansionismo comunista (Chamado perigo vermelho) e do desejo de desenvolvimento nacional, que administrou o pas atravs de uma ditadura e que, por um lado, teria impedido a implantao de um regime totalitrio de esquerda e, por outro, seria responsvel pelo Brasil ter se tornado uma das maiores economias do mundo, embora, aos custos da contrao de uma grande dvida externa. Os patrocinadores do movimento que resultou na implantao da ditadura militar a partir de 1964 no Brasil afirmavam que o processo seria uma revoluo. Tal viso derivada do fato de que existiam alguns indcios de uma conspirao para transformar o Brasil numa ditadura socialista similar a Cuba. Portanto, alguns segmentos ainda adotam a denominao de revoluo, ou contragolpe, em referncia ao movimento que resultou na tomada de poder em 1964. Parte desta mesma viso a referncia ao Golpe Militar de 1964 como Revoluo Redentora que teria sido um movimento poltico desenvolvimentista patrocinado pela classe mdia e pelo alto oficialato das foras armadas brasileiras. O ideal revolucionrio, segundo alguns, precederia o Golpe Militar de 1964 e atravs deste teria se tornado uma ao concreta. Seria essencialmente um projeto econmico-social derivado da campanha brasileira na Segunda Guerra Mundial. Afirmam ainda que a chamada "Revoluo" seria a responsvel por elevar o Brasil condio de grande economia, promovendo o chamado Milagre Brasileiro.</p> <p>O golpe e o regime que se seguiuO golpe de Estado precedeu o Regime Militar de 1964 a cujas inegveis realizaes contrape-se a violenta represso poltica dos anos dcada de 1960 e dcada de 1970, quando, sob a gide da Lei de Segurana Nacional, tornaram-se comuns as prises e a tortura de opositores polticos do regime. Para alm das prises, cerca de 300 dissidentes perderam a vida, a maior parte em combate contra as Foras Armadas. A noo de que se trataria de uma revoluo perde muito terreno na sociedade brasileira desde meados dos anos 70, com a abertura democrtica ento iniciada. Atualmente tal posio se sustenta em parcelas restritas tanto da sociedade brasileira quanto dos meios histricos, sendo quase impossvel encontrar algum defensor de tal idia que no tenha alguma ligao importante com o meio militar ou com a extrema direita.</p> <p>O meio militarNo meio militar somente parcelas restritas ainda defendem a idia de revoluo, pois, com a profissionalizao das Foras Armadas, sabido que estas no devem influir politicamente na vontade da Nao, tampouco deixar que terceiros se utilizem da fora para faz-lo, garantindo, desse modo, o rumo ideolgico escolhido democraticamente pela maioria dos eleitores. Tambm foi reveladora a afirmao do general Ernesto Geisel, (Quarto presidente do regime militar), em 1981 para o jornalista Elio Gaspari: "O que houve em 1964 no foi uma revoluo. As revolues fazem-se por uma idia, em favor de uma doutrina. Ns simplesmente fizemos um movimento para derrubar Joo Goulart. Foi um movimento contra, e no por alguma coisa. Era contra a subverso, contra a corrupo. Em primeiro lugar, nem a subverso nem a corrupo acabam. Voc pode reprimi-las, mas no as destruir. Era algo destinado a corrigir, no a construir algo novo, e isso no revoluo". A idia do golpe militar surgiu na cidade de Juiz de Fora, de onde saram caminhes e tanques em direao ao Rio de Janeiro, onde o presidente se encontrava quando recebeu um manifesto do</p> <p>general Mouro Filho, exigindo sua renncia. Jango voou para Braslia, sem perceber que a situao estava fora de controle: o chefe da Casa Militar, general Assis Brasil no conseguiu colocar em prtica o plano que teria a funo de impedir o golpe; os partidos de sustentao do governo apenas esperavam a evoluo dos acontecimentos. Jango deixou a capital da Repblica, seguindo para Porto Alegre, onde se refugiou numa estncia de sua propriedade. Joo Goulart permaneceu no Brasil at o dia 2 de abril. Num claro e flagrante desrespeito Constituio, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, deliberou que a Presidncia da Repblica estava vaga e deu posse ao Presidente da Cmara dos Deputados, Ranieri Mazzili. Este ato de fora recebeu protestos de alguns polticos defensores do governo constitucional, especialmente deputados e senadores do Partido Trabalhista Brasileiro, o partido de Jango. Goulart partiu para o exlio no Uruguai, morrendo na Argentina, em 1976. O pas foi surpreendido por cenas de fora e violncia: soldados fortemente armados, tanques, caminhes e jipes de guerra ocuparam as ruas das principais cidades brasileiras. As sedes dos partidos polticos, dos sindicatos e associaes que apoiavam as reformas de base foram tomadas pelos soldados. A sede da Unio Nacional dos Estudantes (UNE), localizada no Rio de Janeiro, foi incendiada.</p> <p>Situao internacionalA Guerra Fria estava espalhando o temor pelo rpido avano do chamado, pela extrema direita, perigo vermelho. As esquerdas espelhavam-se nos regimes socialistas implantados em Cuba e na China. O temor ao comunismo influenciou a ecloso de uma srie de golpes militares na Amrica Latina, com o suposto aval de sucessivos governos dos Estados Unidos da Amrica.</p> <p>Situao nacionalNo Brasil, o golpe de 1964, e a conseqente tomada do poder pelos militares, contou com o apoio de grande parte da classe mdia brasileira, que temerosa das medidas reformistas do presidente Joo Goulart, acreditava que haveria um golpe comunista. O golpe no foi algo repentino, ele foi amadurecendo aos poucos. O motivo alegado era o comunismo. O contexto porm era bem mais complexo; a estatizao promovida por Jango, as vises conflitantes entre a poltica e a economia, de ambas correntes de pensamento, direita e esquerda vinham se contrapondo desde o incio do sculo XX. O golpe militar de 1964 comeou a ocorrer 10 anos antes, em 1954. Um movimento poltico-militar conservador descontente com os direitos garantidos aos trabalhadores por Getlio Vargas, aliados aos Estados Unidos da Amrica, descontentes com o desenvolvimento de grandes indstrias nacionais como a Petrobrs tentou derrubar o ento presidente Getlio Vargas, que abafou o golpe terminando com sua prpria vida num suicdio. A repercusso da carta-testamento de Getlio Vargas conteve quaisquer movimentaes e desestabilizou profundamente a estrutura poltica do Brasil. Passados o impacto e a comoo social que se seguiram ao suicdio, em 1955 opositores de Vargas tentaram impedir as eleies sabendo de sua provvel derrota. Houve assim uma tentativa de golpe, impedida pela ao do marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, que garantiu a eleio e a posterior posse de Juscelino Kubitschek.</p> <p>Jnio e a tentativa de um auto-golpeEm 1961, quando Jnio Quadros renunciou, assumiu a presidncia o ento vice-presidente Joo Goulart (houve suposies de um auto-golpe fracassado). Goulart era visto como sucessor poltico de Getlio Vargas e era, tambm, cunhado do governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, que defendia a realizao de reformas de base no Brasil, incluindo a reforma agrria, e a reforma urbana entre outras.</p> <p>As reformas de base desagradavam os setores conservadores e dirigentes de multinacionais, que vendo seus negcios em risco no Brasil financiaram em 1961 a criao do IPES. Este mesmo grupo provavelmente j havia tentado um golpe em 1954, e atravs de seu poderio poltico financei...</p>