História do Brasil - Pré-Vestibular - 1964 - Ditadura Militar

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Conflitos na Histria do Brasil Ditadura MilitarDitadura militar no Brasil (1964-1985)O Regime Militar de 1964 no Brasil se iniciou imediatamente aps o Golpe Militar de 1964. Para mostrar opinio pblica mundial que o incio do movimento era lcito, este foi definido como um movimento legalista, uma revoluo democrtica. Para tal, a explicao dada pelo general Olmpio Mouro Filho, era que o golpe seguiu os trmites legais. A afirmativa era que Jango estava abusando do poder e deveria ser substitudo de acordo com a Lei.Castello BrancoNo dia 11, o Congresso Nacional ratificou a indicao do comando militar, e elegeu o Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, chefe do Estado-Maior do Exrcito. Como vice-presidente foi eleito o deputado pelo PSD Jos Maria Alkmin, secretrio de finanas do governo de Minas Gerais, do governador Magalhes Pinto, que ajudou a articular o golpe. No dia 15 de abril, Castello Branco tomou posse. Em 17 de julho, sob a justificativa de que a reforma poltica e econmica planejada pelo governo militar poderia no ser concluda at 31 de janeiro de 1966, quando terminaria o mandato presidencial inaugurado em 1961, o Congresso aprovou a prorrogao do seu mandato at 15 de maro de 1967, adiando as eleies presidenciais para 3 de outubro de 1966. Essa mudana fez alguns polticos que apoiaram ao golpe passar a ser crticos do governo, a exemplo de Carlos Lacerda, que teve sua pr-candidatura homologada pela UDN ainda em 8 de novembro de 1964. As cassaes continuaram, superando 3.500 nomes em 1964, entre os quais o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que se exilou em Paris.O GolpeQuando Castelo Branco baixou o AI-2, o movimento militar passou a se constituir num regime militar, evoluindo para uma ditadura militar com a chegada da linha dura ao poder atravs do general Costa e Silva em 1967. Com o governo dominado por oficiais da linha dura, e as ruas dominadas pelas greves dos operrios e pelos movimentos estudantis, se iniciou a violncia de Estado de um lado e a a resposta dos manifestantes de outro. As liberdades individuais foram eliminadas, a Nao estava se tornando um verdadeiro caos. Desta forma, o regime iria fechando cada vez mais, chegando futuramente ao AI-5.Eleies de 1965A lei eleitoral de 15 de julho de 1965 proibia a reeleio, assim, Magalhes Pinto e Carlos Lacerda, no concorreram, ficando apenas apoiando seus candidatos da UDN. No entanto, em Minas Gerais venceu Israel Pinheiro, do PSD e no Rio de Janeiro, Francisco Negro de Lima, do PTB, o que foi visto como alarmante pelos setores "linha dura" do governo militar que se mobilizaram em alterar mais uma vez a constituio para garantir a vitria dos polticos de situao. No dia 6 de outubro, o Presidente da Repblica encaminhou ao Congresso Nacional medidas para endurecer o regime, atribuindo ao governo militar mais poderes, restringindo a liberdade de expresso e ao dos cassados, controlar o Supremo Tribunal Federal, acabar com o foro especial para os que exerceram mandato executivo e estabelecendo eleies indiretas para Presidente da Repblica. No dia 8 de outubro, Lacerda, na televiso, chama Castelo Branco de traidor da revoluo, rompe com o governo e renuncia sua candidatura.1968 - Reaes ao regimeEm julho ocorreu a primeira greve do governo militar, em Osasco. A linha dura, representada entre outros por Aurlio de Lira Tavares, ministro do exrcito e Emlio Garrastazu Mdici, chefe do SNI comeou a exigir medidas mais repressivas e combate s idias consideradas subversivas. A represso se intensificou e em 30 de agosto a Universidade Federal de Minas foi fechada e a Universidade de Braslia invadida pela polcia. Em 2 de setembro, o deputado Mrcio Moreira Alves, do MDB, pronunciou discurso na Cmara convocando o povo a um boicote ao militarismo e a no participar dos festejos de Independncia do Brasil em 7 de setembro como forma de protesto. O discurso foi considerado como ofensivo pelos militares e o governo encaminhou ao congresso pedido para processar deputado Mrcio Moreira Alves, o que foi rejeitado na Cmara por 75 votos.O AI-5 e o fechamento do regime militarPara enfrentar a crise Costa e Silva editou, em 13 de dezembro de 1968, o AI-5 que permitia ao governo decretar o recesso legislativo e intervir nos estados sem as limitaes da constituio, a cassar mandatos eletivos, decretar confisco dos bens "de todos quantos tenham enriquecido ilicitamente" e suspender por 10 anos os direitos polticos de qualquer cidado. Ou seja, apertou ainda mais o regime. O AC 38 decretou o recesso do Congresso por tempo indeterminado. Foram presos jornalistas e polticos que haviam se manifestado contra o regime, entre eles o expresidente Juscelino Kubitschek, e ex-governador Carlos Lacerda, alm de deputados estaduais e federais do MDB e mesmo da ARENA. Lacerda foi preso e conduzido ao Regimento Marechal Caetano de Farias, da Polcia Militar do Estado da Guanabara, sendo libertado por estar com a sade debilitada, aps uma semana fazendo greve de fome. No dia 30 de dezembro de 1968 foi divulgada uma lista de polticos cassados: 11 deputados federais, entre os quais Mrcio Moreira Alves. Carlos Lacerda teve os direitos polticos suspensos. No dia seguinte, o presidente Costa e Silva falou em rede de rdio e tv, afirmando que o AI-5 havia sido no a melhor, mas a nica soluo e que havia salvo a democracia e estabelecido a volta s origens do regime. No incio de 1969 Lacerda viajou para a Europa e, em maio, seguiu para a frica como enviado especial de O Estado de So Paulo e do Jornal da Tarde. Em 16 de janeiro de 1969 foi divulgada nova lista de 43 cassados com 35 deputados, 2 senadores e 1 ministro do STF, Peri Constant Bevilacqua. O regime militar estava se tornando uma ditadura mais e mais violenta, a imprensa da poca (Folha de So Paulo) veladamente afirmava que o AI-5 foi o golpe dentro do golpe, expresso esta que acabou virando chavo entre a populao.A Emenda ConstitucionalNo dia 17 de outubro, foi promulgada pela junta militar a Emenda Constitucional n 1, incorporando dispositivos do AI-5 constituio, estabelecendo o que ficou conhecido como Constituio de 1969. Em 25 de outubro, Mdici e Rademaker foram eleitos pelo Congresso por 293 votos, havendo 76 abstenes, correspondentes bancada do MDB. O novo presidente tomou posse no dia 30 de novembro.Golpe Militar de 1964O Golpe Militar de 1964 designa o conjunto dos eventos de 31 de maro de 1964, ocorridos no Brasil, e que culminaram em um golpe de estado (atualmente, alguns historiadores afirmam ter sido um golpe civil-militar) que interrompeu o governo do presidente Joo Belchior Marques Goulart, tambm conhecido como Jango, que havia sido democraticamente eleito vice-presidente, pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) nas mesmas eleies que conduziram Jnio da Silva Quadros presidncia pela UDN (Unio Democrtica Nacional) Jnio renunciou o mandato no mesmo ano de sua posse (1961), Joo Goulart, que deveria assumir a presidncia, segundo a Constituio vigente poca, promulgada em 1946, estava em viagem diplomtica na Repblica Popular da China. Militantes de direita acusaram Jango, como era conhecido, de ser comunista e o impediram de assumir presidncia no regime presidencialista. feito um acordo poltico e o Parlamentobrasileiro cria o regime parlamentarista, sendo Joo Goulart chefe de Estado. Em 1963 em plebiscito o povo brasileiro votou pela volta do regime presidencialista, e Joo Goulart finalmente assume a presidncia da repblica com amplos poderes. O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a uma ditadura militar que durou at 1985, quando, indiretamente, foi eleito o primeiro presidente civil desde o golpe de 1964, Tancredo Neves. Alguns, entretanto, consideram-no um movimento poltico de duplo escopo, surgido do temor do expansionismo comunista (Chamado perigo vermelho) e do desejo de desenvolvimento nacional, que administrou o pas atravs de uma ditadura e que, por um lado, teria impedido a implantao de um regime totalitrio de esquerda e, por outro, seria responsvel pelo Brasil ter se tornado uma das maiores economias do mundo, embora, aos custos da contrao de uma grande dvida externa. Os patrocinadores do movimento que resultou na implantao da ditadura militar a partir de 1964 no Brasil afirmavam que o processo seria uma revoluo. Tal viso derivada do fato de que existiam alguns indcios de uma conspirao para transformar o Brasil numa ditadura socialista similar a Cuba. Portanto, alguns segmentos ainda adotam a denominao de revoluo, ou contragolpe, em referncia ao movimento que resultou na tomada de poder em 1964. Parte desta mesma viso a referncia ao Golpe Militar de 1964 como Revoluo Redentora que teria sido um movimento poltico desenvolvimentista patrocinado pela classe mdia e pelo alto oficialato das foras armadas brasileiras. O ideal revolucionrio, segundo alguns, precederia o Golpe Militar de 1964 e atravs deste teria se tornado uma ao concreta. Seria essencialmente um projeto econmico-social derivado da campanha brasileira na Segunda Guerra Mundial. Afirmam ainda que a chamada "Revoluo" seria a responsvel por elevar o Brasil condio de grande economia, promovendo o chamado Milagre Brasileiro.O golpe e o regime que se seguiuO golpe de Estado precedeu o Regime Militar de 1964 a cujas inegveis realizaes contrape-se a violenta represso poltica dos anos dcada de 1960 e dcada de 1970, quando, sob a gide da Lei de Segurana Nacional, tornaram-se comuns as prises e a tortura de opositores polticos do regime. Para alm das prises, cerca de 300 dissidentes perderam a vida, a maior parte em combate contra as Foras Armadas. A noo de que se trataria de uma revoluo perde muito terreno na sociedade brasileira desde meados dos anos 70, com a abertura democrtica ento iniciada. Atualmente tal posio se sustenta em parcelas restritas tanto da sociedade brasileira quanto dos meios histricos, sendo quase impossvel encontrar algum defensor de tal idia que no tenha alguma ligao importante com o meio militar ou com a extrema direita.O meio militarNo meio militar somente parcelas restritas ainda defendem a idia de revoluo, pois, com a profissionalizao das Foras Armadas, sabido que estas no devem influir politicamente na vontade da Nao, tampouco deixar que terceiros se utilizem da fora para faz-lo, garantindo, desse modo, o rumo ideolgico escolhido democraticamente pela maioria dos eleitores. Tambm foi reveladora a afirmao do general Ernesto Geisel, (Quarto presidente do regime militar), em 1981 para o jornalista Elio Gaspari: "O que houve em 1964 no foi uma revoluo. As revolues fazem-se por uma idia, em favor de uma doutrina. Ns simplesmente fizemos um movimento para derrubar Joo Goulart. Foi um movimento contra, e no por alguma coisa. Era contra a subverso, contra a corrupo. Em primeiro lugar, nem a subverso nem a corrupo acabam. Voc pode reprimi-las, mas no as destruir. Era algo destinado a corrigir, no a construir algo novo, e isso no revoluo". A idia do golpe militar surgiu na cidade de Juiz de Fora, de onde saram caminhes e tanques em direao ao Rio de Janeiro, onde o presidente se encontrava quando recebeu um manifesto dogeneral Mouro Filho, exigindo sua renncia. Jango voou para Braslia, sem perceber que a situao estava fora de controle: o chefe da Casa Militar, general Assis Brasil no conseguiu colocar em prtica o plano que teria a funo de impedir o golpe; os partidos de sustentao do governo apenas esperavam a evoluo dos acontecimentos. Jango deixou a capital da Repblica, seguindo para Porto Alegre, onde se refugiou numa estncia de sua propriedade. Joo Goulart permaneceu no Brasil at o dia 2 de abril. Num claro e flagrante desrespeito Constituio, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, deliberou que a Presidncia da Repblica estava vaga e deu posse ao Presidente da Cmara dos Deputados, Ranieri Mazzili. Este ato de fora recebeu protestos de alguns polticos defensores do governo constitucional, especialmente deputados e senadores do Partido Trabalhista Brasileiro, o partido de Jango. Goulart partiu para o exlio no Uruguai, morrendo na Argentina, em 1976. O pas foi surpreendido por cenas de fora e violncia: soldados fortemente armados, tanques, caminhes e jipes de guerra ocuparam as ruas das principais cidades brasileiras. As sedes dos partidos polticos, dos sindicatos e associaes que apoiavam as reformas de base foram tomadas pelos soldados. A sede da Unio Nacional dos Estudantes (UNE), localizada no Rio de Janeiro, foi incendiada.Situao internacionalA Guerra Fria estava espalhando o temor pelo rpido avano do chamado, pela extrema direita, perigo vermelho. As esquerdas espelhavam-se nos regimes socialistas implantados em Cuba e na China. O temor ao comunismo influenciou a ecloso de uma srie de golpes militares na Amrica Latina, com o suposto aval de sucessivos governos dos Estados Unidos da Amrica.Situao nacionalNo Brasil, o golpe de 1964, e a conseqente tomada do poder pelos militares, contou com o apoio de grande parte da classe mdia brasileira, que temerosa das medidas reformistas do presidente Joo Goulart, acreditava que haveria um golpe comunista. O golpe no foi algo repentino, ele foi amadurecendo aos poucos. O motivo alegado era o comunismo. O contexto porm era bem mais complexo; a estatizao promovida por Jango, as vises conflitantes entre a poltica e a economia, de ambas correntes de pensamento, direita e esquerda vinham se contrapondo desde o incio do sculo XX. O golpe militar de 1964 comeou a ocorrer 10 anos antes, em 1954. Um movimento poltico-militar conservador descontente com os direitos garantidos aos trabalhadores por Getlio Vargas, aliados aos Estados Unidos da Amrica, descontentes com o desenvolvimento de grandes indstrias nacionais como a Petrobrs tentou derrubar o ento presidente Getlio Vargas, que abafou o golpe terminando com sua prpria vida num suicdio. A repercusso da carta-testamento de Getlio Vargas conteve quaisquer movimentaes e desestabilizou profundamente a estrutura poltica do Brasil. Passados o impacto e a comoo social que se seguiram ao suicdio, em 1955 opositores de Vargas tentaram impedir as eleies sabendo de sua provvel derrota. Houve assim uma tentativa de golpe, impedida pela ao do marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, que garantiu a eleio e a posterior posse de Juscelino Kubitschek.Jnio e a tentativa de um auto-golpeEm 1961, quando Jnio Quadros renunciou, assumiu a presidncia o ento vice-presidente Joo Goulart (houve suposies de um auto-golpe fracassado). Goulart era visto como sucessor poltico de Getlio Vargas e era, tambm, cunhado do governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, que defendia a realizao de reformas de base no Brasil, incluindo a reforma agrria, e a reforma urbana entre outras.As reformas de base desagradavam os setores conservadores e dirigentes de multinacionais, que vendo seus negcios em risco no Brasil financiaram em 1961 a criao do IPES. Este mesmo grupo provavelmente j havia tentado um golpe em 1954, e atravs de seu poderio poltico financeiro e de lobby no Congresso Nacional acabaram por se movimentar no sentido de impedir a posse de Jango. Por influncia de grupos mais moderados, houve um acordo poltico estabelecendo o regime parlamentarista, o que significaria que Goulart seria chefe de estado, mas no chefe de governo desta forma no teria poderes para governar.O Governo JangoJango chegou ao poder atravs de uma eleio que levou de Jnio Quadros presidncia pela UDN e o prprio Joo Goulart vice-presidncia pelo PTB. Ou seja presidente e vice-presidente eram inimigos polticos. Esta situao foi possvel devido a uma legislao eleitoral que permitia que se votasse no presidente de uma chapa e no vice-presidente de outra. Devido s foras polticas atuantes no pas, em 1962 foi convocado um plebiscito para escolher qual a forma de governo o Brasil adotaria: ou retornava ao presidencialismo ou permanecia no parlamentarismo, houve assim um ganho de tempo para a preparao de dispositivos que levariam a um golpe de estado. O povo optou maciamente pelo presidencialismo com 9,5 milhes de votos contra 2 milhes dados ao parlamentarismo. Goulart comeou a governar tentando conciliar os interesses do seu governo com os interesses polticos dos mais conservadores e tambm dos polticos progressistas no Congresso Nacional. Devidos boicotes de ambas correntes, houve uma grande demora em implantar as reformas de base. Os setores mais esquerda, inclusive dentro do prprio PTB, se afastaram da base governista e iniciaram protestos reinvindicativos. Houve um aumento injustificado de preos dos mais diversos produtos e servios, sabidamente controlados pelos setores conservadores, desta maneira, a inflao acelerou e as medidas econmicas do governo foram duramente atacadas pelos grupos mais esquerda. Estes viam nas medidas apenas a continuao de uma poltica antiquada que eles mesmos combatiam. Iniciaram greves comandadas pela CGT, o que repercutia mal nos setores patronais. Assim, os setores mais esquerda e os mais direita se movimentaram e desestabilizaram a poltica e a economia. Em 4 outubro de 1963 Goulart solicita o estado de stio ao Congresso Nacional pelo prazo de 30 dias,a justificativa do Ministrio da Justia que o governo necessitaria de poderes especiais para impedir a comoo de "guerra civil" que impunha em perigo as instituies democraticas. A manobra foi repelida inclusive pela esquerda, a iniciativa foi vista por alguns como uma tentativa de golpe por parte de Jango. Houve tambm uma importante guinada em direo a reformas de base de inspirao socialista. Junta-se tenso poltica a presso do declnio econmico.A ingerncia norte-americana na poltica interna do BrasilAconteceram tambm as eleies estaduais. O presidente norte americano John Kennedy atravs do intervencionismo poltico no Brasil, ordenou o financiamento das campanhas. Segundo o exagente da CIA, Philip Agee, os fundos provenientes de fontes estrangeiras foram utilizados na campanha de oito candidatos aos governos dos 11 estados onde houve eleies . Houve tambm o apoio a 15 candidatos ao Senado, a 250 candidatos Cmara e a mais de quinhentos candidatos s Assemblias Legislativas. Foram feitas doaes atravs do IBAD. Como a bancada de esquerda aumentou, as doaes de campanha resultaram numa CPI, que apurou sua procedncia, atravs dos bancos Royal Bank of Canada, Bank of Boston e First National City Bank.As estatizaes e as fraudes financeirasAs recentes estatizaes feitas por Leonel Brizola nas companhias telefnica e de energia do Rio Grande do Sul, ambas pertencentes a grupos estadunidenses, criaram um clima tenso entre Brasil e Estados Unidos. Brizola denunciou um acordo de indenizao fraudulenta feito com as companhias estadunidenses, antigas proprietrias das estatais recm criadas do Rio Grande do Sul. O ministrio caiu e o acordo foi suspenso desagradando aos Estados Unidos.Os sargentos, os estudantes e os Grupos dos OnzeParalelamente havia o movimento dos sargentos ideologicamente ligados ao governador Brizola. Estes pleiteavam o direito de ser eleitos, j que suas posses haviam sido impedidas pelo Supremo Tribunal Federal. O movimento estudantil, de orientao esquerdista, realizava protestos nas ruas. O efeito da organizao de sargentos, e cabos, em grupos polticos, no pode ser subestimado em relao ao descontentamento dos militares com o governo de Jango, principalmente pela ligao destes com Brizola, que era cunhado do Presidente, pois subvertia a hierarquia militar, um dos preceitos mais importantes e talvez a prpria alma das Foras Armadas. Brizola criou o movimento chamado de Grupos dos Onze, que consistia na organizao popular em grupos de onze pessoas, para fiscalizar parlamentares e militares (j prevendo tentativas de golpes) e pressionar o governo e o congresso pelas reformas de base.A direita reageOs polticos do PSD, mais conservadores, temendo uma radicalizao esquerda deixam de apoiar o governo. A situao poltica de Goulart se torna insustentvel, pois no tinha apoio total do PTB e nem dos comunistas. No consegue governar de forma conciliatria. A UDN e o PSD temiam pelo crescimento do PTB, j que Leonel Brizola era o favorito para as eleies presidenciais que aconteceriam. Criou-se o medo de que Goulart levaria o pas a um golpe de estado com a implantao de um regime poltico nos moldes de Cuba e China. Era o "perigo comunista", que serviria depois como justificativa para os golpistas.Apoio logstico dos EUA aos golpistasOs Estados Unidos atravs dos militares brasileiros, com respaldo poltico e econmico das foras da UDN, lideradas por Carlos Lacerda, j estavam pondo sua mquina poltica e econmica para derrubar o presidente do Brasil. Lacerda havia pedido uma interveno estadunidense na poltica brasileira, conforme entrevista ao correspondente no Brasil do Los Angeles Times, Julien Hart. Sua atitude causou uma crise poltica com os ministros militares solicitando o estado de stio e a priso de Lacerda. O estado de stio foi recusado pelo congresso com a esquerda suspeitando que fosse uma armadilha dos militares para prender os lderes de esquerda como Brizola e Miguel Arraes. O movimento dos sargentos e a revolta dos marinheiros liderados por Cabo Anselmo em 1963 estavam levando o pas ao caos. Relatos posteriores tentavam legitimar o golpe militar que estaria se formando devida a "quebra de hierarquia". Suspeita-se que Anselmo era agente da CIA inflitrado no Brasil, conforme denncias do Partido Comunista Brasileiro. O governador mineiro, o banqueiro Magalhes Pinto, segundo Waldir Pires, tramava o golpe com Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos e o adido militar, coronel Vernon Walters. Sob a tcnica de domnio "dividir para governar", havia a possibilidade de Minas Gerais declarar independncia. Segundo relatos, se isto ocorresse seria prontamente reconhecido pelos Estados Unidos, o que poderia causar no Brasil uma Guerra civil com grandes vantagens para aquele pas.Havia tambm a possibilidade da esquerda dar o golpe, pois Jango no poderia concorrer a presidencia porque a Constituio de 1946 no permitia reeleio para cargos no Executivo e os militares do baixo escalo tambm no poderiam ocupar cargos eletivos.Comcio da Central do Brasil e a ecloso do golpeO comcio de Goulart e Brizola, na Central do Brasil, em 13 de maro de 1964, foi a chave para dar incio ao golpe. Ficou conhecido como Comcio da Central. Brizola e Goulart anunciavam as reformas de base, incluindo um plebiscito pela convocao de nova constituinte, a reforma agrria (com a desapropriao de terras ociosas s margens das rodovias e audes federais), e a nacionalizao das refinarias particulares de petrleo. Os polticos da UDN e do PSD sabiam que Brizola era favorito para as eleies presidenciais e que o povo apoiaria em massa ao seu projeto, logo, a aliana UDN-Militares golpistas-Estados Unidos iniciam sua mobilizao definitiva em direo ao golpe. Desde 1961 o IPES estava manipulando a classe mdia para a tomada do poder em definitivo pelas foras, que desde 1954 tentavam assum-lo. Sendo o Brasil de maioria catlica, a sociedade crist foi mobilizada para a Marcha da Famlia com Deus Pela Liberdade.O uso da religioNa marcha participaram quinhentas mil pessoas no dia 19 de Maro de 1964. Os manifestantes foram da praa da Repblica e seguiram em dirao praa da S, l foi rezada uma missa para "salvao da Democracia". O padre capelo do Exrcito estadunidense Patrick Peyton rezou a missa. A marcha teve seu amplo sucesso garantido por Adhemar de Barros e Carlos Lacerda. A finalidade desta era mobilizar a maior quantidade possvel de participantes para dar respaldo popular e facilitar aos militares a organizao da derrubada de Goulart com o apoio dos polticos e da sociedade organizada. A movimentao popular foi financiada pelo IPES que por sua vez, era financiado por 300 empresas estadunidenses, e por grandes grupos nacionais. Estes no dia de sua realizao, fecharam suas empresas em horrio comercial e financiaram o transporte de seus empregados e suas famlias para a manifestao.Arquivos histricos a operao Brother Sam e a Operao PopeyeComo os arquivos do governo de Lyndon Johnson comprovariam, vinte anos mais tarde, foi feita uma operao militar chamada Operao Brother Sam para atuar no Brasil em apoio Operao Popeye dos militares golpistas. Somente no ano de 1962, quase cinco mil cidados estadunidenses entraram no Brasil, nmero muito superior mdia histrica conforme estudo de Jorge Ferreira em Rev. Bras. Hist. vol.24 no.47, So Paulo 2004, "A estratgia do confronto: a frente de mobilizao popular". Ainda: (sic) "...o deputado Jos Joffily, do partido Social-Democrtico (PSD), denunciou a "penetration" e, no princpio de 1963, o jornalista Jos Frejat, atravs de "O Semanrio", revelou que mais de 5.000 militares norte-americanos, "fantasiados de civis", desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e desagregao do Brasil, para dividir o territrio nacional..." Darcy Ribeiro citou ainda que "foi desencadeado com forte contingente armado, postado no Porto de Vitria, com instrues de marchar sobre Belo Horizonte.". A "Brother Sam" objetivava abastecer com combustvel e armas os militares golpistas. O portaavies americano USS Forrestal (CVA-59) e destrieres foram enviados costa brasileira e ficaram prximos do porto de Vitria (ES).Correntes de pensamento da pocaJango por sua natureza populista seguindo a tradio de Getlio Vargas pretendia as reformas de base para o desenvolvimento do Brasil. Os militares por sua natureza belicista impunham a segurana e o desenvolvimento conforme doutrina da Escola Superior de Guerra, cuja orientao filosfica seguia a poltica do National War College desde o final da Segunda Guerra Mundial, e incio da Guerra Fria.Destino ManifestoO Brasil estava e est includo pelos Estados Unidos na doutrina do Destino Manifesto onde a mxima : "A expanso dos Estados Unidos sobre o continente americano, desde o rtico at a Amrica do Sul, o destino de nossa raa (...) e nada pode det-la". E ainda complementada pela afirmao: "A Amrica para os americanos".Influncia estrangeiraSeguindo a doutrina do destino manifesto, a influncia das escolas de Guerra dos Estados Unidos na formao dos militares brasileiros ps guerra notria. Portanto, a direo ideolgica seguida a direita. Na poca no seria tolerada uma repblica sindicalista, de esquerda, cuja orientao filosfica vinha da Unio Sovitica e China.Capitalismo e SocialismoNo confronto entre os dois modelos de desenvolvimento, um representado pela esquerda e o outro pela direita, venceu a "modernizao conservadora" apoiada pelas Foras Armadas financiadas pelo capital e poderio militar dos Estados Unidos.Preparao do golpeNo dia 28 de maro de 1964, na cidade de Juiz de Fora, os generais Olmpio Mouro Filho e Odlio Denys se reuniram com o Governador de Minas Gerais o banqueiro Magalhes Pinto. Pinto foi um dos principais financiadores do IPES juntamente com mais de trezentas empresas estadunidenses alm das grandes oligarquias do Brasil unidas aos grandes latifundirios. A finalidade da reunio era o estabelecimento de uma data para o incio da mobilizao que culminaria com o golpe militar de 1964.As datasA data estabelecida para o incio das operaes militares para o golpe foi o dia 4 de abril de 1964. Conforme descrito pelos jornais O Estado de So Paulo e Folha de So Paulo, o general Carlos Guedes, da Infantaria, afirmou que no poderia ser dado o golpe na data planejada, pois, nada que se faz em lua de quarto minguante d certo. Consta que os golpistas haviam combinado em postergar a mobilizao para depois do dia 8 de abril de 1964. Em 31 de maro de 1964 intempestivamente o general Olmpio Mouro resolveu partir com suas tropas para o Rio de Janeiro s trs horas da manh. Este ato, segundo os jornais, foi considerado impulsivo pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco. Castello Branco, ao saber da partida de Olmpio Mouro, telefonou para Magalhes Pinto com o intuito de segurar o levante. Consta que o Marechal considerava o movimento prematuro e intempestivo. Pinto argumentou que uma vez iniciado o desenlace, seria um erro parar, pois alertaria as foras legalistas podendo agravar a situao. Anos mais tarde o Deputado Armando Falco perguntou ao general Olmpio Mouro o porqu da atitude precipitada. A resposta do militar divulgada pela imprensa foi: Em matria de poltica sou uma vaca fardada..A precipitaoSegundo analistas a precipitao foi um ato temerrio de falta de viso estratgica. Este fato foi largamente discutido por historiadores e pela imprensa no sentido de que se houvesse reao poderia ter causado uma guerra civil no Brasil. Para tal bastaria que Goulart tivesse uma parcela de apoio de outros segmentos das Foras Armadas leais Constituio Brasileira, entre elas o General Armando de Moraes ncora.A ImprensaA imprensa colaborou com o golpe embora aps o fim do regime militar tenha clamado para si os mritos de defensora da democracia. Antes da ditadura jornais como O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manh e Dirio de Notcias pregaram abertamente a deposio do presidente. Somente o jornal ltima Hora se ops ao golpe. Segundo o jornalista Fernando Molica: "...a grande maioria dos jornais era favorvel derrubada do governo Joo Goulart e festejou o golpe...". Segundo Mino Carta, (sic) "...a Folha de So Paulo no s nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14, carro tipo perua veraneio, usado para transportar o jornal, para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban, Operao Bandeirante."A seqncia do golpeEm seguida marcha seguida por Olmpio Mouro Filho, o general ncora havia recebido ordem de Joo Goulart para prender Castello Branco, porm no a cumpriu. Comandando o Destacamento Sampaio para interceptar o Destacamento Tiradentes comandado pelo general Murici, o general ncora, embora com tropa muito mais poderosa e armada, segundo suas palavras "no quis derramamento de sangue brasileiro atirando contra a juventude do pas". Se as foras se enfrentassem no Vale do Paraba, onde se encontraram, com certeza se iniciaria uma guerra civil, e, segundo os cronistas da imprensa, era tudo que os militares no queriam.A unio das tropasAo se encontrarem, ao invs de haver enfrentamento as tropas uniram-se e marcharam em direo ao Rio de Janeiro. s dezessete horas do dia 31 de Maro de 1964, fez-se o golpe. O Segundo Exrcito era comandado pelo general Amauri Kruel, este em contato telefnico com o presidente, recebeu um pedido de apoio para pr fim ao avano. Kruel imps a condio do fechamento da CGT para apoiar Jango, no que teve a negativa do Governante; portanto, suas tropas se dirigiram para o Rio de Janeiro pela Via Dutra, onde foram interceptados pelo general Emlio Garrastazu Mdici que estava com os cadetes das Agulhas Negras sua frente.A reunio dos generaisNo dia 1 de abril de 1964 ("dia da mentira" segundo a tradio brasileira), houve uma reunio entre ncora e Kruel que, convencidos por Mdici, uniram-se de fato aos demais militares. Durante as negociaes foi decidida a unio das tropas.A priso de Miguel Arraes e Joo DriaEnquanto isto, no Nordeste, Miguel Arraes, governador de Pernambuco e Joo Dria, governador de Sergipe, eram presos como traidores da Nao.Jango se refugia no Rio Grande do SulO Quarto Exrcito comandado pelo General Justino Bastos dominava estrategicamente toda a situao, Joo Goulart havia voado para Braslia para procurar apoio do Congresso. Na Guanabara Carlos Lacerda havia posto a polcia caa de colaboradores de Gourlart bloqueando ruas e acessos com caminhes de lixo. As tropas da polcia de Lacerda chegaram a cercar o palcio Guanabara numa tentativa de prender ao Presidente da Repblica. Enquanto era perseguido pelos golpistas Goulart se reuniu com o general Nicolau Fico, comandante militar de Braslia e o general Assis Brasil, chefe da Casa Militar. Preparou um comunicado nao, informando que estaria indo para o Rio Grande do Sul para se unir s foras do III Exrcito, sob o comando do general Ladrio Teles, informando sobre o golpe e conclamando a populao a lutar pela legalidade. Darcy Ribeiro e Waldir Pires falaram populao na televiso. O governo ainda controlava os meios de comunicao em Braslia. O presidente tentou viajar para Porto Alegre em avio de carreira. A decolagem porm foi sabotada por golpistas. Jango voou ento no avio presidencial, se arriscando a ser abatido por militares. Apesar do acordo com o general Nicolau Fico estabelecer que as tropas ficariam nos quartis em Braslia, os militares ocuparam as imediaes do Congresso para impedir manifestaes populares. Estas estavam previstas se os congressistas se reunissem para votar o impedimento do presidente. O motivo seria o fato do chefe da nao ter se ausentado do pas. Darcy Ribeiro fez ento um comunicado, lido por Doutel de Andrade na tribuna do Congresso Nacional, j na madrugada do dia 2 de abril.A ao do CongressoO senador Auro de Moura Andrade, presidente do Congresso Nacional, apesar do presidente da Repblica estar no Pas, declarou vaga a presidncia. Alegou que o presidente havia sado do Brasil e que o comunicado de Darcy Ribeiro era mentiroso. Andrade empossou o presidente da Cmara Ranieri Mazzilli como governante provisrio, ato considerado anos depois por juristas como irregular. Em seguida mandou desligar os microfones e as luzes rapidamente sob protestos de Tancredo Neves. Os participantes do Congresso Brasileiro criaram assim condies para o golpe militar e a ditadura que se seguiria.Jango vai embora do BrasilConsta que Darcy Ribeiro tentou convencer o presidente a resistir, como explicou em depoimento. Darcy considerava que o governo deveria resistir usando a aviao comandada pelo brigadeiro Teixeira para conter as tropas de Olmpio Mouro, composta de recrutas desarmados, e os fuzileiros comandados por almirante Arago, que poderiam ento prender Carlos Lacerda e Castello Branco. Goulart se recusou a resistir pois foi informado que os golpistas tinham o apoio da armada americana que estava se encaminhando para o Brasil, o que poderia conflagrar uma guerra civil. Joo Goulart tinha o apoio do Terceiro Exrcito comandado pelo general Ladrio Teles, e de Leonel Brizola. Porm decidiu ir embora do Brasil. A partir de ento teria surgido uma dura inimizade entre Brizola e Joo Goulart, que perduraria at 1976. O general Argemiro de Assis Brasil foi figura determinante na fuga de Jango do pas durante o golpe, pois protegeu-o e sua famlia, guiando-o em segurana para o Uruguai. Ao se apresentar s autoridades que assumiram ao poder, o general foi preso, processado e sua carreira profissional interrompida sendo considerado traidor. Perante o Exrcito Brasileiro o general Assis Brasil passou a ser considerado morto, perdendo assim todos os seus direitos e os anos dedicados quela arma.RepresliasO jornal ltima Hora e a sede da UNE so destrudos por militantes de Lacerda, muitas das organizaes que apoiavam Jango tiveram seus lderes presos e perseguidos duramente pela ditadura. medida em que o golpe militar foi avanando as liberdades individuais da populao brasileira foram sendo extinguidas com o endurecimento do regime.A ruptura da DemocraciaPara conseguir o intento modernizante apregoado pelos conservadores, estes afirmavam que era necessria a ruptura da Democracia, promovendo o fechamento do jogo poltico e do Congresso Nacional. A imposio de um estado de exceo com a ruptura dos direitos civis da populao e uma ditadura militar com o alinhamento poltico-econmico sob tutela e proteo dos Estados Unidos da Amrica, segundo aqueles, era primordial para a modernizao do Brasil, e, havia a doutrina propagandeada de que "(sic)...o que era bom para os Estados Unidos, era bom para o Brasil...".As responsabilidadesO movimento poltico militar de 1964 foi um golpe de estado, portanto no somente militar. O Congresso e a sociedade civil tiveram sua responsabilidade aceitando o patrocnio militar, financeiro e logstico dos Estados Unidos. A Operao Brother Sam, conforme amplamente divulgado pela prpria imprensa nacional e estrangeira teve papel importante em respaldar a Operao Popeye deflagrada por Olympio Mouro Filho. O National Security Archive, entidade de pesquisa e divulgao de documentos secretos do governo norte-americano, por ocasio dos quarenta anos do golpe militar, divulgou documentos j em domnio pblico do primeiro escalo do governo norte-americano da poca. Segundo os arquivos, para o presidente Lyndon Johnson, o que estava em jogo era o confronto global entre o comunismo sovitico e a democracia. Por essa razo Johnson estava disposto a fazer o que fosse preciso para ajudar o movimento que derrubou Joo Goulart. A embaixada e os consulados estadunidenses no Brasil, tinham agentes da CIA encarregados de levantar informaes sobre as atividades de comunistas e militares no Brasil. Segundo a Revista Veja na Edio 1848 de 7 de abril de 2004: "(sic)...Os militares e empresrios que conspiravam contra Jango tinham o hbito de pedir apoio aos americanos para suas aspiraes golpistas, revela um relatrio de Lincoln Gordon de 27 de maro de 1964... Uma nova leva de papis publicada na semana passada no site do National Security Archive...".A quebra da hierarquiaUma justificativa apresentada opinio pblica pelos militares aps a revoluo, era a de que este era um movimento poltico militar para derrubar Jango e restabelecer a hierarquia militar vertical abalada nas Foras Armadas, pelo apoio do presidente da Repblica luta emancipatria dos sargentos e marinheiros, que queriam candidatar-se a cargos pblicos. Este era "ato considerado irregular pela prpria legislao e pela Constituio vigente". Tambm afirmavam que queriam evitar a entrada de doutrinas de esquerda no Brasil. Afirmavam ainda que a finalidade do golpe foi tambm controlar a inflao e colocar o pas nos eixos. O golpe de 1964 se transformou numa sucesso de atos institucionais, mas tambm de construes de grandes obras. A modernizao elevou o pas como uma das grandes economias mundiais. As dvidas geradas pelas famosas Obras Faranicas, ao final da ditadura, geraram uma inflao galopante que levaram o Brasil a um perodo chamado posteriormente por alguns setores da Imprensa como A dcada perdida.As promessasSegundo as promessas elite, classe mdia e populao em geral, noticiadas na poca no rdio, televiso e imprensa, a Constituio, a normalidade democrtica e as eleies seriam preservadas e restabelecidas rapidamente. O crescimento do autoritarismo e das arbitrariedades cometidas pelospolticos e militares a seu servio militares permaneceram. O coronelismo, os grandes latifndios e as oligarquias se somaram s grandes empreiteiras de obras na manuteno do poder garantido pela ditadura. O sistema que se instalou no manifestava o desejo de abandonar o poder e convocar novas eleies como era esperado. Os protestos gerados foram reprimidos com a violncia e o endurecimento do regime.Os regimesOs regimes militares acompanham a histria do Brasil desde a Proclamao da Repblica, porm, sempre mais moderados. Este ltimo estava disposto a desenvolver o Brasil a qualquer custo, pois segundo sua doutrina, o Brasil tinha pressa em crescer.Anos de chumboOs anos de chumbo, como foi chamado pela imprensa, parafraseando o ttulo em portugus de um filme da cineasta alem Margarethe Von Trotta sobre a represso ao Baader-Meinhof nos anos 70, foram provavelmente os mais obscuros da histria do Brasil. Dezoito milhes de eleitores brasileiros sofreram das restries impostas por aqueles que assumiram o poder, ignorando e cancelando a validade da Constituio Brasileira, criando atravs de Atos Institucionais um Estado de exceo, suspendendo a democracia. Os EUA aceitavam, financiavam e apoiavam ditaduras da direita em pases nos quais acreditavam haver risco de migrao para o bloco comunista, como no caso da Argentina, Bolvia, Brasil, Chile, Haiti, Peru, Paraguai, Uruguai, etc.As grandes obrasIniciou-se uma poca de crescimento econmico espetacular, chamado pelo governo de Milagre brasileiro, programas televisivos como Amaral Neto, o Reprter, da Globo, Flvio Cavalcanti, Manchete, e publicaes como, ndice- o banco de dados, BRASIL em dados , Manchete 1971, mostravam imensas obras de engenharia, um pas realmente em crescimento exponencial, era a poca do Brasil Grande, Milagre Brasileiro ou o Milagre Econmico. Foram feitas grandes obras, como a rodovia Transamaznica e a ponte Rio-Niteri. ....O milagre brasileiro durante o regime militarEmlio Garrastazu Mdici em seu governo incentivou uma euforia desenvolvimentista. O regime militar passou a ser mostrado nos meios de comunicaes como um veculo de ordem e progresso. No faltaram oportunidades para demonstrar ao mundo o crescimento exponencial do pas, incentivando a entrada de capital voltil externo, por emprstimos e investimentos no mercado monetrio.O regime, os revolucionrios de esquerda, a censuraMdici com a ajuda dos radicais de direita derrotou e destruiu qualquer possibilidade de reao da esquerda, pois tinha a opinio pblica nacional e mundial a seu favor devido ao milagre econmico, propaganda institucional e o financiamento externo para a manuteno da ditadura. Os meios de comunicao demonstravam que o caminho seguido pelo regime era o correto, havia a censura que impedia a viso dos problemas brasileiros. O rdio, a televiso e os jornais, s mostravam notcias e pontos positivos.UfanismoO ufanismo uma expresso utilizada no Brasil em aluso a uma obra escrita pelo conde Afonso Celso cujo ttulo Por que me ufano pelo meu pas. O adjetivo ufano provm da lngua espanhola esignifica a vanglria de um grupo arrogando a si mritos extraordinrios. Para a populao, o regime militar de 1964 estava sendo bem sucedido. Nas escolas, haviam censores em salas de aula, professores que discordassem do regime, eram sumariamente presos e interrogados, muitos, demitidos, alguns torturados e mortos, outros desaparecidos. Foi nesta poca que apareceram os slogans: Brasil, Ame-o, ou deixe-o Este um Pas que vai para frente O governo passou a usar de propaganda para conseguir a simpatia do povo e induzi-los a uma sensao de otimismo generalizado, visando esconder os problemas do regime militar. O futebol tambm foi usado com objetivos ufansticos. O presidente Mdici, gacho, exigiu a convocao de Dad Maravilha, do Atltico Mineiro. Foi co-autor da msica "Pra Frente Brasil". Influenciou decisivamente na demisso de Joo Saldanha s vsperas da copa e criou financiamentos para compra de televises. Os militantes de esquerda passaram a parafrasear Marx, citando que "o futebol o pio do povo". A preocupao com o futebol era tanta que a comisso tcnica e diretoria da CBD eram dadas a militares. Na copa do Mundo de 1974, o presidente da CBD era o Almirante Heleno Nunes, enquanto o preparador fsico era o capito Cludio Coutinho, depois elevado a tcnico na copa do mundo de 1978, que alis o Brasil perdeu, deixando de disputar a final porque, segundo dizem alguns, o governo militar da Argentina teria atuado nos bastidores, fazendo com que o Peru perdesse um jogo por 6x0. Pel se recusou a participar da copa de 1974 por discordar do uso poltico da seleo brasileira pelos militares. Foi criado o campeonato brasileiro de futebol em 1971. Novamente houve uso poltico, com o governo influenciando a CBD para incluir times de algumas cidades a pedido de polticos. O povo logo criou o bordo "Onde a ARENA vai mal, mais um no nacional!"ConseqnciasO ufanismo generalizado pelo regime militar acabou tendo conseqncias gravssimas para a cultura nacional. Como o governo passou a associar tudo que era bom do Brasil ao regime militar, o povo passou a imediatamente rejeitar tudo que era nacional. Alm disso, a entrada dos produtos norte-americanos, e lanamentos de modismos entre os jovens, fizeram que aps a abertura poltica, as rdios fossem invadidas com msicas estrangeiras, o cinema nacional comeou a decair e dos currculos escolares foram retiradas as disciplinas EMC (Educao Moral e Cvica) nas escolas primria e ginasial (depois da reforma do ensino chamadas de primeiro grau) e OSPB (Organizao Social e Poltica Brasileira) nas escolas de ensino cientfico, ou segundo grau aps a reforma, vistas como marcas da ditadura.O regime inicia sua contraoEm 1974, o General Ernesto Geisel assumiu a Presidncia do Brasil, a dvida externa criada pelo governo militar estava iniciando sua lenta acelerao de crescimento exponencial. O golpe j tinha dez anos de idade. Segundo analistas econmicos, o crescimento da dvida externa, mais a alta dos juros internacionais, associadas alta dos preos do petrleo, somaram-se e desequilibraram o balano de pagamentos brasileiro. Conseqentemente houve o aumento da inflao e da dvida interna. Com estes fatores, o crescimento econmico que era baseado no endividamento externo, comeou a ficar cada vez mais caro para a Nao brasileira. Apesar dos sinais de crise, o ciclo de expanso econmica iniciado em meados de 70 no foi interrompido. Os incentivos projetos e programas oficiais permaneceram, as grandes obras continuaram alimentadas pelo crescimento do endividamento. Com a crise econmica veio a crise poltica, nas fbricas, comrcio e reparties pblicas o povo comeou um lento e gradual descontentamento. Iniciou-se uma crise silenciosa onde todos reclamavam do governo (em voz baixa) e de suas atitudes. Apesar da censura e das manipulaes executadas pela mquina estatal numa tentativa de manter o moral da populao, a onda de descontentamento crescia inclusive dentro dos quadros das prprias Foras Armadas, pois os militares de baixo escalo sentiam na mesa de suas casas a alta da inflao.O incio da queda da economiaNesta poca, comearam de fato os problemas econmicos ocasionados pela alta dos juros internacionais, a economia brasileira comeou com uma lenta derrocada, os investimentos externos comearam a se volatilizar, as empresas estatais iniciaram um processo lento de travamento operacional, o excesso de dvidas pblicas comeou a afetar o PIB.As grandes obras e o incio da acelerao inflacionriaAs obras gigantescas (popularmente conhecidas como obras faranicas) em andamento teriam que ser terminadas de qualquer forma, e a qualquer custo, pois caso contrrio colocaria o pas em risco de quebra. O governo se viu sem sada, foi obrigado a contrair mais e mais emprstimos. Com a oferta de capital externo escasso, os juros altos iniciaram uma lenta e gradual imploso da economia interna do pas, que culminaria futuramente com uma hiperinflao.Abertura democrtica lenta, gradual e seguraOs militares liderados por Geisel, percebendo que no havia mais sada sem crise, resolveram iniciar um movimento de distenso para abertura poltica institucional, lenta, gradual e segura, segundo suas prprias palavras. Este movimento acabaria por reconduzir o pas de volta normalidade democrtica. O Pacote de Abril baixado por Geisel em um movimento aparentemente contraditrio com a abertura poltica defendida por ele.Manobras contra a distensoSlvio Frota general da chamada linha dura expurgado do governo com a sua exonerao do Ministrio do Exrcito, pois estava articulando manobras contra a distenso. A demisso de Frota do cargo de Ministro do Exrcito por Geisel simbolizou o retorno da autoridade do Presidente da Repblica sobre os ministros militares, em especial do Exrcito. Esta lgica esteve invertida desde o Golpe de 64 com diversos ministros militares definindo questes centrais do pas tais como a sucesso presidencial. Foi um passo importante no processo de abertura poltica com posterior democratizao do pas e retorno dos civis ao poder. Em 1978, novas regras so impostas sociedade brasileira. Novamente aumentado o arrocho contra as liberdades individuais e coletivas da populao, alguns setores produtivos so postos sob a Lei de Segurana Nacional, sob a desculpa de serem de importncia estratgica para o pas. So proibidas as greves nos setores petrolfero, energtico e de telecomunicaes. A sociedade responde com mais descontentamento ainda. Em 23 de agosto o MDB indica o General Euler Bentes Ribeiro e o senador Paulo Brossard como candidatos a presidente e vice. No dia 15 de outubro, o Colgio Eleitoral elege o general Joo Baptista de Oliveira Figueiredo, candidato apoiado pelo ento presidente Geisel, para presidente, com 355 votos, contra 266 do general Euler Bentes. Em 17 de outubro de 1978, a Emenda Constitucional n 11 revogou o AI 5.Lei de segurana nacionalEm 29 de dezembro de 1978, sancionada a nova lei de segurana nacional, que prev penas mais brandas, possibilitando a reduo das penas dos condenados pelo regime militar. Decreto possibilita o retorno de banidos pelo regime.Governo FigueiredoCom a posse de Joo Baptista de Figueiredo e a crise econmica mundial aumentando aceleradamente, a quebra da economia de muitos pases, inclusive do Brasil se iniciou. As famosasmedidas heterodoxas impostas por Delfim Netto e pelo banqueiro ministro Mrio Henrique Simonsen na economia, vieram a agravar ainda mais a situao monetria do pas, fazendo o PIB despencar 2,5% em 1983.A exploso da dvida externaA dvida externa do Brasil saltou de 81 bilhes de dlares para 91 bilhes de dlares em questo de horas, explodindo os juros para a casa de 9,5 bilhes de dlares ao final do ano.O fim do regime militar e a hiperinflaoO final do regime militar de 1964 culminou com a hiperinflao, e grande parte das obras paralisadas pelos sertes do Brasil. Devido ao sistema de medio e pagamento estatal, as empreiteiras abandonaram as construes, mquinas equipamentos e edificaes.O sepultamento definitivo da ditaduraEm 8 de maio de 1985, o congresso nacional aprovou emenda constitucional que acabava com os ltimos vestgios da ditadura. Algumas das medidas aprovadas: Por 458 votos na cmara e 62 no senado foi aprovada a eleio direta para presidente (mas em dois turnos); Com apenas 32 votos contra na cmara e 2 no senado, foi aprovado o direito ao voto para os analfabetos; Os partidos comunistas deixaram de ser proibidos; Os prefeitos de capitais, estncias hidrominerais e municpios considerados de segurana nacional voltavam a ser eleitos diretamente; O Distrito Federal passou a ser representado no Congresso Nacional por trs senadores e oito deputados federais. Acabou com a fidelidade partidria; Finalmente em 28 de junho, Sarney enviou a emenda constitucional que convocava a Assemblia Nacional constituinte, que foi aprovada em 22 de novembro (Emenda Constitucional 26). Na verdade, por uma convencincia poltica, a Constituinte seria composta pelos mesmos deputados legisladores. Eleita em 15 de novembro de 1986 e empossada em 1 de fevereiro de 1987, a constituinte funcionou at 5 de outubro de 1988 quando foi promulgada a Constituio.

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